sábado, 1 de agosto de 2026

SBPC Gênero discute alternativas para reduzir desigualdades



A presidente da SBPC, Francilene Procópio, abriu uma das conferências, dentro do eixo temático Gênero, Diversidade e Equidade, que contou com as presenças de duas ministras, do governo e do STF (Foto: Jardel Rodrigues/SBPC)




Pelo segundo ano, a Reunião Anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC) contou com o eixo temático Gênero, Diversidade e Equidade para discutir a relação dessas e outras questões com a Ciência. Um espaço onde temas como violência de gênero, desafios da população LGBTQIAPN+, populações sub-representadas, transversalidades e interseccionalidades na Ciência e Tecnologia (C&T) foram discutidos por especialistas do setor acadêmico e da sociedade organizada em conferências, rodas de conversa e mesas-redondas. Na segunda-feira, 27 de julho, a primeira conferência no auditório Estação Cantareira reuniu a ministra das Mulheres, Márcia Lopes, e a ministra do Supremo Tribunal Federal (STF), Carmen Lúcia. Em seguida, houve manifestação pelos direitos das mulheres na área externa do Distrito de Inovação.

“Essa conferência integra uma rica trilha sobre a questão de gênero, mostra as iniciativas que já estão acontecendo em cada território desse País para o enfrentamento e o combate à violência de gênero, em seus diferentes aspectos e dimensões, e discute como a ciência pode fundamentar boas políticas públicas para sanar esse problema”, resumiu a presidente da SBPC, Francilene Procópio Garcia, na abertura da conferência, no auditório Estação Cantareira. "Enfrentamento às Violências de Gênero e os Desafios Cotidianos" foi o tema da primeira mesa no auditório Estação Cantareira na manhã de segunda-feira, quando Francilene também destacou como resultado de ações nesse sentido, o exemplo da cidade de Niterói, que sedia o encontro anual e, há um ano, não registra nenhum caso de feminicídio.

“Sem igualdade de gênero, raça e etnia não há desenvolvimento – O papel das mulheres na construção do Brasil do conhecimento" foi o tema da ministra das Mulheres, Márcia Lopes. Com formação em Assistência Social, a ministra afirmou que não tem dúvida de que este debate de gênero e diversidade toca as raízes históricas do País. Ela lembrou que as mulheres já representam 57% das pessoas tituladas na pós-graduação, mas ainda são minoria nos espaços de maior prestígio e decisão da ciência. São apenas 23% do corpo docente das Engenharias e 24% nas Ciências Exatas e da Terra. Para ela, o desafio não é de capacidade, mas de oportunidade; de romper desigualdades estruturais limitam as oportunidades das mulheres. A ministra das Mulheres destacou que apesar da existência de uma Lei de paridade salarial, as mulheres ainda recebem salário 21% menor que os homens, exercendo a mesma função.

“Combater o feminicídio não é apenas uma política de segurança pública ou de direitos humanos; é uma condição para que meninas e mulheres possam estudar, produzir conhecimento, inovar e contribuir plenamente para o desenvolvimento nacional”, disse a ministra. Segundo Márcia Lopes, certa vez um ministro lhe perguntou qual o índice de violência contra a mulher no Brasil e ela respondeu 100%. Isso porque está certa de que em algum momento da vida toda mulher já se sentiu ultrajada, discriminada, julgada, rotulada, ofendida, humilhada, ou tenha enfrentado qualquer das violências previstas na Lei Maria da Penha (física, psicológica, sexual, patrimonial ou moral e, mais recentemente, a digital).

Márcia Lopes: para a ministra das Mulheres, não se trata de minimizar ou reduzir, mas sim erradicar a violência contra a mulher (Foto: Paula Guatimosim)


Como pontos positivos, a ministra destacou o aumento de 11% das mulheres, em geral, e de 30% de mulheres negras no mercado de trabalho, ainda que seus cargos não sejam os de liderança e direção. Destacou a criação do Pacto Brasil de Enfrentamento ao Feminicídio, que envolve todos os poderes da república; a criação da Casa da Mulher Brasileira; o programa Asas para o Futuro - criado para inserir jovens mulheres em áreas estratégicas como ciência, tecnologia, engenharia, matemática e transição energética; o programa Maria da Penha vai à escola, com finalidade de preparar as futuras gerações; os Núcleos de Acolhimento e as Cuidotecas – espaço seguro, gratuito e acessível de acolhida e cuidado para crianças, enquanto mães, pais e/ou responsáveis familiares estudam, trabalham e se qualificam, preferencialmente em período noturno –, que integram a Política Nacional de Cuidado. Márcia Lopes ressaltou ainda que de 2023 até hoje, 79 leis foram votadas para garantir os direitos das mulheres, e que, até o final do ano, será lançado o Plano Nacional de Políticas para as Mulheres, que dialoga com todos os ministérios. “Não se trata de minimizar ou reduzir, mas sim erradicar a violência contra a mulher”, afirmou a ministra, acrescentando que o Ministério das Mulheres também fez acordo com o MEC para que o tema seja incluído nas universidades brasileiras.

Cármen Lúcia: para a ministra do STF, a conquista de direitos permanentes só será mais rápida se fizermos a urgência (Foto: Jardel Rodrigues/SBPC)


Em seguida, bastante aplaudida, subiu ao palco a ministra do Supremo Tribunal Federal (STF), Carmen Lúcia, que acaba de lançar seu livro Pela Mão do Povo (Editora Bazar do Tempo), sobre a história do voto e a importância da democracia. A ministra do STF usou o termo “igualação” de gênero no lugar de igualdade de gênero, pois, segundo ela, este é um processo ainda em curso e não consolidado para se alcançar a concretização do direito constitucional, do direito fundamental à igualdade. Para a ministra do STF, trazer este debate para a reunião da SBPC reafirma o desejo de estarmos juntas e juntos, sem a exclusão dos homens, “que nos colocaram - como nas histórias infantis - nos borralhos”. Carmen Lúcia repetiu a palavra de ordem “lugar de mulher é onde ela quiser”, acrescentando “inclusive nos borralhos, desde que esse lugar possa ser repartido pelos homens também”. Segundo a ministra do STF, no momento em que a SBPC tem uma diretoria composta majoritariamente por mulheres, cedeu, com generosidade e respeito, cota para dois homens. Poderia ceder até mais, desde que eles garantissem que, no espaço político e público, as mulheres também tenham igualdade.

