sexta-feira, 26 de dezembro de 2025

Pesquisador da UFF é o primeiro brasileiro contemplado com bolsa ERC Synergy Grant



Ilustração retrata o deck de um navio negreiro na Jamaica, no século XIX. Mais de 12 milhões de pessoas negras escravizadas cruzaram os oceanos entre os séculos XVI e XIX (Arte: "Deck of Slave Ship, Jamaica, 19th cent", disponível em: www.slaveryimages.org)


Pela primeira vez, um pesquisador brasileiro sediado no Brasil foi contemplado com uma bolsa ERC Synergy Grant, concedida pelo European Research Council (ERC), a principal organização da União Europeia para o financiamento de pesquisa de ponta e excelência. O historiador e professor Leonardo Marques, do Departamento de História da Universidade Federal Fluminense (UFF), integra o projeto TASTADE (The Transatlantic Slave Trade and the Development of Europe), que investigará o comércio transatlântico de pessoas escravizadas e seu impacto no desenvolvimento europeu.

Marques é o segundo pesquisador na América Latina e Caribe a integrar uma rede agraciada com uma bolsa ERC Synergy Grant, o mais alto fomento da agência. O projeto interinstitucional, de cooperação internacional, receberá um financiamento da ordem de 10 milhões de euros ao longo de seis anos. O trabalho envolve pesquisadores da Lancaster University (líder, do Reino Unido), UFF (única instituição do Brasil a participar da rede), Vrije Universiteit Amsterdam (Holanda) e Université Côte d'Azur (França).

O projeto TASTADE vai investigar, de 2026 a 2031, de que forma o comércio transatlântico de africanos escravizados influenciou o desenvolvimento econômico, político e cultural da Europa. A rede de pesquisa internacional investiga como esse comércio ilegal, responsável pelo deslocamento forçado de mais de 12 milhões de pessoas entre os séculos XVI e XIX, estava relacionado às diversas esferas de poder e como os agentes envolvidos nesse comércio ocuparam cargos políticos, financiaram instituições culturais e formaram redes transnacionais entre portos como Londres, Lisboa, Rio de Janeiro, Salvador e Havana.

“Com essa rede de pesquisa, vamos criar um extenso banco de dados internacional, com informações sobre milhares de financiadores do tráfico de escravizados e suas redes de atuação, permitindo analisar as ramificações econômicas, políticas e culturais do processo em escala global”, disse Leonardo Marques, que é professor do Departamento de História da América da UFF, onde dá aulas para alunos da graduação e da pós-graduação.

Leonardo Marques investiga a relação entre a escravidão, o colonialismo e o desenvolvimento, em projeto que envolve esforços de pesquisadores do Reino Unido, Holanda, França e Brasil (Foto: Acervo pessoal)


“Vamos explorar a questão da escravidão e do desenvolvimento sobre novas bases, para além da dimensão puramente econômica, e ver como ela marcou a história da Europa, para também entender melhor as nossas relações entre Brasil e Portugal. Pretendemos abrir uma grande frente de discussões entre colonialismo, escravidão e desenvolvimento”, destacou. “A ideia é levantar o maior número possível de nomes dos investidores dessas viagens, e compreender como pequenas figuras usaram o tráfico de pessoas negras escravizadas para ascender socialmente, e como se criou uma legitimidade nessa sociedade. Não eram apenas grandes investidores, existiam investidores de diferentes origens sociais, como pequenos comerciantes e capitães dos navios negreiros. Vamos explorar os diversos estratos sociais além da elite”, detalhou Marques, que foi contemplado pela FAPERJ com um Auxílio Básico à Pesquisa (APQ 1), em 2019.

De acordo com o historiador da UFF, o projeto deve contar com uma equipe de aproximadamente 40 pessoas. “Para elaborar a base de dados e organizar diversos simpósios e eventos de divulgação científica, o projeto envolve a contratação de diversos doutorandos e pós-doutorandos, ajudando a movimentar recursos humanos altamente qualificados envolvidos no tema da pesquisa”, contou. “Queremos criar uma referência internacional no campo de estudos sobre a escravidão na era moderna, atraindo especialistas de diferentes países e contribuindo para ampliar a compreensão sobre o papel do Brasil no sistema escravista atlântico.”

Sobre o ERC Synergy Grant

O ERC Synergy Grant financia projetos ambiciosos realizados por grupos de dois a quatro pesquisadores de todas as nacionalidades, sendo que um deles pode estar sediado fora da Europa. “As bolsas ERC Sinergy Grant induzem a formação de redes de pesquisa internacionais, com recursos compartilhados, para pesquisadores de todas as áreas do conhecimento, incluindo ciências humanas e sociais, desde que tenham Doutorado, dois anos de experiência e um projeto de pesquisa inovador”, disse a coordenadora regional do EURAXESS Latin America and the Caribbean (LAC), Charlotte Grawitz.

“A grande vantagem dessa bolsa é que ela financia e estimula grupos de pesquisa, ao contrário das outras modalidades de bolsas, que são individuais e só contemplam pesquisas realizadas em instituições europeias. No caso da Sinergy, um pesquisador ou pesquisadora do grupo pode estar sediado fora da Europa, o que favorece o diálogo científico com outros continentes e a complementariedade entre os conhecimentos na área”, ponderou Charlotte.



Autor: Débora Motta
Fonte: faperj
Sítio Online da Publicação: faperj
Data: 04/12/2025
Publicação Original: https://www.faperj.br/?id=927.7.1

Projeto conduzido na UFF une o Direito à alimentação digna

Recentemente, a construção de uma estufa em um terreno abandonado no Campus da Faculdade de Direito da Universidade Federal Fluminense (UFF) causou certa estranheza para quem pesquisa e estuda a agricultura. Muitos se perguntavam o que o Direito tem a ver com a Agricultura. Quem responde é a pesquisadora Roberta Oliveira Lima, pós-doutoranda em conflitos socioambientais rurais e urbanos pelo Programa de Pós-Graduação em Sociologia e Direito da UFF: “O Direito está intimamente vinculado aos amplos direitos dos cidadãos, dentre os quais uma alimentação digna”, explica Roberta. Seu projeto Fortalecimento de uma rede de ensino em segurança alimentar e direito humano à alimentação adequada com ênfase na produção agroecológica urbana e periurbana, contemplado no Edital FAPERJ nº 18/2023 - Programa de Treinamento e Capacitação Técnica (TCT) de Apoio ao Desenvolvimento Setor Agropecuário e da Agroindústria do Rio de Janeiro, reflete sua preocupação com este tema.

Respaldado pela Lei nº 14.935, de julho de 2024, que instituiu a Política Nacional de Agricultura Urbana e Periurbana (área periférica de uma cidade, zona de transição entre o espaço rural e o urbano) e com o apoio da sua bolsista de TCT Mariana Letícia Rosa Brito, e da orientação da Empresa de Pesquisa Agropecuária do Estado do Rio de Janeiro (Pesagro-Rio), o projeto está em fase final de instalação de uma estufa e viveiro de mudas de hortaliças para abastecer hortas comunitárias em Niterói.

“Nossa proposta é fortalecer uma rede de ensino na pauta de segurança alimentar no âmbito da comunidade acadêmica e do entorno”, explica Roberta, que também é pesquisadora do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia em Disputas e Soberanias Informacionais (INCT-DSI), trabalhando com o tema do enfrentamento à desinformação ambiental junto ao Programa de Pós-Graduação em Comunicação (PPGCOM), também na UFF.

O projeto mapeou a legislação acerca do tema, tanto no nível federal quanto estadual e municipal e estudou as atribuições do Conselho Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional (Consea), do Programa “Alimenta Cidades”, do Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome. Dados do MDS indicam que 85% dos brasileiros vivem nas cidades e, em todo o mundo, cerca de 80% de todos os alimentos produzidos são consumidos em áreas urbanas.

A partir dos levantamentos realizados, o projeto estruturou o primeiro curso de Direito Humano à Alimentação Adequada (DHAA) e Soberania Alimentar. Segundo Roberta, o curso foi divulgado apenas nas redes sociais e resultou em 2.200 alunos de todos os estados brasileiros, exceto o Amapá. Agora, a pesquisadora pretende lançar o segundo curso para que o Amapá também possa formar alunos e, enquanto isso, os interessados podem acompanhar diariamente notícias no perfil @ativismoalimentar na rede social do Instagram.

“O direito tem esse papel de cuidar da soberania alimentar e ambiental como um direito humano”, diz Roberta, doutora em Sociologia e Direito pela UFF na linha de conflitos socioambientais rurais e urbanos e mestra em Gestão de Políticas Públicas pela Universidade do Vale do Itajaí (Univali), Santa Catarina, que aposta na dinâmica interdisciplinar característica da UFF para envolver outras disciplinas no projeto. Para a pesquisadora, não basta que todos tenham acesso à alimentação, mas também a um alimento de qualidade e produzido com base na sustentabilidade ambiental.

Niterói está entre os 60 municípios brasileiros selecionados para participar do programa “Alimenta Cidades”, iniciativa do governo federal que apoia ações para garantir o acesso a alimentos saudáveis e sustentáveis. O objetivo do programa é fortalecer sistemas alimentares locais, incentivar o consumo consciente e o reaproveitamento de recursos, conectando campo e cidade em uma cadeia mais justa e sustentável.

Nos dias 11 e 12 de dezembro de 2024, o município sediou as últimas oficinas do ano, reunindo gestores públicos, conselheiros, representantes de universidades e organizações sociais. Durante os encontros, os participantes discutiram os principais desafios da alimentação em Niterói, definiram prioridades e traçaram estratégias para novas políticas públicas que promovam a segurança alimentar e nutricional.

Roberta Oliveira Lima (esq.) e Mariana Rosa Brito: pesquisadoras trabalham para colocar na prática a soberania alimentar e ambiental como um direito humano


O grupo realizou visitas de campo a iniciativas locais que refletem o compromisso da cidade com a economia solidária e a soberania alimentar. Entre os locais visitados, estavam a Associação de Marisqueiros de Jurujuba, o Banco de Alimentos Herbert de Souza, os Restaurantes Populares Carolina Maria de Jesus e Jorge Amado, e o Horto Maria Paula.

As visitas mostraram como Niterói tem integrado políticas de alimentação saudável com o fortalecimento da economia local, especialmente por meio dos editais de fomento à economia solidária ligados à Moeda Social Araribóia, iniciativa da Secretaria Municipal de Assistência Social e Economia Solidária.

Mariana Rosa explica que o curso de Direito na UFF e seus programas de pós-graduação têm uma tradição de pesquisa muito focada no social, incentivando desde as hortas comunitárias até as cozinhas solidárias. Para ela, o projeto é “um enfrentamento simbólico do Direito em defesa dos direitos das pessoas”. É o “direito achado na horta”, em similaridade com a expressão “direito achado na rua”, uma concepção teórica que pensa o Direito como uma derivação de movimentos sociais, construído pela sociedade.

Sua dissertação de mestrado Agricultura urbana e periurbana: Uma estratégia de enraizamento da soberania alimentar no contexto fluminense nasceu do seu interesse pelo tema, quando Mariana se deu conta de que o Brasil, apesar de ser um dos maiores produtores de commodities do mundo, não possui soberania alimentar. Ela conta que foi durante a pandemia de Covid-19 que “o desmonte das políticas alimentares e diversos direitos sociais”, somado à ausência de tradição agrícola do estado, motivaram o crescimento de iniciativas comunitárias em estruturarem hortas urbanas, independente do apoio do governo. Mariana acredita que a agricultura será a primeira a ser afetada pelas mudanças climáticas, e, por isso, deve estar no centro das atenções, em especial, nas grandes cidades.



