quinta-feira, 11 de junho de 2026

Pesquisa busca novo tratamento para esquistossomose

Uma pesquisa liderada pela Fiocruz, destacada na capa da revista científica internacional ACS Infectious Diseases, aponta caminhos para desenvolver novos fármacos ativos contra o verme Schistosoma mansoni, causador da esquistossomose. Popularmente conhecida como “xistose", “barriga d’água” ou “doença dos caramujos”, a infecção é considerada uma doença negligenciada e está ligada à falta de saneamento.


A análise de imagens de microscopia do verme 'Schistosoma mansoni' foi um dos métodos utilizados para avaliar efeitos de compostos sobre suas formas juvenis (foto: Rudson Amorim, IOC/Fiocruz)

No Brasil, cerca de 1,5 milhão de pessoas vivem em áreas com transmissão da doença, segundo o Ministério da Saúde. No mundo, a população sob risco chega a 700 milhões, de acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS). O estudo liderado pelo Instituto Oswaldo Cruz (IOC/Fiocruz) investiga a atividade de moléculas derivadas do praziquantel, remédio atualmente indicado no tratamento da esquistossomose.

Em uso há cerca de 40 anos, o praziquantel é eficaz, mas o tamanho grande do tablete e o sabor amargo dificultam sua administração, especialmente para crianças. Além disso, em condições experimentais, cientistas já observaram vermes que desenvolveram resistência ao fármaco, embora casos desse tipo nunca tenham sido identificados a partir de trabalhos de campo de forma a serem considerados um problema de saúde pública.

“É importante buscar alternativas ao praziquantel. Nosso objetivo é chegar a medicamentos que possam ser otimizados do ponto de vista farmacológico, facilitando a administração e garantindo uma opção na eventualidade de resistência”, afirma o chefe do Laboratório de Bioquímica Experimental e Computacional de Fármacos do IOC/Fiocruz e primeiro autor do estudo, Floriano Paes.

Através de ensaios em laboratório e análises computacionais, os cientistas identificaram três moléculas com atividade contra o verme da esquistossomose, em níveis semelhantes ao medicamento de referência. Além disso, a pesquisa revelou uma característica inesperada, relacionada ao mecanismo de ação dos compostos, que pode orientar a criação de novos fármacos.

“Dados de diversos trabalhos indicavam que o praziquantel se liga quase perfeitamente a uma proteína do parasito, que atua como um receptor. Porém, nós observamos que este receptor tem plasticidade, ou seja, ele consegue abrir espaço para ligação com moléculas um pouco diferentes. Isso abre possibilidade de explorar novos caminhos para desenhar compostos que superem deficiências do praziquantel”, explica Floriano.

A pesquisa foi realizada em parceria com Faculdade de Medicina de Wisconsin, nos Estados Unidos; Universidade Aberystwyth, no Reino Unido; e Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).

Desenho racional de fármacos

As oito moléculas testadas no estudo possuem estrutura química semelhante ao praziquantel com pequenas modificações realizadas pelos cientistas. Nos experimentos, três compostos se destacaram por apresentarem atividade contra os diferentes estágios do ciclo de vida do S. mansoni presentes no ser humano: vermes adultos, formas juvenis e larvas (que são chamadas de esquistossômulos).


As oito moléculas testadas no estudo possuem estrutura química semelhante ao praziquantel com pequenas modificações realizadas pelos cientistas (foto: Rudson Amorim, IOC/Fiocruz)

Os testes também demonstraram que estas substâncias atuam de forma semelhante ao medicamento de referência, por meio da ligação à proteína do verme conhecida pela sigla TRPM. Segundo os pesquisadores, as substâncias não se mostraram mais potentes que o praziquantel contra vermes adultos, mas características observadas as tornam interessantes para otimização estrutural.

“Com base nos resultados, podemos propor modificações mais racionais na estrutura desses compostos para atuar na forma como eles se ligam ao receptor, aumentando a afinidade”, declara Floriano, acrescentando que a pesquisa também deve seguir com ensaios experimentais in vivo.

“No modelo de infecção em roedores, queremos investigar como essas moléculas se comportam no organismo em comparação ao praziquantel e verificar se é possível melhorar aspectos farmacológicos”, diz o pesquisador.



