sexta-feira, 10 de julho de 2026

Estudo investiga os caminhos para o tratamento da osteoartrite

A osteoartrite é uma doença degenerativa crônica que causa o desgaste progressivo da cartilagem que reveste as articulações. Afeta principalmente joelhos, quadris, mãos e coluna, provocando dor mecânica, rigidez e limitação de movimentos, especialmente em idosos e pessoas obesas. Apesar dos avanços da Medicina, os tratamentos farmacológicos atualmente disponíveis apresentam eficácia limitada, e nem sempre proporcionam alívio adequado para a dor. Investigando os caminhos para o tratamento desta doença, o pesquisador Robson da Costa, da Faculdade de Farmácia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), estuda como regular os mecanismos neurais relacionados à sensação de dor em condições crônicas, como nos pacientes com osteoartrite.

No Laboratório de Neurofarmacologia e Comportamento (LabNec/UFRJ), ele conseguiu, em testes com modelo animal, reduzir a atividade de um canal iônico presente em neurônios sensoriais envolvidos na transmissão da dor. Trata-se do canal TRPM3 (Receptor de Potencial Transitório Melastatina 3), envolvido na sinalização da sensação de dor. "Um dos principais achados do estudo foi demonstrar que a remoção seletiva do TRPM3 nos neurônios sensoriais foi suficiente para impedir o desenvolvimento da dor associada à osteoartrite. Além disso, antagonistas seletivos desse canal foram capazes de reverter a dor já estabelecida nos modelos experimentais. Em conjunto, os resultados identificam o TRPM3 como um importante mediador da dor articular e um promissor alvo terapêutico para o tratamento da osteoartrite", contou o pesquisador.

"O bloqueio deste canal, que funciona como um canal iônico que permite a entrada de íons nas células nervosas, contribuindo para a geração de sinais associados à dor, pode representar uma estratégia promissora para aliviar a dor associada à osteoartrite", completou Robson, que vem desenvolvendo seu trabalho com apoio da FAPERJ, por meio dos editais Jovem Cientista do Nosso Estado e Auxílio Básico à Pesquisa (APQ1).



Esquema ilustra o processo bioquímico de sinalização da dor por meio do canal iônico TRPM3, nas terminações dos neurônios, tema do estudo desenvolvido no LabNec/UFRJ (clique aqui para ampliar a imagem)


Os compostos utilizados na pesquisa foram a ononetina e a isosakuranetina, moléculas experimentais capazes de bloquear a atividade do canal TRPM3. O estudo resultou na recente publicação de um artigo na revista científica internacional Osteoarthritis and cartilage, especializada na área de Ortopedia e Reumatologia. “Foi importante ter esse reconhecimento. Essa é uma das principais revistas da área de osteoartrite, com fator de impacto nove”, destacou Costa.

O artigo, intitulado Transient Receptor Potential Melastatin 3 ion channel expressed in sensory neurons mediates osteoarthritis pain in mice, pode ser lido na íntegra aqui. Além de Robson da Costa, assinam o trabalho os pesquisadores: Suelen Pereira; Clive Gentry; Fabiana C. Dias; Bianca de Lima Almeida; Margot Maurer; Laura I. Primicheru; Lio Moreira; Stefanie Mannebach; Petra Weissgerber; Stephan E. Philipp; David A. Andersson e Stuart Bevan.

Farmacêutico, Costa começou a estudar a questão da dor e dos canais TRP ainda na época em que foi bolsista de Iniciação Científica, em 2004, na Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), onde concluiu a graduação e o Doutorado. Posteriormente, aprofundou essas investigações durante seu período como pesquisador visitante no King's College London, onde foi bolsista Newton International Fellow, entre 2017 e 2018, e teve a oportunidade de investigar especificamente o comportamento do canal TRPM3.

Costa afirma que o estudo demonstra que a inibição seletiva desse canal reduziu significativamente comportamentos relacionados à dor em modelos experimentais de osteoartrite, apontando para uma estratégia inovadora, e tem um potencial translacional, ou seja, abre possibilidades de gerar aplicações com impactos diretos para a sociedade. “Esses achados ampliam o conhecimento sobre os mecanismos biológicos envolvidos na dor crônica e podem contribuir futuramente para o 

desenvolvimento de terapias mais eficazes, beneficiando milhões de pacientes afetados pela osteoartrite”, concluiu.



