terça-feira, 13 de outubro de 2026

Chamada da FAPESP com FAPEAM tem dez propostas selecionadas

 





Oportunidade com Fundação do Amazonas apoiará novos projetos colaborativos para gerar inovações com base na sociobiodiversidade amazônica


A FAPESP divulga o resultado de chamada de propostas organizada em conjunto com a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas (FAPEAM), para o financiamento de pesquisas em ciência, tecnologia e inovação em bioeconomia amazônica.

A chamada, a terceira no âmbito do acordo de cooperação entre as fundações, selecionou dez projetos elaborados a partir da articulação entre pesquisadores dos estados de São Paulo e do Amazonas.

As novas colaborações científicas se dedicarão à criação e ao aprimoramento de tecnologias, processos e produtos inovadores para a valorização da sociobiodiversidade amazônica, a transição para uma economia de baixo carbono e a inclusão social.

Ao financiarem conjuntamente projetos bilaterais no escopo dessa chamada, FAPESP e FAPEAM reforçam seu intuito de fomentar pesquisa em inovação e tecnologia avançada com potencial de gerar cadeias de valor sustentáveis e que contribuam com a inserção mercadológica de bioprodutos e biotecnologias amazônicas em cadeias de valor nacionais e globais.

Na FAPESP, os projetos seguirão as normas e condições da modalidade Auxílio à Pesquisa – Regular.

Propostas selecionadas:

Abordagem ômica aplicada ao desenvolvimento de bioinsumos para agricultura biofármacos e biocosméticos
Processo: 2026/05906-8
Pesquisador de São Paulo: Adhemar Zerlotini Neto
Pesquisador da Amazônia: Gilvan Ferreira da Silva

Uso de tecnologias emergentes para obtenção de bioinsumos encapsulados ricos em compostos bioativos de espécies amazônicas
Processo: 2026/09648-3
Pesquisador de São Paulo: Edgar Aparecido Sanches
Pesquisadora da Amazônia: Jaqueline de Araújo Bezerra

Soluções para valorização segura dos produtos e resíduos do processamento da castanha do Brasil aplicado ao contexto das comunidades extrativistas do estado do Amazonas
Processo: 2026/05925-2
Pesquisador de São Paulo: Eduardo Augusto Caldas Batista
Pesquisadora da Amazônia: Ariane Mendonça Kluczkovski

Desenvolvimento e validação em campo de baterias do tipo pouch integradas a sistemas fotovoltaicos para comunidades isoladas e ribeirinhas na Amazônia
Processo: 2026/04374-2
Pesquisador de São Paulo: Hudson Giovani Zanin
Pesquisador da Amazônia: Yurimiler Leyet Ruiz

Do Lago à Escola: Superando Barreiras para o Pirarucu de Manejo na Alimentação Escolar Amazônica
Processo: 2026/05683-9
Pesquisador de São Paulo: Jacques Marcovitch
Pesquisador da Amazônia: Adalberto Luis Val

Valorização da biodiversidade amazônica: encapsulação de extratos fúngicos em pectina de cupuaçu para aplicações médico-farmacêuticas
Processo: 2026/05784-0
Pesquisadora de São Paulo: Mariana Agostini de Moraes
Pesquisadora da Amazônia: Patrícia Melchionna Albuquerque

Venenos da Amazônia como Fonte de Inovação em Biofármacos
Processo: 2026/05917-0
Pesquisador de São Paulo: Norival Alves Santos Filho
Pesquisador da Amazônia: Marco Aurélio Sartim

Transformação de resíduos em valor: o caminho da eletrossíntese de ureia verde na integração tecnológica SP-AM
Processo: 2026/05707-5
Pesquisador de São Paulo: Raphael Nagao de Sousa
Pesquisador da Amazônia: Daniel Araujo Gonçalves

Biofabricação de têxteis sustentáveis: Desenvolvimento de biomateriais de celulose bacteriana funcionalizados com lignina e pigmentos naturais da biodiversidade amazônica
Processo: 2026/05735-9
Pesquisadora de São Paulo: Silgia Aparecida da Costa
Pesquisador da Amazônia: Flavio Augusto de Freitas

Valorização da Sociobiodiversidade e economia Amazônica por meio de Bioprodutos Funcionais e Tecnologias Sustentáveis
Processo: 2026/05826-4
Pesquisadora de São Paulo: Suzana Caetano da Silva Lannes
Pesquisadora da Amazônia: Klenicy Kazumy de Lima Yamaguchi

Autor: fapesp

Fonte: fapesp
Sítio Online da Publicação: fapesp
Data: 05/10/2026

Chamada sobre resistência antimicrobiana tem projetos selecionados



Pesquisadores do Brasil e de outros países da América do Sul vão investigar diferentes aspectos da resistência antimicrobiana na produção intensiva de animais


A FAPESP anuncia o resultado da chamada de propostas para financiamento de iniciativas de cooperação científica sobre Resistência Antimicrobiana (RAM).

