quinta-feira, 7 de maio de 2026

Estudo analisa transformação de casas para incorporar espaços de trabalho e sociabilidade


O projeto desenvolvido pela pesquisadora Ana Slade (Prourb/FAU/UFRJ) acompanhou as adaptações feitas por moradores dos subúrbios cariocas, que transformaram suas residências em espaços mistos para moradia e trabalho
 (Fotos: Divulgação/Ana Slade)

A necessidade de empreender, de buscar alternativas à falta de oportunidades no mercado de trabalho e até mesmo de oferecer serviços vêm estimulando moradores da periferia e dos subúrbios cariocas – no plural, devido à diversidade dos bairros – a adaptar suas residências, transformando-as em espaços de uso misto voltados à moradia e ao trabalho. Essa iniciativa, que muitas vezes ignora a legislação, ganhou força nos últimos anos e pode ser analisada sob diferentes olhares, já que traz impactos na geração de renda, na oferta de serviços, às vezes escassos, e até mesmo na redução de deslocamentos casa-trabalho entre o subúrbio – tradicionalmente destinado à moradia – e os locais que concentram a maior parte das atividades econômicas e dos empregos, como o Centro e as áreas mais nobres da cidade.

Essas transformações espontâneas feitas pelos moradores dos subúrbios têm sido acompanhadas de perto pela pesquisadora Ana Slade, professora da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Federal do Rio de Janeiro (FAU/UFRJ) e do Programa de Pós-graduação em Urbanismo (Prourb/FAU/UFRJ). Ana vem estudando as mudanças no uso e a adaptação da arquitetura de modo a conjugar trabalho e moradia nas casas.

“É comum, nas áreas residenciais periféricas, as casas serem modificadas pelos residentes para adaptar usos comerciais e produtivos mesmo que à revelia das legislações, se misturando com casas de uso estritamente residencial. Os moradores desses locais vão resolvendo do seu jeito o que não foi planejado”, explica Ana, doutora em Urbanismo pelo Prourb/FAU/UFRJ.

É interessante voltar no tempo e lembrar que as unidades habitacionais utilizadas para moradia e trabalho, conhecidas no Rio de Janeiro como “sobrados”, eram muito comuns no início do século XX. Nessas edificações, a moradia ocupava o pavimento superior e o comércio, o térreo, com acesso pela rua. Entretanto, com o passar do tempo, os sobrados foram dando lugar a casas e edifícios estritamente residenciais. 

A figura reproduz uma esquina do bairro de Irajá, onde foram criados três estabelecimentos comerciais conjugados a imóveis residenciais (Ilustração: Vinícius Medeiros)

Um dos principais aspectos investigados no projeto é o intenso volume de deslocamentos casa-trabalho-casa característico das metrópoles contemporâneas, e que se constitui em um dos grandes desafios para o planejamento urbano. O estudo propõe a discussão sobre possíveis alternativas: investir em soluções para a mobilidade ou optar por uma reestruturação dos bairros, apostando em espaços que atendam às necessidades de moradia e de trabalho e, desta forma, reduzindo as viagens diárias.  

“O trabalho nos estimula a refletir sobre estratégias que possam colaborar para a redução dos deslocamentos nas cidades e para a qualificação de bairros residenciais em subúrbios e nas periferias, a partir da aproximação de moradia e trabalho e do incremento da mistura de usos. O planejamento urbano deve olhar com atenção para essa alternativa”, explica Ana, que participa do núcleo de pesquisa Urbanismo, Crítica e Arquitetura (UrCA) do Prourb/FAU.

O processo de transformação ocorrido no subúrbio carioca pode trazer respostas para que o poder público, gestores, arquitetos e urbanistas possam repensar o projeto arquitetônico, as leis e o planejamento urbano da cidade. Várias dessas respostas estão presentes no livro “Aprendendo com os subúrbios cariocas”, lançado por Ana Slade em 2025. Baseada em sua tese de doutorado, a obra, de 192 páginas, foi publicada pela editora Rio Books, por meio do Programa de Apoio à Editoração da FAPERJ.




