segunda-feira, 16 de fevereiro de 2026

Roda de conversa com vice-presidentes marca a celebração do Dia Internacional das Mulheres e Meninas na Ciência na Fiocruz (11/2)

O último dia da programação da Imersão no Verão 2026 será marcado por atividades realizadas no Campus Manguinhos, no Rio de Janeiro, com destaque para a cerimônia de celebração do Dia Internacional das Mulheres e Meninas na Ciência, às 9h, na Tenda da Ciência Virgínia Schall. O momento simboliza o reconhecimento da importância da participação feminina na produção científica e na inovação em saúde na Fiocruz, além do fortalecimento de políticas institucionais voltadas às mulheres e meninas, como o Programa Mulheres e Meninas na Ciência (PMMC/VPEIC/Fiocruz).

Na sequência, às 9h45, haverá uma roda de conversa sobre equidade de gênero com a participação das vice-presidentes da Fiocruz: Marly Marques Cruz, da Vice-Presidência de Educação, Informação e Comunicação (VPEIC/Fiocruz); Alda Cruz, da Vice-Presidência de Pesquisa e Coleções Biológicas (VPPCB/Fiocruz); Priscila Ferraz, da Vice-Presidência de Produção e Inovação em Saúde (VPPIS/Fiocruz); e Maria de Lourdes Aguiar Oliveira, da Vice-Presidência de Saúde Global e Relações Internacionais (VSGRI/Fiocruz).

O diálogo entre as vice-presidentes vai abordar os desafios estruturais, trajetórias profissionais e estratégias institucionais para o fortalecimento da equidade de gênero nos espaços científicos, destacando o papel da Fiocruz na formação, na permanência e na valorização de mulheres e meninas na ciência. Está programada também a apresentação do Ballet Manguinhos, como parte também das atividades culturais da iniciativa Imersão no Verão.

Imersão no Verão

A Imersão no Verão, organizada pela Coordenação de Divulgação Cientifica, da Vice-Presidência de Educação, Informação e Comunicação (VPEIC/Fiocruz), será encerrada no período da tarde com a tradicional foto na escadaria do Castelo. Será ali que as cerca de 150 estudantes selecionadas para a edição deste ano vão se despedir de três dias destinados a atividades científicas e culturais e experiências práticas proporcionadas por esse encontro que já entrou para o calendário da Fiocruz. Este ano, foram 40 atividades distribuídas em 13 unidades técnico-científicas do Rio de Janeiro. Segundo Cristina Araripe, coordenadora do Programa, as atividades envolveram mais de 210 mulheres, entre pesquisadoras e profissionais da saúde e pós-graduandas, de 13 unidades técnico-científicas.

Sobre a iniciativa

Comemorado em 11 de fevereiro, o Dia Internacional das Mulheres e Meninas na Ciência mobiliza trabalhadoras de várias unidades técnico-científicas regionais e escritórios da Fundação. Desde 2019, quando teve início, as celebrações do Dia Internacional acontecem no Rio e em outras regionais da Fundação, com atividades variadas. A data foi instituída na Assembleia Geral da ONU para dar visibilidade ao trabalho das mulheres cientistas e incentivar jovens estudantes a seguirem carreiras científicas. Com esse ponto de partida, muitos países passaram a realizar ações de promoção e fortalecimento de políticas voltadas à equidade de gênero na ciência. Até o momento, a celebração já reuniu mais de 1.600 estudantes de diversos níveis de ensino nas unidades da Fundação em todo o país.


Imersão no Verão





Autor: fiocruzFonte: fiocruz
Sítio Online da Publicação: fiocruz
Data: 10/02/2026
Publicação Original: https://fiocruz.br/noticia/2026/02/roda-de-conversa-com-vice-presidentes-marca-celebracao-do-dia-internacional-das

Estudantes descobrem que lugar de mulher é na ciência (e no poder)

Uma centena de meninas matriculadas em escolas públicas do Rio de Janeiro coloriu o dia chuvoso do campus principal da Fiocruz, em Manguinhos, na Zona Norte do Rio de Janeiro, na segunda-feira (9/2). Naquele dia foi aberta a programação da Imersão no Verão 2026 do programa Mulheres e Meninas na Ciência, organizada pela Fundação.




A coordenadora de Divulgação Científica e do programa Mulheres e Meninas na Ciência, Cristina Araripe (ao centro), explica às estudantes o que esperar da Imersão Verão 2026 (Foto: Peter Illiciev)

Enquanto as estudantes comiam seu kit de café da manhã, a coordenadora de Divulgação Científica e do programa Mulheres e Meninas na Ciência, Cristina Araripe, passava informes e adiantava o que as estudantes poderiam esperar da imersão em ciência. Ela fez uma brincadeira logo que as viu tomando suco de caixinha: “Eu gosto mais quando é natural e não o ultraprocessado. Vou reclamar lá! Se bem que para essa logística aqui tinha que ser algo assim mesmo, para não estragar, tinha que ser pasteurizado. Aliás, pasteurizado vem de Pasteur, que foi um cientista francês contemporâneo de Oswaldo Cruz, que dá nome à nossa fundação”, disse ela, perguntando em seguida quem já tinha ouvido falar em Oswaldo Cruz e abordando rapidamente o que era a pasteurização. E foi assim, mostrando que a ciência está em tudo – até no suquinho de caixinha – que começou a Imersão no Verão 2026.

