quarta-feira, 24 de junho de 2026

Fiocruz e Thermo Fisher Scientific assinam memorando de entendimento para impulsionar inovação

A Fiocruz e a Thermo Fisher Scientific assinaram um memorando de entendimento (MoU) para explorar oportunidades de colaboração em pesquisa biomédica, capacitação laboratorial, diagnósticos, vacinas e bioprodução. O acordo foi assinado em 23 de junho, durante a BIO International Convention 2026, em San Diego, na Califórnia.



Da esquerda para a direita, o vice-presidente Global de Operações Comerciais e Bioprodução da Thermo Fisher, Chris Mach; a vice-presidente Sênior e presidente de BioProdução e Customer Excellence da Thermo Fisher, Daniella Cramp; a vice-presidente de Produção e Inovação em Saúde da Fiocruz, Priscila Ferraz, a diretora do Instituto de Tecnologia em Imunobiológicos (Bio-Manguinhos/Fiocruz), Rosane Cuber, e o secretário-adjunto da Secretaria de Ciência, Tecnologia, Inovação e Complexo Econômico-Industrial da Saúde do MS, Eduardo Jorge Valadares Oliveira (Foto: Pamela Lang)

"O acordo com a Thermo Fisher reforça nossa capacidade de planejar o enfrentamento de desafios sanitários que exigem inovação contínua. Trata-se de uma cooperação técnico-científica que pode gerar oportunidades de desenvolvimento de tecnologias relevantes para o Brasil e para a América Latina", reforçou a vice-presidente de Produção e Inovação em Saúde da Fiocruz, Priscila Ferraz.

O MoU estabelece uma estrutura para intercâmbio científico e colaboração, incluindo reuniões técnicas, compartilhamento de conhecimento e identificação de áreas de interesse mútuo. As possíveis áreas de cooperação incluem desenvolvimento tecnológico, otimização de fluxos de trabalho, validação de tecnologias e capacitação de profissionais.

A diretora do Instituto de Tecnologia em Imunobiológicos (Bio-Manguinhos/Fiocruz), Rosane Cuber, explica que o documento estabelece as bases para “Uma colaboração estruturada com as equipes técnicas da Thermo Fisher, com foco no avanço da ciência e na geração de impacto em saúde pública”.

“Na Thermo Fisher Scientific, nossa missão é permitir que nossos clientes tornem o mundo mais saudável, mais limpo e mais seguro. Este MoU reflete nosso compromisso compartilhado com a Fiocruz em promover a ciência e explorar abordagens inovadoras que fortaleçam as capacidades de saúde, acelerem o progresso científico e melhorem os resultados em saúde pública no Brasil e na América Latina. Temos orgulho de contribuir com nossa expertise científica, tecnologias inovadoras e amplo portfólio de soluções integradas de ponta a ponta para apoiar essa colaboração e ajudar a enfrentar alguns dos desafios mais urgentes da saúde atualmente”.

O acordo, com vigência inicial de três anos, apoia a estratégia da Fiocruz de fortalecer o Complexo Econômico-Industrial da Saúde do Brasil por meio da colaboração internacional. Ao promover o intercâmbio científico e a inovação, a parceria busca ampliar as capacidades nacionais e apoiar o desenvolvimento de soluções estratégicas para o Sistema Único de Saúde (SUS).

Participaram da cerimônia de assinatura representantes do Ministério da Saúde do Brasil, incluindo o secretário-adjunto da Secretaria de Ciência, Tecnologia, Inovação e Complexo Econômico-Industrial da Saúde do Ministério da Saúde, Eduardo Jorge Valadares Oliveira, como representante da pasta, a vice-presidente Priscila Ferraz, a diretora Rosane Cuber, e a vice-presidente Sênior e presidente de BioProdução e Customer Excellence da Thermo Fisher Scientific, Daniella Cramp.



Autor: fiocruz
Fonte: fiocruz
Sítio Online da Publicação: fiocruz
Data: 23/06/2026
Publicação Original: http://fiocruz.br/noticia/2026/06/fiocruz-e-thermo-fisher-scientific-assinam-memorando-de-entendimento-para

Simpósio Internacional debate avanços e desafios da nanotecnologia na saúde pública

Da aplicação de nanopartículas em vacinas e medicamentos ao desenvolvimento de métodos mais seguros para avaliação toxicológica, a nanotecnologia e seu potencial para ampliar soluções em saúde estiveram no centro das discussões do 1º Simpósio Internacional de Nanotecnologia em Saúde, realizado no Rio de Janeiro. O encontro, promovido pela Fiocruz, reuniu pesquisadores do Brasil e de outros países, além de estudantes e representantes de empresas. Ao todo, foram 200 inscritos.



Discussões também abordaram os desafios da produção e da segurança de nanomedicamentos (Foto: VPPVB/Fiocruz)

Na abertura do evento, a vice-presidente de Pesquisa e Coleções Biológicas (VPPCB) da Fiocruz, Alda Maria da Cruz – por meio de vídeo pré-gravado –, a coordenadora-geral para Promoção do Complexo Industrial da Saúde do Ministério da Saúde, Zênia Maciel, a diretora-executiva da Fiotec, Cristiane Sedim, os coordenadores da Rede Fio-Nano, Fabio Formiga e Carlos Calzavara, e o consultor científico do Programa de Pesquisa Translacional (PPT) da Vice-Presidência de Pesquisa e Coleções Biológicas (VPPCB/Fiocruz), Wim Degrave, destacaram o papel estratégico da nanotecnologia como área capaz de impulsionar a inovação em saúde. Eles pontuaram também a importância de fortalecer novos projetos e parcerias, a captação de recursos, o papel do pesquisador como empreendedor e as tendências emergentes da nanotecnologia e da nanomedicina como áreas de vanguarda para inovação em saúde e para as políticas públicas brasileiras. A coordenação do evento coube ao PPT.

