terça-feira, 8 de setembro de 2026

Pré-Inscrição no VI Congresso de Neurociências e Espiritualidade


O VI Congresso de Neurociência e Espiritualidade vem ai, com diversas palestras para ampliar seu conhecimento, trocas valorosas e ampliação da consciência sobre ciência, consciência e mente. Não perca!
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Autor: VI Congresso de Neurociência e Espiritualidade
Fonte: VI Congresso de Neurociência e Espiritualidade
Sítio Online da Publicação: VI Congresso de Neurociência e Espiritualidade
Data: 08/09/2026
Publicação Original: https://docs.google.com/forms/d/e/1FAIpQLSfNcjYEdJTbRvkQaELt9chQ-S8Khjlmk42WJDSLSj1sh_e__Q/viewform

Fumo passivo: estudo revela 2,7 mil milhões expostos, 767 milhões são crianças


O fumo ambiental do tabaco provoca danos graves à saúde, incluindo doenças cardíacas, problemas respiratórios e cancros, e continua a ser uma das principais causas de morte evitável em todo o mundo.

Um terço da população mundial está exposto todos os anos ao fumo ambiental de tabaco (também conhecido como fumo passivo), que continua a ser uma importante causa de doença e mortalidade entre pessoas não fumadoras.

Estima-se que 2,71 mil milhões de pessoas em todo o mundo tenham sido expostas ao fumo passivo em 2023, uma combinação de dois tipos de fumo inalado por não fumadores, contribuindo para 1,66 milhões de mortes. Entre elas contam-se 767 milhões de crianças com menos de 15 anos, particularmente vulneráveis, bem como 1,49 mil milhões de mulheres.

Estas novas conclusões resultam do estudo Global Burden of Disease (GBD) 2023, publicado na revista The Lancet Public Health, que estimou a exposição ao fumo passivo e os respetivos impactos na saúde em 204 países e territórios entre 1990 e 2023.
Necessidade de regulamentação mais rigorosa

Apesar da dimensão da exposição, o estudo conclui que cerca de 70% da população mundial não está protegida por leis abrangentes de espaços livres de fumo.

Em 2024, apenas 79 países, cerca de 70% deles nas Américas, atingiram o nível máximo de proteção previsto pelo quadro da Organização Mundial da Saúde, com todos os espaços públicos totalmente livres de fumo ou, pelo menos, 90% da população abrangida pela legislação.

A proporção da população mundial abrangida por legislação abrangente de espaços livres de fumo aumentou de 3% em 2007 para 33% em 2024, passando a cobrir 2,6 mil milhões de pessoas.

No entanto, os autores assinalam que, embora as políticas de espaços livres de fumo reduzam diretamente a exposição ao fumo, são necessárias medidas adicionais, como impostos sobre o tabaco, restrições à publicidade, embalagens simples e programas de cessação tabágica.
Padrões regionais

Os investigadores verificaram que o número de pessoas afetadas pela exposição ao fumo passivo se manteve globalmente estável, mas aumentou de forma acentuada na África Subsariana, Norte de África e Médio Oriente, o que atribuem ao crescimento demográfico.

A prevalência de exposição na região que inclui Europa Central, Europa de Leste e Ásia Central foi de 37,7%, acima da média global de 33,9%, afetando 146 milhões de pessoas.

Grande parte dos países da Europa Ocidental foi incluída na “super-região de elevado rendimento”, que registou alguns dos progressos mais significativos na redução do fumo passivo.

Dinamarca e Noruega registaram algumas das maiores reduções a nível mundial desde 1990, de -48,8% e -44,3%, respetivamente.
Impacto alargado na saúde

Para lá do número de pessoas expostas, o relatório conclui que o fumo passivo esteve na origem da perda de 44,8 milhões de anos de vida saudável e continua a ser um dos principais fatores de incapacidade e morte prematura.

Enquanto um fumador inala o “fumo principal” através do filtro do cigarro, as pessoas não fumadoras respiram sobretudo o fumo lateral. Este não é filtrado e contém concentrações por unidade mais elevadas de compostos tóxicos e carcinogénicos do que o fumo inalado pelo próprio fumador.

