quinta-feira, 16 de abril de 2026

Previsão analisada pela Nasa aponta colapso da atmosfera e antecipa prazo para o fim da vida na Terra


O destino da vida na Terra é uma incógnita que a ciência tenta decifrar por meio de modelos matemáticos e simulações computacionais de grande escala. Um estudo publicado em 2021, que voltou a viralizar recentemente após a missão Artemis II ir à lua, lançou luz sobre os limites temporais da nossa biosfera ao sugerir que a sobrevivência dos organismos no planeta pode ter um prazo mais curto do que se imaginava — tema que ganhou repercussão após ser comentado por cientistas ligados à Nasa

Como os cientistas previram o fim do oxigênio?
O estudo, publicado originalmente na revista Nature Geoscience e posteriormente divulgado por fontes especializadas, sustenta que o oxigênio atmosférico, componente fundamental para a vida como a conhecemos, desaparecerá de forma drástica em um futuro distante.

Para chegar a essa conclusão, os pesquisadores Kazumi Ozaki e Christopher T. Reinhard executaram um sistema de modelagem biogeoquímica e climática que realizou cerca de 400 mil simulações. O objetivo central era determinar a duração das condições ricas em oxigênio na nossa atmosfera. Os resultados indicaram que o tempo médio de vida de uma atmosfera com níveis de oxigênio superiores a 1% dos valores atuais é de aproximadamente 1,08 bilhão de anos, com uma margem de erro estatística. Esse processo de desoxigenação é, segundo os autores, uma consequência inevitável do aumento do fluxo solar à medida que o Sol evolui.

Por que a habitabilidade da Terra será reduzida pela metade?
Historicamente, a comunidade científica estimava que a habitabilidade terrestre se estenderia por cerca de dois bilhões de anos, baseando esse período no brilho constante do Sol. No entanto, as novas projeções da Nasa reduzem esse tempo quase pela metade. — Por muitos anos, a vida útil da biosfera da Terra foi discutida com base no brilho constante do Sol — explicou Kazumi Ozaki, autor principal do estudo. O especialista alertou que, à medida que o astro aumenta sua emissão de calor, a Terra se transformará em um ambiente hostil, no qual o ciclo de carbonatos e silicatos levará a uma atmosfera pobre em dióxido de carbono e, eventualmente, a uma queda abrupta na disponibilidade de oxigênio.

Embora o imaginário coletivo frequentemente associe o fim do planeta à expansão final do Sol — um processo que ocorrerá em cerca de cinco bilhões de anos, quando o astro se tornar uma gigante vermelha e engolir a Terra —, a realidade biológica será muito mais breve. Antes que a água dos oceanos evapore completamente ou que a superfície terrestre se torne inabitável devido às altas temperaturas solares, o colapso da atmosfera eliminará todas as formas de vida complexa que dependem da respiração aeróbica. A pesquisa aponta que essa desoxigenação ocorrerá antes da fase de efeito estufa úmido, marcando um ponto de não retorno para a biosfera.

É importante destacar que essa projeção científica se refere à viabilidade global da biosfera e não necessariamente ao destino da civilização humana. Diversos fatores ambientais, mudanças climáticas causadas pelo homem e eventos astronômicos imprevisíveis atuam como variáveis que podem alterar drasticamente o futuro da humanidade muito antes de o Sol esgotar seu ciclo de habitabilidade. Ainda assim, o estudo reforça que, em escala geológica, o destino da Terra está intrinsecamente ligado à evolução estelar e à estabilidade atmosférica que hoje permite a nossa existência.


Autor: o Globo 
Fonte: o Globo
Sítio Online da Publicação: o Globo
Data: 15/04/2024

Físicos descobrem que os líquidos (até a água) também se podem partir

Um novo estudo, publicado na Physical Review Letters, revelou que, além de esticar e fluir, os líquidos também podem estalar.

Desde a tecnologia de impressão 3D até aos sistemas biológicos dentro dos nossos corpos, esta descoberta, levada a cabo por investigadores da Universidade Drexel, nos EUA, e da ExxonMobil, vem abalar a mecânica dos fluidos.

Tudo começou quando cientistas faziam experiências para ver como líquidos viscosos respondem a forças intensas. Inicialmente pensaram que o equipamento de laboratório tinha avariado.