Autor: fiocruz
Fonte: fiocruz
Sítio Online da Publicação: fiocruz
Data: 11/06/2026
Publicação Original: https://fiocruz.br/noticia/2026/06/pesquisa-busca-novo-tratamento-para-esquistossomose

Estudo internacional democratiza produção de insumos para pesquisa e diagnóstico em saúde


Um estudo internacional publicado na revista Science Advances demonstrou que ferramentas portáteis e de baixo custo podem viabilizar a produção local de reagentes essenciais para pesquisa científica e diagnóstico em saúde, reduzindo a dependência de cadeias globais de suprimento e fortalecendo a capacidade científica de países de baixa e média renda. A pesquisa reuniu cientistas do Canadá, Estados Unidos, Chile, Colômbia, Índia e Brasil. A Fiocruz teve a coordenação nacional do projeto.

O estudo integra um esforço internacional, liderado pelo professor Keith Pardee, da Universidade de Toronto (Canadá), com o objetivo de demonstrar que sistemas de biofabricação descentralizada podem ser utilizados para produzir proteínas, enzimas, reagentes diagnósticos e outros insumos essenciais para pesquisa biomédica em diferentes contextos e regiões do mundo. Segundo o pesquisador Lindomar Pena, do Departamento de Virologia e Terapia Experimental da Fiocruz Pernambuco, a participação brasileira foi fundamental para validar a aplicabilidade da tecnologia em condições reais e contribuir para o desenvolvimento de soluções mais acessíveis para a ciência global.

“Um dos principais desafios enfrentados por pesquisadores brasileiros e de diversos países em desenvolvimento é a dependência de reagentes importados, que frequentemente sofrem atrasos de entrega, altos custos e dificuldades logísticas. Tecnologias que permitam a produção local desses insumos representam um avanço importante para fortalecer a autonomia científica e ampliar a capacidade de resposta a desafios de saúde pública”, afirma.

Um dos destaques da participação brasileira foi o envolvimento de Severino Jefferson Ribeiro da Silva, egresso do Programa de Pós-Graduação em Biociências e Biotecnologia em Saúde (PPGBBS) da Fiocruz e atualmente pós-doutorando na Universidade de Toronto. Primeiro autor do artigo, Jefferson teve papel central na condução do estudo internacional.

A pesquisa utilizou sistemas biológicos acelulares capazes de produzir proteínas a partir de componentes moleculares previamente preparados e liofilizados. Como esses reagentes podem ser armazenados e transportados sem necessidade de refrigeração, tornam-se especialmente úteis para laboratórios localizados em regiões remotas ou com infraestrutura limitada.

Os pesquisadores também demonstraram o uso de equipamentos simples e portáteis, incluindo dispositivos produzidos por impressão 3D, para etapas essenciais da produção e purificação de proteínas. Os testes realizados em diferentes países mostraram que os produtos gerados localmente apresentaram desempenho comparável ao de reagentes comerciais.

A iniciativa busca enfrentar um problema recorrente na ciência global: a concentração da produção de insumos biotecnológicos em poucos centros internacionais. Essa dependência pode comprometer pesquisas e ações de vigilância em saúde diante de atrasos logísticos, dificuldades de importação ou interrupções nas cadeias de suprimento.

Para Lindomar Pena, a relevância do estudo vai além do desenvolvimento tecnológico. “Demonstrar que é possível produzir localmente insumos estratégicos, com qualidade e custo reduzido, representa um passo importante para fortalecer a capacidade de resposta a emergências em saúde e reduzir desigualdades no acesso à biotecnologia", conclui.




Autor: fiocruz
Fonte: fiocruz
Sítio Online da Publicação: fiocruz
Data: 10/06/2026

quarta-feira, 10 de junho de 2026

Fiocruz firma cooperação com Coren-RJ para implementação do Programa Trainee em Enfermagem


A Fiocruz deu mais um importante passo no fortalecimento da formação e qualificação profissional em enfermagem. No dia 29 de maio foi realizada a assinatura simbólica do Acordo de Cooperação Técnica entre o Instituto e o Conselho Regional de Enfermagem do Rio de Janeiro (Coren-RJ), marcando o início do Programa Trainee de Enfermagem. A assinatura reforça o compromisso da Fundação com a formação de novos profissionais e com o fortalecimento da assistência no Sistema Único de Saúde (SUS).