Os investigadores estimam que o fumo passivo continua a ser um importante fator de perda de saúde a nível mundial, sobretudo através de doenças cardiovasculares e respiratórias pediátricas.

A exposição ao fumo de tabaco foi associada a várias doenças, incluindo acidente vascular cerebral, infeções respiratórias inferiores, doença pulmonar obstrutiva crónica, asma, diabetes tipo 2 e cancros da traqueia, pulmão e mama.




Autor: pt.euronews
Fonte: pt.euronews
Sítio Online da Publicação: pt.euronews
Data: 08/09/2026

Cérebro jovem revela fragilidade: quando a plasticidade falha


A mesma capacidade que torna os cérebros jovens mais adaptáveis pode levá-los a transformar uma lesão numa rede patológica persistente, revela um novo estudo.

Cérebros jovens são mais flexíveis. Adaptam-se e formam novas ligações com facilidade. Quando algo corre mal, parte-se do princípio de que um cérebro mais jovem tem mais margem para se reorganizar e compensar os danos.

Mas essa mesma flexibilidade pode também ter um lado negativo após uma lesão cerebral traumática, uma lesão provocada por uma força externa, como uma queda, um acidente de viação, uma lesão desportiva ou um impacto na cabeça, segundo um estudo (fonte em inglês) publicado na revista Experimental Neurology.

“Muitos poderão pensar que cérebros mais jovens são mais resistentes após uma lesão, mas os nossos resultados mostram que a realidade é bastante mais complexa”, afirmou Samba Reddy, especialista em neurociência e terapêuticas experimentais no Texas A&M Naresh K. Vashisht College of Medicine e autor principal do estudo.

As lesões cerebrais traumáticas afetam até 69 milhões de pessoas por ano. Este tipo de lesão pode originar epilepsia pós-traumática, uma perturbação crónica caracterizada por crises que podem surgir meses ou mesmo anos depois do incidente.


O estudo sugere que cérebros mais jovens poderão ser mais vulneráveis aos processos que conduzem à epilepsia pós-traumática, pelo menos em ratinhos.

“A mesma plasticidade que ajuda os cérebros jovens a adaptarem-se pode também criar condições favoráveis ao desenvolvimento de redes que produzem crises epiléticas”, explicou Reddy num comunicado de imprensa (fonte em inglês). Nos ratinhos mais jovens, a epilepsia surgiu mais tarde, mas, uma vez instalado o processo, o número e a intensidade das crises tornaram-se substancialmente maiores.

Já os ratinhos mais velhos apresentaram atividade convulsiva mais precoce após a lesão, mas tinham uma incidência global e uma carga de epilepsia pós-traumática mais baixa.

Em suma, o cérebro jovem pode reagir melhor aos danos graças à capacidade de alterar as suas ligações e organização em resposta à experiência ou à lesão. Mas essa mesma plasticidade pode também gerar ligações anómalas que alimentam redes produtoras de crises epiléticas.

Memória segue um percurso diferente

Os ratinhos mais velhos mostraram, na verdade, uma recuperação mais rápida em algumas medidas de função motora. Mas o envelhecimento teve o seu preço.

Os animais mais idosos apresentaram sinais mais fortes de neuroinflamação e remodelação anómala dos circuitos e tiveram maiores dificuldades em manter memórias a longo prazo.

“O envelhecimento alterou o trajeto da recuperação, em vez de simplesmente a tornar mais difícil”, afirmou Reddy. “Os cérebros mais velhos pareciam menos suscetíveis a atividade convulsiva crónica, mas continuavam vulneráveis de outras formas, sobretudo no que diz respeito à memória e à função cognitiva.”

Os resultados sugerem que as consequências de longo prazo de uma lesão cerebral dependem não apenas da extensão dos danos físicos, mas também da forma como o cérebro reage a esses danos ao longo do tempo.

Isso pode ajudar a explicar porque é que duas pessoas com lesões aparentemente semelhantes podem ter desfechos a longo prazo muito diferentes.

A investigação oferece ainda pistas sobre o papel da idade no estudo das consequências das lesões cerebrais traumáticas. Nos cérebros mais jovens, a preocupação principal poderá ser o desenvolvimento gradual de redes anómalas que originam crises epiléticas. Nos cérebros mais velhos, a inflamação, as alterações dos circuitos e o declínio da memória surgem como traços mais marcantes.

