sexta-feira, 13 de fevereiro de 2026

Pesquisa na Pesagro estabelece padrão para a produção da farinha de banana verde


O principal diferencial da banana verde é o amido resistente, um carboidrato insolúvel (Foto: Pixabay)


O Brasil é o quarto produtor mundial de bananas, tendo colhido pouco mais de 7 milhões de toneladas em 2024, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O Vale da Ribeira, em São Paulo, é a maior região produtora, com 40 mil hectares cultivados. Entretanto, as perdas chegam a 40% da produção, em média, principalmente devido à inadequação na colheita e na estocagem, transporte e, especialmente, devido aos frutos fora do tamanho padrão para uso de mesa. A farinha de banana verde tem sido uma alternativa para o completo aproveitamento das bananas na cadeia produtiva, garantindo as qualidades nutricionais da fruta além de disponibilizar o amido resistente (AR), o que caracteriza o produto como alimento funcional.

Projeto conduzido ao longo de três anos na Empresa de Pesquisa Agropecuária do Estado do Rio de Janeiro (Pesagro-Rio), com o apoio do Programa de Bolsa de Treinamento e Capacitação Técnica em Apoio à Pesquisa e Desenvolvimento do Setor Agropecuário e da Agroindústria do Estado do Rio de Janeiro (TCT Agro), da FAPERJ, estabeleceu os parâmetros para a produção e conservação da farinha de banana verde. Segundo a pesquisadora Eliane Rodrigues, coordenadora do estudo, a farinha de banana verde é rica em fibras, sais minerais e vitaminas, e possui um grande diferencial em relação às demais farinhas: o amido resistente, alimento funcional que auxilia nas defesas do organismo e no trânsito intestinal. Ela pode ser empregada na fabricação de vários alimentos como sopas, comidas infantis, bolos, biscoitos, dentre outros, dependendo da granulometria.

Com cerca de 30 espécies conhecidas e 700 diferentes variedades, a banana (Musa spp.) pertencente à família das Musaceae, é uma fruta de rápido cultivo e fácil propagação, sendo produzida em grande escala no mundo todo, mas especialmente nos países tropicais. Uma das frutas mais consumidas em diversos países, a banana é rica em fibras, sais minerais como potássio, manganês e magnésio, vitaminas B1, B6, A e C, e betacaroteno, além de também ser rica em triptofano, um aminoácido que proporciona aumento da serotonina.
 

O projeto estabeleceu parâmetros para higiene de bancadas e utensílios e a padronização nutricional e sanitária do produto (Fotos: Divulgação)


“No caso da banana verde, seu principal diferencial é o amido resistente, um carboidrato insolúvel que sofre fermentação bacteriana no intestino, reforçando o sistema imunológico e reduzindo a ocorrência de doenças inflamatórias, colaborando para regular níveis de colesterol e glicemia, até mesmo podendo prevenir o câncer de cólon, caracterizando, assim, o produto como funcional”, explica a pesquisadora.

Eliane Rodrigues conta que diversas pequenas agroindústrias do estado do Rio de Janeiro aproveitam a banana verde fora do tamanho padrão de consumo para fazer farinha. No entanto, não havia parâmetros de qualidade no processo produtivo, fazendo com que o produto oferecido nas prateleiras ao consumidor não tivesse um padrão de qualidade. E sua pesquisa foi justamente para cobrir essa lacuna: determinar a qualidade físico-química, microbiológica e toxicológica das farinhas ofertadas no mercado consumidor.

O projeto-piloto foi executado na Fumel, agroindústria localizada em Cachoeiras de Macacu (maior produtor de banana do RJ), que recebe a produção de diversos pequenos produtores do estado e é um dos maiores produtores de banana-passa, bananada e outros subprodutos da banana. O objetivo agora é replicar o método e acompanhar a produção das diversas marcas de farinha de banana verde comercializadas no estado do Rio de Janeiro, garantindo a inocuidade microbiológica do produto e estabelecendo um protocolo de padronização nutricional e sanitária do produto. Além de determinar o melhor ajuste da temperatura e do tempo da desidratação, a fim de manter a característica nutricional, a pesquisa estabeleceu parâmetros para higiene de bancadas e utensílios, e até mesmo o melhor material para a embalagem da farinha, visando evitar possível contaminação.


Eliane Rodrigues: para a pesquisadora, o mais importante é que na produção da farinha da banana verde não há perda do amido resistente


Para a pesquisadora, o mais importante é que, na produção da farinha a partir da banana verde, não há perda do amido resistente, cujo percentual chega a aproximadamente 40% do produto. “Conseguimos manter o produto como alimento funcional”, comemora a farmacêutica. Além disso, os estudos também contribuíram para atestar a não ocorrência da micotoxina fumonisina nas amostras de farinha analisadas durante os três anos de experimento. Causada pela contaminação das bananas pelo fungo Fusarium spp., a micotoxina fumonisina é uma das principais doenças da bananeira.