“A fratura causou um ruído de estalo muito alto que, na verdade, me assustou”, disse, à Science Alert, a engenheira química Thamires Lima, da Universidade Drexel.

“O que observámos foi tão inesperado. Assim que confirmámos o fenómeno, a investigação tornou-se um empreendimento científico completamente diferente”, afirmou, por seu turno, Nicolas Álvarez, engenheiro químico da Universidade Drexel.

Sabe a mesma revista que a equipa repetiu as experiências algumas vezes para garantir que os resultados eram fiáveis. A montagem envolveu líquidos colocados entre duas placas metálicas, observados por uma câmara de alta velocidade, e com uma variedade de forças aplicadas.

O primeiro estalo ocorreu quando o líquido foi puxado com uma força comparável à de um saco de tijolos suspenso numa área do tamanho de uma unha.

Isto foi num líquido de mistura de hidrocarbonetos semelhante a alcatrão, e o mesmo ponto de rutura foi, posteriormente, encontrado num líquido diferente, um oligómero de estireno – que também era espesso e semelhante a alcatrão.

A tensão acumula-se de forma diferente num líquido mais espesso e mais viscoso em comparação com um mais fluido, menos viscoso.

Com base nestas experiências, líquidos mais espessos podem rachar mesmo quando são puxados mais lentamente – mas a quantidade de força necessária parece ser a mesma, independentemente da viscosidade envolvida.

Autor: ZAP aeiou 
Fonte: ZAP aeiou
Sítio Online da Publicação: ZAP aeiou
Data: 15/04/2024

Novas experiências mostram que o núcleo da Terra pode guardar vastos "oceanos" de um elemento essencial para a vida

Estudar a origem e a distribuição do hidrogénio é fundamental para compreender a formação planetária e a evolução da vida na Terra
Imagine todos os oceanos da Terra, que cobrem cerca de 70% do planeta e são compostos maioritariamente por hidrogénio. Agora, multiplique isso por nove. Essa poderá ser a quantidade de hidrogénio presente no núcleo terrestre, o que fará desta a maior reserva do elemento no planeta, estimaram recentemente os investigadores.


E nove "oceanos" de hidrogénio representam apenas o limite inferior do cálculo, uma vez que o núcleo pode conter o equivalente a 45 oceanos. Dito de outra forma, o hidrogénio pode representar cerca de 0,07% a 0,36% do peso total do núcleo da Terra, revelou um grupo de cientistas esta terça-feira na revista Nature Communications. Isto sugere que o nosso planeta adquiriu a maior parte da sua água (a principal fonte de hidrogénio na Terra) durante a sua formação, e não mais tarde, através do impacto de cometas que teriam deixado água na superfície, como sugeriram alguns especialistas. A explicação foi avançada por Dongyang Huang, autor principal do estudo e professor assistente na Escola de Ciências da Terra e do Espaço da Universidade de Pequim.

O investigador precisou, num e-mail enviado à CNN, que "o núcleo terrestre teria armazenado a maior parte da água no primeiro milhão de anos de história da Terra". Seguem-se, em abundância de água, o manto e a crosta. Dongyang Huang acrescentou ainda que "a superfície, onde reside a vida, é a que contém menos".

Há mais de 4,6 mil milhões de anos, rochas, gás e poeira em torno do nosso sol colidiram para formar um jovem planeta. Com o tempo, estas colisões moldaram o núcleo, o manto e a crosta terrestre. No interior profundo da Terra, e sob enorme pressão, um núcleo metálico denso, quente e fluido começou a agitar-se. Composto maioritariamente por ferro e níquel, é este núcleo que alimenta o campo magnético protetor do nosso planeta.

Rajdeep Dasgupta, professor de ciência dos sistemas terrestres no departamento de Ciências da Terra, Ambientais e Planetárias da Universidade de Rice, no Texas, esclareceu que "o hidrogénio só pode entrar no líquido metálico que forma o núcleo se estivesse disponível durante as principais fases de crescimento da Terra e tivesse participado na sua formação". O especialista não esteve envolvido nesta nova investigação.

terça-feira, 14 de abril de 2026

Agricultura ganha aliada da ciência: pesquisa desenvolve plantas mais produtivas e resistentes





Desenvolvido por cientistas da UFRJ com apoio da FAPERJ, estudo investiga como o crescimento das plantas pode ser regulado a partir da identificação de genes-chave, responsáveis por controlar todo o desenvolvimento vegetal (Foto: Divulgação)

Uma pesquisa brasileira está abrindo caminho para uma nova geração de plantas mais produtivas, resistentes e sustentáveis. O estudo, desenvolvido por cientistas da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), investiga como o crescimento das plantas pode ser regulado a partir da identificação de genes-chave, responsáveis por controlar todo o desenvolvimento vegetal.


