sábado, 17 de outubro de 2026

FAPERJ participa de evento sobre oportunidades de pós-doutorado na Europa




Luís Cristóvão Porto: o coordenador da Assessoria de Relações Internacionais da FAPERJ destaca que a internacionalização da pesquisa está entre as prioridades da Fundação (Foto: Divulgação)


Nos dias 19 e 20 de outubro, o Rio de Janeiro receberá o evento Postdoc in Europe, promovido pela EURAXESS América Latina e Caribe (LAC), que tem parceria de longa data com a FAPERJ. O objetivo é apresentar oportunidades de pós-doutorado e financiamento à pesquisa na Europa, além de oferecer orientações práticas para pesquisadores interessados em desenvolver suas carreiras acadêmicas no exterior. A iniciativa reunirá representantes de nove países europeus: Alemanha, Bélgica, Espanha, Finlândia, França, Itália, Lituânia, Noruega e Suécia, além de agências brasileiras de fomento à pesquisa.

A FAPERJ estará representada pelo professor Luís Cristóvão de Moraes Sobrinho Porto, coordenador da Assessoria de Relações Internacionais da Fundação, que realizará uma apresentação em um dos painéis previstos para o dia 19 de outubro. “A internacionalização da pesquisa é uma das prioridades da FAPERJ, e eventos como este contribuem para ampliar as oportunidades de inserção dos pesquisadores fluminenses no cenário científico internacional. Nossa participação reforça o compromisso da Fundação em estimular a mobilidade acadêmica e a construção de parcerias com instituições de excelência no exterior”, destaca o professor Cristóvão.

No dia 19 de outubro, será realizada uma sessão informativa na sede da Academia Brasileira de Ciências (ABC), no Centro, das 8h30 às 13h. O encontro será aberto a pesquisadores interessados em oportunidades de pós-doutorado na Europa, mediante inscrição, e contará com apresentações sobre programas de financiamento e possibilidades de mobilidade acadêmica internacional.

Já no dia 20 de outubro, o Goethe-Institut Rio de Janeiro receberá oficinas práticas destinadas a participantes previamente selecionados. As atividades abordarão temas como a identificação de potenciais supervisores e grupos de pesquisa, a preparação de candidaturas, a elaboração de projetos e os procedimentos necessários para a realização de atividades de pesquisa na Europa.

As oficinas serão voltadas a pesquisadores que estejam a até um ano da conclusão do doutorado ou que tenham concluído a formação há até 12 anos. A programação também incluirá atendimentos individuais com representantes dos países participantes e oportunidades de interação entre pesquisadores e instituições.

A programação completa será divulgada em breve.

Mais informações: https://euraxess.ec.europa.eu/worldwide/lac/events/postdoc-europe-information-day-and-hands-workshops-rio-de-janeiro-19-20


Autor: faperj

Fonte: faperj
Sítio Online da Publicação: faperj
Data: 08/10/2026
Publicação Original: https://www.faperj.br/?id=1126.7.3

CAR-T humanizada: a aposta brasileira para democratizar o tratamento do câncer no SUS

Chegada da terapia CAR-T há cerca de uma década estendeu de forma significativa a sobrevida de pacientes com câncer. Grupo de pesquisa brasileiro busca uma alternativa aos custos do tratamento, que permanecem altos, para que ela possa ser incorporada ao SUS (Foto: Divulgação)


Hoje, a imunoterapia é considerada o “quinto pilar” do tratamento do câncer – depois da cirurgia, radioterapia, quimioterapia e terapia-alvo. Central a essa mudança, está o desenvolvimento da terapia com células T, conhecidas pela sigla CAR-T. Há quase uma década, as primeiras terapias com células CAR-T mudaram completamente o prognóstico de pacientes com certos tipos de leucemia e linfoma que não respondiam mais a nenhum tratamento. Até então, esses casos eram considerados sem saída.

Números ilustram bem essa virada. Segundo o pesquisador do Instituto Nacional do Câncer (Inca) e da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), Martín Hernán Bonamino, antes do CAR-T, pacientes com linfoma difuso de grandes células B refratário, por exemplo, tinham uma taxa de resposta global de apenas 26%, com 7% de remissão completa e sobrevida mediana de seis meses, segundo o maior levantamento internacional já feito sobre o tema.

