domingo, 22 de março de 2026

Energia solar espacial pode ajudar a ir além das metas de neutralidade carbónica



Durante muito tempo vista como fantasia distópica, a energia solar produzida no espaço poderá em breve transformar o setor das renováveis.

Em 1941, dois astronautas davam início à tarefa aparentemente impossível de treinar um robô para operar uma central de energia solar no espaço, capaz de transmitir energia por todo o Sistema Solar.

Era, claro, pura ficção o enredo distópico do conto “Reason”, do escritor de ficção científica Isaac Asimov. Mas, menos de duas décadas depois, cientistas reais começaram a questionar-se se as energias renováveis poderiam mesmo ser usadas no espaço.

No ano passado, investigadores do King’s College London concluíram que, até 2050, painéis solares no espaço poderiam reduzir em 80% a necessidade europeia de energia renovável produzida em terra. Mas será assim tão simples?
Energia solar espacial: o que é

Os sistemas de energia solar baseada no espaço (SBSP, na sigla em inglês) assentam numa constelação de satélites de muito grandes dimensões em órbita alta da Terra, onde o Sol é visível mais de 99% do tempo.

Estes satélites captariam energia solar com refletores semelhantes a espelhos e enviá-la-iam para um ponto fixo e seguro na Terra (sem ajuda de quaisquer robôs). Aí, seria convertida em eletricidade e injetada na rede para que pudesse chegar a casas e empresas.


Um novo estudo encomendado pelo Departamento de Segurança Energética e Net Zero (DESNZ) do Reino Unido sugere que sistemas SBSP de pequena escala poderão tornar-se competitivos em termos de custos com outras fontes comerciais de eletricidade já a partir de 2040, sobretudo se ligados à rede através de infraestruturas existentes, como parques eólicos offshore, por exemplo.
Energia solar espacial pode acabar com os combustíveis fósseis?

A transição mundial para longe dos combustíveis fósseis avança a passo lento, apesar do boom das renováveis.

A saída do petróleo e do gás tornou-se um dos temas mais polémicos na cimeira climática COP30 do ano passado, em Belém, apesar de não constar da agenda oficial. Mais de 90 países apoiaram a ideia de uma folha de rota que permitisse a cada Estado definir as suas próprias metas para eliminar gradualmente os combustíveis fósseis – mas qualquer referência a esse plano acabou retirada do acordo final.

Ainda assim, e pela primeira vez, a energia eólica e solar geraram mais eletricidade do que os combustíveis fósseis na UE em 2025, enquanto a produção fóssil desceu de 36,7% para 29% do mix elétrico do bloco.

“Todas as tecnologias de energia renovável terão um papel a desempenhar no combate às alterações climáticas, sobretudo quando se prevê que a procura de energia duplique até 2050”, afirma à Euronews Green o Dr. Adam Law, investigador associado no Centre for Renewable Energy Systems Technology (CREST) da Universidade de Loughborough.

A SBSP pode fornecer uma carga de base despachável, com potência potencialmente ilimitada, que evita o problema da intermitência.
Dr Adam Law
Investigador associado no Centre for Renewable Energy Systems Technology (CREST) da Universidade de Loughborough

As renováveis enfrentam problemas de intermitência por múltiplas razões, desde as condições meteorológicas à obsolescência da rede europeia. Foi por isso que o Reino Unido desperdiçou 1,47 mil milhões de libras (cerca de 1,67 mil milhões de euros) ao desligar turbinas eólicas (curtailment) e pagar a centrais a gás para entrarem em funcionamento.


“A SBSP beneficia do facto de haver muito mais luz solar disponível no espaço – 1 367 W/m2 de radiação contínua, contra um máximo de 1 000 W/m2 no equador e uma média de cerca de 100 W/m2 no Reino Unido, e os satélites na órbita certa veem o Sol praticamente todo o tempo”, acrescenta Law.
Quanto custa realmente a energia solar espacial

Em terra, a energia solar é considerada a fonte de eletricidade mais barata do mundo. Nos países mais soalheiros, produzir uma unidade de energia pode custar apenas 0,023 €, e a instalação é muito mais barata (e rápida) do que em renováveis como a eólica.

Levar esta tecnologia para o espaço, porém, não será barato. Relatórios recentes apontam que o desenvolvimento da SBSP poderá exigir 15,8 mil milhões de euros em investigação e desenvolvimento, ao longo de quatro fases, até chegar ao primeiro protótipo em órbita à escala de gigawatt.

“A dimensão dos lançamentos e da construção destas estruturas no espaço é enorme, por isso os custos iniciais serão elevados”, explica Law.

No entanto, os custos de lançamento desceram “de forma dramática”, o que ajuda a tornar a SBSP mais viável do ponto de vista económico. Segundo Law, isto deve-se sobretudo à SpaceX e ao advento dos foguetões reutilizáveis.

