terça-feira, 7 de abril de 2026

Sexo de polvos: cientistas descobrem braço sensorial que deposita esperma


Polvos machos conseguem fecundar uma fêmea, mesmo quando não conseguem ver a parceira sexual.
Quando os polvos acasalam, o macho mantém a fêmea, literalmente, a uma distância de braço.

Para o acto, o macho tem um braço especial, chamado hectocótilo, que utiliza para depositar um saco de esperma no interior do sistema reprodutor da fêmea.

No entanto, os cientistas não sabiam ao certo como é que esse braço encontra o local exacto quando o macho não consegue ver o que está a fazer. Agora, um novo estudo revelou como é guiado o hectocótilo.
Polvos machos “saboreiam” hormonas das fêmeas

Durante o acto sexual, o polvo macho introduz o hectocótilo no manto da fêmea – uma estrutura em forma de saco, atrás dos olhos, que alberga todos os principais órgãos, incluindo os reprodutores – e tacteia até encontrar o oviduto.

Como o faz foi agora explicado num artigo (fonte em inglês) publicado esta semana na revista Science.

Os investigadores concluíram que o braço de acasalamento é um órgão sensorial que, tal como os outros braços dos polvos, está coberto de ventosas que contêm recetores quimiotáteis.

Nos outros sete braços, esses recetores ajudam o animal a “provar” o ambiente em redor, funcionando como uma língua para localizar alimento ou identificar micróbios nocivos.

Mas no hectocótilo, que é normalmente mantido junto ao corpo quando não está em acasalamento, a função destes recetores não era clara.

Durante a investigação, os cientistas verificaram que o oviduto da fêmea produz enzimas que geram a hormona sexual progesterona.

Descobriram que os recetores permitem ao braço de acasalamento dos machos detetar a progesterona, o que significa que conseguem fecundar a parceira mesmo sem verem o parceiro sexual.

Os investigadores constataram também que braços especializados amputados de polvos machos se moviam em resposta à progesterona – mas não quando entravam em contacto com outras hormonas semelhantes.

Ao analisar células do hectocótilo de três indivíduos, a equipa detetou até três vezes mais recetores quimiotáteis e três vezes mais neurónios no braço de acasalamento do que num braço normal.
Polvos conseguem acasalar sem ver

É comum os animais recorrerem à deteção de hormonas durante os processos de acasalamento, mas o órgão sensorial de deteção é normalmente diferente daquele que liberta o esperma.


Nos polvos machos, porém, o hectocótilo assume as duas funções, algo que os investigadores associam à natureza solitária destes animais.

“Faz sentido que o braço funcione ao mesmo tempo como sensor e órgão de acasalamento porque, nestes encontros fortuitos, o braço tem de conseguir localizar a fêmea, localizar o oviduto e iniciar muito rapidamente a cópula ou seguir em frente”, explicou ao jornal britânico The Guardian o professor Nicholas Bellono, autor sénior do estudo na Universidade de Harvard.

A preferência dos polvos pela independência também representou um desafio para as experiências de laboratório.

Um par macho-fêmea foi colocado num tanque e separado por uma divisória, pois estes animais tendem a tornar-se agressivos e podem matar-se.

A divisória tinha orifícios que permitiam aos polvos estender os braços e aproximarem-se um do outro.

Os cientistas tencionavam retirar a divisória quando os polvos já estivessem familiarizados, mas ficaram surpreendidos ao ver o macho estender o braço de acasalamento por um dos orifícios e introduzi-lo no manto da fêmea.

Os investigadores colocaram outros casais no mesmo dispositivo experimental e verificaram que o mesmo se repetia.


Importa salientar que o comportamento foi idêntico em escuridão total, o que sustenta a hipótese de que os polvos conseguem acasalar sem sequer verem o outro.


