segunda-feira, 14 de setembro de 2026

Estados Unidos tentam reduzir preços dos medicamentos: doentes europeus podem ter de esperar mais


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Doentes europeus poderão ter de esperar mais por alguns medicamentos novos, já que os esforços dos EUA para baixar preços podem levar empresas farmacêuticas a adiarem lançamentos em mercados mais baratos, indica um novo estudo de modelização.

Em maio passado, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, avançou com uma iniciativa para alinhar o preço dos medicamentos com os níveis mais baixos praticados noutros países desenvolvidos, o chamado sistema de preços de nação mais favorecida (MFN). No entanto, esta política de preços pode ter consequências negativas.

Os doentes europeus podem vir a esperar mais tempo por alguns medicamentos inovadores, à medida que os Estados Unidos obrigam as farmacêuticas a oferecer preços alinhados com outros países de elevado rendimento, como a Alemanha ou a França, segundo um novo estudo de modelização publicado na revista The Lancet.

Os investigadores analisaram 195 medicamentos patenteados que, em conjunto, representam 87,9 mil milhões de dólares da despesa anual dos Estados Unidos. Concluíram que, em três em cada quatro fármacos estudados, o montante que as empresas perderiam ao baixar os preços no mercado norte‑americano seria superior ao total das vendas anuais nos países usados como referência para fixar os preços nos Estados Unidos.

Para minimizar as perdas nos Estados Unidos, o maior mercado farmacêutico mundial, as empresas “podem ser incentivadas a adiar o lançamento no mercado nos países com preços mais baixos incluídos na referência”, afirmaram os investigadores, uma vez que, ao atrasar os lançamentos, as farmacêuticas evitam ter de igualar esses preços mais baixos nos Estados Unidos.

“As políticas nos Estados Unidos podem afetar o acesso a medicamentos em todo o mundo”, afirmou em comunicado Kerstin Vokinger, autora do estudo e investigadora na ETH Zurique e na Universidade de Zurique.

Quem acaba por sentir o impacto são os doentes.

“O risco é muito concreto: se as empresas farmacêuticas atrasarem o lançamento de medicamentos na Europa porque os preços europeus podem ser usados para definir os preços nos Estados Unidos, os doentes daqui podem ter de esperar mais tempo por tratamentos que já estão disponíveis noutros lugares”, afirmou o European Patients Forum em comentário escrito enviado à Euronews Health. “Para quem vive com uma doença grave ou progressiva, uma espera adicional pode ter um impacto real na saúde e na qualidade de vida.”

A política norte‑americana já se faz sentir na Europa.


Países de referência na Europa incluídos no estudo de modelização MapChart
Impacto na Europa

A Europa tem registado uma quebra nos lançamentos de novos medicamentos nos últimos meses. Dez meses após a ordem executiva de Trump, o número de lançamentos nos mercados da UE caiu cerca de 35% face aos dez meses anteriores, reportou a Reuters em março.

Embora não seja claro se esta quebra está diretamente ligada às políticas nos Estados Unidos, foi anunciado em fevereiro que a retirada do mercado de um medicamento para tratar casos particularmente graves de colesterol elevado pode estar relacionada com a política de preços de medicamentos do Presidente norte‑americano, Donald Trump.

“É verdade que, mesmo em países maiores como a Alemanha, vemos empresas a reconsiderar se lançam ou quando lançam um medicamento”, disse à Euronews Alexander Natz, secretário‑geral da associação de empresários da biotecnologia Eucope, explicando que a situação atual obriga as farmacêuticas a pensar duas vezes antes de avançar com um lançamento.

“Não devemos assumir que vamos deixar de ter acesso a medicamentos, mas devemos contar com decisões muito mais ponderadas por parte das empresas”, acrescentou.

Para Natz, para garantir que a Europa recebe novos medicamentos sem atrasos, os governos têm de estar dispostos a gastar mais.

“É preciso ter um debate, um debate político interno na Alemanha e noutros países, sobre quanto estamos dispostos a gastar com os cuidados de saúde”, afirmou.

Os países já sentem essa pressão sobre orçamentos apertados.

“Os países de referência, da Alemanha ao Japão e à Austrália, enfrentam uma pressão significativa da administração norte‑americana e da indústria para aumentarem os preços e a despesa com medicamentos”, afirmou Thomas Hwang, do Brigham and Women’s Hospital, autor principal do estudo.

