segunda-feira, 21 de setembro de 2026

Mulheres recebem tratamentos menos invasivos e intensivos do que homens com as mesmas doenças



Direitos de autor Cleared/Canva
Um novo estudo conclui que, para as mesmas patologias, as mulheres têm menos probabilidades do que os homens de receber cirurgias ou analgésicos fortes.

As mulheres têm menos probabilidade do que os homens de lhes serem propostas terapias intensivas, como cirurgias ou analgésicos fortes, conclui uma nova revisão. Embora os sistemas de saúde tratem frequentemente homens e mulheres de forma diferente, os investigadores salientam que não é claro se estas diferenças colocam qualquer dos sexos em desvantagem.

As diferenças entre sexos são evidentes em toda a medicina e desempenham um papel central no diagnóstico e na gestão dos doentes. Investigadores da Universidade de St Andrews, na Escócia, identificaram diferenças visíveis na forma como homens e mulheres são tratados.

“Enquanto a direção dos resultados não foi uma surpresa, a sua consistência foi”, afirmou Miriam Veenhuizen, docente honorária na Escola de Medicina de St Andrews.

Os investigadores analisaram 41 estudos publicados entre 2018 e 2023 e encontraram o mesmo padrão em cardiologia, cirurgia, medicina de transplantes e cuidados de urgência.

As mulheres com insuficiência cardíaca, enfarte ou taquicardia eram mais frequentemente tratadas de forma conservadora, com medicação, em comparação com procedimentos invasivos como a cirurgia de bypass da artéria coronária e a intervenção coronária percutânea.

Entre os doentes com doença de Parkinson, os homens tinham mais probabilidade de ser encaminhados para dispositivos de estimulação cerebral profunda, um aparelho implantável usado para controlar os sintomas. As mulheres também tinham menos probabilidade de receber um transplante de fígado ou de serem encaminhadas para cirurgia.

“Para os clínicos, os resultados são um alerta para verificarem se o tratamento está a ser oferecido com base em critérios clínicos e não em pressupostos”, declarou Andrew O’Malley, coautor do estudo.
Diferença de tratamentos: o que a explica?

Embora a tendência fosse consistente entre os estudos, as razões para tal permanecem pouco claras.

“Não é totalmente claro porque isto está a acontecer, mas é provável que se deva ao facto de as mulheres terem estado sub-representadas nos ensaios clínicos até há poucas décadas, pelo que muitas orientações assentam em dados de homens”, explicou Veenhuizen.

Os investigadores defendem mais investigação para perceber se estas diferenças refletem variações legítimas na prática clínica ou desigualdades mais amplas, e para garantir que os doentes recebem cuidados equitativos.



Autor: pt.euronews
Fonte: pt.euronews
Sítio Online da Publicação: pt.euronews
Data: 18/09/2026
Publicação Original: https://pt.euronews.com/2026/09/18/mulheres-recebem-tratamentos-menos-invasivos-e-intensivos-do-que-homens-com-as-mesmas-doen

Mulheres dominam saúde na Europa mas ganham 19% menos por hora, alerta OMS



Direitos de autor Cleared/Canva

O sector da saúde e dos cuidados é o quarto maior empregador e o maior empregador de mulheres na Região Europeia da OMS. As mulheres representam 77% da força de trabalho na saúde, face a 45% em todos os outros sectores combinados. Ainda assim, são apenas 55% entre quem mais ganha no sector.

“As mulheres são a maioria das pessoas que mantêm os sistemas de saúde da Europa a funcionar, mas recebem menos do que os colegas homens, uma diferença que se acumula ao longo de toda a carreira”, afirmou Natasha Azzopardi Muscat, directora da Divisão de Sistemas de Saúde da OMS Europa.

A diferença salarial de género, isto é, a diferença entre o salário médio de homens e mulheres com emprego remunerado, é maior nos escalões salariais mais elevados, variando de 2% entre quem ganha menos para mais de 22% no topo da distribuição salarial.


O relatório conclui que o sector é especialmente importante para o emprego feminino. Representa quase 17% de todo o emprego das mulheres, contra 5% no caso dos homens.