“Eu queria lembrar que direito se conquista e temos de dar a conhecer em todos os espaços. Não se reivindica direito que não se conhece e é por isso que os direitos fundamentais no Brasil sempre foram restritivos a determinados locais”, disse Cármen Lúcia. Ela recordou que até os séculos XVII e XVIII as bibliotecas eram proibidas para as mulheres, como uma forma de restringir seu acesso à informação e ao conhecimento. “Quem não tem ciência dos direitos não reivindica os direitos que não sabe que tem”, ressaltou. Cármen Lúcia lembrou que, ao longo de 132 anos, o STF foi composto por 171 ministros, dos quais apenas três mulheres. Ela lembrou que, até a década de 1950, as mulheres eram proibidas de frequentar universidades e, até 1932, não podiam votar. “A conquista de direitos permanentes só será mais rápida se fizermos a urgência”, disse a Ministra. Para ela, é preciso mais mulheres no STF; “competentes, de notório saber, reputação ilibada, independência, vontade de trabalhar, assim como homens que também tenham as características que a Constituição exige”. A Ministra destacou que o princípio mais repetido na Constituição Brasileira é o da “igualdade”, no entanto, quase 40 anos depois de ter entrado em vigor, o País ainda tem um Congresso Nacional composto de uma minoria de mulheres. Por isso, o livro Pela mão do povo, para lembrar que é pelo voto que garantimos a democracia e mudamos as coisas.

Após a Conferência, a presidente da SBPC convidou palestrantes e a plateia a participarem do Ato Público contra o Feminicídio, na área externa do Distrito de Inovação, em defesa da vida das mulheres e do fortalecimento de políticas públicas de prevenção e enfrentamento à violência de gênero. A manifestação, aberta pela presidente da Comissão Permanente de Equidade, Diversidade e Inclusão da FAPERJ, Letícia Oliveira, contou com a presença do prefeito de Niterói, Rodrigo Neves; da primeira-dama, Fernanda Neves; da ministra das Mulheres, Márcia Lopes; da secretária municipal da Mulher de Niterói, Thaiana Ívia; da presidente da Academia Brasileira de Ciências (ABC), Helena Nader; da deputada estadual Dani Balbi; da deputada federal Jandira Feghali; da pesquisadora da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ) Joyce Alves, entre outros. Os organizadores optaram por não usar microfone e os discursos e palavras de ordem eram repetidos em voz alta pelos participantes, como no “viva” final às mulheres.

Eixo temático SBPC Gênero, Diversidade e Equidade

Para discutir as relações da Ciência com questões como igualdade, inclusão, formulação de políticas públicas e participação das mulheres em carreiras científicas, a Reunião Anual da SBPC contou, pelo segundo ano, com o eixo temático SBPC Gênero, Diversidade e Equidade. Um espaço onde temas como violência de gênero, desafios da população LGBTQIAPN+, populações sub-representadas, transversalidades e interseccionalidades na Ciência e Tecnologia (C&T) foram discutidos por especialistas do setor acadêmico e da sociedade organizada em conferências, rodas de conversa e mesas-redondas. A FAPERJ esteve presente na programação por meio de sua presidente, Caroline Alves, e da coordenadora do eixo na SBPC, Leticia de Oliveira, presidente da Comissão Permanente de Equidade, Diversidade e Inclusão da FAPERJ e neurocientista da Universidade Federal Fluminense (UFF).

Na terça-feira, 28 de julho, uma das mesas-redondas da programação da SBPC Gênero, Diversidade e Equidade , “Reescrevendo o Futuro da Ciência: editais de fomento que rompem desigualdades”, contou com as presenças de Caroline Alves; da presidente da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), Denise Pires de Carvalho; da presidente da Fundação de Amparo à Ciência e Tecnologia do Estado de Pernambuco (Facepe), Fernanda Pimentel; e do gestor de Portfólio da Diretoria de Ciências do Instituto Serrapilheira, Michel Chagas. O encontro, realizado na terça-feira, 28 de julho, foi mediado pela professora Leticia de Oliveira.

A presidente da FAPERJ destacou a importância da disponibilidade de dados, que ajudem a entender cenários e demandas e, assim, orientar a formulação de ações voltadas à redução das desigualdades na área de C&T. “De onde vamos tirar as informações e as necessidades? Já existia, na Fundação, uma Comissão de Equidade que faz um trabalho muito sério, pensando, discutindo e brigando pelas ações afirmativas, que são extremamente importantes para que seja possível, cada vez mais, fortalecer esse elo dentro da academia. Criamos um portfólio e ainda estamos alimentando as informações. E são exatamente essas informações que fazem com que a agência possa mostrar os dados relevantes”, explicou Caroline Alves.

Os demais participantes da mesa destacaram outros aspectos importantes para a formulação de políticas públicas e a criação de editais que reduzam desigualdades na área científica. Denise Pires, da Capes, apresentou um conjunto de dados mostrando, entre outros aspectos, que, desde 2005, o número de mulheres com doutorado superou o número de homens. Mas, apesar disso, ainda hoje os homens são a maioria no corpo docente dos programas de pós-graduação stricto sensu no Brasil. Fernanda Pimentel, da FACEPE, apresentou ações realizadas pela agência pernambucana na área de equidade, diversidade e inclusão. Já Michel Chagas falou um pouco das iniciativas do Instituto Serrapilheira, como a concessão de recursos adicionais aos projetos que contratem pessoas de grupos sub-representados na sociedade.

Caroline Alves: a presidente da FAPERJ destacou a importância da disponibilidade de dados que ajudem a entender cenários e demandas (Foto: Guilherme Madureira)


De acordo com a coordenadora do eixo Gênero, Diversidade e Equidade da SBPC, as questões debatidas na mesa-redonda reforçaram a proposta da SBPC nessa área. “O objetivo do eixo temático foi fomentar o conhecimento crítico que lute ativamente contra o machismo, o racismo, o patriarcado e ajude a consolidar políticas públicas mais justas na educação e na tecnologia. Precisamos olhar para a ciência cruzando diferentes marcadores sociais para garantir que as produções acadêmicas reflitam a diversidade e rompam com as desigualdades históricas na produção científica”, justificou Leticia de Oliveira.

Protagonismo de mulheres negras, igualdade de gênero, raça e equidade

A mesa-redonda sobre “Gênero, Diversidade, Equidade Interseccionalidades nas Ciências” reuniu, no auditório do Instituto de Biologia, na quarta-feira à tarde, quatro mulheres negras que ocupam cargos de chefia em instituições de ensino e pesquisa. A professora emérita do CNPq e da Universidade Federal do Amazonas (UFAM), Marilene Corrêa, coordenadora da mesa - proposta pela Fiocruz - destacou a importância do tema, foco e um dos Grupos Temáticos atuais da SBPC, coordenado por Letícia Oliveira, presidente da Comissão Permanente de Equidade, Diversidade e Inclusão da FAPERJ.