O Programa Trainee será voltado para técnicos de enfermagem recém-formados e prevê uma formação teórico-prática com carga horária total de 520 horas, sendo 40 horas de atividades teóricas e 480 horas de práticas supervisionadas. Ao todo serão ofertadas 24 vagas por semestre, distribuídas entre as seis linhas de cuidado do Instituto Nacional de Saúde da Mulher, da Criança e do Adolescente Fernandes Figueira (IFF/Fiocruz): Criança Clínica, Criança Cirúrgica, Criança em Cuidados Intensivos, Mulher, Neonatal e Central de Material e Esterilização/Comissão de Controle de Infecção Hospitalar.

A coordenadora institucional local do programa no IFF/Fiocruz será a enfermeira Mariana Cardim Novaes, integrante da Coordenação Técnica de Enfermagem (CTE) e responsável pela área de Educação Continuada de Enfermagem da Instituição. O Programa tem como principal objetivo capacitar técnicos de enfermagem por meio de uma formação que desenvolva competências técnicas e atitudinais, essenciais para uma assistência segura, humanizada e de qualidade aos pacientes e suas famílias.

Além de contribuir para a inserção qualificada de profissionais recém-formados no mercado de trabalho, a iniciativa fortalece o papel do IFF/Fiocruz como instituição formadora e referência em educação, assistência e qualificação profissional em saúde. O programa também permitirá a formação de um banco de talentos, composto por profissionais capacitados e alinhados à cultura institucional e aos princípios do SUS, contribuindo estrategicamente para o fortalecimento das equipes assistenciais, especialmente no contexto de aproximação entre o Instituto e o Hospital Federal da Lagoa (HFL). A iniciativa reafirma o compromisso do IFF/Fiocruz com a formação em saúde, a valorização da enfermagem e o fortalecimento do cuidado integral à mulher, à criança e ao adolescente no âmbito do SUS.

 Autor: fiocruz

Fonte: fiocruz
Sítio Online da Publicação: fiocruz
Data: 09/06/2026
Publicação Original: https://fiocruz.br/noticia/2026/06/fiocruz-firma-cooperacao-com-coren-rj-para-implementacao-do-programa-trainee-em

Fiocruz recebe delegação da Alemanha para ampliar cooperação em saúde



A Fiocruz recebeu, nesta segunda-feira (8/6), uma delegação alemã com representantes da Câmara de Comércio e Indústria Brasil-Alemanha (AHK) e do governo de Berlim, liderada pela senadora de Assuntos Econômicos, Energia e Empresas Públicas e prefeita da cidade, Franziska Giffey. A visita teve como objetivo ampliar a cooperação em saúde nas áreas de pesquisa e inovação, além do desenvolvimento econômico e do fortalecimento de parcerias estratégicas entre Brasil e Alemanha.



Comitiva da Alemanha visita a Fiocruz para ampliar cooperação em saúde (foto: Pedro Linger)



Recebida pelo presidente da Fiocruz, Mário Moreira, a comitiva participou de reunião sobre temas como insumos estratégicos, terapias avançadas, vigilância epidemiológica, mudanças climáticas e seus impactos na saúde pública. Além disso, foram debatidas oportunidades de cooperação científica entre instituições brasileiras e alemãs nos campos da biotecnologia, da saúde global e da bioeconomia.

Giffey destacou o interesse da delegação em conhecer mais profundamente a experiência brasileira em saúde pública, pesquisa e inovação. “Estamos muito interessados nas pesquisas em infectologia e biotecnologia desenvolvidas pela Fiocruz”, afirmou a prefeita. “Queremos saber como vocês enfrentam desafios em saúde que podem ser os nossos também”.

Segundo a dirigente alemã, a visita representa uma oportunidade para ampliar a cooperação entre as instituições dos dois países. “Queremos fortalecer nossas relações e cooperações na pesquisa, no desenvolvimento, na infraestrutura e também na área econômica”, acrescentou ela.

