terça-feira, 28 de março de 2023

Florestas são cruciais para a saúde e o bem-estar humanos

Florestas são cruciais para a saúde e o bem-estar humanos

As florestas fornecem bens e serviços, empregos e renda para talvez 2,5 bilhões de pessoas em todo o mundo

Cobrindo 31% das terras da Terra e abrigando 80% de todas as espécies terrestres, as florestas são cruciais para a saúde e o bem-estar humanos, mas sua perda em todo o planeta está ameaçando as pessoas em todos os lugares.

Aqui estão cinco coisas que você precisa saber sobre a antiga e crescente relação interligada entre florestas e saúde humana.


CityAdapt. As florestas são fundamentais para a construção de resiliência climática.

1. Os sumidouros de carbono combatem as mudanças climáticas

Os ecossistemas florestais mantêm o planeta saudável, regulando o clima, os padrões de chuva e as bacias hidrográficas e fornecem o oxigênio essencial para a existência humana.


Florestas saudáveis ​​ajudam a controlar as mudanças climáticas, atuando como “sumidouros de carbono”, que absorvem anualmente cerca de dois bilhões de toneladas de dióxido de carbono, o gás que contribui para as mudanças climáticas e o aumento das temperaturas globalmente.

O clima em rápida mudança está ameaçando a própria existência das pessoas de muitas maneiras diferentes: através da morte e doença devido a eventos climáticos extremos, a interrupção dos sistemas alimentares e o aumento de doenças. Simplificando, sem florestas saudáveis, as pessoas ao redor do mundo, especialmente nos países mais vulneráveis ​​do mundo, lutarão para levar uma vida saudável e talvez até para sobreviver.


UN-REDD/Leona Liu. Produtos florestais são transformados em remédios no Vietnã.

2. Farmácias da natureza: das máscaras aos armários de remédios

De máscaras a remédios, produtos florestais são usados ​​diariamente em todo o mundo . Até 80% dos países em desenvolvimento e um quarto dos países desenvolvidos dependem de medicamentos à base de plantas.

As florestas contêm cerca de 50.000 espécies de plantas usadas para fins medicinais tanto pelas comunidades locais quanto pelas empresas farmacêuticas multinacionais. Por milênios, os habitantes da floresta trataram uma série de doenças usando produtos que colheram. Ao mesmo tempo, muitos medicamentos farmacêuticos comuns são enraizados em plantas florestais, incluindo medicamentos contra o câncer da pervinca de Madagascar e medicamentos para malária, quinino, das árvores cinchona.

A abordagem One Health , lançada como parte da resposta da ONU à pandemia de COVID-19 , reconhece que a saúde de humanos, animais, plantas e o meio ambiente em geral, incluindo florestas, estão intimamente ligados e interdependentes.


© FAO/Luis Tato. Uma mulher carrega mercadorias pela Reserva Florestal Natural Uluguru em Morogoro, Tanzânia.

3. Jantar para 1 bilhão de pessoas

Quase um bilhão de pessoas em todo o mundo dependem da colheita de alimentos silvestres, como ervas, frutas, nozes, carne e insetos para dietas nutritivas. Em algumas áreas tropicais remotas, estima-se que o consumo de animais selvagens cubra entre 60 e 80 por cento das necessidades diárias de proteína.

Um estudo de 43.000 famílias em 27 países da África descobriu que a diversidade alimentar de crianças expostas às florestas era pelo menos 25% maior do que aquelas que não eram.

Em 22 países da Ásia e da África, incluindo países industrializados e em desenvolvimento, os pesquisadores descobriram que as comunidades indígenas usam uma média de 120 alimentos silvestres por comunidade e, na Índia, cerca de 50 milhões de famílias suplementam suas dietas com frutas colhidas em florestas selvagens e arredores. matagal.


PNUD Timor-Leste. As comunidades em Timor-Leste estão a ajudar a restaurar as florestas de mangal.

4. As florestas são cruciais para o desenvolvimento sustentável

As florestas fornecem bens e serviços, empregos e renda para talvez 2,5 bilhões de pessoas em todo o mundo.

Manter as florestas – e os humanos – saudáveis ​​também está no centro do desenvolvimento sustentável e da Agenda 2030 . As florestas desempenham um papel fundamental no avanço do progresso nos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável ( ODS ), incluindo:

ODS 3 Bem-estar: As florestas são boas. Estudos mostram que passar o tempo nas florestas pode fortalecer o sistema imunológico, elevando as emoções positivas e diminuindo o estresse, a pressão arterial, a depressão, a fadiga, a ansiedade e a tensão. A saúde e o bem-estar humanos dependem do ambiente natural , que fornece benefícios essenciais como ar puro, água, solos saudáveis ​​e alimentos.

ODS 6 Água: As florestas desempenham um papel de filtragem no fornecimento de água doce. Cerca de 75 por cento da água doce acessível do mundo vem de bacias hidrográficas florestais. Ao alimentar os rios, as florestas fornecem água potável para quase metade das maiores cidades do mundo. Ameaças às florestas podem desencadear escassez de água e colocar em risco os recursos globais de água doce para as pessoas em todo o mundo, que estão entre as questões urgentes abordadas na próxima Conferência da Água da ONU de 2023 .

ODS 13 Ação climática: A floresta amortece os impactos de tempestades e inundações, protegendo a saúde e a segurança humana durante eventos climáticos extremos. Durante séculos, as florestas atuaram como redes de segurança socioeconômica da natureza em tempos de crise. Florestas geridas e protegidas de forma sustentável significam maior saúde e segurança para todos.


© PNUMA/Manuel Acosta. O desmatamento continua apesar dos apelos internacionais para proteger as florestas.

5. As florestas precisam ser protegidas

Os amplos benefícios das florestas são bem conhecidos, mas isso não significa que recebam a proteção que talvez mereçam.

Incêndios, danos causados ​​por insetos e desmatamento foram responsáveis ​​por até 150 milhões de hectares de perda florestal em determinados anos na última década, o que é mais do que a massa de terra de um país como o Chade ou o Peru.

Somente a produção de commodities agrícolas, incluindo óleo de palma, carne bovina, soja, madeira e celulose e papel, é responsável por cerca de 70% do desmatamento tropical.