A conferência de abertura foi ministrada por Juan Manuel Irache, da Universidade de Navarra, na Espanha, que apresentou pesquisas com nanopartículas produzidas a partir da zeína, uma das proteínas extraídas dos grãos de milho. Biocompatíveis, biodegradáveis e abundantes, essas nanopartículas vêm sendo investigadas como sistemas de transporte de fármacos e como adjuvantes para imunização por mucosas, o que amplia seu potencial de aplicação em vacinas e sua relevância para a indústria farmacêutica. Os dados apresentados indicaram resultados promissores tanto para o aprimoramento de vacinas quanto para o controle glicêmico e a redução da resistência à insulina.

Nanomedicamentos e plataformas tecnológicas

As discussões também abordaram os desafios da produção e da segurança de nanomedicamentos. A pesquisadora Eder Lilia Romero, da Universidade Nacional de Quilmes, da Argentina, apresentou estratégias para simplificar a produção industrial de medicamentos por meio do uso de biomateriais inovadores. Já Diego Martinez, do Laboratório Nacional de Nanotecnologia do Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais, defendeu uma abordagem integrada para o desenvolvimento de nanomateriais, considerando aspectos de inovação, sustentabilidade e segurança ao longo de todo o ciclo de vida desses sistemas. Em sua apresentação, destacou a necessidade de evitar a nanopoluição e de incorporar os princípios do conceito de saúde única para promover inovação com segurança. Ele acrescentou haver ainda iniciativas importantes para a nanoagricultura e trabalhos com instituições europeias em campos como nanoinformática e inteligência artificial.

A pesquisadora Heloisa Bordallo, da Universidade de Copenhague, na Dinamarca, abordou aspectos do desenho de nanopartículas, estudos com células cancerosas e o papel da água nas interações entre o organismo e drogas anticâncer. Utilizando técnicas de espalhamento de nêutrons, foi possível observar que a água atua como participante ativa nos mecanismos envolvidos na ação de medicamentos e no comportamento de sistemas nanoestruturados, ampliando a compreensão sobre processos fundamentais da nanomedicina.

As discussões também concentraram-se nas aplicações farmacêuticas da nanotecnologia. Representando a Croda Pharma, empresa fornecedora de componentes químicos, Letícia Marques apresentou avanços no desenvolvimento de lipídios de alta pureza utilizados em nanopartículas lipídicas, empregadas em vacinas de RNA mensageiro, como as utilizadas contra a Covid-19. Marques comentou iniciativas de colaboração entre as universidades públicas e a indústria para o desenvolvimento de novos sistemas de entrega de medicamentos. Uma das parcerias da Croda Pharma é com a Universidade Federal do Ceará para melhorar a eficiência da encapsulação de medicamentos.

As possibilidades da nanotecnologia para o enfrentamento de doenças socialmente determinadas foram uma das ênfases da apresentação de Ariane Batista, do Instituto Alberto Luiz Coimbra de Pós-Graduação e Pesquisa de Engenharia da Coppe/UFRJ. A pesquisadora mostrou o trabalho com engenharia de nanopartículas e como as nanopartículas podem transformar abordagens terapêuticas. Ela analisou resultados obtidos com micropartículas capazes de promover a liberação prolongada de fármacos, reduzindo a necessidade de múltiplas aplicações e minimizando efeitos adversos. Entre os exemplos, citou o tratamento da leishmaniose, incluindo as formulações e os sistemas de liberação controlada do medicamento com potencial de impacto para o SUS.

Também dedicada ao desenvolvimento tecnológico, a professora Eliana Lima, da Universidade Federal de Goiás (UFG), ressaltou que a nanomedicina translacional já é uma realidade no país, mas depende da integração entre diferentes áreas do conhecimento. Segundo ela, o sucesso dessas tecnologias está associado não apenas ao medicamento, mas às nanopartículas responsáveis por protegê-lo, transportá-lo e direcioná-lo ao local de ação. Lima esclareceu que as nanopartículas não apenas protegem o medicamento no organismo, mas também contribuem para reduzir seus efeitos indesejados ao controlar sua distribuição e liberação.

Especialistas do Reino Unido, Alemanha e Brasil apresentaram avanços em nanometrologia e nanotoxicologia. Eles discutiram desde o papel das ferramentas para caracterização de nanopartículas até modelos alternativos aos testes em animais. Nesse contexto, as nanofibras sintéticas foram apontadas como uma alternativa promissora por possibilitarem a criação de modelos de tecidos humanos aplicáveis a pesquisas com intestino, pulmão, coração, córnea, ossos, pele e mucosa nasal.

Nanomedicina translacional e financiamento da pesquisa

No segundo dia, pesquisadores do Instituto de Pesquisa Scripps (Estados Unidos), do Instituto de Tecnologia em Imunobiológicos (Bio-Manguinhos/Fiocruz), da UFMG, da UFRGS, da Universidade de Groningen (Holanda), do Instituto Oswaldo Cruz (IOC/Fiocruz) e do Instituto Fraunhofer de Pesquisa em Silicatos (Alemanha) discutiram o papel das plataformas tecnológicas no aumento da precisão e da efetividade de terapias avançadas. A programação abordou temas como terapias regenerativas e o uso de nanopartículas para entrega de ácidos nucleicos, uma das estratégias promissoras para o desenvolvimento de medicamentos baseados em RNA e DNA. Também foram apresentadas inovações em bioimpressão 3D para medicamentos, uso de robôs e desenvolvimento de nanomateriais.

Além de colocar luz sobre esses temas, o simpósio abriu espaço para refletir sobre as formas de financiamento da pesquisa e as condições necessárias para consolidar a nanomedicina translacional no Brasil. O tema foi debatido em uma mesa-redonda composta por representantes de instituições responsáveis pelo financiamento, pela regulação e pelo fomento da pesquisa científica no país. Participaram da discussão Camila Moreira, da Anvisa; Silvia Fialho, da Fundação Ezequiel Dias (Funed); Monica Felts, do CNPq; Letícia Koester, da Capes; e André Daher, da VPPCB, responsável pela mediação da mesa. Os participantes destacaram a necessidade de fortalecer a cultura de acompanhamento de chamadas nacionais e internacionais voltadas para financiamento da pesquisa. Também foi reforçada a dimensão translacional do simpósio com a abertura da exposição de pôsteres, valorizando a difusão de pesquisas, de metodologias e dos resultados.

