quarta-feira, 7 de janeiro de 2026

FAPESP apoiará redes de pesquisa em Transição Energética

Propostas em novo programa devem articular equipes multidisciplinares que contribuam com abordagens inovadoras ao desenvolvimento de soluções em descarbonização da economia, eficiência energética e análise de impactos socioambientais
Foto de Red Zeppelin em Pexels

A FAPESP anuncia o lançamento de uma chamada de propostas, no âmbito do novo Programa de Pesquisa em Transição Energética (PFTE), que apoiará a formação de redes de colaboração em pesquisa explorando diferentes áreas do conhecimento e envolvendo diferentes equipes no estado de São Paulo.

O PFTE busca promover soluções sustentáveis e inovadoras que acelerem a diversificação da matriz energética, fortalecendo, de um lado, a competitividade e o desenvolvimento de uma economia de baixo carbono no estado de São Paulo e no Brasil e, de outro, contribuindo para o alcance das metas climáticas nacionais, ao alinhar seus objetivos ao Plano de Ação Climática (PAC 2050) e ao Plano Estadual de Energia 2050 (PEE 2050) do Governo do Estado de São Paulo

Interessados em participar da Chamada devem alinhar suas propostas a um ou mais dos seguintes eixos temáticos do PFTE:

a) Tecnologias de Baixo Carbono e Captura, com foco no desenvolvimento de energias renováveis e novos materiais e sistemas para armazenagem, transporte e distribuição de energia;
b) Eficiência e Otimização do Uso da Energia, o que inclui a descarbonização dos setores de consumo e modernização da infraestrutura;
c) Adaptação e Resiliência de Sistemas de Energia, englobando ações e estratégias para fortalecer a resiliência às mudanças climáticas;
d) Economia, Políticas Públicas e Sustentabilidade, abrangendo mecanismos de financiamento da economia de baixo carbono e a avaliação da sustentabilidade ambiental das novas tecnologias.

A chamada priorizará propostas que respondam a perguntas inovadoras, que deem preferência a abordagem multidisciplinar e que reúnam grande potencial de inserção internacional.

A rede de pesquisa deve incluir um Pesquisador Responsável (PR) e, no mínimo, dois Pesquisadores Principais (PP) por cada grande área do conhecimento envolvida na proposta. Exige-se que as áreas de atuação de PRs e PPs sejam distintas – evidenciando a criação de novas colaborações – assim como as instituições de pesquisa a que estão vinculados.

A FAPESP apoiará os projetos selecionados na chamada por meio da modalidade Auxílio à Pesquisa – Projetos Temáticos, que prevê financiamento por até 60 meses, prorrogáveis por mais 12. O custo total da proposta deverá ser de até R$ 2,5 milhões, incluindo todos os custos do projeto, inclusive os valores de Reserva Técnica e Reserva Técnica Institucional.

A proposta deve ser submetida por meio do sistema SAGe até 16 de março de 2026.

A chamada está disponível na íntegra em: https://fapesp.br/17933.



Autor: FAPESP
Fonte: FAPESP
Sítio Online da Publicação: FAPESP
Data: 17/12/2025
Publicação Original: https://fapesp.br/17941/fapesp-apoiara-redes-de-pesquisa-em-transicao-energetica

Programa estratégico da FAPESP em Ciência da Computação com Inteligência Artificial tem sua primeira chamada

Edital do ProCiêncIA irá fomentar por até 60 meses redes de pesquisa voltadas à computação para algoritmos mais eficientes e ao uso de aplicações de IA para solução de problemas em atividades estratégicas

Imagem de geralt por Pixabay

A FAPESP lança a primeira chamada de seu Programa Estratégico em Ciência da Computação com Inteligência Artificial – ProCiêncIA. Voltada a pesquisadores vinculados a instituições de ensino e pesquisa do estado de São Paulo, a oportunidade visa apoiar a criação de redes de pesquisa para promover e fazer uso de técnicas de IA para solução de problemas em áreas diversas e complementares de pesquisa, e adicionalmente imprimir avanços em Computação de Alto Desempenho ou HPC (do inglês High Performance Computing) voltados ao projeto de algoritmos de IA mais eficientes.

A Chamada está alinhada ao objetivo central do ProCiêncIA, que consiste em estimular áreas de pesquisa estratégicas envolvendo IA e aplicações que a permeiem, principalmente aquelas que fazem uso de grandes bases de dados.

O lançamento desta Chamada é motivado não apenas pelo crescente aumento no emprego de técnicas baseadas em IA, mas também pela urgência em promover esforços interdisciplinares necessários para engajar a comunidade científica nos ambientes científico-tecnológico e industrial.

Diante do atual contexto internacional da revolução tecnológica em curso, caracterizado pela imposição de crescentes restrições de mercado, tornam-se imprescindíveis iniciativas que promovam o desenvolvimento do estado de São Paulo (e, posteriormente, do Brasil) nas áreas de HPC e IA – o que assegura não só condições favoráveis ao crescimento sustentável e à competitividade global da economia brasileira, mas também, em termos mais estratégicos, à autonomia nacional no assunto.

Características das propostas

As propostas devem contemplar pelo menos um dos seguintes eixos: aplicações em áreas de pesquisa que façam uso de IA para solução de seus problemas, consideradas estratégicas (tais como Educação, Medicina, Agronegócio e Cidades Inteligentes); e projeto de técnicas de HPC com vistas a avanços em IA e aplicações.

A Chamada priorizará o apoio a propostas de pesquisa inovadoras, ousadas e com grande potencial de inserção internacional. Serão priorizadas as propostas de criação de redes de pesquisa que evidenciem a colaboração entre equipes multidisciplinares e que promovam avanços em IA e aplicações.

Formação de redes de pesquisa

A rede de pesquisa deve incluir um Pesquisador Responsável (PR) e, no mínimo, dois Pesquisadores Principais (PP) por cada grande área do conhecimento envolvida na proposta, sendo um deles da área de Ciência da Computação (IA) ou correlata. Exige-se que as áreas de atuação de PRs e PPs sejam distintas – evidenciando a criação de novas colaborações – assim como as instituições de pesquisa a que estão vinculados.

