sexta-feira, 18 de setembro de 2026

Terceira morte: surto de malária em Frankfurt agrava-se




Direitos de autor Jacquelyn Martin/AP2009

No caso da pessoa falecida, tratava-se de uma infeção por Malaria tropica, a forma mais perigosa da doença. Desde julho, oito pessoas contraíram malária em Frankfurt, uma doença tropical transmitida por mosquitos. Duas das infeções já tinham terminado anteriormente de forma fatal, envolvendo dois trabalhadores do operador aeroportuário Fraport.

Os dois casos mais recentes dizem respeito a residentes de Schwanheim, bairro situado nas imediações do aeroporto. Ao contrário do que aconteceu nos primeiros casos, estes dois doentes, segundo as autoridades, não tinham viajado para nenhuma região endémica de malária nem trabalhado no aeroporto.

Segundo o Departamento de Saúde, as infeções ocorreram a cerca de cinco quilómetros do aeroporto, distância que os mosquitos Anopheles conseguem percorrer. Mantém-se assim a suspeita de que um mosquito infetado terá chegado a Frankfurt num avião e transmitido depois a doença através de uma picada, num caso designado como malária de aeroporto.




Malária: o que é

A malária, doença tropical, é tratável quando diagnosticada precocemente. No início, porém, os sintomas são semelhantes aos de uma gripe ou constipação. “É por isso essencial considerar desde cedo uma possível infeção por malária sempre que surjam sintomas compatíveis”, sublinha o município de Frankfurt am Main.

Entre os sintomas típicos de uma infeção por malária contam-se febre, calafrios, dores de cabeça e musculares, bem como queixas gastrointestinais. “Com frequência, estes sinais são interpretados de forma errada como uma síndrome gripal ou uma infeção gastrointestinal”, explica também o Instituto Robert Koch.




Nem todos os tipos de malária são mortais, como a Malaria tertiana, a quartana ou a malária por Plasmodium knowlesi. A forma mais perigosa é a Malaria tropica, que pode ser fatal se não for diagnosticada e tratada rapidamente. O Ministério dos Negócios Estrangeiros alemão classifica por isso a doença como potencialmente mortal.

A doença não se transmite de pessoa para pessoa. Para haver contágio é necessária a picada de um mosquito infetado. Quando a malária não é transmitida numa região endémica, mas sim através do transporte incidental dos mosquitos para outros países, fala-se frequentemente em malária de aeroporto.
Recomendação: em caso de febre de origem desconhecida, procurar um médico

Quem trabalha no aeroporto de Frankfurt ou nas suas imediações, quem lá passa algum tempo, bem como residentes nas proximidades, deve consultar um médico em caso de febre de origem desconhecida.

É importante indicar ao médico o local de residência ou uma eventual permanência na zona do aeroporto.




São igualmente possíveis medidas preventivas, nomeadamente a proteção contra picadas de mosquitos. A profilaxia pode passar, por exemplo, pela utilização de repelentes de insetos. Até agora, produtos à base de dietiltoluamida (DEET) e icaridina têm demonstrado eficácia a nível mundial, refere um guia (fonte em alemão)do Ministério dos Negócios Estrangeiros alemão. Também o uso de roupa comprida e de redes mosquiteiras pode oferecer proteção duradoura.
Europa: malária de aeroporto

Segundo o Instituto Robert Koch, os casos de malária de aeroporto são muito raros na Alemanha. Um estudo (fonte em alemão) publicado em 2024 mostra ainda que mais de 99% dos casos de malária registados na Europa foram importados de regiões endémicas.

Entre 1969 e o início de 2024, foram identificados em bases de dados 145 casos de malária em que o contágio ocorreu na Europa. Mais de dois terços foram classificados como malária de aeroporto. Os países mais afetados foram França (52 casos), Bélgica (19) e a Alemanha, com nove infeções, oito das quais em Frankfurt e uma em Munique.



Também nestes casos muitas das pessoas infetadas tinham alguma ligação a um aeroporto internacional. A segunda pessoa de Frankfurt-Schwanheim, ainda viva, permanece internada, de acordo com o município.





Autor: pt.euronews
Fonte: pt.euronews
Sítio Online da Publicação: pt.euronews
Data: 17/09/2026
Publicação Original: https://pt.euronews.com/2026/09/17/terceira-morte-surto-de-malaria-em-frankfurt-agrava-se

Vacina para cães mais vendida na Rússia associada a onda de mortes de animais de estimação em todo o país




Direitos de autor AP Photo/Pavel Bednyakov

Segundo a Rosselkhoznadzor, a agência russa de inspeção veterinária e agrícola, o lote 20 da vacina Multican-8, produzida pela empresa Vetbiokhim, sediada em Moscovo, continha vírus vivos da doença de Aujeszky. Trata-se de uma patologia geralmente mortal em cães, para a qual não existe tratamento específico.

A entidade reguladora ordenou a retirada do lote da circulação e a sua destruição. Segundo o meio de comunicação russo independente Meduza, o lote 20 continha 60 mil doses.