Autor: FAPERJ
Fonte: FAPERJ
Sítio Online da Publicação: FAPERJ
Data: 30/04/2024
Publicação Original: https://www.faperj.br/?id=1005.7.8

Hantavírus: que vírus é este e qual o risco real para os portugueses?


No início de maio de 2026, o nome hantavírus voltou a dominar as notícias em todo o mundo. O navio de cruzeiro MV Hondius, com bandeira holandesa, partiu da Argentina com 150 passageiros a bordo rumo a Cabo Verde, mas chegou ao destino com um surto a bordo.

Três pessoas morreram e outras ficaram gravemente doentes.

Com um dos tripulantes português, o navio ficou retido ao largo do Porto da Praia, com os passageiros impedidos de desembarcar para proteger a população local, enquanto equipas médicas visitavam a embarcação.

A Organização Mundial de Saúde (OMS) confirmou que pelo menos uma das mortes foi causada pelo hantavírus, com o número de casos a subir para sete.

Até 4 de maio de 2026, foram identificados sete casos (dois casos de hantavírus confirmados em laboratório e cinco casos suspeitos), que incluem três vítimas mortais, um doente em estado grave e três pessoas que relataram sintomas ligeiros.

Comunicou a OMS, nesta segunda-feira.

Ainda que o vírus tenha sido uma surpresa para muitos, os especialistas conhecem-no bem.

Afinal, o que é o hantavírus?
O hantavírus não é uma doença nova. Trata-se de uma família de vírus transmitidos principalmente por ratos e ratazanas, conhecida há décadas e com registos de surtos na Ásia e na Europa que remontam a séculos.

Existem pelo menos 38 espécies diferentes de hantavírus identificadas a nível global, das quais 24 têm capacidade de provocar doença em seres humanos.


Ratos
A principal via de transmissão é a inalação de partículas microscópicas presentes na urina, nas fezes ou na saliva de roedores infetados, como ratos e ratazanas.

Não é uma doença que se apanha na rua ao passar ao lado de alguém. É necessário contacto direto com o ambiente contaminado pelos roedores.

Casos de transmissão entre humanos existem, mas são extremamente raros e estão maioritariamente documentados entre cônjuges, em contexto da estirpe sul-americana.

Dois vírus, dois órgãos-alvo
Nem todos os hantavírus são iguais. Dependendo da estirpe e da região geográfica, o vírus pode afetar de formas distintas o organismo humano. Os especialistas dividem-nos em dois grandes grupos.

Os hantavírus do hemisfério ocidental, sobretudo os encontrados na América do Sul e do Norte, tendem a atacar o sistema respiratório, causando a chamada Síndrome Pulmonar por Hantavírus.

Nesta, os pulmões enchem-se de líquido, a respiração torna-se impossível sem suporte médico, e a taxa de mortalidade pode atingir os 40%. É esta a estirpe que estará por detrás do surto no MV Hondius, dado que o navio partiu da Argentina, um país considerado endémico para o hantavírus.

Já as estirpes predominantes na Europa e na Ásia afetam sobretudo os rins, causando Febre Hemorrágica com Síndrome Renal. São geralmente menos letais, embora continuem a ser doenças sérias que exigem hospitalização.

Na Europa, a Finlândia é o país com maior número de casos registados, associados a uma espécie de rato comum nas florestas do norte do continente.

Os sintomas podem enganar
Um dos maiores perigos do hantavírus é precisamente a sua fase inicial, pois não há nenhum sinal de alarme imediato que leve um médico a suspeitar logo de hantavírus, sobretudo em regiões onde o vírus não é endémico.

E uma pandemia?
Perante o alarme mediático, outra questão inevitável surge e procura saber se o hantavírus pode tornar-se a próxima pandemia global.

Segundo os especialistas, o vírus não se transmite facilmente entre pessoas, não sofre mutações rápidas que alterem o seu comportamento e depende de uma exposição muito específica para infetar humanos.

Ainda que grave e letal, o hantavírus não se propaga de forma eficiente em populações humanas. O surto no cruzeiro foi, muito provavelmente, resultado de condições específicas a bordo, como o contacto com roedores ou materiais contaminados durante a viagem pela América do Sul.



