sexta-feira, 28 de agosto de 2020

Saúde, ciência e tecnologia como áreas estratégicas do país


Foto: EBC
Saúde, ciência e tecnologia como áreas estratégicas do país

Artigo de Benisio Ferreira da Silva Filho e Alessandro Castanha

A pandemia da Covid-19 evidenciou alguns fatos importantes em nosso país, como o baixo investimento em saúde e ciência. Atualmente, a renda per capita em saúde anual é de apenas R$ 555,00, o que mostra uma queda do montante aplicado em outros anos. Isso tem resultado catastrófico, pois, como apresenta o próprio governo, é um prejuízo de mais de 400 milhões ao longo de 20 anos de congelamento. Tal situação tem se mostrado na quantidade de mortes causada pelo coronavírus, números que passam de 100 mil desde março deste ano.

Não é alarde sensacionalista, mas é certo e a comunidade científica sabe que em breve teremos outra pandemia. Quando? Não sabemos. Sabemos apenas que existem outros patógenos (vírus, bactérias e fungos) que podem começar a infectar humanos. Quando isso ocorrerá? Não sabemos.

Sendo esta uma verdade, nosso país deve enxergar o setor de saúde e ciência como parte estratégica para o desenvolvimento, e a partir de hoje fazer parte dos planos de defesa do país. O Coronavírus SARS-CoV-2, além das mortes que causou, provocou um abalo econômico no mundo. Os países independentes cientificamente são os que menos sofreram com o impacto. Países como o Brasil que dependem de outros para ter equipamentos, reagentes laboratoriais e material para proteção dos profissionais, teve seu problema potencializado pela inexistência de recursos próprios, mesmo possuindo excelentes profissionais em todas as áreas.

Torna-se obvio que os recursos empregados na área são insuficientes perante os processos pandêmicos, que valores como os que são fornecidos por pessoa são irrisórios de acordo com a necessidade. É um grave problema de saúde pública, pois deixa-se de pensar em prevenção e passa-se a pensar em remediação do problema. A medicina preventiva sempre foi e sempre será a medida mais econômica para os sistemas de saúde, pois é fato comprovado pela própria história que temos a capacidade de erradicar doenças do nosso meio, reduzir comorbidades e gerar prognósticos melhores para a saúde da população.

Da mesma forma que temos a saúde desprovida de recursos, não podemos deixar de analisar a ciência, tecnologia e inovação em nosso país. Estas, tanto quanto, a área de saúde vem ano após ano sofrendo com a decadência de investimento. Atualmente no Brasil, a aplicação de recursos gira em torno de 1,8% do PIB segundo o Ipea (Institude de Pesquisa Econômica Aplicada), enquanto países como EUA, Inglaterra e Alemanha investem 4%, 11% e 12%, respectivamente, em ciência e tecnologia.

Temos conhecimento e mão de obra especializada para produzir todos os equipamentos necessários. Temos conhecimento também para produzir reagentes, insumos laboratoriais, vacinas e fármacos. No entanto, sofremos com o não conhecimento dos números reais de pessoas infectadas, só contabilizamos infelizmente os mortos, não fizemos desde o início a testagem da população do jeito que deveria ser porque não tínhamos testes suficientes. Ficamos em pânico com a ideia da superlotação dos hospitais pois não há equipamentos para tantas pessoas, tivemos que comprar de outros países. Máscaras? Importamos milhares.

De fato, a falta de incentivo, fomento e políticas eficientes para áreas de saúde, pesquisa e desenvolvimento, acaba limitando muito o desenvolvimento tecnológico e inovações na linha de frente do combate de pandemias. A capacidade das instituições de pesquisa em superar as dificuldades de investimento ficou evidenciada na atual situação, foram inúmeros esforços na produção de respiradores de baixo custo para suprir a necessidade das UTIs para melhorar a sobrevida de pacientes com a Covid-19.

O fato de empregarmos parcos recursos é preocupante, pois enquanto países como EUA aplicam US$ 6 bilhões de dólares na ampliação do desenvolvimento de pesquisa em saúde e despontando na frente da descoberta de medicamentos e vacinas, nós brasileiros, não participamos diretamente como desenvolvedores ou parceiros em esforço conjunto internacional para tal e assim ficamos cada vez mais para trás, o que nos coloca numa posição final quando estes recursos tornarem-se disponíveis.

Sabendo que iremos enfrentar isso no futuro, acreditamos que a área de saúde, ciência e tecnologia deve a partir deste ano, fazer parte do programa de defesa do país, caso contrário estaremos de joelhos na próxima grande pandemia. Se continuarmos com os pequenos recursos investidos em saúde, ciência, pesquisa e desenvolvimento enfrentaremos os mesmos problemas sempre. Será que 2020 não é suficiente para mostrar que isso deve mudar?

Autores:

Benisio Ferreira da Silva Filho é biomédico, doutor em Biotecnologia e coordenador do curso de Biomedicina do Centro Universitário Internacional Uninter.

Alessandro Castanha é biólogo, especialista em Microbiologia clínica e professor do Centro Universitário Internacional Uninter.

in EcoDebate, ISSN 2446-9394, 28/08/2020




Autor: EcoDebate
Fonte: EcoDebate
Sítio Online da Publicação: EcoDebate
Data: 28/08/2020
Publicação Original: https://www.ecodebate.com.br/2020/08/28/saude-ciencia-e-tecnologia-como-areas-estrategicas-do-pais/

A crescente importância da valoração de danos ambientais


Desastre ambiental em Mariana, MG. Foto: EBC
A crescente importância da valoração de danos ambientais

Por Eugenio Singer, Celso Sekiguchi e Leticia Hirosue

A valoração socioeconômica e contabilidade dos danos ambientais constituem instrumentos analíticos desenvolvidos por algumas áreas da teoria econômica relacionadas à utilização de recursos naturais, ao consumo de insumos energéticos e à poluição. Sua abrangência, conforme se observa no que vem ocorrendo em nossa sociedade há décadas, vai desde problemas localizados, como a poluição gerada por uma planta industrial que impacta a comunidade vizinha, até questões de natureza e escalas muito mais abrangentes, como as que se relacionam com a perda de biodiversidade ou com os efeitos causados pelas mudanças climáticas em escala global.

Tais exemplos demonstram a gama diferenciada de problemas sobre os quais as técnicas de valoração econômica existentes podem ser aplicadas. Estas procuram valorar desde os danos sobre recursos de uso direto (perda de produtividade do solo, de ecossistemas como manguezais, florestas ou do trabalho) até o próprio valor de existência de uma determinada área, passando pelas funções desempenhadas pelos diferentes ecossistemas (como o tratamento terciário de resíduos, gestão dos resíduos sólidos, emissões de gases de efeito estufa ou a proteção de regiões costeiras).

No entanto, a incorporação desses valores em estudos de impactos socioambientais ou mesmo para fazer com que causadores dos prejuízos possam indenizar a população afetada ou o Estado pelo dano ou impacto gerado (Princípio do Poluidor-Pagador) tem se mostrado pouco efetiva no Brasil e mesmo no cenário internacional. Apesar disso, tais técnicas vêm sendo cada vez mais aperfeiçoadas e até recomendadas por organismos como o Banco Mundial para valorar esses recursos ou danos ambientais, que anteriormente ficavam sem quaisquer indicações em termos de valores monetários. Hoje, alguns desses valores servem, ao menos, como parâmetros para que se possa efetuar uma avaliação de alternativas para os empreendimentos propostos nas distintas regiões, ou ainda para determinar possíveis indenizações e, com isso, reparar danos causados.

Por outro lado, embora ecossistemas saudáveis forneçam recursos essenciais à vida humana, a dimensão ambiental e as contribuições do capital natural ainda são amplamente ignoradas pelas formas de contabilidade convencionais. O mesmo se aplica aos custos sociais ou ambientais (as tais “externalidades”, no jargão econômico) decorrente dos padrões de produção e consumo atuais, acarretando uma subvalorização dos “preços” de utilização desses recursos ambientais.

Para tanto, a contabilidade de capital natural (NCA, em inglês) constitui um dos meios capazes de integrar as contribuições da natureza e os efeitos prejudiciais da atividade econômica ao meio ambiente, baseando-se em uma estrutura contábil consistente, ao fornecer indicadores e informações relevantes e apoiando a formulação de políticas públicas globais, incluindo o Acordo de Paris e a Agenda 2030, referente aos 17 Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (ODS).

Para se ampliar a visibilidade e o significado do capital natural, faz-se necessária, também, a difusão dos diferentes métodos que podem ser utilizados para efetuar a valoração de determinados danos ou recursos ambientais. Um deles, o “Método de Valoração Contingente” (CVM), consiste na valoração indireta, com base em questionários que aferem a “disposição a pagar” dos possíveis interessados. Aplica-se a parques ou unidades de conservação futuras ou existentes e de valores de opção ou existência de determinada espécie ou ecossistema, dentre outros casos.

O “Método dos Custos de Viagem” (TCM), também de valoração indireta, tem como base o levantamento de gastos incorridos pelos visitantes ou usuários de um certo ecossistema. Serve à valoração de unidades de conservação já existentes ou de ecossistemas passíveis de serem degradados por determinados empreendimentos.

O “Método dos Custos de Compensação” é uma forma de valoração direta, com base em estimativas de valores que compensem problemas causados para uma determinada comunidade. Aplica-se aos danos já provocados ou passíveis de ocorrer, com impactado em comunidades, assim como os “Métodos dos Custos de Restauração”, também de valoração direta, que se baseiam nos valores de restauração de estruturas danificadas / impactadas por um acidente ou outra atividade econômica qualquer. Aplicam-se a danos causados ou aos passíveis de ocorrer.

Por fim, dentre os métodos de Contabilidade Ambiental voltados para empresas, os mais utilizados são: o de “Análise do Ciclo de Vida” (“Life Cycle Analysis”); o “Total Cost Accounting” ou “Full Cost Accounting”; o “Material Flow Accounting”; e o “Activity Based Accounting”. Quase todos eles têm denominações apenas em inglês, pois sequer constam de literatura específica em português, exceto o de “Análise dos Ciclos de Vida”.

Mais do que traduzi-los para nosso idioma, é fundamental que esses conceitos e metodologias, em sua maioria, passem a ser considerados e devidamente aplicados de modo crescente. Afinal, prevenir ou reparar danos socioambientais constitui um fator decisivo para o desenvolvimento sustentável e se torna cada vez mais relevante para os próprios negócios e a sociedade, bem como para a reputação e a perenidade das empresas.