No último dia, o foco esteve nas aplicações da nanomedicina em desafios prioritários da saúde pública. Os destaques foram para a nanomedicina no combate ao câncer, com foco em terapias mais direcionadas e menos tóxicas, e o potencial da nanotecnologia para enfrentar as doenças infecciosas e as determinadas socialmente, temática de grande relevância para países da América Latina.

A diversidade das sessões científicas demonstrou que os avanços da nanotecnologia não são resultado de uma única disciplina. A área se constrói na convergência entre medicina, biologia, física, farmácia, química e engenharia. Trata-se de um campo essencialmente interdisciplinar, cujos avanços dependem da articulação entre diferentes saberes e de um esforço coletivo capaz de compreender fenômenos complexos e transformar descobertas científicas em aplicações clínicas.




Autor: fiocruz
Fonte: fiocruz
Sítio Online da Publicação: fiocruz
Data: 23/06/2026
Publicação Original: https://fiocruz.br/noticia/2026/06/simposio-internacional-debate-avancos-e-desafios-da-nanotecnologia-na-saude-publica

Cooperação entre MS e Fiocruz fortalece atuação na Atenção Primária à Saúde

A Fiocruz celebrou parceria com o Ministério da Saúde (MS) cujo objetivo é potencializar o Centro de Saúde Escola Germano Sinval Faria (CSEGSF) como espaço de inovação, formação e qualificação da Atenção Primária à Saúde (APS). Para celebrar e marcar o início do acordo, representantes do MS e da Secretaria Municipal de Saúde do Rio de Janeiro realizaram uma visita técnica ao CSEGSF.



Projeto busca fortalecer a vocação do Centro de Saúde da Fiocruz por meio da qualificação de profissionais, da implementação de processos sistemáticos de monitoramento e avaliação e do desenvolvimento de ações voltadas a temas prioritários da APS (Foto: Informe Ensp)

Com vigência de cinco anos, o projeto Qualificação em ensino e serviço de profissionais da atenção primária à saúde, em território vulnerabilizado reafirma o compromisso do MS com o fortalecimento do Centro de Saúde como unidade-escola e das atividades de ensino da Escola Nacional de Saúde Pública (Ensp/Fiocruz). A iniciativa prevê ações de formação permanente, desenvolvimento de trilhas formativas em áreas prioritárias, aumento da participação social, aprimoramento de programas de residência e pós-graduação no âmbito da APS, ampliação do uso de indicadores e da produção de conhecimento voltado à tomada de decisão em saúde. Assim, a iniciativa visa consolidar Manguinhos como território-escola, aprimorar a resolutividade da APS, melhorar o cuidado e gerar modelos replicáveis para outros territórios do SUS, alinhados à Política Nacional de Atenção Básica e às necessidades reais da população.

A visita foi marcada por dois momentos. De manhã, após um momento de recepção e abertura institucional em que as equipes se apresentaram, foi realizada uma visita a todos os espaços do Centro de Saúde. Na parte da tarde, a apresentação institucional continuou, seguida de uma mesa de cooperação e alinhamento de expectativas.

Representantes destacam potencial estratégico

O SUS no território e para o território. Segundo o diretor da Ensp/Fiocruz, Marco Menezes, esse é um dos pontos centrais reforçados pelo projeto. Menezes destacou que a execução do projeto parte da experiência prática no cuidado realizado no território, tendo o Centro de Saúde como referência e origem da articulação em Manguinhos. O diretor ressaltou que se trata de uma iniciativa construída de forma integrada, que envolve Fiocruz, movimentos sociais e outras áreas da instituição.

"Este projeto também contribui para afirmar o papel estratégico da Fundação. Um dos temas centrais desse debate é como melhoramos nossa atuação nos territórios, e esta iniciativa tem grande potencial para valorizar ainda mais esse papel", enfatizou. Menezes ressaltou a intenção de desenvolver uma experiência inovadora de gestão e a possibilidade de expansão da iniciativa: "O projeto nasce no Centro de Saúde, mas envolve toda a Escola. Essa integração é uma das suas maiores fortalezas e representa uma oportunidade importante para ampliar e valorizar ainda mais seus resultados".

"Estamos muito felizes com este momento, que marca uma transformação importante na gestão da Atenção Primária à Saúde no âmbito da Escola", afirmou a vice-diretora de Atenção à Saúde e Laboratórios, Fátima Rocha. Segundo ela, a cooperação fortalece o papel da Fiocruz no campo das políticas públicas, além de representar a possibilidade de avançar no cuidado com a promoção de uma atenção integrada. A vice-diretora enfatizou a importância da atuação coletiva e reafirmou compromissos para realizar os objetivos: "É uma experiência nova, que construiremos da forma mais cuidadosa possível. Contamos com o olhar atento e a sensibilidade de todos para enfrentar os desafios e esperamos que o processo dê robustez à rede de afetos e aos compromissos políticos fundamentais para a dimensão e a importância dos desafios que temos pela frente".

Patrícia Canto, da Vice-Presidência de Ambiente, Atenção e Promoção da Saúde (VPAAPS/Fiocruz), destacou a satisfação de celebrar mais uma oportunidade de aprofundar a cooperação entre a instituição e o MS. "Experiências como as desenvolvidas aqui levaram a muitos dos princípios da Reforma Sanitária brasileira e do SUS. Ao longo dos anos, o Centro sempre se renovou. Acredito que fará história ao participar deste modelo inovador". Para Canto, o valor da iniciativa está em fortalecer o papel da Fiocruz como espaço de inovação, formação, produção de conhecimento e discussão de novas práticas, sempre integrado ao SUS.

"É um momento de ressignificar a forma como atuamos, fortalecendo identidades, vínculos e modos de produzir cuidado", defendeu a coordenadora de Atenção à Saúde da Ensp, Lucélia Santos. Ela contextualizou que, frente às inúmeras iniciativas do CSEGSF em formação, assistência, pesquisa e inovação, a parceria representa uma oportunidade estratégica de garantir condições adequadas para os trabalhadores e trabalhadoras, bem como de retomar uma vocação histórica: a de ser um centro formador para o Brasil. "Nosso desafio é potencializar este legado. O Centro já ocupa esse lugar, mas agora temos a possibilidade de ampliar seu alcance e sua capacidade de formação, bem como de compartilhar suas experiências de forma mais abrangente", reforçou.