“Um cérebro jovem poderá necessitar de intervenções destinadas a travar o desenvolvimento gradual de redes produtoras de crises epiléticas”, concluiu Reddy, “enquanto cérebros mais velhos poderão beneficiar de abordagens focadas na perda de memória, na inflamação e no declínio cognitivo após a lesão.”



Autor: pt.euronews
Fonte: pt.euronews
Sítio Online da Publicação: pt.euronews
Data: 07/09/2026

segunda-feira, 7 de setembro de 2026

FAPESP lança nova chamada para apoio à inovação em FATECs

Iniciativa destinará R$ 20 milhões para até 250 projetos coordenados por docentes das FATECs, com a concessão de 500 Bolsas de Iniciação Tecnológica


Foto de Mikhail Nilov/Pexels



A FAPESP lança a segunda chamada de propostas do ano para apoio a projetos de inovação tecnológica desenvolvidos nas Faculdades de Tecnologia do Estado de São Paulo (FATECs), do Centro Paula Souza.

Assim como aconteceu na primeira oportunidade anunciada em junho, este novo edital prevê investimentos totais de R$ 20 milhões para financiar até 250 projetos em qualquer área do conhecimento relacionada ao desenvolvimento tecnológico e à inovação. Os projetos serão financiados na modalidade Auxílio à Inovação Regular e poderão ter duração de até 18 meses, com possibilidade de prorrogação por até 12 meses.

Cada proposta aprovada poderá receber até R$ 50 mil em recursos de custeio e até duas Bolsas de Iniciação Tecnológica (IT), com duração inicial de até 12 meses e possibilidade de prorrogação por mais 12 meses. No total, a chamada poderá conceder até 500 bolsas.

O objetivo da iniciativa é ampliar a participação de estudantes das FATECs em atividades de pesquisa aplicada, estimulando sua formação em inovação tecnológica e contribuindo para a diversificação da força de trabalho em pesquisa e desenvolvimento no estado de São Paulo.

As propostas deverão ser submetidas por docentes das FATECs do Centro Paula Souza que possuam vínculo empregatício com a instituição, tenham título mínimo de mestre e competência comprovada na área do projeto proposto.

Os estudantes beneficiados pelas bolsas deverão estar regularmente matriculados em cursos de graduação das FATECs, ter concluído disciplinas relevantes para o desenvolvimento das atividades previstas e apresentar bom desempenho acadêmico.

As pesquisas deverão ser desenvolvidas nas próprias FATECs. Os recursos de custeio poderão contemplar, entre outros itens, aquisição de materiais de consumo, pequenos equipamentos, contratação de serviços especializados, despesas de transporte e diárias vinculadas às atividades do projeto.

As propostas deverão ser submetidas exclusivamente por meio do Sistema de Apoio à Gestão (SAGe), da FAPESP.

O prazo para submissão vai até 5 de outubro de 2026. Os resultados serão divulgados a partir de 15 de dezembro de 2026, e o início dos projetos está previsto para ocorrer a partir de 1º de fevereiro de 2027.

A chamada de propostas está publicada em: fapesp.br/18364.

Dúvidas podem ser encaminhadas para o e-mail: air-it@fapesp.br.




Autor: fapesp
Fonte: fapesp
Sítio Online da Publicação: fapesp
Data: 03/09/2026
Publicação Original: https://fapesp.br/18370/fapesp-lanca-nova-chamada-para-apoio-a-inovacao-em-fatecs

FAPESP e CNPq vão apoiar formação de novas redes de excelência em pesquisa


Estruturada em torno dos eixos estratégicos de pesquisa da Fundação, chamada no âmbito do PRONEX – Programa de Apoio a Núcleos de Excelência, do CNPq, visa criar grupos de referência em suas respectivas áreas do conhecimento



Em parceria com o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), a FAPESP lança nova chamada no âmbito do Programa de Apoio a Núcleos de Excelência (Pronex) do CNPq, visando criar Redes de Excelência em Pesquisa com duração máxima de 12 meses e orçamento total de até R$ 2,5 milhões.