SUS e o papel estratégico da Fiocruz na saúde brasileira

O encontro foi conduzido pela vice-presidente de Saúde Global e Relações Internacionais da Fiocruz, Maria de Lourdes de Oliveira. Também representaram a Fundação o vice-presidente adjunto de Produção e Inovação em Saúde, Marco Nascimento; o vice-presidente adjunto de Saúde Global e Relações Internacionais, Marcello Pelajo; além dos assessores Ramon Lemos Calaça das Neves e Luana Bermudez. A comitiva também foi composta por representantes do Consulado-Geral da Alemanha no Rio de Janeiro, da Charité – Universitätsmedizin Berlin, da IHK Berlin, da Berlin Partner e da AHK Rio.

Durante o encontro, vice-presidente Maria de Lourdes de Oliveira apresentou a estrutura da Fiocruz e seu papel estratégico no fortalecimento do Sistema Único de Saúde (SUS), destacando a abrangência e o caráter universal da assistência pública no país. “Nós temos muito orgulho do SUS. É um sistema que funciona de forma fantástica e, mesmo com desafios, garante o direito à saúde para todos que estão em território nacional”, afirmou Oliveira.

Ela também ressaltou os desafios relacionados ao financiamento e à sustentabilidade de um sistema público de saúde de grande escala, além das diferenças de acesso entre os setores público e privado. Oliveira ainda abordou o acesso público à medicamentos e como isso se relaciona com os sistemas de patentes. Para finalizar, enfatizou o papel estratégico da Fiocruz no desenvolvimento social e na soberania sanitária nacional, além de sua atuação em diversas estruturas da saúde global.

Coalizão Global

O vice-presidente adjunto Marco Nascimento destacou a importância da Coalizão Global para Produção Local e Regional, Inovação e Acesso Equitativo, iniciativa liderada pelo Ministério da Saúde do Brasil no âmbito do G20, da qual a Fiocruz atua como Secretaria Executiva. “O Brasil oferece sua experiência para ajudar a construir um cenário global de saúde mais equitativo, baseado na cooperação entre os países e no acesso a vacinas, diagnósticos e tratamentos”, afirmou Nascimento.

A Alemanha integra a Coalizão como membro fundador e também participa de seu comitê consultivo, reforçando o potencial de convergência entre os dois países em agendas voltadas à inovação, produção local de tecnologias em saúde e à redução das desigualdades no acesso a produtos e serviços essenciais.




Autor: fiocruz
Fonte: fiocruz
Sítio Online da Publicação: fiocruz
Data: 10/06/2026
Publicação Original: https://fiocruz.br/noticia/2026/06/fiocruz-recebe-delegacao-da-alemanha-para-ampliar-cooperacao-em-saude

Plano Integrado de Saúde nas Favelas do RJ impacta 1,1 milhão de pessoas

Com 146 projetos executados, 175 favelas alcançadas em 33 municípios do estado do Rio de Janeiro e 1,1 milhão de pessoas impactadas, o Plano Integrado de Saúde nas Favelas do Rio de Janeiro completa seis anos e se fortalece como uma das mais amplas redes de promoção da saúde territorial do país. Criado durante a crise sanitária provocada pela pandemia de Covid-19, em 2020, a iniciativa nasceu de uma parceria entre a Fiocruz e a Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj) a partir de uma premissa urgente: a defesa da vida nos territórios populares através da articulação, escuta e construção coletiva.

Para 2027, a agenda inclui novos editais, expansão territorial, cursos de formação, um documentário sobre a trajetória do Plano e o lançamento do portfólio das iniciativas apoiadas. Atualmente, o investimento total soma R$ 23,7 milhões, mobilizados via Alerj (R$ 20 milhões), Fiocruz (R$ 3 milhões) e emendas parlamentares federais (R$ 700 mil).

Rede conecta territórios, ciência e poder público

A estrutura do Plano é incomum. Executado pela Fiocruz a partir de decisões conjuntas com pesquisadores da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio), da Universidade Estadual do Norte Fluminense (Uenf), da Associação Brasileira de Saúde Coletiva (Abrasco) e da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), a iniciativa criou um modelo de governança compartilhada que transforma a lógica tradicional de como se faz saúde pública. 

"A Fiocruz se sente muito honrada em fazer parte deste trabalho coletivo. Não haverá saúde plena sem um olhar ampliado que inclua as questões sociais e a superação das desigualdades", afirma o presidente da Fiocruz, Mario Moreira.