A vice-presidente de Educação, Informação e Comunicação da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), Marly Cruz, ressaltou o fato de ser uma pessoa negra ocupando uma das vice-presidências de uma das instituições mais tradicionais do País, com 126 anos. Ela destacou a dificuldade de a instituição promover igualdade de gênero, equidade, inovação e interseccionalidades - a combinação desses fatores agregados - nas 22 unidades pulverizadas pelo País (das quais 11 no estado do Rio de Janeiro). A vice-presidente da Fiocruz lembrou que um dos princípios centrais dos Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (ODS) propostos pela ONU é o de “Não deixar ninguém para trás", ou seja, promover a inclusão social, o combate à pobreza extrema e a redução das desigualdades. Mas, segundo ela, os problemas e as desigualdades são estruturais, como as de gênero, o racismo estrutural e a violência contra as mulheres, entre outros. Em sua opinião, para mudar é preciso adotar um posicionamento, uma nova postura diante dessas distorções, como por exemplo, utilizar mais referências e citações de autores negros. “Ainda enfrentamos muitas lacunas e barreiras para estabelecer um diálogo mais direto com a sociedade e o estabelecimento de políticas públicas é um dos desafios para enfrentar esse tema”, alegou. Marly elencou várias ações para a promoção da equidade de gênero e étnico-racial adotadas pela Fiocruz, como a criação da Comissão de Equidade, Diversidade, Inclusão e Ações Afirmativas; do Comitê Pró-Equidade de Gênero e Raça (que recebeu selo da Unesco), da Comissão de Acompanhamento de Ações Afirmativas, os programas de popularização da ciência para meninas e mulheres, além de campanhas internas, entre elas as que aumentem a visibilidade de alguns grupos, como a população LGBTQIA+. “É preciso ousar para produzirmos deslocamentos epistemológicos a partir do Sul”, afirmou. Dentre os desafios, Marly listou a diversidade dos territórios, as tensões entre o discurso e a prática e as barreiras na consolidação das políticas antirracistas.

Da esq. para a dir., Letícia Oliveira, Marly Cruz, Marilene Corrêa, Adriana Marmori e Rosy Isaías debateram “Gênero, Diversidade, Equidade Interseccionalidades nas Ciências” (Foto: Paula Guatimosim)


Quarta mulher e a primeira negra a ocupar o cargo de diretora do Instituto de Ciências Biológicas da Universidade Federal de Minas Gerais (ICB/UFMG), Rosy Isaías é uma voz ativa na luta contra o racismo e pela valorização do papel das mulheres na ciência. Primeira pesquisadora negra a receber uma bolsa de produtividade de nível 1A no CNPq, o mais alto do programa, possui mais de 200 trabalhos publicados e 5 mil citações registradas na plataforma ResearchGate em sua trajetória acadêmica, distribuídas por todos os continentes, segundo dados do Web of Science. “A ciência me levou a muitos lugares que eu nem imaginava conhecer”, disse a bióloga, que recentemente participou do 9º IPGS (International Postgraduate Symposium) realizado na Romênia, no qual, ela destaca, havia apenas dois pesquisadores negros, sendo ela um deles. Nilopolitana, a doutora em Botânica mora em Belo Horizonte há 31 anos, e, na UFMG, se dedica ao estudo das galhas, uma estrutura anormal (como tumores) que se desenvolve na planta, provocada por insetos que escolhem viver parte de sua vida ali. Dedicada ao canto coral e crochê, Rosy acredita que foi selecionada pela comissão da SBPC para palestrar por ser a única mulher autodeclarada negra a obter uma bolsa de pesquisa nível 1A do CNPq. “Isso significa muita pesquisa e romper várias barreiras”, alega. Como caminhos para romper as barreiras discriminatórias, Rosy atua na organização sem fins lucrativos Black Women in Ecology, Evolution, and Marine Science (BWEEMS), com mais de 600 membros em 26 países, dedicada a aumentar a representatividade e a influência de mulheres negras nas áreas de STEM (Science, Technology, Engineering and Mathematics); na Brazilian Network of Women in Plant Sciences (Rede Brasileira de Mulheres em Ciências das Plantas), vinculada à Sociedade Brasileira de Fisiologia Vegetal e focada em equidade de gênero e na união de cientistas; e na Sociedade Botânica do Brasil etc. Rosy destacou a lentidão com que ocorrem mudanças na UFMG, que foi uma das últimas das 36 universidades que aprovaram cotas para transexuais.

Ato público contra o feminicídio reuniu gestores, lideranças e participantes, que repetiam em voz alta discursos e palavras de ordem (Foto: Jardel Rodrigues/SBPC)


Reitora da Universidade do Estado da Bahia (UNEB), a pedagoga Adriana Marmori lembrou que a universidade foi a primeira a implantar o sistema de cotas no Brasil, há 25 anos e por iniciativa própria. A UNEB tem 27 campi e 23 mil alunos de graduação de diversos marcadores sociais, entre negros, quilombolas, deficientes, indígenas, ribeirinhos. Mesmo considerando as dificuldades para as mulheres ocuparem espaços importantes no Brasil, a doutora em Difusão do Conhecimento considera que a situação está mudando, mas é preciso avançar mais. Ela é uma das cinco mulheres que ocupam o cargo de reitoras nas universidades (federais e estaduais) do Estado da Bahia, das quais quatro são negras. Adriana ressaltou a participação das mulheres no universo da UNEB: 66% do total dos estudantes; 56% dos servidores; 64% das gestoras; 58% dos alunos de Iniciação Científica; 52% dos autores de livros e 50% dos Grupos de Pesquisa. A pedagoga Adriana apresentou o relatório “Retratos do Feminicídio no Brasil”, levantamento feito pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública nos últimos cinco anos, mostrando que 62% das mulheres mortas eram negras; mais de 59% foram assassinadas por seus próprios companheiros e 66% dentro de suas residências, e em geral na frente dos filhos. As mulheres representam 30% dos pesquisadores no País, das quais apenas 3% são negras e muitas delas invisíveis, como Valerie Thomas, que criou a tecnologia de imagens 3D; e Patricia Bath, que desenvolveu a tecnologia a laser para a cirurgia de cataratas, entre outras.



“Estar gestora não é tarefa fácil. Precisamos observar os dados reais daquilo que tange as mulheres, assola os indígenas, os quilombolas, todos com marcadores sociais que, durante anos, ficaram à margem do processo de ascensão à universidade”, afirmou Adriana. Segundo ela, é necessário fazer ciência identitária, que parta de demandas sociais, que reverbere em ações concretas, provoque intervenções e mudanças, e que sirva de base para outras formulações. “Precisamos pensar uma militância política dessa causa, tendo como protagonismo o enfrentamento e a resistência, e reconhecer que o mundo é pluriversal, dinâmico e complexo”, concluiu.



