sexta-feira, 27 de agosto de 2021

Espécie ancestral de baleia de quatro pernas é descoberta no Egito



CRÉDITO,DR ROBERT W. BOESSENECKER
Legenda da foto,

O esqueleto parcial do fóssil foi encontrado no deserto ocidental do Egito


Cientistas no Egito identificaram uma espécie desconhecida de baleia, com quatro patas, que viveu 43 milhões de anos atrás.


O fóssil do anfíbio Phiomicetus anubis foi originalmente descoberto no deserto ocidental do Egito.


O crânio dele se parece com o de Anúbis, o antigo deus egípcio com cabeça de chacal — Deus dos Mortos, como foi batizado.


Os ancestrais das baleias modernas desenvolveram-se a partir de mamíferos terrestres semelhantes a cervos que viveram na terra ao longo de 10 milhões de anos.


Pesando cerca de 600 kg e com 3 metros de comprimento, o Phiomicetus anubis tinha mandíbulas fortes o suficiente para capturar suas presas, de acordo com o estudo publicado pelo Proceedings of the Royal Society B na quarta-feira (25/08). A baleia era capaz de andar na terra e nadar na água.


O esqueleto parcial dela foi encontrado na depressão de Fayum, no Egito, e analisado por cientistas da Universidade de Mansoura. Embora a área agora seja deserta, ela já foi coberta pelo mar e é uma rica fonte de fósseis.


"O Phiomicetus anubis é uma nova espécie de baleia e uma descoberta de destaque para a paleontologia egípcia e africana", disse o autor do estudo, Abdullah Gohar, à agência de notícias Reuters.


Embora esta não seja a primeira vez que o fóssil de uma baleia com pernas foi encontrado, acredita-se que o Phiomicetus anubis seja o tipo mais antigo de baleia semi-aquática a ser descoberto na África.


Acredita-se que as primeiras baleias tenham se desenvolvido no sul da Ásia há cerca de 50 milhões de anos. Em 2011, uma equipe de paleontólogos no Peru descobriu um fóssil de baleia de 43 milhões de anos, com quatro patas, pés palmados e cascos.






Autor: BBC NEWS BRASIL
Fonte: BBC NEWS BRASIL
Sítio Online da Publicação: BBC NEWS BRASIL
Data: 26/08/2021
Publicação Original: https://www.bbc.com/portuguese/geral-58351199

A brasileira que salvou as araras azuis da extinção e entrou para o Hall da Fama das Mulheres Cientistas da ONU




Foi nos anos 80 que Neiva Guedes, recém-formada em Biologia, avistou pela primeira vez uma arara azul – no mesmo dia em que descobriu que seus netos, indiscutivelmente, não teriam a mesma oportunidade, uma vez que a espécie, 100% brasileira, estava fadada a desaparecer.

O mix de sentimentos que sentiu naquele dia foi o que definiu o destino de Neiva dali para frente: ela decidiu dedicar sua vida a evitar a extinção das araras azuis – e, 30 anos depois, conseguiu!

A bióloga foi a campo, estudou o comportamento das aves, se aproximou da comunidade e entendeu que os dois principais fatores que contribuíam para o fim das araras azuis na natureza eram a caça ilegal – para serem vendidas como aves de estimação – e o desmatamento, uma vez que essas aves se reproduziam apenas quando encontravam boas cavidades naturais nos troncos das árvores, que estavam cada vez mais sendo derrubadas.

Consciente do problema, Neiva então fundou o Instituto Arara Azul, fez um belíssimo trabalho para conscientização e envolvimento da comunidade, desenvolveu técnica para instalar na natureza ninhos artificiais em condições perfeitas para as araras azuis se reproduzirem e cerca de três décadas depois assistiu ao que muitos julgavam como impossível quando começou o trabalho: a espécie sair, oficialmente, da lista de animais em extinção.


Ainda há muito trabalho a ser feito – sobretudo no que diz respeito ao impacto das mudanças climáticas na vida das araras azuis -, mas o legado que Neiva construiu até aqui é inegável e garantiu à bióloga, entre outros reconhecimentos, um lugar muito especial no ‘hall da fama’ das Meninas e Mulheres Cientistas da ONU Mulheres, quando virou personagem de história em quadrinhos da Turma da Mônica, que é parceira da organização.





Autor: DÉBORA SPITZCOVSKY
Fonte: thegreenestpost
Sítio Online da Publicação: thegreenestpost
Publicação Original: https://thegreenestpost.com/a-brasileira-que-salvou-as-araras-azuis-da-extincao-e-entrou-para-o-hall-da-fama-das-mulheres-cientistas-da-onu/

quinta-feira, 26 de agosto de 2021

Devemos indicar coronariografia precoce em pacientes com insuficiência cardíaca aguda?