*Eugenio Singer, PhD em Engenharia Ambiental e de Recursos Hídricos pela Universidade de Vanderbilt (EUA), é presidente da Ramboll no Brasil. Celso Sekiguchi, Economista Sênior, e Leticia Hirosue, Arquiteta e Urbanista da Ramboll no Brasil.

in EcoDebate, ISSN 2446-9394, 28/08/2020




Autor: EcoDebate
Fonte: EcoDebate
Sítio Online da Publicação: EcoDebate
Data: 28/08/2020
Publicação Original: https://www.ecodebate.com.br/2020/08/28/a-crescente-importancia-da-valoracao-de-danos-ambientais/

Casos de dengue caíram 77% com o uso do Método Wolbachia

Um estudo realizado pelo World Mosquito Program (WMP), da Universidade de Monash, na Austrália, em parceria com a Tahija Foundation e Universidade Gadjah Mada, na Indonésia, apontou redução de 77% na incidência de casos de dengue, virologicamente confirmados, nas áreas onde houve liberação de Aedes aegypti com Wolbachia, em Yogyakarta, na Indonésia, quando comparado com áreas que não receberam o método. Este é o primeiro teste padrão-ouro que mostra a capacidade de redução de casos de dengue através da metodologia do Aedes aegypti com a Wolbachia. No Brasil, a iniciativa é conduzida pela Fiocruz e já apresenta dados preliminares que apontam redução de chikungunya.


O estudo utilizou o método de teste negativo para analisar e medir a eficácia da Wolbachia (cepa WMel) em reduzir a incidência de casos confirmados de dengue em um período de 27 meses (foto: World Mosquito Program)

O estudo clínico randomizado controlado (Randomized Controlled Trial - RCT) “Applying Wolbachia to Eliminate Dengue (AWED)”, teve duração de três anos e foi conduzido em uma área que abrange cerca de 321 mil habitantes. Doze de 24 áreas de tamanhos semelhantes da cidade de Yogyakarta foram escolhidas aleatoriamente para receber os mosquitos com Wolbachia do WMP em conjunto com as medidas de rotina de controle da dengue realizadas no município. As 12 áreas restantes continuaram recebendo apenas as ações de rotina de controle da dengue.

O ensaio envolveu 8.144 participantes com idades entre 3 e 45 anos que se apresentaram a uma das 18 clínicas de atenção primária com febre aguda indiferenciada de um a quatro dias de duração. O estudo utilizou o método de teste negativo para analisar e medir a eficácia da Wolbachia (cepa WMel) em reduzir a incidência de casos confirmados de dengue em um período de 27 meses. Após 2 anos do término das liberações, a frequência de Wolbachia continua elevada nas populações de mosquitos Aedes aegypti nas 12 áreas de intervenção. A implementação do Método Wolbachia foi bem aceita pela comunidade e não houve preocupações de segurança.

Este estudo marca uma década de pesquisas de laboratório e de campo, começando primeiro na Austrália e depois expandindo para 11 países onde a dengue é endêmica, entre eles o Brasil. O diretor global do WMP, Scott O'Neill, afirma que este era o resultado que os cientistas do WMP esperavam. "Temos evidências de que nosso método é seguro, sustentável e reduz a incidência de dengue. Agora podemos ampliar essa intervenção para várias cidades em todo o mundo”, destaca.

A diretora de avaliação de impacto do WMP, Katie Anders, ressalta que “este é o primeiro estudo para demonstrar impacto na incidência da doença. O resultado do ensaio é consistente com nossos achados de estudos anteriores não randomizados em Yogyakarta e no norte de Queensland, e com previsões de modelagem epidemiológica de uma redução substancial na carga de dengue após implementação do Método Wolbachia”.

O estatístico independente do estudo, Nicholas Jewell, professor de Bioestatística e Epidemiologia da Escola de Higiene e Medicina Tropical de Londres e também professor da Universidade da Califórnia, em Berkeley, avalia que "os resultados são convincentes. É duplamente empolgante, pois o desenho do ensaio usado na Indonésia fornece um modelo que pode ser seguido por outras cidades candidatas a realizar intervenções de saúde".

Detalhes do resultado serão apresentados em novembro, em um congresso acadêmico, além de publicação em um periódico científico. Mais informações podem ser obtidas na página internacional do programa.

Método Wolbachia no Brasil

No país, o Método Wolbachia é conduzido pela Fiocruz, em parceria com o Ministério da Saúde, com apoio de governos locais. As ações iniciaram no Rio de Janeiro e em Niterói, em uma área que abrange 1,3 milhão de habitantes. Em Niterói, dados preliminares já apontam redução de 75% dos casos de chikungunya nas áreas que receberam os Aedes aegypti com Wolbachia, quando comparado com áreas que não receberam.

Atualmente, o projeto está em expansão para Campo Grande, Petrolina (PE) e Belo Horizonte. Na capital mineira também será realizado um estudo clínico similar ao conduzido pelo WMP na Indonésia. A cidade será a primeira das Américas a acompanhar casos de dengue, zika e chikungunya por meio de um estudo clínico randomizado controlado (RCT, em inglês), em conjunto com o Método Wolbachia.

Em uma primeira etapa, alguns bairros vão receber o Aedes aegypti com Wolbachia enquanto outros irão receber após a validação do estudo e aprovação junto ao Ministério da Saúde. A escolha dos bairros que vão receber o Método Wolbachia primeiro será por meio de sorteio, metodologia proposta pelo Estudo Clínico Randomizado.

Para a realização do RCT, serão convidadas para participar 60 crianças, na faixa etária de 6 a 11 anos, da 1ª à 3ª série, matriculadas em escolas públicas municipais de BH selecionadas para participar do projeto. Com a autorização dos responsáveis e o necessário consentimento das crianças, será colhida uma amostra de sangue, para avaliar se elas tiveram contato com o vírus da dengue, zika ou chikungunya.

Este estudo, chamado Projeto Evita Dengue, é realizado em colaboração com a implementação do Método Wolbachia, feito pelo WMP Brasil/Fiocruz em conjunto com a Prefeitura de Belo Horizonte. Trata-se de uma colaboração científica entre a Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e a Universidade de Emory, a Universidade Yale e a Universidade da Flórida. O estudo é financiado pelo Instituto Nacional de Alergia e Doenças Infecciosas (NIAID/NIH), dos Estados Unidos.

Antes do RCT, será realizado um piloto da operação do WMP Brasil em BH em três áreas de abrangência da Regional Venda Nova (Centros de Saúde Copacabana, Jardim Leblon e Piratininga). A previsão é que a liberação dos mosquitos com Wolbachia seja iniciada ainda neste ano.

Mais informações sobre o Método Wolbachia estão disponíveis no site do programa no Brasil.





Autor: Guilherme Costa (WMP Brasil)
Fonte: Fiocruz
Sítio Online da Publicação: Fiocruz
Data: 28/08/2020
Publicação Original: https://portal.fiocruz.br/noticia/casos-de-dengue-cairam-77-com-o-uso-do-metodo-wolbachia

As Cidades e seus Problemas de Infraestrutura – Cartilha Técnica para os Novos Prefeitos e Vereadores




As cidades constituem a mais radical intervenção modificadora do homem no meio físico natural, compondo um novo e particular ambiente, total e inexoravelmente diverso do ambiente natural então imperante no território virgem. Nessa condição abrigam hoje como moradores e usuários perto de 80% da população mundial.

Essa grande intervenção antrópica impõe um conjunto de severas solicitações ao meio físico geológico: eliminação da vegetação natural, desequilíbrios geotécnicos impostos por escavações, cortes, aterros e obras subterrâneas, sobrecargas por aterramentos e fundações concentradas e difusas, impermeabilização com aumento do escoamento superficial e redução da infiltração de águas pluviais, completa subversão do sistema drenagem superficial, exposição de solos à erosão, disposição de resíduos inertes, não inertes e perigosos, lançamento de efluentes industriais tóxicos, alterações climáticas locais, etc.

Por outro lado, requer desse mesmo meio físico geológico uma série de insumos: disponibilidade de áreas para crescimento urbano, agregados para construção civil – areia, argila, brita, materiais para aterramentos, água superficial e subterrânea, terras para produção agrícola horti-fruti, áreas para lazer e funções ambientais, áreas próprias para disposição de resíduos e locação de cemitérios, áreas especiais para instalação de aeroportos, portos, distritos industriais, etc.

Há já uma quantidade razoável de artigos e livros técnicos dedicados a ressaltar as diretas relações entre as cidades e o meio físico geológico em que se instalam e o qual modificam. Alguns geólogos inclusive sugerem uma Geologia Urbana como um campo próprio de aplicação dos conhecimentos geológicos aplicados. Entendamos, por princípio, o meio físico geológico como o conjunto maior de fatores geológicos propriamente ditos, geomorfológicos, hidrológicos e pedológicos, consideradas todas suas características físicas e seus processos dinâmicos pretéritos e atuais.

Entretanto, em que pese o amplo conhecimento já produzido a respeito do tema e as ferramentas técnicas disponibilizadas para sua correta gestão, como também os insistentes alertas dirigidos pelos geólogos e geotécnicos às autoridades públicas e privadas com mais clara atuação urbana, as cidades brasileiras insistem em desconsiderar quase por completo suas relações com o meio físico geológico, colhendo com isso enormes problemas, quando não verdadeiras tragédias: enchentes, deslizamentos, danos estruturais em edificações por abatimento de terrenos, perda de mananciais de águas superficiais e subterrâneas por efeito de alterações hidrogeológicas ou por poluição de solos e águas, degradação precoce de infraestrutura urbana, deterioração de condições ambientais, acidentes em obras civis, direcionamento dos vetores de crescimento urbano para áreas menos apropriadas para tanto, adoção de desenhos urbanísticos inadequados ao meio físico, etc.

Todos esses problemas determinam altíssimos custos financeiros e patrimoniais para a administração pública e para os negócios privados, com deterioração da qualidade de vida da população e de sua segurança social e, não raramente, com a estúpida perda de vidas humanas.

É assim inaceitável hoje a continuidade do descaso das autoridades públicas dos três poderes com os cuidados que as cidades brasileiras devem ter com suas características geológicas, o que sugere, diante da gravidade dos problemas provocados, que o fato seja considerado como crime de responsabilidade. Para o bom início da solução dessa grave falha as prefeituras de cidades médias e grandes deveriam manter em sua estrutura funcional núcleos técnicos, aos moldes de um Serviço Geológico, encarregados de estudar, planejar, orientar e monitorar toda a sorte de questões urbanas associadas ao meio físico geológico. Para as cidades de pequeno porte, esses conhecimentos deveriam ser obrigatoriamente oferecidos pelo Estado ou pela União.

Por outro lado, nossos gestores urbanos, no executivo e no legislativo, necessitam estar melhor informados sobre a natureza técnica e as causas dos vários e graves problemas de infraestrutura urbana, de forma a estar plenamente capacitados a decidir corretamente e com total independência sobre as medidas que são propostas para seu enfrentamento, não se deixando assim influenciar por propostas que, muito comumente, mais objetivam atender interesses de lobbies empresariais. Esse é o especial objetivo a que se propõe essa Cartilha.