Autor: faperj
Fonte: faperj
Sítio Online da Publicação: faperj
Data: 31/07/2026
Publicação Original: https://www.faperj.br/?id=1077.7.3

FAPERJ promove série de palestras em seu estande na ExpoT&C


A FAPERJ promoveu uma série de palestras em seu estande na tenda ExpoT&C, um dos espaços mais visitados da SBPC. Pesquisadores foram convidados a apresentar projetos, apoiados pela Fundação, sobre diferentes temas (Foto: Flávia Machado/FAPERJ)


Apresentações sobre temas como diferentes aplicações da nanotecnologia, produção de alimentos alternativos, poluição por microplásticos e novos tratamentos de saúde. Esses foram alguns dos assuntos abordados na sessão de palestras promovida pela FAPERJ em seu estande na tenda ExpoT&C, um dos espaços mais visitados da 78ª Reunião Anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), que permanece aberto até este sábado, 1º de agosto, no campus Gragoatá da Universidade Federal Fluminense (UFF). Tradicional ambiente de divulgação científica, a ExpoT&C reuniu estandes de agências de fomento, das instituições vinculadas ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), de centros de pesquisa e de universidades de todo o Brasil. Foram realizadas cerca de 30 apresentações ao longo da semana.

Na segunda-feira, dia 27 de julho, o pesquisador Carlos Adam Conte Junior, do Departamento de Bioquímica do Instituto de Química da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e Cientista do Nosso Estado (CNE) da FAPERJ, deu início às palestras no estande da Fundação. Conte Jr., que integra a Rede de Pesquisa em Nanotecnologia, falou sobre o uso da nanotecnologia na ciência de alimentos. O objetivo dos estudos, realizados em parcerias nacionais e internacionais, é aumentar a vida útil (validade comercial) dos alimentos a partir de compostos naturais. Segundo ele, a equipe multidisciplinar atua nas áreas de biotecnologia e microbiologia; química e alimentos funcionais e tecnologia de alimentos. Uma das linhas de pesquisa estuda compostos ativos e óleos essenciais para estabilizar e reduzir a carga bacteriana em alimentos. Outra frente estuda o uso da nanotecnologia em embalagens ativas (biomateriais), ou seja, capazes de aumentar a vida útil dos alimentos acondicionados.

O pesquisador explicou que seu grupo de pesquisa busca, agora, a extração de compostos bioativos dos óleos essenciais e a avaliação da toxicidade das nanopartículas. Conte Jr. deu o exemplo de uma embalagem desenvolvida a partir de um resíduo obtido do coco babaçu (mesocarpo), que resultou em um filme ativo, cuja patente já foi depositada. Outra frente avalia a polpa de açaí e a quintosana como antioxidantes capazes de detectarem o PH do alimento embalado a partir de um “semáforo”, ou seja, uma escala de cores que identificam do PH mais ácido ao mais alcalino. A gelatina extraída do colágeno do peixe tambaqui também se mostrou promissora para a produção de membranas e biofilmes flexíveis, transparentes e resistentes.

Na sequência, o pesquisador Jemil Andrade falou sobre sua pesquisa com “assinaturas espectrais e quimiometria na garantia da integridade alimentar” para minimizar as pressões e os riscos ao longo da cadeia produtiva. Segundo ele, ao longo do processo, que envolve desde a produção, processamento, distribuição e consumo, muitas varáveis podem aumentar os riscos de contaminação, de adulteração, a variabilidade natural e a rastreabilidade dos produtos. As pesquisas podem se valer de métodos avançados confirmatórios ou métodos rápidos. Ele explicou que cada alimento possui um padrão espectral característico, como se fosse uma impressão digital. “Quimiometria são métodos matemáticos para que a máquina possa resolver problemas”, resumiu o pesquisador. A tecnologia é utilizada, por exemplo, na autenticação de alimentos orgânicos, via utilização de um espectrômetro portátil (ou NIR portátil); e na rastreabilidade do mel de Ortigueira (PR), cuja florada predominante de capixingui lhe confere sabor único e lhe rendeu certificação de origem.

A nutricionista Luana Lopes, do Instituto de Biologia da Uerj, falou sobre disfunções no metabolismo infantil durante a sessão de palestras promovida pela FAPERJ em seu estande na ExpoT&C (Foto: Guilherme Madureira/FAPERJ)


Já o médico veterinário Pedro Panzenhagen desenvolve pesquisas nas áreas de higiene, inspeção sanitária e tecnologia de produtos de origem animal, além de tecnologia de alimentos, com ênfase no controle microbiológico. Ele apresentou um resumo de sua pesquisa “Microbiologia molecular genética e bioinformática de bactérias”. Duas vezes contemplado no programa de Pós-Doutorado Nota 10 da FAPERJ, atualmente é professor do Laboratório de Controle Microbiológico do Instituto de Química da UFRJ. Seus esforços se concentram no estudo de bactérias patogênicas, entre elas a Salmonella enterica (sorotipo Mbandaka no Brasil), patógeno emergente, com crescente relevância global e nacional, especialmente na cadeia de produção avícola.

A Salmonella enterica continua sendo um dos patógenos mais prevalentes mundialmente associados a doenças alimentares no mundo. A infecção é adquirida principalmente a partir da ingestão de produtos de origem animal contaminados. Salmonella Mbandaka tem demonstrado uma multirresistência a antibióticos e alta virulência, representando um risco iminente à saúde pública. De acordo com a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), a Salmonella Mbandaka está entre os sorotipos mais frequentemente detectados em carcaças de frango congeladas no País. Com mestrado e doutorado em Medicina Veterinária pela UFF, universidade parceira nas pesquisas, e doutorado em Ciência de Alimentos pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Pedro estuda a invasão, a replicação e sobrevivência à resposta imune, e realiza análises de genômica comparativa do quarto genoma de salmonela, avaliando suas resistências em diversas fontes de isolamento (humano, animal, alimentos e ambiente). Ele ressaltou a importância da sua equipe, que inclui três orientandas e uma pós-doutoranda Nota 10 da FAPERJ.

