quinta-feira, 26 de março de 2026

FAPESP lança nova chamada para Escolas São Paulo de Ciência Avançada

Pesquisadores podem apresentar propostas de cursos internacionais de curta duração em qualquer área do conhecimento




A FAPESP anuncia uma nova chamada da modalidade Escola São Paulo de Ciência Avançada (ESPCA), que oferece recursos para a organização de cursos de curta duração em pesquisa avançada nas diferentes áreas do conhecimento no estado de São Paulo. É a 20ª chamada da modalidade, que tem periodicidade anual.

A modalidade de Auxílio à Organização de Reunião Científica: Escola São Paulo de Ciência Avançada se destina a apoiar total ou parcialmente a realização de cursos de curta duração sobre temas da fronteira da ciência e da tecnologia que sejam objeto de pesquisa internacionalmente competitiva sendo realizada no estado de São Paulo.

Os cursos das ESPCAs devem promover discussões nas fronteiras da pesquisa em qualquer área do conhecimento. Cientistas com interesses profissionais comuns irão se reunir, em formato presencial, por período de dez a quatorze dias, promovendo intensa discussão e análise dos aspectos mais avançados em seus campos de pesquisa.

Os pesquisadores que participarão ministrando aulas na ESPCA deverão ser cientistas de excelente qualificação e destaque em seus campos de pesquisa, incluindo-se cientistas estrangeiros convidados.

Os estudantes participantes devem estar matriculados em cursos de graduação ou pós-graduação no Brasil ou exterior, sendo potenciais candidatos aos cursos de Mestrado, Doutorado ou a estágios de Pós-Doutorado em instituições de ensino superior e pesquisa no estado de São Paulo. Também poderão ser aceitos alguns jovens doutores.

Os estudantes participantes devem ter a oportunidade de apresentar os resultados de suas pesquisas em andamento em sessões (ou sessão) de pôsteres, incluídas no programa.

A nova chamada selecionará até cinco escolas, com início a partir de março de 2027.

Submissões serão recebidas até 1 de junho de 2026 exclusivamente pelo Sistema de Apoio a Gestão (SAGe) da FAPESP. Haverá reunião on-line a interessados para esclarecimentos sobre a ESPCA no dia 14/04.

A chamada está disponível em: https://fapesp.br/18069.



Autor: fapesp
Fonte: fapesp
Sítio Online da Publicação: fapesp
Data: 17/03/2026
Publicação Original: https://fapesp.br/18080/fapesp-lanca-nova-chamada-para-escolas-sao-paulo-de-ciencia-avancada

FAPESP apoiará colaborações internacionais em Oceanos e Biodiversidade Marinha

Chamada com Belmont Forum apoiará projetos transdisciplinares focados na conservação da biodiversidade oceânica, integração oceano-clima e governança para a sustentabilidade



A FAPESP anuncia a participação na chamada de propostas do Belmont Forum Collaborative Research Action Ocean 2: "Rumo ao oceano que queremos: biodiversidade e sustentabilidade do ecossistema para a natureza e o bem-estar humano".

A chamada busca promover pesquisa transdisciplinar e orientada a soluções para a conservação da biodiversidade marinha, a integração oceano-clima-biodiversidade e a governança para a sustentabilidade.

Em alinhamento à Década do Oceano (ONU), a chamada exige a coprodução de conhecimento com usuários e partes interessadas desde a concepção dos projetos, bem como compromissos claros com impacto social, formação de recursos humanos e gestão responsável de dados e resultados digitais.

No estado de São Paulo, pesquisadores interessados poderão submeter propostas solicitando apoio da FAPESP sob condições próprias, que complementam a chamada internacional do Belmont Forum.

Os consórcios devem ser multilaterais (mínimo de três países/agências), integrar ciências naturais e engenharias, ciências sociais e humanidades e parceiros da sociedade, e apresentar um plano de engajamento e disseminação consistente, com participação nas atividades de coordenação do programa (reuniões de início, meio termo e final).

Os projetos devem ainda incluir compromissos claros com impacto social, formação de recursos humanos e gestão responsável de dados, em alinhamento à Década do Oceano da ONU.

O processo de submissão ocorrerá em duas etapas (pré-proposta e proposta completa pelo sistema BFgo). A pré-análise de elegibilidade das equipes do Estado de São Paulo deve ser enviada por e-mail para chamada-bf-ocean2@fapesp.br até 10 dias antes da data-limite internacional.

Uma vez aprovada a elegibilidade, a proposta correspondente deverá ser submetida no SAGe, seguindo as regras de elegibilidade, itens financiáveis e demais orientações deste anexo.

As propostas devem atender pelo menos um dos dois temas a seguir, buscando conexões transversais entre eles:Tema 1: Conservação da biodiversidade e soluções baseadas na natureza;
Tema 2: Integração oceano-biodiversidade-clima;
Tema 3: Futuros da natureza, governança oceânica e ética para a sustentabilidade.

O total de recursos disponibilizados pela FAPESP é de R$ 3,3 milhões. O valor máximo por projeto é de R$ 600 mil, sem considerar Reserva Técnica, e os projetos selecionados poderão ter duração de até 36 meses. As propostas devem atender às condições gerais da modalidade Auxílio à Pesquisa Regular (fapesp.br/apr), observando-se as excepcionalidades descritas na chamada.

A data limite para consulta de elegibilidade na FAPESP é 20 de abril de 2026. A data limite para submissão de pré-propostas ao Belmont Forum e à FAPESP (via SAGe) é 30 de abril.

A chamada com orientações a pesquisadores do estado de São Paulo está disponível em: fapesp.br/18088.

O texto completo da chamada internacional está disponível em: https://belmontforum.org/wp-content/uploads/2025/06/Ocean-II-2025-1.1.-Call-for-Proposals-PT.pdf?x32813.



Autor: fapesp
Fonte: fapesp
Sítio Online da Publicação: fapesp
Data: 23/03/2026
Publicação Original: https://fapesp.br/18089/fapesp-apoiara-colaboracoes-internacionais-em-oceanos-e-biodiversidade-marinha

FAPESP define sete eixos estratégicos de pesquisa para o período 2026-2028

Conselho Superior autorizou a aplicação de R$ 400 milhões adicionais a projetos, sem prejuízo dos programas já em andamento



A FAPESP definiu sete eixos estratégicos que vão integrar a sua agenda de fomento à pesquisa no período 2026-2028: biotecnologia; transição energética; biodiversidade, produção sustentável de alimentos e segurança alimentar; transição digital e inteligência artificial; ciência e tecnologias quânticas; saúde humana e animal; e violência e segurança pública.



Aprovada pelo Conselho Superior da FAPESP em 18 de março, a lista de temas foi definida com base em consultas a lideranças científicas, gestores da Fundação, representantes de órgãos governamentais, universidades, institutos de pesquisa e setores empresariais e após análise de tendências internacionais de CT&I, consoante descrito no documento Temas Estratégicos da FAPESP para Ciência, Tecnologia e Inovação.

“O Conselho Superior autorizou a aplicação de R$ 400 milhões adicionais em pesquisas no âmbito desses sete eixos, sem prejuízo da execução dos programas em andamento ou de pesquisas movidas pela curiosidade submetidas por pesquisadores ou grupos de pesquisa”, sublinhou Marco Antonio Zago, presidente da FAPESP.

Seis dos temas a serem priorizados estão alinhados às tendências internacionais em ciência, tecnologia e inovação e às propostas da Estratégia Nacional de CT&I para 2024-2034. O sétimo – violência e segurança pública – responde a um desafio específico da realidade brasileira atual.

O Conselho Técnico-Administrativo da FAPESP apresentará as propostas específicas para a implementação de cada um dos sete eixos prioritários. As ações devem estar articuladas, preferencialmente, a instrumentos de fomento já adotados pela Fundação, como os Centros de Pesquisa, Inovação e Difusão (CEPIDs), Centros de Pesquisa Aplicada (CPAs), Pesquisa Inovativa em Pequenas Empresas (PIPE), Jovens Pesquisadores (JP), Centros de Pesquisa para o Desenvolvimento (CCDs), Centros Internacionais de Pesquisa (CIPs) e Redes FAPESP de Colaboração em Pesquisa, com ênfase na expansão de startups.

“Não se trata de ampliar os financiamentos em curso ou de criar novos programas. A ideia é aplicar recursos adicionais em propostas disruptivas, que envolvam risco científico e potencial para promover um salto qualitativo na P&D do Estado de São Paulo”, afirma Carlos Graeff, diretor-presidente do Conselho Técnico-Administrativo da Fundação.

A iniciativa da FAPESP tem como pressuposto a multidisciplinaridade. “Projetos de biotecnologia, por exemplo, demandam a integração de química, biologia, física, computação e matemática”, diz Marcio de Castro, diretor científico da Fundação. Os projetos submetidos no âmbito desses sete eixos estratégicos, acrescenta, devem ter dois componentes transversais: gestão avançada de dados com uso de inteligência artificial e a incorporação estruturada das ciências sociais aplicadas para avaliar impactos econômicos, regulatórios e sociais das novas tecnologias.

A cada seis meses a Diretoria Científica apresentará ao Conselho Superior um relatório detalhado da implementação e desenvolvimento dessas linhas de pesquisa. “Essa avaliação permitirá ajustes ao longo do processo e assegurará que os investimentos contribuam para um salto qualitativo na pesquisa e inovação no Estado de São Paulo”, afirma o presidente da FAPESP.

Temas Estratégicos da FAPESP para Ciência, Tecnologia e Inovação



Autor: fapesp
Fonte: fapesp
Sítio Online da Publicação: fapesp
Data: 26/03/2026
Publicação Original: https://fapesp.br/18095/fapesp-define-sete-eixos-estrategicos-de-pesquisa-para-o-periodo-2026-2028

terça-feira, 24 de março de 2026

Estudo analisa violência contra agentes comunitários de saúde

Um estudo sobre a violência vivenciada por agentes comunitários de saúde (ACS) em territórios vulneráveis do Nordeste brasileiro integrará a edição de maio da revista científica The Lancet Regional Health - Americas. O artigo, que pode ser acessado online, é intitulado Domestic and urban violence faced by community health workers: a multidimensional analysis in vulnerable territories in northeastern Brazil during and after the COVID-19 pandemi.