Cada um dos pesquisadores responsáveis e principais que assinam a proposta deve ser responsável (PR) por seus respectivos e distintos Auxílios vigentes na data de submissão desta proposta.

O Pesquisador Responsável e os Pesquisadores Principais só podem participar de uma única proposta nesta Chamada.

Apoio FAPESP

A FAPESP irá apoiar os projetos selecionados por esta Chamada por meio da modalidade Auxílio à Pesquisa – Projetos Temáticos, que prevê financiamento por 60 meses, prorrogáveis por outros doze. O custo total da proposta será de até R$ 2,5 milhões, incluindo todos os custos do projeto, inclusive os valores de Reserva Técnica e Reserva Técnica Institucional.

A proposta deve ser submetida por meio do sistema SAGe até o dia 08 de abril de 2026.

A Chamada está disponível na íntegra em: https://fapesp.br/17936.




Autor: FAPESP
Fonte: FAPESP
Sítio Online da Publicação: FAPESP
Data: 18/12/2025
Publicação Original: https://fapesp.br/17942/programa-estrategico-da-fapesp-em-ciencia-da-computacao-com-inteligencia-artificial-tem-sua-primeira-chamada

Programa estratégico da FAPESP em Ciência da Computação com Inteligência Artificial tem sua primeira chamada

Edital do ProCiêncIA vai fomentar por até 60 meses redes de pesquisa voltadas à computação para algoritmos mais eficientes e ao uso de aplicações de IA para solução de problemas em atividades estratégicas



Agência FAPESP – A FAPESP lançou a primeira chamada de seu Programa Estratégico em Ciência da Computação com Inteligência Artificial – ProCiêncIA. Voltada a pesquisadores vinculados a instituições de ensino e pesquisa do Estado de São Paulo, a oportunidade visa apoiar a criação de redes de pesquisa para promover e fazer uso de técnicas de IA para solução de problemas em áreas diversas e complementares de pesquisa e imprimir avanços em Computação de Alto Desempenho (HPC, sigla de High Performance Computing) voltados ao projeto de algoritmos de IA mais eficientes.

A chamada está alinhada ao objetivo central do ProCiêncIA, que consiste em estimular áreas de pesquisa estratégicas envolvendo IA e aplicações que a permeiem, principalmente aquelas que fazem uso de grandes bases de dados.

O lançamento da chamada é motivado não apenas pelo aumento no emprego de técnicas baseadas em IA, mas também pela urgência em promover esforços interdisciplinares necessários para engajar a comunidade científica nos ambientes científico-tecnológico e industrial.

Características das propostas

As propostas devem contemplar pelo menos um dos seguintes eixos: aplicações em áreas de pesquisa estratégicas que façam uso de IA para solução de seus problemas, como educação, medicina, agronegócio e cidades inteligentes; e projeto de técnicas de HPC com vistas a avanços em IA e aplicações.

A chamada vai priorizar o apoio a propostas de pesquisa inovadoras, ousadas e com grande potencial de inserção internacional. Serão priorizadas, ainda, as propostas de criação de redes de pesquisa que evidenciem a colaboração entre equipes multidisciplinares.

Formação de redes de pesquisa

A rede de pesquisa deve incluir um pesquisador responsável (PR) e, no mínimo, dois pesquisadores principais (PPs) por cada grande área do conhecimento envolvida na proposta, sendo um deles da área de ciência da computação (IA) ou correlata. Exige-se que as áreas de atuação de PRs e PPs sejam distintas – evidenciando a criação de novas colaborações –, assim como as instituições de pesquisa a que estão vinculados.

Cada um dos pesquisadores responsáveis e principais que assinam a proposta deve ser responsável (PR) por seus respectivos e distintos Auxílios vigentes na data de submissão da proposta.

O PR e os PPs só podem participar de uma única proposta na chamada.

Apoio FAPESP

A FAPESP vai apoiar os projetos selecionados pela chamada por meio da modalidade Auxílio à Pesquisa – Projetos Temáticos, que prevê financiamento por 60 meses, prorrogáveis por outros 12. O custo total da proposta será de até R$ 2,5 milhões, incluindo todos os custos do projeto, inclusive os valores de Reserva Técnica e Reserva Técnica Institucional.

A proposta deve ser submetida por meio do Sistema de Apoio à Gestão (SAGe) até 8 de abril.

A chamada está disponível na íntegra em: fapesp.br/17936.





Autor: FAPESP 

terça-feira, 6 de janeiro de 2026

Vírus zika: estudo revela os principais impactos na infância

A revista PLOS Global Public Health publicou em 29 de dezembro o resultado da maior análise com dados primários já realizada no mundo sobre crianças com microcefalia associada ao vírus zika. O estudo, intitulado Characterization of 843 children with Zika-related microcephaly in the first three years of life: An individual participant data meta-analysis of 12 cohorts in the Zika Brazilian Cohorts Consortium, reúne informações de 843 crianças com microcefalia ao nascimento, na primeira avaliação ou durante o acompanhamento, nascidas entre janeiro de 2015 e julho de 2018.

O objetivo da pesquisa, com participação do Instituto Nacional de Saúde da Mulher, da Criança e do Adolescente Fernandes Figueira (IFF/Fiocruz), é traçar o perfil de crianças brasileiras com microcefalia relacionada ao zika, reunindo dados de participantes das regiões Norte, Nordeste e Sudeste do país. “Até o momento, a caracterização da Síndrome Congênita do Zika (SCZ) se baseava em séries de casos e estudos com poucos participantes em estudos individuais. O tamanho relativamente grande da amostra permitiu observar que, entre as crianças com microcefalia, existe um espectro de gravidade e diferentes tipos de manifestações da Síndrome”, conta a pesquisadora do IFF/Fiocruz Maria Elizabeth Lopes Moreira.

Os dados são provenientes de 12 coortes que integram o Consórcio Brasileiro de Coortes de Zika (ZBC-Consórcio), uma iniciativa que reúne pesquisadores de diferentes estados e instituições dedicados à investigação das consequências da transmissão vertical do vírus zika, contribuindo para ampliar a compreensão da Síndrome. Para o professor da Universidade de Pernambuco (UPE), Demócrito Miranda, “A importância deste estudo é consolidar um conhecimento que vem sendo construído nos últimos dez anos, desde o início da epidemia de microcefalia, identificada inicialmente no nordeste brasileiro”.

