sexta-feira, 14 de agosto de 2026

FAPERJ leva ciência, tecnologia e inovação ao Rio Innovation Week 2026


Estande da FAPERJ foi ponto de encontro de empreendedores, pesquisadores e autoridades durante o Rio Innovation Week, o maior encontro de inovação e tecnologia da América Latina, que destacou a importância da 'Simbiose' entre o setor empresarial, o meio acadêmico e a sociedade (Foto: Divulgação)


A FAPERJ participou da edição 2026 do Rio Innovation Week (RIW), o maior encontro de inovação e tecnologia da América Latina, realizado de 4 a 7 de agosto, no Píer Mauá, Zona Portuária do Rio. Durante o evento, a Fundação apresentou iniciativas voltadas ao fortalecimento da pesquisa científica, do empreendedorismo inovador e da transformação do conhecimento em soluções para a sociedade.

No estande institucional localizado no Armazém 3, a FAPERJ reuniu pesquisadores, estudantes, representantes de startups e universidades para apresentar programas de fomento, editais e projetos que impulsionam o desenvolvimento científico e tecnológico do estado. O espaço também funcionou como ponto de encontro para troca de experiências e networking. Como forma de prestar contas à sociedade, a Fundação participou da programação com palestras de empreendedores e pesquisadores que desenvolvem, com apoio dos seus editais e programas de fomento, diversos projetos científicos, tecnológicos e de inovação no estado do Rio de Janeiro.

O RIW é conhecido como um dos principais eventos de inovação do mundo, com uma ampla programação voltada às tendências que estão transformando diferentes setores da economia e da sociedade.

Mesa de abertura discute o tema Simbiose para a inovação e o empreendedorismo

A importância de uma maior articulação entre o setor empresarial e a universidade foi destaque durante a cerimônia de abertura do RIW, realizada na terça-feira, 4 de agosto, no palco Kobra. Diante de uma plateia formada por empreendedores, gestores públicos e pesquisadores, o presidente do comitê organizador do evento, Fábio Queiroz, justificou a escolha do tema “Simbiose – O futuro não acontece sozinho” para nortear os debates no RIW, que chega este ano à sua sexta edição. “O Brasil tem uma importante produção científica, mas temos dificuldade de transformar dados em produtos. Temos que trabalhar em uma simbiose da academia com o ecossistema de inovação, e espero que este evento seja um espaço de construção desse diálogo e ajude a gerar desenvolvimento humano, social e ambiental”, disse.

O governador em exercício do estado do Rio de Janeiro, desembargador Ricardo Couto, reconheceu a importância da realização do evento na cidade e se mostrou otimista em relação às novas tecnologias. “A inovação é de suma importância para a sociedade. O escritor português Fernando Pessoa, com o pseudônimo Álvaro de Campos, escreveu que ‘o verdadeiro poema moderno é a vida sem poema’. Eu acredito que essa visão da modernidade é pessimista. Precisamos, sim, discutir a questão da eticidade na inteligência artificial, mas vejam quantos avanços ela pode nos trazer, como, por exemplo, no reconhecimento facial de pessoas que cometeram ilicitudes. A tecnologia serve também à Medicina, trazendo certas curas e precisões de procedimentos cirúrgicos que nunca iríamos imaginar. Então, podemos ver tantas coisas maravilhosas de inovações tecnológicas. Na educação, nem se fala".
O governador em exercício, desembargador Ricardo Couto, defendeu a importância da inovação científica e tecnológica para o desenvolvimento durante a cerimônia de abertura do RIW, no palco Kobra (Foto: Débora Motta)


Representando a ministra da Ciência, Tecnologia e Inovação (CT&I), Luciana Santos, o secretário-executivo do Ministério da CT&I, Luis Manuel Rebelo Fernandes, reforçou a necessidade de convergência entre os setores da economia para o desenvolvimento. “Essa simbiose entre a comunidade científica e tecnológica, o governo e a comunidade empresarial é a essência da inovação para o livre desenvolvimento de todos. O Rio Innovation Week é um festival que fomenta essa convergência, é um Woodstock da inovação no Rio”, brincou. E prosseguiu: “Queremos o repasse de 2% do PIB brasileiro para investimentos em pesquisa. Ciência, Tecnologia e Inovação são os pilares do desenvolvimento nacional.”

Já a diretora-executiva do RIW, Bruna Reis, citou dados que reforçam a dimensão do evento. “Nesta edição do RIW, temos mais de 1.650 horas de conteúdo simultâneo nas 60 conferências realizadas nos diversos palcos, a participação de mais de duas mil startups e 30 delegações de diferentes países, com um público estimado de 180 mil pessoas ao longo dessa semana, e a expectativa de geração de 22 mil empregos diretos e indiretos”, enumerou. Ela ressaltou a diversidade de conferencistas eleitos para a programação. "Acreditamos que a melhor ideia nunca nasce de uma única caixa, e sim de caixas diferentes. Por isso, trouxemos diferentes mentes para esse evento: cientistas, artistas, ativistas. De Malala a Djamila Ribeiro, passando por Paulo Artaxo. São vozes que nos lembram que ter uma voz sem ética e diversidade não é fazer inovação", completou.

