quarta-feira, 1 de julho de 2026

Antártida: confirmado primeiro fóssil de dinossauro descoberto há quase 40 anos





Uma vértebra encontrada por cientistas britânicos em 1985 foi identificada como o primeiro fóssil de dinossauro da Antártida. O achado revela pistas sobre a expansão destes animais pelos continentes do hemisfério sul


Um osso descoberto há quase 40 anos durante uma expedição científica britânica foi oficialmente identificado como o primeiro fóssil de dinossauro encontrado na Antártida. A descoberta corresponde a uma vértebra de um titanossauro, um grupo de dinossauros saurópodes que inclui alguns dos maiores animais terrestres que alguma vez existiram.

O fóssil foi descoberto em 1985 pelo geólogo do British Antarctic Survey (BAS), Mike Thomson, durante uma expedição à ilha James Ross, na península Antártica. A missão tinha como objetivo cartografar os estratos rochosos para facilitar a datação de futuras descobertas paleontológicas na região. Na altura, Thomson registou o osso como pertencente a um grande réptil, mas só agora foi possível confirmar que se trata de um dinossauro.

O paleontólogo e responsável pelas coleções geológicas do BAS, Mark Evans, explicou que o fóssil lhe chamou a atenção há alguns anos, enquanto revia a coleção da instituição. "Quando vi este osso pela primeira vez nas nossas coleções há alguns anos, suspeitei que era um dinossauro. Depois de o examinar com atenção, pensei que se tratava provavelmente de uma vértebra caudal de um titanossauro. Ao rever os cadernos de campo de Mike, verificámos que ele já sabia que pertencia a um grande réptil, por isso é muito especial poder confirmar a sua descoberta 40 anos depois", afirmou Evans numa nota de imprensa do BAS.
O caderno de campo geológico de 1985 de Thomson, do British Antarctic Survey, ao lado da primeira vértebra fóssil de dinossauro encontrada na Antártida British Antarctic Survey
Titanossauro de há 82 milhões de anos

Os investigadores identificaram o fóssil como uma vértebra pertencente a Titanosauria, o grupo que reúne os maiores dinossauros que andaram sobre a Terra, que habitualmente ultrapassavam as 15 toneladas de peso. Ainda assim, o exemplar antártico teria medido entre seis e sete metros de comprimento.





A vértebra foi encontrada na Formação Santa Marta, um estrato marinho do Cretácico Superior com uma idade aproximada de 82 milhões de anos. É o único fóssil de dinossauro descoberto na Antártida proveniente desta formação geológica. Os cientistas acreditam que, depois de morrer, o animal foi arrastado para o mar, onde ficou enterrado no fundo marinho e acabou por fossilizar.
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Novas pistas sobre a expansão dos dinossauros

O professor Paul Barrett, investigador do Museu de História Natural de Londres e coautor do estudo, afirmou que a descoberta traz novas pistas sobre a expansão dos dinossauros pelos continentes do hemisfério sul.

"Esta descoberta lança mais luz sobre a forma como os dinossauros se dispersaram pelos continentes austrais. Até agora não tinham sido encontrados titanossauros na Austrália e as evidências na Nova Zelândia são muito limitadas. Confirmar a sua presença na Antártida leva a pensar que estes animais continuaram a expandir-se para essas regiões, que na altura estavam ligadas", explicou Barrett.

Quando este dinossauro viveu, há cerca de 82 milhões de anos, a Antártida era muito diferente da atual. Segundo o BAS, o continente estava coberto por densas florestas temperadas e tinha um clima muito mais quente, favorecido por uma intensa atividade vulcânica que libertava grandes quantidades de dióxido de carbono para a atmosfera.

Os investigadores recordam que a Antártida continua a ser o continente com o registo fóssil de dinossauros mais escasso, devido à enorme camada de gelo que cobre a maior parte da sua superfície. Ainda assim, consideram que ainda há numerosos fósseis por descobrir e que o recuo do gelo poderá trazer à luz novas provas da sua antiga biodiversidade.

O estudo, intitulado 'A titanosaurian sauropod dinosaur from the Late Cretaceous of Antarctica', foi publicado na revista científica 'Acta Palaeontologica Polonica'.




Autor: euronews
Fonte: euronews
Sítio Online da Publicação: euronews
Data: 29/06/2026
Publicação Original: https://pt.euronews.com/cultura/2026/06/29/antartida-confirmado-primeiro-fossil-de-dinossauro-descoberto-ha-quase-40-anos

Do laboratório para os céus: grafeno português que esconde aviões e drones pode revolucionar defesa



Portugal pode estar a dar um passo decisivo na corrida global à tecnologia stealth, com o desenvolvimento de um material inovador à base de grafeno para absorção de radar, capaz de tornar drones e aeronaves militares praticamente indetectáveis.