Estas conclusões seguem o mesmo padrão observado no mercado de trabalho em geral: desigualdades estruturais acentuadas, que se agravam nos níveis de salário e de hierarquia mais altos.

À escala mundial, o sector da saúde espelha o que acontece na Europa, com as mulheres a auferirem em média menos 24% do que os homens, uma diferença superior à de muitos outros sectores.

Quando se ajustam estes quatro factores, a diferença horária desce de 19% para 6% e a diferença no salário mensal recua de 28% para 10%.

No entanto, a diferença restante não é explicada por nenhum dos factores medidos nos dados.

“A maior parte desta diferença não se deve a as mulheres trabalharem menos horas, serem mais novas ou trabalharem em áreas diferentes do sector”, explicou Azzopardi Muscat. “Tem a ver com o modo como o sector valoriza o trabalho das mulheres. A idade, a educação, o horário de trabalho e o facto de ser emprego público ou privado só explicam uma parte.”

Segundo a OMS, o relatório aponta para factores estruturais mais profundos, como a desvalorização do trabalho de cuidados, a segregação profissional e uma possível discriminação nas práticas de definição salarial.

Quanto mais feminizada é uma categoria profissional, menor tende a ser o salário, um padrão que se observa tanto em cargos de gestão como em funções profissionais e técnicas. Os cargos de gestão na saúde e nos cuidados, por exemplo, empregam mais mulheres do que funções de gestão noutros sectores e pagam menos: 22 euros por hora em média, face a 24,70 euros em funções comparáveis noutras áreas.
O impacto mais amplo da diferença salarial

A OMS sublinha que a diferença salarial entre homens e mulheres continua a ser uma das formas mais persistentes de desigualdade no mercado de trabalho.

Dado o elevado número de mulheres que trabalham na saúde e nos cuidados, esta diferença pode ter consequências económicas e sociais significativas.

O relatório assinala que esta desigualdade pode conduzir a rendimentos acumulados mais baixos ao longo da vida e a pensões mais reduzidas, aumentar o risco de pobreza para as mulheres, diminuir o retorno do investimento em educação e comprometer um crescimento económico sustentável.

“Isto significa pensões mais baixas, menos segurança financeira na velhice e um risco maior de pobreza para mulheres que passaram a vida profissional a cuidar dos outros”, afirmou Azzopardi Muscat.

“Isto não é coincidência, nem se explica com as qualificações. As mulheres estão a ser pagas menos pelo mesmo trabalho e são ultrapassadas nos cargos que melhor pagam.”

Reduzir as diferenças salariais de género é, por isso, simultaneamente uma questão de equidade e um investimento numa força de trabalho na saúde mais forte e sustentável, destaca a agência internacional.

Para esse fim, a OMS recomenda acções específicas, desde garantir transparência salarial e facilitar a representação feminina em cargos de decisão até enfrentar normas e estereótipos de género.



Autor: pt.euronews
Fonte: pt.euronews
Sítio Online da Publicação: pt.euronews
Data: 18/09/2026

Quem merece um transplante? A resposta da IA não coincide com a dos médicos




Direitos de autor Cleared/Canva

Segundo esse novo estudo (fonte em inglês), os modelos de IA revelam excesso de confiança, valorizam outros fatores e tendem a simplificar em demasia decisões complexas sobre que doente deve receber um transplante.

No estudo, investigadores da Penn State University, nos Estados Unidos, apresentaram a grandes modelos de linguagem (LLM) cenários hipotéticos, baseados em conjuntos de dados existentes de investigação publicada sobre atribuição de rins de dadores, nos quais participantes reais tinham já feito essas escolhas.

Cada cenário envolvia dois doentes, o doente A e o doente B, ambos elegíveis para um único rim disponível e descritos em função da idade, estado de saúde e hábitos de consumo de álcool. O decisor tinha depois de escolher qual dos dois receberia o órgão.


“Fizemos estas comparações de várias formas diferentes”, explicou Hosseini. “Por vezes isolámos apenas uma característica de cada vez, noutras combinámos várias para perceber como a IA ponderava fatores concorrentes e, nalguns casos, acrescentámos a opção de ‘atirar a moeda ao ar’ para medir a indecisão, um elemento-chave presente no juízo moral humano.”

