domingo, 29 de março de 2026

Aumento da temperatura ambiente eleva chance de desnutrição infantil


O aumento crescente da temperatura no Brasil pode estar afetando mais do que o clima: também pode impactar o crescimento das crianças. Um estudo com mais de 6 milhões de crianças entre 12 e 59 meses (1 a 5 anos) aponta que cada aumento de 1°C na temperatura ambiente acima de 26°C está associado a uma maior chance de desnutrição infantil.

O achado é de um estudo conduzido por pesquisadores da Fiocruz, publicado no periódico The Lancet, e motivado pela escassez de evidências sobre o impacto do aumento da temperatura e desenvolvimento físico infantil na América Latina. A pesquisa combinou informações de saúde e clima de uma década, coletadas entre 2007 e 2017 em todo o país.

No estudo conduzido pelo Centro de Integração de Dados e Conhecimento em Saúde (Cidacs/Fiocruz Bahia), o aumento de temperatura esteve associado a 10% mais chance de baixo peso, além de 8% maior chance para desnutrição aguda e 8% para desnutrição crônica. De acordo com uma das autoras, a pesquisadora Priscila Ribas, os resultados mudam a perspectiva sobre como o aumento da temperatura, muitas vezes visto apenas como um desconforto, também pode ser um determinante de saúde infantil, sobretudo no âmbito da desnutrição.

“Temperaturas elevadas desencadeiam um efeito cascata: reduz o apetite, altera o metabolismo infantil, aumenta a chance de episódios agudos de diarreia; condição que prejudica diretamente a absorção de micronutrientes, afetando o estado nutricional das crianças”, explica Ribas.

Os resultados foram identificados através da vinculação de dados administrativos da Coorte de 100 Milhões de Brasileiros, que utiliza os registros do Cadastro Único (CadÚnico), com dados do Sistema de Informações sobre Nascidos Vivos (Sinasc) e Sistema de Vigilância Alimentar e Nutricional (Sisvan).

Impactos no peso e crescimento

De acordo com os achados da pesquisa, os efeitos do aumento da temperatura não aparecem imediatamente. Durante a análise, os pesquisadores observaram que as diferentes formas de desnutrição respondem à exposição em ritmos distintos e os impactos podem se acumular ao longo de semanas.

No caso do baixo peso e desnutrição aguda, os efeitos da temperatura aparecem rapidamente, geralmente entre zero e três semanas após a exposição. Já a baixa estatura apresentou um padrão diferente: o aumento na chance aparece algumas semanas depois e está relacionado à exposição contínua ao calor ao longo do tempo.

“Embora alguns impactos agudos possam ser temporários, a exposição prolongada a temperaturas elevadas pode ter efeitos permanentes no desenvolvimento físico e cognitivo da criança”, conta Priscila.

Quando o assunto é grupos, os dados indicam maior proporção de baixo peso e desnutrição aguda entre meninas, enquanto o atraso no crescimento foi mais frequente entre meninos. Entre os meninos analisados, 10,40% tiveram atraso no crescimento. Nas meninas, 4,22% estavam abaixo do peso e 5,90% apresentavam desnutrição aguda.

No que se refere à raça e etnia, o cenário mais crítico foi observado entre crianças indígenas, com 6,72% do grupo abaixo do peso e 26,65% com atraso no crescimento. Já entre as crianças pretas, 5,86% apresentavam desnutrição aguda e 9,32% tinham atraso no crescimento.

Desigualdades socioeconômicas e climáticas

Destacada pelo ineditismo e escala, especialmente por ser a primeira investigação nacional dentro da América Latina a relacionar de maneira robusta as temperaturas elevadas e estado nutricional na infância, a pesquisa demonstra que a temperatura interage de maneira intensa quando o assunto é desigualdades socioeconômicas.

“O estudo oferece uma nova perspectiva sobre como as mudanças climáticas afetam crianças em países de renda média com alta desigualdade. A importância reside em identificar que o calor não é um risco universal e neutro; ele atua como um multiplicador de vulnerabilidades”, Ribas enfatiza.

Isso porque os riscos também foram mais altos entre crianças que vivem em regiões diferentes do país e em diferentes níveis de privação socioeconômica. “Os impactos são desproporcionalmente maiores nas regiões Norte e Nordeste, em áreas rurais e entre crianças filhas de mães indígenas e pretas, evidenciando uma profunda vulnerabilidade socioambiental”, revela.

Esses fatores causam preocupações para a pesquisadora, principalmente no que tange às mudanças climáticas para os próximos anos. Períodos prolongados de calor podem reduzir a produtividade agrícola, encarecer alimentos e diminuir a diversidade alimentar. E quando a renda não acompanha o aumento do preço dos alimentos, o risco de desnutrição é maior.

