quinta-feira, 3 de setembro de 2026

Como tornar acessível um espaço pensado para ser visto e escutado?


Mediador do Museu Ciência e Vida, Adilson Buze interage com o público durante as sessões no museu, que adaptou seu planetário para receber visitantes cegos e surdos (Foto: Flavio-Carvalho)


Museus de ciência costumam afirmar que são espaços para todos. Mas o que significa, no dia a dia, garantir que todas as pessoas, incluindo surdos e cegos, possam participar das experiências oferecidas? A resposta parece simples até chegarmos a alguns dos ambientes mais emblemáticos da divulgação científica. É o caso dos planetários. Construídos para projetar imagens do céu em grandes cúpulas, esses espaços dependem fortemente da visão para apresentar conceitos sobre estrelas, planetas e galáxias.

E já pensou como torná-los acessíveis também para pessoas cegas? E como acolher visitantes surdos que dependem de luz para se comunicar na Língua Brasileira de Sinais (Libras)? Essas perguntas orientaram, ao longo da última década, uma série de iniciativas desenvolvidas pelo Museu Ciência e Vida, espaço da Fundação Cecierj, localizado no município de Duque de Caxias, na Baixada Fluminense.

A responsável pelo Museu Ciência e Vida, Mônica Dahmouche, explica que tudo começou em 2015. A ideia foi lançada durante o Ano Internacional da Luz e das Tecnologias baseadas em Luz, promovido pela Unesco. Inspirada pela temática, a equipe do museu, que conta também com a astrônoma Carolina Assis Costa Moreira, decidiu enfrentar um desafio aparentemente contraditório: apresentar luz a pessoas com deficiência visual. "Mais do que tornar uma exposição acessível, a iniciativa provocou uma mudança em nossas percepções e perspectiva. Se pessoas cegas e com baixa visão passariam a frequentar o museu com mais frequência, especialmente em visitas escolares, seria necessário repensar outros espaços da instituição e incluir também os surdos", diz a pesquisadora.

Fenômenos como o efeito fotoelétrico e a dualidade onda-partícula da luz eram apresentados por meio de painéis que podiam ser explorados pelas mãos dos visitantes. Foi nesse contexto que surgiu também um outro desafio: tornar também acessível o planetário.

A astronomia é frequentemente descrita como uma ciência da observação. Fotografias de galáxias, mapas celestes e imagens de telescópios ocupam papel central tanto na pesquisa quanto na divulgação científica. Para visitantes cegos, no entanto, essa abordagem apresenta limitações evidentes. A solução encontrada foi desenvolver recursos capazes de traduzir conceitos astronômicos para outras formas de percepção. Nasceu assim o projeto "O Essencial é Invisível aos Olhos", voltado à criação de sessões acessíveis para pessoas com deficiência visual.

"Tudo mudou ao incorporarmos modelos táteis às atividades do museu. Com isso, conseguimos representar constelações, movimentos aparentes do céu, características dos planetas e diferenças entre estrelas. Além disso, incluímos também recursos sonoros que complementavam a experiência. Nesse ambiente acolhedor, valorizamos conceitos tradicionalmente abstratos para que fossem vivenciados por meio do tato e da audição", relata.

Dahmouche explica que, ao longo dos anos, os materiais evoluíram. Modelos inicialmente produzidos de forma artesanal deram lugar a peças impressas em 3D em uma parceria com designers da Fundação Cecierj. Em diferentes etapas, pessoas cegas e com baixa visão participaram da avaliação dos materiais, contribuindo para seu aperfeiçoamento. O processo trouxe uma lição importante: acessibilidade não é algo que se constrói para um público, mas com ele.

Quando a visualidade se torna uma vantagem

Os desafios relacionados à acessibilidade não se restringiram às pessoas com deficiência visual. Ao longo dos anos, o museu também ampliou suas ações voltadas à comunidade surda, em parceria com pesquisadores, intérpretes e instituições especializadas. Nesse caso, a experiência revelou uma situação curiosa. Enquanto a ausência da visão exigia adaptações para alguns visitantes, a forte presença de elementos visuais no planetário representava uma vantagem para outros.