Doença arterial coronária (DAC) é causa importante de insuficiência cardíaca (IC), ocorrendo em até dois terços dos casos, e a sua presença leva a um pior prognóstico. A isquemia pode ser um gatilho para o início do quadro de IC e para a descompensação com necessidade de internação. Estudo publicado recentemente avaliou uma coorte de pacientes com IC isquêmica aguda (definida pela presença de IC e pelo menos um dos três: infarto prévio, troponina aumentada ou angina na apresentação inicial) e o objetivo foi determinar se havia associação entre realização de coronariografia precoce com mortalidade, readmissão hospitalar e revascularização miocárdica.


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Métodos do estudo e população envolvida

Foram incluídos pacientes que procuraram atendimento médico no departamento de emergência em Ontario, Canadá, de abril de 2010 a março de 2013. As informações foram obtidas a partir de uma base de dados e os pacientes eram incluídos apenas se preenchessem os critérios de Framingham para IC.

Pacientes com IAM na admissão eram excluídos, assim como os com antecedente de IAM, coronariografia ou revascularização miocárdica nos três meses anteriores. Também foram excluídos os que tinham contraindicação à coronariografia, que foi chamada precoce quando realizada em até 14 dias pós atendimento inicial. Estenose coronária significativa foi definida como maior que 50% no tronco da coronária esquerda (TCE) ou maior que 70% nas artérias descendente anterior, circunflexa ou direita.

O desfecho primário foi mortalidade por todas as causas e mortalidade cardiovascular e o desfecho secundário foi readmissão por todas as causas, por IAM ou por IC. Também foi avaliada revascularização miocárdica, tanto percutânea quanto cirúrgica e todos os desfechos foram avaliados em 90 dias e em 2 anos.

Resultados

O número de pacientes elegíveis inicialmente era 6.166, dos quais 4112 tinham critérios para IC isquêmica aguda. Após aplicação dos critérios de exclusão, restaram no estudo de coorte final 2.994 pacientes, sendo que 1.567 (52,3%) realizaram coronariografia precoce.

Maior probabilidade de realização do exame ocorreu em pacientes com IAM prévio, nos que tinham dispneia, história familiar de DAC, fração de ejeção reduzida ou midrange, troponina aumentada, alterações do segmento ST e hemoglobina mais alta. Pacientes com demência, maiores valores de creatinina, DPOC, fibrilação ou flutter atrial, cirurgia de revascularização miocárdica prévia, idade mais avançada e etnia branca tinham menor probabilidade de realizar o exame.

Em relação ao desfecho primário, houve 914 óbitos no seguimento de 4853 pessoas-ano. O grupo que realizou a coronariografia precoce teve menor mortalidade por todas as causas (HR 0,51 IC95% 0,42-0,63, p < 0,001) e por causas cardiovasculares (HR 0,55 IC95% 0,42-0,72, p < 0,001) em 2 anos. Este resultado se manteve inclusive após ajustes (HR 0,74 IC95% 0,6-0,90, p – 0,002 e HR 0,72 IC95% 0,56-0,93, p = 0,012 respectivamente).

Quanto ao desfecho secundário, houve redução de readmissão hospitalar por todas as causas, por IAM e por IC em 2 anos no grupo que realizou coronariografia precoce. Porém, após ajustes, essa redução se manteve apenas para reinternação por IC (HR 0,84 IC95% 0,71-0,99, p=0,042).

Dos pacientes que realizaram coronariografia precoce, 58,5% tinham doença coronária obstrutiva e 17,6% realizaram revascularização miocárdica em 90 dias. Esse número foi de apenas 3,1% nos que não realizaram o exame de forma precoce. As taxas de angioplastia, cirurgia e revascularização por qualquer método foram maiores nos pacientes que realizaram o exame precocemente, sendo o resultado mantido após ajustes. Após 2 anos de seguimento, em relação aos que realizaram alguma revascularização, 42,9% fizeram angioplastia, 54,1% cirurgia e 3% ambos os procedimentos.

A associação entre coronariografia precoce e menor mortalidade se manteve na análise dos subgrupos infarto prévio, aumento de troponina e angina.
Conclusão

Neste estudo, houve menor mortalidade geral e por causas cardiovasculares, menos internações por IC e maior taxa de revascularização em 90 dias e 2 anos no grupo que realizou o exame de forma precoce, com estes resultados se mantendo nos subgrupos analisados.

Um dos motivos que pode justificar a melhora dos desfechos é a realização de revascularização precoce quando detectada doença obstrutiva, com limitação do impacto da doença isquêmica na progressão da IC. Outra possível explicação é a otimização terapêutica visando controle dos fatores de risco relacionados a DAC, com consequente redução de sua progressão. 

Além disso, a ausência de doença coronária no exame pode levar a mudança terapêutica significativa com suspensão de medicações que não trariam benefício, mas possivelmente risco de eventos adversos.