Portugal está a desenvolver um material à base de grafeno capaz de reduzir significativamente a visibilidade de drones e aeronaves militares aos radares, uma inovação que pode posicionar a Europa na corrida pela tecnologia stealth.


O projeto é liderado pela GTechPlasma, uma spin-off do Instituto de Plasmas e Fusão Nuclear do Instituto Superior Técnico, em Lisboa, que criou um sistema baseado em plasma para produzir materiais personalizados à base de grafeno de alta qualidade.

"Neste momento, estamos muito focados no desenvolvimento de coberturas para absorção de radar e de radiação eletromagnética", explica Bruno Soares Gonçalves, co-fundador da GTechPlasma, em entrevista à Euronews.

O material foi desenvolvido para absorver radiação eletromagnética, incluindo ondas de radar, uma característica essencial para aplicações stealth.


"As aplicações mais óbvias neste momento são no ramo da defesa, mas existem muitas outras aplicações onde este tipo de material tem potencial para blindagem electromagnética, para reduzir radiação. E, por isso, achamos que temos um material extremamente interessante ao nível dos coatings para absorção de radar", considera o investigador do Instituto Superior Técnico, sublinhando que soluções semelhantes são raras e fortemente controladas a nível internacional.

"Atualmente, não existe na Europa nenhuma outra solução e mesmo no mundo existe nos Estados Unidos. Mas o material que, por exemplo, cobre os F-35, é um material que não pode ser exportado. Por isso, temos um material 'made in' Portugal e com elevado potencial de aplicação", refere Bruno Soares Gonçalves.

O grafeno é uma folha de átomos de carbono com apenas um átomo de espessura, produzida neste caso a partir de precursores como o álcool etílico ou o metano, através de tecnologia de plasma.
GTechPlasma produz grafeno usando uma tecnologia de plasma inovadora GTechPlasma

A equipa diz conseguir, usando uma tecnologia de plasma inovadora, controlar o material ao nível atómico, o que permite ajustar as suas propriedades para diferentes aplicações.

Para além da absorção de radar, a tecnologia poderá ser utilizada no armazenamento de hidrogénio ou na separação de terras raras e urânio, segundo o investigador.

"Existem múltiplas outras aplicações onde o grafeno e os seus derivados podem ser usados, mas para isso é preciso controlar todo o processo a nível atómico. E é isso que nós conseguimos fazer com o nosso dispositivo que é patenteado nos Estados Unidos, Japão e Europa", detalha o também presidente do Instituto de Plasmas e Fusão Nuclear.

Uma das aplicações mais relevantes é na aviação militar, de forma a tornar uma aeronave invisível ao radar. "As nossas estimativas, para aquilo que é o nosso material, é que um F-16 passe a ter a assinatura de um pássaro. Isso é reduzir imenso a assinatura do radar para tornar o avião invisível e muito mais difícil detetar."

A redução da assinatura de radar pode representar uma vantagem estratégica significativa num cenário de guerra.

"Isto torna-se importante porque o avião não é visualizado ou é visualizado tarde demais e, por isso, é uma vantagem do ponto de vista militar, conseguir ser detetado o mais tarde possível pelo radar, durante as missões militares", explica Bruno Soares Gonçalves à Euronews.
GTechPlasma tem em vista o desenvolvimento de revestimentos ou tintas que possam ser aplicadas diretamente em drones GTechPlasma

A tecnologia está a dar passos rumo à industrialização, com os dispositivos da GTechPlasma a produzirem já 40 miligramas por minuto de grafeno de alta qualidade. Mas a empresa pretende aumentar a sua capacidade e já tem um parceiro industrial para escalar a produção.

A empresa Plasmaphene, que recebeu fundos do Compete 2030, e está instalada em Vila Viçosa, vai industrializar a máquina para produção de grafeno de alta qualidade.

"O nosso objetivo em piso de fábrica é ter múltiplos dispositivos, não só pela redundância que isso traz, como pela possibilidade de produzir múltiplos materiais em simultâneo em diferentes dispositivos. Porque, na realidade, a nossa máquina é um dispositivo para múltiplos materiais. Nós conseguimos mudar a receita e ter diferentes materiais", detalha o investigador do Técnico.

A empresa tem também em vista alargar as parcerias com empresas da área da defesa, tendo já fornecido 260 gramas deste material para para absorção de radar a um fabricante de drones português.

Atualmente, o material é produzido sob a forma de um pó preto muito leve, mas o objetivo é desenvolver soluções prontas a aplicar, mais próximas do utilizador final. Isso inclui o desenvolvimento de revestimentos ou tintas que possam ser aplicadas diretamente em superfícies como drones.

"O objetivo é fornecer soluções o mais próximo possível da solução que o cliente possa aplicar. Em vez de fornecer apenas um pó em que o cliente tem que descobrir como integrar", justifica o responsável da GTechPlasma.

