
Nas pesquisas realizadas no Labnec/UFF são aplicadas técnicas de IA para tentar localizar, nos exames de neuroimagem, circuitos ou regiões cerebrais com maior vulnerabilidade ao desenvolvimento de transtornos mentais (Imagem: Divulgação)
Pesquisadoras do Laboratório de Neurofisiologia do Comportamento (Labnec), do Instituto Biomédico da Universidade Federal Fluminense (UFF), vêm desenvolvendo projetos que utilizam a Inteligência Artificial (IA) e exames de neuroimagem para identificar sintomas de transtornos mentais, como ansiedade, depressão, ideação suicida e Transtorno de Estresse Pós-Traumático (TEPT). A equipe conta com apoio da FAPERJ por meio de diferentes editais e programas.
O grupo de pesquisa vem estudando, em especial, os reflexos de experiências traumáticas ocorridas durante a infância na saúde mental de adultos, uma vez que traumas sofridos no passado podem deixar marcas no cérebro das pessoas. A metodologia desenvolvida pela equipe do Labnec/UFF poderá, no futuro, contribuir para que profissionais, como psiquiatras e psicólogos, possam contar com novos instrumentos para fazer o diagnóstico precoce e agilizar o tratamento de pacientes com algum tipo de transtorno.
As pesquisadoras tentam identificar marcadores cerebrais que possam sinalizar uma predisposição a transtornos mentais. O grupo aplica técnicas de IA para tentar localizar, nos exames de neuroimagem, circuitos ou regiões cerebrais com uma atividade anormal que estaria relacionada a uma vulnerabilidade ao desenvolvimento desses transtornos mentais.

Voluntários participam de testes no Labnec, onde são submetidos a estímulos para evocar emoções. As reações a esses estímulos são medidas por meio de exames e os resultados são analisados e geram informações para os estudos (Foto: Divulgação)
“Um dos desafios enfrentados por psicólogos e psiquiatras é a ausência de medidas biológicas que os auxiliem no diagnóstico e no tratamento de seus pacientes. Ao contrário de outros especialistas da área da Saúde, esses profissionais não contam com a ajuda de marcadores e de muitos exames complementares para a tomada de decisões”, explica a neurocientista Leticia de Oliveira, pesquisadora apoiada pelo programa Cientista do Nosso Estado (CNE) da FAPERJ e uma das coordenadoras do Labnec. O laboratório é coordenado em conjunto por Leticia e as professoras Isabel David e Mirtes Pereira, neurocientistas da UFF e também contempladas pelo CNE.
Altamente incapacitantes, os transtornos mentais são doenças associadas a alguma disfunção cerebral e acabam gerando alterações no humor, na cognição e, principalmente, no comportamento. Há evidências, segundo a literatura científica, de que as alterações cerebrais ocorrem muito antes do aparecimento dos primeiros sintomas que, muitas vezes, só se manifestam entre os 18 e 25 anos de idade. “O estudo dessas alterações cerebrais antes do surgimento dos sintomas permite que se faça uma intervenção precoce, o que pode retardar o aparecimento da patologia ou até mesmo evitar que ela se manifeste”, explica Leticia, doutora em Neurofisiologia pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e que estuda o uso da IA na detecção precoce de transtornos mentais há cerca de 15 anos.
Estudos para compreender impacto dos transtornos no comportamento
Tradicionalmente, para estudar os transtornos mentais, os pesquisadores coletam respostas do cérebro e de outras partes do corpo, como a frequência cardíaca e a sudorese, para compreender um pouco melhor como esses transtornos mentais impactam na fisiologia e nas respostas cerebrais das pessoas. Isso é feito com a ajuda de voluntários e, em alguns casos, de pacientes oriundos de hospitais públicos que participam de testes no Labnec. O laboratório não atende a população diretamente.
“Essas pessoas são submetidas a uma série de estímulos emocionais usados para evocar emoções. Esses estímulos podem ser figuras ou objetos tangíveis e as reações a eles são medidas por meio de exames. A nossa equipe pega esses sinais, os analisa, e extrai deles as informações importantes para entender as emoções nas pessoas”, explica a pesquisadora Isabel David, doutora em Ciências Biológicas pela UFRJ e professora do Instituto Biomédico da UFF.
