sexta-feira, 31 de março de 2023

Brasil precisa de política pública para regulamentar a inteligência artificial, alertam pesquisadores

O lançamento do ChatGPT pela startup norte-americana OpenIA, no final de 2022, reacendeu o debate em diversos países sobre a necessidade de regulamentar a inteligência artificial (IA) a fim de mitigar os impactos e os potenciais riscos dessa nova tecnologia em áreas como o mercado de trabalho.

No Brasil, apesar de existirem algumas iniciativas empresariais e governamentais, ainda não há, contudo, uma política pública que estabeleça as diretrizes para regular a IA no país, apontaram pesquisadores participantes do primeiro evento on-line do Ciclo ILP-FAPESP de Ciência e Inovação de 2023, realizado na segunda-feira (27/03).

“Há algumas iniciativas setoriais voltadas a regulamentar a inteligência artificial no Brasil, mas que não se configuram como uma estratégia ou política pública. E temos que ter”, avaliou Dora Kaufman, professora do programa de tecnologia da inteligência e design digital da Faculdade de Ciência e Tecnologia da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP) e pesquisadora dos impactos sociais e éticos da IA.

De acordo com Kaufman, entre as propostas de regulamentação da IA existentes internacionalmente há oito que são consideradas mais relevantes, lançadas por países estratégicos nesse tema. Em comum, elas têm orçamento definido para implementá-las e contemplam aspectos como os impactos da IA na educação e no mercado de trabalho.

Já no Brasil está em andamento a Estratégia Brasileira de Inteligência Artificial (Ebia), proposta pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), e está em tramitação o projeto de lei de 21/20, que cria o marco legal do desenvolvimento e uso da IA no país.

Aprovada no plenário da Câmara dos Deputados em setembro de 2021, após um período de consulta pública com duração de quatro meses, a proposta seguiu para tramitação no Senado.

“Não sei qual o entendimento que os deputados que aprovaram a proposta têm sobre a inteligência artificial e temo que saia um projeto que não represente, de fato, o que é preciso para proteger o usuário, a reputação das instituições e a sociedade em geral”, afirmou Kaufman.

Razões para regulamentar

Na avaliação da pesquisadora, uma das principais razões pelas quais é preciso regulamentar a IA mundialmente é que se trata de uma tecnologia de propósito geral, que reconfigura a lógica e o funcionamento das sociedades.

“Se considerarmos os últimos séculos, tivemos três tecnologias de propósito geral anteriores à IA: o carvão, que deu início à Revolução Industrial, a eletricidade e a mutação genética”, enumerou.

Apesar da necessidade de regulamentação e da existência de propostas de políticas públicas, nenhum país conseguiu avançar nesse sentido, ponderou a pesquisadora.

“O processo está mais avançado hoje na Comissão Europeia, que começou em 2018, foi colocado em consulta pública em novembro de 2022, já teve mais de 3 mil emendas e ainda não chegou a um resultado final”, disse.

Algumas das dificuldades para regulamentar a IA são a necessidade de contemplar no processo dois agentes distintos – os desenvolvedores e os usuários – e uma lacuna de conhecimento dos reguladores em relação a essa nova tecnologia, que é complexa e cujo desenvolvimento é acelerado.

Outra razão é a globalização, uma vez que os dados usados para treinar os algoritmos de IA não têm nacionalidade, podendo ser oriundos de qualquer lugar do mundo. Além disso, as plataformas e os aplicativos utilizados hoje baseados nessa nova tecnologia foram desenvolvidos por empresas multinacionais, na maior parte norte-americanas.

“É uma tecnologia que não tem territorialidade, é muita complexa e avança muito rápido”, afirmou Kaufman.

Segundo a pesquisadora, hoje o desenvolvimento da IA se concentra em cinco empresas norte-americanas e privadas, que definem o hype – a excitação exagerada sobre as potencialidades de uma nova tecnologia.

“Nós vivemos no ano passado também o hype do metaverso, que desapareceu e agora deu lugar à IA generativa. E isso está relacionado com a competição acirrada entre essas empresas que lideram a implementação da IA”, explicou.

No caso específico do Brasil, outro obstáculo para estabelecer uma regulamentação para IA é a falta de profissionais especializados em áreas que dão sustentação a essa nova tecnologia, como a ciência de dados, apontou João Paulo Papa, professor da Universidade Estadual Paulista (Unesp), campus de Bauru.