Baseado nesses achados, a angiografia coronária deve ser considerada de forma precoce nos pacientes com IC aguda e suspeita de doença isquêmica como causa, porém mais estudos são necessários para confirmar o benefício do exame, assim como do tratamento precoce nestes pacientes, sendo que um estudo prospectivo randomizado seria bastante interessante.

Autor(a):

Isabela Abud Manta

Editora de cardiologia do Portal PEBMED ⦁ Graduação em Medicina pela Escola Paulista de Medicina da Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP) ⦁ Residência em Clínica Médica pela UNIFESP ⦁ Residência em Cardiologia pelo Instituto do Coração (InCor) do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP) ⦁ Atualmente atuando nas áreas de terapia intensiva, cardiologia ambulatorial, enfermaria e em ensino médico.


Referências bibliográficas:
Kosyakovsky LB, et al. Early invasive coronary angiography and acute ischaemic heart failure outcomes. European Heart Journal. 2021;00:1–11. doi: 10.1093/eurheart/ehab423






Autor: Isabela Abud Manta
Fonte: PEBMED
Sítio Online da Publicação: PEBMED
Data: 24/08/2021
Publicação Original: https://pebmed.com.br/devemos-indicar-coronariografia-precoce-em-pacientes-com-insuficiencia-cardiaca-aguda/

Dose de reforço: Ministério da Saúde anuncia aplicação em idosos com mais de 70 anos e imunossuprimidos

Na última terça-feira, 25, o Ministério da Saúde anunciou que será aplicada uma dose de reforço da vacina contra a Covid-19 em idosos com mais de 70 anos e imunossuprimidos a partir do dia 15 de setembro.

No caso das pessoas imunossuprimidas, a indicação é que tomem a dose de reforço com no mínimo 28 dias após a segunda dose ou a dose única. Já para os idosos com mais de 70 anos, a recomendação do Ministério da Saúde é para que recebam a aplicação adicional da vacina contra Covid-19 com pelo menos seis meses após a data em que completaram o ciclo vacinal.


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Dose de reforço

A vacina administrada será, preferencialmente, a da Pfizer. Caso haja falta desse imunizante, a recomendação é que se utilize imunizantes de vetor viral, que podem ser a vacina da Janssen ou a Astrazeneca.

O Ministério da Saúde ainda destaca que a dose de reforço é indicada para quem completou a vacinação regular com qualquer vacina usada na campanha nacional de vacinação contra a Covid-19.

Redução de intervalo entre doses

Além de trazer informações sobre a dose de reforço, o Ministério da Saúde também anunciou a redução do intervalo entre as doses da vacina da Pfizer e Astrazeneca. Até então, o tempo entre as doses era de 12 semanas (três meses). A partir do dia 15 de setembro, o intervalo será de 8 semanas (dois meses).

Segundo o Ministério, a diminuição deste intervalo foi estudada e analisada pela Câmara Técnica, se tornando viável após a aplicação da primeira dose de grande parte da população brasileira com idade acima dos 18 anos. A pasta ainda afirma que, até o momento, 77% do público-alvo já iniciou o ciclo vacinal com a primeira aplicação.

*Esse artigo foi revisado pela equipe médica da PEBMED

Referência bibliográfica:
Ministério da Saúde anuncia dose de reforço para vacinação contra a Covid-19 na segunda quinzena de setembro. Ministério da Saúde. 25 de agosto de 2021. Disponível em: https://www.gov.br/saude/pt-br/assuntos/noticias/ministerio-da-saude-anuncia-dose-de-reforco-para-vacinacao-contra-a-covid-19-na-segunda-quinzena-de-setembro







Autor: PEBMED
Fonte: PEBMED
Sítio Online da Publicação: PEBMED
Data: 25/08/2021
Publicação Original: https://pebmed.com.br/dose-de-reforco-ministerio-da-saude-anuncia-aplicacao-em-idosos-com-mais-de-70-anos-e-imunossuprimidos/

quarta-feira, 25 de agosto de 2021

Conectividade de áreas protegidas ajuda espécies a lidarem com as mudanças climática


Floresta fragmentada – Desmatamento no entorno do Território Indígena do Xingu (MT) | Beto Ricardo – ISA
Conectividade de áreas protegidas ajuda espécies a lidarem com as mudanças climáticas
Passagens seguras para espécies que se adaptam às mudanças climáticas nem sempre estão sendo protegidas, alerta um novo estudo da Universidade de Liverpool.

University of Liverpool*

Com o aumento das temperaturas alterando onde as espécies podem sobreviver, muitas estão se mudando para áreas recentemente hospitaleiras mais ao norte. A chave para esta jornada é garantir a conectividade adequada entre onde as espécies vivem atualmente e onde podem viver no futuro.

