quinta-feira, 25 de junho de 2026

Projeto capacita moradores e profissionais para monitoramento da saúde dos rios

O que a presença de pequenos organismos aquáticos pode revelar sobre a saúde de um rio? Em comunidades de diferentes regiões do país, moradores, professores, técnicos ambientais e profissionais da saúde estão aprendendo a responder essa pergunta por meio do biomonitoramento e da Plataforma AGente das Águas. Desenvolvida pela Fiocruz, a proposta une ciência cidadã, educação ambiental e participação social para aproximar a produção de conhecimento científico das comunidades que convivem diariamente com rios, córregos e nascentes.



Aula prática do AGente das Águas reúne participantes em atividade de campo voltada à identificação de organismos bioindicadores da qualidade da água (Foto: Acervo AGente das Águas)

Em sua configuração atual, a iniciativa já percorreu cerca de 50 municípios de Paraná, Espírito Santo e Rio de Janeiro, formando cerca de 600 participantes entre agentes comunitários e multiplicadores. “O AGente das Águas é mais do que uma ação de divulgação científica e mais do que um projeto de popularização da ciência. É efetivamente uma iniciativa de ciência cidadã, em que construímos conhecimento em conjunto com as comunidades locais”, afirma a pesquisadora Clélia Mello-Silva, chefe do Laboratório de Avaliação e Promoção da Saúde Ambiental (Lapsa) do Instituto Oswaldo Cruz (IOC/Fiocruz), responsável pela coordenação do projeto, ressaltando que o diferencial do programa está justamente na construção coletiva da ciência.

A trajetória da plataforma começou ainda no fim da década de 1990, quando pesquisadores do Lapsa perceberam o interesse das populações locais em participar das atividades de campo realizadas pelo laboratório. Desde então, a iniciativa passou por diferentes formatos e, após a pandemia de Covid-19, foi reformulada em 2022 e incorporada à atual Plataforma AGente das Águas .

Ciência produzida nos territórios

Mas, afinal, o que a presença de pequenos organismos aquáticos pode revelar sobre a saúde de um rio? Para os pesquisadores do AGente das Águas, a resposta está justamente nos chamados macroinvertebrados aquáticos. Visíveis a olho nu, esses pequenos organismos — como larvas de insetos, moluscos e crustáceos — vivem no fundo de rios e córregos e funcionam como bioindicadores da qualidade da água.



Durante atividade prática do AGente das Águas, participantes realizam coletas e observações em campo para avaliação da qualidade da água e das condições ambientais do rio (Foto: Acervo AGente das Águas)

“Algumas espécies são mais sensíveis à poluição e desaparecem quando o ambiente é degradado, enquanto outras conseguem sobreviver em condições mais adversas. Logo, ao identificar quais organismos estão presentes em determinado trecho do rio, é possível avaliar a saúde do ecossistema e detectar sinais de impacto ambiental” explica Clélia sobre o biomonitoramento, método que utiliza organismos vivos como indicadores das condições ambientais de um ecossistema.

No AGente das Águas, a análise biológica é combinada a avaliações físico-químicas, bacteriológicas e ambientais, além da medição da vazão dos rios. Em conjunto, essas informações permitem compreender a situação dos recursos hídricos e identificar possíveis impactos provocados por esgoto, atividades agrícolas, processos industriais ou outras fontes de poluição.

Para disseminar essa metodologia nos territórios, a plataforma oferece cursos de formação que combinam atividades teóricas e práticas. As capacitações são conduzidas por profissionais da Fiocruz e ensinam os participantes a realizar as diferentes etapas do biomonitoramento.

Duas modalidades de treinamento são oferecidas. A primeira é voltada para os chamados agentes multiplicadores, profissionais das áreas de saúde, ambiente e educação que já atuam nos territórios e participam de formações híbridas, com aulas em ambiente virtual e atividades de campo.

A segunda, denominada Comunidade, é destinada a moradores interessados em atuar no monitoramento ambiental local. Nesse caso, as atividades são presenciais e ocorrem em espaços disponibilizados pelos parceiros do programa. Além do monitoramento ambiental, a plataforma busca fortalecer o protagonismo das comunidades na discussão dos problemas relacionados à água.

“Mais do que formar pessoas, o AGente das Águas empodera a população local e faz com que ela possa lutar pelos seus direitos, pelo direito do acesso à água de qualidade”, destaca Clélia.

Para Tatiana Figueiredo, pesquisadora do Lapsa e integrante do projeto, um dos principais resultados observados é o fortalecimento do vínculo entre os participantes e seus territórios.

“Essa questão do pertencimento, de se identificar como uma pessoa que vive naquela região e que precisa fazer alguma coisa pela sua água, é muito importante. O programa leva autonomia para que eles consigam buscar soluções para os problemas locais”, afirma.

Segundo a pesquisadora, a formação permite que moradores compreendam melhor os desafios ambientais de suas regiões e participem de forma mais qualificada dos espaços de decisão. Com acesso a informações e ferramentas de monitoramento, os participantes passam a acompanhar mais de perto questões relacionadas à qualidade da água, saneamento e conservação ambiental, contribuindo para o debate e para a cobrança de soluções junto aos órgãos responsáveis.

Expansão

Desde 2022, a plataforma é desenvolvida em parceria com a Associação Pró-Gestão das Águas da Bacia Hidrográfica do Rio Paraíba do Sul (Agevap) e os comitês de bacias hidrográficas Rio Dois Rios, Baixo Paraíba do Sul e Itabapoana e Médio Paraíba do Sul. Agora, a iniciativa entra em uma nova etapa com o projeto Águas em Movimento, que prevê a criação de Centros de Gestão e Monitoramento da Qualidade das Águas, implantação de núcleos de pesquisa em saúde e educação ambiental e climática, realização de atividades em escolas e a criação de um curso de especialização voltado para profissionais das áreas de ambiente, saúde e educação.