Depois da chegada da terapia CAR-T, ele conta que esse cenário se inverteu. Estudo publicado este ano no periódico Blood Advances comprova resultados animadores. Bonamino explica que, em uma comparação direta entre pacientes tratados com CAR-T e um grupo histórico equivalente, a sobrevida global em três anos saltou de 10% para 59%. E a sobrevida livre de progressão, de 6% para 48%.

A lógica por trás dessa mudança é radical. Na terapia CAR-T, as próprias células de defesa do paciente são coletadas, reprogramadas geneticamente para enxergar o câncer como um alvo a ser destruído, e devolvidas ao corpo. "Esse mecanismo funciona como um medicamento personalizado e vivo. Além disso, a terapia é capaz de se multiplicar e continuar agindo no corpo do paciente ao longo do tempo", ele ressalta.

Apesar dos avanços significativos, essa revolução ainda esbarra em uma barreira conhecida no País. Segundo ele, o alto custo de produção, que inclui vetores virais com valores ainda exorbitantes e uma proteína de reconhecimento, derivada de um anticorpo de camundongo. No Brasil, a terapia total com CAR-T no sistema privado de saúde tem um custo que pode variar entre R$ 2 milhões e R$ 2,7 milhões. O valor muda conforme o produto utilizado e, principalmente, sofre influência dos altos custos hospitalares.

CAR-T humanizadas

Para driblar os obstáculos orçamentários, os pesquisadores de sua equipe em parceria com a Universidade de Brasília (UnB) têm se dedicado ao desenvolvimento de tecnologia CAR-T que possa ser incorporada no SUS. E ele conta que o grupo avançou bastante. “Como um dos últimos resultados desse nosso esforço, publicamos um estudo no periódico Frontiers in Immunology sobre o desenho, a caracterização e a validação pré-clínica de duas novas moléculas de CAR anti-CD19 humanizados e expressas em linfócitos T por um sistema não-viral. O CD19 é uma proteína presente na superfície dos linfócitos B e de outras células da linhagem B. Como essas células participam da resposta imune e da produção de anticorpos, o CD19 tornou-se um importante alvo para terapias CAR-T contra alguns tipos de câncer hematológico. Nos ensaios que realizamos de indução de morte das células B, ficou comprovada a eliminação tumoral”, afirma.

Mesmo reconhecendo o alvo da proteína do tumor com um pouco menos de força do que a versão original derivada de camundongo, as duas versões humanizadas do CAR-T continuaram capazes de se ligar especificamente às células tumorais e de ativar normalmente a maquinaria de defesa das células T. Ele explica que o grupo de pesquisadores selecionou a parte do CAR que reconhece o tumor, originalmente derivada de um anticorpo de camundongo, e fizeram uma modificação molecular para torná-la mais semelhante a uma proteína humana. Por isso, as classificaram como versões humanizadas.
Martín Bonamino: pesquisador do Inca e da Fiocruz, ele lidera estudo com novas moléculas que pode tornar terapias CAR-T de combate a alguns tipos de câncer mais acessíveis (Foto: Coordenação de Pesquisa e Inovação do INCA/ Martinlab)


Isso é feito para tentar reduzir a possibilidade de o sistema imunológico do paciente reconhecer aquela parte do CAR como estranha e eliminá-lo. Se as células CAR-T forem eliminadas do corpo, o efeito antitumoral pode ser abreviado. Ele conta que, inclusive, observaram a formação de "células de memória", essenciais para que o efeito da terapia dure mais tempo no organismo. Em testes de laboratório, as duas versões humanizadas da terapia mataram células cancerosas com a mesma eficiência que o tratamento com o CAR-T original. Isso aconteceu mesmo quando a proteína CD19 estava presente em quantidade reduzida na superfície do tumor. Esta é uma característica que costuma dificultar o reconhecimento pelas células CAR-T.

Apoiada com recursos da FAPERJ, do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), da Fundação de Amparo à Pesquisa do Distrito Federal, e do Inova Fiocruz, o teste decisivo do estudo veio nos experimentos que fizeram com camundongos. A versão que foi batizada de H1 controlou o câncer de forma duradoura e manteve os animais vivos por tempo comparável ao da terapia com o CAR-T original. "Juntos, nossos resultados mostram que é possível 'humanizar' o CAR-T. Torná-lo menos parecido com uma proteína estranha ao corpo humano e sem perder sua capacidade de destruir o câncer. Só é importante que ajustes corretos sejam feitos com cuidado", diz.