Autor: Paula Guatimosim
Fonte: faperj
Sítio Online da Publicação: faperj
Data: 18/12/2025
Publicação Original: https://www.faperj.br/?id=892.7.2

FAPERJ homenageia pesquisadores, servidores e personalidades



Uma noite de gala para celebrar as contribuições de todos aqueles que trabalham pela Ciência, Tecnologia, Inovação e Empreendedorismo no estado do Rio de Janeiro. Esse foi o tom da cerimônia de entrega do “Prêmio Faperj de Ciência, Inovação e Reconhecimento – Destaques do Rio de Janeiro (1ª Edição) – 2025”, realizada na última quinta-feira, 11 de dezembro, na Sala Cecília Meirelles, na Lapa, Centro do Rio. A premiação, inédita, foi entregue pela FAPERJ e a Secretaria de Estado de Ciência, Tecnologia e Inovação (SECTI-RJ).

Os premiados foram escolhidos a partir de um edital lançado em novembro deste ano. Para nortear as homenagens, o Prêmio foi estruturado em dois eixos: o primeiro – Sociedade Científica e Inovadora – voltado à comunidade científica, foi dividido em 12 categorias. Já o segundo – Reconhecimento Profissional FAPERJ – foi destinado aos servidores e colaboradores da Fundação e composto por seis categorias.

FAPERJ entregou prêmios especiais, como a Medalha Mérito Científico Carlos Chagas Filho e a Premiação Pesquisador (a) Referência Revelação de 2025

Um dos momentos de maior peso na premiação foi a entrega da Medalha de Mérito Científico Carlos Chagas Filho. Os agraciados pela FAPERJ foram a linguista e escritora afro-brasileira Conceição Evaristo, na categoria "Mulher Cientista"; o pesquisador visitante emérito da FAPERJ Wanderley de Souza, na categoria "Pesquisador Sênior"; e o professor emérito da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) Luiz Davidovich, na categoria "Destaque Internacional".


Para Conceição Evaristo, o reconhecimento público da FAPERJ tem dois grandes significados. "Eu venho da área de Literatura e, muitas vezes, a arte não é considerada como Ciência. Além disso, ganhar essa distinção, a partir da minha produção literária e, também, a partir da minha pesquisa é importante, pois sou uma mulher negra. Isso tem muito significado, daquilo que eu represento para as vozes negras”, reforçou ela.

Ao receber a Medalha Mérito Científico Carlos Chagas Filho, na categoria “Pesquisador Sênior”, o professor emérito da UFRJ, Wanderley de Souza, falou sobre o significado da homenagem. “A FAPERJ vem fazendo um trabalho de apoio ao desenvolvimento das pesquisas há muitos anos, sempre de forma crescente, felizmente. Esse prêmio vem reconhecer o trabalho de pesquisadores e de algumas pessoas que têm contribuído para a Ciência e a Tecnologia”, afirmou Souza, primeiro reitor da Universidade Estadual do Norte Fluminense (Uenf).

Referência mundial em pesquisas voltadas ao impacto do ambiente em sistemas quânticos, o físico Luiz Davidovich foi o vencedor na categoria “Destaque Internacional”. Entre dezenas de premiações já conquistadas em sua carreira científica, este ano Davidovich foi o vencedor do Prêmio TWAS Apex 2025, concedido pela Academia Mundial de Ciências, vinculada à Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco). A honraria, uma das mais importantes no cenário internacional, reconhece o trabalho de pesquisadores que contribuem para o avanço da Ciência e da Tecnologia no mundo. “Acredito que este prêmio sinaliza, sobretudo aos jovens, aos estudantes, o reconhecimento do Rio de Janeiro aos seus cientistas. Isso demonstra a importância que o estado, por meio da FAPERJ, atribui à pesquisa”, disse o professor emérito da UFRJ.

Para ele, a FAPERJ tem desempenhado um papel fundamental no estado do Rio de Janeiro. “Sem os recursos das entidades públicas, como a FAPERJ e o CNPq, por meio dos Institutos Nacionais de Ciência e Tecnologia (INCTs), nos quais a FAPERJ também colabora, não teríamos o laboratório de Óptica Quântica do Instituto de Física da UFRJ e, por consequência, não conseguiríamos produzir artigos publicados nas mais renomadas revistas internacionais, como a Science e a Nature, que aumentam a visibilidade da Ciência brasileira”, acrescentou Davidovich.





A pesquisadora Tatiana Sampaio (segunda a partir da direita) recebe o 'Prêmio de Pesquisadora Referência Revelação de 2025' das mãos da presidente da FAPERJ, Caroline Alves


Destaque da noite como "Pesquisador (a) Referência Revelação de 2025", a professora da UFRJ Tatiana Sampaio lidera estudo que usa a proteína polilaminina em tratamento experimental para recuperar movimentos de pacientes com lesão medular. Para ela, a premiação é um momento de festa e de valorização do esforço individual. "Quando você tem um projeto aprovado e pago pela FAPERJ é um reconhecimento, mas a premiação nos faz sentir individualmente valorizados, o que estimula a seguirmos adiante no trabalho de pesquisa", afirmou.

Cientistas premiados no eixo 1 'Sociedade Científica e Inovadora' foram escolhidos dentre 12 categorias


Ao todo, 36 pesquisadores foram contemplados no eixo 1 do "Prêmio FAPERJ 2025". Foram indicados três cientistas para cada uma das 12 modalidades: "Ciências da Vida", "Ciências Exatas da Terra e Engenharias", "Humanidades", "Pesquisador Inovador - Inovação para o setor produtivo", "Pesquisador Inovador - Inovação para o setor público", "Projeto Inovador", "Empresa ou Startup Inovadora", "Jovem Pesquisador - Mestrado", "Jovem Pesquisador - Doutorado", "Jovem Talento Pré-iniciação Científica", "Pesquisa de Impacto – 2025" e, por fim, "Comunicação Científica – 2025".

"Pesquisador Destaque" na área de "Ciências da Vida", o professor do Departamento de Ecologia do Instituto de Biologia da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj) Carlos Frederico Duarte da Rocha disse considerar "fantástica" a iniciativa da FAPERJ de premiar cientistas e empreendedores fluminenses. “Fico muito feliz em ser reconhecido em meio a esse grande número de universidades, institutos de pesquisa, com um plantel fantástico de cientistas e pesquisadores no Estado do Rio de Janeiro", afirmou.

Há 40 anos recebendo apoio da Fundação para desenvolver suas pesquisas, Duarte da Rocha destacou ainda o importante papel dos bolsistas na produção científica. "Você só conquista uma premiação dessas quando você tem um esforço coletivo de gerações de estudantes, de doutorado, mestrado, iniciação científica, trabalhando duro com você durante essas décadas”, frisou o cientista.

Pesquisador emérito do Centro Brasileiro de Pesquisas Físicas (CBPF), o físico greco-brasileiro Constantino Tsallis foi agraciado na categoria "Pesquisador Destaque" na área das "Ciências Exatas da Terra e Engenharias". Com mais de 10 mil citações em revistas indexadas, ele é um dos cientistas mais referenciados de todos os tempos na América Latina. Para Tsallis, o "Prêmio FAPERJ 2025" contribui para aproximar a Ciência e a Tecnologia da sociedade. "Certamente a premiação chama a atenção das pessoas para que elas se interessem e olhem com mais carinho para as diversas contribuições da Ciência e da Tecnologia para o Brasil e o mundo", disse ele.



A FAPERJ homenageou personalidades do setor acadêmico, entre elas os reitores de universidades sediadas no estado do Rio de Janeiro. A partir da esq., os reitores padre Anderson Pedroso (PUC-Rio), Antônio Claudio da Nóbrega (UFF), Gulnar Azevedo (Uerj), Roberto Medronho (UFRJ) e Rosana Rodrigues (Uenf)


Já a vencedora na categoria "Pesquisador Destaque - Humanidades", a professora Nilda Alves, da Uerj, que há 13 anos integra a Faculdade de Formação de Professores em São Gonçalo, fez questão de ressaltar a contribuição histórica do Programa de Pós-graduação em Educação da Uerj. “Sinto-me muito honrada por ser reconhecida pelo que eu faço, mas também pelo programa de pós-graduação em que atuo. Já estou formando a quarta geração”, disse ela, orgulhosa.

Quando o assunto é o Município de Piraí e a indústria de produção de bananas, as atenções se voltam para a professora do Programa de Pós-graduação em Tecnologia Ambiental da Universidade Federal Fluminense (UFF-Volta Redonda) Conny Cerai Ferreira. À frente do Grupo de Pesquisa em Resíduos Industriais, ela foi agraciada com o primeiro lugar na categoria "Pesquisador Inovador - Inovação para o setor produtivo".

Conny e sua equipe depositaram, só este ano, nada menos que 15 propriedades intelectuais junto ao INPI (Instituto Nacional da Propriedade Industrial). "Uma das tecnologias que nós desenvolvemos é um fertilizante organo-mineral de liberação controlada, baseado em resíduos da indústria de produção de bananas, dominante na minha região", contou ela, que foi à cerimônia acompanhada dos três filhos.

No setor público, o destaque veio da Secretaria Estadual de Saúde do Rio de Janeiro (SES-RJ). Responsável pela Coordenação Estadual da Saúde das Mulheres da SES-RJ, o médico Antonio Rodrigues Braga foi o vencedor do prêmio "Pesquisador Inovador – Inovação para o Setor Público". “Em nosso trabalho, enfocamos o combate à mortalidade materna através do fortalecimento do parto seguro e respeitoso das maternidades. Juntos conseguimos reduzir a mortalidade materna no ano de 2024, trazendo essas questões para a agenda da saúde pública do estado do Rio de Janeiro”, explicou Antonio Braga.

Apoiado pelo programa Cientista do Nosso Estado da FAPERJ, Braga destacou ainda as contribuições da FAPERJ à área da Saúde. “A Fundação tem sido extremamente parceira dos cientistas, lançando editais para hospitais universitários, para ações inovadoras, para a formação de novos hubs de pesquisa, em especial aqueles voltados para o SUS. Tem potencializado as ferramentas de atuação dos pesquisadores do estado e, acima de tudo, contribuído para ações de inovação e de vanguarda das pesquisas que possam mudar a vida das pessoas”, acrescentou.



O servidor Jorge Lauria recebeu a medalha de reconhecimento profissional, na categoria 'Trajetória/Tempo de Serviço', do presidente da FAETEC, Alexandre Valle, (à esquerda), e do vice-presidente Administrativo, Fabrício Repsold (Foto: Rhay Marinho/Divulgação)


Ainda na área de inovação, a cientista da Fiocruz Bio-Manguinhos Patrícia Cristina da Costa Neves foi agraciada na categoria "Projeto Inovador". Ela e sua equipe desenvolveram uma plataforma para vacinas de RNA, o que permite produzir com maior rapidez imunizantes contra diversos vírus. "É um motivo de muito orgulho ser reconhecida pela FAPERJ. O nosso projeto é realmente inovador. Agora, temos uma preparação para emergências sanitárias muito maior do que tínhamos no passado, quando sofremos a pandemia de Covid-19", afirmou Patricia.