Antes das atividades de campo, participantes do AGente das Águas acompanham aulas sobre biomonitoramento e monitoramento da qualidade da água, uma das etapas da capacitação oferecida pelo programa (Foto: Acervo AGente das Águas)

A proposta também prevê fóruns comunitários para discussão dos resultados obtidos nos territórios e encontros anuais voltados à divulgação das ações desenvolvidas. Além disso, participantes já formados pelo programa poderão atuar nos Centros de Gestão e Monitoramento da Qualidade das Águas, ampliando a presença da iniciativa nos municípios parceiros e valorizando a experiência adquirida ao longo das capacitações.

Para os pesquisadores, o objetivo final vai além da geração de dados científicos. A expectativa é que o conhecimento produzido coletivamente contribua para a conservação dos recursos hídricos e para a construção de comunidades mais preparadas para enfrentar desafios ambientais e climáticos em seus territórios.

“Nós queremos unir sociedade, comitês de bacias, governo local e academia para pensar soluções ambientais locais”, conclui Clélia.




Autor: Yuri Neri (IOC/Fiocruz)
Fonte: Fiocruz
Sítio Online da Publicação: Fiocruz
Data: 24/06/2026
Publicação Original: https://fiocruz.br/noticia/2026/06/projeto-capacita-moradores-e-profissionais-para-monitoramento-da-saude-dos-rios

Fiocruz debate ambiente regulatório e financiamento da inovação no 11º Summit Brasil

A Fiocruz marcou presença em dois painéis do 11º Summit Brasil, evento paralelo à Bio Convention 2026 realizado em San Diego, nos Estados Unidos. Organizado pela Brazilian Pharma and Health e promovido pela Abiquifi, Apex Brasil e Ministério da Saúde, o encontro reuniu lideranças do setor para discutir avanços regulatórios, competitividade e mecanismos de financiamento para a inovação em saúde no país.



Debate destacou a evolução do modelo regulatório brasileiro (Foto: Pamela Lang)

O primeiro painel abordou os avanços regulatórios e iniciativas voltadas à celeridade e competitividade no Brasil. A mesa contou com a participação da diretora de Instituto de Tecnologia em Imunobiológicos (Bio-Manguinhos/Fiocruz), Rosane Cuber, e foi moderada pelo presidente executivo da Abiquifi, Norberto Prestes.

Em sua fala inicial, o secretário-adjunto da Secretaria de Ciência, Tecnologia e Inovação e do Complexo Econômico-Industrial da Saúde do Ministério da Saúde, Eduardo Jorge Valadares Oliveira, traçou um histórico das políticas industriais no país. Ele destacou que, entre os anos 1950 e 2000, pesquisa e indústria farmacêutica caminharam de forma desarticulada. A retomada das políticas industriais no primeiro governo Lula, com programas como o Profarma do BNDES e a Lei de Inovação de 2004, começou a quebrar esse paradigma.

“Em 2007, com a chegada do [José Gomes] Temporão, o Ministério da Saúde saiu de um foco apenas assistencial para qualificar a plataforma científica e tecnológica, com a retomada da produção pública farmacêutica e do setor farmoquímico. Instrumentos como as PDPs, o fortalecimento do PNI e de Bio-Manguinhos deram sustentabilidade a todo esse sistema”, afirmou.

A diretora da Anvisa, Daniela Marreco, apresentou dados que evidenciam a modernização dos fluxos da Agência. Nos primeiros cinco meses de 2026, foram concluídas 137 decisões sobre registros de medicamentos sintéticos, superando o total de 2025 e registrando a maior produtividade da história para o período. O desempenho é resultado de um plano de ação voltado à redução do estoque de processos, com melhorias na gestão, realocação de recursos humanos e atualização tecnológica.

A Agência também tem adotado programas de priorização e aceleração para medicamentos voltados a doenças raras e necessidades não atendidas, além de editais de chamamento para terapias avançadas (2022), dispositivos médicos (2023) e inovação radical (2024). “Inovação exige regulação ágil, mas sem comprometer qualidade, segurança e eficácia”, reforçou a mensagem apresentada pela Anvisa.

Avanço regulatório acelera desenvolvimento de terapias avançadas

No debate que se seguiu, a diretora de Bio-Manguinhos/Fiocruz, Rosane Cuber, destacou a evolução do modelo regulatório brasileiro. “O Brasil vem consolidando um modelo próprio, baseado em diálogo técnico, previsibilidade e construção conjunta entre a Agência e os desenvolvedores de produtos biológicos”, afirmou.

Cuber citou o Edital de Chamamento nº 17/2021 como uma ferramenta transformadora. O projeto-piloto de cooperação técnico-regulatória voltado a terapias avançadas de interesse do SUS permitiu a transição de um modelo linear de submissão para um modelo interativo, com construção conjunta ao longo do desenvolvimento dos produtos.

“Este conjunto de ferramentas não apenas acelera o processo — reduz incertezas, aumenta a qualidade dos dossiês e evita retrabalho, o que é particularmente crítico em produtos altamente complexos, como terapias gênicas e celulares”, explicou.

Bio-Manguinhos foi contemplado no edital em novembro de 2022. Desde então, acumula experiências concretas. Um dos exemplos citados foi o desenvolvimento de uma terapia gênica in vivo para atrofia muscular espinhal (AME) tipo 1. O dossiê foi submetido à Anvisa em junho de 2025 e a autorização para início do estudo clínico foi obtida em novembro do mesmo ano — um processo de avaliação inferior a cinco meses para um estudo de Fase I/II em população pediátrica com administração intracisternal.