Muitos governos adotaram políticas favoráveis ​​às florestas e outros aumentaram o investimento em florestas e árvores. Comunidades e atores locais estão avançando, às vezes uma árvore de cada vez. A ONU estabeleceu a Década para a Restauração de Ecossistemas (2021-2023) e suas agências estão aproveitando parcerias com partes interessadas locais e globais para proteger melhor as florestas, desde o plantio de três milhões de árvores no Peru até o empoderamento de mulheres jovens para trabalhar como guardas florestais comunitários para proteger a fauna ilegal. tráfico na Indonésia.

Estabelecido em 2008, o UN-REDD é a principal parceria de conhecimento e consultoria da ONU sobre florestas e clima, apoiando 65 países parceiros. Com base na experiência do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente ( PNUMA ), Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento e Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO), a iniciativa tem, entre outras coisas, visto os países membros reduzirem as emissões florestais em níveis equivalentes à retirada de 150 milhões de carros na estrada por um ano, trazendo muito mais ar fresco.

O presidente do Conselho Econômico e Social da ONU ( ECOSOC ), falando em um evento que marcou o Dia Internacional na terça-feira, disse que “as florestas manejadas de forma sustentável são a chave para nossa recuperação saudável das inúmeras crises que enfrentamos atualmente e fortalecem nossa resiliência para suportar crises futuras

“Independentemente de como você define a saúde, seja ela física, mental ou espiritual – as florestas têm um papel a desempenhar.”
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in EcoDebate, ISSN 2446-9394




Autor: ecodebate
Fonte: ecodebate
Sítio Online da Publicação: ecodebate
Data: 28/03/2023
Publicação Original: https://www.ecodebate.com.br/2023/03/28/florestas-sao-cruciais-para-a-saude-e-o-bem-estar-humanos/

segunda-feira, 27 de março de 2023

Cidades em Movimento apresenta debate sobre a água enquanto direito humano (28/3)

O canal Cidades em Movimento, da Coordenação de Cooperação Social da Presidência Fiocruz (CCSP), apresenta amanhã (28) o encontro “O Direito Humano à Água é Para Todos?”, a partir das 15 horas. O debate faz parte da comemoração do Dia Mundial da Água, celebrado no dia 22 de março e é organizado pela Rede de Vigilância Popular em Saneamento e Saúde, com apoio do projeto de Promoção de Territórios Saudáveis e Sustentáveis em Centros Urbanos (PTSSCU/CCSP), e será transmitido ao vivo a partir das 15h.

A Rede opera com o entendimento da água como bem fundamental para a vida do planeta, sendo a sua conservação necessária e urgente; com acesso de qualidade para todos, sobretudo para as populações vulnerabilizadas, e garantia de uma gestão democrática dos recursos hídricos e dos sistemas de saneamento. O encontro apresentará ações da sociedade civil do Rio de Janeiro que apontam caminhos para um horizonte saudável no cuidado e governança das águas.

O evento conta com a participação de Adriana Sotero, bióloga, pesquisadora titular do Departamento de Saneamento e Saúde Ambiental (Ensp/Fiocruz); Victória Alves, geógrafa, coordenadora do projeto CocôZap (DataLabe); Rejany Ferreira, geógrafa, membro do Observatório da Bacia Hidrográfica do Cabal do Cunha e da Cooperação Social da Fiocruz; e Gisele Moura, cientista ambiental, co-coordenadora na Rede Favela Sustentável.

A Rede de Vigilância Popular em Saneamento e Saúde foi criada em 2022, após intenso processo de resistência social à concessão da Companhia Estadual de Águas e Esgotos do Rio de Janeiro (Cedae) à iniciativa privada, ocorrida em 2021. Ao longo deste processo, diferentes organizações da sociedade civil, instituições, movimentos sociais, coletivos, entidades acadêmicas, partidárias e apartidárias mobilizaram-se contra a mercantilização da água e do saneamento e pelo seu reconhecimento como um Direito Humano e Bem Comum.

Os objetivos da Rede são:

● Apresentar à sociedade informações de que a concessão à iniciativa privada não garantirá a universalização do serviço de saneamento, disputando a narrativa de que são as empresas privadas que solucionarão os problemas;

● Desenvolver processos de formação política que conectem saberes acadêmicos e populares e contribuam para agenda de reconstrução democrática do país;

● Desenvolver práticas inovadoras na área de participação e controle social;

● Conectar diferentes sujeitos coletivos que sofrem violações de direitos nos territórios e cidades, buscando alternativas para enfrentá-los;

● Incidir sobre as corporações privadas do setor de saneamento atuantes no Rio de Janeiro.

● Garantir acesso ao sistema de justiça para parcela da população que vem tendo o Direito Humano à água violado;

● Fazer incidência política sobre o legislativo e o executivo para implementação de políticas de adaptação e mitigação climática.

Debate “O Direito Humano à Água é Para Todos?”

Realização: Rede de Vigilância Popular em Saneamento e Saúde
Apoio: Projeto de Promoção de Territórios Saudáveis e Sustentáveis em Centros Urbanos da Coordenação de Cooperação Social da Fiocruz
Data: 28/03
Horário: 15h
Link para transmissão







Autor: Cooperação Social da Fiocruz
Fonte: Fiocruz
Sítio Online da Publicação: Fiocruz
Data: 27/03/2023
Publicação Original: https://portal.fiocruz.br/noticia/cidades-em-movimento-apresenta-debate-sobre-agua-enquanto-direito-humano-28/3

O 'sangue raro' identificado em 3 brasileiros e que exigiu força-tarefa para transfusão



CRÉDITO,GETTY IMAGES
Legenda da foto,

Segundo Cadastro Nacional de Sangue Raro (CNSR), do Ministério da Saúde, há apenas três pessoas cadastradas no Brasil com sangue com fenótipo BombaimArticle informationAuthor,Simone Machado
Role,De São José do Rio Preto (SP) para a BBC News Brasil
Há 9 horas


Engana-se quem pensa que os tipos sanguíneos se resumem a A, B, AB e O, positivos e negativos. Essas são as tipagens do sistema conhecido como ABO e são, de fato, as mais comuns e, consequentemente, as mais conhecidas pela população em geral.


No entanto, a Sociedade Internacional de Transfusão Sanguínea (ISBT, na sigla em inglês) já identificou ao menos 43 sistemas que descrevem mais de 373 antígenos sanguíneos diferentes e esse número não é definitivo. Sua diferenciação está, principalmente, nas proteínas que o compõem.