“Reduzir estes custos é crucial para tornar a SBSP uma realidade”, acrescenta, sublinhando que tornar as células solares simultaneamente acessíveis e resistentes à radiação será outro fator decisivo.

Embora muitas startups, como a Space Solar, no Reino Unido, e a Virtus Solis, nos Estados Unidos, estejam a desenvolver sistemas de SBSP graças a financiamento público e privado, a sua manutenção também não será tarefa simples – sobretudo se algo correr mal.


“Há potencial para um aumento de detritos em órbita, pelo que os sistemas terão de ser concebidos tendo estes fatores em conta, por exemplo recorrendo a configurações altamente modulares”, acrescenta Law.

A segurança do feixe de energia é outro risco a considerar. Mas Law sustenta que a sua intensidade será suficientemente baixa para evitar danos em pessoas e vida selvagem.

No conjunto, pôr a SBSP em prática “será difícil, mas isso não significa que não valha a pena”, acrescenta.

Enviar satélites para o espaço levanta, naturalmente, preocupações ambientais.

Em 2024, a agência espacial norte-americana NASA alertou que a SBSP poderá gerar emissões de gases com efeito de estufa comparáveis às dos atuais sistemas de energias renováveis – embora inferiores às dos combustíveis fósseis.
Energia solar espacial representa risco de segurança?

Sistemas de SBSP podem facilmente tornar-se alvo de Estados hostis que pretendam danificar, degradar ou impedir a capacidade de um rival fornecer eletricidade. Mesmo os planos para construir uma frota de parques eólicos offshore no mar do Norte, ligados a vários países europeus, já suscitaram receios de que sejam “alvos atrativos para sabotagem”.

Se as centrais de combustíveis fósseis são há muito consideradas vulneráveis a ataques, uma investigação de 2023, conduzida por televisões públicas da Dinamarca, Noruega, Suécia e Finlândia, revelou que a Rússia tinha um programa para sabotar parques eólicos e cabos de comunicação no mar do Norte.

Concluiu que a Rússia dispõe de uma frota de navios disfarçados de arrastões de pesca e embarcações de investigação que efetuam vigilância submarina e mapeiam locais-chave para uma eventual sabotagem.

“Tal como outras infraestruturas nacionais críticas, é um alvo tentador para cibercriminosos, agentes patrocinados por Estados e hacktivistas que queiram provocar disrupção ou ganhar vantagem geopolítica”, afirma a consultora Frazer-Nash, que no ano passado publicou um relatório sobre os desafios de segurança da SBSP.


O relatório sublinha a necessidade de conceber, desde início, satélites de energia solar com “segurança intrínseca e estratégias abrangentes de mitigação de riscos”.

Isso implica criar parcerias e acordos multinacionais para partilhar energia e reforçar a segurança, monitorizar continuamente as ameaças e garantir que as cadeias de fornecimento apresentam um esquema de cibersegurança “robusto”.

“Não abordar as principais áreas de segurança e risco nas fases iniciais de desenvolvimento pode limitar o seu promissor potencial antes mesmo de começar”, conclui a Frazer-Nash.




Autor: pt.euronews
Fonte: pt.euronews
Sítio Online da Publicação: pt.euronews
Data: 21/03/2026
Publicação Original: https://pt.euronews.com/2026/02/21/energia-solar-espacial-pode-ajudar-a-ir-alem-das-metas-de-neutralidade-carbonica

Clima em aquecimento favorece pinguins-rei, mas pode não ser boa notícia

"Ganhar para esta espécie pode significar perder para outra", alerta um cientista, sublinhando que a sobrevivência de umas pode comprometer a de outras.

Aquecimento do planeta tem vindo a perturbar o calendário da reprodução de plantas e animais, e isso costuma ser uma má notícia para espécies que dependem umas das outras – como quando as flores desabrocham demasiado cedo e as abelhas polinizadoras chegam tarde demais. Mas investigadores identificaram a rara criatura que está a beneficiar destas mudanças: o pinguim-real.






Um novo estudo sobre 19 000 pinguins-reais numa cadeia de ilhas subantárticas concluiu que a época de reprodução começa agora 19 dias mais cedo do que em 2000. O acasalamento antecipado aumentou a taxa de sucesso reprodutor em 40%, de acordo com um estudo publicado a 11 de março na revista Science Advances.

O estudo da sazonalidade na natureza chama-se fenologia. Tem sido uma grande preocupação para os biólogos porque predadores e presas, bem como polinizadores e plantas, estão na maioria dos casos a adaptar-se ao aquecimento do clima a ritmos diferentes. E isso provoca desajustamentos importantes no calendário.