A Libras é uma língua visual-espacial. Sua estrutura depende da percepção de movimentos, expressões faciais e organização espacial das informações. Nesse sentido, a imersão proporcionada pela projeção em cúpula dialoga diretamente com formas de comunicação e construção de conhecimento presentes na comunidade surda.
A diretora Monica Dahmouche (à esq.) e a astrônoma Carolina Moreira: parceria dentro do Museu Ciência e Vida para a realização de atividades inclusivas destinadas a surdos e cegos (Fotos: Divulgação/Museu Ciência e Vida)


"Nada é fácil e surgiu um obstáculo significativo. As sessões de planetário acontecem em ambientes escuros, condição necessária para a observação das projeções. Essa característica dificulta a visualização dos sinais, comprometendo aspectos fundamentais da comunicação em Libras. Resolver esse problema exigiu de nós um processo contínuo de experimentação e diálogo com a comunidade surda", diz.

As primeiras experiências envolveram visitas de grupos de surdos acompanhados por intérpretes e educadores especializados. Aos poucos, foram sendo construídas metodologias específicas para a mediação dos conteúdos astronômicos. Uma das dificuldades encontradas foi a própria linguagem científica. Muitos conceitos da astronomia, assim como vários outros termos científicos, ainda não possuem sinais específicos. Importante esclarecer que a linguagem para surdos é construída em sinais. Quando não há um sinal para exemplificar um conceito, o intérprete precisa soletrar com o alfabeto manual.

Outro problema enfrentado pela comunidade surda é que nem todos os sinais científicos são amplamente difundidos em Libras. E outros sinais apresentam diferentes versões utilizadas por comunidades surdas de distintas regiões do País. "A necessidade de tornar o conteúdo acessível nos levou então à construção de um sinalário em vídeo específico para as sessões. A curadoria para a construção desse sinalário foi elaborado a partir do diálogo entre educadores, intérpretes e pessoas surdas", detalha. "Nesse processo, optamos por aqueles que apresentavam uma leitura mais imediata das características visuais dos objetos mais destacadas na nossa projeção, além dos sinais que fossem mais usados no estado do Rio de Janeiro".

Em 2026, esse processo resultou na estreia de uma sessão fulldome acessível, que apresenta os planetas do Sistema Solar por meio de uma viagem espacial imersiva. Durante a sessão, os planetas do Sistema Solar são apresentados a partir de uma viagem de foguete, saindo da Terra. O conteúdo pode ser acompanhado tanto por usuários de Libras quanto por ouvintes, ampliando as possibilidades de participação do público.

A trajetória do Museu Ciência e Vida mostra que a acessibilidade não pode ser entendida como um conjunto de adaptações pontuais ou soluções técnicas aplicadas ao final de um projeto. Ela exige mudanças na forma como as instituições concebem seus públicos, planejam suas atividades e constroem seus processos educativos. "Mais do que permitir a entrada de pessoas com deficiência nos espaços de divulgação científica, a acessibilidade transforma a própria maneira de comunicar ciência. Obriga educadores, pesquisadores e mediadores a repensar conceitos aparentemente simples, questionar formatos tradicionais e buscar novas linguagens para compartilhar conhecimento", destaca.

O resultado é um ganho coletivo. O projeto recebeu apoio financeiro da FAPERJ e também do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq). "Quando um museu se torna mais acessível para pessoas cegas, surdas ou autistas, ele também se torna mais acolhedor, criativo e compreensível para todos os demais visitantes. Se a ciência busca compreender a diversidade do mundo, seus espaços de divulgação precisam refletir essa mesma diversidade", finalizou.