Na Tenda da Ciência Virgínia Schall a programação começou com uma apresentação de Cristina Araripe. Ela relembrou que, em 2015, a ONU determinou o 11 de fevereiro como Dia Internacional de Mulheres e Meninas na Ciência, e que em 2019 a Fiocruz criou seu programa para festejar a data com ações concretas de interação entre meninas estudantes e mulheres cientistas da casa. Maria Luiza de Alcântara Araújo, de 16 anos, estudante do Colégio Estadual Olavo Bilac, em São Cristóvão, foi a primeiríssima a levantar a mão para fazer uma pergunta, ainda durante a fala da coordenadora, e indagou algo que provavelmente a maioria das meninas estava se coçando para saber: “Sei que vamos encontrar algumas cientistas, e queria saber como vai ser”. Foi o mote para Cristina discorrer sobre o que é a Fiocruz e desmistificar a ideia do cientista que trabalha apenas na bancada do laboratório: “Você já encontrou com diversas cientistas até aqui. Eu mesma sou uma, mas sou da área de Humanas, me graduei em Ciências Sociais e História. Profissionais de variadas áreas podem ser cientistas, não só médicos, biólogos, químicos, mas também gente de humanas, engenharias, o pessoal de dados. A ciência precisa de todas essas colaborações”, afirmou.

Vindas de escolas públicas de diversos bairros da cidade do Rio e de outros municípios, as estudantes foram selecionadas a partir de uma chamada pública da Fiocruz. Muitas tomaram conhecimento do programa em suas próprias escolas ou por meio de instituições que frequentam. Outras, pela família – especialmente as mães: “Foi minha mãe que viu na internet e me disse ‘olha que legal’. Aí eu falei para ela: então tá, me inscreve aí”, contou Emanuelle Simões França, de 16 anos, aluna do Colégio Brigadeiro Newton Braga, na Ilha do Governador, uma escola militar mantida pela Aeronáutica.

Uma das editoras científicas das revistas Ciência Hoje e Ciência Hoje das Crianças, a pesquisadora do Instituto de Bioquímica Médica Leopoldo de Meis (UFRJ) Andrea T. da Poian compartilhou com a plateia a sua trajetória na ciência. Começou contando que na infância e adolescência não tinha a menor ideia do que queria ser na vida, só sabia que gostava de viajar e tinha atração pelo desconhecido: “Dei sorte de estudar em uma escola que incentivava a criatividade. Eu gostava de biologia e minha atração pelo desconhecido foi o elemento que me fez querer entender as moléculas e como se dá a vida”, resumiu. Andrea foi a primeira de uma série de pesquisadoras que ao longo dos três dias da Imersão comentaram sobre o desafio de construir uma carreira científica e ao mesmo tempo formar uma família e ter filhos, mostrando que a barra pode ser difícil, mas é totalmente administrável – e nesses momentos era sempre possível ouvir aqui e ali um “ufa” de alguma menina: “Ter uma família é um dos meus sonhos, então ouvir que você tem capacidade de fazer o que gosta, mesmo sendo mulher, e poder ter uma vida, uma família, foi importante”, disse Maria Eduarda Oliveira da Silva Teotônio, de 18 anos, aluna do Caic Euclides da Cunha.

Conhecendo os lugares onde se faz ciência

Na parte da tarde, as meninas se dividiram em três frentes de atividades: um grupo foi para a Escola Politécnica de Saúde Joaquim Venâncio e para o Instituto Oswaldo Cruz conhecer os diversos jogos educativos produzidos pelos pesquisadores da casa; outro grupo permaneceu na Tenda da Ciência para acompanhar apresentações de iniciativas e projetos institucionais da Fiocruz, como o Canal Saúde, o Ciência em Gotas e o Trajetória de Mulheres, além de assistir ao documentário Ciência delas, produzido pela VideoSaúde, distribuidora de vídeos da Fiocruz, e dirigido por Daniela Muzi e Beatris Duquevis; em Bio-Manguinhos, o terceiro grupo participou de uma roda de conversa com diversas mulheres ocupando cargos de destaque na unidade, que compartilharam histórias sobre suas trajetórias. Uma delas foi a vice-diretora de Qualidade, Monique Collaço, graduada em Farmácia, mas que reforçou a necessidade de uma pluralidade de profissionais para que uma instituição de pesquisa científica como a Fiocruz cumpra sua missão: “Quem está na dúvida, saiba que há muito espaço para o desenvolvimento profissional mesmo fora das bancadas, porque a ciência precisa de todas vocês”.

Após a roda de conversa no auditório de Bio-Manguinhos, seguiram para a fábrica de vacinas, onde o assessor da Vice-Diretoria de Produção de Biológicos, Ricardo Lopes, mostrou alguns dos equipamentos da fábrica de vacinas e explicou um pouco sobre a produção de biofármacos. As alunas se interessaram especialmente quando ele abordou o incansável trabalho do setor na produção das vacinas contra a Covid-19 durante a pandemia: “Fizemos em um ano o que normalmente levaria dez anos. Foi um esforço concentrado, tanto para responder às pressões da imprensa e da sociedade quanto por nós mesmos, pois perdemos muitos colegas para a doença”, disse Ricardo. Terminada a visita, as meninas o cercaram com perguntas sobre quais as funções que cada profissional pode ocupar em Bio-Manguinhos e os modos de acesso a estágios e outras formas de inserção.

Segundo dia: a visita aos laboratórios

No segundo dia da Imersão de Verão 2026, logo cedo as meninas foram distribuídas por laboratórios de pesquisa em 13 unidades científicas do campus, onde foram recebidas por mulheres pesquisadoras para apresentar suas áreas. Alguns desses laboratórios se concentravam na Escola Nacional de Saúde Pública. Andrea Sobral, vice-diretora de Pesquisa e Inovação da unidade, recebeu com um caprichado café da manhã pouco mais de 30 meninas – eram previstas 50, mas algumas faltaram ou se atrasaram devido ao tempo chuvoso no Rio. E foi já em meio aos comes e bebes que começou o intercâmbio entre mulheres da ciência e meninas interessadas em adentrar esse mundo. Diretor da Ensp, o pesquisador Marco Menezes foi dos poucos homens presentes nessas boas-vindas e estimulou o interesse: “A mulher pode e deve estar onde ela quiser, mas eu espero que seja aqui na nossa casa e também nos lugares de poder da sociedade”, disse.