Autor: sapo
Fonte: sapo
Sítio Online da Publicação: sapo
Data: 05/05/2024

terça-feira, 28 de abril de 2026

Farmanguinhos celebra 50 anos de produção de medicamentos para o SUS

O Instituto de Tecnologia em Fármacos (Farmanguinhos/Fiocruz) comemora, nesta quinta-feira (23/4), 50 anos de dedicação à pesquisa, desenvolvimento e produção de medicamentos que chegam à população de Norte a Sul do Brasil pelo Sistema Único de Saúde (SUS). A unidade técnico-científica da Fiocruz fornece soluções estratégicas para programas do Ministério da Saúde (MS), voltados para o tratamento de doenças negligenciadas e de alto custo, como HIV/Aids, tuberculose, malária, doença de Chagas, doença de Parkinson, entre outras enfermidades. Somente em 2025, cerca de 809 milhões de unidades farmacêuticas foram fornecidas pelo Instituto.


Ao longo destes 50 anos, Farmanguinhos/Fiocruz fortaleceu a saúde pública nacional e segue em busca de novas soluções (Foto: Farmanguinhos)

"O Instituto da Fiocruz completa meio século de contribuição para a ampliação do acesso da população brasileira aos medicamentos pelo SUS, fortalecendo o Complexo Econômico e Industrial da Saúde [Ceis]", destaca o presidente da Fiocruz, Mario Moreira.

Com mais de 30 medicamentos em seu portfólio, Farmanguinhos/Fiocruz acompanhou as necessidades da saúde pública, inclusive durante epidemia de influenza, com a produção do Oseltamivir, para tratar a gripe H1N1. Diretora do Instituto, Silvia Santos destaca a trajetória da instituição para cuidar da saúde pública brasileira. “Farmanguinhos é muito além de uma fábrica de medicamentos. Fazemos ciência que transforma vidas. Pesquisamos, desenvolvemos, produzimos, inovamos e estivemos juntos da sociedade, em momentos importantes. Ao longo destes 50 anos, fortalecemos a saúde pública nacional e seguimos em busca de novas soluções para mantermos o nosso compromisso com a saúde da população”, afirma.

Farmanguinhos/Fiocruz tem um protagonismo na produção de antirretrovirais, desde o primeiro medicamento, conhecido como AZT, Zidovudina, para pessoas que vivem com HIV. O Instituto fez história também em 2007, quando realizou o licenciamento compulsório do Efavirenz, permitindo que outras indústrias produzissem o medicamento e, com isso, contribuiu diretamente para a redução de custos e para a ampliação do acesso.

O compromisso com a luta pela Aids se manteve e, por meio das Parcerias de Desenvolvimento Produtivo (PDP), Farmanguinhos/Fiocruz internalizou medicamentos inovadores para facilitar a continuidade dos tratamentos e proporcionar mais qualidade de vida à população, com o fornecimento, por exemplo, do Dolutegravir e da dose combinada, dos antirretrovirais Dolutegravir + Lamivudina. Em 2026, são produzidos mais de 10 tipos de antirretrovirais, inclusive para a prevenção do vírus, com a Profilaxia Pré-exposição (PrEp).

O laboratório público oficial também produz os principais medicamentos do SUS para o tratamento de tuberculose e malária. Somente de 2017 a 2025, foram distribuídos 307 milhões unidades farmacêuticas de tuberculostáticos e 37 milhões de antimaláricos.

Atualmente, o Instituto fornece, também, tratamentos de alto custo para pessoas que fizeram transplantes de órgãos, com a produção nacional do Tacrolimo. Com parcerias com indústrias privadas, o medicamento está em processo de internalização também do insumo farmacêutico ativo (IFA), para a produção 100% em solo brasileiro, ampliando a soberania nacional. Existem também parcerias em andamento para a ampliação de outros imunossupressores, como o Everolimo e o Sirolimo, geralmente utilizados em combinação com outros medicamentos da mesma classe.

