sexta-feira, 25 de setembro de 2026

FAPERJ e SECTI lançam editais para pesquisas sobre obesidade e envelhecimento saudável


Solenidade de lançamento de editais de apoio a pesquisas em obesidade e envelhecimento saudável, no Palácio Guanabara, reuniu, na mesa de abertura (a partir da esq.), o secretário estadual de Saúde, Ronaldo Damião; o novo secretário estadual de CT&I, Antonio Claudio da Nóbrega; e a presidente da FAPERJ, Caroline Alves (Fotos: Ernesto Carriço)


Em cerimônia realizada no Palácio Guanabara, nesta quinta-feira, 24 de setembro, a FAPERJ, em conjunto com a Secretaria de Estado de Ciência, Tecnologia e Inovação (SECTI), anunciou o lançamento de quatro editais inéditos, planejados especificamente para financiar pesquisas sobre dois temas estratégicos para a saúde pública: a obesidade e o envelhecimento saudável. Ambos representam desafios contemporâneos para o Sistema Único de Saúde (SUS) no Brasil e para a Medicina em todo o mundo.

Para a obesidade, foi anunciado o lançamento do “Programa de Auxílio à Pesquisa em Obesidade para Pesquisadores CNE/FAPERJ ou CNPq Níveis A ou B com Experiência Comprovada em Redes de Pesquisas Consolidadas com no Mínimo 5 Pesquisadores Associados (Edital FAPERJ Nº 18/2026)” e do “Programa de Auxílio à Pesquisa em Obesidade para Pesquisadores JCNE/FAPERJ ou CNPq Níveis C ou D com Experiência Comprovada e com no Mínimo 3 Pesquisadores Associados (Edital FAPERJ Nº 19/2026)”.

Já para impulsionar estudos sobre o envelhecimento saudável, foram lançados os editais “Programa de Apoio ao Envelhecimento com Qualidade de Vida para Pesquisadores CNE/FAPERJ ou CNPq Níveis A ou B com Experiência Comprovada em Redes de Pesquisas Consolidadas com no Mínimo 5 Pesquisadores Associados (Edital FAPERJ Nº 20/2026)” e “Programa de Apoio ao Envelhecimento com Qualidade de Vida para Pesquisadores JCNE/FAPERJ ou CNPq Níveis C ou D com Experiência Comprovada e com no Mínimo 3 Pesquisadores Associados (Edital FAPERJ Nº 21/2026)".

Os editais vão apoiar trabalhos de pesquisadores de alto nível, com reconhecida trajetória acadêmica, e contemplados pelos programas Cientista do Nosso Estado (CNE) e Jovem Cientista do Nosso Estado (JCNE), editais-símbolo da FAPERJ, e bolsistas de produtividade do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq).

Ao dar início à cerimônia, a presidente da FAPERJ, Caroline Alves, ressaltou a nova fase da Secretaria, com a chegada do professor Antonio Claudio Lucas da Nóbrega, e a parceria entre a Fundação e a SECTI. “Hoje, iniciamos um novo ciclo da Secretaria Estadual de Ciência, Tecnologia e Inovação e não estamos falando apenas do lançamento de editais, mas de uma mudança, de uma perspectiva de planejamento e compreensão sobre o papel da Ciência para o nosso estado. A compreensão de que a gente vai fortalecer ainda mais a tecnologia e a inovação para o desenvolvimento do nosso estado. Esses editais foram planejados e estruturados junto ao nosso secretário de Ciência e Tecnologia, em uma construção cuidadosa, estratégica, olhando para nossas necessidades, para uma maior reflexão sobre onde estamos, onde queremos chegar e qual a Ciência que queremos construir para o futuro do estado do Rio de Janeiro”, afirmou Caroline Alves.

A presidente da Fundação destacou também a forma cuidadosa como o novo secretário conduziu o processo de lançamento dos novos editais. “O seu olhar para as instituições de pesquisa, universidades e para todo o nosso ecossistema, reforça ainda mais a importância de construir políticas públicas de forma integrada e estratégica. Este é um novo momento, de fortalecimento das instituições, de integração e, sobretudo, de planejamento. O Rio de Janeiro tem ciência, tem conhecimento, tem instituições de excelência. Nosso desafio é transformar toda essa potência em estratégia, oportunidade, desenvolvimento e futuro”, concluiu.

Antonio Claudio da Nóbrega: o novo secretário de CT&I assinou uma carta-compromisso com a população e a comunidade científica e tecnológica fluminense elencando os objetivos a serem alcançados na sua gestão, entre eles a implementação do Conselho Estadual de CT&I e a reestruturação do Conselho Superior da FAPERJ


O secretário de Ciência, Tecnologia e Inovação, Antonio Claudio Lopes da Nóbrega, enfatizou a importância dos novos editais. “São dois temas absolutamente fundamentais. Há uma prevalência da obesidade, ela é um fator determinante de agravos à saúde, de morbidade, de custos com saúde, de redução de qualidade de vida. Então, essa é uma iniciativa fundamental para a que a ciência possa tratar do tema e, da mesma maneira, da questão do envelhecimento saudável”, afirmou.