Autor: faperj
Fonte: faperj
Sítio Online da Publicação: faperj
Data: 27/08/2026
Publicação Original: https://www.faperj.br/?id=1074.7.7

64º Congresso Científico do Hupe discute os impactos da Inteligência Artificial na Saúde


Mesa de abertura do 64º Congresso Científico do Hupe: a partir da esq., o diretor-geral do Hupe, Rui de Teófilo; a diretora Científica da FAPERJ, Eliete Bouskela; a reitora da Uerj, Gulnar Azevedo; o secretário estadual da Saúde, Ronaldo Damião; o diretor do Centro Biomédico da Uerj, Mário Fritsch; e a presidente do Congresso, Luciana Rodrigues (Fotos: Débora Motta)


Os avanços e desafios trazidos pelo uso da Inteligência Artificial na área da Saúde estiveram no centro dos debates no 64º Congresso Científico do Hospital Universitário Pedro Ernesto (Hupe), da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj). Com o tema “Saúde 5.0 – Conectando tecnologia e humanização”, o congresso, realizado com apoio da FAPERJ, teve início nesta segunda-feira, 24 de agosto, e segue até esta sexta, dia 28. A expectativa é que cerca de duas mil pessoas circulem pelo campus do Hupe, em Vila Isabel, Zona Norte do Rio, entre médicos, profissionais da Saúde e estudantes.

O oncologista e professor da Faculdade de Medicina de São Paulo (USP) Paulo Hoff ministrou, nesta terça, 25 de agosto, a aula magna “Desafios no desenvolvimento e incorporação da Inteligência Artificial na Saúde”, para uma plateia que lotou o Anfiteatro Ney Palmeiro. A mesa de abertura contou com a presença da diretora Científica da FAPERJ, Eliete Bouskela, que é médica e professora emérita da Uerj, e representou a presidente da Fundação, Caroline Alves. Também participaram da mesa o diretor-geral do Hupe, Rui de Teófilo; o secretário estadual de Saúde, Ronaldo Damião; a reitora da Uerj, Gulnar Azevedo; o diretor do Centro Biomédico da Uerj, Mário Fritsch; e a presidente do 64º Congresso Científico do Hupe, Luciana Rodrigues.

No mesmo dia, houve o anúncio da inauguração de duas novas alas no Hupe, na Oncologia e Nefrologia, que também receberão equipamentos de ponta, adquiridos com apoio da FAPERJ, inclusive por meio do edital Programa de Apoio à Infraestrutura de Unidades Universitárias de Saúde Hospitalar e Ambulatorial Vinculadas à Secretaria de Ciência, Tecnologia e Inovação (SECTI). O anúncio foi realizado com a presença do governador em exercício do estado, o desembargador Ricardo Couto.

Ampliação das instalações no Hupe e chegada de equipamentos de ponta

O oncologista e professor da Faculdade de Medicina da USP Paulo Hoff apresentou, em sua aula magna, um histórico da evolução dos tratamentos oncológicos e refletiu sobre os impactos do uso das ferramentas de Inteligência Artificial na Medicina, para o diagnóstico, atendimento clínico e até cirurgias

Na Oncologia, o Centro Universitário de Controle do Câncer (CUCC/Uerj) vai ganhar um novo andar, com equipamentos de ponta voltados para a Medicina nuclear e quimioterapia. A unidade recebeu um PET-CT (PET Scan), o primeiro equipamento desse porte na rede estadual. Com ele, será possível realizar exames de imagem de alta resolução para localizar o tumor cancerígeno no corpo e avaliar sua extensão. Outra aquisição foi o SPECT (Tomografia por Emissão de Fóton Único), que será utilizado para exames de cintilografia de corpo inteiro, ou para avaliar os detalhes do funcionamento de órgãos específicos. Esses equipamentos são inéditos na rede estadual fluminense, colocando o estado na vanguarda do atendimento médico de alta complexidade. O espaço de quimioterapia passará de oito para 15 poltronas e a área assistencial do setor também foi ampliada, de 120 m² para 450 m².

Já no Núcleo de Assistência, Treinamento e Pesquisa em Nefrologia e Transplantes (Nant/Uerj), a nova estrutura vai triplicar o total de transplantes renais na unidade, aumentando de 50 para 150 procedimentos por ano. No local, pacientes adultos e crianças com doenças renais terão à disposição todo o atendimento, centralizado em um mesmo espaço, desde o diagnóstico inicial.