Integrados às equipes da Estratégia Saúde da Família, os agentes comunitários de saúde são um dos pilares do SUS (Foto: Thiberio Rodrigues/PB)

O objetivo foi analisar a exposição à violência urbana e doméstica entre agentes comunitários que atuam na atenção primária em contextos marcados por desigualdade social e altos índices de violência. A investigação analisou dados coletados em dois momentos: em 2021, durante a pandemia de Covid-19, e em 2023, já no período pós-pandemia. Ao todo, participaram do estudo 1.942 agentes comunitários na primeira etapa e 1.907 na segunda. O trabalho é fruto das investigações da Rede NósAPSBrasil e conta com a coordenação do pesquisador da Fiocruz Pernambuco Sidney Farias. A coordenação-geral é da pesquisadora da Fiocruz Ceará Anya Vieira Meyer, que também coordena a NósAPSBrasil.

A pesquisa foi realizada em municípios do Nordeste, incluindo as capitais Fortaleza, João Pessoa, Recife e Teresina, além das cidades cearenses do Crato, Juazeiro do Norte, Barbalha e Sobral. O projeto recebeu financiamento da Fundação Cearense de Apoio ao Desenvolvimento Científico e Tecnológico, da Fiocruz e do Lemann Research Fund, da Universidade Harvard.

No artigo, os autores lembram que a violência é reconhecida mundialmente como um importante problema de saúde pública, com impactos diretos na qualidade de vida e na organização das comunidades. Um cenário agravado no Brasil por desigualdades estruturais que ampliam a vulnerabilidade de determinados grupos e territórios, sobretudo em áreas urbanas periféricas.

Nesse contexto, os agentes comunitários de saúde ocupam uma posição crucial. Integrados às equipes da Estratégia Saúde da Família, um dos pilares do Sistema Único de Saúde (SUS), esses profissionais vivem nas mesmas comunidades que acompanham, atuando como elo entre os serviços de saúde e a população. Essa proximidade, porém, também os expõe às dinâmicas de violência presentes nos territórios.

Os resultados revelam detalhes importantes sobre como se processa a violência nos territórios e sinalizam diferenças nas experiências relatadas de acordo com o gênero dos ACS. “O estudo mostra que a violência nos territórios é múltipla e marcada por padrões diferentes entre homens e mulheres que atuam como ACS. Os homens relatam maior exposição à violência urbana, agressões, armas, gangues, enquanto as mulheres se tornam sentinelas para identificar violência doméstica e sexual, especialmente no pós-pandemia. Isso revela dimensões que não aparecem nas estatísticas formais e oferece um retrato sensível e territorializado da violência, fundamental para orientar políticas públicas mais precisas”, afirma o pesquisador Sidney Farias.

De acordo com os autores, as medidas de isolamento social adotadas durante a pandemia dificultaram a realização de visitas domiciliares e o acompanhamento das famílias, o que pode ter contribuído para a subnotificação de casos de violência doméstica naquele período. Com a retomada das atividades presenciais, muitos desses episódios passaram a aparecer com mais clareza nas comunidades.

Para a coordenadora Anya Vieira Meyer, investigar a violência a partir da perspectiva dos agentes comunitários é essencial para compreender os impactos no funcionamento da atenção primária. “No Brasil, a Estratégia de Saúde da Família organiza a atenção primária, que é o alicerce do SUS. O agente comunitário é um profissional ímpar, que vive e trabalha no território, estabelecendo vínculo direto com a população. Compreender a violência a partir desse olhar é fundamental, porque ela interfere diretamente na capacidade de cuidado”, explica.

A pesquisadora destaca ainda que os territórios com maior presença da Estratégia Saúde da Família são, muitas vezes, os mais vulneráveis. “O que nossos estudos têm demonstrado, desde 2019, é que nos locais com maiores indicadores de violência urbana é onde a estratégia está mais presente. Paradoxalmente, é também onde os profissionais enfrentam mais dificuldades de atuação. Ou seja, onde há maior necessidade de acesso à saúde pública, a violência acaba dificultando ou limitando o trabalho dos agentes comunitários”, completa.

Mesmo sendo frequentemente os primeiros profissionais a identificar situações de violência, os agentes comunitários ainda enfrentam limitações institucionais para lidar com esses casos. A ausência de protocolos claros, treinamento específico e mecanismos de apoio pode comprometer tanto a proteção desses trabalhadores quanto a capacidade de resposta do sistema de saúde às vítimas. O artigo tem entre os coautores as pesquisadoras da Universidade de Harvard Marcella Cardoso, Marcia Castro, Aisha Yousafzai e Annekathryn Goodman.

Nós APS Brasil

A rede Nós APS Brasil é formada por pesquisadores da Atenção Primária à Saúde no país. Criada em 2019, a partir da articulação entre a Rede Nordeste de Formação em Saúde da Família (Renasf) e a Rede Fiocruz Nordeste, a iniciativa tem como objetivo aprofundar o conhecimento sobre a atenção primária, especialmente no que diz respeito aos atores envolvidos na Estratégia Saúde da Família, por meio da análise de desafios e da proposição de caminhos para seu enfrentamento.

Autor: fiocruz
Fonte: fiocruz
Sítio Online da Publicação: fiocruz
Data: 23/03/2026
Publicação Original: https://fiocruz.br/noticia/2026/03/estudo-analisa-violencia-contra-agentes-comunitarios-de-saude

Fiocruz abre o ano letivo celebrando cultura, diversidade e saúde

"Venho reabrir as janelas da vida e cantar como jamais cantei esta felicidade ainda", cantou Teresa Cristina durante a aula inaugural Fiocruz 2026. Com um auditório lotado e aplaudida de pé, a convidada contou sua trajetória e emocionou a plateia com suas histórias, crenças e vivências. A Tenda da Ciência Virginia Schall foi o palco da celebração anual que colocou em evidência a relação entre cultura, diversidade e saúde, e recebeu também a Orquestra de Câmara e o Coral Fiocruz. O evento reuniu representantes institucionais, pesquisadores e estudantes em torno de um debate que reforça a importância de ampliar o conceito de saúde, incorporando dimensões sociais, históricas e culturais. A aula está disponível na íntegra no canal da Fiocruz no YouTube.




O encontro começou com a apresentação da Orquestra de Câmara da Fiocruz, que trouxe um repertório brasileiro especial, com composições de Alexandre Schubert e Sandra Mohr. A orquestra contou com 14 integrantes e a regência do maestro Celso Franzen Jr., coordenador pedagógico da iniciativa. O Coral Fiocruz, apresentou um repertório igualmente especial para a aula, homenageando Paulinho da Viola, sob a regência de Paulo Malaguti Pauleira.

A aula inaugural abre simbolicamente o calendário acadêmico da instituição e, neste ano, celebrou especialmente as notas conquistadas pela Fiocruz na avaliação quadrienal da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes). A mesa de abertura foi composta pela presidente em exercício da Fundação, Priscila Ferraz, a vice-presidente de Educação, Informação e Comunicação, Marly Cruz, a coordenadora-geral de Educação, Isabella Delgado, a diretora do Sindicato dos Servidores de Ciência, Tecnologia, Produção e Inovação em Saúde Pública (Asfoc-SN), Luciana Lindenmeyer, a coordenadora de Equidade, Diversidade, Inclusão e Políticas Afirmativas (Cedipa), Hilda Gomes e o representante da Associação de Pós-Graduandos da Fiocruz (APG-RJ), Gustavo Batista.

O papel da cultura na construção da cidadania, identidade e pertencimento

Demonstrando respeito extremo ao ambiente em que estava, Teresa Cristina contou que se arrumou como se arruma para ir ao seu terreiro: toda de branco. "Porque esta é uma casa de muito axé", disse ela. A cantora e compositora trouxe ao centro da sua apresentação o papel da cultura — especialmente do samba — como expressão de identidade, memória e resistência. Ao compartilhar sua trajetória e referências, a artista destacou como a cultura está diretamente ligada ao bem-estar, ao pertencimento e à construção de cidadania. Com voz firme e serena, Teresa evocou mestres para falar de seus aprendizados e usou diversas metáforas para contar da vida, compartilhando com o público memórias do samba, histórias e afetos.



Teresa Cristina (à esquerda) relembrou as lives que fez durante a pandemia, consideradas um bálsamo (Foto: Peter Illiciev)

Teresa contou sobre os caminhos não lineares que percorreu e ainda percorre na vida, e destacou a importância da escuta atenta aos mais velhos, do aprendizado construído na convivência e no respeito às tradições. Sua experiência deu forma concreta à ideia central do encontro: o conhecimento não se limita à academia e promover cultura é também promover saúde. Provocando Teresa em sua apresentação, Marly falou sobre a construção dessa artista que inspira tantas outras mulheres que trabalham com a educação, a cultura e também buscam esses espaços para se empoderarem mais. A vice-presidente também fez questão de lembrar a época da pandemia, momento difícil para a instituição, que tinha que tomar decisões rápidas para ajudar a salvar vidas.

"Naquele período, suas lives noturnas eram um bálsamo para muitos de nós. Preciso lhe agradecer! Como algumas colegas aqui já disseram, você salvou a minha vida! Obrigada por isso e por muito mais que você tem feito, compartilhando seus saberes, suas músicas e sua poesia. Enfim, um espaço democrático de muito aprendizado e afeto que você tem promovido. Seu samba ocupa um lugar importante na construção da identidade cultural, no fortalecimento de vínculos sociais e luta pela igualdade racial no Brasil, que ainda vive o mito da democracia da democracia racial. A obra de Teresa Cristina dialoga diretamente com o campo da saúde coletiva, o bem-viver, a cultura como importante determinante social da saúde, o direito à cidadania e à dignidade, conectando-se de maneira profunda com dimensões sociais e simbólicas da vida", disse Marly.