Entre os antígenos já conhecidos, alguns são extremamente raros, como o kell-null, também conhecido como sangue com fenótipo Bombaim. Esse tipo de fenótipo é encontrado em maior número na população de países como Finlândia, Japão e Reino Unido.


Segundo o Cadastro Nacional de Sangue Raro (CNSR), do Ministério da Saúde do Brasil, há apenas três pessoas cadastradas no país com esse tipo sanguíneo. O CNSR foi criado para o registro do quantitativo de doadores de sangue raro nos hemocentros públicos do país e, assim, conseguir localizá-los caso haja a necessidade de doação.


O fenótipo Bombaim é raro porque ele não tem o antígeno H nas células vermelhas do sangue.


Pacientes com esse tipo de "modificação" no sangue só podem receber doação de pessoas que tenham o mesmo tipo de sangue e com a mesma "modificação".


Esse grupo sanguíneo - também conhecido como "falso O" - não tem nenhum antígeno ABO, nem H.


"Cada tipo de sangue possui características únicas. No caso do fenótipo Kell-Null, o paciente não pode receber transfusão de nenhum sangue que possua a proteína Kell, presente em praticamente todos os tipos sanguíneos. Se isso acontecer, ele pode ter reação e ir à morte", explica Cláudio Lucas Miranda, diretor do Hemocentro do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina de Botucatu (HCFMB).

Força-tarefa para doação rara


No início do mês, a coordenação-geral de sangue e hemoderivados do Ministério da Saúde acionou os hemocentros do país para ajudar na procura de uma bolsa de sangue raro para uma mulher, internada em estado grave, que precisava de uma transfusão sanguínea em Teresina, no Piauí.


Para ajudar a paciente, uma força-tarefa foi montada. Após identificar que havia um possível doador em Botucatu (SP), o hospital do norte do país entrou em contato com o hospital do interior paulista. Que, por sua vez, precisou localizar o doador cadastrado que possui o sangue raro e convidá-lo a fazer a doação.


A bolsa de sangue viajou 2.600 km até chegar ao seu destino.


“Uma bolsa de sangue conservada em temperatura adequada, de 2 a 8 graus, pode ter duração de até 35 dias, o que torna bastante viável a transfusão entre pacientes que moram tão longe, como nesse caso", explica Miranda.


O transporte do sangue raro foi feito de avião. Ele foi levado no mesmo dia para o Piauí e a paciente já pode recebê-lo. A mulher segue em tratamento.


"Não tem como fazermos uma modificação sanguínea em laboratório. Assim como na doação de órgãos, a doação de sangue precisa acontecer entre duas pessoas e que elas sejam compatíveis", explica Garcia.


Para Rafael Pereira Nogueira, que fez a doação do chamado sangue raro, poder ajudar é mais que um ato de solidariedade e de amor ao próximo. "Saber que pude ajudar a salvar uma vida, que fiz o bem para alguém que estava precisando e que posso fazer isso até para alguém em outro estado me deixa muito feliz."



CRÉDITO,DIVULGAÇÃO/ HCFMB
Legenda da foto,

Rafael Pereira Nogueira (à esquerda) fez a doação do 'sangue raro'...



CRÉDITO,DIVULGAÇÃO/ HEMOPI
Legenda da foto,

...que foi enviado ao Piauí, onde médicos receberam o material

Identificando um sangue raro


Todo sangue doado nos hemocentros do país passa por uma análise detalhada em que suas características são levantadas.


Somente depois desse sangue ser totalmente descrito (quais suas proteínas, carboidratos, anticorpos e fenotipagem), ele é encaminhado para a transfusão. Esse processo leva em torno de 24 horas.


"Quando uma pessoa faz a doação de sangue, passa por um procedimento chamado fenotipagem eritrocitária, que permite identificar mais características além dos conhecidos grupos sanguíneos ABO e RhD — que, juntos, formam os popularmente chamados tipos sanguíneos, como AB positivo ou O negativo, por exemplo. Ao fazer isso, o Hemocentro confere mais segurança às transfusões para pacientes que precisam da terapia transfusional", diz Patrícia Carvalho Garcia, coordenadora do Núcleo de Hemoterapia do Hemocentro do HCFMB.

Importância da doação de sangue


Uma única doação de sangue pode ajudar a salvar até quatro vidas. O Ministério da Saúde explica que as bolsas são direcionadas à pacientes que passam por intervenções médicas de grande porte e complexidade, como transfusões, transplantes, procedimentos oncológicos e cirurgias. Além de pacientes com doenças crônicas graves — como Doença Falciforme e Talassemia.


"Além de manter o estoque suficiente para atender a todos os pacientes que precisam, quanto mais pessoas se dispuserem a serem doadores, maior a possibilidade de encontrarmos pessoas com esses fenótipos raros. Precisamos abrir nosso olhar também para isso. Quanto mais pessoas com sangue raro descobertas, maior a chance do paciente com essa peculiaridade se salvar", acrescenta Miranda.





Autor: Simone Machado
Fonte: São José do Rio Preto (SP) para a BBC News Brasil
Sítio Online da Publicação: BBC
Data: 27/03/2023
Publicação Original: https://www.bbc.com/portuguese/articles/cn320kmpr94o

A adolescente que levou tiro acidental em SC e não morreu por 2 mm



CRÉDITO,ARQUIVO PESSOAL
Legenda da foto,

Durante uma brincadeira de tiro ao alvo com um grupo de amigos, a jovem foi atingida no rosto por um disparo acidental feito por seu ex-namorado com uma espingarda de chumbinhoArticle informationAuthor,Simone Machado
Role,De São José do Rio Preto (SP) para a BBC News Brasil
27 março 2023, 18:07 -03
Atualizado Há 1 hora


Era Natal de 2018 e a influenciadora digital Raylla Fachin da Silva, hoje com 18 anos, passava a data comemorativa em um sítio em São Lourenço do Oeste, no Estado de Santa Catarina, com o ex-namorado e a família dele.


Durante uma brincadeira de tiro ao alvo com um grupo de amigos, a jovem foi atingida no rosto por um disparo acidental feito por seu ex-namorado com uma espingarda de chumbinho – equipamento normalmente usado para caça de pequenos animais ou prática esportiva, com projéteis de chumbo impulsionados por ar comprimido, com venda autorizada no Brasil.


