quarta-feira, 5 de agosto de 2026

Começa a fase de comunicação e engajamento do Método Wolbachia em Porto Velho

O município de Porto Velho inicia uma nova etapa no fortalecimento das ações de combate à dengue, zika e chikungunya: a fase de comunicação e engajamento do Método Wolbachia, tecnologia conduzida pela Fiocruz, em parceria com o Ministério da Saúde, e operada pela Wolbito do Brasil. Esta fase é fundamental para aproximar a população do projeto, tirar dúvidas, ouvir percepções e promover a participação ativa das comunidades locais. Ao todo, 276.393 pessoas serão contempladas em 27 bairros.


A Wolbachia impede que os vírus da dengue, zika e chikungunya se desenvolvam dentro do mosquito, reduzindo sua capacidade de transmitir doenças

O método utiliza mosquitos Aedes aegypti que carregam a Wolbachia, uma bactéria naturalmente presente em mais da metade dos insetos da natureza e que impede o desenvolvimento dos vírus das arboviroses no organismo dos insetos. Quando esses mosquitos se reproduzem, transmitem a Wolbachia para as próximas gerações. A bactéria impede que os vírus da dengue, zika e chikungunya se desenvolvam dentro do mosquito, reduzindo sua capacidade de transmitir doenças.

Antes da liberação dos mosquitos, a equipe da Wolbito, em parceria com a Prefeitura, realiza uma série de ações informativas e educativas em escolas, unidades de saúde, espaços públicos e associações comunitárias. Também estão previstas campanhas em rádios e TVs locais, redes sociais, mídias impressas e rodas de conversa com moradores, para garantir que todos compreendam o que é o método, como ele funciona e qual o seu impacto.

Após a etapa inicial, será realizada a liberação controlada dos mosquitos com Wolbachia, seguida por monitoramento técnico e acompanhamento epidemiológico para avaliar o estabelecimento da bactéria na região e os impactos na redução das arboviroses. Dessa forma, o município passa a integrar uma estratégia de saúde pública já aplicada em diferentes cidades do Brasil e do mundo.

“O sucesso do Método Wolbachia depende da confiança e do envolvimento das pessoas. É por isso que a fase de comunicação e engajamento vem antes de qualquer ação em campo. É um diferencial no Método, pois torna a população parte do projeto, fazendo com que se sintam parte responsáveis na construção da solução”, explica o diretor da Wolbito do Brasil, Sandro Fabiano da Luz.

A tecnologia é segura, não usa produtos químicos, não altera geneticamente os mosquitos e tem eficácia comprovada em diversos países. Em cidades como Niterói (RJ), onde o Método foi implantado, houve redução de até 70% nos casos de dengue, além de impactos positivos em zika e chikungunya. A iniciativa é recomendada pela Organização Mundial da Saúde (OMS) e aprovada pela Anvisa.

Depois da etapa de comunicação e engajamento será realizada a liberação dos Wolbitos no município. As solturas serão realizadas semanalmente, durante um tempo, por equipe técnica especializada, utilizando veículos e equipamentos próprios. A expectativa é que, ao longo dos meses, a presença de mosquitos com Wolbachia aumente de forma natural e estável na cidade. Para saber mais sobre o Método Wolbachia e acompanhar o cronograma das ações no município, os moradores podem acessar o site oficial ou seguir os perfis nas redes sociais.

O Método

O Método Wolbachia é conduzido pela Fiocruz, em parceria com o Ministério da Saúde, e operado pela Wolbito do Brasil. A estratégia é baseada em evidências científicas e integra o conjunto de ações nacionais de enfrentamento às arboviroses.

O Método utiliza mosquitos Aedes aegypti que carregam a Wolbachia, uma bactéria naturalmente presente em mais da metade dos insetos da natureza e que impede o desenvolvimento dos vírus das arboviroses no organismo do mosquito. Ao se reproduzirem, os insetos transmitem a bactéria para as próximas gerações, ampliando de forma progressiva e sustentável a presença da Wolbachia no ambiente. Com isso, os mosquitos têm capacidade reduzida de transmitir dengue, zika e chikungunya.

A metodologia é duradoura: estudos científicos demonstram que, mesmo após oito anos das primeiras liberações, os mosquitos mantêm a bactéria Wolbachia de forma estável na população. A implantação do Método Wolbachia no Brasil está presente em 16 cidades. Os próximos municípios indicados pelo Ministério da Saúde para implementação são Ribeirão Preto, São Carlos, Araraquara e São José do Rio Preto, todas em São Paulo, Contagem (MG), Foz do Iguaçu e Cascavel, no Paraná, e Anápolis, Aparecida de Goiânia e Trindade, as três em Goiás.

Insetário

O insetário é o espaço onde serão reproduzidos os mosquitos com a bactéria Wolbachia. O espaço é constituído por três ambientes principais, sendo a sala de preparação (onde são preparados os materiais para a criação de larvas dos Wolbitos – como são denominados os mosquitos); a sala de criação de larvas (onde são criadas as larvas); e a sala de criação de adultos (onde são mantidos os mosquitos adultos, após a evolução da fase de pupa, e preparados para as operações de liberação nas áreas escolhidas da cidade).

As salas de criação (das larvas e mosquitos adultos) são constantemente monitoradas e recebem manutenção adequada de temperatura e umidade, para garantir a produção segura dos wolbitos, seguindo as diretrizes do método Wolbachia. O insetário funcionará por um período de seis meses, de segunda a segunda, que é a fase de liberação dos mosquitos, coincidindo com o período necessário para a produção do quantitativo de wolbitos determinado pelo projeto.

Período eleitoral

Durante o período eleitoral (de 4 de julho até 25 de outubro), os conteúdos digitais publicados e disponibilizados pela Agência Fiocruz de Notícias (AFN) acompanham as orientações da Advocacia-Geral da União (AGU) e da Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República (Secom). O documento esclarece que é permitida a divulgação de "conteúdo meramente informativo ou de serviço ao cidadão".



Autor: fiocruz
Fonte: fiocruz
Sítio Online da Publicação: fiocruz
Data: 04/08/2026

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