O fenómeno é particularmente comum nas aves e em espécies polinizadoras como as abelhas. A maioria das aves, sobretudo na América do Norte, não está a acompanhar as alterações da fenologia, segundo o professor de ciências biológicas da Universidade de Clemson Casey Youngflesh, que não fez parte do estudo.

Pinguim-real adapta-se às alterações climáticas de forma "impressionante"

Ver uma espécie como o pinguim-real adaptar-se tão bem às mudanças sazonais e de calendário "não tem precedentes", afirma a coautora do estudo, Celine Le Bohec, ecóloga de aves marinhas na agência científica francesa CNRS. "É bastante impressionante."

Ao contrário de outros pinguins – que enfrentam a diminuição dos efetivos devido ao adiantamento da época de reprodução –, o pinguim-real consegue reproduzir-se desde o final de outubro até março. E está a tirar partido dessa flexibilidade, sublinha Le Bohec.


Estes pinguins estão a ter sucesso embora a água esteja a aquecer e a teia alimentar de que dependem também se esteja a alterar, explicam Le Bohec e o autor principal do estudo, Gaël Bardon, ecólogo de aves marinhas no Centro Científico do Mónaco.

"Conseguem ajustar muito bem o seu comportamento de alimentação", diz Bardon. "Sabemos que algumas aves vão diretamente para sul, para a frente polar. Outras seguem para norte. Outras mantêm-se em redor da colónia e, assim, conseguem adaptar o seu comportamento e é isso que, por agora, permite aos pinguins-reais lidar bastante bem com estas mudanças."

Le Bohec acrescenta que poderá ser apenas uma adaptação temporária a um ambiente que está a mudar rapidamente. "Por isso, por agora a espécie consegue lidar com esta mudança, mas até quando? Isso não sabemos, porque tudo está a acontecer muito, muito depressa."


Neste retrato cedido por Gaël Bardon, uma cria de pinguim-real sai do ovo na ilha Possession, arquipélago de Crozet, em 6 de janeiro de 2026. Gaël Bardon/CSM/CNRS/IPEV via AP
Porque lidam os pinguins-reais melhor do que outras espécies?

Outros pinguins com dietas mais restritas encontram-se mais ameaçados pelas alterações provocadas pelo aquecimento do oceano e pela transformação da cadeia alimentar. Já os pinguins-reais – tão abundantes que são classificados como espécie de menor preocupação – conseguem alimentar-se de outras presas para além do peixe-lanterna que domina a sua dieta, referem os investigadores.

"O pinguim-real poderá ter alguma flexibilidade como trunfo e estar bem colocado para se adaptar à medida que o seu ambiente se altera", afirma Michelle LaRue, professora de ciência marinha antártica na Universidade de Canterbury, na Nova Zelândia, que não fez parte do estudo. Mas diz interrogar-se sobre o que acontece depois da época de reprodução, dado que os pinguins-reais vivem 20 ou mais anos na natureza e este trabalho analisa apenas uma pequena parte do seu ciclo de vida.

Outros cientistas mostram-se tão cautelosos como Le Bohec e Bardon em declarar os pinguins-reais uma rara boa notícia climática.

"Ganhar, para esta espécie, pode significar perder para outra, se estiverem a competir pelos mesmos recursos", comenta Youngflesh, da Universidade de Clemson.

Ignacio Juarez Martinez, biólogo da Universidade de Oxford, no Reino Unido, que realizou um estudo sobre diferentes pinguins com épocas de reprodução mais precoces, afirma: "Este estudo mostra que os pinguins-reais podem ser, por agora, um dos vencedores, o que é uma excelente notícia, mas as alterações climáticas continuam e futuras mudanças nas correntes, na precipitação ou nas temperaturas podem anular estes ganhos."

Autor: pt.euronews
Fonte: pt.euronews
Sítio Online da Publicação: pt.euronews
Data: 12/03/2026
Publicação Original: https://pt.euronews.com/2026/03/12/clima-em-aquecimento-favorece-pinguins-rei-mas-pode-nao-ser-boa-noticia

Há uma bactéria que pode ajudar a limpar campos de batalha e torná-los novamente férteis

Investigadores do Centro Nacional de Biotecnologia de Espanha conseguiram que a bactéria Pseudomonas putida consumisse dinitrotolueno (DNT), um resíduo tóxico do TNT, como única fonte de energia. Este processo abre perspetivas para a descontaminação de solos em zonas de guerra.

O Centro Nacional de Biotecnologia do CSIC acaba de publicar na revista "Metabolic Engineering" um resultado que várias equipas internacionais tentavam obter há anos, sem sucesso: conseguir que uma bactéria não só tolerasse o 2,4-dinitrotolueno (DNT), mas também o utilizasse como alimento.

O DNT é um composto sintético intimamente ligado à produção de trinitrotolueno, mais conhecido como TNT. Não ocorre na natureza por si só; trata-se de um produto da indústria de armamento e é especialmente duradouro em solos contaminados por conflitos durante décadas, acumulando-se sem que os ecossistemas disponham de mecanismos eficazes para o remover.

