sexta-feira, 21 de agosto de 2026

Pesquisadoras da UFF utilizam Inteligência Artificial e exames de neuroimagem para detecção precoce de transtornos mentais



Nas pesquisas realizadas no Labnec/UFF são aplicadas técnicas de IA para tentar localizar, nos exames de neuroimagem, circuitos ou regiões cerebrais com maior vulnerabilidade ao desenvolvimento de transtornos mentais (Imagem: Divulgação)

Pesquisadoras do Laboratório de Neurofisiologia do Comportamento (Labnec), do Instituto Biomédico da Universidade Federal Fluminense (UFF), vêm desenvolvendo projetos que utilizam a Inteligência Artificial (IA) e exames de neuroimagem para identificar sintomas de transtornos mentais, como ansiedade, depressão, ideação suicida e Transtorno de Estresse Pós-Traumático (TEPT). A equipe conta com apoio da FAPERJ por meio de diferentes editais e programas.

O grupo de pesquisa vem estudando, em especial, os reflexos de experiências traumáticas ocorridas durante a infância na saúde mental de adultos, uma vez que traumas sofridos no passado podem deixar marcas no cérebro das pessoas. A metodologia desenvolvida pela equipe do Labnec/UFF poderá, no futuro, contribuir para que profissionais, como psiquiatras e psicólogos, possam contar com novos instrumentos para fazer o diagnóstico precoce e agilizar o tratamento de pacientes com algum tipo de transtorno.

As pesquisadoras tentam identificar marcadores cerebrais que possam sinalizar uma predisposição a transtornos mentais. O grupo aplica técnicas de IA para tentar localizar, nos exames de neuroimagem, circuitos ou regiões cerebrais com uma atividade anormal que estaria relacionada a uma vulnerabilidade ao desenvolvimento desses transtornos mentais.

Voluntários participam de testes no Labnec, onde são submetidos a estímulos para evocar emoções. As reações a esses estímulos são medidas por meio de exames e os resultados são analisados e geram informações para os estudos (Foto: Divulgação)


“Um dos desafios enfrentados por psicólogos e psiquiatras é a ausência de medidas biológicas que os auxiliem no diagnóstico e no tratamento de seus pacientes. Ao contrário de outros especialistas da área da Saúde, esses profissionais não contam com a ajuda de marcadores e de muitos exames complementares para a tomada de decisões”, explica a neurocientista Leticia de Oliveira, pesquisadora apoiada pelo programa Cientista do Nosso Estado (CNE) da FAPERJ e uma das coordenadoras do Labnec. O laboratório é coordenado em conjunto por Leticia e as professoras Isabel David e Mirtes Pereira, neurocientistas da UFF e também contempladas pelo CNE.

Altamente incapacitantes, os transtornos mentais são doenças associadas a alguma disfunção cerebral e acabam gerando alterações no humor, na cognição e, principalmente, no comportamento. Há evidências, segundo a literatura científica, de que as alterações cerebrais ocorrem muito antes do aparecimento dos primeiros sintomas que, muitas vezes, só se manifestam entre os 18 e 25 anos de idade. “O estudo dessas alterações cerebrais antes do surgimento dos sintomas permite que se faça uma intervenção precoce, o que pode retardar o aparecimento da patologia ou até mesmo evitar que ela se manifeste”, explica Leticia, doutora em Neurofisiologia pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e que estuda o uso da IA na detecção precoce de transtornos mentais há cerca de 15 anos.

Estudos para compreender impacto dos transtornos no comportamento

Tradicionalmente, para estudar os transtornos mentais, os pesquisadores coletam respostas do cérebro e de outras partes do corpo, como a frequência cardíaca e a sudorese, para compreender um pouco melhor como esses transtornos mentais impactam na fisiologia e nas respostas cerebrais das pessoas. Isso é feito com a ajuda de voluntários e, em alguns casos, de pacientes oriundos de hospitais públicos que participam de testes no Labnec. O laboratório não atende a população diretamente.

“Essas pessoas são submetidas a uma série de estímulos emocionais usados para evocar emoções. Esses estímulos podem ser figuras ou objetos tangíveis e as reações a eles são medidas por meio de exames. A nossa equipe pega esses sinais, os analisa, e extrai deles as informações importantes para entender as emoções nas pessoas”, explica a pesquisadora Isabel David, doutora em Ciências Biológicas pela UFRJ e professora do Instituto Biomédico da UFF.

Como o algoritmo computacional aprende da mesma forma que o cérebro, por meio de exemplos, as pesquisadoras apresentam imagens de ressonância magnética do cérebro para esse algoritmo. São apresentadas tanto imagens de indivíduos com transtornos mentais como de pessoas sem diagnóstico.

Isabel David (esq.) e Leticia de Oliveira: pesquisadoras vêm desenvolvendo uma série de trabalhos com o uso de IA aplicada à neuroimagem. Estudos interdisciplinares estão relacionados às áreas de Neurociências, Psiquiatria e Nutrição (Fotos: Acervo pessoal)


“Quanto mais imagens forem apresentadas e quanto mais diversas elas forem, mais esse algoritmo vai aprender. Depois, serão apresentadas imagens que o algoritmo não viu e ele será capaz de classificar se aquela imagem é de um paciente com transtorno mental ou se é de um indivíduo sem diagnóstico”, explica a pesquisadora Liana Portugal, que fez doutorado em Neurociências na UFF e atualmente é professora no Instituto de Biologia Roberto Alcântara Gomes (Ibrag) da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj).