Nóbrega ressaltou, também, a maneira ampla como os novos editais tratam as pesquisas dos dois temas. “Quero chamar atenção, e essa foi uma preocupação do trabalho realizado com a FAPERJ, que o olhar sobre a questão da obesidade e do envelhecimento, nesses editais, procura ser um olhar mais alargado do que o aspecto biológico ou de saúde. Ele incentiva também uma compreensão dos fatores determinantes da obesidade do ponto de vista social e econômico, os aspectos do impacto sobre as políticas públicas, quais são os determinantes e os fatores modificadores do ponto de vista da relação entre instituições. É um desafio maior. Isso também vale para o envelhecimento. Há um olhar do ponto de vista de políticas públicas para promover um envelhecimento autônomo e com qualidade”, explicou.

O secretário lembrou que a cerimônia de lançamento dos editais, prestigiada por representantes de diferentes instituições de pesquisa, foi sua primeira oportunidade de falar diretamente com a comunidade acadêmica do estado, em um evento promovido no âmbito da Secretaria. Ao se dirigir aos pesquisadores, Nóbrega falou sobre as diretrizes e a missão da nova SECTI.

“Motivada pelos propósitos de aprender, criar, construir e realizar, a SECTI terá como missão formular, coordenar, executar e avaliar a Política Estadual de Ciência, Tecnologia e Inovação, na condição de órgão responsável pela regulamentação, articulação, estruturação, coordenação geral e gestão do Sistema Estadual de Ciência, Tecnologia e Inovação do Estado do Rio de Janeiro e se orientará pela integração permanente entre as quatro hélices fundamentais do sistema composto pela comunidade acadêmica e científica, pelo setor produtivo, pelos entes governamentais e pela sociedade civil”, explicou Nóbrega.

Na cerimônia, o novo secretário anunciou uma carta-compromisso com a população e a comunidade científica e tecnológica fluminense com os objetivos a serem alcançados. Nóbrega leu o documento, que lista uma série de ações estruturantes e operacionais orientadas pelo Plano de Desenvolvimento Social e Econômico do Estado (Pedes), como: articular as unidades vinculadas, valorizando seus servidores e corpo técnico; articular as secretarias estaduais para promover a Ciência, Tecnologia e Inovação em todas as instâncias de governo; harmonizar os marcos legais e construir os meios para implementação do Conselho Estadual de CT&I – CONECTI; reestruturar o Conselho Superior da FAPERJ e dotá-lo de um papel estratégico para o fomento consistente, perene, robusto e crescente; promover a visibilidade da Ciência e Tecnologia em toda a sociedade; integrar o estado do Rio de Janeiro com os projetos estratégicos nacionais em CT&I e ampliar o alcance das ações da SECTI junto às demais unidades da federação e internacionalmente.

Como forma de aproximar a ciência e a tecnologia do setor produtivo, a SECTI firmou um acordo de cooperação, com a Secretaria de Estado de Desenvolvimento Econômico e o Instituto Brasileiro de Petróleo, Gás e Biocombustíveis (IBP), para criação de cursos de capacitação técnica na área de petróleo e gás. Maior produtor de petróleo e gás natural do País, respondendo por cerca de 88% da produção nacional, segundo dados da Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan), o estado ainda tem déficit de mão de obra especializada nessa área.

O secretário de Estado de Saúde, Ronaldo Damião, destacou a importância do lançamento de editais voltados à pesquisa sobre obesidade e envelhecimento saudável. “O envelhecimento, a obesidade e o meio ambiente são preocupações mundiais. A população está vivendo mais. Hoje, já somos mais de 18 milhões de pessoas com mais de 60 anos no Brasil e há uma visão de que esse número vai chegar a 40 milhões. O mundo não está preparado para isso. Principalmente, os países em desenvolvimento como o nosso. Vamos ter uma maior incidência de doenças cardiovasculares, a incidência de tumores vai aumentar, há a possibilidade da obesidade também. Então, é preciso estudar isso melhor. Não são só as canetas (emagrecedoras), não são só as cirurgias, e a taxa de complicações é bem significativa. Há outras formas de tentar resolver essas questões e eu acho que é com pesquisa”, afirmou.

Sobre os editais para obesidade e envelhecimento saudável

Para a obesidade, as linhas de pesquisa contempladas nos dois editais lançados incluem: estratégias de tratamento clínico da obesidade no SUS; organização e qualificação do cuidado na Atenção Primária à Saúde; comorbidades associadas à obesidade; biomarcadores e mecanismos fisiopatológicos; tecnologias diagnósticas e soluções digitais; atenção de alta complexidade em obesidade severa; avaliação de políticas públicas; e etiopatogenia da obesidade com foco em prevenção na infância e na adolescência.


Com a presença de representantes da comunidade científica e tecnológica estadual, a cerimônia de anúncio dos editais lotou o auditório do Prédio Anexo do Palácio Guanabara


Segundo o novo secretário de CT&I, o lançamento de editais, chamadas públicas e programas voltados para a obesidade converge com a nova gestão estadual, que assume o compromisso de alinhar a produção científica, o setor produtivo e o desenvolvimento socioeconômico. “A abordagem da obesidade deixa de ser apenas uma despesa na saúde assistencial e passa a ser tratada como um vetor estratégico de inovação e inclusão”, analisou Nóbrega.

Por sua vez, os editais voltados ao envelhecimento saudável foram divididos por três eixos temáticos. A iniciativa visa impulsionar pesquisas inovadoras sobre os mecanismos do envelhecimento, a funcionalidade e a qualidade de vida da população idosa; modelos de cuidado, organização de serviços e políticas públicas; prevenção de incapacidade; terapias antienvelhecimento, além de tecnologias em saúde, inovação digital e inclusão social.