A bactéria escolhida para a experiência foi a "Pseudomonas putida", um micro-organismo conhecido em microbiologia pela sua capacidade de sobreviver em ambientes hostis.

A equipa, liderada pelo investigador Víctor de Lorenzo, partiu de uma modificação genética anterior que forneceu à bactéria os genes necessários para degradar o DNT. O problema é que o facto de os ter não era suficiente: a bactéria não conseguia crescer na presença do composto.

Estratégia era forçá-la a adaptar-se

O método que resolveu o problema foi, de certa forma, brutal na sua simplicidade.

A equipa submeteu as bactérias a doses sub-letais de DNT de forma gradual, num ambiente em que os nutrientes convencionais estavam a ser eliminados. A ideia era forçar mutações que não só lhes permitissem sobreviver neste ambiente, mas também tornar o composto tóxico a única fonte possível de carbono e azoto.

"Após um ano de cultivo, conseguimos que as bactérias assimilassem o DNT como única fonte de nutrientes", explicou David Rodríguez-Espeso, investigador do CNB-CSIC e um dos autores do estudo. Os produtos finais do processo são biomassa celular, dióxido de carbono e água, o que implica a eliminação completa do composto e dos intermediários tóxicos gerados durante a sua degradação.


Processo de decomposição pelas novas bactérias, 20 março 2026 CSIC

A análise genética subsequente revelou alterações em mais de 50 genes relacionados com a resposta ao stress químico e com os mecanismos de reparação do ADN.


Foram estas alterações que permitiram que as bactérias tolerassem os derivados tóxicos que surgem antes de o DNT ser completamente degradado, precisamente onde as tentativas anteriores tinham falhado.
Por que motivo falharam is estudos anteriores

Antes deste trabalho, a investigação sobre a degradação bacteriana do DNT tinha identificado o sistema genético da bactéria Burkholderia capaz de crescer em solos contaminados com DNT. No entanto, ninguém tinha sido capaz de reproduzir este comportamento noutro organismo com eficácia suficiente para propor uma aplicação real.

"Não tinham conseguido encontrar uma bactéria que utilizasse o DNT como única fonte de carbono e de azoto", afirma De Lorenzo. A chave, segundo os autores, reside no facto de o processo exigir uma metodologia lenta, que não produz resultados a curto prazo. As abordagens anteriores procuravam atalhos que o problema não permitia.

O resultado agora publicado responde a essa questão: as bactérias precisavam de ajustes genéticos que não podiam ser introduzidos de uma só vez através da engenharia genética convencional, mas tinham de surgir através de uma evolução adaptativa guiada no laboratório.
Descontaminar o que a guerra deixou para trás

O solo contaminado por resíduos de explosivos é um dos problemas ambientais mais persistentes nas zonas pós-conflito. O DNT e os compostos relacionados acumulam-se no solo em redor de instalações militares, fábricas de armamento abandonadas e campos de batalha, com consequências tóxicas para os ecossistemas locais e para as pessoas que vivem nas proximidades.

As atuais soluções de descontaminação são, na sua maioria, físicas ou químicas, dispendiosas e difíceis de implementar em grande escala. A biologia sintética tem vindo a explorar alternativas microbianas desde há anos, mas poucos progressos concretos foram feitos.


Este trabalho, desenvolvido inteiramente em condições laboratoriais, ainda não é uma solução pronta para ser aplicada no terreno. Os investigadores são cautelosos quanto a este facto. Mas demonstra que é possível conceber microrganismos capazes de completar a degradação de um composto que a natureza, por si só, mal consegue processar.




Autor: pt.euronews
Fonte: pt.euronews
Sítio Online da Publicação: pt.euronews
Data: 20/03/2026
Publicação Original: https://pt.euronews.com/2026/03/20/ha-uma-bacteria-que-pode-pode-ajudar-a-limpar-campos-de-batalha-e-torna-los-novamente-fert

sexta-feira, 20 de março de 2026

Chamada vai apoiar cooperações científicas sul-americanas sobre resistência antimicrobiana

Chamada vai apoiar cooperações científicas sul-americanas sobre resistência antimicrobiana

Foto: Nulgur D/Wikimedia Commons

FAPESP irá cofinanciar projetos sobre diversos aspectos dos microrganismos super-resistentes na produção intensiva de animais com agências de fomento argentina, paraguaia, uruguaia e capixaba



A FAPESP participa de chamada para financiamento de projetos de pesquisa e transferência de conhecimento em Resistência Antimicrobiana (RAM) em conjunto com outras quatro agências de fomento com quem tem acordo de cooperação científica: o Conselho Nacional de Pesquisas Científicas e Técnicas (CONICET), da Argentina; a Agência Nacional de Pesquisa e Inovação (ANII), do Uruguai; o Conselho Nacional de Ciência e Tecnologia (CONACYT), do Paraguai; e a Fundação de Amparo à Pesquisa e Inovação do Espírito Santo (FAPES) – a chamada ainda conta com o apoio do Centro de Pesquisas para o Desenvolvimento (IDRC), do Canadá.

