terça-feira, 18 de janeiro de 2022

Startups da TEC Campos apoiadas pela FAPERJ são selecionadas para Programa de Incubação Cruzada Brasil - África do Sul

Três empresas incubadas na TEC Campos (Incubadora de Empresas do Norte Fluminense) foram selecionadas para participar da sessão de matchmaking do Programa de Incubação Cruzada Brasil - África do Sul. Sana Kombucha, Microbiall e MatAedes, que contaram com apoio da FAPERJ por meio do edital Programa Doutor Empreendedor: Transformando Conhecimento em Inovação – 2019, tiveram a oportunidade de fazer network e aprender com a experiência de empresas sul-africanas. O programa de incubação cruzada promove a imersão de startups brasileiras no ecossistema de inovação sul-africano e na imersão de startups sul-africanas no ecossistema de inovação brasileiro. O objetivo é apoiar o desenvolvimento e a internacionalização de empreendimentos dos dois países no setor de tecnologia agrícola.

Os empreendimentos selecionados receberam um pacote de serviços, dentre os quais ações preparatórias de acesso a mercado, capacitações técnicas, seminários sobre o ecossistema de inovação, mentorias, treinamento de pitch, acesso a investidores, business matchmaking e networking qualificado – exercício dedicado à aceleração do processo de internacionalização de empreendimentos inovadores.

Para o presidente da TEC Campos, Henrique da Hora, o programa de incubação com a África do Sul, promovido com a Anprotec, é um excelente exemplo de relacionamento (sul-sul) entre dois países pertencentes ao grupo BRICS, que têm desafios tecnológicos semelhantes e podem se ajudar mutuamente. “Essa ação aproxima os dois países por meio da tecnologia, das startups e das spin-offs, além de promover um relacionamento muito bom entre os ecossistemas de empreendedorismo e inovação de ambas nações. Nós, da Tec Campos, ficamos muito contentes em oferecer para as empresas incubadas uma oportunidade de internacionalização das suas operações, permitindo que elas façam parcerias naquele país e promovam esses parceiros no Brasil”, afirmou, lembrando que o programa gera benefícios para todos os agentes envolvidos.

A relevância e o desenvolvimento tecnológico do setor da agricultura e o ambiente propício ao desenvolvimento de startups são algumas das semelhanças entre o Brasil e a África do Sul, que poderão se beneficiar das oportunidades advindas do desenvolvimento do setor de agritech. Ao oferecer às startups selecionadas um contato privilegiado com o ambiente de inovação de cada país, o programa promove um exercício dedicado a acelerar o processo de internacionalização de produtos, processos e serviços de empreendimentos inovadores.



Adriana Grativol (no alto) e Aline Carolino (esq) fizeram contato com empresas afins. Henrique da Hora, da Tec Campos, acredita em possibilidades reais de colaboração.


A Microbiall, startup incubada na Tec Campos com apoio da FAPERJ, desenvolveu um inseticida biológico à base de fungo que oferece um importante diferencial. É capaz de controlar todas as fases de desenvolvimento dos insetos (ovo, larva, pupa e adulto). De acordo com a bióloga e doutora em Entomologia Aline Teixeira Carolino, o produto ainda agrega capacidade termorreguladora, minimizando os efeitos da insolação nas lavouras. A empresa é uma associação entre Aline e a mestre em Ecologia e Recursos Naturais e doutoranda em Produção Vegetal, Thais Berçot, que atua como diretora de marketing da empresa; e o engenheiro agrônomo e doutor em Produção Vegetal, Thalles Mattoso, diretor comercial da Microbiall. Leia matéria completa em http://www.faperj.br/?id=4096.2.2

“Participar da incubação cruzada entre Brasil e África do Sul, mesmo que tenha sido breve, foi muito valioso para a MicrobiAll. Ter a oportunidade de fazer contato com empresas com atividades similares às nossas é uma chance de estabelecer um networking”, disse Aline Carolino. Ela disse que teve chance de conversar com um integrante da empresa Biotikum e espera continuar essa conexão para quem sabe, no futuro, firmar uma parceria. Aline considera essa conexão cruzada uma grande experiência para empresas que estão iniciando sua jornada.