Os proprietários de cães em Moscovo, São Petersburgo e, pelo menos, em mais oito regiões, nomeadamente Krasnodar, Yaroslavl, Leningrado, Tula, Penza, Saratov e Belgorod, tinham notificado reações adversas graves e mortes de animais vacinados com a Multican-8.

Segundo o meio russo Baza, a Duma de Estado russa indicou ter recebido cerca de 300 queixas relacionadas com a vacina e com a morte de cães de companhia.

Inicialmente, a Vetbiokhim alegou uma interferência deliberada por parte de terceiros. No entanto, as conclusões posteriores do regulador, que detetou um agente patogénico vivo e graves violações das práticas de produção, não corroboram as alegações de sabotagem.

Antes da ordem de quarta-feira, já tinham sido suspensos quatro outros lotes de vacinas Multican.

Em agosto, o Rosselkhoznadzor e a Procuradoria anunciaram inspeções, enquanto a Vetbiokhim afirmou estar a realizar uma investigação interna.

No início de setembro, o Rosselkhoznadzor indicou que as conclusões preliminares apontavam para graves violações no processo de produção e advertiu que a empresa poderia enfrentar a revogação da licença.

A Vetbiokhim celebrou acordos de indemnização com os proprietários dos cães que morreram, oferecendo entre 200 mil e 300 mil rublos por caso, segundo o Meduza, que citou mensagens de conversas privadas utilizadas pelas pessoas afetadas.

Estes acordos obrigavam os beneficiários a renunciar a quaisquer outras ações legais e a assinar acordos de confidencialidade que os proibiam de discutir o caso com os órgãos de comunicação social, nas redes sociais ou em aplicações de mensagens, sem o consentimento da empresa.

A empresa declarou ao órgão de comunicação social económico russo RBC que a cláusula de confidencialidade constituía "uma prática jurídica habitual".

Segundo o Kommersant, com base em dados da RNC Pharma, a Multican-8 foi o produto mais vendido no segmento de vacinas para animais de companhia na Rússia entre Janeiro e Julho deste ano, representando cerca de 20% do mercado.

Os produtos da Vetbiochem representam cerca de 70% do mercado russo de vacinas para cães e gatos, abrangendo uma gama de 15 produtos.

A posição dominante da empresa aumentou significativamente após a invasão em larga escala da Ucrânia pela Rússia, no início de 2022, e a imposição de sanções que reduziram a quota de medicamentos veterinários importados no mercado russo de 50% para 10% a 15%.

Segundo o meio independente Govorit NeMoskva, os proprietários de gatos que receberam a vacina Multifel da empresa também comunicaram mortes.

A Multican-8 é igualmente comercializada fora da Rússia, nomeadamente na Bielorrússia, Arménia e Cazaquistão. Atualmente, não há provas de que algum lote suspeito tenha sido exportado para o estrangeiro.




Autor: pt.euronews
Fonte: pt.euronews
Sítio Online da Publicação: pt.euronews
Data: 17/09/2026
Publicação Original: https://pt.euronews.com/2026/09/17/vacina-para-caes-mais-vendida-na-russia-associada-a-onda-de-mortes-de-animais-de-estimacao

PHDA associada a aumento de quase 50% dos problemas intestinais



Direitos de autor Canva

Os investigadores analisaram mais de 9 000 registos e incluíram 23 estudos, concluindo que o ADHD estava associado a maiores probabilidades de todos os sintomas gastrointestinais avaliados – incluindo síndrome do intestino irritável, obstipação, dor abdominal, diarreia, indigestão e encoprese.

“Quase todos os sintomas intestinais que analisámos … pareciam estar associados ao ADHD”, afirmou a coautora principal Sarah Blake, estudante de Medicina na Warwick Medical School. “Estes sintomas podem ter um impacto real no quotidiano, mas podem ser facilmente ignorados se a atenção estiver centrada no ADHD em si.”

Os investigadores observaram um aumento de 48% na probabilidade global de ocorrência de sintomas gastrointestinais entre pessoas com ADHD. A associação era particularmente forte na obstipação, em que a probabilidade era quase duas vezes superior, e na encoprese – perda de controlo intestinal – em que era mais de quatro vezes superior.


Porquê esta ligação?

Os investigadores apontam várias explicações possíveis, mas o estudo não demonstra que o ADHD seja, por si só, a causa dos problemas gastrointestinais.

Uma das hipóteses é o comportamento. A desregulação emocional e a maior sensibilidade ao stress, ambas associadas ao ADHD, podem afetar a sensibilidade intestinal e contribuir para dor abdominal funcional. Padrões alimentares irregulares, refeições saltadas e episódios de consumo compulsivo podem também influenciar sintomas como indigestão, distensão abdominal, obstipação e dor abdominal.

As sensibilidades sensoriais relacionadas com a alimentação podem igualmente desempenhar um papel. As pessoas com ADHD podem ter uma sensibilidade diferente às texturas e cheiros dos alimentos, o que pode contribuir para dietas mais seletivas, com menos fibra, e afetar os hábitos intestinais.