Enquanto os participantes humanos tendiam a dar mais peso à idade — preferindo doentes mais jovens em detrimento dos mais velhos — muitos modelos privilegiavam antes um menor consumo de álcool. As decisões humanas consideravam vários fatores e eram mais sensíveis ao contexto do que as dos LLM, que muitas vezes se fixavam num único atributo.

“Antes de mais, os chatbots de IA afastam-se frequentemente dos valores humanos na forma como ponderam as características de um doente”, afirmou Hadi Hosseini, responsável pelo estudo na Penn State University. “Focam-se num único fator, como os hábitos de consumo de álcool, em vez de equilibrarem várias considerações, como fazem as pessoas.”

“Quando distribuímos algo escasso, seja um rim, um emprego ou o acesso a outro recurso, nem sempre existe uma única resposta objetivamente correta”, sublinhou John Dickerson, diretor executivo da Mozilla.ai, que colaborou no estudo.

“Os humanos reconhecem essa ambiguidade e incorporam-na, através do debate aberto, nos processos de atribuição. Os modelos de IA muitas vezes não o fazem.”
IA e decisões éticas

Segundo os autores, as interações recentes com sistemas de IA exigem cada vez mais que estes vão além da informação factual e façam juízos de valor.

Os grandes modelos de linguagem estão a ser integrados de forma crescente nos cuidados de saúde, apoiando tarefas clínicas, diagnósticos, planeamento de tratamentos e a utilização atempada de recursos médicos escassos.

Uma das aplicações passa por decisões sobre a atribuição de rins de dadores falecidos ou vivos a doentes, decisões que, de acordo com os autores, dependem de considerações éticas e morais complexas.

Nestes cenários de elevado risco, os investigadores salientam que as decisões exigem não só precisão, mas também alinhamento com os valores humanos e com o juízo moral.

Para os investigadores, questionar se a IA pode tomar decisões morais e se estas estão alinhadas com os valores humanos está no centro do debate mais amplo atual sobre inteligência artificial.

“As implicações éticas são graves e o papel da IA em decisões que mudam vidas exige uma reflexão profunda”, afirmou Hosseini. “As decisões morais em contextos como a atribuição de órgãos determinam diretamente quem vive e quem morre, por isso definir corretamente o papel da IA nelas não é opcional.”

“Embora não pretendamos incentivar o uso da IA como substituto do juízo profissional na tomada de decisões médicas ou noutros contextos de elevado risco, torna-se essencial compreender o seu comportamento, à medida que indivíduos, organizações e empresas dependem cada vez mais da IA para tomar decisões ou receber recomendações”, acrescentou.




Autor: pt.euronews
Fonte: pt.euronews
Sítio Online da Publicação: pt.euronews
Data: 19/09/2026
Publicação Original: https://pt.euronews.com/2026/09/19/quem-merece-um-transplante-a-resposta-da-ia-nao-coincide-com-a-dos-medicos

sexta-feira, 18 de setembro de 2026

Terceira morte: surto de malária em Frankfurt agrava-se




Direitos de autor Jacquelyn Martin/AP2009

No caso da pessoa falecida, tratava-se de uma infeção por Malaria tropica, a forma mais perigosa da doença. Desde julho, oito pessoas contraíram malária em Frankfurt, uma doença tropical transmitida por mosquitos. Duas das infeções já tinham terminado anteriormente de forma fatal, envolvendo dois trabalhadores do operador aeroportuário Fraport.

Os dois casos mais recentes dizem respeito a residentes de Schwanheim, bairro situado nas imediações do aeroporto. Ao contrário do que aconteceu nos primeiros casos, estes dois doentes, segundo as autoridades, não tinham viajado para nenhuma região endémica de malária nem trabalhado no aeroporto.

Segundo o Departamento de Saúde, as infeções ocorreram a cerca de cinco quilómetros do aeroporto, distância que os mosquitos Anopheles conseguem percorrer. Mantém-se assim a suspeita de que um mosquito infetado terá chegado a Frankfurt num avião e transmitido depois a doença através de uma picada, num caso designado como malária de aeroporto.




