terça-feira, 1 de setembro de 2026

Romeu Gomes recebe título de Pesquisador Emérito da Fiocruz

A Fiocruz concedeu, na quinta-feira (27/8), o título de Pesquisador Emérito ao professor e pesquisador Romeu Gomes, em cerimônia realizada no Instituto Nacional de Saúde da Mulher, da Criança e do Adolescente Fernandes Figueira (IFF/Fiocruz). A homenagem reconheceu a trajetória acadêmica, científica e institucional e a contribuição de Gomes para o fortalecimento da Saúde Coletiva. A data também faz referência à Política Nacional de Atenção Integral à Saúde do Homem (PNAISH), instituída no Brasil em 27 de agosto de 2009, e cuja construção contou com a participação do pesquisador.



Romeu Gomes (ao centro), junto com a esposa Orsinda e a filha Clarissa. À esquerda, o presidente da Fiocruz, Mario Moreira, e à direita o diretor do IFF, Antônio Flávio Meirelles

A cerimônia reuniu trabalhadores, pesquisadores, estudantes e familiares. Participaram da abertura o presidente da Fiocruz, Mario Moreira, o diretor do IFF/Fiocruz, Antônio Flávio Meirelles, a professora e pesquisadora Suely Deslandes e o homenageado Romeu Gomes. Na ocasião, Suely destacou que a trajetória de Romeu reúne “a excelência da pesquisa, do ensino e da assistência”.

Antônio Flávio Meirelles citou o caráter inédito da homenagem, já que Romeu é o primeiro pesquisador emérito do IFF/Fiocruz, e mencionou a aprovação unânime da indicação pelo Conselho Deliberativo da Fiocruz. O diretor fez referência à atuação do pesquisador na pós-graduação e ao papel desempenhado na formação de dezenas de pesquisadores.

Mario Moreira afirmou que a homenagem a pesquisadores eméritos também representa uma celebração da própria Fiocruz e da ciência produzida pela instituição. Para o presidente, o reconhecimento está relacionado não apenas à produção acadêmica, mas ao compromisso com as políticas públicas e com o Sistema Único de Saúde.

A contribuição de Romeu para a formação de pesquisadores foi reforçada por seus orientandos. O coordenador da Rede de Bancos de Leite Humano da Fiocruz e autor da primeira tese de doutorado do Instituto orientada pelo pesquisador, João Aprígio, afirmou que sua relação com Romeu ultrapassou a orientação de uma pesquisa. Para ele, o processo de orientação foi fundamental para aproximar diferentes áreas do conhecimento e contribuiu para a construção de políticas públicas na área do aleitamento humano.

Para o doutorando em Saúde Coletiva do IFF/Fiocruz Gleydson Paiva, a generosidade de Romeu no ensino foi um dos aspectos que mais marcam a trajetória. Paiva também ressaltou a disponibilidade do pesquisador e a sensibilidade para compreender a rotina de um doutorando trabalhador.



Dirigentes, pesquisadores e alunos celebram a homenagem a Romeu Gomes

Na sequência, Suely Deslandes apresentou a trajetória profissional e acadêmica de Romeu Gomes. Ele foi um dos responsáveis pela criação do curso de Doutorado em Saúde da Criança e da Mulher do IFF/Fiocruz, coordenou o Programa de Pós-Graduação e teve papel fundamental na consolidação das Ciências Sociais e Humanas em Saúde. Ao longo de sua jornada, orientou mais de 70 pesquisadores no IFF/Fiocruz, entre estudantes de iniciação científica, mestrandos, doutorandos e pós-doutorandos, além de participar e coordenar pesquisas de abrangência nacional.

A pesquisadora frisou sua ampla produção científica, composta por quase 200 artigos publicados, livros e capítulos, além de sua atuação contínua na pesquisa, no ensino e na formação de novos pesquisadores, mesmo após a aposentadoria. Na visão de Suely, a homenagem representa o reconhecimento dos valores que a instituição deseja preservar. “A ciência é feita de pessoas. E quando a gente atribui uma honraria, na verdade, todos esses símbolos de reconhecimento social, eles falam dos valores que aquela comunidade quer ver reforçada, quer ver reconhecida como valiosa”.