Ao conquistar o primeiro lugar na categoria "Empresa Startup e Inovadora", Fernanda Abreu Santana, CEO da MF Papaya, falou sobre a importância do fomento para o estímulo às startups.“A FAPERJ foi a primeira instituição que acreditou na gente, com o edital Doutor Empreendedor de 2019. Depois desse edital, conseguimos ser aprovados em sete outros. Todos permitiram que avançássemos cada vez um passo a mais, constituindo a base do nosso sucesso. É uma honra receber esse reconhecimento”, disse Fernanda.

Na categoria "Comunicação Científica", a FAPERJ premiou, em primeiro lugar, o cientista que há mais de 40 anos se dedica a aproximar a Ciência da sociedade, o professor da UFRJ e pesquisador do Instituto Dor (Idor) Roberto Lent. "O valor mais digno de orgulho desse prêmio foi ter sido agraciado nessa categoria. Tanto quanto fazer Ciência, comunicar a Ciência para a população é superimportante. Tem um peso social enorme”, frisou o cientista.

Reconhecimento Profissional: FAPERJ prestigia servidores e colaboradores da casa

O "Prêmio Faperj" também foi dedicado a quem atua nos bastidores da Fundação. Ao todo, 12 profissionais foram homenageados nas seguintes categorias: "Ideias Inovadoras", "Trajetória / Tempo de Serviço" e "Desempenho Funcional". Já a categoria "Colaboração e Espírito de Equipe" reconheceu, de forma coletiva, os servidores e colaboradores de cada departamento.





Professora da Universidade Federal Fluminense (UFF), Leticia Oliveira recebeu o prêmio Reconhecimento Profissional, na categoria 'Ideias Inovadoras', pelo trabalho feito na Comissão Permanente de Equidade, Diversidade e Inclusão da FAPERJ, sob sua coordenação


Premiada na categoria "Ideias Inovadoras", a coordenadora da Comissão de Equidade, Diversidade e Inclusão da FAPERJ, Letícia de Oliveira, destacou os bons resultados que a comissão tem atingido nos últimos dois anos, desde a sua criação. "Temos trazido à FAPERJ muita inovação social. Criamos editais inéditos em relação à equidade, como por exemplo, os voltados a cientistas-mães e a pesquisadores com deficiência. Já estamos recebendo feedbacks positivos das pesquisadoras e pesquisadores contemplados. Muitos desses nunca tinham conseguido um auxílio da FAPERJ antes ou precisavam de muito apoio para suas carreiras", disse Letícia, que é neurocientista e professora na UFF.

Testemunha dos avanços da Fundação ao longo dos últimos anos, o servidor Jorge Luiz de Carvalho Lauria, do Departamento de Finanças, está perto de completar 53 anos dedicados ao serviço público. A FAPERJ foi o primeiro e único emprego de Lauria. Ele foi agraciado com o prêmio "Reconhecimento Profissional FAPERJ – Trajetória / Tempo de Serviço". “Comecei a trabalhar, em 1973, no antigo Centro de Treinamento de Professores do Estado do Rio de Janeiro, que funcionava em São Gonçalo. Naquela época, eu tinha 18 anos. Passei por todas as fases da FAPERJ, trabalhei com todos os presidentes, sempre atuando na Área Financeira”, recorda-se Lauria.

A Fundação foi criada no Governo Faria Lima, em 1980, quando houve a fusão entre o CDRH e a Fiderj. Inicialmente, o órgão funcionava em São Cristóvão. A mudança para o prédio da Avenida Erasmo Braga, no Centro, ocorreu em 1983. Depois de um período cuidando da estrutura dos Centros Integrados de Educação Pública (CIEPs), por volta de 1988, a FAPERJ passou a atuar como uma agência de fomento à pesquisa. “Ficamos alguns dias em São Paulo, para aprender como era o funcionamento da Fapesp. Depois, começamos a implantar as rotinas baseadas em auxílios e bolsas aqui no Rio de Janeiro”, conta o servidor. O tempo passou, a Fundação cresceu, se modernizou, e hoje é uma das principais agências do Brasil. “Me sinto muito honrado pelo prêmio. É um reconhecimento pelos meus quase 53 anos de FAPERJ”, destacou.

Fundação homenageia personalidades na categoria 'Amigos da FAPERJ'

A noite foi também de reconhecimento a autoridades, reitores e representantes de instituições de ensino e pesquisa do estado, que são parceiras da Fundação. Cerca de 50 homenageados subiram ao palco, entre eles, a subsecretária de Ensino Superior, Tecnologia e Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro, Renata Sphaier de Freitas.

"Ações como essa, da FAPERJ, de reconhecer e premiar cientistas é um ato de transparência, uma resposta para a população de que aqueles recursos utilizados no incentivo à pesquisa estão tendo resultado", ressaltou Renata, que também ocupa a presidência do Conselho Superior da Fundação.



A Fundação homenageou servidores e colaboradores com a premiação 'Reconhecimento Profissional FAPERJ', que reuniu seis categorias


Presidente da Empresa de Pesquisa Agropecuária do Estado do Rio de Janeiro (Pesagro-Rio), Paulo Renato Marques também foi um dos homenageados na categoria “Amigos da FAPERJ”. Para ele, o papel da Fundação tem sido fundamental para impulsionar o setor no estado. "Com dois grandes programas lançados nos últimos anos e um terceiro, previsto para o ano que vem, a FAPERJ tem sido um divisor de águas na pesquisa do agro do Rio de Janeiro”, afirmou Marques, fazendo referência aos programas de fomento às Indicações Geográficas e o CapacitAgro, que reuniu bolsistas e mais de 20 doutores.


Uma das personalidades do setor acadêmico também homenageadas na categoria “Amigos da FAPERJ”, o pró-reitor de Saúde da Uerj, Ronaldo Damião, agradeceu a premiação e destacou o papel da Fundação no apoio às pesquisas na área Médica. “A FAPERJ tem sido uma grande parceira da Uerj em vários projetos. Na Saúde, vários equipamentos foram adquiridos com o objetivo de pesquisa. O Centro de Tratamento do Câncer do Hospital Universitário Pedro Ernesto vem contando também com o apoio da FAPERJ, além da Secretaria de Ciência ,Tecnologia e Inovação, e da Secretaria de Saúde do estado. Outras ações do Pedro Ernesto, como o projeto de transplante hepático e o Telessaúde, também contam com apoio da Fundação”, listou Damião.

Organização sem fins lucrativos que tem como objetivo contribuir para a evolução da Ciência, o Instituto D'or de Pesquisa e Ensino (Idor) foi uma das instituições reconhecidas na categoria "Amigos da FAPERJ". Presidente da entidade, Fernanda Tovar Moll disse que o prêmio é simbólico e representa a comunidade científica do Brasil como um todo. "Todos nós do Rio de Janeiro reconhecemos a FAPERJ como a nossa grande parceira e amiga", frisou.

Da área do empreendedorismo, o coordenador-geral do Programa Hub RJ Startup, Rogério Pires, foi um dos agraciados com a honraria. Para ele, a premiação é resultado de trabalho inédito e feito com muita sinergia. "Conseguimos unir no Hub de Inovação, a FAPERJ, a Faetec e o Cecierj. Estamos com a expectativa das gravações de EAD de um projeto novo da Faetec rodarem dentro do Hub. Temos alguns outros desafios mapeados para frente. Mas a sinergia existente e o sucesso do Hub RJ Startup, que também conta com a parceria do Sebrae, foram decisivos para estarmos aqui hoje recebendo essa honraria”, afirmou.

Confira videorreportagem sobre a cerimônia no Canal da FAPERJ no YouTube




Autor: Aline Salgado, Marcos Patricio e Paula Guatimosim
Fonte: faperj
Sítio Online da Publicação: faperj
Data: 18/12/2025
Publicação Original: https://www.faperj.br/?id=936.7.2

quinta-feira, 18 de dezembro de 2025

'Prêmio Faperj' reúne agraciados em solenidade na Sala Cecília Meireles


O Prêmio Faperj de Ciência, Inovação e Reconhecimento – Destaques do Rio de Janeiro (1ª Edição) é resultado de edital inédito, lançado na primeira quinzena de novembro, voltado ao reconhecimento de pesquisadores, empreendedores, instituições, servidores e colaboradores que se destacaram na ciência, na inovação e no desenvolvimento tecnológico fluminense (Foto: Freepik)

Em cerimônia que será realizada nesta quinta-feira, dia 11 de dezembro, às 17h, na Sala Cecília Meireles, na Lapa, a Fundação Carlos Chagas Filho de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro (FAPERJ) e a Secretaria Estadual de Ciência, Tecnologia e Inovação (SECTI) irão entregar, aos laureados, o “Prêmio Faperj de Ciência, Inovação e Reconhecimento – Destaques do Rio de Janeiro (1ª Edição) – 2025”. A lista dos homenageados é resultado de edital inédito lançado na primeira quinzena de novembro, voltado ao reconhecimento de pesquisadores, instituições e projetos que se destacam na ciência, na inovação e no desenvolvimento tecnológico fluminense. O objetivo é valorizar iniciativas com impacto social, econômico e ambiental, promovendo a integração entre universidades, institutos de pesquisa, setor produtivo e startups, além de fortalecer o ecossistema de inovação do estado.

A iniciativa marca um novo ciclo de investimentos estratégicos da FAPERJ, vinculada à SECTI, e reforça o compromisso da Fundação com a valorização da produção científica fluminense e o estímulo à cultura da inovação. As premiações foram divididas em categorias: Eixo 1 – Sociedade Científica e Inovadora; Eixo 2 – Reconhecimento Profissional FAPERJ (servidores e colaboradores), além dos agraciados com a Medalha Mérito Científico Carlos Chagas Filho, nas modalidades Mulher Cientista, Pesquisador Sênior e Destaque Internacional. No Eixo 1, os agraciados foram divididos em 12 modalidades. Já no Eixo 2, os premiados foram distribuídos por seis categorias.

O governador Cláudio Castro destacou que a iniciativa se soma a um conjunto de investimentos estratégicos para impulsionar a ciência e a tecnologia no estado. “O Rio de Janeiro vive um novo momento. Estamos ampliando investimentos, criando oportunidades e valorizando quem produz conhecimento. A ciência e a inovação são pilares do desenvolvimento e fundamentais para gerar empregos, transformar vidas e projetar o estado de volta ao protagonismo nacional. Esta premiação reforça o compromisso do Governo do Estado em fortalecer o ecossistema de inovação e integrar universidades, institutos de pesquisa, setor produtivo e startups”, afirma.

De acordo com a presidente da FAPERJ, Caroline Alves, o prêmio representa um marco no reconhecimento do talento e do esforço dos pesquisadores do Rio de Janeiro. “Trata-se de um edital inédito que reafirma o papel da FAPERJ como agente estratégico na promoção do conhecimento e da inovação. Nosso objetivo é criar condições para que a ciência fluminense se desenvolva de forma sustentável e contribua diretamente para o bem-estar da população e para o crescimento econômico do estado”, destaca. Com foco em resultados de impacto, o edital incentiva a colaboração entre pesquisadores, estudantes e empreendedores, estimulando novas parcerias entre instituições públicas e privadas e ampliando as oportunidades de pesquisa aplicada. Segundo Caroline, a iniciativa também fortalece o compromisso da FAPERJ com a inclusão e a democratização do acesso ao fomento. “Estamos ampliando os investimentos e diversificando as áreas de apoio para garantir que nenhum talento fique de fora. É fundamental que jovens pesquisadores e grupos emergentes também tenham espaço para desenvolver suas ideias e contribuir com soluções inovadoras para o estado”, afirma.