Na terça-feira, 28 de julho, o segundo dia de palestras foi aberto pela nutricionista e professora Patrícia Lisboa, uma das coordenadoras do Laboratório de Fisiologia Endócrina (LFE), da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj). Patrícia apresentou o tema “Como os disruptores endócrinos nos primeiros mil dias reduzem a expectativa de vida”. Em seguida, a professora Luana Lopes de Souza, do Instituto de Biologia da Uerj, proferiu a palestra “Dieta materna no período perinatal e disfunções endócrino-metabólicas na prole”. Na sequência, foi a vez da pesquisadora Simone Nunes, do Laboratório de Pesquisa em Células-Tronco (LPCT) da Uerj, falar sobre “Plataforma de Nanobiocurativos e Engenharia Tecidual Cutânea”.

Ainda na terça-feira, a Professora Maria Cristina Canela, Cientista do Nosso Estado (CNE) da FAPERJ e professora da Universidade Estadual do Norte Fluminense (Uenf) apresentou a palestra “Do visível ao invisível – A contaminação por plásticos e PFAs no Norte Fluminense”, sobre as atividades do Projeto ECOS. Concluindo o segundo dia de palestras, o professor do IME/Uerj Evandro Luiz Cardoso Macedo, coordenador de Relações Institucionais da Rede-Rio/FAPERJ, fez a palestra “Conectividade para o progresso da ciência”, uma apresentação institucional sobre a Rede-Rio.

Na quarta-feira, a programação contou com as palestras da diretora Científica da FAPERJ, Eliete Bouskela; do professor emérito da UFF, Vitor Ferreira; e do vice-coordenador da Rede Nano Saúde, Ralph Santos-Oliveira, do Instituto de Engenharia Nuclear (IEN), entre outras.

Gutemberg Alves, professor do Instituto de Biologia da UFF, fez um panorama das atividades da Rede Nano Saúde apoiada pela FAPERJ. Atualmente, a Rede reúne 54 pesquisadores de diferentes instituições (Foto: Flávia Machado/FAPERJ)


A professora Eliete Bouskela proferiu a palestra “Financiamento da pesquisa na área da Saúde”. Diretora Científica da FAPERJ, ela falou sobre uma série de assuntos, como mecanismos de financiamento, a necessidade de contratação de professores para as universidades, e a necessidade de novas fontes de investimento na área de pesquisa. “Ainda há uma grande carência de investimentos privados na área de pesquisa”, afirmou Eliete.

O professor Gutemberg Alves, do Instituto de Biologia da Universidade Federal Fluminense (UFF), deu uma panorâmica acerca da Rede Nano Saúde criada pela FAPERJ em 2019. Ele explicou que a nanoteconologia trabalha com produtos de 100 nanômetros, e, quando a escala de tamanho muda, a maneira de o produto interagir com o mundo também pode mudar, daí a necessidade de se testar a segurança dos produtos. Segundo Gutemberg Alves, a nanotecnologia, cujo mercado movimentou US$ 190 bilhões em 2023 e US$ 410 bilhões em 2020, é capaz de transformar propriedades em ferramentas. Ele explica que a rede criada pela FAPERJ agregou pesquisadores isolados, infraestruturas, recursos e consolidou a interdisciplinalidade.

Atualmente, a rede é composta de 34 laboratórios, quatro hospitais e 54 pesquisadores de nove diferentes instituições. As pesquisas resultaram em 629 artigos, 33 patentes e 16 startups associadas. Os trabalhos se desenvolvem a partir de temáticas de nanossistemas híbridos e biológicos, óxidos cerâmicos, polímeros, metais, óxidos magnéticos e grafeno. Nada menos que 40 tecnologias, 33 produtos e sete protocolos foram desenvolvidos, entre eles, nanofármacos para tratamento de tumores e doenças infecciosas e inflamatórias; marcadores para diagnósticos; soluções ambientais e bioengenharia, esta última especialmente para o desenvolvimento de enxertos ósseos. “Com o apoio da FAPERJ, o Rio de Janeiro deixa de ser consumidor para se tornar produtor de nanotecnologia e nanomedicina”, concluiu.




Autor: faperj
Fonte: faperj
Sítio Online da Publicação: faperj
Data: 31/07/2026
Publicação Original: https://www.faperj.br/?id=1079.7.4

78ª Reunião Anual da SBPC: Ciência, soberania, desenvolvimento e inclusão


Estande da FAPERJ na ExpoT&C: espaço foi ponto de encontro da comunidade científica e tecnológica durante a realização da 78ª Reunião Anual da SBPC, com apresentações e palestras de pesquisadores contemplados em editais e programas de fomento da Fundação (Foto: Flávia Machado)


Reafirmando o papel da ciência para a soberania nacional, o desenvolvimento econômico e a inclusão social, a 78ª Reunião Anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC) espera receber, até este sábado, dia 1º de agosto, a visita de cerca de 50 mil pessoas ao campus da Universidade Federal Fluminense (UFF), no Gragoatá, em Niterói. Considerada o maior encontro científico da América Latina, a Reunião teve sessão solene de abertura no domingo, 26 de julho, no auditório da antiga Estação Cantareira (Distrito de Inovação), e segue com uma intensa programação com mais de 220 atividades – entre conferências, mesas-redondas, sessões de pôsteres, atividades culturais e minicursos, destinadas a estudantes, professores, pesquisadores e profissionais. A FAPERJ participa da ExpoT&C com um estande próprio, onde os visitantes podem ter acesso a materiais didáticos e livros publicados por meio do edital Apoio à Editoração, e assistir a vídeos institucionais. Em paralelo à Reunião, foi realizada a 72ª edição do Fórum Nacional CONFAP, o Conselho Nacional que congrega as Fundações Estaduais de Amparo à Pesquisa (FAPs) do País, para discutir as diretrizes do fomento à pesquisa nos estados.

Na abertura, a ministra da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), Luciana Santos, destacou que a Reunião congrega todos aqueles que acreditam na importância do conhecimento como o maior recurso estratégico de uma nação. “As disputas globais hoje passam pelo domínio da ciência e das tecnologias. Precisamos superar nossa dependência tecnológica e ampliar nossa capacidade de inovar. Esse encontro é uma oportunidade para se pensar em temas como agricultura familiar, tecnologias assistidas, inteligência artificial aplicada aos serviços públicos, prevenção de desastres climáticos, preservação da Amazônia e dos nossos biomas. A ciência melhora a vida das pessoas e é um instrumento de liberdade”, refletiu a ministra, a primeira mulher a ocupar a pasta de Ciência, Tecnologia e Inovação no País.

