sexta-feira, 4 de abril de 2025

“Inflammaging”: Abrandando a marcha do tempo


Acontece a todos. A idade é acompanhada por dores nas articulações e um aumento do risco de cancro, doença cardíaca, demência e artrite, entre outras doenças. Estas alterações surgem como consequência do aumento das moléculas inflamatórias ocorrido ao longo da vida e é tão comum que tem um nome científico em inglês: inflammaging, termo que resulta da combinação das palavras “inflamação” e “envelhecimento” e significa inflamação agravada pelo envelhecimento.

Agora, os investigadores tentam desvendar a maneira como o processo inflamatório muda ao longo da vida, o que instiga essa mudança e como será possível interferir nela. À medida que as pessoas envelhecem, o número de citocinas pró-inflamatórias que circulam no sangue vai aumentando, assim como o de outras moléculas relacionadas com a inflamação. O momento da mudança depende da pessoa, diz Ron DePinho, investigador de biologia do cancro e envelhecimento no Centro Oncológico MD Anderson, na Universidade do Texas. Habitualmente, a inflamação começa a aumentar aos 50 anos, com uma mudança dramática aos 60.

O aumento acompanha de perto as tendências de doença. O número de pessoas com Alzheimer duplica a cada cinco anos a partir dos 65 anos. Nos EUA, 80 por cento dos adultos com mais de 65 anos padece, no mínimo, de uma doença crónica. Aos 85 anos, um terço das pessoas pode ter Alzheimer, e um terço dos homens e um quarto das mulheres já teve cancro.

Os investigadores tentam desvendar a maneira como o processo inflamatório muda ao longo da vida, o que instiga essa mudança e como será possível interferir nela.

A um nível mais básico, os medicamentos anti-inflamatórios e os hábitos saudáveis, como a prática de exercício físico, podem abrandar alguns aspectos do processo de inflammaging, diz Ron DePinho. Os investigadores procuram compreender melhor o problema para encontrarem soluções mais específicas. Até à data, já foi identificada uma dezena de alterações biológicas que acompanham a idade. Todos esses marcos do envelhecimento encontram-se associados à inflamação, diz Luigi Ferrucci, do Instituto Nacional para o Envelhecimento. À medida que as pessoas envelhecem, as células imunitárias perdem as suas funções protectoras e deixam de combater os invasores, transformando-se naquilo a que os cientistas chamam células senescentes. Outros tipos de células também podem tornar-se senescentes devido ao stress. Deixam de se reproduzir, param de funcionar e começam a segregar moléculas inflamatórias potentes que provocam a senescência de ainda mais células.

Entretanto, os danos no ADN no interior destas células vão-se acumulando ao longo do tempo, sobretudo nas extremidades dos cromossomas, em regiões protectoras denominadas telómeros – pedaços de ADN compridos e agrupados. Sempre que uma célula se divide, os seus telómeros tornam-se mais curtos até alcançarem um comprimento crítico que a célula interpreta como instabilidade ou danos no ADN, podendo desencadear deterioração.

Autor: nationalgeographic 
Fonte: nationalgeographic 
Sítio Online da Publicação: nationalgeographic
Data: 03/04/2025