"Entendemos o projeto como uma possibilidade de potencializar o Centro de Saúde na formação de trabalhadores do Sistema Único de Saúde, na qualificação das nossas equipes de Saúde da Família, pensando em um cuidado integral, cada vez mais alinhado com as questões do território", afirmou a chefe do CSEGSF, Janine Santos, que reforçou a participação histórica do Centro na construção da saúde pública brasileira.

Ana Luiza Caldas, da Secretaria de Atenção Primária à Saúde (SAPS/MS), destacou que este projeto é resultado de uma demanda antiga e reforçou a importância do momento. Ela defendeu que era necessário encontrar uma solução capaz de fortalecer a vinculação do Centro de Saúde à Fiocruz, assim como seu papel histórico e estratégico. "Foi com esse entendimento que construímos uma alternativa que aprofunda o papel do Centro de Saúde Escola como espaço de assistência, formação, pesquisa e inovação, sem perder de vista sua integração com a rede municipal de saúde e sua contribuição histórica para o SUS", afirmou. Segundo a representante da SAPS/MS, a expectativa é aprimorar mecanismos de cooperação já existentes e avançar para instrumentos mais estruturados de colaboração institucional, preservando a continuidade da assistência e das atividades desenvolvidas no território.

"Nosso objetivo é contribuir para que esta unidade se consolide como uma referência e um modelo para o SUS. Acreditamos nessa força e estamos aqui para construir esse caminho em parceria com vocês", declarou Ana Cláudia Cardozo Chaves, coordenadora-geral de Saúde da Família e Comunidade (SAPS/MS). A representante do MS reforçou a expectativa positiva em relação à parceria e o potencial de crescimento da cooperação: "Não tenho dúvidas de que a Fiocruz, a equipe do Centro de Saúde e a Secretaria Municipal de Saúde, com o apoio do Ministério, conseguirão construir uma experiência de grande relevância. Estamos aqui para apoiar, colaborar e experimentar conjuntamente novas possibilidades, tanto no âmbito da formação quanto da inovação e do desenvolvimento tecnológico, avaliando o que a parceria pode produzir e transformar".

Hannah Shiva Ludgero Farias, da Coordenação de Atributos e Estratégias da APS (SAPS/MS), reforçou a potencialidade de pensar o cuidado em saúde a partir da formação, da qualificação, da atuação junto à população e da construção coletiva realizada cotidianamente. "Este é o momento inicial da trajetória de um trabalho muito potente", defendeu.

A assessora técnica do Subsecretaria de Atenção Primária, Promoção e Vigilância em Saúde, Laís Pimenta, afirmou que o Rio de Janeiro é pioneiro em diversas estratégias de Atenção Primária, e a Ensp/Fiocruz ocupa papel central nesse processo ao formar profissionais comprometidos com o SUS e preparados para pensar o cuidado a partir das necessidades concretas da população. "Nenhuma transformação é feita de forma isolada. Temos a oportunidade de consolidar o CSEGSF como um laboratório de inovação não apenas para Manguinhos, mas para o Brasil e para o mundo. Um espaço capaz de desenvolver experiências, tecnologias e estratégias que transformem a vida das pessoas e fortaleçam o SUS", concluiu.

Outros representantes da ENSP e do Ministério da Saúde envolvidos na implementação do projeto também marcaram presença na atividade. Entre eles Renata Collazos, da Assessoria da Direção da Ensp; Pedro Lima, Patrícia Costa, Érica Souza e Fabrício Araújo, da VDAL/Ensp; além de Janaína Rangel, Fabiano Santos, Isabella Lopes, Vera Frossard, Eliane Vianna, Cristiane Coutinho Figueiredo e Rafael Arnoso Leitão, integrantes das equipes de gestão, ensino, pesquisa, cuidado e formação do Centro de Saúde Escola Germano Sinval Faria.

O projeto

A proposta parte do reconhecimento dos desafios enfrentados pela APS em territórios marcados por vulnerabilidades sociais, desigualdades socioeconômicas e situações recorrentes de violência armada, como Manguinhos. Este contexto foi agravado após a pandemia de Covid-19, com o aumento das demandas relacionadas às condições crônicas, ao sofrimento mental e à insegurança alimentar, complexificando o cuidado ofertado às populações do território.

Nesse cenário, o CSEGSF foi reconhecido como um espaço estratégico por articular assistência, ensino, pesquisa e participação social. O projeto busca fortalecer essa vocação por meio da qualificação de profissionais, da implementação de processos sistemáticos de monitoramento e avaliação e do desenvolvimento de ações voltadas a temas prioritários da APS, como cuidado integral, saúde mental, vigilância em saúde, práticas integrativas e complementares, bem como segurança do paciente e atenção à saúde em contextos de violência armada.

O objetivo da iniciativa é contribuir para a melhoria do cuidado e da organização dos processos de trabalho na APS, por meio da formação de profissionais capazes de atuar de forma resolutiva, humanizada, interprofissional e comprometida com os princípios do SUS. Para tanto, prevê o aperfeiçoamento de competências técnicas, pedagógicas e de gestão, além da implementação de ações de monitoramento e avaliação das práticas clínicas e dos indicadores de cuidado integral, fortalecendo o acompanhamento longitudinal dos usuários, a identificação das necessidades do território e a tomada de decisão.



Autor: fiocruz
Fonte: fiocruz
Sítio Online da Publicação: fiocruz
Data: 23/06/2026
Publicação Original: https://fiocruz.br/noticia/2026/06/cooperacao-entre-ms-e-fiocruz-fortalece-atuacao-na-atencao-primaria-saude

segunda-feira, 22 de junho de 2026

Estado do Rio cria Marco Legal Mães na Ciência e fortalece políticas de apoio à permanência de mulheres na pesquisa


A redação do projeto de lei teve a contribuição de representantes da Comissão de Equidade, Diversidade e Inclusão da FAPERJ, que acompanharam os debates na Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj) sobre o tema (Foto: DC Studio/Magnific)

O Estado do Rio de Janeiro passa a contar com um novo instrumento de promoção da equidade de gênero na produção científica. O governador em exercício, desembargador Ricardo Couto, sancionou a lei nº 11.213, publicada no Diário Oficial desta segunda-feira, dia 8 de junho, que institui o Marco Legal Mães na Ciência. A legislação cria diretrizes para garantir apoio às mães e adotantes na graduação e na pós-graduação, assegurando condições mais justas para a permanência e a progressão acadêmica.