Autor: euronews
Fonte: euronews
Sítio Online da Publicação: euronews
Data: 06/04/2026
Publicação Original: https://pt.euronews.com/2026/04/06/sexo-de-polvos-cientistas-descobrem-braco-sensorial-que-deposita-esperma

Pesquisadores da Fiocruz e do Complexo do Lins, moradores e coletivos locais se reúnem para tratar da qualidade da água no território

Moradores do Complexo do Lins e pesquisadores da Fiocruz participaram, no último sábado (28/3), da 3ª oficina do projeto integrado Tecnologias Sociais em Saúde da Bacia Hidrográfica do Canal do Cunha. A atividade aconteceu na favela da Cachoeira Grande, localizada no Complexo do Lins, e apresentou dados preliminares de uma pesquisa sobre indicadores do acesso à água e saneamento na região, realizada com 400 famílias, e promoveu o diálogo com a população sobre o direito humano à água e ao saneamento.

O encontro reuniu moradores, representantes de veículos locais de comunicação comunitária e pesquisadores do território, com o objetivo de compartilhar os dados quantitativos, realizar diagnósticos e ouvir as percepções da população sobre os resultados. A iniciativa integra um conjunto de ações voltadas à produção de conhecimento participativo e ao fortalecimento do debate público sobre as condições de vida na região.

A oficina promovida pelo projeto faz parte de uma ação conjunta coordenada pela Fiocruz, por meio da Coordenação de Cooperação Social da Presidência e da Escola Nacional de Saúde Pública Sergio Arouca (Ensp/Fiocruz), em articulação com o Observatório da Bacia Hidrográfica do Canal do Cunha — um espaço de articulação que reúne organizações, pesquisadores, movimentos socioambientais e instituições comprometidas com a melhoria das condições ambientais e de saneamento dos territórios da bacia hidrográfica.


“No Lins, nós estamos desenvolvendo, por meio do projeto, ações para compreender a percepção da população sobre as condições de saúde e saneamento. Isso é fundamental para subsidiar a formulação de políticas públicas”, explicou Rejany Ferreira dos Santos, coordenadora do projeto na Coordenação de Cooperação Social da Presidência da Fiocruz e pesquisadora do Observatório da Bacia Hidrográfica do Canal do Cunha.

Dados da pesquisa revelam desafios no acesso à água e saneamento

A pesquisa-ação realizada pelo projeto, segue uma metodologia de pesquisa social e qualitativa, com um questionário aprovado no Comite de Ética da Escola Nacional de Saúde Pública Sérgio Arouca (Ensp/Fiocruz) é composta por perguntas divididas em módulos sobre dados de identificação do participante e dados socioeconômicos, saneamento ambiental, acesso à água, esgoto, saúde ambiental, dados sobre serviço após concessão e problema de saúde devido a carência em saneamento. As entrevistas foram realizadas pessoalmente pelos pesquisadores do território do projeto.


Moradores de diferentes comunidades do Complexo do Lins relataram casos de falta de água no território por 21 dias. “Quem mora em favela sabe que sempre houve problemas com o acesso à água. Isso impacta diretamente a vida da população, inclusive no orçamento das famílias, que muitas vezes precisam comprar água para suprir a falta de abastecimento. Sem água, não é possível realizar atividades básicas do dia a dia, como tomar banho, cozinhar ou manter a rotina dentro de casa”, relata Rejany Ferreira dos Santos.


Durante a atividade, foram apresentados dados levantados entre maio de 2025 e fevereiro de 2026, com a participação de 400 famílias do Complexo do Lins, residentes nas favelas Árvore Seca, Santa Terezinha, Cachoeira Grande, Morro do Amor, Cachoeirinha, Gambá, Barro Preto e na Rua Vilela Tavares - Lins. Os resultados evidenciam desafios estruturais importantes no território no âmbito do acesso à água e saneamento básico.

De acordo com a pesquisa, 85% dos moradores precisam armazenar água devido à intermitência no abastecimento, o que pode representar riscos à saúde quando feito em condições inadequadas. Além disso, 56% dos entrevistados não possuem coleta adequada de esgoto, enquanto 88% relataram a presença de vetores de doenças, como mosquitos, ratos e baratas, próximos às residências.


O levantamento também aponta que 12% dos moradores identificaram risco de contaminação cruzada entre redes de água e esgoto, e 27% precisam utilizar bombas elétricas para garantir o abastecimento, gerando custos adicionais às famílias. Outro dado relevante indica que 5% dos entrevistados possuem apenas um ou nenhum ponto de água dentro de casa, condição que impacta diretamente na higiene e na saúde.