Para acessar e/ou fazer o download da Cartilha Técnica para os Novos Prefeitos e Vereadores clique aqui

Geól. Álvaro Rodrigues dos Santos (santosalvaro@uol.com.br)


Ex-Diretor de Planejamento e Gestão do IPT – Instituto de Pesquisas Tecnológicas


Autor dos livros “Geologia de Engenharia: Conceitos, Método e Prática”, “A Grande Barreira da Serra do Mar”, “Diálogos Geológicos”, “Cubatão”, “Enchentes e Deslizamentos: Causas e Soluções”, “Manual Básico para Elaboração e Uso da Carta Geotécnica”, “Cidades e Geologia”


Consultor em Geologia de Engenharia e Geotecnia


Articulista da EcoDebate

in EcoDebate, ISSN 2446-9394, 28/08/2020




Autor: EcoDebate
Fonte: EcoDebate
Sítio Online da Publicação: EcoDebate
Data: 28/08/2020
Publicação Original: https://www.ecodebate.com.br/2020/08/28/as-cidades-e-seus-problemas-de-infraestrutura-cartilha-tecnica-para-os-novos-prefeitos-e-vereadores/

quarta-feira, 26 de agosto de 2020

Ministério da Saúde amplia testagem para Covid-19 no Brasil

Com capacidade para processar até 10 mil testes moleculares por dia, a Unidade de Apoio ao Diagnóstico da Covid-19 no Ceará começou as atividades nesta segunda-feira (24)

Desde o início da pandemia da Covid-19, o Ministério da Saúde ampliou a capacidade de testagem na rede pública em mais de 800%. A partir desta segunda-feira (24), o país passa a contar com mais uma unidade para diagnóstico da doença. A Unidade de Apoio ao Diagnóstico da Covid-19 da Fiocruz, no estado do Ceará, tem potencial para processar até 10 mil testes moleculares por dia. Com aumento da capacidade laboratorial, mais pessoas serão diagnosticadas precocemente favorecendo a adoção de medidas de isolamento de casos e o monitoramento de contatos pelos estados e municípios, reduzindo novas infecções, agravamento dos casos graves e óbitos.

O ministro interino da Saúde, Eduardo Pazuello, participou do evento que marcou o início das atividades da unidade da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz). Localizada no Campus da Fiocruz Ceará, no Distrito de Inovação de Eusébio, a unidade é parte do esforço do Governo do Brasil para ampliar a testagem da Covid-19 no Brasil, ação fundamental para a vigilância epidemiológica do vírus e o enfrentamento da pandemia. O Brasil estendeu a testagem para os pacientes com casos leves da doença nos serviços de saúde do Sistema Único de Saúde (SUS).

Durante o evento, o ministro afirmou que a pandemia deixará legados ao Brasil. “Alguns serão dolorosos, outros estruturais. Mas, um dos mais importantes será a relação institucional que foi construída entre estados, municípios, governo federal e a iniciativa privada, que vem resultando em uma resposta efetiva à pandemia”, disse. “O que estamos presenciando hoje no Ceará é a capilaridade do SUS; é o que está sendo feito no combate à pandemia, o que foi construído e entregue como estrutura. Esse legado será reconhecido no futuro como a grande resposta à pandemia no mundo”, ressaltou Pazuello.

De acordo com Pazuello, a ampliação da testagem dará aos gestores informações para que possam tomar decisões no combate à doença no país. “A testagem é fundamental para amparar o diagnóstico, e ainda mais importante para a avaliação de estratégias do governo federal, estados e municípios. Por isso, precisamos ampliar a testagem e essa logística vem sendo construída a muitas mãos, da iniciativa pública e privada, para que a gente possa entregar ao gestor a melhor condição para traçar estratégia”, ressaltou Pazuello.

A nova unidade da Fiocruz no Cerá é equipada com plataformas automatizadas e conta com cerca de 200 profissionais, entre biologistas e técnicos de laboratório capacitados que se revezarão em três turnos de trabalho para processar as amostras que são encaminhadas pelo Ministério da Saúde. A pasta custeará a operação.

Pazuello falou ainda sobre os investimentos da pasta para a vacina contra a Covid-19. “O Brasil está fazendo o que há de mais promissor em termos de vacina. O recurso de R$ 2 bilhões, da medida provisória, já está na Fiocruz para a assinatura do contrato de transferência dos recursos e recebimento da tecnologia, equipamentos e insumos para a fabricação da vacina”, explicou. Segundo o ministro, a melhor opção, até agora, é a vacina desenvolvida pela Universidade de Oxford em pareceria com a empresa AstraZeneca. “Não apenas pela capacidade de imunização, mas pelo quantitativo possível de insumos para fabricação de 100 milhões de doses iniciais. Existem outras iniciativas das quais estamos acompanhando. Todas vão somar e nos dar a efetividade da capacidade de imunização para nossa população”.

A presidente da Fiocruz, Nísia Trindade Lima, disse que a iniciativa é histórica e marca uma série de realizações. “A Fiocruz completou 120 anos e já tinha uma agenda de realizações em conjunto com o Ministério da Saúde. Esse trabalho tem uma dimensão regional e local e a Fiocruz reafirma aqui o seu compromisso para avançar nas ações de enfrentamento à pandemia”, ressaltou.

Unidade de Apoio ao Diagnóstico da Covid-19 do Rio de Janeiro

No dia 10 de agosto, foi inaugurada a Unidade de Apoio ao Diagnóstico da Covid-19 localizada na sede da Fiocruz no Rio de Janeiro. O local tem a capacidade de liberar até 15 mil resultados de testes moleculares por dia. Com o início da operação das duas plataformas, o Ministério da Saúde amplia em 25 mil o número de testes moleculares por dia no SUS.

Ministério da Saúde
(61) 3315-3587 / 3580

 

Por Catarina Boechat, da Agência Saúde
Atendimento à imprensa
(61) 3315-3587 / 3580




Autor: Ministério da Saúde
Fonte: Ministério da Saúde
Sítio Online da Publicação: Ministério da Saúde
Data: 26/08/2020
Publicação Original: https://www.saude.gov.br/noticias/agencia-saude/47389-ministerio-da-saude-amplia-testagem-para-covid-19-no-brasil

Ministério da Saúde autoriza implementação de serviços de radioterapia em Fortaleza

A pasta irá investir R$ 8,5 milhões em instalação de equipamento e execução das obras

O secretário de Atenção Especializada à Saúde do Ministério da Saúde, Luiz Otávio Franco Duarte, autorizou nesta segunda-feira (24) o início das obras para criação de espaços de radioterapia no Hospital CuraD’ars, da rede São Camilo, em Fortaleza, município do Ceará. Para os novos serviços, a pasta vai investir R$ 8,5 milhões no projeto, que deve ter início nos próximos 15 dias.



A iniciativa faz parte do Plano de Expansão da Radioterapia (PERSUS), programa que tem o objetivo de ampliar e criar novos serviços de radioterapia em hospitais. A ideia é reduzir os vazios assistenciais e atender as demandas regionais de assistência oncológica em conformidade com estados e municípios com a entrega de aceleradores lineares. Esses equipamentos possibilitam tratar quase todos os tipos de cânceres e tumores com maior precisão e com menos efeitos colaterais para o paciente.

O investimento do Ministério da Saúde será direcionado para a instalação do acelerador linear e para a execução das obras. A futura nova unidade de saúde deverá atender 600 pacientes ao ano, o que representa 50 pacientes ao mês.

A obra do Hospital CuraD’ars tem uma extensão total de 766 m² e deve ser concluída em 15 meses. “Para nós, foi uma grande conquista, sobretudo, para a população do estado que tem uma necessidade muito grande por esses serviços”, afirmou o superintendente da rede São Camilo Norte/Nordeste, Francisco Gomes.

O superintendente do ministério no Ceará, Caio Candido Carneiro, também participou da assinatura da autorização das obras.

PLANO DE EXPANSÃO DA RADIOTERAPIA

O PERSUS prevê a implantação de 100 equipamentos, 80 deles soluções de radioterapia contemplando, além dos equipamentos, obras de infraestrutura. Com o investimento federal de R$ 700 milhões no Plano de Expansão da Radioterapia, já foram implantados 24 aceleradores pelo PERSUS pelo País. Além dos aceleradores lineares do PERSUS, outros 13 convênios para aquisição desses equipamentos foram celebrados e encontram-se em execução. Todo o desenvolvimento do plano de expansão está sendo acompanhado pelo Tribunal de Contas da União (TCU).

O Ministério da Saúde abriu licitação e a empresa vencedora foi a norte-americana Varian Medical Systems, que produz os equipamentos, elabora os projetos de construção das casamatas, além de fiscalizar a execução das obras de construção dos locais destinados a abrigar os equipamentos.

O plano promove ainda a utilização de poder de compra do Estado como instrumento para compensação tecnológica para reduzir a dependência dessa tecnologia do país. Como parte do acordo de compensação tecnológica foi construída uma fábrica da empresa produtora dos aceleradores lineares no Brasil, possibilitando a implantação de um Centro de Treinamento, que é referência para toda a América Latina. Localizado em Jundiaí (SP), o centro treina profissionais para operação e manutenção dos equipamentos. A Varian também é responsável pela identificação de fornecedores locais de peças e acessórios e também a transferência de tecnologia em desenvolvimento de software para institutos tecnológicos brasileiros.

A implantação das soluções de radioterapia envolve a contratação de obras públicas e a aprovação dos projetos em órgãos como vigilâncias sanitárias e comissão nacional de energia nuclear. A importação e instalação do equipamento ocorrem de forma sincronizada com a evolução das obras, que são acompanhadas pela equipe técnica do Ministério da Saúde. O pagamento para a empresa só ocorre após a licença de operação, quando o serviço está autorizado a iniciar os tratamentos.



Agência Saúde
Atendimento à imprensa
(61) 3315-3587 / 3580




Autor: Ministério da Saúde
Fonte: Ministério da Saúde
Sítio Online da Publicação: Ministério da Saúde
Data: 26/08/2020
Publicação Original: https://www.saude.gov.br/noticias/agencia-saude/47392-ministerio-da-saude-autoriza-implementacao-de-servicos-de-radioterapia-em-fortaleza

Ministério da Saúde reúne especialistas para falar sobre saúde mental




Ação ‘Mentalize’ abordará temas como ansiedade, depressão, transtornos de aprendizagem e envelhecimento em três encontros virtuais com objetivo de desmistificar e reduzir estigmas relacionados a doenças mentais. 

O Ministério da Saúde promove uma série de ações com o objetivo de informar à população sobre questões envolvendo doenças mentais, na expectativa de promover saúde e bem-estar do brasileiro diante da pandemia da Covid-19. A primeira iniciativa consiste em três eventos virtuais do programa “Mentalize: sinal amarelo para atenção à saúde mental” que está marcado para os dias 25, 26 e 27 de agosto, sempre às 19h, no canal do Youtube do Ministério da Saúde. Serão encontros onlines, abertos ao público em geral, que reunirão especialistas para falar sobre temas que envolvem saúde mental com o foco na saúde da criança e do adolescente, dos trabalhadores e dos idosos. O objetivo é desmistificar e reduzir estigmas sobre doenças mentais.

“Iniciamos uma série de ações voltadas para esclarecimento e orientações sobre saúde mental a todos os brasileiros”, destaca a secretária de Gestão do Trabalho e da Educação na Saúde, Mayra Pinheiro. O Mentalize é o marco inicial das “Ações de Educação em Saúde em Defesa da vida” que o Ministério da Saúde lançará a partir de setembro, abordando temas como prevenção ao suicídio e da automutilação; prevenção da gravidez na adolescência; prevenção ao uso de drogas lícitas e ilícitas; e ética da vida.