O crescimento do mercado de alimentos com propriedades funcionais, que além de atuar em funções nutricionais básicas, desencadeiam efeitos benéficos à saúde, levou a bióloga Adriana Daudt Grativol a investir na kombucha. A bebida, à base de chá preto adoçado fermentado por leveduras e bactérias benéficas à saúde, possui propriedades terapêuticas, dentre elas o fortalecimento do sistema imunológico e o bom funcionamento do intestino. O projeto “Inovação do Processo Fermentativo da Sana Kombucha em Larga Escala com a Otimização da Produção de Ácido Glicurônico” também foi contemplado no mesmo edital da FAPERJ, conforme veiculado no Boletim (http://www.faperj.br/?id=4063.2.7). A Sana Kombucha já está instalada na nova unidade de produção, em uma fábrica de cerveja artesanal em Campos dos Goytacazes, com tanques de aço inoxidável para realizar a fermentação.

No Programa de Incubação Cruzada Brasil - África do Sul Adriana conversou com a representante de uma empresa sul-africana que comercializa chá, matéria-prima para a fabricação da kombucha. Ela se interessou, particularmente, pelo rooibos, planta nativa sul-africana da família das leguminosas, com propriedades funcionais, que pode ser um diferencial da sua marca. A representante ficou de verificar os trâmites para enviar amostras para Adriana. “Notei que a empresa têm uma filosofia muito parecida com a que quero implantar, incentivando a comunidade e os produtores locais”, ressaltou.

Além das três startups incubadas na TEC Campos, foram selecionadas startups de base tecnológica na Incubadora do Parque Tecnológico de Viçosa (tecnoPARQ), que também deram apoio à inovação do programa e suporte às 11 startups sul-africanas durante o período de imersão. O Programa de Incubação Cruzada Brasil - África do Sul é uma iniciativa da Embaixada do Brasil na África do Sul, a Associação Nacional de Entidades Promotoras de Empreendimentos Inovadores (Anprotec), o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), o Departamento de Ciência e Inovação da África do Sul (DSI) e a Agência de Inovação Tecnológica da África do Sul (TIA).







Autor: Paula Guatimosim
Fonte: Faperj
Sítio Online da Publicação: Faperj
Data: 13/01/2022
Publicação Original: http://www.faperj.br/?id=4401.2.7

Estudo desenvolvido na Uerj investiga a vida marinha na Baía da Ilha Grande

A aplicação do conhecimento científico como alicerce para o uso sustentável dos oceanos é uma das metas previstas na agenda internacional das Nações Unidas, que definiu o período entre os anos de 2021 a 2030 como a Década da Ciência Oceânica para o Desenvolvimento Sustentável. Nesse contexto, o biólogo marinho Luís Felipe Skinner, líder do Grupo de Pesquisa em Ecologia e Dinâmica Bêntica Marinha, da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), vem coordenando diversas pesquisas na baía da Ilha Grande, na Costa Verde fluminense, com apoio da FAPERJ. “O objetivo desses projetos é fazer um inventário das espécies bênticas marinhas e um diagnóstico da conservação ambiental na Ilha”, explicou Skinner, contemplado em editais como o Auxílio Básico à Pesquisa em Instituições de Ciência e Tecnologia Estaduais (Uerj, Uenf e Uezo) e o Apoio às Universidades Estaduais do Estado do Rio de Janeiro.

Um desses estudos tem o objetivo de investigar a presença e quantidade de microplásticos presentes nas águas da baía. Surpreendentemente, foram encontrados resíduos do material mesmo em praias bem preservadas na Ilha Grande, como Lopes Mendes, um dos seus cartões postais. “Observamos a ingestão de microplástico por animais marinhos invertebrados, como as ascídias e anfípodas, em diferentes localidades, inclusive em áreas consideradas mais remotas, como Dois Rios, e em áreas de proteção ambiental, como Piraquara de Fora. Esses dados refletem a necessidade de mais monitoramentos sobre os efeitos da ingestão de microplástico na biota marinha da área, assim como alerta para novos perigos à biodiversidade na região. O lixo se espalha carregado pela correnteza”, explicou Skinner, que leciona na Faculdade de Formação de Professores de São Gonçalo (FFP/Uerj) e coordena o Museu do Meio Ambiente do Ecomuseu Ilha Grande, ambos campi avançados da universidade.