“Isso gera um duplo impacto nas famílias mais pobres: a redução da disponibilidade de alimentos e a perda de renda, em particular, para pequenos produtores, forçando uma transição para dietas de menor qualidade nutricional”, explica Priscila.

Avanços na saúde infantil

Para a saúde pública, os resultados reforçam uma necessidade de mudança de cenário, ainda mais porque as temperaturas elevadas também aumentam a suscetibilidade do desenvolvimento de doenças infecciosas e parasitárias e fragilizam o sistema imunológico, o que compromete a absorção de nutrientes. Os autores apontam para a importância de fortalecer o monitoramento nutricional, especialmente durante e após períodos de temperaturas elevadas.

De acordo com Priscila, ideal seriam políticas multissetoriais e direcionadas. “Reforçar programas como o Bolsa Família em regiões mais afetadas pelo calor, garantindo que a insegurança alimentar causada pelo clima seja mitigada”, sugere a pesquisadora.

Ela também destaca a importância de políticas de adaptação climática com foco em equidade, priorizando intervenções nas regiões Norte e Nordeste, em áreas rurais e comunidades indígenas. A integração entre vigilância em saúde ambiental e nutricional também é apontada como estratégia para criar alertas e proteger crianças durante ondas de calor.

“Sistemas de alertas meteorológicos vinculados à Atenção Primária à Saúde seriam úteis para intensificar o monitoramento nutricional e as orientações de hidratação e alimentação antes e durante ondas de calor, transformando o Sistema Único de Saúde [SUS] em uma ferramenta ativa de adaptação climática”, recomenda Ribas. “Ao tratar o calor como um risco estrutural, o Brasil pode liderar o caminho para políticas públicas que protejam o desenvolvimento infantil em um planeta em aquecimento, garantindo que o clima não altere negativamente o futuro nutricional das nossas crianças”, conclui.


Autor: Fiocruz
Fonte: Fiocruz
Sítio Online da Publicação: Fiocruz
Data: 27/03/2026
Publicação Original: https://fiocruz.br/noticia/2026/03/aumento-da-temperatura-ambiente-eleva-chance-de-desnutricao-infantil

Startup desenvolve kit teste rápido para identificar picada de cobra


O pesquisador Carlos Correa Neto durante procedimento em laboratório para extração do veneno de uma cobra coral verdadeira (Foto: Divulgação)


No Brasil, existem quatro gêneros de serpentes peçonhentas. São elas as responsáveis pelos quase 30 mil acidentes ofídicos que ocorrem, em média, a cada ano no País, especialmente na região amazônica, ocasionados, na maioria dos casos, por jararacas. Os quatro gêneros - Bothrops (jararacas, urutus), Crotalus (cascavéis), Lachesis (surucucus) e Micrurus (corais-verdadeiras) - podem causar acidentes graves, em alguns casos evoluindo para a perda de membros e até o óbito. O diagnóstico preciso e rápido, associado a um tratamento precoce, é a melhor forma de combater o ofidismo. No entanto, apenas pelos sinais clínicos, o diagnóstico correto se torna uma tarefa difícil para os médicos. Na Amazônia, por exemplo, coabitam os gêneros Bothrops e Lachesis, os quais geralmente apresentam sintomas praticamente idênticos nas primeiras horas do envenenamento. Dessa forma, um teste rápido, como suporte laboratorial, possibilitaria ao médico adotar uma conduta terapêutica rápida e assertiva no acidente ofídico.

Foi durante a pandemia de Covid-19 que o pesquisador Carlos Correa Netto viu a oportunidade simples, rápida e acessível de aprimorar sua pesquisa sobre o desenvolvimento de um teste rápido para acidente ofídico. Ele já trabalhava para desenvolver um kit diagnóstico há muitos anos e durante seu Mestrado chegou a avaliar uma molécula que poderia servir de biomarcador, a partir de anticorpos monoclonais e policlonais, para diferenciar picadas de jararacas e cascavéis. A descoberta poderia atrair indústrias farmacêuticas, pois utilizaria anticorpos monoclonais, que podem produzir o mesmo tipo de anticorpo, de forma contínua em cultivo de células. Mas o biólogo enfrentava alguns entraves para levar adiante sua pesquisa, principalmente devido ao longo tempo de espera até o resultado do teste e à necessidade de manter o kit sob refrigeração.