A qualidade e a excelência dos processos e dos produtos fabricados em Farmanguinhos/Fiocruz pode ser comprovada pelo reconhecimento de 12 medicamentos como referência pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Isso significa que toda indústria farmacêutica que queira produzir tais medicamentos, deve seguir o padrão de eficácia, segurança e qualidade estipulado pela unidade da Fiocruz.

A capacidade fabril e o conhecimento técnico adquirido ao longo dos anos refletiram em certificações importantes para o Instituto, que atualmente possui certificado de Boas Práticas de Fabricação e foi aprovado pela Agência Europeia de Medicamentos para distribuição de medicamento pediátrico para esquistossomose, Arpraziquantel. Este foi desenvolvido pelo Consórcio Praziquantel Pediátrico e está em análise pela Anvisa para registro no Brasil.

O compromisso com a sustentabilidade é um dos valores institucionais e Farmanguinhos/Fiocruz foi a primeira autarquia pública a obter a certificação ambiental, ISO 14001, em 2015. Atualmente, o Instituto trata 100% do efluente industrial e sanitário da instituição e possui programas de reciclagem para resíduos sólidos e orgânicos. O pioneirismo segue também na implementação de processos de compras 100% sustentáveis, a partir de 2024.

Farmanguinhos/Fiocruz trabalha com foco no desenvolvimento sustentável e possui projetos de pesquisa e acordos com parceiros para pesquisar, desenvolver e registrar medicamentos a partir da biodiversidade brasileira. O Instituto respeita os pilares de conservação da diversidade biológica e do uso sustentável da biodiversidade.

Com um complexo industrial de 43 mil m², localizado em Jacarepaguá (Rio de Janeiro), Farmanguinhos/Fiocruz possui infraestrutura para a produção de outras classes terapêuticas e avança com acordos para internalizar tecnologias inovadoras, como injetáveis.

Para reforçar o compromisso com a saúde da população, o Instituto rompeu as barreiras do país e realizou parcerias com instituições internacionais, como universidades e centros de pesquisa portugueses, para desenvolvimento conjunto de medicamentos, fármacos e tecnologia, além da capacitação acadêmica, internacionalização da produção e pesquisas sobre doenças negligenciadas.




Autor: fiocruz
Fonte: fiocruz
Sítio Online da Publicação: fiocruz
Data: 23/04/2024

Fiocruz inaugura Centro de Estudos com palestra sobre os 40 anos da "Carta de Ottawa"

 A Fiocruz acaba de lançar um novo Centro de Estudos integrado. A inauguração celebra os 40 anos da Carta de Ottawa, que trouxe a promoção da saúde para o debate internacional. O evento fez parte da comemoração dos 20 anos do programa de implementação e desenvolvimento do campus da Fundação em Curicica, na Zona Oeste do Rio de Janeiro.

“A inauguração do Centro de Estudos reflete a maturidade acadêmica das discussões e das ações territorializadas desenvolvidas pela Fiocruz Mata Atlântica. A iniciativa nasceu em 2016, com os seminários Fiocruz Mata Atlântica (FMA), que em 2023 ganharam caráter permanente, abordando as temáticas das ações desenvolvidas, culminando agora no Centro de Estudos integrado à Vice-Presidência de Ambiente, Atenção e Promoção da Saúde (VPAAPS). Para comemorar esse marco, a escolha de celebrar os 40 anos da Carta de Ottawa não foi por acaso, pois todas as ações desenvolvidas pela FMA — seja na cooperação social, na saúde urbana ou na saúde ambiental — têm como eixo central a promoção da saúde”, destacou o coordenador-executivo da Fiocruz Mata Atlântica, Ricardo Moratelli.

