sexta-feira, 6 de fevereiro de 2026

Pesquisa na Pesagro estabelece padrão para a produção da farinha de banana verde


O principal diferencial da banana verde é o amido resistente, um carboidrato insolúvel (Foto: Pixabay)

O Brasil é o quarto produtor mundial de bananas, tendo colhido pouco mais de 7 milhões de toneladas em 2024, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O Vale da Ribeira, em São Paulo, é a maior região produtora, com 40 mil hectares cultivados. Entretanto, as perdas chegam a 40% da produção, em média, principalmente devido à inadequação na colheita e na estocagem, transporte e, especialmente, devido aos frutos fora do tamanho padrão para uso de mesa. A farinha de banana verde tem sido uma alternativa para o completo aproveitamento das bananas na cadeia produtiva, garantindo as qualidades nutricionais da fruta além de disponibilizar o amido resistente (AR), o que caracteriza o produto como alimento funcional.

Projeto conduzido ao longo de três anos na Empresa de Pesquisa Agropecuária do Estado do Rio de Janeiro (Pesagro-Rio), com o apoio do Programa de Bolsa de Treinamento e Capacitação Técnica em Apoio à Pesquisa e Desenvolvimento do Setor Agropecuário e da Agroindústria do Estado do Rio de Janeiro (TCT Agro), da FAPERJ, estabeleceu os parâmetros para a produção e conservação da farinha de banana verde. Segundo a pesquisadora Eliane Rodrigues, coordenadora do estudo, a farinha de banana verde é rica em fibras, sais minerais e vitaminas, e possui um grande diferencial em relação às demais farinhas: o amido resistente, alimento funcional que auxilia nas defesas do organismo e no trânsito intestinal. Ela pode ser empregada na fabricação de vários alimentos como sopas, comidas infantis, bolos, biscoitos, dentre outros, dependendo da granulometria.

Com cerca de 30 espécies conhecidas e 700 diferentes variedades, a banana (Musa spp.) pertencente à família das Musaceae, é uma fruta de rápido cultivo e fácil propagação, sendo produzida em grande escala no mundo todo, mas especialmente nos países tropicais. Uma das frutas mais consumidas em diversos países, a banana é rica em fibras, sais minerais como potássio, manganês e magnésio, vitaminas B1, B6, A e C, e betacaroteno, além de também ser rica em triptofano, um aminoácido que proporciona aumento da serotonina.
 

O projeto estabeleceu parâmetros para higiene de bancadas e utensílios e a padronização nutricional e sanitária do produto (Fotos: Divulgação)


“No caso da banana verde, seu principal diferencial é o amido resistente, um carboidrato insolúvel que sofre fermentação bacteriana no intestino, reforçando o sistema imunológico e reduzindo a ocorrência de doenças inflamatórias, colaborando para regular níveis de colesterol e glicemia, até mesmo podendo prevenir o câncer de cólon, caracterizando, assim, o produto como funcional”, explica a pesquisadora.

Eliane Rodrigues conta que diversas pequenas agroindústrias do estado do Rio de Janeiro aproveitam a banana verde fora do tamanho padrão de consumo para fazer farinha. No entanto, não havia parâmetros de qualidade no processo produtivo, fazendo com que o produto oferecido nas prateleiras ao consumidor não tivesse um padrão de qualidade. E sua pesquisa foi justamente para cobrir essa lacuna: determinar a qualidade físico-química, microbiológica e toxicológica das farinhas ofertadas no mercado consumidor.

O projeto-piloto foi executado na Fumel, agroindústria localizada em Cachoeiras de Macacu (maior produtor de banana do RJ), que recebe a produção de diversos pequenos produtores do estado e é um dos maiores produtores de banana-passa, bananada e outros subprodutos da banana. O objetivo agora é replicar o método e acompanhar a produção das diversas marcas de farinha de banana verde comercializadas no estado do Rio de Janeiro, garantindo a inocuidade microbiológica do produto e estabelecendo um protocolo de padronização nutricional e sanitária do produto. Além de determinar o melhor ajuste da temperatura e do tempo da desidratação, a fim de manter a característica nutricional, a pesquisa estabeleceu parâmetros para higiene de bancadas e utensílios, e até mesmo o melhor material para a embalagem da farinha, visando evitar possível contaminação.