Eliane explica que no Centro Estadual de Pesquisa em Qualidade de Alimentos da Pesagro, em Niterói, é feito o controle de qualidade de diversos tipos de alimentos, englobando os aspectos físico-químicos, microbiológicos, sensoriais e de contaminantes. Somado a isso, são desenvolvidas novas tecnologias de fabricação e estudos com processamento tecnológico de alimentos.

Graduada em Farmácia, mestre e doutora em Medicina Veterinária e Processamento Tecnológico de Produtos de Origem Animal pela Universidade Federal Fluminense (UFF), Eliane foi a primeira pesquisadora do estado do Rio a trabalhar com homeopatia em animais, obtendo uma redução de 90% da mastite (inflamação das tetas) em vacas submetidas a esse tratamento. Na área de Tecnologia de Alimentos, dedicou-se ao estudo de produtos de origem animal, inicialmente com leite e derivados lácteos e depois com carnes. Segundo ela, o laboratório também apoia as ações de vigilância sanitária da Superintendência de Defesa Agropecuária da Secretaria de Estado de Agricultura, sendo o único órgão público autorizado a emitir laudos técnicos para o Serviço de Inspeção Estadual. “Todas as nossas atividades visam a segurança dos alimentos e a saúde do consumidor”, resume.

Veja videorreportagem no canal da FAPERJ no YouTube sobre as atividades do Centro Estadual de Pesquisa em Qualidade de Alimentos (CEPQA) da Pesagro-Rio: aqui.




Autor: Faperj
Fonte: Faperj
Sítio Online da Publicação: Faperj
Data: 12/02/2026
Publicação Original: https://www.faperj.br/?id=913.7.9

Guia de campo estimula aulas-passeio na Lagoa Rodrigo de Freitas

Vista como um dos principais cartões-postais do Rio de Janeiro, a Lagoa Rodrigo de Freitas é muito mais do que um espaço que atrai turistas e moradores da cidade em busca de lazer. A história, as transformações, a flora e a diversidade da fauna são alguns dos aspectos que fazem dela uma sala de aula a céu aberto. É o que mostra o “Guia de Campo da Lagoa Rodrigo de Freitas”, lançado no fim de 2025 pelas pesquisadoras Aline Assumpção Ribeiro e Andréa Espinola de Siqueira. O livro é resultado da dissertação de Aline, sob orientação de Andréa, no Programa de Mestrado Profissional em Ensino de Biologia (Profbio) da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj).

Servir como um guia de campo, que estimule professores do Ensino Médio a realizarem aulas-passeio ao longo da orla da Lagoa é a proposta do livro, editado com recursos do Programa de Apoio à Editoração da FAPERJ. A ideia é explorar temas relacionados ao local como meio ambiente, diversidade biológica, atividades esportivas, história e as mudanças ocorridas na região, uma das mais valorizadas da cidade. A obra é voltada não só a docentes, mas a todos aqueles que desejam saber um pouco mais sobre a Lagoa.

A ideia de escrever o guia surgiu como um desafio para Aline, que, desde 2014, é professora de Biologia da Rede Estadual do Rio de Janeiro. “Quando fui aprovada para o Mestrado, havia essa proposta de tema para pesquisa, feita pela professora Andréa, de quem fui aluna em 2009, durante a graduação na Uerj. Como sempre fui muito medrosa em relação a levar alunos para fora da escola, resolvi me desafiar e aceitar o projeto. Quando embarquei na viagem, acredite, não conhecia a Lagoa. Nos conhecemos por conta da pesquisa e foi amor à primeira vista. Desde então, sou apaixonada por aquele lugar”, conta Aline, que, durante 11 anos, deu aulas em cursos pré-vestibulares populares.


Um dos cartões-postais do Rio de Janeiro, a Lagoa é vista por diferentes ângulos no guia. Livro destaca questões como artes, ecologia, esportes, ocupação e poluição. Local é uma sala de aula a céu aberto. (Foto: Divulgação/Andréa Espinola)


A investigação do Mestrado foi sobre as contribuições das aulas-passeio para a aprendizagem e para o bem-estar dos estudantes. “Levar os alunos a um ambiente natural contribui para que eles aprendam os conteúdos trabalhados em sala e para o bem-estar deles”, explica Aline, que atualmente é doutoranda em Ensino de Biociências e Saúde pelo Instituto Oswaldo Cruz (IOC/Fiocruz) e bolsista da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes).

Com 110 páginas, o livro foi dividido em cinco blocos de assuntos, que podem ser trabalhados com os estudantes em sala de aula: ocupação, aterramento e poluição; ecologia e biodiversidade; esportes; artes; e contemplação. Em cada um deles, as autoras listaram os conteúdos curriculares e as competências da Base Nacional Comum Curricular (BNCC) que podem ser explorados a partir de uma visita à Lagoa. Produzido pela Editora Interciência, o guia traz também sugestões de atividades que podem ser realizadas dentro de cada tema.