A abertura contou com a presença do vice-presidente de de Ambiente, Atenção e Promoção da Saúde, Valcler Rangel, da vice-presidente de Educação, Informação e Comunicação, Marly Cruz, e da representante da FMA, Carmen Silveira. Segundo Marly Cruz, “é de grande relevância o Campus Fiocruz Mata Atlântica promover o Centro de Estudos, pois, a partir desses debates, poderão pautar a educação e a pesquisa na Fiocruz sobre temáticas relacionadas às ações no território”. Valcler Rangel afirmou que “a inauguração marca um importante momento de reflexão no âmbito da promoção da saúde nos territórios, que é uma especificidade do campus Fiocruz Mata Atlântica”. Carmen Silveira agradeceu a presença dos vice-presidentes e ressaltou que essa trajetória de debates vem sendo construída a partir da necessidade de aprofundamento das atividades desenvolvidas pelo campus.

A palestra inaugural teve como tema Pontes entre Ottawa e o futuro da promoção da saúde na construção de ambientes e relações saudáveis, ministrada pelas pesquisadoras Maria de Fátima Lobato e Maria Lucia Freitas, ambas da Fiocruz. A mediação da mesa foi realizada por Valber Frutuoso, da Coordenação de Promoção da Saúde da VPAAPS/Fiocruz.

“O lançamento do Centro de Estudos é de extrema importância no contexto das discussões sobre o nosso trabalho. Iniciar as atividades com a promoção da saúde como tema é uma grande honra para nós”, afirmou Frutuoso ao convidar as palestrantes para compor a mesa.

A pesquisadora Maria Lúcia Freitas abriu sua fala propondo a reflexão sobre o desafio da promoção da saúde, frente aos problemas contemporâneos, que exigem novas abordagens. “Há questões complexas que demandam na promoção da saúde uma releitura de conceito dentro de uma nova perspectiva de realidade. O que antes a promoção da saúde, a partir da Carta de Otawa, chamava de criação de ambientes saudáveis, hoje é necessário considerar novas reflexões, frente às crises climáticas e às violências de uma forma geral”, afirmou.

Segundo ela, é preciso pensar a sociedade como um espaço coletivizado que pertença a todos, tendo como base a cidade que queremos. “Essa ideia do conceito de saúde enquanto qualidade de vida traz como desafios da promoção da saúde nesses novos tempos, pensarmos em salvar vidas, em manter as pessoas vivas e em condições de usufruir desse território, que é o próprio corpo. Dessa forma, a noção de território, de pertencimento, está na nova perspectiva da promoção da saúde, que exige que façamos uma reflexão a respeito de onde partimos para construir esse ambiente saudável e sustentável, tanto no campo individual como no coletivo mais ampliado", reforçou.

O evento faz parte da programação da comemoração dos 20 anos do Programa de implementação/Desenvolvimento do Campus da Fiocruz Mata Atlântica. A gravação da transmissão está disponível no YouTube.



Autor: fiocruz
Fonte: fiocruz
Sítio Online da Publicação: fiocruz
Data: 27/04/2024

Chamada pública vai mapear experiências de prevenção combinada ao HIV entre adolescentes e jovens

O Ministério da Saúde abriu uma chamada pública com o objetivo de identificar, valorizar e dar visibilidade a experiências bem-sucedidas de prevenção combinada ao HIV voltadas a adolescentes e jovens em todo o Brasil. A proposta é reunir iniciativas desenvolvidas em diferentes territórios e realidades sociais, considerando aspectos culturais, raciais, de gênero e de acesso a direitos. Todas as experiências classificadas e consideradas aptas irão compor uma publicação técnica temática e passarão a integrar um banco de práticas da Fiocruz.

A chamada é aberta a uma ampla diversidade de atores: serviços do Sistema Único de Saúde (SUS), gestões municipais, estaduais e distrital, organizações da sociedade civil, instituições de ensino, pesquisa e extensão, coletivos, movimentos sociais, projetos intersetoriais e iniciativas comunitárias. Também podem participar comunicadores, educadores populares e criadores de conteúdo que atuem na temática. Um dos destaques da iniciativa é o incentivo à participação de experiências voltadas às juventudes negras e a adolescentes e jovens em contextos de maior vulnerabilidade social.