A proposta é entender quais mecanismos dentro da planta determinam seu crescimento e produtividade. Ao identificar esses genes principais, os pesquisadores conseguem ajustar o funcionamento da planta para que ela cresça melhor, produza mais e utilize menos recursos naturais.

Segundo a pesquisadora Adriana Hemerly, do Laboratório de Biologia Molecular de Plantas (LBMP/UFRJ), esses genes funcionam como um centro de comando. “O que conseguimos identificar são genes que atuam como reguladores principais. Ao modificar esse ponto central, conseguimos reorganizar toda a rede de funcionamento da planta, tornando-a mais eficiente”, explica.

A pesquisa envolve análises genéticas e experimentos em laboratório, onde os cientistas avaliam como as plantas se comportam em diferentes condições ambientais, como escassez de água e interação com bactérias benéficas que ajudam na absorção de nutrientes.

Um dos principais avanços do estudo foi a identificação de genes presentes em diversas espécies vegetais. Isso permite que a tecnologia seja aplicada em culturas agrícolas importantes, como milho, soja, algodão e cana-de-açúcar.



Adriana Hemerly: de acordo com a pesquisadora, resultados do estudo já indicam ganhos significativos na produtividade, além de melhor aproveitamento da luz solar, maior eficiência no uso da água e redução na necessidade de fertilizantes químicos (Foto: Divulgação)


Os resultados já indicam ganhos significativos na produtividade, além de melhor aproveitamento da luz solar, maior eficiência no uso da água e redução na necessidade de fertilizantes químicos. “Estamos falando de plantas que conseguem produzir mais utilizando menos recursos, o que é fundamental para uma agricultura mais sustentável”, destaca a pesquisadora.

Outro impacto importante é o ambiental. Com maior eficiência na fotossíntese, essas plantas também aumentam a captura de dióxido de carbono da atmosfera, contribuindo para a redução dos efeitos das mudanças climáticas.

Para a presidente da Fundação Carlos Chagas Filho de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro (FAPERJ), Caroline Alves, o investimento em pesquisa científica é essencial para o avanço do País. “Apoiar estudos como este é investir em inovação, sustentabilidade e no fortalecimento da nossa agricultura. A ciência produzida no Rio de Janeiro tem potencial para gerar impactos positivos não só no Brasil, mas em todo o mundo”, afirma.

Apesar dos avanços, os testes ainda são realizados em ambiente controlado, como casas de vegetação. Antes de chegar ao campo, a tecnologia precisa passar pela avaliação da Comissão Técnica Nacional de Biossegurança, responsável por garantir a segurança de organismos geneticamente modificados no Brasil.

A expectativa é que, após essa etapa e a adaptação pelas empresas do setor agrícola, as novas variedades estejam disponíveis para produtores em cerca de três anos. O objetivo final é desenvolver uma agricultura mais eficiente e sustentável, com plantas mais resistentes, produtivas e adaptadas aos desafios ambientais atuais.


Autor: faperj
Fonte: faperj
Sítio Online da Publicação: faperj
Data: 09/04/2024
Publicação Original: https://www.faperj.br/?id=1001.7.6

Pesquisa no IDOR analisa riscos cardiovasculares em pacientes que tiveram câncer de mama



Estudo realizado no IDOR analisou os mecanismos fisiológicos, moleculares e celulares associados ao aumento dos riscos cardiovasculares em mulheres que receberam tratamento quimioterápico a longo prazo (Foto: Freepik)

Um estudo desenvolvido no Instituto D’Or de Pesquisa e Ensino (IDOR) investiga os efeitos da quimioterapia a longo prazo para o sistema cardiovascular de mulheres que sobreviveram ao câncer de mama, especialmente como ela impacta o controle do sistema nervoso autônomo e a função vascular. A pesquisa, orientada por Allan Kluser, coordenador do Laboratório de Controle CardioNeuroVascular e professor no Programa de Pós-Graduação em Ciências Médicas do instituto, foi conduzida por João Izaias e colegas e ganhou visibilidade com a recente publicação, em março, de artigo na renomada revista científica internacional Journal of the American Heart Association. Kluser realiza suas atividades com apoio da FAPERJ, por meio do programa Jovem Cientista do Nosso Estado.