O câncer continua como uma das principais causas de morbidade e mortalidade em todo o mundo. E as neoplasias hematológicas, como a leucemia linfoblástica aguda de células B (LLA-B), representam desafios terapêuticos significativos, particularmente em pacientes adultos. Essa nova configuração da molécula do CAR pode tornar a terapia CAR-T mais eficaz.


Autor: faperj

Fonte: faperj
Sítio Online da Publicação: faperj
Data: 15/10/2026
Publicação Original: https://www.faperj.br/?id=1124.7.2

Projeto pretende aproximar agricultores familiares das compras da alimentação escolar


Em geral, o pequeno produtor não consegue sozinho atender ao volume solicitado por uma prefeitura. Daí, a importância das cooperativas (Foto: jcomp/Magnific)


O Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE), criado em 1955 com o nome de Campanha da Merenda Escolar, tem o objetivo de garantir a oferta de alimentação saudável e adequada aos estudantes da educação básica pública. Atende alunos matriculados nas redes públicas estaduais, distrital, municipais e federal de ensino, em todas as etapas da educação básica. Além de assegurar o acesso à alimentação no ambiente escolar, o PNAE estabelece que pelo menos 45% dos recursos destinados ao programa sejam utilizados na aquisição de alimentos da agricultura familiar, por meio de chamada pública. Apesar da existência de produtores e da demanda das redes públicas de ensino, a conexão entre essas duas pontas pode envolver uma série de dificuldades. O agricultor precisa estar habilitado, apresentar documentação, demonstrar sua capacidade de fornecimento e atender às condições estabelecidas na chamada pública. Do outro lado, os municípios precisam identificar fornecedores capazes de entregar os produtos, nas quantidades e períodos necessários, transformando informações que hoje estão dispersas em uma ferramenta capaz de aproximar oferta e demanda.
O PNAE estabelece que pelo menos 45% dos recursos destinados ao programa sejam utilizados na aquisição de alimentos da agricultura familiar (Foto: Aleksandarlittlewolf/Magnific)


É justamente para tentar melhorar a conexão entre quem produz e quem compra que o projeto JuntaBrasil pretende desenvolver e validar um Produto Mínimo Viável (MVP) funcional, capaz de automatizar o processo de chamada pública, qualificação de fornecedores, gestão de documentos de compliance e gestão da logística de entrega. Dessa forma, reduzir as barreiras que hoje impedem a maioria dos municípios do Rio de Janeiro de atingir a meta legal de 45% de compras da agricultura familiar. De acordo com Antonio José Correia Amaral, coordenador do projeto, que conta com apoio da FAPERJ por meio do programa Agro do Futuro, o objetivo é usar a tecnologia para facilitar a conexão entre quem produz e quem precisa comprar para o Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE). Dados do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação indicam que 39.166.303 estudantes de 146.408 escolas se beneficiam do programa, executado por 5.673 entidades cadastradas. Os dados consideram o número de matrículas da educação básica pública.

Segundo Antonio Amaral, que é profissional de produtos digitais, com mais de 20 anos de experiência em tecnologia, inovação e desenvolvimento de soluções digitais, o objetivo não é substituir os procedimentos legais do PNAE, mas utilizar tecnologia para tornar a conexão entre os participantes mais organizada e eficiente, que corrijam, de acordo com ele, as três principais falhas estruturais recorrentes no PNAE. A primeira, uma desconexão informacional, ou seja, muitos produtores familiares ainda desconhecem as demandas das prefeituras, enquanto os gestores públicos não localizam fornecedores qualificados em seus territórios. “Isso acontece porque não existe infraestrutura digital de descoberta mútua em escala no estado do Rio de Janeiro”, explica. Outra barreira, em sua opinião, é a burocracia, que se torna excludente ao exigir uma documentação técnica complexa que dificilmente os pequenos produtores conseguem preparar sem assistência técnica especializada. “A barreira documental elimina a maioria dos potenciais fornecedores antes mesmo do primeiro contato com as prefeituras”, alega Amaral. Por último, a logística fragmentada e a ausência de soluções compartilhadas entre produtores de uma mesma microrregião inviabiliza o atendimento dos volumes mínimos exigidos pelas prefeituras, especialmente nos municípios de pequeno e médio porte. “O resultado é um gap de execução crônico e mensurável estimado em mais de R$ 90 milhões/ano em recursos alocados legalmente para a agricultura familiar no estado do Rio de Janeiro que não chegam aos produtores por ausência de infraestrutura tecnológica adequada”, afirma Amaral.
O sistema cruza automaticamente a demanda nutricional da prefeitura com a oferta mapeada dos produtores locais (Foto: wirestock/Magnific)