“O estudo já está em fase de recrutamento de participantes, posicionando o Brasil em um patamar diferenciado no desenvolvimento de terapias avançadas”, destacou.

Outro caso mencionado foi o desenvolvimento de uma terapia CAR-T para linfoma não-Hodgkin difuso de grandes células e leucemia linfoblástica aguda de células B. Desde dezembro de 2023, a interação com a Anvisa tem sido contínua e, atualmente, ocorre em frequência praticamente semanal. Como resultado, foi inaugurado em maio de 2026 o Centro de Desenvolvimento e Produção de Terapia CAR-T de Bio-Manguinhos (CDPTC). “A atuação da Anvisa foi determinante não apenas como órgão avaliador, mas como facilitador técnico na construção dessa plataforma”, afirmou Cuber.

A diretora também apontou dois caminhos para o avanço do ambiente regulatório. O primeiro diz respeito a plataformas tecnológicas, como as vacinas de mRNA. “Poderíamos pensar no aproveitamento de estudos pré-clínicos e clínicos, uma vez que, para uma mesma plataforma, só alteramos a sequência genética, mas a molécula e a nanopartícula são as mesmas”, explicou.

O segundo caminho seria a criação de um instrumento nos moldes do chamamento da Anvisa, agora voltado a biossimilares. “O desenvolvimento de biossimilares tem se dado num tempo muito menor. Talvez possamos pensar na não necessidade de um estudo de fase III, reforçando as comparabilidades. Isso daria celeridade e agilidade para competirmos com outros países, como China e Índia”, concluiu.

Financiamento da Inovação em Saúde

O segundo painel debateu mecanismos de financiamento e a integração entre capital público e privado para acelerar a inovação em saúde e biotecnologia. A vice-presidente de Produção e Inovação em Saúde da Fiocruz, Priscila Ferraz, participou da mesa ao lado de representantes do BNDES, Finep, Embrapii e Instituto Butantan.

A representante do BNDES destacou o papel central do banco no apoio ao setor produtivo. “No setor farmacêutico, investimentos em inovação são o que garantem a competitividade. O desafio das instituições de fomento é oferecer uma cesta de produtos que atue nas diferentes fases da inovação — desde financiamento direto até instrumentos de renda variável, como fundos específicos para projetos de maior risco”, afirmou.

Priscila Ferraz trouxe uma provocação sobre o acesso dos laboratórios públicos aos instrumentos de fomento. “O Brasil hoje dispõe de instrumentos de inovação para os laboratórios públicos, como as PDPs, que usam o poder de compra do Estado para induzir a inovação. Mas uma das provocações que faço é a necessidade de integrar e coordenar melhor esses instrumentos. Precisamos de investimento continuado, com previsibilidade”, disse.

Ela ressaltou as dificuldades enfrentadas por instituições como a Fiocruz, que, por ser uma instituição pública de direito público, não consegue acessar diversos instrumentos da Finep e do BNDES. “Temos que ser criativos e pensar de que forma podemos articular as diversas iniciativas para ajudar os laboratórios públicos, que têm sido, na história do país, os responsáveis por segurar as pontas nos momentos de emergência”, concluiu.

A participação da Fiocruz no XI Summit Brasil reforça o papel estratégico da instituição no fortalecimento do Complexo Econômico-Industrial da Saúde e na articulação entre ciência, regulação e financiamento para garantir à população brasileira o acesso a inovações em saúde.




Autor: Pamela Lang (Bio-Manguinhos/Fiocruz)
Fonte: Fiocruz
Sítio Online da Publicação: Fiocruz
Data: 24/06/2026
Publicação Original: https://fiocruz.br/noticia/2026/06/fiocruz-debate-ambiente-regulatorio-e-financiamento-da-inovacao-no-11o-summit

Pará recebe Encontro Estadual da Periferia Brasileira de Letras para fortalecer produções culturais periféricas

No dia 27 de junho, a Ilha do Caratateua, em Belém, recebe o Encontro Estadual da Periferia Brasileira de Letras (PBL) do Pará. O evento ocorre na Casa Preta Amazônia das 9h às 13h e reunirá coletivos literários, slams (batalha de poesia falada), saraus, bibliotecas comunitárias, editoras independentes e batalhas de rima em uma programação dedicada ao fortalecimento do livro, da leitura, da literatura e das práticas culturais produzidas nos territórios.

A iniciativa é organizada pela rede Periferia Brasileira de Letras (PBL), pela Coordenação de Cooperação Social da Fiocruz, pelo Ministério da Cultura (MinC) e pelo Coletivo Escambo Literário de Belém, em parceria com a Casa Preta Amazônia. O objetivo central é promover a articulação e o intercâmbio entre iniciativas que atuam na democratização do acesso à cultura e na valorização das práticas literárias produzidas nas periferias.

Entre os destaques da programação estão intervenções artísticas, feira criativa, participação dos coletivos que compõem o ecossistema literário e cultural do estado, além de um grande debate sobre os resultados da pesquisa realizada pela Fiocruz e pela Rede PBL em 2024, que investigou experiências e práticas dos coletivos literários dos dez estados que integram a rede.

O encontro também contará com o lançamento do Manual sobre Racismo no Sistema Único de Saúde (SUS), ampliando o diálogo entre cultura, saúde e justiça social e reafirmando a importância da produção de conhecimento comprometida com os territórios e com o enfrentamento das desigualdades.