O projeto, que foi tema do doutorado de João Izaias, hoje no pós-doutorado em Ciências Médicas no IDOR, investiga os mecanismos fisiológicos, moleculares e celulares associados ao aumento dos riscos de desenvolvimento de doenças cardiovasculares em mulheres que receberam tratamento quimioterápico à base de doxorrubicina e trastuzumabe. Para isso, os pesquisadores examinaram e compararam dois grupos de pacientes, de 45 a 55 anos, recrutadas do Sistema Único de Saúde (SUS) e avaliadas no laboratório: um grupo de 23 sobreviventes ao câncer de mama, que finalizaram a quimioterapia há pelo menos oito anos, e o grupo controle, de 18 mulheres saudáveis e que nunca tiveram tumores.

Allan Kluser (à esq.) e João Izaias: pesquisadores observaram intolerância ao exercício físico e sobrecarga no sistema nervoso simpático, entre outras condições que ajudam a explicar o risco aumentado para doenças cardiovasculares nas pacientes investigadas (Fotos: Divulgação)


“Observamos que, nas pacientes que sobreviveram ao câncer de mama, houve uma sobrecarga do sistema nervoso simpático, responsável por preparar o corpo para situações de estresse, luta ou fuga; e disfunção vascular, isto é, alterações no sistema circulatório que precedem a formação da aterosclerose e que podem fazer o paciente infartar. Também observamos intolerância ao exercício físico, com falta de ar e fadiga associadas à realização de atividades físicas, e alterações subclínicas na função cardíaca, que não indicam de fato uma disfunção, mas já são uma pré-condição que pode levar à alteração cardíaca no futuro”, disse Kluser.

Os pesquisadores também encontraram alterações em diversos fatores no meio circulante sanguíneo desse grupo de pacientes. “Observamos estresse oxidativo aumentado, biodisponibilidade de óxido nítrico diminuída e aumento em vesículas extracelulares derivadas de células endoteliais, o que funciona como um marcador, ajudando a indicar a ativação endotelial, e alterações em diversos metabólitos sistêmicos”, detalhou. “Nós também fizemos experimentos ex vivo (fora do corpo humano, em ambientes laboratoriais controlados), envolvendo cultura de células endoteliais para investigar mecanismos moleculares relatados para a disfunção vascular verificada in vivo, ou seja, no paciente. Essas condições juntas podem ajudar a explicar, pelo menos em parte, o risco aumentado de desenvolvimento de doenças cardiovasculares nesse grupo populacional”, completou Allan Kluser.

Equipe de pesquisadores do IDOR, após apresentação de trabalho no 44º Congresso da Sociedade de Cardiologia do Estado de São Paulo: a partir da esq., Gabrielly Mel, João Izaias, Camila Nunes, Allan Kluser, Artur Sales, Bruna Ono, Thais Rodrigues e Maria Fernanda (Foto: Divulgação)


Ele contou que hoje, na literatura médica, sabe-se que pacientes sobreviventes ao câncer de mama apresentam um risco aumentado de desenvolver doenças cardiovasculares, mas havia poucas informações detalhadas sobre os mecanismos moleculares associados a essa fisiologia. “Por isso, decidimos nos debruçar sobre esse tema. O objetivo foi avaliar sobreviventes de câncer de mama a longo prazo, para saber porque eles apresentam riscos cardiovasculares aumentados. Partindo dessa perspectiva, estudamos os detalhes dos mecanismos fisiológicos, moleculares e celulares”, justificou.

Um dos testes realizados pela equipe foi a microneurografia, um método considerado pelos pesquisadores como referência – ou seja, o teste “padrão ouro” para medir a atividade neural simpática. “O Laboratório de Controle CardioNeuroVascular do IDOR, até onde eu tenho conhecimento, é um dos poucos lugares do Rio de Janeiro onde esse exame está sendo realizado quase que diariamente. Fomos o primeiro grupo de pesquisa no mundo, de que se tem notícia, a demonstrar que uma sessão de quimioterapia já é capaz de aumentar a atividade do sistema nervoso simpático”, destacou Kluser.