O edital dá o pontapé inicial do Programa Regional em Resistência Antimicrobiana 2026, que busca reafirmar o compromisso assumido na Declaração Política da Reunião de Alto Nível sobre Resistência aos Antimicrobianos, realizada na Assembleia Geral da ONU em setembro de 2024, com o objetivo de abordar a natureza multifacetada e transversal da resistência antimicrobiana e reduzir em 10% as fatalidades associadas à RAM até 2030.

Os proponentes deverão desenvolver pesquisas relacionadas à RAM no contexto da produção intensiva de animais para consumo humano na Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai. Deverão ser abordados diversos aspectos da RAM nas cadeias produtivas por meio da pesquisa científica, da formulação de políticas públicas e da implementação de adaptações produtivas, com o intuito de integrar e fortalecer as capacidades regionais sobre o tema; além disso, os projetos deverão promover a participação intersetorial, envolvendo cientistas, produtores e órgãos reguladores.

A Chamada define cinco eixos temáticos, um ou mais dos quais deverá ser contemplado pelas propostas, a saber: (i) Levantamento da Resistência Antimicrobiana (RAM) na Produção Animal; (ii) Levantamento de RAM no Ambiente; (iii) Desenvolvimento de metodologias e estratégias de mitigação; (iv) Desenvolvimento, promoção e uso de alternativas aos antimicrobianos promotores de crescimento; e (v) Desafios produtivos na mitigação da RAM.

As propostas devem ser assinadas por grupos de pesquisa de instituições localizadas em pelo menos dois dos territórios de abrangência das agências participantes. Cada grupo de pesquisa será representado por um Pesquisador Responsável (PR), sendo que um dos PRs do consórcio deverá ser designado como o representante do consórcio perante o CONICET, a agência líder da Chamada.

Os projetos terão duração máxima de 24 meses. Cada agência financiará os custos correspondentes aos seus grupos ou instituições.

Etapa de elegibilidade

Todas as propostas serão analisadas, em uma primeira etapa, para verificar sua elegibilidade à Chamada. As propostas que não forem elegíveis por pelo menos duas das agências participantes serão descartadas e não seguirão para análise do Comitê de Avaliação da Chamada – um órgão ad hoc composto por 5 especialistas reconhecidos, um designado por cada agência financiadora, e outro indicado por todas as agências de comum acordo.

Na FAPESP, são considerados elegíveis os pesquisadores vinculados a uma Instituição de Pesquisa ou Ensino Superior sediada no estado de São Paulo, privada ou pública, que atendam aos critérios de elegibilidade da modalidade Auxílio à Pesquisa Regular. Cada pesquisador pode participar de no máximo duas propostas, porém em apenas uma delas pode ser indicado como PR.

Submissão

O prazo para envio das propostas é 30 de abril. O PR dos consórcios multilaterais formados deverá apresentá-las no formulário de submissão ao CONICET. Adicionalmente, o PR do estado de São Paulo deverá submeter a proposta à FAPESP via SAGe (https://fapesp.br/sage).

Cabe ao Pesquisador Responsável pela proposta submetida à FAPESP garantir que os demais pesquisadores do consórcio, inclusive os pesquisadores dos demais territórios, sejam cadastrados no sistema SAGe e confirmem sua participação na proposta.

A chamada está disponível em https://fapesp.br/18082.




Autor: FAPERJ
Fonte: FAPERJ
Sítio Online da Publicação: FAPERJ
Data: 18/03/2026
Publicação Original: https://fapesp.br/18083/chamada-vai-apoiar-cooperacoes-cientificas-sul-americanas-sobre-resistencia-antimicrobiana

Uerj participa de evento nacional de tecnologia assistiva

Uerj participa de evento nacional de tecnologia assistiva

Claudia Jurberg

Alguns dos modelos testados e aprovados pelo Instituto Benjamin Constant: modelo 3D do ovo de Ascaris lumbricoides, conhecido popularmente como lombriga (amarelo); e modelo 3D da forma tripomastigota do parasita Trypanosoma cruzi (roxo) (Foto: Divulgação)


A Rede 3DucAssist, formada por nove laboratórios de universidades e institutos de pesquisa do Rio de Janeiro e de Mato Grosso, participará nos próximos dias 20 e 21 de março, da SisConec.TA 2026 – um evento nacional, realizado em Uberlândia (MG). O encontro reunirá profissionais, pesquisadores, empresas e usuários da Rede SisAssistiva para apresentar soluções inovadoras em Tecnologia Assistiva. Essa tecnologia desenvolve recursos e dispositivos destinados a ampliar a autonomia e a inclusão de pessoas com deficiência ou mobilidade reduzida.