Participaram ainda da mesa de abertura o secretário municipal de Desenvolvimento Econômico do Rio de Janeiro, Osmar Limar; o secretário-executivo da Prefeitura de Niterói, Felipe Peixoto, representando o prefeito Rodrigo Neves; o presidente do Sistema Fecomércio, Antonio Queiroz; o presidente da Firjan, Luiz Césio Caetano; o diretor de Desenvolvimento Produtivo, Inovação e Comércio Exterior do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), José Luís Pinho Leito Gordon, representante do presidente Aloizio Mercadante; o diretor-geral da Binance no Brasil, Thiago Sarandy; o diretor de TI do Banco do Brasil, Rodrigo Mulinari; o almirante de esquadra Carlos Chagas Vianna Braga, comandante-geral do corpo de Fuzileiros Navais da Marinha do Brasil; e o procurador-geral de Justiça do Estado do Rio de Janeiro, Antônio José Campos Moreira.



Autor: faperj
Fonte: faperj
Sítio Online da Publicação: faperj
Data: 13/08/2026
Publicação Original: https://www.faperj.br/?id=1082.7.2

Projeto transforma kimonos de jiu-jítsu em moda sustentável


Paula Maia: de acordo com a idealizadora do projeto, a iniciativa nasceu da vontade de conectar sustentabilidade, impacto social e valorização dos talentos da Rocinha (Foto: Camila Filardi)


Selecionado por meio do edital “PISTA: Conectando Territórios Inovadores” da FAPERJ, o projeto Rocinha UP, que transforma resíduos têxteis, tatames e kimonos de jiu-jítsu em produtos de moda sustentável, será lançado no próximo sábado, 15 de agosto, na Igreja Metodista da Rocinha, no Rio de Janeiro, marcando o início da campanha de arrecadação de kimonos em academias da capital fluminense.

Idealizadora do projeto, Paula Maia explica que a iniciativa nasceu da vontade de conectar sustentabilidade, impacto social e valorização dos talentos da Rocinha. A proposta é instalar toda a cadeia de produção na própria comunidade, onde costureiras, modelistas, pilotistas, designers e outros profissionais transformam materiais destinados ao descarte em produtos de maior valor agregado por meio da técnica do upcycling.

A sigla UP faz referência ao lema "Porque é Urgente Preservar", reforçando a necessidade de agir diante da crise ambiental e também ao conceito de upcycling, técnica que reaproveita materiais descartados para criar produtos de maior valor agregado, prolongando sua vida útil e reduzindo impactos ambientais. "O Rocinha UP mostra que aquilo que seria descartado pode voltar à sociedade com um novo significado. Mais do que produzir acessórios, o projeto gera oportunidades de trabalho, fortalece a economia criativa e prova que a Rocinha também é capaz de desenvolver soluções inovadoras para os desafios ambientais", esclarece Paula.

Durante o evento, que terá início, às 11h, serão apresentadas as cinco primeiras peças desenvolvidas pelo projeto – mochila, pochete, ecobag, nécessaire e case para notebook –, todas produzidas a partir de kimonos e outros resíduos têxteis. A coleção será ampliada ao longo dos próximos meses com novos modelos, formando uma linha de dez produtos que serão comercializados por meio da plataforma digital do Rocinha UP. A programação inclui a palestra "O Lixo que Vale Ouro", ministrada pela engenheira florestal Aurora Segall; a oficina Transformação Têxtil, com Rita de Cássia; a exposição dos produtos; uma feira colaborativa de artesãs locais, organizada pela Escoart em parceria com o Ateliê Metodista da Rocinha; e o lançamento da campanha de financiamento coletivo, criada para ampliar as ações da iniciativa.

Segundo a diretora de Tecnologia da FAPERJ, Elaine Souza, o propósito do edital PISTA – acrônimo de Parques de Inovação Social, Tecnológica e Ambiental – é fazer com que o apoio à inovação chegue aos territórios, reconheça suas potencialidades e produza impactos reais na vida das pessoas. “O Rocinha UP mostra, de forma muito concreta, o poder transformador da inovação social. Ao reunir sustentabilidade, economia criativa, geração de renda e valorização dos talentos da comunidade, o projeto cria oportunidades e fortalece a capacidade da Rocinha de desenvolver suas próprias soluções”, destaca Elaine.



De acordo com dados do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma) e pelo Programa das Nações Unidas para os Assentamentos Humanos (ONU-Habitat), a humanidade gera até 2,3 bilhões de toneladas de resíduos sólidos urbanos anualmente, uma conta que inclui tudo, desde alimentos até eletrônicos e têxteis. Todos os anos, 92 milhões de toneladas de resíduos têxteis são produzidos globalmente, segundo a The Global Fashion Agenda. Isso é o equivalente a um caminhão de lixo cheio de roupas sendo incinerado ou enviado para um aterro sanitário a cada segundo. Entre 2000 e 2015, a produção de roupas dobrou, enquanto a duração do uso de roupas diminuiu 36%, segundo a Fundação Ellen MacArthur.