“Mas isso confronta‑se com a realidade de que outros países têm uma margem orçamental limitada”, acrescentou.

Para reduzir os impactos negativos, os autores do estudo apontam que fabricantes e países podem passar a usar os preços de tabela — ou seja, o preço de catálogo antes de descontos — em vez dos preços líquidos, que refletem descontos confidenciais.

Entretanto, ao abrigo das regras farmacêuticas da União Europeia recentemente atualizadas, uma empresa tem de lançar um novo medicamento se um país o solicitar no prazo de três anos, sob pena de perder dois anos de direitos de exclusividade.

Esta condição funciona como um “contrapeso” aos efeitos da política de preços de medicamentos de Trump; porém, é “pouco provável que, por si só, altere de forma significativa a dimensão das poupanças”, escreveram os autores. Natz mostrou‑se igualmente céptico quanto à possibilidade de isto ser suficiente para eliminar eventuais consequências negativas da política de preços norte‑americana.
Quanto poupam os Estados Unidos?

Embora a política de preços de medicamentos dos Estados Unidos esteja a provocar riscos de atrasos na Europa, pode permitir aos Estados Unidos reduzir a despesa em 5,2 mil milhões de dólares em medicamentos usados em hospitais e 6,4 mil milhões de dólares em fármacos comprados em farmácias, segundo o estudo publicado na The Lancet. Essas poupanças poderiam subir, respetivamente, para 21 mil milhões e 25,5 mil milhões de dólares com uma aplicação mais ampla da política.

Mas, como 17 empresas celebraram acordos confidenciais com a administração, ficando excluídas destas regras, as poupanças potenciais seriam reduzidas em 71%.

Embora o sistema de preços de nação mais favorecida tenha potencial “para gerar poupanças reais para o governo federal dos Estados Unidos e para os contribuintes (…) se os fabricantes puderem escapar à participação nestes modelos através de acordos paralelos, a maior parte dessas poupanças pode não se concretizar”, advertiu Hwang.

O European Patients Forum afirmou que, se a “implementação da política de preços dos Estados Unidos levar a atrasos no lançamento de medicamentos noutros países sem gerar as poupanças esperadas para o Medicare [programa de seguro de saúde dos Estados Unidos], corre‑se o risco de criar uma situação em que todos perdem, tanto os sistemas de saúde como os doentes”.

A Comissão Europeia está também a analisar o tema, depois de os ministros da Saúde, em meados de junho, terem encarregado a comissária europeia da Saúde de avaliar o impacto da política de nação mais favorecida dos Estados Unidos sobre o bloco: se o MFN está a provocar atrasos nos lançamentos, aumentos significativos de preços e, em última instância, uma redução do acesso a medicamentos inovadores.

No estudo, ainda não publicado mas consultado pela Euronews Health, a Comissão afirma que, por agora, é quase impossível determinar se os atrasos ou as pressões sobre os preços estão diretamente ligados às políticas de preços dos Estados Unidos ou resultam antes das atuais incertezas em torno delas, remetendo para os próximos anos uma maior clarificação.

“Pelo que percebo, o estudo da Comissão diz, basicamente, que é demasiado cedo para comparar preços individuais. Até aqui, tudo bem, talvez seja verdade. Mas as implicações são muito mais amplas”, disse Natz, acrescentando que “não se trata apenas desse preço; trata‑se também de saber se esse produto alguma vez será lançado na Europa, se chegará aos doentes na Alemanha. Essa é a verdadeira questão aqui”.


Autor: pt.euronews
Fonte: pt.euronews
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Data: 14/09/2026

Cirurgia às cataratas em Marte: cientistas testam implantes oculares no espaço



Direitos de autor NASA
Uma equipa de investigação enviou 135 lentes artificiais sem embalagem para a Estação Espacial Internacional, onde ficaram cerca de seis meses expostas às condições da órbita baixa da Terra antes de regressarem para análise.


Uma viagem a Marte pode demorar meses. E o que acontece se um astronauta desenvolver um problema ocular grave a meio do trajecto?

Uma equipa de investigadores nos Estados Unidos enviou lentes artificiais usadas em cirurgias às cataratas para fora da Estação Espacial Internacional, para perceber se os implantes necessários em futuras operações conseguiriam sobreviver à viagem até destinos como Marte.