"Na hora eu não percebi que o tiro havia pegado em mim. Senti apenas uma dor de cabeça muito intensa e quando coloquei a mão no meu rosto percebi que meu olho estava sangrando. Deitei no chão e vi que poderia ter acontecido algo mais grave porque foi aquela correria para me levar ao hospital", conta Raylla.


A influenciadora foi levada imediatamente para um hospital de São Lourenço (SC) e depois transferida para Chapecó (SC).


Foram 11 dias de internação e Raylla precisou passar por uma cirurgia para a retirada do globo ocular esquerdo.

O projétil ficou alojado na cabeça da jovem e, segundo os médicos, por 2 mm não atingiu as meninges (membranas que revestem o sistema nervoso e a medula), o que teria levado a influenciadora a morte.


"A bala ficou alojada e não é recomendado retirar porque na cirurgia posso ter complicações neurológicas e comprometer funções como a fala e os meus movimentos. Para mim, eu sou um verdadeiro milagre", diz a influenciadora.


Moradora de Santa Isabel do Oeste (PR), a jovem faz tomografia todos os anos para acompanhar a posição do projétil e verificar se ele não está se deslocando.



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Exame mostra bala que segue alojada próximo ao globo ocular de Silva

Prótese ocular


No ano seguinte, como presente de 15 anos, Raylla colocou sua primeira prótese ocular. Feita sob medida, a prótese não faz com que a jovem volte a enxergar do lado esquerdo, mas ajuda em sua autoestima.


"Eu usava tampão encobrindo o olho para sair de casa e as pessoas ficam me olhando. Eu sofri muito preconceito por ter perdido o olho, situações que até hoje eu não gosto de lembrar e comentar", diz.


Por ser monocular (que possui apenas um olho), Raylla diz que precisa tomar alguns cuidados, como higienizar bem a região do olho e evitar ambientes com muita poeira ou areia. No mais, ela diz levar uma vida como qualquer garota da sua idade.


Atualmente, Raylla usa as redes sociais para tentar diminuir o preconceito contra pessoas monoculares. Com vídeos divertidos, ela responde de forma bem-humorada as dúvidas dos seus 2,9 milhões de seguidores no TikTok.


"Muita gente tem curiosidade, então eu faço vídeo tirando a prótese para mostrar que meu rosto é bonito sem ela também. Que apesar de eu não ter um olho, não fica um buraco horrível no rosto, como muita gente pensa. Tento responder de forma divertida para encorajar outras pessoas a se mostrarem também e acabar com o preconceito", diz.


Raylla tem cinco próteses e alterna o uso entre elas. Algumas se assemelham à cor natural do seu olho, já outras são coloridas, o que, segundo ela, chama ainda mais a atenção para o tema.


"As pessoas adoram quando eu uso uma lente diferente e até pedem para que eu use mais. Hoje eu me divirto por ter várias opções de 'olhos', acredito que é uma forma de deixar a situação mais leve", acrescenta.



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Feitas sob medida, as próteses não fazem com que a jovem volte a enxergar do lado esquerdo, mas ajudam em sua autoestima

Como é feita a prótese


A prótese ocular, popularmente conhecida como olho de vidro, é confeccionada em resina acrílica, seguindo o modelo do olho do paciente.


Elas não devolvem a visão, mas são essenciais na recuperação psicológica, da autoestima, e no convívio social de pessoas que nasceram com a deficiência ou que perderam um olho.


"O formato é parecido com uma concha e fica por dentro das pálpebras. Essa pintura é feita à mão e personalizada para que fique o mais similar possível ao outro olho do paciente", explica Murilo Alves Rodrigues, diretor da Sociedade Brasileira de Oftalmologia.


Além das questões estéticas, a ausência do globo ocular causa atrofia da pálpebra, fazendo com que o olho fique cada vez mais fechado e com o tempo perca seu movimento.


Assim, o uso de prótese faz com que a musculatura da pálpebra seja preservada, fazendo com que a pessoa pisque normalmente.


"Apesar de o paciente sentir um leve desconforto inicial, a adaptação à prótese é tranquila e, com o passar dos dias, o usuário praticamente não sente nada. É possível dormir com ela e retirá-la a cada uma ou duas semanas para que possa ser feita a higienização. O uso de colírio lubrificante continuamente também é indicado", acrescenta Rodrigues.


E os cuidados com a prótese, a higienização dela e da área dos olhos são essenciais para evitar alergias e até mesmo infecções.


É necessário que o paciente sempre tome cuidado com a pálpebra e cílios, fazendo a higienização correta deles também. Além de manter o acompanhamento com oftalmologista, principalmente em caso de desconfortos.



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Atualmente Raylla usa as redes sociais para tentar diminuir o preconceito com pessoas monoculares (que possuem apenas um olho)


"Sempre que precisar retirar a prótese, a pessoa deve lavar bem as mãos e a prótese deve ser lavada com água filtrada e sabão neutro. Deve-se evitar usar água de torneira, que pode ser contaminada", explica o oftalmologista Emerson Fernandes, do Hospital Sírio-Libanês.


"Não deve usar álcool ou produtos de limpeza doméstica que podem prejudicar a prótese. Após a limpeza, deixar secar ao ar livre e evitar secar com toalhas ou tecidos, pois, além da contaminação, podem sobrar pedaços de algodão que vão machucar os olhos".


E se engana quem pensa que as próteses oculares são todas iguais. Segundo os especialistas existem três principais tipos de prótese. Sendo elas:
Prótese ocular – Recomendadas quando há a retirada integral do globo ocular, com uma grande profundidade para preencher – geralmente ela é feita com 4 ou 5 milímetros de espessura.
Lente semiescleral – Usada tanto nos casos de remoção completa do globo ocular ou nos que houve atrofia do olho. Essas lentes são menores, mais finas (2 ou 3 mm) e mais leves.
Lente escleral – Indicada em casos de atrofia ocular, mas o paciente ainda tem a órbita ocular preenchida. Esse tipo de lente é bem fina e ajuda a devolver o volume natural aos olhos.