“Se fragmentos de habitat vitais para a conectividade forem perdidos porque não estão protegidos, uma das principais maneiras pelas quais as espécies podem se adaptar às mudanças climáticas será prejudicada. Portanto, precisamos de métodos para identificar os ‘trampolins’ mais importantes e considerá-los ao designar áreas protegidas para conservação ”, explica o pesquisador Thomas Travers.

Em um novo artigo publicado no Proceedings of the Royal Society B , os pesquisadores usaram uma ferramenta de software de ponta chamada Condatis para explorar como as espécies podem se mover para o norte através de 16 redes de habitat diferentes na Inglaterra, quantificando a importância de diferentes manchas para essa conectividade. Eles também exploraram o quanto a conectividade poderia ser melhorada protegendo algumas das áreas-chave.

O estudo foi realizado por pesquisadores da Universidade de Liverpool, da Natural England e do UK Centre for Ecology and Hydrology.

A equipe descobriu que partes de conexão importantes eram frequentemente deixadas de fora das redes existentes de área protegida, o que significa que menos conectividade foi protegida do que você poderia esperar, dada a quantidade de proteção do habitat. Em 12 das 16 redes de habitat que estudaram, essa deficiência foi em média de 13,6%.

No entanto, eles também descobriram que se apenas uma pequena quantidade de área adicional fosse protegida, isso poderia ter um grande impacto ao ajudar a corrigir esse desequilíbrio e reduzir a vulnerabilidade à mudança climática. Ao focar em reservas naturais adicionais para priorizar a conectividade, a equipe estima que uma média de 41% a mais de conectividade poderia ser alcançada com apenas um aumento de 10% na proteção da área.

O autor principal, Thomas Travers, estudante de doutorado da University of Liverpool, disse: “A comunidade científica tem enfatizado a importância de incorporar a conectividade ao processo de planejamento por pelo menos 30 anos e, à medida que os climas globais continuarem a mudar, essa importância aumentará. Infelizmente, parece que a conexão dos habitats permanece vulnerável à degradação e perda por falta de proteção. Mostramos que patches importantes para a conectividade de longa distância podem ser facilmente identificados, permitindo que a proporção protegida seja aumentada com recursos adicionais mínimos. ”

O coautor Dr. Jamie Alison, do UK Centre for Ecology and Hydrology, acrescentou: “Não devemos esquecer de proteger os habitats que parecem ser pequenos e periféricos. Eles são lugares valiosos para as pessoas desfrutarem da natureza – mas também para as espécies lidarem com as mudanças climáticas. ”

A autora sênior, Dra. Jenny Hodgson , da Universidade de Liverpool, disse: “Garantir a proteção de nossos melhores habitats para a vida selvagem é um primeiro passo fundamental para tornar o mundo natural resiliente em um clima em mudança. A meta proposta da Convenção sobre Diversidade Biológica de proteger 30% da terra e dos mares da Terra para a natureza até 2030 (meta 30 × 30) oferece uma oportunidade importante e oportuna para reduzir parte desse déficit de proteção de conectividade. ”

O Dr. Humphrey Crick, da Natural England deu as boas-vindas ao estudo e disse: “A importância da conectividade foi enfatizada na abordagem do governo para a adaptação às mudanças climáticas e este estudo fornece um excelente exemplo de como podemos usar a ciência mais recente para ajudar a identificar essas áreas que são potencialmente importantes ”.

O software Condatis foi desenvolvido pela Dra. Jenny Hodgson e tem sido usado em todo o mundo para priorizar o melhor habitat para proteger e restaurar.

Thomas Travers foi financiado por uma bolsa de estudos do NERC por meio da Parceria de Treinamento para Doutorado Adaptando aos Desafios de um Ambiente em Mudança ( ACCE ). O estudo também recebeu apoio financeiro e logístico da Natural England.

Referência:

Travers TJP, Alison J, Taylor SD, Crick HQP, Hodgson JA. 2021 Habitat patches providing south–north connectivity are under-protected in a fragmented landscape. Proc. R. Soc. B 20211010. https://doi.org/10.1098/rspb.2021.1010

Henrique Cortez *, tradução e edição

in EcoDebate, ISSN 2446-9394, 25/08/2021




Autor: Henrique Cortez
Fonte: EcoDebate
Sítio Online da Publicação: EcoDebate
Data: 25/08/2021
Publicação Original: https://www.ecodebate.com.br/2021/08/25/conectividade-de-areas-protegidas-ajuda-especies-a-lidarem-com-as-mudancas-climatica/

Crises de clima e biodiversidade devem ser tratadas como uma só




Crises de clima e biodiversidade devem ser tratadas como uma só

“A montanha-russa deste verão de temperaturas extremas, secura, enchentes e incêndios florestais tem sido ruim, mas provavelmente muito melhor do que o que podemos ver no futuro”

O recente relatório do IPCC confirma que o aquecimento global está ficando cada vez mais rápido. O impacto ocorre em tempo real enquanto observamos aldeias inundadas e florestas queimadas. Enquanto isso, a crise oculta da perda de biodiversidade continua com a perda de florestas para o desmatamento, agravada pelos incêndios.