Segundo a presidente da FAPERJ, a iniciativa não se trata de um projeto independente, mas de uma ação integrada ao Sistema Único de Saúde fluminense. "Não são editais isolados, mas um pacote conectado, pensado para dialogar com a realidade do SUS e com a agenda de desenvolvimento do estado. Estamos investindo em quem cuida, em quem pesquisa e em quem inova dentro da rede de Saúde do estado", destacou a presidente.

De acordo com a diretora Científica da FAPERJ, Eliete Bouskela, o Brasil é um país que está envelhecendo muito rapidamente e, por isso, torna-se extremamente importante que as pessoas consigam envelhecer com qualidade de vida. E, portanto, se faz urgente produzir evidências científicas que possam orientar a formulação de políticas públicas e melhorar a assistência à saúde da população idosa no estado.

O período de submissão para os editais voltados à obesidade e ao envelhecimento saudável é de 24 de setembro a 12 de outubro de 2026. Os editais completos estão disponíveis na página da FAPERJ (www.faperj.br).

Confira os editais nos links abaixo:

Edital FAPERJ Nº 18/2026 – Programa de Auxílio à Pesquisa em Obesidade para Pesquisadores CNE/FAPERJ ou CNPq Níveis A ou B com Experiência Comprovada em Redes de Pesquisas Consolidadas com no Mínimo 5 Pesquisadores Associados

Edital FAPERJ Nº 19/2026 – Programa de Auxílio à Pesquisa em Obesidade para Pesquisadores JCNE/FAPERJ ou CNPq Níveis C ou D com Experiência Comprovada e com no Mínimo 3 Pesquisadores Associados

Edital FAPERJ Nº 20/2026 – Programa de Apoio ao Envelhecimento com Qualidade de Vida para Pesquisadores CNE/FAPERJ ou CNPq Níveis A ou B com Experiência Comprovada em Redes de Pesquisas Consolidadas com no Mínimo 5 Pesquisadores Associados

Edital FAPERJ Nº 21/2026 – Programa de Apoio ao Envelhecimento com Qualidade de Vida para Pesquisadores JCNE/FAPERJ ou CNPq Níveis C ou D com Experiência Comprovada e com no Mínimo 3 Pesquisadores Associados 



Autor: faperj
Fonte: faperj
Sítio Online da Publicação: faperj
Data: 24/09/2026
Publicação Original: https://www.faperj.br/?id=1116.7.7

Livro aborda a música dos cassinos brasileiros entre 1933 e 1946


Reunindo nove artigos assinados por jornalistas e pesquisadores do Brasil e da França, o livro traz elementos para pensar a produção, a circulação e o consumo de músicas populares na América Latina, entre 1933 e 1946, período em que o Brasil teve cerca de 80 cassinos (Imagem: Divulgação)

Quando os cassinos fecharam suas portas no Brasil, em 1946, com a publicação do Decreto-Lei nº 9.215, que proibia a prática e a exploração dos jogos de azar no País, não foram apenas o giro das roletas e o ruído das fichas arrastadas sobre as mesas que deixaram de ser ouvidos. A proibição dos jogos silenciou, também, a voz de cantores e os instrumentos de músicos e orquestras que se apresentavam nos palcos dos luxuosos salões de apostas, nas décadas de 1930 e 1940.

Passados 80 anos da edição do decreto, no Governo Dutra, que proibia os jogos, chegará às livrarias, até o fim de 2026, o livro “O som dos cassinos”. A obra traz aos leitores elementos para pensar a produção, a circulação e o consumo das músicas populares na América Latina, entre 1933 e 1946, período em que o Brasil teve cerca de 80 casas de jogos. Organizado pela pesquisadora Suely Campos Franco, da Escola de Música da Universidade Federal do Rio de Janeiro (EM/UFRJ), o livro reúne, em 214 páginas, nove artigos assinados por jornalistas e pesquisadores de diferentes instituições do Brasil e da França. O texto da contracapa é do jornalista e escritor Ruy Castro.

Impresso com auxílio do Programa de Apoio à Editoração da FAPERJ, o livro, publicado pela Numa Editora, é resultado do evento acadêmico “I Jornada Internacional O Som dos Cassinos – A circulação das músicas populares entre América Latina e Europa no século XX: apropriações e transferências culturais”, também organizado por Suely, em novembro de 2016, com a parceria do Museu da Imagem e do Som (MIS) e do Consulado da França, marcando os 70 anos da proibição dos cassinos no Brasil.

“A proposta do livro é mapear e refletir sobre a música dos cassinos, a produção e consumo das músicas populares na América Latina nos anos 1930 e 1940, e sobre a circulação de artistas, músicos e cantores brasileiros e estrangeiros entre o Rio de Janeiro e a Europa no período entre as duas Guerras Mundiais. A obra conta com ensaios dos pesquisadores que participaram da jornada internacional e de outros autores convidados”, explica Suely Franco, cientista social, mestre em Memória Social e doutora em Études Lusophonnes (História/Estudos Culturais) pela Universidade Paris 3 Sorbonne Nouvelle.
Artistas como Linda Batista, Grande Otelo, Herivelto Martins e Ary Barroso (ao piano) se apresentaram no Cassino da Urca, uma das mais famosas casas de jogos do Rio de Janeiro (Foto: Carlos Moskovics/Acervo Instituto Moreira Salles - IMS)


A pesquisadora é autora do capítulo que mostra os cassinos como palco para músicos e cantores europeus que buscaram exílio no Brasil e em outros países do continente, no fim da década de 1930, por conta da Segunda Guerra Mundial. O ponto de partida da pesquisa de Suely Franco foi a viagem do maestro francês Ray Ventura e de sua orquestra à América do Sul no ano de 1941. No texto, ela mostra que além de ser um espaço de trabalho para os artistas, os cassinos favoreceram a realização de encontros musicais, diálogos de diferentes culturas e uma intensa troca de experiências entre cantores e músicos brasileiros e do exterior.