Serviço:

Encontro Estadual PBL Pará

Data: 27 de junho de 2026

Horário: Das 9h às 13h

Local: Casa Preta Amazônia - Rua dos Bacuri, 125, S.J. do Outeiro, Ilha do Caratateua – Belém, PA

Evento gratuito e aberto ao público




Autor: Coordenação de Cooperação Social da Presidência da Fiocruz
Fonte: Fiocruz
Sítio Online da Publicação: Fiocruz
Data: 24/06/2026
Publicação Original: https://fiocruz.br/noticia/2026/06/para-recebe-encontro-estadual-da-periferia-brasileira-de-letras-para-fortalecer

quarta-feira, 24 de junho de 2026

Fiocruz e Thermo Fisher Scientific assinam memorando de entendimento para impulsionar inovação

A Fiocruz e a Thermo Fisher Scientific assinaram um memorando de entendimento (MoU) para explorar oportunidades de colaboração em pesquisa biomédica, capacitação laboratorial, diagnósticos, vacinas e bioprodução. O acordo foi assinado em 23 de junho, durante a BIO International Convention 2026, em San Diego, na Califórnia.



Da esquerda para a direita, o vice-presidente Global de Operações Comerciais e Bioprodução da Thermo Fisher, Chris Mach; a vice-presidente Sênior e presidente de BioProdução e Customer Excellence da Thermo Fisher, Daniella Cramp; a vice-presidente de Produção e Inovação em Saúde da Fiocruz, Priscila Ferraz, a diretora do Instituto de Tecnologia em Imunobiológicos (Bio-Manguinhos/Fiocruz), Rosane Cuber, e o secretário-adjunto da Secretaria de Ciência, Tecnologia, Inovação e Complexo Econômico-Industrial da Saúde do MS, Eduardo Jorge Valadares Oliveira (Foto: Pamela Lang)

"O acordo com a Thermo Fisher reforça nossa capacidade de planejar o enfrentamento de desafios sanitários que exigem inovação contínua. Trata-se de uma cooperação técnico-científica que pode gerar oportunidades de desenvolvimento de tecnologias relevantes para o Brasil e para a América Latina", reforçou a vice-presidente de Produção e Inovação em Saúde da Fiocruz, Priscila Ferraz.

O MoU estabelece uma estrutura para intercâmbio científico e colaboração, incluindo reuniões técnicas, compartilhamento de conhecimento e identificação de áreas de interesse mútuo. As possíveis áreas de cooperação incluem desenvolvimento tecnológico, otimização de fluxos de trabalho, validação de tecnologias e capacitação de profissionais.

A diretora do Instituto de Tecnologia em Imunobiológicos (Bio-Manguinhos/Fiocruz), Rosane Cuber, explica que o documento estabelece as bases para “Uma colaboração estruturada com as equipes técnicas da Thermo Fisher, com foco no avanço da ciência e na geração de impacto em saúde pública”.

“Na Thermo Fisher Scientific, nossa missão é permitir que nossos clientes tornem o mundo mais saudável, mais limpo e mais seguro. Este MoU reflete nosso compromisso compartilhado com a Fiocruz em promover a ciência e explorar abordagens inovadoras que fortaleçam as capacidades de saúde, acelerem o progresso científico e melhorem os resultados em saúde pública no Brasil e na América Latina. Temos orgulho de contribuir com nossa expertise científica, tecnologias inovadoras e amplo portfólio de soluções integradas de ponta a ponta para apoiar essa colaboração e ajudar a enfrentar alguns dos desafios mais urgentes da saúde atualmente”.

O acordo, com vigência inicial de três anos, apoia a estratégia da Fiocruz de fortalecer o Complexo Econômico-Industrial da Saúde do Brasil por meio da colaboração internacional. Ao promover o intercâmbio científico e a inovação, a parceria busca ampliar as capacidades nacionais e apoiar o desenvolvimento de soluções estratégicas para o Sistema Único de Saúde (SUS).

Participaram da cerimônia de assinatura representantes do Ministério da Saúde do Brasil, incluindo o secretário-adjunto da Secretaria de Ciência, Tecnologia, Inovação e Complexo Econômico-Industrial da Saúde do Ministério da Saúde, Eduardo Jorge Valadares Oliveira, como representante da pasta, a vice-presidente Priscila Ferraz, a diretora Rosane Cuber, e a vice-presidente Sênior e presidente de BioProdução e Customer Excellence da Thermo Fisher Scientific, Daniella Cramp.



Autor: fiocruz
Fonte: fiocruz
Sítio Online da Publicação: fiocruz
Data: 23/06/2026
Publicação Original: http://fiocruz.br/noticia/2026/06/fiocruz-e-thermo-fisher-scientific-assinam-memorando-de-entendimento-para

Simpósio Internacional debate avanços e desafios da nanotecnologia na saúde pública

Da aplicação de nanopartículas em vacinas e medicamentos ao desenvolvimento de métodos mais seguros para avaliação toxicológica, a nanotecnologia e seu potencial para ampliar soluções em saúde estiveram no centro das discussões do 1º Simpósio Internacional de Nanotecnologia em Saúde, realizado no Rio de Janeiro. O encontro, promovido pela Fiocruz, reuniu pesquisadores do Brasil e de outros países, além de estudantes e representantes de empresas. Ao todo, foram 200 inscritos.