Malária: o que é

A malária, doença tropical, é tratável quando diagnosticada precocemente. No início, porém, os sintomas são semelhantes aos de uma gripe ou constipação. “É por isso essencial considerar desde cedo uma possível infeção por malária sempre que surjam sintomas compatíveis”, sublinha o município de Frankfurt am Main.

Entre os sintomas típicos de uma infeção por malária contam-se febre, calafrios, dores de cabeça e musculares, bem como queixas gastrointestinais. “Com frequência, estes sinais são interpretados de forma errada como uma síndrome gripal ou uma infeção gastrointestinal”, explica também o Instituto Robert Koch.




Nem todos os tipos de malária são mortais, como a Malaria tertiana, a quartana ou a malária por Plasmodium knowlesi. A forma mais perigosa é a Malaria tropica, que pode ser fatal se não for diagnosticada e tratada rapidamente. O Ministério dos Negócios Estrangeiros alemão classifica por isso a doença como potencialmente mortal.

A doença não se transmite de pessoa para pessoa. Para haver contágio é necessária a picada de um mosquito infetado. Quando a malária não é transmitida numa região endémica, mas sim através do transporte incidental dos mosquitos para outros países, fala-se frequentemente em malária de aeroporto.
Recomendação: em caso de febre de origem desconhecida, procurar um médico

Quem trabalha no aeroporto de Frankfurt ou nas suas imediações, quem lá passa algum tempo, bem como residentes nas proximidades, deve consultar um médico em caso de febre de origem desconhecida.

É importante indicar ao médico o local de residência ou uma eventual permanência na zona do aeroporto.




São igualmente possíveis medidas preventivas, nomeadamente a proteção contra picadas de mosquitos. A profilaxia pode passar, por exemplo, pela utilização de repelentes de insetos. Até agora, produtos à base de dietiltoluamida (DEET) e icaridina têm demonstrado eficácia a nível mundial, refere um guia (fonte em alemão)do Ministério dos Negócios Estrangeiros alemão. Também o uso de roupa comprida e de redes mosquiteiras pode oferecer proteção duradoura.
Europa: malária de aeroporto

Segundo o Instituto Robert Koch, os casos de malária de aeroporto são muito raros na Alemanha. Um estudo (fonte em alemão) publicado em 2024 mostra ainda que mais de 99% dos casos de malária registados na Europa foram importados de regiões endémicas.

Entre 1969 e o início de 2024, foram identificados em bases de dados 145 casos de malária em que o contágio ocorreu na Europa. Mais de dois terços foram classificados como malária de aeroporto. Os países mais afetados foram França (52 casos), Bélgica (19) e a Alemanha, com nove infeções, oito das quais em Frankfurt e uma em Munique.



Também nestes casos muitas das pessoas infetadas tinham alguma ligação a um aeroporto internacional. A segunda pessoa de Frankfurt-Schwanheim, ainda viva, permanece internada, de acordo com o município.





Autor: pt.euronews
Fonte: pt.euronews
Sítio Online da Publicação: pt.euronews
Data: 17/09/2026
Publicação Original: https://pt.euronews.com/2026/09/17/terceira-morte-surto-de-malaria-em-frankfurt-agrava-se

Vacina para cães mais vendida na Rússia associada a onda de mortes de animais de estimação em todo o país




Direitos de autor AP Photo/Pavel Bednyakov

Segundo a Rosselkhoznadzor, a agência russa de inspeção veterinária e agrícola, o lote 20 da vacina Multican-8, produzida pela empresa Vetbiokhim, sediada em Moscovo, continha vírus vivos da doença de Aujeszky. Trata-se de uma patologia geralmente mortal em cães, para a qual não existe tratamento específico.

A entidade reguladora ordenou a retirada do lote da circulação e a sua destruição. Segundo o meio de comunicação russo independente Meduza, o lote 20 continha 60 mil doses.