Os investigadores referem também diferenças na interocepção – a capacidade de reconhecer sinais internos do organismo – como possível fator. Uma menor perceção da necessidade de evacuar pode contribuir para obstipação ou encoprese.

A medicação pode ser outro contributo. Estimulantes como o metilfenidato são conhecidos por provocar efeitos secundários como diminuição do apetite, dor abdominal, náuseas e obstipação. As perturbações do sono, comuns entre pessoas com ADHD, podem também afetar a motilidade e a sensibilidade gastrointestinais.
Ligação intestino-cérebro

Os investigadores destacam igualmente o microbioma intestinal como possível via biológica.

Investigações anteriores identificaram diferenças na composição microbiana intestinal entre adultos com ADHD e pessoas neurotípicas. Outros estudos relacionaram alterações no microbioma intestinal com sintomas gastrointestinais.

Uma das hipóteses é que estas diferenças possam influenciar a inflamação e a comunicação entre o intestino e o cérebro. Fatores genéticos podem também contribuir.

“Ainda não podemos afirmar que o ADHD cause estes problemas intestinais, ou determinar exatamente o que está a impulsionar esta ligação, mas o padrão é suficientemente marcante para merecer atenção”, afirmou Saran Shantikumar, professor clínico associado na Warwick Medical School. “Os clínicos que acompanham pessoas com ADHD poderão querer perguntar-lhes sobre sintomas gastrointestinais, sobretudo se estiverem a afetar a qualidade de vida.”




Autor: pt.euronews
Fonte: pt.euronews
Sítio Online da Publicação: pt.euronews
Data: 17/09/2026
Publicação Original: https://pt.euronews.com/2026/09/17/phda-associada-a-aumento-de-quase-50-dos-problemas-intestinais

quinta-feira, 17 de setembro de 2026

Fiocruz é contemplada no Prêmio Capes de Teses 2026

A Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) divulgou o resultado do Prêmio Capes de Teses - edição 2026. A Fiocruz está entre as instituições contempladas, com duas premiações (nas categorias Ciências Biológicas e Medicina) e uma menção honrosa (na categoria Saúde Coletiva).


Os premiados são Jackson Alves da Silva Queiroz, com trabalho desenvolvido no programa de pós-graduação em Biologia Experimental da Fiocruz Rondônia em associação com a Universidade Federal de Rondônia (Unir); e Mateus Santana do Rosário, cuja tese foi desenvolvida no programa de Biotecnologia em Saúde e Medicina Investigativa, do Instituto Gonçalo Moniz (IGM/Fiocruz Bahia). A menção honrosa foi recebida por Camila Rebouças Fernandes, com trabalho desenvolvido no programa de Saúde da Criança e da Mulher, do Instituto Nacional de Saúde da Mulher, da Criança e do Adolescente Fernandes Figueira (IFF/Fiocruz). A solenidade de premiação dos contemplados ocorrerá em 12 de novembro, no Recife.

Jackson Alves da Silva Queiroz publicou o trabalho Abordagem molecular aplicada ao diagnóstico da hepatite delta: desenvolvimento, validação e implantação de ensaio de alta sensibilidade para quantificação da viremia e avaliação da estabilidade viral em diferentes matrizes biológicas sob a orientação dos pesquisadores Deusilene Souza Vieira Dall'Acqua e Juan Miguel Vilallobos Salcedo como coorientador. O objetivo da tese, elaborada no âmbito do programa de pós-graduação em Biologia Experimental, oferecido em associação da Fiocruz Rondônia com a Universidade Federal de Rondônia (Unir), foi desenvolver, validar e implantar um método multiplex RT-qPCR one step de alta sensibilidade para quantificação de carga viral do vírus da hepatite delta e avaliar a estabilidade viral em diferentes matrizes biológicas.

A hepatite delta é uma doença causada pela exposição aos vírus da hepatite B (HBV) e da hepatite D (HDV), geralmente com evolução clínica mais grave quando comparada a uma monoinfecção pelo HBV. Atualmente, a prevalência real da infecção pelo HDV está subestimada e os métodos de detecção não estão amplamente disponíveis. Amostras biológicas de pacientes monoinfectados com HBV, e coinfectados HBV/HDV foram coletadas nos estados de Rondônia e Acre. Após as etapas de validação, o teste foi implementado em um piloto para implantação do exame de carga viral de hepatite delta no Sistema Único de Saúde (SUS) a partir de parcerias com o Ministério da Saúde. Os resultados sugerem que o HDV pode permanecer detectável por até 96 horas quando armazenado em temperatura ambiente, 4ºC, -30ºC e -80ºC, e até 72 horas em temperaturas de 4ºC à 42ºC, além da possibilidade de detecção utilizando papel de filtro, embora com sensibilidade reduzida. O HDV mostrou-se estável em diferentes condições, o que é crucial para o diagnóstico molecular em regiões com condições adversas de armazenamento.