A Prodos Intelligence é quem desenvolverá para a JuntaBrasil a plataforma digital que atuará como infraestrutura tecnológica de conexão entre produtores e cooperativas rurais (oferta) e prefeituras, secretarias de educação e gestores do PNAE (demanda). O projeto prevê três módulos integrados: um Marketplace Inteligente, para aproximar oferta e demanda; um sistema de Compliance Automatizado, para organizar a documentação exigida; e a Logística Compartilhada, para apoiar o planejamento das entregas. Três módulos funcionais integrados, desenvolvidos sobre arquitetura cloud-native (hospedada na nuvem), com APIs abertas, permitem conexão entre programas diferentes para trocar informações de forma segura e disponibilidade gratuita para uso externo, possibilitando a interação com sistemas governamentais.

Na prática, essa interface permite que as prefeituras publiquem chamadas públicas simplificadas e cooperativas/produtores enviem propostas em menos de três cliques. O sistema cruza automaticamente a demanda nutricional da prefeitura com a oferta mapeada dos produtores locais. As cooperativas têm um papel importante nesse processo porque permitem reunir a produção de diferentes agricultores, já que um pequeno produtor pode ter capacidade para fornecer determinado alimento, mas não conseguir sozinho atender ao volume solicitado por uma prefeitura.

O programa também executa a gestão de documentos como projetos de venda, padroniza editais, contratos, recibos e relatórios de prestação de contas. O sistema verifica eletronicamente a situação documental de cada fornecedor e alerta sobre pendências antes da submissão, reduzindo a taxa de desclassificação por irregularidade documental de 60% (estimativa atual) para menos de 10%.

A proposta também considera a logística compartilhada, por meio de painel de roteirização e agendamento que agrupa produtores de uma mesma microrregião, viabilizando o atendimento conjunto de pedidos que individualmente não seriam possíveis. Além disso, promove a integração com parceiros logísticos locais, como, por exemplo, a Central de Abastecimento do Estado do Rio de Janeiro (Ceasa-RJ), rastreando as entregas em tempo real.
Antonio Amaral: segundo o coordenador do projeto, o objetivo não é substituir os procedimentos legais do PNAE, mas utilizar tecnologia para tornar a conexão entre os participantes mais organizada e eficiente (Foto: arquivo pessoal)


“A solução se enquadra diretamente no Eixo 1 do programa da FAPERJ 'Agro Digital e Sustentável', e atende ao objetivo de fomentar promover a transformação digital no agronegócio por meio da adoção de tecnologias inteligentes e sustentáveis, visando o aumento da produtividade, a redução do impacto ambiental e a valorização dos pequenos e médios produtores”, explica Amaral, que atua na concepção e gestão de produtos, conectando estratégia, tecnologia e experiência do usuário.

Mais do que desenvolver uma plataforma, a pesquisa pretende verificar se uma infraestrutura digital pode ajudar a aproximar dois atores que já existem, mas que nem sempre conseguem se conectar de maneira eficiente: o agricultor familiar que produz e o município que precisa comprar. A expectativa é que, a partir dos primeiros municípios-piloto, seja possível identificar o que funciona, quais são os principais obstáculos e como a tecnologia pode contribuir para tornar mais simples e eficiente a participação da agricultura familiar no PNAE.