O secretário de Estado de Ciência, Tecnologia e Inovação, Anderson Moraes, ressalta que o edital simboliza uma nova fase de fortalecimento do setor científico e tecnológico fluminense. “A ciência é a base do desenvolvimento econômico e social. Com iniciativas como esta, o Governo do Estado reafirma seu compromisso em investir no conhecimento como ferramenta de transformação e geração de oportunidades para os fluminenses”, ressalta.

O lançamento integra um conjunto de ações da FAPERJ voltadas à modernização e à transparência do sistema de fomento, incluindo a adoção de novas plataformas digitais para inscrição e acompanhamento de projetos, garantindo mais agilidade e eficiência na gestão dos recursos públicos.

“A ciência é uma ferramenta essencial para o desenvolvimento humano e social. Por isso, trabalhamos para que os editais da FAPERJ estejam cada vez mais alinhados às necessidades reais da sociedade fluminense, seja na saúde, na educação, na sustentabilidade ou na inovação tecnológica”, conclui Caroline Alves.

Resultado Final do Eixo 1 (03/12/2025): confira a listagem final
Resultado Final do Eixo 2 (03/12/2025): confira a listagem final

Resultado Final – Prêmio Faperj Honraria aos Servidores e Colaboradores (03/12/2025): confira a listagem final



Autor: faperj
Fonte: faperj
Sítio Online da Publicação: faperj
Data: 11/12/2025
Publicação Original: https://www.faperj.br/?id=931.7.0

Uenf tem três projetos aprovados no edital Fronteiras da Ciência da FAPERJ

O Programa de Apoio às Fronteiras da Ciência e Inovação RJ – Infraestrutura Multiusuária em Equipamentos de Grande Porte destinou cerca de R$ 70 milhões para a aquisição de grandes equipamentos multiusuários, destinados à realização de projetos de fronteira – científicos e tecnológicos – em áreas experimentais, para o uso compartilhado. Biociências e Biotecnologia (CBB), Ciências e Tecnologias Agropecuárias (CCTA) e Ciência e Tecnologia (CCT) são os centros de pesquisa da Universidade Estadual do Norte Fluminense contemplados na segunda edição do Edital Faperj nº 13/2024 — Programa de Apoio às Fronteiras da Ciência e Inovação RJ – Infraestrutura Multiusuária em Equipamentos de Grande Porte. "A segunda edição do edital Fronteiras da Ciência e Inovação representa um passo fundamental para o fortalecimento da infraestrutura científica no estado do Rio de Janeiro. Ao incentivar a aquisição de equipamentos de grande porte e de uso compartilhado, a FAPERJ reafirma seu compromisso com a excelência da pesquisa e com a promoção da colaboração entre diferentes grupos e instituições”, disse a reitora da Uenf, Rosana Rodrigues.

Cientista do Nosso Estado da FAPERJ, Rosana também integra o Conselho Superior da Fundação. Para ela, investir em infraestrutura multiusuária é garantir que pesquisadores tenham acesso a tecnologias de ponta e consolidar o papel estratégico da ciência fluminense no cenário nacional e internacional. “Essa iniciativa é especialmente relevante em um momento em que a ciência brasileira precisa de apoio sólido e contínuo para inovar, formar talentos e responder aos grandes desafios da sociedade”, acrescenta.

Segundo Rosana, a aprovação das propostas dos pesquisadores da Uenf reafirma o papel da Universidade como instituição de referência, ao mesmo tempo em que abre novas perspectivas para a produção de conhecimento inovador, a formação de recursos humanos e a consolidação de redes de colaboração científica.


Afonso Azevedo: segundo o pesquisador JCNE da FAPERJ, o espectrômetro de fluorescência de raio X é capaz de realizar a análise química, permitindo aos pesquisadores conhecerem melhor as propriedades químicas de materiais, matérias-primas, resíduos industriais etc


A Oficina Multiusuária de Caracterização Microestrutural foi uma das contempladas no edital. Seu foco é o desenvolvimento de materiais alternativos para a construção civil, mas também atende a vários programas de pós-graduação da Uenf. Segundo o pesquisador e coordenador da Oficina, Afonso Azevedo, que também recebe apoio da FAPERJ por meio de bolsa de Jovem Cientista do Nosso Estado (JCNE), o apoio do edital de Fronteiras da Ciência permitirá o incremento da infraestrutura, com a aquisição de novos equipamentos, entre eles um espectrômetro de fluorescência de raio X, capaz de realizar a análise química que permitirá aos pesquisadores conhecerem melhor as propriedades químicas de alguns materiais, matérias-primas, resíduos industriais etc., visando desenvolver materiais mais sustentáveis para a construção civil. A análise microestrutural revela as características específicas de cada tipo de material, sejam elas características físicas ou químicas.

Doutor em Engenharia Civil pela Uenf, onde realizou pesquisas na área de reutilização de resíduos sólidos para o desenvolvimento de materiais alternativos de construção, Afonso Azevedo explica que a partir das características de microestrutura é possível correlacionar algumas outras propriedades, já visando maior eficiência do material final, como argamassas, materiais cerâmicos, entre outros. Além desse edital, a oficina já foi contemplada em editais anteriores da FAPERJ, como os de apoio à infraestrutura e temáticos.
 

Segundo a Profa. Maura da Cunha (ao centro), a microscopia confocal funciona como uma espécie de scanner em 3D, tirando várias "fatias" de uma amostra e formando uma imagem tridimensional


“Avanços em Microscopia Confocal: Inovações Tecnológicas para Pesquisas em Micro-organismos, Plantas e Saúde Humana”, coordenado pela professora Maura da Cunha, foi mais um projeto da Uenf contemplado. Segundo a professora, a microscopia confocal é uma técnica avançada que permite a observação do interior de células e tecidos com muito mais nitidez e profundidade do que um microscópio comum. “Este microscópio funciona como uma espécie de scanner em 3D, tirando várias 'fatias' de uma amostra e formando uma imagem tridimensional com detalhes incríveis. Imagine você ver o que tem dentro de um bolo sem cortá-lo. A microscopia confocal faz algo parecido, mas com células e tecidos, mostrando o que está lá dentro camada por camada”, explica a pesquisadora.

Com a ajuda da microscopia confocal, pesquisadores conseguem ver como um vírus entra numa célula humana ou como uma bactéria interage com a raiz de uma planta. Esses detalhes, invisíveis nos microscópios comuns, são fundamentais para desenvolver novas soluções para a saúde e a produção de alimentos. A tecnologia é essencial para entender como funcionam os micro-organismos, as plantas e até as células humanas, ajudando, por exemplo, no estudo de doenças, no desenvolvimento de medicamentos, no melhoramento de plantas e na descoberta de micro-organismos úteis à agricultura e à saúde. Além de apoiar pesquisas de ponta, o projeto também visa fortalecer o ensino, formar novos cientistas e gerar inovações com impacto direto na sociedade, como tratamentos mais eficazes, alimentos mais saudáveis e tecnologias sustentáveis para o campo.

A professora Maura esclarece que o projeto tem como objetivo ampliar o acesso à microscopia confocal. A proposta prevê a aquisição de um equipamento de última geração — o microscópio confocal Zeiss LSM980 — que será instalado na Plataforma de Equipamentos Multiusuários de Microscopia e Microanálise Prof. Ulysses Lins, no Laboratório de Biologia Celular e Tecidual (LBCT) da Uenf. Sua tecnologia de super-resolução permite visualizar estruturas celulares com até 90 nanômetros de detalhe (mil vezes menores que um fio de cabelo), às vezes, sem necessidade de corantes específicos. Também serão adquiridos uma estação de trabalho moderna para análise das imagens e um sistema de laser para estudos mais profundos da dinâmica celular. Os recursos serão utilizados para a compra do equipamento e instalação, com contrapartida da Uenf em infraestrutura física, taxas e insumos para pesquisa. O foco é criar uma unidade de pesquisa aberta a outros grupos científicos do estado do Rio de Janeiro, incluindo instituições parceiras no projeto como UFRJ, Uerj, UFRRJ, Embrapa, entre outras.


Eliemar Campostrini: o pesquisador, CNE da FAPERJ, está cursando pós-doutorado na Itália e aproveitou para visitar fabricantes da Plataforma de Fenotipagem de Alta Resolução


Já o professor Eliemar Campostrini é o responsável pelo terceiro projeto: “Plataforma multiuso de fenotipagem de alta resolução: Inovações e aplicações na identificação de características agronômicas de interesse para o desenvolvimento de cultivares-elite para o estado do Rio de Janeiro”. Ele explica que o equipamento de alta resolução possui uma estrutura física composta por três unidades (câmaras fechadas), contendo um sensor que avalia a eficiência no uso da luz pela planta; um sensor que mede o crescimento da planta, avaliando, entre outros parâmetros, a altura, a área foliar, a inclinação das folhas e a taxa de crescimento da planta; e um terceiro sensor que avalia a capacidade da folha em realizar a fotossíntese. “Esses sensores obtêm imagens da planta num tempo muito curto (segundos) e, por meio destas imagens, é possível avaliar a eficiência no uso da luz, o crescimento e a capacidade fotossintética da planta”, explica Campostrini. Com a mesma rapidez, a plataforma pode ainda avaliar o desempenho fotossintético e o crescimento de plantas jovens da Mata Atlântica e outros biomas como, por exemplo, as plantas de restinga. O pesquisador esclarece que, normalmente, sem a plataforma, as avaliações são feitas em horas, dias e até semanas. Com ela, é possível economizar tempo, espaço e recursos.

Com a ajuda da plataforma de fenotipagem de alta resolução, o pesquisador pode acelerar o processo de seleção das plantas tolerantes à seca e a altas temperaturas, plantas tolerantes a pragas e doenças (vírus, fungos e bactérias), e plantas tolerantes à deficiência nutricional do solo, especialmente Nitrogênio e Fósforo. “Além disso, será possível selecionar as melhores associações entre as bactérias e fungos benéficos ao crescimento e à planta”, explica Campostrini. Segundo ele, na Uenf, as culturas que serão beneficiadas com a aquisição da plataforma serão cafeeiro, mamoeiro, milho comum, milho de pipoca, feijão, uva, maracujá, citros, abacaxi, lúpulo, cana-de-açúcar, hortaliças, pimenta e pimentões. O objetivo final é a obtenção de plantas com maior produtividade agrícola sob estresse biótico e abiótico, bem como plantas com maior capacidade para a restauração de florestas e restingas no estado do Rio de Janeiro e no Brasil.

No momento, Eliemar Campostrini, que conta com bolsa de Cientista do Nosso Estado da FAPERJ para conduzir suas pesquisas, está cursando pós-doutorado na Itália. Ele aproveitou a oportunidade para visitar duas empresas fabricantes da Plataforma de Fenotipagem de Alta Resolução, uma alemã e outra da República Tcheca. “Estamos na fase final para o fechamento da compra desta plataforma, para a obtenção de uma melhor relação custo/benefício, visando a otimização dos recursos provenientes do edital da FAPERJ."