Após a leitura e a entrega oficial do diploma de Pesquisador Emérito, Romeu Gomes fez seu pronunciamento e relembrou momentos de sua trajetória acadêmica, desde a parceria com a também pesquisadora emérita Cecília Minayo, iniciada na década de 1980, até sua chegada à Fiocruz e ao IFF. O pesquisador destacou a importância das experiências vividas no Instituto para sua formação profissional e pessoal. “Consegui aprender muita coisa aqui”, afirmou Romeu, ao falar sobre o convívio com colegas e pesquisadores do IFF/Fiocruz. Ele também falou sobre o aprendizado proporcionado pela atuação em uma instituição hospitalar e pelo contato com profissionais de diferentes áreas. “O hospital é um lugar de cuidados, não só um lugar de prestar socorro”.

Ao encerrar seu discurso, Romeu agradeceu aos colegas, orientandos, familiares e às pessoas que fizeram parte de sua trajetória e deixou uma mensagem que sintetizou o espírito da homenagem: “Não pensem vocês que legado é alguma coisa que se deixa, não, porque eu vou continuar”, concluiu.

Período eleitoral

Durante o período eleitoral (de 4 de julho até 25 de outubro), os conteúdos digitais publicados e disponibilizados pela Agência Fiocruz de Notícias (AFN) acompanham as orientações da Advocacia-Geral da União (AGU) e da Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República (Secom). O documento esclarece que é permitida a divulgação de "conteúdo meramente informativo ou de serviço ao cidadão".

Autor: fiocruz
Fonte: fiocruz
Sítio Online da Publicação: fiocruz
Data: 28/08/2026
Publicação Original: https://fiocruz.br/noticia/2026/08/romeu-gomes-recebe-titulo-de-pesquisador-emerito-da-fiocruz

Pesquisadores divulgam nota técnica sobre cigarros eletrônicos e desinformação

Pesquisadores da Fiocruz produziram uma nota técnica com dados sobre a circulação de vídeos desinformativos sobre os cigarros eletrônicos no YouTube. Os conteúdos produzidos em canais brasileiros negam evidências científicas sobre os riscos da nicotina e desacreditam autoridades sanitárias. De acordo com os pesquisadores, o formato opinativo dos vídeos é uma estratégia para burlar as leis que proíbem a publicidade do tabaco na internet brasileira desde 2000.



Estudo indica a urgência de ajuste à legislação brasileira, que proíbe a publicidade do tabaco na internet desde 2000 e a venda de vape desde 2009 (Foto: Freepik)

Os cigarros eletrônicos são proibidos no Brasil, pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), desde 2009. Eles causam dependência e provocam a doença denominada evali, causadora de lesões no pulmão. Pessoas entre 15 e 24 anos somam cerca de 70% dos usuários desses dispositivos eletrônicos para fumar no Brasil.

Nota técnica

O vape desafia três décadas de conquistas de políticas públicas contra o tabaco, por meio do Programa Nacional de Controle do Tabagismo (PNCT). A nota técnica, produzida por pesquisadores do Instituto de Comunicação e Informação Científica e Tecnológica em Saúde (Icict/Fiocruz), indica que, entre 2023 e 2024, houve um aumento no número de fumantes no Brasil, passando de 9,3% para 11,6% de adultos fumantes no país. O enfrentamento das doenças causadas pelo tabagismo representa um custo anual de R$ 153 bilhões para o Sistema Único de Saúde (SUS).

Os cinco canais identificados na nota acumularam mais de 6 milhões de visualizações e somam 400 mil pessoas inscritas. Os conteúdos são recomendados pelo YouTube em buscas sobre os cigarros eletrônicos. Eles ensinam como usar o produto, avaliam os modelos, oferecem cupons de desconto e links para adquirir o vape, além de trazer entrevistas com especialistas defensores do cigarro eletrônico.