A ação é uma parceria com os ministérios da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos; da Educação; da Justiça e Segurança Pública; e com entidades representativas da sociedade, como a Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP). Para Antônio Geraldo da Silva, presidente da Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP), essa iniciativa poderá salvar vidas. “ Um projeto que nos permite mudar o futuro de crianças e adolescentes deste País, por um simples motivo: promover a saúde mental, desde os seus primeiros sinais”.

O primeiro evento virtual, desta terça-feira (25/08), vai abordar questões que envolvem a saúde mental das crianças e dos adolescentes, com temas como Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH); transtornos de aprendizagem; drogas lícitas e ilícitas; e o uso inadequado da internet e dos jogos eletrônicos. O segundo encontro, na quarta-feira (26/08), tem foco na saúde do trabalhador. Serão abordados assuntos relativos à depressão, ansiedade, Transtorno de Estresse Pós-Traumático (TEPT) e Síndrome do Esgotamento Profissional.

No terceiro dia, quinta-feira (27/08), o encontro virtual focará na saúde do idoso, abordando a depressão e demência, o processo de envelhecimento e a reorientação da rotina diária. Os programas contarão com especialistas de cada área que tratarão dos assuntos de forma leve e informativa. Os debates serão intercalados com apresentações artísticas e lúdicas. 

BALANÇO O BRASIL CONTA COMIGO

O País chegou a mais de 1 milhão de cadastros de profissionais de saúde da ação estratégica “O Brasil Conta Comigo”. Essa iniciativa do governo brasileiro visa capacitar profissionais e estudantes da área de saúde para reforçar o atendimento à população nos estados e municípios no combate à Covid-19. “O Brasil passa a ser o primeiro país do mundo que, durante uma pandemia, conseguiu recrutar e capacitar seus profissionais de saúde para enfrentamento da doença”, enfatiza Mayra Pinheiro.

O cadastro também contempla a capacitação nos protocolos oficiais de enfrentamento à Covid-19. Já foram mais de 339 mil capacitações concluídas. Após a conclusão do curso online, o profissional poderá fazer parte das ações de enfrentamento ao coronavírus, atuando em locais onde há maior necessidade, conforme o comportamento e circulação do vírus no território nacional.

Nas localidades com maior necessidade de profissionais, após deliberação do Centro de Operações de Emergências em Saúde Pública para o novo coronavírus (COE-nCoV), o Governo Federal realiza a contratação dos profissionais, em caráter temporário, por até seis meses, com remuneração de acordo com o salário base de cada categoria, acrescido de adicional de insalubridade, e compatível com a carga horária específica da sua profissão. Até o momento, 468 profissionais, entre médicos, enfermeiros, técnicos de enfermagem, fisioterapeutas, farmacêuticos e biomédicos, foram contratados diretamente pelo Governo Federal e estão reforçando o atendimento dos serviços de saúde nos estados do Amazonas, Amapá e Roraima.

Outros estados e municípios também solicitaram acesso ao banco de dados: Amapá; Bahia; Maranhão; Paraíba; Piauí; Rio Grande do Sul; Rondônia; Santa Catarina; São Gabriel da Cachoeira (AM) e Tabatinga (AM). No total, foram compartilhados dados de 74.521 profissionais de saúde.

A estratégia também já recebeu cerca de 111 mil cadastros válidos de estudantes dos 5° e 6° ano dos cursos de medicina e do último ano dos cursos de graduação em enfermagem, fisioterapia e farmácia, devidamente matriculados em instituições de ensino superior que integram o sistema federal de ensino. Destes, 4.549 já foram recrutados para trabalhar no SUS. Os selecionados passam por capacitação e têm direito à bolsa – provida pelo Governo Federal –, de acordo com a carga horária cumprida. Além disso, no último mês, mais de 51 mil residentes receberam a bonificação de 20% sobre o valor da bolsa paga aos profissionais de saúde que estejam cursando Programas de Residência Médica e Residência em Área Profissional da Saúde.

PROFISSIONAIS DE SAÚDE

Sobre os profissionais de saúde que estão atuando, desde o início da pandemia, na assistência às pessoas com Covid-19, foram notificados, até o dia 15 de agosto, 1.169.398 casos de Síndrome Gripal suspeitos de Covid-19 no e-SUS Notifica, sendo 257.156 (22%) casos confirmados para Covid-19.

As profissões de saúde com mais registros dentre os casos confirmados de Síndrome Gripal (SG) por Covid-19 foram os técnicos/auxiliares de enfermagem, somando 88.358 casos. Também foram registrados 37.366 enfermeiros, 27.423 médicos, 12.545 agentes comunitários de saúde e 11.097 recepcionistas de unidades de saúde. Sobre a Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG), foram 1.034 confirmados por COVID-19, sendo que evoluíram para óbito 226 profissionais, sendo 87 técnicos ou auxiliares de enfermagem; 49 médicos e 36 enfermeiros.

Para garantir a proteção de profissionais de saúde que atuam na linha de frente do enfrentamento à Covid-19, o Ministério da Saúde já distribuiu 226 milhões de Equipamentos de Proteção Individual (EPIs) para todo o País. Entre os itens estão máscaras, aventais, óculos e protetores faciais, toucas, sapatilhas, luvas e álcool. As entregas representam mais um, entre diversos esforços do governo do Brasil, para auxiliar e reforçar as redes de saúde dos estados e municípios no combate à pandemia.

Confira a apresentação
Ministério da Saúde, com informações do Nucom SGTES
(61) 3315-3580 / 2745 / 2351




Autor: Ministério da Saúde
Fonte: Ministério da Saúde
Sítio Online da Publicação: Ministério da Saúde
Data: 26/08/2020
Publicação Original: https://www.saude.gov.br/noticias/agencia-saude/47391-ministerio-da-saude-reune-especialistas-para-falar-sobre-saude-mental

MS publica informações técnico-científicas sobre o Uso Racional de Medicamentos


Orientações são para profissionais da saúde e população

O Uso Racional de Medicamentos (URM) ocorre quando pacientes recebem medicamentos apropriados para suas condições clínicas, em doses adequadas às suas necessidades individuais, por um período adequado e ao menor custo para si e para a comunidade. Como iniciativa para a promoção do URM, o Ministério da Saúde publicou o livro Centros e Serviços de Informação sobre Medicamentos: princípios, organização, prática e trabalho em redes para promoção do Uso Racional de Medicamentos".

A obra, elaborada pelo Departamento de Assistência Farmacêutica e Insumos Estratégicos do Ministério da Saúde e especialistas convidados aborda os seguintes temas: o papel dos centros e serviços de informação sobre medicamentos para a promoção do uso racional de medicamentos; aspectos éticos e de comunicação no processo de informação sobre medicamentos e a Rede Brasileira de Centros e Serviços de Informações sobre Medicamentos – Rebracim.

Confira a publicação aqui:

https://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/centros_servicos_informacao_medicamentos.pdf

Por Vanessa Aquino, da Agência Saúde, com informações da SCTIE

Atendimento à imprensa
(61) 3315-2535/2351




Autor: Ministério da Saúde
Fonte: Ministério da Saúde
Sítio Online da Publicação: Ministério da Saúde
Data: 26/08/2020
Publicação Original: https://www.saude.gov.br/noticias/agencia-saude/47393-ms-publica-informacoes-tecnico-cientificas-sobre-o-uso-racional-de-medicamentos

segunda-feira, 24 de agosto de 2020

Poluição do ar pode influir no desenvolvimento de doenças cardiovasculares e diabetes


Poluição do ar pode influir no desenvolvimento de doenças cardiovasculares e diabetes
Um estudo pioneiro, baseado em um modelo de camundongo, descobriu que viver em um ambiente poluído pode ser comparável a comer uma dieta rica em gordura, levando a um estado pré-diabético

University Hospitals in Cleveland*, Ohio

A poluição do ar é o principal fator de risco ambiental do mundo e causa mais de nove milhões de mortes por ano. Uma nova pesquisa publicada no Journal of Clinical Investigation mostra que a poluição do ar pode desempenhar um papel no desenvolvimento de doenças cardiometabólicas, como o diabetes.

É importante ressaltar que os efeitos foram reversíveis com a interrupção da exposição. Os pesquisadores descobriram que a poluição do ar era um “fator de risco para um fator de risco” que contribuiu para o solo comum de outros problemas fatais como ataque cardíaco e derrame. Semelhante à forma como uma dieta pouco saudável e a falta de exercícios podem levar a doenças, a exposição à poluição do ar também pode ser adicionada a esta lista de fatores de risco.

“Neste estudo, criamos um ambiente que imitava um dia poluído em Nova Delhi ou Pequim”, disse Sanjay Rajagopalan, MD, primeiro autor do estudo, Chefe de Medicina Cardiovascular dos Hospitais Universitários Harrington Heart and Vascular Institute e Diretor do Instituto de Pesquisa Cardiovascular da Case Western Reserve University. “Concentramos partículas finas de poluição do ar, chamadas PM 2,5 (componente do material particulado <2,5 mícrons). Partículas concentradas como esta se desenvolvem a partir do impacto humano no meio ambiente, como escapamento de automóveis, geração de energia e outros combustíveis fósseis ”.

Essas partículas têm sido fortemente conectadas a fatores de risco para doenças. Por exemplo, os efeitos cardiovasculares da poluição do ar podem levar a ataques cardíacos e derrames. A equipe de pesquisa mostrou que a exposição à poluição do ar pode aumentar a probabilidade dos mesmos fatores de risco que levam a doenças cardíacas, como resistência à insulina e diabetes tipo 2. No estudo de modelo de camundongo, três grupos foram observados: um grupo de controle recebendo ar filtrado limpo, um grupo exposto ao ar poluído por 24 semanas e um grupo alimentado com uma dieta rica em gordura. Curiosamente, os pesquisadores descobriram que ser exposto à poluição do ar era comparável a comer uma dieta rica em gordura. Tanto a poluição do ar quanto os grupos de dieta rica em gordura mostraram resistência à insulina e metabolismo anormal – exatamente como alguém veria em um estado pré-diabético.

Essas mudanças foram associadas a mudanças no epigenoma, uma camada de controle que pode ativar e desativar com maestria milhares de genes, representando um buffer crítico em resposta a fatores ambientais. Este estudo é o primeiro de seu tipo a comparar as mudanças epigenéticas de todo o genoma em resposta à poluição do ar, comparar e contrastar essas mudanças com a ingestão de uma dieta pouco saudável e examinar o impacto da cessação da poluição do ar nessas mudanças.

“A boa notícia é que esses efeitos foram reversíveis, pelo menos em nossos experimentos”, acrescentou o Dr. Rajagopalan. “Uma vez que a poluição do ar foi removida do meio ambiente, os ratos pareceram mais saudáveis e o estado pré-diabético pareceu se reverter”.

O Dr. Rajagopalan explica que se você mora em um ambiente densamente poluído, tomar medidas como usar uma máscara N95, usar purificadores de ar internos portáteis, utilizar ar condicionado, fechar janelas de carro durante o trajeto e trocar filtros de ar de carro com frequência podem ser úteis em manter-se saudável e limitar a exposição à poluição do ar.