O reitor da UFF, professor Antonio Claudio Lucas da Nóbrega, falou sobre a contribuição da própria instituição que dirige para a construção do perfil de uma universidade genuinamente brasileira, que associa a capacidade de produzir conhecimento de alto valor científico com inclusão social. Anfitrião do evento, Nóbrega destacou o aspecto da inclusão, um dos temas da reunião deste ano. “A inclusão não é um favor. Ela é um processo de enriquecimento da capacidade de produzir conhecimento e soluções. Ao incluir todos e todas, a população negra, o protagonismo das mulheres, os povos originários, enriquecemos a capacidade de olhar para a realidade. Acrescentamos histórias diferentes, perspectivas de vida diferentes e, com isso, enriquecemos a nossa capacidade de compreender os problemas e de propor soluções, não só para os problemas atuais como também para aqueles emergentes da nossa sociedade”, afirmou o reitor, que fez um agradecimento especial à presidente da FAPERJ, Caroline Alves, presente na sessão de abertura, pelo apoio que a Fundação deu à realização do encontro.

A presidente da SBPC, Francilene Procópio Garcia, ressaltou alguns dos propósitos da reunião anual, como o de aproximar a ciência da sociedade e a de ser um fórum para discussão de propostas para o setor. “É um espaço simbólico como este que a gente faz a ciência se encontrar com a cidade, com a vida das pessoas. Faz a ciência dialogar e ser construída com a participação de todas e todos”, afirmou Francilene, referindo-se ao novo distrito de inovação de Niterói, lembrando que a entidade preparou o documento “O Brasil que queremos”, um caderno com 127 propostas, divididas em sete eixos, para ser apresentado e discutido com os candidatos à Presidência da República em outubro. O documento trata de questões como ciência, soberania, desenvolvimento e inclusão social, temas em destaque na Reunião Anual deste ano.


Mesa de abertura da 78ª Reunião Anual da SBPC: a partir da esq., o secretário-executivo do MEC, Rodolfo Cabral; a ministra de CT&I, Luciana Santos; a presidente da SBPC, Francilene Procópio; o reitor da UFF, Antônio Claudio da Nóbrega; e o prefeito de Niterói, Rodrigo Neves (Foto: Jardel Rodrigues/SBPC)


Ao participar da cerimônia, o prefeito de Niterói, Rodrigo Neves, falou sobre as ações e resultados alcançados pela cidade nas áreas da Ciência e da Educação. “Niterói é uma cidade que acredita muito na ciência, na educação e na preservação do patrimônio histórico”, disse Neves, referindo-se à restauração da antiga estação Cantareira, que abrigou a sessão de abertura da Reunião Anual da SBPC, e passará a ser usada como um distrito de inovação. Citou, também, a recuperação da Ilha da Boa Viagem, e na restauração do Cinema Icaraí em parceria com a UFF. O prefeito concluiu, reforçando a importância de o País investir em pesquisa. “Não podemos ter retrocessos. O Brasil precisa avançar. É preciso investir cada vez mais na ciência, porque esse é o caminho para a construção de um Brasil soberano”.

Para esta edição, a SBPC elegeu como patrono o geógrafo Milton Santos, um dos grandes intelectuais brasileiros do século XX, autor da obra Por uma outra globalização. Durante a sessão de abertura, três cientistas de impacto foram homenageados: a engenheira agrônoma Mariangela Hungria, na categoria Ciências da Vida, professora da Universidade Estadual de Londrina (UEL), reconhecida por seus estudos sobre a fixação biológica do nitrogênio no solo; o químico Vitor Ferreira, que pesquisa na UFF novas moléculas para tratar doenças negligenciadas; e o antropólogo Otávio Velho, professor emérito da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e pesquisador do Museu Nacional. Durante a cerimônia de abertura da sessão, num diálogo entre ciência e arte, o violeiro Roberto Corrêa, que é pesquisador das tradições musicais brasileiras, presenteou o público com um show de viola caipira e viola de cocho, instrumento comum no Pantanal, confeccionado em tronco de madeira inteiriço.

Também estiveram presentes a presidente da Academia Brasileira de Ciências (ABC), Helena Nader; o secretário-executivo do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), Luis Manuel Rebelo Fernandes; a presidente da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), Denise Pires de Carvalho; o presidente da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), Luis Antônio Elias; o secretário-executivo do Ministério da Educação (MEC), Rodolfo Cabral; o presidente do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), Olival Freire Júnior; o secretário Rogério Mascarenhas, representando a ministra da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos, Esther Dweck; o presidente da Associação Nacional de Pós-Graduandos (ANPEG), Vinicius Soares; entre outras autoridades, gestores e pesquisadores de todo o Brasil.




Autor: faperj
Fonte: faperj
Sítio Online da Publicação: faperj
Data: 31/07/2026
Publicação Original: https://www.faperj.br/?id=1075.7.2

quinta-feira, 30 de julho de 2026

Seminário debate desafios para o fortalecimento do sistema de saúde

Financiamento, regionalização, governança, relação público-privada e fortalecimento do caráter público do Sistema Único de Saúde (SUS) estiveram entre os temas debatidos no seminário O SUS em perspectiva nacional e estadual, realizado na Fiocruz. A atividade reuniu pesquisadores, gestores e especialistas para discutir desafios estruturais do SUS sob a perspectiva da atuação dos Executivos federal e estaduais. O encontro integrou uma agenda de debates técnicos do Observatório do SUS voltada à análise de temas estratégicos para o sistema de saúde brasileiro.



Debate mostrou que um dos principais entraves para o SUS continua sendo a consolidação da regionalização (Foto: Informe Ensp)

O seminário representou um momento de síntese das discussões realizadas ao longo do primeiro semestre. A proposta foi reunir contribuições para o debate sobre os desafios atuais e futuros do SUS. O diretor da Escola Nacional de Saúde Pública (Ensp/Fiocruz), Marco Menezes, ressaltou o papel estratégico do SUS na sociedade brasileira.

Segundo os especialistas, pensar o futuro do SUS exige compreender os processos históricos, sociais e econômicos que condicionam o sistema de saúde, já que as políticas de saúde não podem ser analisadas isoladamente das demais políticas sociais e econômicas. Também foi chamada a atenção para o crescimento do setor privado na saúde suplementar.

O encontro apresentou uma análise crítica sobre o financiamento público destinado a instituições privadas e organizações sociais. Os pesquisadores afirmam que há contradições importantes na atual configuração do sistema, especialmente na destinação de recursos públicos ao setor privado.

O debate mostrou que um dos principais entraves para o SUS continua sendo a consolidação da regionalização. Para os pesquisadores, a organização regional é condição necessária para garantir a integralidade do cuidado e superar os limites da atuação isolada dos municípios. E fizeram um alerta: é necessário fortalecer a governança regional e rever a lógica de financiamento.