“É mais difícil achar esses profissionais para elaborar o regulamento no país. Embora trabalhamos nessa área há vários anos, agora que está começando a aumentar a formação de pessoas em ciência de dados. Seria muito interessante o país tomar a frente nesse processo e fazer algo que seja pelo menos básico, lançar, receber sugestões e ir melhorando ao longo do tempo”, avaliou.

A despeito de o Brasil, a exemplo de países europeus, não ter protagonismo na pesquisa e desenvolvimento da IA, o país precisa estabelecer um marco regulatório para a inteligência artificial porque as tecnologias que nela se baseiam não têm senso comum e geram resultados incontroláveis, sublinhou Marcelo Finger, professor do Instituto de Matemática e Estatística da Universidade de São Paulo (IME-USP).

“Há um problema intrínseco na forma como a IA está sendo gerada para o uso do público. Precisamos controlar, pois os resultados gerados são incontroláveis”, avaliou Finger, um dos pesquisadores principais do Centro de Inteligência Artificial (C4AI) – um Centro de Pesquisa em Engenharia (CPE) constituído por FAPESP e IBM na USP.

Novo formato

Promovido pelo Instituto do Legislativo Paulista (ILP) em parceria com a FAPESP, o ciclo de eventos é dirigido a legisladores, gestores públicos e demais interessados.

A próxima edição está prevista para ocorrer no dia 24 de abril.

“Este novo ciclo consolida a parceria de muitos anos entre a Alesp e a FAPESP e inaugura um novo formato que visa potencializar o debate sobre temas atuais do campo da ciência e da tecnologia, que têm grande interesse para a sociedade em geral, especificamente para a formulação e implementação de políticas públicas, notadamente nos municípios, e também para o próprio processo legislativo”, disse Sônia Ortega, diretora executiva do Instituto de Estudos, Capacitação e Políticas Públicas do Poder Legislativo do Estado de São Paulo.

O presidente do Conselho Técnico-Administrativo da FAPESP, Carlos Américo Pacheco, foi o moderador do debate.

O evento pode ser assistido na íntegra em: www.youtube.com/watch?v=FCddvLWa1YU.





Autor: Elton Alisson
Fonte: Agência FAPESP
Sítio Online da Publicação: FAPESP
Data: 31/03/2023
Publicação Original: https://agencia.fapesp.br/brasil-precisa-de-politica-publica-para-regulamentar-a-inteligencia-artificial-alertam-pesquisadores/41026/

Ganância e descaso no extermínio dos Yanomami



Ganância e descaso no extermínio dos Yanomami, por Sérgio Ribeiro dos Santos e Wesley Espinosa Santana

Seguindo o destino dos Munduruku e Kaiapó, os Yanomami viveram o abandono total das autoridades diante de uma catástrofe humanitária

Em 2022, após as eleições presidenciais no Brasil, vimos o flagrante delito da potência e dos atos aristotélicos em relação às políticas públicas e às prioridades privadas com a denúncia sobre outro agrupamento humano submetido à desumanidade em nome da lógica do capital.

Por mais óbvio que pareça, a desumanidade só é realizada por seres humanos que, nesse caso, resolvem desumanizar outros seres humanos.

A etnia Yanomami, distribuída pela Floresta Amazônica entre os estados de Roraima e Amazonas, alcançando o Sul da Venezuela, tem, aproximadamente, 9,6 milhões de hectares e mais de 250 aldeias, além de ser um dos poucos grupos recentes em contato com as populações brancas. Muitos diriam que: “é muita terra para pouco índio”. Mas, perguntamos: eles não são seres humanos que protegem a natureza e que vivem de seus recursos sem a desumanização de outros seres humanos?

Justificando o injustificável, suas terras são de enorme valor ambiental e econômico, com minérios valiosíssimos, matérias-primas, plantas e animais. Pela ação dos seres humanos brancos, organizados em grupos de garimpeiros, madeireiros e traficantes, a região é explorada em busca do lucro, poluindo rios e promovendo um genocídio biopolítico que consiste no extermínio por meio do uso político e econômico que adoece, escraviza e executa corpos e mentes de milhares de seres humanos em nome de um estado de exceção em que se decide quem tem direitos e quem tem deveres.