A nota identificou que o YouTube apresenta uma autorregulação frágil, ao desconsiderar leis como o Código de Defesa do Consumidor, a Lei Anti Fumo e o Eca Digital. A plataforma não menciona, em sua seção de publicidade, a proibição legal de propaganda de tabaco e cigarros eletrônicos no Brasil; e a sinalização de conteúdo restrito a maiores de 18 anos foi aplicada de forma esporádica. O estudo técnico defende uma articulação intersetorial entre Estado e sociedade civil para propor soluções para ampliar a segurança dos brasileiros no YouTube, diante do avanço da desinformação sobre tabaco e da promoção dos cigarros eletrônicos.

Recomendações

Celebrar um acordo de cooperação com o YouTube, destinado a oferecer maior segurança aos cidadãos brasileiros no que se refere à proibição da publicidade do tabaco nos canais brasileiros. Nesse contexto, sugere-se uma parceria entre atores da comunicação pública, influenciadores digitais e o YouTube para promover, gratuitamente, conteúdos informativos sobre o risco dos cigarros eletrônicos.

Sugere-se, com base no Decreto n.º 12.975/2026, que os provedores de aplicações de internet tenham transparência sobre estratégias usadas para a avaliação de riscos, moderação, recomendação e monetização sobre os temas relativos ao tabaco nas plataformas. Tais medidas são relevantes no contexto do ECA Digital, pois atuam como medidas preventivas para evitar a iniciação de jovens e adolescentes no uso de dispositivos eletrônicos para fumar.

Período eleitoral

Durante o período eleitoral (de 4 de julho até 25 de outubro), os conteúdos digitais publicados e disponibilizados pela Agência Fiocruz de Notícias (AFN) acompanham as orientações da Advocacia-Geral da União (AGU) e da Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República (Secom). O documento esclarece que é permitida a divulgação de "conteúdo meramente informativo ou de serviço ao cidadão".



Autor: fiocruz
Fonte: fiocruz
Sítio Online da Publicação: fiocruz
Data: 28/08/2026
Publicação Original: https://fiocruz.br/noticia/2026/08/pesquisadores-divulgam-nota-tecnica-sobre-cigarros-eletronicos-e-desinformacao

InfoGripe: apenas três estados têm incidência de SRAG com sinal de crescimento

Divulgada nesta quinta-feira (27/8), a nova edição do Boletim InfoGripe da Fiocruz mostra que 3 das 27 unidades federativas (UF) - Alagoas, Mato Grosso e Roraima - apresentam incidência de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) em nível de alerta, risco ou alto risco nas últimas duas semanas, com sinal de crescimento na tendência de longo prazo. Oito UF também apresentam incidência de SRAG em níveis de alerta, risco ou alto risco, mas sem sinal de crescimento na tendência de longo prazo (Amazonas, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Paraná, Rio Grande do Sul, Rio de Janeiro, Santa Catarina e Sergipe). No cenário nacional, há um leve sinal de aumento dos casos de SRAG nas crianças e adolescentes de 2 a 14 anos, associado principalmente ao rinovírus. A análise é referente à Semana Epidemiológica 33, período de 16 a 22 de agosto.

De acordo com os pesquisadores do InfoGripe, os dados laboratoriais por faixa etária indicam que o aumento dos casos de SRAG nas crianças e adolescentes tem sido impulsionado principalmente pelo rinovírus. Já a diminuição dos casos de SRAG nas crianças menores de 2 anos se deve à queda do número de hospitalizações por VSR, enquanto a queda de SRAG nas demais faixas etárias é atribuída especialmente a diminuição das hospitalizações pelo vírus da influenza.



Estados e capitais

O aumento do número de casos de SRAG no Mato Grosso e em Roraima tem se concentrado especialmente nas crianças de 2 a 4 anos, enquanto em Alagoas o amento tem ocorrido principalmente nas crianças e adolescentes de 2 a 14 anos. Não há dados laboratoriais suficientes para determinar o vírus responsável por esse crescimento, mas devido ao cenário epidemiológico nacional e a faixa etária afetada, é possível que esse aumento esteja sendo impulsionado principalmente pelo rinovírus, em menor escala, pelo metapneumovírus.