Como o algoritmo computacional aprende da mesma forma que o cérebro, por meio de exemplos, as pesquisadoras apresentam imagens de ressonância magnética do cérebro para esse algoritmo. São apresentadas tanto imagens de indivíduos com transtornos mentais como de pessoas sem diagnóstico.

Isabel David (esq.) e Leticia de Oliveira: pesquisadoras vêm desenvolvendo uma série de trabalhos com o uso de IA aplicada à neuroimagem. Estudos interdisciplinares estão relacionados às áreas de Neurociências, Psiquiatria e Nutrição (Fotos: Acervo pessoal)
“Quanto mais imagens forem apresentadas e quanto mais diversas elas forem, mais esse algoritmo vai aprender. Depois, serão apresentadas imagens que o algoritmo não viu e ele será capaz de classificar se aquela imagem é de um paciente com transtorno mental ou se é de um indivíduo sem diagnóstico”, explica a pesquisadora Liana Portugal, que fez doutorado em Neurociências na UFF e atualmente é professora no Instituto de Biologia Roberto Alcântara Gomes (Ibrag) da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj).
Uma das pesquisas realizadas, recentemente, no Labnec, utilizando Inteligência Artificial para estudar transtornos mentais, foi um estudo sobre ideação suicida, que avaliou 4 mil pessoas aproximadamente. “O algoritmo conseguiu discriminar com quase 80% de acerto quais eram as pessoas que apresentavam ideação suicida em relação às que não apresentavam. O importante desse estudo foi que, para essa decisão, aspectos como o otimismo que a pessoa apresentava e o fato de ela ter tido ou não maus tratos na infância foram fatores importantes para que o algoritmo conseguisse discriminar esses dois grupos”, explicou Leticia. O estudo foi publicado na revista The Lancet Health Americas, em julho de 2026.
Outro distúrbio mental estudado pelo grupo é o Transtorno de Estresse Pós-Traumático, que, como o nome já diz, é aquele que se desenvolve após a vivência de um evento traumático. “Quando falamos em evento traumático não estamos nos referindo a qualquer evento adverso ou ruim que tenha acontecido. Ele precisa ser um evento que represente um risco real de morte, uma lesão grave ou uma violência sexual. Para dizer que uma pessoa tem o transtorno, ela precisa ter uma série de sintomas. É como se a pessoa estivesse revivendo aquele trauma. Porém, nem todas as pessoas que vivenciam esses eventos desenvolvem esse transtorno. Aqui no laboratório, temos tentado compreender melhor quais são os fatores que aumentam o risco de a pessoa desenvolver o Transtorno de Estresse Pós-Traumático”, explica a professora Mirtes Pereira, coordenadora do Programa de Pós-graduação em Ciências Biomédicas da UFF.
Violência psicológica pode ser tão danosa quanto a violência física e a sexual
Entre os fatores, as pesquisadoras têm se debruçado no estudo do impacto da vivência de maus tratos durante a infância. Os maus tratos podem ser de abuso, quando alguma pessoa tem alguma ação que não deveria ter tido em relação a uma criança; ou de negligência, quando ela deixa de prover os cuidados que são necessários. “A grande relevância desse estudo é jogar luz sobre a importância da violência psicológica como causadora de danos à saúde mental. O que o trabalho traz de novidade é mostrar que a violência psicológica pode ser tão danosa quanto a violência física e sexual. Esse estudo foi relacionado aos eventos traumáticos vivenciados na infância e, portanto, envolve principalmente as relações com os cuidadores. Atualmente, estamos investigando os impactos da violência psicológica na vida adulta e envolve outros ambientes além do doméstico, tais como o escolar e o de trabalho. Imaginamos que vamos encontrar resultados bastante similares”, adiantou Mirtes, doutora em Neurociências e Comportamento pela UFRJ.

Mirtes Pereira (esq.) e Liana Portugal: pesquisadoras têm realizado estudos que investigam os reflexos, na saúde mental de adultos, dos maus-tratos sofridos na infância. Traumas na infância estão relacionados a casos de depressão, ansiedade e outros transtornos (Fotos: Acervo pessoal)
Atualmente, as pesquisadoras estão desenvolvendo um projeto que investiga os efeitos dos maus-tratos na infância na psicometria, no desempenho comportamental e reatividade cerebral em diferentes contextos emocionais. Trata-se de um estudo interdisciplinar que integra avaliações comportamentais e de neuroimagem funcional em adultos da comunidade acadêmica durante a visualização de imagens de violência apresentadas em contextos com e sem pistas de segurança.