A iniciativa 3DucAssist apresentará protótipos científicos desenvolvidos em impressoras 3D para tornar o ensino de Ciências mais acessível a estudantes com deficiência visual. Sediada na Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), a rede desenvolve materiais didático-pedagógicos adaptados, com alto contraste de cores, inscrições em Braille e texturas que possibilitam a compreensão tátil de estruturas biológicas e temas científicos. Entre os modelos produzidos, estão representações de vírus, vermes e animais brasileiros, voltadas ao Ensino Fundamental e Médio.

Durante a feira, a equipe promoverá uma oficina interativa para estimular o diálogo entre pessoas com e sem deficiência visual. Na atividade, participantes videntes observarão imagens de alguns protótipos como o crânio de animais silvestres e material sobre saúde e infecções parasitárias, e serão convidados a tentar identificá-los apenas pelo tato, explorando os modelos dentro de uma caixa escura. Já os participantes com deficiência visual poderão explorar os materiais por meio do toque, com apoio de audiodescrição. Miniaturas de alguns protótipos também serão distribuídas ao público.

Para o pesquisador da Uerj, Eduardo Torres, Cientista do Nosso Estado pela FAPERJ e coordenador da Rede 3DucAssist, o evento em Uberlândia será uma excelente oportunidade de divulgar as ferramentas do grupo e outras inovadoras para superar barreiras impostas pela deficiência visual e outras deficiências de forma a atender o Plano Nacional dos Direitos das Pessoas com Deficiência. "As equipes formadas por esses projetos em uma área tecnológica tão específica são essenciais para o País e, acredito que, na feira de Uberlândia, poderemos observar isso de perto. Por isso, é fundamental o apoio, a divulgação e termos a garantia que auxílios e bolsas de financiamento jamais faltarão tanto para os projetos como para a formação de recursos humanos", explica Torres.

A rede 3DucAssist é financiada pelo edital de Tecnologias Assistivas da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep) e reúne pesquisadores das áreas biológica, biomédica, ambiental, tecnológica e das ciências humanas. Participam da iniciativa o Instituto Benjamin Constant (IBC), a Escola Superior de Desenho Industrial (Esdi/Uerj), o Hospital Universitário Pedro Ernesto (Hupe/Uerj), a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), o Centro Nacional de Biologia Estrutural e Bioimagem (Cenabio/UFRJ) e a Universidade Católica Dom Bosco (UCDB), em Campo Grande, Mato Grosso do Sul.



Eduardo Torres: para o coordenador da Rede 3DucAssist, evento será uma excelente oportunidade de divulgar ferramentas inovadoras para superar barreiras impostas pela deficiência visual e outras deficiências (Foto: Divulgação)


Sobre a SisConec.TA 2026

A SisConec.TA 2026 tem como objetivo fortalecer a articulação nacional da Rede SisAssistiva, promovendo conexões entre projetos, empresas e instituições por meio da apresentação de tecnologias inovadoras. O evento também busca ampliar o acesso da sociedade às tecnologias assistivas, estimulando sua visibilidade e uso por profissionais, organizações públicas e privadas e, principalmente, pelos próprios usuários.

A programação reunirá representantes do governo federal, com destaque para o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), além de instituições estratégicas como Finep, Inmetro e Anvisa, institutos de ciência e tecnologia, startups, unidades Embrapii e pesquisadores de diferentes regiões do País. A proposta do encontro é integrar esforços, alinhar estratégias e fortalecer a rede nacional de inovação em tecnologia assistiva, aproximando ciência, indústria, políticas públicas e usuários finais em um mesmo ambiente colaborativo.

Será o primeiro e maior evento do setor realizado em Minas Gerais, dedicado à conexão entre pesquisa, desenvolvimento tecnológico e aplicação social. Durante os dois dias de programação, serão apresentados 26 projetos da Rede SisAssistiva, além de pitches de inovação, mostra interativa de protótipos, painéis de negócios e debates sobre políticas de incentivo, transferência de tecnologia e escalabilidade de produtos assistivos.