Linhas temáticas

As experiências inscritas devem se enquadrar em uma das três linhas temáticas previstas: intervenções estruturais, intervenções comportamentais e intervenções biomédicas. Entre os exemplos estão ações de enfrentamento ao estigma e à discriminação, educação sexual, campanhas e estratégias de comunicação digital, formação de jovens multiplicadores, ampliação da testagem para HIV, oferta de profilaxia pré-exposição (PrEP) e pós-exposição (PEP), além da distribuição de preservativos e autotestes.

Podem ser inscritas iniciativas realizadas a partir de janeiro de 2022, inclusive aquelas ainda em andamento, desde que apresentem resultados parciais e evidências de implementação. As propostas devem estar alinhadas às Diretrizes para a Eliminação da Aids e da Transmissão do HIV como Problemas de Saúde Pública no Brasil até 2030, contemplando ações de promoção, prevenção combinada, diagnóstico, vinculação ao cuidado, enfrentamento do estigma e fortalecimento da participação social.

A Plataforma IdeiaSUS Fiocruz reúne atualmente quase 4 mil experiências inovadoras do SUS. Na avaliação, serão considerados critérios como adequação ao público estratégico, inovação, protagonismo juvenil, resultados e impacto, interseccionalidade, sustentabilidade e potencial de replicação. Além disso, os responsáveis pelas cinco propostas com maior pontuação — uma de cada região do país — serão convidados a participar presencialmente de um evento promovido pelo Ministério da Saúde.

As inscrições devem ser realizadas exclusivamente por meio de formulário eletrônico disponível na plataforma oficial do edital, até 24 de maio. É fundamental observar as normas de proteção de dados pessoais, direito de imagem e, quando aplicável, as disposições do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA).




Autor: fiocruz
Fonte: fiocruz
Sítio Online da Publicação: fiocruz
Data: 24/04/2024
Publicação Original: https://fiocruz.br/noticia/2026/04/chamada-publica-vai-mapear-experiencias-de-prevencao-combinada-ao-hiv-entre

segunda-feira, 27 de abril de 2026

Fiocruz lidera projetos de habitação saudável na Colônia Juliano Moreira

A Fiocruz formalizou (8/4) uma parceria com a ONG Soluções Urbanas para a execução de uma nova etapa de ações de habitação saudável no Setor 1 da antiga Colônia Juliano Moreira, na zona Oeste do Rio de Janeiro. A iniciativa contempla os projetos Construindo Juntos: Saúde e Habitação no Setor 1 da Colônia Juliano Moreira e Troca Limpa: Comunidades Livres do Amianto na Colônia Juliano Moreira.

“Esses projetos respondem a demandas históricas do território e reforçam temas que vêm ganhando destaque no debate público, como moradia digna, justiça socioambiental e saúde coletiva”, afirma o coordenador do Escritório Técnico Diálogos Sociotécnicos em Saúde Urbana do Campus Fiocruz Mata Atlântica (CFMA), Marcos Fonseca. Por meio da Fiocruz Mata Atlântica, vinculada à Vice-Presidência de Ambiente, Atenção e Promoção da Saúde (VPAAPS/Fiocruz), foram assinados termos de fomento decorrentes dos editais de Assistência Técnica para Habitação de Interesse Social (ATHIS) do Conselho de Arquitetura e Urbanismo do Rio de Janeiro (CAU/RJ).
 


A cerimônia de assinatura foi realizada na sede do CAU/RJ e reuniu representantes das instituições envolvidas. Participaram o presidente do CAU/RJ, Sydnei Menezes; a arquiteta e urbanista Claudia Pires, companheira do arquiteto e urbanista homenageado nos editais Demetre Anastassakis (in memoriam); a presidente da ONG Soluções Urbanas, Mariana Estevão; e o coordenador do Escritório Técnico Diálogos Sociotécnicos em Saúde Urbana (VPAAPS/Fiocruz), Marcos Fonseca.

A parceria entre a Fiocruz Mata Atlântica e a ONG Soluções Urbanas nesta nova etapa articula trajetórias consolidadas e complementares no campo da assessória técnica e da habitação saudável. Enquanto a Fiocruz acumula mais de 16 anos de atuação contínua no território voltados à promoção da saúde, integrando dimensões urbanas, ambientais e sociais, a Soluções Urbanas aporta uma experiência de mais de duas décadas em assistência técnica para habitação de interesse social, com destaque para o desenvolvimento do projeto Arquiteto de Família e a realização de melhorias habitacionais em contextos de vulnerabilidade, baseadas em metodologias participativas, autoconstrução assistida e formação de moradores e profissionais.