Mateus Santana do Rosário desenvolveu a tese Encefalites e outras doenças neurológicas relacionadas a arboviroses sob a orientação da pesquisadora Isadora Cristina de Siqueira, no programa de Biotecnologia em Saúde e Medicina Investigativa do Instituto Gonçalo Moniz (IGM/Fiocruz Bahia). O trabalho visa caracterizar os aspectos clínicos, epidemiológicos e laboratoriais das encefalites e de outras síndromes neurológicas agudas associadas a arboviroses na Bahia. Vírus neurotrópicos, pertencentes a diferentes famílias de RNA e DNA, são causas relevantes de síndromes neurológicas agudas, como encefalite, mielite e síndrome de Guillain-Barré. Entre essas, a encefalite destaca-se por sua gravidade e heterogeneidade etiológica, tradicionalmente associada a herpesvírus e, em regiões tropicais, a arbovírus. No Brasil, a cocirculação de zika, chikungunya, dengue e oropouche tem ampliado o espectro de manifestações neurológicas, impondo novos desafios à vigilância clínica, diagnóstica e epidemiológica.

A tese de Mateus apontou que as encefalites e outras síndromes neurológicas agudas associadas a arboviroses representam um desafio diagnóstico relevante na Bahia. A predominância do vírus da Chikungunya (CHIKV), a emergência do vírus Oropouche (Orov) e a diversidade de apresentações clínicas reforçam a necessidade de vigilância integrada, ampliação do diagnóstico molecular e fortalecimento das redes clínicas e laboratoriais em regiões endêmicas.

Camila Rebouças Fernandes elaborou o trabalho A gente tem o direito de não querer ser mãe: Experiências de mulheres que escolhem não ser mães sob a orientação da pesquisadora Ivia Maria Jardim Maksud, no âmbito do programa de Saúde da Criança e da Mulher do Instituto Nacional de Saúde da Mulher, da Criança e do Adolescente Fernandes Figueira (IFF/Fiocruz). A tese busca discutir a construção da experiência de escolher não ser mãe a partir das narrativas de mulheres. O estudo analisou a experiência da não-maternidade com base em: marcadores sociais de gênero, raça, classe e geração; na relação entre o modelo hegemônico de maternidade e a escolha das mulheres pela não-maternidade; na dinâmicas das relações familiares, amorosas e de amizade de mulheres que escolhem não ser mães; além de explorar o impacto do trabalho, remunerado ou não, para mulheres que escolhem não se tornar mães; bem como discutir as experiências de reprodução e de contracepção de não-mães voluntárias.

A partir das entrevistas realizadas, a tese observou que as experiências de maternidade das mulheres ao redor é um dos elementos que constroem a sua decisão pela não-maternidade. O quesito carreira profissional não se mostrou como impeditivo à maternidade, mas foram identificados alguns fatores que afastam as mulheres da vontade de ser mães: o receio de gerar uma criança com uma condição complexa de saúde, a experiência de cuidar de crianças e seu convívio, a noção de responsabilidade nos cuidados com uma criança, e as restrições de circulação de espaço e de tempo. Entre os grupos que mais exercem cobranças e pressões para que as mulheres tenham filhos, destacaram-se na pesquisa as famílias, sendo elas de origem ou não.

A falta de referências de não-mães voluntárias também se revelou um potencializador da sensação de falta de pertencimento e solidão. As mulheres dessa pesquisa assumem o papel de cuidadoras, sendo os principais alvos de seus cuidados as crianças, as pessoas idosas e os animais de estimação. Apesar de, aparentemente, fazerem a mesma escolha, as trajetórias das interlocutoras mostraram-se plurais. Foram acessadas narrativas de mulheres negras, brancas e pardas; de diferentes faixas etárias (20, 30, 40, 50 e 60 anos), locais de moradia, orientação sexual, estado civil e crença religiosa.

Três teses concorrem ao Grande Prêmio

Além da premiação por área há o Grande Prêmio Capes de Tese, destinado às três melhores teses entre os 50 trabalhos vencedores. A escolha será dividida em três colégios de avaliação: Ciências da Vida; Humanidades; e Exatas, Tecnológicas e Multidisciplinar.

Os três vencedores dos Grandes Prêmios receberão bolsa de pós-doutorado no exterior por até 12 meses, certificado e troféu. Os orientadores receberão R$ 9 mil para participação em congresso internacional.

Os demais autores das teses vencedoras receberão bolsa de pós-doutorado no Brasil por até 12 meses, certificado e medalha. Caso haja cerimônia presencial e disponibilidade orçamentária, os autores e seus orientadores também receberão passagens aéreas e diárias para participar do evento. Cada orientador receberá ainda R$ 3 mil e certificado.

Reconhecimento em 50 áreas do conhecimento

O Prêmio Capes de Tese seleciona anualmente trabalhos que se destacam pela qualidade científica e pelo potencial de contribuição para a sociedade. Na edição deste ano, a avaliação considerou seis critérios: originalidade, relevância, metodologia, redação, inovação e impactos.

Para realizar a seleção, a Capes constituiu comissões específicas formadas por representantes das 50 áreas de avaliação. O resultado divulgado contempla um vencedor em cada área.