Autor: FAPERJ
Fonte: FAPERJ
Sítio Online da Publicação: FAPERJ
Data: 19/03/2026
Publicação Original: https://www.faperj.br/?id=989.7.8

Alunos do Ensino Médio participam de jornada do programa Jovens Talentos

Alunos do Ensino Médio participam de jornada do programa Jovens Talentos

Débora Motta e Marcos Patricio

Os professores Jorge Belizário, coordenador do Programa Jovens Talentos, e Luciana Espíndola, chefe do Departamento de Extensão do Cefet-RJ, deram as boas-vindas aos bolsistas na abertura da Jornada Jovens Talentos (Foto: Marcos Patricio)


Jovens do Ensino Médio de escolas públicas fluminenses que estão tendo o primeiro contato com o universo da pesquisa por meio do programa Jovens Talentos, da FAPERJ, apresentaram seus projetos de pré-iniciação científica na Jornada Jovens Talentos da Região Metropolitana/Serrana do Rio de Janeiro, realizada nesta terça-feira, 17 de março, no auditório do Centro Federal Educação Tecnológica Celso Suckow da Fonseca (Cefet-RJ), no campus Maracanã. Tradicional encontro realizado anualmente desde 2003, a Jornada apresenta os projetos desenvolvidos pelos bolsistas, ao longo dos 18 meses de duração de cada edital do programa, lançado regularmente pela Fundação. Despertando vocações científicas em vários municípios fluminenses, o evento acontece em cinco polos regionais do estado.

O Jovens Talentos foi criado em 1999. Em seus 27 anos de existência, já passaram pelo programa cerca de 12.700 estudantes. Em 2002, eles eram apenas 47 bolsistas. Hoje, são 738. No próximo dia 26 de março, deverá ser anunciado o edital de 2026, quando serão oferecidas mais 800 bolsas de pré-iniciação científica para o período (2026/2027).

O sucesso da iniciativa, entretanto, vai muito além dos números. Para muitos desses estudantes, a experiência no projeto significou uma mudança de vida. Serviu como estímulo para o ingresso na universidade e para a escolha da carreira acadêmica. Vários desses jovens fizeram mestrado e doutorado, e alguns deles hoje trabalham em instituições de pesquisa no Brasil e no exterior.

Cerca de 130 alunos do Ensino Médio, de escolas das regiões Metropolitana e Serrana do Rio de Janeiro, participaram da Jornada. Ao todo, 59 projetos foram apresentados durante o evento (Foto: Débora Motta)


Durante a abertura da Jornada, o coordenador do Programa Jovens Talentos, professor Jorge Belizário, destacou a importância do edital lançado pela FAPERJ, especialmente para alunos de Ensino Médio. “Esse programa transforma vidas. Jovens muito humildes, que nem sonhavam em entrar na universidade, passaram pelo Jovens Talentos e hoje são professores e pesquisadores. Temos mais de 30 ex-bolsistas que estão fazendo doutorado e pós-doutorado. É uma experiência que multiplica o conhecimento e gera impacto social nas famílias e na sociedade”, disse Belizário. Ele concluiu homenageando os professores orientadores dos bolsistas do programa e motivando os estudantes. “Aos alunos que hoje estão aqui, acreditem que vocês podem voar muito alto, só depende de vocês. Nós fornecemos a bolsa e os orientadores dão a oportunidade de passar para vocês o conhecimento e o apoio. Esse conjunto abre uma janela para vocês voarem, trilhando o caminho da honra e da honestidade no trabalho.”

Ao dar as boas-vindas aos participantes da Jornada, a professora Luciana Espíndola, chefe do Departamento de Extensão do Cefet-RJ, falou sobre a contribuição do programa na formação dos estudantes. “A gente percebe no aluno do Ensino Médio um amadurecimento muito grande quando ele é envolvido na dinâmica do desenvolvimento de um projeto, em que ele tem de participar de todas as etapas, no desenvolvimento da metodologia, na observação dos resultados. Depois ele tem que apresentar esses resultados em algum evento. Ele ganha a experiência de produzir um pôster. O aluno que passa por um programa de iniciação científica e de extensão, ainda no Ensino Médio, chega à graduação com uma vivência diferente. É um aluno que sabe desenvolver uma pesquisa, sabe fazer uma revisão de literatura, construir um pôster, que sabe se apresentar”, explicou. Luciana representou as professoras Renata Moura, diretora de Extensão, e Dayse Pastore, diretora de Ensino do Cefet-RJ.

Nesta edição, a Jornada Jovens Talentos da Região Metropolitana/Serrana recebeu 59 projetos e contou com a participação de 128 estudantes selecionados nos editais lançados em 2024 e 2025. Todos os trabalhos foram apresentados pelos alunos em uma sessão de pôsteres e analisados por dois avaliadores. O grupo de avaliadores é formado pelos professores orientadores das diversas escolas que participam do Programa. Os docentes não podem analisar os projetos desenvolvidos por alunos de sua unidade.