O período da sazonalidade da influenza A já se encerrou no país. Os casos graves por influenza B têm apresentado leve aumento na Bahia e no Mato Grosso. As ocorrências de SRAG por vírus sincicial respiratório (VSR) continuam caindo, mas ainda estão em níveis altos de incidência em Roraima. Apesar da queda, os casos de SRAG por VSR estão um pouco elevados para esta época do ano em Minas Gerais, Mato Grosso do Sul, Bahia, Minas Gerais, Paraná, Bahia, Mato Grosso do Sul, Paraná, Rio de Janeiro, São Paulo, Santa Catarina, Sergipe e Rio Grande do Sul. Em relação à Covid-19, todas as UF estão em um patamar baixo de incidência.

Quatro das 27 capitais apresentam nível de atividade de SRAG em alerta, risco ou alto risco (últimas duas semanas) com sinal de crescimento de SRAG na tendência de longo prazo (últimas 6 semanas) até a semana 33: Aracaju (SE), Belém (PA), Boa Vista (RR) e Joao Pessoa (PB).

Dados epidemiológicos

Nas quatro últimas semanas epidemiológicas, a proporção entre os casos positivos foi de 4,4% de influenza A, 8,2% de influenza B, 38,7% de vírus sincicial respiratório, 38,3% de rinovírus e 1,6% de Sars-CoV-2 (Covid-19) 19). Entre os óbitos, a presença destes mesmos vírus entre os positivos e no mesmo recorte temporal foi de 16,5% de influenza A, 18% de influenza B, 24% de vírus sincicial respiratório, 32% de rinovírus e 5,5% de Sars-CoV-2 (Covid-19).

Referente ao ano epidemiológico 2026, já foram notificados 141.009 casos de SRAG, sendo 76.126 (54%) com resultado laboratorial positivo para algum vírus respiratório, 49.389 (35%) negativos, e ao menos 7.392 (5,2%) aguardando resultado laboratorial. Dados de positividade para semanas recentes estão sujeitos a grandes alterações em atualizações seguintes por conta do fluxo de notificação de casos e inserção do resultado laboratorial associado.

Dentre os casos positivos do ano corrente, observou-se 17,9% de influenza A, 5,4% de influenza B, 42% de vírus sincicial respiratório, 30,4% de rinovírus e 3,9% de Sars-CoV-2 (Covid-19). Nas quatro últimas semanas epidemiológicas, a prevalência entre os casos positivos foi de 4,4% de influenza A, 8,2% de influenza B, 38,7% de vírus sincicial respiratório, 38,3% de rinovírus e 1,6% de Sars-CoV-2 (Covid-19).

No ano epidemiológico 2026 já foram notificados 141.009 casos de SRAG, sendo 76.126 (54%) com resultado laboratorial positivo para algum vírus respiratório, 49.389 (35%) negativos e ao menos 7.392 (5,2%) aguardando resultado laboratorial.

Incidência e mortalidade

A incidência e mortalidade semanal média, nas últimas oito semanas epidemiológicas, mantêm o cenário típico de maior impacto nos extremos das faixas etárias analisadas. Enquanto a incidência de SRAG apresenta impacto mais elevado nas crianças até 2 anos, em termos de mortalidade há o inverso, com a população a partir de 65 anos sendo a mais impactada.

A incidência de SRAG é mais elevada nas crianças pequenas e está associada principalmente ao VSR. Já a mortalidade é maior entre os idosos, tendo como principal causa o vírus da influenza A, rinovírus e VSR. O VSR e o rinovírus também se destacam como principais causas de mortalidade nas crianças pequenas. A incidência de SRAG por Covid-19 continua baixa em todas as faixas etárias.

Período eleitoral

Durante o período eleitoral (de 4 de julho até 25 de outubro), os conteúdos digitais publicados e disponibilizados pela Agência Fiocruz de Notícias (AFN) acompanham as orientações da Advocacia-Geral da União (AGU) e da Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República (Secom). O documento esclarece que é permitida a divulgação de "conteúdo meramente informativo ou de serviço ao cidadão".