Autor: Simone Machado
Fonte: São José do Rio Preto (SP) para a BBC News Brasil
Sítio Online da Publicação: BBC
Data: 27/03/2023
Publicação Original: https://www.bbc.com/portuguese/articles/c03k17pxxndo

Biodiversidade, Geodiversidade e Segurança Hídrica no embate entre Ecologia e Economia


Biodiversidade, Geodiversidade e Segurança Hídrica no embate entre Ecologia e Economia
BIODIVERSIDADE, GEODIVERSIDADE E SEGURANÇA HÍDRICA NO EMBATE ENTRE ECOLOGIA E ECONOMIA: educação, vulnerabilidades socioambientais e inviabilidades conservacionistas na sobreposição de unidades de conservação e mineração no Quadrilátero Ferrífero – MG

Vagner Luciano Coelho de Lima Andrade (1)

INTRODUÇÃO

Um flanco da Serra das Farofas, distrito de Nossa Senhora da Paz, em São Joaquim de Bicas (MG) guarda múltiplos cenários e situações. Brumadinho mostrou ao mundo em 2019 do que a mineração é capaz. Quem vista atualmente o renomado Museu de Arte Contemporânea e Jardim Botânico do Inhotim, localizado entre o Rio Paraopeba e a serra das Farofas, em Brumadinho não imagina que ele é parcialmente fruto da recuperação ambiental de antigas jazidas minerárias.

Este espaço de reconhecimento internacional, é exemplo de que arte e ecologia dialogam continuamente na construção de novos marcos e ideias societários. A Serra das Farofas, inserida aos fundos de Inhotim, na divisa com São Joaquim de Bicas, por sua vez, apresenta os mesmos cenários degradantes do passado. Várias jazidas de minério de ferro estão em operação descaracterizam, continuamente as paisagens naturais e culturais adjacentes.

Assim, compreendendo o patrimônio geológico, enquanto elemento chave de preservação da paisagem natural, este trabalho busca apresentar os cenários históricos e as perspectivas educativas na região do Quadrilátero Ferrífero (Leste, Norte, Oeste e Sul), construindo novas discussões interdisciplinares em Ecologia, Geografia e História, através dos quais diferentes paisagens e patrimônios possam ser apropriados pedagogicamente com vistas à reflexões sobre o modelo socioeconômico vigente, seus riscos, impactos e passivos no âmbito da comunidades mineradas. Novas formas econômicas pautadas na educação e no turismo fomentam a conservação dos atributos geológicos para sua didatização no âmbito de formação dos discentes da educação básica. Preservar o patrimônio geológico e promover sua apropriação didático pedagógica e premissa de um futuro mais equânime, que rompa com cenários como aqueles deixados pela mineradora Vale em Bento Rodrigues (2015) e Córrego do Feijão (2019).

No entorno da capital mineira, há áreas paisagísticas de exponencial valor para a coletividade por agregarem acervos naturais e culturais, com destaque para os serviços ecossistêmicos indispensáveis à manutenção da qualidade de vida das urbes componentes da Grande BH.

Assim, o presente trabalho apresenta um estudo sobre a Serras da região de Nascentes do Rios Pará, Paraopeba, Velhas e Doce (Quadrilátero Ferrífero), esboçando as ameaças em seu entorno, destacando aspectos importantes para conservação da geodiversidade local e destacando seu potencial pedagógico através do geoturismo com contextos interdisciplinares que permitem visitas escolares e abordagens integradas em Ecologia, Geografia e História.

LESTE DO QUADRILÁTERO FERRÍFERO – MG: sobreposição de unidades de conservação e mineração

A região localizada ao leste do território histórico, geológico e geomorfológico do Quadrilátero Ferrífero encontra-se diretamente associada à formação da sociedade mineira em sua essência. As duas primeiras capitais estaduais, Mariana e Ouro Preto atestam as permanências e rupturas do Brasil Colonial com receptáculos significativos associados à apropriação da paisagem geológica para fins socioeconômicos.

Da mineração aurífera dos tempos pretéritos à ampliação da égide minerária, o Quadrilátero Ferrífero se materializa no tempo e no espaço como cenário de exploração comercial de minério de ferro e manganês, trazendo significativos impactos e riscos ás comunidades locais. Assim, a partir dos recortes espaciais da Reserva Particular do Patrimônio Natural Serra do Caraça que associada à criação do Parque Nacional da Serra do Gandarela criado pela União em 2014, formam um grande corredor biológico e cultural destacam-se perpectivas educativas desta área. O parque nacional foi uma conquista após intenso processo de mobilização social da Mineiridade, e sua consolidação busca-se evidenciar novos cenários educacionais na porção leste, com vistas a dinamizar e potencializar a visitação turística com fins pedagógicos.

Utilizando-se das paisagens do parque nacional, o estudo do meio com discentes da educação básica pretende apresentar avanços e retrocessos do parque e enfatizar seu potencial didático pedagógico fomentando o turismo geológico e a ditatizações de elementos teóricos que integrem o ensino de Ecologia, Geografia e História, oportunizando novas formas de aprendizagem para além da tradicional sala de aula.

NORTE DO QUADRILÁTERO FERRÍFERO – MG: vulnerabilidades socioambientais e inviabilidades conservacionistas

As discussões em educação na contemporaneidade versam sobre a integração entre diferentes conteúdos visando uma formação crítica dos discentes. Neste contexto, educar é promover a apropriação dos diferentes meios para se pensar e refletir a realidade com vistas à emancipação dos sujeitos e suas participações como atores da história. Antagonicamente, na prática, a educação centra-se em conteúdos práticos ligados diretamente a linguagem e matemática desprezando contextos expressivos de outras disciplinas, como Ecologia, Geografia e História. Neste contexto, empreende-se a leitura, interpretação de paisagens culturais e/ou naturais com vistas à percepção dos diferentes conflitos que se materializam no tempo e no espaço. Destaca-se a serra da Piedade, entre os municípios de Caeté e Sabará como recorte pedagógico de suma importância para propiciar estudos do meio nos quais se percebam a riqueza da mesma e sua apropriação como cenário cultural religioso, e também turístico. A serra apresenta recortes espaciais no quais se percebem elementos de biodiversidade, de geodiversidade e de sociodiversidade, nos quais é possível verificar permanências e rupturas na paisagem e quais processos os consolidaram ou ocasionaram. A paisagem materializa conflitos latentes que podem ser visualizados, evidenciados, problematizados visando reflexões significativas no processo de ensino/aprendizagem. Outro aspecto se refere à inserção de minerações e de eventuais práticas socioeconômicas e/ou culturais e seus riscos/impactos com vistas a pensar a conduta humana, explicitando a historicidade do meio, enriquecendo os diálogos entre diferentes componentes teóricos da formação curricular na educação básica.