Uma das pesquisas realizadas, recentemente, no Labnec, utilizando Inteligência Artificial para estudar transtornos mentais, foi um estudo sobre ideação suicida, que avaliou 4 mil pessoas aproximadamente. “O algoritmo conseguiu discriminar com quase 80% de acerto quais eram as pessoas que apresentavam ideação suicida em relação às que não apresentavam. O importante desse estudo foi que, para essa decisão, aspectos como o otimismo que a pessoa apresentava e o fato de ela ter tido ou não maus tratos na infância foram fatores importantes para que o algoritmo conseguisse discriminar esses dois grupos”, explicou Leticia. O estudo foi publicado na revista The Lancet Health Americas, em julho de 2026.

Outro distúrbio mental estudado pelo grupo é o Transtorno de Estresse Pós-Traumático, que, como o nome já diz, é aquele que se desenvolve após a vivência de um evento traumático. “Quando falamos em evento traumático não estamos nos referindo a qualquer evento adverso ou ruim que tenha acontecido. Ele precisa ser um evento que represente um risco real de morte, uma lesão grave ou uma violência sexual. Para dizer que uma pessoa tem o transtorno, ela precisa ter uma série de sintomas. É como se a pessoa estivesse revivendo aquele trauma. Porém, nem todas as pessoas que vivenciam esses eventos desenvolvem esse transtorno. Aqui no laboratório, temos tentado compreender melhor quais são os fatores que aumentam o risco de a pessoa desenvolver o Transtorno de Estresse Pós-Traumático”, explica a professora Mirtes Pereira, coordenadora do Programa de Pós-graduação em Ciências Biomédicas da UFF.

Violência psicológica pode ser tão danosa quanto a violência física e a sexual

Entre os fatores, as pesquisadoras têm se debruçado no estudo do impacto da vivência de maus tratos durante a infância. Os maus tratos podem ser de abuso, quando alguma pessoa tem alguma ação que não deveria ter tido em relação a uma criança; ou de negligência, quando ela deixa de prover os cuidados que são necessários. “A grande relevância desse estudo é jogar luz sobre a importância da violência psicológica como causadora de danos à saúde mental. O que o trabalho traz de novidade é mostrar que a violência psicológica pode ser tão danosa quanto a violência física e sexual. Esse estudo foi relacionado aos eventos traumáticos vivenciados na infância e, portanto, envolve principalmente as relações com os cuidadores. Atualmente, estamos investigando os impactos da violência psicológica na vida adulta e envolve outros ambientes além do doméstico, tais como o escolar e o de trabalho. Imaginamos que vamos encontrar resultados bastante similares”, adiantou Mirtes, doutora em Neurociências e Comportamento pela UFRJ.

Mirtes Pereira (esq.) e Liana Portugal: pesquisadoras têm realizado estudos que investigam os reflexos, na saúde mental de adultos, dos maus-tratos sofridos na infância. Traumas na infância estão relacionados a casos de depressão, ansiedade e outros transtornos (Fotos: Acervo pessoal)


Atualmente, as pesquisadoras estão desenvolvendo um projeto que investiga os efeitos dos maus-tratos na infância na psicometria, no desempenho comportamental e reatividade cerebral em diferentes contextos emocionais. Trata-se de um estudo interdisciplinar que integra avaliações comportamentais e de neuroimagem funcional em adultos da comunidade acadêmica durante a visualização de imagens de violência apresentadas em contextos com e sem pistas de segurança.

“Os resultados preliminares mostraram que participantes com histórico de maus-tratos na infância apresentaram pior saúde mental quando comparados àqueles sem esse histórico. Esse grupo exibiu níveis mais elevados de sintomas de depressão, ansiedade e outros indicadores de sofrimento psicológico, além de menores níveis de apoio social percebido e otimismo. Também foi observada uma frequência significativamente maior de ideação suicida entre os participantes que relataram experiências de maus-tratos na infância, reforçando o impacto duradouro dessas vivências sobre a saúde mental na vida adulta”, explicou Liana Portugal.

Os estudos realizados pela equipe do Labnec contam com apoio da FAPERJ, por meio de editais e programas como Cientista do Nosso Estado (CNE); Jovem Cientista do Nosso Estado (JCNE); Programa Pensa Rio – Apoio ao Estudo de Temas Relevantes e Estratégicos para o Estado do Rio de Janeiro; Programa de Apoio às Cientistas Mães com Vínculo em ICTs do Estado do Rio de Janeiro; e o edital Treinamento e Capacitação Técnica (TCT), entre outros.

As pesquisas envolvem colaborações com uma equipe multidisciplinar que reúne psiquiatras, engenheiros, profissionais de Computação, neurocientistas e psicólogos. “O Labnec está alinhado com a universidade e desenvolve ensino, pesquisa e extensão. Temos alunos de mestrado e doutorado que participam desses experimentos, que fazem parte dos programas de pós-graduação vinculados ao nosso laboratório”, explica a professora Isabel David.

A expectativa das pesquisadoras é que a metodologia desenvolvida no Labnec/UFF possa contribuir para que psiquiatras e psicólogos tenham, daqui a alguns anos, novas ferramentas para fazer o diagnóstico precoce das pessoas com distúrbios mentais. Isso será uma importante contribuição no tratamento desses pacientes.

As atividades do Labnec/UFF já foram tema de vídeo no canal de divulgação científica da FAPERJ no YouTube. Assista aqui.