Com o estabelecimento das Redes de Excelência em Pesquisa, a chamada objetiva o fomento à formação de recursos humanos altamente qualificados, ao desenvolvimento de pesquisas de fronteira, ao fortalecimento da infraestrutura de pesquisa e ao papel nucleador de grupos com potencial para se tornarem referências em suas áreas de atuação.

As Redes devem ter objetivos e metas claros, aderentes aos eixos estratégicos de ciência, tecnologia e inovação – estabelecidos para a FAPESP para o período de 2026-2028, considera tendências nacionais e internacionais em áreas prioritárias para o desenvolvimento científico, tecnológico, econômico, social e ambiental, a saber: Biotecnologia; Transição energética; Biodiversidade, produção sustentável de alimentos e segurança alimentar; Transição digital e inteligência artificial; Ciência e tecnologias quânticas; Saúde humana e animal; e Violência e segurança pública.

A equipe da Rede deve incluir um Pesquisador Responsável (PR) e, no mínimo, quatro Pesquisadores Principais (PP) por cada grande área do conhecimento envolvida na proposta, considerando as temáticas dos eixos estratégicos – a proposta deve incluir obrigatoriamente um pesquisador principal com expertise no eixo temático de Transição Digital e Inteligência Artificial. As outras áreas de atuação dos pesquisadores devem ser distintas, multidisciplinares, e evidenciar a criação de novas colaborações.

O PR e os PPs devem, obrigatoriamente, ser de Instituições diferentes ou, no mínimo, de Unidades Acadêmicas diferentes dentro de uma mesma Instituição.

Para a formação da Rede de Pesquisa, é necessário que o Pesquisador Responsável e os Pesquisadores Principais sejam responsáveis (PR) por Auxílio à Pesquisa vigente, por pelo menos 6 meses, na FAPESP, a partir da data de início da proposta, em uma das seguintes modalidades: Projeto Temático, CEPID, CPE/CPA, NPOP, PDIP ou CCD. Os auxílios vigentes precisarão se sobrepor por 6 meses, o que será objeto de mérito na avaliação da proposta.

O orçamento total por projeto selecionado, de R$ 2,5 milhões, destina-se ao fortalecimento da infraestrutura de pesquisa e à consolidação de grupos de excelência. Os recursos solicitados deverão respeitar a proporção de 60% para despesas de custeio e 40% para despesas de capital, observadas as normas da FAPESP e do CNPq.

Propostas devem ser submetidas até 16 de outubro por meio do Sistema SAGe.

A chamada está disponível em fapesp.br/18317.


Foto: Eduardo César/Pesquisa FAPESP


Autor: fapesp
Fonte: fapesp
Sítio Online da Publicação: fapesp
Data: 03/09/2026

Museu Virtual de Instrumentos Musicais ganha projeção internacional


Na página incial do MVIM estão disponíveis informações sobre o museu, instrumentos, fabricantes e autores, artigos, concertos e vídeos, entre outras (Imagem: reprodução)


Criado com recursos de diferentes editais da FAPERJ, desde sua concepção, o Museu Virtual de Instrumentos Musicais (MVIM) ganha agora projeção internacional e passa a estabelecer um diálogo permanente com instituições museais brasileiras e internacionais, estimulando a troca de conhecimento, através de publicações e seminários. A partir de setembro, a coordenadora do projeto, Adriana Ballesté, viaja para quatro diferentes países para apresentar o MVIM e estabelecer parcerias e intercâmbios.

Idealizado e desenvolvido pelo Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia (Ibict), em parceria com a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), o projeto recebeu apoio da FAPERJ desde a sua concepção, em 2011, até sua consolidação, a partir de 2018, quando contou com recursos do programa de Apoio à Produção e Divulgação das Artes no Estado do Rio de Janeiro, da FAPERJ, último edital voltado para a área de Humanidades. Em 2023, o projeto ganhou um livro, financiado por meio do edital de Apoio à Editoração, e com recursos do edital de Apoio à Organização de Eventos, promoveu o 61º Festival Villa-Lobos.

“Estou muito feliz com as conquistas ao longo desses 15 anos de existência do projeto MVIM, criado com o intuito de agregar instrumentos musicais de museus e instituições brasileiras, inspirado no Musical Instrument Museums Online (Mimo), que abarca hoje mais de 68 mil instrumentos. Para coroar o reconhecimento do projeto, fomos convidados a participar como palestrante na Assembleia Anual do Mimo”, comemora Adriana.