A inovação poderá colocar Portugal na linha da frente das tecnologias stealth baseadas em grafeno, com potencial de aplicação muito além da área da defesa.



Autor: euronews
Fonte: euronews
Sítio Online da Publicação: euronews
Data: 30/06/2026
Publicação Original: https://pt.euronews.com/next/2026/06/30/do-laboratorio-para-o-ceu-grafeno-portugues-que-esconde-avioes-e-drones-pode-revolucionar-

Há uma nova espécie de aranha venenosa em Portugal






A descoberta da aranha-reclusa-chilena (Loxosceles laeta) no Porto marca o primeiro registo desta espécie venenosa na Península Ibérica. Apesar da sua mordida poder provocar lesões graves na pele, os investigadores garantem que o risco para a população é reduzido devido ao comportamento discreto.


Uma nova espécie de aranha venenosa, a aranha-reclusa-chilena, cientificamente conhecida como Loxosceles laeta, foi descoberta na cidade do Porto, no norte de Portugal.

Em entrevista à Euronews, um dos investigadores responsáveis pela descoberta, José Manuel Grosso-Silva, entomólogo do Museu de História Natural e da Ciência da Universidade do Porto, garantiu que, devido ao comportamento tímido e aos hábitos desta espécie, não há motivos para alarme. "A probabilidade de as pessoas se cruzarem com esta espécie ou serem mordidas por ela é reduzida", afirma.

"Trata-se de uma espécie tímida e pouco propensa a morder, mas a sua mordida pode causar danos consideráveis na pele, resultando frequentemente em lesões cutâneas necróticas", descreve o estudo realizado pelos biólogos Francisco Gil e José Manuel Grosso-Silva sobre a descoberta da primeira ocorrência desta espécie na Península Ibérica.

A aranha-reclusa-chilena, laeta, é nativa da região ocidental da América do Sul, sendo habitualmente encontrada em países como o Brasil e a Argentina. Contudo, tem conseguido expandir-se para regiões distantes do seu habitat de origem, impulsionada pelas trocas comerciais internacionais.





Aranha-reclusa-chilena observada pelos investigadores no Porto Francisco Gil / MHNC-U.Porto

A primeira descoberta foi casual, conta o biólogo, e ocorreu a 10 de setembro de 2025, quando um macho foi encontrado numa parede no Campo dos Mártires da Pátria, no Porto. A segunda, também de um macho, ocorreu a 10 de janeiro de 2026, tendo o exemplar sido recolhido já morto numa armadilha adesiva que não lhe era destinada.




Apesar da descoberta desta nova espécie, outra aranha venenosa da mesma família habita Portugal há várias décadas e apresenta uma distribuição alargada. Trata-se da Loxosceles rufescens, ou aranha-reclusa-do-mediterrâneo, originária da América do Norte e presente na Europa há mais de 200 anos.

"Não sabemos se esta nova espécie existe apenas aqui no Porto ou se já está mais dispersa. Como a aranha-reclusa-chilena se pode confundir facilmente com a aranha-reclusa-do-mediterrâneo, é possível que existam registos fotográficos identificados como sendo desta última que, na realidade, correspondam à nova espécie", esclarece o biólogo.

A principal diferença entre as duas espécies encontra-se nos pedipalpos dos machos, apêndices articulados localizados na parte frontal do corpo das aranhas machos, que desempenham funções sensoriais e reprodutivas, servindo para transferir o esperma para a fêmea durante o acasalamento.
Pedipalpo de um macho Loxosceles laeta, cuja anatomia permite a identificação segura da espécie Francisco Gil / MHNC-U.Porto

Ao nível da morfologia e do comportamento, são muito semelhantes. "São castanhas uniformes, não têm aquelas cores que lhes permitem camuflar-se na vegetação e não fazem as teias que normalmente vemos nas plantas para apanhar insetos. Constroem teias em paredes, cantos e locais mais escondidos e sombrios, sendo mais ativas durante a noite", explica José Manuel Grosso-Silva.

Existem diferentes níveis de gravidade, desde casos ligeiros até casos graves, incluindo alguns fatais, na sequência da mordida deste tipo de aranhas. O risco existe, mas parece-me reduzido, pelo que tento não contribuir para o pânico ou alarme excessivo", reforça o biólogo.
Mordida causa necrose

Em 2023, Portugal registou um caso de loxoscelismo, síndrome causada pelo veneno da aranha, provocado pela mordida da Loxosceles rufescens, ou aranha-reclusa-do-mediterrâneo.




A revista SPMI Case Reports, publicação científica digital da Sociedade Portuguesa de Medicina Interna, divulgou o caso de uma mulher de 48 anos que foi mordida por esta espécie enquanto se encontrava num parque urbano.