Em seis anos, o Plano distribuiu 10 mil toneladas de alimentos em ações de segurança alimentar, realizou quase 450 visitas técnicas presenciais e cerca de 60 reuniões de coordenação. As iniciativas desenvolvidas nas favelas abarcam saúde mental, educação popular, agroecologia, comunicação comunitária, juventudes e tecnologias sociais. 

"É um modelo interinstitucional orientado por princípios de participação social e promoção de saúde coletiva que deve ser ampliado para outros municípios no país", defende a coordenadora de Relações Institucionais da Presidência da Fiocruz, Zélia Profeta.

Da legislação às favelas

O impacto do Plano se deve, em grande parte, à articulação política e institucional que o sustenta e ao trabalho de quem o opera por dentro: "Mais do que números, o Plano traduz presença, responsabilidade e transformação real na vida das pessoas, reafirmando que a favela produz saúde", diz representante da Fiotec Brasília, Yonara Silva, responsável pelo monitoramento e prestação de contas dos recursos.

Para o pesquisador do Instituto Oswaldo Cruz (IOC/Fiocruz), Antonio Henrique Neto, a experiência foi também de transformação pessoal: "Pude perceber a potência dos territórios que foi aos poucos me libertando do medo e da angústia. Saúde Comunitária é uma construção de todos — cada vez mais faz parte da minha história de vida".

A perspectiva é compartilhada pela médica e professora titular da UFRJ, Ligia Bahia: "Saúde nas favelas é um movimento genuíno e potente. Iniciou na pandemia impulsionado por perplexidade e inconformidade com o desprezo perante o adoecimento e as mortes. Segue vibrante, cresceu, adquiriu textura institucional, mas não perdeu um milímetro de compromisso com o direito à saúde e a democracia" define. 




Criado no período crítico de uma pandemia, o Plano prova que foi muito mais do que uma resposta emergencial. "Tornou-se uma experiência coletiva única que nutre encontros e aprendizagens mútuas direcionadas para a reprodução de uma vida saudável nas favelas", resume a professora da UFRJ, Luciana Correa do Lago.

"O Plano demonstra que políticas públicas eficazes nascem da escuta ativa e do vínculo comunitário, consolidando um novo paradigma de saúde enraizado na justiça territorial", acrescenta o coordenador de Promoção da Saúde da Fiocruz, Valber Frutuoso.

O que vem a seguir

A agenda para o segundo semestre de 2026 e o ano de 2027 combina produção de conhecimento, formação e expansão. Está prevista a sistematização das 146 iniciativas apoiadas em um portfólio público, a produção de um documentário sobre a trajetória do Plano e o lançamento de novos editais em 2027. No campo da formação, cursos de atenção básica e comunicação comunitária vão fortalecer capacidades locais. Um segundo diagnóstico externo avaliará o segundo edital de apoio lançado pelo Plano em 2023, e a expansão territorial levará ações a novos municípios do estado. O fio condutor de tudo é o fortalecimento da Rede 146xFavelas, tornando a cooperação entre territórios cada vez mais robusta.

"O desafio agora é consolidar esse patrimônio coletivo, registrar os aprendizados acumulados e ampliar seu alcance", afirma o coordenador executivo do Plano, Richarlls Martins. "Queremos que o conhecimento construído nos territórios circule, inspire outras experiências e contribua para a formulação de políticas públicas cada vez mais conectadas à realidade da população das favelas".




Autor: fiocruz
Fonte: fiocruz
Sítio Online da Publicação: fiocruz
Data: 10/06/2026
Publicação Original: https://fiocruz.br/noticia/2026/06/plano-integrado-de-saude-nas-favelas-do-rj-impacta-11-milhao-de-pessoas

segunda-feira, 8 de junho de 2026

Biodetergente promete prolongar a vida útil de frutas e legumes

As perdas ao longo da cadeia de produção de alimentos são um gargalo a ser superado e geram prejuízos que podem alcançar US$ 540 bilhões em 2026, segundo a consultoria Datagro. Mais de 30% do volume de alimentos entre a colheita e a chegada ao consumidor se perdem, gerando um prejuízo equivalente no faturamento anual da cadeia de suprimentos. No caso de alimentos perecíveis como frutas, legumes e verduras, dados da Embrapa indicam perdas de 30% em média na etapa pós-colheita, principalmente por manuseio, transporte e armazenamento inadequados. Isso, num país tropical como o Brasil, pode acelerar o ataque de fungos e bactérias e a deterioração dos alimentos.