Autor: FAPERJ
Fonte: FAPERJ
Sítio Online da Publicação: FAPERJ
Data: 18/06/2026
Publicação Original: https://www.faperj.br/?id=1031.7.5

Nupep lança plataforma que disponibiliza patentes depositadas no Brasil entre 1809 e 1891

O Núcleo de Pesquisa Propriedade e suas Múltiplas Dimensões (Nupep) acaba de lançar a base de dados ‘Inventiva Brasileira’, que disponibiliza gratuitamente todas as informações sobre as patentes concedidas no Brasil ao longo do século XIX. O lançamento integra as comemorações de 10 anos do Nupep, que reúne pesquisadores e estudantes de instituições de ensino e pesquisa de diversas instituições no Brasil. O projeto, intitulado “Exposições Universais, Tecnologia e Propriedade Industrial entre os séculos XIX e XX”, contou com financiamento da FAPERJ, por meio do Edital de Auxílio Básico à Pesquisa (APQ1). Criado em 2016, o Nupep tem como objetivo o estudo, pesquisa e divulgação de aspectos pertinentes à discussão sobre a propriedade em suas variadas dimensões, organizando-se em quatro linhas de pesquisa: Propriedades Rurais e Questões Agrárias; Propriedades Urbanas, Moradia Popular, Produção e Trabalho; Propriedade e Patrimônio Cultural; Propriedade Intelectual, Tecnologia e Inovação.

O estudo foi coordenado pela pesquisadora Mônica de Souza Nunes Martins, professora do Departamento de História da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ), juntamente com o pesquisador Leandro Miranda Malavota, analista do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e professor do Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI), com o apoio da FAPERJ e do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq). A pesquisa contou ainda com o trabalho de bolsistas de Iniciação Científica, financiados pela FAPERJ, pelo Programa Institucional de Bolsas de Iniciação Científica (PIBIC/CNPq) e pelo Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia Proprietas (INCT/Proprietas).

O banco de dados disponibiliza de forma inédita as informações sobre um total de 1949 patentes referentes ao período entre 1809 e 1891, desde a edição do Alvará de 28 de abril de 1809, um marco histórico assinado pelo então Príncipe Regente D. João VI, que isentou matérias-primas de direitos alfandegários para estimular a construção naval e instituiu o primeiro sistema de patentes do Brasil, garantindo 14 anos de privilégio exclusivo a inventores.

Segundo Mônica Martins, a maior parte das invenções do período concentram-se no setor agrícola, tais como novos instrumentos e processos técnicos. Muitas dessas invenções beneficiadas com os privilégios industriais foram participantes e ganharam projeção nas Exposições Universais, eventos que reuniam nações para apresentarem suas inovações tecnológicas, culturais e comerciais. A primeira edição da World Expo foi realizada em Londres, no ano de 1851, e desde então a mostra tem sido uma vitrine para invenções históricas, tendo o Brasil iniciado sua participação em 1862.


A máquina a vapor para moer cana-de-açúcar foi uma das patentes depositadas que está disponível na base de dados


Máquina de refinar açúcar, registrada por Joaquim Rodrigues Maia, em 1825; outra para descascar arroz, inventada por Antonio Julião da Costa, em 1819; um moinho de trigo a vapor, patenteado em 1819, uma balança hidráulica (1825); papel feito com bagaço de cana-de-açúcar, registrado por Antonio dos Santos Carvalho, em 1890; e até uma máquina de fabricar cigarros, inventada por Aaatole Edouard Deconflé, em 1886, são alguns dos exemplos disponíveis no banco de dados. As informações são apresentadas a partir dos nomes dos inventores, por ordem alfabética, ao longo dos anos.