Após a mordida na nuca, a mulher apresentou um inchaço sem dor imediata. No entanto, nas 24 horas seguintes, os sintomas agravaram-se, com aumento das dores de cabeça, mal-estar, sensação febril, cansaço e o aparecimento de necrose com eritema na zona da lesão. Posteriormente, verificou-se descamação da pele noutras zonas do corpo, nomeadamente em redor dos olhos, na região dos glúteos, coxas, lábios e mucosa oral.

A paciente teve alta hospitalar 16 dias depois, sem apresentar qualquer sintoma.
Novas espécies são cada vez mais comuns

Em Portugal, estão estabelecidas mais de 300 espécies de insetos oriundas de várias regiões do mundo, muitas delas introduzidas pelo ser humano devido ao aumento do transporte de mercadorias.

"Estamos cada vez mais a alterar o ambiente que nos rodeia. Introduzimos propositadamente muitas plantas que, muitas vezes, trazem consigo insetos que não pretendíamos", explica.

O biólogo recorda o caso da vespa asiática, introduzida na Europa através de França num transporte de bonsais chineses.

Também "através do urbanismo e das monoculturas, como os eucaliptos que ocupam áreas enormes, mas também de culturas extensivas, como o milho, têm-se reduzido os habitats naturais", o que contribui para a alteração dos ecossistemas e favorece o aparecimento de novas espécies.

O aumento das temperaturas à escala global, com a Europa a aquecer a um ritmo acelerado, pode favorecer a reprodução e a expansão destas espécies exóticas.

"Não sabemos como evoluirá cá na Península Ibérica, isso é uma situação para acompanhar nos próximos anos", garante José Manuel Grosso-Silva.



Presença da aranha-reclusa-chilena na Europa

O primeiro registo europeu desta espécie data de 1972, num edifício dos Departamentos de Zoologia e Genética da Universidade de Helsínquia, na Finlândia.

Acredita-se que a espécie tenha sido transportada pelo ser humano e se tenha instalado no interior do edifício para beneficiar das temperaturas mais elevadas, uma vez que dificilmente sobreviveria ao clima exterior da Finlândia.

Em 2025, a Universidade Eberhard Karl de Tübingen, na Alemanha, também identificou um exemplar desta espécie na cave da instituição.

Há ainda referências à sua possível presença em Itália. Contudo, o sítio onde essa informação foi originalmente publicada já não se encontra disponível e, por isso, esse registo permanece por confirmar.


Autor: euronews
Fonte: euronews
Sítio Online da Publicação: euronews
Data: 01/07/2026
Publicação Original: https://pt.euronews.com/2026/07/01/ha-uma-nova-especie-de-aranha-venenosa-em-portugal

quinta-feira, 25 de junho de 2026

Projeto capacita moradores e profissionais para monitoramento da saúde dos rios

O que a presença de pequenos organismos aquáticos pode revelar sobre a saúde de um rio? Em comunidades de diferentes regiões do país, moradores, professores, técnicos ambientais e profissionais da saúde estão aprendendo a responder essa pergunta por meio do biomonitoramento e da Plataforma AGente das Águas. Desenvolvida pela Fiocruz, a proposta une ciência cidadã, educação ambiental e participação social para aproximar a produção de conhecimento científico das comunidades que convivem diariamente com rios, córregos e nascentes.



Aula prática do AGente das Águas reúne participantes em atividade de campo voltada à identificação de organismos bioindicadores da qualidade da água (Foto: Acervo AGente das Águas)

Em sua configuração atual, a iniciativa já percorreu cerca de 50 municípios de Paraná, Espírito Santo e Rio de Janeiro, formando cerca de 600 participantes entre agentes comunitários e multiplicadores. “O AGente das Águas é mais do que uma ação de divulgação científica e mais do que um projeto de popularização da ciência. É efetivamente uma iniciativa de ciência cidadã, em que construímos conhecimento em conjunto com as comunidades locais”, afirma a pesquisadora Clélia Mello-Silva, chefe do Laboratório de Avaliação e Promoção da Saúde Ambiental (Lapsa) do Instituto Oswaldo Cruz (IOC/Fiocruz), responsável pela coordenação do projeto, ressaltando que o diferencial do programa está justamente na construção coletiva da ciência.

A trajetória da plataforma começou ainda no fim da década de 1990, quando pesquisadores do Lapsa perceberam o interesse das populações locais em participar das atividades de campo realizadas pelo laboratório. Desde então, a iniciativa passou por diferentes formatos e, após a pandemia de Covid-19, foi reformulada em 2022 e incorporada à atual Plataforma AGente das Águas .

Ciência produzida nos territórios

Mas, afinal, o que a presença de pequenos organismos aquáticos pode revelar sobre a saúde de um rio? Para os pesquisadores do AGente das Águas, a resposta está justamente nos chamados macroinvertebrados aquáticos. Visíveis a olho nu, esses pequenos organismos — como larvas de insetos, moluscos e crustáceos — vivem no fundo de rios e córregos e funcionam como bioindicadores da qualidade da água.