Pensando nas aulas-passeio, as pesquisadoras dividiram os 7,4 km da orla da Lagoa em quatro percursos, com extensões entre 1,5 km e 2,3 km, de forma a facilitar as atividades. Cada um deles pode ser percorrido em caminhadas que variam, em média, de 20 a 30 minutos. Esse tempo não considera as paradas. O primeiro trecho vai do Pier do Vasco da Gama à Sede Náutica do Botafogo. O segundo vai da Sede Náutica do Botafogo até à reta do clube Caiçaras. No clube, tem início o terceiro percurso, que se estende até o Parque das Figueiras. Ali, começa o percurso 4, que segue até o Pier do Vasco da Gama. Cada um deles conta com um QR Code que dá acesso a um tour virtual disponível no Youtube.


Um dos aspectos destacados no guia é a biodiversidade. Os biguás estão entre as espécies encontradas na Lagoa Rodrigo de Freitas. Aves dão vida e embelezam ainda mais o local (Foto: Divulgação/Jairo Farias)


“Os professores podem escolher os aspectos abordados no guia que mais lhe interessam para realizar uma caminhada com os alunos em algum dos trechos sugeridos e aproveitar as propostas pedagógicas de ensino por investigação elencadas no material. A ideia é que o guia possa estimular as visitas de grupos escolares ao local, à medida em que descreve a orla, oferece mapas e descrições de temas importantes encontrados no currículo da Educação Básica”, explica Andréa Espinola, doutora em Ciências e professora do Departamento de Ensino de Ciências e Biologia, do Instituto de Biologia da Uerj.

No trecho do guia dedicado à ecologia e à biodiversidade, as autoras mostram a fauna local, com destaque para as capivaras e para a variedade de aves como garças, biguás e frangos d’água que embelezam ainda mais a paisagem do local. As informações são ilustradas pelas imagens feitas pelas autoras e colaboradores voluntários e contam com a parceria do professor Antônio Carlos Freitas e do biólogo Victor Moura, ambos do Núcleo de Fotografia Científica Ambiental (BioCenas) da Uerj.

A obra também retrata uma parte da história da região, desde o tempo em que era habitada por indígenas Tamoio, passando pelas fazendas existentes ali no período colonial, até chegar aos dias de hoje. Fala também dos processos de aterramento, de ocupação do local por comunidades em vulnerabilidade, do processo de remoção dessas famílias, e da ocupação do bairro pela classe média alta. Movimentos que influenciaram as transformações do espelho d’água, resultaram em poluição e trouxeram impactos na qualidade da água.


Aline Ribeiro (à direita) e Andréa Espinola dividiram o desafio de escrever o Guia de Campo da Lagoa. Andréa foi orientadora de Aline durante o Mestrado na Uerj, quando a pesquisadora investigou as contribuições das aulas-passeio para a aprendizagem (Foto: Divulgação/Cristina Gonçalves)


“O guia traz um pouco da história da Lagoa, o que nos remete à história da nossa cidade onde inúmeros aterramentos aconteceram. É fundamental entender como aquele ecossistema foi estabelecido ao longo do tempo e qual a sua relação com o que encontramos em seu entorno, seja de áreas construídas, seja de proximidade com outras áreas protegidas e como nós nos relacionamos com ele”, explica Andréa.

De acordo com a professora que, entre outros temas, realiza estudos sobre produção de materiais didáticos e sobre espaços não formais de ensino, o guia conta com entrevistas que ajudam a preservar a memória local. “Ouvimos o pescador artesanal mais antigo em atividade na ocasião, José da Luz de Andrade, o Sr. Pitu, que infelizmente veio a falecer semanas depois. Ele contou como era realizada a pesca artesanal na Colônia Z-13 no século passado. Entrevistamos também o Sr. Luiz Sacopã, líder e representante do Quilombo do Sacopã, para que pudéssemos dar visibilidade no texto do guia à presença da resistência e da luta fundiária contra a pressão imobiliária no local e destacar o valor cultural do Quilombo do Sacopã”, conta Andréa, que, ao lado de outros professores, produziu um guia de campo digital dedicado ao Parque Nacional da Tijuca, também com apoio da FAPERJ.

Segundo a pesquisadora Aline Ribeiro, o estudo da Lagoa Rodrigo de Freitas envolve tantos aspectos que fica até difícil destacar especificamente um deles. “Eu destaco a Lagoa como um ecossistema. Sua história geológica, biológica e até mesmo a intervenção humana que tanto a alterou. O lugar para mim é sinônimo de resiliência, porque depois de tudo o que passou, todos os problemas, todas as interferências, ele segue cheio de vida, segue pulsando”, explica a pesquisadora, que ressalta a relevância do trabalho realizado em benefício do local. “Um exemplo é o empenho de pessoas que abraçaram e decidiram cuidar da Lagoa, como do biólogo Mario Moscatelli. Quando todo mundo achava que a recuperação da Lagoa seria impossível, ele acreditou e dedicou sua vida profissional a isso. A Lagoa segue viva, atraindo novas espécies, novos olhares e novas possibilidades”, conclui Aline.