Em 14 de novembro, perto de Boa Vista, capital de Roraima, foi encontrada uma estrada clandestina de 150 km de extensão com o objetivo de facilitar a passagem não de seres humanos, mas de máquinas, tratores e embarcações que — se juntarmos os pagamentos de todos os peões e garimpeiros — não daria 1% do valor desse investimento. Então, por isso, fica evidente que há, por traz dessa ação, organizações poderosas que não sujam as mãos de sangue, nem de terra e muito menos de mercúrio, mas contemplam a morte, a miséria e a desumanidade.

Vemos que, seguindo o destino dos Munduruku e Kaiapó, os Yanomami viveram o abandono total das autoridades diante de uma catástrofe humanitária que é refletida pela impunidade de quem um dia queimou um índio pensando que era um mendigo ou estuprou meninas indígenas atentando para que fossem maiores de 18 anos. Percebemos que os campos de concentração que ficaram muito conhecidos na Alemanha nazista permanecem como instituições reais de mecanismo de controle e exploração à mercê do Estado.

A realidade é, basicamente, o descaso do ser humano por outro ser humano. Esse menosprezo torna-se realizável por meio da corrida do ouro, da ideia de viver incluído na permanência da sociedade dos privilégios. Desde a velocidade das máquinas, que o tempo não é mais de todos os seres humanos, mas apenas de alguns. Há poucos de nós que são donos do tempo. Da circulação de mercadorias e de moedas ao holocausto de povos apátridas e desterritorializados, vemos a vontade geral da concentração de terra, de renda e de poder em 1% da população mundial e, também, brasileira.

A exploração das riquezas naturais, a prostituição, a escravidão e o extermínio sumário ou prolongado se traduzem biopoliticamente, ou seja, realizam-se pelo poder que manipula a vida do outro e, sobretudo, do outro que, em sua vida desprovida de direitos ou em sua Vida Nua, identifica-se como opositor perante àquele que se torna o outro. Essa é a máxima do alcance da subjetividade humana contra a própria espécie e que, necessariamente, não deve ser vista como igual.

Assim, os órgãos públicos que defenderiam todos os seres humanos não o fazem, mas, pelo contrário, justificam-se no próprio Estado sua representatividade de poucos seres humanos para garantir o privilégio de desumanizar àqueles que se tornam um empecilho ao progresso.

O genocídio do povo Yanomami acrescentou mais um capítulo em nossa história dos vencidos, em nossa natureza hobbesiana, em que vemos retratado o desamparo de uma criança esquelética ou de um retirante definhando o corpo e subtraindo a vida como denunciado nas obras de Portinari. Mas, isso não é comum? Não é normal? Não foi sempre assim na História?

Em nossos tempos vividos, a corrida do ouro permanece em seu caminho, lado a lado, com a tecnologia e com o extermínio de humanos por humanos que não são apenas diferentes ou desiguais, mas, também, indesejáveis. Essa é a vitória de poucos, mas a derrota de todos. O extermínio não é da natureza, mas é do humano.

Sérgio Ribeiro dos Santos é Historiador e Professor Doutor do Centro de Educação, Filosofia e Teologia (CEFT) da Universidade Presbiteriana Mackenzie (UPM).

Wesley Espinosa Santana é Historiador e Professor Doutor do Centro de Educação, Filosofia e Teologia (CEFT) da Universidade Presbiteriana Mackenzie (UPM).

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in EcoDebate, ISSN 2446-9394




Autor: ecodebate
Fonte: ecodebate
Sítio Online da Publicação: ecodebate
Data: 31/03/2023
Publicação Original: https://www.ecodebate.com.br/2023/03/31/ganancia-e-descaso-no-exterminio-dos-yanomami/

Importância dos jardins verticais para as cidades


Jardim vertical na Casa do Estudante Universitário do campus USP Luiz de Queiroz


Importância dos jardins verticais para as cidades, artigo de Pérola Felipette Brocaneli
Para cidades com arborização escassa, os jardins verticais podem ser importantes para manter o ambiente urbano refrigerado e umidificado.

Constituídos basicamente pela instalação de uma estrutura vertical, com uma armação que funciona como um suporte ao crescimento da vegetação, essas estruturas podem ser pequenas e instaladas em residências ou ocupar um espaço maior, sendo colocadas em empenas de prédios, que são as fachadas laterais de um edifício, geralmente, sem janelas e nem portas.

Independentemente do tamanho, a funcionalidade é diferente nos jardins verticais e nas árvores, mesmo que em alguns casos apresentem equivalência quanto à capacidade de evapotranspiração para umidificação do ar, pois as árvores promovem sombra, abrigo para pássaros e se autorregulam consumindo água do solo e lançando-a no ar.