Autor: faperj
Fonte: faperj
Sítio Online da Publicação: faperj
Data: 13/08/2026
Publicação Original: https://www.faperj.br/?id=1088.7.5

Nova pesquisa e livro ajudam na compreensão do TDAH


Caracterizado por déficit de atenção, hiperatividade e impulsividade, o TDAH afeta o cotidiano de cerca de 5 a 8% da população mundial (Foto: Magnific)




No dia 13 de julho, comemorou-se o Dia Mundial da Conscientização do Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH), data internacional para conscientizar a população sobre a importância do diagnóstico, tratamento, direitos e inclusão das pessoas com essa condição. No Brasil, a semana que se iniciou em 1º de agosto foi a Semana Nacional de Conscientização sobre o TDAH. Trata-se de um transtorno neurobiológico que costuma se manifestar na infância e também atinge adultos, caracterizado por déficit de atenção, hiperatividade e impulsividade. Ele afeta o cotidiano de cerca de 5% a 8% da população em todo o mundo, segundo dados da Associação Brasileira do Déficit de Atenção (ABDA).

Ao longo dos anos, a FAPERJ vem apoiando o desenvolvimento de diversos estudos sobre o TDAH. Na Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ), pesquisadores analisam, em modelo animal, os efeitos do “treinamento resistido” (exercícios físicos anaeróbicos, de força e resistência) e do uso do cloridrato de metilfenidato (o princípio ativo da ritalina, medicamento bem estabelecido no mercado) para minimizar os sintomas do TDAH. Outra iniciativa contemplada pela Fundação foi a publicação do livro Propostas didáticas à luz da neurociência pedagógica para alunos com TDAH do Ensino Fundamental I, lançado com apoio do programa Auxílio à Editoração, pela editora Letra Capital.

Efeitos do treinamento físico resistido e de medicamentos

Estudos orientados pelo professor Anderson Luiz Bezerra da Silveira, chefe do Departamento de Educação Física e Desportos da UFRRJ, no campus de Seropédica, região metropolitana do Rio, apontam que as atividades físicas anaeróbicas, como a musculação, desempenham um importante papel para amenizar os sintomas comportamentais de TDAH – com resultados comparáveis, em alguns aspectos, aos efeitos do uso do medicamento (cloridrato de metilfenidato), em testes com roedores.
Equipe do Laboratório de Fisiologia e Desempenho Humano, em Seropédica, na UFRRJ: a partir da esq., Roberto Victor, o orientador Anderson Silveira e Ana Késsia (Foto: Divulgação)


Para isso, eles trabalharam em um modelo experimental com ratos geneticamente modificados e hipertensos, da cepa SHR, que possuem sintomas comportamentais análogos aos de pessoas com TDAH, como déficit de atenção, hiperatividade e impulsividade. Os pesquisadores compararam, em grupos distintos de animais, os efeitos de sessões regulares de treinamento de força, com os efeitos do consumo diário do cloridrato de metilfenidato. As pesquisas foram desenvolvidas no Laboratório de Fisiologia e Desempenho Humano (LFDH/UFRRJ) sob diferentes olhares, durante o mestrado de Ana Késsia do Nascimento Gomes, que foi contemplada com bolsa Mestrado Nota 10, da FAPERJ, e durante as graduações em Educação Física de Roberto Victor Figueiredo de Oliveira Gonçalves e de Wallace Martins Viana Ribeiro, alunos que foram respectivamente bolsistas de Iniciação Científica, da FAPERJ, e de mestrado, da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes).

“Dividimos os animais em grupos e realizamos estudos comparativos para avaliar os resultados. Um grupo de ratos foi submetido apenas ao treinamento físico resistido. Outro recebeu apenas a terapia medicamentosa com cloridrato de metilfenidato e não praticou exercícios. Já o terceiro grupo foi submetido à combinação da rotina regular de treinamento físico com a terapia medicamentosa. Também tivemos o grupo controle, que não passou nem pelo treinamento físico, nem recebeu o fármaco, para fins de comparação”, resumiu Anderson Silveira, que é mestre em Educação Física e doutor em Fisiologia pelo Programa de Pós-graduação Multicêntrico em Ciências Fisiológicas (SBFis/UFRRJ).

Em todos os trabalhos, os resultados foram animadores em relação ao papel das atividades físicas anaeróbicas para atenuar os efeitos comportamentais do TDAH. “A terapia farmacológica funcionou, mas o exercício sozinho ou combinado gerou resultados semelhantes à terapia farmacológica administrada de forma isolada”, contou Ana, que defendeu sua dissertação em julho de 2025, com o título Efeito do treinamento resistido de alta intensidade sobre respostas comportamentais no modelo experimental de TDAH.