“Os resultados preliminares mostraram que participantes com histórico de maus-tratos na infância apresentaram pior saúde mental quando comparados àqueles sem esse histórico. Esse grupo exibiu níveis mais elevados de sintomas de depressão, ansiedade e outros indicadores de sofrimento psicológico, além de menores níveis de apoio social percebido e otimismo. Também foi observada uma frequência significativamente maior de ideação suicida entre os participantes que relataram experiências de maus-tratos na infância, reforçando o impacto duradouro dessas vivências sobre a saúde mental na vida adulta”, explicou Liana Portugal.
Os estudos realizados pela equipe do Labnec contam com apoio da FAPERJ, por meio de editais e programas como Cientista do Nosso Estado (CNE); Jovem Cientista do Nosso Estado (JCNE); Programa Pensa Rio – Apoio ao Estudo de Temas Relevantes e Estratégicos para o Estado do Rio de Janeiro; Programa de Apoio às Cientistas Mães com Vínculo em ICTs do Estado do Rio de Janeiro; e o edital Treinamento e Capacitação Técnica (TCT), entre outros.
As pesquisas envolvem colaborações com uma equipe multidisciplinar que reúne psiquiatras, engenheiros, profissionais de Computação, neurocientistas e psicólogos. “O Labnec está alinhado com a universidade e desenvolve ensino, pesquisa e extensão. Temos alunos de mestrado e doutorado que participam desses experimentos, que fazem parte dos programas de pós-graduação vinculados ao nosso laboratório”, explica a professora Isabel David.
A expectativa das pesquisadoras é que a metodologia desenvolvida no Labnec/UFF possa contribuir para que psiquiatras e psicólogos tenham, daqui a alguns anos, novas ferramentas para fazer o diagnóstico precoce das pessoas com distúrbios mentais. Isso será uma importante contribuição no tratamento desses pacientes.
As atividades do Labnec/UFF já foram tema de vídeo no canal de divulgação científica da FAPERJ no YouTube. Assista aqui.
Autor: faperj
Pesquisadoras do Laboratório de Neurofisiologia do Comportamento (Labnec), do Instituto Biomédico da Universidade Federal Fluminense (UFF), vêm desenvolvendo projetos que utilizam a Inteligência Artificial (IA) e exames de neuroimagem para identificar sintomas de transtornos mentais, como ansiedade, depressão, ideação suicida e Transtorno de Estresse Pós-Traumático (TEPT). A equipe conta com apoio da FAPERJ por meio de diferentes editais e programas.
O grupo de pesquisa vem estudando, em especial, os reflexos de experiências traumáticas ocorridas durante a infância na saúde mental de adultos, uma vez que traumas sofridos no passado podem deixar marcas no cérebro das pessoas. A metodologia desenvolvida pela equipe do Labnec/UFF poderá, no futuro, contribuir para que profissionais, como psiquiatras e psicólogos, possam contar com novos instrumentos para fazer o diagnóstico precoce e agilizar o tratamento de pacientes com algum tipo de transtorno.
As pesquisadoras tentam identificar marcadores cerebrais que possam sinalizar uma predisposição a transtornos mentais. O grupo aplica técnicas de IA para tentar localizar, nos exames de neuroimagem, circuitos ou regiões cerebrais com uma atividade anormal que estaria relacionada a uma vulnerabilidade ao desenvolvimento desses transtornos mentais.

Voluntários participam de testes no Labnec, onde são submetidos a estímulos para evocar emoções. As reações a esses estímulos são medidas por meio de exames e os resultados são analisados e geram informações para os estudos (Foto: Divulgação)
“Um dos desafios enfrentados por psicólogos e psiquiatras é a ausência de medidas biológicas que os auxiliem no diagnóstico e no tratamento de seus pacientes. Ao contrário de outros especialistas da área da Saúde, esses profissionais não contam com a ajuda de marcadores e de muitos exames complementares para a tomada de decisões”, explica a neurocientista Leticia de Oliveira, pesquisadora apoiada pelo programa Cientista do Nosso Estado (CNE) da FAPERJ e uma das coordenadoras do Labnec. O laboratório é coordenado em conjunto por Leticia e as professoras Isabel David e Mirtes Pereira, neurocientistas da UFF e também contempladas pelo CNE.