Autor: faperj

Fonte: faperj
Sítio Online da Publicação: faperj
Data: 15/10/2026
Publicação Original: https://www.faperj.br/?id=1120.7.0

quinta-feira, 15 de outubro de 2026

PIPE apoiará projetos de tecnologias educacionais

Chamada destinará até R$ 25 milhões a projetos de pesquisa para inovação em pequenas empresas no estado de São Paulo

A FAPESP anuncia o lançamento da Chamada de Propostas para o Programa PIPE Jornada Tecnológica – Tecnologias Educacionais – Fase 1, destinada a apoiar, com recursos não reembolsáveis, a execução de projetos de pesquisa científica e tecnológica inovativa em pequenas empresas no estado de São Paulo.

A chamada tem como objetivo apoiar o início do desenvolvimento de projetos de pesquisa para inovação que representem desafios tecnológicos de interesse da própria empresa, de um cliente ou do mercado. As propostas devem ser submetidas obrigatoriamente na Fase 1 do Programa Pesquisa Inovativa em Pequenas Empresas (PIPE).

Entre os tópicos de interesse da chamada estão: Ciência de Dados para Gestão e Eficácia Escolar; Engajamento e Competências do Século XXI (Ensino Fundamental e Médio); Inteligência de Requalificação e Mapeamento de Competências; Simulação Profissional e Práticas de Alta Fidelidade; Desenho Universal e Tecnologias Assistivas para Inclusão; e Tutores de Inteligência Artificial

A dotação total prevista para a chamada é de até R$ 25 milhões. Cada projeto poderá receber até R$ 500 mil, incluindo Bolsas de Treinamento Técnico e Bolsas de Pesquisa em Pequena Empresa, exceto Benefícios Complementares e a Parcela para Custos de Infraestrutura Direta do Projeto. Os projetos deverão ter duração máxima de 12 meses.

Podem participar pequenas empresas com até 250 empregados, que tenham sede ou unidade de pesquisa e desenvolvimento no estado de São Paulo. A proposta deverá ser submetida pelo pesquisador responsável, que deve ser sócio da empresa e residir no estado durante a execução do projeto. Caso não detenha os conhecimentos críticos necessários ao desenvolvimento da pesquisa, poderão ser indicados até dois pesquisadores principais para integrar a equipe.

A submissão das propostas deverá ser feita exclusivamente pelo Sistema de Apoio à Gestão (SAGe), no caminho: Programas de Inovação Tecnológica > PIPE-JT – Fase 1 > Tecnologias Educacionais – Chamada de Propostas (2026).

A chamada de propostas está disponível em: fapesp.br/18434



Autor: FAPESP

Fonte: FAPESP 
Sítio Online da Publicação: FAPESP
Data: 13/10/2026

FAPESP anuncia nova chamada SPRINT

Serão apoiadas colaborações entre pesquisadores com auxílios FAPESP e parceiros em instituições no exterior prevendo mobilidade e pesquisas conjuntas

A FAPESP anuncia a chamada de propostas de 2026 da modalidade SPRINT – São Paulo Researchers in International Collaboration.

A modalidade tem como objetivo promover o engajamento de pesquisadores vinculados a instituições de ensino superior e pesquisa no estado de São Paulo com pesquisadores parceiros no exterior para avançarem qualitativamente em projetos de pesquisa em andamento e trabalharem cooperativamente visando à elaboração de projetos de pesquisa conjuntos de médio e longo prazo.

Para este ano, a chamada SPRINT financiará projetos inicialmente por 12 meses, apoio que pode, no entanto, ser prorrogado por até mais 24 meses em função dos resultados obtidos e da evolução da colaboração.

As propostas submetidas nessa Chamada SPRINT deverão contemplar, obrigatoriamente, pelo menos um dos sete eixos estratégicos definidos pela FAPESP para o fomento à pesquisa no biênio (2026-28) – saber: biotecnologia; transição energética; biodiversidade, produção sustentável de alimentos e segurança alimentar; transição digital e inteligência artificial; ciência e tecnologias quânticas; saúde humana e animal; e violência e segurança pública.

A princípio, as propostas devem prever apenas a mobilidade por período de um ano da equipe de pesquisadores do estado de São Paulo para a instituição no exterior, mas já podem prever as etapas seguintes, que são a vinda de pesquisadores estrangeiros à instituição do estado de São Paulo no segundo ano de vigência e a realização de pesquisas conjuntas no terceiro ano, contando para isso com um financiamento inicial (seed funding).