As universidades públicas estaduais e a Fundação Carlos Chagas Filho de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro (FAPERJ) devem adotar mecanismos de equidade e reconhecimento no âmbito do Marco Legal Mães na Ciência. A lei observará a autonomia didático-científica, administrativa e de gestão financeira das Instituições de Ensino Superior (IES) e os objetivos do Programa Estadual de Incentivo ao Protagonismo das Mulheres na Ciência. A redação do projeto de lei sancionado teve a contribuição de representantes da Comissão de Equidade, Diversidade e Inclusão da FAPERJ, que acompanharam os debates na Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj) sobre o tema.

Nos processos seletivos e de renovação de bolsas de pesquisa, ensino e extensão, a lei veda a adoção de critérios discriminatórios contra candidatas por motivo de gestação, parto, nascimento de filho, adoção ou guarda judicial para fins de adoção. Proíbe, ainda, a formulação de perguntas sobre planejamento familiar em entrevistas, avaliações ou documentos de inscrição, salvo quando a candidata manifestar a intenção de tratar do tema.

A iniciativa avança no reconhecimento do trabalho de cuidado, especialmente da maternidade e da adoção, na avaliação de mérito acadêmico, produtividade científica e análise curricular, para fins de pontuação em processos seletivos de bolsas e editais de monitoria, iniciação científica, extensão, mestrado, doutorado e pós-doutorado.

Para a presidente da FAPERJ, Caroline Alves, a nova lei reforça iniciativas da Fundação que caminham no mesmo sentido de fortalecer a atuação das mulheres em prol do avanço da ciência no estado. "A sanção do Marco Legal Mães na Ciência representa um avanço histórico para a ciência fluminense e para a equidade de gênero na produção do conhecimento no estado, pois sabemos que a maternidade e a adoção impõem desafios reais às trajetórias acadêmicas de inúmeras pesquisadoras", disse.

Na mais recente medida em apoio à participação das mulheres na pesquisa fluminense, a FAPERJ lançou, no início de março, o edital Programa de Apoio à Jovem Cientista Mulher – Dra. Tatiana Sampaio, em homenagem à cientista, cujo trabalho pioneiro trouxe contribuições importantes para o campo da regeneração da medula espinhal em pacientes tetraplégicos.

* Com informações da Assessoria de Comunicação do Governo do Estado do Rio de Janeiro



Autor: faperj
Fonte: faperj
Sítio Online da Publicação: faperj
Data: 08/06/2026
Publicação Original: https://www.faperj.br/?id=1038.7.3

Biotech Hub vai reforçar estrutura de startups de Biotecnologia na UFRJ



Imagem mostra como ficará uma das salas do Biotec Hub, que será entregue em junho. Espaço multiusuário será utilizado por startups da área de Biotecnologia (Imagem: Fernanda Metello)

A Incubadora de Empresas da Coppe/UFRJ vai inaugurar, no próximo dia 18 de junho, seu Biotech Hub, uma estrutura dedicada ao desenvolvimento de startups da área de Biotecnologia. Implantado com apoio da FAPERJ, o espaço multiusuário de 350 m² funcionará no prédio da Incubadora, na Cidade Universitária, e será utilizado por pesquisadores empreendedores. A proposta é transformar conhecimento acadêmico em soluções tecnológicas de alto impacto social e econômico.

O hub contará com um conjunto de equipamentos que poderão ser utilizados de forma compartilhada por startups de base científica. Desta forma, as empresas poderão investir seus recursos em outras necessidades. O ambiente contará com um ultrafreezer vertical capaz de refrigerar até 86 graus negativos, conhecido como freezer -80°; ultracentrífuga; uma incubadora de células, entre outros.

A estrutura foi viabilizada por meio do Programa de Apoio a Ações Integradas de Inovação em Instituições de Ciência e Tecnologia Fluminenses da FAPERJ, que destinou recursos para aquisição de equipamentos laboratoriais de ponta. “A inauguração do Biotech Hub representa exatamente o tipo de resultado que buscamos ao investir recursos públicos em ciência, tecnologia e inovação. Trata-se da materialização de um projeto estratégico que transforma conhecimento científico em oportunidades concretas de desenvolvimento econômico e social. Muitas startups de base tecnológica possuem equipes altamente qualificadas e pesquisas promissoras, mas enfrentam dificuldades para acessar infraestrutura laboratorial avançada, fundamental para validar tecnologias e avançar em direção ao mercado. O Biotech Hub reduz essa barreira, democratizando o acesso a equipamentos e ambientes especializados, permitindo que mais soluções inovadoras sejam desenvolvidas no estado do Rio de Janeiro. Para a FAPERJ, é motivo de grande satisfação ver um investimento realizado por meio do Programa de Apoio a Ações Integradas de Inovação se transformar em um ambiente capaz de acelerar a inovação, gerar empregos qualificados e fortalecer o ecossistema fluminense de ciência e tecnologia”, afirmou a presidente da FAPERJ, Caroline Alves.

“O apoio da FAPERJ foi decisivo não apenas para estruturar o Biotech Hub, mas também para desenvolver um programa voltado especificamente à geração de startups de Biotecnologia”, afirmou o líder de Biotecnologia da Incubadora Coppe/UFRJ Diego Lelis, responsável pela seleção dos equipamentos adquiridos.

O Hub também contou com apoio da Finep, do Inova UFRJ e de parceiros institucionais, consolidando um modelo de cooperação entre universidade, agências públicas e setor produtivo voltado à geração de inovação de alto impacto. Também será inaugurado o Hub de Bioimpressão 3D, desenvolvido em parceria com a divisão Life Science da Merck.