A abrangência da premiação evidencia a diversidade da produção científica brasileira. Entre os trabalhos reconhecidos estão pesquisas sobre agricultura familiar e sustentabilidade, patrimônio arquitetônico, culturas africanas e de seus descendentes, fotossíntese artificial, paisagens amazônicas, produção de biopolímeros, desinformação, inteligência artificial, doença de Alzheimer, hepatite delta, educação intercultural, prevenção de quedas em idosos, energia, refrigeração magnética, câncer, arboviroses, mudanças climáticas e biodiversidade. Também estão entre os premiados estudos dedicados a questões sociais e políticas contemporâneas, a uberização do trabalho, a política de gestão de rejeitos de mineração, o racismo estrutural, a violência no campo e a tortura contra adolescentes.

Período eleitoral

Durante o período eleitoral (de 4 de julho até 25 de outubro), os conteúdos digitais publicados e disponibilizados pela Agência Fiocruz de Notícias (AFN) acompanham as orientações da Advocacia-Geral da União (AGU) e da Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República (Secom). O documento esclarece que é permitida a divulgação de "conteúdo meramente informativo ou de serviço ao cidadão".



Autor: fiocruz
Fonte: fiocruz
Sítio Online da Publicação: fiocruz
Data: 11/09/2026

CUIDA Chagas encerra atividades de campo após ampliar diagnóstico, tratamento e cuidado em quatro países

Após cinco anos de atuação junto a comunidades e sistemas de saúde do Brasil, Bolívia, Colômbia e Paraguai, o projeto CUIDA Chagas encerrou suas atividades de campo. Mais do que marcar o fim de uma etapa, o encerramento consolida os resultados de uma iniciativa que busca enfrentar um dos principais desafios da doença de Chagas: fazer com que diagnóstico, tratamento e cuidado cheguem às populações mais vulneráveis. Ao longo do projeto, mais de 81 mil pessoas foram examinadas e mais de 2.660 diagnósticos foram confirmados, revelando necessidades que permaneciam invisíveis ou insuficientemente atendidas pelos serviços de saúde. O CUIDA Chagas é coordenado pela Fiocruz.


Participantes do projeto estiveram em 31 municípios dos quatro países

O trabalho mostrou que ampliar o acesso à doença de Chagas exige ir além da oferta de testes e medicamentos. Em 31 municípios dos quatro países, o projeto aproximou a atenção primária das comunidades, estruturou estratégias de busca ativa, fortaleceu laboratórios e capacitou mais de 2,5 mil profissionais de saúde, além de promover mais de mil atividades educativas e comunitárias e formar mais de 100 lideranças.

O diagnóstico da doença de Chagas congênita foi fortalecido nos territórios de implementação, com a incorporação da triagem e do acompanhamento sistemático de recém-nascidos expostos e a introdução da PCR como inovação para o diagnóstico precoce da transmissão congênita. A estratégia ampliou a capacidade de identificar a infecção nos primeiros meses de vida, período em que o diagnóstico oportuno permite iniciar precocemente o tratamento, com elevadas chances de cura. Na Fiocruz, a coordenação do CUIDA Chagas é feita pelo Instituto Nacional de Infectologia Evandro Chagas (INI).

Os resultados também avançaram no campo da inovação diagnóstica e terapêutica. O estudo de validação, realizado no Brasil e na Bolívia, produziu evidências para algoritmos baseados em testes rápidos, ampliando a possibilidade de diagnóstico descentralizado, inclusive em áreas remotas. No Brasil, o ensaio clínico BENBRASIL avaliou a efetividade do Benznidazol nas cinco macrorregiões do país, considerando diferentes contextos epidemiológicos e genótipos do parasita. As análises finais ainda devem subsidiar recomendações nacionais de tratamento.

A experiência também evidenciou que a resposta à doença de Chagas precisa ser construída com as comunidades, e não apenas para elas. Estratégias de comunicação, educação, busca ativa, cuidado coletivo e formação de lideranças ampliaram a adesão aos serviços e fortaleceram a participação social. No Brasil, três leis municipais foram aprovadas a partir desse processo. O projeto ainda contribuiu para identificar barreiras relacionadas a mercado, regulação, aquisição e organização dos programas de saúde, fatores que podem impedir que tecnologias e tratamentos disponíveis cheguem de maneira equitativa a quem precisa.

Com o fim dos campos, começa agora uma etapa igualmente decisiva: consolidar dados, analisar resultados e sistematizar as contribuições produzidas pelo CUIDA Chagas, transformando as evidências acumuladas em conhecimento capaz de orientar políticas públicas e a expansão das estratégias para além dos municípios diretamente envolvidos. Entre os desafios estão concluir processos de revisão de políticas, assegurar financiamento sustentável, coordenar a aquisição e incorporar as capacidades construídas à rotina dos sistemas de saúde.