Estudantes conhecem laboratórios e o trabalho dos cientistas (Foto: Peter Ilicciev)

A cereja do bolo do café da manhã foi uma palestra da professora Cecília Minayo, uma das pesquisadoras mais antigas ainda em atividade na instituição. Ela contou um pouco da sua história e respondeu perguntas das meninas. Andrea Sobral comemorou o entrosamento: “A gente quer mostrar o que se faz aqui na Ensp, que é valorizar as mulheres, valorizar a ciência, valorizar a diversidade. E receber essas meninas aqui é como ter uma sementinha sendo plantada. Uma oportunidade de mostrar para elas que a ciência vai para muito além do nosso contexto de Manguinhos, a ciência aqui é feita para a saúde pública, para os povos que necessitam da ciência”, disse Andrea, reforçando que a ideia não era apenas apresentar a infraestrutura de pesquisa da instituição, mas demonstrar o compromisso com a diversidade e a valorização do protagonismo feminino na produção de conhecimento científico.

Lara Conceição da Silva, de 17 anos, aluna da Faetec de Marechal Hermes, foi uma das que valorizaram a informação de que a ciência pode ser feita também longe das bancadas dos laboratórios. Ela cursa o técnico em Administração, mas na faculdade quer partir para algo como História: “Esse evento ajudou a esclarecer muita coisa na minha cabeça. Eu achava que para ser cientista era uma complicação muito maior”.

As lições de mulheres que chegaram no topo

O último dia da Imersão no Verão 2026 reservou para as meninas uma roda de conversa com as quatro vice-presidentes mulheres da Fiocruz: Marly Cruz, de Educação, Informação e Comunicação; Maria de Lourdes Aguiar Oliveira, de Saúde Global e Relações Internacionais; Priscila Ferraz, de Produção e Inovação em Saúde; e Alda Cruz, de Pesquisa e Coleções Biológicas; além de Eduarda Cesse, adjunta de Marly na VPEIC. Marly, aliás, já começou seu relato com a voz embargada: “Esse é um dia especial para mim porque ele me faz lembrar da minha trajetória. É muito bom ouvir as histórias porque a gente vê que tem coisas em comum, mas tem também suas diferenças. Eu nunca imaginei estar nesse lugar em que estou. Minha mãe sempre teve vergonha de contar a história dela, porque era uma história de muita violência. E eu digo a vocês: não aceitem a violência, nenhum tipo de violência. Minha mãe não tinha muitos recursos, mas acreditou e falava assim: 'eu quero que vocês tenham uma vida diferente da vida que eu tive, e enquanto eu puder eu vou investir no estudo de vocês'", disse Marly, revelando que sofreu muito preconceito racial e de classe ao longo de seus estudos e no começo da vida profissional, mas que enfrentou isso em algum momento e hoje tem orgulho de contar sua história".

Assim como em outros momentos da Imersão, o tema do fazer ciência e ao mesmo tempo ter vida pessoal e uma família também transpassou os relatos na roda de conversa, como no de Priscila Ferraz: “Meu filho estava doentinho esses dias e eu dormi na casa da minha sogra, porque ela me deu esse apoio. E hoje pela manhã ele estava deitado, eu botei o termômetro nele e ao mesmo tempo estava lendo uma tese de doutorado porque vou estar numa banca hoje à tarde. Essa é a vida da mulher, e a gente tem a força de fazer tudo isso no nosso dia a dia, cuidar do filho, cuidar da casa, a gente é muito isso do cuidar: cuidar do trabalho, não tratar isso só como uma coisa do dia a dia. E estar aqui na Fiocruz facilita muito isso, porque a gente está cuidando das pessoas e, em última instância, da saúde da população”. Eduarda Cesse comentou quase na mesma linha: “Fui mãe aos 22 anos, tenho dois filhos homens e duas netas meninas, uma de 10 anos e outra de 1 mês e meio. Mestrado e doutorado foram feitos nesse caminhar materno”.

Fechando a manhã, meninas e meninos do Ballet Manguinhos aqueceram o coração de todos com uma apresentação de dança – primeiro uma peça clássica apenas com as meninas e depois os meninos se somaram ao grupo numa série de coreografias ao som de poderosas canções na voz de Elza Soares, como A mulher do fim do mundo, A carne e Maria de Vila Matilde.

A programação do Mulheres e Meninas na Ciência se encerrou na tarde de quarta-feira, com uma foto histórica feita nas escadarias do Castelo Mourisco com todas as alunas participantes, as monitoras e organizadoras e algumas das pesquisadoras que participaram do evento, além da coordenadora, Cristina Araripe. Foi uma oportunidade também de conhecer partes do Castelo e alguns espaços do Museu da Vida. E depois compartilharem o último lanche juntas, antes de seguirem de volta para suas casas matutando sobre tudo o que viram, ouviram e sentiram durante esses três dias.

E será que as donas da festa gostaram da Imersão no Verão 2026? “Achei muito legal o evento. É uma experiência que todos deveriam ter, porque muda muito a sua perspectiva sobre o quão uma mulher pode ser importante na sociedade. Eu acho que todas as mulheres deveriam ter essa experiência, principalmente as meninas. Além de ter mudado a minha forma de ver as mulheres na sociedade, perceber que elas têm uma grande importância na ciência, eu acabei me divertindo muito aqui, encontrando várias meninas que me inspiraram muito a pensar em profissões diferentes”, disse Maria Luiza Araújo, dando por totalmente atendida a expectativa que a fez levantar o braço logo no início do evento para fazer a primeira pergunta.