O Biotech Hub foi idealizado pela professora Daniela Uziel, atual diretora do Núcleo de Inovação Tecnológica da UFRJ, o Inova, que adaptou o modelo internacional de laboratórios compartilhados à realidade das startups acadêmicas brasileiras. A execução da implantação do espaço contou com a coordenação de Marcos Chaves Martins, head da Incubadora de Empresas da Coppe/UFRJ, responsável por viabilizar a estrutura física do hub.



Um grupo de alunos da UFRJ visita o Hub, montado no prédio da incubadora de empresas da Coppe. Espaço contará com equipamentos que serão compartilhados por pesquisadores empreendedores. (Fotos: Diego Lelis/Acervo pessoal)

"Apesar de a UFRJ já possuir uma resolução que permite compartilhar sua infraestrutura com startups, observamos que, à medida que elas crescem, precisam ter um espaço próprio. Calculamos que, individualmente, cada startup gastaria pelo menos R$ 3 milhões para montar um espaço de bancada onde pudesse desenvolver seus produtos. Algo praticamente inviável nesse estágio inicial. Com base em experiências internacionais, idealizamos esse espaço compartilhado voltado para startups acadêmicas focadas em Biotecnologia. O recurso da FAPERJ foi essencial para a aquisição dos equipamentos que tornam essa estrutura viável", explicou Daniela Uziel.

Segundo Diego Lelis, doutor em Ciências Morfológicas e bolsista do programa Pesquisador na Empresa da FAPERJ, o trabalho foi conduzido com foco nas reais necessidades das startups, atendendo às exigências regulatórias e às boas práticas de biossegurança. Diego esteve à frente da concepção técnica do hub e do acompanhamento da implantação da infraestrutura. “Startups nascentes, em geral, não têm capital suficiente para investir em infraestrutura laboratorial e, com isso, acabam deixando de lado áreas estratégicas como gestão, marketing e desenvolvimento comercial. Com o Biotech Hub, ofereceremos um laboratório completo, equipado com tecnologia de ponta, permitindo que os recursos captados pelas startups sejam aplicados de forma mais estratégica e equilibrada”, explicou.

A implantação do espaço contribuirá para startups como a RioGen, apoiada pelo programa Doutor Empreendedor da FAPERJ. "Iniciativas como o Biotech Hub são fundamentais para auxiliar as startups de Biotecnologia, que enfrentam inúmeros desafios, sendo um dos principais, a necessidade de infraestrutura. Além de dar suporte direto às startups, o Biotech Hub também contribui para fortalecer o ecossistema de inovação do Rio de Janeiro", afirmou Beatriz Mota, CEO da RioGen.


Segundo Diego Lelis, líder de Biotecnologia da Incubadora, ao utilizar estrutura multiusuária, startups vão economizar e poderão aplicar recursos captados em outras frentes.


O advento da estrutura também foi destacado por Mariana Collodetti, CEO da Tolveg, outra startup apoiada pelo edital Doutor Empreendedor. “Para a TolVeg, a possibilidade de acessar uma infraestrutura compartilhada, com laboratórios bem equipados, apoio técnico e conexões estratégicas, amplia significativamente nosso potencial de crescimento. Isso nos permite focar no que realmente importa: escalar tecnologias sustentáveis que ajudem a transformar o agronegócio, como o Hariman, nosso primeiro produto", ressaltou Mariana.

"Para a Grisea, o Biotech Hub será exatamente importante. Ter acesso a um espaço de co-working de bancada e laboratório equipado nos permitirá acelerar o desenvolvimento dos nossos biopolímeros e ampliar a colaboração com outras startups de base tecnológica. É uma iniciativa estratégica para fortalecer o ecossistema da incubadora e as startups presentes nele", afirmou Felipe Teixeira, CEO da Grisea, também apoiada pelo programa Doutor Empreendedor.

Com essa infraestrutura, o Biotech Hub se consolida como uma das poucas estruturas do gênero no país dentro de uma incubadora universitária. O espaço fortalece o ecossistema fluminense de inovação ao criar pontes entre academia, setor produtivo e mercado de investimentos, promovendo a interação estratégica da hélice tríplice e acelerando o desenvolvimento de soluções inovadoras com alto valor agregado.

No segundo semestre de 2025, a Incubadora de Empresas da Coppe/UFRJ promoveu uma consulta pública para identificar quais as parcerias, contrapartidas, compromissos e mecanismos de governança são mais atrativos para os atores envolvidos com o Biotech Hub. Foram ouvidos startups, instituições de ciência e tecnologia, parceiros, investidores e o público em geral.

O canal de divulgação científica da FAPERJ no YouTube já publicou videorreportagens sobre as atividades das startups Grisea, RioGen e Tolveg, cujos representantes foram ouvidos nesta matéria. Confira os vídeos nos links.

* Com informações da Assessoria de Comunicação e da Incubadora de Empresas da Coppe/UFRJ



Autor: faperj
Fonte: faperj
Sítio Online da Publicação: faperj
Data: 11/06/2026
Publicação Original: https://www.faperj.br/?id=851.7.7

quinta-feira, 18 de junho de 2026

Fiocruz é premiada em Simpósio Internacional de Imunologia e Hematologia

Estudos desenvolvidos pela Fiocruz foram premiados durante a 9ª edição do Simpósio Internacional de Imunologia e Hematologia. O evento, que reuniu pesquisadores, profissionais e acadêmicos de graduação, mestrado e doutorado das áreas de Ciências Biológicas, Dermatologia e Saúde de toda a região amazônica, de outros estados brasileiros, da América Latina e demais continentes, premia os melhores trabalhos científicos apresentados em cinco modalidades/áreas temáticas específicas da saúde: Imunologia, Hematologia, Interação Patógeno Hospedeiro, Dermatologia, Medicina Tropical.