Por meio do Decreto nº 55.994, a cidade de São Paulo ganhou permissão para a compensação ambiental por meio da instalação de jardins verticais e telhados verdes. Foi um infeliz equívoco considerar os jardins verticais como um instrumento de compensação ambiental, pois não se pode comparar a funcionalidade de arvores a estruturas com jardins verticais.

Ao longo do Elevado João Goulart, no centro da cidade de São Paulo, diversas empenas dos edifícios receberam jardins verticais, mas apesar de sua eficiência para a refrigeração e umidificação urbana, não houve orientação sobre como esses jardins poderiam ser irrigados com água de reuso produzida no próprio edifício, de maneira que colaborasse no enfrentamento às mudanças climáticas e à crise hídrica. Com isso, houve um fracasso no projeto que tentava implantar um corredor verde na capital.

Diante da frustração com as poucas ideias propostas para solucionar um dos principais problemas da cidade, a falta de espaços verdes, alunos da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo (FAU) da Universidade Presbiteriana Mackenzie (UPM) elaboraram um projeto no qual idealizaram a implantação de jardins verticais associados à despoluição dos efluentes do edifício em um teto verde.

Nesta hipótese, seriam instaladas wetlands (sistemas projetados, constituídos por lagoas ou canais artificiais rasos, que abrigam plantas aquáticas), construídas sobre os edifícios e associadas a um vermifiltro no térreo, que é uma espécie de tanque com minhocas. Após a purificação dos efluentes com o vermifiltro, eles seriam bombeados para o teto, onde os tanques com plantas macrófitas, que se alimentam de matéria orgânica, purificariam novamente o esgoto, de forma a atingir a qualidade de água de reuso.

De acordo com a proposta dos estudantes, esse processo poderia ser implementado em Habitações de Interesse Social (HIS), de forma a colaborar na construção de cidades mais verdes, o que vai de encontro aos muitos debates para melhorar a questão de arborização e sustentabilidade nas tão concretadas e cinzas cidades brasileiras. Além disso, o projeto atenderia aos 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da ONU e à construção da Agenda 2030. A proposta pode ser vista clicando aqui.

Profª Drª Pérola Felipette Brocaneli, leciona Paisagismo na Faculdade de Arquitetura e Urbanismo (FAU) da Universidade Presbiteriana Mackenzie (UPM)

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in EcoDebate, ISSN 2446-9394




Autor: ecodebate
Fonte: ecodebate
Sítio Online da Publicação: ecodebate
Data: 31/03/2023
Publicação Original: https://www.ecodebate.com.br/2023/03/31/importancia-dos-jardins-verticais-para-as-cidades/

quinta-feira, 30 de março de 2023

Proteger a vida selvagem ajuda a mitigar as mudanças climáticas

Proteger a vida selvagem ajuda a mitigar as mudanças climáticas

Os animais selvagens desempenham um papel crítico no controle do ciclo do carbono nos ecossistemas terrestres, de água doce e marinhos

Proteger a vida selvagem em todo o mundo pode melhorar significativamente a captura e o armazenamento de carbono natural, sobrecarregando os sumidouros de carbono do ecossistema, descobriu um novo estudo liderado por Oswald Schmitz, professor de população e ecologia comunitária da Yale School of the Environment Oastler.

O estudo, publicado na Nature Climate Change e com a coautoria de 15 cientistas de oito países, examinou nove espécies de vida selvagem – peixes marinhos, baleias, tubarões, lobos cinzentos, gnus, lontras marinhas, bois almiscarados, elefantes africanos da floresta e bisões americanos.

Os dados mostram que proteger ou restaurar suas populações poderia facilitar coletivamente a captura adicional de 6,41 bilhões de toneladas de dióxido de carbono anualmente. Isso representa 95% da quantidade necessária todos os anos para cumprir a meta do Acordo de Paris de remover carbono suficiente da atmosfera para manter o aquecimento global abaixo do limite de 1,5 grau Celsius.


“As espécies selvagens, em toda a sua interação com o meio ambiente, são o elo perdido entre a biodiversidade e o clima”, diz Schmitz. “Essa interação significa que a reflorestação pode estar entre as melhores soluções climáticas baseadas na natureza disponíveis para a humanidade”.