Aula de campo na Baía da Ilha Grande: resíduos de microplástico foram encontrados nas águas, mesmo em praias consideradas bem preservadas e remotas


Trata-se do primeiro estudo que identificou a presença de microplásticos em organismos da Bacia de Ilha Grande. “O microplástico é um problema que vem chamando a atenção dos pesquisadores. Muito se fala sobre plástico biodegradável. No entanto, a indústria tem trabalhado com plásticos que se fragmentam muito mais rapidamente, mas em fragmentos tão pequenos que os organismos conseguem ingerir, e não temos ainda o amplo conhecimento do que isso pode gerar, do efeito tóxico dessas substâncias para o metabolismo dos organismos marinhos e dos seres humanos”, ponderou. A pesquisa teve como desdobramento a publicação de um artigo, em agosto de 2021, no Journal of Human and Environment of Tropical Bays, intitulado “Ingestion of microplastics by benthic marine organisms in the Ilha Grande Bay heritage site on Southeastern Brazil”. Além de Skinner, são autores Paulo Cezar Azevedo da Silva, Rayane Sorrentino, Brenda Dos Santos Ramos e André Rezende de Senna.

Outra contribuição recente do grupo liderado por Skinner foi a descoberta de duas novas espécies marinhas na Baía de Ilha Grande: Leucothoe angrensis (um anfípode que vive dentro de uma ascídia), e a ascídia Pyura beta. As ascídias são organismos invertebrados filtradores que se alimentam de partículas orgânicas em suspensão e costumam se fixar em substratos, como rochas no mar, podendo formar colônias. A primeira espécie foi descrita em artigo assinado em coautoria com o biólogo André Senna, também da FFP/Uerj, que recebe o apoio do programa Jovem Cientista do Nosso Estado, da FAPERJ. Intitulado “A new ascidian-dwelling species of Leucothoe Leach, 1814 (Amphipoda: Leucothoidae) from Ilha Grande Bay, Rio de Janeiro state, Brazil, o artigo está disponível para leitura no Journal of Natural History. A segunda, Pyura beta, foi batizada em alusão à sua cor púrpura e está presente no mar do Caribe e no Brasil. O artigo, "Pyura gangelion and Pyura beta sp. nov. (Ascidiacea: Pyuridae): an exotic and a new tunicate from the West Atlantic", foi publicado na revista científica internacional Zootaxa, em coautoria com Rosana M. Rocha e Bailey K. Counts.

Skinner destaca que as espécies bênticas ou bentônicas — aquelas que vivem em associação com o fundo do ambiente marinho, em praias, fundo de oceanos ou em substratos consolidados como recifes, rochas, pilares de pontes e embarcações humanas — são importantes “termômetros” naturais da saúde desse ecossistema e fornecem pistas valiosas sobre a qualidade da vida marinha na Baía da Ilha Grande. “Estamos desenvolvendo projetos para acompanhar as espécies que já conhecemos, se alguma desapareceu, se há espécies novas registradas para a Ciência ou se espécies deslocadas de outros habitats foram introduzidas ali, como indicador da saúde ambiental da baía de Ilha Grande”, contou.


Luís Felipe Skinner destaca a necessidade de investimentos contínuos para os estudos desenvolvidos na área de Ciências do Mar


Ele lembra que os oceanos prestam diversos serviços ecossistêmicos, desde a regulação do clima, até o oxigênio para a respiração humana, passando pelo fornecimento de recursos alimentares, como pesca ou maricultura, além de impactarem a economia local, com o transporte de bens e serviços e turismo. “No caso da baía da Ilha Grande, nos últimos dez anos percebemos uma pressão cada vez maior sobre os ecossistemas costeiros, por várias razões, como o aumento do tráfego de navios no terminal de Angra dos Reis, com o risco de acidentes envolvendo vazamentos de óleo e o turismo crescente na região. Nas nossas atividades de mergulho, observamos impactos na principal espécie de coral da Ilha, a Mussismilia hispida, atingidas pelo lançamento das âncoras de lanchas ancoradas no costão”, relatou.

Nesse sentido, o biólogo marinho destaca a importância da continuidade no repasse de recursos à pesquisa e o papel das agências estaduais de fomento, como a FAPERJ, como indutoras da Ciência, Tecnologia e Inovação. “Temos recebido nos últimos anos apoio da Fundação por meio de diversos editais, que permitiram a montagem de laboratório e a compra de equipamentos para o Centro de Estudos Ambientais e Desenvolvimento Sustentável (Ceads), polo da Uerj na llha Grande. O grupo de Ciências do Mar da Uerj possui projetos que são uma construção coletiva, de infraestrutura básica de pesquisa e com grandes resultados. Ele envolve professores de três unidades diferentes da universidade e que trabalham com o mar: a Faculdade de Formação de Professores (Departamento de Ciências), o Instituto de Biologia Roberto Alcântara Gomes (Departamentos de Zoologia e Genética) e a Faculdade de Oceanografia (Departamento de Oceanografia Química)”, detalhou.