Os investigadores responsáveis pelo estudo acreditam que, ainda durante a sua vida, alguém vai precisar de uma cirurgia às cataratas em Marte.

“Uma viagem até Marte pode demorar quase um ano, e regressar à Terra por causa de uma catarata que limite a visão, de uma lesão ou de outro problema ocular cirúrgico pode não ser realista”, afirmou Morgan Micheletti, cirurgião oftalmologista e director de investigação no Berkeley Eye Center, nos Estados Unidos.


“Mais cedo ou mais tarde, o tratamento terá de ser feito onde o doente estiver.”

Forma-se uma catarata quando a lente natural do olho se torna opaca. Durante a cirurgia, os médicos removem essa lente e substituem-na por uma lente artificial transparente, chamada lente intraocular.

Fazer o mesmo a milhões de quilómetros da Terra exigiria alguém capaz de realizar a operação, bem como aparelhos, material e

sterilizado e implantes que resistam à viagem.

A ideia também nasceu da fascinação que Micheletti alimenta desde criança.

“Estou fascinado pelo espaço desde que me lembro”, disse.

“Quando me tornei cirurgião ocular, essa fascinação evoluiu para uma questão mais prática. Conseguiria fazer uma cirurgia no espaço?”
Que aconteceu às lentes no espaço?

No âmbito do projecto JAMES, a equipa enviou 135 lentes artificiais sem embalagem para a Estação Espacial Internacional.

Ficaram cerca de seis meses no exterior da estação, em três posições, expostas a condições diferentes: uma ficou voltada para oxigénio atómico altamente reactivo, outra recebeu radiação ultravioleta intensa do Sol e uma terceira ficou parcialmente protegida de ambos.

Outras 45 lentes, também sem embalagem, ficaram na Terra para comparação.

Depois do regresso das lentes enviadas ao espaço, uma equipa do Intermountain Ocular Research Center, da Universidade do Utah, examinou 61 delas, a par de 20 lentes que tinham permanecido na Terra.

A maioria das lentes expostas ao espaço, 42 em 61, não apresentou alterações relevantes.

Das outras 19, oito lentes de acrílico desenvolveram fissuras e rugosidade à superfície, compatíveis com erosão provocada por oxigénio atómico, enquanto cinco adquiriram descoloração amarelada e deixaram passar menos luz em determinados comprimentos de onda.

As seis lentes ajustáveis por luz, que podem ser afinadas com luz ultravioleta após a implantação, apresentaram um aspecto invulgar em “calçada” ou tipo “plástico de bolhas”. Os investigadores ainda não sabem porquê.

Isso não significa, alertam os investigadores, que implantes para cataratas fossem necessariamente danificados numa viagem a Marte.

As lentes foram deliberadamente deixadas sem embalagem e expostas directamente ao ambiente hostil no exterior da estação, para identificar de que forma poderiam falhar. Na prática, viajariam protegidas no interior de uma nave espacial.


Quão realista é uma cirurgia às cataratas no espaço?

A cirurgia às cataratas para lá da Terra continua a ser uma perspectiva distante.

A experiência testou a forma como as lentes artificiais resistem às condições do espaço, não se a própria cirurgia pode ser realizada em segurança fora da Terra. Os investigadores também ainda não sabem se as alterações detectadas em algumas lentes afectariam a visão ou as tornariam inutilizáveis.

O passo seguinte para Micheletti é testar o aparelho usado na cirurgia às cataratas durante curtos períodos de microgravidade, em voos parabólicos.

O equipamento utiliza ultrassons e líquido para fragmentar e remover a lente natural turva do olho.

Se isso resultar, espera avançar para testes mais longos em microgravidade e, por fim, para uma experiência cirúrgica em órbita.

“A progressão tem de ser cuidadosa. Primeiro os materiais, depois o equipamento, a seguir o procedimento e, por último, a própria cirurgia”, sublinhou.

“O meu objectivo a longo prazo é ajudar a tornar possível a primeira cirurgia ocular para lá da Terra.”

Os resultados da experiência foram apresentados no domingo, em Londres, no congresso da Sociedade Europeia de Cirurgiões de Catarata e Cirurgia Refrativa.