“Os resultados reforçam que o treinamento físico pode ser um forte aliado para minimizar sintomas como impulsividade, hiperatividade, déficit de atenção e memória e sugerem a importância da pessoa com TDAH seguir uma rotina regular de treinamento físico anaeróbico, combinada com o uso prescrito do medicamento, para potencializar melhores resultados no tratamento. Talvez no futuro, sob orientação médica, seja possível até reduzir as doses de medicamentos para pacientes comprometidos com uma rotina de exercícios físicos”, destacou Anderson.


Capa da obra, pensada para os professores que trabalham com alunos com TDAH (Reprodução)


Um ponto interessante no estudo de Ana Késsia foi a utilização apenas de fêmeas para os experimentos. “No caso específico do meu projeto de pesquisa, optei por trabalhar com ratas fêmeas, porque há poucos estudos com a população feminina com TDAH. Na literatura científica, sabe-se há uma maior prevalência de TDAH no sexo masculino, levando a uma proporção elevada de estudos do transtorno em homens, em relação aos estudos com mulheres”, justificou Ana. “Os resultados também foram mais favoráveis para as ratas submetidas ao treinamento físico”, completou.

No treinamento físico resistido, os pesquisadores utilizaram nos ratos o protocolo "Hornberger and Farrar", que estipula a prática de exercícios anaeróbicos três vezes por semana, durante 12 semanas, em sessões de 20 a 40 minutos – equivalentes a uma sessão de musculação bem organizada. Os estudos, por enquanto, estão na etapa de testes em modelo animal, e não foram realizados de forma clínica (em humanos), mas abrem perspectivas futuras para pensar a saúde da pessoa com TDAH de forma integrada e humanizada, aliando a prática de atividades físicas ao tratamento.

Livro apresenta atividades didáticas para alunos com TDAH

Já a obra Propostas didáticas à luz da neurociência pedagógica para alunos com TDAH do Ensino Fundamental I (Ed. Letra Capital, 2024) apresenta, com uma linguagem didática e acessível, propostas práticas de atividades pedagógicas pensadas especialmente para os professores atenderem às necessidades específicas desse grupo de estudantes (do primeiro ao quinto ano). Assinam o livro os autores Rejane Cristina Schäffer Gallo, Viviane de Oliveira Freitas Lione e Manuel Gustavo Leitão Ribeiro.

O livro surgiu a partir do trabalho de dissertação da pedagoga Rejane, produzido durante o Curso de Mestrado Profissional em Diversidade e Inclusão da Universidade Federal Fluminense (CMPDI/UFF). Orientadora educacional, ela decidiu desenvolver um material com base na sua experiência de trabalho. “Na época, eu era psicopedagoga em uma escola particular da Zona Sul e lidava diariamente com professores que tinham muita dificuldade em lidar com estudantes com TDAH. Observei que eles precisavam de algo mais prático para lidar com essas crianças”, contou Rejane, que já tinha formação anterior na pós-graduação em Neurociência Pedagógica da Universidade Cândido Mendes (Ucam). “Sempre fui apaixonada pelo cérebro humano. Pensar em atividades para prender a atenção de um aluno com TDAH é um desafio que me motivou”, completou.
Os autores Gustavo Ribeiro, Viviane Lione e Rejane Schäffer: livro publicado com apoio da FAPERJ é um produto educacional do Mestrado Profissional em Diversidade e Inclusão da UFF (Foto: Divulgação)


O trabalho foi desenvolvido sob orientação de Manuel Gustavo Ribeiro e co-orientação de Viviane. Ambos são professores do CMPDI/UFF. Ribeiro é professor associado do Instituto de Biologia da Universidade Federal Fluminense (UFF), onde desenvolve pesquisas em Educação, junto ao Núcleo de Estudos e Pesquisas em Autismo (Nepa), e em Bioquímica, usando um modelo animal para estudo do autismo (o invertebrado Caenorhabditis elegans). Viviane é professora da Faculdade de Farmácia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), onde desenvolve pesquisas em biomodelos neurais para o estudo do Transtorno do Espectro Autista (TEA) e realiza pesquisas na área da Educação, atuando como coordenadora do Grupo de Estudos em Transtorno do Espectro do Autismo (GETEA/UFRJ).

As propostas didáticas foram selecionadas com base no cotidiano das escolas, com atividades adaptadas para o perfil de uma criança com TDAH, como pintura, ciências com sabor e saúde, desafios matemáticos, sistemas do corpo humano, confecção de fósseis e jogos teatrais. “Como produto de um mestrado profissional, a ideia é que o livro apresentasse um conteúdo objetivo, voltado para professores do Ensino Fundamental, com atividades lúdicas, mas que tivessem um embasamento teórico por trás. A neurociência ajuda a entender o funcionamento do sistema nervoso central, pensando nas habilidades que podem ser desenvolvidas com as atividades propostas”, disse Ribeiro.

“Existem vários artigos científicos sobre TDAH, mas traduzir essa ciência de forma prática para o professor que está ali na ponta, na sala de aula, foi a nossa preocupação. A literatura específica para o TDAH é mais escassa, existem mais livros voltados ao autismo. Nossa obra tem esse diferencial de auxiliar os professores a entenderem melhor o funcionamento do cérebro de alunos neurodivergentes e melhorar o processo de aprendizado”, justificou Viviane.