Autor: faperj
Fonte: faperj
Sítio Online da Publicação: faperj
Data: 09/04/2024
Publicação Original: https://www.faperj.br/?id=1000.7.0

sexta-feira, 10 de abril de 2026

Cientistas descobrem um “terceiro estado” entre a vida e a morte

Há séculos que os seres humanos refletem sobre a natureza da vida e da morte e, até agora, sem razão aparente, definiram a vida e a morte como as duas extremidades do mesmo pólo, opostas uma à outra. Agora, um estudo mostra resultados diferentes, chegando a um estado de “sem vida, sem morte"

Um grupo de biólogos celulares afirma que pode existir um “terceiro estado” que quebra as definições tradicionais de vida e morte.

Segundo os cientistas, a morte é geralmente entendida como “a cessação irreversível do funcionamento global de um ser vivo”. No entanto, medidas como a doação de órgãos mostram como os tecidos, órgãos e células podem continuar a viver durante algum tempo após a morte de um organismo.




Dois biólogos, Peter Noble, professor associado de microbiologia na Universidade do Alabama em Birmingham, e Alex Puzhitkov, diretor de bioinformática na Escola de Ciências Biológicas Earl e Manella, em Hope City (Arkansas), num artigo publicado na revista The Conversation, abordaram a forma como a emergência de novos organismos multicelulares nos permite quebrar os constrangimentos convencionais.

Exploraram em profundidade os processos que ocorrem nos organismos após a morte e que permitem que as células continuem a funcionar, possibilitando assim o sucesso de um transplante de órgãos.

A investigação mostrou que células da pele isoladas de embriões de rãs mortos podem adaptar-se espontaneamente às condições das placas de laboratório (placas de Petri) e formar novas estruturas multicelulares chamadas xenobots.

Estas novas estruturas multicelulares também apresentavam comportamentos que iam muito para além das suas funções biológicas originais. Por exemplo, as novas estruturas feitas a partir de células de embriões de rãs mortas utilizaram os seus cílios (protuberâncias finas, semelhantes a pêlos) para se deslocarem no seu ambiente, enquanto que nos embriões de rãs vivas, estes cílios são normalmente utilizados para mover o muco.

Os xenobots também possuíam a capacidade única de efetuar uma auto-replicação cinemática, o que significa que podiam replicar a sua forma física e a sua função sem ter em conta a via de crescimento tradicional.

Estudos demonstraram que as células pulmonares humanas também se podem reunir espontaneamente em pequenos organismos multicelulares com a capacidade de se moverem. Estes antropo-robôs também exibiram novos comportamentos e estruturas próprias e não só podiam manobrar no seu ambiente, como também se podiam reparar a si próprios e a células nervosas danificadas nas proximidades.

Como tal, os resultados destas investigações revelaram adaptações notáveis dos sistemas celulares e desafiaram a noção de que as células e os organismos apenas evoluem de formas pré-determinadas.

Este conceito de um “terceiro estado” também sugeriu que o processo de morte do organismo pode influenciar consideravelmente a forma como a vida evolui ao longo do tempo.
A vida pode ser preservada após a morte?

A capacidade das células e dos tecidos para sobreviverem e funcionarem após a morte de um organismo é influenciada por vários fatores, incluindo as condições ambientais, a atividade metabólica e os métodos de manutenção.

Diferentes tipos de células apresentam tempos de sobrevivência diferentes. Nos seres humanos, por exemplo, os glóbulos brancos são normalmente destruídos entre 60 a 86 horas após a morte.

Em contrapartida, as células do músculo esquelético dos ratos podem ser regeneradas até 14 dias após a morte e as células de fibroblastos de ovinos e caprinos podem ser implantadas cerca de um mês após a morte.

Para determinar se as células podem continuar a sobreviver e a funcionar após a morte, é necessário prestar atenção às suas atividades metabólicas. Manter vivas as células que requerem um fornecimento constante e substancial de energia para realizar as suas tarefas é mais difícil do que as células que requerem menos energia.

Técnicas como a congelação podem ajudar certas amostras de tecido, como a medula óssea, a manter a mesma função.

Os mecanismos inatos de sobrevivência são igualmente essenciais para a continuidade da vida das células e dos tecidos. Nos genes ligados ao stress e à imunidade, os investigadores observaram um aumento significativo da atividade post-mortem, provavelmente uma resposta à perda de hemostase (o processo de impedir a perda de sangue dos vasos saudáveis e de parar a hemorragia dos vasos danificados).