Eliane Rodrigues: para a pesquisadora, o mais importante é que na produção da farinha da banana verde não há perda do amido resistente


Para a pesquisadora, o mais importante é que, na produção da farinha a partir da banana verde, não há perda do amido resistente, cujo percentual chega a aproximadamente 40% do produto. “Conseguimos manter o produto como alimento funcional”, comemora a farmacêutica. Além disso, os estudos também contribuíram para atestar a não ocorrência da micotoxina fumonisina nas amostras de farinha analisadas durante os três anos de experimento. Causada pela contaminação das bananas pelo fungo Fusarium spp., a micotoxina fumonisina é uma das principais doenças da bananeira.

Eliane explica que no Centro Estadual de Pesquisa em Qualidade de Alimentos da Pesagro, em Niterói, é feito o controle de qualidade de diversos tipos de alimentos, englobando os aspectos físico-químicos, microbiológicos, sensoriais e de contaminantes. Somado a isso, são desenvolvidas novas tecnologias de fabricação e estudos com processamento tecnológico de alimentos.

Graduada em Farmácia, mestre e doutora em Medicina Veterinária e Processamento Tecnológico de Produtos de Origem Animal pela Universidade Federal Fluminense (UFF), Eliane foi a primeira pesquisadora do estado do Rio a trabalhar com homeopatia em animais, obtendo uma redução de 90% da mastite (inflamação das tetas) em vacas submetidas a esse tratamento. Na área de Tecnologia de Alimentos, dedicou-se ao estudo de produtos de origem animal, inicialmente com leite e derivados lácteos e depois com carnes. Segundo ela, o laboratório também apoia as ações de vigilância sanitária da Superintendência de Defesa Agropecuária da Secretaria de Estado de Agricultura, sendo o único órgão público autorizado a emitir laudos técnicos para o Serviço de Inspeção Estadual. “Todas as nossas atividades visam a segurança dos alimentos e a saúde do consumidor”, resume.


Veja videorreportagem no canal da FAPERJ no YouTube sobre as atividades do Centro Estadual de Pesquisa em Qualidade de Alimentos (CEPQA) da Pesagro-Rio: aqui.


Autor: faperj
Fonte: faperj
Sítio Online da Publicação: faperj
Data: 05/02/2026
Publicação Original: https://www.faperj.br/?id=913.7.9

Jogo de tabuleiro ajuda estudantes a refletir sobre o trabalho do cuidado




Ao assumir as personagens do 'Jogo do Cuidado', os participantes têm a oportunidade de viver as experiências de quem mora nas grandes cidades. Reflexões sobre acesso à moradia, saneamento, segurança, transporte, saúde e outros direitos e infraestruturas (Foto: Divulgação/Eric Lobo)


Questões relacionadas à reprodução social e ao chamado trabalho do cuidado estão presentes no dia a dia de muitas pessoas. Sobretudo das mulheres que, geralmente, carregam a responsabilidade e o peso de cuidar de crianças e idosos e de dar conta de uma série de afazeres domésticos. Para discutir esses e outros aspectos de um trabalho não remunerado e quase sempre invisibilizado, pesquisadoras da Escola de Arquitetura e Urbanismo e do Programa de Pós-Graduação em Arquitetura e Urbanismo da Universidade Federal Fluminense (UFF), sob a coordenação da professora Rossana Brandão Tavares, criaram o “Jogo do Cuidado – Um jogo sobre o direito à cidade das mulheres”. O grupo vem discutindo a problemática da reprodução social nos territórios urbanos e produziu um jogo de tabuleiro como material de apoio didático para que professores do Ensino Médio possam trabalhar essas questões com seus alunos.

O território onde o jogo é disputado é a Região Portuária da cidade do Rio de Janeiro, lugar onde a professora realiza sua investigação há mais de uma década. O tabuleiro do jogo é dividido em dez áreas, como a Central do Brasil, os bairros da Gamboa, Saúde e Santo Cristo, a favela da Providência, a Praça Mauá e a Cidade do Samba. São locais onde vivem e transitam os dez personagens do jogo, que retratam a diversidade de grupos sociais, com gênero, idade, raça e orientação sexual diferentes. As características de cada um deles estão descritas na carta relativa a esse personagem. A carta traz também o grau de instrução, o local de moradia e o objetivo de cada um.

Produzido a partir de recursos do programa Jovem Cientista do Nosso Estado da FAPERJ, o jogo conta com outras 41 cartas – de sorte, de revés, de direitos e com coringas – que ficam na mesa para serem compradas pelos participantes à medida que o jogo se desenrola. Além delas, há dez peões e cédulas que simbolizam o Capital do Cuidado e o Capital Econômico.