Entre os participantes, 81% vivem com até um salário-mínimo, 89% não possuem ensino superior e 80% se autodeclaram pretos, pardos ou indígenas, evidenciando a relação entre desigualdade social e acesso precário ao saneamento.


“É importante reivindicar intervenções políticas a partir dos dados levantados. Conseguimos identificar os pontos críticos no território relacionados à água, ao saneamento e à drenagem urbana. Destacamos a questão dos resíduos sólidos como um dos principais fatores de risco à saúde: mais de 80% dos problemas identificados estão relacionados ao acúmulo de lixo, que não é recolhido na mesma velocidade em que é produzido. Isso evidencia a necessidade de uma política mais efetiva de coleta”, explicou Adriana Sotero Martins, coordenadora do projeto e pesquisadora do Departamento de Saneamento e Saúde Ambiental da Ensp/Fiocruz.

Projeto subsidia a construção de tecnologias sociais e ações no território

Além da apresentação dos dados, a oficina também abordou análises sobre a qualidade da água nas nascentes locais e promoveu um espaço de escuta ativa da população, reforçando a importância da participação comunitária na construção de pesquisas.

Através de ações informativas, educativas e práticas de saneamento em territórios socioambientalmente vulnerabilizados, o projeto já realizou ações também em outros bairros e territórios de favelas e periferias próximos, como o Complexo do Alemão, que foi território de implementação das tecnologias sociais e recorte de pesquisa em edição anterior, e na favela Santa Terezinha, localizada no Complexo do Lins no ano de 2024. Na atual etapa, uma nova localidade do Complexo do Lins será escolhida para receber a construção de duas tecnologias sociais: o Biofiltro e a Bacia de Evapotranspiração.


O primeiro, se trata de um sistema que permite acesso à água tratada pelo processo de remoção das impurezas utilizando-se agentes biológicos e esses poluentes são removidos pela barreira mecânica e por biodegradação. Essa tecnologia pode ser utilizada como alternativa em situações de falta de abastecimento. A Bacia de Evapotranspiração consiste em um sistema natural de evapotranspiração que faz a coleta e tratamento de esgotos de casas, diminuindo a carga de dejetos, proporcionando melhoria ambiental dos rios, com reflexos na saúde da população.

Sobre o projeto

O projeto “Tecnologias sociais em saúde na Bacia Hidrográfica do Canal do Cunha na Serra dos Pretos Forros no Complexo do Lins” é articulado pelo Observatório da Bacia Hidrográfica do Canal do Cunha, pela Coordenação de Cooperação Social da Presidência da Fiocruz e pela Escola Nacional de Saúde Pública Sergio Arouca. As ações tiveram início no segundo semestre de 2023 e seguem em execução ao longo de 2026, com foco na promoção da saúde, no fortalecimento comunitário e na melhoria das condições de saneamento ambiental no território.

*Fotos presentes na matéria: Nathalia Mendonça



Autor: Fiocruz
Fonte: Fiocruz
Sítio Online da Publicação: Fiocruz
Data: 02/04/2026
Publicação Original: https://fiocruz.br/noticia/2026/04/pesquisadores-da-fiocruz-e-do-complexo-do-lins-moradores-e-coletivos-locais-se

Audiência pública no Senado debate internacionalização da Fiocruz


Na próxima quarta-feira (8/4), o Senado Federal vai realizar, às 10h, uma audiência pública para debater a internacionalização da Fiocruz enquanto instituição estratégica do Estado Brasileiro. O objetivo é discorrer sobre o papel da instituição no âmbito da Saúde Pública, ciência e cooperação internacional, e como essa atuação fortalece políticas públicas e a presença do Brasil no exterior. O presidente da Fiocruz, Mario Moreira, participará da sessão. A audiência será transmitida e aberta para a participação de interessados por meio do portal e-cidadania.

Além de Mario Moreira, participarão da audiência representantes da Agência Brasileira de Cooperação (ABC), do Ministério das Relações Exteriores, da Agência de Promoção e Exportação do Brasil (ApexBrasil) e do Ministério da Saúde. A sessão será durante a 5ª Reunião Extraordinária da Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional.