Autor: Faperj
Fonte: Faperj
Sítio Online da Publicação: Faperj
Data: 12/02/2026
Publicação Original: https://www.faperj.br/?id=966.7.4

Estudo de pesquisadores do Museu Nacional revela como cresciam alguns dos precursores dos crocodilos no período Triássico

Pesquisadores do Museu Nacional, unidade de ensino e pesquisa vinculada à Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), em colaboração com o Centro de Apoio à Pesquisa Paleontológica da Quarta Colônia (CAPPA-UFSM) e o Museu de La Plata, Argentina, acabam de publicar um trabalho científico sobre os padrões de crescimento da linhagem crocodiliana (Pseudosuchia), investigando uma espécie encontrada em rochas de idade triássica (cerca de 231 milhões de anos atrás), no Rio Grande do Sul.

A pesquisa aborda essa questão por meio da análise paleohistológica dos ossos de Dynamosuchus collisensis, um representante do grupo dos Ornithosuchidae. A Paleohistologia – que analisa cortes micrométricos em ossos fósseis ao microscópio – é uma ferramenta cada vez mais em ascensão na pesquisa paleontológica, permitindo compreender aspectos fundamentais do ritmo de crescimento e idade individual e contribuindo para preencher lacunas importantes no conhecimento sobre a biologia dos grupos extintos de vertebrados.

O artigo intitulado Filling a key gap in growth patterns of Pseudosuchia through the osteohistology of Dynamosuchus collisensis (Ornithosuchidae: Archosauria) foi publicado neste mês de fevereiro na revista científica internacional Royal Society Open Science. O estudo foi liderado por Brodsky Dantas Macedo de Farias, bolsista FAPERJ do programa de Pós-Doutorado Nota 10, vinculado ao Programa de Pós-graduação em Zoologia do Museu Nacional, e supervisionado por Marina Bento Soares, pesquisadora da mesma instituição que também recebe apoio da FAPERJ para a realização de suas pesquisas por meio do programa de fomento à pesquisa "Cientista do Nosso Estado".

Também participam do trabalho, Rodrigo Temp Müller e Fabiula Prestes de Bem (CAPPA-UFSM) e Maria Belén von Baczko e Julia Brenda Desojo (Museo de La Plata, Argentina). Dynamosuchus collisensis é o único representante brasileiro pertencente ao grupo dos ornitossúquios, aparentados à linhagem crocodiliana. O fóssil (espécime CAPPA/UFSM 0248) foi encontrado no município de Agudo, Rio Grande do Sul, em afloramentos da Formação Santa Maria.

As análises paleohistológicas mostram que Dynamosuchus apresentava, em sua maior parte, tecidos ósseos altamente vascularizados, indicativos de crescimento rápido. No úmero, foram identificadas três linhas anuais de crescimento e no fêmur, quatro. Isso indica que o indivíduo estudado tinha, no mínimo, quatro anos de idade no momento da morte. A ausência de transição para tecidos de crescimento mais lento, indicam que o indivíduo estudado ainda era esqueletalmente e, provavelmente, sexualmente imaturo. Considerando que o espécime analisado, com cerca de dois metros de comprimento, ainda era jovem, os dados sugerem que ele provavelmente teria muito a crescer ao longo da vida.


As análises paleohistológicas dos ossos do Dynamosuchus indicaram que ele tinha, no mínimo, quatro anos de idade no momento da morte, cerca de dois metros de comprimento, ainda era jovem, e que provavelmente teria muito a crescer ao longo da vida (Foto: Rodrigo Tempo Müller)


Para fortalecer as interpretações baseadas nos dados paleohistológicos, também foram empregados métodos independentes de avaliação da maturidade esquelética, como a análise das suturas nas vértebras. As vértebras analisadas apresentam suturas neurocentrais (entre o centro e o arco neural) abertas, ou seja, arcos neurais ainda não fusionados aos centros vertebrais. Essas características são indicativas de imaturidade esquelética e corroboram as evidências obtidas a partir da paleohistologia óssea, de que o espécime CAPPA/UFSM 0248 era um indivíduo jovem.

O projeto desenvolvido pelo Bolsista de Pós-Doutorado Nota 10 da FAPERJ, intitulado “Preenchendo lacunas no conhecimento paleobiológico de arcossauros do Triássico do Sul do Brasil a partir da paleohistologia“, tem como objetivo principal fornecer uma abordagem comparativa envolvendo os principais grupos de Pseudosuchia durante o primeiro período da Era Mesozoica, o período Triássico.

Neste contexto, por se tratar de um dos grupos mais basais dessa linhagem, os ornitossúquios constituem uma referência-chave para a reconstrução da trajetória dos Pseudosuchia. Resultados obtidos até o momento pelo projeto indicam que o padrão atual de crescimento em crocodilos, que crescem de forma lenta durante toda a vida (mesmo depois de adultos), contrasta ao observado nos seus precursores fósseis, incluindo os ornitossuquídeos, que cresciam a taxas bastante elevadas até atingir o estágio adulto.