Os próximos passos desta pesquisa envolvem reunir-se com um painel de especialistas, bem como com o National Institutes of Health, para discutir a realização de ensaios clínicos que comparem a saúde cardíaca e o nível de poluição do ar no meio ambiente. Por exemplo, se alguém tiver um ataque cardíaco, deve usar uma máscara N95 ou um filtro de ar portátil em casa durante a recuperação?

O Dr. Rajagopalan e sua equipe acreditam que é importante abordar o meio ambiente como um fator de risco à saúde da população e continuar a pesquisar diligentemente essas questões. Os autores também observam que essas descobertas devem encorajar os legisladores a promulgar medidas destinadas a reduzir a poluição do ar.

Shyam Biswal, PhD, Professor do Departamento de Saúde Ambiental e Engenharia da Escola de Saúde Pública da Universidade Johns Hopkins, é o co-autor sênior do estudo. Drs. Rajagopalan e Biswal são co-PIs no subsídio do NIH que apoiou este trabalho.

Referência:

Metabolic effects of air pollution exposure and reversibility
Sanjay Rajagopalan, … , Kasper D. Hansen, Shyam Biswal
Published August 11, 2020
J Clin Invest. 2020. https://doi.org/10.1172/JCI137315.

* Tradução e edição de Henrique Cortez, EcoDebate.

in EcoDebate, ISSN 2446-9394, 24/08/2020





Autor: EcoDebate
Fonte: EcoDebate
Sítio Online da Publicação: EcoDebate
Data: 24/08/2020
Publicação Original: https://www.ecodebate.com.br/2020/08/24/poluicao-do-ar-pode-influir-no-desenvolvimento-de-doencas-cardiovasculares-e-diabetes/

Consumismo exibicionista – O consumo como sentido da vida


Foto: Pixabay
Consumismo exibicionista – O consumo como sentido da vida

Artigo de Roberto Rohregger

Talvez a pandemia tenha feito com que aparecesse a nossa pobreza. Não necessariamente a pobreza material, que também foi salientada drasticamente em muitos casos, mas a pobreza de sentido de vida. Parece que consumir tornou-se mais importante que a própria vida, consumir passou a dar o sentido da vida, chegou-se completamente a era do ter para ser.

Efetivamente vivemos para consumir, e se não podemos consumir, simplesmente não vale a pena viver. Não podemos aguentar shoppings fechados, como podemos viver sem frequentarmos os templos do consumismo?

Edgar Morin, destaca no seu livro A via para o futuro da humanidade que, “a onipresença publicitária nas mídias e nos muros das cidades, a valorização de produtos dotados de virtudes ilusórias para o paladar, para a saúde, para a beleza, para a sedução, tudo isso, estimula os consumismos para os quais, mais adiante, proporemos os antídotos”. O consumo transforma-se em um gerador de experiências, o objetivo é demostrar uma nova sensação, sentimento, emoção. Em alguns casos, parece que até mesmo a religião se transformou em uma pequena filial do mega templo hiper capitalista que se tornou a própria vida, oferecendo experiências religiosas.

Precisamos consumir, mas não para nós mesmos, para satisfazer uma necessidade material ou pessoal. Precisamos consumir para mostrar aos outros, sim o consumo solitário não nos satisfaz, não é em decorrência de necessidade que consumimos, e nem tanto pelo prazer do objeto material em si, mas consumimos para mostrar, exibir, demonstrar ao outro quem somos, que somos felizes, realizados, mas só somos se pudermos demostrar, e essa felicidade dura o tempo do número de “curtidas” que obtivermos nas redes sociais, a nossa vitrine para exibirmos nossa felicidade. Como afirma Lipovetsky em Os tempos hipermodernos, “o que caracteriza o hiperconsumo, ou consumo-mundo, é o fato de que até o não-econômico – família, religião, sindicalismo, escola, procriação, ética – é permeado pela mentalidade do homo consumericus”.

Porém essa felicidade que nos toca é fugaz, passageira. Enquanto as dos outros parecem maiores, plenas, então nosso olhar busca uma nova felicidade, em uma nova oferta, ao alcance do cartão de crédito, e logo vendemos uma parte da nossa vida futura para adquirir um pedaço da felicidade agora, negociamos com a própria vida para exibirmos a nossa felicidade, mesmo que isso signifique aumentarmos o peso das amarras no futuro.

Por isso não faz sentido para muitas pessoas proteger a vida, se não se pode consumir, pois sem consumir e exibir, não há mais vida, então vale a pena arriscar a vida, agora desprovida de sentido que não seja o de consumir.

Roberto Rohregger é professor da área de Humanidades da Escola Superior de Educação Centro Universitário Internacional Uninter.

in EcoDebate, ISSN 2446-9394, 24/08/2020




Autor: EcoDebate
Fonte: EcoDebate
Sítio Online da Publicação: EcoDebate
Data: 24/08/2020
Publicação Original: https://www.ecodebate.com.br/2020/08/24/consumismo-exibicionista-o-consumo-como-sentido-da-vida/

Mascne: como o uso de máscaras para proteger contra o coronavírus está mudando nossa aparência


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O look de 2020: máscaras que cobrem o rosto são obrigatórias para quem sai de casa

Para muitos de nós, as máscaras viraram uma parte essencial do cotidiano graças ao coronavírus. Mas usar uma com muita frequência tem um efeito colateral indesejável: a formação de acne por conta da máscara, ou "mascne".

"A mascne é um problema real. Sem dúvidas", diz Mona Gohara, professora de dermatologia da Escola de Medicina da Universidade Yale, nos Estados Unidos.

"Eu uso duas máscaras e, às vezes, um protetor facial com viseira e eu mesma já tive isso e continuo tendo."


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A fricção da máscara com a pele provoca rupturas na pele que permitem a entrada de bactérias

Além disso, o ar fica úmido embaixo da máscara. "Respirar dentro da máscara cria um ambiente quente e úmido que aumenta a produção de suor, oleosidade e bactérias. Somando-se a isso o fato de que as máscaras são oclusivas [feitas para bloquear tudo] por natureza, e temos aí uma receita para o desastre para a pele", diz Yong.
O que fazer para evitar?

A dermatologista diz a seus clientes que a única forma de combater a mascne é "evitando usar cremes grossos e oclusivos".

"Digo para escolherem produtos mais leves e baseados em água. Hidratantes leves também podem servir como uma barreira adicional e prevenir contra irritação", diz ela.

"Idealmente você também deveria estar usando um esfoliante leve e sutil para ajudar na absorção do hidratante."

As empresas que vendem produtos para pele foram rápidas em perceber o fenômeno da mascne. A marca coreana Dr. Jart agora tem uma categoria especial em seu site, "Maskne Essentials", com itens como "barreira facial para máscaras" e adesivos contra acne.


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A marca Dr. Jart já tem produtos especiais para máscaras

Segundo a marca L'Oreal, nos últimos meses, houve um aumento muito grande na procura por produtos de limpeza de pele. Jochen Zaumseil, vice-presidente da empresa na Ásia e Pacífico, disse que a mudança de hábitos de higiene provocada pela covid-19 é um dos fatores que influenciam esta alta.
Maquiagem em baixa

Mas, enquanto a indústria dos cuidados com a pele está prosperando, a de maquiagem está em queda, porque as pessoas estão passando mais tempo em casa por causa da pandemia.

Zaumseil diz que as vendas deve voltar ao normal quando tudo passar ou quando os escritórios reabrirem. De acordo com a L'Oréal, isso já acontece na China, que parece estar em uma situação diferente em relação ao coronavírus em comparação com o resto do mundo.

A empresa diz que 34% das chinesas usavam maquiagem em fevereiro, o auge da quarentena no país. No começo de julho, eram 68%. No entanto, a L'Oréal disse que existe uma demanda consistente por produtos que realcem características acima da máscara.

Direito de imagemMELINA BASNIGHTImage captionA YouTuber Melina Basnight recomenda maquilagem forte para os olhos em pessoas que usam máscaras

"Os olhos são a parte mais visível do rosto agora, então, delineadores estão vendendo muito bem", disse Zaumseil.

Outro produto popular são os batons que não borram e não passam para a máscara. No YouTube, há muitos vídeos que ensinam a combinar maquiagem e máscaras. Contornos pesados estão fora de moda. Olhos ousados são a bola da vez.

"Estamos focando mais em sobrancelhas, sombras, porque é algo que cobre metade do seu rosto. Eu gosto de sobrancelhas grossas e uma palheta de cores ousada e colorida para ressaltar os olhos", diz a youtuber americana Melina Basnight.

"Também uso maquiagem leve no resto do meu rosto, porque há momentos em que você tira a máscara."
As três dicas de Melina:


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COLLAGE/MELINA BASNIGHT

1. Um olho ousado e com muitas cores faz a pessoa se sobressair.

2. Sobrancelhas grossas.

3. Usar maquiagem na parte inferior do rosto, mas de forma sutil.

Basnight, que trabalha em um hospital no Texas, precisa usar máscara todos os dias para trabalhar. "As pessoas ainda querem usar maquiagem com suas máscaras. Isso dá um sentido de normalidade. Em uma época em que nada está normal, é uma pequena coisa a qual você pode se apegar." Por isso, ela decidiu criar um tutorial no seu canal no YouTube, o MakeupMenaree.


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SMILE LIKE NINA/YOUTUBE
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A youtuber Nina Carpio passou a usar menos maquiagem por conta das máscaras

A youtuber Nina Carpio, do canal Smile Like Nina, também fez algo parecido em maio. A combinação de maquiagem e suor havia irritado sua pele e sujado sua máscara.

Ela passou a usar apenas hidratante e um batom leve e prevê que continuará a fazer isso por um tempo. "Enquanto estivermos na pandemia, máscaras faciais serão parte do nosso dia-a-dia, e vamos precisar nos adaptar a isso."




Autor: BBC News Brasil
Fonte: BBC News Brasil
Sítio Online da Publicação: BBC News Brasil
Data: 24/08/2020
Publicação Original: https://www.bbc.com/portuguese/geral-53840388

Coronavírus: 'Virei alcoólatra durante a pandemia'


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Chris diz estar sóbrio há dois meses

Antes da pandemia, o britânico Chris McLone estava prevendo que teria um bom ano.

Perto dos 50 anos, ele se sentia saudável e em forma, curtindo a vida com uma carreira bem-sucedida em vendas.

Sempre sociável, Chris gostava de sair na noite e ir a jogos de futebol. O álcool era parte da sua vida social, mas ele nunca encarou isso como um problema.

Mas já nas primeiras semanas de quarentena, Chris — que vive em Teesside, no Reino Unido — deixou de ser uma pessoa que gostava de beber, e passou a ser alguém que precisa de uma bebida.

"Eu suponho que sempre fui uma pessoa que bebia socialmente — eu nunca ficava dentro dos limites recomendados, então, sim, eu gostava de beber, às vezes um pouco mais do que deveria, como muitas pessoas."


"Eu estava bem antes da quarentena, eu estava me mantendo em forma, eu estava nadando cinco vezes por semana, eu estava indo bem no trabalho e eu estava com uma mentalidade boa, sendo sincero."