Autor: faperj
Fonte: faperj
Sítio Online da Publicação: faperj
Data: 20/08/2026
Publicação Original: https://www.faperj.br/?id=1091.7.3

Pesquisador venezuelano refugiado visita a FAPERJ para agradecer apoio


Summar foi recebido na FAPERJ por Beatriz Ramadas, da Assessoria de Cooperação Internacional (Fotos: Divulgação)


Um fato inusitado ocorreu mês passado na FAPERJ. Um pesquisador venezuelano enviou uma mensagem solicitando uma visita à Fundação. Seu objetivo: agradecer pessoalmente por ter sido contemplado no Programa Luiz Pinguelli Rosa de Apoio à Mobilidade e Instalação de Pesquisadores Originários de Regiões em Conflito ou Refugiados em ICTs do Estado do Rio de Janeiro. Divulgado em fevereiro de 2026, o edital contemplou 10 pesquisadores de outros países, entre eles o doutor em Gestão e Inovação Organizacional na Área Esportiva Summar Alfredo Gómez Barrios, que é ex-atleta da Seleção Nacional de Voleibol da Venezuela. Ele elogiou o processo seletivo da FAPERJ, em sua opinião, eficaz, limpo, transparente e um exemplo de eficiência.

“Minha visita é uma retribuição ao apoio da FAPERJ, um agradecimento que quis fazer pessoalmente, porque sou um refugiado migrante e o Rio de Janeiro me recebeu de braços abertos como o Cristo Redentor”, disse Summar.

Orientado pelo professor anfitrião Carlos Alberto Figueiredo da Silva, da Universidade Salgado de Oliveira (Universo), em São Gonçalo, Summar, que se graduou em Educação Física, teve aprovado o projeto “Cultura Gerencial e Inovação nas Organizações do Esporte de Alto Rendimento no Estado do Rio de Janeiro: Abordagem de Hélice Quíntupla”.

Em sua carta, endereçada à Assessoria de Relações Internacionais da FAPERJ, Summar solicitava visitar a sede da Fundação para agradecer pessoalmente o benefício do programa. Para sua surpresa, recebeu uma resposta positiva e foi recebido pela equipe da Assessoria de Cooperação Internacional. “Fiquei muito satisfeito com esse processo efetivo e eficaz da FAPERJ em relação à minha condição de bolsista. Estou surpreso como uma organização pública, geralmente emperrada com burocracias, pode ser eficaz e aberta ao contato direto com os pesquisadores”, disse Summar.

Ele relata que, após ser forçado a deixar seu país, o programa representou uma "luz no horizonte" e um ato de restituição de sua dignidade humana e científica, viabilizando sua integração e inserção acadêmica no estado do Rio de Janeiro. Para Summar, mais importante do que ele ter solicitado ser recebido pela FAPERJ, foi a Fundação ter aceitado sua visita. “Isso é inovação organizacional”, afirma.

“Na Venezuela temos passado por momentos muito difíceis após a intervenção dos Estados Unidos, em janeiro de 2026, e a catástrofe decorrente dos terremotos de magnitudes 7,5 e 7,2 em junho passado, que vitimaram mais de 5 mil pessoas e deixaram quase 17 mil feridos”, lembrou o pesquisador. Segundo ele, sua família precisou sair de Caracas após a sua residência ter sido afetada pelos terremotos.

Carlos Alberto Figueiredo e Summar Gómez: orientador e orientado em sessão de autógrafo do livro "Relações étnico-raciais, transidentidades e educação física: diferenças dentro das diferenças", apoiado pela FAPERJ, durante a 78ª Reunião Anual da SBPC


"Chegar ao Rio de Janeiro com a bagagem carregada de vocação científica e encontrar o respaldo institucional da FAPERJ foi uma experiência que mudou minha vida. Este programa não representa apenas um apoio profissional de vital importância, mas a oportunidade de colocar meus conhecimentos a serviço do desenvolvimento tecnológico, social e esportivo do estado que me acolheu com tanta generosidade", afirma Summar Gómez.

Carlos Alberto Figueiredo da Silva, seu orientador, conta que conheceu Summar através de um grupo idealizado e criado em 2010, durante seu pós-doutorado na Universidade do Porto, o Gestão Desportiva Internacional (GDInter), que, no formato de site, passou a agregar pesquisadores de diversos países, incluindo Summar, na promoção de troca de experiências, eventos e intercâmbios, e até a criação da Revista Intercontinental de Gestão Desportiva (RIGD), em 2011. “Quando a FAPERJ lançou o edital para refugiados, vi uma chance para que Summar viesse para o Brasil, pois sua situação na Venezuela não era nem um pouco confortável”, lembra o professor. Segundo Carlos Alberto Figueiredo, Summar já conseguiu se estabelecer em uma residência próxima à Universo, publicou dois artigos, está orientando um aluno, organizando um livro e à frente de dois eventos que devem ocorrer em novembro.

O projeto apresentado pelo pesquisador venezuelano ao edital da FAPERJ redefine o legado pós-olímpico ao considerar a importância geopolítica do estado do Rio de Janeiro para sediar megaeventos esportivos e visa superar modelos administrativos tradicionais e fragmentados mediante a governança sistêmica da quíntupla hélice. “Trata-se de uma metamorfose paradigmática, estrutural e cultural que substitui a inércia patrimonialista por um ecossistema de inovação aberta, impulsionado pela teoria Sintonia Analítica Gerencial (SAG), que propomos para integrar a inteligência de dados, a ética deontológica e a sustentabilidade humana na governança do esporte de alto rendimento fluminense”, esclarece o pesquisador.