Mas a pesquisa pode mudar este cenário. O Laboratório de Biotecnologia Microbiana do Instituto de Química da Universidade Federal do Rio de Janeiro (LaBiM/IQ/UFRJ), em parceria com a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), desenvolveu um biodetergente capaz de prolongar a vida útil de frutas e legumes, contribuindo diretamente para a redução do desperdício de alimentos. O produto consegue impedir a ação dos fungos. “É como se o biossurfactante ‘desorganizasse’ a estrutura do fungo, impedindo sua proliferação e aumentando o tempo de prateleira das frutas”, explica a professora titular do Instituto de Química Denise Maria Guimarães Freire. Nos testes, laranjas foram infectadas com injeções de fungos e depois protegidas com o biodetergente aplicado na casca. Após 10 dias, de cada 12 laranjas testadas, 11 ficaram intactas.


Biodetergente criado no laboratório prolongou a vida útil da laranja inoculada com fungo. Após 10 dias, de 12 laranjas testadas, 11 ficaram intactas


A pesquisadora conta que os estudos tiveram início em 2009, época em que a Petrobras identificou uma bactéria em poços de petróleo com potencial para mitigar o efeito de derramamento de petróleo e metais pesados em ambientes terrestres e aquosos. Foi no Laboratório que a bactéria começou a ser estudada em diferentes meios de cultivo e mostrou possuir “1001 utilidades, um verdadeiro Bombril”, alega a pesquisadora, que é Cientista do Nosso Estado da FAPERJ e já contou com diversos apoios da Fundação para conduzir suas pesquisas, como do Programa de Apoio a Projetos Temáticos no Estado do Rio de Janeiro.

Denise Freire explica que não há mais dúvida quanto à eficácia do biodetergente, mas que a produção atual de 100 litros no LaBiM é totalmente insuficiente para atender ao mercado. No caso das laranjas, por exemplo, o produto poderia ser adicionado pelas indústrias à água da lavagem das frutas no pós-colheita, protegendo toda a produção. “Chegamos num estágio em que não conseguimos avançar sem apoio financeiro para viabilizar os testes em campo. É como se estivéssemos à beira de um rio caudaloso, sem ponte para atravessar”, afirma Denise, que já foi procurada por cinco agricultores, incluindo produtores de mamão e morango, interessados no biodetergente. Segundo ela, o próximo passo, também em parceria com a Embrapa, será o teste em grãos como soja, feijão e milho.

Essa pesquisa está alinhada às pesquisas do Hub de Inovação Aberta em Bioprodutos do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia (INCT HOI-B), que desenvolve tecnologias limpas e inovadoras para síntese, recuperação, concentração e purificação de bioprodutos. Social e ambientalmente sustentáveis, as tecnologias limpas reduzem resíduos, priorizam sistemas aquosos de baixa toxicidade e biodegradáveis, alinhados à Química Verde e à Economia Circular, como opção aos produtos químicos usualmente utilizados nas mesmas aplicações. O INCT HOI-B atua no desenvolvimento de soluções estratégicas em biotecnologia industrial, integração academia-indústria no modelo de inovação aberta e valorização de recursos renováveis, promovendo pesquisa aplicada com impacto científico, tecnológico e social.

A coordenadora do HOI-B diz que outros antifúngicos estão sendo pesquisados no laboratório, como a levedura Metschnikowia pulcherrima e a substância obtida de outro microrganismo, chamada cerulenina. Ambas se mostraram bastante promissoras nos testes in vitro de biocontrole pós-colheita. Denise destaca outras pesquisas desenvolvidas no Laboratório, como a encomendada pela Sinochem, estatal chinesa especializada em petroquímica, agricultura e energia, entre outros, que, no Brasil, atua principalmente na exploração de petróleo e gás através da Sinochem Petróleo Brasil. A empresa necessitava de um produto que separasse melhor o óleo e a proteína, aumentando a recuperação de ambos sem afetar a produção de etanol à base de milho. Essa pesquisa resultou no registro de duas patentes da UFRJ com a empresa. Em parceria com a empresa de ingredientes para cosméticos Assessa, o LaBiM vem desenvolvendo, com o apoio do INCT, ingredientes sustentáveis a partir de resíduos agroindustriais, promovendo a valorização desses resíduos e a geração de produtos de alto valor agregado.