O bolsista de pós-doutorado Brodsky Farias e a professora Marina Bento Soares: pesquisadores puderam contar com os recursos do mais bem equipado Laboratório de Paleohistologia do Brasil, instalado no Museu Nacional/UFRJ e implementado com recursos da FAPERJ (Fotos:Divulgação)


"Esta pesquisa é particularmente importante porque não apenas aponta para a presença de um predador de grande porte nos ecossistemas do Triássico brasileiro, mas também revela, através da paleohistologia, que os representantes basais da linhagem crocodiliana apresentavam padrões de crescimento compatíveis com taxas metabólicas mais elevadas, possivelmente mais próximas das aves e mamíferos do que dos crocodilos atuais", diz Brodsky Farias.

Professora do Departamento de Geologia e Paleontologia do Museu Nacional, Marina Bento Soares conta que o convite para participarem da pesquisa partiu de Rodrigo Temp Müller, primeiro autor da descrição original de Dynamosuchus collisensis e coautor do presente estudo, para realizar as análises histológicas do material. "Desde o início, reconhecemos a relevância científica da espécie, a única representante brasileira do grupo Ornitosuchidae, um dos ramos mais basais da linhagem crocodiliana. Diante dessa importância, incorporamos o estudo ao projeto do Brodsky, que, desde o doutorado, investiga os padrões de crescimento dos pseudosúquios", explica a pesquisadora, ressaltando que a inclusão de Dynamosuchus ampliou substancialmente a base comparativa do projeto e permitiu preencher uma lacuna fundamental no entendimento da biologia da linhagem crocodiliana, no seu início. "É importante ressaltar, também, que o Museu Nacional, na sua fase de reconstrução após o incêndio de 2018, conta com o mais bem equipado Laboratório de Paleohistologia do Brasil, implementado com recursos da FAPERJ. Toda a fase experimental do trabalho com Dynamosuchus foi realizada no referido laboratório, e vários novos estudos vêm por aí", adianta.



Autor: Faperj
Fonte: Faperj
Sítio Online da Publicação: Faperj
Data: 2/02/2026
Publicação Original: https://www.faperj.br/?id=963.7.5

terça-feira, 10 de fevereiro de 2026

Curta Ciência Delas revela trajetórias femininas na produção científica

Exibido como parte da programação da Imersão no Verão, no contexto das celebrações do Dia Internacional das Mulheres e Meninas na Ciência, o documentário Ciência Delas apresentou às estudantes, na tarde do dia 9 de fevereiro, histórias e trajetórias de mulheres que produzem ciência e ajudaram a construir o Programa Mulheres e Meninas na Ciência da Fiocruz.

Com 22 minutos de duração, Ciência Delas nasceu da pesquisa de Beatris Duqueviz , que em seu doutorado investigou o Programa Mulheres e Meninas na Ciência, ligado à Vice-Presidência de Educação, Informação e Comunicação (VPEIC/Fiocruz). O documentário de curta duração une dados, depoimentos e imagens marcantes para contar a trajetória do programa e revelar as mulheres que foram decisivas nessa história. O resgate por meio desses depoimentos, joga luz sobre o programa e evidencia desigualdades de gênero no universo científico no Brasil.


Para Beatris, o documentário é um potente meio de divulgação científica. “O vídeo amplia a compreensão e o acesso para quem está fora da academia. Acho importante que trabalhos científicos alcancem mais pessoas que talvez não tenham a oportunidade de ler uma tese ou artigo, democratizando o conhecimento”, afirma. Ela ressalta que, cada vez mais, pesquisadores buscam novos formatos e linguagens para ampliar o alcance e o impacto social de seus trabalhos. “Foi um mergulho delicioso nesse mundo do audiovisual”, destaca.

Beatris observa que o documentário é uma estratégia para ampliar a circulação das informações e popularizar os resultados do Programa Mulheres e Meninas na Ciência. “Essa iniciativa tem potencial para ir muito além dos muros da Fiocruz, servindo como referência para políticas públicas em outras instituições”, afirma Beatris, que assina o roteiro e a direção juntamente com Daniela Muzi. A produção, realizada entre novembro de 2024 e fevereiro de 2025 pela VideoSaúde Distribuidora da Fiocruz, combina novas entrevistas e imagens de arquivo para retratar como o programa vem impulsionando ações de equidade de gênero no campo científico.

Audiovisual que mobiliza

Para Daniela Muzi, pesquisadora, documentarista e coordenadora da VideoSaúde, o audiovisual tem o poder de afetar e mobilizar. “Ao tornar visíveis as trajetórias de mulheres cientistas, o documentário permite que outras mulheres e meninas possam se imaginar também nesse campo”, afirma. Apesar dos avanços, ela lembra que as mulheres continuam sub-representadas em certas áreas, cargos de liderança e bolsas de pesquisa. “As barreiras do chamado ‘teto de vidro’ são múltiplas e interligadas, incluindo sobrecarga mental e jornada dupla, resultado do acúmulo de exigências acadêmicas e responsabilidades de cuidado, como maternidade e familiares dependentes, comprometendo trajetórias científicas”, explica.