Principais achados

Segundo a professora da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Cristina Hofer, “os desfechos mais frequentes foram as anormalidades estruturais do sistema nervoso central, detectadas por neuroimagem, além de anormalidades nos exames neurológico e oftalmológico”.

Microcefalia ao nascer: 71,3% dos casos; destes, 63,9% eram graves
Microcefalia pós-natal: ocorreu em 20,4% das crianças
Prematuridade: entre 10% e 20% na maioria dos locais
Baixo peso ao nascer: média de 33,2% (variando de 10% a 43,8%)
Malformações congênitas: epicanto (40,1%), occipital proeminente (39,2%) e excesso de pele no pescoço (26,7%) foram frequentes

Alterações neurológicas

Déficit de atenção social em ≥50% das crianças
Epilepsia em 30% a 80% (média de 58,3%)
Persistência de reflexos primitivos em 63,1%

Comprometimento sensorial

Alterações oftalmológicas em até 67,1% dos casos
Alterações auditivas menos frequentes, mas presentes

Neuroimagem

Calcificações cerebrais em 81,7%
Ventriculomegalia em 76,8%
Atrofia cortical em cerca de 50%

Impacto e recomendações

O estudo confirma que a SCZ vai além da microcefalia, envolvendo um conjunto complexo de alterações neurológicas, oftalmológicas e motoras. Os autores destacam a necessidade de cuidado multidisciplinar contínuo e políticas públicas que garantam suporte às famílias e às crianças afetadas.

O pesquisador da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) e da UPE Ricardo Ximenes reforça: “esses graves danos ao SNC exigem cuidados multidisciplinares e assistência de diferentes especialidades médicas e de outras áreas da saúde”.




Autor: Everton Lima (IFF/Fiocruz))
Fonte: fiocruz
Sítio Online da Publicação: fiocruz
Data: 05/01/2026
Publicação Original: https://fiocruz.br/noticia/2026/01/virus-zika-estudo-revela-os-principais-impactos-na-infancia

Estudo analisa desafios para lidar com doenças crônicas no Brasil

Principal causa de mortes no Brasil, as doenças cardiovasculares guardam semelhanças com a maior parte das demais enfermidades que figuram na lista das dez mais altas taxas de mortalidade do país: são multifatoriais, têm longa duração, normalmente se desenvolvem com degeneração física ou mental, e a maioria é incurável e ocasionada por fatores de risco modificáveis, como sedentarismo, consumo excessivo de álcool, tabagismo e má nutrição. Apesar das similaridades, as chamadas doenças crônicas reúnem enfermidades tão díspares quanto diabetes, Covid longa, artrite, demências e condições raras, como fibrose cística, entre muitas outras.




Essas enfermidades impõem um grande desafio ao Brasil, onde há uma coexistência de perfis de mortalidade decorrentes de doenças agudas, que são de evolução rápida e de curta duração, e enfermidades crônicas, de progressão lenta e de extensão prolongada ou indefinida, característica de estruturas sanitárias “mais profundamente marcadas por desigualdade social e pobreza”, destaca o historiador Luiz Alves Araújo Neto, pesquisador da Casa de Oswaldo Cruz (COC/Fiocruz), onde é professor do Programa de Pós-Graduação em História das Ciências e da Saúde (PPGHCS).

Em estudo que integra o livro Relações de poder, sociedade e ambientes: discursos e práticas no Brasil Império e da República (Editora UFPE, 2024), o pesquisador destaca a centralidade das doenças crônicas não transmissíveis no país e as contradições e tensões por elas geradas, além de enfatizar a importância de se analisar o impacto social dessas enfermidades, construindo uma historiografia sobre o tema, ainda incipiente no país. Segundo Luiz, no Brasil, onde o sistema de saúde foi estruturado para um cenário de predominância de doenças agudas, de curta duração, vive-se um “processo de agudização das doenças crônicas”.

“Um relatório da OMS [Organização Mundial da Saúde], de 2019, revelou que oito das dez principais causas de morte no Brasil foram doenças crônicas não transmissíveis, com destaque para cânceres, cardiopatias, diabetes e doenças neurodegenerativas, como as demências, mas o nosso modelo de saúde pública foi pensado para episódios agudos. Lidamos com doenças crônicas como se fossem doenças agudas, e isso gera diversas implicações, tanto na dimensão individual, no cuidado do paciente, quanto na dimensão populacional”, observa Luiz, que tem se dedicado ao tema desde o mestrado. Entre os temas para investigação, ele cita a produção do conhecimento biomédico, a organização e prática da saúde pública e a experiência do adoecimento.

“Uma questão fundamental à historiografia das [doenças] crônicas envolve a discussão sobre como a emergência dessas doenças e das demandas para seu cuidado colocam um tensionamento entre a saúde pública e a biomedicina”, diz, destacando o fato de que o alto custo do cuidado, além dos medicamentos, tecnologias e atenção especializada exigidas por essas enfermidades de longa duração, impactam sobremaneira o orçamento de sistemas públicos e privados de saúde.

Medicalização, urbanização, envelhecimento

A formulação do conceito de cronicidade se deu em um contexto de mudanças no pensamento médico europeu e estadunidense no século 19, em especial, a noção de que doenças são entidades específicas, causadas por agentes particulares — concepção favorecida pelo desenvolvimento da anatomia patológica, da fisiologia e da microbiologia. No século seguinte, seguros de saúde nos Estados Unidos passaram a se preocupar cada vez mais com enfermidades que debilitavam ou incapacitavam os trabalhadores, motivando ações para evitar e tratar essas doenças.

Segundo o historiador, “avanços no processo de medicalização da sociedade, de urbanização e de industrialização” ampliaram a presença das DCNT já reconhecidas socialmente, como cardiopatias, câncer e diabetes, e identificaram novas enfermidades e formas de adoecimento. O desenvolvimento da pesquisa genética e biomolecular e especialidades médicas, como a medicina do trabalho e a geriatria, possibilitaram conhecer outras condições que causavam incapacitação, como as doenças funcionais e as síndromes cromossômicas. A introdução de medicamentos, que permitiram a convivência prolongada com determinadas enfermidades e o envelhecimento da população, também explicam o aumento da incidência das doenças crônicas.