Parte do Grupo de Estudos e Pesquisa Urb.Anas, da Escola de Arquitetura e Urbanismo da UFF. Pesquisadores vêm estudando as contradições a respeito da reprodução social e do trabalho do cuidado (Foto: Divulgação/Tayná Silva)

Ao longo de cada partida, os participantes têm a oportunidade de viver as experiências dos personagens que se assemelham às situações enfrentadas pelas pessoas nas grandes cidades – com todas as dificuldades e enfrentando desafios relacionados a diferentes questões cotidianas, como acesso à moradia, segurança, serviços de transporte, de saúde e de educação. A meta de cada participante é não ser expulso do jogo e acumular maior Capital do Cuidado, ou seja, incidir no território com infraestruturas e equipamentos que apoiem o trabalho do cuidado. À medida que as cartas da mesa são tiradas, surgem novas situações que podem melhorar ou piorar as condições de vida de cada área e de cada um. Ao final, vence o jogador que acumular o maior valor de Capital do Cuidado.

“O jogo é fruto da pesquisa que realizamos sobre a vida cotidiana das mulheres na cidade atravessada pelo trabalho do cuidado, e foi pensado para apoiar atividades realizadas em sala de aula. Em parte, ele é baseado nas dinâmicas sociais e urbanas da Região Portuária do Rio de Janeiro. O objetivo é contribuir para a compreensão das contradições a respeito da reprodução social e do trabalho do cuidado”, explica Rossana, idealizadora do jogo e professora da Escola de Arquitetura e Urbanismo e do Programa de Pós-graduação em Arquitetura e Urbanismo da UFF.

O jogo de tabuleiro é um produto do projeto “Inversões Urbanas – Cartografias da reprodução social dos territórios” desenvolvido pelo Grupo de Estudos e Pesquisa Urb.Anas da Escola de Arquitetura e Urbanismo da UFF. Como as cidades não são pensadas e estruturadas para facilitar o trabalho do cuidado, o tema tem sido trabalhado para aprofundar uma agenda de pesquisa no campo da Arquitetura e Urbanismo, assim como no Planejamento Urbano e Regional.


Professora e idealizadora do jogo, Rossana Brandão Tavares vem estudando caminhos para a articulação entre os problemas urbanos e de moradia, familismo e a reprodução social. A pesquisadora desenvolve há 15 anos suas investigações sobre a Região Portuária do Rio (Foto: Divulgação/Camille Cristine)


“A proposta da pesquisa é justamente estudar, compreender e propor caminhos para a articulação entre os problemas urbanos e a reprodução social que, historicamente, é de responsabilidade das mulheres. Dessa forma, discutimos a importância de pensar as cidades a partir da ética do cuidado e da gestão feminista do habitat”, explica Rossana, coordenadora do Urb.Anas e Jovem Cientista do Nosso Estado.

Como uma das ações previstas no programa da FAPERJ é a promoção de práticas relacionadas à pesquisa em escolas públicas no estado, a equipe coordenada por Rossana realizou atividades com os alunos do Colégio Estadual Reverendo Hugh Clarence Tucker, na Gamboa. Eles são moradores da região. Em conjunto com os pesquisadores e seus professores, os estudantes puderam refletir sobre as condições de vida no local, o trabalho do cuidado, o cotidiano das mulheres e questões como familismo e reprodução social.

O “Jogo do Cuidado” foi lançado no final de 2025, na Semana Acadêmica da UFF. O jogo e a pesquisa também foram apresentados e discutidos em outros eventos acadêmicos e em uma audiência pública da Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher, na Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj).

Foram impressas 20 unidades do jogo e, diante do grande interesse que ele vem despertando nos eventos em que foi apresentado, a equipe do Urb.Anas desenvolveu um site, a partir do qual o tabuleiro e todas as cartas do jogo podem ser impressos. O site será lançado oficialmente dia 3 de março, às 16h, em um encontro virtual com as pesquisadoras, mas já pode ser acessado em: www.jogodocuidado.com.br . Na ocasião, também será apresentado o site www.urbanasuff.arq.br , onde será possível acompanhar as atividades do grupo de pesquisas.