Para a pesquisadora, a base de dados permite a democratização do acesso para pesquisadores, estudantes e o público geral interessado na História da Propriedade Industrial no Brasil. Mônica Martins chama atenção para as patentes depositadas pelo inventor e empresário norte-americano Thomas Edison, que ganhou notoriedade por ter inventado a lâmpada elétrica incandescente, mas que também desenvolveu outros dispositivos na área de geração de energia elétrica, e também na comunicação em massa, gravação de som e cinema. Edison tem três patentes depositadas no Brasil que lhe garantiram privilégios industriais. Em 1878, ele registrou um “phonografo”; em 1879, obteve o privilégio de “apparelhos e processos de sua invenção, destinados ao uso da luz electrica na iluminação pública e particular”; e, em 1883, para o “apparelho para o desenvolvimento de correntes elétricas e a iluminação pela eletricidade”.

Doutora em História Social pelo Programa de Pós-Graduação em História Social da Universidade Federal do Rio de Janeiro, Monica Martins lembra que, até hoje, não existem leis internacionais que protejam patentes, havendo regulações a partir de acordos multilaterais que protegem os países signatários, tais como a Convenção de Paris (1883), o Acordo Trips (1994) ou o Tratado de Cooperação em matéria de Patentes (1970). As regras são nacionais e, por isso, demandam que a patente seja depositada em todos os países e regiões específicas onde será produzido e/ou comercializado o invento, a fim de proteger o inventor, a indústria e o mercado.


As fibras vegetais de Severino da Costa Leite foram apresentadas em várias exposições, incluindo a de Nova York


A pesquisadora destaca um caso incomum e curioso envolvendo Severino Lourenço da Costa Leite, residente na Província de Minas Gerais, que, em 1869, enviou à Sociedade Auxiliadora da Indústria Nacional o pedido de um parecer sobre a utilização de fibras vegetais para fins industriais, com o pedido de um parecer sobre a utilização de fibras vegetais para fins industriais. As fibras vegetais haviam sido premiadas na Exposição Universal de Viena, em 1873, e, mais tarde, na Exposição Universal da Filadélfia, em 1876. Parecer do Ministério da Agricultura brasileiro ressaltava não só as qualidades das fibras vegetais expostas por Severino, mas seu potencial de gerar interesse no exterior.

Uma avaliação do conhecido botânico britânico John Mayers enaltecia a “excelente qualidade, sendo mais fina, macia e resistente do que o linho, características que lhe conferiam potencial comercial”. Entretanto, embora os fabricantes ingleses tenham destacado a qualidade das fibras vegetais brasileiras, concluíram que elas não atenderiam a uma demanda no mercado europeu, a menos que houvesse certeza de fornecimento de matéria-prima em quantidade suficiente para suprir a indústria. Em vista disso, o governo Imperial decidiu analisar a região de cultivo das fibras vegetais citadas e concluiu que Severino Leite não tinha condições de arcar com os custos da produção, entendendo-se que seria necessário aporte do governo para esse investimento.


Mônica Martins: segundo a pesquisadora, muitas dessas invenções beneficiadas com os privilégios industriais foram participantes e ganharam projeção nas Exposições Universais


Este caso, descrito em detalhes no livro “O Teatro das Invenções: a inserção do Brasil no sistema de propriedade industrial” (2024), autoria de Mônica Martins e Leandro Malavota, expõe uma questão de fundo relevante: o alcance e a efetividade do sistema de patentes como ferramenta de estímulo e recompensa à inovação, bem como a sua adequação às especificidades de cada sistema econômico em que é aplicado. Os autores argumentam que apesar da fibra desenvolvida por Severino Leite representar uma invenção com alto potencial de produção e rentabilidade e, a princípio, atender aos requisitos de patenteabilidade, o posicionamento do comitê indicava que o caráter exclusivo não foi considerado como o meio mais adequado para promover a introdução e exploração da nova atividade. Isso os leva a refletir sobre o fato de que o estímulo à inovação e ao desenvolvimento técnico não depende necessariamente dos direitos de exclusão, mas também de uma série de medidas e ações de ordens política, econômica e administrativa que criem condições para garantir a viabilidade econômica das inovações.

Logo após a Premiação na Filadélfia, em 1877, foi concedido a Severino Leite o privilégio para “usar do processo de sua invenção destinado a extrahir fibras texteis dos cipós lactescentes e malpighiáceos” por um prazo de 10 anos. No mesmo ano, outro decreto concedia a ele o privilégio de usar e aplicar na indústria fabril as fibras têxteis extraídas dos cipós lactescentes e malpighiáceos, por um prazo de 10 anos. Já em 1878, foi elevado para 20 anos o prazo para Severino Leite usar e aplicar à indústria fabril as fibras têxteis extraídas dos cipós lactescentes e malpighiáceos e ainda foi concedido o privilégio, por 10 anos, para fabricar papel com o emprego de fibras extraídas da figueira brava.