À medida que as crises de clima e biodiversidade se potencializam, a nova análise da EASAC [“Key Messages from European Science Academies for UNFCCC COP26 and CBD COP12”] adiciona os dados mais recentes para informar a Cúpula do Clima da ONU em Glasgow e a Cúpula da Biodiversidade na China neste outono, com foco em 16 áreas que requerem ação urgente para proteger a humanidade do pior .

O resumo da análise dos dez anos de pesquisa científica da EASAC cobrindo meio ambiente, energia e biociências é colocado contra o cenário assustador de um aumento inexorável na temperatura e umidade que se expande em algumas áreas a níveis onde é difícil ou impossível para os humanos ou para as plantações e gado que eles precisa sobreviver. Adicionando ciência muito recente para ter sido incluída no Relatório do IPCC, as Academias de Ciências da Europa exortam os governos a tratarem as Crises Climáticas e de Biodiversidade como uma só, e igualmente urgente.
Crises de clima e biodiversidade devem ser tratadas como uma só

“A montanha-russa deste verão de temperaturas extremas, secura, enchentes e incêndios florestais tem sido ruim, mas provavelmente muito melhor do que o que podemos ver no futuro”, explica o Prof. Michael Norton, Diretor do Programa Ambiental da EASAC. “A perda de biodiversidade e as perigosas Mudanças Climáticas potencializam-se mutuamente em suas consequências desastrosas. É um círculo vicioso que não só leva a condições meteorológicas extremas, mas também ao colapso dos sistemas alimentares e ao aumento dos riscos de patógenos perigosos, zoonoses e outros impactos na saúde. ”

A análise ilustra as múltiplas interações de crises: a substituição das florestas tropicais pela agricultura reduz a biodiversidade ao mesmo tempo que libera o carbono armazenado, reduzindo a absorção de carbono na terra e aumentando as emissões de outros gases de efeito estufa (GEE). O aquecimento das temperaturas e as mudanças associadas à precipitação reduzem a produtividade agrícola, bem como deslocam as espécies para fora de sua área habitável, em alguns casos levando-as à extinção. O aquecimento e a acidificação dos oceanos, juntamente com a circulação enfraquecida, reduzem a capacidade dos oceanos de absorver e remover o dióxido de carbono (CO2) da atmosfera, ao mesmo tempo em que muda ou degrada os ecossistemas.
Saia da estrada para nossa própria destruição

Mas os cientistas também veem oportunidades: conservar, gerenciar e restaurar ecossistemas, por exemplo, pode mitigar as mudanças climáticas e permitir a adaptação aos seus impactos, ao mesmo tempo que melhora a biodiversidade. “Esses desafios têm soluções, mas até agora as Convenções sobre Mudança Climática e sobre Biodiversidade, separadamente, não tiveram vontade política para implementá-los, ou os formuladores de políticas tomaram caminhos fáceis sem considerar adequadamente as consequências”, diz Norton “O exemplo clássico é a falha em avaliar adequadamente os impactos climáticos da queima de árvores para eletricidade antes de alocar bilhões em subsídios. As duas reuniões no outono precisam mapear uma saída da estrada atual que leva à nossa própria destruição. ”

Com base no trabalho anterior da EASAC, a análise inclui uma lista de 16 campos de ação em que os governos já deveriam ter feito mais. Eles abrangem mudanças climáticas, o papel da energia de biomassa, emissões de gases de efeito estufa de diferentes matérias-primas de petróleo, políticas para reduzir as emissões em transportes, edifícios e infraestrutura e as interações entre as mudanças climáticas e a saúde humana.
Contar com o sistema baseado no PIB não vai funcionar

Questões sistêmicas, como as barreiras às mudanças transformadoras necessárias para enfrentar a Crise do Clima e da Biodiversidade, também são abordadas. “Contar com o sistema atual para entregar as reduções necessárias não vai funcionar”, diz Norton. “O sistema econômico baseado no PIB, no qual os combustíveis fósseis, alimentos e interesses agrícolas estão elevando os níveis de CO2, desmatamento, desmatamento e pesca excessiva, não é mais adequado se os níveis atmosféricos de gases de efeito estufa devem ser reduzidos em um curto espaço de tempo. período possível. ” Os cientistas deixam claro que os governos precisam apertar o botão de reset. Se a humanidade deseja deter as mudanças climáticas e preservar a biodiversidade de que necessita para sua sobrevivência, deve mudar o sistema econômico para um que recompense e incentive escolhas e comportamentos sustentáveis.
Concentre-se nos pontos de inflexão que desviam a atenção da seriedade das tendências lineares subjacentes