Hoje, são realizados no Hupe transplantes de córnea, rim, coração, fígado e medula. Até o próximo ano, a meta é que a equipe médica passe a realizar também transplantes de pâncreas e, futuramente, de pulmão.

Mesa de abertura e aula magna

Como incorporar a Inteligência Artificial e outras inovações tecnológicas na área da Saúde, sem perder de vista o atendimento humanizado ao paciente? Essa foi a questão que permeou os debates na mesa de abertura e na aula magna de Paulo Hoff.

Em sua 64ª edição, congresso reúne acadêmicos, expoentes da Medicina e autoridades para refletir sobre a importância do atendimento humanizado e do conceito de Medicina 5.0 diante do advento da Inteligência Artificial


A presidente do 64º Congresso Científico do Hupe, Luciana Rodrigues, destacou a importância da escolha do tema "Saúde 5.0", fase da Medicina que une a alta tecnologia digital ao cuidado humanizado, colocando o paciente no centro das decisões, e que norteia o atendimento no hospital da Uerj. “É preciso incorporar o uso das inovações tecnológicas em Saúde a serviço das pessoas, para chegar mais próximo de quem precisa, sem perder a humanidade. Esse congresso é um espaço de construção coletiva do conhecimento e apropriado para esse debate sobre o cuidado ao paciente, a formação profissional e o atendimento em Saúde”, disse.

O diretor-geral do Hupe, Rui de Teófilo, completou: “No SUS (Sistema Único de Saúde), temos o desafio de incorporar o uso dessas tecnologias inovadoras da melhor forma possível, mesmo lidando muitas vezes com limitações orçamentárias.”

Na aula magna, Paulo Hoff, um dos principais expoentes da Oncologia brasileira, apresentou um painel histórico da evolução dos tratamentos oncológicos e os impactos do advento das ferramentas de Inteligência Artificial para a área. “A Inteligência Artificial é uma realidade. A pergunta não é se teremos IA, mas se podemos confiar nela e qual seu melhor uso na área médica. Na Oncologia, a IA vai impactar o cuidado médico, desde o fornecimento de dados de apoio ao diagnóstico, passando pela decisão clínica, até o tratamento”, disse. Ele citou como avanços tecnológicos exames de imagem mais precisos e a probabilidade de antever doenças e problemas futuros no paciente por meio da análise genômica, com dados obtidos com auxílio da IA.

Hoff ressaltou que as inovações tecnológicas que virão na Medicina devem sempre se pautar por princípios éticos. “As oportunidades que a IA vai trazer, com imagens médicas e sistemas tecnológicos robotizados, devem servir como um apoio e não podem substituir o trabalho do profissional médico, e sim trazer oportunidades reais para um melhor atendimento na Medicina. A grande pergunta é se esse modelo inovador vai se traduzir, de fato, em um melhor cuidado para o paciente, mais humanizado e personalizado”, concluiu.


Autor: faperj
Fonte: faperj
Sítio Online da Publicação: faperj
Data: 27/08/2026
Publicação Original: https://www.faperj.br/?id=1096.7.0

Servidores do Estado são protagonistas da 1ª edição do Prêmio Transforma RJ


A presidente da FAPERJ, Caroline Alves, o governador em exercício desembargador Ricardo Couto e o secretário de Estado de Transformação Digital, Feu Braga (à dir.) entregaram à pesquisadora Tatiane Alves Baptista o Certificado de Mérito e Inovação pelo 3º lugar na categoria do Eixo 2, com o projeto FAPERJ: Portfólio em Rede (Foto: Patrick Viegas)


Por meio da FAPERJ e da Secretaria de Estado de Transformação Digital (SETD), o Governo do Estado realizou, nesta quarta-feira, dia 26 de agosto, a cerimônia da primeira edição do Prêmio Transforma.RJ: Reconhecimento à Inovação – 2026. Foram premiadas nove iniciativas desenvolvidas por servidores estaduais para enfrentar desafios do dia a dia da administração pública, com foco na simplificação de serviços, na redução da burocracia e na melhoria da gestão.