 

Autor: faperj
Fonte: faperj
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Data: 04/12/2025
Publicação Original: https://www.faperj.br/?id=893.7.9

FAPERJ participa da 70ª edição do Fórum Nacional Consecti & Confap em Goiânia



70ª edição do Fórum Nacional Consecti & Confap: presidentes, gestores e assessores das 27 FAPs brasileiras se reúnem em Goiânia para discutir sobre as necessidades de fomento específicas de cada estado e articular a formulação de políticas de financiamento em CT&I (Foto: Magdiel Trelha/Divulgação Confap)




A capital goiana sedia esta semana, de 3 a 5 de dezembro, a 70ª edição do Fórum Nacional Consecti & Confap. O evento é organizado pelo Conselho Nacional de Secretários para Assuntos de Ciência, Tecnologia e Inovação (Consecti) e pelo Conselho Nacional das Fundações Estaduais de Amparo à Pesquisa (Confap), em parceria com a Secretaria de Estado de Ciência, Tecnologia e Inovação de Goiás (SECTI/GO) e a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Goiás (Fapeg), e marca um momento simbólico para a Fundação anfitriã, que celebra 20 anos de história neste mês de dezembro. Unindo-se aos debates para a formulação das políticas estaduais de fomento à pesquisa e inovação, a FAPERJ está representada no encontro pela sua presidente, Caroline Alves, acompanhada pela assessora da Diretoria Científica da Fundação, Luciana Lopes, e pela assessora de Relações Internacionais, Beatriz Ramadas.

“Participar da 70ª edição do Fórum Nacional Consecti & Confap, em Goiânia, ao lado das 27 Fundações Estaduais de Amparo à Pesquisa e dos secretários estaduais de Ciência, Tecnologia e Inovação, é reafirmar que a ciência brasileira se faz em rede e com coordenação federativa. O próprio tema do encontro, ‘Ciência em rede: inteligência que transforma territórios’, sintetiza o espírito deste momento: compartilhar experiências, alinhar estratégias e construir soluções conjuntas para que a CT&I chegue, de fato, à vida das pessoas em cada estado do País”, disse a presidente da FAPERJ.

O presidente do Confap, Márcio Pereira, reconheceu a importância do Fórum para promover o diálogo entre as FAPs e articular políticas de fomento à CT&I que respeitem as especificidades de cada estado. “Esse é o grande evento da Ciência, Tecnologia e Inovação no momento, que discute questões importantes para todos os estados, por meio dos debates entre os presidentes das FAPs, e nos debates que ocorrem no Consecti, que reúne os diversos secretários estaduais de CT&I. Desses debates, vão nascer muitas orientações e novidades para o fomento da pesquisa nos próximos anos, e Goiás é o cenário dessa articulação”, pontuou Pereira.

No dia 2 de dezembro, na programação que antecedeu ao Fórum, foi realizado na PUC Góias o Seminário Internacional Confap – parcerias União Europeia: Horizon Europe – boas práticas e casos de sucesso. O seminário reuniu especialistas para apresentar e discutir oportunidades de cooperação entre instituições brasileiras e europeias no âmbito do programa Horizon Europe.

Veja a cobertura completa do Fórum no site do Confap: https://news.confap.org.br/70o-forum-nacional-consecti-confap-goiania-go-2025/ 


Autor: faperj
Fonte: faperj
Sítio Online da Publicação: faperj
Data: 04/12/2025
Publicação Original: https://www.faperj.br/?id=926.7.5

Pesquisador da UFF é o primeiro brasileiro contemplado com bolsa ERC Synergy Grant



Ilustração retrata o deck de um navio negreiro na Jamaica, no século XIX. Mais de 12 milhões de pessoas negras escravizadas cruzaram os oceanos entre os séculos XVI e XIX (Arte: "Deck of Slave Ship, Jamaica, 19th cent", disponível em: www.slaveryimages.org)


Pela primeira vez, um pesquisador brasileiro sediado no Brasil foi contemplado com uma bolsa ERC Synergy Grant, concedida pelo European Research Council (ERC), a principal organização da União Europeia para o financiamento de pesquisa de ponta e excelência. O historiador e professor Leonardo Marques, do Departamento de História da Universidade Federal Fluminense (UFF), integra o projeto TASTADE (The Transatlantic Slave Trade and the Development of Europe), que investigará o comércio transatlântico de pessoas escravizadas e seu impacto no desenvolvimento europeu.

Marques é o segundo pesquisador na América Latina e Caribe a integrar uma rede agraciada com uma bolsa ERC Synergy Grant, o mais alto fomento da agência. O projeto interinstitucional, de cooperação internacional, receberá um financiamento da ordem de 10 milhões de euros ao longo de seis anos. O trabalho envolve pesquisadores da Lancaster University (líder, do Reino Unido), UFF (única instituição do Brasil a participar da rede), Vrije Universiteit Amsterdam (Holanda) e Université Côte d'Azur (França).

O projeto TASTADE vai investigar, de 2026 a 2031, de que forma o comércio transatlântico de africanos escravizados influenciou o desenvolvimento econômico, político e cultural da Europa. A rede de pesquisa internacional investiga como esse comércio ilegal, responsável pelo deslocamento forçado de mais de 12 milhões de pessoas entre os séculos XVI e XIX, estava relacionado às diversas esferas de poder e como os agentes envolvidos nesse comércio ocuparam cargos políticos, financiaram instituições culturais e formaram redes transnacionais entre portos como Londres, Lisboa, Rio de Janeiro, Salvador e Havana.

“Com essa rede de pesquisa, vamos criar um extenso banco de dados internacional, com informações sobre milhares de financiadores do tráfico de escravizados e suas redes de atuação, permitindo analisar as ramificações econômicas, políticas e culturais do processo em escala global”, disse Leonardo Marques, que é professor do Departamento de História da América da UFF, onde dá aulas para alunos da graduação e da pós-graduação.


Leonardo Marques investiga a relação entre a escravidão, o colonialismo e o desenvolvimento, em projeto que envolve esforços de pesquisadores do Reino Unido, Holanda, França e Brasil (Foto: Acervo pessoal)


“Vamos explorar a questão da escravidão e do desenvolvimento sobre novas bases, para além da dimensão puramente econômica, e ver como ela marcou a história da Europa, para também entender melhor as nossas relações entre Brasil e Portugal. Pretendemos abrir uma grande frente de discussões entre colonialismo, escravidão e desenvolvimento”, destacou. “A ideia é levantar o maior número possível de nomes dos investidores dessas viagens, e compreender como pequenas figuras usaram o tráfico de pessoas negras escravizadas para ascender socialmente, e como se criou uma legitimidade nessa sociedade. Não eram apenas grandes investidores, existiam investidores de diferentes origens sociais, como pequenos comerciantes e capitães dos navios negreiros. Vamos explorar os diversos estratos sociais além da elite”, detalhou Marques, que foi contemplado pela FAPERJ com um Auxílio Básico à Pesquisa (APQ 1), em 2019.

De acordo com o historiador da UFF, o projeto deve contar com uma equipe de aproximadamente 40 pessoas. “Para elaborar a base de dados e organizar diversos simpósios e eventos de divulgação científica, o projeto envolve a contratação de diversos doutorandos e pós-doutorandos, ajudando a movimentar recursos humanos altamente qualificados envolvidos no tema da pesquisa”, contou. “Queremos criar uma referência internacional no campo de estudos sobre a escravidão na era moderna, atraindo especialistas de diferentes países e contribuindo para ampliar a compreensão sobre o papel do Brasil no sistema escravista atlântico.”

Sobre o ERC Synergy Grant

O ERC Synergy Grant financia projetos ambiciosos realizados por grupos de dois a quatro pesquisadores de todas as nacionalidades, sendo que um deles pode estar sediado fora da Europa. “As bolsas ERC Sinergy Grant induzem a formação de redes de pesquisa internacionais, com recursos compartilhados, para pesquisadores de todas as áreas do conhecimento, incluindo ciências humanas e sociais, desde que tenham Doutorado, dois anos de experiência e um projeto de pesquisa inovador”, disse a coordenadora regional do EURAXESS Latin America and the Caribbean (LAC), Charlotte Grawitz.

“A grande vantagem dessa bolsa é que ela financia e estimula grupos de pesquisa, ao contrário das outras modalidades de bolsas, que são individuais e só contemplam pesquisas realizadas em instituições europeias. No caso da Sinergy, um pesquisador ou pesquisadora do grupo pode estar sediado fora da Europa, o que favorece o diálogo científico com outros continentes e a complementariedade entre os conhecimentos na área”, ponderou Charlotte.


Autor: faperj
Fonte: faperj
Sítio Online da Publicação: faperj
Data: 05/12/2025
Publicação Original: https://www.faperj.br/?id=927.7.1

terça-feira, 16 de dezembro de 2025

Projeto Meninas Negras na Ciência promove visita ao Circuito da Herança Africana

Como parte do primeiro módulo do projeto Meninas Negras na Ciência, intitulado “Identidade e Cidadania”, 12 jovens participaram, na quinta-feira (11/12) de uma visita educativa ao Circuito Histórico e Arqueológico de Celebração da Herança Africana, na Região Portuária do Rio de Janeiro. A atividade integrou a proposta pedagógica do projeto, que busca oferecer instrumentos teóricos e práticos para que meninas negras reflitam sobre sua identidade, cidadania e papel social, compreendendo a ciência como aliada da saúde e dos direitos humanos.

Criado pelo Decreto Municipal nº 34.803/2011, o trajeto tem como objetivo preservar a memória afro-brasileira na região portuária do Rio de Janeiro, evidenciando a presença africana e seu legado na formação do país. A visita foi conduzida por um guia do Instituto Pretos Novos (IPN) e passou por pontos centrais da história da população negra na cidade, como o Cais do Valongo, a Pedra do Sal e o Jardim Suspenso do Valongo - territórios marcados pela chegada forçada de africanos escravizados e por séculos de resistência cultural.




Grupo em frente a estátua de Mercedes Batista, no Largo São Francisco da Prainha (Foto: Camila Borges)

Ao caminhar por esses espaços, as estudantes tiveram contato direto com narrativas que nem sempre estão presentes nos livros didáticos, mas que são centrais para entender a formação social, cultural e científica do país.

Para Maria Fernanda, de 16 anos, o circuito ampliou seu olhar sobre a história do Rio de Janeiro. “Achei o circuito legal e interessante. Descobri coisas que eu não sabia sobre a história da chegada das pessoas negras no Brasil e no Rio. Achei mais interessante também a parte sobre a Pedra do Sal, que eu não sabia que o nome era por causa que carregavam os alimentos”, relatou.

A estudante Dandara Vitória destacou o impacto emocional e representativo da experiência, especialmente ao conhecer com a história de Mercedes Baptista, a primeira bailarina negra do Theatro Municipal do Rio de Janeiro. “O que mais me impactou foi a história de Mercedes Baptista. Ela me representou muito, porque às vezes a gente passa por dificuldades e tem muitos obstáculos na vida. A gente tem que entender que está tudo bem e se esforçar cada vez mais. Graças a Deus, os ancestrais tiveram força para vencer barreiras e preconceitos. Hoje, a gente tem o livre-arbítrio de poder ser quem a gente quer lutar”, comentou. Segundo ela, o circuito proporciona uma experiência diferente da leitura tradicional: “Você vê que realmente aconteceu e te dá um olhar com carinho e de sofrimento sobre a história”.