A pandemia de Covid-19 exigiu uma rápida resposta dos pesquisadores aos desafios que a doença impunha, especialmente no desenvolvimento de kits rápidos de diagnóstico, hoje encontrados facilmente em farmácias e capazes de apontar o resultado em apenas 30 minutos. Um dos testes disponíveis para a identificação do coronavírus é a partir da técnica LAMP (Loop-mediated isothermal amplification), um método rápido, barato e de alta especificidade para um biomarcador, que custa um terço do valor do PCR e não exige equipamentos caros.

O pesquisador, então, utilizou os dados que já havia obtido para montar um protótipo com base no teste rápido LAMP, um teste isotérmico, feito em temperatura ambiente, eliminando a necessidade de refrigeração e equipamentos sofisticados. O veneno de serpente tem base proteica e o LAMP reconhece o material genético (DNA ou RNA) do biomarcador. Neste caso, o pesquisador utiliza aptâmeros, ou seja, sequências curtas de DNA que se ligam com alta afinidade aos biomarcadores proteicos. Os aptâmeros são produzidos a partir de bibliotecas randômicas de DNA, selecionando sequências que se ligam à molécula de interesse, dentre milhares de sequências presente na biblioteca. A seleção dos aptâmeros ocorre a partir de um ciclo de repetições de testes, composto por etapas de adsorção, dissociação e amplificação das sequências alvo. Dessa forma, vão sendo selecionados aptâmeros que tenham afinidade ao biomarcador e sendo eliminados os que não reconhecem a molécula. No experimento para o desenvolvimento do teste rápido, os pesquisadores pretendem utilizar dois aptâmeros que se ligam em pontos distintos da molécula, para estruturar a fita de DNA e permitir que a reação de LAMP aconteça.
 

Carlos Correa Netto: bioquímico e coordenador do projeto, ele utilizou os dados que já havia obtido para montar um protótipo com base no teste rápido LAMP, disponíveis para a identificação do coronavírus, capaz de diagnosticar a picada de quatro espécies de serpentes: jararacaçu, jararaca, surucucu e cascavel (Foto: Divulgação)


A pesquisa é apoiada pela FAPERJ por meio do Programa Doutor Empreendedor, no qual seu projeto foi classificado em segundo lugar. “A originalidade do projeto está em associar, pela primeira vez, o potencial dos aptâmeros à alta sensibilidade e rapidez de amplificação de DNA inerente ao método LAMP, para detectar proteínas do veneno de serpente em um teste rápido”, resume o bioquímico e coordenador do projeto. O teste rápido será capaz de diagnosticar a picada de quatro espécies de serpentes: jararacaçu, jararaca, surucucu e cascavel. A purificação dos biomarcadores e produção de aptâmeros está sendo realizada em colaboração com as professoras Lina Zingali e Mónica Montero Lomelí, do Instituto de Bioquímica Médica da Universidade Federal do Rio de Janeiro (IBqM/UFRJ).

Carlos conta que desde jovem se interessava por serpentes. Ele começou a carreira estagiando no Instituto Vital Brazil, referência no desenvolvimento de soros antiofídicos, e aos 18 anos passou em um concurso de nível técnico. Mas, ao longo dos anos, começou a se interessar pelos venenos das cobras, daí ter enveredado pela Bioquímica. Com mestrado em Tecnologia de Imunobiológicos em Biomanguinhos (Fundação Oswaldo Cruz) e doutorado em Química Biológica pelo Instituto de Bioquímica Médica da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), fez doutorado sanduíche e pós-doutorado no Instituto de Biomedicina de Valência, Espanha, em 2010 e 2013, respectivamente. Atualmente, é o fundador de uma startup que busca soluções em diagnóstico. Para dar continuidade ao projeto, Carlos espera contar novamente com os editais da FAPERJ. “O apoio da Fundação é fundamental, em especial este edital Doutor Empreendedor, que nos dá a oportunidade de estruturar e acelerar o negócio”, alega o pesquisador.

Recentemente, para aumentar o portfólio da sua empresa, o pesquisador tem se debruçado em questões do agronegócio. Ele explica que sua startup RC Biotech estabeleceu uma colaboração com o professor da Universidade Federal Fluminense (UFF) Sérgio José Mecena da Silva Filho, que estuda formas de minimizar o uso de agrotóxicos nos pomares de laranja em Tanguá, município da região metropolitana do Rio de Janeiro. Os pomares de laranja do município enfrentam a doença conhecida como “pinta preta dos citros”, causada por um fungo. Neste projeto, o pesquisador pretende desenvolver métodos de diagnóstico, de forma precoce, proteínas e estruturas do fungo. Com esse intuito, ela planeja utilizar drones, a serem desenvolvidos em colaboração com o setor de robótica do Instituto de Pós-Graduação e Pesquisa em Engenharia da UFRJ (Coppe) e do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai), para que, por meio de imagens e amostras coletadas pelos drones, associadas a um teste molecular, possa fazer a identificação precoce do fungo, na sua fase latente, antes de atacar os frutos e acometer as plantas. “Com a identificação precoce da incidência da doença é possível fazer um controle fitossanitário de precisão, antes que os frutos sofram danos”, explica o pesquisador. O projeto deverá ser submetido ao edital de Incentivo às Indicações Geográficas do Estado do Rio de Janeiro.