OESTE DO QUADRILÁTERO FERRÍFERO – MG: biodiversidade, geodiversidade e segurança hídrica

Neste contexto destaca-se a Área de Preservação Especial do Rio Manso, responsável por preservar remanescentes naturais indispensáveis à captação de água da COPASA no vetor oeste metropolitano. Matas e nascentes encontram-se em considerável estado de conservação ambiental num cenário cercado por mineração e práticas agrícolas degradantes. Assim esta tipologia de unidade de conservação agrega múltiplos valores às paisagens cultural (sociodiversidade), ecológica (biodiversidade) e geológica (geodiversidade). O destaque local fica com o Distrito de Sousa, onde as comunidades remanescentes de quilombos mantêm vivas as tradições camponesas como a Festa do Rosário, realizada anualmente em Agosto, na capelinha do bairro do Pequi. No contexto de história geológica e de história ambiental, estudos recentes enfatizam a importância de preservação da paisagem geológica como elemento preponderante na manutenção e salvaguarda de mananciais públicos. Basta reforçar que todas as áreas de captação de águas para abastecimento público em Belo Horizonte e região são retiradas de áreas inseridas no Quadrilátero Ferrífero.

SUL DO QUADRILÁTERO FERRÍFERO – MG: o embate entre Ecologia e Economia

Nas respectivas serras, localizadas entre os municípios localizados na porção sul da Grande BH, numa região pressionada fortemente pela ampliação de condomínios fechados e mineradoras, existe um conjunto paisagístico e ecológico de inestimável valor para a Mineiridade. Trata-se de um espaço com potencialidades interdisciplinares para o estudo do meio, num contexto de articulação entre Ecologia, Geografia e História. As serras encontram-se ameaçadas por uma série de riscos e degradações socioambientais, que colocam em risco em patrimônio cultural e natural, sendo necessárias ações imediatas para criação de um corredor ecológico e cultural na região consolidando-a como espaço de educação, turismo e conservação da paisagem. Ao se elencar a serras como marco histórico-cultural significativo da Grande BH (MG) protege-se efetivamente singulares recortes espaciais, evocando medidas protetivas emergenciais com vistas à salvaguarda do patrimônio ecológico e histórico desta área tão importante para a biodiversidade, para a geodiversidade e para a sociodiversidade.

A Serra da Moeda é um importante recorte espacial localizado à oeste do território do Quadrilátero Ferrífero e caracteriza-se pela diversidade de cenários e paisagens que vocacionam múltiplas atividades na área do turismo. A área insere-se no imaginário coletivo mineiro em face das histórias de cunhagem clandestina de moedas de ouro em tempos de Brasil colônia. Por outro lado, a região caracteriza-se pela exploração intensiva de minério de ferro trazendo impactos expressivos sobre a biodiversidade e à geodiversidade local. Neste contexto presente, o trabalho de campo, objetiva pedagogicamente apresentar as paisagens da Serra da Moeda, nos municípios de Congonhas, Belo Vale, Itabirito e Moeda, destacando os impasses na geoconservação da paisagem local com vistas à sua apropriação como elemento didático-pedagógico. Preservar a serra é emergencialmente necessário, motivando as comunidades locais a perceberem a serra como um ícone de referência na paisagem corriqueira, enfatizando sua preservação. O turismo ecológico, geológico e sobretudo escolar, é dádiva a promover novos elos de sustentabilidade envolvendo a população e protagonizando diferentes meios de proteção do significativo patrimônio cultural e natural resguardando-o de possíveis impactos minerários e de outras matrizes econômicas insustentáveis. O estudo do meio com alunos da educação ambienta pode se centrar na área da MONA Serra da Moeda, monumento natural criado pelo governo estadual para proteger paisagens e patrimônios da serra. A discussão junto às comunidades locais, acerca de sua transformação em parque estadual e consecutiva ampliação da área oficial de conservação se mostram perspectivas viáveis num futuro próximo.

A região ao sul do Quadrilátero Ferrífero abriga cenários de expansão da égide urbano-industrial para além do polo de Congonhas numa área atualmente denominada de Alto Paraopeba. A mineração tem se ampliado para cidades como Jeceaba e Desterro de Entre Rios, destruindo cenários em várias serras, em especial a Serra do Coelho. Assim faz-se necessários discutir a ampliação ideológica e mercadológica da mineração contemporânea com vistas a apresentar novas perspectivas societárias que promovam desenvolvimento econômico, equidade social e preservação ambiental. A Serra do Ouro Branco, é uma porção significativa de mosaicos e panoramas que agregam relevante patrimônio ecológico e geológico preservados como parque estadual. Sua apropriação turística e pedagógica é força matriz motivadora de novas formas de apropriação sustentável das paisagens e patrimônios associados à história da mineração e à história ecológica e geológica do planeta, disponibilizando cenários e recortes com fins educativos que potencializem a preservação da biodiversidade, da geodiversidade e da sociodiversidade, com vistas à geoconservação e ao geoturismo. Conservação o patrimônio geológico com vistas à cíclica visitação do mesmo por turistas e estudantes é marco civilizatório a romper com a degradante aliança socioeconômica e sociocultural da Mineiridade para com a mineração, trazendo novas modalidades de desenvolvimento local.

Vagner Luciano Coelho de Lima Andrade


PARA SABER MAIS

http://recursomineralmg.codemge.com.br/substancias-minerais/ferro/


1 Educador e Mobilizador da Rede Ação Ambiental. Bacharel-licenciado em Geografia e Análise Ambiental (UNI-BH), Licenciado em História (UNICESUMAR) e especialista na área de Educação, Patrimônio e Paisagem Cultural (Filosofia da Arte e Educação, Metodologia de Ensino de História, Museografia e Patrimônio Cultural, Políticas Públicas Municipais). Licenciado em Ciências Biológicas (FIAR), Tecnólogo em Gestão Ambiental (UNICESUMAR) e especialista na área de Educação, Patrimônio e Paisagem Natural (Administração escolar, Orientação e Supervisão, Ecologia e Monitoramento Ambiental, Gestão e Educação Ambiental, Metodologia de Ensino de Ciências Biológicas). CV Lattes: http://lattes.cnpq.br/3803389467894439

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in EcoDebate, ISSN 2446-9394






Autor: EcoDebate
Fonte: EcoDebate
Sítio Online da Publicação: EcoDebate
Data: 27/03/2023
Publicação Original: https://www.ecodebate.com.br/2023/03/27/biodiversidade-geodiversidade-e-seguranca-hidrica-no-embate-entre-ecologia-e-economia/

sexta-feira, 24 de março de 2023

Estudo avalia testes para leishmaniose visceral no Brasil

O diagnóstico da leishmaniose visceral no estágio inicial da doença é fator importante para o sucesso do tratamento e, por isso, os testes para detectar a enfermidade devem ser precisos, ou seja, apresentar baixo índice de resultados errados. Na Fiocruz Minas, um estudo desenvolvido pelo grupo de Pesquisa Clínica e Políticas Públicas de Doenças Infecto-Parasitárias avaliou se os dados de desempenho de testes diagnósticos informados pelos fabricantes à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) são reproduzidos em estudos realizados no Brasil. A avaliação apontou uma diferença significativa entre o informado na bula e o observado com o uso clínico, além da inexistência de informações críticas sobre os testes, como o antígeno utilizado e detalhamento das análises que geraram as medidas de desempenho.