Essas dificuldades se somam às desigualdades de oportunidades profissionais, à desvalorização da competência feminina, à violência de gênero e à ausência de políticas institucionais efetivas voltadas à equidade. “O documentário evidencia que não se trata de casos isolados, mas de um problema estrutural”, reforça Daniela. Ela vê o filme como uma fonte de inspiração e um convite à reflexão sobre políticas mais inclusivas.

Segundo ela, a frase escolhida para o cartaz “Quando mulheres abrem caminhos, meninas conquistam o mundo” sintetiza a mensagem de transformação que as diretoras quiseram transmitir. “Durante séculos, a ciência foi retratada como um universo masculino. Agora, por meio da imagem e do movimento, as mulheres afirmam seus lugares. É aquela máxima de que uma mulher puxa a outra, e isso é bem real”, conclui.

O filme está disponível na Fioflix, com versões com janela de Libras e audiodescrição.




Autor: Liseane Morosini
Fonte: Vpeic/Fiocruz
Sítio Online da Publicação: Fiocruz
Data: 10/02/2026

Parece mágica, mas é ciência: brasileira de 15 anos inventou sistema que transforma água suja em potável no Sertão sem usar uma gota de cloro

Em 2019, no interior do Brasil, uma adolescente baiana inventou um produto que pode mudar a realidade do Nordeste brasileiro. Aos 15 anos, Anna Luísa Beserra desenvolveu um sistema simples, movido exclusivamente a energia solar, capaz de tornar potável a água da chuva armazenada em cisternas no Sertão nordestino. A invenção nasceu como um projeto escolar, mas não durou muito tempo para que ela fosse reconhecida fora desse ambiente. No mesmo ano, a invenção rendeu à jovem o prêmio Young Champions of the Earth, concedido pela ONU.

Criado a partir da observação direta da realidade de comunidades rurais da Bahia, o sistema, batizado de Aqualuz, atua justamente onde políticas públicas e infraestrutura falham. Em regiões onde a água existe, mas não é segura para consumo, a tecnologia passou a significar saúde, autonomia e dignidade.

No Sertão, o problema não era a escassez de água, mas o acesso à água potável

Durante visitas a comunidades do interior baiano, Anna identificou que muitas famílias possuíam cisternas para armazenar água da chuva, mas continuavam adoecendo. O problema não era a falta de água, e sim a contaminação dessa água armazenada, considerada imprópria para consumo humano. A constatação surgiu quando ela ainda era adolescente e participava de um programa educacional voltado à sustentabilidade.

Anna buscou por soluções que pudessem resolver o problema, mas ao invés de buscar ideias caras ou dependentes de infraestrutura elétrica, a estudante decidiu optou por aproveitar um recurso abundante na região nordestina: o sol. Após meses de pesquisa e testes, nasceu o protótipo do Aqualuz, um sistema pensado para ser acessível, resistente e fácil de operar, mesmo em áreas isoladas.

Como funciona o Aqualuz? Um sistema solar simples, certificado e pensado para durar

O grande diferencial do Aqualuz é que ele dispensa o uso de produtos químicos, eletricidade ou manutenção complexa, pois é baseado no reaproveitamento de recursos próprios A água da chuva coletada pelas cisternas é direcionada para um reservatório transparente, onde permanece exposta à radiação solar por cerca de quatro horas - e é exatamente aí que a mágica acontecer. Esse processo aparentemente simples consegue eliminar bactérias e microrganismos patogênicos, tornando a água própria para o consumo.

De acordo com dados da Safe Drinking Water for All (SDW), startup social fundada por Anna, cada unidade tem vida útil estimada de até 20 anos e capacidade para purificar até 10 litros de água por hora, volume suficiente para atender uma família inteira. Sensores acoplados ao equipamento indicam quando a água está pronta para uso. A tecnologia foi testada e certificada por laboratórios da Universidade Federal da Bahia (UFBA) e recebeu apoio institucional de iniciativas do SEBRAE e da Fundação Toyota, consolidando a viabilidade técnica e científica do sistema.

Impacto social levou à invenção ser reconhecida pela ONU

Anna Luisa Beserra foi a primeira brasileira a ganhar o prêmio Jovens Campeões Da Terra. Créditos: Divulgação

O sistema inventado por Anna para solucionar a água contaminada das cisternas foi parar na mira do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA). Devido a sua invenção, em 2019, Anna Luísa foi escolhida como representante da América Latina e do Caribe no prêmio Jovens Campeões da Terra, tornando-se a primeira brasileira a receber a honraria.

Na ocasião, a ONU tratou o Aqualuz como um exemplo de tecnologia baseada em soluções locais, capaz de melhorar a qualidade de vida em regiões vulneráveis. Desde então, o sistema foi instalado em comunidades rurais da Bahia, Piauí, Pernambuco e Ceará, beneficiando mais de 3 mil pessoas com acesso à água potável. O projeto também se apoia em um modelo de capacitação comunitária, em que os moradores locais aprendem a instalar e fazer a manutenção dos equipamentos, o que gera renda e fortalece a autonomia das comunidades atendidas.