Altamente incapacitantes, os transtornos mentais são doenças associadas a alguma disfunção cerebral e acabam gerando alterações no humor, na cognição e, principalmente, no comportamento. Há evidências, segundo a literatura científica, de que as alterações cerebrais ocorrem muito antes do aparecimento dos primeiros sintomas que, muitas vezes, só se manifestam entre os 18 e 25 anos de idade. “O estudo dessas alterações cerebrais antes do surgimento dos sintomas permite que se faça uma intervenção precoce, o que pode retardar o aparecimento da patologia ou até mesmo evitar que ela se manifeste”, explica Leticia, doutora em Neurofisiologia pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e que estuda o uso da IA na detecção precoce de transtornos mentais há cerca de 15 anos.
Estudos para compreender impacto dos transtornos no comportamento
Tradicionalmente, para estudar os transtornos mentais, os pesquisadores coletam respostas do cérebro e de outras partes do corpo, como a frequência cardíaca e a sudorese, para compreender um pouco melhor como esses transtornos mentais impactam na fisiologia e nas respostas cerebrais das pessoas. Isso é feito com a ajuda de voluntários e, em alguns casos, de pacientes oriundos de hospitais públicos que participam de testes no Labnec. O laboratório não atende a população diretamente.
“Essas pessoas são submetidas a uma série de estímulos emocionais usados para evocar emoções. Esses estímulos podem ser figuras ou objetos tangíveis e as reações a eles são medidas por meio de exames. A nossa equipe pega esses sinais, os analisa, e extrai deles as informações importantes para entender as emoções nas pessoas”, explica a pesquisadora Isabel David, doutora em Ciências Biológicas pela UFRJ e professora do Instituto Biomédico da UFF.
Como o algoritmo computacional aprende da mesma forma que o cérebro, por meio de exemplos, as pesquisadoras apresentam imagens de ressonância magnética do cérebro para esse algoritmo. São apresentadas tanto imagens de indivíduos com transtornos mentais como de pessoas sem diagnóstico.

Isabel David (esq.) e Leticia de Oliveira: pesquisadoras vêm desenvolvendo uma série de trabalhos com o uso de IA aplicada à neuroimagem. Estudos interdisciplinares estão relacionados às áreas de Neurociências, Psiquiatria e Nutrição (Fotos: Acervo pessoal)
“Quanto mais imagens forem apresentadas e quanto mais diversas elas forem, mais esse algoritmo vai aprender. Depois, serão apresentadas imagens que o algoritmo não viu e ele será capaz de classificar se aquela imagem é de um paciente com transtorno mental ou se é de um indivíduo sem diagnóstico”, explica a pesquisadora Liana Portugal, que fez doutorado em Neurociências na UFF e atualmente é professora no Instituto de Biologia Roberto Alcântara Gomes (Ibrag) da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj).
Uma das pesquisas realizadas, recentemente, no Labnec, utilizando Inteligência Artificial para estudar transtornos mentais, foi um estudo sobre ideação suicida, que avaliou 4 mil pessoas aproximadamente. “O algoritmo conseguiu discriminar com quase 80% de acerto quais eram as pessoas que apresentavam ideação suicida em relação às que não apresentavam. O importante desse estudo foi que, para essa decisão, aspectos como o otimismo que a pessoa apresentava e o fato de ela ter tido ou não maus tratos na infância foram fatores importantes para que o algoritmo conseguisse discriminar esses dois grupos”, explicou Leticia. O estudo foi publicado na revista The Lancet Health Americas, em julho de 2026.
Outro distúrbio mental estudado pelo grupo é o Transtorno de Estresse Pós-Traumático, que, como o nome já diz, é aquele que se desenvolve após a vivência de um evento traumático. “Quando falamos em evento traumático não estamos nos referindo a qualquer evento adverso ou ruim que tenha acontecido. Ele precisa ser um evento que represente um risco real de morte, uma lesão grave ou uma violência sexual. Para dizer que uma pessoa tem o transtorno, ela precisa ter uma série de sintomas. É como se a pessoa estivesse revivendo aquele trauma. Porém, nem todas as pessoas que vivenciam esses eventos desenvolvem esse transtorno. Aqui no laboratório, temos tentado compreender melhor quais são os fatores que aumentam o risco de a pessoa desenvolver o Transtorno de Estresse Pós-Traumático”, explica a professora Mirtes Pereira, coordenadora do Programa de Pós-graduação em Ciências Biomédicas da UFF.