O principal legado do CUIDA Chagas não está apenas nos números alcançados durante cinco anos de campo, mas na demonstração de que é possível reorganizar a resposta à doença de Chagas de forma integrada e centrada nas pessoas. A continuidade deste legado depende de transformar as experiências e evidências produzidas pelo projeto em práticas sustentáveis, como incorporar algoritmos diagnósticos, capacidades profissionais e laboratoriais, estratégias de organização do cuidado e participação comunitária às políticas públicas e à rotina dos serviços de saúde, garantindo que os avanços construídos nos territórios permaneçam para além do encerramento do projeto.

Período eleitoral

Durante o período eleitoral (de 4 de julho até 25 de outubro), os conteúdos digitais publicados e disponibilizados pela Agência Fiocruz de Notícias (AFN) acompanham as orientações da Advocacia-Geral da União (AGU) e da Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República (Secom). O documento esclarece que é permitida a divulgação de "conteúdo meramente informativo ou de serviço ao cidadão".




Autor: fiocruz
Fonte: fiocruz
Sítio Online da Publicação: fiocruz
Data: 14/09/2026

InfoGripe: cinco estados têm incidência de SRAG em nível de alerta e tendência de aumento

Divulgada nesta quinta-feira (10/9), a mais recente edição do Boletim InfoGripe da Fiocruz mostra que, no cenário nacional, o número de casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) apresenta sinal de estabilização ou oscilação nas tendências de longo (últimas seis semanas) e de curto prazo (últimas três semanas). Cinco estados apresentam incidência de SRAG em nível de alerta, risco ou alto risco (últimas duas semanas) com sinal de crescimento na tendência de longo prazo (últimas seis semanas) até a Semana 35: Goiás, Maranhão, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Rio de Janeiro. A atualização é referente à Semana Epidemiológica 35, período de 30 de agosto a 5 de setembro.

A análise aponta ainda para manutenção do sinal de aumento do número de casos de SRAG nas crianças e adolescentes de 2 a 14 anos, impulsionado principalmente pelo rinovírus, e diminuição ou estabilização das ocorrências de SRAG nas demais faixas etárias. Segundo os pesquisadores do InfoGripe, a estabilização dos os casos de SRAG nas crianças pequenas também se deve à contraposição entre a queda dos casos graves por VSR e ao aumento das ocorrências graves por rinovírus. A queda dos casos de SRAG nas demais faixas etárias é atribuída especialmente à diminuição das hospitalizações por influenza.


Estados e capitais

O aumento do número de casos de SRAG em Goiás, Maranhão, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Rio de Janeiro concentra-se principalmente nas crianças e adolescentes de 2 a 14 anos e está associado principalmente ao rinovírus. No Mato Grosso, o aumento ocorre entre crianças e adolescentes de 5 a 14 anos e idosos a partir dos 65 anos, possivelmente associado à influenza B.

No Rio de Janeiro, o metapneumovírus também tem contribuído, em menor escala, para o aumento de SRAG nas crianças e adolescentes. A atualização aponta ainda que três estados também apresentam incidência de SRAG em níveis de alerta, risco ou alto risco, porém sem sinal de crescimento na tendência de longo prazo. São eles Rio Grande do Sul, Roraima e Santa Catarina.

Em Roraima, há sinal de interrupção do crescimento dos casos de SRAG por VSR, embora os casos ainda permaneçam em patamar elevado. Na Bahia, Minas Gerais, Mato Grosso do Sul, Paraná, Piauí, Santa Catarina e Rio Grande do Sul, os casos de SRAG por VSR continuam em queda, mas permanecem levemente elevados para esta época do ano. Nos demais estados, o período de sazonalidade do VSR já se encerrou. Já os casos de SRAG por influenza B continuam aumentando na Bahia, Mato Grosso e Ceará.

O InfoGripe aponta também um início ou manutenção do aumento das hospitalizações por metapneumovírus em toda a Região Sul, em alguns estados das regiões Sudeste (Rio de Janeiro e São Paulo) e Nordeste (Bahia, Paraíba, Alagoas e Sergipe), além de Roraima. Foi observado, ainda, aumento de casos de SRAG por rinovírus em diversos estados do país: Acre, Ceará, Goiás, Maranhão, Mato Grosso do Sul, Pará, Paraná, Rio de Janeiro, Roraima, Rio Grande do Sul e Santa Catarina. Em relação à Covid-19 nos estados, há um leve aumento dos casos graves em Roraima. Nas demais UFs, as ocorrências de SRAG por Covid-19 estão em um patamar baixo de incidência.

Duas das 27 capitais apresentam nível de atividade de SRAG em alerta, risco ou alto risco (últimas duas semanas) com sinal de crescimento de SRAG na tendência de longo prazo (últimas seis semanas) até a Semana 35. São as cidades de Aracaju e Florianópolis. Em Aracaju o aumento de SRAG se concentra principalmente nas crianças e adolescentes de até 14 anos e, em Florianópolis, nas crianças menores de 2 anos. O InfoGripe aponta ainda que três capitais também apresentam incidência de SRAG em níveis de alerta, risco ou alto risco, porém sem sinal de crescimento na tendência de longo prazo: Boa Vista, Cuiabá e Porto Alegre.