Autor: FAPERJ
Fonte: FAPERJ
Sítio Online da Publicação: FAPERJ
Data: 26/03/2026
Publicação Original: https://www.faperj.br/?id=990.7.8

Odontólogos da Marinha desenvolvem escova dental inovadora para evitar danos gengivais e dentários



Simulação virtual da escova, projetada para controlar a intensidade da força durante a higienização oral e evitar problemas bucais, como a retração da gengiva e danos ao esmalte dentário (Arte: Divulgação)


Escovar os dentes diariamente é fundamental para a saúde bucal, mas realizar a higiene de forma correta, sem aplicar força excessiva sobre o esmalte dentário e as gengivas, é igualmente importante. Com o objetivo de reduzir danos causados pela escovação com força excessiva sobre os tecidos bucais, cirurgiões-dentistas da Odontoclínica Central da Marinha do Brasil (OCM) desenvolveram um protótipo inovador de escova dental, projetado para ajudar no controle da força aplicada durante a escovação. O projeto é coordenado pela Capitão de Fragata, Cirurgião-Dentista CF(CD) Teresa Cristina Pereira de Oliveira, que recebe apoio da FAPERJ por meio do edital Apoio a Cientistas Mães com Vínculos em Instituições de Ciência e Tecnologia (ICTs) do Estado do Rio de Janeiro.

Segundo a coordenadora da pesquisa, estudos laboratoriais indicam que a força aplicada durante a escovação não deveria ultrapassar 3 newtons. “Esse valor foi determinado em experimentos controlados, mas, na prática, as pessoas não conseguem medir ou perceber exatamente a força que aplicam ao escovar os dentes”, explica. No dia a dia, a intensidade da escovação depende principalmente da percepção individual, o que pode levar à aplicação de força excessiva no ato de higienização oral, principalmente por crianças.

Nos últimos anos, a indústria de produtos de higiene bucal tem buscado alternativas para melhorar a escovação, produzindo escovas como cerdas mais macias, alterações na densidade e distribuição das cerdas e o desenvolvimento de escovas elétricas motorizadas, algumas com sensores de força. Entretanto, esses modelos costumam ter custo elevado, o que limita o acesso de grande parte da população. “Mesmo com essas inovações, ainda não existe uma forma simples e acessível de garantir que o usuário mantenha uma força escovatória adequada”, afirma a CF(CD)Teresa.

Para enfrentar essa limitação, a equipe da OCM desenvolveu uma escova dental modificada equipada com um dispositivo mecânico simples capaz de controlar e sinalizar quando a força ideal de escovação é atingida. A proposta é oferecer uma tecnologia de baixo custo e fácil utilização, que possa contribuir para a prevenção de danos dentários e gengivais, sendo aplicada ao público geral e também para crianças.

Segundo a pesquisadora, o objetivo é desenvolver uma escova calibrada para a força ideal de escovação. “Hoje, existe no mercado brasileiro escova eletrônica com sensor de força, mas que custa cerca de R$ 800. Nosso protótipo, quando produzido em larga escala, poderá ter um valor próximo ao de uma escova dental convencional, pois utiliza recursos tecnológicos simples, tornando o produto altamente custo-efetivo”, afirma. A inovação já teve pedido de patente depositado no Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI) e o projeto segue aberto a parcerias com a indústria odontológica para viabilizar sua produção.


Equipe ICT-Odontoclínica da Marinha: a partir da esq., 1ºT(CD) Leticia Marques, CF(CD) Teresa Cristina, 1ºT (CD) Raquel Losso e 1ºT (RM2-CD) Jácome (Foto: Divulgação)


A Capitão de Fragata (CD) Teresa explica que o protótipo também foi pensado para ser inclusivo. “Quando a escovação for realizada com força excessiva, a escova emitirá um bip sonoro, acenderá uma luz e produzirá vibração, permitindo que pessoas com deficiência visual também percebam o alerta”, detalha. Outro aspecto considerado foi a sustentabilidade: a cabeça da escova será substituível, reduzindo o descarte do produto completo.