Autor: faperj
Fonte: faperj
Sítio Online da Publicação: faperj
Data: 05/02/2026
Publicação Original: https://www.faperj.br/?id=950.7.9

Chamada apoiará colaborações em bioeconomia e desenvolvimento sustentável


(foto: Wikimedia Commons)

FAPESP e FAPEAM financiarão projetos bilaterais que gerem inovações com base na sociobiodiversidade amazônica


A FAPESP anuncia o lançamento de uma chamada de propostas em conjunto com a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas (FAPEAM), para o financiamento de pesquisas em ciência, tecnologia e inovação em bioeconomia amazônica, a partir da articulação de colaborações entre pesquisadores dos estados de São Paulo e do Amazonas.

A chamada – a terceira no âmbito do acordo de cooperação entre as instituições – visa apoiar a criação e o aprimoramento de tecnologias, processos e produtos inovadores para a valorização da sociobiodiversidade amazônica, a transição para uma economia de baixo carbono e a inclusão social.

FAPESP e FAPEAM também pretendem fomentar pesquisa em inovação e tecnologia avançada com potencial de gerar cadeias de valor sustentáveis e que contribuam com a inserção mercadológica de bioprodutos e biotecnologias amazônicas em cadeias de valor nacionais e globais, incluindo a criação ou o aprimoramento de mecanismos de certificação e rastreabilidade.

A chamada está aberta a pesquisadores vinculados a instituições de ensino superior e pesquisa dos estados de São Paulo e Amazonas. As propostas devem ter como representantes dois coordenadores, um de cada estado, e devem ser elaboradas conjuntamente entre as metades paulista e amazonense do consórcio. Serão apoiadas propostas que se atenham às quatro linhas temáticas da chamada:

• Linha 1 - Governança, Instrumentos Regulatórios e Modelos de Negócios Sustentáveis em Bioeconomia, tendo como foco principal a estruturação, a viabilidade e a competitividade do ambiente bioeconômico;
• Linha 2 - Descarbonização, Energias Renováveis e Economia Circular na Amazônia, cujo objetivo predominante é o impacto ambiental e energético da tecnologia/processo/serviço proposto;
• Linha 3 - Desenvolvimento de Bioprodutos, Bioprocessos e Biotecnologias da Sociobiodiversidade, com foco na geração de soluções tecnológicas inovadoras derivadas da biodiversidade amazônica;
• Linha 4 - Valorização do Capital Humano e Economia Criativa para a Bioeconomia, instrumentalizando identidades culturais como vetores estratégicos para o desenvolvimento da bioeconomia e incluindo ações de empreendedorismo social.

FAPESP e FAPEAM apoiarão projetos por até 36 meses. Serão selecionados até 10 projetos.

A FAPEAM destinará um total de R$ 2 milhões para a chamada. A FAPESP reservou um valor global de R$ 6 milhões e aplicará à chamada as normas de apoio e condições de elegibilidade da modalidade de fomento Auxílio à Pesquisa – Regular.

Cada coordenador deverá submeter proposta à Fundação de Amparo à Pesquisa de seu respectivo estado, por meio do SIGFAPEAM, do lado amazonense, e do SAGe, do lado paulista. O prazo para submissão é 23 de março.

A chamada está publicada em: fapesp.br/17974.




Autor: fapesp
Fonte: fapesp
Sítio Online da Publicação: fapesp
Data: 30/01/2026

quinta-feira, 29 de janeiro de 2026

Projeto aposta na Educação Financeira para promover inclusão e sustentabilidade

O endividamento das famílias brasileiras atingiu níveis alarmantes em 2025, passando de 79% em outubro, segundo levantamento da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC). Como agravante, os dados da Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (PEIC) mostram que 30,5% das famílias estavam com dívidas atrasadas e 13,2% não tinham condições de quitá-las. A pesquisa considera, como dívidas, as contas a vencer nas modalidades cartão de crédito, cheque especial, carnê de loja, crédito consignado, empréstimo pessoal, cheque pré-datado e prestações de carro e de casa. Segundo a confederação, o aumento do endividamento pode ter sido consequência das compras durante a Black Friday e as antecipadas para o Natal.

“Há também um forte apelo de consumo, agravado pelos jogos de apostas, a facilidade do comércio eletrônico e tantas outras transformações que a gente fica sem saber para onde ir”, pondera a pesquisadora doutora Branca Regina Cantisano dos Santos e Silva, da Faculdade de Administração e Finanças da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (FAF/Uerj). Ela venceu o edital Pensa Rio - Apoio ao Estudo de Temas Relevantes e Estratégicos para o Estado do Rio de Janeiro com o projeto “Educação Financeira Inteligente como Ferramenta de Inclusão Social e Desenvolvimento Sustentável”.