Compondo a mesa de abertura da premiação, o governador em exercício, desembargador Ricardo Couto, a presidente da FAPERJ, Caroline Alves e o secretário de Estado de Transformação Digital, Feu Braga, reafirmam a importância do reconhecimento e valorização de projetos inovadores criados por servidores públicos estaduais para modernizar, simplificar e dar mais eficiência aos serviços oferecidos à população do Rio de Janeiro.

“O Prêmio Transforma.RJ reforça o compromisso da FAPERJ com a valorização de ideias que nascem dentro do serviço público e que têm potencial real de transformar a vida da população. Incentivar a inovação entre os servidores é fundamental para construirmos uma gestão mais eficiente, moderna e conectada com as necessidades da sociedade”, destacou Caroline Alves.

Mais de 50 projetos, de diferentes órgãos estaduais, participaram da premiação, que foi organizada em três eixos temáticos com propostas sobre segurança pública; simplificação do atendimento; participação do cidadão; eficiência administrativa e redução da burocracia. Todos os participantes receberam certificados.

Em cada categoria, foram reconhecidos os três primeiros colocados. A pesquisadora Tatiane Alves Baptista recebeu o Certificado de Mérito e Inovação pelo terceiro lugar na categoria Eixo 2, com o projeto FAPERJ: Portfólio em Rede. Pesquisadora da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj) com Pós-Doutorado em Inovação Social pela Université Paris-Est Marne-la-Vallé, na França, Tatiane disse estar profundamente honrada com a premiação e reconheceu o compromisso coletivo da equipe com a excelência do serviço público.

“O portfólio foi desenvolvido para identificar, organizar e dar visibilidade aos principais ativos das áreas de ciência, tecnologia e inovação no estado do Rio de Janeiro. A plataforma digital integra o ecossistema fluminense ao conectar a comunidade científica; além de dar transparência e disponibilizar dados abertos permitindo o controle social dos investimentos em pesquisa; fornece subsídios para a formulação de políticas públicas baseadas em evidências, entre outros dados. São iniciativas que colaboram para o alinhamento de todos os agentes envolvidos com a produção científica no estado“, definiu a pesquisadora.



Autor: faperj
Fonte: faperj
Sítio Online da Publicação: faperj
Data: 27/08/2026
Publicação Original: https://www.faperj.br/?id=1098.7.1

quarta-feira, 2 de setembro de 2026

Workshop de Divulgação Científica e Ensino de Ficologia - 2026


Workshop de Divulgação Científica e Ensino de Ficologia - 2026

Evento

: online

: 16 a 18 de Novembro 2026

Transmissão pelo canal do YouTube - @algasporelas

Inscrições na Plataforma Even3 - https://www.even3.com.br/2-workshop-em-divulgacao-cientifica-e-educacao-na-ficologia-workfic-747584/

Instagran - @workfic

 


Sobre o evento

Sejam bem-vindos(as) ao 2º Workshop em Divulgação Científica e Educação na Ficologia (WorkFic)!

O 2º WorkFic dá continuidade a uma iniciativa que foi um grande sucesso em 2024. O evento é promovido pelo Algas por Elas, projeto coordenado por três ficólogas brasileiras que, desde 2020, atua na divulgação científica sobre algas e no fortalecimento do protagonismo feminino na Ciência.

Esta edição será realizada em formato híbrido, com transmissão pelo canal do YouTube do Algas por Elas (https://youtube.com/@algasporelas7106?si=HCGPSl2J7hZUN33Z). Assim como em sua primeira edição, o workshop será completamente gratuito, proporcionando um espaço de diálogo e troca de experiências sobre a importância das algas, a conscientização para a conservação ambiental e a divulgação de pesquisas, práticas e iniciativas relacionadas à Educação e à Divulgação Científica.

Nesta edição, o tema central será “Algas e Mudanças Climáticas”, destacando a importância das algas para os ecossistemas, para a biodiversidade global e para o enfrentamento das mudanças climáticas. O tema norteará as atividades do evento, promovendo debates sobre ciência, educação ambiental e sustentabilidade.