Evento teve o objetivo de debater e atualizar conhecimentos científicos sobre doenças tropicais e negligenciadas, desde a fisiopatologia básica até novas abordagens terapêuticas aplicadas (Foto: Fiocruz Amazônia)

A seleção do melhor trabalho de cada uma dessas áreas considerou a avaliação do resumo e da apresentação (feita em formato de banner/painel) pela Comissão Científica. Luandra Gadea, discente do Programa de Pós-Graduação Stricto Sensu em Biologia da Interação Patógeno Hospedeiro (PPGBIO-Interação), foi premiada na categoria Mestrado, na área Interação Patógeno-hospedeiro. Giovanna Marques, bolsista do Programa de Iniciação Científica (PIC) da Fiocruz Amazônia, foi premiada em duas áreas: Medicina Tropical e Biologia da Interação Patógeno-Hospedeiro. Orientada por Priscila Aquino, pesquisadora do Laboratório Diversidade Microbiana da Amazônia e coordenadora do PPGBIO-Interação, a aluna Giovanna Marques, apresentou os trabalhos Standardization of a protein extraction protocol applied to the study of entomopathogenic fungi for the control of Aedes aegypti e In silico design and evaluation of a multi-epitope protein for oropouche virus diagnosis.

“Receber duas premiações de Iniciação Científica foi uma experiência muito especial e motivadora. Além da felicidade pelo reconhecimento, participar de um evento internacional com pesquisadores e palestrantes tão renomados reforçou para mim, a importância de desenvolver pesquisas que contribuam para a compreensão e, esperançosamente, para a solução de problemas em saúde pública. A conquista reflete não apenas o meu esforço, mas o trabalho conjunto de toda a equipe, mostrando como a ciência é construída por meio da colaboração, da dedicação e da busca constante por respostas para desafios que rodeiam a nossa sociedade”, destaca Marques.

Aquino falou sobre a satisfação em ver o reconhecimento do trabalho e evolução da aluna. “Fiquei muito feliz com a premiação da Giovanna em duas áreas diferentes e tão importantes: Medicina Tropical e Biologia da Interação Patógeno-Hospedeiro. Esse reconhecimento demonstra não apenas a qualidade dos trabalhos apresentados, mas também o compromisso, a dedicação e o crescimento científico da estudante ao longo de sua trajetória. Para mim, é uma grande satisfação acompanhar essa conquista e ver o quanto a iniciação científica pode contribuir para a formação de jovens pesquisadoras. Aproveito também para agradecer a todos que, de alguma forma, contribuíram para o desenvolvimento desses trabalhos”, observa.

A mestranda Luandra Gadea, orientada por Yury Chaves, docente do PPGBIO-Interação, apresentou o estudo Padronização da citometria de fluxo para avaliação da resposta imune celular de Anopheles darling. “Receber a premiação pela apresentação no 9º HIT Meeting Amazon, na categoria de Mestrado em Interação Patógeno-Hospedeiro, foi um momento muito significativo, pois representa o reconhecimento do esforço e da dedicação envolvidos no desenvolvimento desta pesquisa. Além disso, é uma grande motivação para continuar aprofundando os estudos e contribuindo para a construção do conhecimento científico na área”, comenta.

A pesquisa aborda a resposta imune celular de Anopheles darlingi frente ao Plasmodium vivax, buscando identificar e compreender os tipos celulares e os mecanismos de defesa envolvidos nessa interação. “Estudar o vetor é essencial para compreender como esses processos podem influenciar o desenvolvimento do parasito no mosquito e, consequentemente, contribuir para o entendimento dos mecanismos envolvidos na transmissão da malária. Esse olhar é especialmente importante na região amazônica, onde Anopheles darlingi possui grande relevância epidemiológica”, explica.

Yury Chaves, destacou a importância deste reconhecimento para o desenvolvimento de novas linhas de pesquisa, bem como a cooperação entre laboratórios da Fiocruz Amazônia e do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa). “Essa premiação é especialmente relevante por representar uma oportunidade de visibilidade aos trabalhos desenvolvidos pelos grupos de pesquisa do Laboratório de Diagnóstico e Controle de Doenças Infecciosas na Amazônia, Laboratório Ecologia de Doenças Transmissíveis na Amazônia da Fiocruz Amazônia e o Laboratório de Leishmaniose e Doença de Chagas do Inpa, que conduzem um estudo pioneiro envolvendo a resposta imune de vetores de doenças analisada por citometria de fluxo. O reconhecimento evidencia não apenas a qualidade científica e o potencial inovador da pesquisa, mas também sua aplicabilidade na geração de novas linhas de investigação para a Fiocruz Amazônia e o Inpa”, esclarece.

O Simpósio Internacional de Imunologia e Hematologia foi realizado pelo Programa de Pós-Graduação em Imunologia Básica e Aplicada (PPGiba) da Universidade Federal do Amazonas (Ufam), em parceria com o Programa de Pós-Graduação em Biologia da Interação Patógeno-Hospedeiro (PPGBio Interação) do Instituto Leônidas e Maria Deane (ILMD/Fiocruz Amazônia), Programa de Pós-Graduação em Ciências Aplicadas à Dermatologia, Programa de Pós-Graduação em Ciências Aplicadas à Hematologia e Programa de Pós-Graduação em Medicina Topical da Universidade do Estado do Amazonas (UEA), em colaboração com a Fundação Hospitalar Alfredo da Matta (Fuham), Fundação Hospitalar de Hematologia e Hemoterapia do Amazonas (FHemoam) e Fundação de Medicina Tropical Dr. Heitor Vieira Dourado (FMT-HVD). Neste ano, o evento terá também o apoio da Sociedade Brasileira de Imunologia (SBI) e da Associação Brasileira de Hematologia, Hemoterapia e Terapia Celular (ABHH).

O evento teve o objetivo de debater e atualizar conhecimentos científicos sobre doenças tropicais e negligenciadas, desde a fisiopatologia básica até novas abordagens terapêuticas aplicadas. O simpósio teve ainda o intuito de impulsionar a pesquisa e a inovação na maior biodiversidade do planeta, além de discutir aspectos imunológicos e hematológicos ligados a infecções prevalentes na região amazônica, promover palestras e mesas-redondas para alinhar práticas clínicas, inovação e pesquisa de alto nível, conectando acadêmicos, residentes, pesquisadores e profissionais da saúde.