Além dos desafios relacionados à visibilidade, à sobrevivência, à convivência e ao risco das doenças crônicas, a emergência desse grupo tão heterogêneo de enfermidades trouxe a necessidade de uma reorganização do sistema de saúde. Por serem enfermidades mais complexas, necessitam de um modelo de atenção que vai da Atenção Primária [porta de entrada do SUS, focada em cuidados básicos] à Atenção Terciária [oferece tratamentos de mais alta complexidade, como cirurgias cardíacas e terapias oncológicas] e uma maior variedade de especialidades médicas. Enquanto uma parte significativa pode ser gerenciada no nível da Atenção Primária, como a diabetes e a hipertensão, as doenças pulmonares crônicas, cardiopatias, cânceres e doenças neurodegenerativas, precisam de médicos especializados nos processos de diagnóstico, tratamento e acompanhamento. Mais difícil e prolongado, o cuidado onera os orçamentos público, privado e familiar.

“De modo geral, as doenças crônicas demandam um funcionamento da rede muito amplo e que, no Brasil, é problemático. Há pontos da rede que são muito bem estruturados, mas outros não, como a Atenção Secundária [envolve serviços de médica complexidade e consultas com médicos especializados]. E há falhas na comunicação, como a relação entre a Atenção Terciária e a Primária. Os hospitais, muitas vezes, e os postos de saúde não têm um sistema de comunicação. Isso, para as doenças crônicas, em muitos casos, é dramático e gera tensões, com uma ponta da rede acusando a outra pela dificuldade de acesso. Os hospitais dizem que a Atenção Primária não sabe encaminhar pacientes, e a Atenção Primária diz que os hospitais não querem aceitá-los, e por aí vai”, relata o historiador.

“Não faz sentido falar em estilo de vida sem pensar nos contextos sociais”

Desde a década de 1970, a construção do cuidado das doenças crônicas está em debate no Brasil. Mas só em 2013 foi lançado o Plano de Ações Estratégicas para o Enfrentamento das Doenças Crônicas Não Transmissíveis (DCNT), que recebeu uma nova edição em 2021. Segundo Luiz, eles estabelecem modelos de política para o combate às doenças crônicas que não alcançam a diversidade que se tem dessas condições. As doenças crônicas não transmissíveis clássicas, como diabetes, cardiopatias e câncer, foram contempladas, mas várias ficaram de fora, como as síndromes pós-virais.

O pesquisador frisa ainda a necessidade de se considerar as condições de vida da população nos modelos de enfrentamento às DCNT, baseado na prevenção a fatores de risco, sobretudo os associados aos estilos de vida, e na incorporação de tratamentos, principalmente com base na inovação de tecnologias biomédicas. “Falar em prevenção de fatores de risco e em tecnologia de ponta em um país em que boa parte dessas doenças são detectadas de forma tardia chega a ser inócuo, pois o gargalo para os pacientes é o diagnóstico precoce. Além disso, não faz sentido falar em estilo de vida sem pensar nos contextos sociais. Precisamos cada vez mais incorporar discussões sobre a determinação social da saúde para pensar o cuidado a todas as doenças, mas sobretudo as crônicas porque elas são multicausais. É importante ter um olhar mais complexo para podermos lidar com condições que são complexas”.

Na opinião do historiador, o principal desafio do país no combate às DCNT é “enquadrar coletivamente doenças tão diferentes e criar uma política que abarque todas elas”. Não é pouca coisa, se considerarmos que as principais demandas mudam conforme o tipo de enfermidade. Para condições genéticas e cânceres, o diagnóstico precoce é fundamental; já no caso da obesidade, da diabetes e das doenças cardiovasculares, a dimensão dos estilos de vida têm grande impacto; por sua vez, a questão central para as síndromes pós-virais é a invisibilidade, pois há um descrédito em relação aos sintomas, explica Luiz, enfatizando a relevância social de uma agência de pesquisa sobre o tema.

Estudos produzidos na Casa de Oswaldo Cruz (COC/Fiocruz) têm focado em enfermidades específicas, mas há um movimento para analisar a doença crônica como categoria. Há trabalhos sobre diabetes, tuberculose e sífilis, que, embora não abordem o aspecto de cronicidade, discutem questões típicas das doenças crônicas, como a convivência com a doença e a ideia do isolamento. Luiz Antônio Teixeira, com o câncer, e Simone Kropf, com as cardiopatias, também se dedicaram às condições de longa duração. E este ano foi criado um projeto de pesquisa sobre a história das doenças crônicas no Brasil, coordenado por Luiz, que irá ministrar, com Juliana Manzoni, também pesquisadora da Casa, uma disciplina sobre história da medicina e das doenças no ano que vem, no Programa de Pós-Graduação em História das Ciências e da Saúde (PPGHCS) da COC.

Segundo o historiador, “a diabetes vivenciada pela pessoa doente é diferente daquela com a qual os pesquisadores lidam no laboratório, e por consequência, da que profissionais lidam na prática do cuidado. Essa multiplicidade também resulta em variações nas análises históricas, construindo diferentes passados que podem ser concorrentes, mas também podem colaborar para a formulação de práticas, conhecimentos e políticas atentas à complexidade dessas enfermidades”.




Autor: Karine Rodrigues (COC/Fiocruz)
Fonte: fiocruz
Sítio Online da Publicação: fiocruz
Data: 05/01/2026
Publicação Original: https://fiocruz.br/noticia/2026/01/estudo-analisa-desafios-para-lidar-com-doencas-cronicas-no-brasil

FAPERJ homenageia pesquisadores, servidores e personalidades

Uma noite de gala para celebrar as contribuições de todos aqueles que trabalham pela Ciência, Tecnologia, Inovação e Empreendedorismo no estado do Rio de Janeiro. Esse foi o tom da cerimônia de entrega do “Prêmio Faperj de Ciência, Inovação e Reconhecimento – Destaques do Rio de Janeiro (1ª Edição) – 2025”, realizada na última quinta-feira, 11 de dezembro, na Sala Cecília Meirelles, na Lapa, Centro do Rio. A premiação, inédita, foi entregue pela FAPERJ e a Secretaria de Estado de Ciência, Tecnologia e Inovação (SECTI-RJ).