Dados epidemiológicos

Nas quatro últimas semanas epidemiológicas, a proporção entre os casos positivos foi de 3,2% de influenza A, 6,6% de influenza B, 27,1% de vírus sincicial respiratório, 48,4% de rinovírus e 2,4% de Sars-CoV-2 (Covid-19). Entre os óbitos, a presença destes mesmos vírus entre os positivos e no mesmo recorte temporal foi de 12,7% de influenza A, 16,3% de influenza B, 21,7% de vírus sincicial respiratório, 32,5% de rinovírus e 6% de Sars-CoV-2 (Covid-19).

Referente ao ano epidemiológico 2026, já foram notificados 147.868 casos de SRAG, sendo 79.761 (53,9%) com resultado laboratorial positivo para algum vírus respiratório, 52.327 (35,4%) negativos, e ao menos 7.349 (5%) aguardando resultado laboratorial. Entre os casos positivos do ano corrente, observou-se 17,2% de influenza A, 5,5% de influenza B, 41,4% de vírus sincicial respiratório, 31% de rinovírus e 3,8% de Sars-CoV-2 (Covid 19). Nas quatro últimas semanas epidemiológicas, a prevalência entre os casos positivos foi de 3,2% de influenza A, 6,6% de influenza B, 27,1% de vírus sincicial respiratório, 48,4% de rinovírus e 2,4% de Sars-CoV-2 (Covid-19).

Incidência e mortalidade

A incidência e mortalidade semanal média, nas últimas oito semanas epidemiológicas, mantêm o cenário típico de maior impacto nos extremos das faixas etárias analisadas. A incidência de SRAG apresenta impacto mais elevado nas crianças até 2 anos, em termos de mortalidade ocorre o inverso, com a população a partir de 65 anos sendo a mais impactada.

A incidência de SRAG é mais elevada nas crianças pequenas e está associada principalmente ao VSR e ao rinovírus. A mortalidade é maior entre os idosos, tendo como principal causa o vírus da influenza A, rinovírus e VSR. O VSR e o rinovírus se destacam como principais causas de mortalidade nas crianças pequenas. O estudo mostra que a incidência de SRAG por Covid-19 continua baixa em todas as faixas etárias.

Em relação aos óbitos de SRAG em 2026, já foram registrados 6.512 óbitos de SRAG, sendo 3.046 (46,8%) com resultado laboratorial positivo para algum vírus respiratório, 2.828 (43,4%) negativos, e cerca de (1,7%) aguardando resultado laboratorial.

Período eleitoral

Durante o período eleitoral (de 4 de julho até 25 de outubro), os conteúdos digitais publicados e disponibilizados pela Agência Fiocruz de Notícias (AFN) acompanham as orientações da Advocacia-Geral da União (AGU) e da Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República (Secom). O documento esclarece que é permitida a divulgação de "conteúdo meramente informativo ou de serviço ao cidadão".




Autor: fiocruz
Fonte: fiocruz
Sítio Online da Publicação: fiocruz
Data: 10/09/2026

terça-feira, 15 de setembro de 2026

Peptídeos em cosméticos: uma revolução que não é isenta de riscos

O uso de peptídeos não alérgenos em formulações cosméticas é apontado como uma alternativa de tratamento de alta performance (Foto: Magnific)
Nos últimos anos, tem surgido um boom de novos produtos cosméticos, que prometem revolucionar os resultados em rejuvenescimento da pele com o uso de peptídeos. As propagandas afirmam que eles são mais eficientes e seguros até para quem tem a pele sensível. Mas será que são mesmo? A resposta não é tão simples. De fato, têm o potencial de atuar mais profundamente nas células, mas a sensibilidade varia entre as pessoas e para diferentes tipos de peptídeos.

No intuito de garantir essa segurança, pesquisadores da Pontífícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio), liderados pelo professor André Silva Pimentel do Laboratório de Sistemas Complexos do Departamento de Química da universidade, publicaram, recentemente, um artigo no periódico American Chemical Society, que usa a Inteligência Artificial Explicável como método alternativo para determinar quais peptídeos são mais seguros contra alergias, para serem usados no desenvolvimento de novos produtos cosméticos. A pesquisa contou com financiamento da FAPERJ.

A palavra peptídeo está em alta no mundo da beleza, principalmente quando falamos em rejuvenescimento facial. "Os peptídeos são pequenas partes de uma proteína. É como se fossem os tijolos de uma casa e a proteína fosse a casa já pronta. Essas pequenas sequências são capazes de conversar diretamente com as nossas células", explica Pimentel.

Alguns peptídeos tendem a causar mais alergia do que outros. No tratamento do rejuvenescimento facial tradicional, usa-se muito retinol e ácidos, que têm significativamente mais chances de gerar reações alérgicas. O uso de peptídeos não alérgenos em formulações cosméticas entram como uma alternativa de tratamento de alta performance.