Autor: Débora Motta
Fonte: Faperj
Sítio Online da Publicação: Faperj
Data: 13/01/2022
Publicação Original: http://www.faperj.br/?id=4402.2.2

FAPERJ participa da Rio Innovation Week

O futuro da Medicina de precisão será um dos temas que devem ser abordados nas mesas-redondas promovida pela FAPERJ na Rio Innovation Week, evento que teve início nesta quinta, dia 13 de janeiro, no Jockey Club. Essa questão deve ser abordada, no próximo sábado, 15 de janeiro, pelos pesquisadores Antonio Carlos Campos de Carvalho, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ); Guilherme Suarez Kurtz, do Instituto Nacional de Câncer (Inca); Vivaldo Moura Neto, do Instituto Estadual do Cérebro; e Soniza Leon, da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UniRio). O presidente da FAPERJ, Jerson Lima Silva, é um dos convidados nesta quinta, dia 13, a partir das 17h30, como debatedor, no Palco do Conhecimento, da Editora Globo, ao lado da médica e pesquisadora Margareth Dalcolmo e da cientista Natalia Pasternak. A mesa discutirá a Divulgação Científica após dois anos de Covid-19 (veja aqui o link para a transmissão da mesa no YouTube).

Outro convidado previsto na programação da FAPERJ é o pesquisador da UFRJ, Amilcar Tanuri, uma das lideranças no combate à Covid-19, e que vai abordar a importância do diagnóstico preciso no controle da pandemia. Tanuri deve falar no próximo domingo, 16 de janeiro, às 14h. O pesquisador Fernando Bozza, da Fiocruz, é outro palestrante que deve contar sobre projetos de Covid apoiados pelo Governo do Estado, por meio da FAPERJ. No caso dele, ações realizadas na comunidade da Maré e o #VacinaMaré: a união da ciência, saúde e mobilização. E a pesquisadora Leda Castilho, da Coppe/UFRJ, deve dar detalhes sobre o desenvolvimento da UFRJVac, uma vacina trivalente para variantes do SARS-CoV-2. Ações de inovação em saúde serão ainda apresentadas por Jorge Moll, do Instituto D'Or de Ensino e Pesquisa (Idor).

O projeto do trem de levitação magnética MagLev-Cobra e modelos para explicar a inovação criada a partir do conhecimento científico serão assuntos de outro expoente da ciência, o pesquisador Richard M. Stephan, da UFRJ.


Estande da FAPERJ: pesquisadores que recebem apoio da Fundação farão palestras sobre seus temas de estudo


Para a feira de inovação, a FAPERJ, que conta com um estande próprio no evento, ainda apresentará 15 projetos de suas diretorias de Tecnologia e Científica, incluindo Startups Rio e resultados de iniciativas do edital Doutores Empreendedores. Entre os projetos que serão apresentados, a Uerj mostrará concepção e construção de robôs autônomos para competições de caráter educacional. Outro destaque será a apresentação do GovToken, da Investtools, com soluções para transparência de gastos públicos. Haverá ainda apresentação sobre as ações da Universidade Estadual do Norte Fluminense para o melhoramento de grãos de café.

Há 42 anos, a FAPERJ apoia o desenvolvimento da Ciência, Tecnologia e Inovação no Estado do Rio de Janeiro. Em 2021, a Fundação, que é ligada à Secretária Estadual de Ciência, Tecnologia e Inovação (Secti), alcançou a marca histórica ao destinar R$ 690 milhões em investimentos no Estado ao longo do ano, tendo lançado 49 editais entre o início do ano e o mês de dezembro último. E em janeiro deste ano, em uma iniciativa pioneira entre as fundações estaduais de apoio à ciência e tecnologia, reajustou em 25% as bolsas de formação, contemplando mais de 6 mil pesquisadores em todo o Estado fluminense. Para o presidente da FAPERJ, Jerson Lima Silva, o apoio do Estado e da Secti tem se transformado em resultados de inovação para todo o País.