Os animais selvagens desempenham um papel crítico no controle do ciclo do carbono nos ecossistemas terrestres, de água doce e marinhos por meio de uma ampla gama de processos, incluindo alimentação, deposição de nutrientes, perturbação, deposição de carbono orgânico e dispersão de sementes, mostrou a pesquisa de Schmitz. A dinâmica de absorção e armazenamento de carbono muda fundamentalmente com a presença ou ausência de animais.

Ameaçar as populações de animais a ponto de se tornarem extintos pode transformar os ecossistemas que habitam de sumidouros de carbono em fontes de carbono, de acordo com a pesquisa.

As populações de vida selvagem do mundo diminuíram quase 70% nos últimos 50 anos. O estudo mostra que resolver a crise climática e a crise da biodiversidade não são questões separadas e a restauração das populações animais deve ser incluída no escopo das soluções climáticas baseadas na natureza, dizem os autores. Revolucionar populações de animais para melhorar a captura e armazenamento natural de carbono é conhecido como animar o ciclo do carbono.

Outras espécies de alto potencial em todo o mundo incluem o búfalo africano, rinoceronte branco, puma, dingo, primatas do Velho e Novo Mundo, calaus, morcegos frugívoros, focas cinzentas e marinhas, tartarugas cabeçudas e verdes, observam os autores.

“Soluções climáticas naturais estão se tornando fundamentais para atingir as metas do Acordo Climático de Paris, ao mesmo tempo em que criam oportunidades adicionais para melhorar a conservação da biodiversidade”, afirma o estudo. “A expansão das soluções climáticas para incluir os animais pode ajudar a encurtar o horizonte de tempo em que 500 GtCO 2 são retirados da atmosfera, especialmente se as oportunidades atuais para proteger e recuperar rapidamente as populações de espécies e a funcionalidade intacta de paisagens e marinhas forem aproveitadas. Ignorar os animais leva a oportunidades perdidas de aumentar o escopo, a extensão espacial e a variedade de ecossistemas que podem ser alistados para ajudar a manter o aquecimento climático em 1,5 graus Celsius”.


Distribuição global de espécies animais candidatas e ecossistemas para os quais existe um alto potencial para expandir soluções climáticas naturais por meio de reflorestamento trófico

Referência:

Schmitz, O.J., Sylvén, M., Atwood, T.B. et al. Trophic rewilding can expand natural climate solutions. Nat. Clim. Chang. (2023). https://doi.org/10.1038/s41558-023-01631-6

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Autor: ecodebate
Fonte: ecodebate
Sítio Online da Publicação: ecodebate
Data: 29/03/2023
Publicação Original: https://www.ecodebate.com.br/2023/03/29/proteger-a-vida-selvagem-ajuda-a-mitigar-as-mudancas-climaticas/

Usinas nucleares, joias das Arábias e outros trambiques



Usinas nucleares, joias das Arábias e outros trambiques, artigo de Heitor Scalambrini Costa

Vejamos o que ocorre no mundo dos negócios nucleares no Brasil

Escândalos, mais escândalos. Não deixam de ser pedagógicos, mesmo muito deles serem crimes de corrupção, hediondos, de lesa-pátria. Todavia acabam desnudando para a sociedade brasileira os reais interesses envolvidos, no vale tudo dos trambiques realizados no chamado “mundo dos negócios”.


Bem, vejamos o que ocorre no mundo dos negócios nucleares no Brasil.

O país sofre o assédio das empresas que constroem e vendem equipamentos e acessórios para usinas nucleares, das empresas de construção civil que se locupletam ganhando bilhões nas obras, dos setores militares que sonham em possuir a bomba atômica, de acadêmicos que aceitam as migalhas para seus projetos de pesquisa, e satisfação do ego. E dos políticos que só pensam naquilo, nas suas próprias eleições, e assim aceitam os agrados oferecidos às suas campanhas.

Um lobby poderoso reunido na Associação Brasileira para o Desenvolvimento de Atividades Nucleares- ABDAN é quem agrega os integrantes deste metauniverso de apoiadores das usinas nucleares no país.

Com as mudanças ocorridas desde o final do século passado, o setor elétrico – responsável pela garantia no fornecimento de energia elétrica – que até então era um serviço ofertado pelo Estado, se transformou em uma mera mercadoria, seguindo as leis do mercado. O processo de mercantilização resultou em tarifas escandalosas e serviços de baixa qualidade. Além dos riscos de abastecimento elétrico com crises originadas de erros e escolhas equivocadas na condução da política energética.