Desde a Cúpula do Clima de Paris em 2015, tem havido muito foco nos pontos de inflexão. Mas, de acordo com a EASAC, tendências catastroficamente perturbadoras também estão ocorrendo como mudanças graduais incrementais. “O foco nos pontos de inflexão cria uma imagem de pontos de retransmissão até os quais as mudanças climáticas podem ser vistas como ‘seguras’. No entanto, não apenas os diferentes pontos de inflexão interagem entre si e aumentam os perigos, mas as tendências lineares subjacentes, como temperatura e umidade, são sérias por si mesmas ”, explica Norton.
Oportunidade para uma ação coordenada, ousada e transformadora

“Como pais e avós, estamos tão apavorados quanto todos os outros com o que vemos por vir. Mas, como cientistas, sabemos que existem maneiras de mitigar o pior e se adaptar. Mas apenas se os governos na Europa e em todo o mundo assumirem a responsabilidade e mostrarem liderança agora ”, disse Lars Walloe, Presidente do Programa Ambiental da EASAC.

Com as agendas políticas intimamente relacionadas da Cúpula do Clima e da Cúpula da Biodiversidade, os negociadores têm a oportunidade de tomar ações coordenadas, ousadas e transformadoras para entregar uma estrutura nova, mais integrada e coerente para lidar com a perda de biodiversidade e as mudanças climáticas em conjunto. A urgência é tanta que ambos precisam trabalhar juntos agora, tirar proveito das muitas sinergias potenciais entre as mudanças climáticas e as políticas de biodiversidade – como a restauração massiva de ecossistemas – e mudar o curso da humanidade em direção a um futuro sustentável.

EASAC Commentary “Key Messages from European Science Academies for UNFCCC COP26 and CBD COP12”: https://easac.eu/publications/details/key-messages-from-european-science-academies-for-unfccc-cop26-and-cbd-cop15/

References:

EASAC (2013) Trends in extreme weather events in Europe: implications for national and European Union adaptation strategies

EASAC (2015) Ecosystem services, agriculture and neonicotinoids

EASAC (2016) Greenhouse gas footprints of different oil feedstocks

EASAC (2017a) Multi-functionality and sustainability in the European Union’s forests

EASAC (2017b) Valuing dedicated storage in electricity grids

EASAC (2017c) Opportunities and challenges for research on food and nutrition security and agriculture in Europe

EASAC (2018a) Commentary on forest bioenergy and carbon neutrality

EASAC (2018b) Negative emission technologies: what role in meeting Paris Agreement targets?

EASAC (2018c) Opportunities for soil sustainability in Europe

EASAC (2018d) Extreme weather events in Europe. Preparing for climate change adaptation

EASAC (2019a) Forest bioenergy, carbon capture and storage, and carbon dioxide removal: an update

EASAC (2019b) Decarbonisation of Transport: options and challenges

EASAC (2019c) The imperative of climate action to protect human health in Europe

EASAC (2020a) Hydrogen and synthetic fuels

EASAC (2020b) Towards a sustainable future: transformative change and post-COVID-19 priorities

EASAC (2020c) How can science help to guide the European Union’s green recovery after COVID-19?
EASAC (2021a) Decarbonisation of buildings: for climate, health and jobs

EASAC (2021b) Policy briefs to the Scientific Group of the UN Food Systems Summit 2021

EASAC (2021c) A sea of change: Europe’s future in the Atlantic realm

EASAC and FEAM (2021) Decarbonisation of the health sector

Do European Academies’ Science Advisory Council (EASAC), in EcoDebate, ISSN 2446-9394, 25/08/2021





Autor: European Academies’ Science Advisory Council (EASAC)
Fonte: EcoDebate
Sítio Online da Publicação: EcoDebate
Data: 25/08/2021
Publicação Original: https://www.ecodebate.com.br/2021/08/25/crises-de-clima-e-biodiversidade-devem-ser-tratadas-como-uma-so/

Tentativa de abertura da Estrada do Colono ameaça biodiversidade e mais de 1.600 espécies de animais



Tentativa de abertura da Estrada do Colono ameaça biodiversidade e mais de 1.600 espécies de animais
Publicação alerta sobre os impactos se a Estrada do Colono for aberta e como a pressão política está influenciando na aprovação do projeto de lei; animais serão os mais atingidos com a degradação ambiental

A revista britânica Nature, uma das publicações mais respeitadas do mundo, publicou no último dia 17 de agosto, um artigo sobre os impactos da abertura da Estrada do Colono, localizada dentro do Parque Nacional do Iguaçu, no Paraná. Com a chamada “Brazilian road proposal threatens famed biodiversity hotspot (Proposta de rodovia brasileira ameaça famoso ponto de biodiversidade – título traduzido), o artigo é assinado pela jornalista Meghie Rodrigues e analisa o Projeto de Lei no. 984/2019.