Sua filha trabalha em um dos setores da economia que não pode parar durante a pandemia. Para proteger a saúde do pai, ela saiu de casa e foi morar em outra casa, deixando Chris morando sozinho — isolado, ansioso e com dúvidas sobre o futuro. Isso fez surgir uma depressão.

Essa sensação se prolongou e Chris começou a beber cada dia mais.

Chris diz que começou a sentir sintomas de abstinência no final. "Apesar de eu querer reduzir e parar naquele momento, eu não estava mais em controle. E essa foi a parte mais assustadora."

"Eu nunca me senti assim na vida e tive que admitir isso para mim mesmo. Eu estava bebendo muito cedo na manhã para parar com os sintomas de abstinência."

"Eu prometia a mim mesmo que não faria isso no dia seguinte. E é claro, a mesma coisa acontecia no dia seguinte. E foi aí que percebi que eu teria que dar um passo grande para procurar um tratamento de verdade."

Com ajuda e apoio da família, Chris passou a frequentar o programa de reabilitação para dependentes de drogas e álcool na sua região.

Ele já está sóbrio há 70 dias e diz estar determinado em manter seus "demônios" adormecidos.

"Onde eu estava antes, era um lugar horrível e escuro, e a sobriedade é fantástica. Eu não consigo explicar o quão bem eu me sinto."
'Todo dia é sexta'

Um dos que ajudou Chris a retomar sua vida foi o médico Rob Hampton, especialista em vícios.

Ele diz que percebeu um aumento significativo no número de pessoas buscando ajuda. A história de Chris está longe de ser a única.

"Quando ouço as histórias, essas são pessoas que, há poucas semanas, estavam funcionando bem, mantendo seus empregos, vivendo vidas normais no cotidiano."

"Em três semanas, eles se tornaram alcoólatras em necessidade de reabilitação e desintoxicação."

"Se você olhar para o que a quarentena significa para a vida das pessoas. Alguém me fez uma colocação perfeita: 'todo dia é sexta-feira agora'. Não temos mais motivos para sair da cama pela manhã."

"Você acrescenta a isso a solidão que muitos sentem, a insegurança no emprego e todo tipo de estresse e problema em relação à incerteza com o futuro."

Tudo isso é familiar para a British Liver Trust, entidade britânica que auxilia pessoas com problemas de alcoolismo.

A linha de telefone da entidade registrou um aumento de 500% nas ligações desde que começou a quarentena, indicando que existe um aumento grande no número de pessoas que estão tendo problemas com bebida.

Outra estatística preocupa: o número de mortes relacionadas com doenças de fígado provocadas pelo álcool cresceu 400% desde os anos 1970.

Esse tipo de doença mata 40 pessoas por dia no Reino Unido e já é a terceira maior causa de mortes prematuras no país (sendo a maior causa em pessoas de 35 a 49 anos).

A Escócia e o País de Gales adotam um preço mínimo para venda de bebidas alcoólicas. A Inglaterra diz que não tem planos para seguir essa iniciativa.

Pessoas como Chris estão tendo dificuldades para lidar com a quarentena. Atividades como brincar com o cachorro ou tocar guitarra o ajudaram a se manter ocupado e sóbrio.

"Eu acho que o melhor conselho que posso dar é: seja honesto. Seja honesto consigo mesmo, seja honesto com os outros, conte para todos o que você está passando. Não é só mais um estigma, como era no passado. É uma doença."




Autor: BBC News Brasil
Fonte: BBC News Brasil
Sítio Online da Publicação: BBC News Brasil
Data: 24/08/2020
Publicação Original: https://www.bbc.com/portuguese/geral-53884887

'Estamos exaustos': o efeito da quarentena mais longa do mundo sobre os argentinos


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A quarentena na Argentina já dura 5 meses

Alguns argentinos a chamam de "quareterna", fazendo piada, porque o isolamento social preventivo e obrigatório decretado há cinco meses pelo governo de Alberto Fernández tornou-se a quarentena ininterrupta mais longa do mundo.

O longo confinamento criado para evitar uma maior propagação do coronavírus tem efeitos colaterais econômicos, sociais e psicológicos.

Afeta principalmente o coração demográfico, financeiro e industrial do país: a região metropolitana de Buenos Aires, onde vive 40% da população argentina e onde se concentra a pandemia do coronavírus.

Enquanto alguns países se preparam para uma segunda onda de covid-19, a Argentina ainda não saiu da primeira. Atividades como encontrar amigos, ir a bares ou ir à praia estão proibidas desde 20 de março.

Os habitantes da chamada Grande Buenos Aires só têm autorização oficial para sair para emergências médicas, para fazer compras ou prestar serviços locais. Passeios recreativos para adultos são proibidos.

O transporte público é reservado exclusivamente ao pessoal que desempenha tarefas essenciais ou que possui autorização especial. E quem sai de carro sem necessidade corre o risco de perder a carteira de motorista.

Os esportes individuais só agora foram permitidos. Desde junho, só é permitido sair para correr, mas exclusivamente para os moradores da capital e em horário restrito.
Crianças confinadas

Os mais afetados pelas restrições foram as crianças. Desde março, aquelas que moram na região metropolitana só podem sair de casa para nas compras.

Na capital, governada de forma autônoma, os menores têm um pouco mais de liberdade: em meados de maio os passeios recreativos eram permitidos nos finais de semana. Desde o final de julho, as crianças podem sair todos os dias, embora apenas por uma hora e perto de sua casa.

Apesar dos efeitos colaterais, as medidas de isolamento conseguiram evitar milhares de mortes causadas pela covid-19, segundo as autoridades. A Argentina tem uma taxa de letalidade muito menor do que muitos países da região, como Brasil, México, Peru, Chile, Colômbia, Bolívia e Equador.

Cerca de 90% das infecções ocorrem na área metropolitana de Buenos Aires. Foram 300 mil infectados e 6 mil mortos no total.

A Argentina tem, além disso, conseguido evitar o colapso do sistema de saúde, objetivo principal da chamada estratégia de "achatar a curva de contágio".

O problema é que, após tantos meses de quarentena contínua, boa parte dos argentinos deixou de obedecer às ordens do governo e as ruas das grandes cidades voltaram a ficar lotadas.

Seja pela necessidade de trabalhar ou para se libertar do longo confinamento, hoje poucos habitantes continuam a cumprir o isolamento rígido ordenado pelo decreto presidencial.

Isso levou o presidente a afirmar no dia 14 de agosto que "a quarentena não existe mais" na prática, antes de anunciar a décima prorrogação oficial do "isolamento social, preventivo e obrigatório", que vai até 30 de agosto.
Festas em família proibidas

O cansaço da sociedade argentina com a quarentena hoje é evidente, e fez com que a circulação do vírus aumentasse no pior momento: em pleno inverno. Atualmente, a Argentina é um dos países do mundo com maior número de casos registrados a cada 24 horas.

O governo e seus detratores culpam-se mutuamente por esse aumento.

Para as autoridades e seus apoiadores, a culpa é da irresponsabilidade de quem rompe a quarentena.

Para os críticos, a estratégia do governo teria falhado, pois "era previsível que a sociedade não suportasse tantos meses consecutivos de isolamento social".

Mas o governo não quis arriscar piorar a epidemia com a abertura. Nos primeiros dias de agosto, o presidente proibiu expressamente reuniões de familiares ou amigos em todo o país.

"Eu sou obcecado pela quarentena, sou obcecado pela saúde dos argentinos", disse o presidente Fernández ao anunciar a décima prorrogação da medida.

O decreto que ele assinou proíbe "eventos sociais ou familiares em espaços fechados e nas casas das pessoas, em todos os casos e qualquer que seja o número de participantes, exceto para o grupo em convivência".

A violação desta regra é considerada uma infração penal e inclui penas que chegam a dois anos de prisão (embora ninguém tenha sido punido até agora).

Para os críticos do governo, essa foi a gota d'água: no dia 17 de agosto, feriado nacional, milhares saíram para protestar em diferentes cidades do país.

O protesto foi fortemente criticado por quem considera imprudente estar em multidões em meio a uma pandemia e quando as infecções estão aumentando.

Até mesmo alguns representantes da oposição expressaram suas objeções à marcha, e muitos dos que se opõem às medidas do governo se abstiveram de participar.

No entanto, alguns observadores viram isso como uma explosão de frustração de uma parte significativa da sociedade seriamente afetada por esses cinco meses de quarentena.


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Casos voltam a aumentar com cansaço de argentinos com a quarentena
Danos econômicos

Embora seja difícil determinar quanto do dano econômico foi causado pela pandemia e quanto pela quarentena — e quão pior ele seria se mais gente tivesse morrido — a verdade é que a Argentina vive um declínio econômico maior do que o da crise de 2001-2002, até agora o pior desastre econômico de sua história recente.

O país já estava em recessão há dois anos, e tinha uma dívida impagável, quando Fernández decretou a quarentena.

Embora a decisão de proibir as demissões, decretada em abril último, tenha permitido que grande parte dos assalariados continuem recebendo seu salário — assistidos pelo Estado — a pressão sobre as empresas tem sido devastadora.

De acordo com a Câmara de Comércio e Serviços Argentina, mais de 42 mil pequenas e médias empresas fecharam desde março, o dobro das que desapareceram durante a crise de 2001-2002.

Marcos Novaro, diretor do Centro de Pesquisas Políticas (Cipol), disse à BBC News Mundo, o serviço em espanhol da BBC, que se trata de um "massacre de empresas";
'Uma epidemia de doença mental'

Para centenas de milhares de argentinos, perder a fonte de trabalho ou não saber se a perderão em breve representa uma angústia que agrava os problemas de saúde mental que surgiram durante a quarentena.

A Fundação Ineco, do neurocientista Facundo Manes, verificou que os níveis de depressão na população argentina se multiplicaram em relação aos valores "pré-pandêmicos".

"No início da quarentena, seis em cada dez argentinos apresentavam sintomas de ansiedade leves, moderados ou graves. Com o passar dos dias, esses sintomas permaneceram, mas a angústia gradualmente se transformou em depressão", explicou Manes.

Os mais afetados são os jovens: oito em cada dez apresentam alguns sintomas de depressão."Estamos vendo uma epidemia de doenças mentais", disse o especialista à Rádio Mitre. "Hoje nós, argentinos, estamos exaustos."

Manes destacou a importância de evitar que essa situação se torne crônica."Se temos um povo deprimido, desmotivado e ansioso, enfrentamos não só um problema humanitário, mas também social e econômico", destacou, lembrando que "não podemos ter uma quarentena eterna".

Segundo o neurocientista, o problema não é apenas o isolamento, mas também a falta de previsibilidade e "um horizonte claro".


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Para muitos argentinos, ir ao mercado é a única saída permitida

Nesse sentido, os argentinos não só não sabem quando terminará a quarentena. Muitos também não sabem quando poderão mandar seus filhos para a escola novamente ou quando poderão viajar novamente.

O Ministro da Educação questionou se as aulas presenciais serão retomadas no próximo ano, quando o novo ano letivo começar em março.