A iniciativa foi desenvolvida no âmbito da Rede PILAR, consórcio regional de agências de fomento voltada à promoção de chamadas conjuntas e ao fortalecimento da cooperação científica na América Latina, que reuniu, além da FAPESP, o Conselho Nacional de Pesquisas Científicas e Técnicas (CONICET), da Argentina; a Agência Nacional de Pesquisa e Inovação (ANII), do Uruguai; o Conselho Nacional de Ciência e Tecnologia (CONACYT), do Paraguai; e a Fundação de Amparo à Pesquisa e Inovação do Espírito Santo (FAPES), com apoio do International Development Research Centre (IDRC), do Canadá.

Os projetos selecionados abordam diferentes aspectos da resistência antimicrobiana no contexto da produção intensiva de animais para consumo humano na Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai.

A chamada busca fortalecer a cooperação científica regional e ampliar a capacidade de enfrentamento da RAM por meio da pesquisa, da formulação de políticas públicas e da adoção de estratégias de mitigação, promovendo também a integração entre pesquisadores, produtores e órgãos reguladores.

Com duração máxima de 24 meses, os projetos serão financiados pelas respectivas agências de acordo com a participação dos grupos e instituições de cada país ou Estado.

A iniciativa contribui para o esforço internacional de enfrentamento da resistência antimicrobiana, tema considerado uma das principais ameaças à saúde pública global, e está alinhada ao compromisso assumido na Declaração Política da Reunião de Alto Nível sobre Resistência aos Antimicrobianos, realizada pela Assembleia Geral das Nações Unidas em setembro de 2024.

Propostas selecionadas:

Mitigación de la resistencia antimicrobiana en la producción porcina mediante la suplementación con levaduras probióticas Kluyveromyces marxianus: una iniciativa Brasil-Argentina
Processo: 2026/10233-2
Pesquisador responsável: Andreas Karoly Gombert
Instituição: Faculdade de Engenharia de Alimentos/Unicamp
Pesquisador responsável no exterior: Martin Rumbo - Consejo Nacional de Investigaciones Científicas y Técnicas/Conicet

Estratégias para a redução de resistência antimicrobiana em Escherichia coli patogênica aviária (APEC) em avicultura comercial: Cooperação Argentina-Brasil, como modelo para América Latina
Processo: 2026/10327-7
Pesquisador responsável: Terezinha Knöbl
Instituição: Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia/USP
Pesquisador responsável no exterior: Dominguez Johana Elizabeth - Consejo Nacional de Investigaciones Científicas y Técnicas/Conicet

RAMAGRO LATAM: Plataforma Latino-Americana para a Vigilância e Manejo da Resistência Antimicrobiana na Pecuária Intensiva e no Comércio Transfronteiriço
Processo: 2026/10378-0
Pesquisador responsável: Nilton Erbet Lincopan Huenuman
Instituição: Instituto de Ciências Biomédicas/ICB/USP
Pesquisador responsável no exterior: Gabriel Alejandro Arriagada Acevedo - Universidad de O'Higgins/UOH

REMA-SUR: REsistencia Microbiana na aquicultura do Cone Sul: Levantamento regional e alternativas de biocontrole
Processo: 2026/10392-3
Pesquisador responsável: Fabiana Pilarski
Instituição: Centro de Aqüicultura da Unesp/Caunesp/Unesp
Pesquisador Responsável no exterior: Alejandro Perretta - Universidad de la República/Udelar



Autor: fapesp

Fonte: fapesp
Sítio Online da Publicação: fapesp
Data: 07/10/2026

FAPESP participa de novas chamadas do Horizon Europe

 Oportunidades são para colaborações internacionais em redes vinculadas à Comissão Europeia para apoio a pesquisa sobre recursos hídricos, biodiversidade e economia azul


Imagem de Leemingche em Pixabay



A FAPESP anuncia a participação, a convite do Conselho Nacional das Fundações Estaduais de Amparo à Pesquisa (Confap), de três novas chamadas de propostas lançadas no âmbito do Horizon Europe, programa da Comissão Europeia.

Cada chamada está vinculada a uma rede de organizações científicas do programa voltada ao financiamento e implementação de pesquisas com um propósito específico dentro do paradigma da sustentabilidade socioambiental.