Como parte do seu compromisso histórico com a saúde e a vida, a Fiocruz atua de forma cada vez mais estruturada na frente internacional e na Diplomacia da Saúde. Nos últimos anos, a presença da Fundação no exterior vem sendo fortalecida, apesar de um cenário global cada vez mais desafiador, marcado por conflitos, instabilidade geopolítica, ameaças ao multilateralismo, impactos da crise climática e emergências sanitárias. A saúde, neste contexto, assume centralidade no debate, exigindo atuação conjunta entre países.

Nas colaborações firmadas pela Fiocruz figuram, principalmente, o eixo Sul-Sul até a geração de conhecimento e tecnologias na interface com países líderes no contexto industrial em saúde. Neste contexto, a atuação internacional gera resultados concretos para a população brasileira e o Sistema Único de Saúde (SUS), como redução de custos na produção de medicamentos, fortalecimento da capacidade de produção nacional, avanços em pesquisas, ampliação de opções de terapias e imunizantes mais eficazes e acessíveis e fortalecimento da soberania nacional por meio de acordos de transferência de tecnologia.

Ao mesmo tempo, as ações de internacionalização, pautadas na defesa do multilateralismo, apoiam sistemas de saúde locais a partir do princípio da solidariedade entre nações. “Nosso olhar e nossos esforços estão voltados para garantir o direito à vida e o acesso equitativo a bens e serviços em saúde para as pessoas que vivem situações de vulnerabilidade”, reforça Mario Moreira. “Sem dúvida, o parlamento brasileiro é um grande aliado neste compromisso com a soberania nacional e o multilateralismo”.



Autor: Fiocruz
Fonte: Fiocruz
Sítio Online da Publicação: Fiocruz
Data: 06/04/2026

segunda-feira, 6 de abril de 2026

Risco de hospitalização é 21% maior em crianças infectadas com chikungunya na barriga da mãe

Em estudo publicado na revista Nature, pesquisadores da Fiocruz apontam que crianças que tiveram contato com a chikungunya ainda na barriga da mãe, ou seja, de forma intrauterina, apresentaram 21% maior risco de hospitalização nos primeiros três anos de vida. Para as crianças infectadas na hora do parto, este risco dobrou de tamanho. Outro achado teve relação com o período em que a mãe é infectada pela doença: se ocorreu durante o primeiro ou segundo trimestre da gravidez, as chances da criança vir a ser hospitalizada nos primeiros anos de vida foram 25 e 35% mais altas.
 


A pesquisa, conduzida no Centro de Integração de Dados e Conhecimentos para Saúde (Cidacs/Fiocruz Bahia), utilizou a Coorte de 100 Milhões de Brasileiros para monitorar dados de 1,8 mil crianças nascidas de mães que tiveram chikungunya durante a gestação por três anos, entre 2015 e 2018. Outras 18 mil crianças que não foram expostas à doença foram analisadas para comparação no mesmo período.

“Os resultados indicam que uma vez que a criança é exposta a chikungunya ainda bebê, independente de ter tido contato com a resposta inflamatória causada pelo vírus na mãe, a doença pode ter consequências duradouras para a saúde da criança”, conta a pesquisadora Mio Kushibuchi, líder do estudo.

As trajetórias das crianças foram acompanhadas desde o nascimento até os três anos de idade, tendo sido contabilizadas as hospitalizações neste período. A pesquisa também avaliou idade materna, escolaridade, raça materna, acesso a serviços de saúde, município de residência e data de nascimento. Os dados foram retirados do Sistema de Informações sobre Nascidos Vivos (Sinasc) e Sistema de Informações Hospitalares (SIH), dentre outros.

Atualmente, o Brasil notifica quase a totalidade de casos mundiais por chikungunya, tendo registrado 95% dos casos pela doença. Porém, o estudo avalia que as mudanças climáticas estão agindo para a disseminação da doença em outros países e contextos ao redor do mundo.