A pesquisadora embarca no próximo dia 9 para a Letônia, a fim de apresentar o MVIM na MIMO Annual General Meeting 2026 (Assembleia Geral Anual do Musical Instrument Museums Online), atendendo a convite oficial da rede. Depois segue para Paris, onde fará parte de uma reunião de trabalho na Cité de la musique - Philharmonie de Paris com RodolpheBailly (Presidente do MIMO e Diretor de Bibliotecas e Arquivos), visando estabelecer cooperação bilateral entre o MVIM e a rede MIMO. Ela também fará uma visita técnica e uma reunião de trabalho no Institut de Recherche em Musicologie (IReMusLab) na Sorbonne Université para apresentação do MVIM e discussão de projetos conjuntos. De 22 a 24 de setembro, segue para Leicester e Londres, no Reino Unido, para uma reunião e apresentação na University of Leicester, com foco em oportunidades de cooperação no âmbito de projetos de pesquisa. Seu destino seguinte é Zaragoza, na Espanha, onde apresentará o trabalho científico interinstitucional "Migração da base de instrumentos musicais do MVIM para o Tainacan: interoperabilidade semântica e difusão", autoria da própria Adriana, em colaboração com Rodrigo Freire de Oliveira, do Instituto Brasileiro de Museus (Ibram); Cláudio José Silva Ribeiro, da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UniRio); e Dalton Lopes Martins, da Universidade de Brasília (UNB) na 31st International Conference on Information and Documentation Systems (Ibersid), na Faculdade de Filosofia e Letras da Universidade de Zaragoza. Fechando a viagem, de 5 a 9 de outubro, Adriana participa do XV Seminário Hispano-Brasileiro de Pesquisa em Informação, Documentação e Sociedade (SHB) em Madri, para apresentação do trabalho “A atuação do Museu Virtual de Instrumentos Musicais na preservação, agregação e difusão de acervos de instrumentos musicais brasileiros”, elaborado em parceria internacional com Salomé Strauch (IReMusLab/Sorbonne Université).
Adriana Ballesté: para a pesquisadora, é importante integrar mais instrumentos musicais de diferentes museus e instituições em uma única plataforma acessível a todos (Foto: Pedro Struchiner)


“Além desse reconhecimento internacional, nosso projeto foi selecionado na Chamada Programa de Capacitação Institucional do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), o que vai permitir dar passos maiores em relação ao crescimento do acervo; à internacionalização; à interatividade e à divulgação da nossa cultura musical brasileira”, explica Adriana.

Concebido como um espaço dinâmico e em permanente expansão, o MVIM dedica-se à preservação da memória dos instrumentos musicais, fontes fundamentais para o entendimento da História da Música. Segundo Adriana Ballesté, doutora em Música pela Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UniRio), mestre em Sistemas e Computação e pesquisadora do Ibict, o objetivo agora, com apoio do CNPq,é buscar convergência com iniciativas nacionais e internacionais a partir de três eixos básicos.

O primeiro eixo busca incorporar acervos de outras instituições museais que possuem instrumentos musicais, estimulando a troca de conhecimento, através de publicações e seminários, a fim de fortalecer a capacidade científica, tecnológica e de inovação nos museus brasileiros. Outra meta é desenvolver a interoperabilidade entre o MVIM e outras instituições, como o portal “Brasiliana Museus”, uma plataforma online que conecta e disponibiliza o patrimônio dos museus brasileiros em um repositório acessível ao público, ampliando o alcance dos acervos para além das fronteiras físicas dos museus; assim como com o Musical Instruments Museums Online (Mimo), projeto colaborativo criado por um consórcio de 11 instituições europeias (liderado pela University of Edinburgh e coordenado a partir de centros como a Cité de la musique em Paris), com financiamento da Comissão Europeia, principal referência internacional nessa área. O projeto pretende, ainda, investigar, experimentar, desenvolver e incorporar ao MVIM tecnologias de inteligência artificial que permitam a simulação de conversas com músicos e luthiers virtuais, jogos interativos com simulações de áudio e imagem, ferramentas de criação personalizadas, como um palco virtual.