Para realizar o estudo, os pesquisadores identificaram, no banco de dados eletrônico da Anvisa, todos os testes com registro vigente no Brasil, ou seja, autorizados a serem comercializados, totalizando 28 produtos. Desse total, 15 não disponibilizavam dados de desempenho (sensibilidade e especificidade) em seu manual de instruções e, assim, apenas 13 puderam ser avaliados. Para avaliar a reprodutibilidade do desempenho informado, foram buscados na literatura científica estudos clínicos, publicados até julho de 2021, descrevendo valores de sensibilidade (que é a capacidade de identificar corretamente os indivíduos que têm a doença ou, com mais especificidade, a capacidade de identificar corretamente os indivíduos que não têm a doença) desses testes.

De modo geral, os resultados indicaram que as medidas de desempenho apresentados nos manuais de instrução são superestimados, não sendo representativos do que ocorre com o uso em condições reais. Em boa parte dos casos, os fabricantes informam valores muito próximos de 100% de precisão, mas, na prática, ao aplicar os testes em um grupo grande de pessoas com suspeita da doença, vê-se que os resultados são inferiores.

“São várias as possíveis explicações para esta divergência, dentre elas, o fato de as medidas de desempenho do fabricante serem, em geral, obtidas a partir de pequeno número de soros de pacientes com e sem doença, casos muito selecionados, o que os tornam exemplos perfeitos de doente e não doente, mas não representativos de todo o espectro de pacientes com suspeita de leishmaniose visceral”, explica a pesquisadora Gláucia Cota, líder do grupo de pesquisa. Outro motivo é a realização das análises de desempenho com amostras e populações diferentes daquelas onde o teste será efetivamente aplicado, o que é relevante para uma doença como a leishmaniose, que pode ser causada por mais de uma espécie de parasita nas diferentes regiões do mundo.

“Outra constatação é a indisponibilidade de informações completas sobre os testes em comercialização, no que se refere não só às análises que produziram as medidas de desempenho realizadas pelos fabricantes, tais como tamanho da amostra, isto é, em quantas pessoas o teste foi aplicado, teste de referência, ou seja, qual foi o teste que definiu se havia ou não doença, mas também o local de realização do estudo, considerando a diversidade geográfica de espécies de leishmania, o que justifica que determinado teste apresente desempenho melhor em uma região em relação a outras”, explica a pós-doutoranda Mariana Lourenço Freire, que integra a equipe responsável pelo estudo.

Por isso, uma das proposições do grupo de pesquisa da Fiocruz Minas é a reavaliação dos critérios vigentes para registro de produtos diagnósticos na Anvisa. Além de informações relevantes para a compreensão dos limites e aplicabilidade de uma tecnologia, a apresentação de dados de validação local permitiria uma análise mais fidedigna da acurácia de um teste antes de sua incorporação. “Nossa análise mostrou a importância de estudos locais, com cálculos amostrais baseados em um número adequado de participantes e o estabelecimento de um teste padrão de referência adequado, de forma que seja possível identificar testes com desempenho aceitável a serem utilizados em cada área endêmica. Esperamos que nossa pesquisa possa contribuir para a melhoria do processo de avaliação de tecnologia em saúde no Brasil e, consequentemente, para melhor gestão dos recursos e abordagem clínica desta grave doença”, afirma Glaucia.

Leishmaniose visceral

A leishmaniose visceral é causada por protozoários parasitas que ficam hospedados principalmente em cães e roedores, transmitidos ao homem pelas fêmeas de flebotomíneos, popularmente conhecidos como mosquito palha, cangalhinha e birigui. A doença se caracteriza por febre de longa duração, anemia, aumento do fígado e baço, além de perda de peso acentuada.

No Brasil, são registrados cerca de 3.500 casos por ano. A taxa de letalidade no país se aproxima de 10%, muito mais alta do que a média mundial, que é de cerca de 5%. Pesquisas científicas sugerem que um dos fatores que levam a esse desfecho inaceitável no Brasil é a demora para se definir o diagnóstico.

Aos primeiros sintomas, pessoas residentes em áreas endêmicas de leishmaniose visceral devem procurar o serviço de saúde mais próximo. O Sistema Único de Saúde (SUS) oferece diagnóstico e tratamento gratuito para essa doença. O tratamento é feito com uso de medicamentos específicos.






Autor: Fiocruz Minas
Fonte: Fiocruz
Sítio Online da Publicação: Fiocruz
Data: 22/03/2023
Publicação Original: https://portal.fiocruz.br/noticia/estudo-avalia-testes-para-leishmaniose-visceral-no-brasil

A desconfiança na energia nuclear, artigo de Heitor Scalambrini Costa


A desconfiança na energia nuclear, artigo de Heitor Scalambrini Costa

Existe um clamor da sociedade brasileira de participação social, de uma maior transparência nas políticas públicas. E porque não na área energética?

A desaceleração dos negócios nucleares nas últimas duas décadas tem relação direta com a diminuição da competitividade econômica do setor, do perigo incomensurável que representa para a vida no planeta a liberação de material radioativo das usinas nucleares, e o problema ainda não resolvido de armazenamento dos resíduos produzidos (lixo atômico), altamente tóxicos, e cuja radioatividade perdura por milhares de anos.

Estas são algumas das desvantagens de se adotar uma tecnologia no mínimo polêmica, e desnecessária ao país para produzir energia elétrica.