O evento representa uma excelente oportunidade para aproximar estudantes de graduação e pós-graduação, pesquisadores e profissionais de diferentes áreas, como Ficologia, Educação, Botânica, Oceanografia, Divulgação Científica e Jornalismo Científico. Os participantes poderão submeter resumos de pesquisas e relatos de experiências para apresentação oral.

Nesta edição, teremos novidades especiais! Será realizado o 1º Concurso de Fotografia do WorkFic, além da oferta de minicursos presenciais nas universidades UFABC, UFBA e UERJ, ampliando as oportunidades de aprendizado e interação entre os participantes.

Convidamos vocês para participarem ativamente desta experiência e aproveitar uma programação cuidadosamente preparada, reunindo especialistas de destaque e promovendo discussões inspiradoras sobre ciência, educação e comunicação.

Juntem-se a nós e façam parte do 2º WorkFic!


Autor: even3
Fonte: even3
Sítio Online da Publicação: even3
Data: 29/08/2026
Publicação Original: https://www.even3.com.br/2-workshop-em-divulgacao-cientifica-e-educacao-na-ficologia-workfic-747584/

Uerj participa de estudo de peixe pré-histórico achado em Mato Grosso


Fonte: diariodigital.com.br

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Uma nova espécie de peixe pré-histórico, que viveu há cerca de 254 milhões de anos, acaba de ser apresentada em estudo científico com participação da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj). O fóssil, encontrado no município de Alto Garças, em Mato Grosso, está excepcionalmente preservado e oferece rara oportunidade de conhecer a vida existente no continente sul-americano nos momentos que antecederam uma das maiores transformações da história da Terra.

A nova espécie pertence ao grupo dos peixes de nadadeiras raiadas (actinopterígios), que reúne cerca de 96% dos peixes vertebrados atualmente existentes, incluindo espécies como atum, salmão e bacalhau. O animal tinha aproximadamente 15 centímetros de comprimento e apresentava característica marcante: seu corpo era protegido por escamas resistentes formadas por dentina e esmalte, os mesmos materiais encontrados nos dentes humanos.

O grau de preservação torna o achado especialmente relevante. Enquanto grande parte dos peixes dessa idade encontrados no Brasil é conhecida apenas por dentes, escamas ou fragmentos ósseos isolados, o exemplar de Leolepis conserva praticamente todo o corpo. O estudo o classifica como o peixe de nadadeiras raiadas do Permiano mais bem preservado já encontrado no estado de Mato Grosso, além de representar um achado raro em escala mundial.

O peixe viveu durante o Permiano Superior, em grande sistema aquático continental formado a partir de um antigo mar interior existente quando a América do Sul e a África ainda estavam unidas no supercontinente Gondwana.

Pelo tamanho reduzido dos dentes, os pesquisadores estimam que Leolepis se alimentava de pequenos invertebrados e plantas. O fóssil, portanto, ajuda a reconstruir parte de um ecossistema que existia pouco antes da chamada extinção Permo-Triássica, ocorrida há aproximadamente 252 milhões de anos. O evento foi o maior episódio de extinção em massa conhecido pela ciência: cerca de 78% da vida terrestre e até 95% das espécies marinhas desapareceram.

Há ainda uma coincidência geológica que torna a descoberta particularmente interessante: o fóssil foi encontrado a apenas 50 quilômetros da cratera de impacto de Araguainha, considerada a maior e mais bem preservada estrutura desse tipo na América do Sul.

A descoberta também é importante porque o registro de peixes continentais do Paleozoico na América do Sul ainda é considerado pouco conhecido.

A pesquisadora do Departamento de Zoologia da Uerj, Valéria Gallo, envolvida na descrição do fóssil, afirma que “por estar excepcionalmente preservado, o exemplar pode ajudar os pesquisadores a reconhecer a presença da espécie em outras áreas da Bacia do Paraná e a estabelecer novas correlações entre diferentes formações geológicas”.

O espécime foi coletado em 2005 pelo geólogo Léo Adriano de Oliveira, que posteriormente o disponibilizou para estudo e o depositou na Coleção Paleontológica da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), em Cuiabá.
  