Fruto de diálogo interdisciplinar entre as novas tecnologias, a Musicologia e a Museologia, o MVIM se consolidou como um espaço inovador de pesquisa e de troca de conhecimentos. A apresentação on-line e gratuita reúne uma enorme variedade de instrumentos musicais apresentados em fotos, acompanhados de informações detalhadas, áudios e vídeos. No catálogo há desde instrumentos populares brasileiros, como violões, cavaquinho e cuíca, até curiosidades como uma flauta asteca feita a partir de um osso humano (tíbia).

As fichas catalográficas do acervo são separadas de acordo com a categoria (aerofones, cordofones, idiofones, membranofones) e reúnem os acervos do Museu Instrumental Delgado de Carvalho, sediado na Escola de Música da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ); do Museu Villa-Lobos; e do Instituto Moreira Salles (IMS). Cada instrumento é acompanhado de ficha de identificação e dados gerais, informações sobre a procedência; descrição detalhada do item; observações e contextualização sobre o instrumento em geral; dados específicos do exemplar tais como a data de fabricação, autoria, local de fabricação, material; dados sobre restauração; notas gerais; registros audiovisuais; referências bibliográficas.

Com apoio do edital de Apoio à Editoração da FAPERJ, em 2023 também foi produzido o livro “Museu Virtual de Instrumentos Musicais: Espaço de convergência de acervos”, organizado por Adriana, Álea de Almeida e Ana Cristina Valentino. Além disso, no mesmo ano, foi organizado, com recursos do edital de Apoio à Organização de Eventos da Fundação, o 61º Festival Villa-Lobos que, ao longo de novembro, promoveu concertos de violão, violoncelo e piano, além de palestras e rodas de conversa sobre o patrimônio musical brasileiro.
Da esp. p/ a dir. a partir do alto: caraxá, naqqara, yueqin e flauta feita de tíbia estão entre os instrumentos catalogados nas quatro categorias (Fotos: reproduções do MVIM)


“Hoje, o MVIM é a única plataforma que reúne as coleções de instrumentos musicais do Brasil; no entanto, reúne apenas três museus cadastrados, o que não é representativo da diversidade das coleções dos museus de todo o país”, explica Adriana. Para ela, é importante integrar mais instrumentos musicais provenientes de diferentes museus e instituições brasileiras, a fim de promovê-los e reuni-los em uma única plataforma acessível a todos. Para isso, o MVIM pretende desenvolver uma plataforma que possibilite a interoperabilidade (quando diferentes sistemas, redes ou programas de computador trocam e usam informações de forma automática). Adriana destaca que a futura colaboração com o Mimo permitirá que o MVIM alcance um público internacional e contribua para a divulgação das coleções contidas em seu acervo nas pesquisas organológicas em todo o mundo. Do ponto de vista da inovação, o projeto permitirá que o MVIM se torne o primeiro museu brasileiro integrado ao MIMO, que hoje é a maior referência mundial em termos de coleções e classificações organológicas.

As perspectivas de utilização da inteligência artificial (IA) estão se consolidando e começam a transformar a gestão dos museus. Na prática, a inteligência artificial pode atuar diretamente na conservação, catalogação, indexação, pesquisa de acervos, reconstrução virtual de obras e na interação com o público. Diante disso, o projeto pretende estudar formas de implementar tais inovações, procurando elevar a experiência do usuário.

Integram a equipe do projeto Salomé Strauch, pesquisadora de pós-doutorado no Instituto de Pesquisa em Musicologia da Universidade de Sorbonne; Cláudio José Silva Ribeiro, doutor em Ciência da Informação pelo convênio Universidade Federal Fluminense/MCT-Ibict; Alexandre Costa, pesquisador do Ibict-MCTI, professor da Universidade Federal do Amazonas e professor colaborador da UniRio; Ronnie Fagundes de Brito, pesquisador do Ibict e doutor em Engenharia e Gestão do Conhecimento pela Universidade Federal de Santa Catarina; Ana Cristina Valentino, mestranda no Programa de Pós-Graduação em Ciência da Informação do Ibict; Rodrigo Freire de Oliveira, do Instituto Brasileiro de Museus (Ibram), graduado em Biblioteconomia pela Faculdade de Ciência da Informação da Universidade de Brasília (UnB); Flávio Rigoni Costa Moreira, músico instrumentista; e Dalton Lopes Martins, diretor da Faculdade de Ciência da Informação da Universidade de Brasília.