Mas voltemos ao propósito do artigo que é destacar as irregularidades que os negócios nucleares e seus agentes se envolvem com frequência, com mentiras, falcatruas, transações caliginosas, desrespeito às leis vigentes, e ocultação da opinião pública e órgãos de fiscalização, de informações importantes. Tais posturas, comportamentos e ações só afetam e aumentam a desconfiança no discurso e na prática dos defensores da tecnologia nuclear para produzir eletricidade.

Um dos últimos acontecimentos que estão nas páginas policiais, envolvendo autoridades e agentes públicos, diz respeito ao almirante, ex-ministro de Minas e Energia Bento Albuquerque, um dos líderes do lobby pró nuclear. Sua comitiva tentou entrar no país com joias femininas, e acessórios masculinos, no valor de 16,5 milhões de reais, sem a devida declaração à aduana brasileira. A faceta deste militar, agindo como um fora da lei, não conhecíamos. E imaginar que tal personagem comandou um Ministério que influenciou a tomada de decisões pró-nuclear!

O vazamento em Angra I, que acabou lançando água contaminada com material radioativo na Baía de Itaorna, em Angra dos Reis, em setembro de 2022, foi omitido pelas autoridades responsáveis, só vindo a público 6 meses depois do fato ocorrido. Evidências são claras de que houve tentativa de esconder o vazamento, deixando nítida a falta de compromisso e seriedade da Eletronuclear e de seus dirigentes com a transparência, em se tratando da segurança de pessoas e do meio ambiente. Este modus-operandi é bem conhecido na mineração de urânio em Caetité, na Bahia no que diz respeito a eventos radioativos, perigosos, mantidos em sigilo e, quando denunciados, sempre classificados como inofensivos.

Não foram os únicos escândalos envolvendo segmentos da área nuclear, pelo contrário. Lembramos o caso da operação da Polícia Federal-PF, denominada de “Radioatividade”. Segundo a PF nas obras de Angra 3, foi investigada a formação de cartel que definia previamente, entre as empresas construtoras, os valores propostos nas licitações. Nesta operação houve também o indiciamento do almirante ex-presidente da Eletronuclear, Othon Luiz Pinheiro da Silva, acusado de receber propina.

Não se pode deixar de mencionar a criação em 1979, pelos militares, do Programa Nuclear Paralelo-PNP totalmente clandestino, sem fiscalização nacional e internacional, que nunca foi admitido publicamente. O objetivo era desenvolver a técnica de ultracentrifugação para o enriquecimento de urânio. Assim, a fabricação da bomba atômica tupiniquim seria possível. Os trabalhos permaneceram secretos, até que uma reportagem em 1986, do jornal Folha de São Paulo, revelou a existência de poços profundos na Serra do Cachimbo, no Pará, e no Raso da Catarina, reserva ecológica de Paulo Afonso, no semiárido baiano. Tudo indicando que seriam para testes com artefatos nucleares.

Em 1988 foi promulgada a atual Constituição, que proíbe o uso da energia nuclear para fins bélicos. Assim, o PNP passou a ser “legítimo” e controlado pela estatal Eletronuclear.

A retomada do Programa Nuclear Brasileiro, com maior ênfase, se deu em junho de 2007. Sem nenhuma discussão com a sociedade brasileira foi reativado pelo Conselho Nacional de Política Energética-CNPE, colegiado de aproximadamente uma dezena de participantes (grande maioria ministros de Estado), que assessoram a Presidência da República. Em recente modificação na composição do CNPE, já no governo atual, novos integrantes foram incorporados. Todavia, ainda carece de representação igualitária entre sociedade civil e representantes governamentais.

Estes são alguns dos fatos históricos que ajudam a entender os interesses que estão por trás da construção de novas usinas nucleares no país, evidenciando que nas questões nucleares prevalece a cultura do segredo, da falta de transparência, e de negócios escusos.

Assim, a pergunta que não quer calar é: Qual a credibilidade destes agentes públicos, dirigentes, empresários, políticos e acadêmicos que tentam convencer a sociedade brasileira de que as usinas nucleares são importantes e necessárias ao Brasil?