O projeto vem sendo desenvolvido desde 2023, com a colaboração de pesquisadores do Centro Tecnológico do Corpo de Fuzileiros Navais (CTecCFN) da Marinha do Brasil, localizado em Parada de Lucas, na Zona Norte do Rio de Janeiro. No Centro Tecnológico, o protótipo foi produzido com auxílio de impressão 3D, tecnologia cada vez mais utilizada na Odontologia para confecção de próteses e dispositivos personalizados.

De acordo com os pesquisadores, a retração gengival é um problema relativamente comum e pode causar desconforto significativo. “A escovação com força excessiva pode provocar lesões não cariosas, que são desgastes do esmalte dental causados pelo atrito das cerdas. Também pode levar à retração gengival, sensibilidade dentária e até exposição da raiz do dente”, explica Teresa.

A diretora da Odontoclínica Central da Marinha, Capitão de Mar e Guerra (CMG-CD) Livia Ferreira Soares, destaca a importância do investimento em ciência, tecnologia e inovação dentro da instituição. Tradicionalmente, a Marinha do Brasil investe em ensino e pesquisa, sendo referência em áreas como a nuclear e a naval. “Na OCM, contamos com muitos profissionais altamente qualificados — atualmente são 60 mestres e 13 doutores. Recentemente, a Odontoclínica recebeu do Ministério da Defesa a chancela de Instituição de Ciência e Tecnologia (ICT), o que permitirá ampliar nossa infraestrutura de pesquisa voltada para a saúde do combatente. O desenvolvimento desse protótipo é uma inovação que nasce na Marinha, mas que pode beneficiar toda a sociedade”, afirma.

Integram a equipe do projeto os cirurgiões-dentistas e pesquisadores da Célula de Inovação Tecnológica da Marinha: Primeiro-Tenente (RM2-CD) Humberto Jácome Santos, mestre e doutor em Odontologia, com área de concentração em Patologia Bucal pela Universidade Federal do Pará (UFPA), Harvard School of Dental Medicine e Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG); a Primeiro-Tenente (CD) Raquel Machado Andrade Losso, mestre e doutora em Odontologia, com área de concentração em Patologia Humana pela Universidade Federal Fluminense (UFF); e a Primeiro-Tenente (CD) Leticia Côgo Marques, mestre e doutora em Odontologia, também com área de concentração em Patologia Humana pela UFF. Responsável pela coordenação administrativa, a Capitão de Fragata (CD) Teresa Cristina Pereira de Oliveira é mestre e doutora em Odontologia, com área de concentração em Ortodontia, e assessora-chefe do setor. O projeto tem ainda a participação do Capitão de Corveta (CD) Rafael Matheus Lima, assessor-adjunto do setor, especialista em Periodontia pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio) e em Prótese Dentária pela Odontoclínica Central da Marinha.



Autor: FAPERJ
Fonte: FAPERJ
Sítio Online da Publicação: FAPERJ
Data: 26/03/2026
Publicação Original: https://www.faperj.br/?id=981.7.7

quinta-feira, 26 de março de 2026

FAPESP lança nova chamada para Escolas São Paulo de Ciência Avançada

Pesquisadores podem apresentar propostas de cursos internacionais de curta duração em qualquer área do conhecimento




A FAPESP anuncia uma nova chamada da modalidade Escola São Paulo de Ciência Avançada (ESPCA), que oferece recursos para a organização de cursos de curta duração em pesquisa avançada nas diferentes áreas do conhecimento no estado de São Paulo. É a 20ª chamada da modalidade, que tem periodicidade anual.

A modalidade de Auxílio à Organização de Reunião Científica: Escola São Paulo de Ciência Avançada se destina a apoiar total ou parcialmente a realização de cursos de curta duração sobre temas da fronteira da ciência e da tecnologia que sejam objeto de pesquisa internacionalmente competitiva sendo realizada no estado de São Paulo.

Os cursos das ESPCAs devem promover discussões nas fronteiras da pesquisa em qualquer área do conhecimento. Cientistas com interesses profissionais comuns irão se reunir, em formato presencial, por período de dez a quatorze dias, promovendo intensa discussão e análise dos aspectos mais avançados em seus campos de pesquisa.

Os pesquisadores que participarão ministrando aulas na ESPCA deverão ser cientistas de excelente qualificação e destaque em seus campos de pesquisa, incluindo-se cientistas estrangeiros convidados.

Os estudantes participantes devem estar matriculados em cursos de graduação ou pós-graduação no Brasil ou exterior, sendo potenciais candidatos aos cursos de Mestrado, Doutorado ou a estágios de Pós-Doutorado em instituições de ensino superior e pesquisa no estado de São Paulo. Também poderão ser aceitos alguns jovens doutores.

Os estudantes participantes devem ter a oportunidade de apresentar os resultados de suas pesquisas em andamento em sessões (ou sessão) de pôsteres, incluídas no programa.