Em um clima de bate-papo íntimo, Teresa Cristina dividiu com o público as vivências sobre o processo de adoecimento da mãe, que sofre com a doença de Alzheimer — e o quanto acredita que as lives realizadas durante a pandemia junto com ela a ajudaram — e também falou sobre a construção da sua própria identidade. "Eu estou com 58 anos e demorei muito para gostar de mim, para me olhar no espelho e gostar do que eu estava vendo. Muita gente diz que eu salvei vidas com as lives, mas a verdade é que elas salvaram a minha também, e esticaram um pouquinho mais a consciência da minha mãe. Tenho certeza que dei a ela uma alegria que jamais pensava em ter na vida, porque o sonho da minha mãe sempre foi ser cantora", contou, aconselhando todos a beijarem e abraçarem suas mães enquanto podem.

Com delicadeza, mas sem perder a contundência, destacou que este ano de eleições não será fácil e apontou que todos precisam estar atentos, observar, não compartilhar fake news e, muito mais do que isso, não reeleger essas pessoas que já estão na política e fazem e dizem verdadeiras atrocidades. "Não vamos reeleger misóginos, não vamos reeleger homofóbicos, não vamos reeleger transfóbicos, não vamos reeleger negacionistas, não vamos reeleger quem fala mal da ciência, não vamos reeleger quem diz que não vai dar vacina para seus próprios filhos".



A aula inaugural terminou com Teresa Cristina cantando e emocionando o público (Foto: Peter Ilicciev)

Para terminar sua apresentação, Teresa Cristina, cantou a música De volta ao começo, de Gonzaguinha. "Eu espero que essa letra coloque dentro de vocês um pouquinho de esperança: é como se eu despertasse de um sonho que não me deixou viver. E a vida explodisse em meu peito com as cores que eu não sonhei. É como se eu descobrisse que a força esteve o tempo todo em mim. E é como se então, de repente, eu chegasse ao fundo do fim. De volta ao começo, ao fundo do fim, de volta ao começo". Ao concluir, ela exaltou: "viva a educação, viva a ciência, viva a Fiocruz!".

Memória, emoção e gratidão marcaram a aula

Bastante emocionada, a vice-presidente de Educação, Informação e Comunicação, Marly Cruz, falou sobre as trajetórias e representações presentes no encontro, destacando que atualmente a alta gestão da instituição tem significativa presença de mulheres e mulheres negras. Além disso, ela lembrou que a Fiocruz abarca diversos movimentos de inclusão e de enfrentamento das desigualdades nos espaços de produção de conhecimento e de formação, sempre "pensando a inclusão do ponto de vista de quem "faz com" e não de quem "faz para". Marly comentou sobre a necessidade de trabalhar melhor os processos culturais, valorizando a diversidade e enfrentando o movimento de colonialidade, e conclamou a todos a unirem forças no combate ao negacionismo, as fake news e à desinformação, questões que, segundo ela, "afetam também e diretamente o trabalho desenvolvido na instituição".



As vice-presidentes de Educação, Informação e Comunicação e de Produção e Inovação em Saúde, respectivamente Marly Cruz e Priscila Ferraz, na mesa de abertura da aula inaugural (Foto: Peter Illiciev)

A vice-presidente de Produção e Inovação em Saúde e presidente em exercício da Fiocruz, Priscila Ferraz, destacou o simbolismo de se ter uma mesa majoritariamente feminina no mês das mulheres, especialmente em um contexto em que a educação é predominantemente feminina, tanto o corpo docentes quanto discente da instituição. Ela apontou que ter o protagonismo feminino é um dos motivos de a sociedade enxergar a educação como vetor de transformação social. "Reforçamos a visão da Fiocruz como instrumento de melhoria da qualidade de vida das pessoas. Quando aliamos educação, cultura e diversidade, fazemos com que o conhecimento ganhe sentido, chegue efetivamente às pessoas e se torne um promotor de justiça social", defendeu Priscila.

A coordenadora-geral de Educação da Fiocruz, Isabella Delgado, reiterou a força e a representatividade desse momento ímpar, que é a aula inaugural, como o começo do novo ciclo da trajetória acadêmica de cada estudante, e convidou a todos para que tomem parte nesse pacto institucional de luta pela educação pública de qualidade e pelo fortalecimento do SUS. Também incentivou que conheçam as políticas e as iniciativas da Fiocruz e juntem-se aos que já estão nessa luta. "Não se calem! Não há neutralidade na vida e não há neutralidade na política". Ela falou ainda sobre a grande responsabilidade que vem atrelada aos feitos alcançados pela Fundação nos últimos meses, mantendo a instituição em um patamar de excelência na educação. "Os resultados definitivamente consagram a Fiocruz como instituição de excelência tanto no lato quanto no stricto sensu. Estamos muito felizes e orgulhosos desses indicadores que refletem o esforço coletivo de toda a instituição", disse.

A coordenadora da Cedipa, Hilda Gomes, lembrou que a Coordenação é uma conquista coletiva e está sempre voltada aos processos de construção da equidade e do respeito a todas as pessoas presentes na Fiocruz, principalmente as que fazem parte de grupos historicamente excluídos. "Buscamos a compreensão do olhar, pensando aqui de forma literal, do olhar para quem precisa, oferecendo acolhimento, empatia, apoio e o enfrentamento às violências que estão presentes na sociedade, mas sempre com um olhar, como diria Paulo Freire, de esperança, no sentido do esperançar".

Luciana falou sobre a honra de compor a mesa e ressaltou que a aula aconteceu como atividade de mobilização dos trabalhadores e trabalhadoras da Fiocruz pela aprovação do reconhecimento de resultados e aprendizagem (RRA). Ela aproveitou ainda para celebrar o início da chamada dos novos concursados e reforçou o lema da campanha de enfrentamento à violência contra as mulheres da Fiocruz: Por mulheres vivas, saudáveis e respeitadas. O representante discente Gustavo Batista detalhou as ações da APG e destacou a aprovação do PL 6.894/2013 como uma grande vitória dos pós-graduandos. Esse PL assegura direitos previdenciários a bolsistas de mestrado, doutorado e pós-doutorado da Capes, CNPq e outras agências, e garante acesso à aposentadoria, auxílio-doença e salário-maternidade, reconhecendo o trabalho dos pesquisadores, sem redução no valor das bolsas.

Autor: fiocruz

Fonte: fiocruz
Sítio Online da Publicação: fiocruz
Data: 23/03/2026
Publicação Original: https://fiocruz.br/noticia/2026/03/fiocruz-abre-o-ano-letivo-celebrando-cultura-diversidade-e-saude

Fiocruz inaugura exposição ´Pombal: do mangue ao mundo´

A Fiocruz entrega à população do Rio de Janeiro, inteiramente restaurada, uma das edificações históricas do seu núcleo original: o conjunto do Pombal, no campus de Manguinhos. O espaço abre ao público com a exposição de longa duração Pombal: do mangue ao mundo, dedicada a explorar as conexões entre ciência, território e meio ambiente. A inauguração, em 27 de março, às 9h, na Tenda da Ciência Virginia Schall, integra a agenda cultural em celebração dos 125 anos da Fundação. A abertura da exposição para o público acontece no sábado, dia 28 de março, a partir das 10h.



Arte: COC/Fiocruz.

A inauguração contará com a exibição do episódio Por trás dos tapumes, da série Fiocruz preservando o patrimônio das ciências e da saúde, e a apresentação do trailer do documentário O Pombal Gira, que resgata a memória do movimento cultural surgido na virada dos anos 1990, responsável por transformar o antigo biotério em um espaço de encontro, arte e convivência na Fiocruz. A atividade também prestará uma homenagem à Olga D’arc, idealizadora do movimento, reconhecendo seu papel fundamental na ressignificação do Pombal como espaço coletivo e cultural. A atividade se encerra com a inauguração oficial do espaço.

Integrada ao circuito de visitação do Museu da Vida Fiocruz, a mostra convida os visitantes a refletir sobre os impactos da urbanização, as desigualdades ambientais e os desafios contemporâneos que relacionam saúde e sustentabilidade. A abertura do Pombal é resultado do amplo processo de restauração conduzido pelo Departamento de Patrimônio Histórico (DPH) da instituição e do desenvolvimento de uma nova exposição de longa duração pelo Museu da Vida, a ação integra o plano de requalificação do Núcleo Arquitetônico Histórico de Manguinhos.

Construído em 1904, o conjunto foi projetado para abrigar animais de pequeno porte utilizados em pesquisas científicas. O Pombal também ficou marcado pelo uso de pombos-correio, que garantiam a comunicação entre o então Instituto Oswaldo Cruz e a Diretoria Geral de Saúde Pública, no centro do Rio de Janeiro na primeira metade do século 20.

De acordo com o vice-diretor de Patrimônio Cultural e Divulgação Científica da Casa de Oswaldo Cruz (COC/Fiocruz), Diego Vaz Bevilaqua, o Pombal se firma como um ponto de encontro entre patrimônio, ciência e sociedade, conectando a memória da pesquisa em saúde a debates contemporâneos sobre ambiente e sustentabilidade. “Com a nova exposição, o edifício passa a integrar pela primeira vez o circuito de visitação do Museu da Vida Fiocruz, ampliando as áreas abertas ao público no campus da Fiocruz. Pombal: do mangue ao mundo aborda um tema cada vez mais estratégico diante dos impactos das mudanças climáticas na saúde e nas condições de vida das populações”, afirma.

A exposição é organizada em módulos chamados “viveiros”. Enquanto o Viveiro Testemunho preserva estruturas originais do edifício, o Pombal de Memórias reúne depoimentos de antigos trabalhadores e pesquisadores. Outros viveiros abordam a transformação do bairro de Manguinhos, os efeitos da poluição na saúde, as desigualdades ambientais e a evolução ética da pesquisa científica.

A mostra conta com recursos de acessibilidade, como audiodescrição e vídeos em Libras. Os módulos e mobiliários foram projetados para garantir o acesso de pessoas com baixa mobilidade. A exposição apresenta textos em português e inglês.

Restauração e acessibilidade

Com arquitetura singular, o Pombal integra o conjunto histórico que deu origem à instituição e se consolidou como um dos símbolos da trajetória da pesquisa em saúde no país. Ao longo do tempo, o espaço acumulou diferentes camadas de uso e memória, incluindo iniciativas culturais que reforçaram sua vocação como local de encontro no campus histórico.