Heitor Scalambrini Costa, doutor em Energética
Professor aposentado da Universidade Federal de Pernambuco

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Autor: ecodebate
Fonte: ecodebate
Sítio Online da Publicação: ecodebate
Data: 29/03/2023
Publicação Original: https://www.ecodebate.com.br/2023/03/29/usinas-nucleares-joias-das-arabias-e-outros-trambiques/

Crise climática e a resistência às mudanças



Imagem em https://culturadeseguranca.seg.br/gerenciamento-de-crise/crises-relacionadas-as-mudancas-climaticas/

Crise climática e a resistência às mudanças, artigo de Carlos Augusto de Medeiros Filho
A crise climática e suas consequências dividem a população mundial. Parcela significativa desconhece ou não se interessa pelo assunto, outra porção não acredita na crise ou não a acha potencialmente forte e, finalmente, existe uma proporção, talvez menor, mas crescente, que aceita e considera muito grave o assunto.

Os analistas que alertam sobre a gravidade das atuais questões climáticas, especialmente os ecossocialistas, postulam da necessidade de mudanças robustas na sociedade, nos comportamentos e hábitos de produção, de consumo e culturais.

Interessante que mesmo entre os que creem na problemática ambiental da crise, muitos relutam em aceitar as modificações propostas por serem, talvez, desnecessárias, inoperantes ou, e principalmente, por serem fortes, radicais e de muito difícil adaptação.

Essa questão de aceitação e adaptabilidade foi brilhantemente discutida em artigo da escritora e historiadora Rebecca Solnit, publicado no Wasghinton Post de 15/03/2023 (1). Alguns fragmentos desse importante e recomendável artigo, traduzidos, são transcritos a seguir.


Um frade me disse uma vez que a renúncia pode ser ótima se significar desistir de coisas que o tornam infeliz. Essa visão é o que falta quando falamos sobre a crise climática – e como devemos responder a ela.

Grande parte da relutância em fazer o que a mudança climática exige vem da suposição de que isso significa trocar abundância por austeridade e trocar todas as nossas coisas e conveniências por menos coisas, menos conveniência. Mas e se isso significasse desistir de coisas das quais ficaremos melhor livres delas, de emissões mortais a sentimentos irritantes de destruição e cumplicidade na destruição? E se a austeridade for como vivemos agora – e a abundância puder ser o que está por vir?

[…] Este é o mundo em que vivemos com combustível fóssil – cuja queima nos torna mais pobres de várias maneiras. Sabemos que a indústria de combustíveis fósseis corrói nossa política. Sabemos que, em todo o mundo, respirar ar contaminado por combustível fóssil mata mais de 8 milhões de pessoas por ano e causa muitos danos, principalmente bebês e crianças. E sabemos que, à medida que o combustível fóssil enche a atmosfera superior com dióxido de carbono que desestabiliza a temperatura e o clima, aumenta o desespero e a ansiedade.

[…] Na verdade, estamos lidando com um sentimento mais amplo de desamparo e até de culpa – o impacto na psique de testemunhar ou se sentir cúmplice de algo errado.

[…] A boa notícia é que o conhecimento de que não estamos separados da natureza, mas dependentes dela, já está muito mais presente do que há algumas décadas. Em todos os lugares, vejo pessoas repensando como trabalham e vivem, transformando esse conhecimento em realidade.

[…] Precisamos de uma mudança de perspectiva em grande escala. Para reformular a mudança climática como uma oportunidade – uma chance de repensar quem somos e o que desejamos.

[…] “Ganhando e gastando, desperdiçamos nossos poderes”, escreveu William Wordsworth alguns séculos atrás. O que significaria recuperar esses poderes, ser rico em tempo em vez de coisas?

(1) https://www.washingtonpost.com/opinions/2023/03/15/rebecca-solnit-climate-change-wealth-abundance/?source=Nature+Briefing

Carlos Augusto de Medeiros Filho, geoquímico, graduado na faculdade de geologia da UFRN e com mestrado na UFPA. Trabalha há mais de 35 anos em Geoquímica em Pesquisa Mineral e Ambiental

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Autor: ecodebate
Fonte: ecodebate
Sítio Online da Publicação: ecodebate
Data: 29/03/2023
Publicação Original: https://www.ecodebate.com.br/2023/03/29/crise-climatica-e-a-resistencia-as-mudancas/

terça-feira, 28 de março de 2023

Cassinos online e a segurança pessoal no Brasil


Cassinos online e a segurança pessoal no Brasil

Neste conteúdo leia um pouco mais sobre a relação entre caça-níqueis online e segurança pessoal no Brasil e aprenda algumas táticas valiosas para se manter sempre seguro

Nos últimos anos, o número de cassinos online no mundo aumentou bastante, e no Brasil não foi diferente. A praticidade de poder fazer os jogos de qualquer lugar, usando muitas vezes apenas o celular, é tentadora, pois faz com que as pessoas possam aproveitar aquele tempo entre um compromisso e outro para se divertir e, ainda, ganhar dinheiro.