Os proprietários de cães em Moscovo, São Petersburgo e, pelo menos, em mais oito regiões, nomeadamente Krasnodar, Yaroslavl, Leningrado, Tula, Penza, Saratov e Belgorod, tinham notificado reações adversas graves e mortes de animais vacinados com a Multican-8.

Segundo o meio russo Baza, a Duma de Estado russa indicou ter recebido cerca de 300 queixas relacionadas com a vacina e com a morte de cães de companhia.

Inicialmente, a Vetbiokhim alegou uma interferência deliberada por parte de terceiros. No entanto, as conclusões posteriores do regulador, que detetou um agente patogénico vivo e graves violações das práticas de produção, não corroboram as alegações de sabotagem.

Antes da ordem de quarta-feira, já tinham sido suspensos quatro outros lotes de vacinas Multican.

Em agosto, o Rosselkhoznadzor e a Procuradoria anunciaram inspeções, enquanto a Vetbiokhim afirmou estar a realizar uma investigação interna.

No início de setembro, o Rosselkhoznadzor indicou que as conclusões preliminares apontavam para graves violações no processo de produção e advertiu que a empresa poderia enfrentar a revogação da licença.

A Vetbiokhim celebrou acordos de indemnização com os proprietários dos cães que morreram, oferecendo entre 200 mil e 300 mil rublos por caso, segundo o Meduza, que citou mensagens de conversas privadas utilizadas pelas pessoas afetadas.

Estes acordos obrigavam os beneficiários a renunciar a quaisquer outras ações legais e a assinar acordos de confidencialidade que os proibiam de discutir o caso com os órgãos de comunicação social, nas redes sociais ou em aplicações de mensagens, sem o consentimento da empresa.

A empresa declarou ao órgão de comunicação social económico russo RBC que a cláusula de confidencialidade constituía "uma prática jurídica habitual".

Segundo o Kommersant, com base em dados da RNC Pharma, a Multican-8 foi o produto mais vendido no segmento de vacinas para animais de companhia na Rússia entre Janeiro e Julho deste ano, representando cerca de 20% do mercado.

Os produtos da Vetbiochem representam cerca de 70% do mercado russo de vacinas para cães e gatos, abrangendo uma gama de 15 produtos.

A posição dominante da empresa aumentou significativamente após a invasão em larga escala da Ucrânia pela Rússia, no início de 2022, e a imposição de sanções que reduziram a quota de medicamentos veterinários importados no mercado russo de 50% para 10% a 15%.

Segundo o meio independente Govorit NeMoskva, os proprietários de gatos que receberam a vacina Multifel da empresa também comunicaram mortes.

A Multican-8 é igualmente comercializada fora da Rússia, nomeadamente na Bielorrússia, Arménia e Cazaquistão. Atualmente, não há provas de que algum lote suspeito tenha sido exportado para o estrangeiro.




Autor: pt.euronews
Fonte: pt.euronews
Sítio Online da Publicação: pt.euronews
Data: 17/09/2026
Publicação Original: https://pt.euronews.com/2026/09/17/vacina-para-caes-mais-vendida-na-russia-associada-a-onda-de-mortes-de-animais-de-estimacao

PHDA associada a aumento de quase 50% dos problemas intestinais



Direitos de autor Canva

Os investigadores analisaram mais de 9 000 registos e incluíram 23 estudos, concluindo que o ADHD estava associado a maiores probabilidades de todos os sintomas gastrointestinais avaliados – incluindo síndrome do intestino irritável, obstipação, dor abdominal, diarreia, indigestão e encoprese.

“Quase todos os sintomas intestinais que analisámos … pareciam estar associados ao ADHD”, afirmou a coautora principal Sarah Blake, estudante de Medicina na Warwick Medical School. “Estes sintomas podem ter um impacto real no quotidiano, mas podem ser facilmente ignorados se a atenção estiver centrada no ADHD em si.”

Os investigadores observaram um aumento de 48% na probabilidade global de ocorrência de sintomas gastrointestinais entre pessoas com ADHD. A associação era particularmente forte na obstipação, em que a probabilidade era quase duas vezes superior, e na encoprese – perda de controlo intestinal – em que era mais de quatro vezes superior.