A primeira delas é a Biodiversa+, Parceria Europeia para a Biodiversidade com quem a FAPESP colaborou em quatro oportunidades (2019, 2023, 2024 e 2025). A Biodiversa+ apoia iniciativas científicas de excelência e alto impacto em biodiversidade, serviços ecossistêmicos e soluções baseadas na natureza.

A nova chamada, “Novos ecossistemas: biodiversidade, consequências socio-ecológicas e trajetórias futuras (BiodivFuture)”, abrange os seguintes tópicos: 1) Funcionamento dos novos ecossistemas; 2) Caminhos para novos ecossistemas; e 3) Benefícios e isonomia da biodiversidade no contexto do novo ecossistema.

Cada proposta deverá ter um pesquisador responsável no estado de São Paulo e, de acordo com as diretrizes da Chamada BiodivFuture, reunir em um consórcio parceiros de pelo menos outras duas organizações que participem financeiramente da chamada, incluindo pelo menos dois Estados-Membros da União Europeia (UE) ou países associados à UE.

A data-limite para submissão da pré-proposta é 10 de novembro de 2026.

A chamada está publicada em: fapesp.br/18366.

Water4All

A Chamada Conjunta de Propostas FAPESP/CONFAP/Water4All é realizada no âmbito do Water4All. Parceria Europeia para Segurança Hídrica implementada no âmbito do Horizon Europe, a Water4All é uma rede de organizações que programam e financiam pesquisas sobre recursos hídricos, de forma multidisciplinar.

A nova chamada, com o tema “Gestão Sustentável da Água”, abrange os seguintes tópicos: 1) Monitoramento integrado e avaliação para a Gestão Sustentável da Água; 2) Abordagens baseadas na natureza para gestão hídrica resiliente na escala de sistemas hidrológicos e hidrogeológicos; 3) Infraestruturas hídricas inteligentes, seguras e adaptativas; Sistemas hídricos resilientes por meio de Mudança Sistêmica, Coerência de Políticas e Governança Inclusiva.

Cada proposta deverá ter um pesquisador responsável no estado de São Paulo e, de acordo com as diretrizes da Chamada Water4All 2024, reunir em um consórcio parceiros de pelo menos outras duas organizações que participem financeiramente da chamada. Além disso, os projetos devem envolver pelo menos duas entidades jurídicas independentes de dois diferentes Estados-Membros da UE ou países associados ao Horizon Europe.

A data-limite para submissão da pré-proposta é 10 de novembro de 2026.

A chamada está publicada em: fapesp.br/18414.

Sustainable Blue Economy Partnership – SBEP

A FAPESP também participa da Chamada 2026/2027 da Sustainable Blue Economy Partnership – SBEP, parceria europeia no âmbito do Horizon Europe reunindo 74 instituições parceiras de 30 países. A SBEP permite um esforço conjunto em pesquisa e inovação marinhas e no alinhamento de programas nacionais à escala pan-europeia, considerando as bacias marítimas (Mediterrâneo, Mar Negro, Báltico e Mar do Norte) e o Oceano Atlântico.

A chamada tem como tema “Construindo uma Economia Azul sustentável e inovadora: dominando oportunidades digitais e fomentando resiliência” e abrange as seguintes áreas: 1) Transição de setores da economiza azul para sustentabilidade e autonomia estratégica; Gerindo usos marinhos por meio de avançadas abordagens digitais e baseadas em ecossistemas; 3) Promovendo biorrecursos azuis sustentáveis por meio da inovação na produção e coleta marinhas; e 4) Construindo resiliência em comunidades costeiras com infraestrutura e negócios.

Cada proposta deverá ter um pesquisador responsável no estado de São Paulo e, de acordo com as diretrizes da Chamada SBEP 2026, reunir em um consórcio parceiros de pelo menos outras duas organizações que participem financeiramente da chamada, incluindo pelo menos 2 Estados-Membros da União Europeia (UE) ou países associados à UE.

A data-limite para submissão da pré-proposta é 16 de novembro de 2026.

A chamada está publicada em: fapesp.br/18415.

Submissões

Na FAPESP, as submissões de propostas para todas as três chamadas deverão seguir as normas e orientações da modalidade Auxílio à Pesquisa Regular.

O orçamento total disponibilizado pela FAPESP para cada chamada será equivalente a até 600 mil reais para apoiar as propostas concedidas a proponentes do estado de São Paulo.






Autor: fapesp

Fonte: fapesp
Sítio Online da Publicação: fapesp
Data: 25/09/2026

sexta-feira, 9 de outubro de 2026

O que os movimentos do corpo podem revelar sobre os níveis de ansiedade?