Circuito conectou memória, território e identidade (Foto: Camila Borges)

A atividade reforça um dos pilares do projeto Meninas Negras na Ciência: reconhecer o conhecimento ancestral como parte fundamental da construção científica e cidadã. A visita ao Circuito da Herança Africana não apenas resgata histórias silenciadas, mas também fortalece o pertencimento, a autoestima e o protagonismo das jovens, reafirmando que ciência, direitos humanos e identidade caminham juntos.

Neste ano, o projeto é coordenado pela Coordenação de Equidade, Diversidade, Inclusão e Políticas Afirmativas (Cedipa), com a gestão cultural da Sociedade de Promoção Sociocultural da Fiocruz (SOCULTFio) e conta com o patrocínio da Secretaria Municipal de Cultura, Prefeitura do Rio, das empresas Ipiranga, ICONIC, ALLOS - o maior grupo de shoppings do país -, por meio da Lei Municipal de Incentivo à Cultura - Lei ISS.




Autor: fiocruz
Fonte: fiocruz
Sítio Online da Publicação: fiocruz
Data: 15/12/2025
Publicação Original: https://fiocruz.br/noticia/2025/12/projeto-meninas-negras-na-ciencia-promove-visita-ao-circuito-da-heranca-africana

Entrevista: Luciana Boiteux analisa o aumento de casos de feminicídio no país


Milhares de pessoas foram às ruas em várias cidades do país no dia 7 de dezembro com o objetivo de denunciar a escalada de violência contra as mulheres no Brasil. O evento disparador dessa nova onda de manifestações foi o feminicídio de duas trabalhadoras do Centro Federal de Educação Tecnológica Celso Suckow da Fonseca (Cefet-RJ) por um funcionário que, segundo os relatos apurados pela investigação, não aceitava ser chefiado por mulheres. Os números e as manchetes de jornais, no entanto, mostram que, enquanto o país se chocava com esse duplo feminicídio ocorrido dentro de uma instituição pública de ensino federal, várias outras mulheres seguiam sendo assassinadas pelo simples fato de serem mulheres. Essa é, precisamente, a característica que diferencia o feminicídio do homicídio comum, como explica, nesta entrevista, a professora de Direito Penal da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Luciana Boiteux.

O feminicídio foi reconhecido no Código Penal brasileiro em 2015, pela Lei 13.104, como uma “circunstância qualificadora” do homicídio. Quase dez anos depois, em 2024, a Lei 14.994 passou a identificá-lo como um crime autônomo, portanto, diferente dos homicídios. No geral, essas e outras mudanças que ocorreram ao longo do tempo também investiram no aumento de pena a quem cometesse esses crimes, mas, segundo a análise de Boiteux, que critica a ideia de que o maior punitivismo possa proteger as mulheres, o grande ganho de todo esse processo foi dar visibilidade a esses casos, permitindo a sistematização de dados que evidenciam o tamanho do problema. É a partir dessa percepção, inclusive, que ela se mostra cuidadosa ao analisar os números de pesquisas que, nos últimos anos, têm mostrado uma queda do número de homicídios acompanhada de um aumento do número de feminicídios.

De todo modo, estudos comparativos mostram que o Brasil é o quinto país do mundo em número de feminicídios e, como destaca Boiteux, tem ganhado espaço na sociedade o discurso de ódio às mulheres fomentado no ambiente das redes sociais. Em entrevista para a Escola Politécnica de Saúde Joaquim Venâncio (EPSJV/Fiocruz), a professora da UFRJ explica a importância da caracterização do crime de feminicídio, discute criticamente os efeitos do punitivismo penal, defende a prioridade de medidas protetivas que previnam a violência contra a mulher e analisa a Lei 15.280/25, sancionada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva no último dia 5 de dezembro.




Autor: fiocruz
Fonte: fiocruz
Sítio Online da Publicação: fiocruz
Data: 15/12/2025
Publicação Original: https://fiocruz.br/noticia/2025/12/entrevista-luciana-boiteux-analisa-o-aumento-de-casos-de-feminicidio-no-pais

Fiocruz e parceiros internacionais avançam na ciência aberta em fronteiras da Amazônia

Desenvolver ferramentas de informação para apoiar comunidades e instituições em áreas de fronteira a enfrentarem impactos das mudanças do clima e do meio ambiente na saúde e no bem-viver. Este é o objetivo do projeto internacional Mosaic, sigla em inglês que se refere ao título Aplicação multilocal da ciência aberta na criação de ambientes saudáveis envolvendo comunidades locais. Recentemente, pesquisadores da Fiocruz e de instituições científicas da América do Sul, Europa e África que integram a iniciativa deram mais um passo para avanço da pesquisa em fronteiras amazônicas.




Lideranças da comunidade multiétnica tiwa, na Colômbia, conversam com pesquisadores do projeto Mosaic sobre parceria para construir sistemas de informação (Foto: Josué Damacena)

Os cientistas estiveram no Oiapoque, no Amapá, na fronteira entre Brasil e Guiana Francesa. A equipe trabalhou em Leticia, na Colômbia, na tríplice fronteira com Brasil e Peru. Marcando o segundo ano de desenvolvimento da pesquisa nestes territórios, os pesquisadores promoveram atividades com foco na ciência aberta, com o objetivo de desenvolver soluções em parceria com comunidades locais. Nas duas regiões, foram realizados eventos com participação de lideranças indígenas, gestores e profissionais de saúde pública, saúde indígena, meio ambiente e educação, pesquisadores e representantes de organizações não governamentais.

Além disso, no Oiapoque, os cientistas visitaram associações indígenas, bairros construídos recentemente a partir de ocupações em áreas de mata e uma entidade que atua na cooperação em saúde na fronteira. Em Leticia, foram feitas visitas a comunidades indígenas e um parque nacional natural, com os quais o projeto Mosaic deve colaborar em iniciativas estratégicas, contribuindo para um novo modelo de sistema de saúde indígena da Colômbia e a conservação ambiental.

A importância da missão para construir sistemas de informação úteis e acessíveis para comunidades e instituições nas fronteiras é destacada pelos cientistas. “Estas atividades tiveram objetivo de escuta, para entender quais são as preocupações das pessoas e as dificuldades em lidar com as mudanças climáticas, incluindo eventos extremos. Isso é necessário para criar plataformas de dados importantes para as comunidades, para que elas possam agir localmente para prevenir e se adaptar a essas mudanças, que estão cada vez mais aceleradas” afirma Paulo Peiter, pesquisador do Instituto Oswaldo Cruz (IOC/Fiocruz) e da Plataforma Internacional de Ciência Tecnologia e Inovação em Saúde (Pictis/Fiocruz), um dos líderes do Mosaic na área de ciência compartilhada com interessados locais.

“Ciência aberta não é só acesso aos dados científicos, mas também coprodução de conhecimento. As comunidades localmente conhecem o ambiente, mas estes conhecimentos não estão necessariamente integrados aos conhecimentos científicos. Por outro lado, os dados científicos podem ser muito úteis localmente, mas nem todos têm acesso a eles. O projeto Mosaic tem como ambição integrar estes conhecimentos e realmente compartilhar dados entre todos os atores interessados”, ressalta Emmanuel Roux, pesquisador do Instituto de Pesquisa para o Desenvolvimento (IRD), da França, e coordenador-geral do Mosaic.

Os pesquisadores também salientam a relevância das ações para desenvolver estratégias sólidas de integração de dados nas fronteiras. “Normalmente, os trabalhos de pesquisa, as ações de saúde e as políticas públicas de dados não atravessam as fronteiras, mas os problemas ambientais, os parasitas, os vetores, as pessoas e os animais fazem isso. Então, o projeto Mosaic tem essa incumbência de construir sistemas de informação que atravessem as fronteiras, que as populações locais possam utilizar para lutar contra mudanças climáticas e degradação ambiental”, aponta Martha Mutis, pesquisadora do IOC/Fiocruz e da Pictis/Fiocruz, uma das líderes da pesquisa na área de disseminação e aplicação de resultados.



Cientistas do projeto Mosaic e representantes de instituições brasileiras e colombianas em encontro na Universidade Nacional da Colômbia (Unal) (Foto: Josué Damacena)

Mais de 20 pesquisadores do Brasil, Colômbia, França e Quênia participaram das atividades. Ao lado de pesquisadores do IOC, do Pictis, da Fiocruz Amazônia e IRD, integraram o grupo profissionais da Universidade de Brasília (UnB); Universidade Nacional da Colômbia (UNAL); Centro Hospitalar Universitário da Guiana Francesa (CHU), Universidade D’Artois (UA), da França; e Centro de Conservação Africano (ACC), do Quênia.

Iniciado em 2024, o Mosaic tem duração prevista até 2027. Além das duas áreas de fronteira na Amazônia, a pesquisa contempla a fronteira do Quênia com a Tanzânia, no Leste da África. A iniciativa une 15 instituições científicas de sete países.

Coordenado pelo IRD, o projeto é financiado pela União Europeia. Trata-se do primeiro projeto selecionado em edital europeu de fomento à pesquisa com participação da Pictis, centro de pesquisa estabelecido em colaboração entre Fiocruz, por meio do IOC, e Universidade de Aveiro, em Portugal. A missão internacional contou com apoio financeiro dos projetos LMI Sentinela, custeado pelo IRD, e Inovec, com financiamento europeu. As atividades na tríplice fronteira ocorreram também no âmbito do projeto de pesquisa Fefaccion, financiado pela Embaixada da França no Brasil.




Autor: fiocruz
Fonte: fiocruz
Sítio Online da Publicação: fiocruz
Data: 15/12/2025
Publicação Original: https://fiocruz.br/noticia/2025/12/fiocruz-e-parceiros-internacionais-avancam-na-ciencia-aberta-em-fronteiras-da

quarta-feira, 10 de dezembro de 2025

Gripe mais agressiva: é importante que as pessoas "reconheçam os sinais de alarme"

Após um fim de semana complicado nas urgências, a situação mantém-se inalterada. A gripe tem levado muitos doentes aos hospitais e os constrangimentos podem manter-se nas próximas semanas, com o pico a acontecer antes do final do ano.

Segundo a ministra da Saúde, está a circular um subtipo de vírus da gripe mais forte, que poderá afetar um número maior de pessoas. O Governo reforça a importância da vacinação dos grupos de risco e do uso de máscara sempre que necessário, como forma de travar a propagação do vírus.

Na antena da SIC Notícias, a médica de Medicina Geral e Familiar, Margarida Santos, explica que uma das formas de aliviar a pressão nas urgências é optando, primeiro, por recorrer aos cuidados de saúde primários. 

"Com esta instabilidade toda o que acaba por acontecer é que as pessoas têm medo e recorrem mais ao serviço de urgência, depois não conseguem ir ao médico de família, se calhar estão muito tempo à espera da linha SNS24 e, portanto, acaba por haver uma instabilidade que não é boa para os cuidados de saúde primários e que, por isso, acabam por resultar em urgências muito cheias", começa por explicar. 