Proveniente da Universidade de Zulia, Summar propõe em seu projeto analisar a cultura gerencial nas organizações de esporte de alto rendimento no estado do Rio de Janeiro, com o objetivo de identificar tensões culturais e propor modelos de adaptação organizacional que otimizem a gestão esportiva regional. O modelo utilizado é o da “Quíntupla Hélice”, que integra cinco dimensões (governo, universidades, empresas, sociedade civil e meio ambiente), inspirado no legado ético e intelectual do físico Luiz Pinguelli Rosa, falecido em 2022, buscando unir teoria, técnica e ciência a serviço da humanidade e do desenvolvimento social.

A investigação parte do reconhecimento de que os sistemas do esporte brasileiro enfrentam um processo de transição estrutural — desde modelos tradicionais, baseados em lógicas associativas e personalistas, até modelos corporativos, profissionalizados e regulados —, mas onde a dimensão cultural continua sendo o eixo menos explorado e, ao mesmo tempo, mais determinante na consolidação de uma gestão moderna, ética e competitiva.

O diagrama ilustra a proposta teórica da Sintonia Analítica Gerencial (SAG-B), modelo que está sendo desenvolvido em paralelo à pesquisa e tem o potencial de impactar organizações esportivas no Rio de Janeiro e em todo o Brasil.


“Nosso modelo busca identificar como essas cinco hélices devem se desenvolver em sintonia”, alega Summar, que junto com seu orientador já identificou uma série de elementos que, para funcionarem corretamente, devem valer-se da Teoria da Sintonia Analítica Gerencial. Interesse, vontade, sintonia e integração devem ser estimulados para que as cinco hélices funcionem em harmonia e haja reciprocidade entre as organizações. O pesquisador destaca a importância das pessoas nos processos, como por exemplo, para reduzir a burocracia que, para ele, é decorrente de processos humanos que podem ser lentos ou rápidos.

“Se antes trabalhávamos com a tríplice hélice (governo, universidades, empresas), agora consideramos a quíntupla hélice, agregando o meio ambiente e a sociedade civil organizada”, explica Carlos Alberto Figueiredo, para quem a gestão no esporte precisa, necessariamente, partir de uma visão mais humanista, considerando aspectos culturais e sociais. Como exemplo positivo, ele cita a liga do basquete NBA, que faculta ao time com pior resultado no ranking escolher o melhor jogador universitário para compor seu time. “É uma questão de manter o equilíbrio entre as equipes, que precisam continuar exercendo encanto e não fascínio entre os torcedores”, ressalta.

Por meio do Diagnóstico Crítico Institucional, o projeto visa desconstruir barreiras organizacionais e fatores de opacidade na infraestrutura esportiva fluminense. Na fase de operacionalização, busca estruturar a Sintonia Analítica Gerencial (SAG) unindo decisões baseadas em evidências ao fator humano. Como fechamento Ético e Tecnológico, busca fundamentar o uso da Analítica Avançada sob a Deontologia Kantiana e os preceitos da Indústria 5.0, assegurando que a tecnologia seja um meio para a dignidade e o bem-estar absoluto do atleta.

A metodologia mista e interdisciplinar é executada em três fases complementares, iniciando com a Triagem Bibliométrica, ou seja, a seleção e organização de metadados científicos obtidos com o uso do protocolo PRISMA 2020 nas bases Scopus e Web of Science. Na fase 2 – Desconstrução Documental e Auditoria –, será feita a análise qualitativa de relatórios governamentais, incluindo acórdãos do TCU e diagnósticos do Instituto de Pesquisa Inteligência Esportiva (IPIE). Já a última fase é composta da Modelagem Estruturada e Campo, a partir do desenho matricial analítico da SAG e intervenções qualitativas em municípios estratégicos do Rio de Janeiro.

Summar Gómez: para o pesquisador, os sistemas do esporte brasileiro enfrentam um processo de transição estrutural


“Vemos que o esporte no Rio de Janeiro sofre com a falta de integração com a indústria, patrocinadores (marca da empresa privada) para impulsionar projetos sociais nas áreas urbanas e rurais”, destaca Summar. Para ele, o problema é cultural, de entender que pessoas são o fator chave para o êxito do esporte no Brasil, da eficiência das organizações, do aproveitamento dos recursos financeiros provenientes do Estado. “Nós, as pessoas, somos o fator chave. Para isso, há que se construir uma teoria, o pensamento imperativo do dever ser, modelo baseado no pensamento filosófico de Kant (Immanuel Kant), que considera que a ação humana deve ser guiada pelo dever e por princípios universais, independentemente de interesses pessoais”, explica. “É tratar os demais como você gostaria de ser tratado”, afirma o bolsista, para quem uma forma de retribuir o investimento feito pelo estado é gerando soluções.

Entre os impactos esperados, no campo científico e intelectual, o projeto visa produzir literatura de ponta e fortalecer as redes de pesquisa entre Brasil e Venezuela. No aspecto tecnológico e econômico, busca otimizar o gasto público e captação de patrocínios privados por meio de ferramentas de governança, destacando-se a criação de um aplicativo (software/APP) para operacionalizar os algoritmos da SAG, monitorar indicadores em tempo real e consolidar a transferência prática de inovação para a gestão pública e privada do esporte fluminense. E, no âmbito social e ambiental, garantir transparência, inclusão social e sustentabilidade ecológica nas instalações esportivas do estado.