A influência dos artistas estrangeiros e da atmosfera glamourosa dos salões de jogos, no período de 1933 a 1946, conhecido como “Tempo dos cassinos”, também foi objeto de estudo do historiador Laurent Vidal, um dos pesquisadores franceses que participaram da jornada de 2016 e agora do livro. Professor da Universidade de La Rochelle, Vidal investigou essa influência na formação de uma identidade cosmopolita no Rio de Janeiro daquela época e no impacto da presença estrangeira na criação das modernidades urbana e balneária, arquitetônica, sonora e musical. Um dos focos do pesquisador foi a passagem do cantor francês Jean Sablon, entre 1939 e 1945, pelos palcos dos cassinos da então capital brasileira.

Vizinhos do poder, os cassinos foram palco de eventos relacionados à história política, social e cultural na “Era Vargas”. Esse é um dos aspectos abordados pelo jornalista Flavio Menna Barreto em seu artigo. Autor do livro “Apostas encerradas – O breve império do Cassino Quitandinha” (Ed. Velho Litoral, 217 pág., 2009), Barreto dedicou seu ensaio ao palacete erguido em Petrópolis para ser um suntuoso hotel-cassino, anunciado como o mais luxuoso das Américas. Inaugurado em 1944, na cidade da Região Serrana fluminense, o espaço funcionou como cassino por pouco mais de dois anos apenas.

No período Vargas, os cassinos também serviram de palco para as relações, nem sempre tão harmônicas, entre a música popular e o poder, tratadas em dois ensaios do livro. Em “O samba fora do compasso do ‘Estado Novo’”, Adalberto Paranhos, professor do Programa de Pós-graduação em História da Universidade Federal de Uberlândia (UFU), aborda essa relação e a censura às vozes destoantes da pauta estado-novista. Já “A canção popular no tempo de Getúlio Vargas” mostra a intensa difusão da música popular nas décadas de 1930 e 1940, suas intenções e implicações políticas. No texto, Orlando de Barros, professor do Programa de Pós-graduação em História da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), destaca, entre outros aspectos, a importância das casas de jogos como espaço de atuação para os artistas populares, assim como as emissoras de rádio que viviam sua época de ouro nos anos 1940 e 1950.
Durante a pesquisa que deu origem ao livro, Suely visitou o que restou do Cassino da Urca. Do luxuoso salão à beira mar, restaram apenas ruínas. Posteriormente, a construção foi recuperada (Foto: acervo pessoal)


Os artistas e produtores que transitavam pelos cassinos e estavam em evidência naquele período são personagens do artigo “As roletas e a indústria da música no Rio de Janeiro do século XX”, do jornalista e gestor cultural Leo Feijó. Autor de textos sobre a cultura da noite e do entretenimento, Feijó mostra que as indústrias da música e dos salões de apostas trabalhavam em colaboração. Em meio às figuras que brilhavam naquele momento, um dos protagonistas da noite era o empresário Joaquim Rolla, proprietário de cassinos em Minas Gerais e no Rio de Janeiro. Conhecido como o “Rei da roleta”, Rolla foi analisado pelo jornalista, pesquisador e escritor João Perdigão, no capítulo “Como o show business dos cassinos moldou o Brasil contemporâneo”.

Além de ser espaço para os artistas, os cassinos dão emprego a milhares de trabalhadores, temporários ou não, da área do espetáculo na França, assim como acontecia no Brasil. Em seu artigo, o professor e coordenador do Mestrado em Administração e Gestão Musical da Sorbonne, Gilles Demonet, investiga a relação entre a música e as casas de apostas e faz uma cronologia dos regulamentos dos cassinos na França, o que permite realizar uma comparação com as práticas adotadas ou não no Brasil.

O impacto da proibição do jogo, em 1946, na atividade profissional dos músicos é o tema do texto produzido pelas pesquisadoras Luciana Requião, professora da Universidade Federal Fluminense (UFF) e do Programa de Pós-graduação em Música da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UniRio), e Anne Meyer, doutora em Documentação e História da Música pela UniRio. No ensaio, resultado de pesquisa realizada no Fundo Documental do Sindicato dos Músicos do Estado do Rio de Janeiro, as autoras recuperaram informações inéditas sobre o regime de trabalho para os músicos nos cassinos.

A diversidade dos temas abordados no livro, mostra o impacto que as casas de jogos tinham, 90 anos atrás, no cenário artístico e cultural brasileiro, em especial à música; no mercado de trabalho de instrumentistas e cantores; e na indústria do entretenimento. Apesar disso, o “Tempo dos cassinos” é relativamente pouco estudado, se comparado à “Época de ouro do rádio no Brasil”.
Suely Campos Franco: para a pesquisadora, o "Tempo dos cassinos" ainda é relativamente pouco estudado se comparado à "Época de ouro do rádio no Brasil". Memória dos salões de jogos sofreu uma espécie de apagamento (Foto: acervo pessoal)


“No Brasil, os estudiosos se dedicaram muito mais às pesquisas sobre o rádio do que aos estudos acerca dos cassinos. Os acervos das emissoras e dos jornais contribuíram para guardar a memória do rádio. Já a memória dos cassinos sofreu uma espécie de apagamento por conta do fechamento dos salões e do próprio preconceito em relação àqueles espaços”, argumenta a pesquisadora.