Durante atividade prática do AGente das Águas, participantes realizam coletas e observações em campo para avaliação da qualidade da água e das condições ambientais do rio (Foto: Acervo AGente das Águas)

“Algumas espécies são mais sensíveis à poluição e desaparecem quando o ambiente é degradado, enquanto outras conseguem sobreviver em condições mais adversas. Logo, ao identificar quais organismos estão presentes em determinado trecho do rio, é possível avaliar a saúde do ecossistema e detectar sinais de impacto ambiental” explica Clélia sobre o biomonitoramento, método que utiliza organismos vivos como indicadores das condições ambientais de um ecossistema.

No AGente das Águas, a análise biológica é combinada a avaliações físico-químicas, bacteriológicas e ambientais, além da medição da vazão dos rios. Em conjunto, essas informações permitem compreender a situação dos recursos hídricos e identificar possíveis impactos provocados por esgoto, atividades agrícolas, processos industriais ou outras fontes de poluição.

Para disseminar essa metodologia nos territórios, a plataforma oferece cursos de formação que combinam atividades teóricas e práticas. As capacitações são conduzidas por profissionais da Fiocruz e ensinam os participantes a realizar as diferentes etapas do biomonitoramento.

Duas modalidades de treinamento são oferecidas. A primeira é voltada para os chamados agentes multiplicadores, profissionais das áreas de saúde, ambiente e educação que já atuam nos territórios e participam de formações híbridas, com aulas em ambiente virtual e atividades de campo.

A segunda, denominada Comunidade, é destinada a moradores interessados em atuar no monitoramento ambiental local. Nesse caso, as atividades são presenciais e ocorrem em espaços disponibilizados pelos parceiros do programa. Além do monitoramento ambiental, a plataforma busca fortalecer o protagonismo das comunidades na discussão dos problemas relacionados à água.

“Mais do que formar pessoas, o AGente das Águas empodera a população local e faz com que ela possa lutar pelos seus direitos, pelo direito do acesso à água de qualidade”, destaca Clélia.

Para Tatiana Figueiredo, pesquisadora do Lapsa e integrante do projeto, um dos principais resultados observados é o fortalecimento do vínculo entre os participantes e seus territórios.

“Essa questão do pertencimento, de se identificar como uma pessoa que vive naquela região e que precisa fazer alguma coisa pela sua água, é muito importante. O programa leva autonomia para que eles consigam buscar soluções para os problemas locais”, afirma.

Segundo a pesquisadora, a formação permite que moradores compreendam melhor os desafios ambientais de suas regiões e participem de forma mais qualificada dos espaços de decisão. Com acesso a informações e ferramentas de monitoramento, os participantes passam a acompanhar mais de perto questões relacionadas à qualidade da água, saneamento e conservação ambiental, contribuindo para o debate e para a cobrança de soluções junto aos órgãos responsáveis.

Expansão

Desde 2022, a plataforma é desenvolvida em parceria com a Associação Pró-Gestão das Águas da Bacia Hidrográfica do Rio Paraíba do Sul (Agevap) e os comitês de bacias hidrográficas Rio Dois Rios, Baixo Paraíba do Sul e Itabapoana e Médio Paraíba do Sul. Agora, a iniciativa entra em uma nova etapa com o projeto Águas em Movimento, que prevê a criação de Centros de Gestão e Monitoramento da Qualidade das Águas, implantação de núcleos de pesquisa em saúde e educação ambiental e climática, realização de atividades em escolas e a criação de um curso de especialização voltado para profissionais das áreas de ambiente, saúde e educação.



Antes das atividades de campo, participantes do AGente das Águas acompanham aulas sobre biomonitoramento e monitoramento da qualidade da água, uma das etapas da capacitação oferecida pelo programa (Foto: Acervo AGente das Águas)

A proposta também prevê fóruns comunitários para discussão dos resultados obtidos nos territórios e encontros anuais voltados à divulgação das ações desenvolvidas. Além disso, participantes já formados pelo programa poderão atuar nos Centros de Gestão e Monitoramento da Qualidade das Águas, ampliando a presença da iniciativa nos municípios parceiros e valorizando a experiência adquirida ao longo das capacitações.

Para os pesquisadores, o objetivo final vai além da geração de dados científicos. A expectativa é que o conhecimento produzido coletivamente contribua para a conservação dos recursos hídricos e para a construção de comunidades mais preparadas para enfrentar desafios ambientais e climáticos em seus territórios.

“Nós queremos unir sociedade, comitês de bacias, governo local e academia para pensar soluções ambientais locais”, conclui Clélia.