Em lugar de manter os participantes do estudo em um ambiente controlado de laboratório, grupo de pesquisa optou pelo uso de smartwatches para coletar dados em sua vida cotidiana a fim de obter uma representação mais próxima da rotina real das pessoas e investigar a ansiedade do grupo (Foto: Magnific)

Vida corrida, pressão diária e incertezas fazem parte da rotina de muitas pessoas. Mas será que os movimentos do nosso corpo, registrados por um smartwatch, podem ajudar a identificar diferentes níveis de ansiedade? Foi justamente essa pergunta que levou pesquisadores do Instituto de Computação da Universidade Federal Fluminense (UFF) a investigar se técnicas de Inteligência Artificial poderiam estimar níveis de ansiedade a partir de dados de movimento coletados durante a vida cotidiana.

A ansiedade pode envolver preocupação excessiva, inquietação, alterações na atenção e no sono, entre outros sintomas. Quando persistente e intensa, pode estar relacionada a transtornos de ansiedade, que estão entre os problemas de saúde mental mais comuns no mundo. Segundo estimativas da Organização Mundial da Saúde (OMS) publicadas em 2017, o Brasil apresentava uma das maiores prevalências de transtornos de ansiedade do mundo: cerca de 9,3% da população, o equivalente a aproximadamente 18,7 milhões de pessoas. Nas Américas, a prevalência estimada também era maior entre mulheres do que entre homens. Diante desse cenário, investigar formas de acompanhar os níveis de ansiedade de maneira contínua e pouco invasiva pode abrir novas possibilidades para a pesquisa em saúde mental.

Um relógio para acompanhar a vida real

A coordenadora da pesquisa, Taiane Coelho Ramos, explica que o diferencial do estudo está na forma como os dados foram coletados. "Em vez de manter os participantes em um ambiente controlado de laboratório, utilizamos smartwatches durante a vida cotidiana. Assim, eles puderam realizar suas atividades normalmente ao longo das 24 horas de coleta. Essa característica é importante porque o comportamento humano pode mudar quando uma pessoa sabe que está sendo observada ou precisa permanecer em um ambiente controlado. Ao acompanhar os movimentos durante atividades habituais, buscamos obter uma representação mais próxima da rotina real", disse.

Ainda são relativamente poucos os estudos que utilizam dispositivos vestíveis em condições de vida livre para investigar ansiedade a partir de dados de movimento. Ela explica que, em 2021, um estudo liderado pelo pesquisador Nicholas Jacobson utilizou dados de actigrafia, obtidos por sensores usados no pulso, para prever a deterioração de sintomas de ansiedade ao longo de 17 a 18 anos. "Nosso trabalho se diferencia por combinar a estimativa contínua dos níveis de ansiedade, o uso exclusivamente de dados de acelerômetro e a coleta realizada em condições de vida livre", conta o graduando Raphael Fernandes.

Quem participou do estudo?

A pesquisa, apoiada pelo programa Auxílio à Pesquisa (APQ 1) da FAPERJ, contou com 41 voluntários universitários, com idades entre 17 e 60 anos e média de 26 anos. Do total, 18 eram mulheres e 23, homens. Os níveis de ansiedade foram avaliados por meio do Inventário de Ansiedade Traço-Estado (IDATE) – uma escala psicométrica utilizada para avaliar diferentes níveis de ansiedade. Raphael explica que é importante destacar que o IDATE não estabelece um único ponto de corte capaz de separar pessoas em “ansiosas” e “não ansiosas”, nem substitui uma avaliação clínica para o diagnóstico de um transtorno de ansiedade. Ele conta que, na amostra do grupo da UFF, a média dos escores foi de 53 pontos, indicando um nível médio de ansiedade.

"Não tivemos participantes com níveis baixos de ansiedade. O que significa que a distribuição dos escores foi limitada. Essa característica precisa ser considerada ao interpretar os resultados. Sabemos que uma amostra formada por estudantes universitários não representa toda a população. O objetivo desta primeira etapa foi avaliar a viabilidade da metodologia. A intenção é ampliar progressivamente o número e a diversidade dos participantes nas próximas etapas", conta. O grupo também quer disponibilizar um banco de dados de movimento que possa contribuir para outros pesquisadores interessados em estudar a relação entre comportamento, movimento e saúde mental.

Como a Inteligência Artificial entra nessa história?

Para analisar os dados, o grupo utilizou redes neurais profundas, um tipo de Inteligência Artificial capaz de aprender padrões complexos a partir de grandes volumes de informações. "No nosso estudo, o modelo recebeu os dados de movimento registrados pelo smartwatch e aprendeu quais padrões estavam associados aos diferentes níveis de ansiedade. Uma das técnicas utilizadas foi a LSTM. Trata-se de um tipo de rede neural desenvolvida para trabalhar com dados que acontecem ao longo do tempo", disse Taiane.