Porquê esta ligação?

Os investigadores apontam várias explicações possíveis, mas o estudo não demonstra que o ADHD seja, por si só, a causa dos problemas gastrointestinais.

Uma das hipóteses é o comportamento. A desregulação emocional e a maior sensibilidade ao stress, ambas associadas ao ADHD, podem afetar a sensibilidade intestinal e contribuir para dor abdominal funcional. Padrões alimentares irregulares, refeições saltadas e episódios de consumo compulsivo podem também influenciar sintomas como indigestão, distensão abdominal, obstipação e dor abdominal.

As sensibilidades sensoriais relacionadas com a alimentação podem igualmente desempenhar um papel. As pessoas com ADHD podem ter uma sensibilidade diferente às texturas e cheiros dos alimentos, o que pode contribuir para dietas mais seletivas, com menos fibra, e afetar os hábitos intestinais.


Os investigadores referem também diferenças na interocepção – a capacidade de reconhecer sinais internos do organismo – como possível fator. Uma menor perceção da necessidade de evacuar pode contribuir para obstipação ou encoprese.

A medicação pode ser outro contributo. Estimulantes como o metilfenidato são conhecidos por provocar efeitos secundários como diminuição do apetite, dor abdominal, náuseas e obstipação. As perturbações do sono, comuns entre pessoas com ADHD, podem também afetar a motilidade e a sensibilidade gastrointestinais.
Ligação intestino-cérebro

Os investigadores destacam igualmente o microbioma intestinal como possível via biológica.

Investigações anteriores identificaram diferenças na composição microbiana intestinal entre adultos com ADHD e pessoas neurotípicas. Outros estudos relacionaram alterações no microbioma intestinal com sintomas gastrointestinais.

Uma das hipóteses é que estas diferenças possam influenciar a inflamação e a comunicação entre o intestino e o cérebro. Fatores genéticos podem também contribuir.

“Ainda não podemos afirmar que o ADHD cause estes problemas intestinais, ou determinar exatamente o que está a impulsionar esta ligação, mas o padrão é suficientemente marcante para merecer atenção”, afirmou Saran Shantikumar, professor clínico associado na Warwick Medical School. “Os clínicos que acompanham pessoas com ADHD poderão querer perguntar-lhes sobre sintomas gastrointestinais, sobretudo se estiverem a afetar a qualidade de vida.”




Autor: pt.euronews
Fonte: pt.euronews
Sítio Online da Publicação: pt.euronews
Data: 17/09/2026
Publicação Original: https://pt.euronews.com/2026/09/17/phda-associada-a-aumento-de-quase-50-dos-problemas-intestinais

quinta-feira, 17 de setembro de 2026

Fiocruz é contemplada no Prêmio Capes de Teses 2026

A Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) divulgou o resultado do Prêmio Capes de Teses - edição 2026. A Fiocruz está entre as instituições contempladas, com duas premiações (nas categorias Ciências Biológicas e Medicina) e uma menção honrosa (na categoria Saúde Coletiva).


Os premiados são Jackson Alves da Silva Queiroz, com trabalho desenvolvido no programa de pós-graduação em Biologia Experimental da Fiocruz Rondônia em associação com a Universidade Federal de Rondônia (Unir); e Mateus Santana do Rosário, cuja tese foi desenvolvida no programa de Biotecnologia em Saúde e Medicina Investigativa, do Instituto Gonçalo Moniz (IGM/Fiocruz Bahia). A menção honrosa foi recebida por Camila Rebouças Fernandes, com trabalho desenvolvido no programa de Saúde da Criança e da Mulher, do Instituto Nacional de Saúde da Mulher, da Criança e do Adolescente Fernandes Figueira (IFF/Fiocruz). A solenidade de premiação dos contemplados ocorrerá em 12 de novembro, no Recife.