Autor: xataka
Fonte: xataka
Sítio Online da Publicação: xataka
Data: 09/02/2026
Publicação Original: https://www.xataka.com.br/ciencia/parece-magica-e-ciencia-brasileira-15-anos-inventou-sistema-que-transforma-agua-suja-em-potavel-no-sertao-sem-usar-uma-gota-cloro

Fiocruz lidera nas Américas estudo global da OMS sobre oxigênio medicinal

Publicado em fevereiro na revista científica The Lancet Global Health, um estudo prospectivo e observacional da Organização Mundial da Saúde (OMS) analisou os requisitos do uso de oxigênio medicinal e de suporte respiratório em pacientes hospitalizados com Covid-19 em 23 países de baixa e média renda, correlacionando a infraestrutura disponível com a mortalidade hospitalar. A análise revelou que o acesso ao oxigênio é um marcador crítico de iniquidade em saúde.

Nas Américas, o estudo é conduzido por pesquisadoras da Fiocruz. Sob a liderança da coordenadora do Centro Clínico do Instituto Nacional de Infectologia (INI/Fiocruz), Mônica Cruz, e da vice-diretora de Pesquisa e Desenvolvimento Tecnológico do INI/Fiocruz, Valdiléa Veloso, o INI/Fiocruz consolidou-se como o centro de maior recrutamento em todo o continente.


Dos mais de 53 mil pacientes triados globalmente em 56 centros, a Fiocruz foi responsável pela triagem de 601 pacientes e inclusão de 166 na coorte definitiva. A coleta de dados contou com a atuação estratégica da equipe de Fisioterapia do Centro Hospitalar do INI/Fiocruz, que esteve na linha de frente do suporte respiratório, reforçando a capacidade da Fiocruz em mobilizar recursos humanos e tecnológicos de ponta durante a crise sanitária mundial.

Para Mônica Cruz, os resultados vão além da resposta à pandemia. “Este estudo confirmou que o oxigênio não é apenas um insumo hospitalar, mas um marcador estrutural de iniquidades. Ele determina a resiliência de um sistema de saúde”, afirma. Segundo a pesquisadora, as evidências geradas pela Fiocruz e seus parceiros globais subsidiam a resolução da Assembleia Mundial da Saúde de 2023, fornecendo base científica para que governos identifiquem dispositivos prioritários e estabeleçam agendas de pesquisa para futuras emergências globais.

Oxigênio como marcador de iniquidade

O estudo revela uma realidade alarmante: cerca de 60% da população mundial carece de acesso a oxigênio medicinal de qualidade. A análise global demonstrou que a disponibilidade de oxigênio varia drasticamente entre as regiões, impactando diretamente as taxas de sobrevivência. Na região africana, onde a infraestrutura é mais limitada, a mortalidade hospitalar em 30 dias atingiu 37,6%.

Em contrapartida, os dados das Américas onde a Fiocruz foi referência destacaram a alta complexidade do atendimento. A região registrou o uso mais frequente de ventilação mecânica invasiva (26,4%) e apresentou a maior densidade de profissionais de saúde, com uma mediana de 110 trabalhadores para cada 100 leitos.

Na Fiocruz

Autor: INI/Fiocruz
Fonte: Fiocruz
Sítio Online da Publicação: Fiocruz
Data: 09/02/2026
Publicação Original: https://fiocruz.br/noticia/2026/02/fiocruz-lidera-nas-americas-estudo-global-da-oms-sobre-oxigenio-medicinal

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2026

Pesquisa na Pesagro estabelece padrão para a produção da farinha de banana verde


O principal diferencial da banana verde é o amido resistente, um carboidrato insolúvel (Foto: Pixabay)

O Brasil é o quarto produtor mundial de bananas, tendo colhido pouco mais de 7 milhões de toneladas em 2024, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O Vale da Ribeira, em São Paulo, é a maior região produtora, com 40 mil hectares cultivados. Entretanto, as perdas chegam a 40% da produção, em média, principalmente devido à inadequação na colheita e na estocagem, transporte e, especialmente, devido aos frutos fora do tamanho padrão para uso de mesa. A farinha de banana verde tem sido uma alternativa para o completo aproveitamento das bananas na cadeia produtiva, garantindo as qualidades nutricionais da fruta além de disponibilizar o amido resistente (AR), o que caracteriza o produto como alimento funcional.

Projeto conduzido ao longo de três anos na Empresa de Pesquisa Agropecuária do Estado do Rio de Janeiro (Pesagro-Rio), com o apoio do Programa de Bolsa de Treinamento e Capacitação Técnica em Apoio à Pesquisa e Desenvolvimento do Setor Agropecuário e da Agroindústria do Estado do Rio de Janeiro (TCT Agro), da FAPERJ, estabeleceu os parâmetros para a produção e conservação da farinha de banana verde. Segundo a pesquisadora Eliane Rodrigues, coordenadora do estudo, a farinha de banana verde é rica em fibras, sais minerais e vitaminas, e possui um grande diferencial em relação às demais farinhas: o amido resistente, alimento funcional que auxilia nas defesas do organismo e no trânsito intestinal. Ela pode ser empregada na fabricação de vários alimentos como sopas, comidas infantis, bolos, biscoitos, dentre outros, dependendo da granulometria.