Autor: fiocruz
Fonte: fiocruz
Sítio Online da Publicação: fiocruz
Data: 27/08/2026
Publicação Original: https://fiocruz.br/noticia/2026/08/infogripe-apenas-tres-estados-tem-incidencia-de-srag-com-sinal-de-crescimento

quarta-feira, 26 de agosto de 2026

Espanha: cancro faz disparar interesse por testamentos solidários



Cancro já causa 26,3% das mortes em Espanha. Neste contexto, cresce o número de pessoas que deixam causas sociais em herança e o interesse por testamentos solidários atingiu um máximo em 2025.


O cancro consolidou-se como a principal causa de morte em Espanha e, ao mesmo tempo, cresce o número de pessoas que decidem deixar parte do seu património para financiar a investigação oncológica. A Fundação CRIS Contra o Cancro afirma que o interesse pelos testamentos solidários aumentou 49% em 2025 face ao ano anterior, uma tendência que praticamente se quintuplicou nos últimos cinco anos.

Este aumento coincide com o auge deste tipo de doação em Espanha. Segundo dados da plataforma Haz Testamento Solidario, em 2025 foi atingido um máximo histórico de 9 413 pessoas interessadas neste tipo de legado. Nesse mesmo ano, as organizações participantes receberam 548 testamentos solidários, com um valor global próximo dos 50 milhões de euros.

A fundação enquadra este crescimento num contexto em que o cancro se consolidou como principal causa de morte em Espanha. De acordo com os dados mais recentes do Instituto Nacional de Estatística (INE), a doença representa 26,3% de todas as mortes e soma três anos consecutivos como principal causa de óbito no país.

Segundo a experiência da organização, três em cada quatro pessoas interessadas em fazer um testamento solidário são mulheres e, em muitos casos, pacientes, sobreviventes ou familiares que conviveram com o cancro. Os bens habitualmente incluídos nestes legados vão desde habitações, poupanças, planos de pensões, ações ou propriedades rústicas, que muitas vezes são divididos entre os herdeiros e projetos de investigação.



Autor: pt.euronews
Fonte: pt.euronews
Sítio Online da Publicação: pt.euronews
Data: 04/07/2026

País Basco reduz em 50% mortalidade por cancro do cólon com programa de rastreio


Um estudo espanhol relaciona o programa de rastreio precoce implementado no País Basco com uma redução de 50% nas mortes por cancro colorretal entre os 50 e os 69 anos.

Rastreio do cancro do cólon com uma simples análise de sangue oculto nas fezes pode salvar milhares de vidas. Assim o demonstra um dos maiores estudos realizados até à data em Espanha, que conclui que este programa de deteção precoce está associado a uma redução de 50% da mortalidade por cancro colorretal entre as pessoas dos 50 aos 69 anos.

A investigação, publicada esta quarta-feira em “JAMA Network Open (fonte em espanhol)”, analisou a evolução desta doença ao longo de 21 anos numa população de cerca de 2,2 milhões de habitantes do País Basco. Os resultados mostram que a diminuição das mortes começou apenas três anos depois da implementação do programa de rastreio e se manteve de forma sustentada.

Além de reduzir a mortalidade, o programa permitiu detetar 70,8% dos tumores nos estádios I e II, quando as hipóteses de cura são muito maiores e os tratamentos são menos agressivos.

Estudo liderado pelo médico Luis Bujanda analisou os dados de mortalidade registados entre 2004 e 2024. Nesse período contabilizaram-se 438.134 mortes por qualquer causa, das quais 16.298 estiveram relacionadas com o cancro colorretal.

No grupo etário abrangido pelo programa de rastreio, entre os 50 e os 69 anos, a taxa de mortalidade passou de 39,7 para 19,8 óbitos por cada 100.000 habitantes, o que representa uma descida de 50,1%. No conjunto da população, a mortalidade também diminuiu, ao passar de 32,8 para 23,1 mortes por cada 100.000 habitantes.

Investigadores identificaram um ponto de viragem em 2012, apenas três anos após o início do programa, o que reforça a associação entre o rastreio e a redução das mortes por cancro colorretal. Além disso, estimam que, sem a implementação deste sistema de deteção precoce, a mortalidade entre as pessoas dos 50 aos 69 anos teria sido 46,2% superior.
Prova simples permite detetar o cancro antes de surgirem sintomas

Programa de rastreio assenta no teste imunológico fecal (FIT), um exame não invasivo que deteta pequenas quantidades de sangue oculto nas fezes, um dos primeiros sinais de um possível cancro ou de lesões pré-cancerosas. No País Basco, este exame é oferecido de dois em dois anos a homens e mulheres entre os 50 e os 69 anos sem sintomas. Se o resultado for positivo, é realizada uma colonoscopia para confirmar o diagnóstico.