Explica, ainda, que com as urgências cheias, acaba por haver "mais propagação de vírus, porque a gripe é muito contagiosa e, se de repente a pessoa tem sintomas ligeiros que até poderiam ser geridos em casa (...) mas vai ocorrer para uma urgência, contagia mais pessoas, pessoas mais vulneráveis e, portanto, é um bocadinho um ciclo vicioso difícil de acabar". 

Autor: sicnoticias
Fonte: sicnoticias
Sítio Online da Publicação: sicnoticias
Data: 09/12/2025

Alterações em um único gene já podem causar transtornos mentais, diz estudo


Nem todas as doenças mentais possuem remédios definitivos devido a complexidade de tratamento de um transtorno para outro Reprodução/Freepik
Um novo estudo genético publicado na revista científica Molecular Psychiatry revelou que mutações no gene GRIN2A podem estar associadas à ocorrência de transtornos mentais, entre eles a esquizofrenia.

A descoberta que o funcionamento do gene, sozinho, afeta a atividade de receptores elétricos do cérebro contradiz a teoria sobre a origem poligênica (explicada por vários genes) para todas as doenças ligadas ao cérebro. Pela primeira vez, um estudo demonstrou que uma mutação num único gene pode influenciar de forma decisiva o desenvolvimento de distúrbios mentais.

Pesquisadores do estudo, publicado em outubro deste ano, verificaram que a mutação do gene afeta diretamente o receptor elétrico NMDA, que auxilia na comunicação, sendo que sua falha pode aumentar os riscos de desenvolvimento de doenças mentais.

De 121 pacientes analisados, 85 tinham algum tipo de mutação no GRIN2A e 23 deles desenvolveram algum transtorno mental. Como destaca a revista WIRED, os indivíduos apresentaram sintomas estritamente psiquiátricos, o que praticamente descartaria explicações ambientais ou contextuais para os casos.

Etapas experimentais
A esquizofrenia é um dos distúrbios que, segundo a pesquisa, são influenciados por mutações gênicas. Cerca de 23 milhões de pessoas no mundo são afetadas pelo distúrbio – equivalente a 0,29% da população mundial –, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS).


Autor: revistagalileu
Fonte: revistagalileu
Sítio Online da Publicação: revistagalileu
Data: 09/12/2025

Tubarão-limão é flagrado predando peixe de água doce invasor em Fernando de Noronha


Desorientados pela salinidade da água, peixes-jaguar tentam fugir de tubarão-limão em Fernando de Noronha Mariano Correa/Reprodução
Pesquisadores apoiados pela FAPESP registraram, pela primeira vez, tubarões-limão (Negaprion brevirostris) predando uma espécie invasora, o peixe-jaguar (Parachromis managuensis). O registro foi realizado em março de 2024, na baía do Sueste, um conhecido ponto de alimentação de tubarões no arquipélago de Fernando de Noronha (PE).

O evento era tido como improvável porque a baía do Sueste é uma entrada do mar na terra, portanto, com água salgada, enquanto o peixe-jaguar é de água doce. No entanto, a baía recebe aportes de água doce de um manguezal próximo após chuvas fortes.

Introduzido em Fernando de Noronha, provavelmente para produção de proteína animal, o peixe-jaguar suporta um certo grau de salinidade, mas se torna estressado a partir de determinado patamar. Os pesquisadores observaram um nado errático do peixe, que facilitou a captura pelos tubarões.

Além da dificuldade em nadar, estudos de outros grupos já haviam demonstrado que salinidades superiores a 25 psu (unidade prática de salinidade) provocam aumento da frequência cardíaca nos peixes-jaguar. Na baía do Sueste, a salinidade pode chegar a 32 psu.

“Esta é uma área de reprodução, berçário e alimentação dos tubarões-limão. Na noite anterior da nossa observação, houve chuvas fortes, fazendo com que o reservatório do Xaréu, em que os peixes vivem, transbordasse para o manguezal, que por sua vez também transbordou e gerou uma ligação com a baía”, conta Bianca Rangel, primeira autora do estudo, que realiza pós-doutorado no Instituto de Biociências da Universidade de São Paulo (IB-USP) com bolsa da FAPESP.

A baía do Sueste é um conhecido ponto de alimentação e berçário de tubarões em Fernando de Noronha. Suas águas rasas e turvas protegem os filhotes, mas são um risco para banhistas e mergulhadores — Foto: Fábio Borges/Reprodução
A baía do Sueste é um conhecido ponto de alimentação e berçário de tubarões em Fernando de Noronha. Suas águas rasas e turvas protegem os filhotes, mas são um risco para banhistas e mergulhadores — Foto: Fábio Borges/Reprodução
Com águas rasas, quentes e turvas, a baía do Sueste é também um local de alimentação de tubarões-tigre (Galeocerdo cuvier), a ponto de o banho e o mergulho terem sido proibidos em 2022 após acidentes com turistas.

Autor: revistagalileu
Fonte: revistagalileu
Sítio Online da Publicação: revistagalileu
Data: 09/12/2025


domingo, 7 de dezembro de 2025

Mapeamento revela que Marte já teve sistemas fluviais enormes

Conduzido por uma equipe de cientistas da Universidade de Texas em Austin, nos Estados Unidos, o estudo traz um mapeamento inédito das bacias fluviais marcianas. As descobertas trazem mais informações sobre o passado do planeta vermelho e a quantidade de água que já existiu nele.

O estudo também revelou que os cânions de saída contribuíram com 24% da quantidade de sedimento fluvial. "Sabemos há muito tempo que havia rios em Marte", disse Dr. Timothy A. Goudge, coautor da pesquisa e professor do Departamento de Ciências da Terra e Planetárias de UT Austin, em comunicado. "Mas realmente não sabíamos até que ponto os rios estavam organizados em grandes sistemas de drenagem na escala global."

Processo de pesquisa
O estudo teve como objetivo mapear os sistemas fluviais que existiram em Marte para ver onde convergiam, incluindo depósitos de água, cânions, lagos e vales. O mapeamento englobou 105 km², que seria uma área de referência comum para grandes sistemas de drenagem na Terra.

Acredita-se que Marte tenha se formado na mesma época do restante do sistema solar, há 4,5 bilhões de anos. Outro estudo, publicado em 2022, sugere que Marte teve água líquida em sua superfície por volta de 2 bilhões de anos atrás.

Os pesquisadores analisaram imagens obtidas pelo Mars Orbiter Laser Altimeter (MOLA), um instrumento da sonda Mars Global Surveyor (MGS) da NASA, que orbitou Marte entre 1997 e 2006 e, atualmente, está abordo do Mars Reconnaissance Orbiter.



Autor: 
revistagalileu
Fonte: revistagalileu
Sítio Online da Publicação: revistagalileu
Data: 06/12/2025

Cérebro ansioso apresenta queda de um nutriente essencial ligado à memória, ao humor e à regulação emocional

Pesquisadores acreditam que a atividade exacerbada de luta ou fuga, comum em transtornos de ansiedade, pode elevar a demanda do cérebro por colina Getty Images
Pessoas que sofrem de ansiedade tendem a apresentar níveis reduzidos do nutriente essencial colina no cérebro. A descoberta é de pesquisadores do UC Davis Health, operado pela Universidade da Califórnia, dos Estados Unidos, e foi publicada na revista Molecular Psychiatry, parte do grupo editorial Nature.

No primeiro grupo, a análise mostrou que a colina, fundamental para as membranas celulares e funções cerebrais essenciais, como memória, humor e controle muscular, estava cerca de 8% mais baixa. A redução foi mais evidente no córtex pré-frontal, região envolvida no pensamento, na regulação emocional e na tomada de decisões.

"Esta é a primeira meta-análise a mostrar um padrão químico no cérebro em transtornos de ansiedade", disse o coautor Jason Smucny em comunicado. "Ela sugere que abordagens nutricionais - como a suplementação adequada de colina - podem ajudar a restaurar a química cerebral e melhorar os resultados para os pacientes."

Segundo o autor sênior Richard Maddock, os transtornos de ansiedade são a doença mental mais comum nos Estados Unidos, afetando cerca de 30% dos adultos. “Eles podem ser debilitantes e muitas pessoas não recebem tratamento adequado", salientou.

Um estudo anterior de Maddock mostrou níveis reduzidos de colina em pacientes com transtorno do pânico. Isso motivou a decisão de realizar uma metanálise mais ampla. Ele afirmou que, embora esperasse encontrar níveis mais baixos do nutriente em que tem ansiedade, ficou impressionado com a magnitude e a consistência da diferença. "Uma redução de 8% não parece muita coisa, mas no cérebro é significativa", avaliou.


Autor: epocanegocios
Fonte: epocanegocios
Sítio Online da Publicação: epocanegocios
Data: 05/12/2025

Físicos chineses confirmam teoria central da mecânica quântica

Físicos chineses reproduziram com precisão experimental um teste proposto por Albert Einstein em 1927, confirmando que duas propriedades fundamentais de uma partícula não podem ser medidas simultaneamente sem se influenciarem mutuamente.

Os resultados, publicados na revista científica Physical Review Letters, oferecem novas provas em apoio a um princípio central da teoria quântica desenvolvida por Niels Bohr, rival intelectual de Einstein.

Segundo os revisores da publicação, o estudo constitui "uma contribuição significativa" e "uma realização de manual" da teoria original.

A equipa, liderada pelo físico Pan Jianwei - figura central na investigação quântica na China -, concebeu um sistema suficientemente sensível para detetar o minúsculo impulso que um único fotão transmite ao atravessar uma dupla fenda, um aspeto crítico da argumentação de Einstein, que não tinha até agora sido verificado em laboratório.

Segundo o jornal South China Morning Post, os investigadores utilizaram um único átomo de rubídio, arrefecido até perto do zero absoluto e suspenso com recurso a luz laser, para simular uma parede móvel.

Quando o átomo estava pouco confinado, deslocava-se ligeiramente ao passar o fotão, revelando a trajetória deste, mas desaparecia o padrão de interferência no ecrã. Quando o átomo estava firmemente preso, o padrão reaparecia e a trajetória deixava de poder ser determinada.

O resultado confirma a previsão de Bohr: medir o caminho exato de um fotão destrói o seu comportamento ondulatório, enquanto preservar o padrão de interferência implica abdicar da informação sobre a sua trajetória.



Autor: dnoticias
Fonte: dnoticias
Sítio Online da Publicação: dnoticias
Data: 07/12/2025

sexta-feira, 5 de dezembro de 2025

Aos 75 anos, Wisdom, a albatroz mais velha do mundo, acolhe seu mais novo filhote

Chega essa época do ano e há sempre a mesma expectativa. Será que Wisdom retornará mais uma vez? Mas essa albatroz parece nunca decepcionar aqueles que acompanham sua trajetória, que já passa de sete décadas. Ela é um símbolo da força, da resiliência e das maravilhas do mundo natural.

Como já contamos em diversas outras reportagens aqui no Conexão Planeta – acompanhamos sua história desde 2016 -, a fêmea da espécie Laysan (Phoebastria immutabilis) foi avistada pela primeira vez em 1956, no Refúgio Nacional Atol de Midway, uma reserva de proteção marinha a noroeste do Havaí, no Oceano Pacífico. Naquele ano ela recebeu uma anilha, de número Z333.

Desde então, ano a ano, Wisdom retorna ao atol para se reproduzir. Ela é considerada a albatroz mais velha de vida selvagem do mundo. Estima-se que tenha 75 anos. Já sobreviveu a parceiros, como Akeakamai, e encontrou novos.