A nova chamada selecionará até cinco escolas, com início a partir de março de 2027.

Submissões serão recebidas até 1 de junho de 2026 exclusivamente pelo Sistema de Apoio a Gestão (SAGe) da FAPESP. Haverá reunião on-line a interessados para esclarecimentos sobre a ESPCA no dia 14/04.

A chamada está disponível em: https://fapesp.br/18069.



Autor: fapesp
Fonte: fapesp
Sítio Online da Publicação: fapesp
Data: 17/03/2026
Publicação Original: https://fapesp.br/18080/fapesp-lanca-nova-chamada-para-escolas-sao-paulo-de-ciencia-avancada

FAPESP apoiará colaborações internacionais em Oceanos e Biodiversidade Marinha

Chamada com Belmont Forum apoiará projetos transdisciplinares focados na conservação da biodiversidade oceânica, integração oceano-clima e governança para a sustentabilidade



A FAPESP anuncia a participação na chamada de propostas do Belmont Forum Collaborative Research Action Ocean 2: "Rumo ao oceano que queremos: biodiversidade e sustentabilidade do ecossistema para a natureza e o bem-estar humano".

A chamada busca promover pesquisa transdisciplinar e orientada a soluções para a conservação da biodiversidade marinha, a integração oceano-clima-biodiversidade e a governança para a sustentabilidade.

Em alinhamento à Década do Oceano (ONU), a chamada exige a coprodução de conhecimento com usuários e partes interessadas desde a concepção dos projetos, bem como compromissos claros com impacto social, formação de recursos humanos e gestão responsável de dados e resultados digitais.

No estado de São Paulo, pesquisadores interessados poderão submeter propostas solicitando apoio da FAPESP sob condições próprias, que complementam a chamada internacional do Belmont Forum.

Os consórcios devem ser multilaterais (mínimo de três países/agências), integrar ciências naturais e engenharias, ciências sociais e humanidades e parceiros da sociedade, e apresentar um plano de engajamento e disseminação consistente, com participação nas atividades de coordenação do programa (reuniões de início, meio termo e final).

Os projetos devem ainda incluir compromissos claros com impacto social, formação de recursos humanos e gestão responsável de dados, em alinhamento à Década do Oceano da ONU.

O processo de submissão ocorrerá em duas etapas (pré-proposta e proposta completa pelo sistema BFgo). A pré-análise de elegibilidade das equipes do Estado de São Paulo deve ser enviada por e-mail para chamada-bf-ocean2@fapesp.br até 10 dias antes da data-limite internacional.

Uma vez aprovada a elegibilidade, a proposta correspondente deverá ser submetida no SAGe, seguindo as regras de elegibilidade, itens financiáveis e demais orientações deste anexo.

As propostas devem atender pelo menos um dos dois temas a seguir, buscando conexões transversais entre eles:Tema 1: Conservação da biodiversidade e soluções baseadas na natureza;
Tema 2: Integração oceano-biodiversidade-clima;
Tema 3: Futuros da natureza, governança oceânica e ética para a sustentabilidade.

O total de recursos disponibilizados pela FAPESP é de R$ 3,3 milhões. O valor máximo por projeto é de R$ 600 mil, sem considerar Reserva Técnica, e os projetos selecionados poderão ter duração de até 36 meses. As propostas devem atender às condições gerais da modalidade Auxílio à Pesquisa Regular (fapesp.br/apr), observando-se as excepcionalidades descritas na chamada.

A data limite para consulta de elegibilidade na FAPESP é 20 de abril de 2026. A data limite para submissão de pré-propostas ao Belmont Forum e à FAPESP (via SAGe) é 30 de abril.

A chamada com orientações a pesquisadores do estado de São Paulo está disponível em: fapesp.br/18088.

O texto completo da chamada internacional está disponível em: https://belmontforum.org/wp-content/uploads/2025/06/Ocean-II-2025-1.1.-Call-for-Proposals-PT.pdf?x32813.



Autor: fapesp
Fonte: fapesp
Sítio Online da Publicação: fapesp
Data: 23/03/2026
Publicação Original: https://fapesp.br/18089/fapesp-apoiara-colaboracoes-internacionais-em-oceanos-e-biodiversidade-marinha

FAPESP define sete eixos estratégicos de pesquisa para o período 2026-2028

Conselho Superior autorizou a aplicação de R$ 400 milhões adicionais a projetos, sem prejuízo dos programas já em andamento



A FAPESP definiu sete eixos estratégicos que vão integrar a sua agenda de fomento à pesquisa no período 2026-2028: biotecnologia; transição energética; biodiversidade, produção sustentável de alimentos e segurança alimentar; transição digital e inteligência artificial; ciência e tecnologias quânticas; saúde humana e animal; e violência e segurança pública.