Essas etapas seguintes serão viabilizadas em função dos resultados e das metas obtidas do período anterior descritos nos Relatórios Científicos. A cada relatório, a proposta para o ano seguinte poderá ser atualizada e o aditivo de orçamento solicitado em Solicitação de Mudança (SM) – Alteração de Orçamento.

O financiamento máximo de contrapartida da FAPESP será equivalente a até US$ 12,5 mil por ano para as fases 1 e 2, ou seja, de mobilidade de pesquisadores paulistas para instituição no exterior e de pesquisadores estrangeiros para instituição paulista. Para a fase 3, de realização de pesquisas conjuntas, o limite máximo é de US$ 25 mil.

A chamada está aberta a propostas em parceria:

• com pesquisadores de qualquer instituição de pesquisa estrangeira que comprovem o financiamento das missões por parte de sua própria universidade ou de agência de fomento pela qual tenha projeto contemplado.

• com pesquisadores de instituições de pesquisa estrangeiras interessadas que tenham definido condições para recebimento de propostas em colaboração e financiamento das suas equipes em missões científicas nas instituições de pesquisa no estado de São Paulo.

Podem submeter propostas pesquisadores responsáveis por Auxílios à Pesquisa FAPESP vigentes nas modalidades: Regular (exceto projetos de mobilidade e Fixação de Jovens Doutores), Jovem Pesquisador e Projeto Geração (caso tenham vínculo empregatício), Projeto Inicial (PI), Projeto Temático, Centros de Pesquisa, Inovação e Difusão (CEPID), Centros de Pesquisa em Engenharia/Centros de Pesquisa Aplicada (CPEs/CPAs), Centros de Ciência para o Desenvolvimento (CCDs), Programa Ensino Público, Programa de Pesquisa em Políticas Públicas (PPP) e Programa de Apoio à Pesquisa em Parceria para Inovação Tecnológica (PITE). Pesquisadores principais de Projetos Temáticos, CEPIDs, CPEs, CPAs e PITEs vigentes também são elegíveis para a submissão de propostas.

Propostas devem ser enviadas à FAPESP exclusivamente por meio do SAGe (fapesp.br/sage). A Chamada SPRINT 2026 terá duas edições, com datas-limite para recebimento de projetos estabelecidas em 26 de outubro de 2026 e 22 de fevereiro de 2027, respectivamente.
A chamada de propostas está publicada em: fapesp.br/sprint/chamada2026.





Autor: FAPESP
Fonte: FAPESP 
Sítio Online da Publicação: FAPESP
Data: 22/09/2026

quarta-feira, 14 de outubro de 2026

Investigação húngara procura explicar por que razão o cérebro não controla sozinho o corpo humano

Ligação intestino-cérebro

Direitos de autor fonyad.orsolya@gmail.com

O cérebro não só envia sinais ao corpo, como recebe informação contínua: coração, pulmões, intestinos e sistema imunitário comunicam com o sistema nervoso, tendo o nervo vago como via central.

Por que razão um simples pensamento pode alterar o nosso ritmo cardíaco? De que forma é que o estado do intestino influencia o funcionamento do cérebro? E como é que o mesmo organismo pode responder de maneira diferente ao mesmo estímulo? Os estudos dos últimos anos têm vindo a delinear uma relação cada vez mais complexa entre o cérebro e o corpo. No centro das atenções está um trajeto nervoso particular: o nervo vago, que permite a troca contínua de informações entre o corpo e o cérebro. Investigadores húngaros defendem que uma melhor compreensão desta comunicação pode transformar significativamente a nossa noção de saúde.

Durante muito tempo, imaginámos o corpo humano como se o cérebro fosse um centro de comando que tomava decisões e enviava ordens, que os órgãos executavam. A realidade, porém, é bem mais interessante. O cérebro não controla o corpo sozinho. Os investigadores compreendem cada vez melhor a forma como o organismo "fala" com ele.

O cérebro não só envia informação ao corpo como também a recebe de forma constante. O coração, os pulmões, o intestino, o sistema imunitário e muitos outros sistemas mantêm um diálogo permanente com o sistema nervoso. Um dos principais canais desta comunicação é o nervo vago, designado em latim por "nervus vagus".