Segundo Mônica Martins, o objetivo da equipe agora é dar continuidade ao trabalho, estendendo a base de dados para os anos seguintes.

A base de dados “Inventiva Brasileira” pode ser acessada em https://nupep.com.br/base-de-dados/.



Autor: FAPERJ
Fonte: FAPERJ
Sítio Online da Publicação: FAPERJ
Data: 09/07/2026
Publicação Original: https://www.faperj.br/?id=1043.7.2

Edital das academias sediadas no RJ é lançado em cerimônia oficial na ABL


A presidente da FAPERJ, Caroline Alves (ao centro), ao lado da diretora Científica, Eliete Bouskela, e do presidente da ABL, Merval Pereira (4º a partir da direita), ao lado de representantes das instituições que prestigiaram a cerimônia de lançamento oficial do edital destinado às academias nacionais sediadas no RJ (Fotos: Guilherme Madureira)


A FAPERJ e a Secretaria de Estado de Ciência, Tecnologia e Inovação (SECTI) realizaram na terça-feira, 7 de julho, na Academia Brasileira de Letras (ABL), a cerimônia oficial de lançamento da segunda edição do Programa de Apoio às Academias Nacionais Sediadas no Estado do Rio de Janeiro. O prazo para submissão de propostas online, iniciado dia 18 de junho, segue até 17 de julho, e a chamada (Edital FAPERJ Nº 13/2026) pode ser consultada no site da Fundação.

O edital tem por objetivo apoiar atividades de editoração e publicação de revistas, periódicos científicos e tecnológicos, livros impressos e eletrônicos; aquisição de livros, periódicos e publicações em diferentes mídias; e ações de organização, preservação, informatização, digitalização, catalogação e difusão de acervos. Os recursos também poderão ser usados para custear ações de difusão pública do conhecimento, como realizar palestras, debates, simpósios, seminários e outras atividades voltadas ao público em geral.

Ao participar da cerimônia, a presidente da FAPERJ, Caroline Alves, afirmou que o edital contribui para fortalecer a história das academias sediadas no Rio de Janeiro, e, dessa forma, fortalecer a própria história do estado. Segundo ela, investir nessas instituições, que há décadas produzem e fazem a difusão do conhecimento, contribui para preservar o patrimônio científico, cultural e intelectual.

A diretora Científica da FAPERJ, Eliete Bouskela, destacou a relevância do papel das academias na preservação do conhecimento e defendeu o apoio à manutenção dessas instituições. Segundo ela, a FAPERJ deve contribuir para manter as academias nacionais no Rio de Janeiro, uma vez que há pouca possibilidade de qualquer tipo de auxílio de empresas privadas no Rio de Janeiro no momento, cenário que, ela espera, seja revertido. De acordo com Eliete, as academias têm hoje, no mundo, um papel extremamente importante de dialogar com as pessoas e mostrar que existem coisas sólidas em qualquer país.


A partir da esq., o presidente da ABL, Merval Pereira, a diretora Científica da FAPERJ, Eliete Bouskela, e o acadêmico e neurocirurgião Paulo Niemeyer Filho: participantes da cerimônia destacaram o papel das academias na preservação do conhecimento


O presidente da Academia Brasileira de Letras, Merval Pereira, falou sobre a importância das academias para o desenvolvimento da cultura e da tecnologia no Brasil. O acadêmico agradeceu à FAPERJ pela importância que a Fundação tem dado às atividades das academias nacionais sediadas no Rio de Janeiro. “É um privilégio o Rio de Janeiro manter todas essas academias na cidade. A FAPERJ entende perfeitamente essa importância e nos estimula a prosseguir nesse trabalho de ampliação das nossas atividades, que são atividades fundamentais para a cultura e a representatividade da cidade”, afirmou o jornalista e escritor.