Autor: pt.euronews
Fonte: pt.euronews
Sítio Online da Publicação: pt.euronews
Data: 14/11/2024
Publicação Original: https://pt.euronews.com/saude/2024/11/14/cientistas-descobrem-um-terceiro-estado-entre-a-vida-e-a-morte

Análise sanguínea simples pode prever quem tem maior probabilidade de viver mais

Cientistas concluíram que pequenas moléculas de RNA no sangue, as piRNAs, antecipam melhor a sobrevivência a curto prazo do que idade, colesterol ou estilo de vida

Exame simples ao sangue pode ajudar a identificar que idosos correm maior risco de morrer no espaço de dois anos, segundo novas investigações.




Liderado pela Duke Health, em colaboração com a Universidade do Minnesota, o estudo sugere que minúsculas moléculas de RNA presentes na corrente sanguínea podem oferecer uma nova forma de avaliar o risco de sobrevivência a curto prazo em pessoas com 71 ou mais anos.

Investigadores focaram-se em pequenos fragmentos de RNA conhecidos como piRNAs, que intervêm na regulação do desenvolvimento, da regeneração e da função imunitária. Ao analisar amostras de sangue de mais de 1 200 idosos, a equipa descobriu que níveis mais baixos de certas piRNAs estavam associados a uma sobrevivência mais prolongada.

"A combinação de apenas algumas piRNAs foi o indicador mais forte de sobrevivência a dois anos em idosos, mais forte do que a idade, os hábitos de vida ou qualquer outra medida de saúde que analisámos", afirmou Virginia Byers Kraus, autora sénior do estudo e professora nos departamentos de Medicina, Patologia e Cirurgia Ortopédica na Escola de Medicina da Universidade de Duke.





"O que mais nos surpreendeu foi o facto de este sinal tão forte vir de um simples exame ao sangue", acrescentou Kraus.
Como foi realizado o estudo e quais foram os resultados?

Recorrendo a inteligência artificial e aprendizagem automática, a equipa analisou 187 indicadores de saúde diferentes e 828 pequenas moléculas de RNA.

Modelos avançados mostraram que apenas seis piRNAs conseguiam prever a sobrevivência a dois anos com uma precisão até 86 por cento. Estes resultados foram confirmados num segundo grupo independente de idosos.

No que toca à sobrevivência a curto prazo, as piRNAs superaram a idade, os níveis de colesterol, a atividade física e mais de 180 outras medidas clínicas.

Os participantes que viveram mais tempo apresentavam de forma consistente níveis mais baixos de piRNAs específicas, um padrão que reflete o observado em organismos de laboratório. Em C. elegans (minúsculos vermes cilíndricos), por exemplo, a redução global dos níveis de piRNAs já mostrou poder duplicar o tempo de vida.

"Sabemos muito pouco sobre as piRNAs no sangue, mas o que estamos a ver é que níveis mais baixos de algumas específicas são melhores", disse Kraus. "Quando estas moléculas estão presentes em maiores quantidades, pode ser um sinal de que algo no organismo não está bem. Perceber porquê pode abrir novas possibilidades para terapias que promovam um envelhecimento saudável."
Podem os tratamentos alterar estas moléculas no sangue?

A equipa planeia agora investigar se tratamentos, alterações no estilo de vida ou medicamentos, incluindo novas classes de fármacos como os fármacos GLP-1, podem alterar os níveis de piRNAs.

Pretendem também comparar os níveis no sangue com os encontrados nos tecidos, para compreender melhor como funcionam estas moléculas.

"Estes pequenos RNAs são como gestores de pormenor no organismo, ajudam a controlar muitos processos que afetam a saúde e o envelhecimento", disse Kraus. "Estamos apenas a começar a perceber o quão poderosos são. Esta investigação sugere que poderemos identificar o risco de sobrevivência a curto prazo com um exame ao sangue prático e minimamente invasivo, com o objetivo final de melhorar a saúde à medida que envelhecemos."




Autor: pt.euronews
Fonte: pt.euronews
Sítio Online da Publicação: pt.euronews
Data: 25/02/2026
Publicação Original: https://pt.euronews.com/saude/2026/02/25/analise-sanguinea-simples-pode-prever-quem-tem-maior-probabilidade-de-viver-mais