Autor: diariodigital
Fonte: diariodigital
Sítio Online da Publicação: diariodigital
Data: 29/08/2026
Publicação Original: https://www.diariodigital.com.br/geral/uerj-participa-de-estudo-de-peixe-pre-historico-achado-em-mato-grosso?shem=dsdf,sharefoc,agadiscoversdl,,sh/x/discover/m1/4

Encontro Nacional de Pesquisa em Educação Ambiental



Apresentação

Em 2001, um grupo de pesquisadoras e pesquisadores da educação ambiental da USP de Ribeirão Preto, da UFSCar e da UNESP de Rio Claro criava um espaço acadêmico para apresentação e discussão de pesquisas em educação ambiental. Deu-se assim o início a uma trajetória importante da formação e diálogos do campo interdisciplinar da EA, passando a constituir um espaço de encontro da comunidade de pessoas pesquisadoras.

Considerando que o EPEA completa 25 anos em 2026, e que essa comemoração poderia inspirar uma ideia de “futuro ancestral” (Krenak), bem como de nos considerarmos “compartilhantes” (termo do Nego Bispo que traz a ideia conexão e codependência entre todos os seres) nessa história, o tema geral do evento será “25 anos de EPEA: “compartilhantes” tecendo o “futuro ancestral” pela pesquisa em educação ambiental”.

Sua organização é realizada por uma comissão local, em parceria com grupos de pesquisa em educação ambiental de todo o país, constituintes da Rede EPEA. O evento ocorrerá no formato presencial entre os dias 5 a 7 de julho de 2027, na Universidade de São Paulo, em parceria entre o Instituto de Biociências, o Instituto de Geociências e a Escola de Comunicação e Artes, no campus da Capital. Também estão previstas atividades pré e pós evento, ampliando as possibilidades formativas de nossa comunidade.

Desta forma, convidamos todas e todos para construírem e estarem conosco nessa caminhada!



Autor: xiiiepea
Fonte: xiiiepea
Sítio Online da Publicação: xiiiepea
Data: 28/08/2026
Publicação Original: https://sites.usp.br/xiiiepea/

terça-feira, 1 de setembro de 2026

Romeu Gomes recebe título de Pesquisador Emérito da Fiocruz

A Fiocruz concedeu, na quinta-feira (27/8), o título de Pesquisador Emérito ao professor e pesquisador Romeu Gomes, em cerimônia realizada no Instituto Nacional de Saúde da Mulher, da Criança e do Adolescente Fernandes Figueira (IFF/Fiocruz). A homenagem reconheceu a trajetória acadêmica, científica e institucional e a contribuição de Gomes para o fortalecimento da Saúde Coletiva. A data também faz referência à Política Nacional de Atenção Integral à Saúde do Homem (PNAISH), instituída no Brasil em 27 de agosto de 2009, e cuja construção contou com a participação do pesquisador.



Romeu Gomes (ao centro), junto com a esposa Orsinda e a filha Clarissa. À esquerda, o presidente da Fiocruz, Mario Moreira, e à direita o diretor do IFF, Antônio Flávio Meirelles

A cerimônia reuniu trabalhadores, pesquisadores, estudantes e familiares. Participaram da abertura o presidente da Fiocruz, Mario Moreira, o diretor do IFF/Fiocruz, Antônio Flávio Meirelles, a professora e pesquisadora Suely Deslandes e o homenageado Romeu Gomes. Na ocasião, Suely destacou que a trajetória de Romeu reúne “a excelência da pesquisa, do ensino e da assistência”.

Antônio Flávio Meirelles citou o caráter inédito da homenagem, já que Romeu é o primeiro pesquisador emérito do IFF/Fiocruz, e mencionou a aprovação unânime da indicação pelo Conselho Deliberativo da Fiocruz. O diretor fez referência à atuação do pesquisador na pós-graduação e ao papel desempenhado na formação de dezenas de pesquisadores.