Entre as ações previstas nos projetos está a substituição de coberturas de amianto em moradias do território. O material, amplamente utilizado no passado, é reconhecido por seus riscos à saúde. De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), não há nível seguro de exposição ao amianto, que pode causar doenças graves, incluindo diferentes tipos de câncer.

“Trata-se de uma abordagem integrada, que enfrenta de forma simultânea desafios como a precariedade habitacional, os impactos da moradia sobre a saúde pública e a presença de materiais nocivos, como o amianto, ainda encontrado em diversas comunidades brasileiras”, destaca Fonseca.

Para o presidente do CAU/RJ, Sydnei Menezes, “quando o CAU fomenta parcerias, como essa com a Fiocruz, está cumprindo seu papel político institucional de colaborar efetivamente na busca de soluções para as problemáticas urbanas, ambientais e sociais. São modelos que podem alcançar políticas públicas a serem implementadas pelos governos locais. E sendo exitosa, podendo ser aplicada em todo território nacional através dos municípios respondendo à precariedade das moradias”.

Menezes ainda reforça que as condições sanitárias das moradias, como falta de banheiro, esgotamento sanitário, ventilação, luz solar, entre outras implicam diretamente na saúde da população e precisam de ações para enfrentamento dessa vulnerabilidade social.




Autor: fiocruz
Fonte: fiocruz
Sítio Online da Publicação: fiocruz
Data: 23/04/2024
Publicação Original: https://fiocruz.br/noticia/2026/04/fiocruz-lidera-projetos-de-habitacao-saudavel-na-colonia-juliano-moreira

Farmanguinhos celebra 50 anos de produção de medicamentos para o SUS

O Instituto de Tecnologia em Fármacos (Farmanguinhos/Fiocruz) comemora, nesta quinta-feira (23/4), 50 anos de dedicação à pesquisa, desenvolvimento e produção de medicamentos que chegam à população de Norte a Sul do Brasil pelo Sistema Único de Saúde (SUS). A unidade técnico-científica da Fiocruz fornece soluções estratégicas para programas do Ministério da Saúde (MS), voltados para o tratamento de doenças negligenciadas e de alto custo, como HIV/Aids, tuberculose, malária, doença de Chagas, doença de Parkinson, entre outras enfermidades. Somente em 2025, cerca de 809 milhões de unidades farmacêuticas foram fornecidas pelo Instituto.



Ao longo destes 50 anos, Farmanguinhos/Fiocruz fortaleceu a saúde pública nacional e segue em busca de novas soluções (Foto: Farmanguinhos)

"O Instituto da Fiocruz completa meio século de contribuição para a ampliação do acesso da população brasileira aos medicamentos pelo SUS, fortalecendo o Complexo Econômico e Industrial da Saúde [Ceis]", destaca o presidente da Fiocruz, Mario Moreira.

Com mais de 30 medicamentos em seu portfólio, Farmanguinhos/Fiocruz acompanhou as necessidades da saúde pública, inclusive durante epidemia de influenza, com a produção do Oseltamivir, para tratar a gripe H1N1. Diretora do Instituto, Silvia Santos destaca a trajetória da instituição para cuidar da saúde pública brasileira. “Farmanguinhos é muito além de uma fábrica de medicamentos. Fazemos ciência que transforma vidas. Pesquisamos, desenvolvemos, produzimos, inovamos e estivemos juntos da sociedade, em momentos importantes. Ao longo destes 50 anos, fortalecemos a saúde pública nacional e seguimos em busca de novas soluções para mantermos o nosso compromisso com a saúde da população”, afirma.