Os investigadores acreditam que se trata da primeira experiência controlada em que vários tipos de lentes oculares artificiais modernas são expostos directamente ao ambiente exterior da Estação Espacial Internacional e depois devolvidos à Terra para análise laboratorial.


O passo seguinte é perceber de quanta embalagem e protecção necessitam, sem acrescentar peso e volume desnecessários.



Autor: pt.euronews
Fonte: pt.euronews
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Data: 14/09/2026
Publicação Original: https://pt.euronews.com/saude/2026/09/14/cirurgia-as-cataratas-em-marte-cientistas-testam-implantes-oculares-no-espaco

sexta-feira, 11 de setembro de 2026

Luz da lua, ecrãs de telemóvel e LEDs: o seu quarto está demasiado iluminado?



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Um novo estudo conclui que até a fraca luz de um ecrã de telemóvel durante o sono está associada a alterações potencialmente nocivas na estrutura e função cardíacas.

A poluição luminosa durante o sono noturno – mesmo níveis tão baixos como luz da lua ou luz que entra pela frincha de uma porta – prejudica o coração humano, segundo um novo estudo (fonte em inglês) publicado no European Heart Journal.


“A exposição a níveis mais elevados de luz durante a noite está ligada à remodelação cardíaca”, afirmou Lu Qi, da Tulane University, em Nova Orleães, EUA, que liderou a investigação, num comunicado de imprensa. “É quando se alteram a estrutura e a função do coração e, normalmente, observamos isso em resposta a stress crónico ou lesão cardíaca.”

Embora seja assim que o organismo se adapta a esse stress, “acaba por enfraquecer o coração e pode conduzir a insuficiência cardíaca”, sublinhou.

Por isso, manter os quartos o mais escuros possível “deve ser considerado uma das estratégias potenciais para prevenir doenças cardíacas por parte de clínicos e decisores políticos”, disse Qi.

O estudo incluiu 11.071 pessoas expostas, durante uma semana, a diferentes níveis de luz durante a noite, desde quase total escuridão até intensidades variadas, incluindo luz equivalente ao ecrã de um telemóvel com brilho reduzido ou à luz que entra por uma porta entreaberta.

Três anos depois, os participantes foram submetidos a uma ressonância magnética cardiovascular para avaliar eventuais alterações na estrutura e na função do coração.

Os resultados mostraram que os participantes expostos aos níveis mais elevados de luz noturna apresentavam espessamento das paredes da câmara esquerda do coração, reduzindo o espaço no ventrículo. Surgiram também sinais de redução da capacidade do coração de se contrair e relaxar durante cada batimento, um indicador precoce de disfunção cardíaca.

“A escuridão merece ser reconhecida como um sinal vital, tão essencial para a saúde cardiovascular como o controlo da pressão arterial e ar limpo”, escreveram o professor Thomas Münzel, do University Medical Center Mainz, na Alemanha, e colegas, num editorial que acompanha o estudo.

Apelaram aos clínicos para que passem a perguntar sobre o ambiente de sono: “quão escuro é o quarto, se o doente trabalha em turnos noturnos e quanto tempo de utilização de ecrãs existe após o anoitecer”, recomendando o uso de cortinas opacas, iluminação de cabeceira em tons quentes e a cobertura dos pequenos LEDs de standby dos aparelhos eletrónicos domésticos.

Os municípios também têm um papel a desempenhar, sendo a poluição luminosa “um dos poucos riscos ambientais que as cidades podem controlar de forma direta e acessível”, acrescentaram, apontando luminárias protegidas, lâmpadas de espetro quente e iluminação pública regulável ou acionada por movimento como formas “eficientes em termos energéticos e amigas do clima” de reduzir a exposição à luz.




Autor: pt.euronews
Fonte: pt.euronews
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Data: 11/09/2026

Refeições ao fim de semana fora de horas podem prejudicar coração dos homens


Direitos de autor Cleared/Canva

Horários de trabalho ou de aulas muito cedo obrigam muitas pessoas a ajustar as refeições durante a semana, com horários diferentes dos do fim de semana e dos dias de descanso.

Estas alterações nos padrões alimentares podem perturbar os ritmos biológicos do organismo e ter impacto na saúde cardiovascular, indica um novo estudo francês. Cada hora adicional de “jet lag alimentar” aumentou em 14% o risco de doença cardiovascular e em 21% o risco de doença coronária nos homens, segundo os investigadores.