Autor: faperj
Fonte: faperj
Sítio Online da Publicação: faperj
Data: 20/08/2026
Publicação Original: https://www.faperj.br/?id=1090.7.8

Bio Beach Open une ciência, esporte e inclusão na Praia do Flamengo, com crianças da Maré


Envolvendo crianças da Maré, Bio Beach Open pretende popularizar a prática do beach tennis, ampliando o acesso à modalidade e abrindo novos caminhos para a pesquisa científica sobre esse esporte (Foto: Divulgação)


O beach tennis, modalidade que vem ganhando espaço entre atletas e praticantes de diferentes idades, será apresentado sob uma nova perspectiva no Bio Beach Open. O evento acontece nos dias 22 e 23 de agosto, sábado e domingo, na Praia do Flamengo. Com fomento da FAPERJ, por meio do Programa de Apoio à Organização de Eventos Científicos, Tecnológicos e de Inovação no Estado do Rio de Janeiro, o evento pretende aproximar ciência, esporte de alto rendimento e inclusão social, mostrando como a prática esportiva pode contribuir tanto para a performance quanto para a qualidade de vida e a prevenção de doenças.

A proposta do evento é reunir pessoas de diferentes faixas etárias e níveis de experiência, de crianças a idosos, em torno do beach tennis, ampliando o acesso à modalidade e, ao mesmo tempo, criando oportunidades para a produção de conhecimento científico. A iniciativa é promovida pelo Instituto Ingrid Tarditi de Saúde Integrativa, instituto de pesquisa que atua nas áreas de Nutrição, Educação Física e Medicina, com foco em prevenção e longevidade.

“O principal objetivo é mostrar para a sociedade que é possível unir mundos que muitas vezes parecem separados: a comunidade, a ciência e o esporte de alto rendimento. O beach tennis é uma modalidade que ainda possui pouca produção científica no mundo, e queremos justamente abrir novos caminhos de pesquisa, ao mesmo tempo em que mostramos que o esporte pode transformar a vida de uma criança, melhorar a qualidade de vida de um adulto e contribuir para um envelhecimento mais saudável”, afirma Ingrid Tarditi, CEO do Bio Beach Open.

Crianças da Maré terão experiência com o esporte

Entre as ações sociais do evento está a participação de 32 crianças da Maré que já frequentam atividades esportivas na Vila Olímpica da região, incluindo o beach tennis. Elas terão acesso a uma experiência no ambiente da competição e participarão de atividades em uma quadra anexa.

A programação também contará com uma ação do Conselho Regional de Nutrição, que promoverá uma experiência sensorial para as crianças, aproximando temas relacionados à alimentação, esporte e saúde.

A proposta é mostrar aos participantes mais jovens que o esporte pode representar não apenas uma atividade física, mas também uma possibilidade de desenvolvimento, socialização e descoberta de novos caminhos.

Competição oficial

Um dos destaques da programação será a competição de beach tennis, que deverá reunir cerca de 200 atletas, entre praticantes amadores e atletas de alto rendimento. A disputa terá chancela da Federação Carioca de Beach Tennis e da Confederação Brasileira de Beach Tennis.

Os atletas interessados em competir poderão se inscrever mediante o pagamento de uma taxa de R$ 50. Os resultados obtidos na competição poderão gerar pontuação para os rankings estadual e brasileiro, de acordo com as regras das respectivas entidades esportivas.

A competição será destinada a atletas a partir de 12 anos, incluindo categorias para participantes com 65 anos ou mais.

Beach tennis para quem nunca jogou

O Bio Beach Open também terá uma programação gratuita voltada ao público que ainda não pratica a modalidade. Das 8h às 18h, professores estarão em quadras destinadas à iniciação esportiva, oferecendo aulas para quem quiser conhecer o beach tennis.

Durante o evento, praticantes de beach tennis serão selecionados para participar de avaliações físicas e de um trabalho científico desenvolvido pelo Instituto Ingrid Tarditi de Saúde Integrativa. Objetivo é ampliar a produção de artigos científicos sobre a modalidade esportiva (Foto: Divulgação)


A proposta é ensinar fundamentos, técnicas e a dinâmica do jogo, permitindo que pessoas que nunca tiveram contato com uma raquete possam experimentar o esporte. Quem se interessar em continuar poderá buscar encaminhamento para o +Esporte & Saúde, que oferece a possibilidade de continuidade gratuita da prática esportiva.

A iniciativa contempla pessoas de 6 a 65 anos ou mais, com o objetivo de mostrar que o esporte pode ter impactos diferentes ao longo da vida: para crianças e adolescentes, pode ampliar perspectivas e oportunidades; para adultos e idosos, pode contribuir para qualidade de vida, manutenção da funcionalidade e prevenção de doenças.

Ciência aplicada ao esporte

A pesquisa é outro eixo central do Bio Beach Open. A partir do evento, alguns praticantes de beach tennis serão selecionados para participar de avaliações e de um trabalho científico desenvolvido pelo Instituto Ingrid Tarditi de Saúde Integrativa.

Entre as avaliações previstas estão testes de força e potência, análises bioquímicas e avaliação de painel nutrigenético com mais de 300 marcadores. A iniciativa pretende gerar informações que possam contribuir para o avanço da produção científica relacionada ao beach tennis, modalidade que ainda conta com uma quantidade limitada de publicações científicas.

O instituto também utiliza avaliações bioquímicas realizadas a partir de uma pequena amostra de sangue, com análise de mais de 30 marcadores e resultado em aproximadamente 15 minutos. Os participantes selecionados poderão ainda ter acompanhamento periódico, conforme o protocolo do projeto, com orientações individualizadas e, quando necessário, encaminhamento para profissionais das áreas de Nutrição, Medicina do Esporte, Educação Física e Fisioterapia.