O projeto considera que altos índices de endividamento perpetuam as desigualdades sociais

O objetivo do projeto é implementar, avaliar e consolidar um programa de Educação Financeira Inteligente, em um polo da Fundação de Apoio à Escola Técnica (Faetec), como modelo piloto estadual, fundamentado no “Método Eu Lucro Para Sempre” (MELPS), criado e gerido pela professora Luciana Maria, CEO da Lucrativa, empresa de educação financeira, com o objetivo de formar jovens financeiramente conscientes, validar cientificamente os resultados e divulgar as metas alcançadas, para fomentar as políticas públicas, com o uso de recursos digitais (podcasts, QR Codes, murais interativos etc.), seminários e premiações, estimulando o protagonismo estudantil e promovendo aprendizagem efetiva.

“O estado do Rio de Janeiro enfrenta um desafio estrutural: jovens ingressam no mercado de trabalho sem preparo financeiro, o que contribui para altos índices de endividamento e para a perpetuação de desigualdades sociais”, consta da justificativa do projeto. Alinhado ao Plano Nacional de Educação Financeira (PNEF 2021–2030) e aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS 4, 8 e 10), o trabalho utiliza uma metodologia organizada em quatro etapas: Estruturação Inicial e Diagnóstico Científico; Implementação Pedagógica e Engajamento; Sistematização Científica e Expansão; e Consolidação, Sustentabilidade e Disseminação. Além da formação dos jovens em educação financeira e da conscientização sobre a importância desse aprendizado para a sociedade, serão produzidos livros temáticos, será criado o Observatório de Educação Financeira Juvenil na Uerj, entre outros resultados. “Esperamos impactar diretamente milhares de jovens e suas famílias, fortalecer a cidadania financeira, reduzir vulnerabilidades, gerar um banco de dados inédito, publicar artigos científicos, organizar eventos de disseminação e entregar uma proposta oficial de expansão educacional para a rede Faetec”, explica a professora.


Branca Cantisano: com o projeto, a pesquisadora espera impactar milhares de jovens e suas famílias, criando uma rede de disseminação para que se instaure a cultura da educação financeira

“Conseguimos reunir um grupo muito interessante”, afirma Branca, cuja equipe é composta, entre outros, pelo doutor em Administração de Empresas com ênfase em Finanças, Paulo Vitor Jordão da Gama Silva, do Departamento de Ciências Contábeis da Faculdade de Administração e Finanças da Uerj. Ele é autor de livros sobre criptomoedas e dinheiro virtual. A contribuição de Paulo Vitor no Pensa Rio está voltada à articulação entre educação financeira, tecnologia e comportamento econômico, ajudando a traduzir conceitos complexos – como crédito, risco e novas formas de dinheiro, a exemplo das criptomoedas e de projetos de moedas digitais de bancos centrais, como o DREX, no Brasil – em ferramentas práticas que ampliem a autonomia financeira dos jovens.

Outra colaboradora é Maria Isabel de Castro de Souza, que foca a educação financeira na saúde e mantém um podcast sobre o assunto na Unidade de Desenvolvimento Tecnológico da Uerj (UDT/Uerj) – onde coordena o projeto Teleodonto. Também integram a equipe a doutora Herika Crhistina Maciel de Oliveira Costa, que se dedica ao projeto de inovação social da Uerj que auxilia a população de baixa renda a preencher corretamente a declaração do Imposto de Renda; e o professor doutor José Mauro Gonçalves Nunes, psicólogo que aborda a autonomia, o senso crítico e a responsabilidade, para que o jovem aprenda desde cedo a tomar decisões conscientes sobre finanças e consumo que impactam positivamente no seu presente e no seu futuro; o professor doutor Guilherme Portugal, com prêmios na área de custos; e a doutora Danúbia da Cunha de Sá Caputo que também aborda as finanças na área da saúde.