Discussões também abordaram os desafios da produção e da segurança de nanomedicamentos (Foto: VPPVB/Fiocruz)

Na abertura do evento, a vice-presidente de Pesquisa e Coleções Biológicas (VPPCB) da Fiocruz, Alda Maria da Cruz – por meio de vídeo pré-gravado –, a coordenadora-geral para Promoção do Complexo Industrial da Saúde do Ministério da Saúde, Zênia Maciel, a diretora-executiva da Fiotec, Cristiane Sedim, os coordenadores da Rede Fio-Nano, Fabio Formiga e Carlos Calzavara, e o consultor científico do Programa de Pesquisa Translacional (PPT) da Vice-Presidência de Pesquisa e Coleções Biológicas (VPPCB/Fiocruz), Wim Degrave, destacaram o papel estratégico da nanotecnologia como área capaz de impulsionar a inovação em saúde. Eles pontuaram também a importância de fortalecer novos projetos e parcerias, a captação de recursos, o papel do pesquisador como empreendedor e as tendências emergentes da nanotecnologia e da nanomedicina como áreas de vanguarda para inovação em saúde e para as políticas públicas brasileiras. A coordenação do evento coube ao PPT.

A conferência de abertura foi ministrada por Juan Manuel Irache, da Universidade de Navarra, na Espanha, que apresentou pesquisas com nanopartículas produzidas a partir da zeína, uma das proteínas extraídas dos grãos de milho. Biocompatíveis, biodegradáveis e abundantes, essas nanopartículas vêm sendo investigadas como sistemas de transporte de fármacos e como adjuvantes para imunização por mucosas, o que amplia seu potencial de aplicação em vacinas e sua relevância para a indústria farmacêutica. Os dados apresentados indicaram resultados promissores tanto para o aprimoramento de vacinas quanto para o controle glicêmico e a redução da resistência à insulina.

Nanomedicamentos e plataformas tecnológicas

As discussões também abordaram os desafios da produção e da segurança de nanomedicamentos. A pesquisadora Eder Lilia Romero, da Universidade Nacional de Quilmes, da Argentina, apresentou estratégias para simplificar a produção industrial de medicamentos por meio do uso de biomateriais inovadores. Já Diego Martinez, do Laboratório Nacional de Nanotecnologia do Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais, defendeu uma abordagem integrada para o desenvolvimento de nanomateriais, considerando aspectos de inovação, sustentabilidade e segurança ao longo de todo o ciclo de vida desses sistemas. Em sua apresentação, destacou a necessidade de evitar a nanopoluição e de incorporar os princípios do conceito de saúde única para promover inovação com segurança. Ele acrescentou haver ainda iniciativas importantes para a nanoagricultura e trabalhos com instituições europeias em campos como nanoinformática e inteligência artificial.

A pesquisadora Heloisa Bordallo, da Universidade de Copenhague, na Dinamarca, abordou aspectos do desenho de nanopartículas, estudos com células cancerosas e o papel da água nas interações entre o organismo e drogas anticâncer. Utilizando técnicas de espalhamento de nêutrons, foi possível observar que a água atua como participante ativa nos mecanismos envolvidos na ação de medicamentos e no comportamento de sistemas nanoestruturados, ampliando a compreensão sobre processos fundamentais da nanomedicina.

As discussões também concentraram-se nas aplicações farmacêuticas da nanotecnologia. Representando a Croda Pharma, empresa fornecedora de componentes químicos, Letícia Marques apresentou avanços no desenvolvimento de lipídios de alta pureza utilizados em nanopartículas lipídicas, empregadas em vacinas de RNA mensageiro, como as utilizadas contra a Covid-19. Marques comentou iniciativas de colaboração entre as universidades públicas e a indústria para o desenvolvimento de novos sistemas de entrega de medicamentos. Uma das parcerias da Croda Pharma é com a Universidade Federal do Ceará para melhorar a eficiência da encapsulação de medicamentos.

As possibilidades da nanotecnologia para o enfrentamento de doenças socialmente determinadas foram uma das ênfases da apresentação de Ariane Batista, do Instituto Alberto Luiz Coimbra de Pós-Graduação e Pesquisa de Engenharia da Coppe/UFRJ. A pesquisadora mostrou o trabalho com engenharia de nanopartículas e como as nanopartículas podem transformar abordagens terapêuticas. Ela analisou resultados obtidos com micropartículas capazes de promover a liberação prolongada de fármacos, reduzindo a necessidade de múltiplas aplicações e minimizando efeitos adversos. Entre os exemplos, citou o tratamento da leishmaniose, incluindo as formulações e os sistemas de liberação controlada do medicamento com potencial de impacto para o SUS.

Também dedicada ao desenvolvimento tecnológico, a professora Eliana Lima, da Universidade Federal de Goiás (UFG), ressaltou que a nanomedicina translacional já é uma realidade no país, mas depende da integração entre diferentes áreas do conhecimento. Segundo ela, o sucesso dessas tecnologias está associado não apenas ao medicamento, mas às nanopartículas responsáveis por protegê-lo, transportá-lo e direcioná-lo ao local de ação. Lima esclareceu que as nanopartículas não apenas protegem o medicamento no organismo, mas também contribuem para reduzir seus efeitos indesejados ao controlar sua distribuição e liberação.

Especialistas do Reino Unido, Alemanha e Brasil apresentaram avanços em nanometrologia e nanotoxicologia. Eles discutiram desde o papel das ferramentas para caracterização de nanopartículas até modelos alternativos aos testes em animais. Nesse contexto, as nanofibras sintéticas foram apontadas como uma alternativa promissora por possibilitarem a criação de modelos de tecidos humanos aplicáveis a pesquisas com intestino, pulmão, coração, córnea, ossos, pele e mucosa nasal.