O pós-Fukushima levou países pertencentes à Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), como a Itália, Bélgica, Suíça e Alemanha, a paralisar e mesmo descomissionar dezenas de usinas nucleares que funcionavam em seus territórios. Contrariamente a esta rejeição, governantes de países nada democráticos como China, Rússia e Índia ainda insistem em apoiar a geração nucleoelétrica.

Quando uma tragédia nuclear acontece, as consequências vão para muito além das pessoas. Toda a biodiversidade local é prejudicada diretamente. Pessoas que nem mesmo moram perto do local do desastre podem ser afetadas. Alguns trágicos eventos aconteceram nas últimas 3 décadas. O de Three Mile Island-USA, Chernobyl- Ucrânia e Fukushima-Japão. Este último provocou o deslocamento de mais de 120.000 pessoas que tiveram que abandonar suas casas e deixar suas cidades.

Tais tragédias tiveram ampla repercussão mundial. Todavia, acidentes menores, mas não menos graves, acontecem com certa frequência, e não são divulgados. O mais recente evento foi o vazamento de 1,5 milhão de litros de água radioativa de uma usina nuclear na cidade de Monticello, estado de Minnesota-USA. Mesmo ocorrido em 22 de novembro de 2022, somente 5 meses depois foi comunicado à opinião pública. Sem contar o alerta dos inspetores da Agência Internacional de Energia Atômica-AIEA em 15 de março de 2023, sobre o desaparecimento na Líbia, de 2,5 toneladas de urânio natural concentrado, também conhecido como yellow cake.

Para reagir e contrapor as preocupações da sociedade quanto à guarda de material radioativo, sua proliferação, e aspectos relacionados à segurança da geração nuclear; uma nova estratégia foi montada pelos defensores da tecnologia, e de seus negócios bilionários.

Um novo modelo de reator mais compacto e com potência inferior (<300 MW) aos tradicionais, estão sendo oferecidos pela indústria nuclear, podendo serem totalmente construídos em uma fábrica e levado ao local de funcionamento. Vários modelos estão em desenvolvimento utilizando distintas rotas tecnológicas. Contudo os problemas que ocorrem nos grandes reatores persistem.

Os Small Modular Reactors (SMRs) ou Pequenos Reatores Modulares em inglês, é a nova tática adotada pelos negócios nucleares, que assim esperam disseminar tais unidades por todo o planeta. Nota-se que o termo nuclear foi omitido, no que deveria ser chamado de Small Modular Nuclear Reactors (SMNRs), ou Pequenos Reatores Nucleares Modulares. A omissão da palavra nuclear é uma tentativa de evitar a rejeição, a repulsa da grande maioria da população mundial, que associa o nuclear com morte, guerra, destruição, desgraça, bomba atômica.

No Brasil um lobby poderoso reunido na Associação Brasileira para o Desenvolvimento de Atividades Nucleares- ABDAN, agrega os apoiadores das usinas nucleares, propondo promover o desenvolvimento e a aplicação da tecnologia nuclear no Brasil. Em sintonia, e representando interesses das grandes multinacionais do ramo, com interesses em fazer negócios, esta Associação tem obtido “avanços(?)” junto aos poucos que decidem a política energética brasileira.

Por exemplo, conseguiram no governo do ex-ministro de Minas e Energia, o almirante Bento Albuquerque (o mesmo investigado por entrar ilegalmente no país com joias milionárias não declaradas, destinadas ao ex-presidente), a inclusão no Plano Nacional de Energia-2050 a instalação de 8 GW a 10 GW a partir da nucleoeletricidade.

Decisões sobre um tema tão polêmico e com grande repercussão para as gerações presentes e futuras mereceriam discussões, debates mais amplos e aprofundados com a sociedade. Esta discussão passa necessariamente em decidir que tipo de sociedade queremos. Se desejamos uma sociedade democrática, com justiça ambiental, defensora da paz; ou um país nuclearizado, inclusive possuindo artefatos nucleares, como a bomba tupiniquim, que certamente poderá ser viabilizada com novas instalações nucleares.

O que se espera em sociedades democráticas é que as divergências devam ser tratadas pelo debate, discussões, disponibilização de informações, participação popular. Todavia o terreno desta disputa é muito desigual, pois o poder econômico dos lobistas é muito grande, o que acaba contribuindo para uma assimetria no processo da disputa, na divulgação das propostas, e das discussões sobre as consequências sociais, econômicas, ambientais e tecnológicas, do uso da tecnologia nuclear para produção de energia elétrica.

Todavia decisões monocráticas de um colegiado, o Conselho Nacional de Política Energética – CNPE, tem instituído uma política energética contrária aos interesses da maioria da população. A principal característica deste colegiado, é a falta de representatividade da sociedade organizada, além de um grande déficit de transparência. A sociedade civil não participa das decisões tomadas.

O Ministério de Minas e Energia- MME, também responsável pela política energética sofre há anos, um processo de captura pelo mercado. Utilizado como “moeda de troca” pelos vários governos, não passa de um ministério de 2º escalão, subserviente a grupos que defendem somente seus interesses particulares, e/ou de grandes empresas. Do ponto de vista técnico foi completamente esvaziado.

Outra instituição, com grandes poderes decisórios, é a Agência Nacional de Energia Elétrica-ANEEL. É comum que membros desta agência reguladora tenham seus diretores envolvidos em polêmicas, denúncias gerando grande desconfiança junto à sociedade. O escândalo mais recente, é de um ex-diretor escolhido pelo novo governo secretário executivo do MME, o número dois do ministério, envolvido em vários casos obscuros e ainda não explicados, enquanto era diretor da ANEEL (https://piaui.folha.uol.com.br/cheiro-de-enxofre/).

Existe um clamor da sociedade brasileira de participação social, de uma maior transparência nas políticas públicas. E porque não na área energética? Neste caso é fundamental a criação de espaços democráticos igualitários, de interlocução, de participação cidadã, na formulação e tomada de decisão. Ações no sentido de promover o engajamento da sociedade, para defender seus interesses junto ao Estado brasileiro, fortalecem e garantem nossa democracia.

Heitor Scalambrini Costa, doutor em Energética
Professor aposentado da Universidade Federal de Pernambuco

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in EcoDebate, ISSN 2446-9394




Autor: ecodebate
Fonte: ecodebate
Sítio Online da Publicação: ecodebate
Data: 24/03/2023
Publicação Original: https://www.ecodebate.com.br/2023/03/24/a-desconfianca-na-energia-nuclear/