Grupos de trabalho

No período da tarde, a programação foi dedicada a grupos fechados de trabalho, voltados ao aprofundamento de temas estratégicos para o fortalecimento do SUS. A dinâmica incluiu apresentação inicial dos eixos temáticos e debate a partir de perguntas norteadoras sobre a situação atual do sistema, as proposições em discussão e as medidas necessárias para enfrentar desafios nos próximos anos.

Um dos grupos discutiu financiamento e relações público-privado, articulando o tema aos modelos jurídico-institucionais de gestão e à gestão do trabalho em saúde. Entre os elementos debatidos estiveram o padrão de gastos em saúde no Brasil, a participação do setor privado, as regras de financiamento público, a sobrecarga dos orçamentos municipais, a multiplicidade de vínculos de trabalho e os limites enfrentados pelos entes federativos na organização da força de trabalho em saúde.

Outro grupo abordou regionalização e redes, em diálogo com necessidades, emergências e desafios sanitários contemporâneos. As discussões envolveram temas como vazios assistenciais, desigualdades regionais, tempos de espera para acesso à atenção especializada, pactuações regionais, consórcios interfederativos, envelhecimento populacional, doenças crônicas, saúde mental, violências, acidentes de trânsito, eventos climáticos extremos e emergências sanitárias.

Subsídios técnicos para o debate sobre o SUS

Ao longo do seminário, os participantes destacaram que o fortalecimento do SUS depende do enfrentamento de desafios estruturais, como o financiamento público, a regionalização, a gestão do trabalho, a relação entre os setores público e privado e a articulação entre políticas sociais e econômicas.

As reflexões apresentadas na atividade integram a agenda de debates do Observatório do SUS sobre temas estratégicos para o sistema de saúde brasileiro. O conjunto das discussões busca contribuir para a qualificação do debate público sobre o SUS, reafirmando sua centralidade como política pública essencial para a garantia do direito à saúde no país.

Período eleitoral

Durante o período eleitoral (de 4 de julho até 25 de outubro), os conteúdos digitais publicados e disponibilizados pela Agência Fiocruz de Notícias (AFN) acompanham as orientações da Advocacia-Geral da União (AGU) e da Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República (Secom). O documento esclarece que é permitida a divulgação de "conteúdo meramente informativo ou de serviço ao cidadão". 




Autor: fiocruz
Fonte: fiocruz
Sítio Online da Publicação: fiocruz
Data: 29/07/2026
Publicação Original: https://fiocruz.br/noticia/2026/07/seminario-debate-desafios-para-o-fortalecimento-do-sistema-de-saude

Especialistas da Fiocruz discutem o desafio do controle da dengue em tempos de emergência climática



O efeito das mudanças climáticas na saúde já é uma realidade e, com isso, é necessário que pesquisadores e profissionais da área se preparem para enfrentar novos desafios. As arboviroses, por exemplo, são enfermidades diretamente impactadas pelas chuvas e calor, que aumentam a sua incidência. Para debater a questão, a Fiocruz sediou um Encontros do Conhecimento, no qual especialistas discutiram o tema Dengue: da epidemiologia à segurança das vacinas.

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), 5,6 bilhões de pessoas vivem em áreas de risco para a dengue, que é considerada uma doença modelo quando se fala em aquecimento global, justamente pela sua epidemiologia. De acordo com os pesquisadores, há uma expansão acelerada da dengue no mundo, tanto em termos de extensão geográfica quanto de altitude, como no caso do Nepal, que nunca havia registrado casos e atualmente tem surtos frequentes.

O debate, no Instituto de Tecnologia em Imunobiológicos (Bio-Manguinhos/Fiocruz), mostrou que no Brasil a enfermidade também mudou muito seu padrão epidemiológico. Hoje há dengue em todos os lugares do país, já que o vetor, o mosquito Aedes aegypti, se adaptou ao ambiente urbano. Nos estados do Sul há uma letalidade bastante alta e o sistema de saúde não estava preparado para enfrentar um número grande de casos.

Para este ano, com a perspectiva de um forte El Niño a partir de setembro, espera-se que a região das Américas tenha uma incidência alta de dengue. Na Ásia, onde o fenômeno climático já afeta o clima, observa-se mudança na epidemiologia da doença. Como as lacunas no enfrentamento da dengue ainda são muitas – poucas opções de vacina, falta de um tratamento direcionado, dificuldade no diagnóstico pelos sintomas inespecíficos e o desafio do controle do vetor –, os especialistas sugerem que uma vigilância inteligente seria uma saída. A ideia seria utilizar sistemas complementares de maneira integrada, o que resultaria em dados suficientes para antecipar com precisão futuros casos.

O básico que funciona: controle do vetor

Também se discutiu a dificuldade para o desenvolvimento de um imunizante para a doença. De acordo com os pesquisadores, o problema central seria produzir uma vacina tetravalente, que seja eficaz contra os quatro sorotipos do vírus, e balanceada, ou seja, que promova resposta imunológica duradoura também para os quatro sorotipos.

A lição é que o controle do vetor é fundamental para evitar surtos e epidemias de dengue, por meio da eliminação de criadouros do mosquito em áreas públicas e, em residências, com a ajuda da população. O Ministério da Saúde emitiu Nota Técnica para alertar os estados e municípios para a possibilidade de aumento de arboviroses devido ao El Niño e um dos pontos do comunicado é o reforço nas ações de mobilização da sociedade em prol da eliminação do mosquito.

Período eleitoral

Durante o período eleitoral (de 4 de julho até 25 de outubro), os conteúdos digitais publicados e disponibilizados pela Agência Fiocruz de Notícias (AFN) acompanham as orientações da Advocacia-Geral da União (AGU) e da Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República (Secom). O documento esclarece que é permitida a divulgação de "conteúdo meramente informativo ou de serviço ao cidadão".




Autor: fiocruz
Fonte: fiocruz
Sítio Online da Publicação: fiocruz
Data: 24/07/2026

Julho Amarelo: Fiocruz alerta para a prevenção de hepatites virais

O mês de julho é lembrado em todo o país pela luta contra as hepatites virais. A infecção integra a lista de doenças negligenciadas da Organização Mundial da Saúde (OMS) e a data foi instituída no Brasil pela Lei nº 13.802/2019, com base na agenda global dedicada ao tema pela OMS. Entre os desafios enfrentados está a meta de transformar radicalmente o cenário de propagação das hepatites em todo o território nacional até 2030, uma vez que o Brasil é uma das 38 nações para uma resposta focal às hepatites virais, segundo Relatório Global da OMS sobre Hepatite (2024).