"Temos recebido um apoio irrestrito tanto do Governo fluminense como da Secti e a comunidade científica fluminense tem se sentido apoiada em suas iniciativas para o enfrentamento da pandemia, dando resultados que colaboram para o avanço mundial do conhecimento científico sobre o coronavírus. Além disso, esses investimentos têm se traduzido em inovação para o Estado e também para o Brasil, sendo reconhecidos pela população de nosso país que, cada vez mais, acredita na ciência e em nossos pesquisadores", disse Jerson.







Autor: Ascom Faperj
Fonte: Faperj
Sítio Online da Publicação: Faperj
Data: 13/01/2022
Publicação Original: http://www.faperj.br/?id=4407.2.0

segunda-feira, 17 de janeiro de 2022

A cirurgia bariátrica diminui o risco de câncer?

Já é notório os benefícios da cirurgia bariátrica em relação a perda de peso e a manutenção desta perda com uma grande contribuição para a melhora da qualidade de vida e diminuição das complicações associadas à obesidade. Além da relação mais direta da obesidade com doenças cardiovasculares e diabetes, o controle do excesso de peso também pode apresentar benefícios relacionados a doenças neoplásicas em diferentes sítios.

O trabalho apresentado tem como objetivo avaliar se o paciente submetido ao tratamento cirúrgico para obesidade possui uma diminuição da incidência de câncer comparada com uma população obesa não operada. Além disso, o objetivo secundário irá analisar se há alguma diferença entre os dois principais tipos de cirurgia bariátrica: gastrectomia vertical (GV) e by-pass gástrico em y-de-roux (BPG).




Métodos

Estudo retrospectivo, utilizando banco de dados com mais de 15 milhões de pacientes cadastrados. Neste banco de dados foram selecionados os pacientes com obesidade elegíveis para cirurgia bariátrica e agrupados em 3 grupos: submetidos a GV, submetidos a BPG ou não realizaram procedimento cirúrgico sendo este o grupo controle.

Os tipos de câncer incluídos para a análise foram os seguintes: câncer de mama, câncer colorretal, esôfagoadenocarcinoma, câncer de vesícula biliar, câncer gástrico, câncer de fígado, câncer de pulmão, meningioma, mieloma múltiplo, câncer de ovário, câncer pancreático, câncer de próstata, câncer renal, câncer de tireoide e câncer uterino. Alguns já foram previamente listados pelo CDC como sendo relacionados à obesidade, os quais posteriormente serão analisados em separado.
Resultados

Os dados foram obtidos do período de janeiro de 2010 a junho de 2018, e inclui no estudo 2.150.646 pacientes, no entanto após as exclusões necessárias e o tempo de observação mínimo de 5 anos permaneceu para a análise final 572.371 pacientes. Deste total de pacientes foram selecionados 28.908 pacientes com perfis semelhantes a fim de diminuir o viés de seleção e com isto 9.636 pacientes incluídos em cada braço do estudo. A distribuição de gênero e comorbidades foram idênticas em cada grupo do estudo.

No período de 5 anos de observação 1.127 indivíduos desenvolveram câncer, sendo mama, útero e tireoide os sítios mais prevalentes. Os pacientes do grupo controle apresentaram maior risco de desenvolvimento de qualquer tipo de câncer que os indivíduos operados ( 4,61% x 3,47% x 3,62%; p < 0,0005) e câncer relacionado à obesidade (4,82% x 3,48% x 3,52%, p < 0,0005), e não relacionada a obesidade (0,64% x 0,37% x 0,51%, P = 0,003), para GV e BPG respectivamente. A análise entre os tipos de cirurgia demonstrou que a GV apresentou uma razão de chance de 0,74 (95% IC) para o surgimento de câncer e o BPG razão de chance 0,78 (95% IC). Não houve diferença estatística entre os grupos nos seguintes tipos de câncer: mama, esôfago, vesícula biliar, estômago, meningioma, mieloma múltiplo, pâncreas, próstata, renal e tireoide.
Discussão

Esta análise pareada foi capaz de determinar que a cirurgia bariátrica está relacionada a uma menor incidência de câncer especificamente colorretal, pulmão, ovário e útero. Alguns outros trabalhos chegaram a resultados semelhantes, mas falharam em relação às neoplasias colorretais. Trabalhos anteriores sugerem que o estado de inflamação crônica induzido pela obesidade, assim como o aumento de insulina, fatores que induzem o crescimento celular e hormônios esteroides podem estar diretamente relacionados à indução de neoplasias.