Autor: faperj
Fonte: faperj
Sítio Online da Publicação: faperj
Data: 13/08/2026
Publicação Original: https://www.faperj.br/?id=1070.7.5

terça-feira, 11 de agosto de 2026

Pesquisadores debatem a importância da internacionalização da ciência




A ampliação das parcerias internacionais, a formação de redes de pesquisa e os desafios da internacionalização da pós-graduação estiveram em pauta no painel Ciência sem fronteiras: como a cooperação internacional impulsiona soluções para grandes desafios globais, realizado na Rio Innovation Week, no Rio de Janeiro. O encontro discutiu como a atuação em redes colaborativas fortalece a produção científica e contribui para o desenvolvimento de soluções voltadas a desafios como as mudanças climáticas, as emergências em saúde, aquecimento global, desigualdades no acesso a sistemas de saúde entre as populações, entre outros.

Durante a atividade, os participantes destacaram que a internacionalização da pós-graduação vai além da mobilidade acadêmica, representando uma estratégia para fortalecer redes colaborativas de pesquisa e afinar laços de solidariedade entre países, ampliar a circulação do conhecimento e fomentar a construção de soluções inovadoras para problemas que ultrapassam fronteiras.

Os participantes abordaram a importância da Rede Capes Global para o Desenvolvimento Sustentável, Ciência e Saúde, coordenada pela Fiocruz. A iniciativa reúne as universidades federais do Oeste do Pará (Ufopa), da Integração Latino-Americana (Unila), de Mato Grosso do Sul (UFMS), do Piauí (UFPI) e de Rondônia (Unir), promovendo a internacionalização da pós-graduação por meio da cooperação científica, da mobilidade acadêmica e da formação de redes de pesquisa.

Os participantes também enfatizaram que o fortalecimento das parcerias internacionais, especialmente entre países do Sul Global e do Brics, amplia a democratização das oportunidades de cooperação científica, valoriza diferentes experiências e fortalece a produção de conhecimento voltada às necessidades da sociedade. O debate foi realizado pelos pesquisadores André Périssé e Cristiani Vieira Machado, da Fiocruz, e pela professora Fernanda Mello, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). A vice-presidente de Educação, Informação e Comunicação da Fiocruz, Marly Marques da Cruz, participou da atividade.

A iniciativa busca reduzir desigualdades históricas entre instituições e regiões do país. A gestão compartilhada é um dos pilares da iniciativa. Os debatedores observaram que a cooperação internacional deve ser compreendida como uma estratégia de fortalecimento da ciência, da soberania e do acesso à saúde das populações, da formação de profissionais com uma visão mais ampla e solidária em sua atuação na área e seu reflexo na política externa brasileira.

O debate enfatizou a importância da construção de parcerias internacionais sólidas, da preservação da memória institucional para garantir o legado das ações de cooperação e da responsabilidade do Brasil em compartilhar sua experiência em saúde pública. Os participantes destacaram que o Sistema Único de Saúde (SUS) representa uma referência para países que estruturam seus próprios sistemas nacionais de saúde.

Outro ponto ressaltado foi a escuta ativa. Ouvir experiências nascidas em diferentes realidades e aprender com elas é um dos aspectos mais ricos da internacionalização. A construção de redes de cooperação resilientes, capazes de enfrentar crises sanitárias, instabilidades econômicas e mudanças políticas, fortalece a produção científica, contribui para reduzir assimetrias e amplia a soberania sanitária e de saúde das populações.

Período eleitoral

Durante o período eleitoral (de 4 de julho até 25 de outubro), os conteúdos digitais publicados e disponibilizados pela Agência Fiocruz de Notícias (AFN) acompanham as orientações da Advocacia-Geral da União (AGU) e da Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República (Secom). O documento esclarece que é permitida a divulgação de "conteúdo meramente informativo ou de serviço ao cidadão".


Autor: fiocruz
Fonte: fiocruz
Sítio Online da Publicação: fiocruz
Data: 07/08/2026

Pedido de patente de proteína aplicada ao diagnóstico de leishmaniose visceral é submetido ao INPI





A Fiocruz avançou em mais uma etapa no desenvolvimento de tecnologias para o diagnóstico da leishmaniose visceral (LV), com a submissão do pedido de patente de uma proteína quimérica ao Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI). A nova molécula amplia o alcance da inovação ao apresentar eficácia tanto no diagnóstico em seres humanos quanto em cães, fortalecendo as estratégias de vigilância integrada da doença.


O protozoário Leishmania infantum, causador da leishmaniose visceral, pode afetar baço, medula óssea, fígado e gânglios linfáticos (imagem: Francis W. Chandler/CDC/Wikimedia Commons)

A submissão dessa proteína ao INPI dá continuidade a uma trajetória iniciada com a proteína Q5, que já tem patente americana concedida pelo Escritório de Patentes e Marcas Registradas dos Estados Unidos (USPTO). A Q5 demonstrou potencial no diagnóstico da leishmaniose visceral humana na plataforma de teste rápido. Mas quando foram observadas amostras de cães, esse comportamento não foi equivalente.