Entre os diversos trabalhos apresentados na sessão de pôsteres, estiveram em destaque os projetos “Desenvolvendo habilidades e conceitos matemáticos através de jogos de tabuleiros”, apresentado por Guilherme Figueira, do Cefet/RJ; “Cultivo de ambientes verdes como hortas e saúde mental: investigação de relações possíveis por meio de uma revisão de literatura”, de Gabriel Raposo Nunes Martins (Cefet/RJ); e “Garotas cientistas do IBC e do IFRJ: inclusão e protagonismo feminino na tecnologia acessível”, de Giovanna da Cunha Gonçalves, Ana Cláudia Marzano e Gabriela Paula Cista, do Instituto Federal do Rio de Janeiro – IFRJ (campus Engenheiro Paulo de Frontin) e Instituto Benjamin Constant (IBC).

Responsáveis por estimular e orientar os estudantes, os professores das unidades de ensino participantes avaliaram os projetos apresentados pelos bolsistas (Foto: Marcos Patricio)


Ao fim de um dia inteiro de apresentações, a equipe formada por Maria Clara Felício Pereira, Sophia Oliveira Fernandes e Talita de Araujo Dantas, do Instituto de Educação Rangel Pestana, de Nova Iguaçu, conquistou o primeiro lugar. Elas desenvolveram o projeto “Ancestralidade, vivências e o falar sobre si na formação do docente”, sob orientação da professora Patrícia Bastos de Azevedo, no campus Nova Iguaçu da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ). A estudante Luisa de Andrade Machado Simões, do Ciep 441 Mané Garrincha, em Magé, ficou em segundo lugar, com o trabalho “Diversidade da comunidade de fungos epifíticos e endofíticos de Piper rivinoides Kunth (Piperaceae) da Mata Atlântica”, realizado no Jardim Botânico do Rio de Janeiro (JBRJ). Luisa foi orientada pela professora Jéssica Regina Sales Felisberto. Em terceiro lugar, ficou o projeto “Recuperar: uma proposta interdisciplinar e transdisciplinar mediando dificuldades/transtornos de aprendizagem com apoio docente e discente dos jovens talentos”. O trabalho foi desenvolvido pelas alunas Clara Mauricio Alves e Thays Ferreira do Carmo, na Escola Técnica Estadual Ferreira Viana, no Maracanã, onde estudam. Elas foram orientadas pela professora Maria Clara Dutra Lopes Barbosa.

Animados com o desenvolvimento de seus trabalhos e com o resultado das jornadas de 2025, os participantes do programa já estão se preparando para a Jornada Jovens Talentos de 2026. Ela será realizada nos municípios de Bom Jesus do Itabapoana (regional Noroeste-RJ); São João da Barra (Norte); Paracambi (Centro-Sul); Itaboraí (Lagos); e no Jardim Botânico do Rio de Janeiro (Metropolitana-Serrana). As jornadas estão programadas para o período de outubro a dezembro. As datas serão anunciadas ao longo do ano.

Confira videorreportagem sobre projeto premiado desenvolvido por bolsistas do Programa Jovens Talentos no Canal da FAPERJ no YouTube




Autor: FAPERJ
Fonte: FAPERJ
Sítio Online da Publicação: FAPERJ
Data: 19/03/2026
Publicação Original: https://www.faperj.br/?id=987.7.5

segunda-feira, 9 de março de 2026

Biodiversidade nos rios de Inglaterra melhorou com a redução da poluição por metais

A melhoria da biodiversidade de água doce nos rios de Inglaterra está ligada à redução da poluição por zinco e cobre, em grande parte devido ao declínio da combustão do carvão e da indústria pesada, afirmam os investigadores.

Os invertebrados são utilizados como uma medida importante da biodiversidade e da saúde de um rio, e os dados da Agência do Ambiente mostram que se registou um aumento generalizado e significativo da riqueza de espécies em Inglaterra na década de 1990 e no início da década de 2000. No entanto, desde então, não se registaram mais melhorias significativas.

Por conseguinte, uma equipa de cientistas liderada pelo Centro de Ecologia e Hidrologia do Reino Unido (UKCEH) procurou as possíveis razões para este facto, utilizando modelação estatística para investigar uma vasta gama de diferentes fatores químicos e físicos, como a temperatura, o caudal do rio e a paisagem.

A equipa examinou uma grande quantidade de dados da Agência Ambiental – 65 000 observações individuais relacionadas com medições de poluentes e invertebrados de 1457 locais entre 1989 e 2018.

O estudo, financiado pelo Natural Environment Research Council, foi publicado na revista Environmental Science & Technology. Verificou-se que, embora as concentrações de amoníaco e matéria orgânica – fortemente associadas aos efluentes de esgotos – fossem importantes para influenciar a diversidade de invertebrados, a correlação com o zinco e o cobre era mais forte.

Declínio da extração de carvão e da indústria pesada

Segundo os investigadores, são várias as razões que explicam a redução da quantidade de zinco e cobre que entra nos nossos rios após a década de 1980:


Autor: sapo
Fonte: sapo
Sítio Online da Publicação: sapo
Data: 08/03/2026