O lançamento do edital foi prestigiado por representantes de diferentes academias e instituições. Estiveram presentes ao evento, os acadêmicos da ABL, Arno Wehling, Domício Proença Filho, Paulo Niemeyer Filho e Ricardo Cavaliere; o presidente da Academia Nacional de Medicina (ANM), Antonio Egidio Nardi; a professora Maria Domingues Vargas, representando a presidente da Academia Brasileira de Ciências (ABC), Helena Nader; a diretora da Academia Nacional de Engenharia (ANE), Maria Elvira Maceira; o membro da ANE e ex-diretor do Centro de Pesquisas de Energia Elétrica (Cepel), Albert Melo; e o presidente da recém-criada Academia Nacional de Educação, Ciência e Inovação (ANECI), Paulo Alcântara Gomes, ex-reitor da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).

Os representantes destacaram a relevância do edital e falaram um pouco sobre os projetos que vêm realizando: entre eles, o dicionário online que será desenvolvido pela ABL e a nova etapa do portal do Centro de Memória da ABC. As propostas aprovadas terão prazo de execução de até 24 meses, contados a partir do depósito dos recursos.

O edital completo, com os critérios de elegibilidade, itens financiáveis, procedimentos de inscrição e demais orientações, está disponível e pode ser consultado no site da FAPERJ.

Confira a íntegra do edital no link abaixo:

Edital FAPERJ Nº 13/2026 – Programa de Apoio às Academias Nacionais Sediadas no Estado do Rio de Janeiro



Autor: FAPERJ
Fonte: FAPERJ
Sítio Online da Publicação: FAPERJ
Data: 09/07/2026
Publicação Original: https://www.faperj.br/?id=1060.7.9

FAPERJ apresenta Programa Prioridade Indústria RJ 4.0 em evento na Casa Firjan


Como as empresas podem pensar a inovação para antecipar novos cenários, tomar decisões estratégicas e se preparar para os desafios e demandas de mercado no futuro? Para refletir sobre essa temática, empreendedores e gestores se reuniram no evento “Meet Up Firjan IEL” na tarde desta quarta-feira, 8 de julho, na sede da Casa Firjan – polo de inovação e centro cultural da Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro –, em Botafogo. Durante o encontro, representantes da FAPERJ apresentaram o Programa Prioridade Indústria RJ 4.0, edital lançado pela Fundação no dia 2 de julho que, elaborado em colaboração com a Firjan, apoiará projetos desenvolvidos por startups e empresas industriais sediadas no estado do Rio de Janeiro, com o propósito de estimular a inovação tecnológica, o aumento da produtividade e a aproximação entre empresas e instituições de ciência e tecnologia.

Na mesa de abertura, a presidente da FAPERJ, Caroline Alves, destacou o papel estratégico da inovação e a importância de planejar cenários futuros de mercado no estado do Rio de Janeiro. Participaram também dos debates a coordenadora do Lab de Tendências da Casa Firjan, Carol Fernandes; e o gerente de Ecossistema de Inovação para a América Latina da Merck Life Sciences, Misael Silva. A mesa foi mediada pela consultora de Ambientes de Inovação da Casa Firjan, Julia Zardo.

O assessor da Diretoria de Tecnologia da FAPERJ, Guilherme Santos, esclareceu dúvidas de empreendedores presentes e detalhou os principais pontos do Programa Prioridade Indústria RJ 4.0. “O edital vai conectar as demandas da indústria com tecnologias maduras e a capacidade de execução das propostas. O programa terá duas faixas, voltadas a startups inovadoras e a empresas industriais”, citou.

No dia 14 de julho, será realizado um webinar sobre o Programa Prioridade Indústria RJ 4.0, online e ao vivo, que será transmitido das 17h às 18h30, para apresentar os principais aspectos do edital, incluindo seus objetivos, critérios de elegibilidade, etapas de submissão e oportunidades para empresas interessadas em desenvolver projetos de inovação. A iniciativa contempla soluções como automação avançada, manufatura digital, internet das coisas, inteligência artificial, análise de dados, sistemas ciberfísicos e integração digital de processos produtivos. Se inscreva no webinar aqui.