Autor: fiocruz
Fonte: fiocruz
Sítio Online da Publicação: fiocruz
Data: 13/02/2026
Publicação Original: https://fiocruz.br/noticia/2026/02/estudantes-descobrem-que-lugar-de-mulher-e-na-ciencia-e-no-poder

Fiocruz e Ministério da Justiça e Segurança Pública divulgam resultado final do Edital Defensoras Populares

A Secretaria Nacional de Acesso à Justiça, do Ministério da Justiça e Segurança Pública (Saju/MJSP), em parceria com a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), divulgam o resultado final do edital Defensoras Populares, iniciativa nacional voltada à formação de mulheres em situação de vulnerabilidade em direitos humanos, com foco no fortalecimento de lideranças comunitárias e na promoção do acesso à justiça nos territórios.

Após a publicação da seleção preliminar e análise dos recursos, o projeto selecionou 600 mulheres a partir de critérios estabelecidos no edital. Ao longo da formação, as defensoras selecionadas na etapa final serão capacitadas para atuar como multiplicadoras de direitos, identificando violações, orientando outras mulheres e aproximando suas comunidades dos mecanismos de justiça. A lista de classificadas pode ser acessada aqui:

Lista de Classificadas - Edital Defensoras Populares

As candidatas que se encontram na lista de espera deverão aguardar contato da equipe estadual com possibilidade de entrada por reclassificação (desistência de outras candidatas) até o segundo mês de curso iniciado em seu Estado. Esta convocação, porém, não é obrigatória, pois depende de desistências.

Entre os dias 18 dezembro de 2025 e 18 de janeiro de 2026, a convocatória recebeu cerca de 5 mil inscrições de cinco estados brasileiros: São Paulo, Minas Gerais, Paraíba, Bahia e Rio Grande do Norte. O projeto alcançará 10 estados brasileiros ao longo de 2026, sendo cinco no primeiro semestre e cinco no segundo.

O cronograma do edital foi ajustado após problemas técnicos no Portal Fiocruz, causados por sobrecarga de acessos que gerou instabilidade no site. Com a mudança, o prazo para envio de recursos sobre o resultado da seleção foi prorrogado até 11 de fevereiro. A lista divulgada hoje (13/02) já incorpora a análise dos recursos recebidos e corresponde ao resultado final da seleção.
As candidatas selecionadas na lista da classificação final deverão confirmar o interesse na participação até o dia 18 de fevereiro (quarta-feira), às 23h59, por meio do e-mail divulgado no edital (defensoraspopularesdobrasil@gmail.com). Após essa confirmação, todas receberão por e-mail as orientações para o cadastramento e início do curso em cada estado.




A organização reforça que todas as dúvidas, comunicações e orientações oficiais individuais do edital são realizadas exclusivamente por meio do e-mail divulgado no edital: defensoraspopularesdobrasil@gmail.com. Não há atendimento ou validação de informações por outros canais.




Autor: fiocruz
Fonte: fiocruz
Sítio Online da Publicação: fiocruz
Data: 13/02/2026
Publicação Original: https://fiocruz.br/noticia/2026/02/fiocruz-e-ministerio-da-justica-e-seguranca-publica-divulgam-resultado-final-do

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2026

Pesquisa na Pesagro estabelece padrão para a produção da farinha de banana verde


O principal diferencial da banana verde é o amido resistente, um carboidrato insolúvel (Foto: Pixabay)


O Brasil é o quarto produtor mundial de bananas, tendo colhido pouco mais de 7 milhões de toneladas em 2024, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O Vale da Ribeira, em São Paulo, é a maior região produtora, com 40 mil hectares cultivados. Entretanto, as perdas chegam a 40% da produção, em média, principalmente devido à inadequação na colheita e na estocagem, transporte e, especialmente, devido aos frutos fora do tamanho padrão para uso de mesa. A farinha de banana verde tem sido uma alternativa para o completo aproveitamento das bananas na cadeia produtiva, garantindo as qualidades nutricionais da fruta além de disponibilizar o amido resistente (AR), o que caracteriza o produto como alimento funcional.

Projeto conduzido ao longo de três anos na Empresa de Pesquisa Agropecuária do Estado do Rio de Janeiro (Pesagro-Rio), com o apoio do Programa de Bolsa de Treinamento e Capacitação Técnica em Apoio à Pesquisa e Desenvolvimento do Setor Agropecuário e da Agroindústria do Estado do Rio de Janeiro (TCT Agro), da FAPERJ, estabeleceu os parâmetros para a produção e conservação da farinha de banana verde. Segundo a pesquisadora Eliane Rodrigues, coordenadora do estudo, a farinha de banana verde é rica em fibras, sais minerais e vitaminas, e possui um grande diferencial em relação às demais farinhas: o amido resistente, alimento funcional que auxilia nas defesas do organismo e no trânsito intestinal. Ela pode ser empregada na fabricação de vários alimentos como sopas, comidas infantis, bolos, biscoitos, dentre outros, dependendo da granulometria.

Com cerca de 30 espécies conhecidas e 700 diferentes variedades, a banana (Musa spp.) pertencente à família das Musaceae, é uma fruta de rápido cultivo e fácil propagação, sendo produzida em grande escala no mundo todo, mas especialmente nos países tropicais. Uma das frutas mais consumidas em diversos países, a banana é rica em fibras, sais minerais como potássio, manganês e magnésio, vitaminas B1, B6, A e C, e betacaroteno, além de também ser rica em triptofano, um aminoácido que proporciona aumento da serotonina.
 

O projeto estabeleceu parâmetros para higiene de bancadas e utensílios e a padronização nutricional e sanitária do produto (Fotos: Divulgação)


“No caso da banana verde, seu principal diferencial é o amido resistente, um carboidrato insolúvel que sofre fermentação bacteriana no intestino, reforçando o sistema imunológico e reduzindo a ocorrência de doenças inflamatórias, colaborando para regular níveis de colesterol e glicemia, até mesmo podendo prevenir o câncer de cólon, caracterizando, assim, o produto como funcional”, explica a pesquisadora.