A restauração do Pombal compreendeu a recuperação dos oito módulos originais e da torre central, a estabilização do solo e das fundações, o restauro de acabamentos e de elementos decorativos inspirados na natureza (rocailles), a recomposição de revestimentos e a readequação das instalações elétricas. O projeto também incluiu intervenções de paisagismo e criação de espaços de convivência ao ar livre, além da adoção de soluções de acessibilidade.

Durante a obra, foram realizadas ações, como cursos de qualificação profissional e ciclo de palestras, no âmbito do Programa de Educação Patrimonial, além da iniciativa Canteiro Aberto, que promoveu visitas guiadas à obra, abertas ao público e conduzidas por arquitetos do DPH, em parceria com a empresa Biapó, responsável pela execução do projeto.

Parcerias institucionais

A abertura do Pombal, a nova exposição e o Programa de Educação Patrimonial são realizados pelo Ministério da Cultura e o Governo Federal do Brasil, em conjunto com a Casa de Oswaldo Cruz, com gestão cultural da Sociedade de Promoção Sociocultural da Fiocruz (SOCULTFio). O projeto conta com apoio financeiro do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e patrocínio do Instituto Vale, da Basf, da Enauta e da Bayer, por meio da Lei Federal de Incentivo à Cultura.

Serviço:
Inauguração do novo Pombal e da exposição Pombal: do mangue ao mundo;
Data: 27/3 (sexta-feira);
Horário: 9h;
Local: Tenda da Ciência Virginia Schall;

Abertura da exposição para o público: 28/3;
Local: Museu da Vida Fiocruz, campus da Fiocruz em Manguinhos, no Rio;
Endereço: Av. Brasil, 4365 – Manguinhos – Rio de Janeiro;
Entrada: Grátis;
Funcionamento: de terça a sexta, das 9h às 16h30, e aos sábados, das 10h às 16h.




Autor: fiocruz
Fonte: fiocruz
Sítio Online da Publicação: fiocruz
Data: 23/03/2026
Publicação Original: https://fiocruz.br/noticia/2026/03/fiocruz-inaugura-exposicao-pombal-do-mangue-ao-mundo

domingo, 22 de março de 2026

Energia solar espacial pode ajudar a ir além das metas de neutralidade carbónica



Durante muito tempo vista como fantasia distópica, a energia solar produzida no espaço poderá em breve transformar o setor das renováveis.

Em 1941, dois astronautas davam início à tarefa aparentemente impossível de treinar um robô para operar uma central de energia solar no espaço, capaz de transmitir energia por todo o Sistema Solar.

Era, claro, pura ficção o enredo distópico do conto “Reason”, do escritor de ficção científica Isaac Asimov. Mas, menos de duas décadas depois, cientistas reais começaram a questionar-se se as energias renováveis poderiam mesmo ser usadas no espaço.

No ano passado, investigadores do King’s College London concluíram que, até 2050, painéis solares no espaço poderiam reduzir em 80% a necessidade europeia de energia renovável produzida em terra. Mas será assim tão simples?
Energia solar espacial: o que é

Os sistemas de energia solar baseada no espaço (SBSP, na sigla em inglês) assentam numa constelação de satélites de muito grandes dimensões em órbita alta da Terra, onde o Sol é visível mais de 99% do tempo.

Estes satélites captariam energia solar com refletores semelhantes a espelhos e enviá-la-iam para um ponto fixo e seguro na Terra (sem ajuda de quaisquer robôs). Aí, seria convertida em eletricidade e injetada na rede para que pudesse chegar a casas e empresas.


Um novo estudo encomendado pelo Departamento de Segurança Energética e Net Zero (DESNZ) do Reino Unido sugere que sistemas SBSP de pequena escala poderão tornar-se competitivos em termos de custos com outras fontes comerciais de eletricidade já a partir de 2040, sobretudo se ligados à rede através de infraestruturas existentes, como parques eólicos offshore, por exemplo.
Energia solar espacial pode acabar com os combustíveis fósseis?

A transição mundial para longe dos combustíveis fósseis avança a passo lento, apesar do boom das renováveis.

A saída do petróleo e do gás tornou-se um dos temas mais polémicos na cimeira climática COP30 do ano passado, em Belém, apesar de não constar da agenda oficial. Mais de 90 países apoiaram a ideia de uma folha de rota que permitisse a cada Estado definir as suas próprias metas para eliminar gradualmente os combustíveis fósseis – mas qualquer referência a esse plano acabou retirada do acordo final.

Ainda assim, e pela primeira vez, a energia eólica e solar geraram mais eletricidade do que os combustíveis fósseis na UE em 2025, enquanto a produção fóssil desceu de 36,7% para 29% do mix elétrico do bloco.

“Todas as tecnologias de energia renovável terão um papel a desempenhar no combate às alterações climáticas, sobretudo quando se prevê que a procura de energia duplique até 2050”, afirma à Euronews Green o Dr. Adam Law, investigador associado no Centre for Renewable Energy Systems Technology (CREST) da Universidade de Loughborough.

A SBSP pode fornecer uma carga de base despachável, com potência potencialmente ilimitada, que evita o problema da intermitência.
Dr Adam Law
Investigador associado no Centre for Renewable Energy Systems Technology (CREST) da Universidade de Loughborough

As renováveis enfrentam problemas de intermitência por múltiplas razões, desde as condições meteorológicas à obsolescência da rede europeia. Foi por isso que o Reino Unido desperdiçou 1,47 mil milhões de libras (cerca de 1,67 mil milhões de euros) ao desligar turbinas eólicas (curtailment) e pagar a centrais a gás para entrarem em funcionamento.


“A SBSP beneficia do facto de haver muito mais luz solar disponível no espaço – 1 367 W/m2 de radiação contínua, contra um máximo de 1 000 W/m2 no equador e uma média de cerca de 100 W/m2 no Reino Unido, e os satélites na órbita certa veem o Sol praticamente todo o tempo”, acrescenta Law.
Quanto custa realmente a energia solar espacial

Em terra, a energia solar é considerada a fonte de eletricidade mais barata do mundo. Nos países mais soalheiros, produzir uma unidade de energia pode custar apenas 0,023 €, e a instalação é muito mais barata (e rápida) do que em renováveis como a eólica.

Levar esta tecnologia para o espaço, porém, não será barato. Relatórios recentes apontam que o desenvolvimento da SBSP poderá exigir 15,8 mil milhões de euros em investigação e desenvolvimento, ao longo de quatro fases, até chegar ao primeiro protótipo em órbita à escala de gigawatt.

“A dimensão dos lançamentos e da construção destas estruturas no espaço é enorme, por isso os custos iniciais serão elevados”, explica Law.

No entanto, os custos de lançamento desceram “de forma dramática”, o que ajuda a tornar a SBSP mais viável do ponto de vista económico. Segundo Law, isto deve-se sobretudo à SpaceX e ao advento dos foguetões reutilizáveis.

“Reduzir estes custos é crucial para tornar a SBSP uma realidade”, acrescenta, sublinhando que tornar as células solares simultaneamente acessíveis e resistentes à radiação será outro fator decisivo.

Embora muitas startups, como a Space Solar, no Reino Unido, e a Virtus Solis, nos Estados Unidos, estejam a desenvolver sistemas de SBSP graças a financiamento público e privado, a sua manutenção também não será tarefa simples – sobretudo se algo correr mal.


“Há potencial para um aumento de detritos em órbita, pelo que os sistemas terão de ser concebidos tendo estes fatores em conta, por exemplo recorrendo a configurações altamente modulares”, acrescenta Law.

A segurança do feixe de energia é outro risco a considerar. Mas Law sustenta que a sua intensidade será suficientemente baixa para evitar danos em pessoas e vida selvagem.

No conjunto, pôr a SBSP em prática “será difícil, mas isso não significa que não valha a pena”, acrescenta.

Enviar satélites para o espaço levanta, naturalmente, preocupações ambientais.

Em 2024, a agência espacial norte-americana NASA alertou que a SBSP poderá gerar emissões de gases com efeito de estufa comparáveis às dos atuais sistemas de energias renováveis – embora inferiores às dos combustíveis fósseis.
Energia solar espacial representa risco de segurança?

Sistemas de SBSP podem facilmente tornar-se alvo de Estados hostis que pretendam danificar, degradar ou impedir a capacidade de um rival fornecer eletricidade. Mesmo os planos para construir uma frota de parques eólicos offshore no mar do Norte, ligados a vários países europeus, já suscitaram receios de que sejam “alvos atrativos para sabotagem”.

Se as centrais de combustíveis fósseis são há muito consideradas vulneráveis a ataques, uma investigação de 2023, conduzida por televisões públicas da Dinamarca, Noruega, Suécia e Finlândia, revelou que a Rússia tinha um programa para sabotar parques eólicos e cabos de comunicação no mar do Norte.

Concluiu que a Rússia dispõe de uma frota de navios disfarçados de arrastões de pesca e embarcações de investigação que efetuam vigilância submarina e mapeiam locais-chave para uma eventual sabotagem.

“Tal como outras infraestruturas nacionais críticas, é um alvo tentador para cibercriminosos, agentes patrocinados por Estados e hacktivistas que queiram provocar disrupção ou ganhar vantagem geopolítica”, afirma a consultora Frazer-Nash, que no ano passado publicou um relatório sobre os desafios de segurança da SBSP.


O relatório sublinha a necessidade de conceber, desde início, satélites de energia solar com “segurança intrínseca e estratégias abrangentes de mitigação de riscos”.

Isso implica criar parcerias e acordos multinacionais para partilhar energia e reforçar a segurança, monitorizar continuamente as ameaças e garantir que as cadeias de fornecimento apresentam um esquema de cibersegurança “robusto”.

“Não abordar as principais áreas de segurança e risco nas fases iniciais de desenvolvimento pode limitar o seu promissor potencial antes mesmo de começar”, conclui a Frazer-Nash.




Autor: pt.euronews
Fonte: pt.euronews
Sítio Online da Publicação: pt.euronews
Data: 21/03/2026
Publicação Original: https://pt.euronews.com/2026/02/21/energia-solar-espacial-pode-ajudar-a-ir-alem-das-metas-de-neutralidade-carbonica

Clima em aquecimento favorece pinguins-rei, mas pode não ser boa notícia

"Ganhar para esta espécie pode significar perder para outra", alerta um cientista, sublinhando que a sobrevivência de umas pode comprometer a de outras.