No artigo, a jornalista descreve que, caso o projeto de lei seja aprovado, será construída uma rodovia na Estrada do Colono, que hoje conta com vegetação nativa (visto de cima, não existe mais a estrada antiga) e conecta cidades ao norte e ao sul, em um trecho de 18 quilômetros, entre os municípios de Serranópolis do Iguaçu e Capanema. A matéria também aborda como a abertura irá impactar diretamente na biodiversidade do parque, que abriga mais de 1.600 espécies de animais, incluindo ameaçados em extinção, como as onças e as antas e diversas espécies de pássaros, além de projetos de pesquisas e ecossistemas preciosos.

A Nature ainda destaca a luta dos ambientalistas e pesquisadores contra a abertura, sob o argumento que trará, além da poluição do ar, do solo, da água e até do som para o parque, também caçadores ilegais, que podem ameaçar os animais, incluindo o tráfico de onças e outros animais silvestres. A jornalista Meghie Rodrigues ouviu fontes locais como Ivan Baptiston, chefe do Parque Nacional do Iguaçu entre 2015 e 2020; Carmel Croukamp Davies, diretora do Parque das Aves; Carlos Araújo, ativista ambiental argentino; e pesquisadores como o biólogo Victor Prasniewski, que fez um estudo sobre o impacto de uma estrada em meio à floresta (poluição do ar, solo, água e sonora), para a reprodução de animais que vivem no entorno.


“O fechamento da estrada é questão que transita em julgado pela justiça brasileira,ou seja, aos olhos da Lei, ela não pode ser reaberta. O PL não passa de manobra política, que não interessa a ninguém, além de meia dúzia de políticos, do ponto de vista ambiental é uma catástrofe e economicamente não traria nenhum benefício a região. Ao contrário, causaria vergonha internacional, afastando os turistas estrangeiros e fazendo o Parque perder o título de Patrimônio Natural da Humanidade. Quem defende o país, não pode deixar isso acontecer”, afirma Angela Kuczach, diretora executiva da rede Pró-UC (Pró Unidade de Conservação da Natureza).


Projeto de Lei teria interesses pessoais para a abertura


A reportagem da Nature também traz que o projeto de lei é patrocinado por Nelsi Coguetto Maria, integrante da Câmara dos Deputados, e argumenta que a mídia local noticiou que sua família potencialmente tem a ganhar com a Estrada do Colono, pois dois de seus filhos são sócios em empresas de construção que poderiam pavimentar a estrada. Um dos argumentos é que o restabelecimento da rodovia seria uma “solução para um problema logístico do Paraná”.


“O escritório de Coguetto Maria não respondeu às perguntas da Nature sobre isso ou sobre as preocupações dos pesquisadores sobre a estrada. Quando a Câmara dos Deputados aprovou a aceleração do projeto de lei, ele argumentou que o Brasil de hoje é ‘responsável’, tem ‘competência e capacidade para construir uma estrada ecologicamente correta’, ressaltando que a estrada existia como um caminho para caminhadas antes mesmo de o parque ser criado”, alerta o texto da Nature. Estudos históricos, no entanto, refutam essa teoria.


Se aprovada, A Lei irá enfraquecer ainda mais a legislação ambiental brasileira


Um ponto importante que o artigo da Nature aborda é o posicionamento do governo brasileiro, que sob a liderança do presidente Jair Bolsonaro, enfraqueceu a proteção das florestas do país em favor dos setores de mineração, extração de madeira e pecuária. Se o projeto de lei for aprovado, irá enfraquecer ainda mais a legislação ambiental brasileira, além de abrir caminhos para a criação de estradas e rodovias em outros parques e unidades de conversação no país.


Se o projeto for aprovado vira uma lei, que estabelece critérios e normas para a criação, implantação e gestão das unidades de conservação, é o que questiona Neucir Szinwelski, professor na Universidade Estadual do Oeste do Paraná. “O que acontecer no Parque Nacional do Iguaçu poderá sim acontecer em outras unidades de conservação. Não há no projeto de lei qual limitação a isso e, portanto, a abertura de estradas será baseada apenas na demanda e nos interesses econômicos, pois em termos legais tais procedimentos estão regulamentados. Cabe ressaltar que o projeto foi aprovado com regime de urgência, sem que discussões fossem feitas nas câmaras especiais. Ainda, o que é dito pelo autor do projeto é que após a aprovação é que será discutido o modelo de implantação. Não faz sentido isso. Como podem pensar em aprovar uma lei que não se sabe o que vai estar contido dentro dela”.