O lançamento da obra, no Rio de Janeiro, será dia 7 de outubro, às 19h, na Sala Guarani do Teatro Carlos Gomes, no Centro. Para o evento estão previstas uma mesa com os autores e uma apresentação musical com exemplos do repertório apresentado nos cassinos da Urca, Atlântico, Copacabana Palace, Icaraí e Quitandinha.

A escolha do Teatro Carlos Gomes tem um significado histórico: após o fechamento dos cassinos, em 1946, o espaço recebeu festivais beneficentes em apoio aos artistas que, com o fim das atividades, perderam seus contratos e seus locais de trabalho. O lançamento pretende, assim, associar a apresentação do livro à preservação da memória desse importante capítulo da história da música e da vida artística brasileira.

Até o fim de 2026, Suely Campos Franco também pretende levar o livro para feiras literárias e para lançamento em livrarias e espaços culturais de outras cidades brasileiras. Em Belo Horizonte, o evento será na Livraria da Rua, em data a ser confirmada.




Autor: faperj
Fonte: faperj
Sítio Online da Publicação: faperj
Data: 17/09/2026
Publicação Original: https://www.faperj.br/?id=1101.7.3

Aplicativo gratuito auxilia portadores do espectro autista nas tarefas diárias



Acima, reproduções das telas do aplicativo gratuito, que propõe pequenas missões diárias, cria rede de amigos, estabelece desafios, treinos sobre como enfrentar situações sociais, identificação do humor e da ansiedade


Tudo começou durante uma conversa com um sobrinho de 5 anos, que cuida de um tamagotchi. Para quem não lembra, o tamagotchi é uma espécie de pet digital, um famoso bichinho virtual que virou uma febre mundial nos anos 90. Usado por quem não pode (ou não quer) ter um pet de verdade, também exige cuidados do dono, que precisa alimentar, dar carinho, limpar e cuidar da saúde para o pet crescer. É um brinquedo que desenvolve na criança o senso de responsabilidade, já que as ações e a atenção dadas determinam qual tipo de personagem o bichinho vai se tornar, ou se ele vai ficar doente e morrer.

Foi a partir daí que o pesquisador Luís Anunciação, doutor em Psicometria pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio) idealizou a criação de um aplicativo para pessoas autistas, que promove o desenvolvimento de habilidades da vida diária. Unindo as Ciências Exatas às Ciências Humanas, o psicólogo se baseou em uma pesquisa realizada por sua equipe, em 2025, que mostrou que muitas pessoas têm mais afinidade com cães do que com humanos e que muitos autistas têm um pet de estimação, que pode ser um cão ou outro animal.

Segundo ele, os sintomas de pessoas no espectro autista são distintos em função da idade e do gênero. Em geral, adultos têm comportamentos bem característicos, especialmente em função da sua maior adaptação ao meio. Mulheres, por sua vez, conseguem camuflar melhor os sintomas, mesmo que de forma pouco deliberada. O espectro apresenta três diferentes níveis, determinados em função do suporte (dependência) exigido pelos pacientes. Sua ideia, então, foi criar um pet virtual em um aplicativo para adultos no espectro autista que requerem menos suporte, com ou sem diagnóstico. O app propõe pequenas missões diárias, cria uma rede de amigos, estabelece desafios, treinos sobre como enfrentar situações sociais, identificação do humor e da ansiedade, e disponibiliza um botão de socorro que ajuda o usuário a falar com sua pessoa de confiança e ser atendido por um profissional para dar suporte. Um app gratuito, em português, sem anúncios ou vendas, e sem necessidade de cadastro, ou seja, não armazena nem compartilha dados pessoais.

Pankeka (pankeka.org), que pode ser baixado gratuitamente em loja de aplicativo para celular. Quem interage com o usuário é o pet virtual, inspirado em uma cadela real, uma labradora preta que vive no bairro de Laranjeiras, na Zona Sul do Rio. O usuário pode optar por cachorra, gata ou pata, e elas podem ser personalizadas com nove diferentes cores de pelagem e nove tipos de coleiras. A espécie, cor de pelo e coleira são escolhidas quando o usuário abre o app pela primeira vez, e mudam quando o usuário quiser. Um pet virtual que nunca fica bravo e nunca vai embora. Mas o seu “dono” deve dar comida, fazer carinho, passear, jogar bolinha. Ela come, dorme, faz zoomies e interage com seus amigos pets Batata e Feijão. Nunca fica triste, nunca cobra.

O aplicativo desperta no autista um interesse específico. Inspirado nos aplicativos de corrida, o app organiza, em navegação simples, o desenvolvimento de habilidades de vida diária e de auto-advocacia, ou seja, a capacidade de uma pessoa falar, agir e defender seus próprios direitos, expressando suas necessidades de forma direta e sem depender de terceiros. A concepção partiu do uso real e continuado por uma pessoa autista adulta, que integra a equipe como designer e é fundamental em todo design do aplicativo, a Vitoria Meirelles, que também é a dona da Pankeka.
 