Aprovada pelo Conselho Superior da FAPESP em 18 de março, a lista de temas foi definida com base em consultas a lideranças científicas, gestores da Fundação, representantes de órgãos governamentais, universidades, institutos de pesquisa e setores empresariais e após análise de tendências internacionais de CT&I, consoante descrito no documento Temas Estratégicos da FAPESP para Ciência, Tecnologia e Inovação.

“O Conselho Superior autorizou a aplicação de R$ 400 milhões adicionais em pesquisas no âmbito desses sete eixos, sem prejuízo da execução dos programas em andamento ou de pesquisas movidas pela curiosidade submetidas por pesquisadores ou grupos de pesquisa”, sublinhou Marco Antonio Zago, presidente da FAPESP.

Seis dos temas a serem priorizados estão alinhados às tendências internacionais em ciência, tecnologia e inovação e às propostas da Estratégia Nacional de CT&I para 2024-2034. O sétimo – violência e segurança pública – responde a um desafio específico da realidade brasileira atual.

O Conselho Técnico-Administrativo da FAPESP apresentará as propostas específicas para a implementação de cada um dos sete eixos prioritários. As ações devem estar articuladas, preferencialmente, a instrumentos de fomento já adotados pela Fundação, como os Centros de Pesquisa, Inovação e Difusão (CEPIDs), Centros de Pesquisa Aplicada (CPAs), Pesquisa Inovativa em Pequenas Empresas (PIPE), Jovens Pesquisadores (JP), Centros de Pesquisa para o Desenvolvimento (CCDs), Centros Internacionais de Pesquisa (CIPs) e Redes FAPESP de Colaboração em Pesquisa, com ênfase na expansão de startups.

“Não se trata de ampliar os financiamentos em curso ou de criar novos programas. A ideia é aplicar recursos adicionais em propostas disruptivas, que envolvam risco científico e potencial para promover um salto qualitativo na P&D do Estado de São Paulo”, afirma Carlos Graeff, diretor-presidente do Conselho Técnico-Administrativo da Fundação.

A iniciativa da FAPESP tem como pressuposto a multidisciplinaridade. “Projetos de biotecnologia, por exemplo, demandam a integração de química, biologia, física, computação e matemática”, diz Marcio de Castro, diretor científico da Fundação. Os projetos submetidos no âmbito desses sete eixos estratégicos, acrescenta, devem ter dois componentes transversais: gestão avançada de dados com uso de inteligência artificial e a incorporação estruturada das ciências sociais aplicadas para avaliar impactos econômicos, regulatórios e sociais das novas tecnologias.

A cada seis meses a Diretoria Científica apresentará ao Conselho Superior um relatório detalhado da implementação e desenvolvimento dessas linhas de pesquisa. “Essa avaliação permitirá ajustes ao longo do processo e assegurará que os investimentos contribuam para um salto qualitativo na pesquisa e inovação no Estado de São Paulo”, afirma o presidente da FAPESP.

Temas Estratégicos da FAPESP para Ciência, Tecnologia e Inovação



Autor: fapesp
Fonte: fapesp
Sítio Online da Publicação: fapesp
Data: 26/03/2026
Publicação Original: https://fapesp.br/18095/fapesp-define-sete-eixos-estrategicos-de-pesquisa-para-o-periodo-2026-2028

terça-feira, 24 de março de 2026

Estudo analisa violência contra agentes comunitários de saúde

Um estudo sobre a violência vivenciada por agentes comunitários de saúde (ACS) em territórios vulneráveis do Nordeste brasileiro integrará a edição de maio da revista científica The Lancet Regional Health - Americas. O artigo, que pode ser acessado online, é intitulado Domestic and urban violence faced by community health workers: a multidimensional analysis in vulnerable territories in northeastern Brazil during and after the COVID-19 pandemi.



Integrados às equipes da Estratégia Saúde da Família, os agentes comunitários de saúde são um dos pilares do SUS (Foto: Thiberio Rodrigues/PB)

O objetivo foi analisar a exposição à violência urbana e doméstica entre agentes comunitários que atuam na atenção primária em contextos marcados por desigualdade social e altos índices de violência. A investigação analisou dados coletados em dois momentos: em 2021, durante a pandemia de Covid-19, e em 2023, já no período pós-pandemia. Ao todo, participaram do estudo 1.942 agentes comunitários na primeira etapa e 1.907 na segunda. O trabalho é fruto das investigações da Rede NósAPSBrasil e conta com a coordenação do pesquisador da Fiocruz Pernambuco Sidney Farias. A coordenação-geral é da pesquisadora da Fiocruz Ceará Anya Vieira Meyer, que também coordena a NósAPSBrasil.