Abertura de Estrada do Colono não irá impulsionar o ecoturismo


Sobre os argumentos para a abertura, a matéria da Nature foi enfática ao afirmar que não faz sentido que a rodovia irá potencializar o turismo no Paraná. Para Hélio Secco, Secretário Geral da Rede Brasileira de Especialista em Ecologia de Transportes e Pesquisador colaborador do Instituto de Biodiversidade e Sustentabilidade da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), o projeto de lei não tem a intenção de atrair o ecoturismo, sendo que o mesmo já é atraído pelos pontos tradicionais do Parque. Para ele, ainda existe o risco de atropelamento da fauna, uma vez que a estrada será para encurtar distâncias e o volume de veículos pode ser uma ameaça para as espécies locais.


“Eu não acredito que o projeto de lei será aprovado. Eu acho que com a pressão organizada pela sociedade civil, institutos de pesquisas e acadêmicos vêm demonstrando por diversos motivos o quão negativo seria esta abertura, que inclusive a própria mídia já vem repercutindo, o que acaba fazendo com que muitos parlamentares tomem uma decisão contrária e evitem se expor neste momento”, comenta o especialista.


Já na visão de Szinwelski, professor na Universidade Estadual do Oeste do Paraná, o projeto sofrerá grande resistência tanto na Câmara quanto no Senado, isso porque há grande pressão do empresariado nacional e dos investidores internacionais para que o projeto seja retirado de pauta e rejeitado. “Enquanto o mundo está ligando suas atividades à conservação da biodiversidade, a proteção e ampliação de florestas, a reestruturação dos habitats naturais, o Brasil parece ir em sentido contrário, com um projeto de lei que modifica a estrutura do Sistema Nacional de Unidades de Conservação (SNUC), e faz isso começando pela maior e mais emblemática unidade de conservação: o Parque Nacional do Iguaçu. O projeto visa, literalmente, partir o parque em dois, e abre precedentes para que isso seja feito em qualquer unidade de conservação”, complementa.


Sobre a Estrada do Colono


O Parque Nacional do Iguaçu é conhecido pelas Cataratas do Iguaçu – uma das maiores do mundo. Fundado em 1939, o Parque contém a maior mancha remanescente de Mata Atlântica no sul do Brasil, rica em vegetais e animais e se estende na costa sudeste do Brasil até a Argentina e o Paraguai. Mas devido ao aceleramento do desmatamento causado pela urbanização e pelas atividades agrícolas e industriais no século XX, a floresta já perdeu 90% da sua cobertura arbórea. Em 1986, ocorreu o primeiro fechamento da Estrada do Colono, que também foi declarado Patrimônio Mundial pela Organização das Nações Unidas (UNESCO). No mesmo ano, o Ministério Público Federal abriu uma ação civil para fechar a Estrada e, no ano seguinte, uma juíza federal a fechou oficialmente. Em 1997 ocorreu uma reabertura ilegal e, em 2001, a Justiça Federal determinou o fechamento definitivo durante 2 anos. Moradores resistiram a entregar a área e a desocupação foi feita pelo Exército, Polícia Federal e o Ibama.


Com o fechamento, alguns moradores locais tentaram abrir a estrada, alegando dificuldades econômicas e a impossibilidade de viajar com eficiência para a área, mas o argumento econômico não se sustenta mais. “Os danos causados à altamente valorizada Mata Atlântica do parque superariam em muito os ganhos econômicos potenciais para as cidades vizinhas’, dizem eles. Além disso, as espécies protegidas pelo parque são insubstituíveis, acrescentam. O Parque Nacional do Iguaçu é o único local do mundo onde a população de onças está aumentando em vez de diminuir”, cita o texto da Nature.


“Os retrocessos ambientais serão muito severos e o Brasil já deu grandes demonstrações de que não sabe cuidar dos seus recursos naturais e que não sabe tomar decisões ambientais assertivas, ao contrário do que diz o autor do projeto de lei”, finaliza Szinwelski.


Para ler o artigo da Nature na íntegra, clique em https://www.nature.com/articles/d41586-021-02199-x.


Sobre a Rede Pró UC


A Rede Pró-Unidades de Conservação é uma organização não governamental advocacy que busca ampliar sua representatividade e impacto em prol da proteção dos ambientes naturais. A Rede foi fundada em 1998 e atua em todo o território nacional fortalecendo Unidades de Conservação da Natureza juntamente com outras instituições e colaboradores que atuam em defesa das UCs no Brasil. Mais informações, acesse em http://redeprouc.org.br/.


in EcoDebate, ISSN 2446-9394, 25/08/2021







Autor: EcoDebate
Fonte: EcoDebate
Sítio Online da Publicação: EcoDebate
Data: 25/08/2021
Publicação Original: https://www.ecodebate.com.br/2021/08/25/tentativa-de-abertura-da-estrada-do-colono-ameaca-biodiversidade-e-mais-de-1-600-especies-de-animais/