A partir do alto à esquerda: Luís Anunciação, Vitoria Meirelles, Jonathan Rochelle e a Pankeka formam a equipe do projeto (Fotos: reprodução site Pankeka.org)


Coordenado por Luís, que desenvolve suas pesquisas com apoio da FAPERJ, por meio do “Programa de Apoio ao Jovem Pesquisador Fluminense com Vínculo em ICTs do Estado do Rio de Janeiro”, o projeto conta com a colaboração de Jonathan Rochelle, doutor em Psicologia pela Universidade de Oregon, e também com dois bolsistas de Iniciação Científica da FAPERJ, que fizeram testes, revisão literária e pesquisaram os conceitos éticos, entre outras funções. O app foi desenvolvido com ajuda do Claude, um assistente de IA especializado em códigos de programação para resolução de problemas.

Mas o caminho até chegar ao aplicativo demandou muita pesquisa. Luís Anunciação explica que, há um tempo, sua equipe no Departamento de Psicologia da PUC-Rio começou a se interessar pelo estudo de transtornos mentais, em especial pelo espectro autista, desenvolvendo um conjunto de ferramentas que ajudassem no diagnóstico, no tratamento e no suporte. Segundo ele, a Inteligência Artificial é uma ferramenta fundamental para o desenvolvimento de modelos. “Antes, tínhamos uma boa idéia, mas o custo para desenvolvê-la era altíssimo. Hoje, com a IA, o custo é bem baixo, no nosso caso cerca de US$ 200/mês”, explica. O psicólogo atribui à FAPERJ grande parte do sucesso do projeto. “A FAPERJ sempre foi parceira. Não fosse o apoio recebido, não conseguiria dar continuidade às pesquisas”, afirma Luís.

O Pankeka integra o conjunto de projetos sobre autismo conduzidos no laboratório da PUC-Rio. Cada peça do aplicativo aponta para um mecanismo com nome e para uma pesquisa publicada. Em julho de 2026, o aplicativo ficou por 14 dias no Google Play, sendo testado por 12 usuários. Hoje, disponível para aparelhos Android e Iphone, tem 700 aparelhos registrados e cerca de 20 usuários ativos. A recomendação é para que seja usado por maiores de 18 anos.

Doutor em Psicologia e pós-doutor em Psicometria – uma área da Psicologia e das Ciências Humanas que usa a Matemática e a Estatística para medir fenômenos mentais e comportamentos – em intercâmbio com a Universidade de Oregon (EUA), e mestre em Saúde Pública pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), Luís e sua equipe lideraram a construção da ERA-A e ERA-F, ferramentas usadas pela comunidade de psicólogos, psiquiatras e outros profissionais para “rastreio” e “auxílio” diagnóstico do espectro autista. Para ele, é fundamental um diagnóstico correto e, principalmente, um tratamento adequado, incluindo o medicamentoso, para que as perdas não sejam maiores que os ganhos. Baixe gratuitamente o app neste link.




Autor: faperj
Fonte: faperj
Sítio Online da Publicação: faperj
Data: 17/09/2026
Publicação Original: https://www.faperj.br/?id=1108.7.1

quarta-feira, 23 de setembro de 2026

Infeções raras na gravidez aumentam risco de deficiência intelectual grave e autismo



Direitos de autor Cleared/Canva
Crianças que nascem com infeções como sífilis, rubéola e citomegalovírus têm muito maior probabilidade de serem diagnosticadas com autismo e deficiência intelectual.

Crianças com infeções transmitidas durante a gravidez têm um risco cerca de três vezes superior de receber um diagnóstico de autismo mais tarde na vida e mais de sete vezes superior de serem diagnosticadas com deficiência intelectual, em comparação com crianças sem essas infeções, conclui um novo estudo.

Sugere-se assim que certas infeções transmitidas ao feto durante a gravidez podem ter efeitos de longa duração no desenvolvimento cerebral, referem os autores.

Estas infeções, conhecidas como TORCH – um grupo de infeções que podem ser transmitidas de uma mulher grávida para o feto – incluem sífilis, rubela, toxoplasmose, citomegalovírus e herpesvírus. Ao contrário de muitas infeções comuns, estes agentes patogénicos podem, nalguns casos, atravessar a placenta e afetar diretamente o feto, aumentando o risco de aborto espontâneo, morte fetal e complicações na gravidez.

“Embora estas infeções congénitas sejam raras, algumas podem ser prevenidas, o que as torna importantes do ponto de vista da saúde pública”, afirmou Reneé Gardner, investigadora no Departamento de Saúde Pública Global do Instituto Karolinska, que participou no estudo.

Foram incluídas 3,7 milhões de pessoas nascidas na Suécia entre 1987 e 2021. Destas, 975 tinham sido diagnosticadas com uma infeção congénita TORCH. Os investigadores acompanharam os participantes durante um período máximo de três décadas para avaliar se estas infeções estavam associadas a diagnósticos posteriores e a resultados escolares.

Embora estas infeções congénitas representem uma proporção muito pequena de todos os casos de autismo na população, as crianças afetadas têm um risco aumentado de autismo e de deficiência intelectual. Segundo os autores, uma em cada cinco crianças nascidas com uma infeção TORCH poderá desenvolver autismo mais tarde.

Para além do autismo, nascer com este tipo de infeção esteve associado a um risco mais elevado de deficiência intelectual em todos os graus. O risco de deficiência intelectual grave a profunda foi até 30 vezes superior ao observado em crianças sem infeção.