Eliane Rodrigues conta que diversas pequenas agroindústrias do estado do Rio de Janeiro aproveitam a banana verde fora do tamanho padrão de consumo para fazer farinha. No entanto, não havia parâmetros de qualidade no processo produtivo, fazendo com que o produto oferecido nas prateleiras ao consumidor não tivesse um padrão de qualidade. E sua pesquisa foi justamente para cobrir essa lacuna: determinar a qualidade físico-química, microbiológica e toxicológica das farinhas ofertadas no mercado consumidor.

O projeto-piloto foi executado na Fumel, agroindústria localizada em Cachoeiras de Macacu (maior produtor de banana do RJ), que recebe a produção de diversos pequenos produtores do estado e é um dos maiores produtores de banana-passa, bananada e outros subprodutos da banana. O objetivo agora é replicar o método e acompanhar a produção das diversas marcas de farinha de banana verde comercializadas no estado do Rio de Janeiro, garantindo a inocuidade microbiológica do produto e estabelecendo um protocolo de padronização nutricional e sanitária do produto. Além de determinar o melhor ajuste da temperatura e do tempo da desidratação, a fim de manter a característica nutricional, a pesquisa estabeleceu parâmetros para higiene de bancadas e utensílios, e até mesmo o melhor material para a embalagem da farinha, visando evitar possível contaminação.


Eliane Rodrigues: para a pesquisadora, o mais importante é que na produção da farinha da banana verde não há perda do amido resistente


Para a pesquisadora, o mais importante é que, na produção da farinha a partir da banana verde, não há perda do amido resistente, cujo percentual chega a aproximadamente 40% do produto. “Conseguimos manter o produto como alimento funcional”, comemora a farmacêutica. Além disso, os estudos também contribuíram para atestar a não ocorrência da micotoxina fumonisina nas amostras de farinha analisadas durante os três anos de experimento. Causada pela contaminação das bananas pelo fungo Fusarium spp., a micotoxina fumonisina é uma das principais doenças da bananeira.

Eliane explica que no Centro Estadual de Pesquisa em Qualidade de Alimentos da Pesagro, em Niterói, é feito o controle de qualidade de diversos tipos de alimentos, englobando os aspectos físico-químicos, microbiológicos, sensoriais e de contaminantes. Somado a isso, são desenvolvidas novas tecnologias de fabricação e estudos com processamento tecnológico de alimentos.

Graduada em Farmácia, mestre e doutora em Medicina Veterinária e Processamento Tecnológico de Produtos de Origem Animal pela Universidade Federal Fluminense (UFF), Eliane foi a primeira pesquisadora do estado do Rio a trabalhar com homeopatia em animais, obtendo uma redução de 90% da mastite (inflamação das tetas) em vacas submetidas a esse tratamento. Na área de Tecnologia de Alimentos, dedicou-se ao estudo de produtos de origem animal, inicialmente com leite e derivados lácteos e depois com carnes. Segundo ela, o laboratório também apoia as ações de vigilância sanitária da Superintendência de Defesa Agropecuária da Secretaria de Estado de Agricultura, sendo o único órgão público autorizado a emitir laudos técnicos para o Serviço de Inspeção Estadual. “Todas as nossas atividades visam a segurança dos alimentos e a saúde do consumidor”, resume.

Veja videorreportagem no canal da FAPERJ no YouTube sobre as atividades do Centro Estadual de Pesquisa em Qualidade de Alimentos (CEPQA) da Pesagro-Rio: aqui.




Autor: Faperj
Fonte: Faperj
Sítio Online da Publicação: Faperj
Data: 12/02/2026
Publicação Original: https://www.faperj.br/?id=913.7.9

Guia de campo estimula aulas-passeio na Lagoa Rodrigo de Freitas

Vista como um dos principais cartões-postais do Rio de Janeiro, a Lagoa Rodrigo de Freitas é muito mais do que um espaço que atrai turistas e moradores da cidade em busca de lazer. A história, as transformações, a flora e a diversidade da fauna são alguns dos aspectos que fazem dela uma sala de aula a céu aberto. É o que mostra o “Guia de Campo da Lagoa Rodrigo de Freitas”, lançado no fim de 2025 pelas pesquisadoras Aline Assumpção Ribeiro e Andréa Espinola de Siqueira. O livro é resultado da dissertação de Aline, sob orientação de Andréa, no Programa de Mestrado Profissional em Ensino de Biologia (Profbio) da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj).

Servir como um guia de campo, que estimule professores do Ensino Médio a realizarem aulas-passeio ao longo da orla da Lagoa é a proposta do livro, editado com recursos do Programa de Apoio à Editoração da FAPERJ. A ideia é explorar temas relacionados ao local como meio ambiente, diversidade biológica, atividades esportivas, história e as mudanças ocorridas na região, uma das mais valorizadas da cidade. A obra é voltada não só a docentes, mas a todos aqueles que desejam saber um pouco mais sobre a Lagoa.

A ideia de escrever o guia surgiu como um desafio para Aline, que, desde 2014, é professora de Biologia da Rede Estadual do Rio de Janeiro. “Quando fui aprovada para o Mestrado, havia essa proposta de tema para pesquisa, feita pela professora Andréa, de quem fui aluna em 2009, durante a graduação na Uerj. Como sempre fui muito medrosa em relação a levar alunos para fora da escola, resolvi me desafiar e aceitar o projeto. Quando embarquei na viagem, acredite, não conhecia a Lagoa. Nos conhecemos por conta da pesquisa e foi amor à primeira vista. Desde então, sou apaixonada por aquele lugar”, conta Aline, que, durante 11 anos, deu aulas em cursos pré-vestibulares populares.