O desenho retrospectivo deste estudo é baseado em banco de dados que limitam a força deste estudo, porém os achados incorporam conhecimento e agrega mais um elemento para a indicação do procedimento em pacientes elegíveis.
Para levar para casa

A melhor forma de tratar o câncer é prevenindo. Se ao tratar a obesidade também estamos diminuindo a incidência das neoplasias devemos estimular ainda mais a indicação cirúrgica. Apesar de temida por alguns os procedimentos bariátricos estão cada vez mais seguros e as complicações quando surgem são tratadas de forma mais efetiva.






Autor: Felipe Victer
Fonte: pebmed
Sítio Online da Publicação: pebmed
Data: 17/01/2022
Publicação Original: https://pebmed.com.br/a-cirurgia-bariatrica-diminui-o-risco-de-cancer/

Covid-19: Bio-Manguinhos/Fiocruz recebe o registro da vacina 100% nacional

A Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) aprovou a inclusão do insumo farmacêutico ativo (IFA) fabricado por Bio-Manguinhos/Fiocruz na fabricação da vacina contra a Covid-19 da AstraZeneca. Essa decisão representa um importante avanço para a ciência brasileira, uma vez que o país terá uma vacina 100% nacional, com todas as etapas de produção realizadas no Brasil.

Para tomar essa decisão, os técnicos da agência avaliaram a equivalência do processo produtivo, comprovando que as vacinas produzidas com o IFA de Bio-Manguinhos/Fiocruz possuem a mesma eficácia, segurança e qualidade daquelas processadas com o ingrediente importado, seguindo as mesmas etapas do processo produtivo e metodologias analíticas exigidas mundialmente.

“Ter uma vacina 100% nacional para a Covid-19 produzida em Bio-Manguinhos/Fiocruz é uma grande conquista para a sociedade brasileira. E a pandemia deixou clara a necessidade dos insumos farmacêuticos ativos para a produção de vacinas. Com essa aprovação conquistamos uma vacina 100% produzida no país, garantindo a autossuficiência do nosso Sistema Único de Saúde (SUS) para essa vacina, que vem salvando vidas e contribuindo para a superação dessa difícil fase histórica do Brasil e do mundo”, destacou a presidente da Fiocruz, Nísia Trindade Lima.



Certificação de Boas Práticas de Fabricação

Bio-Manguinhos/Fiocruz já havia recebido da Anvisa a Certificação de Boas Práticas de Fabricação do novo insumo em maio de 2021, garantindo que a linha de produção cumpre com todos os requisitos necessários para a garantia da qualidade do IFA.

De acordo com o diretor de Bio-Manguinhos, Maurício Zuma, o deferimento do registro da vacina Covid-19 100% nacional demonstra a capacitação do Instituto de Tecnologia em Imunobiológicos no estabelecimento de um processo produtivo de alta complexidade.

“Mais do que isso, representa o cumprimento do nosso papel como laboratório oficial do Ministério da Saúde, incorporando tecnologias essenciais para o Brasil e trazendo soluções para a saúde pública”, complementou Maurício Zuma.

Segundo o portal da Fiocruz, a absorção da tecnologia foi realizada em apenas um ano, tempo recorde, e atendendo às necessidades do momento pandêmico. Vale ressaltar que procedimentos nos mesmos moldes costumam levar cerca de dez anos para serem desenvolvidos.
Bio-Manguinhos/Fiocruz é selecionado como hub da OMS para vacina de mRNA

Outra notícia importante para a ciência brasileira é que Bio-Manguinhos/Fiocruz foi selecionada pela Organização Mundial da Saúde (OMS) como centro para desenvolvimento e produção de vacinas com tecnologia de RNA mensageiro na América Latina.

Mais de 30 empresas e instituições científicas latino-americanas, se candidataram em abril do ano passado com o objetivo de aumentar a capacidade de produção e ampliar o acesso às vacinas contra a Covid-19 nas Américas.

Os promissores avanços no desenvolvimento tecnológico de uma vacina de mRNA contra a Covid-19, atualmente em estágio pré-clínico, viabilizaram a decisão.

A Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS), braço da OMS nas Américas, vai colocar à disposição da Fiocruz especialistas internacionais com experiência nos diferentes aspectos de desenvolvimento e produção de vacinas.

“O desenvolvimento de uma vacina da Fiocruz de mRNA é um passo fundamental para que o Brasil detenha o domínio tecnológico de duas plataformas fundamentais para o avanço no desenvolvimento de imunobiológicos. Com esse projeto e o apoio da OMS, estamos reafirmando nosso compromisso com a ciência e a tecnologia a serviço da população”, comemorou Nísia Trindade Lima.