Mesmo na ausência de diagnóstico, as infeções aparentam influenciar os resultados escolares. No estudo, 420 pessoas tinham uma infeção TORCH diagnosticada e tiveram fraco desempenho escolar sem receber um diagnóstico de autismo ou de deficiência intelectual.

Estas infeções variam em termos de epidemiologia e prevalência. A mais comum (fonte em inglês) a nível global é o citomegalovírus congénito (CMV), que afeta cerca de um em cada 150 recém-nascidos. Este impacto é substancialmente maior nos países de baixo e médio rendimento.
Como reduzir os riscos

Segundo os autores, o trabalho sublinha a necessidade de fortalecer estratégias de prevenção, sobretudo em zonas com taxas de infeção mais elevadas.

Realça-se também a relevância, em saúde pública, de desenvolver, aplicar e manter estratégias de vacinação em massa para prevenir estas infeções.

Destaca-se ainda que os sistemas atualmente em vigor – como o sueco – podem falhar a deteção de casos assintomáticos, uma vez que o rastreio neonatal para TORCH não é universal. Os autores defendem estratégias mais eficazes para identificar estas situações.




Autor: pt.euronews
Fonte: pt.euronews
Sítio Online da Publicação: pt.euronews
Data: 22/09/2026

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Sobre o Curso

O Curso Educação Ambiental, Escolas Sustentáveis e Resilientes é formação continuada gratuita, de 80 horas, ofertada pela UFMT em parceria com a UFR e a UNIRIO, no âmbito da Política Nacional de Educação Ambiental, com a CGAMS/SECADI/MEC. São 360 vagas para todo o território nacional, destinadas a profissionais da educação básica das redes públicas e privada, incluindo professoras e professores, gestoras e gestores escolares, coordenadoras e coordenadores pedagógicos, técnicas e técnicos das secretarias de educação e integrantes da comunidade escolar. A formação abrange Educação Infantil, Ensino Fundamental, Ensino Médio, Educação de Jovens e Adultas e Adultos e as educações do campo, indígena e quilombola. A seleção dá prioridade a territórios marcados por desigualdades socioambientais e por ocorrência de eventos climáticos extremos, buscando distribuição equilibrada entre as cinco regiões do país.

O curso acontece a distância, no ambiente virtual de aprendizagem da UFR, com atividades síncronas e assíncronas e acompanhamento da equipe de tutoria e de formação ao longo de todo o percurso. São quatro módulos de 20 horas, organizados em: Módulo 1: Eu – Raízes, trajetórias e pertencimento ecológico; Módulo 2: Outro – Tronco, escola como território vivo; Módulo 3: Mundo – Copa, conexões com o mundo e ação comunitária; e Módulo 4: Gestão e equidade – Frutos e sementes, gestão, monitoramento e transformação com equidade.

As inscrições são gratuitas e vão de 13 a 23 de setembro de 2026, pelo formulário disponível em www.webtecaea.ufr.edu.br/cursos. O deferimento das inscrições sai em 24 de setembro, com prazo de recurso em 26 e resultado final homologado em 27. A documentação, RG, CPF, comprovante de endereço e diploma de graduação, deve ser enviada para cursosgpea@gmail.com até 30 de setembro, quando se efetiva a matrícula. A abertura oficial e o início do percurso formativo acontecem em 01 de outubro de 2026. A certificação de 80 horas é emitida pela UFMT. A coordenação geral é da professora Déborah Luíza Moreira Santana Santos, da UFMT, e a coordenação adjunta da professora Regina Aparecida da Silva, da UFR.




Autor: webtecaea
Fonte: webtecaea
Sítio Online da Publicação: webtecaea
Data: 18/09/2026

segunda-feira, 21 de setembro de 2026

Mulheres recebem tratamentos menos invasivos e intensivos do que homens com as mesmas doenças



Direitos de autor Cleared/Canva
Um novo estudo conclui que, para as mesmas patologias, as mulheres têm menos probabilidades do que os homens de receber cirurgias ou analgésicos fortes.

As mulheres têm menos probabilidade do que os homens de lhes serem propostas terapias intensivas, como cirurgias ou analgésicos fortes, conclui uma nova revisão. Embora os sistemas de saúde tratem frequentemente homens e mulheres de forma diferente, os investigadores salientam que não é claro se estas diferenças colocam qualquer dos sexos em desvantagem.

As diferenças entre sexos são evidentes em toda a medicina e desempenham um papel central no diagnóstico e na gestão dos doentes. Investigadores da Universidade de St Andrews, na Escócia, identificaram diferenças visíveis na forma como homens e mulheres são tratados.

“Enquanto a direção dos resultados não foi uma surpresa, a sua consistência foi”, afirmou Miriam Veenhuizen, docente honorária na Escola de Medicina de St Andrews.

Os investigadores analisaram 41 estudos publicados entre 2018 e 2023 e encontraram o mesmo padrão em cardiologia, cirurgia, medicina de transplantes e cuidados de urgência.

As mulheres com insuficiência cardíaca, enfarte ou taquicardia eram mais frequentemente tratadas de forma conservadora, com medicação, em comparação com procedimentos invasivos como a cirurgia de bypass da artéria coronária e a intervenção coronária percutânea.