Empreendedores e gestores participaram de uma dinâmica de grupo para facilitar a troca de contatos e experiências profissionais (Foto: Flávia Machado)


Em seguida, Carol Fernandes falou sobre os objetivos do Lab de Tendências da Casa Firjan, voltado ao auxílio de empresas, indústrias e profissionais na antecipação de temas de impacto, adotando uma visão a longo prazo. “É importante enxergar as possibilidades de mercado e criar ações estratégicas para desenvolver um olhar de longo prazo. Fazemos um trabalho de letramento de futuros e pesquisa de tendências. Temos como metodologia o jogo Futuros Possíveis, em que mapeamos sinais com potencial disruptivo, suas conexões e desdobramentos, e as ações inovadoras a serem tomadas. Estamos pensando em novos padrões de consumo e tecnologias, novas competências educacionais para esses cenários futuros, e quais produtos e serviços e novos modelos de negócio poderemos oferecer”, resumiu a coordenadora do Lab de Tendências.

O gerente de Ecossistema de Inovação para a América Latina da Merck Life Sciences, Misael Silva, compartilhou sua experiência corporativa na área. Ele contou que a empresa, criada em 1968, precisou se adaptar às diversas transformações de mercado ao longo das décadas e só resistiu porque está atenta às mudanças. “A Merck investe na inovação de forma contínua, principalmente em áreas estratégicas como doenças crônicas, alterações climáticas, envelhecimento da população e inteligência artificial. Temos também hubs de inovação, frutos de parcerias com universidades de excelência. Com a Universidade Federal de Minas Gerais, testamos os nossos protótipos de nanomateriais e, em parceria com a Coppe/UFRJ – o Instituto de Pós-Graduação e Pesquisa de Engenharia da Universidade Federal do Rio de Janeiro –, lançamos recentemente o Biotech Hub de Medicina de Precisão e de Bioimpressão em 3D, na vanguarda das pesquisas em biotecnologia”, concluiu. Depois das palestras, o público participou de uma dinâmica para networking.

O prazo para submissão online no Programa Prioridade Indústria RJ 4.0 vai de 06/08 a 25 /09/26. Confira abaixo todos os detalhes do edital:





Autor: FAPERJ
Fonte: FAPERJ
Sítio Online da Publicação: FAPERJ
Data: 09/07/2026
Publicação Original: https://www.faperj.br/?id=1062.7.0

sexta-feira, 3 de julho de 2026

Polvos de 19 metros dominavam os oceanos há 100 milhões de anos, revela estudo




Investigadores analisaram as mandíbulas de 15 fósseis antigos de polvo para estimar o tamanho que estes animais poderiam ter atingido.


Principal predador a rondar os mares na era dos dinossauros, há 100 milhões de anos, poderá ter sido o polvo.

Novas análises de mandíbulas fossilizadas revelam que enormes polvos, semelhantes a krakens, chegaram a caçar lado a lado com outros predadores marinhos.

Tinham oito braços e corpos alongados que podiam atingir 19 metros de comprimento, rivalizando com outros répteis marinhos carnívoros.

«Estes krakens deviam ser uma visão temível», respondeu por email o paleontólogo Adiel Klompmaker, da Universidade do Alabama, que não teve qualquer papel na nova investigação.





Os fãs de dinossauros sabem que, no final do Cretácico, as águas eram dominadas por tubarões de dentes aguçados e por répteis marinhos conhecidos como mosassauros e plesiossauros.

Porque é que os polvos costumam ser deixados de fora? Cientistas já estudaram parentes gigantes dos polvos que nadavam quando os dinossauros ainda existiam e analisaram alguns polvos pequenos que perfuravam amêijoas. Mas, como os seus corpos moles quase não se preservam, é difícil perceber exatamente que dimensões chegaram a atingir.

Há também a ideia de que invertebrados moles – animais sem espinha dorsal – não seriam suficientemente temíveis para figurarem entre os grandes predadores. Mas os bicos dos polvos, feitos de quitina endurecida, são resistentes o bastante para esmagar presas com concha e com esqueleto.
Investigadores usam mineração digital de fósseis para identificar restos de polvos antigos

Neste novo estudo, a equipa analisou as mandíbulas de 15 fósseis de polvos antigos, encontrados anteriormente no Japão e na ilha de Vancouver, no Canadá.