Violência psicológica pode ser tão danosa quanto a violência física e a sexual
Entre os fatores, as pesquisadoras têm se debruçado no estudo do impacto da vivência de maus tratos durante a infância. Os maus tratos podem ser de abuso, quando alguma pessoa tem alguma ação que não deveria ter tido em relação a uma criança; ou de negligência, quando ela deixa de prover os cuidados que são necessários. “A grande relevância desse estudo é jogar luz sobre a importância da violência psicológica como causadora de danos à saúde mental. O que o trabalho traz de novidade é mostrar que a violência psicológica pode ser tão danosa quanto a violência física e sexual. Esse estudo foi relacionado aos eventos traumáticos vivenciados na infância e, portanto, envolve principalmente as relações com os cuidadores. Atualmente, estamos investigando os impactos da violência psicológica na vida adulta e envolve outros ambientes além do doméstico, tais como o escolar e o de trabalho. Imaginamos que vamos encontrar resultados bastante similares”, adiantou Mirtes, doutora em Neurociências e Comportamento pela UFRJ.

Mirtes Pereira (esq.) e Liana Portugal: pesquisadoras têm realizado estudos que investigam os reflexos, na saúde mental de adultos, dos maus-tratos sofridos na infância. Traumas na infância estão relacionados a casos de depressão, ansiedade e outros transtornos (Fotos: Acervo pessoal)
Atualmente, as pesquisadoras estão desenvolvendo um projeto que investiga os efeitos dos maus-tratos na infância na psicometria, no desempenho comportamental e reatividade cerebral em diferentes contextos emocionais. Trata-se de um estudo interdisciplinar que integra avaliações comportamentais e de neuroimagem funcional em adultos da comunidade acadêmica durante a visualização de imagens de violência apresentadas em contextos com e sem pistas de segurança.
“Os resultados preliminares mostraram que participantes com histórico de maus-tratos na infância apresentaram pior saúde mental quando comparados àqueles sem esse histórico. Esse grupo exibiu níveis mais elevados de sintomas de depressão, ansiedade e outros indicadores de sofrimento psicológico, além de menores níveis de apoio social percebido e otimismo. Também foi observada uma frequência significativamente maior de ideação suicida entre os participantes que relataram experiências de maus-tratos na infância, reforçando o impacto duradouro dessas vivências sobre a saúde mental na vida adulta”, explicou Liana Portugal.
Os estudos realizados pela equipe do Labnec contam com apoio da FAPERJ, por meio de editais e programas como Cientista do Nosso Estado (CNE); Jovem Cientista do Nosso Estado (JCNE); Programa Pensa Rio – Apoio ao Estudo de Temas Relevantes e Estratégicos para o Estado do Rio de Janeiro; Programa de Apoio às Cientistas Mães com Vínculo em ICTs do Estado do Rio de Janeiro; e o edital Treinamento e Capacitação Técnica (TCT), entre outros.
As pesquisas envolvem colaborações com uma equipe multidisciplinar que reúne psiquiatras, engenheiros, profissionais de Computação, neurocientistas e psicólogos. “O Labnec está alinhado com a universidade e desenvolve ensino, pesquisa e extensão. Temos alunos de mestrado e doutorado que participam desses experimentos, que fazem parte dos programas de pós-graduação vinculados ao nosso laboratório”, explica a professora Isabel David.
A expectativa das pesquisadoras é que a metodologia desenvolvida no Labnec/UFF possa contribuir para que psiquiatras e psicólogos tenham, daqui a alguns anos, novas ferramentas para fazer o diagnóstico precoce das pessoas com distúrbios mentais. Isso será uma importante contribuição no tratamento desses pacientes.
As atividades do Labnec/UFF já foram tema de vídeo no canal de divulgação científica da FAPERJ no YouTube. Assista aqui.
Autor: faperj
Fonte: faperj
Sítio Online da Publicação: faperj
Data: 20/08/2026
Publicação Original: https://www.faperj.br/?id=1091.7.3
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Data: 20/08/2026
Publicação Original: https://www.faperj.br/?id=1091.7.3






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