Aquecimento do planeta tem vindo a perturbar o calendário da reprodução de plantas e animais, e isso costuma ser uma má notícia para espécies que dependem umas das outras – como quando as flores desabrocham demasiado cedo e as abelhas polinizadoras chegam tarde demais. Mas investigadores identificaram a rara criatura que está a beneficiar destas mudanças: o pinguim-real.






Um novo estudo sobre 19 000 pinguins-reais numa cadeia de ilhas subantárticas concluiu que a época de reprodução começa agora 19 dias mais cedo do que em 2000. O acasalamento antecipado aumentou a taxa de sucesso reprodutor em 40%, de acordo com um estudo publicado a 11 de março na revista Science Advances.

O estudo da sazonalidade na natureza chama-se fenologia. Tem sido uma grande preocupação para os biólogos porque predadores e presas, bem como polinizadores e plantas, estão na maioria dos casos a adaptar-se ao aquecimento do clima a ritmos diferentes. E isso provoca desajustamentos importantes no calendário.

O fenómeno é particularmente comum nas aves e em espécies polinizadoras como as abelhas. A maioria das aves, sobretudo na América do Norte, não está a acompanhar as alterações da fenologia, segundo o professor de ciências biológicas da Universidade de Clemson Casey Youngflesh, que não fez parte do estudo.

Pinguim-real adapta-se às alterações climáticas de forma "impressionante"

Ver uma espécie como o pinguim-real adaptar-se tão bem às mudanças sazonais e de calendário "não tem precedentes", afirma a coautora do estudo, Celine Le Bohec, ecóloga de aves marinhas na agência científica francesa CNRS. "É bastante impressionante."

Ao contrário de outros pinguins – que enfrentam a diminuição dos efetivos devido ao adiantamento da época de reprodução –, o pinguim-real consegue reproduzir-se desde o final de outubro até março. E está a tirar partido dessa flexibilidade, sublinha Le Bohec.


Estes pinguins estão a ter sucesso embora a água esteja a aquecer e a teia alimentar de que dependem também se esteja a alterar, explicam Le Bohec e o autor principal do estudo, Gaël Bardon, ecólogo de aves marinhas no Centro Científico do Mónaco.

"Conseguem ajustar muito bem o seu comportamento de alimentação", diz Bardon. "Sabemos que algumas aves vão diretamente para sul, para a frente polar. Outras seguem para norte. Outras mantêm-se em redor da colónia e, assim, conseguem adaptar o seu comportamento e é isso que, por agora, permite aos pinguins-reais lidar bastante bem com estas mudanças."

Le Bohec acrescenta que poderá ser apenas uma adaptação temporária a um ambiente que está a mudar rapidamente. "Por isso, por agora a espécie consegue lidar com esta mudança, mas até quando? Isso não sabemos, porque tudo está a acontecer muito, muito depressa."


Neste retrato cedido por Gaël Bardon, uma cria de pinguim-real sai do ovo na ilha Possession, arquipélago de Crozet, em 6 de janeiro de 2026. Gaël Bardon/CSM/CNRS/IPEV via AP
Porque lidam os pinguins-reais melhor do que outras espécies?

Outros pinguins com dietas mais restritas encontram-se mais ameaçados pelas alterações provocadas pelo aquecimento do oceano e pela transformação da cadeia alimentar. Já os pinguins-reais – tão abundantes que são classificados como espécie de menor preocupação – conseguem alimentar-se de outras presas para além do peixe-lanterna que domina a sua dieta, referem os investigadores.

"O pinguim-real poderá ter alguma flexibilidade como trunfo e estar bem colocado para se adaptar à medida que o seu ambiente se altera", afirma Michelle LaRue, professora de ciência marinha antártica na Universidade de Canterbury, na Nova Zelândia, que não fez parte do estudo. Mas diz interrogar-se sobre o que acontece depois da época de reprodução, dado que os pinguins-reais vivem 20 ou mais anos na natureza e este trabalho analisa apenas uma pequena parte do seu ciclo de vida.

Outros cientistas mostram-se tão cautelosos como Le Bohec e Bardon em declarar os pinguins-reais uma rara boa notícia climática.

"Ganhar, para esta espécie, pode significar perder para outra, se estiverem a competir pelos mesmos recursos", comenta Youngflesh, da Universidade de Clemson.

Ignacio Juarez Martinez, biólogo da Universidade de Oxford, no Reino Unido, que realizou um estudo sobre diferentes pinguins com épocas de reprodução mais precoces, afirma: "Este estudo mostra que os pinguins-reais podem ser, por agora, um dos vencedores, o que é uma excelente notícia, mas as alterações climáticas continuam e futuras mudanças nas correntes, na precipitação ou nas temperaturas podem anular estes ganhos."

Autor: pt.euronews
Fonte: pt.euronews
Sítio Online da Publicação: pt.euronews
Data: 12/03/2026
Publicação Original: https://pt.euronews.com/2026/03/12/clima-em-aquecimento-favorece-pinguins-rei-mas-pode-nao-ser-boa-noticia

Há uma bactéria que pode ajudar a limpar campos de batalha e torná-los novamente férteis

Investigadores do Centro Nacional de Biotecnologia de Espanha conseguiram que a bactéria Pseudomonas putida consumisse dinitrotolueno (DNT), um resíduo tóxico do TNT, como única fonte de energia. Este processo abre perspetivas para a descontaminação de solos em zonas de guerra.

O Centro Nacional de Biotecnologia do CSIC acaba de publicar na revista "Metabolic Engineering" um resultado que várias equipas internacionais tentavam obter há anos, sem sucesso: conseguir que uma bactéria não só tolerasse o 2,4-dinitrotolueno (DNT), mas também o utilizasse como alimento.

O DNT é um composto sintético intimamente ligado à produção de trinitrotolueno, mais conhecido como TNT. Não ocorre na natureza por si só; trata-se de um produto da indústria de armamento e é especialmente duradouro em solos contaminados por conflitos durante décadas, acumulando-se sem que os ecossistemas disponham de mecanismos eficazes para o remover.

A bactéria escolhida para a experiência foi a "Pseudomonas putida", um micro-organismo conhecido em microbiologia pela sua capacidade de sobreviver em ambientes hostis.

A equipa, liderada pelo investigador Víctor de Lorenzo, partiu de uma modificação genética anterior que forneceu à bactéria os genes necessários para degradar o DNT. O problema é que o facto de os ter não era suficiente: a bactéria não conseguia crescer na presença do composto.

Estratégia era forçá-la a adaptar-se

O método que resolveu o problema foi, de certa forma, brutal na sua simplicidade.

A equipa submeteu as bactérias a doses sub-letais de DNT de forma gradual, num ambiente em que os nutrientes convencionais estavam a ser eliminados. A ideia era forçar mutações que não só lhes permitissem sobreviver neste ambiente, mas também tornar o composto tóxico a única fonte possível de carbono e azoto.

"Após um ano de cultivo, conseguimos que as bactérias assimilassem o DNT como única fonte de nutrientes", explicou David Rodríguez-Espeso, investigador do CNB-CSIC e um dos autores do estudo. Os produtos finais do processo são biomassa celular, dióxido de carbono e água, o que implica a eliminação completa do composto e dos intermediários tóxicos gerados durante a sua degradação.


Processo de decomposição pelas novas bactérias, 20 março 2026 CSIC

A análise genética subsequente revelou alterações em mais de 50 genes relacionados com a resposta ao stress químico e com os mecanismos de reparação do ADN.


Foram estas alterações que permitiram que as bactérias tolerassem os derivados tóxicos que surgem antes de o DNT ser completamente degradado, precisamente onde as tentativas anteriores tinham falhado.
Por que motivo falharam is estudos anteriores

Antes deste trabalho, a investigação sobre a degradação bacteriana do DNT tinha identificado o sistema genético da bactéria Burkholderia capaz de crescer em solos contaminados com DNT. No entanto, ninguém tinha sido capaz de reproduzir este comportamento noutro organismo com eficácia suficiente para propor uma aplicação real.

"Não tinham conseguido encontrar uma bactéria que utilizasse o DNT como única fonte de carbono e de azoto", afirma De Lorenzo. A chave, segundo os autores, reside no facto de o processo exigir uma metodologia lenta, que não produz resultados a curto prazo. As abordagens anteriores procuravam atalhos que o problema não permitia.

O resultado agora publicado responde a essa questão: as bactérias precisavam de ajustes genéticos que não podiam ser introduzidos de uma só vez através da engenharia genética convencional, mas tinham de surgir através de uma evolução adaptativa guiada no laboratório.
Descontaminar o que a guerra deixou para trás

O solo contaminado por resíduos de explosivos é um dos problemas ambientais mais persistentes nas zonas pós-conflito. O DNT e os compostos relacionados acumulam-se no solo em redor de instalações militares, fábricas de armamento abandonadas e campos de batalha, com consequências tóxicas para os ecossistemas locais e para as pessoas que vivem nas proximidades.

As atuais soluções de descontaminação são, na sua maioria, físicas ou químicas, dispendiosas e difíceis de implementar em grande escala. A biologia sintética tem vindo a explorar alternativas microbianas desde há anos, mas poucos progressos concretos foram feitos.


Este trabalho, desenvolvido inteiramente em condições laboratoriais, ainda não é uma solução pronta para ser aplicada no terreno. Os investigadores são cautelosos quanto a este facto. Mas demonstra que é possível conceber microrganismos capazes de completar a degradação de um composto que a natureza, por si só, mal consegue processar.