Autor: Yuri Neri (IOC/Fiocruz)
Fonte: Fiocruz
Sítio Online da Publicação: Fiocruz
Data: 24/06/2026
Publicação Original: https://fiocruz.br/noticia/2026/06/projeto-capacita-moradores-e-profissionais-para-monitoramento-da-saude-dos-rios

Fiocruz debate ambiente regulatório e financiamento da inovação no 11º Summit Brasil

A Fiocruz marcou presença em dois painéis do 11º Summit Brasil, evento paralelo à Bio Convention 2026 realizado em San Diego, nos Estados Unidos. Organizado pela Brazilian Pharma and Health e promovido pela Abiquifi, Apex Brasil e Ministério da Saúde, o encontro reuniu lideranças do setor para discutir avanços regulatórios, competitividade e mecanismos de financiamento para a inovação em saúde no país.



Debate destacou a evolução do modelo regulatório brasileiro (Foto: Pamela Lang)

O primeiro painel abordou os avanços regulatórios e iniciativas voltadas à celeridade e competitividade no Brasil. A mesa contou com a participação da diretora de Instituto de Tecnologia em Imunobiológicos (Bio-Manguinhos/Fiocruz), Rosane Cuber, e foi moderada pelo presidente executivo da Abiquifi, Norberto Prestes.

Em sua fala inicial, o secretário-adjunto da Secretaria de Ciência, Tecnologia e Inovação e do Complexo Econômico-Industrial da Saúde do Ministério da Saúde, Eduardo Jorge Valadares Oliveira, traçou um histórico das políticas industriais no país. Ele destacou que, entre os anos 1950 e 2000, pesquisa e indústria farmacêutica caminharam de forma desarticulada. A retomada das políticas industriais no primeiro governo Lula, com programas como o Profarma do BNDES e a Lei de Inovação de 2004, começou a quebrar esse paradigma.

“Em 2007, com a chegada do [José Gomes] Temporão, o Ministério da Saúde saiu de um foco apenas assistencial para qualificar a plataforma científica e tecnológica, com a retomada da produção pública farmacêutica e do setor farmoquímico. Instrumentos como as PDPs, o fortalecimento do PNI e de Bio-Manguinhos deram sustentabilidade a todo esse sistema”, afirmou.

A diretora da Anvisa, Daniela Marreco, apresentou dados que evidenciam a modernização dos fluxos da Agência. Nos primeiros cinco meses de 2026, foram concluídas 137 decisões sobre registros de medicamentos sintéticos, superando o total de 2025 e registrando a maior produtividade da história para o período. O desempenho é resultado de um plano de ação voltado à redução do estoque de processos, com melhorias na gestão, realocação de recursos humanos e atualização tecnológica.

A Agência também tem adotado programas de priorização e aceleração para medicamentos voltados a doenças raras e necessidades não atendidas, além de editais de chamamento para terapias avançadas (2022), dispositivos médicos (2023) e inovação radical (2024). “Inovação exige regulação ágil, mas sem comprometer qualidade, segurança e eficácia”, reforçou a mensagem apresentada pela Anvisa.

Avanço regulatório acelera desenvolvimento de terapias avançadas

No debate que se seguiu, a diretora de Bio-Manguinhos/Fiocruz, Rosane Cuber, destacou a evolução do modelo regulatório brasileiro. “O Brasil vem consolidando um modelo próprio, baseado em diálogo técnico, previsibilidade e construção conjunta entre a Agência e os desenvolvedores de produtos biológicos”, afirmou.

Cuber citou o Edital de Chamamento nº 17/2021 como uma ferramenta transformadora. O projeto-piloto de cooperação técnico-regulatória voltado a terapias avançadas de interesse do SUS permitiu a transição de um modelo linear de submissão para um modelo interativo, com construção conjunta ao longo do desenvolvimento dos produtos.

“Este conjunto de ferramentas não apenas acelera o processo — reduz incertezas, aumenta a qualidade dos dossiês e evita retrabalho, o que é particularmente crítico em produtos altamente complexos, como terapias gênicas e celulares”, explicou.

Bio-Manguinhos foi contemplado no edital em novembro de 2022. Desde então, acumula experiências concretas. Um dos exemplos citados foi o desenvolvimento de uma terapia gênica in vivo para atrofia muscular espinhal (AME) tipo 1. O dossiê foi submetido à Anvisa em junho de 2025 e a autorização para início do estudo clínico foi obtida em novembro do mesmo ano — um processo de avaliação inferior a cinco meses para um estudo de Fase I/II em população pediátrica com administração intracisternal.

“O estudo já está em fase de recrutamento de participantes, posicionando o Brasil em um patamar diferenciado no desenvolvimento de terapias avançadas”, destacou.

Outro caso mencionado foi o desenvolvimento de uma terapia CAR-T para linfoma não-Hodgkin difuso de grandes células e leucemia linfoblástica aguda de células B. Desde dezembro de 2023, a interação com a Anvisa tem sido contínua e, atualmente, ocorre em frequência praticamente semanal. Como resultado, foi inaugurado em maio de 2026 o Centro de Desenvolvimento e Produção de Terapia CAR-T de Bio-Manguinhos (CDPTC). “A atuação da Anvisa foi determinante não apenas como órgão avaliador, mas como facilitador técnico na construção dessa plataforma”, afirmou Cuber.