Identificaram ainda mais 12 mandíbulas provenientes do Japão, recorrendo a uma técnica que desenvolveram, a que chamam mineração digital de fósseis, que consiste em examinar em detalhe rochas em corte para revelar fósseis escondidos no interior.

Os investigadores compararam estas mandíbulas com as dos polvos atuais para estimar o tamanho dos animais e concluíram que os polvos antigos mediam entre sete e 19 metros de comprimento.

A maior mandíbula era substancialmente maior do que a de qualquer polvo moderno, explicou por email o coautor e paleontólogo Yasuhiro Iba, da Universidade de Hokkaido.

Verificaram também que as mandíbulas dos maiores animais apresentavam um desgaste acentuado, com riscos, lascas e bordos arredondados, o que sugere que "os animais esmagavam repetidamente presas duras, como conchas e ossos", acrescentou Iba.

Os resultados foram publicados na quinta-feira, 23 de abril, na revista Science.

Ilustração fornecida por investigadores em abril de 2026 mostra um polvo gigante que poderá ter sido um dos principais predadores marinhos há milhões de anos Yohei Utsuki via AP
O que comiam os polvos gigantes?

Sem acesso ao conteúdo dos estômagos destes polvos, é difícil saber ao certo o que comiam ou se competiam de facto com outros grandes predadores pelas mesmas presas.

Podiam alimentar-se de peixes ou caracóis marinhos, apanhando as presas com os braços flexíveis e desfazendo-as com o bico.


Autor: euronews
Fonte: euronews
Sítio Online da Publicação: euronews
Data: 24/04/2026
Publicação Original: https://pt.euronews.com/2026/04/24/polvos-de-19-metros-dominavam-os-oceanos-ha-100-milhoes-de-anos-revela-estudo

Mosquito-tigre asiático chega a Berlim: é perigoso?


Tem apenas alguns milímetros, mas alastra pela Alemanha: o mosquito-tigre asiático, potencial transmissor de dengue e chikungunya, preocupa as autoridades de saúde. Como pode proteger-se?


Uma espécie de mosquito dos trópicos na Alemanha? O mosquito-tigre asiático está aparentemente a espalhar-se pela Alemanha. Na Renânia do Norte-Vestefália, em particular, a espécie ganha terreno.

Até agora foram detetadas populações em Bona, Euskirchen e no círculo de Rhein-Erft. A cidade de Colónia alerta agora também para a provável multiplicação destes mosquitos tropicais nos próximos meses. O local mais a norte onde foi confirmada uma população é Berlim.
Porque o mosquito-tigre asiático se pode espalhar especialmente este ano

Os mosquitos-tigre asiáticos preferem um clima quente e húmido. É precisamente isso que a Alemanha oferece neste momento: chove com frequência, mas o tempo continua soalheiro e quente.

Na Renânia do Norte-Vestefália os invernos tornam-se cada vez mais amenos. As condições climáticas são por isso favoráveis à propagação desta espécie.





Outro fator que poderá explicar a expansão destes mosquitos, segundo o Instituto Bernhard Nocht de Medicina Tropical (BNITM), é o aumento do tráfego internacional de passageiros e mercadorias.
Quão perigosos são os mosquitos-tigre asiáticos

A espécie é originária dos trópicos. Com as alterações climáticas, espalhou-se de forma maciça, desde a década de 1990, pelo sul e centro da Europa.

Este mosquito praticamente não evita a luz do dia e as picadas são dolorosas. Distingue-se pelas listas pretas e brancas e mede entre meio centímetro e um centímetro.

O problema é que o mosquito-tigre pode transmitir agentes patogénicos como os vírus da dengue e do chikungunya.
Como saber se pode ter sido infetado

A dengue é uma infeção causada pelo vírus da dengue, presente sobretudo em regiões tropicais e subtropicais e transmitida através da picada de mosquitos infetados. A doença começa, na maioria dos casos, entre quatro e dez dias após a infeção, com febre alta, dores intensas de cabeça, músculos e articulações, bem como uma erupção cutânea. Por isso, a doença também é conhecida como "febre quebra-ossos".

Na maioria dos casos, os doentes recuperam em uma a duas semanas, mas em algumas situações a dengue pode provocar complicações graves, como hemorragias, falência circulatória ou a forma grave da doença, potencialmente mortal. Não existe, até agora, uma terapêutica antiviral específica; o tratamento centra-se no alívio dos sintomas e na ingestão adequada de líquidos.