Ela explica que isso é importante porque o movimento de uma pessoa não é apenas uma coleção de eventos isolados. Existe uma sequência: o que aconteceu anteriormente pode ajudar a interpretar o que está acontecendo agora. E Raphael complementa: “Podemos imaginar a LSTM como alguém assistindo a um filme. Para compreender uma cena, não é necessário lembrar de todos os detalhes anteriores, mas algumas informações das cenas passadas são importantes para entender o momento atual”.

A LSTM funciona de maneira semelhante. Preserva informações anteriores que podem ser relevantes e descarta aquelas que deixam de ser úteis. O sensor utilizado foi o acelerômetro, capaz de medir variações de aceleração em três eixos. Essas informações permitiram registrar como os movimentos dos participantes variavam ao longo do tempo.
A coordenadora da pesquisa, Taiane Coelho Ramos, e o graduando Raphael Fernandes: de acordo com ela, ainda são relativamente poucos os estudos que utilizam dispositivos vestíveis como smartwatches em condições de vida livre para investigar a ansiedade a partir de dados de movimento (Fotos: Divulgação)


"Reunimos os dados coletados durante 24 horas e fornecemos essa série temporal ao modelo. Assim, em vez de determinar previamente quais características do movimento seriam importantes, deixamos que a rede aprendesse padrões automaticamente que pudessem estar associados aos diferentes escores de ansiedade. Portanto, não podemos dizer que determinado movimento específico significa que uma pessoa está mais ou menos ansiosa. Um dos próximos passos da pesquisa é investigar, por meio de técnicas de explicabilidade, quais características dos dados de movimento estão contribuindo para as previsões do modelo", afirma Taiane.

Quais são as limitações?

Como toda pesquisa inicial, o estudo apresenta limitações. A principal está relacionada à própria amostra. O grupo não contou com participantes com níveis baixos de ansiedade. Isso significa que o modelo não foi treinado com toda a amplitude possível de escores, desde níveis muito baixos até níveis elevados. Essa distribuição limitada pode dificultar a generalização dos resultados para pessoas com características diferentes das observadas no estudo.

Por isso, ampliar a amostra e incluir participantes com diferentes níveis de ansiedade será fundamental nas próximas etapas. Também será necessário avaliar se os padrões aprendidos pelo modelo continuam funcionando em grupos maiores e mais diversos.

O que pode acontecer no futuro?

Apesar dessas limitações, os resultados abrem uma perspectiva interessante: a possibilidade de utilizar dispositivos vestíveis para acompanhar mudanças comportamentais durante longos períodos, sem a necessidade de manter a pessoa em um ambiente de laboratório. Isso não significa que um smartwatch possa substituir a avaliação de um profissional de saúde. A proposta é fornecer informações complementares sobre mudanças que acontecem ao longo do tempo e que eventualmente possam auxiliar uma avaliação mais aprofundada.

Com o avanço da inteligência artificial e dos dispositivos vestíveis, é possível imaginar sistemas de apoio à avaliação em saúde mental cada vez mais personalizados, capazes de acompanhar variações individuais ao longo do tempo. A hipótese dos cientistas é que essa abordagem também possa ser aplicada a outras condições associadas a alterações de rotina, comportamento ou padrões de movimento.

Atualmente, o grupo desenvolve um modelo voltado à identificação de padrões relacionados à depressão e também iniciamos a coleta de dados de pessoas com Alzheimer utilizando smartwatches. O desafio, agora, é transformar grandes volumes de dados de movimento em informações que ajudem a compreender melhor o comportamento humano. Mas os pesquisadores alertam que não se deve perder de vista que, quando falamos de saúde mental, a tecnologia deve ser uma ferramenta de apoio, e não um substituto para a avaliação humana.


Autor: faperj
Fonte: faperj
Sítio Online da Publicação: faperj
Data: 01/10/2026
Publicação Original: https://www.faperj.br/?id=1119.7.3

Livro apresenta ilustrações botânicas da flora das Ilhas Cagarras



Entre as espécies de flora que ganharam ilustrações botânicas no livro, estão: A) o cacto Coleocephalocereus; B) a pitangueira Eugenia uniflora; C) a bromélia Neoregelia cruenta; e D) o cacto Coleocephalocereus fluminensis (Artes: Luiz Berri)


Quem vai à praia de Ipanema, cartão postal da Zona Sul do Rio, pode avistar no horizonte, a apenas cinco quilômetros da costa, o Arquipélago das Ilhas Cagarras. Apesar da proximidade com o litoral e da beleza natural que emoldura a orla carioca, esse conjunto de quatro ilhas principais e duas ilhotas ainda é um objeto de estudo pouco explorado pelos cientistas. No livro Mona Cagarras – Guia ilustrado da flora símbolo do arquipélago, os autores Luiz Berri e Massimo Bovini apresentam, de forma didática e lúdica, ilustrações botânicas das 15 espécies mais representativas da flora do arquipélago, catalogadas após anos de pesquisas e expedições. A obra (editora Telha, 2025, 56 p.) foi publicada por meio do edital Apoio à Editoração, da FAPERJ, e ficou entre os finalistas da edição 2026 do Prêmio Jabuti Acadêmico, na categoria Ilustração Científica.