A diretora também apontou dois caminhos para o avanço do ambiente regulatório. O primeiro diz respeito a plataformas tecnológicas, como as vacinas de mRNA. “Poderíamos pensar no aproveitamento de estudos pré-clínicos e clínicos, uma vez que, para uma mesma plataforma, só alteramos a sequência genética, mas a molécula e a nanopartícula são as mesmas”, explicou.

O segundo caminho seria a criação de um instrumento nos moldes do chamamento da Anvisa, agora voltado a biossimilares. “O desenvolvimento de biossimilares tem se dado num tempo muito menor. Talvez possamos pensar na não necessidade de um estudo de fase III, reforçando as comparabilidades. Isso daria celeridade e agilidade para competirmos com outros países, como China e Índia”, concluiu.

Financiamento da Inovação em Saúde

O segundo painel debateu mecanismos de financiamento e a integração entre capital público e privado para acelerar a inovação em saúde e biotecnologia. A vice-presidente de Produção e Inovação em Saúde da Fiocruz, Priscila Ferraz, participou da mesa ao lado de representantes do BNDES, Finep, Embrapii e Instituto Butantan.

A representante do BNDES destacou o papel central do banco no apoio ao setor produtivo. “No setor farmacêutico, investimentos em inovação são o que garantem a competitividade. O desafio das instituições de fomento é oferecer uma cesta de produtos que atue nas diferentes fases da inovação — desde financiamento direto até instrumentos de renda variável, como fundos específicos para projetos de maior risco”, afirmou.

Priscila Ferraz trouxe uma provocação sobre o acesso dos laboratórios públicos aos instrumentos de fomento. “O Brasil hoje dispõe de instrumentos de inovação para os laboratórios públicos, como as PDPs, que usam o poder de compra do Estado para induzir a inovação. Mas uma das provocações que faço é a necessidade de integrar e coordenar melhor esses instrumentos. Precisamos de investimento continuado, com previsibilidade”, disse.

Ela ressaltou as dificuldades enfrentadas por instituições como a Fiocruz, que, por ser uma instituição pública de direito público, não consegue acessar diversos instrumentos da Finep e do BNDES. “Temos que ser criativos e pensar de que forma podemos articular as diversas iniciativas para ajudar os laboratórios públicos, que têm sido, na história do país, os responsáveis por segurar as pontas nos momentos de emergência”, concluiu.

A participação da Fiocruz no XI Summit Brasil reforça o papel estratégico da instituição no fortalecimento do Complexo Econômico-Industrial da Saúde e na articulação entre ciência, regulação e financiamento para garantir à população brasileira o acesso a inovações em saúde.




Autor: Pamela Lang (Bio-Manguinhos/Fiocruz)
Fonte: Fiocruz
Sítio Online da Publicação: Fiocruz
Data: 24/06/2026
Publicação Original: https://fiocruz.br/noticia/2026/06/fiocruz-debate-ambiente-regulatorio-e-financiamento-da-inovacao-no-11o-summit

Pará recebe Encontro Estadual da Periferia Brasileira de Letras para fortalecer produções culturais periféricas

No dia 27 de junho, a Ilha do Caratateua, em Belém, recebe o Encontro Estadual da Periferia Brasileira de Letras (PBL) do Pará. O evento ocorre na Casa Preta Amazônia das 9h às 13h e reunirá coletivos literários, slams (batalha de poesia falada), saraus, bibliotecas comunitárias, editoras independentes e batalhas de rima em uma programação dedicada ao fortalecimento do livro, da leitura, da literatura e das práticas culturais produzidas nos territórios.

A iniciativa é organizada pela rede Periferia Brasileira de Letras (PBL), pela Coordenação de Cooperação Social da Fiocruz, pelo Ministério da Cultura (MinC) e pelo Coletivo Escambo Literário de Belém, em parceria com a Casa Preta Amazônia. O objetivo central é promover a articulação e o intercâmbio entre iniciativas que atuam na democratização do acesso à cultura e na valorização das práticas literárias produzidas nas periferias.

Entre os destaques da programação estão intervenções artísticas, feira criativa, participação dos coletivos que compõem o ecossistema literário e cultural do estado, além de um grande debate sobre os resultados da pesquisa realizada pela Fiocruz e pela Rede PBL em 2024, que investigou experiências e práticas dos coletivos literários dos dez estados que integram a rede.

O encontro também contará com o lançamento do Manual sobre Racismo no Sistema Único de Saúde (SUS), ampliando o diálogo entre cultura, saúde e justiça social e reafirmando a importância da produção de conhecimento comprometida com os territórios e com o enfrentamento das desigualdades.