Nanomedicina translacional e financiamento da pesquisa

No segundo dia, pesquisadores do Instituto de Pesquisa Scripps (Estados Unidos), do Instituto de Tecnologia em Imunobiológicos (Bio-Manguinhos/Fiocruz), da UFMG, da UFRGS, da Universidade de Groningen (Holanda), do Instituto Oswaldo Cruz (IOC/Fiocruz) e do Instituto Fraunhofer de Pesquisa em Silicatos (Alemanha) discutiram o papel das plataformas tecnológicas no aumento da precisão e da efetividade de terapias avançadas. A programação abordou temas como terapias regenerativas e o uso de nanopartículas para entrega de ácidos nucleicos, uma das estratégias promissoras para o desenvolvimento de medicamentos baseados em RNA e DNA. Também foram apresentadas inovações em bioimpressão 3D para medicamentos, uso de robôs e desenvolvimento de nanomateriais.

Além de colocar luz sobre esses temas, o simpósio abriu espaço para refletir sobre as formas de financiamento da pesquisa e as condições necessárias para consolidar a nanomedicina translacional no Brasil. O tema foi debatido em uma mesa-redonda composta por representantes de instituições responsáveis pelo financiamento, pela regulação e pelo fomento da pesquisa científica no país. Participaram da discussão Camila Moreira, da Anvisa; Silvia Fialho, da Fundação Ezequiel Dias (Funed); Monica Felts, do CNPq; Letícia Koester, da Capes; e André Daher, da VPPCB, responsável pela mediação da mesa. Os participantes destacaram a necessidade de fortalecer a cultura de acompanhamento de chamadas nacionais e internacionais voltadas para financiamento da pesquisa. Também foi reforçada a dimensão translacional do simpósio com a abertura da exposição de pôsteres, valorizando a difusão de pesquisas, de metodologias e dos resultados.

No último dia, o foco esteve nas aplicações da nanomedicina em desafios prioritários da saúde pública. Os destaques foram para a nanomedicina no combate ao câncer, com foco em terapias mais direcionadas e menos tóxicas, e o potencial da nanotecnologia para enfrentar as doenças infecciosas e as determinadas socialmente, temática de grande relevância para países da América Latina.

A diversidade das sessões científicas demonstrou que os avanços da nanotecnologia não são resultado de uma única disciplina. A área se constrói na convergência entre medicina, biologia, física, farmácia, química e engenharia. Trata-se de um campo essencialmente interdisciplinar, cujos avanços dependem da articulação entre diferentes saberes e de um esforço coletivo capaz de compreender fenômenos complexos e transformar descobertas científicas em aplicações clínicas.




Autor: fiocruz
Fonte: fiocruz
Sítio Online da Publicação: fiocruz
Data: 23/06/2026
Publicação Original: https://fiocruz.br/noticia/2026/06/simposio-internacional-debate-avancos-e-desafios-da-nanotecnologia-na-saude-publica

Cooperação entre MS e Fiocruz fortalece atuação na Atenção Primária à Saúde

A Fiocruz celebrou parceria com o Ministério da Saúde (MS) cujo objetivo é potencializar o Centro de Saúde Escola Germano Sinval Faria (CSEGSF) como espaço de inovação, formação e qualificação da Atenção Primária à Saúde (APS). Para celebrar e marcar o início do acordo, representantes do MS e da Secretaria Municipal de Saúde do Rio de Janeiro realizaram uma visita técnica ao CSEGSF.



Projeto busca fortalecer a vocação do Centro de Saúde da Fiocruz por meio da qualificação de profissionais, da implementação de processos sistemáticos de monitoramento e avaliação e do desenvolvimento de ações voltadas a temas prioritários da APS (Foto: Informe Ensp)

Com vigência de cinco anos, o projeto Qualificação em ensino e serviço de profissionais da atenção primária à saúde, em território vulnerabilizado reafirma o compromisso do MS com o fortalecimento do Centro de Saúde como unidade-escola e das atividades de ensino da Escola Nacional de Saúde Pública (Ensp/Fiocruz). A iniciativa prevê ações de formação permanente, desenvolvimento de trilhas formativas em áreas prioritárias, aumento da participação social, aprimoramento de programas de residência e pós-graduação no âmbito da APS, ampliação do uso de indicadores e da produção de conhecimento voltado à tomada de decisão em saúde. Assim, a iniciativa visa consolidar Manguinhos como território-escola, aprimorar a resolutividade da APS, melhorar o cuidado e gerar modelos replicáveis para outros territórios do SUS, alinhados à Política Nacional de Atenção Básica e às necessidades reais da população.

A visita foi marcada por dois momentos. De manhã, após um momento de recepção e abertura institucional em que as equipes se apresentaram, foi realizada uma visita a todos os espaços do Centro de Saúde. Na parte da tarde, a apresentação institucional continuou, seguida de uma mesa de cooperação e alinhamento de expectativas.

Representantes destacam potencial estratégico

O SUS no território e para o território. Segundo o diretor da Ensp/Fiocruz, Marco Menezes, esse é um dos pontos centrais reforçados pelo projeto. Menezes destacou que a execução do projeto parte da experiência prática no cuidado realizado no território, tendo o Centro de Saúde como referência e origem da articulação em Manguinhos. O diretor ressaltou que se trata de uma iniciativa construída de forma integrada, que envolve Fiocruz, movimentos sociais e outras áreas da instituição.

"Este projeto também contribui para afirmar o papel estratégico da Fundação. Um dos temas centrais desse debate é como melhoramos nossa atuação nos territórios, e esta iniciativa tem grande potencial para valorizar ainda mais esse papel", enfatizou. Menezes ressaltou a intenção de desenvolver uma experiência inovadora de gestão e a possibilidade de expansão da iniciativa: "O projeto nasce no Centro de Saúde, mas envolve toda a Escola. Essa integração é uma das suas maiores fortalezas e representa uma oportunidade importante para ampliar e valorizar ainda mais seus resultados".