Os premiados foram escolhidos a partir de um edital lançado em novembro deste ano. Para nortear as homenagens, o Prêmio foi estruturado em dois eixos: o primeiro – Sociedade Científica e Inovadora – voltado à comunidade científica, foi dividido em 12 categorias. Já o segundo – Reconhecimento Profissional FAPERJ – foi destinado aos servidores e colaboradores da Fundação e composto por seis categorias.

FAPERJ entregou prêmios especiais, como a Medalha Mérito Científico Carlos Chagas Filho e a Premiação Pesquisador (a) Referência Revelação de 2025

Um dos momentos de maior peso na premiação foi a entrega da Medalha de Mérito Científico Carlos Chagas Filho. Os agraciados pela FAPERJ foram a linguista e escritora afro-brasileira Conceição Evaristo, na categoria "Mulher Cientista"; o pesquisador visitante emérito da FAPERJ Wanderley de Souza, na categoria "Pesquisador Sênior"; e o professor emérito da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) Luiz Davidovich, na categoria "Destaque Internacional".


Para Conceição Evaristo, o reconhecimento público da FAPERJ tem dois grandes significados. "Eu venho da área de Literatura e, muitas vezes, a arte não é considerada como Ciência. Além disso, ganhar essa distinção, a partir da minha produção literária e, também, a partir da minha pesquisa é importante, pois sou uma mulher negra. Isso tem muito significado, daquilo que eu represento para as vozes negras”, reforçou ela.

Ao receber a Medalha Mérito Científico Carlos Chagas Filho, na categoria “Pesquisador Sênior”, o professor emérito da UFRJ, Wanderley de Souza, falou sobre o significado da homenagem. “A FAPERJ vem fazendo um trabalho de apoio ao desenvolvimento das pesquisas há muitos anos, sempre de forma crescente, felizmente. Esse prêmio vem reconhecer o trabalho de pesquisadores e de algumas pessoas que têm contribuído para a Ciência e a Tecnologia”, afirmou Souza, primeiro reitor da Universidade Estadual do Norte Fluminense (Uenf).

Referência mundial em pesquisas voltadas ao impacto do ambiente em sistemas quânticos, o físico Luiz Davidovich foi o vencedor na categoria “Destaque Internacional”. Entre dezenas de premiações já conquistadas em sua carreira científica, este ano Davidovich foi o vencedor do Prêmio TWAS Apex 2025, concedido pela Academia Mundial de Ciências, vinculada à Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco). A honraria, uma das mais importantes no cenário internacional, reconhece o trabalho de pesquisadores que contribuem para o avanço da Ciência e da Tecnologia no mundo. “Acredito que este prêmio sinaliza, sobretudo aos jovens, aos estudantes, o reconhecimento do Rio de Janeiro aos seus cientistas. Isso demonstra a importância que o estado, por meio da FAPERJ, atribui à pesquisa”, disse o professor emérito da UFRJ.

Para ele, a FAPERJ tem desempenhado um papel fundamental no estado do Rio de Janeiro. “Sem os recursos das entidades públicas, como a FAPERJ e o CNPq, por meio dos Institutos Nacionais de Ciência e Tecnologia (INCTs), nos quais a FAPERJ também colabora, não teríamos o laboratório de Óptica Quântica do Instituto de Física da UFRJ e, por consequência, não conseguiríamos produzir artigos publicados nas mais renomadas revistas internacionais, como a Science e a Nature, que aumentam a visibilidade da Ciência brasileira”, acrescentou Davidovich.





A pesquisadora Tatiana Sampaio (segunda a partir da direita) recebe o 'Prêmio de Pesquisadora Referência Revelação de 2025' das mãos da presidente da FAPERJ, Caroline Alves


Destaque da noite como "Pesquisador (a) Referência Revelação de 2025", a professora da UFRJ Tatiana Sampaio lidera estudo que usa a proteína polilaminina em tratamento experimental para recuperar movimentos de pacientes com lesão medular. Para ela, a premiação é um momento de festa e de valorização do esforço individual. "Quando você tem um projeto aprovado e pago pela FAPERJ é um reconhecimento, mas a premiação nos faz sentir individualmente valorizados, o que estimula a seguirmos adiante no trabalho de pesquisa", afirmou.

Cientistas premiados no eixo 1 'Sociedade Científica e Inovadora' foram escolhidos dentre 12 categorias


Ao todo, 36 pesquisadores foram contemplados no eixo 1 do "Prêmio FAPERJ 2025". Foram indicados três cientistas para cada uma das 12 modalidades: "Ciências da Vida", "Ciências Exatas da Terra e Engenharias", "Humanidades", "Pesquisador Inovador - Inovação para o setor produtivo", "Pesquisador Inovador - Inovação para o setor público", "Projeto Inovador", "Empresa ou Startup Inovadora", "Jovem Pesquisador - Mestrado", "Jovem Pesquisador - Doutorado", "Jovem Talento Pré-iniciação Científica", "Pesquisa de Impacto – 2025" e, por fim, "Comunicação Científica – 2025".

"Pesquisador Destaque" na área de "Ciências da Vida", o professor do Departamento de Ecologia do Instituto de Biologia da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj) Carlos Frederico Duarte da Rocha disse considerar "fantástica" a iniciativa da FAPERJ de premiar cientistas e empreendedores fluminenses. “Fico muito feliz em ser reconhecido em meio a esse grande número de universidades, institutos de pesquisa, com um plantel fantástico de cientistas e pesquisadores no Estado do Rio de Janeiro", afirmou.

Há 40 anos recebendo apoio da Fundação para desenvolver suas pesquisas, Duarte da Rocha destacou ainda o importante papel dos bolsistas na produção científica. "Você só conquista uma premiação dessas quando você tem um esforço coletivo de gerações de estudantes, de doutorado, mestrado, iniciação científica, trabalhando duro com você durante essas décadas”, frisou o cientista.