Essa nova proteína representa um avanço ao dar continuidade ao desempenho diagnóstico e ampliar sua aplicação para dois hospedeiros distintos - cães e seres humanos - utilizando o mesmo antígeno. No Brasil, o cão doméstico é o principal reservatório do parasita Leishmania infantum em áreas urbanas e periurbanas, o que torna o diagnóstico integrado fundamental para o controle da transmissão. A possibilidade de utilizar uma única proteína em diferentes espécies fortalece as ações de vigilância epidemiológica e amplia o potencial de incorporação da tecnologia em políticas públicas de enfrentamento da leishmaniose visceral.

Aplicação em testes rápidos e Elisa

Os testes diagnósticos são produzidos industrialmente por meio de uma parceria da Fiocruz Pernambuco com o Instituto de Tecnologia em Imunobiológicos (Bio-Manguinhos/Fiocruz), unidade responsável pela produção de imunobiológicos. A execução, validação e controle de qualidade dos testes são realizados pela Fiocruz Pernambuco, que também é responsável pelo envio dos antígenos utilizados na fabricação.

Um dos diferenciais do antígeno desenvolvido pela instituição é seu comportamento consistente tanto em testes rápidos quanto em ensaios Elisa, duas metodologias amplamente utilizadas no diagnóstico sorológico da doença. Essa versatilidade amplia as possibilidades de uso da tecnologia em diferentes contextos, desde laboratórios de referência até ações de campo.

O desenvolvimento dessa nova proteína envolve acompanhamento rigoroso da reprodutibilidade dos resultados. Cada lote produzido é testado nas mesmas amostras de referência previamente avaliadas. Quando um soro apresenta resposta adequada no teste, ele deve manter o mesmo padrão de reação em todos os lotes subsequentes.

Esse controle é fundamental para garantir a reprodutibilidade do teste, evitando resultados inconsistentes, como falsos positivos ou falsos negativos. Todos os novos lotes passam por validação comparativa antes de serem considerados aptos para uso.

O projeto é coordenado pelo pesquisador Osvaldo Pompílio, da Fiocruz Pernambuco. A pós-doutoranda Hemilly Silva, integrante da equipe de pesquisa, é responsável pela condução dos testes laboratoriais, pelo acompanhamento técnico dos ensaios diagnósticos e pela validação dos lotes produzidos. A iniciativa conta com a participação do coordenador do Laboratório de Desenvolvimento de Testes Imunodiagnósticos de Bio-Manguinhos, Wagner Tenório.

A doença

A leishmaniose visceral é uma doença potencialmente fatal que afeta órgãos como fígado, baço e medula óssea. Apesar de sua gravidade, ainda enfrenta desafios relacionados ao diagnóstico precoce e ao controle da transmissão, especialmente em regiões endêmicas.

Período eleitoral

Durante o período eleitoral (de 4 de julho até 25 de outubro), os conteúdos digitais publicados e disponibilizados pela Agência Fiocruz de Notícias (AFN) acompanham as orientações da Advocacia-Geral da União (AGU) e da Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República (Secom). O documento esclarece que é permitida a divulgação de "conteúdo meramente informativo ou de serviço ao cidadão".




Autor: fiocruz
Fonte: fiocruz
Sítio Online da Publicação: fiocruz
Data: 10/08/2026

quarta-feira, 5 de agosto de 2026

Fiocruz e Clacso assinam memorando de entendimento sobre pesquisa na América Latina

A Fiocruz e o Conselho Latino-Americano de Ciências Sociais (Clacso) assinaram um memorando de entendimento voltado ao fortalecimento da cooperação internacional entre as duas instituições. O acordo estabelece bases para o desenvolvimento de ações conjuntas nas áreas de ensino, pesquisa, desenvolvimento tecnológico, comunicação, informação e formulação de políticas, com foco especial nos temas saúde, ambiente, território e desenvolvimento sustentável. O memorando também prevê intercâmbio acadêmico, realização de cursos e seminários, compartilhamento de informações técnicas e divulgação de resultados científicos.

Representando o presidente da Fiocruz, Mario Moreira, o vice-presidente de Ambiente, Atenção e Promoção da Saúde (VPAAPS), Valcler Fernandes, destacou que a aproximação com o Clacso está alinhada ao esforço institucional de ampliar o diálogo e as ações com países vizinhos. “Eu quero valorizar o processo de cooperação com a Clacso, que pavimenta um caminho que queremos priorizar, que é olhar para a América Latina como sendo parte dela. Olhar para os territórios observando suas singularidades é uma das principais questões que nos trazem aqui”.