De acordo com o estudo, as manifestações do vírus chikungunya ainda permanecem pouco estudadas quando comparadas a doenças “primas” mais conhecidas, como a dengue e a Zika. Ao nascer, o bebê vem ao mundo sem sequelas visíveis da doença, que podem vir a se agravar à medida que o recém-nascido se torna uma criança. “Justamente por não ter consequências físicas aparentes, a chikungunya pode passar despercebida e, por vezes, as pessoas afetadas podem carregar os sintomas da doença em silêncio”, comenta Kushibuchi. “Tornar público o impacto da doença em crianças expostas ao vírus ainda no útero e o quão isso pode causar hospitalizações, pode ajudar a entender a dimensão desta doença”.

A pesquisadora ainda destaca que a chikungunya precisa de maior atenção em populações em situação vulnerável. “Mães que vivem em comunidades em situação de pobreza e desigualdade, com baixa condição sanitária, são consideradas um grupo de risco, já que o mosquito Aedes aegypti pode transmitir essa e outras doenças, como a dengue, para o feto”, explica.

O artigo também traz recomendações em três esferas. Na dimensão clínica, é indicado que gestantes que contraem a chikungunya recebam acompanhamento pré-natal reforçado, mesmo em fases iniciais da gravidez, e que seus filhos tenham assistência regular contínua nos primeiros dias de vida. Na dimensão política, o estudo avalia que a infecção da chikungunya traz custos altos para o sistema de saúde e, por isso, é necessário investimento em prevenção e vigilância ativa em tempos de epidemia. Ao lado desta, na dimensão governamental, é recomendadp o controle de vetores nas comunidades em situação de vulnerabilidade, em especial, nas cidades e centros urbanos com saneamento precário.


Autor: Fiocruz
Fonte: Fiocruz
Sítio Online da Publicação: Fiocruz
Data: 01/04/2026
Publicação Original: https://fiocruz.br/noticia/2026/04/risco-de-hospitalizacao-e-21-maior-em-criancas-infectadas-com-chikungunya-na

Livro de contos de autores de favelas do Rio é lançado no Museu da Maré

No dia 26 de março, o Museu da Maré recebeu o lançamento do livro “É Necessário o Coração em Chamas – Contos de Manguinhos e da Maré”. O projeto reúne 14 contos produzidos por moradoras e moradores desses dois territórios, a partir de uma articulação do Fórum Favela Universidade, com apoio do projeto Tecendo Diálogos, sob gestão da Coordenação de Cooperação Social da Presidência da Fiocruz e do Museu da Vida Fiocruz.


Crédito: Flávio Araujo

A celebração contou com a presença de autores e autoras da comunidade, que partilharam o processo de construção da obra, vivenciado na IV Residência Literária Favelofágica, iniciativa do selo editorial do Ecomuseu de Manguinhos, o Bando Editorial Favelofágico. A Residência é um programa de formação e criação literária voltado a escritores periféricos, promovido pelo Bando no Complexo de Manguinhos, no Rio de Janeiro, desde 2015. A proposta integrou o Grupo de Trabalho Lutas, Letras e Memória, vinculado ao Fórum Favela Universidade.

“A gente ainda vive sob o predomínio de uma cultura letrada. Por isso, ter um espaço para que escritoras e escritores de favelas e periferias contem suas histórias é muito importante. A metodologia favelofágica parte do princípio de que qualquer tipo de história pode ser contada por autores e autoras desses territórios, não apenas narrativas de testemunho sobre vivências, especialmente aquelas marcadas pelas desigualdades sociais”, afirmou Vanessa Almeida, ponto focal do Grupo de Trabalho Lutas e Letras e Memória e Coordenadora do Ecomuseu de Manguinhos da RedeCCAP. “Enquanto pessoa negra, você ocupa outros papéis e vive outros momentos que não se resumem à dor. Por isso, é importante ressaltar isso”.


Crédito: Flávio Araujo

A mesa institucional foi composta por Nlaisa Luciano, educadora e mediadora da Residência Literária; Alessandro Batista, representante do Museu da Vida Fiocruz e coordenador do projeto Tecendo Diálogos; e Antônio Carlos, pesquisador do Museu da Maré. Em suas falas, destacaram a importância de uma publicação comprometida com a ruptura de estigmas e estereótipos historicamente associados a esses territórios, reafirmando a potência da produção cultural periférica e sua contribuição para a defesa dos direitos humanos e do direito à cidade.