Pesquisador emérito do Centro Brasileiro de Pesquisas Físicas (CBPF), o físico greco-brasileiro Constantino Tsallis foi agraciado na categoria "Pesquisador Destaque" na área das "Ciências Exatas da Terra e Engenharias". Com mais de 10 mil citações em revistas indexadas, ele é um dos cientistas mais referenciados de todos os tempos na América Latina. Para Tsallis, o "Prêmio FAPERJ 2025" contribui para aproximar a Ciência e a Tecnologia da sociedade. "Certamente a premiação chama a atenção das pessoas para que elas se interessem e olhem com mais carinho para as diversas contribuições da Ciência e da Tecnologia para o Brasil e o mundo", disse ele.



A FAPERJ homenageou personalidades do setor acadêmico, entre elas os reitores de universidades sediadas no estado do Rio de Janeiro. A partir da esq., os reitores padre Anderson Pedroso (PUC-Rio), Antônio Claudio da Nóbrega (UFF), Gulnar Azevedo (Uerj), Roberto Medronho (UFRJ) e Rosana Rodrigues (Uenf)


Já a vencedora na categoria "Pesquisador Destaque - Humanidades", a professora Nilda Alves, da Uerj, que há 13 anos integra a Faculdade de Formação de Professores em São Gonçalo, fez questão de ressaltar a contribuição histórica do Programa de Pós-graduação em Educação da Uerj. “Sinto-me muito honrada por ser reconhecida pelo que eu faço, mas também pelo programa de pós-graduação em que atuo. Já estou formando a quarta geração”, disse ela, orgulhosa.

Quando o assunto é o Município de Piraí e a indústria de produção de bananas, as atenções se voltam para a professora do Programa de Pós-graduação em Tecnologia Ambiental da Universidade Federal Fluminense (UFF-Volta Redonda) Conny Cerai Ferreira. À frente do Grupo de Pesquisa em Resíduos Industriais, ela foi agraciada com o primeiro lugar na categoria "Pesquisador Inovador - Inovação para o setor produtivo".

Conny e sua equipe depositaram, só este ano, nada menos que 15 propriedades intelectuais junto ao INPI (Instituto Nacional da Propriedade Industrial). "Uma das tecnologias que nós desenvolvemos é um fertilizante organo-mineral de liberação controlada, baseado em resíduos da indústria de produção de bananas, dominante na minha região", contou ela, que foi à cerimônia acompanhada dos três filhos.

No setor público, o destaque veio da Secretaria Estadual de Saúde do Rio de Janeiro (SES-RJ). Responsável pela Coordenação Estadual da Saúde das Mulheres da SES-RJ, o médico Antonio Rodrigues Braga foi o vencedor do prêmio "Pesquisador Inovador – Inovação para o Setor Público". “Em nosso trabalho, enfocamos o combate à mortalidade materna através do fortalecimento do parto seguro e respeitoso das maternidades. Juntos conseguimos reduzir a mortalidade materna no ano de 2024, trazendo essas questões para a agenda da saúde pública do estado do Rio de Janeiro”, explicou Antonio Braga.

Apoiado pelo programa Cientista do Nosso Estado da FAPERJ, Braga destacou ainda as contribuições da FAPERJ à área da Saúde. “A Fundação tem sido extremamente parceira dos cientistas, lançando editais para hospitais universitários, para ações inovadoras, para a formação de novos hubs de pesquisa, em especial aqueles voltados para o SUS. Tem potencializado as ferramentas de atuação dos pesquisadores do estado e, acima de tudo, contribuído para ações de inovação e de vanguarda das pesquisas que possam mudar a vida das pessoas”, acrescentou.



O servidor Jorge Lauria recebeu a medalha de reconhecimento profissional, na categoria 'Trajetória/Tempo de Serviço', do presidente da FAETEC, Alexandre Valle, (à esquerda), e do vice-presidente Administrativo, Fabrício Repsold (Foto: Rhay Marinho/Divulgação)


Ainda na área de inovação, a cientista da Fiocruz Bio-Manguinhos Patrícia Cristina da Costa Neves foi agraciada na categoria "Projeto Inovador". Ela e sua equipe desenvolveram uma plataforma para vacinas de RNA, o que permite produzir com maior rapidez imunizantes contra diversos vírus. "É um motivo de muito orgulho ser reconhecida pela FAPERJ. O nosso projeto é realmente inovador. Agora, temos uma preparação para emergências sanitárias muito maior do que tínhamos no passado, quando sofremos a pandemia de Covid-19", afirmou Patricia.

Ao conquistar o primeiro lugar na categoria "Empresa Startup e Inovadora", Fernanda Abreu Santana, CEO da MF Papaya, falou sobre a importância do fomento para o estímulo às startups.“A FAPERJ foi a primeira instituição que acreditou na gente, com o edital Doutor Empreendedor de 2019. Depois desse edital, conseguimos ser aprovados em sete outros. Todos permitiram que avançássemos cada vez um passo a mais, constituindo a base do nosso sucesso. É uma honra receber esse reconhecimento”, disse Fernanda.

Na categoria "Comunicação Científica", a FAPERJ premiou, em primeiro lugar, o cientista que há mais de 40 anos se dedica a aproximar a Ciência da sociedade, o professor da UFRJ e pesquisador do Instituto Dor (Idor) Roberto Lent. "O valor mais digno de orgulho desse prêmio foi ter sido agraciado nessa categoria. Tanto quanto fazer Ciência, comunicar a Ciência para a população é superimportante. Tem um peso social enorme”, frisou o cientista.

Reconhecimento Profissional: FAPERJ prestigia servidores e colaboradores da casa

O "Prêmio Faperj" também foi dedicado a quem atua nos bastidores da Fundação. Ao todo, 12 profissionais foram homenageados nas seguintes categorias: "Ideias Inovadoras", "Trajetória / Tempo de Serviço" e "Desempenho Funcional". Já a categoria "Colaboração e Espírito de Equipe" reconheceu, de forma coletiva, os servidores e colaboradores de cada departamento.