Este trajeto nervoso liga o cérebro, entre outros órgãos, ao coração, aos pulmões e ao sistema digestivo. É particularmente relevante o facto de grande parte da informação que por ele circula não sair do cérebro em direção ao corpo, mas sim seguir o sentido inverso, partindo do organismo e chegando ao cérebro.

“Durante muito tempo olhámos para o organismo humano como a soma de sistemas isolados”, afirmou Goda Gábor, engenheiro químico e líder das equipas de desenvolvimento da Draconic Technology e da Synbiotic Laboratory. “Hoje, cada vez mais estudos mostram a importância da comunicação entre sistemas. O cérebro também não é um diretor-geral que distribui ordens, é antes parte de um sistema que recebe e interpreta continuamente informação vinda de diferentes pontos do corpo”, acrescentou.

 Goda GáborGoda Gábor, engenheiro químico e líder das equipas de desenvolvimento da Draconic Technology e da Synbiotic Laboratory
Goda GáborGoda Gábor, engenheiro químico e líder das equipas de desenvolvimento da Draconic Technology e da Synbiotic Laboratory fonyad.orsolya@gmail.com

Quão forte é a ligação entre o corpo e o sistema nervoso?

A literatura médica oferece exemplos particularmente surpreendentes deste fenómeno.

Nos anos 80, já foram descritos doentes com perturbação dissociativa de identidade, anteriormente designada por perturbação de personalidade múltipla, em que diferentes estados de personalidade se associavam a características físicas distintas. Alguns relatos de casos referem alterações em reações alérgicas, acuidade visual e outros parâmetros fisiológicos (Braun, 1983).

Um dos exemplos mais citados parece quase inacreditável à primeira vista. O mesmo doente consumia sumo de toranja sem qualquer problema num dos seus estados de personalidade, enquanto noutro estado a mesma bebida lhe provocava uma reação alérgica. A mesma pessoa. O mesmo organismo. A mesma bebida. E, no entanto, respostas biológicas diferentes.

É importante salientar que estes são relatos antigos, cuja interpretação científica continua controversa. Não demonstram que um estado de personalidade possa, por si só, "ligar ou desligar" uma alergia. Mostram, sim, há quanto tempo os investigadores se interessam pelas ligações entre o sistema nervoso, o sistema imunitário e outros processos corporais.

Braun, B. G. (1983). Psychophysiologic phenomena and multiple personality disorder. Psychiatric Clinics of North America, 6(2), 305–317.

O que acontece quando a comunicação se interrompe?

O papel do nervo vago foi igualmente estudado em experiências com animais. Nalguns estudos, os cientistas bloquearam o funcionamento de determinadas ligações que passam por este nervo e observaram as alterações em vários processos fisiológicos e comportamentais.

Uma das principais conclusões destes estudos não é a existência de um "interruptor principal" no organismo. Pelo contrário, os estudos demonstram quão difícil é interpretar o funcionamento de um único órgão ou processo, quando este é analisado de forma isolada do sistema no seu todo.

Há uma troca contínua de informação entre o sistema nervoso, o sistema imunitário, o aparelho digestivo e o cérebro. Quando uma parte dessa comunicação é alterada, podem surgir consequências noutros pontos do sistema.

Estará mal desenhado o mapa do corpo humano?

Esta é precisamente uma das questões mais interessantes para a equipa de desenvolvimento húngara da Draconic Technology e da Synbiotic Laboratory. Estão a desenvolver abordagens baseadas numa melhor compreensão das ligações entre o sistema nervoso, o sistema imunitário e o intestino. O objetivo não é estudar um único órgão de forma isolada, mas sim mapear a forma como estes sistemas funcionam em conjunto.

Para Goda Gábor, isto é ainda mais relevante, visto que a ciência moderna já acumulou um conhecimento extremamente detalhado sobre muitos componentes do organismo humano. A próxima grande questão poderá ser compreender como tudo isso se integra num único sistema funcional.

"A medicina moderna revelou os componentes do corpo humano com uma precisão extraordinária. O próximo grande passo poderá ser compreender não apenas cada elemento em separado, mas também a forma como comunicam entre si. É possível que algumas das grandes descobertas futuras não resultem da identificação de um novo órgão, molécula ou substância ativa, mas sim da compreensão das relações entre os sistemas que já conhecemos", afirmou Goda Gábor.