A assinatura reforça uma relação que já vinha sendo construída entre as instituições. A Fiocruz integra a rede do Clacso, composta por mais de mil centros de pesquisa e formação da América Latina e do Caribe. Para o diretor-executivo da entidade, Pablo Vommaro, o memorando representa um passo importante para aprofundar essa parceria. “Acreditamos que este memorando vai aprofundar essa relação. Compartilhamos a concepção de que o pensamento crítico e a produção de conhecimento estão a serviço da transformação social. Assim como a Fiocruz, buscamos a igualdade social e a promoção de diálogos nos territórios com diversos atores sociais, como os povos tradicionais”.

Segundo Vommaro, o fortalecimento da integração latino-americana e da cooperação Sul-Sul, com valorização do multilateralismo, é uma das prioridades estratégicas do Clacso. “Esta parceria é uma oportunidade de aprofundar nosso trabalho no Brasil, país essencial para a região, para a soberania e para a redução das desigualdades por aqui”. No encontro também foram destacadas convergências entre as instituições em temas como povos indígenas, disputas pelo acesso à água, justiça socioambiental e fortalecimento de iniciativas construídas a partir dos territórios.

O coordenador de Cooperação Internacional da VPAAPS, Edmundo Gallo, destacou que, apesar da posição geográfica e da identidade latino-americana do Brasil, as relações de cooperação da Fiocruz com a região ainda não têm o mesmo volume daquelas mantidas com outras partes do mundo. O coordenador-geral do Observatório de Territórios Sustentáveis e Saudáveis da Bocaina (OTSS), Leonardo Freitas, apresentou a experiência do Observatório, desenvolvida em parceria com movimentos sociais e comunidades locais. Segundo ele, a cooperação poderá ampliar a circulação desse conhecimento, inclusive por meio do repositório aberto do Clacso, hoje considerado uma das principais bibliotecas digitais da América Latina na área das ciências sociais.

O memorando de entendimento terá vigência de cinco anos e prevê a criação de um comitê coordenador responsável pelo acompanhamento das ações conjuntas. Entre as atividades previstas estão projetos de pesquisa e desenvolvimento, intercâmbio entre pesquisadores, estudantes e profissionais, a organização de eventos científicos e o fortalecimento de redes de conhecimento na América Latina e no Caribe.

O documento também reconhece o histórico de colaboração entre as instituições e o interesse mútuo em fortalecer a cooperação internacional em saúde, ciência e tecnologia. Com a assinatura do acordo, Fiocruz e Clacso consolidam uma agenda voltada à produção compartilhada de conhecimento, à valorização dos territórios e ao fortalecimento da integração regional em torno de temas estratégicos para a saúde e o desenvolvimento sustentável latino-americano.

Período eleitoral

Durante o período eleitoral (de 4 de julho até 25 de outubro), os conteúdos digitais publicados e disponibilizados pela Agência Fiocruz de Notícias (AFN) acompanham as orientações da Advocacia-Geral da União (AGU) e da Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República (Secom). O documento esclarece que é permitida a divulgação de "conteúdo meramente informativo ou de serviço ao cidadão".



Autor: fiocruz
Fonte: fiocruz
Sítio Online da Publicação: fiocruz
Data: 04/08/2026
Publicação Original: https://fiocruz.br/noticia/2026/08/fiocruz-e-clacso-assinam-memorando-de-entendimento-sobre-pesquisa-na-america-latina

Aids 2026 debate prevenção, financiamento e acesso equitativo

Durante a última semana, 7 mil pessoas se reuniram no Rio de Janeiro para debater os caminhos com relação à resposta global à infecção pelo HIV. Cientistas, lideranças da saúde global, representantes de governos, da indústria e da sociedade civil integraram a 26ª Conferência Internacional de Aids (Aids 2026), que teve como temas centrais nos debates os avanços nas pesquisas em relação a cura e a profilaxia, acesso equitativo à tecnologias em saúde, crise global de financiamento, redução de preços, estigma e a mobilização pela vida.



Realizada pela primeira vez na América do Sul, a conferência teve o Brasil como palco das discussões e o papel do país no enfrentamento da Aids foi destaque

“Nesta semana, analisamos os avanços científicos e programáticos que oferecem a oportunidade de reconstruir e repensar a resposta ao HIV”, pontuou a presidente da Sociedade Internacional de Aids (IAS) e chefe do Laboratório de Pesquisa Clínica em HIV/Aids e IST do Instituto Nacional de Infectologia Evandro Chagas (INI/Fiocruz), Beatriz Grinsztejn. “Os avanços nas opções de tratamento e prevenção estão ocorrendo rapidamente. Pelo que ouvi aqui, estou ainda mais convencida de que alcançaremos a cura e encontraremos uma vacina eficaz. Temos todos os motivos para não perder a esperança”.

Grinsztejn reforçou que a conferência ocorreu em um momento de grandes desafios para a resposta global ao HIV, principalmente pela crise global de financiamento que impacta diretamente na resposta, com prejuízo aos serviços e programas de saúde. Realizada pela primeira vez na América do Sul, a conferência teve o Brasil como palco das discussões e o papel do país no enfrentamento da Aids foi destaque. O Brasil é referência internacional na oferta de estratégias de prevenção, diagnóstico e tratamento do HIV. O congresso é organizado pela IAS e esta edição teve apoio do Ministério da Saúde e da Fiocruz.