Autor: faperj
Fonte: faperj
Sítio Online da Publicação: faperj
Data: 03/09/2026
Publicação Original: https://www.faperj.br/?id=1099.7.7

quinta-feira, 3 de setembro de 2026

Como tornar acessível um espaço pensado para ser visto e escutado?


Mediador do Museu Ciência e Vida, Adilson Buze interage com o público durante as sessões no museu, que adaptou seu planetário para receber visitantes cegos e surdos (Foto: Flavio-Carvalho)


Museus de ciência costumam afirmar que são espaços para todos. Mas o que significa, no dia a dia, garantir que todas as pessoas, incluindo surdos e cegos, possam participar das experiências oferecidas? A resposta parece simples até chegarmos a alguns dos ambientes mais emblemáticos da divulgação científica. É o caso dos planetários. Construídos para projetar imagens do céu em grandes cúpulas, esses espaços dependem fortemente da visão para apresentar conceitos sobre estrelas, planetas e galáxias.

E já pensou como torná-los acessíveis também para pessoas cegas? E como acolher visitantes surdos que dependem de luz para se comunicar na Língua Brasileira de Sinais (Libras)? Essas perguntas orientaram, ao longo da última década, uma série de iniciativas desenvolvidas pelo Museu Ciência e Vida, espaço da Fundação Cecierj, localizado no município de Duque de Caxias, na Baixada Fluminense.

A responsável pelo Museu Ciência e Vida, Mônica Dahmouche, explica que tudo começou em 2015. A ideia foi lançada durante o Ano Internacional da Luz e das Tecnologias baseadas em Luz, promovido pela Unesco. Inspirada pela temática, a equipe do museu, que conta também com a astrônoma Carolina Assis Costa Moreira, decidiu enfrentar um desafio aparentemente contraditório: apresentar luz a pessoas com deficiência visual. "Mais do que tornar uma exposição acessível, a iniciativa provocou uma mudança em nossas percepções e perspectiva. Se pessoas cegas e com baixa visão passariam a frequentar o museu com mais frequência, especialmente em visitas escolares, seria necessário repensar outros espaços da instituição e incluir também os surdos", diz a pesquisadora.

Fenômenos como o efeito fotoelétrico e a dualidade onda-partícula da luz eram apresentados por meio de painéis que podiam ser explorados pelas mãos dos visitantes. Foi nesse contexto que surgiu também um outro desafio: tornar também acessível o planetário.

A astronomia é frequentemente descrita como uma ciência da observação. Fotografias de galáxias, mapas celestes e imagens de telescópios ocupam papel central tanto na pesquisa quanto na divulgação científica. Para visitantes cegos, no entanto, essa abordagem apresenta limitações evidentes. A solução encontrada foi desenvolver recursos capazes de traduzir conceitos astronômicos para outras formas de percepção. Nasceu assim o projeto "O Essencial é Invisível aos Olhos", voltado à criação de sessões acessíveis para pessoas com deficiência visual.

"Tudo mudou ao incorporarmos modelos táteis às atividades do museu. Com isso, conseguimos representar constelações, movimentos aparentes do céu, características dos planetas e diferenças entre estrelas. Além disso, incluímos também recursos sonoros que complementavam a experiência. Nesse ambiente acolhedor, valorizamos conceitos tradicionalmente abstratos para que fossem vivenciados por meio do tato e da audição", relata.

Dahmouche explica que, ao longo dos anos, os materiais evoluíram. Modelos inicialmente produzidos de forma artesanal deram lugar a peças impressas em 3D em uma parceria com designers da Fundação Cecierj. Em diferentes etapas, pessoas cegas e com baixa visão participaram da avaliação dos materiais, contribuindo para seu aperfeiçoamento. O processo trouxe uma lição importante: acessibilidade não é algo que se constrói para um público, mas com ele.