A pesquisa foi realizada em municípios do Nordeste, incluindo as capitais Fortaleza, João Pessoa, Recife e Teresina, além das cidades cearenses do Crato, Juazeiro do Norte, Barbalha e Sobral. O projeto recebeu financiamento da Fundação Cearense de Apoio ao Desenvolvimento Científico e Tecnológico, da Fiocruz e do Lemann Research Fund, da Universidade Harvard.

No artigo, os autores lembram que a violência é reconhecida mundialmente como um importante problema de saúde pública, com impactos diretos na qualidade de vida e na organização das comunidades. Um cenário agravado no Brasil por desigualdades estruturais que ampliam a vulnerabilidade de determinados grupos e territórios, sobretudo em áreas urbanas periféricas.

Nesse contexto, os agentes comunitários de saúde ocupam uma posição crucial. Integrados às equipes da Estratégia Saúde da Família, um dos pilares do Sistema Único de Saúde (SUS), esses profissionais vivem nas mesmas comunidades que acompanham, atuando como elo entre os serviços de saúde e a população. Essa proximidade, porém, também os expõe às dinâmicas de violência presentes nos territórios.

Os resultados revelam detalhes importantes sobre como se processa a violência nos territórios e sinalizam diferenças nas experiências relatadas de acordo com o gênero dos ACS. “O estudo mostra que a violência nos territórios é múltipla e marcada por padrões diferentes entre homens e mulheres que atuam como ACS. Os homens relatam maior exposição à violência urbana, agressões, armas, gangues, enquanto as mulheres se tornam sentinelas para identificar violência doméstica e sexual, especialmente no pós-pandemia. Isso revela dimensões que não aparecem nas estatísticas formais e oferece um retrato sensível e territorializado da violência, fundamental para orientar políticas públicas mais precisas”, afirma o pesquisador Sidney Farias.

De acordo com os autores, as medidas de isolamento social adotadas durante a pandemia dificultaram a realização de visitas domiciliares e o acompanhamento das famílias, o que pode ter contribuído para a subnotificação de casos de violência doméstica naquele período. Com a retomada das atividades presenciais, muitos desses episódios passaram a aparecer com mais clareza nas comunidades.

Para a coordenadora Anya Vieira Meyer, investigar a violência a partir da perspectiva dos agentes comunitários é essencial para compreender os impactos no funcionamento da atenção primária. “No Brasil, a Estratégia de Saúde da Família organiza a atenção primária, que é o alicerce do SUS. O agente comunitário é um profissional ímpar, que vive e trabalha no território, estabelecendo vínculo direto com a população. Compreender a violência a partir desse olhar é fundamental, porque ela interfere diretamente na capacidade de cuidado”, explica.

A pesquisadora destaca ainda que os territórios com maior presença da Estratégia Saúde da Família são, muitas vezes, os mais vulneráveis. “O que nossos estudos têm demonstrado, desde 2019, é que nos locais com maiores indicadores de violência urbana é onde a estratégia está mais presente. Paradoxalmente, é também onde os profissionais enfrentam mais dificuldades de atuação. Ou seja, onde há maior necessidade de acesso à saúde pública, a violência acaba dificultando ou limitando o trabalho dos agentes comunitários”, completa.

Mesmo sendo frequentemente os primeiros profissionais a identificar situações de violência, os agentes comunitários ainda enfrentam limitações institucionais para lidar com esses casos. A ausência de protocolos claros, treinamento específico e mecanismos de apoio pode comprometer tanto a proteção desses trabalhadores quanto a capacidade de resposta do sistema de saúde às vítimas. O artigo tem entre os coautores as pesquisadoras da Universidade de Harvard Marcella Cardoso, Marcia Castro, Aisha Yousafzai e Annekathryn Goodman.

Nós APS Brasil

A rede Nós APS Brasil é formada por pesquisadores da Atenção Primária à Saúde no país. Criada em 2019, a partir da articulação entre a Rede Nordeste de Formação em Saúde da Família (Renasf) e a Rede Fiocruz Nordeste, a iniciativa tem como objetivo aprofundar o conhecimento sobre a atenção primária, especialmente no que diz respeito aos atores envolvidos na Estratégia Saúde da Família, por meio da análise de desafios e da proposição de caminhos para seu enfrentamento.

Autor: fiocruz
Fonte: fiocruz
Sítio Online da Publicação: fiocruz
Data: 23/03/2026
Publicação Original: https://fiocruz.br/noticia/2026/03/estudo-analisa-violencia-contra-agentes-comunitarios-de-saude