Autor: Úrsula Neves
Fonte: pebmed
Sítio Online da Publicação: pebmed
Data: 17/01/2022
Publicação Original: https://pebmed.com.br/covid-19-bio-manguinhos-fiocruz-recebe-o-registro-da-vacina-100-nacional/

Oseltamivir: o que você precisa saber para a prática clínica

O surto de Influenza vivenciado em todo o país durante o começo do ano de 2022 aumentou as prescrições do Oseltamivir, antiviral de escolha no tratamento da Influenza A e B. Na fase atual, é importante relembrarmos as principais indicações da sua prescrição, assim como o melhor momento e suas contraindicações. O objetivo é trazer maior racionalidade à sua decisão clínica. Para tanto, revisamos as principais literaturas sobre o tema e trouxemos aqui um guia prático para a prescrição do Oseltamivir.

Oseltamivir o que você precisa saber para a prática clínica

Oseltamivir x Influenza

O tratamento com o antiviral, de maneira precoce, pode reduzir a duração dos sintomas e, principalmente, a redução da ocorrência de complicações da infecção pelo vírus influenza (A e B).
Existe um maior benefício clínico quando iniciado até 48 horas do início dos sintomas;
A terapia com Oseltamivir deve ser iniciada em pacientes graves mesmo se após 48 horas do início dos sintomas;

Tratamento – Indicações: 

  1. Síndrome Gripal SEM fator de risco: pode ser avaliada, excepcionalmente.
  2. Síndrome Gripal COM fator de risco: para todos os casos (independente de história vacinal).

Veja abaixo os fatores de risco para complicação:

  • Adultos ≥ 60 anos;
  • Crianças < 5 anos;
  • Grávidas em qualquer idade gestacional ou puérperas até 45 dias após o parto;
  • Indivíduos com doença crônica:
    • Pneumopatias (incluindo asma). Cardiovasculopatias (excluindo hipertensão arterial sistêmica). Nefropatias. Hepatopatias. Doenças hematológicas (incluindo anemia falciforme). Distúrbios metabólicos (incluindo diabetes mellitus).
    • Transtornos neurológicos e do desenvolvimento que podem comprometer a função respiratória ou aumentar o risco de aspiração (disfunção cognitiva, lesão medular, epilepsia, paralisia cerebral, síndrome de Down, acidente vascular encefálico – AVE ou doenças neuromusculares).
    • Imunossupressão associada a medicamentos, neoplasias, HIV/aids ou outros.
    • Obesidade (especialmente aqueles com índice de massa corporal – IMC ≥ 40 em adultos)
  • População indígena ou População privada de liberdade e moradores de rua.

Qual dose? 

  • Para Influenza sem complicações com duração de início dos sintomas < 48 horas: 75 mg 12/12 horas por 5 dias
  • Para Influenza em pacientes imunocomprometidos com complicações (ex: pneumonia), mesmo se duração de sintomas > 48 horas75 mg 12/12 horas por 10 dias (ou mais, a critério clínico).
OBS1: Fala-se em prolongar o período de tratamento por evidências que sugerem replicação prolongada viral em pacientes imunocomprometidos e com quadros graves. Portanto, em casos de Síndrome do Desconforto Respiratório Agudo Grave associado, podemos considerar a dose de 75 mg 12/12 horas por 10 dias.

OBS2: Para os pacientes que vomitam até uma hora após a ingestão do medicamento deve ser administrada uma dose adicional.

ATENÇÃO: A dose de 150 mg de 12/12 horas não é mais recomendada, conforme Sanford Guide (Lee et al, 2013) e recomendações das Guidelines de Influenza do CDC (Timothy et al, 2018).

Quimioprofilaxia

Quando indicar?

  • Pessoas com risco elevado de complicações (não vacinadas ou vacinadas < 15 dias), após exposição a caso suspeito ou confirmado de influenza;
  • Pessoas com graves deficiências imunológicas, após contato com caso suspeito ou confirmado;
  • Trabalhadores de saúde (não vacinados ou vacinados < 15 dias), e que estiveram envolvidos na realização de procedimentos invasivos geradores de aerossóis ou na manipulação de secreções de caso suspeito ou confirmado de influenza sem o uso adequado de EPI;
  • Residentes de alto risco em instituições fechadas e hospitais de longa permanência, durante surtos na instituição deverão receber quimioprofilaxia, se tiverem comorbidades;

OBS: Não é recomendada se o período após a última exposição a uma pessoa com infecção pelo vírus for maior que 48 horas.