Autor: pt.euronew
Fonte: pt.euronews
Sítio Online da Publicação: pt.euronews

Sistema solar vai desintegrar-se muito mais cedo do que se pensava, dizem cientistas

O sol põe-se para lá das luzes de um complexo juvenil de basebol distante, domingo, 27 de setembro de 2026, em Lenexa, Kansas. (AP Photo/Charlie Riedel)

Direitos de autor Copyright 2026 The Associated Press. All rights reserved.


Nessa altura, a Terra já terá desaparecido, mas novos estudos indicam que os planetas exteriores também serão expulsos, mil milhões de vezes mais cedo do que se previa, segundo a astrofísica.

Os planetas exteriores do sistema solar serão lançados no caos cerca de mil milhões de anos depois de o Sol morrer, conclui um novo estudo, reduzindo a sua esperança de vida por um fator de mil milhões.

Estimativas anteriores apontavam para a estabilidade das órbitas dos planetas gigantes durante cerca de um quintilião de anos, muito para lá da idade atual do Universo.

Investigadores do Instituto de Tecnologia da Califórnia (Caltech) procuraram perceber de que forma a morte lenta do Sol afetará os planetas exteriores, incluindo Júpiter, Saturno, Úrano e Neptuno.

Também se pensava, entre muitos cientistas, incluindo Isaac Newton, que o Sol iria perder massa de forma suave à medida que morresse, transformando‑se primeiro numa gigante vermelha e mais tarde numa anã branca.

A Terra, Vénus e Mercúrio seriam os primeiros a desaparecer, consumidos pelo Sol à medida que este se expandisse em gigante vermelha, ficando Marte como único sobrevivente, suficientemente afastado para escapar ao engolfamento.

Estudos anteriores concluíam que os planetas exteriores sobreviveriam a este processo, alargando as suas órbitas até cerca do dobro do tamanho atual à medida que o Sol perdesse massa. A sua eventual desagregação seria provocada apenas pela passagem de estrelas, ao fim de 30 a 100 mil milhões de anos.

As novas conclusões põem em causa este cenário. Em vez disso, os planetas exteriores serão lançados em desordem cerca de mil milhões de anos depois de o Sol se transformar numa anã branca, algo que ainda acontecerá daqui a vários milhares de milhões de anos.

Quando o Sol se tornar numa anã branca, arrefecerá rapidamente e encolherá até metade do tamanho atual, mas este processo não será tão suave como se pensava.

O estudo defende que a estrela perderá massa em ejeções violentas e aleatórias, conhecidas como “pontapés estocásticos”, em vez de uma libertação calma e constante.

As novas conclusões sugerem que este cenário está errado. Em vez disso, os planetas exteriores serão lançados em desordem cerca de mil milhões de anos depois de o Sol se tornar numa anã branca, algo que ainda acontecerá daqui a vários milhares de milhões de anos.

O sistema solar tem 4,57 mil milhões de anos e ao Sol restam cerca de cinco mil milhões de anos antes de se expandir até se tornar numa gigante vermelha. Durante muito tempo, os cientistas assumiram que os planetas gigantes o sobreviveriam por um intervalo de tempo quase inimaginável.

A investigação foi realizada com recurso a supercomputadores de alto desempenho e a centenas de simulações numéricas avançadas N‑corpos, sem qualquer recurso a ferramentas de inteligência artificial.

Os investigadores construíram um modelo virtual do sistema solar, que incluía o Sol, Júpiter, Saturno, Úrano e Neptuno, e que os supercomputadores usaram para calcular e simular a velocidade e a posição destes corpos ao longo de milhares de milhões de anos.

O que distinguiu esta análise de trabalhos anteriores foi a forma como se programou a perda de massa do Sol, representando‑a como rajadas aleatórias, violentas e episódicas. Centenas de variações do modelo foram testadas até se alcançar uma conclusão consensual.

As conclusões foram apresentadas no estudo intitulado ‘Instabilidade terminal do sistema solar desencadeada por perda estocástica de massa solar’, publicado na revista The Astrophysical Journal Letters.


Autor: pt.euronew

Fonte: pt.euronews
Sítio Online da Publicação: pt.euronews