“O nosso objetivo é utilizar as ferramentas mais modernas de avaliação para entender melhor cada indivíduo e trabalhar com prevenção, performance e qualidade de vida. A ideia é que a pessoa não apenas viva mais, mas tenha uma longevidade com função, mantendo suas capacidades e sua autonomia”, explica Ingrid Tarditi.

Formação para profissionais

O evento também terá um workshop gratuito para cerca de 100 nutricionistas e profissionais de educação física. A programação contará com palestras de especialistas sobre temas relacionados ao esporte, com foco no beach tennis, incluindo nutrição, suplementação e alimentação para modalidades esportivas praticadas ao ar livre.

Com isso, o Bio Beach Open amplia sua atuação para além da competição, criando um espaço de atualização profissional e troca de conhecimento entre diferentes áreas.

Esporte como ferramenta de transformação

Ao integrar competição, iniciação esportiva, formação profissional, pesquisa e ações sociais, o Bio Beach Open busca demonstrar que o esporte pode ser uma ferramenta de transformação em diferentes etapas da vida.

Para a FAPERJ, o fomento à iniciativa contribui para aproximar a produção científica da sociedade e estimular novas possibilidades de pesquisa aplicada ao esporte, enquanto o evento cria oportunidades de acesso a uma modalidade que ainda não está disponível de forma ampla para todos os públicos.

A proposta é que o Bio Beach Open não termine com o encerramento das competições: os participantes selecionados poderão dar continuidade às avaliações e pesquisas, enquanto aqueles que descobrirem o beach tennis durante as atividades gratuitas terão a possibilidade de continuar praticando a modalidade por meio das iniciativas esportivas disponíveis.




Autor: faperj
Fonte: faperj
Sítio Online da Publicação: faperj
Data: 20/08/2026
Publicação Original: https://www.faperj.br/?id=1092.7.9

quinta-feira, 20 de agosto de 2026

Vírus intestinais desenvolvem novas armas contra superbactérias




Problema: as bactérias conseguem desenvolver defesas contra os fagos, tal como desenvolvem resistência aos antibióticos.

Os novos resultados sugerem que os próprios fagos dispõem de uma contra‑medida evolutiva.

Alguns dos vírus que vivem no intestino humano conseguem gerar rapidamente variações genéticas entre a descendência, aumentando a probabilidade de que pelo menos alguns sobrevivam quando as bactérias contra‑atacam, indica o estudo (fonte em inglês), publicado na quinta‑feira na revista Nature Microbiology.


A descoberta pode abrir uma nova via na procura de alternativas aos antibióticos, numa altura em que as infeções resistentes aos medicamentos se tornam cada vez mais difíceis de tratar.

Investigadores da Michigan State University identificaram regiões até agora pouco valorizadas nos genomas de bacteriófagos que funcionam como “pontos quentes” genéticos, permitindo aos vírus alterar repetidamente genes essenciais à medida que se replicam.

Isso sugere que estas regiões ajudam os fagos a diversificar as apostas evolutivas face às defesas bacterianas. Em vez de produzirem uma população de vírus geneticamente idênticos, geram uma coleção diversa de descendentes com características diferentes, aumentando a probabilidade de que alguns consigam continuar a infetar e matar os hospedeiros bacterianos.

“Isto altera a nossa compreensão sobre a forma como os fagos evoluem”, disse (fonte em inglês)o coautor Chris Waters, docente no programa de Ecologia, Evolução e Comportamento da Michigan State University. “Em vez de sequestrarem os hospedeiros para produzirem em massa cópias exatas de si próprios, estão na realidade a usar estes pontos quentes de mutação para criar um autêntico ‘zoo’”, acrescentou, sublinhando que os fagos “estão, no essencial, a diversificar as apostas”.
Vírus que atacam e matam seletivamente bactérias, também conhecidos como bacteriófagos, ou simplesmente fagos, infetam bactérias mas deixam as células humanas intactas. Canva
Uma via genética de fuga

Os investigadores estudaram o bacteriófago T2, que infeta E. coli, depois de analisarem um sistema de defesa bacteriano capaz de reconhecer e destruir ADN de fagos invasores.


A equipa transferiu o sistema de defesa para E. coli em laboratório e expôs as bactérias aos fagos.

A proteção não durou muito.

Em poucas horas, os fagos começaram a ultrapassar as defesas bacterianas.

“Ao fim de poucas horas, os fagos começavam sempre a ganhar”, contou Waters. “Não conseguíamos perceber porquê”, acrescentou.

Quando os investigadores sequenciaram os vírus resistentes, encontraram mutações repetidas num gene chamado agt, sobretudo numa faixa de ADN repetitivo. “Quando vi os dados, pensei: ‘meu Deus’”, relatou Waters.

Essa sequência revelou‑se aquilo a que os cientistas chamam um locus de contingência, uma região altamente mutável onde a maquinaria que copia o ADN pode deslizar ao replicar sequências repetidas.

O resultado é uma mutação reversível que altera o enquadramento da leitura e pode mudar a forma como as instruções do gene são interpretadas.

Alguns fagos ganham uma repetição extra, outros perdem uma. O resultado é uma população com diferentes versões do vírus, potencialmente com distintas capacidades de escapar às defesas bacterianas.

Os investigadores verificaram que estas regiões repetitivas acumulavam mutações milhares de vezes mais depressa do que o restante genoma do fago.