“A importância de um projeto como esse é permitir que, cada vez mais, possamos construir espaços de possibilidades, de troca, de aprendizado, de produção de saber e também de ciência, porque a literatura é uma ferramenta de transformação”, afirmou Nlaisa Luciano.


Crédito: Flávio Araujo

O próximo lançamento ocorrerá no território de Manguinhos. Mais informações serão divulgadas em breve no Instagram do Fórum Favela Universidade.

Autor: Fiocruz
Fonte: Fiocruz
Sítio Online da Publicação: Fiocruz
Data: 02/04/2026
Publicação Original: https://fiocruz.br/noticia/2026/04/livro-de-contos-de-autores-de-favelas-do-rio-e-lancado-no-museu-da-mare

Jornada fortalece cuidado integral às doenças neurológicas em Pernambuco

A Jornada para Cuidado Integral às Pessoas com Doença Neurológica chega a Pernambuco como uma iniciativa estratégica fruto da parceria entre o Hospital da Restauração e a Fiocruz, com apoio da The Global Health Network. O evento tem como objetivo interiorizar o conhecimento científico e fortalecer a assistência em saúde, com foco nas doenças neurológicas imunomediadas e na pesquisa clínica.



A Jornada será realizada em quatro edições ao longo de 2026, contemplando as principais macrorregiões de Pernambuco. As primeiras ocorrerão em Caruaru, nos dias 9 e 10 de abril, e em Petrolina, nos dias 20 e 21 de maio. No segundo semestre, o evento segue para Serra Talhada e Recife, no mês de agosto, cobrindo Agreste, Sertão do São Francisco, Sertão do Pajeú e Zona da Mata/Região Metropolitana. A iniciativa é coordenada pelas pesquisadoras Cristiane Bresani e Clarice Morais, do Departamento de Virologia e Terapia Experimental da Fiocruz Pernambuco, e pela neurologista especialista em doenças neuroimunomediadas do Hospital da Restauração, Lúcia Brito, reunindo expertise assistencial e científica para ampliar o acesso à formação qualificada em diferentes territórios do estado.

Voltada a profissionais e estudantes da área da saúde, a programação reforça o caráter formativo e prático da jornada, com atividades que integram assistência e pesquisa. Entre os destaques da primeira edição, estão discussões clínicas, abordagens sobre diagnóstico e manejo de doenças neurológicas imunomediadas, além de conteúdos voltados à introdução e ao fortalecimento da pesquisa clínica nos serviços de saúde. Confira a programação completa da primeira edição.

Com essa iniciativa, Pernambuco avança na democratização do conhecimento em saúde, ampliando o acesso à qualificação profissional e fortalecendo redes de cuidado mais integradas, resolutivas e baseadas em evidências científicas. A participação é gratuita, mediante inscrição prévia, realizada por meio da plataforma da The Global Health Network.

A Jornada para Cuidado Integral às Pessoas com Doença Neurológica chega a Pernambuco como uma iniciativa estratégica fruto da parceria entre o Hospital da Restauração e a Fiocruz, com apoio da The Global Health Network. O evento tem como objetivo interiorizar o conhecimento científico e fortalecer a assistência em saúde, com foco nas doenças neurológicas imunomediadas e na pesquisa clínica.

A Jornada será realizada em quatro edições ao longo de 2026, contemplando as principais macrorregiões de Pernambuco. As primeiras ocorrerão em Caruaru, nos dias 9 e 10 de abril, e em Petrolina, nos dias 20 e 21 de maio. No segundo semestre, o evento segue para Serra Talhada e Recife, no mês de agosto, cobrindo Agreste, Sertão do São Francisco, Sertão do Pajeú e Zona da Mata/Região Metropolitana. A iniciativa é coordenada pelas pesquisadoras Cristiane Bresani e Clarice Morais, do Departamento de Virologia e Terapia Experimental da Fiocruz Pernambuco, e pela neurologista especialista em doenças neuroimunomediadas do Hospital da Restauração, Lúcia Brito, reunindo expertise assistencial e científica para ampliar o acesso à formação qualificada em diferentes territórios do estado.