Um dos cartões-postais do Rio de Janeiro, a Lagoa é vista por diferentes ângulos no guia. Livro destaca questões como artes, ecologia, esportes, ocupação e poluição. Local é uma sala de aula a céu aberto. (Foto: Divulgação/Andréa Espinola)


A investigação do Mestrado foi sobre as contribuições das aulas-passeio para a aprendizagem e para o bem-estar dos estudantes. “Levar os alunos a um ambiente natural contribui para que eles aprendam os conteúdos trabalhados em sala e para o bem-estar deles”, explica Aline, que atualmente é doutoranda em Ensino de Biociências e Saúde pelo Instituto Oswaldo Cruz (IOC/Fiocruz) e bolsista da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes).

Com 110 páginas, o livro foi dividido em cinco blocos de assuntos, que podem ser trabalhados com os estudantes em sala de aula: ocupação, aterramento e poluição; ecologia e biodiversidade; esportes; artes; e contemplação. Em cada um deles, as autoras listaram os conteúdos curriculares e as competências da Base Nacional Comum Curricular (BNCC) que podem ser explorados a partir de uma visita à Lagoa. Produzido pela Editora Interciência, o guia traz também sugestões de atividades que podem ser realizadas dentro de cada tema.

Pensando nas aulas-passeio, as pesquisadoras dividiram os 7,4 km da orla da Lagoa em quatro percursos, com extensões entre 1,5 km e 2,3 km, de forma a facilitar as atividades. Cada um deles pode ser percorrido em caminhadas que variam, em média, de 20 a 30 minutos. Esse tempo não considera as paradas. O primeiro trecho vai do Pier do Vasco da Gama à Sede Náutica do Botafogo. O segundo vai da Sede Náutica do Botafogo até à reta do clube Caiçaras. No clube, tem início o terceiro percurso, que se estende até o Parque das Figueiras. Ali, começa o percurso 4, que segue até o Pier do Vasco da Gama. Cada um deles conta com um QR Code que dá acesso a um tour virtual disponível no Youtube.


Um dos aspectos destacados no guia é a biodiversidade. Os biguás estão entre as espécies encontradas na Lagoa Rodrigo de Freitas. Aves dão vida e embelezam ainda mais o local (Foto: Divulgação/Jairo Farias)


“Os professores podem escolher os aspectos abordados no guia que mais lhe interessam para realizar uma caminhada com os alunos em algum dos trechos sugeridos e aproveitar as propostas pedagógicas de ensino por investigação elencadas no material. A ideia é que o guia possa estimular as visitas de grupos escolares ao local, à medida em que descreve a orla, oferece mapas e descrições de temas importantes encontrados no currículo da Educação Básica”, explica Andréa Espinola, doutora em Ciências e professora do Departamento de Ensino de Ciências e Biologia, do Instituto de Biologia da Uerj.

No trecho do guia dedicado à ecologia e à biodiversidade, as autoras mostram a fauna local, com destaque para as capivaras e para a variedade de aves como garças, biguás e frangos d’água que embelezam ainda mais a paisagem do local. As informações são ilustradas pelas imagens feitas pelas autoras e colaboradores voluntários e contam com a parceria do professor Antônio Carlos Freitas e do biólogo Victor Moura, ambos do Núcleo de Fotografia Científica Ambiental (BioCenas) da Uerj.

A obra também retrata uma parte da história da região, desde o tempo em que era habitada por indígenas Tamoio, passando pelas fazendas existentes ali no período colonial, até chegar aos dias de hoje. Fala também dos processos de aterramento, de ocupação do local por comunidades em vulnerabilidade, do processo de remoção dessas famílias, e da ocupação do bairro pela classe média alta. Movimentos que influenciaram as transformações do espelho d’água, resultaram em poluição e trouxeram impactos na qualidade da água.


Aline Ribeiro (à direita) e Andréa Espinola dividiram o desafio de escrever o Guia de Campo da Lagoa. Andréa foi orientadora de Aline durante o Mestrado na Uerj, quando a pesquisadora investigou as contribuições das aulas-passeio para a aprendizagem (Foto: Divulgação/Cristina Gonçalves)


“O guia traz um pouco da história da Lagoa, o que nos remete à história da nossa cidade onde inúmeros aterramentos aconteceram. É fundamental entender como aquele ecossistema foi estabelecido ao longo do tempo e qual a sua relação com o que encontramos em seu entorno, seja de áreas construídas, seja de proximidade com outras áreas protegidas e como nós nos relacionamos com ele”, explica Andréa.

De acordo com a professora que, entre outros temas, realiza estudos sobre produção de materiais didáticos e sobre espaços não formais de ensino, o guia conta com entrevistas que ajudam a preservar a memória local. “Ouvimos o pescador artesanal mais antigo em atividade na ocasião, José da Luz de Andrade, o Sr. Pitu, que infelizmente veio a falecer semanas depois. Ele contou como era realizada a pesca artesanal na Colônia Z-13 no século passado. Entrevistamos também o Sr. Luiz Sacopã, líder e representante do Quilombo do Sacopã, para que pudéssemos dar visibilidade no texto do guia à presença da resistência e da luta fundiária contra a pressão imobiliária no local e destacar o valor cultural do Quilombo do Sacopã”, conta Andréa, que, ao lado de outros professores, produziu um guia de campo digital dedicado ao Parque Nacional da Tijuca, também com apoio da FAPERJ.