O livro é fruto da dissertação do ilustrador botânico Luiz Berri, e foi produzida durante o mestrado profissional em Biodiversidade em Unidades de Conservação da Escola Nacional de Botânica Tropical, do Instituto de Pesquisas do Jardim Botânico do Rio de Janeiro (JBRJ). Seu orientador acadêmico foi o próprio coautor, Massimo Bovini, que é professor e pesquisador da pós-graduação do JBRJ e pesquisa as Ilhas Cagarras há cerca de 15 anos.

“O objetivo do trabalho é ajudar a construir uma iconografia, com base na ilustração botânica, da rica flora que cresce sobre as Ilhas Cagarras. Berri desenhou, em aquarelas, as 15 espécies mais emblemáticas e facilmente encontradas nas Cagarras, mas já cataloguei um total de 195 espécies de flora nessas ilhas, que se assemelham à vegetação das restingas encontradas no litoral fluminense”, disse Massimo Bovini.

Berri contou que se dedica à ilustração botânica há bastante tempo, tendo participado, antes do mestrado, de vários cursos na área, ministrados pelos ilustradores Paulo Ormindo e Malena Barreto, na Escola Nacional de Botânica Tropical do JBRJ. Eles se especializaram em Ilustração Botânica no London Kew Gardens, um dos maiores jardins botânicos do mundo. “Esse período de estudos de Ilustração foi muito importante para minha formação. Fico feliz pelo fato do livro ter chegado à final do Prêmio Jabuti Acadêmico. Quando começamos o trabalho, pensei, junto com o Massimo, apenas em fazer um bom trabalho de Divulgação Científica, de aproximar o público em geral do trabalho científico, unindo ciência e arte”, contou.
Luiz Berri durante a cerimônia de entrega dos vencedores do Prêmio Jabuti. Dupla de autores ficou entre os cinco finalistas na categoria Ilustração Científica (Foto: Divulgação)


Nesse sentido, o livro tem textos informativos escritos em uma linguagem leve, atraente para os jovens e demais interessados no tema, e também oferece um capítulo com ilustrações botânicas concebidas em line art (desenhos apenas feitos com o contorno das figuras), para quem quiser colorir as espécies vegetais. “A ideia dos desenhos em line art surgiu para estimular a criatividade e provocar no leitor a vontade de explorar essa linguagem de expressão. Os riscos básicos dos contornos das espécies estão ali para que o leitor possa ter o prazer de pintar”, explicou Berri. (Clique aqui para imprimir e colorir uma das espécies ilustradas na obra).

Ilhas Cagarras: pesquisa, riqueza e biodiversidade

Desde abril de 2021, o Monumento Natural (Mona) das Ilhas Cagarras ganhou o título de Ponto de Esperança (Hope Spot) do Atlântico Sul, privilégio antes concedido apenas ao Arquipélago de Abrolhos, no sul da Bahia. No mundo, existem 130 Hope Spots, categorizados pela Mission Blue, organização internacional voltada à conservação dos oceanos.

Apesar de ser um ecossistema insular desprovido de fontes de água doce, e que tem um solo raso e com alta salinidade, o arquipélago abriga diversas espécies endêmicas e ameaçadas – sendo um refúgio fundamental para as aves marinhas, um corredor natural durante o processo de migração das baleias-jubarte e um ponto-chave para a reprodução de espécies de peixes comerciais.
Massimo Bovini destaca a importância de aprofundar as pesquisas sobre as Ilhas Cagarras, ecossistema ainda pouco explorado pelos cientistas (Foto: Divulgação)


E ainda, pesquisas recentes, de 2012, que contaram com a participação de Bovini e outros pesquisadores, revelaram a existência de um sítio arqueológico até então desconhecido nas Cagarras, com vestígios de objetos cerâmicos e artefatos que indicam a presença de civilizações indígenas pré-coloniais no local, de origem tupi-guarani.

“É muito importante estudar esse local. Por incrível que pareça, existem mais estudos sobre o ecossistema de Fernando de Noronha do que o ecossistema das Cagarras, que estão bem próximas ao Rio. Nós só preservamos aquilo que conhecemos, e esperamos apoio para dar continuidade a esses estudos”, justificou Bovini.