Quando a visualidade se torna uma vantagem

Os desafios relacionados à acessibilidade não se restringiram às pessoas com deficiência visual. Ao longo dos anos, o museu também ampliou suas ações voltadas à comunidade surda, em parceria com pesquisadores, intérpretes e instituições especializadas. Nesse caso, a experiência revelou uma situação curiosa. Enquanto a ausência da visão exigia adaptações para alguns visitantes, a forte presença de elementos visuais no planetário representava uma vantagem para outros.

A Libras é uma língua visual-espacial. Sua estrutura depende da percepção de movimentos, expressões faciais e organização espacial das informações. Nesse sentido, a imersão proporcionada pela projeção em cúpula dialoga diretamente com formas de comunicação e construção de conhecimento presentes na comunidade surda.
A diretora Monica Dahmouche (à esq.) e a astrônoma Carolina Moreira: parceria dentro do Museu Ciência e Vida para a realização de atividades inclusivas destinadas a surdos e cegos (Fotos: Divulgação/Museu Ciência e Vida)


"Nada é fácil e surgiu um obstáculo significativo. As sessões de planetário acontecem em ambientes escuros, condição necessária para a observação das projeções. Essa característica dificulta a visualização dos sinais, comprometendo aspectos fundamentais da comunicação em Libras. Resolver esse problema exigiu de nós um processo contínuo de experimentação e diálogo com a comunidade surda", diz.

As primeiras experiências envolveram visitas de grupos de surdos acompanhados por intérpretes e educadores especializados. Aos poucos, foram sendo construídas metodologias específicas para a mediação dos conteúdos astronômicos. Uma das dificuldades encontradas foi a própria linguagem científica. Muitos conceitos da astronomia, assim como vários outros termos científicos, ainda não possuem sinais específicos. Importante esclarecer que a linguagem para surdos é construída em sinais. Quando não há um sinal para exemplificar um conceito, o intérprete precisa soletrar com o alfabeto manual.

Outro problema enfrentado pela comunidade surda é que nem todos os sinais científicos são amplamente difundidos em Libras. E outros sinais apresentam diferentes versões utilizadas por comunidades surdas de distintas regiões do País. "A necessidade de tornar o conteúdo acessível nos levou então à construção de um sinalário em vídeo específico para as sessões. A curadoria para a construção desse sinalário foi elaborado a partir do diálogo entre educadores, intérpretes e pessoas surdas", detalha. "Nesse processo, optamos por aqueles que apresentavam uma leitura mais imediata das características visuais dos objetos mais destacadas na nossa projeção, além dos sinais que fossem mais usados no estado do Rio de Janeiro".

Em 2026, esse processo resultou na estreia de uma sessão fulldome acessível, que apresenta os planetas do Sistema Solar por meio de uma viagem espacial imersiva. Durante a sessão, os planetas do Sistema Solar são apresentados a partir de uma viagem de foguete, saindo da Terra. O conteúdo pode ser acompanhado tanto por usuários de Libras quanto por ouvintes, ampliando as possibilidades de participação do público.

A trajetória do Museu Ciência e Vida mostra que a acessibilidade não pode ser entendida como um conjunto de adaptações pontuais ou soluções técnicas aplicadas ao final de um projeto. Ela exige mudanças na forma como as instituições concebem seus públicos, planejam suas atividades e constroem seus processos educativos. "Mais do que permitir a entrada de pessoas com deficiência nos espaços de divulgação científica, a acessibilidade transforma a própria maneira de comunicar ciência. Obriga educadores, pesquisadores e mediadores a repensar conceitos aparentemente simples, questionar formatos tradicionais e buscar novas linguagens para compartilhar conhecimento", destaca.

O resultado é um ganho coletivo. O projeto recebeu apoio financeiro da FAPERJ e também do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq). "Quando um museu se torna mais acessível para pessoas cegas, surdas ou autistas, ele também se torna mais acolhedor, criativo e compreensível para todos os demais visitantes. Se a ciência busca compreender a diversidade do mundo, seus espaços de divulgação precisam refletir essa mesma diversidade", finalizou.




Autor: faperj
Fonte: faperj
Sítio Online da Publicação: faperj
Data: 27/08/2026
Publicação Original: https://www.faperj.br/?id=1074.7.7