E o Ministro dos Transportes já anunciou que as companhias aéreas não poderão operar novamente no dia 1º de setembro, como planejado, tornando a Argentina praticamente o único país do mundo sem voos comerciais.
Pior para as mulheres

Os diferentes desafios trazidos pela quarentena têm sido especialmente difíceis para as mulheres, que não apenas tendem a trabalhar nas áreas de serviço mais atingidas pela crise, mas também tradicionalmente são as principais cuidadoras das crianças e do lar.

As estatísticas oficiais mostram que as mulheres argentinas passam quase duas vezes mais horas do que os homens no trabalho doméstico e cuidando de crianças e idosos.

Muitas mulheres trabalhadoras de classe alta e média costumam deixar o cuidado de suas casas nas mãos de uma empregada doméstica, mas essa tarefa foi proibida desde o início da quarentena.

Isso fez com que dezenas de milhares de mulheres que moram na região metropolitana tenham passado os últimos cinco meses trabalhando remotamente em tempo integral enquanto cuidavam de seus filhos, ajudando-os com suas aulas virtuais e fazendo tarefas domésticas.


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CLARÍN
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O jornal mais lido do país, Clarín, destacou as contradições do governo quanto à pandemia

Levantamento realizado pelo Conselho Nacional de Pesquisas Científicas e Técnicas (Conicet) e pela Universidade Nacional de Córdoba (UNC) constatou que a maioria das mulheres consultadas "se sente cuidadora em tempo integral" e está "esgotada mentalmente".

A proibição do emprego doméstico também teve um impacto muito negativo neste setor, composto por dois milhões de mulheres (dois terços trabalhando informalmente).

Embora o decreto presidencial obrigue as famílias a continuarem pagando o salário de seus empregados, uma pesquisa do Conicet e da Universidade Nacional de Lanús mostrou que apenas 33% continuavam recebendo salário sem ir trabalhar.


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Churrascos de domingo com a família toda estão proibidos por decreto no país

'Dano colateral'

Talvez o efeito mais controverso da quarentena seja o que alguns especialistas em saúde chamam de "danos colaterais".

Um relatório publicado pela Faculdade de Psicologia da Universidade de Buenos Aires (UBA) revelou que mais da metade da população não realiza atividades consideradas saudáveis ​​desde o início da quarentena.

Outro estudo realizado pelo Instituto Gino Germani (IIGG) mostrou que 45% das pessoas aumentaram o consumo de álcool durante o isolamento obrigatório.

A faixa etária entre 35 e 44 anos quadruplicou o consumo habitual de bebidas alcoólicas, algo seguramente ligado ao estresse sofrido por muitos pais, obrigados a trabalhar em casa, com filhos pequenos aos seus cuidados.

Enquanto isso, o volume e a frequência do uso de nicotina e drogas lícitas, especialmente psicotrópicas, também aumentaram drasticamente.

Os argentinos também recorreram à comida para acalmar a ansiedade durante o confinamento.


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O governo de Alberto Fernández criou incentivos para as empresas pagarem salários, mas eles não têm sido suficientes

Seis em cada dez engordaram, de acordo com a Sociedade Argentina de Nutrição (SAN). Isso em uma população onde mais de 60% já estavam acima do peso.

"Os seres humanos não toleram desconforto psicológico e tendemos a nos apoiar na interação social. À medida que os encontros relacionais diminuem, as ações doentias aumentam ", explicou Martín J. Etchevers, Secretário de Pesquisa da Faculdade de Psicologia da Universidade de Buenos Aires (UBA), ao site Infobae.

Mas o maior dano pode não estar aparente.

Algumas das principais unidades de saúde do país, como a Sociedade Argentina de Cardiologia (SAC), a Fleni e a Fundação Favaloro, expressaram preocupação com a diminuição significativa de consultas médicas desde o início da quarentena, especialmente para pacientes com problemas coronários, neurológicos e oncológicos.

O medo de pegar o coronavírus, as limitações para usar o transporte público, o medo de ter problemas legais para se locomover e o cancelamento de agendas médicas por causa do isolamento obrigatório são alguns dos fatores citados para explicar porque milhares de argentinos evitam ir às clínicas e hospitais desde março.

Uma redução drástica no desempenho dos estudos, tanto diagnósticos quanto terapêuticos, também foi relatada.

Defensores da quarentena apontam que o número relativamente baixo de mortes deixadas pelo vírus na Argentina é a melhor indicação de que essa medida funcionou, apesar de todos os problemas.




Autor: BBC News Brasil
Fonte: BBC News Brasil
Sítio Online da Publicação: BBC News Brasil
Data: 24/08/2020
Publicação Original: https://www.bbc.com/portuguese/internacional-53870868

Paciente de Hong Kong: caso de reinfecção pela covid-19 é preocupante?


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Cientistas de Hong Kong estão dizendo que um homem saudável de cerca de 30 anos se reinfectou com coronavírus

Cientistas de Hong Kong estão relatando o caso de um homem saudável na casa dos 30 anos que foi infectado novamente com o coronavírus quatro meses e meio após sua primeira infecção.

Segundo eles, o sequenciamento do genoma mostra que as duas cepas do vírus são "claramente diferentes", tornando este o primeiro caso comprovado de reinfecção no mundo.

A Organização Mundial da Saúde alerta que é importante não tirar conclusões precipitadas com base no caso de um paciente. Ou seja, esse caso não deve ser visto com preocupação.

Especialistas dizem que as reinfecções podem ser raras e não necessariamente sérias. Outros coronavírus, como os que causam resfriados comuns, reinfectam as pessoas, então não é surpreendente que o Sars-CoV-2, o vírus que causa a covid-19, faça o mesmo.

Mais de 23 milhões de pessoas já foram infectadas pelo coronavírus em todo o mundo.


"Pesquisadores já sabem que pessoas infectadas pelo vírus desenvolvem uma resposta imunológica quando seus corpos aprendem a combater o vírus, e isso as protege contra uma volta dele. Mas não se sabe exatamente quão forte é essa proteção, ou quanto tempo ela dura", analisa a repórter de Saúde da BBC News Philippa Roxby.


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Ainda não se sabe quanto tempo dura nossa imunidade para a covid-19, doença causada pelo novo coronavírus

A resposta imunológica mais forte foi encontrada nos pacientes mais gravemente doentes.

Mas ainda não está claro o quão forte é essa proteção ou imunidade, nem por quanto tempo ela dura.

E a Organização Mundial da Saúde disse que são necessários estudos maiores com pessoas que já tiveram coronavírus.

Este relatório é da Universidade de Hong Kong e será publicado no periódico Clinical Infectious Diseases. Como o artigo completo ainda não foi publicado, é preciso ter cautela.

Segundo o artigo, o homem passou 14 dias no hospital antes de se recuperar do vírus. Depois, apesar de não ter mais sintomas, teve resultado positivo para o vírus uma segunda vez, após um teste de saliva durante uma triagem no aeroporto.

"Este é um exemplo muito raro de reinfecção", disse Brendan Wren, professor de patogenicidade microbiana da London School of Hygiene and Tropical Medicine.


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A imunidade pode afetar a pesquisa de vacinas

"Isso não deve minar o impulso global para desenvolver vacinas covid-19. É de se esperar que o vírus mude naturalmente com o tempo."

Jeffrey Barrett, consultor científico sênior do projeto do genoma covid-19 no Instituto Wellcome Sanger, no Reino Unido, disse: "Dado o número de infecções globais até o momento, ver um caso de reinfecção não é tão surpreendente, mesmo que seja uma ocorrência muito rara".

"Pode ser que as segundas infecções, quando ocorram, não sejam graves - embora não saibamos se essa pessoa estava infecciosa durante o segundo episódio."

Mais estudos populacionais são necessários antes que qualquer conclusão sobre a possibilidade de reinfecção possa ser feita.




Autor: BBC News Brasil
Fonte: BBC News Brasil
Sítio Online da Publicação: BBC News Brasil
Data: 24/08/2020
Publicação Original: https://www.bbc.com/portuguese/geral-53896422

terça-feira, 18 de agosto de 2020

Fiocruz fornece ao SUS medicamento para câncer de mama


A Fundação Oswaldo Cruz, através do Instituto de Tecnologia em Imunobiológicos (Bio-Manguinhos/Fiocruz), passou a fornecer em agosto o medicamento trastuzumabe para o Ministério da Saúde (MS), que o disponibiliza de forma gratuita no Sistema Único de Saúde (SUS). Trata-se de mais um oncológico fornecido por Bio-Manguinhos/Fiocruz, que introduziu esta linha em 2020 em seu portfólio (juntamente com o rituximabe para o tratamento de linfomas não-Hodgkin - linfoma de grandes células B e linfoma folicular, além de artrite reumatoide). O trastuzumabe é um anticorpo monoclonal indicado no SUS para o tratamento de subtipo de câncer de mama identificado pela superexpressão do gene HER2.

O fornecimento ocorre a partir da Política de Parceria para o Desenvolvimento Produtivo (PDP) e acordo de transferência de tecnologia assinado com a Samsung Bioepis, detentora da tecnologia, e a Bionovis. Através da PDP, Bio-Manguinhos/Fiocruz e a Bionovis recebem a tecnologia da Samsung Bioepis e incorporam o biossimilar em seus portfolios, sendo a primeira etapa a importação, distribuição e absorção do controle de qualidade.

A incorporação do novo biofármaco é mais um dos recentes marcos de consolidação do papel de Bio-Manguinhos/Fiocruz na redução da dependência produtiva e tecnológica externa, potencializa a sustentabilidade econômico-financeira do Sistema Único de Saúde (SUS) e traz garantia de fornecimento às pacientes brasileiras, colaborando ainda para o fortalecimento do Complexo Industrial da Saúde – uma necessidade estratégica confirmada pela atual pandemia da Covid-19.

Ao longo das etapas da transferência de tecnologia do trastuzumabe, ocorrerá também, por exemplo, o aprendizado e domínio do processo de produção de Insumo Farmacêutico Ativo (IFA) em escala piloto em Bio-Manguinhos e, posterior, escalonamento para a escala industrial na Bionovis, fortalecendo a cadeia de inovação biofarmacêutica nas Instituições e no país. Ao final da PDP, Bio-Manguinhos e Bionovis produzirão integralmente o trastuzumabe no Brasil, demarcando o domínio da tecnologia e da capacidade para atender o SUS com produto 100% nacional.

Uso no trastuzumabe no SUS

A PDP entre Bio-Manguinhos/Fiocruz, Samsung Bioepis e Bionovis atenderá às pacientes de câncer de mama HER2 positivo inicial e metastático em primeira linha de tratamento no SUS, conforme Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas do Ministério da Saúde (PCDT).

O câncer de mama é categorizado em três subtipos principais relacionados à presença ou ausência de marcadores moleculares para receptores de estrogênio ou progesterona e fator de crescimento epidérmico humano 2 (HER2): HER2 negativo (70-80% dos pacientes), HER2 positivo (15-20%) e triplo-negativo (tumores sem os três marcadores moleculares padrão; 13-15%). No Brasil, estima-se que a incidência anual de câncer de mama seja de 67 mil novos casos, sendo que 20% correspondem ao tipo HER2 positivo (13.400 casos/ano), dos quais 80% são tratados no SUS - ou seja, em torno de 10.700 pacientes.