Professora da Universidade Federal Fluminense (UFF), Leticia Oliveira recebeu o prêmio Reconhecimento Profissional, na categoria 'Ideias Inovadoras', pelo trabalho feito na Comissão Permanente de Equidade, Diversidade e Inclusão da FAPERJ, sob sua coordenação


Premiada na categoria "Ideias Inovadoras", a coordenadora da Comissão de Equidade, Diversidade e Inclusão da FAPERJ, Letícia de Oliveira, destacou os bons resultados que a comissão tem atingido nos últimos dois anos, desde a sua criação. "Temos trazido à FAPERJ muita inovação social. Criamos editais inéditos em relação à equidade, como por exemplo, os voltados a cientistas-mães e a pesquisadores com deficiência. Já estamos recebendo feedbacks positivos das pesquisadoras e pesquisadores contemplados. Muitos desses nunca tinham conseguido um auxílio da FAPERJ antes ou precisavam de muito apoio para suas carreiras", disse Letícia, que é neurocientista e professora na UFF.

Testemunha dos avanços da Fundação ao longo dos últimos anos, o servidor Jorge Luiz de Carvalho Lauria, do Departamento de Finanças, está perto de completar 53 anos dedicados ao serviço público. A FAPERJ foi o primeiro e único emprego de Lauria. Ele foi agraciado com o prêmio "Reconhecimento Profissional FAPERJ – Trajetória / Tempo de Serviço". “Comecei a trabalhar, em 1973, no antigo Centro de Treinamento de Professores do Estado do Rio de Janeiro, que funcionava em São Gonçalo. Naquela época, eu tinha 18 anos. Passei por todas as fases da FAPERJ, trabalhei com todos os presidentes, sempre atuando na Área Financeira”, recorda-se Lauria.

A Fundação foi criada no Governo Faria Lima, em 1980, quando houve a fusão entre o CDRH e a Fiderj. Inicialmente, o órgão funcionava em São Cristóvão. A mudança para o prédio da Avenida Erasmo Braga, no Centro, ocorreu em 1983. Depois de um período cuidando da estrutura dos Centros Integrados de Educação Pública (CIEPs), por volta de 1988, a FAPERJ passou a atuar como uma agência de fomento à pesquisa. “Ficamos alguns dias em São Paulo, para aprender como era o funcionamento da Fapesp. Depois, começamos a implantar as rotinas baseadas em auxílios e bolsas aqui no Rio de Janeiro”, conta o servidor. O tempo passou, a Fundação cresceu, se modernizou, e hoje é uma das principais agências do Brasil. “Me sinto muito honrado pelo prêmio. É um reconhecimento pelos meus quase 53 anos de FAPERJ”, destacou.

Fundação homenageia personalidades na categoria 'Amigos da FAPERJ'

A noite foi também de reconhecimento a autoridades, reitores e representantes de instituições de ensino e pesquisa do estado, que são parceiras da Fundação. Cerca de 50 homenageados subiram ao palco, entre eles, a subsecretária de Ensino Superior, Tecnologia e Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro, Renata Sphaier de Freitas.

"Ações como essa, da FAPERJ, de reconhecer e premiar cientistas é um ato de transparência, uma resposta para a população de que aqueles recursos utilizados no incentivo à pesquisa estão tendo resultado", ressaltou Renata, que também ocupa a presidência do Conselho Superior da Fundação.



A Fundação homenageou servidores e colaboradores com a premiação 'Reconhecimento Profissional FAPERJ', que reuniu seis categorias


Presidente da Empresa de Pesquisa Agropecuária do Estado do Rio de Janeiro (Pesagro-Rio), Paulo Renato Marques também foi um dos homenageados na categoria “Amigos da FAPERJ”. Para ele, o papel da Fundação tem sido fundamental para impulsionar o setor no estado. "Com dois grandes programas lançados nos últimos anos e um terceiro, previsto para o ano que vem, a FAPERJ tem sido um divisor de águas na pesquisa do agro do Rio de Janeiro”, afirmou Marques, fazendo referência aos programas de fomento às Indicações Geográficas e o CapacitAgro, que reuniu bolsistas e mais de 20 doutores.


Uma das personalidades do setor acadêmico também homenageadas na categoria “Amigos da FAPERJ”, o pró-reitor de Saúde da Uerj, Ronaldo Damião, agradeceu a premiação e destacou o papel da Fundação no apoio às pesquisas na área Médica. “A FAPERJ tem sido uma grande parceira da Uerj em vários projetos. Na Saúde, vários equipamentos foram adquiridos com o objetivo de pesquisa. O Centro de Tratamento do Câncer do Hospital Universitário Pedro Ernesto vem contando também com o apoio da FAPERJ, além da Secretaria de Ciência ,Tecnologia e Inovação, e da Secretaria de Saúde do estado. Outras ações do Pedro Ernesto, como o projeto de transplante hepático e o Telessaúde, também contam com apoio da Fundação”, listou Damião.

Organização sem fins lucrativos que tem como objetivo contribuir para a evolução da Ciência, o Instituto D'or de Pesquisa e Ensino (Idor) foi uma das instituições reconhecidas na categoria "Amigos da FAPERJ". Presidente da entidade, Fernanda Tovar Moll disse que o prêmio é simbólico e representa a comunidade científica do Brasil como um todo. "Todos nós do Rio de Janeiro reconhecemos a FAPERJ como a nossa grande parceira e amiga", frisou.

Da área do empreendedorismo, o coordenador-geral do Programa Hub RJ Startup, Rogério Pires, foi um dos agraciados com a honraria. Para ele, a premiação é resultado de trabalho inédito e feito com muita sinergia. "Conseguimos unir no Hub de Inovação, a FAPERJ, a Faetec e o Cecierj. Estamos com a expectativa das gravações de EAD de um projeto novo da Faetec rodarem dentro do Hub. Temos alguns outros desafios mapeados para frente. Mas a sinergia existente e o sucesso do Hub RJ Startup, que também conta com a parceria do Sebrae, foram decisivos para estarmos aqui hoje recebendo essa honraria”, afirmou.

Confira videorreportagem sobre a cerimônia no Canal da FAPERJ no YouTube




Autor: Aline Salgado, Marcos Patricio e Paula Guatimosim
Fonte: faperj
Sítio Online da Publicação: faperj
Data: 19/12/2025
Publicação Original: https://www.faperj.br/?id=936.7.2

Cerimônia de entrega do Prêmio Faperj lota Sala Cecília Meireles

Débora Motta, Marcos Patricio e Paula Guatimosim



Para a presidente da FAPERJ, Caroline Alves, o Prêmio é um reconhecimento àqueles que vêm contribuindo para o desenvolvimento da Ciência, da Tecnologia e da Inovação no estado do Rio de Janeiro (Fotos: Flávio Carvalho/Cecierj).