A equipe do Departamento de Pesca e Vida Selvagem dos EUA (USFWS, na sigla em inglês) acredita-se que ao longo de sua vida a fêmea já tenha colocado entre 50 e 60 ovos, e tenha gerado pelo menos 30 filhotes saudáveis.

E agora, em 2025, não foi diferente. “Temos o prazer de anunciar que Wisdom fez seu tão esperado retorno esta semana para a temporada de nidificação de 2026”, compartilhou em novembro a Friends of Midway Atoll, organização de voluntários que trabalha no monitoramento e estudo da espécie na região. “Sua chegada é mais do que um marco anual; é um testemunho vivo da longevidade, da resiliência e dos extraordinários ciclos de vida do Mōlī.” (Mōlī é o nome dessa espécie de albatroz na língua havaiana.)

Aos 75 anos, Wisdom, a albatroz mais velha do mundo, acolhe seu mais novo filhote 
Wisdom e o atual companheiro, que possui a anilha EX25
Foto: Chris Forster
Nascimento de novo filhote
E mais do que a alegria da volta de Wisdom, há a celebração também do nascimento de um novo filhote, conforme noticiou o jornal The Guardian nesta sexta-feira (05/12). Na foto, que abre este post, ela aparece ao lado dele.

Todos os anos, 600 mil casais de albatrozes chegam às duas ilhas do Atol de Midway para se reproduzir, na maior colônia da espécie do mundo.

Anualmente é realizado um censo ali: o mais recente foi no começo de 2025, conforme contamos nesta outra reportagem. Além de ser berçário do albatroz-de-laysan, o atol também é ponto de desova de outra espécie, o albatroz-patinegro, também conhecido como albatroz-de-pés-negros (Phoebastria nigripes). 

Autor: conexaoplaneta
Fonte: conexaoplaneta
Sítio Online da Publicação: conexaoplaneta
Data: 05/12/2025

Parceria entre FSP e FFLCH traz para a USP debates sobre economias sexuais, cuidado e marcadores sociais da diferençaCompartilhe

Parceria entre FSP e FFLCH traz para a USP debates sobre economias sexuais, cuidado e marcadores sociais da diferença
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Entre os dias 8 e 11 de dezembro, a USP realizará o evento “Economias sexuais, cuidado e marcadores sociais da diferença”, com atividades abertas ao público nas faculdades de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) e de Saúde Pública (FSP). A programação inclui mesas-redondas, grupo de trabalho, workshop, palestra e uma festa de encerramento.

A abertura ocorre na segunda-feira (8), às 19h, com um workshop coordenado por Laura Murray (UFRJ) na FFLCH, dedicado a metodologias audiovisuais e colaborativas em pesquisas sobre economias sexuais. Na terça-feira, a partir das 9h, a FSP recebe a sessão “Práticas de trabalho e escrita”, seguida, às 19h, da primeira mesa do evento, que discutirá trabalho sexual, criminalização e marcadores sociais da diferença, com a participação de ativistas e pesquisadoras de diferentes regiões do país.

Na quarta-feira (10), a programação segue na FSP com a sessão “Processos de criminalização e disputas de território”, às 9h. Às 14h, a antropóloga Ana Paula da Silva (UFF) ministra a palestra “Economias sexuais em perspectiva antropológica”. À noite, às 19h, ocorre a mesa “Trabalho sexual, saúde e direitos humanos”, reunindo pesquisadoras e representantes de coletivos voltados à defesa dos direitos de trabalhadoras sexuais.

O evento termina na quinta-feira (11) com a sessão “Moralidades em disputa”, às 9h, e a Puta Festa, às 19h. Parte da programação — incluindo as mesas 1 e 2, a palestra e o workshop — terá transmissão ao vivo pelo YouTube do Coletive de Pesquisa em Antropologia da Saúde da FSP-USP.

Organizado por estudantes do Programa de Pós-graduação em Antropologia Social da USP (PPGAS-USP), o encontro é uma iniciativa do projeto Cosmopolíticas do Cuidado no Fim-do-Mundo, em parceria com o Núcleo de Estudos dos Marcadores Sociais da Diferença (NUMAS/USP).


Fiocruz lança curso online e gratuito sobre análise de dados no SUS

iniciativa prevê a elaboração e publicação de outros cursos de qualificação profissional sobre a temática, uma especialização e ainda disciplinas transversais para programas de pós-graduação da Fiocruz. 

Conheça a estrutura do curso e inscreva-se! Ele tem carga horária de 50 horas e um total de três módulos.

Módulo 1 – Lógica e Linguagem de Programação

Aula 1 – Introdução à Lógica de Programação
Aula 2 – Introdução à Linguagem de Programação


Módulo 2 – Estatística Descritiva e Comunicação de Resultados

Aula 1 – Análise exploratória e descritiva
Aula 2 – Formas de visualização de dados e métodos analíticos


Módulo 3 – Modelos estatísticos

Aula 1 – Inferência Estatística
Aula 2 – Modelos Estatísticos: lineares e não lineares
Aula 3 – Dados com estruturas de dependência: Multiníveis, Séries Temporais e Sobrevida
Aula 4 – Aplicação dos modelos estatísticos


Autor: fiocruz
Fonte: fiocruz
Sítio Online da Publicação: fiocruz
Data: 02/12/2025

Nova espécie de bromélia da Mata Atlântica é descrita por pesquisadores do Jardim Botânico do RJ


Uma colorida e linda nova espécie de bromélia acaba de ser descrita por pesquisadores do Jardim Botânico do Rio de Janeiro. Endêmica da Mata Atlântica, ela foi encontrada no Parque Nacional do Alto Cariri, na Bahia, próximo à fronteira com Minas Gerais. Batizada de Wittmackia aurantiolilacina, ela tem tons de laranja, rosa e lilás.

A descoberta da espécie, até então desconhecida pela ciência, aconteceu durante uma expedição da equipe do Centro Nacional de Conservação da Flora, do Jardim Botânico, em agosto de 2023. Na época, eles estudavam árvores ameaçadas de extinção do sul da Bahia.

Os pesquisadores coletaram então um exemplar da bromélia, sem flores, que foi cultivado no bromeliário do Jardim Botânico, e no Refúgio dos Gravatás, em Teresópolis. Um ano depois, acontecia a primeira floração, e com isso foi possível fazer o estudo e a identificação que levaram à confirmação de que aquela era uma nova espécie.

“Ao me deparar com essa planta florescendo pela primeira vez, fiquei estarrecido com a beleza de suas flores, uma combinação inusitada de cores, laranja e lilás. Imediatamente suspeitei de que poderia se tratar de uma espécie nova por não se parecer com nenhuma bromélia que já vi e estudei em mais de 30 anos de profissão”, revelou Bruno Rezende, curador da coleção científica de bromélias do Jardim Botânico do Rio e um dos autores do artigo científico que descreve a nova espécie divulgado na publicação Phytotaxa.

Todavia, apesar da boa notícia, ela vem acompanhada de um alerta. Pesquisadores acreditam que a Wittmackia aurantiolilacina já deve ser classificada como ‘criticamente em perigo de extinção‘, ameaçada por atividades humanas na região onde ocorre, como pastagens e plantações de café e cacau.


Autor: conexaoplaneta
Fonte: conexaoplaneta
Sítio Online da Publicação: conexaoplaneta
Data: 28/11/2025

terça-feira, 2 de dezembro de 2025

Especialistas apontam cenário de estabilidade econômica para 2026 e sugerem cautela


Fotomontagem que mostra um punhado de moedas, uma sobre as outras, em cima de um gráfico que retrata o comportamento da economia
Os analistas apostam que o PIB brasileiro deve crescer algo em torno de 2% em 2026 – Arte sobre foto de Marcos Santos/USP Imagens
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O ano de 2026 já está batendo na porta e é hora de pensar no bolso. O que esperar da economia no próximo ano — e o que cada um de nós pode fazer para cuidar melhor do dinheiro? Depois de um 2025 de recuperação moderada, com inflação sob controle e leve avanço no emprego, o grande desafio será manter o crescimento diante de um cenário global incerto — marcado por tensões geopolíticas, desaceleração da China e transição energética acelerada.

O economista Paulo Feldmann, professor do Departamento de Administração da Faculdade de Economia, Administração, Contabilidade e Atuária (FEA) da USP, faz um balanço do que foi o ano que está terminando. A expectativa do professor de Economia da USP para 2026 é de que seja um ano bem parecido com o atual, com uma taxa baixa de crescimento em função da alta inflação, com estimativa de 4% de inflação ao ano.

Os alimentos continuam impactando o dia a dia da dona de casa, apesar da queda na inflação. A previsão de boa safra para 2026 deve reverter esse quadro. O emprego deve continuar em alta, mas na informalidade sem os direitos trabalhistas necessários. Além disso, 2026 promete um grande desafio para o governo federal, o controle dos altos juros, gerando uma expectativa negativa para investidores estrangeiros.

 
Paulo Feldmann – Foto: FEA-USP

PIB deve crescer

Os analistas apostam que o PIB brasileiro deve crescer algo em torno de 2% em 2026, impulsionado pelo agronegócio, exportações de commodities e investimentos em infraestrutura. Outro ponto de atenção é a política monetária. O Banco Central deve manter juros em níveis baixos, para incentivar o consumo e o crédito, mas qualquer desequilíbrio nas contas públicas pode mudar essa rota.

Na prática, 2026 promete ser um ano de ajustes finos — equilibrar as contas, estimular o investimento e manter o País no rumo da previsibilidade. Em resumo, 2026 pode trazer oportunidades, mas o segredo continua o mesmo — organizar o orçamento, evitar dívidas caras e fazer o dinheiro trabalhar por você.

O professor da FEA-USP destaca que “o Brasil continua tendo um problema sério, que é o de crescimento de voo de galinha, como nós chamamos. O Brasil quando cresce, cresce 3%. Muito diferente dos países asiáticos, por exemplo, que crescem a taxas de 8%, 9%, 10% ao ano. Mas para o País ter esse crescimento maior, precisa de um plano, precisa de uma política industrial, precisa definir o que quer fazer no longo prazo, o que absolutamente não se sabe”, avalia.

Feldmann finaliza com o exemplo do caso da Petrobras e a exploração de petróleo na bacia amazônica. “O Brasil vinha falando que era o grande líder da energia limpa, que ia extinguir o petróleo no médio prazo, que ia usar só fontes renováveis. De repente, tudo muda e o Brasil resolve investigar se há petróleo na Amazônia.”

Jornal da USP no Ar no ar veiculado pela Rede USP de Rádio, de segunda a sexta-feira: 1ª edição das 7h30 às 9h, com apresentação de Roxane Ré, e demais edições às 14h, 15h, 16h40 e às 18h. Em Ribeirão Preto, a edição regional vai ao ar das 12 às 12h30, com apresentação de Mel Vieira e Ferraz Junior. Você pode sintonizar a Rádio USP em São Paulo FM 93.7, em Ribeirão Preto FM 107.9, pela internet em www.jornal.usp.br ou pelo aplicativo do Jornal da USP no celular.





Autor: usp
Fonte: usp
Sítio Online da Publicação: usp
Data: 01/12/2025
Publicação Original: https://jornal.usp.br/radio-usp/especialistas-apontam-cenario-de-estabilidade-economica-para-2026-e-sugerem-cautela/