“Este estudo sugere a importância de padrões regulares de horário das refeições, para além do sono e da qualidade da alimentação, na prevenção da doença cardiovascular”, escreveram os autores.

A investigação, publicada na revista Communications Medicine (fonte em inglês), analisou os horários da primeira e da última refeição de mais de 100 mil participantes em dias úteis e ao fim de semana, ao longo de um período de acompanhamento de 14 anos, entre 2009 e 2023.
Homens são mais afetados

Os participantes foram classificados de acordo com os horários das refeições: o primeiro grupo comia mais cedo ao fim de semana do que durante a semana, o segundo mantinha horários semelhantes em ambos os períodos e o último fazia as refeições mais tarde ao fim de semana.

Os dois grupos que comiam mais tarde ou mais cedo do que o habitual apresentaram um risco cardiovascular superior ao do grupo com horários regulares, independentemente da qualidade global da alimentação.

De forma surpreendente, este padrão só foi observado nos homens; as mulheres não pareceram ser afetadas pelas alterações de horário.

Porquê?

Uma explicação poderá ser o facto de os homens terem, em geral, um risco absoluto mais elevado de doença cardiovascular. Os autores apontam ainda que as mulheres tendem mais do que os homens a seguir rotinas matinais, diferença associada à anatomia e às hormonas, o que pode influenciar a forma como o organismo reage a mudanças no horário das refeições.
Irregularidade nos horários das refeições: o que está por trás

Para os autores, a principal explicação é que o “jet lag alimentar” aumenta o risco de eventos cardiovasculares através da perturbação dos ritmos circadianos.

Os ritmos circadianos são os relógios internos do corpo, baseados em ciclos de 24 horas que ajudam a regular o seu funcionamento. São sobretudo regulados pela luz, mas os padrões alimentares também podem atuar como sincronizadores de relógios periféricos, como os do fígado e do coração. Quando os horários das refeições estão alinhados com esses ritmos internos, a saúde metabólica beneficia; a irregularidade pode desorganizar o equilíbrio interno do organismo.

Os autores assinalam que, se os resultados forem confirmados por novos estudos de grande escala, a regularidade dos horários das refeições poderá tornar‑se um eixo central de intervenções destinadas a reduzir o risco de doenças crónicas e aliviar a carga sobre a saúde pública.



Autor: pt.euronews
Fonte: pt.euronews
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Data: 08/09/2026

Preparar a mente para a cirurgia é tão importante como preparar o corpo



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“O stress da cirurgia pode agravar sintomas de ansiedade e depressão e afetar a recuperação e a saúde global dos doentes”, afirmou a primeira autora do estudo, Joanna Abraham, num comunicado de imprensa.

Os autores defendem que os cuidados prévios à cirurgia devem incluir não só a preparação física, mas também a preparação psicológica, levada a cabo por profissionais de saúde mental qualificados – algo que os atuais cuidados perioperatórios geralmente não contemplam.

“Reconhecemos a importância de pôr o corpo em forma antes da cirurgia, mas preparar a mente e o cérebro é igualmente crucial”, afirmou o autor sénior do estudo, Eric J. Lenze.

A solução passa por tratar os doentes de forma “holística”, disse Michael S. Avidan, aproximando anestesiologia e psiquiatria.
Impacto de uma chamada telefónica

O estudo incluiu 306 adultos com 60 ou mais anos, agendados para cirurgia cardíaca, oncológica ou ortopédica. Os participantes foram divididos em dois grupos. Um recebeu apenas materiais de autoajuda para leitura autónoma, enquanto o outro falou com um profissional de saúde mental, como um assistente social ou conselheiro de saúde mental, ao longo de oito a 12 sessões telefónicas. Este segundo grupo teve também uma avaliação personalizada por farmacêuticos e médicos, para otimizar em segurança as doses de medicamentos de alto risco.

Três meses após a cirurgia, os doentes que beneficiaram de consulta com profissionais de saúde mental e de revisão da medicação registaram uma redução dos sintomas de depressão e ansiedade entre 2,2 e 2,5 pontos superior à do grupo que recebeu apenas materiais educativos, numa escala de 48 pontos.