Castelo da Fiocruz iluminado de amarelo pela conscientização sobre as hepatites virais (Foto: Peter Ilicciev)

Neste cenário desafiador, iniciativas de destaque no combate e controle das hepatites virais vêm de Rondônia. A integração entre assistência, vigilância laboratorial e pesquisa científica tem sido fundamental para ampliar o acesso ao diagnóstico e fortalecer estratégias de enfrentamento, especialmente das hepatites B, C e Delta, muito comuns na região. Uma parceria entre a Fiocruz e o Centro de Pesquisa em Medicina Tropical tem permitido o diagnóstico e o tratamento de pacientes provenientes de diferentes regiões da Amazônia.

Ao longo de três décadas, 8.385 pacientes foram acompanhados pelo Ambulatório do Centro de Pesquisa em Medicina Tropical, que é referência no tratamento das hepatites virais crônicas na Região Norte. Desse total, 5.098 pacientes foram diagnosticados com hepatite B; 2.512 com hepatite C; 339 com hepatite Delta; e 59 com hepatite A. Outras etiologias somaram 337 pessoas infectadas no período.

Os dados demonstram a elevada incidência das hepatites virais crônicas em Rondônia, com atenção para as hepatites B e C, além da presença significativa da hepatite Delta, doença de relevância epidemiológica na Amazônia com necessidade de diagnóstico especializado, estratégias específicas de vigilância e acompanhamento contínuo dos pacientes, muitas vezes com acesso aos serviços de saúde precário ou inviabilizado por barreiras logísticas, como é o caso de populações ribeirinhas e indígenas.

A distribuição dos casos se mostrou variada entre as cinco regiões do país. Enquanto o Nordeste apresentou a maior proporção das infecções pelo vírus A (29,2%), o Sudeste manteve as maiores taxas dos vírus B e C, com 34,0% e 57,7%, respectivamente, seguindo-se da região Sul, com 30,9% e 27,0%. O Norte acumulou, no período, 72,4% do total de casos de hepatite D (ou Delta).

Diagnóstico molecular da hepatite Delta

Como resultado de experiências técnico-científicas, o Laboratório de Virologia Molecular da Fiocruz Rondônia é referência para o diagnóstico molecular e quantificação da carga viral do vírus da hepatite Delta (HDV), em parceira com o Departamento de HIV/Aids, Tuberculose, Hepatites Virais e Infecções Sexualmente Transmissíveis do Ministério da Saúde. A parceria tem papel fundamental na implementação das estratégias nacionais para a ampliação do acesso ao diagnóstico molecular da doença.

Atualmente, o laboratório fornece suporte técnico a instituições parceiras, participa da implantação e padronização de protocolos laboratoriais e atua na capacitação de profissionais envolvidos no diagnóstico molecular das hepatites virais. A atuação integrada entre assistência, vigilância e pesquisa fortalece o Sistema Único de Saúde (SUS) e permite que cada vez mais pessoas de áreas remotas e com quadros históricos de desigualdade tenham acesso a diagnósticos mais precisos, permitindo um melhor acompanhamento médico. Isso contribui para a geração de conhecimento científico aplicado às necessidades da população brasileira.

Período eleitoral

Durante o período eleitoral (de 4 de julho até 25 de outubro), os conteúdos digitais publicados e disponibilizados pela Agência Fiocruz de Notícias (AFN) acompanham as orientações da Advocacia-Geral da União (AGU) e da Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República (Secom). O documento esclarece que é permitida a divulgação de "conteúdo meramente informativo ou de serviço ao cidadão".






Autor: fiocruz
Fonte: fiocruz
Sítio Online da Publicação: fiocruz
Data: 29/07/2026
Publicação Original: https://fiocruz.br/noticia/2026/07/julho-amarelo-fiocruz-alerta-para-prevencao-de-hepatites-virais

terça-feira, 28 de julho de 2026

FAPERJ divulga resultado final da edição 2026 do Programa de Apoio à Editoração


A Fundação Carlos Chagas Filho de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro (FAPERJ) divulgou, nesta quinta-feira, dia 16 de julho, o resultado final do Edital FAPERJ Nº 03/2026 – Programa de Apoio à Editoração. A iniciativa reafirma o compromisso da Fundação com o fortalecimento da produção científica, acadêmica, técnica, educativa e cultural do estado, ao incentivar a publicação e a difusão do conhecimento produzido nas instituições fluminenses.

Nesta edição, o edital recebeu 391 propostas, demonstrando a relevância do programa para a comunidade científica do Rio de Janeiro. Ao todo, foram aprovados 138 projetos, vinculados a instituições de ensino e pesquisa sediadas no estado.

Entre as instituições com maior número de propostas contempladas estão a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), com 39 projetos aprovados; a Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), com 38; a Universidade Federal Fluminense (UFF), com 19; a Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UniRio), com 10; a Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ), com 8; e a Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio), com 7. Também tiveram projetos aprovados instituições como Fundação Getulio Vargas (FGV), Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), Colégio Pedro II, Instituto Federal do Rio de Janeiro (IFRJ), Universidade Estadual do Norte Fluminense (Uenf), entre outras.

A distribuição por áreas do conhecimento evidencia a diversidade da produção científica apoiada pela FAPERJ. As Ciências Humanas lideram o número de projetos aprovados, com 57 propostas, seguidas pelas Ciências Sociais Aplicadas, com 32, e por Linguística, Letras e Artes, com 24. O edital também contemplou projetos nas áreas de Ciências da Saúde, Ciências Biológicas, Ciências Exatas e da Terra, Ciências Agrárias, Engenharias e Empreendedorismo.

O Programa de Apoio à Editoração financia a publicação de livros, coletâneas, obras de referência, e-books, edições temáticas e produções audiovisuais de caráter científico, acadêmico, técnico, educativo e cultural. O objetivo é ampliar a circulação do conhecimento produzido no estado, fortalecer a produção intelectual das instituições de pesquisa e democratizar o acesso à ciência.

A presidente da FAPERJ, Caroline Alves, destacou que o investimento em editoração científica amplia o alcance das pesquisas desenvolvidas no estado e fortalece o papel da ciência na sociedade. “A editoração científica é uma etapa fundamental para que o conhecimento produzido nas nossas universidades e centros de pesquisa alcance a sociedade. Ao investir nesse programa, a FAPERJ fortalece a divulgação da produção intelectual fluminense, incentiva a valorização da ciência e amplia o acesso a conteúdos que contribuem para o desenvolvimento do estado do Rio de Janeiro”, afirmou.

Confira abaixo a lista final dos aprovados na chamada:




Autor: faperj
Fonte: faperj
Sítio Online da Publicação: faperj
Data: 16/07/2026
Publicação Original: https://www.faperj.br/?id=1069.7.8