E o mecanismo não se limita a um único vírus.

Recorrendo a evolução experimental e sequenciação de genomas, a equipa identificou loci de contingência semelhantes no fago T4 de E. coli. Constatou ainda que repetições simples de sequência estavam amplamente distribuídas por diferentes fagos de E. coli, embora a sua abundância variasse entre genes com funções distintas.


Terapia com fagos pode ajudar a tratar superbactérias

A investigação surge numa altura em que cientistas e responsáveis políticos procuram alternativas aos antibióticos.

A terapêutica com fagos não é nova. Os fagos começaram a ser usados de forma terapêutica já na década de 1920 para tratar infeções bacterianas, mas o interesse na abordagem diminuiu quando antibióticos como a penicilina se tornaram amplamente disponíveis.

Hoje, o aumento da resistência aos antimicrobianos voltou a despertar interesse.

O apelo deve‑se em parte à especificidade. Enquanto muitos antibióticos podem matar bactérias benéficas juntamente com os agentes patogénicos que pretendem eliminar, fagos individuais podem ser altamente seletivos para determinadas espécies ou estirpes bacterianas.

Mas essa mesma especificidade também é uma fragilidade: as bactérias podem desenvolver resistência a um fago, tornando potencialmente ineficaz um tratamento.

Os resultados obtidos na Michigan State University abrem a possibilidade de, no futuro, os cientistas poderem tirar partido das próprias estratégias evolutivas dos vírus para tornar os tratamentos com fagos mais robustos.

“Se conseguirmos aproveitar este tipo de truques evolutivos, poderemos desenvolver terapias com fagos mais eficazes em resposta à crise da resistência aos antibióticos”, defendeu Waters.

“Nunca vamos conseguir eliminar totalmente a resistência”, acrescentou. “Mas, se compreendermos melhor como é que as bactérias se protegem da infeção por fagos e como é que os fagos contra‑atacam, poderemos reduzi‑la ao mínimo.”



Autor: pt.euronews
Fonte: pt.euronews
Sítio Online da Publicação: pt.euronews
Data: 20/08/2026
Publicação Original: https://pt.euronews.com/saude/2026/08/15/virus-intestinais-desenvolvem-novas-armas-contra-superbacterias

Tremor de doente com Parkinson desaparece minutos após tratamento com ultrassons focados


Foto DR/UT Southwestern Medical Center


Um homem de 72 anos com doença de Parkinson viu desaparecer, em poucos minutos, o tremor que durante anos condicionou a sua vida, depois de ser submetido a um tratamento por ultrassons focados no UT Southwestern Medical Center, no Texas, Estados Unidos.

O caso de Bud Leavell, veterano da Força Aérea norte-americana e residente em Arlington, foi divulgado pela Fox News e confirmado por informação do próprio centro médico. Leavell sofria de um tremor intenso na mão direita desde que foi diagnosticado com Parkinson, em 2017, que lhe dificultava tarefas quotidianas e até o seu passatempo de reparar rádios antigos.

A técnica utilizada é a ultrassonografia focada de alta intensidade guiada por ressonância magnética (MRgHIFU). O procedimento permite concentrar ondas de ultrassom numa zona específica e profunda do cérebro, aquecendo e destruindo de forma controlada determinados tecidos envolvidos na transmissão dos sinais nervosos anormais. Não é necessária uma incisão nem a abertura do crânio.

No caso de Leavell, os médicos começaram por utilizar ultrassons de menor intensidade para testar a resposta do cérebro e confirmar o alvo adequado. Segundo o neurologista e neurorradiologista Bhavya Shah, do UT Southwestern, a resposta foi suficientemente forte para dar confiança à equipa quanto à zona a tratar.

O tratamento definitivo foi realizado a 13 de Abril. Imediatamente depois, o doente afirmou que conseguia manter a mão imóvel, utilizar utensílios e voltar a executar tarefas que anteriormente eram dificultadas pelo tremor. No acompanhamento posterior, o efeito mantinha-se. Quando lhe perguntaram pelo tremor, respondeu: "What tremor?" ("Que tremor?").



Tratamento já aprovado nos Estados Unidos

Apesar de o caso ter sido apresentado como uma novidade, a tecnologia não é experimental no sentido estrito. A Food and Drug Administration (FDA) já aprovou o uso de ultrassons focados guiados por ressonância magnética para determinados doentes com tremor essencial e doença de Parkinson. A aprovação mais recente do sistema Exablate, em Julho de 2025, alargou a indicação a uma técnica de lesão do tracto pálido-talâmico em doentes com Parkinson idiopático avançado e complicações motoras que não respondem adequadamente à medicação.

A FDA já tinha aprovado, em 2018, a utilização do sistema para a talamotomia unilateral em doentes com Parkinson dominante de tremor e tremor resistente à medicação.

A UT Southwestern explica que o procedimento é realizado em regime ambulatório e constitui uma alternativa sem incisão à estimulação cerebral profunda, conhecida como DBS, que implica a implantação de eléctrodos no cérebro. O centro médico foi o primeiro do Texas a disponibilizar a técnica.


Não é uma cura para a doença

Os especialistas sublinham, contudo, que o tratamento não cura a doença de Parkinson. O objectivo é controlar determinados sintomas motores, podendo ser escolhido um alvo cerebral diferente consoante o quadro de cada doente.