Os mais velhos submetidos a cirurgia oncológica apresentaram as maiores melhorias na saúde mental, com valores quase cinco pontos inferiores aos do grupo de controlo.


Os doentes relataram também experiências positivas com estes cuidados adicionais, tanto com os profissionais de bem‑estar como com os farmacêuticos que trabalharam para eliminar medicamentos desnecessários.

“O que torna este modelo de cuidados tão promissor é ser fácil de implementar”, afirmou Abraham. “Os doentes e os profissionais de saúde consideraram o programa manejável e simples de integrar nos fluxos cirúrgicos já existentes. Um acompanhamento proativo da saúde mental não tem de sobrecarregar o sistema hospitalar.”




Autor: pt.euronews
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Data: 10/09/2026

quinta-feira, 10 de setembro de 2026

InfoGripe: cresce número de casos de SRAG em crianças e adolescentes


Divulgada nesta quinta-feira (3/9), a nova edição do Boletim InfoGripe da Fiocruz aponta manutenção do sinal de aumento dos casos de Síndrome Respiratória Aguda (SRAG), em nível nacional, nas crianças e adolescentes de até 14 anos. O crescimento está associado principalmente ao rinovírus. A análise é referente à Semana Epidemiológica 34, período de 23 a 29 de agosto.

A atualização destaca também que 3 das 27 unidades federativas - Alagoas, Goiás e Paraíba - apresentam incidência de SRAG em nível de alerta, risco ou alto risco nas últimas duas semanas, com sinal de crescimento até a Semana 34. Segundo o estudo, o aumento de SRAG nesses estados se concentra principalmente nas crianças de até 4 anos.

Alagoas também registra aumento de SRAG nas faixas etárias de 5 a 14 anos e 15 a 49 anos. O rinovírus é o principal vírus associado a este crescimento, especialmente entre crianças e adolescentes. Em Alagoas e na Paraíba, observa-se a contribuição do metapneumovírus.


Estados e capitais

Dez unidades da Federação (UF) também apresentam incidência de SRAG em níveis de alerta, risco ou alto risco, porém sem sinal de crescimento na tendência de longo prazo: Amazonas, Maranhão, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Paraná, Rio Grande do Sul, Rio de Janeiro, Roraima, Santa Catarina e Sergipe.

Seis das 27 capitais registram nível de atividade de SRAG em alerta, risco ou alto risco, com indícios de crescimento de SRAG até a Semana 34: Aracaju, Boa Vista, Goiânia, João Pessoa, Salvador e Vitória.

Dados epidemiológicos

Nas quatro últimas semanas epidemiológicas, a proporção entre os casos positivos foi de 3,6% de influenza A, 6,9% de influenza B, 31,9% de vírus sincicial respiratório, 44,3% de rinovírus e 2,1% de Sars-CoV-2 (Covid-19). Entre os óbitos, a presença destes mesmos vírus entre os positivos e no mesmo recorte temporal foi de 14,3% de influenza A, 16,3% de influenza B, 24% de vírus sincicial respiratório, 34,2% de rinovírus e 4,1% de Sars-CoV-2 (Covid -19).

Referente ao ano epidemiológico 2026, já foram notificados 144.599 casos de SRAG, sendo 78.101 (54%) com resultado laboratorial positivo para algum vírus respiratório, 50.925 (35,2%) negativos, e cerca de 7.323 (5,1%) aguardando resultado laboratorial. Dentre os casos positivos do ano corrente, observou-se 17,5% de influenza A, 5,4% de influenza B, 41,7% de vírus sincicial respiratório, 30,7% de rinovírus e 3,8% de Sars-CoV-2 (Covid-19).

Dentre os casos positivos do ano corrente, observou-se 17,5% de influenza A, 5,4% de influenza B, 41,7% de vírus sincicial respiratório, 30,7% de rinovírus e 3,8% de Sars-CoV-2 (Covid-19). Nas quatro últimas semanas epidemiológicas, a prevalência entre os casos positivos foi de 3,6% de influenza A, 6,9% de influenza B, 31,9% de vírus sincicial respiratório, 44,3% de rinovírus e 2,1% de Sars-CoV-2 (Covid-19).