Jackson Alves da Silva Queiroz publicou o trabalho Abordagem molecular aplicada ao diagnóstico da hepatite delta: desenvolvimento, validação e implantação de ensaio de alta sensibilidade para quantificação da viremia e avaliação da estabilidade viral em diferentes matrizes biológicas sob a orientação dos pesquisadores Deusilene Souza Vieira Dall'Acqua e Juan Miguel Vilallobos Salcedo como coorientador. O objetivo da tese, elaborada no âmbito do programa de pós-graduação em Biologia Experimental, oferecido em associação da Fiocruz Rondônia com a Universidade Federal de Rondônia (Unir), foi desenvolver, validar e implantar um método multiplex RT-qPCR one step de alta sensibilidade para quantificação de carga viral do vírus da hepatite delta e avaliar a estabilidade viral em diferentes matrizes biológicas.

A hepatite delta é uma doença causada pela exposição aos vírus da hepatite B (HBV) e da hepatite D (HDV), geralmente com evolução clínica mais grave quando comparada a uma monoinfecção pelo HBV. Atualmente, a prevalência real da infecção pelo HDV está subestimada e os métodos de detecção não estão amplamente disponíveis. Amostras biológicas de pacientes monoinfectados com HBV, e coinfectados HBV/HDV foram coletadas nos estados de Rondônia e Acre. Após as etapas de validação, o teste foi implementado em um piloto para implantação do exame de carga viral de hepatite delta no Sistema Único de Saúde (SUS) a partir de parcerias com o Ministério da Saúde. Os resultados sugerem que o HDV pode permanecer detectável por até 96 horas quando armazenado em temperatura ambiente, 4ºC, -30ºC e -80ºC, e até 72 horas em temperaturas de 4ºC à 42ºC, além da possibilidade de detecção utilizando papel de filtro, embora com sensibilidade reduzida. O HDV mostrou-se estável em diferentes condições, o que é crucial para o diagnóstico molecular em regiões com condições adversas de armazenamento.

Mateus Santana do Rosário desenvolveu a tese Encefalites e outras doenças neurológicas relacionadas a arboviroses sob a orientação da pesquisadora Isadora Cristina de Siqueira, no programa de Biotecnologia em Saúde e Medicina Investigativa do Instituto Gonçalo Moniz (IGM/Fiocruz Bahia). O trabalho visa caracterizar os aspectos clínicos, epidemiológicos e laboratoriais das encefalites e de outras síndromes neurológicas agudas associadas a arboviroses na Bahia. Vírus neurotrópicos, pertencentes a diferentes famílias de RNA e DNA, são causas relevantes de síndromes neurológicas agudas, como encefalite, mielite e síndrome de Guillain-Barré. Entre essas, a encefalite destaca-se por sua gravidade e heterogeneidade etiológica, tradicionalmente associada a herpesvírus e, em regiões tropicais, a arbovírus. No Brasil, a cocirculação de zika, chikungunya, dengue e oropouche tem ampliado o espectro de manifestações neurológicas, impondo novos desafios à vigilância clínica, diagnóstica e epidemiológica.

A tese de Mateus apontou que as encefalites e outras síndromes neurológicas agudas associadas a arboviroses representam um desafio diagnóstico relevante na Bahia. A predominância do vírus da Chikungunya (CHIKV), a emergência do vírus Oropouche (Orov) e a diversidade de apresentações clínicas reforçam a necessidade de vigilância integrada, ampliação do diagnóstico molecular e fortalecimento das redes clínicas e laboratoriais em regiões endêmicas.

Camila Rebouças Fernandes elaborou o trabalho A gente tem o direito de não querer ser mãe: Experiências de mulheres que escolhem não ser mães sob a orientação da pesquisadora Ivia Maria Jardim Maksud, no âmbito do programa de Saúde da Criança e da Mulher do Instituto Nacional de Saúde da Mulher, da Criança e do Adolescente Fernandes Figueira (IFF/Fiocruz). A tese busca discutir a construção da experiência de escolher não ser mãe a partir das narrativas de mulheres. O estudo analisou a experiência da não-maternidade com base em: marcadores sociais de gênero, raça, classe e geração; na relação entre o modelo hegemônico de maternidade e a escolha das mulheres pela não-maternidade; na dinâmicas das relações familiares, amorosas e de amizade de mulheres que escolhem não ser mães; além de explorar o impacto do trabalho, remunerado ou não, para mulheres que escolhem não se tornar mães; bem como discutir as experiências de reprodução e de contracepção de não-mães voluntárias.