Biossimilar para oncologia

A PDP permite a Bio-Manguinhos incluir o novo biofármaco, considerado estratégico pelo Ministério da Saúde, em seu portfólio. O trastuzumabe que passa a ser oferecido na rede pública de saúde é um biossimilar aprovado no Brasil desde 2019, que, garante a mesma eficácia, segurança e perfil farmacológico – farmacocinética e farmacodinâmica que o medicamento de referência.

O Instituto já possui outros biossimilares em seu portfólio: o etanercepte, indicado no tratamento de pacientes adultos com doenças autoimunes, como artrite reumatoide, artrite psoriásica e espondilite anquilosante; a somatropina, usada no tratamento de pacientes portadores de hipopituitarismo (deficiência do hormônio do crescimento humano) e síndrome de Turner (doença genética que causa baixa estatura em mulheres); e o rituximabe, usado no tratamento de pacientes com artrite reumatoide e também para oncologia, no tratamento de linfomas não-Hodgkin .

De acordo com o diretor de Bio-Manguinhos/Fiocruz, Mauricio Zuma, “é de extrema importância poder contribuir com a ampliação do acesso às mulheres de forma gratuita no SUS, ao tratamento à forma de câncer de mama mais comum entre as brasileiras, com o principal medicamento utilizado para os casos tipo HER2+”.

Odnir Finotti, diretor-presidente da Bionovis, explica que “para receber e implementar a tecnologia de produção integral do trastuzumabe, a Bionovis está realizando investimentos expressivos na construção de uma planta industrial de classe mundial, na contratação e treinamento de recursos humanos altamente qualificados e no estabelecimento de laboratórios e infraestrutura, que contribuirão para inserir o Brasil entre os países que dominam a biotecnologia farmacêutica, conhecimento estratégico para garantir o acesso aos pacientes brasileiros e a soberania tecnológica do país. Todo esse esforço já é consequência das Parcerias para o Desenvolvimento Produtivo, estratégia inteligente, de longo prazo, que tem sido capaz de estimular o estabelecimento da indústria biotecnológica no Brasil”.

Mesma eficácia e segurança

O trastuzumabe fruto da PDP é um medicamento que mantém o perfil de eficácia, segurança e qualidade esperado para o trastuzumabe referência. O produto passou por todos os testes de comparabilidade e estudos clínicos, requisitos adotados internacionalmente para comprovar a eficácia de medicamentos biológicos. Além da Anvisa, este trastuzumabe também foi aprovado pelas principais agências regulatórias de medicamentos do mundo, entre elas a FDA (Food and Drug Administration), dos EUA; a EMA (European Medicines Agency), da Europa; entre outras - e foi lançado em 23 países -, sendo o primeiro trastuzumabe aprovado na Europa e o único pré-qualificado pela Organização Mundial da Saúde (OMS).




Autor: Bio-Manguinhos/Fiocruz
Fonte: Fiocruz
Sítio Online da Publicação: Fiocruz
Data: 17/08/2020
Publicação Original: https://portal.fiocruz.br/noticia/fiocruz-fornece-ao-sus-medicamento-para-cancer-de-mama

Soro criado por cientistas brasileiros pode ser arma no tratamento da Covid-19


Testes com cavalos na Fazenda Vital Brazil: animais produziram anticorpos potentes contra a infecção
causada pelo novo coronavírus (Fotos: Divulgação)

Pesquisadores de instituições sediadas no estado do Rio de Janeiro criaram, com tecnologia brasileira, um soro que pode ser uma arma valiosa no tratamento da Covid-19, doença causada pelo novo coronavírus (SARS-CoV-2). Desenvolvido por cientistas da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), do Instituto Vital Brazil (IVB) e da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), o soro, obtido a partir do sangue de cavalos, possui anticorpos neutralizantes – de 20 a 50 vezes mais potentes do que aqueles naturalmente encontrados no plasma sanguíneo de pacientes que já foram infectados pelo vírus e estão se recuperando. O anúncio foi feito nessa quinta-feira, dia 13 de agosto, e ganhou grande destaque nos principais meios de comunicação do País. O projeto conta com apoio da FAPERJ.


Os pesquisadores aguardam a aprovação, ainda com prazo indeterminado, da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e da Comissão Nacional de Ética em Pesquisa (Conep), para a realização de testes clínicos (em humanos). Caso essa etapa seja aprovada, o soro pode ser aplicado para reforçar o sistema imunológico de pacientes com casos mais graves de Covid-19, como são usados os soros contra o tétano ou veneno de cobras.

Coordenada pelo professor e pesquisador do Instituto de Bioquímica Médica da UFRJ Jerson Lima Silva – que desde o início de 2019 ocupa o cargo de presidente da FAPERJ –, a pesquisa em rede teve início em maio e vem sendo desenvolvida com recursos da Fundação, por meio da Ação Emergencial Projetos para Combater os Efeitos da Covid-19 – Parceria FAPERJ/SES – 2020. “Essa pesquisa reafirma a importância das instituições unirem suas diferentes expertises. Somos uma equipe de mais de 20 pesquisadores, na UFRJ, no IVB e na Fiocruz. Sabemos que há mais de 170 formulações de possíveis vacinas contra o novo coronavírus, em diferentes fases de desenvolvimento, ao redor do mundo, e estamos desenvolvendo outra alternativa, pelo caminho da imunização passiva, com o soro. O Brasil já tem forte tradição científica, que não pode ser menosprezada, na produção de soros. Há 103 anos, Vital Brazil escreveu uma carta ofertando a patente do soro antiofídico para ser produzido no Instituto Butantã e nesta quarta, 12 de agosto, demos entrada na patente para a produção do soro anti-Covid-19”, destacou Jerson, que durante simpósio virtual realizado na noite desta quinta-feira, 13 de agosto, organizado pela Academia Nacional de Medicina (ANM). Na transmissão ao vivo, ele também anunciou a submissão de publicação sobre a pesquisa no MedRxiv, que é um repositório de resultados preprint, ou seja, pré-publicados.

Um elemento essencial do projeto é uma proteína do novo coronavírus, que tem se mostrado estratégica para diferentes usos e pesquisas: a chamada proteína S (responsável pela ligação e entrada do vírus na célula humana). Localizada na espícula do vírus, região que lembra uma coroa, com pequenas antenas, ela é considerada pelos cientistas um alvo preferencial do sistema imunológico quando este reage à infecção causada pelo novo coronavírus. Em outras palavras, o organismo produz grande quantidade de anticorpos contra esta proteína, quando é infectado pelo vírus. A letra S é derivada da palavra spike, em inglês, ou espícula, em português. No Laboratório de Engenharia de Cultivos Celulares (LECC) do Instituto de Pós-graduação e Pesquisa de Engenharia, da UFRJ (Coppe/UFRJ), a equipe coordenada pela professora Leda Castilho vem produzindo desde fevereiro de 2020 a proteína S recombinante, ou seja, uma cópia fiel da proteína S da superfície do novo coronavírus. Foi esta proteína S produzida no laboratório da Coppe/UFRJ que foi inoculada em cavalos do Instituto Vital Brazil, cuja sede fica em Niterói.

Além de ser usada em pesquisas diversas, a proteína S vem sendo utilizada também em testes para diagnóstico sorológico da Covid-19 e em vacinas que ainda estão em desenvolvimento. “Nosso papel no LECC é a produção de uma glicoproteína recombinante da espícula do vírus SARS-CoV-2, ou seja, de uma cópia da proteína S, presente em grande quantidade na superfície externa do novo coronavírus e que foi usada na pesquisa para imunizar os cavalos do IVB. Graças à inoculação dessa proteína, em maio deste ano, os equinos tiveram uma produção expressiva de anticorpos contra o novo coronavírus”, explicou Leda.


O presidente do IVB, Adilson Stolet, exibe frasco com o soro anti-Covid-19: com bons resultados em equinos, produto aguarda aprovação da fase de testes clínicos

O presidente do Instituto Vital Brazil, Adilson Stolet, um dos integrantes da pesquisa, ressaltou que o Brasil tem vasta tradição científica brasileira na produção de soros. “O IVB, que comemorou seu centenário em 2019, é uma fábrica de imunoglobulinas para soros, incluindo os antirrábicos, para o tratamento da raiva, e os antiofídicos, para o veneno da serpente brasileira. Os soros produzidos pelo IVB têm excelente resultado de uso clínico, sem histórico de hipersensibilidade ou eventuais reações adversas”, disse. Os testes foram realizados com cinco cavalos na Fazenda Vital Brazil, localizada no município fluminense de Cachoeiras de Macacu, onde são criados os equinos utilizados no processo de obtenção de plasma para produção dos soros hiperimunes do IVB. “Depois da imunização dos cavalos, trouxemos o plasma deles, em amostras colhidas na Fazenda, para a nossa Fábrica de imunoglobulinas, em Niterói. Lá, realizamos o processo de produção do soro, separando o anticorpo específico contra o vírus, a imunoglobulina anti-Covid 19”, resumiu.

A pandemia causada pela Covid-19 resultou, até agosto de 2020, em mais de 700 mil mortes e mais de 19 milhões de casos confirmados em todo o mundo. No Brasil, a marca de 100 mil óbitos e três milhões de infectados foi atingida esta semana. Enquanto não há vacinas aprovadas e, mesmo posteriormente, pela dificuldade de suprir a grande demanda internacional de vacinação, o uso potencial da imunização passiva por terapia com soro deve ser considerado com uma opção. “O objetivo é que esse tratamento soroterápico seja usado como uma política pública de saúde complementar à aplicação da futura vacina contra a Covid-19, para os casos mais graves de pacientes com Covid e os que requerem internação hospitalar. Como o soro é intravenoso, o efeito já começa em minutos após a aplicação. Sem o soro, um paciente leva cerca de 15 dias para produzir naturalmente anticorpos, o que pode representar a diferença entre a vida e a morte em casos mais graves”, ponderou Stolet.

Participam da pesquisa um grupo grande de cientistas, incluindo Leda Castilho e Renata Alvim (Coppe/UFRJ); Luís Eduardo Ribeiro da Cunha, Adilson Stolet e Marcelo Strauch (IVB); Amilcar Tanuri, Andrea Cheble Oliveira, Andre Gomes, Victor Pereira e Carlos Dumard (UFRJ); Thiago Moreno Lopes (Fiocruz) e Herbert Guedes (UFRJ/Fiocruz). O pedido de patente se refere ao processo de produção do soro anti-SARS-CoV-2, a partir da glicoproteína da espícula (spike), com todos os domínios, preparação do antígeno, hiperimunização dos equinos, produção do plasma hiperimune, produção do concentrado de anticorpos específicos e do produto finalizado, após a sua purificação por filtração esterilizante e clarificação, envase e formulação final. Além do apoio da FAPERJ, a pesquisa conta com subsídios do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) e da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep).





Autor: FAPERJ
Fonte: FAPERJ
Sítio Online da Publicação: FAPERJ
Data: 13/08/2020
Publicação Original: http://www.faperj.br/?id=4043.2.4