Os não alérgenos ajudam a ter uma comunicação saudável com o organismo, de tal forma, que o sistema imunológico não se sinta ameaçado e não gere uma reação inflamatória. "Isso evita o aparecimento de todos, ou pelo menos, da maioria dos sintomas alérgicos que estamos acostumados a ver, como a coceira, vermelhidão e a ardência. Os peptídeos entram como mensageiros que vão se comunicar com as células e ajudar a estimular a produção de colágeno, a elastina, e outras substâncias necessárias para o bom funcionamento do corpo", destaca Marina Damaso, mestranda do projeto.

O colágeno é a proteína que ajuda a trazer firmeza à pele. Já a produção de elastina traz elasticidade. Ao longo dos anos, nossa pele tende a ter um efeito de “derretimento”. "Imagine que o cimento que une os tijolos é o colágeno que não deixa a parede cair. Quando somos jovens, esse cimento está fresco e tem uma equipe de trabalhadores atenta e eficaz para manter sempre firme a estrutura. Ao longo dos anos, com a presença de alguns fatores como a exposição solar excessiva e sem proteção, estilo de vida, alimentação e poluição associados à genética fazem com que a nossa 'equipe de trabalhadores' fique mais lenta e menos eficaz. Então, começam a surgir as 'rachaduras' (rugas), a flacidez e outros sinais de envelhecimento", comenta Pimentel.

Ele explica que, para entender o papel da elastina na pele jovem ou de um idoso, é importante pensar em um colchão. Quando é recém-fabricado, os materiais internos do colchão são firmes e elásticos. Ao deitar, o colchão se adapta ao peso do corpo, mas assim que o indivíduo se levanta, retorna rapidamente ao formato original.

Com o passar dos anos, porém, esses materiais se desgastam, perdem elasticidade e deixam de recuperar completamente sua forma. O colchão passa a apresentar afundamentos permanentes, tornando-se menos firme e mais deformado. "Na pele ocorre um processo semelhante. A elastina funciona como esses 'materiais' no tecido cutâneo. Enquanto estão íntegros, permite que a pele estique e volte ao normal. Com o envelhecimento e a exposição ao sol, a elastina se degrada e se torna desorganizada", explica Damaso.

André Pimentel e Marina Damaso: professor do Laboratório de Sistemas Complexos do Departamento de Química da PUC-Rio lidera a equipe de pesquisadores que conta com a participação da mestranda (Fotos: Divulgação)


Como resultado, a pele perde sua capacidade de recuperação, tornando-se mais flácida e propensa ao surgimento de rugas. Assim como um colchão envelhecido perde sua capacidade de sustentar o corpo adequadamente.

Até recentemente, para saber se um peptídeo era alérgeno ou não se utilizava testes em animais, mas atualmente a Lei 15.183/2025, de 30 de julho de 2025, proíbe o uso de animais em testes de cosméticos, perfume e produtos de higiene pessoal e seus ingredientes em todo o território nacional. Essa lei é de grande importância para que tenhamos processos mais éticos e com a imposição de padrões rígidos para evitar abusos e garantir o bem-estar dos animais de laboratório.

Diante dessa restrição, os pesquisadores foram buscar alternativas e a Inteligência Artificial (IA) Explicável se tornou um caminho. Diferente da IA tradicional, a IA Explicável permite interpretar o que tem dentro da “caixa preta” para ter mais transparência na explicação dos resultados de alergenicidade dos peptídeos. "Além de classificar esses peptídeos de acordo com uma certa probabilidade de causar alergias, conseguimos identificar as sequências de forma específica usando interpretadores de última geração", diz Damaso.

Ela conta que os resultados são promissores. Ao decifrar os peptídeos alérgenos, conseguiram ajudar na criação de formulações cosméticas mais seguras. Com isso, evita-se a geração de processos inflamatórios e alérgicos. Isso é de grande importância, principalmente para pessoas com pele sensível. Enquanto os ácidos geram uma descamação para “forçar” uma renovação celular, os peptídeos não alérgenos entregam mensagens químicas sem gerar respostas alérgicas e de forma mais respeitosa para a célula.

Esses peptídeos geralmente são encontrados em forma de séruns, máscaras e cremes. E podem ser usados em peles com rosácea, área dos olhos e em peles ultrassensíveis, com acompanhamento profissional. "A aplicação dos nossos resultados pode ir além dos cosméticos. No futuro, os resultados dessa ferramenta também poderão ser úteis para evitar alergias, por exemplo, alimentares. Também poderá ter aplicação na imunoterapia para dessensibilizar pessoas alérgicas, em vacinas e, consequentemente, evitar complicações", diz Pimentel.

O uso da Inteligência Artificial Explicável para decifrar os peptídeos alérgenos, mostra que a tecnologia por traz da beleza, evoluiu, sendo cada vez mais inteligente, respeitosa e ética. E além de tudo é inclusiva para aqueles de peles sensíveis. O futuro da beleza deve incluir bons hábitos associados a produtos inteligentes e eficazes. Um caminho seguro para o rejuvenescimento saudável.


Autor: faperj
Fonte: faperj
Sítio Online da Publicação: faperj
Data: 10/09/2026
Publicação Original: https://www.faperj.br/?id=1073.7.1