Denise Freire: segundo a pesquisadora, é como se o biossurfactante ‘desorganizasse’ a estrutura do fungo, impedindo sua proliferação e aumentando o tempo de prateleira das frutas


“O estudo explora o uso de biossurfactantes como uma solução ‘dois em um’: além de aumentar a extração de compostos antioxidantes de coprodutos, eles também atuam como agentes tensoativos na formulação, com menor toxicidade e maior sustentabilidade em comparação aos surfactantes convencionais”.

O grande desafio está no apoio dos editais e programas de fomento à transição das pesquisas que já estão em fase de TRL (Technology Readiness Level) alta, ou seja, alto nível de maturidade para o mercado. Este é o caso da produção do biodetergente que já se encontra em TRL 6. O próximo desafio é desenvolver uma formulação inovadora com o biodetergente para ser testada em larga escala. Destaque no ranking Research.com como uma das pesquisadoras mais influentes do mundo em sua respectiva área de conhecimento, a engenheira química Denise Freire destaca que o investimento em novas tecnologias pode gerar retornos muito superiores ao valor inicialmente aportado na pesquisa.



Autor: faperj
Fonte: faperj
Sítio Online da Publicação: faperj
Data: 03/06/2026
Publicação Original: https://www.faperj.br/?id=1026.7.6

Estado do Rio cria Marco Legal Mães na Ciência e fortalece políticas de apoio à permanência de mulheres na pesquisa


O Estado do Rio de Janeiro passa a contar com um novo instrumento de promoção da equidade de gênero na produção científica. O governador em exercício, desembargador Ricardo Couto, sancionou a lei nº 11.213, publicada no Diário Oficial desta segunda-feira, dia 8 de junho, que institui o Marco Legal Mães na Ciência. A legislação cria diretrizes para garantir apoio às mães e adotantes na graduação e na pós-graduação, assegurando condições mais justas para a permanência e a progressão acadêmica.



As universidades públicas estaduais e a Fundação Carlos Chagas Filho de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro (FAPERJ) devem adotar mecanismos de equidade e reconhecimento no âmbito do Marco Legal Mães na Ciência. A lei observará a autonomia didático-científica, administrativa e de gestão financeira das instituições de ensino superior e os objetivos do Programa Estadual de Incentivo ao Protagonismo das Mulheres na Ciência.

Nos processos seletivos e de renovação de bolsas de pesquisa, ensino e extensão, a lei veda a adoção de critérios discriminatórios contra candidatas por motivo de gestação, parto, nascimento de filho, adoção ou guarda judicial para fins de adoção. Proíbe, ainda, a formulação de perguntas sobre planejamento familiar em entrevistas, avaliações ou documentos de inscrição, salvo quando a candidata manifestar a intenção de tratar do tema.

A iniciativa avança no reconhecimento do trabalho de cuidado, especialmente da maternidade e da adoção, na avaliação de mérito acadêmico, produtividade científica e análise curricular, para fins de pontuação em processos seletivos de bolsas e editais de monitoria, iniciação científica, extensão, mestrado, doutorado e pós-doutorado.

Para a presidente da FAPERJ, Caroline Alves, a nova lei reforça iniciativas da Fundação que caminham no mesmo sentido de fortalecer a atuação das mulheres em prol do avanço da ciência no estado. "A sanção do Marco Legal Mães na Ciência representa um avanço histórico para a ciência fluminense e para a equidade de gênero na produção do conhecimento no estado, pois sabemos que a maternidade e a adoção impõem desafios reais às trajetórias acadêmicas de inúmeras pesquisadoras", disse.



Na mais recente medida em apoio à participação das mulheres na pesquisa fluminense, a FAPERJ lançou, no início de março, o edital Programa de Apoio à Jovem Cientista Mulher – Dra. Tatiana Sampaio, em homenagem à cientista, cujo trabalho pioneiro trouxe contribuições importantes para o campo da regeneração da medula espinhal em pacientes tetraplégicos.

* Com informações da Assessoria de Comunicação do Governo do Estado do Rio de Janeiro

Autor: faperj
Fonte: faperj
Sítio Online da Publicação: faperj
Data:08/06/2026
Publicação Original: https://www.faperj.br/?id=1038.7.3