“O Brasil sediar esta conferência é uma mensagem em si”, disse Grinsztejn. “Crises convergentes estão abalando a resposta ao HIV: mudanças geopolíticas, cortes repentinos de financiamento e crescente hostilidade às comunidades mais afetadas. Este é o lugar certo para termos as conversas que a pandemia de HIV exige: sobre poder e recursos”.



Beatriz Grinsztejn: "estou ainda mais convencida de que alcançaremos a cura e encontraremos uma vacina eficaz"

Acompanhando as atividades de abertura da conferência, o presidente da Fiocruz, Mario Moreira, ressaltou a importância social e científica do encontro, chamando atenção para o compromisso institucional da Fundação com a resposta à epidemia de Aids: "A Fiocruz tem um compromisso histórico com o enfrentamento ao HIV e participa desta tradicional conferência levando suas contribuições para a pesquisa clínica, sua expertise na produção de medicamentos e o fortalecimento do SUS, além de participar do debate sobre o acesso universal a bens e tecnologias em saúde e a defesa dos direitos humanos”.

Diretor-geral da Organização Mundial da Saúde (OMS), Tedros Adhanom também citou, durante a sessão de abertura, a crise de financiamento, a urgência de acesso universal a medicamentos, a proteção e centralidade das comunidades, o fim da criminalização de pessoas vulnerabilizadas e reforçou ser falsa a ideia de que a epidemia da doença acabou. Ele disse que é preciso reorganizar as prioridades globais de enfrentamento ao HIV. “Não é uma luta finalizada”, disse Adhanom. “Nós viemos ao Rio para defender e construir o que vem a seguir. Esse é o sentido do tema desta conferência: repensar, reconstruir, erguer-se”.

Além de Adhanom, outras autoridades da saúde global participaram da conferência, como o diretor da Organização Pan-Americana da Saúde (Opas), Jarbas Barbosa, e a diretora-executiva do Programa Conjunto das Nações Unidas sobre HIV/Aids (Unaids), Winnie Byanyima. O ministro da Saúde do Brasil, Alexandre Padilha, e lideranças da pasta também integraram as discussões. Segundo Padilha, está em avaliação a incorporação de novas tecnologias de prevenção, incluindo a PrEP injetável de longa duração. Uma proposta de incorporação dessa tecnologia, administrada a cada dois meses, foi encaminhada à Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS (Conitec) e será analisada em agosto.

Parceria pelo fortalecimento da resposta ao HIV

Como apoiadora do evento, a Fiocruz e sua comunidade científica participaram ativamente da conferência. Na terça-feira (28/7), a Fiocruz e a MSD Brasil assinaram um memorando de entendimento que prevê a avaliação de uma parceria relacionada ao MK-8527, medicamento em estudo de ação prolongada para Profilaxia Pré-Exposição (PrEP) ao HIV. O acordo tem potencial de fortalecer a capacidade nacional de produção de tecnologias inovadoras em saúde e ampliar o acesso da população brasileira a novas opções de prevenção ao HIV — condicionado a resultados positivos dos estudos clínicos de fase 3 em andamento e à eventual aprovação regulatória do medicamento.

Em um estande, a Fiocruz levou aos participantes informações institucionais sobre sua atuação na área. No estande, circularam, principalmente, pessoas de países da América do Sul e África, interessadas na produção nacional de medicamentos antirretrovirais e no funcionamento do sistema único de saúde do país. Os brasileiros também visitaram o estande para conhecer mais sobre as tecnologias produzidas pela Fiocruz e disponíveis no SUS.

A Fiocruz produz testes rápidos para detecção do HIV, que favorecem o diagnóstico precoce, o início oportuno do tratamento e, assim, ajudam no controle das infecções. E lançou recentemente o autoteste HIV ½ e produz também o kit molecular NAT Plus HIV/HBV/HCV/Malária, que complementa os testes sorológicos oferecidos nos hemocentros do país. A Fiocruz fornece dez antirretrovirais para o SUS, sendo o Dolutegravir o mais moderno por suas vantagens tecnológicas e pelo perfil favorável de adesão. Pesquisadores da instituição apresentaram trabalhos e integraram discussões científicas ao longo da programação, contribuindo para os progressos em pesquisas.

Entre as atividades paralelas ao congresso, foi celebrado o aniversário de 20 anos da Unitaid, iniciativa global de saúde fundada em 2006 por Brasil, Chile, França, Noruega e Reino Unido. O evento ocorreu na última segunda-feira (27/7) e a Fundação foi representada por seu presidente, Mario Moreira.

Mais informações sobre os trabalhos divulgados e avanços compartilhados na conferência, basta acessar o site da IAS.

Período eleitoral

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Autor: fiocruz
Fonte: fiocruz
Sítio Online da Publicação: fiocruz
Data: 04/08/2026
Publicação Original: https://fiocruz.br/noticia/2026/08/aids-2026-debate-prevencao-financiamento-e-acesso-equitativo