Autor: pt.euronews
Fonte: pt.euronews
Sítio Online da Publicação: pt.euronews
Data: 20/03/2026
Publicação Original: https://pt.euronews.com/2026/03/20/ha-uma-bacteria-que-pode-pode-ajudar-a-limpar-campos-de-batalha-e-torna-los-novamente-fert

sexta-feira, 20 de março de 2026

Chamada vai apoiar cooperações científicas sul-americanas sobre resistência antimicrobiana

Chamada vai apoiar cooperações científicas sul-americanas sobre resistência antimicrobiana

Foto: Nulgur D/Wikimedia Commons

FAPESP irá cofinanciar projetos sobre diversos aspectos dos microrganismos super-resistentes na produção intensiva de animais com agências de fomento argentina, paraguaia, uruguaia e capixaba



A FAPESP participa de chamada para financiamento de projetos de pesquisa e transferência de conhecimento em Resistência Antimicrobiana (RAM) em conjunto com outras quatro agências de fomento com quem tem acordo de cooperação científica: o Conselho Nacional de Pesquisas Científicas e Técnicas (CONICET), da Argentina; a Agência Nacional de Pesquisa e Inovação (ANII), do Uruguai; o Conselho Nacional de Ciência e Tecnologia (CONACYT), do Paraguai; e a Fundação de Amparo à Pesquisa e Inovação do Espírito Santo (FAPES) – a chamada ainda conta com o apoio do Centro de Pesquisas para o Desenvolvimento (IDRC), do Canadá.

O edital dá o pontapé inicial do Programa Regional em Resistência Antimicrobiana 2026, que busca reafirmar o compromisso assumido na Declaração Política da Reunião de Alto Nível sobre Resistência aos Antimicrobianos, realizada na Assembleia Geral da ONU em setembro de 2024, com o objetivo de abordar a natureza multifacetada e transversal da resistência antimicrobiana e reduzir em 10% as fatalidades associadas à RAM até 2030.

Os proponentes deverão desenvolver pesquisas relacionadas à RAM no contexto da produção intensiva de animais para consumo humano na Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai. Deverão ser abordados diversos aspectos da RAM nas cadeias produtivas por meio da pesquisa científica, da formulação de políticas públicas e da implementação de adaptações produtivas, com o intuito de integrar e fortalecer as capacidades regionais sobre o tema; além disso, os projetos deverão promover a participação intersetorial, envolvendo cientistas, produtores e órgãos reguladores.

A Chamada define cinco eixos temáticos, um ou mais dos quais deverá ser contemplado pelas propostas, a saber: (i) Levantamento da Resistência Antimicrobiana (RAM) na Produção Animal; (ii) Levantamento de RAM no Ambiente; (iii) Desenvolvimento de metodologias e estratégias de mitigação; (iv) Desenvolvimento, promoção e uso de alternativas aos antimicrobianos promotores de crescimento; e (v) Desafios produtivos na mitigação da RAM.

As propostas devem ser assinadas por grupos de pesquisa de instituições localizadas em pelo menos dois dos territórios de abrangência das agências participantes. Cada grupo de pesquisa será representado por um Pesquisador Responsável (PR), sendo que um dos PRs do consórcio deverá ser designado como o representante do consórcio perante o CONICET, a agência líder da Chamada.

Os projetos terão duração máxima de 24 meses. Cada agência financiará os custos correspondentes aos seus grupos ou instituições.

Etapa de elegibilidade

Todas as propostas serão analisadas, em uma primeira etapa, para verificar sua elegibilidade à Chamada. As propostas que não forem elegíveis por pelo menos duas das agências participantes serão descartadas e não seguirão para análise do Comitê de Avaliação da Chamada – um órgão ad hoc composto por 5 especialistas reconhecidos, um designado por cada agência financiadora, e outro indicado por todas as agências de comum acordo.

Na FAPESP, são considerados elegíveis os pesquisadores vinculados a uma Instituição de Pesquisa ou Ensino Superior sediada no estado de São Paulo, privada ou pública, que atendam aos critérios de elegibilidade da modalidade Auxílio à Pesquisa Regular. Cada pesquisador pode participar de no máximo duas propostas, porém em apenas uma delas pode ser indicado como PR.

Submissão

O prazo para envio das propostas é 30 de abril. O PR dos consórcios multilaterais formados deverá apresentá-las no formulário de submissão ao CONICET. Adicionalmente, o PR do estado de São Paulo deverá submeter a proposta à FAPESP via SAGe (https://fapesp.br/sage).

Cabe ao Pesquisador Responsável pela proposta submetida à FAPESP garantir que os demais pesquisadores do consórcio, inclusive os pesquisadores dos demais territórios, sejam cadastrados no sistema SAGe e confirmem sua participação na proposta.

A chamada está disponível em https://fapesp.br/18082.




Autor: FAPERJ
Fonte: FAPERJ
Sítio Online da Publicação: FAPERJ
Data: 18/03/2026
Publicação Original: https://fapesp.br/18083/chamada-vai-apoiar-cooperacoes-cientificas-sul-americanas-sobre-resistencia-antimicrobiana

Uerj participa de evento nacional de tecnologia assistiva

Uerj participa de evento nacional de tecnologia assistiva

Claudia Jurberg

Alguns dos modelos testados e aprovados pelo Instituto Benjamin Constant: modelo 3D do ovo de Ascaris lumbricoides, conhecido popularmente como lombriga (amarelo); e modelo 3D da forma tripomastigota do parasita Trypanosoma cruzi (roxo) (Foto: Divulgação)


A Rede 3DucAssist, formada por nove laboratórios de universidades e institutos de pesquisa do Rio de Janeiro e de Mato Grosso, participará nos próximos dias 20 e 21 de março, da SisConec.TA 2026 – um evento nacional, realizado em Uberlândia (MG). O encontro reunirá profissionais, pesquisadores, empresas e usuários da Rede SisAssistiva para apresentar soluções inovadoras em Tecnologia Assistiva. Essa tecnologia desenvolve recursos e dispositivos destinados a ampliar a autonomia e a inclusão de pessoas com deficiência ou mobilidade reduzida.

A iniciativa 3DucAssist apresentará protótipos científicos desenvolvidos em impressoras 3D para tornar o ensino de Ciências mais acessível a estudantes com deficiência visual. Sediada na Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), a rede desenvolve materiais didático-pedagógicos adaptados, com alto contraste de cores, inscrições em Braille e texturas que possibilitam a compreensão tátil de estruturas biológicas e temas científicos. Entre os modelos produzidos, estão representações de vírus, vermes e animais brasileiros, voltadas ao Ensino Fundamental e Médio.

Durante a feira, a equipe promoverá uma oficina interativa para estimular o diálogo entre pessoas com e sem deficiência visual. Na atividade, participantes videntes observarão imagens de alguns protótipos como o crânio de animais silvestres e material sobre saúde e infecções parasitárias, e serão convidados a tentar identificá-los apenas pelo tato, explorando os modelos dentro de uma caixa escura. Já os participantes com deficiência visual poderão explorar os materiais por meio do toque, com apoio de audiodescrição. Miniaturas de alguns protótipos também serão distribuídas ao público.

Para o pesquisador da Uerj, Eduardo Torres, Cientista do Nosso Estado pela FAPERJ e coordenador da Rede 3DucAssist, o evento em Uberlândia será uma excelente oportunidade de divulgar as ferramentas do grupo e outras inovadoras para superar barreiras impostas pela deficiência visual e outras deficiências de forma a atender o Plano Nacional dos Direitos das Pessoas com Deficiência. "As equipes formadas por esses projetos em uma área tecnológica tão específica são essenciais para o País e, acredito que, na feira de Uberlândia, poderemos observar isso de perto. Por isso, é fundamental o apoio, a divulgação e termos a garantia que auxílios e bolsas de financiamento jamais faltarão tanto para os projetos como para a formação de recursos humanos", explica Torres.

A rede 3DucAssist é financiada pelo edital de Tecnologias Assistivas da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep) e reúne pesquisadores das áreas biológica, biomédica, ambiental, tecnológica e das ciências humanas. Participam da iniciativa o Instituto Benjamin Constant (IBC), a Escola Superior de Desenho Industrial (Esdi/Uerj), o Hospital Universitário Pedro Ernesto (Hupe/Uerj), a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), o Centro Nacional de Biologia Estrutural e Bioimagem (Cenabio/UFRJ) e a Universidade Católica Dom Bosco (UCDB), em Campo Grande, Mato Grosso do Sul.



Eduardo Torres: para o coordenador da Rede 3DucAssist, evento será uma excelente oportunidade de divulgar ferramentas inovadoras para superar barreiras impostas pela deficiência visual e outras deficiências (Foto: Divulgação)


Sobre a SisConec.TA 2026

A SisConec.TA 2026 tem como objetivo fortalecer a articulação nacional da Rede SisAssistiva, promovendo conexões entre projetos, empresas e instituições por meio da apresentação de tecnologias inovadoras. O evento também busca ampliar o acesso da sociedade às tecnologias assistivas, estimulando sua visibilidade e uso por profissionais, organizações públicas e privadas e, principalmente, pelos próprios usuários.

A programação reunirá representantes do governo federal, com destaque para o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), além de instituições estratégicas como Finep, Inmetro e Anvisa, institutos de ciência e tecnologia, startups, unidades Embrapii e pesquisadores de diferentes regiões do País. A proposta do encontro é integrar esforços, alinhar estratégias e fortalecer a rede nacional de inovação em tecnologia assistiva, aproximando ciência, indústria, políticas públicas e usuários finais em um mesmo ambiente colaborativo.

Será o primeiro e maior evento do setor realizado em Minas Gerais, dedicado à conexão entre pesquisa, desenvolvimento tecnológico e aplicação social. Durante os dois dias de programação, serão apresentados 26 projetos da Rede SisAssistiva, além de pitches de inovação, mostra interativa de protótipos, painéis de negócios e debates sobre políticas de incentivo, transferência de tecnologia e escalabilidade de produtos assistivos.