"Estamos muito felizes com este momento, que marca uma transformação importante na gestão da Atenção Primária à Saúde no âmbito da Escola", afirmou a vice-diretora de Atenção à Saúde e Laboratórios, Fátima Rocha. Segundo ela, a cooperação fortalece o papel da Fiocruz no campo das políticas públicas, além de representar a possibilidade de avançar no cuidado com a promoção de uma atenção integrada. A vice-diretora enfatizou a importância da atuação coletiva e reafirmou compromissos para realizar os objetivos: "É uma experiência nova, que construiremos da forma mais cuidadosa possível. Contamos com o olhar atento e a sensibilidade de todos para enfrentar os desafios e esperamos que o processo dê robustez à rede de afetos e aos compromissos políticos fundamentais para a dimensão e a importância dos desafios que temos pela frente".

Patrícia Canto, da Vice-Presidência de Ambiente, Atenção e Promoção da Saúde (VPAAPS/Fiocruz), destacou a satisfação de celebrar mais uma oportunidade de aprofundar a cooperação entre a instituição e o MS. "Experiências como as desenvolvidas aqui levaram a muitos dos princípios da Reforma Sanitária brasileira e do SUS. Ao longo dos anos, o Centro sempre se renovou. Acredito que fará história ao participar deste modelo inovador". Para Canto, o valor da iniciativa está em fortalecer o papel da Fiocruz como espaço de inovação, formação, produção de conhecimento e discussão de novas práticas, sempre integrado ao SUS.

"É um momento de ressignificar a forma como atuamos, fortalecendo identidades, vínculos e modos de produzir cuidado", defendeu a coordenadora de Atenção à Saúde da Ensp, Lucélia Santos. Ela contextualizou que, frente às inúmeras iniciativas do CSEGSF em formação, assistência, pesquisa e inovação, a parceria representa uma oportunidade estratégica de garantir condições adequadas para os trabalhadores e trabalhadoras, bem como de retomar uma vocação histórica: a de ser um centro formador para o Brasil. "Nosso desafio é potencializar este legado. O Centro já ocupa esse lugar, mas agora temos a possibilidade de ampliar seu alcance e sua capacidade de formação, bem como de compartilhar suas experiências de forma mais abrangente", reforçou.

"Entendemos o projeto como uma possibilidade de potencializar o Centro de Saúde na formação de trabalhadores do Sistema Único de Saúde, na qualificação das nossas equipes de Saúde da Família, pensando em um cuidado integral, cada vez mais alinhado com as questões do território", afirmou a chefe do CSEGSF, Janine Santos, que reforçou a participação histórica do Centro na construção da saúde pública brasileira.

Ana Luiza Caldas, da Secretaria de Atenção Primária à Saúde (SAPS/MS), destacou que este projeto é resultado de uma demanda antiga e reforçou a importância do momento. Ela defendeu que era necessário encontrar uma solução capaz de fortalecer a vinculação do Centro de Saúde à Fiocruz, assim como seu papel histórico e estratégico. "Foi com esse entendimento que construímos uma alternativa que aprofunda o papel do Centro de Saúde Escola como espaço de assistência, formação, pesquisa e inovação, sem perder de vista sua integração com a rede municipal de saúde e sua contribuição histórica para o SUS", afirmou. Segundo a representante da SAPS/MS, a expectativa é aprimorar mecanismos de cooperação já existentes e avançar para instrumentos mais estruturados de colaboração institucional, preservando a continuidade da assistência e das atividades desenvolvidas no território.

"Nosso objetivo é contribuir para que esta unidade se consolide como uma referência e um modelo para o SUS. Acreditamos nessa força e estamos aqui para construir esse caminho em parceria com vocês", declarou Ana Cláudia Cardozo Chaves, coordenadora-geral de Saúde da Família e Comunidade (SAPS/MS). A representante do MS reforçou a expectativa positiva em relação à parceria e o potencial de crescimento da cooperação: "Não tenho dúvidas de que a Fiocruz, a equipe do Centro de Saúde e a Secretaria Municipal de Saúde, com o apoio do Ministério, conseguirão construir uma experiência de grande relevância. Estamos aqui para apoiar, colaborar e experimentar conjuntamente novas possibilidades, tanto no âmbito da formação quanto da inovação e do desenvolvimento tecnológico, avaliando o que a parceria pode produzir e transformar".

Hannah Shiva Ludgero Farias, da Coordenação de Atributos e Estratégias da APS (SAPS/MS), reforçou a potencialidade de pensar o cuidado em saúde a partir da formação, da qualificação, da atuação junto à população e da construção coletiva realizada cotidianamente. "Este é o momento inicial da trajetória de um trabalho muito potente", defendeu.

A assessora técnica do Subsecretaria de Atenção Primária, Promoção e Vigilância em Saúde, Laís Pimenta, afirmou que o Rio de Janeiro é pioneiro em diversas estratégias de Atenção Primária, e a Ensp/Fiocruz ocupa papel central nesse processo ao formar profissionais comprometidos com o SUS e preparados para pensar o cuidado a partir das necessidades concretas da população. "Nenhuma transformação é feita de forma isolada. Temos a oportunidade de consolidar o CSEGSF como um laboratório de inovação não apenas para Manguinhos, mas para o Brasil e para o mundo. Um espaço capaz de desenvolver experiências, tecnologias e estratégias que transformem a vida das pessoas e fortaleçam o SUS", concluiu.