Com cerca de 30 espécies conhecidas e 700 diferentes variedades, a banana (Musa spp.) pertencente à família das Musaceae, é uma fruta de rápido cultivo e fácil propagação, sendo produzida em grande escala no mundo todo, mas especialmente nos países tropicais. Uma das frutas mais consumidas em diversos países, a banana é rica em fibras, sais minerais como potássio, manganês e magnésio, vitaminas B1, B6, A e C, e betacaroteno, além de também ser rica em triptofano, um aminoácido que proporciona aumento da serotonina.
 

O projeto estabeleceu parâmetros para higiene de bancadas e utensílios e a padronização nutricional e sanitária do produto (Fotos: Divulgação)


“No caso da banana verde, seu principal diferencial é o amido resistente, um carboidrato insolúvel que sofre fermentação bacteriana no intestino, reforçando o sistema imunológico e reduzindo a ocorrência de doenças inflamatórias, colaborando para regular níveis de colesterol e glicemia, até mesmo podendo prevenir o câncer de cólon, caracterizando, assim, o produto como funcional”, explica a pesquisadora.

Eliane Rodrigues conta que diversas pequenas agroindústrias do estado do Rio de Janeiro aproveitam a banana verde fora do tamanho padrão de consumo para fazer farinha. No entanto, não havia parâmetros de qualidade no processo produtivo, fazendo com que o produto oferecido nas prateleiras ao consumidor não tivesse um padrão de qualidade. E sua pesquisa foi justamente para cobrir essa lacuna: determinar a qualidade físico-química, microbiológica e toxicológica das farinhas ofertadas no mercado consumidor.

O projeto-piloto foi executado na Fumel, agroindústria localizada em Cachoeiras de Macacu (maior produtor de banana do RJ), que recebe a produção de diversos pequenos produtores do estado e é um dos maiores produtores de banana-passa, bananada e outros subprodutos da banana. O objetivo agora é replicar o método e acompanhar a produção das diversas marcas de farinha de banana verde comercializadas no estado do Rio de Janeiro, garantindo a inocuidade microbiológica do produto e estabelecendo um protocolo de padronização nutricional e sanitária do produto. Além de determinar o melhor ajuste da temperatura e do tempo da desidratação, a fim de manter a característica nutricional, a pesquisa estabeleceu parâmetros para higiene de bancadas e utensílios, e até mesmo o melhor material para a embalagem da farinha, visando evitar possível contaminação.


Eliane Rodrigues: para a pesquisadora, o mais importante é que na produção da farinha da banana verde não há perda do amido resistente


Para a pesquisadora, o mais importante é que, na produção da farinha a partir da banana verde, não há perda do amido resistente, cujo percentual chega a aproximadamente 40% do produto. “Conseguimos manter o produto como alimento funcional”, comemora a farmacêutica. Além disso, os estudos também contribuíram para atestar a não ocorrência da micotoxina fumonisina nas amostras de farinha analisadas durante os três anos de experimento. Causada pela contaminação das bananas pelo fungo Fusarium spp., a micotoxina fumonisina é uma das principais doenças da bananeira.

Eliane explica que no Centro Estadual de Pesquisa em Qualidade de Alimentos da Pesagro, em Niterói, é feito o controle de qualidade de diversos tipos de alimentos, englobando os aspectos físico-químicos, microbiológicos, sensoriais e de contaminantes. Somado a isso, são desenvolvidas novas tecnologias de fabricação e estudos com processamento tecnológico de alimentos.

Graduada em Farmácia, mestre e doutora em Medicina Veterinária e Processamento Tecnológico de Produtos de Origem Animal pela Universidade Federal Fluminense (UFF), Eliane foi a primeira pesquisadora do estado do Rio a trabalhar com homeopatia em animais, obtendo uma redução de 90% da mastite (inflamação das tetas) em vacas submetidas a esse tratamento. Na área de Tecnologia de Alimentos, dedicou-se ao estudo de produtos de origem animal, inicialmente com leite e derivados lácteos e depois com carnes. Segundo ela, o laboratório também apoia as ações de vigilância sanitária da Superintendência de Defesa Agropecuária da Secretaria de Estado de Agricultura, sendo o único órgão público autorizado a emitir laudos técnicos para o Serviço de Inspeção Estadual. “Todas as nossas atividades visam a segurança dos alimentos e a saúde do consumidor”, resume.


Veja videorreportagem no canal da FAPERJ no YouTube sobre as atividades do Centro Estadual de Pesquisa em Qualidade de Alimentos (CEPQA) da Pesagro-Rio: aqui.


Autor: faperj
Fonte: faperj
Sítio Online da Publicação: faperj
Data: 05/02/2026
Publicação Original: https://www.faperj.br/?id=913.7.9