Ele participou anteriormente de outras obras sobre as Ilhas Cagarras: História, pesquisa e biodiversidade das Ilhas Cagarras (resultado do projeto Ilhas do Rio, financiado pelo edital Petrobras Ambiental) e publicou os artigos científicos Use of Nucleation Technique in the Recovery of Degraded Insular Environment in Rio de Janeiro; Floristic diversity of the Cagarras Islands Natural Monument, Rio de Janeiro, Brazil; e Uma cápsula do tempo: o uso potencial de recursos naturais por visitantes pré-coloniais no arquipélago das Cagarras, Rio de Janeiro.




Autor: faperj
Fonte: faperj
Sítio Online da Publicação: faperj
Data: 08/10/2026
Publicação Original: https://www.faperj.br/?id=1109.7.7

FAPERJ participa de evento sobre oportunidades de pós-doutorado na Europa




Luís Cristóvão Porto: o coordenador da Assessoria de Relações Internacionais da FAPERJ destaca que a internacionalização da pesquisa está entre as prioridades da Fundação (Foto: Divulgação)


Nos dias 19 e 20 de outubro, o Rio de Janeiro receberá o evento Postdoc in Europe, promovido pela EURAXESS América Latina e Caribe (LAC), que tem parceria de longa data com a FAPERJ. O objetivo é apresentar oportunidades de pós-doutorado e financiamento à pesquisa na Europa, além de oferecer orientações práticas para pesquisadores interessados em desenvolver suas carreiras acadêmicas no exterior. A iniciativa reunirá representantes de nove países europeus: Alemanha, Bélgica, Espanha, Finlândia, França, Itália, Lituânia, Noruega e Suécia, além de agências brasileiras de fomento à pesquisa.

A FAPERJ estará representada pelo professor Luís Cristóvão de Moraes Sobrinho Porto, coordenador da Assessoria de Relações Internacionais da Fundação, que realizará uma apresentação em um dos painéis previstos para o dia 19 de outubro. “A internacionalização da pesquisa é uma das prioridades da FAPERJ, e eventos como este contribuem para ampliar as oportunidades de inserção dos pesquisadores fluminenses no cenário científico internacional. Nossa participação reforça o compromisso da Fundação em estimular a mobilidade acadêmica e a construção de parcerias com instituições de excelência no exterior”, destaca o professor Cristóvão.

No dia 19 de outubro, será realizada uma sessão informativa na sede da Academia Brasileira de Ciências (ABC), no Centro, das 8h30 às 13h. O encontro será aberto a pesquisadores interessados em oportunidades de pós-doutorado na Europa, mediante inscrição, e contará com apresentações sobre programas de financiamento e possibilidades de mobilidade acadêmica internacional.

Já no dia 20 de outubro, o Goethe-Institut Rio de Janeiro receberá oficinas práticas destinadas a participantes previamente selecionados. As atividades abordarão temas como a identificação de potenciais supervisores e grupos de pesquisa, a preparação de candidaturas, a elaboração de projetos e os procedimentos necessários para a realização de atividades de pesquisa na Europa.

As oficinas serão voltadas a pesquisadores que estejam a até um ano da conclusão do doutorado ou que tenham concluído a formação há até 12 anos. A programação também incluirá atendimentos individuais com representantes dos países participantes e oportunidades de interação entre pesquisadores e instituições.

A programação completa será divulgada em breve.




Autor: faperj
Fonte: faperj
Sítio Online da Publicação: faperj
Data: 08/10/2026
Publicação Original: https://www.faperj.br/?id=1126.7.3

terça-feira, 6 de outubro de 2026

Suspeita de peste pneumónica na Rússia: o que se sabe e qual o risco para a Europa


Direitos de autor Canva/Cleared


A morte de um funcionário de um instituto anti-peste na Rússia, após um acidente de laboratório, voltou a centrar atenções na peste e na forma como se propaga


Morreu uma trabalhadora do instituto anti-peste em Irkutsk, na Rússia, [quando?], depois de se partir um tubo de ensaio no laboratório, avançaram os meios de comunicação regionais, citando fontes não identificadas próximas dos serviços de segurança da região.

As autoridades russas afirmaram não ter encontrado provas de que a doença tivesse sido provocada por algum dos agentes patogénicos com que trabalhava. Ainda assim, o caso gerou alarme na Rússia, depois de informações não confirmadas na comunicação social sugerirem que a morte poderá ter sido causada por peste pneumónica, uma forma menos comum mas grave da doença, que pode transmitir-se entre pessoas.