Um ponto ao qual é importante estar sempre atento é em relação à segurança pessoal, afinal, com tantos golpes e problemas que surgem no país, não dá para deixar essa questão de lado, não é mesmo? Por isso, neste conteúdo leia um pouco mais sobre a relação entre caça-níqueis online e segurança pessoal no Brasil e aprenda algumas táticas valiosas para se manter sempre seguro.

A importância da segurança pessoal no Brasil

Como falamos, os caça-níqueis online têm sido cada vez mais procurados, gerando receitas muito altas dentro do mercado. O mercado iGaming cresceu mais de 35% em receita em 2022 quando comparado ao ano de 2021. Da mesma forma, o número de golpes e ataques cibernéticos aumentou muito, levando o Brasil para o segundo lugar do ranking de países com mais ataques pela internet, com um aumento de 92% em 2022 quando comparado a 2021.

Esses dados mostram como é importante estar cada vez mais atento à segurança pessoal, especialmente a segurança de dados. Quando se trata de caça-níqueis online, algumas iniciativas podem te fazer ter mais segurança para jogar o seu jogo preferido e ganhar dinheiro sem preocupações. Veja a seguir:
Dicas para aumentar a segurança ao usar cassinos online
Verifique se o cassino é licenciado

O primeiro e mais importante ponto para aumentar a sua segurança e poder se divertir e ganhar dinheiro real em cassinos online é atuar apenas em cassinos que sejam registrados e licenciados. Existem vários provedores de licença de cassinos que atuam pelo mundo todo, e os mais comuns são Malta, Curaçao, Gibraltar, entre outros.

Por isso, na hora de escolher seu cassino online, seja criterioso e avalie se ele tem a licença para atuar. A licença certifica que o cassino passe por auditorias constantes, mostra que a empresa que está por trás é idônea e confiável. Não abra mão disso.
Analise a segurança e as informações do site

Todo cassino que se preze deve ter uma política clara de Termos & Condições. São esses termos que vão definir regras importantes sobre as apostas, recebimentos, bonificação e muito mais. Por isso, não deixe de avaliar se o cassino possui essa página em seu site, e leia os termos por completo. Caso não exista uma página de Termos & Condições, desconfie.

Além disso, outros indicativos de que o site é seguro podem ser usados, como verificar se ele possui o certificado SSL de segurança. Essa ferramenta mostra que o site em questão está protegido contra ataques cibernéticos por meio do uso de criptografia de dados no na gestão de dados dos usuários e visitantes.
Analise os meios de pagamento seguros

As formas de pagamento oferecidas pelos cassinos online também são muito importantes quando falamos de segurança. É importante que o cassino ofereça uma variedade interessante de formas de pagamento, para atender às necessidades de diferentes jogadores, mas também é essencial que esses meios de pagamento sejam seguros.

Dentre as opções de pagamentos mais seguras, estão o velho e bom cartão de crédito, transferências bancárias e as carteiras eletrônicas. Os pagamentos feitos por meio de criptomoedas, que cresceram fortemente nos últimos anos e meses no mundo todo, também estão se expandindo pelo Brasil, e a segurança que oferecem devido à tecnologia blockchain, é uma das principais vantagens oferecidas por esse modelo.
A informação é sempre uma aliada

Os cassinos e caça-níqueis online continuam se expandindo a cada ano e são uma excelente forma de oferecer diversão e ganhos de dinheiro real. A tendência é que esse mercado cresça cada vez mais e, por isso, é preciso estar atento e acompanhar as tendências.

Continue se atualizando e buscando estar sempre por dentro das melhores estratégias para utilizar essa ferramenta tão adorada mundo afora com o máximo de segurança possível. Informação é sempre o melhor caminho.

Você tem alguma outra dica sobre como aumentar a segurança pessoal ao usar caça-níqueis online? Aproveite para compartilhar com a gente no espaço de comentários!

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in EcoDebate, ISSN 2446-9394




Autor: ecodebate
Fonte: ecodebate
Sítio Online da Publicação: ecodebate
Data: 28/03/2023
Publicação Original: https://www.ecodebate.com.br/2023/03/28/119563/