Autor: FAPERJ
Fonte: FAPERJ
Sítio Online da Publicação: FAPERJ
Data: 19/03/2026
Publicação Original: https://www.faperj.br/?id=989.7.8

Alunos do Ensino Médio participam de jornada do programa Jovens Talentos

Alunos do Ensino Médio participam de jornada do programa Jovens Talentos

Débora Motta e Marcos Patricio

Os professores Jorge Belizário, coordenador do Programa Jovens Talentos, e Luciana Espíndola, chefe do Departamento de Extensão do Cefet-RJ, deram as boas-vindas aos bolsistas na abertura da Jornada Jovens Talentos (Foto: Marcos Patricio)


Jovens do Ensino Médio de escolas públicas fluminenses que estão tendo o primeiro contato com o universo da pesquisa por meio do programa Jovens Talentos, da FAPERJ, apresentaram seus projetos de pré-iniciação científica na Jornada Jovens Talentos da Região Metropolitana/Serrana do Rio de Janeiro, realizada nesta terça-feira, 17 de março, no auditório do Centro Federal Educação Tecnológica Celso Suckow da Fonseca (Cefet-RJ), no campus Maracanã. Tradicional encontro realizado anualmente desde 2003, a Jornada apresenta os projetos desenvolvidos pelos bolsistas, ao longo dos 18 meses de duração de cada edital do programa, lançado regularmente pela Fundação. Despertando vocações científicas em vários municípios fluminenses, o evento acontece em cinco polos regionais do estado.

O Jovens Talentos foi criado em 1999. Em seus 27 anos de existência, já passaram pelo programa cerca de 12.700 estudantes. Em 2002, eles eram apenas 47 bolsistas. Hoje, são 738. No próximo dia 26 de março, deverá ser anunciado o edital de 2026, quando serão oferecidas mais 800 bolsas de pré-iniciação científica para o período (2026/2027).

O sucesso da iniciativa, entretanto, vai muito além dos números. Para muitos desses estudantes, a experiência no projeto significou uma mudança de vida. Serviu como estímulo para o ingresso na universidade e para a escolha da carreira acadêmica. Vários desses jovens fizeram mestrado e doutorado, e alguns deles hoje trabalham em instituições de pesquisa no Brasil e no exterior.

Cerca de 130 alunos do Ensino Médio, de escolas das regiões Metropolitana e Serrana do Rio de Janeiro, participaram da Jornada. Ao todo, 59 projetos foram apresentados durante o evento (Foto: Débora Motta)


Durante a abertura da Jornada, o coordenador do Programa Jovens Talentos, professor Jorge Belizário, destacou a importância do edital lançado pela FAPERJ, especialmente para alunos de Ensino Médio. “Esse programa transforma vidas. Jovens muito humildes, que nem sonhavam em entrar na universidade, passaram pelo Jovens Talentos e hoje são professores e pesquisadores. Temos mais de 30 ex-bolsistas que estão fazendo doutorado e pós-doutorado. É uma experiência que multiplica o conhecimento e gera impacto social nas famílias e na sociedade”, disse Belizário. Ele concluiu homenageando os professores orientadores dos bolsistas do programa e motivando os estudantes. “Aos alunos que hoje estão aqui, acreditem que vocês podem voar muito alto, só depende de vocês. Nós fornecemos a bolsa e os orientadores dão a oportunidade de passar para vocês o conhecimento e o apoio. Esse conjunto abre uma janela para vocês voarem, trilhando o caminho da honra e da honestidade no trabalho.”

Ao dar as boas-vindas aos participantes da Jornada, a professora Luciana Espíndola, chefe do Departamento de Extensão do Cefet-RJ, falou sobre a contribuição do programa na formação dos estudantes. “A gente percebe no aluno do Ensino Médio um amadurecimento muito grande quando ele é envolvido na dinâmica do desenvolvimento de um projeto, em que ele tem de participar de todas as etapas, no desenvolvimento da metodologia, na observação dos resultados. Depois ele tem que apresentar esses resultados em algum evento. Ele ganha a experiência de produzir um pôster. O aluno que passa por um programa de iniciação científica e de extensão, ainda no Ensino Médio, chega à graduação com uma vivência diferente. É um aluno que sabe desenvolver uma pesquisa, sabe fazer uma revisão de literatura, construir um pôster, que sabe se apresentar”, explicou. Luciana representou as professoras Renata Moura, diretora de Extensão, e Dayse Pastore, diretora de Ensino do Cefet-RJ.

Nesta edição, a Jornada Jovens Talentos da Região Metropolitana/Serrana recebeu 59 projetos e contou com a participação de 128 estudantes selecionados nos editais lançados em 2024 e 2025. Todos os trabalhos foram apresentados pelos alunos em uma sessão de pôsteres e analisados por dois avaliadores. O grupo de avaliadores é formado pelos professores orientadores das diversas escolas que participam do Programa. Os docentes não podem analisar os projetos desenvolvidos por alunos de sua unidade.

Entre os diversos trabalhos apresentados na sessão de pôsteres, estiveram em destaque os projetos “Desenvolvendo habilidades e conceitos matemáticos através de jogos de tabuleiros”, apresentado por Guilherme Figueira, do Cefet/RJ; “Cultivo de ambientes verdes como hortas e saúde mental: investigação de relações possíveis por meio de uma revisão de literatura”, de Gabriel Raposo Nunes Martins (Cefet/RJ); e “Garotas cientistas do IBC e do IFRJ: inclusão e protagonismo feminino na tecnologia acessível”, de Giovanna da Cunha Gonçalves, Ana Cláudia Marzano e Gabriela Paula Cista, do Instituto Federal do Rio de Janeiro – IFRJ (campus Engenheiro Paulo de Frontin) e Instituto Benjamin Constant (IBC).

Responsáveis por estimular e orientar os estudantes, os professores das unidades de ensino participantes avaliaram os projetos apresentados pelos bolsistas (Foto: Marcos Patricio)


Ao fim de um dia inteiro de apresentações, a equipe formada por Maria Clara Felício Pereira, Sophia Oliveira Fernandes e Talita de Araujo Dantas, do Instituto de Educação Rangel Pestana, de Nova Iguaçu, conquistou o primeiro lugar. Elas desenvolveram o projeto “Ancestralidade, vivências e o falar sobre si na formação do docente”, sob orientação da professora Patrícia Bastos de Azevedo, no campus Nova Iguaçu da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ). A estudante Luisa de Andrade Machado Simões, do Ciep 441 Mané Garrincha, em Magé, ficou em segundo lugar, com o trabalho “Diversidade da comunidade de fungos epifíticos e endofíticos de Piper rivinoides Kunth (Piperaceae) da Mata Atlântica”, realizado no Jardim Botânico do Rio de Janeiro (JBRJ). Luisa foi orientada pela professora Jéssica Regina Sales Felisberto. Em terceiro lugar, ficou o projeto “Recuperar: uma proposta interdisciplinar e transdisciplinar mediando dificuldades/transtornos de aprendizagem com apoio docente e discente dos jovens talentos”. O trabalho foi desenvolvido pelas alunas Clara Mauricio Alves e Thays Ferreira do Carmo, na Escola Técnica Estadual Ferreira Viana, no Maracanã, onde estudam. Elas foram orientadas pela professora Maria Clara Dutra Lopes Barbosa.

Animados com o desenvolvimento de seus trabalhos e com o resultado das jornadas de 2025, os participantes do programa já estão se preparando para a Jornada Jovens Talentos de 2026. Ela será realizada nos municípios de Bom Jesus do Itabapoana (regional Noroeste-RJ); São João da Barra (Norte); Paracambi (Centro-Sul); Itaboraí (Lagos); e no Jardim Botânico do Rio de Janeiro (Metropolitana-Serrana). As jornadas estão programadas para o período de outubro a dezembro. As datas serão anunciadas ao longo do ano.

Confira videorreportagem sobre projeto premiado desenvolvido por bolsistas do Programa Jovens Talentos no Canal da FAPERJ no YouTube




Autor: FAPERJ
Fonte: FAPERJ
Sítio Online da Publicação: FAPERJ
Data: 19/03/2026
Publicação Original: https://www.faperj.br/?id=987.7.5

segunda-feira, 9 de março de 2026

Biodiversidade nos rios de Inglaterra melhorou com a redução da poluição por metais

A melhoria da biodiversidade de água doce nos rios de Inglaterra está ligada à redução da poluição por zinco e cobre, em grande parte devido ao declínio da combustão do carvão e da indústria pesada, afirmam os investigadores.

Os invertebrados são utilizados como uma medida importante da biodiversidade e da saúde de um rio, e os dados da Agência do Ambiente mostram que se registou um aumento generalizado e significativo da riqueza de espécies em Inglaterra na década de 1990 e no início da década de 2000. No entanto, desde então, não se registaram mais melhorias significativas.

Por conseguinte, uma equipa de cientistas liderada pelo Centro de Ecologia e Hidrologia do Reino Unido (UKCEH) procurou as possíveis razões para este facto, utilizando modelação estatística para investigar uma vasta gama de diferentes fatores químicos e físicos, como a temperatura, o caudal do rio e a paisagem.

A equipa examinou uma grande quantidade de dados da Agência Ambiental – 65 000 observações individuais relacionadas com medições de poluentes e invertebrados de 1457 locais entre 1989 e 2018.

O estudo, financiado pelo Natural Environment Research Council, foi publicado na revista Environmental Science & Technology. Verificou-se que, embora as concentrações de amoníaco e matéria orgânica – fortemente associadas aos efluentes de esgotos – fossem importantes para influenciar a diversidade de invertebrados, a correlação com o zinco e o cobre era mais forte.

Declínio da extração de carvão e da indústria pesada

Segundo os investigadores, são várias as razões que explicam a redução da quantidade de zinco e cobre que entra nos nossos rios após a década de 1980:


Autor: sapo
Fonte: sapo
Sítio Online da Publicação: sapo
Data: 08/03/2026

E se pequenas moléculas de ouro ajudassem a tratar o cancro do ovário?

E se pequenas moléculas de ouro ajudassem a tratar o cancro do ovário?
Chamam-se complexos bisditiolatos de ouro e são nada mais, nada menos do que compostos com propriedades electrónicas e biológicas únicas. Por outras palavras, são pequenas moléculas orgânicas que envolvem (ou coordenam) um átomo de ouro e estão agora a ser estudadas por uma equipa portuguesa para tratar o cancro do ovário.