Ao longo do período analisado, o programa permitiu detetar 4.892 casos de cancro colorretal. Mais de sete em cada dez foram diagnosticados nos estádios I ou II, quando as opções de tratamento são mais eficazes e a sobrevivência é significativamente maior.
Estudo reforça programas de deteção precoce

Cancro colorretal é um dos tumores mais frequentes e uma das principais causas de morte por cancro tanto em Espanha como no resto do mundo. No entanto, detetá-lo de forma precoce aumenta consideravelmente as hipóteses de cura e permite mesmo retirar pólipos antes de se transformarem num tumor maligno.

Para os autores, os resultados confirmam o benefício a longo prazo dos programas organizados de rastreio com recurso ao teste imunológico fecal como estratégia de saúde pública para reduzir a mortalidade por cancro colorretal.

Ainda assim, lembram que se trata de um estudo observacional. Isto significa que os resultados mostram uma associação entre a implementação do programa e a redução da mortalidade, embora não permitam estabelecer uma relação de causa e efeito com a mesma certeza que um ensaio clínico.

Mesmo assim, a dimensão da descida observada e a sua manutenção ao longo de mais de duas décadas reforçam o valor do rastreio como uma das principais ferramentas para combater este tipo de cancro.



Autor: pt.euronews
Fonte: pt.euronews
Sítio Online da Publicação: pt.euronews
Data: 05/07/2026

Estudo revela que 5% dos ursos-pardos da Cantábria conseguem enganar sobre o tamanho


O “Journal of Mammalogy” confirma, com foto-armadilhagem, que uma minoria de “Ursus arctos” exagera a altura das marcas para parecer maior e mais ameaçadora, revelando a astúcia dos mamíferos

O ser humano não é o único mamífero capaz de enganar os seus congéneres. É o que mostra este estudo centrado nos ursos-pardos da Cordilheira Cantábrica, realizado com a colaboração de especialistas do CSIC, do FAPAS, de várias universidades espanholas e europeias e do Principado das Astúrias.

O estudo publicado na revista “Journal of Mammalogy” (fonte em espanhol) defende que uma minoria dos ursos distribuídos pelas cumeadas de Leão, Astúrias e Cantábria poderá estar a ‘mentir’ sobre o seu verdadeiro tamanho para evitar enfrentar rivais maiores. Como? Através dos sinais e marcas que estes mamíferos deixam no ambiente para marcar território.

Sete machos (4,3% dos 164 monitorizados) fizeram marcações exageradamente altas, trepando ou utilizando troncos e outros tipos de plataformas para deixar o seu rasto a uma altura superior à que o seu verdadeiro tamanho permitiria. Destes, 57,1% eram adultos e 42,9% adolescentes. “Estes resultados sugerem que os ursos-pardos conseguem manipular sinais índice que antes se consideravam impossíveis de falsear, o que acrescenta complexidade ao seu sistema de comunicação”, resumem os autores.

Para investigar este comportamento, a equipa monitorizou 14 pontos de marcação na Cordilheira Cantábrica durante 117 552 horas de gravações entre 2021 e 2024. Os resultados mostraram que estes sete machos astutos treparam às árvores para deixar sinais químicos e visuais mais altos do que a sua estatura real permite.

Os ursos-pardos costumam deixar as suas marcas à altura máxima que alcançam quando se erguem sobre as patas traseiras, cerca de dois metros. No entanto, os investigadores observaram um sinal visual a três metros, uma altura inatingível para qualquer exemplar apoiado no chão. A descoberta de um ramo partido mesmo por baixo da marca sugere que o animal trepou para a fazer.