O vírus chikungunya é responsável pela chamada febre de chikungunya e transmite-se sobretudo através do mosquito da febre-amarela e do mosquito-tigre asiático.
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Após a infeção surgem, geralmente de forma súbita, febre alta, dores intensas nas articulações e nos músculos, dores de cabeça e erupções cutâneas. Muito típicas são as dores articulares, por vezes muito fortes, que podem persistir muito depois de desaparecerem os sintomas agudos.

Embora o chikungunya não seja, na maioria dos casos, mortal, a doença pode afetar seriamente os doentes durante semanas ou meses. Como não existe uma terapêutica antiviral específica, o tratamento baseia-se sobretudo no repouso, na hidratação adequada e no alívio das queixas.

Na Alemanha ainda não foram registadas transmissões através de mosquitos-tigre residentes, mas especialistas consideram que, com as alterações climáticas, é apenas uma questão de tempo, refere a Pharmazeutische Zeitung.
Como se pode proteger

As medidas mais eficazes passam por renovar regularmente a água acumulada, por exemplo em regadores, baldes ou pratos de vasos. Ajuda também evitar que a água da chuva se acumule.

Os cidadãos podem ainda capturar mosquitos-tigre asiáticos e enviá-los para o chamado "Mückenatlas", um projeto de âmbito nacional em que cientistas analisam as espécies e recolhem mais dados sobre a sua dispersão.



Autor: euronews
Fonte: euronews
Sítio Online da Publicação: euronews
Data: 31/05/2026
Publicação Original: https://pt.euronews.com/my-europe/2026/05/31/alemanha-mosquito-tigre-asiatico-alastra-se-ate-berlim-quao-perigoso-e

Espanha deteta 111 casos de cancro raro ligado a implantes mamários




O Ministério da Saúde confirmou mais de uma centena de casos deste cancro raro associado a implantes mamários, quase todos em mulheres com próteses texturizadas.


A Agência Espanhola de Medicamentos e Produtos de Saúde (Aemps) confirmou até 2025 um total de 111 casos de linfoma anaplásico de células grandes associado a implantes mamários (LACG), um cancro pouco frequente ligado às próteses mamárias. No total, o organismo recebeu 146 notificações suspeitas desde que começou a acompanhar esta patologia em 2012.

Os dados constam do sexto relatório de seguimento do protocolo nacional para a deteção e estudo deste tipo de linfoma, elaborado a partir das comunicações registadas no Sistema de Vigilância de Produtos de Saúde. A Aemps mantém há vários anos um seguimento específico desta doença em conjunto com sociedades médicas e autoridades de saúde europeias.

Madrid é a comunidade autónoma que regista o maior número de notificações, à frente da Andaluzia, da Catalunha e da Comunidade Valenciana, segundo o relatório divulgado pela agência.


Cancro raro ligado a determinadas próteses


O LACG associado a implantes mamários, conhecido internacionalmente como BIA-ALCL, é um tipo pouco frequente de linfoma não Hodgkin que não tem origem no tecido mamário, mas em células do sistema imunitário que podem desenvolver-se na cápsula de tecido que envolve o implante.



A Aemps sublinha que se trata de uma doença rara e recorda que a incidência continua baixa em comparação com o elevado número de mulheres com próteses mamárias. Ainda assim, o organismo insiste na importância de manter a vigilância e melhorar a deteção precoce.

As investigações realizadas até agora apontam para uma origem multifatorial da doença. Entre os fatores estudados contam-se o tipo de implante utilizado, determinadas predisposições genéticas e possíveis processos inflamatórios ou contaminações associados ao implante. No entanto, os peritos salientam que ainda não foi estabelecida uma relação causal definitiva nem é conhecido com exatidão o mecanismo que desencadeia o desenvolvimento do linfoma.




Autor: euronews
Fonte: euronews
Sítio Online da Publicação: euronews
Data: 04/06/2026
Publicação Original: https://pt.euronews.com/saude/2026/06/04/espanha-deteta-111-casos-de-cancro-raro-ligado-a-implantes-mamarios