Voltada a profissionais e estudantes da área da saúde, a programação reforça o caráter formativo e prático da jornada, com atividades que integram assistência e pesquisa. Entre os destaques da primeira edição, estão discussões clínicas, abordagens sobre diagnóstico e manejo de doenças neurológicas imunomediadas, além de conteúdos voltados à introdução e ao fortalecimento da pesquisa clínica nos serviços de saúde. Confira a programação completa da primeira edição.

Com essa iniciativa, Pernambuco avança na democratização do conhecimento em saúde, ampliando o acesso à qualificação profissional e fortalecendo redes de cuidado mais integradas, resolutivas e baseadas em evidências científicas. A participação é gratuita, mediante inscrição prévia, realizada por meio da plataforma da The Global Health Network.



Autor: Fiocruz
Fonte: Fiocruz
Sítio Online da Publicação: Fiocruz
Data: 02/04/2026
Publicação Original: https://fiocruz.br/noticia/2026/04/jornada-fortalece-cuidado-integral-doencas-neurologicas-em-pernambuco-0

Pesquisadores da Fiocruz e do Complexo do Lins, moradores e coletivos locais se reúnem para tratar da qualidade da água no território



Moradores do Complexo do Lins e pesquisadores da Fiocruz participaram, no último sábado (28/3), da 3ª oficina do projeto integrado Tecnologias Sociais em Saúde da Bacia Hidrográfica do Canal do Cunha. A atividade aconteceu na favela da Cachoeira Grande, localizada no Complexo do Lins, e apresentou dados preliminares de uma pesquisa sobre indicadores do acesso à água e saneamento na região, realizada com 400 famílias, e promoveu o diálogo com a população sobre o direito humano à água e ao saneamento.

O encontro reuniu moradores, representantes de veículos locais de comunicação comunitária e pesquisadores do território, com o objetivo de compartilhar os dados quantitativos, realizar diagnósticos e ouvir as percepções da população sobre os resultados. A iniciativa integra um conjunto de ações voltadas à produção de conhecimento participativo e ao fortalecimento do debate público sobre as condições de vida na região.

A oficina promovida pelo projeto faz parte de uma ação conjunta coordenada pela Fiocruz, por meio da Coordenação de Cooperação Social da Presidência e da Escola Nacional de Saúde Pública Sergio Arouca (Ensp/Fiocruz), em articulação com o Observatório da Bacia Hidrográfica do Canal do Cunha — um espaço de articulação que reúne organizações, pesquisadores, movimentos socioambientais e instituições comprometidas com a melhoria das condições ambientais e de saneamento dos territórios da bacia hidrográfica.


“No Lins, nós estamos desenvolvendo, por meio do projeto, ações para compreender a percepção da população sobre as condições de saúde e saneamento. Isso é fundamental para subsidiar a formulação de políticas públicas”, explicou Rejany Ferreira dos Santos, coordenadora do projeto na Coordenação de Cooperação Social da Presidência da Fiocruz e pesquisadora do Observatório da Bacia Hidrográfica do Canal do Cunha.

Dados da pesquisa revelam desafios no acesso à água e saneamento

A pesquisa-ação realizada pelo projeto, segue uma metodologia de pesquisa social e qualitativa, com um questionário aprovado no Comite de Ética da Escola Nacional de Saúde Pública Sérgio Arouca (Ensp/Fiocruz) é composta por perguntas divididas em módulos sobre dados de identificação do participante e dados socioeconômicos, saneamento ambiental, acesso à água, esgoto, saúde ambiental, dados sobre serviço após concessão e problema de saúde devido a carência em saneamento. As entrevistas foram realizadas pessoalmente pelos pesquisadores do território do projeto.


Moradores de diferentes comunidades do Complexo do Lins relataram casos de falta de água no território por 21 dias. “Quem mora em favela sabe que sempre houve problemas com o acesso à água. Isso impacta diretamente a vida da população, inclusive no orçamento das famílias, que muitas vezes precisam comprar água para suprir a falta de abastecimento. Sem água, não é possível realizar atividades básicas do dia a dia, como tomar banho, cozinhar ou manter a rotina dentro de casa”, relata Rejany Ferreira dos Santos.