Serviço:

Encontro Estadual PBL Pará

Data: 27 de junho de 2026

Horário: Das 9h às 13h

Local: Casa Preta Amazônia - Rua dos Bacuri, 125, S.J. do Outeiro, Ilha do Caratateua – Belém, PA

Evento gratuito e aberto ao público




Autor: Coordenação de Cooperação Social da Presidência da Fiocruz
Fonte: Fiocruz
Sítio Online da Publicação: Fiocruz
Data: 24/06/2026
Publicação Original: https://fiocruz.br/noticia/2026/06/para-recebe-encontro-estadual-da-periferia-brasileira-de-letras-para-fortalecer

quarta-feira, 24 de junho de 2026

Fiocruz e Thermo Fisher Scientific assinam memorando de entendimento para impulsionar inovação

A Fiocruz e a Thermo Fisher Scientific assinaram um memorando de entendimento (MoU) para explorar oportunidades de colaboração em pesquisa biomédica, capacitação laboratorial, diagnósticos, vacinas e bioprodução. O acordo foi assinado em 23 de junho, durante a BIO International Convention 2026, em San Diego, na Califórnia.



Da esquerda para a direita, o vice-presidente Global de Operações Comerciais e Bioprodução da Thermo Fisher, Chris Mach; a vice-presidente Sênior e presidente de BioProdução e Customer Excellence da Thermo Fisher, Daniella Cramp; a vice-presidente de Produção e Inovação em Saúde da Fiocruz, Priscila Ferraz, a diretora do Instituto de Tecnologia em Imunobiológicos (Bio-Manguinhos/Fiocruz), Rosane Cuber, e o secretário-adjunto da Secretaria de Ciência, Tecnologia, Inovação e Complexo Econômico-Industrial da Saúde do MS, Eduardo Jorge Valadares Oliveira (Foto: Pamela Lang)

"O acordo com a Thermo Fisher reforça nossa capacidade de planejar o enfrentamento de desafios sanitários que exigem inovação contínua. Trata-se de uma cooperação técnico-científica que pode gerar oportunidades de desenvolvimento de tecnologias relevantes para o Brasil e para a América Latina", reforçou a vice-presidente de Produção e Inovação em Saúde da Fiocruz, Priscila Ferraz.

O MoU estabelece uma estrutura para intercâmbio científico e colaboração, incluindo reuniões técnicas, compartilhamento de conhecimento e identificação de áreas de interesse mútuo. As possíveis áreas de cooperação incluem desenvolvimento tecnológico, otimização de fluxos de trabalho, validação de tecnologias e capacitação de profissionais.

A diretora do Instituto de Tecnologia em Imunobiológicos (Bio-Manguinhos/Fiocruz), Rosane Cuber, explica que o documento estabelece as bases para “Uma colaboração estruturada com as equipes técnicas da Thermo Fisher, com foco no avanço da ciência e na geração de impacto em saúde pública”.

“Na Thermo Fisher Scientific, nossa missão é permitir que nossos clientes tornem o mundo mais saudável, mais limpo e mais seguro. Este MoU reflete nosso compromisso compartilhado com a Fiocruz em promover a ciência e explorar abordagens inovadoras que fortaleçam as capacidades de saúde, acelerem o progresso científico e melhorem os resultados em saúde pública no Brasil e na América Latina. Temos orgulho de contribuir com nossa expertise científica, tecnologias inovadoras e amplo portfólio de soluções integradas de ponta a ponta para apoiar essa colaboração e ajudar a enfrentar alguns dos desafios mais urgentes da saúde atualmente”.

O acordo, com vigência inicial de três anos, apoia a estratégia da Fiocruz de fortalecer o Complexo Econômico-Industrial da Saúde do Brasil por meio da colaboração internacional. Ao promover o intercâmbio científico e a inovação, a parceria busca ampliar as capacidades nacionais e apoiar o desenvolvimento de soluções estratégicas para o Sistema Único de Saúde (SUS).

Participaram da cerimônia de assinatura representantes do Ministério da Saúde do Brasil, incluindo o secretário-adjunto da Secretaria de Ciência, Tecnologia, Inovação e Complexo Econômico-Industrial da Saúde do Ministério da Saúde, Eduardo Jorge Valadares Oliveira, como representante da pasta, a vice-presidente Priscila Ferraz, a diretora Rosane Cuber, e a vice-presidente Sênior e presidente de BioProdução e Customer Excellence da Thermo Fisher Scientific, Daniella Cramp.



Autor: fiocruz
Fonte: fiocruz
Sítio Online da Publicação: fiocruz
Data: 23/06/2026
Publicação Original: http://fiocruz.br/noticia/2026/06/fiocruz-e-thermo-fisher-scientific-assinam-memorando-de-entendimento-para