
Lideranças da comunidade multiétnica tiwa, na Colômbia, conversam com pesquisadores do projeto Mosaic sobre parceria para construir sistemas de informação (Foto: Josué Damacena)
Os cientistas estiveram no Oiapoque, no Amapá, na fronteira entre Brasil e Guiana Francesa. A equipe trabalhou em Leticia, na Colômbia, na tríplice fronteira com Brasil e Peru. Marcando o segundo ano de desenvolvimento da pesquisa nestes territórios, os pesquisadores promoveram atividades com foco na ciência aberta, com o objetivo de desenvolver soluções em parceria com comunidades locais. Nas duas regiões, foram realizados eventos com participação de lideranças indígenas, gestores e profissionais de saúde pública, saúde indígena, meio ambiente e educação, pesquisadores e representantes de organizações não governamentais.
Além disso, no Oiapoque, os cientistas visitaram associações indígenas, bairros construídos recentemente a partir de ocupações em áreas de mata e uma entidade que atua na cooperação em saúde na fronteira. Em Leticia, foram feitas visitas a comunidades indígenas e um parque nacional natural, com os quais o projeto Mosaic deve colaborar em iniciativas estratégicas, contribuindo para um novo modelo de sistema de saúde indígena da Colômbia e a conservação ambiental.
A importância da missão para construir sistemas de informação úteis e acessíveis para comunidades e instituições nas fronteiras é destacada pelos cientistas. “Estas atividades tiveram objetivo de escuta, para entender quais são as preocupações das pessoas e as dificuldades em lidar com as mudanças climáticas, incluindo eventos extremos. Isso é necessário para criar plataformas de dados importantes para as comunidades, para que elas possam agir localmente para prevenir e se adaptar a essas mudanças, que estão cada vez mais aceleradas” afirma Paulo Peiter, pesquisador do Instituto Oswaldo Cruz (IOC/Fiocruz) e da Plataforma Internacional de Ciência Tecnologia e Inovação em Saúde (Pictis/Fiocruz), um dos líderes do Mosaic na área de ciência compartilhada com interessados locais.
“Ciência aberta não é só acesso aos dados científicos, mas também coprodução de conhecimento. As comunidades localmente conhecem o ambiente, mas estes conhecimentos não estão necessariamente integrados aos conhecimentos científicos. Por outro lado, os dados científicos podem ser muito úteis localmente, mas nem todos têm acesso a eles. O projeto Mosaic tem como ambição integrar estes conhecimentos e realmente compartilhar dados entre todos os atores interessados”, ressalta Emmanuel Roux, pesquisador do Instituto de Pesquisa para o Desenvolvimento (IRD), da França, e coordenador-geral do Mosaic.
Os pesquisadores também salientam a relevância das ações para desenvolver estratégias sólidas de integração de dados nas fronteiras. “Normalmente, os trabalhos de pesquisa, as ações de saúde e as políticas públicas de dados não atravessam as fronteiras, mas os problemas ambientais, os parasitas, os vetores, as pessoas e os animais fazem isso. Então, o projeto Mosaic tem essa incumbência de construir sistemas de informação que atravessem as fronteiras, que as populações locais possam utilizar para lutar contra mudanças climáticas e degradação ambiental”, aponta Martha Mutis, pesquisadora do IOC/Fiocruz e da Pictis/Fiocruz, uma das líderes da pesquisa na área de disseminação e aplicação de resultados.

Cientistas do projeto Mosaic e representantes de instituições brasileiras e colombianas em encontro na Universidade Nacional da Colômbia (Unal) (Foto: Josué Damacena)
Mais de 20 pesquisadores do Brasil, Colômbia, França e Quênia participaram das atividades. Ao lado de pesquisadores do IOC, do Pictis, da Fiocruz Amazônia e IRD, integraram o grupo profissionais da Universidade de Brasília (UnB); Universidade Nacional da Colômbia (UNAL); Centro Hospitalar Universitário da Guiana Francesa (CHU), Universidade D’Artois (UA), da França; e Centro de Conservação Africano (ACC), do Quênia.
Iniciado em 2024, o Mosaic tem duração prevista até 2027. Além das duas áreas de fronteira na Amazônia, a pesquisa contempla a fronteira do Quênia com a Tanzânia, no Leste da África. A iniciativa une 15 instituições científicas de sete países.
Coordenado pelo IRD, o projeto é financiado pela União Europeia. Trata-se do primeiro projeto selecionado em edital europeu de fomento à pesquisa com participação da Pictis, centro de pesquisa estabelecido em colaboração entre Fiocruz, por meio do IOC, e Universidade de Aveiro, em Portugal. A missão internacional contou com apoio financeiro dos projetos LMI Sentinela, custeado pelo IRD, e Inovec, com financiamento europeu. As atividades na tríplice fronteira ocorreram também no âmbito do projeto de pesquisa Fefaccion, financiado pela Embaixada da França no Brasil.
Autor: fiocruz
Fonte: fiocruz
Sítio Online da Publicação: fiocruz
Data: 15/12/2025
Publicação Original: https://fiocruz.br/noticia/2025/12/fiocruz-e-parceiros-internacionais-avancam-na-ciencia-aberta-em-fronteiras-da
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