Durante a atividade, foram apresentados dados levantados entre maio de 2025 e fevereiro de 2026, com a participação de 400 famílias do Complexo do Lins, residentes nas favelas Árvore Seca, Santa Terezinha, Cachoeira Grande, Morro do Amor, Cachoeirinha, Gambá, Barro Preto e na Rua Vilela Tavares - Lins. Os resultados evidenciam desafios estruturais importantes no território no âmbito do acesso à água e saneamento básico.

De acordo com a pesquisa, 85% dos moradores precisam armazenar água devido à intermitência no abastecimento, o que pode representar riscos à saúde quando feito em condições inadequadas. Além disso, 56% dos entrevistados não possuem coleta adequada de esgoto, enquanto 88% relataram a presença de vetores de doenças, como mosquitos, ratos e baratas, próximos às residências.


O levantamento também aponta que 12% dos moradores identificaram risco de contaminação cruzada entre redes de água e esgoto, e 27% precisam utilizar bombas elétricas para garantir o abastecimento, gerando custos adicionais às famílias. Outro dado relevante indica que 5% dos entrevistados possuem apenas um ou nenhum ponto de água dentro de casa, condição que impacta diretamente na higiene e na saúde.

Entre os participantes, 81% vivem com até um salário-mínimo, 89% não possuem ensino superior e 80% se autodeclaram pretos, pardos ou indígenas, evidenciando a relação entre desigualdade social e acesso precário ao saneamento.


“É importante reivindicar intervenções políticas a partir dos dados levantados. Conseguimos identificar os pontos críticos no território relacionados à água, ao saneamento e à drenagem urbana. Destacamos a questão dos resíduos sólidos como um dos principais fatores de risco à saúde: mais de 80% dos problemas identificados estão relacionados ao acúmulo de lixo, que não é recolhido na mesma velocidade em que é produzido. Isso evidencia a necessidade de uma política mais efetiva de coleta”, explicou Adriana Sotero Martins, coordenadora do projeto e pesquisadora do Departamento de Saneamento e Saúde Ambiental da Ensp/Fiocruz.

Projeto subsidia a construção de tecnologias sociais e ações no território

Além da apresentação dos dados, a oficina também abordou análises sobre a qualidade da água nas nascentes locais e promoveu um espaço de escuta ativa da população, reforçando a importância da participação comunitária na construção de pesquisas.

Através de ações informativas, educativas e práticas de saneamento em territórios socioambientalmente vulnerabilizados, o projeto já realizou ações também em outros bairros e territórios de favelas e periferias próximos, como o Complexo do Alemão, que foi território de implementação das tecnologias sociais e recorte de pesquisa em edição anterior, e na favela Santa Terezinha, localizada no Complexo do Lins no ano de 2024. Na atual etapa, uma nova localidade do Complexo do Lins será escolhida para receber a construção de duas tecnologias sociais: o Biofiltro e a Bacia de Evapotranspiração.


O primeiro, se trata de um sistema que permite acesso à água tratada pelo processo de remoção das impurezas utilizando-se agentes biológicos e esses poluentes são removidos pela barreira mecânica e por biodegradação. Essa tecnologia pode ser utilizada como alternativa em situações de falta de abastecimento. A Bacia de Evapotranspiração consiste em um sistema natural de evapotranspiração que faz a coleta e tratamento de esgotos de casas, diminuindo a carga de dejetos, proporcionando melhoria ambiental dos rios, com reflexos na saúde da população.

Sobre o projeto

O projeto “Tecnologias sociais em saúde na Bacia Hidrográfica do Canal do Cunha na Serra dos Pretos Forros no Complexo do Lins” é articulado pelo Observatório da Bacia Hidrográfica do Canal do Cunha, pela Coordenação de Cooperação Social da Presidência da Fiocruz e pela Escola Nacional de Saúde Pública Sergio Arouca. As ações tiveram início no segundo semestre de 2023 e seguem em execução ao longo de 2026, com foco na promoção da saúde, no fortalecimento comunitário e na melhoria das condições de saneamento ambiental no território.

*Fotos presentes na matéria: Nathalia Mendonça


Autor: Nathalia Mendonça
Fonte: Fiocruz
Sítio Online da Publicação: Fiocruz
Data: 02/04/2026