Segundo a pesquisadora Aline Ribeiro, o estudo da Lagoa Rodrigo de Freitas envolve tantos aspectos que fica até difícil destacar especificamente um deles. “Eu destaco a Lagoa como um ecossistema. Sua história geológica, biológica e até mesmo a intervenção humana que tanto a alterou. O lugar para mim é sinônimo de resiliência, porque depois de tudo o que passou, todos os problemas, todas as interferências, ele segue cheio de vida, segue pulsando”, explica a pesquisadora, que ressalta a relevância do trabalho realizado em benefício do local. “Um exemplo é o empenho de pessoas que abraçaram e decidiram cuidar da Lagoa, como do biólogo Mario Moscatelli. Quando todo mundo achava que a recuperação da Lagoa seria impossível, ele acreditou e dedicou sua vida profissional a isso. A Lagoa segue viva, atraindo novas espécies, novos olhares e novas possibilidades”, conclui Aline.




Autor: Faperj
Fonte: Faperj
Sítio Online da Publicação: Faperj
Data: 12/02/2026
Publicação Original: https://www.faperj.br/?id=966.7.4

Estudo de pesquisadores do Museu Nacional revela como cresciam alguns dos precursores dos crocodilos no período Triássico

Pesquisadores do Museu Nacional, unidade de ensino e pesquisa vinculada à Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), em colaboração com o Centro de Apoio à Pesquisa Paleontológica da Quarta Colônia (CAPPA-UFSM) e o Museu de La Plata, Argentina, acabam de publicar um trabalho científico sobre os padrões de crescimento da linhagem crocodiliana (Pseudosuchia), investigando uma espécie encontrada em rochas de idade triássica (cerca de 231 milhões de anos atrás), no Rio Grande do Sul.

A pesquisa aborda essa questão por meio da análise paleohistológica dos ossos de Dynamosuchus collisensis, um representante do grupo dos Ornithosuchidae. A Paleohistologia – que analisa cortes micrométricos em ossos fósseis ao microscópio – é uma ferramenta cada vez mais em ascensão na pesquisa paleontológica, permitindo compreender aspectos fundamentais do ritmo de crescimento e idade individual e contribuindo para preencher lacunas importantes no conhecimento sobre a biologia dos grupos extintos de vertebrados.

O artigo intitulado Filling a key gap in growth patterns of Pseudosuchia through the osteohistology of Dynamosuchus collisensis (Ornithosuchidae: Archosauria) foi publicado neste mês de fevereiro na revista científica internacional Royal Society Open Science. O estudo foi liderado por Brodsky Dantas Macedo de Farias, bolsista FAPERJ do programa de Pós-Doutorado Nota 10, vinculado ao Programa de Pós-graduação em Zoologia do Museu Nacional, e supervisionado por Marina Bento Soares, pesquisadora da mesma instituição que também recebe apoio da FAPERJ para a realização de suas pesquisas por meio do programa de fomento à pesquisa "Cientista do Nosso Estado".

Também participam do trabalho, Rodrigo Temp Müller e Fabiula Prestes de Bem (CAPPA-UFSM) e Maria Belén von Baczko e Julia Brenda Desojo (Museo de La Plata, Argentina). Dynamosuchus collisensis é o único representante brasileiro pertencente ao grupo dos ornitossúquios, aparentados à linhagem crocodiliana. O fóssil (espécime CAPPA/UFSM 0248) foi encontrado no município de Agudo, Rio Grande do Sul, em afloramentos da Formação Santa Maria.

As análises paleohistológicas mostram que Dynamosuchus apresentava, em sua maior parte, tecidos ósseos altamente vascularizados, indicativos de crescimento rápido. No úmero, foram identificadas três linhas anuais de crescimento e no fêmur, quatro. Isso indica que o indivíduo estudado tinha, no mínimo, quatro anos de idade no momento da morte. A ausência de transição para tecidos de crescimento mais lento, indicam que o indivíduo estudado ainda era esqueletalmente e, provavelmente, sexualmente imaturo. Considerando que o espécime analisado, com cerca de dois metros de comprimento, ainda era jovem, os dados sugerem que ele provavelmente teria muito a crescer ao longo da vida.


As análises paleohistológicas dos ossos do Dynamosuchus indicaram que ele tinha, no mínimo, quatro anos de idade no momento da morte, cerca de dois metros de comprimento, ainda era jovem, e que provavelmente teria muito a crescer ao longo da vida (Foto: Rodrigo Tempo Müller)


Para fortalecer as interpretações baseadas nos dados paleohistológicos, também foram empregados métodos independentes de avaliação da maturidade esquelética, como a análise das suturas nas vértebras. As vértebras analisadas apresentam suturas neurocentrais (entre o centro e o arco neural) abertas, ou seja, arcos neurais ainda não fusionados aos centros vertebrais. Essas características são indicativas de imaturidade esquelética e corroboram as evidências obtidas a partir da paleohistologia óssea, de que o espécime CAPPA/UFSM 0248 era um indivíduo jovem.

O projeto desenvolvido pelo Bolsista de Pós-Doutorado Nota 10 da FAPERJ, intitulado “Preenchendo lacunas no conhecimento paleobiológico de arcossauros do Triássico do Sul do Brasil a partir da paleohistologia“, tem como objetivo principal fornecer uma abordagem comparativa envolvendo os principais grupos de Pseudosuchia durante o primeiro período da Era Mesozoica, o período Triássico.

Neste contexto, por se tratar de um dos grupos mais basais dessa linhagem, os ornitossúquios constituem uma referência-chave para a reconstrução da trajetória dos Pseudosuchia. Resultados obtidos até o momento pelo projeto indicam que o padrão atual de crescimento em crocodilos, que crescem de forma lenta durante toda a vida (mesmo depois de adultos), contrasta ao observado nos seus precursores fósseis, incluindo os ornitossuquídeos, que cresciam a taxas bastante elevadas até atingir o estágio adulto.