“Para um macho não dominante ou um indivíduo jovem, esta estratégia pode trazer vantagens, já que, ao parecerem maiores, podem dissuadir rivais de maior porte, reduzindo a probabilidade de um confronto direto, evitando os custos associados e até aumentando as suas oportunidades reprodutivas. É uma estratégia que lembra casos de engano descritos noutros mamíferos, mas que até agora nunca tinha sido documentada em ursos”, assinala o investigador Vincenzo Penteriani, do Museu Nacional de Ciências Naturais.

Ainda assim, tanto ele como os colegas mostram-se prudentes em classificar o Ursus arctos como uma espécie desonesta por regra, uma vez que as ‘batotas’ analisadas são raras e ocorreram em zonas muito específicas das áreas estudadas. “O nosso trabalho põe em evidência uma capacidade comportamental fascinante nos ursos, que justifica a realização de mais estudos observacionais e experimentais”, afirma Penteriani.

As duas populações de ursos-pardos em Espanha, a cantábrica e a pirenaica, ultrapassam atualmente os 400 indivíduos, depois de terem estado à beira da extinção nas décadas de 1970 e 1980. Embora estes ursos continuem em perigo de extinção, já saíram da categoria de perigo crítico graças aos esforços dos conservacionistas.




Autor: pt.euronews
Fonte: pt.euronews
Sítio Online da Publicação: pt.euronews
Data: 26/07/2026

terça-feira, 25 de agosto de 2026

Modelo de gravidade da NASA faz Terra parecer batata: o que é o “geóide”




Ao mapear a gravidade terrestre, a NASA divulgou uma visualização do geoide, a forma aparente da Terra definida por oceanos sujeitos só à gravidade e à rotação.

A gravidade não atua de forma igual em toda a Terra e isso tem um impacto visível na forma do planeta.

Este verão, a NASA divulgou uma visualização impressionante que reflete estas diferenças à escala global.

Se os oceanos do mundo não tivessem marés, ondas, ventos ou correntes e fossem moldados apenas pela gravidade e pela rotação da Terra, a sua superfície seria ligeiramente diferente. Em vez de formar uma esfera perfeitamente lisa, apresentaria saliências e depressões subtis.

A visualização da NASA amplifica estas diferenças em 10 000 vezes, fazendo com que a Terra pareça uma batata irregular.

O geoide, como é conhecido, é um modelo matemático do campo gravitacional da Terra que representa um nível médio do mar imaginário à escala de todo o planeta, incluindo sob os continentes. Não corresponde à forma real da superfície física da Terra.

Como a massa está distribuída de forma desigual dentro e à superfície da Terra, também o seu campo gravitacional se reparte de forma irregular.

Montanhas, fossas oceânicas e diferenças na densidade dos materiais no interior do planeta influenciam o campo gravitacional. Áreas com massa adicional atraem a água, criando elevações imaginárias no geoide. Noutras regiões, o nível do mar teórico é mais baixo, formando depressões.

Índia: ponto mais baixo do geoide fica a sul do país

Na visualização, as variações na altura do geoide foram exageradas em 10 000 vezes. Na realidade, a diferença entre os seus pontos mais alto e mais baixo é de 191 metros.

O geoide atinge 85 metros acima do nível de referência em redor da Islândia e 106 metros abaixo dele a sul da Índia. O nível de referência é um modelo matemático suave e ligeiramente achatado da Terra que serve de base para medir estas variações.

A visualização assenta em mais de mil milhões de observações recolhidas por 19 satélites ao longo de 15 anos. Incluem, entre outras, as missões Gravity Recovery and Climate Experiment da NASA e Gravity Field and Steady-State Ocean Circulation Explorer da Agência Espacial Europeia.

Os cientistas usam o geoide para estudar o campo gravitacional da Terra e as suas alterações à medida que a água, o gelo e outras massas se deslocam pelo planeta. Segundo a NASA, esta informação é igualmente importante para cartografia, levantamentos e navegação.




Autor: pt.euronews
Fonte: pt.euronews
Sítio Online da Publicação: pt.euronews
Data: 17/08/2026
Publicação Original: https://pt.euronews.com/next/2026/08/17/modelo-de-gravidade-da-nasa-faz-terra-parecer-batata-o-que-e-o-geoide