Entre os doentes com doença de Parkinson, os homens tinham mais probabilidade de ser encaminhados para dispositivos de estimulação cerebral profunda, um aparelho implantável usado para controlar os sintomas. As mulheres também tinham menos probabilidade de receber um transplante de fígado ou de serem encaminhadas para cirurgia.

“Para os clínicos, os resultados são um alerta para verificarem se o tratamento está a ser oferecido com base em critérios clínicos e não em pressupostos”, declarou Andrew O’Malley, coautor do estudo.
Diferença de tratamentos: o que a explica?

Embora a tendência fosse consistente entre os estudos, as razões para tal permanecem pouco claras.

“Não é totalmente claro porque isto está a acontecer, mas é provável que se deva ao facto de as mulheres terem estado sub-representadas nos ensaios clínicos até há poucas décadas, pelo que muitas orientações assentam em dados de homens”, explicou Veenhuizen.

Os investigadores defendem mais investigação para perceber se estas diferenças refletem variações legítimas na prática clínica ou desigualdades mais amplas, e para garantir que os doentes recebem cuidados equitativos.



Autor: pt.euronews
Fonte: pt.euronews
Sítio Online da Publicação: pt.euronews
Data: 18/09/2026
Publicação Original: https://pt.euronews.com/2026/09/18/mulheres-recebem-tratamentos-menos-invasivos-e-intensivos-do-que-homens-com-as-mesmas-doen

Mulheres dominam saúde na Europa mas ganham 19% menos por hora, alerta OMS



Direitos de autor Cleared/Canva

O sector da saúde e dos cuidados é o quarto maior empregador e o maior empregador de mulheres na Região Europeia da OMS. As mulheres representam 77% da força de trabalho na saúde, face a 45% em todos os outros sectores combinados. Ainda assim, são apenas 55% entre quem mais ganha no sector.

“As mulheres são a maioria das pessoas que mantêm os sistemas de saúde da Europa a funcionar, mas recebem menos do que os colegas homens, uma diferença que se acumula ao longo de toda a carreira”, afirmou Natasha Azzopardi Muscat, directora da Divisão de Sistemas de Saúde da OMS Europa.

A diferença salarial de género, isto é, a diferença entre o salário médio de homens e mulheres com emprego remunerado, é maior nos escalões salariais mais elevados, variando de 2% entre quem ganha menos para mais de 22% no topo da distribuição salarial.


O relatório conclui que o sector é especialmente importante para o emprego feminino. Representa quase 17% de todo o emprego das mulheres, contra 5% no caso dos homens.

Estas conclusões seguem o mesmo padrão observado no mercado de trabalho em geral: desigualdades estruturais acentuadas, que se agravam nos níveis de salário e de hierarquia mais altos.

À escala mundial, o sector da saúde espelha o que acontece na Europa, com as mulheres a auferirem em média menos 24% do que os homens, uma diferença superior à de muitos outros sectores.

Quando se ajustam estes quatro factores, a diferença horária desce de 19% para 6% e a diferença no salário mensal recua de 28% para 10%.

No entanto, a diferença restante não é explicada por nenhum dos factores medidos nos dados.

“A maior parte desta diferença não se deve a as mulheres trabalharem menos horas, serem mais novas ou trabalharem em áreas diferentes do sector”, explicou Azzopardi Muscat. “Tem a ver com o modo como o sector valoriza o trabalho das mulheres. A idade, a educação, o horário de trabalho e o facto de ser emprego público ou privado só explicam uma parte.”

Segundo a OMS, o relatório aponta para factores estruturais mais profundos, como a desvalorização do trabalho de cuidados, a segregação profissional e uma possível discriminação nas práticas de definição salarial.

Quanto mais feminizada é uma categoria profissional, menor tende a ser o salário, um padrão que se observa tanto em cargos de gestão como em funções profissionais e técnicas. Os cargos de gestão na saúde e nos cuidados, por exemplo, empregam mais mulheres do que funções de gestão noutros sectores e pagam menos: 22 euros por hora em média, face a 24,70 euros em funções comparáveis noutras áreas.
O impacto mais amplo da diferença salarial

A OMS sublinha que a diferença salarial entre homens e mulheres continua a ser uma das formas mais persistentes de desigualdade no mercado de trabalho.

Dado o elevado número de mulheres que trabalham na saúde e nos cuidados, esta diferença pode ter consequências económicas e sociais significativas.

O relatório assinala que esta desigualdade pode conduzir a rendimentos acumulados mais baixos ao longo da vida e a pensões mais reduzidas, aumentar o risco de pobreza para as mulheres, diminuir o retorno do investimento em educação e comprometer um crescimento económico sustentável.

“Isto significa pensões mais baixas, menos segurança financeira na velhice e um risco maior de pobreza para mulheres que passaram a vida profissional a cuidar dos outros”, afirmou Azzopardi Muscat.

“Isto não é coincidência, nem se explica com as qualificações. As mulheres estão a ser pagas menos pelo mesmo trabalho e são ultrapassadas nos cargos que melhor pagam.”

Reduzir as diferenças salariais de género é, por isso, simultaneamente uma questão de equidade e um investimento numa força de trabalho na saúde mais forte e sustentável, destaca a agência internacional.

Para esse fim, a OMS recomenda acções específicas, desde garantir transparência salarial e facilitar a representação feminina em cargos de decisão até enfrentar normas e estereótipos de género.



Autor: pt.euronews
Fonte: pt.euronews
Sítio Online da Publicação: pt.euronews
Data: 18/09/2026