O bolsista de pós-doutorado Brodsky Farias e a professora Marina Bento Soares: pesquisadores puderam contar com os recursos do mais bem equipado Laboratório de Paleohistologia do Brasil, instalado no Museu Nacional/UFRJ e implementado com recursos da FAPERJ (Fotos:Divulgação)


"Esta pesquisa é particularmente importante porque não apenas aponta para a presença de um predador de grande porte nos ecossistemas do Triássico brasileiro, mas também revela, através da paleohistologia, que os representantes basais da linhagem crocodiliana apresentavam padrões de crescimento compatíveis com taxas metabólicas mais elevadas, possivelmente mais próximas das aves e mamíferos do que dos crocodilos atuais", diz Brodsky Farias.

Professora do Departamento de Geologia e Paleontologia do Museu Nacional, Marina Bento Soares conta que o convite para participarem da pesquisa partiu de Rodrigo Temp Müller, primeiro autor da descrição original de Dynamosuchus collisensis e coautor do presente estudo, para realizar as análises histológicas do material. "Desde o início, reconhecemos a relevância científica da espécie, a única representante brasileira do grupo Ornitosuchidae, um dos ramos mais basais da linhagem crocodiliana. Diante dessa importância, incorporamos o estudo ao projeto do Brodsky, que, desde o doutorado, investiga os padrões de crescimento dos pseudosúquios", explica a pesquisadora, ressaltando que a inclusão de Dynamosuchus ampliou substancialmente a base comparativa do projeto e permitiu preencher uma lacuna fundamental no entendimento da biologia da linhagem crocodiliana, no seu início. "É importante ressaltar, também, que o Museu Nacional, na sua fase de reconstrução após o incêndio de 2018, conta com o mais bem equipado Laboratório de Paleohistologia do Brasil, implementado com recursos da FAPERJ. Toda a fase experimental do trabalho com Dynamosuchus foi realizada no referido laboratório, e vários novos estudos vêm por aí", adianta.



Autor: Faperj
Fonte: Faperj
Sítio Online da Publicação: Faperj
Data: 2/02/2026
Publicação Original: https://www.faperj.br/?id=963.7.5

terça-feira, 10 de fevereiro de 2026

Curta Ciência Delas revela trajetórias femininas na produção científica

Exibido como parte da programação da Imersão no Verão, no contexto das celebrações do Dia Internacional das Mulheres e Meninas na Ciência, o documentário Ciência Delas apresentou às estudantes, na tarde do dia 9 de fevereiro, histórias e trajetórias de mulheres que produzem ciência e ajudaram a construir o Programa Mulheres e Meninas na Ciência da Fiocruz.

Com 22 minutos de duração, Ciência Delas nasceu da pesquisa de Beatris Duqueviz , que em seu doutorado investigou o Programa Mulheres e Meninas na Ciência, ligado à Vice-Presidência de Educação, Informação e Comunicação (VPEIC/Fiocruz). O documentário de curta duração une dados, depoimentos e imagens marcantes para contar a trajetória do programa e revelar as mulheres que foram decisivas nessa história. O resgate por meio desses depoimentos, joga luz sobre o programa e evidencia desigualdades de gênero no universo científico no Brasil.


Para Beatris, o documentário é um potente meio de divulgação científica. “O vídeo amplia a compreensão e o acesso para quem está fora da academia. Acho importante que trabalhos científicos alcancem mais pessoas que talvez não tenham a oportunidade de ler uma tese ou artigo, democratizando o conhecimento”, afirma. Ela ressalta que, cada vez mais, pesquisadores buscam novos formatos e linguagens para ampliar o alcance e o impacto social de seus trabalhos. “Foi um mergulho delicioso nesse mundo do audiovisual”, destaca.

Beatris observa que o documentário é uma estratégia para ampliar a circulação das informações e popularizar os resultados do Programa Mulheres e Meninas na Ciência. “Essa iniciativa tem potencial para ir muito além dos muros da Fiocruz, servindo como referência para políticas públicas em outras instituições”, afirma Beatris, que assina o roteiro e a direção juntamente com Daniela Muzi. A produção, realizada entre novembro de 2024 e fevereiro de 2025 pela VideoSaúde Distribuidora da Fiocruz, combina novas entrevistas e imagens de arquivo para retratar como o programa vem impulsionando ações de equidade de gênero no campo científico.

Audiovisual que mobiliza

Para Daniela Muzi, pesquisadora, documentarista e coordenadora da VideoSaúde, o audiovisual tem o poder de afetar e mobilizar. “Ao tornar visíveis as trajetórias de mulheres cientistas, o documentário permite que outras mulheres e meninas possam se imaginar também nesse campo”, afirma. Apesar dos avanços, ela lembra que as mulheres continuam sub-representadas em certas áreas, cargos de liderança e bolsas de pesquisa. “As barreiras do chamado ‘teto de vidro’ são múltiplas e interligadas, incluindo sobrecarga mental e jornada dupla, resultado do acúmulo de exigências acadêmicas e responsabilidades de cuidado, como maternidade e familiares dependentes, comprometendo trajetórias científicas”, explica.

Essas dificuldades se somam às desigualdades de oportunidades profissionais, à desvalorização da competência feminina, à violência de gênero e à ausência de políticas institucionais efetivas voltadas à equidade. “O documentário evidencia que não se trata de casos isolados, mas de um problema estrutural”, reforça Daniela. Ela vê o filme como uma fonte de inspiração e um convite à reflexão sobre políticas mais inclusivas.

Segundo ela, a frase escolhida para o cartaz “Quando mulheres abrem caminhos, meninas conquistam o mundo” sintetiza a mensagem de transformação que as diretoras quiseram transmitir. “Durante séculos, a ciência foi retratada como um universo masculino. Agora, por meio da imagem e do movimento, as mulheres afirmam seus lugares. É aquela máxima de que uma mulher puxa a outra, e isso é bem real”, conclui.

O filme está disponível na Fioflix, com versões com janela de Libras e audiodescrição.




Autor: Liseane Morosini
Fonte: Vpeic/Fiocruz
Sítio Online da Publicação: Fiocruz
Data: 10/02/2026