Autor: publico.pt
Fonte: publico.pt
Sítio Online da Publicação: publico.pt
Data: 08/03/2026

Serpentes perderam “hormona da fome” e tornaram-se especialistas em jejum


Serpentes perderam “hormona da fome” e tornaram-se especialistas em jejum
As serpentes são capazes de sobreviver meses sem comer, uma característica que intrigou cientistas de todo o mundo durante décadas. Agora, um novo estudo internacional, liderado por investigadores do Centro Interdisciplinar de Investigação Marinha e Ambiental (Ciimar) e da Faculdade de Ciências da Universidade do Porto (FCUP), revela que este feito extraordinário pode estar relacionado com a perda evolutiva de uma hormona-chave que regula a fome, tornando estes répteis especialistas em jejum.
https://www.publico.pt/2026/03/09/ciencia/noticia/serpentes-perderam-hormona-fome-tornaramse-especialistas-jejum-2166722
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Autor: publico.pt
Fonte: publico.pt
Sítio Online da Publicação: publico.pt
Data: 09/03/2026

segunda-feira, 2 de março de 2026

Fósseis sugerem cruzamento entre duas espécies de lince há milhares de anos


A análise dos fósseis encontrados na gruta de Serpenteko (Navarra) confirmou a presença histórica do lince-euroasiático no norte de Espanha e forneceu novas provas da sua coexistência e possível hibridização com o lince-ibérico há milhares de anos.

A descoberta foi feita num estudo liderado por investigadores da Universidade Complutense de Madrid (UCM), com a participação do Museu Nacional de Ciências Naturais (MNCN-CSIC), da Universidade do País Basco e da Sociedade Científica Aranzadi e publicado na revista "The Anatomical Record", noticiou a agência Efe.

Esta investigação ofereceu "informações inéditas" sobre a história evolutiva destes grandes felinos europeus, referiu o centro académico madrileno.

O estudo analisou os restos fósseis de três linces encontrados na Gruta de Serpenteko, no Vale de Erro datados entre 10.500 e 412 anos atrás, sob a supervisão de Nuria García, professora do Departamento de Geodinâmica, Estratigrafia e Paleontologia da Universidade Complutense de Madrid (UCM).

Os investigadores recolheram e analisaram uma amostra abrangente de espécimes atuais de lince-euroasiático (Lynx lynx) e lince-ibérico (Lynx pardinus), comparando-os com os fósseis recuperados no local.

Um estudo prévio de ADN mitocondrial, transmitido exclusivamente pela via materna, tinha atribuído os restos à espécie de lince-euroasiático, mas as novas análises anatómicas confirmaram esta atribuição em apenas dois dos indivíduos.

O terceiro apresentava características morfológicas típicas do lince-ibérico, apesar de possuir ADN de lince-euroasiático.

Hipótese de cruzamento das duas espécies de lince
Segundo a investigadora María Teresa Pérez, autora principal do artigo, este resultado abre caminho para a hipótese de hibridação entre as duas espécies, uma vez que o facto de o terceiro espécime apresentar características anatómicas compatíveis com o lince-ibérico sugere que poderá ter sido descendente de uma mãe lince-boreal e de um pai lince-ibérico.

Embora estudos recentes já tivessem demonstrado que o cruzamento entre as duas espécies ocorreu num passado recente, até então não tinha sido identificado qualquer fóssil atribuível a um indivíduo híbrido, e futuras análises de ADN nuclear serão cruciais para confirmar esta possibilidade.

Os investigadores realçaram a importância do facto de os restos fósseis mais antigos do sítio terem sido atribuídos ao lince-ibérico num território que, naquela época, era largamente ocupado pelo lince-euroasiático.

A descoberta permite propor, pela primeira vez na Península Ibérica, a coexistência de ambas as espécies a norte, situação já documentada noutros locais da região mediterrânica.


Autor: sicnoticias
Fonte: sicnoticias
Sítio Online da Publicação: sicnoticias
Data: 28/02/2026

Pela primeira vez, cientistas observam halos fantasmagóricos no topo das árvores, gerados por tempestades

Pela primeira vez, os investigadores detetaram e mediram descargas elétricas ténues, chamadas coronas, em árvores durante tempestades. O estudo revelou flashes quase invisíveis em galhos de várias espécies de árvores ao longo da costa leste dos EUA, sugerindo que as copas das árvores podem brilhar com uma fraca luz azul impercetível ao olho humano.

As copas das árvores também queimam as pontas das folhas. Dada a sua presença ubíqua nas florestas durante tempestades, os investigadores especularam que essas copas poderiam danificar o dossel, o que poderia influenciar a evolução das árvores para limitar tais danos.

Durante tempestades, as descargas corona podem queimar as pontas das folhas e dos galhos; a sua presença frequente em florestas levanta a questão de quanto elas influenciam a saúde e a evolução da copa das árvores.
Durante tempestades, as descargas corona podem queimar as pontas das folhas e dos galhos; a sua presença frequente em florestas levanta a questão de quanto elas influenciam a saúde e a evolução da copa das árvores.
“Estas coisas realmente acontecem; nós vimo-las; agora sabemos que elas existem”, disse Patrick McFarland, meteorologista da Universidade Estadual da Pensilvânia e principal autor do estudo. “Ter finalmente evidências concretas disso… é o que eu acho mais empolgante.”

O estudo foi publicado na Geophysical Research Letters, revista da AGU dedicada a artigos de alto impacto, inovadores e oportunos sobre os principais avanços em geociências.

Encontrando ténues brilhos entre as folhas
Durante quase um século, os cientistas suspeitaram que as plantas geravam estas descargas elétricas durante as tempestades, mas só agora conseguiram observá-las e medi-las na natureza. Anteriormente, elas só podiam ser inferidas a partir de mudanças no campo elétrico da floresta.

Experiências em laboratório demonstraram o mecanismo: a carga da tempestade induz uma carga oposta no solo, que sobe até às pontas das folhas e é libertada na forma de pequenas descargas chamadas halos.

“No laboratório, se apagar todas as luzes, fechar a porta e bloquear as janelas, mal consegue ver as coronas. Elas parecem um brilho azul”, disse McFarland, lembrando como a sua equipa recriou o fenómeno num ambiente fechado, colocando folhas de árvores aterradas sob placas de metal carregadas.



Autor: tempo
Fonte: tempo
Sítio Online da Publicação: tempo
Data: 02/03/2026

Cientistas descobrem ancestral da vida que já usava oxigênio

Uma das grandes questões sobre a origem da vida complexa — organismos com células nucleadas, como plantas, animais e fungos — sempre foi: como duas formas de vida tão diferentes se uniram para dar origem aos eucariotos? A hipótese mais aceita é que um micróbio ancestral absorveu outro, numa relação simbiótica que eventualmente se tornou permanente, criando a célula eucariótica típica de seres complexos. No entanto, isso parecia estranho porque um desses parceiros dependia de oxigênio, enquanto o outro parecia viver apenas em ambientes sem esse gás.


Agora, uma equipe liderada pela University of Texas at Austin apresentou evidências de que algumas arqueias do grupo Asgard — micróbios ancestrais dos eucariotos — tinham a capacidade não só de tolerar, mas também de usar oxigênio em seu metabolismo. Essas descobertas foram publicadas na revista científica Nature e ajudam a explicar como ocorreu essa união simbiótica fundamental para a evolução da vida complexa.



Representação artística de células - Getty Images
aventurasnahistoria
Uma das grandes questões sobre a origem da vida complexa — organismos com células nucleadas, como plantas, animais e fungos — sempre foi: como duas formas de vida tão diferentes se uniram para dar origem aos eucariotos? A hipótese mais aceita é que um micróbio ancestral absorveu outro, numa relação simbiótica que eventualmente se tornou permanente, criando a célula eucariótica típica de seres complexos. No entanto, isso parecia estranho porque um desses parceiros dependia de oxigênio, enquanto o outro parecia viver apenas em ambientes sem esse gás.

Agora, uma equipe liderada pela University of Texas at Austin apresentou evidências de que algumas arqueias do grupo Asgard — micróbios ancestrais dos eucariotos — tinham a capacidade não só de tolerar, mas também de usar oxigênio em seu metabolismo. Essas descobertas foram publicadas na revista científica Nature e ajudam a explicar como ocorreu essa união simbiótica fundamental para a evolução da vida complexa.


Primórdios da vida
As arqueias Asgard são um grupo de micróbios primitivos que incluem linhagens como Heimdallarchaeia, consideradas as mais próximas dos ancestrais de todos os organismos complexos atuais. Antes, esses micróbios eram detectados principalmente em ambientes sem oxigênio, como sedimentos marinhos profundos.

Mas, com uma análise de mais de 13 mil genomas microbianos coletados de sedimentos oceânicos e camadas de água rasas, os cientistas ampliaram a diversidade conhecida desses micróbios e descobriram que muitas linhagens viviam em locais onde havia oxigênio disponível.

Autor: aventurasnahistoria
Fonte: aventurasnahistoria
Sítio Online da Publicação: aventurasnahistoria
Data: 24/02/2026

domingo, 1 de março de 2026

Os homens de Neandertal eram os Romeus do mundo pré-histórico?

Eis uma interpretação possível do estudo publicado na quinta-feira na revista Science que descobriu que, quando os neandertais e os Homo sapiens se cruzaram, os casais eram predominantemente formados por homens neandertais e mulheres humanas.

Os cientistas sabem há muito tempo que alguns dos nossos antepassados se reproduziram com neandertais antes que a espécie se extinguisse, há cerca de 40.000 anos. Hoje, vestígios do ADN neandertal permanecem nos genomas de muitas pessoas, particularmente entre aquelas com ascendência não africana. Em média, isso representa cerca de um a dois por cento do genoma de uma pessoa.

No entanto, esses pedaços remanescentes de ADN não estão distribuídos uniformemente pelo genoma. Mesmo em pessoas com percentagens relativamente altas de ADN neandertal, como 4%, existem regiões específicas dos seus genomas – particularmente nos seus cromossomas X – desprovidas dele. 



Autor: nationalgeographic
Fonte: nationalgeographic
Sítio Online da Publicação: nationalgeographic
Data: 27/02/2026

China prepara novas missões espaciais para levar astronautas à Lua


Atualmente, a estação espacial chinesa opera de forma contínua em órbita. Desde o início da fase de aplicação e desenvolvimento, o programa executou seis missões tripuladas, quatro missões de reabaste


Autor: exame
Fonte: exame
Sítio Online da Publicação: exame
Data: 27/02/2026
Publicação Original: https://exame.com/mundo/china-prepara-novas-missoes-espaciais-para-levar-astronautas-a-lua/