Mario Moreira afirmou que a homenagem a pesquisadores eméritos também representa uma celebração da própria Fiocruz e da ciência produzida pela instituição. Para o presidente, o reconhecimento está relacionado não apenas à produção acadêmica, mas ao compromisso com as políticas públicas e com o Sistema Único de Saúde.

A contribuição de Romeu para a formação de pesquisadores foi reforçada por seus orientandos. O coordenador da Rede de Bancos de Leite Humano da Fiocruz e autor da primeira tese de doutorado do Instituto orientada pelo pesquisador, João Aprígio, afirmou que sua relação com Romeu ultrapassou a orientação de uma pesquisa. Para ele, o processo de orientação foi fundamental para aproximar diferentes áreas do conhecimento e contribuiu para a construção de políticas públicas na área do aleitamento humano.

Para o doutorando em Saúde Coletiva do IFF/Fiocruz Gleydson Paiva, a generosidade de Romeu no ensino foi um dos aspectos que mais marcam a trajetória. Paiva também ressaltou a disponibilidade do pesquisador e a sensibilidade para compreender a rotina de um doutorando trabalhador.



Dirigentes, pesquisadores e alunos celebram a homenagem a Romeu Gomes

Na sequência, Suely Deslandes apresentou a trajetória profissional e acadêmica de Romeu Gomes. Ele foi um dos responsáveis pela criação do curso de Doutorado em Saúde da Criança e da Mulher do IFF/Fiocruz, coordenou o Programa de Pós-Graduação e teve papel fundamental na consolidação das Ciências Sociais e Humanas em Saúde. Ao longo de sua jornada, orientou mais de 70 pesquisadores no IFF/Fiocruz, entre estudantes de iniciação científica, mestrandos, doutorandos e pós-doutorandos, além de participar e coordenar pesquisas de abrangência nacional.

A pesquisadora frisou sua ampla produção científica, composta por quase 200 artigos publicados, livros e capítulos, além de sua atuação contínua na pesquisa, no ensino e na formação de novos pesquisadores, mesmo após a aposentadoria. Na visão de Suely, a homenagem representa o reconhecimento dos valores que a instituição deseja preservar. “A ciência é feita de pessoas. E quando a gente atribui uma honraria, na verdade, todos esses símbolos de reconhecimento social, eles falam dos valores que aquela comunidade quer ver reforçada, quer ver reconhecida como valiosa”.

Após a leitura e a entrega oficial do diploma de Pesquisador Emérito, Romeu Gomes fez seu pronunciamento e relembrou momentos de sua trajetória acadêmica, desde a parceria com a também pesquisadora emérita Cecília Minayo, iniciada na década de 1980, até sua chegada à Fiocruz e ao IFF. O pesquisador destacou a importância das experiências vividas no Instituto para sua formação profissional e pessoal. “Consegui aprender muita coisa aqui”, afirmou Romeu, ao falar sobre o convívio com colegas e pesquisadores do IFF/Fiocruz. Ele também falou sobre o aprendizado proporcionado pela atuação em uma instituição hospitalar e pelo contato com profissionais de diferentes áreas. “O hospital é um lugar de cuidados, não só um lugar de prestar socorro”.

Ao encerrar seu discurso, Romeu agradeceu aos colegas, orientandos, familiares e às pessoas que fizeram parte de sua trajetória e deixou uma mensagem que sintetizou o espírito da homenagem: “Não pensem vocês que legado é alguma coisa que se deixa, não, porque eu vou continuar”, concluiu.

Período eleitoral

Durante o período eleitoral (de 4 de julho até 25 de outubro), os conteúdos digitais publicados e disponibilizados pela Agência Fiocruz de Notícias (AFN) acompanham as orientações da Advocacia-Geral da União (AGU) e da Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República (Secom). O documento esclarece que é permitida a divulgação de "conteúdo meramente informativo ou de serviço ao cidadão".

Autor: fiocruz
Fonte: fiocruz
Sítio Online da Publicação: fiocruz
Data: 28/08/2026
Publicação Original: https://fiocruz.br/noticia/2026/08/romeu-gomes-recebe-titulo-de-pesquisador-emerito-da-fiocruz