A 9ª edição do Simpósio Internacional de Imunologia e Hematologia foi apoiada pelo Governo do Amazonas, por meio do Programa de Apoio à Realização de Eventos Científicos e Tecnológicos do Amazonas da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas (Fapeam). A ação visa apoiar a realização de eventos científicos regionais, nacionais e internacionais, nas modalidades presencial, virtual ou híbrida, sediados no Amazonas, relacionados à Ciência, Tecnologia e Inovação (CT&I): congressos, simpósios, workshops, seminários, ciclo de palestras, conferências e oficinas de trabalho, visando divulgar resultados de pesquisas e contribuir para a promoção do intercâmbio tecnológico e inovativo.




Autor: fiocruz
Fonte: fiocruz
Sítio Online da Publicação: fiocruz
Data: 17/06/2026
Publicação Original: https://fiocruz.br/noticia/2026/06/fiocruz-e-premiada-em-simposio-internacional-de-imunologia-e-hematologia

Fiocruz e Ministério da Justiça iniciam formação de 120 Defensoras Populares no Espírito Santo

“Na Fiocruz, entendemos a saúde como democracia e acesso à justiça também. Não existe saúde sem que se considere questões de raça, classe e gênero”, afirmou Camila Castanho Miranda, coordenadora nacional do projeto Defensoras Populares pela Fiocruz, durante o lançamento da iniciativa no Espírito Santo. O evento aconteceu no último domingo (14), em Vitória, e marcou o início da formação que capacitará 120 mulheres em direitos humanos no estado. A iniciativa é fruto de uma parceria entre a Coordenação de Cooperação Social da Presidência da Fiocruz e a Secretaria Nacional de Acesso à Justiça do Ministério da Justiça e Segurança Pública (Saju/MJSP).


Créditos: Denise Tadei

De abrangência nacional, o projeto promove a formação em direitos humanos para mulheres em situação de vulnerabilidade, com foco no fortalecimento de lideranças comunitárias e na ampliação do acesso à justiça nos territórios. O projeto está vinculado ao programa federal Antes que Aconteça, integra o Pacto Nacional de Enfrentamento ao Feminicídio — que reúne os três poderes da República — e conta ainda com o apoio do Instituto Nacional de Saúde da Mulher, da Criança e do Adolescente Fernandes Figueira (IFF/Fiocruz).

Zélia Profeta, coordenadora de Relações Institucionais da Presidência da Fiocruz, destacou a importância da atuação das defensoras populares nos territórios. “Vocês vão acompanhar, atuar e fortalecer o acesso à justiça, dialogando com as mulheres e com as pessoas do território sobre equidade, enfrentamento da violência contra a mulher e combate ao feminicídio. A gente está atuando para ter mulheres saudáveis, respeitadas e vivas”.
 


Crédito: Denise Tadei

Rede de proteção e acesso à justiça

A mesa de abertura contou com a participação de Sheila Carvalho, secretária da Saju/MJSP; Camila Castanho Miranda, coordenadora do projeto na Fiocruz; Cristiane Esteves Soares, promotora de justiça do Ministério Público do Espírito Santo; Sonia Lopes, vice-reitora da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes); Rosely Pires, coordenadora do Programa de Extensão “Fordan: Cultura no Enfrentamento às Violências” da Ufes; além das parlamentares Jackeline Rocha, Camila Valadão e Iriny Lopes.


Sheila Carvalho ressaltou o papel do Projeto Defensoras Populares na construção de redes de apoio entre as mulheres. “O Defensoras Populares tem sido mais que um projeto de defesa dos nossos direitos, é um projeto de conexão. Se vocês olharem para o lado, vão se reconhecer. Todas nós, agora, fazemos parte dessa rede de proteção das mulheres”.

Segundo a promotora de Justiça Cristiane Esteves Soares, os dados revelam que grande parte das vítimas de feminicídio não chega a buscar ajuda institucional. “O cenário nacional é muito semelhante ao que observamos em nosso estado: cerca de 80% das mulheres vítimas de feminicídio sequer procuraram o sistema de justiça. Por isso, o papel das defensoras populares é fundamental para orientar e acolher mulheres em situação de violência, para que elas consigam, de fato, romper esse ciclo da violência”.

A vice-reitora Sonia Lopes defendeu a participação de diferentes setores da sociedade e o reconhecimento da diversidade das experiências das mulheres. “Precisamos dialogar sempre a partir da coletividade, que é fundamental quando se trata de um tema tão sensível. A violência contra as mulheres é uma questão complexa, que envolve diferentes áreas do conhecimento e diferentes mulheres, em toda a sua representatividade”.

Experiências anteriores

O Defensoras Populares se inspira em experiências bem-sucedidas das Defensorias Públicas voltadas ao empoderamento jurídico nas comunidades. No Ceará, o projeto desenvolvido em parceria com a Universidade da Integração Internacional da Lusofonia Afro-Brasileira foi premiado no Innovare 2025, reconhecimento que destaca iniciativas inovadoras e transformadoras na promoção da cidadania e na ampliação do acesso à justiça. Agora, a metodologia se expande para novos territórios, consolidando seu caráter nacional.

O projeto

A formação ocorrerá de forma híbrida ao longo de oito meses, organizada em oito módulos, com videoaulas gravadas, plantões de dúvidas, encontros online e atividades presenciais. Ao final do processo, cada participante deverá elaborar um Plano de Articulação Comunitária (PAC), que funcionará como trabalho final de avaliação.

Entre os temas abordados estão: Cidadania e Organização do Estado; Funcionamento do Sistema de Justiça; Direitos Humanos e Direitos das Mulheres; Enfrentamento às Violações de Direitos; Saúde Coletiva e Educação Popular; e Saberes Locais e Articulação Territorial.

O projeto selecionou 120 mulheres em cada um dos estados participantes que, além da formação, também receberão uma bolsa-auxílio mensal de R$ 700,00 durante todo o percurso formativo.



Autor: fiocruz
Fonte: fiocruz
Sítio Online da Publicação: fiocruz
Data: 17/06/2026
Publicação Original: https://fiocruz.br/noticia/2026/06/fiocruz-e-ministerio-da-justica-iniciam-formacao-de-120-defensoras-populares-no