Outros representantes da ENSP e do Ministério da Saúde envolvidos na implementação do projeto também marcaram presença na atividade. Entre eles Renata Collazos, da Assessoria da Direção da Ensp; Pedro Lima, Patrícia Costa, Érica Souza e Fabrício Araújo, da VDAL/Ensp; além de Janaína Rangel, Fabiano Santos, Isabella Lopes, Vera Frossard, Eliane Vianna, Cristiane Coutinho Figueiredo e Rafael Arnoso Leitão, integrantes das equipes de gestão, ensino, pesquisa, cuidado e formação do Centro de Saúde Escola Germano Sinval Faria.

O projeto

A proposta parte do reconhecimento dos desafios enfrentados pela APS em territórios marcados por vulnerabilidades sociais, desigualdades socioeconômicas e situações recorrentes de violência armada, como Manguinhos. Este contexto foi agravado após a pandemia de Covid-19, com o aumento das demandas relacionadas às condições crônicas, ao sofrimento mental e à insegurança alimentar, complexificando o cuidado ofertado às populações do território.

Nesse cenário, o CSEGSF foi reconhecido como um espaço estratégico por articular assistência, ensino, pesquisa e participação social. O projeto busca fortalecer essa vocação por meio da qualificação de profissionais, da implementação de processos sistemáticos de monitoramento e avaliação e do desenvolvimento de ações voltadas a temas prioritários da APS, como cuidado integral, saúde mental, vigilância em saúde, práticas integrativas e complementares, bem como segurança do paciente e atenção à saúde em contextos de violência armada.

O objetivo da iniciativa é contribuir para a melhoria do cuidado e da organização dos processos de trabalho na APS, por meio da formação de profissionais capazes de atuar de forma resolutiva, humanizada, interprofissional e comprometida com os princípios do SUS. Para tanto, prevê o aperfeiçoamento de competências técnicas, pedagógicas e de gestão, além da implementação de ações de monitoramento e avaliação das práticas clínicas e dos indicadores de cuidado integral, fortalecendo o acompanhamento longitudinal dos usuários, a identificação das necessidades do território e a tomada de decisão.



Autor: fiocruz
Fonte: fiocruz
Sítio Online da Publicação: fiocruz
Data: 23/06/2026
Publicação Original: https://fiocruz.br/noticia/2026/06/cooperacao-entre-ms-e-fiocruz-fortalece-atuacao-na-atencao-primaria-saude

segunda-feira, 22 de junho de 2026

Estado do Rio cria Marco Legal Mães na Ciência e fortalece políticas de apoio à permanência de mulheres na pesquisa


A redação do projeto de lei teve a contribuição de representantes da Comissão de Equidade, Diversidade e Inclusão da FAPERJ, que acompanharam os debates na Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj) sobre o tema (Foto: DC Studio/Magnific)

O Estado do Rio de Janeiro passa a contar com um novo instrumento de promoção da equidade de gênero na produção científica. O governador em exercício, desembargador Ricardo Couto, sancionou a lei nº 11.213, publicada no Diário Oficial desta segunda-feira, dia 8 de junho, que institui o Marco Legal Mães na Ciência. A legislação cria diretrizes para garantir apoio às mães e adotantes na graduação e na pós-graduação, assegurando condições mais justas para a permanência e a progressão acadêmica.

As universidades públicas estaduais e a Fundação Carlos Chagas Filho de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro (FAPERJ) devem adotar mecanismos de equidade e reconhecimento no âmbito do Marco Legal Mães na Ciência. A lei observará a autonomia didático-científica, administrativa e de gestão financeira das Instituições de Ensino Superior (IES) e os objetivos do Programa Estadual de Incentivo ao Protagonismo das Mulheres na Ciência. A redação do projeto de lei sancionado teve a contribuição de representantes da Comissão de Equidade, Diversidade e Inclusão da FAPERJ, que acompanharam os debates na Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj) sobre o tema.

Nos processos seletivos e de renovação de bolsas de pesquisa, ensino e extensão, a lei veda a adoção de critérios discriminatórios contra candidatas por motivo de gestação, parto, nascimento de filho, adoção ou guarda judicial para fins de adoção. Proíbe, ainda, a formulação de perguntas sobre planejamento familiar em entrevistas, avaliações ou documentos de inscrição, salvo quando a candidata manifestar a intenção de tratar do tema.

A iniciativa avança no reconhecimento do trabalho de cuidado, especialmente da maternidade e da adoção, na avaliação de mérito acadêmico, produtividade científica e análise curricular, para fins de pontuação em processos seletivos de bolsas e editais de monitoria, iniciação científica, extensão, mestrado, doutorado e pós-doutorado.

Para a presidente da FAPERJ, Caroline Alves, a nova lei reforça iniciativas da Fundação que caminham no mesmo sentido de fortalecer a atuação das mulheres em prol do avanço da ciência no estado. "A sanção do Marco Legal Mães na Ciência representa um avanço histórico para a ciência fluminense e para a equidade de gênero na produção do conhecimento no estado, pois sabemos que a maternidade e a adoção impõem desafios reais às trajetórias acadêmicas de inúmeras pesquisadoras", disse.

Na mais recente medida em apoio à participação das mulheres na pesquisa fluminense, a FAPERJ lançou, no início de março, o edital Programa de Apoio à Jovem Cientista Mulher – Dra. Tatiana Sampaio, em homenagem à cientista, cujo trabalho pioneiro trouxe contribuições importantes para o campo da regeneração da medula espinhal em pacientes tetraplégicos.

* Com informações da Assessoria de Comunicação do Governo do Estado do Rio de Janeiro



Autor: faperj
Fonte: faperj
Sítio Online da Publicação: faperj
Data: 08/06/2026
Publicação Original: https://www.faperj.br/?id=1038.7.3