Farmanguinhos/Fiocruz tem um protagonismo na produção de antirretrovirais, desde o primeiro medicamento, conhecido como AZT, Zidovudina, para pessoas que vivem com HIV. O Instituto fez história também em 2007, quando realizou o licenciamento compulsório do Efavirenz, permitindo que outras indústrias produzissem o medicamento e, com isso, contribuiu diretamente para a redução de custos e para a ampliação do acesso.

O compromisso com a luta pela Aids se manteve e, por meio das Parcerias de Desenvolvimento Produtivo (PDP), Farmanguinhos/Fiocruz internalizou medicamentos inovadores para facilitar a continuidade dos tratamentos e proporcionar mais qualidade de vida à população, com o fornecimento, por exemplo, do Dolutegravir e da dose combinada, dos antirretrovirais Dolutegravir + Lamivudina. Em 2026, são produzidos mais de 10 tipos de antirretrovirais, inclusive para a prevenção do vírus, com a Profilaxia Pré-exposição (PrEp).

O laboratório público oficial também produz os principais medicamentos do SUS para o tratamento de tuberculose e malária. Somente de 2017 a 2025, foram distribuídos 307 milhões unidades farmacêuticas de tuberculostáticos e 37 milhões de antimaláricos.

Atualmente, o Instituto fornece, também, tratamentos de alto custo para pessoas que fizeram transplantes de órgãos, com a produção nacional do Tacrolimo. Com parcerias com indústrias privadas, o medicamento está em processo de internalização também do insumo farmacêutico ativo (IFA), para a produção 100% em solo brasileiro, ampliando a soberania nacional. Existem também parcerias em andamento para a ampliação de outros imunossupressores, como o Everolimo e o Sirolimo, geralmente utilizados em combinação com outros medicamentos da mesma classe.

A qualidade e a excelência dos processos e dos produtos fabricados em Farmanguinhos/Fiocruz pode ser comprovada pelo reconhecimento de 12 medicamentos como referência pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Isso significa que toda indústria farmacêutica que queira produzir tais medicamentos, deve seguir o padrão de eficácia, segurança e qualidade estipulado pela unidade da Fiocruz.

A capacidade fabril e o conhecimento técnico adquirido ao longo dos anos refletiram em certificações importantes para o Instituto, que atualmente possui certificado de Boas Práticas de Fabricação e foi aprovado pela Agência Europeia de Medicamentos para distribuição de medicamento pediátrico para esquistossomose, Arpraziquantel. Este foi desenvolvido pelo Consórcio Praziquantel Pediátrico e está em análise pela Anvisa para registro no Brasil.

O compromisso com a sustentabilidade é um dos valores institucionais e Farmanguinhos/Fiocruz foi a primeira autarquia pública a obter a certificação ambiental, ISO 14001, em 2015. Atualmente, o Instituto trata 100% do efluente industrial e sanitário da instituição e possui programas de reciclagem para resíduos sólidos e orgânicos. O pioneirismo segue também na implementação de processos de compras 100% sustentáveis, a partir de 2024.

Farmanguinhos/Fiocruz trabalha com foco no desenvolvimento sustentável e possui projetos de pesquisa e acordos com parceiros para pesquisar, desenvolver e registrar medicamentos a partir da biodiversidade brasileira. O Instituto respeita os pilares de conservação da diversidade biológica e do uso sustentável da biodiversidade.

Com um complexo industrial de 43 mil m², localizado em Jacarepaguá (Rio de Janeiro), Farmanguinhos/Fiocruz possui infraestrutura para a produção de outras classes terapêuticas e avança com acordos para internalizar tecnologias inovadoras, como injetáveis.

Para reforçar o compromisso com a saúde da população, o Instituto rompeu as barreiras do país e realizou parcerias com instituições internacionais, como universidades e centros de pesquisa portugueses, para desenvolvimento conjunto de medicamentos, fármacos e tecnologia, além da capacitação acadêmica, internacionalização da produção e pesquisas sobre doenças negligenciadas.




Autor: fiocruz
Fonte: fiocruz
Sítio Online da Publicação: fiocruz
Data: 23/04/2024
Publicação Original: https://fiocruz.br/noticia/2026/04/farmanguinhos-celebra-50-anos-de-producao-de-medicamentos-para-o-sus