Ajuste da dose para função renal 

Comprometimento RenalTratamento 5 diasProfilaxia 10 dias
Leve

Clearance > 60-90 mL/min

75 mg 12/12h75 mg 1x ao dia
Moderado

Clearance > 30-60 mL/min

30 mg 12/12h30 mg 1x ao dia
Grave

Clearance > 10-30 mL/min

30 mg 1x ao dia30 mg em dias alternados
Pacientes em hemodiálise

Clearance ≤ 10 mL/min

30 mg após cada sessão de hemodiálise*30 mg após cada sessão alternada de hemodiálise
Pacientes em diálise Peritoneal Contínua ambulatorial – dPCa

Clearance ≤ 10 mL/min

Única dose de 30 mg administrada imediatamente após troca da diálise30 mg 1 vez por semana imediatamente após troca da diálise**

 

Fonte: CDC adaptado (2011, 2017)

* Sendo apenas três doses (em vez de cinco) após cada sessão de hemodiálise, considerando-se que num período de cinco dias serão realizadas três sessões

** Serão duas doses de 30 mg cada, considerando-se os dez dias, onde ocorrerão apenas duas sessões de diálise

Considerações adicionais — Terapia Adjuvante: 

  • Macrolídeos: existe evidência, de um único estudo randomizado, de maior redução de citocinas pró-inflamatórias quando do uso associado da Azitromicina e Oseltamivir (Lee et al. 2017). No entanto, ainda não é possível estabelecer recomendações para tal associação rotineira.
  • Corticoides: no momento, dada a sugestão de dano, não devem ser usados (a menos que exista uma outra indicação clara para seu uso);
  • Antibioticoterapia para Pneumonia Comunitária: se evolução desfavorável em 3 a 5 dias do tratamento com Oseltamivir, considerar coinfecção bacteriana e início de antibioticoterapia.


Autor: Filipe Amado
Fonte: pebmed
Sítio Online da Publicação: pebmed
Data: 17/01/2022
Publicação Original: https://pebmed.com.br/oseltamivir-o-que-voce-precisa-saber-para-a-pratica-clinica/

sábado, 15 de janeiro de 2022

Erupção de vulcão em Tonga provoca tsunami no sul do Pacífico; EUA alertam para maremoto na Costa Oeste

A erupção de um vulcão submarino no arquipélago de Tonga neste sábado (15) provocou tsunami no sul do Pacífico.

Uma base dos Estados Unidos na Samoa Americana confirmou o alerta de tsunami e disse que já há grandes ondas avançando sobre a região.

Autoridades americanas informaram que há risco também de que um tsunami se forme na Costa Oeste dos EUA, no litoral dos estados de Washington e Oregon.

A erupção do vulcão submarino Hunga Tonga-Hunga Ha'apai foi registrada durante a madrugada. Ele fica localizado a de 65 km ao norte da capital de Tonga, Nuku'alofa.

Segundo a agência de notícias Associated Press, não há, inicialmente, relatos de feridos ou da extensão dos danos, mas as comunicações com a pequena nação foram cortadas.




Imagem de satélite mostra erupção submarina em Tonga em 15 de janeiro de 2022 — Foto: Cortesia/Serviço Meteorológico de Tonga

Imagens que circulam nas redes sociais mostram o maremoto avançando sobre casas em algumas ilhas da área.

Segundo o Escritório de Meteorologia da Austrália, a movimentação causou um tsunami de 1,2 metro, mas que não há risco do maremoto se aproximar do país continental.

Ondas de 83 centímetros foram registradas na capital tonganesa, segundo o Centro de Alerta de Tsunami do Pacífico.


Mapa identifica área de erupção de vulcão em Tonga — Foto: Mundo/g1

O arquipélago de Tonga fica em uma zona de grande atividade sísmica, o denominado "Círculo de Fogo do Pacífico", devido ao encontro de placas tectônicas.



Mapa identifica a região do Círculo de Fogo do Pacífico — Foto: Ciência/G1




Autor: Ciência/G1
Fonte: Ciência/G1
Sítio Online da Publicação: Ciência/G1
Data: 15/01/2022
Publicação Original: https://g1.globo.com/mundo/noticia/2022/01/15/erupcao-de-vulcao-submarino-em-tonga-provoca-tsunami-no-sul-do-pacifico.ghtml