A partir das entrevistas realizadas, a tese observou que as experiências de maternidade das mulheres ao redor é um dos elementos que constroem a sua decisão pela não-maternidade. O quesito carreira profissional não se mostrou como impeditivo à maternidade, mas foram identificados alguns fatores que afastam as mulheres da vontade de ser mães: o receio de gerar uma criança com uma condição complexa de saúde, a experiência de cuidar de crianças e seu convívio, a noção de responsabilidade nos cuidados com uma criança, e as restrições de circulação de espaço e de tempo. Entre os grupos que mais exercem cobranças e pressões para que as mulheres tenham filhos, destacaram-se na pesquisa as famílias, sendo elas de origem ou não.

A falta de referências de não-mães voluntárias também se revelou um potencializador da sensação de falta de pertencimento e solidão. As mulheres dessa pesquisa assumem o papel de cuidadoras, sendo os principais alvos de seus cuidados as crianças, as pessoas idosas e os animais de estimação. Apesar de, aparentemente, fazerem a mesma escolha, as trajetórias das interlocutoras mostraram-se plurais. Foram acessadas narrativas de mulheres negras, brancas e pardas; de diferentes faixas etárias (20, 30, 40, 50 e 60 anos), locais de moradia, orientação sexual, estado civil e crença religiosa.

Três teses concorrem ao Grande Prêmio

Além da premiação por área há o Grande Prêmio Capes de Tese, destinado às três melhores teses entre os 50 trabalhos vencedores. A escolha será dividida em três colégios de avaliação: Ciências da Vida; Humanidades; e Exatas, Tecnológicas e Multidisciplinar.

Os três vencedores dos Grandes Prêmios receberão bolsa de pós-doutorado no exterior por até 12 meses, certificado e troféu. Os orientadores receberão R$ 9 mil para participação em congresso internacional.

Os demais autores das teses vencedoras receberão bolsa de pós-doutorado no Brasil por até 12 meses, certificado e medalha. Caso haja cerimônia presencial e disponibilidade orçamentária, os autores e seus orientadores também receberão passagens aéreas e diárias para participar do evento. Cada orientador receberá ainda R$ 3 mil e certificado.

Reconhecimento em 50 áreas do conhecimento

O Prêmio Capes de Tese seleciona anualmente trabalhos que se destacam pela qualidade científica e pelo potencial de contribuição para a sociedade. Na edição deste ano, a avaliação considerou seis critérios: originalidade, relevância, metodologia, redação, inovação e impactos.

Para realizar a seleção, a Capes constituiu comissões específicas formadas por representantes das 50 áreas de avaliação. O resultado divulgado contempla um vencedor em cada área.

A abrangência da premiação evidencia a diversidade da produção científica brasileira. Entre os trabalhos reconhecidos estão pesquisas sobre agricultura familiar e sustentabilidade, patrimônio arquitetônico, culturas africanas e de seus descendentes, fotossíntese artificial, paisagens amazônicas, produção de biopolímeros, desinformação, inteligência artificial, doença de Alzheimer, hepatite delta, educação intercultural, prevenção de quedas em idosos, energia, refrigeração magnética, câncer, arboviroses, mudanças climáticas e biodiversidade. Também estão entre os premiados estudos dedicados a questões sociais e políticas contemporâneas, a uberização do trabalho, a política de gestão de rejeitos de mineração, o racismo estrutural, a violência no campo e a tortura contra adolescentes.

Período eleitoral

Durante o período eleitoral (de 4 de julho até 25 de outubro), os conteúdos digitais publicados e disponibilizados pela Agência Fiocruz de Notícias (AFN) acompanham as orientações da Advocacia-Geral da União (AGU) e da Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República (Secom). O documento esclarece que é permitida a divulgação de "conteúdo meramente informativo ou de serviço ao cidadão".



Autor: fiocruz
Fonte: fiocruz
Sítio Online da Publicação: fiocruz
Data: 11/09/2026