Dando visibilidade e valorizando o trabalho de pesquisadores, cientistas, empreendedores e funcionários que fizeram a diferença, ao longo de 2025, para o desenvolvimento da Ciência, Tecnologia e Inovação fluminense, a Fundação e a Secretaria Estadual de CT&I (SECTI) realizaram na quinta-feira, 11 de dezembro, a cerimônia de entrega do Prêmio FAPERJ de Ciência, Inovação e Reconhecimento – Destaques do Rio de Janeiro. Em sua primeira edição, o Prêmio foi entregue na tradicional Sala Cecilia Meirelles, na Lapa, com sua lotação de 670 lugares totalmente preenchida, em noite de ciência e arte.

O edital do Prêmio, lançado em novembro, contemplou dois grandes blocos. O eixo "Sociedade Científica e Inovadora" reuniu 12 modalidades voltadas a pesquisadores, startups e projetos com impacto relevante. Já o eixo "Reconhecimento Profissional FAPERJ" foi direcionado a servidores da fundação, com categorias ligadas a desempenho, colaboração e inovação interna.

Também foi entregue a Medalha Mérito Científico Carlos Chagas Filho, em três categorias: Mulher Cientista, Pesquisador Sênior e Destaque Internacional. Foram homenageados, respectivamente, a escritora Conceição Evaristo; o médico, ex-secretário estadual de CT&I e ex-reitor da Universidade Estadual do Norte Fluminense (Uenf), Wanderley de Souza; e o físico Luiz Davidovich.



O secretário estadual de Ciência, Tecnologia e Inovação, Anderson Moraes, entregou a 1ª edição da Medalha Mérito Científico Carlos Chagas Filho à escritora Conceição Evaristo, premiada na categoria Mulher Cientista


A Fundação homenageou, ainda, personalidades da administração pública estadual, do setor acadêmico e da área de empreendedorismo com a premiação na categoria Amigos da FAPERJ.

Durante a solenidade, o secretário estadual de Ciência, Tecnologia e Inovação, Anderson Moraes, reconheceu a importância da contribuição dos cientistas e pesquisadores para gerar impactos diretos positivos em diversos setores da sociedade. "Esse ano, conseguimos ajudar na Saúde, fomentar as universidades, trabalhar pelo desenvolvimento econômico e pela segurança pública do nosso estado. Tudo isso não seria possível se não fossem nossos pesquisadores que entenderam que, no tempo em que estivermos à frente da Secretaria, iremos trabalhar totalmente voltados para os principais problemas do nosso estado. Ao lado de vocês, pesquisadores e colaboradores da FAPERJ, essa caminhada se torna cada vez mais fácil", disse.

A presidente da FAPERJ, Caroline Alves, destacou o ineditismo do Prêmio, que tem o objetivo de ser uma vitrine para os projetos contemplados pela Fundação, na mídia e na sociedade. "Esse é um momento emblemático não só para o nosso estado, mas também para os pesquisadores e colaboradores, aqueles que escolhem todos os dias servir à população com o melhor resultado, esses que fazem e contribuem muito para o nosso desenvolvimento. A FAPERJ nasceu da convicção de que a Ciência é um patrimônio do povo do nosso estado e essa noite confirma que mais uma vez que estamos certos em acreditar nisso. Cada projeto reconhecido é uma trajetória, uma descoberta anunciada, representa o que há de mais valioso numa sociedade, que é a capacidade de pensar, transformar e inovar. Esse ano, nós saímos de 24 editais em 2024 para o lançamento de mais de 40 editais, um avanço muito expressivo do fomento à pesquisa fluminense", comemorou.



A FAPERJ homenageou servidores e colaboradores com medalhas e diplomas de reconhecimento profissional. Os servidores Jair Gomes da Silva, Jorge Luiz Lauria e Katia Martins de Souza foram premiados na categoria 'Trajetória/Tempo de Serviço'


A diretora Científica da FAPERJ, professora Eliete Bouskela, destacou a relevância da premiação para a comunidade acadêmica. “Acho que esse prêmio é muito importante, porque os cientistas são tão pouco reconhecidos, que você reconhecê-los e dar um pouco de visibilidade ao seu trabalho é sempre muito importante. Acredito que essa foi uma ideia ótima”, enfatizou. Presidente da Academia Nacional de Medicina (ANM), Eliete ressaltou ainda o apoio que a Fundação vem dando à comunidade científica no estado. “Se não fosse a FAPERJ, a Ciência no estado do Rio de Janeiro estaria à míngua. Quem está mantendo efetivamente a Ciência, inclusive a Ciência Médica, no estado é a Fundação”, afirmou Eliete, também homenageada na cerimônia.

A assessora da Diretoria Científica da FAPERJ, Luciana Lopes, acha que o Prêmio FAPERJ superou completamente as expectativas. “Foi um prêmio muito bem planejado, pensado nos detalhes e, sobretudo, construído com um olhar genuíno de valorização das pessoas que fazem a Ciência e a própria Fundação acontecerem”, lembrou. Para ela, que foi reconhecida na categoria “Proatividade”, o Prêmio não valoriza apenas resultados, mas pessoas, o que faz toda a diferença para fortalecer equipes, estimular o engajamento e seguir construindo uma FAPERJ cada vez mais forte, humana e comprometida com a Ciência do estado do Rio de Janeiro. “Como servidora, receber esse reconhecimento é extremamente motivador. Muitas vezes, o trabalho no serviço público acontece nos bastidores, com dedicação diária, responsabilidade e compromisso institucional. Ser homenageada pela própria instituição em que atuamos reforça o sentimento de pertencimento, de orgulho e de que estamos no caminho certo”, concluiu.

Leia mais sobre a entrega do Prêmio e os agraciados nas diferentes categorias
Confira videorreportagem sobre a cerimônia no Canal da FAPERJ no YouTube
Veja a galeria de fotos do 'Prêmio Faperj 2025'




Autor: Débora Motta, Marcos Patricio e Paula Guatimosim
Fonte: faperj
Sítio Online da Publicação: faperj
Data: 18/12/2025
Publicação Original: https://www.faperj.br/?id=934.7.0