Órgãos de comunicação russos noticiaram que cerca de 200 pessoas que tinham estado em contacto com a trabalhadora falecida estavam sob rigorosa vigilância médica e que vários hospitais da região foram encerrados e colocados em quarentena.

“Dado que o contágio ocorreu num laboratório (presumivelmente bem desinfetado) e as pessoas foram rapidamente colocadas em quarentena, é altamente improvável que se propague mais e, por isso, apesar de ser contagiosa, é pouco provável que tenha oportunidade de se disseminar”, afirmou Alice Hughes, professora de ciência da conservação na Universidade de Melbourne, em declarações ao Science Media Centre.


Ainda assim, as autoridades de saúde pública acompanham de perto qualquer evolução.

O Centro Europeu de Prevenção e Controlo de Doenças (ECDC) indicou à Euronews que está “a acompanhar de perto a situação” e em contacto com a Organização Mundial da Saúde.

“Estamos a par do caso de pneumonia de origem desconhecida no leste da Rússia que é suspeito de ser peste. Essa suspeita ainda não foi confirmada”, afirmou um porta‑voz em comunicado escrito.

O porta‑voz acrescentou que, com base na informação limitada atualmente disponível, não há registo de casos secundários nem de transmissão sustentada entre humanos, e sublinhou que existe “pouca deslocação” entre Irkutsk e os países da União Europeia e do Espaço Económico Europeu, “sobretudo nesta altura devido à guerra da Rússia contra a Ucrânia”.

A peste está ausente da Europa há mais de 50 anos; ainda assim, registam-se casos humanos em África, sobretudo na República Democrática do Congo e em Madagáscar.
Que dizem os especialistas sobre o risco?

Embora a informação disponível sobre o caso suspeito na Rússia seja muito limitada, especialistas salientam que casos esporádicos de peste pneumónica não são invulgares.

“A peste não é uma doença do passado”, afirmou Zania Stamataki, professora associada de imunologia viral na Universidade de Birmingham, em declarações ao Science Media Centre. “Permanece endémica em populações de roedores em África, na Ásia e nas Américas, e surgem casos humanos todos os anos, incluindo surtos da forma pneumónica.”

Segundo Brendan Wren, professor de patogénese microbiana na London School of Hygiene & Tropical Medicine, “não deve haver grande preocupação, uma vez que a transmissão de Yersinia pestis entre humanos é geralmente fraca”.
O que é a peste pneumónica?

A peste pneumónica ocorre quando a peste, uma doença infecciosa causada por bactérias, atinge os pulmões.

A peste pneumónica é a forma mais grave da doença e a única que pode ser transmitida de pessoa para pessoa. Sem tratamento, apresenta uma taxa de letalidade entre 30% e 100%.

Segundo a Organização Mundial da Saúde, é particularmente contagiosa e pode desencadear epidemias graves através de transmissão entre humanos por partículas respiratórias. No entanto, as taxas de recuperação são elevadas se a doença for detetada e tratada a tempo.

O período de incubação pode ser tão curto como 24 horas e qualquer pessoa infetada pode transmiti-la a outros seres humanos através de partículas respiratórias.
Quais são os sintomas?

A peste pneumónica desenvolve-se quando as bactérias chegam aos pulmões de um doente com peste bubónica ou septicémica não tratada, ou quando uma pessoa inala gotículas infecciosas expelidas pela tosse de outra pessoa ou de um animal infetado.

Os sintomas surgem, em geral, entre um e três dias após a infeção. Incluem problemas respiratórios graves, como falta de ar e tosse, muitas vezes com espetoração sanguinolenta ou aquosa.
Qual é o tratamento?

Sem tratamento, a peste pneumónica pode ser rapidamente fatal. Diagnóstico e terapêutica precoces são essenciais para a sobrevivência e para reduzir complicações. Antibióticos correntes usados contra enterobactérias podem curar eficazmente a doença se administrados numa fase inicial.

“A peste é uma doença infecciosa grave. No entanto, pode ser diagnosticada e tratada com antibióticos facilmente disponíveis na Europa”, observou o porta‑voz do ECDC.

Nos casos de peste pneumónica, os doentes devem ser isolados e os seus contactos identificados e tratados, refere a agência no seu site.
Existem vacinas?

A Organização Mundial da Saúde não recomenda a vacinação, exceto para grupos de alto risco, como pessoal de laboratório constantemente exposto à infeção e profissionais de saúde.

Como a peste humana é rara na maioria das regiões do mundo, as autoridades de saúde pública não veem necessidade de vacinar pessoas fora dos grupos com risco particularmente elevado de exposição.




Autor: pt.euronews
Fonte: pt.euronews
Sítio Online da Publicação: pt.euronews
Data: 06/10/2026