Incidência e mortalidade

A incidência de SRAG é mais elevada nas crianças pequenas e está associada principalmente ao VSR. Já a mortalidade é maior entre os idosos, tendo como principal causa o vírus da influenza A, rinovírus e VSR. O VSR e o rinovírus também se destacam como principais causas de mortalidade nas crianças pequenas. A incidência de SRAG por Covid-19 continua baixa em todas as faixas etárias.

As ocorrências de SRAG por vírus sincicial respiratório (VSR) continuam caindo na maior parte do país, com exceção de Roraima, onde observa-se uma retomada das hospitalizações pelo vírus. O estudo observa ainda que os casos de SRAG por VSR ainda estão um pouco elevados neste período na Bahia, Minas Gerais, Mato Grosso do Sul, Paraná, Santa Catarina, Sergipe e Rio Grande do Sul.

O período da sazonalidade da influenza A já se encerrou no país. Porém os casos graves por influenza B tem apresentado aumento nos estados da Bahia, Mato Grosso e Ceará. Em relação à Covid-19, todas as UF estão em um patamar baixo de incidência.

Período eleitoral

Durante o período eleitoral (de 4 de julho até 25 de outubro), os conteúdos digitais publicados e disponibilizados pela Agência Fiocruz de Notícias (AFN) acompanham as orientações da Advocacia-Geral da União (AGU) e da Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República (Secom). O documento esclarece que é permitida a divulgação de "conteúdo meramente informativo ou de serviço ao cidadão".


Autor: fiocruz
Fonte: fiocruz
Sítio Online da Publicação: fiocruz
Data: 03/09/2026

FAPESP lança nova chamada para apoio à inovação em FATECs


Iniciativa destinará R$ 20 milhões para até 250 projetos coordenados por docentes das FATECs, com a concessão de 500 Bolsas de Iniciação Tecnológica

Foto de Mikhail Nilov/Pexels

A FAPESP lança a segunda chamada de propostas do ano para apoio a projetos de inovação tecnológica desenvolvidos nas Faculdades de Tecnologia do Estado de São Paulo (FATECs), do Centro Paula Souza.

Assim como aconteceu na primeira oportunidade anunciada em junho, este novo edital prevê investimentos totais de R$ 20 milhões para financiar até 250 projetos em qualquer área do conhecimento relacionada ao desenvolvimento tecnológico e à inovação. Os projetos serão financiados na modalidade Auxílio à Inovação Regular e poderão ter duração de até 18 meses, com possibilidade de prorrogação por até 12 meses.

Cada proposta aprovada poderá receber até R$ 50 mil em recursos de custeio e até duas Bolsas de Iniciação Tecnológica (IT), com duração inicial de até 12 meses e possibilidade de prorrogação por mais 12 meses. No total, a chamada poderá conceder até 500 bolsas.

O objetivo da iniciativa é ampliar a participação de estudantes das FATECs em atividades de pesquisa aplicada, estimulando sua formação em inovação tecnológica e contribuindo para a diversificação da força de trabalho em pesquisa e desenvolvimento no estado de São Paulo.

As propostas deverão ser submetidas por docentes das FATECs do Centro Paula Souza que possuam vínculo empregatício com a instituição, tenham título mínimo de mestre e competência comprovada na área do projeto proposto.

Os estudantes beneficiados pelas bolsas deverão estar regularmente matriculados em cursos de graduação das FATECs, ter concluído disciplinas relevantes para o desenvolvimento das atividades previstas e apresentar bom desempenho acadêmico.

As pesquisas deverão ser desenvolvidas nas próprias FATECs. Os recursos de custeio poderão contemplar, entre outros itens, aquisição de materiais de consumo, pequenos equipamentos, contratação de serviços especializados, despesas de transporte e diárias vinculadas às atividades do projeto.

As propostas deverão ser submetidas exclusivamente por meio do Sistema de Apoio à Gestão (SAGe), da FAPESP.

O prazo para submissão vai até 5 de outubro de 2026. Os resultados serão divulgados a partir de 15 de dezembro de 2026, e o início dos projetos está previsto para ocorrer a partir de 1º de fevereiro de 2027.

A chamada de propostas está publicada em: fapesp.br/18364.

Dúvidas podem ser encaminhadas para o e-mail: air-it@fapesp.br.



Autor: fapesp
Fonte: fapesp
Sítio Online da Publicação: fapesp
Data: 03/09/2026