Branca, que conta com o apoio da FAPERJ desde 2007 e, atualmente, é Cientista do Nosso Estado (CNE), já criou um "jogo da mesada", que, de forma lúdica, auxilia jovens a administrar o dinheiro que recebem da família. É um background em educação financeira. “Esperamos que o projeto crie uma rede de disseminação para que se instaure a cultura da educação financeira”, afirma a professora. Segundo ela, a Faetec promoverá um grande seminário, em parceria com diversas secretarias, para que o projeto seja incluído no currículo pedagógico do estado. “A educação financeira pode vir a ser uma grande virada na educação, não apenas junto aos alunos do ensino médio, mas também do fundamental”, aposta a pesquisadora.


Autor: Paula Guatimosim
Fonte: faperj
Sítio Online da Publicação: faperj
Data: 28/01/2026
Publicação Original: https://www.faperj.br/?id=946.7.0

Pesquisas desenvolvidas na UFRJ avançam no cuidado com a saúde mental

Pesquisas conduzidas na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) vêm ampliando o conhecimento científico sobre saúde mental ao abordar temas como ansiedade, autoestima, depressão e suas relações com doenças neurológicas. Os estudos buscam compreender diferentes dimensões desses transtornos e desenvolver estratégias de intervenção capazes de contribuir para a melhoria da qualidade de vida e do bem-estar da população. A campanha "Janeiro Branco", que acontece sempre no primeiro mês do ano, procura sensibilizar a sociedade para os impactos do adoecimento mental.




Um dos projetos em andamento analisa os impactos psicofisiológicos da ansiedade em estudantes universitários, grupo que apresenta índices crescentes de sintomas ansiosos. A pesquisa investiga como esses sintomas afetam aspectos acadêmicos, sociais, econômicos e a saúde mental dos jovens, além de propor estratégias de intervenção voltadas ao manejo da ansiedade e à redução de seus efeitos negativos.

Outro estudo apoiado pela Fundação avalia a eficácia de uma intervenção terapêutica em grupo para o aumento da autoestima, baseada no protocolo T’AMA, desenvolvido por Fennell. A pesquisa será conduzida por meio de um ensaio clínico randomizado, com grupos controle ativo e passivo, e tem como objetivo gerar evidências científicas sobre a aplicação dessa abordagem no contexto brasileiro. A baixa autoestima está associada a diversos desfechos negativos, como depressão, ansiedade, distúrbios alimentares e dificuldades no tratamento de outros transtornos psicológicos.

Na área biomédica, uma terceira pesquisa investiga as conexões moleculares entre a doença de Alzheimer e a depressão, duas condições frequentemente associadas, especialmente na população idosa. O estudo busca compreender como alterações na síntese proteica cerebral podem representar um elo entre essas doenças, contribuindo para a identificação de novos mecanismos fisiopatológicos e potenciais alvos terapêuticos.

Para a presidente da FAPERJ, Caroline Alves, o apoio a pesquisas em saúde mental é estratégico para o desenvolvimento científico e social do estado. “A saúde mental é um dos grandes desafios da atualidade e exige respostas baseadas em evidências científicas. Ao apoiar pesquisas que vão da clínica à biologia molecular, a FAPERJ reafirma seu compromisso com a produção de conhecimento de excelência, capaz de gerar impactos concretos na vida das pessoas e subsidiar políticas públicas mais eficazes”, destaca.

Ao fomentar pesquisas que abordam diferentes aspectos da saúde mental, a FAPERJ fortalece a ciência produzida no estado do Rio de Janeiro e contribui para o desenvolvimento de soluções inovadoras, com potencial de beneficiar tanto a prática clínica quanto a formulação de estratégias de cuidado em saúde.




Autor: Cristina Cruz
Fonte: faperj
Sítio Online da Publicação: faperj
Data: 28/01/2026
Publicação Original: https://www.faperj.br/?id=953.7.8

O que se sabe sobre os casos do vírus Nipah na Índia

Dois casos confirmados do vírus Nipah na Índia provocaram alerta a nível internacional.

A Índia confirmou dois casos do vírus Nipah em Bengala Ocidental, uma região na parte oriental do país que faz fronteira com Bangladesh, Butão e Nepal.

Ambos os pacientes infetados são profissionais de saúde da região e estão hospitalizados nos cuidados intensivos.

O governo indiano acrescentou que 196 contactos dos casos confirmados estão assintomáticos e testaram negativo para o vírus.



O Ministério da Saúde refere que os dados disponíveis indicam não haver motivo para alarme no que diz respeito à segurança dos indivíduos e dos seus familiares.
O que é o vírus Nipah?

O vírus Nipah é uma doença que pode ser transmitida por animais, através de alimentos contaminados ou pelo contacto com uma pessoa infetada.

É encontrado principalmente em morcegos nas regiões costeiras e em várias ilhas do Oceano Índico, Índia, Sudeste Asiático e Oceânia.

O vírus Nipah tem potencial epidémico ou pandémico significativo, uma vez que pode ser transmitido por animais domésticos, sendo também possível a transmissão secundária entre seres humanos.

Em pessoas infetadas, provoca quadros que vão desde assintomáticos até doenças respiratórias agudas e encefalite fatal.


Países vizinhos reforçam vigilância

Alguns países vizinhos da Índia estão a implementar controlos para viajantes provenientes da região indiana afetada e a emitir alertas oficiais.

A Tailândia introduziu controlos nos aeroportos para pessoas que viajem de Bengala Ocidental. Até ao momento, nenhum caso foi detetado fora da Índia.

O país também recomenda vigilância especial para visitantes em áreas associadas a morcegos.


O Nepal também implementou novas medidas na sequência dos casos na Índia, reforçando a vigilância na sua fronteira com a Índia e nos aeroportos.
Surtos de Nipah em 2025

Não é invulgar ocorrerem surtos do vírus Nipah em áreas de maior risco.

Desde 1998, foram registados surtos no Bangladesh, Índia, Malásia, Filipinas e Singapura, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS).

Em julho de 2025, a Índia confirmou quatro casos, incluindo duas mortes em dois distritos do estado de Kerala, no sudoeste do país, uma região com surtos regulares desde 2018.

O Bangladesh reportou também quatro casos do vírus entre janeiro e agosto de 2025. A doença é endémica no país e, desde o primeiro surto reconhecido em 2001, infeções em humanos têm sido detectadas quase todos os anos.

Em ambos os casos, a OMS considerou baixo o risco de propagação internacional da doença.

No entanto, a agência internacional salienta a necessidade de aumentar a sensibilização para os fatores de risco, uma vez que atualmente não existem medicamentos ou vacinas específicos para a doença causada pelo vírus Nipah.



Autor: Marta Iraola Iribarren
Fonte: euronews
Sítio Online da Publicação: euronews
Data: 28/01/2026
Publicação Original: https://pt.euronews.com/saude/2026/01/28/india-o-que-se-sabe-sobre-os-casos-do-virus-nipah

quarta-feira, 14 de janeiro de 2026

O pólo norte magnético abranda e muda de direção: teremos de mudar as nossas bússolas e GPS?


Diferença entre polo norte magnético e polo norte geográfico
O polo geográfico marca o ponto para onde converge o eixo de rotação da Terra, enquanto que o polo magnético é o ponto indicado pelas bússolas, com tendência a deslocar-se lentamente, pois é o resultado do ferro líquido no núcleo externo do planeta. Um exemplo das mudanças seculares que estes metais podem causar é a lenta deslocação do pólo norte magnético da Terra em direção à Sibéria, um processo que tem vindo a ocorrer continuamente nas últimas décadas.

Uma vez que o Modelo Magnético Mundial (WMM) é de natureza preditiva, torna-se menos preciso ao longo do tempo e tem de ser atualizado com as mais recentes projeções derivadas de dados recolhidos mais recentemente. As atualizações estão programadas para ocorrer de cinco em cinco anos.


A bússola é um instrumento que deteta e alinha-se com o campo magnético terrestre. Este campo faz com que a Terra se manifeste como um íman, permitindo a orientação nas bússolas.
Este modelo é usado para diversos fins no dia a dia da Terra, sendo referência para governos e empresas no que toca a localizar com precisão o campo magnético. O recurso a este modelo permite que a aviação comercial e militar, a marinha e organizações como a NATO e a Organização Hidrográfica Internacional consigam funcionar, bem como no caso dos indivíduos ou setor privado (presente em quase todos os smartphones, calibração de bússolas digitais ou mapas de navegação como o GPS do carro com muito maior precisão).

O ritmo do campo magnético regista uma maior desaceleração
Um dos dados mais significativos desta última versão do modelo é o ritmo do campo magnético. O pólo norte magnético tem sido conhecido ao longo da sua história por se mover lentamente, permitindo assim que o modelo seja atualizado só no fim de um longo período de tempo. Nos últimos anos a taxa de movimento do pólo norte magnético foi estimada em cerca de 50/60 km por ano.

Autor: tempo
Fonte: tempo
Sítio Online da Publicação: tempo
Data: 13/01/2026