A técnica também não está isenta de riscos. Segundo Bhavya Shah, podem ocorrer efeitos secundários como dormência ou formigueiro na boca e nas pontas dos dedos, dificuldades de marcha, fala ou deglutição, fraqueza dos membros e problemas de equilíbrio. O médico estima que efeitos secundários ocorram em cerca de 20% a 30% dos casos e tendam a melhorar com o tempo.

Outra diferença face à estimulação cerebral profunda é que o ultrassom produz uma alteração permanente no tecido tratado. Enquanto um dispositivo de DBS pode ser reprogramado se os sintomas se alterarem, a lesão provocada pelo ultrassom não pode ser simplesmente "desligada".

A investigação sobre a utilização dos ultrassons no Parkinson continua, incluindo abordagens que procuram actuar sobre diferentes estruturas cerebrais. Um estudo publicado em 2026 na Nature Communications demonstrou que a estimulação transcraniana por ultrassons pode interferir com oscilações cerebrais associadas à doença, embora esta abordagem permaneça numa fase de investigação.

Outro estudo publicado este ano concluiu que a estimulação por ultrassons de determinadas regiões, nomeadamente a zona incerta, reduziu tremores posturais e de repouso em participantes com Parkinson, reforçando o interesse científico na técnica.

No caso de Bud Leavell, o resultado foi imediato e manteve-se no acompanhamento posterior. O próprio médico responsável pelo tratamento, contudo, considera que a técnica não deve ser vista como uma solução universal, mas como mais uma opção para determinados doentes que procuram uma alternativa à cirurgia com implantes.




Autor: dnoticias
Fonte: dnoticias
Sítio Online da Publicação: dnoticias
Data: 20/08/2026
Publicação Original: https://www.dnoticias.pt/2026/8/20/502910-tremor-de-doente-com-parkinson-desaparece-minutos-apos-tratamento-com-ultrassons-focados/

Plataforma LeapSpace de IA está disponível pela Capes

A Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES) informa a disponibilização da ferramenta LeapSpace, desenvolvida pela Elsevier, como parte do conjunto de soluções voltadas ao apoio à pesquisa científica. A plataforma utiliza recursos de inteligência artificial para auxiliar pesquisadores na busca, análise e organização de informações acadêmicas.

O LeapSpace é estruturado sobre uma base de conteúdos científicos revisados por pares, permitindo o acesso a um amplo conjunto de artigos, livros e dados de pesquisa. A solução integra informações provenientes de diferentes editoras e bases referenciais, contribuindo para a identificação de evidências e o aprofundamento de estudos em diversas áreas do conhecimento.

A ferramenta permite acompanhar a origem das informações apresentadas, com indicação das fontes utilizadas e dos processos adotados na geração das respostas. Esse recurso favorece a transparência e possibilita a verificação das evidências, aspecto relevante para a produção científica.

Desenvolvido com a participação da comunidade científica, o LeapSpace – https://www.sciencedirect.com/leapspace – combina tecnologias de inteligência artificial com dados estruturados e conteúdos validados, com o objetivo de apoiar o desenvolvimento de pesquisas e otimizar o tempo dedicado à análise de informações.

A solução adota ainda diretrizes de segurança e privacidade de dados, mantendo as informações em ambiente protegido e com uso controlado de modelos de linguagem.

A disponibilização de ferramentas dessa natureza reforça as iniciativas voltadas ao fortalecimento do ambiente de pesquisa no país e à ampliação do acesso aos conteúdos científicos qualificados por meio do Portal de Periódicos da CAPES, onde é necessário realizar a busca por leapspace .

O que é o LeapSpace



O LeapSpace é uma plataforma digital de apoio à pesquisa científica que utiliza inteligência artificial para facilitar a busca e a análise de informações acadêmicas. Desenvolvida pela Elsevier, a ferramenta reúne conteúdos revisados por pares e integra bases de dados científicas, permitindo ao usuário acessar evidências confiáveis em um único ambiente.

Entre os recursos disponíveis, destacam-se a apresentação de referências associadas às respostas, o rastreamento das fontes utilizadas e a possibilidade de verificação das informações, contribuindo para maior transparência no processo de pesquisa.

A plataforma é voltada a pesquisadores, docentes e estudantes, com foco no apoio à produção científica e na organização de estudos a partir de dados estruturados e validados.

Saiba mais: https://www.elsevier.com/pt-br/products/leapspace


Fonte: abcd
Sítio Online da Publicação: abcd
Data: 14/08/2026
Publicação Original: https://www.abcd.usp.br/noticias/plataforma-leapspace-capes-2026/

terça-feira, 18 de agosto de 2026

Pesquisador da Fiocruz é o representante do Brasil na Reforma da Arquitetura Global da Saúde da OMS


Pesquisador da Fiocruz, Rômulo Paes de Sousa é o representante do Brasil escolhido para a Força-Tarefa Conjunta (Joint Task Force) que orientará reformas na Organização Mundial da Saúde (OMS) e suas unidades satélites, conforme decidido na 79ª Assembleia Mundial da Saúde, em maio de 2026. O grupo, formado por representantes de 14 países (um por país), mais nove representantes de estruturas ligadas à OMS, deverá produzir um conjunto de propostas que conformarão a Reforma da Arquitetura Global da Saúde (GHA, na sigla em inglês).

A proposta é fazer frente às grandes transformações pelas quais vem passando o mundo: a soberania nacional e as capacidades regionais expandiram-se; a carga de doenças e os riscos à saúde mudaram; a ciência, a IA e as tecnologias digitais estão evoluindo rapidamente; e o cenário de financiamento contraiu-se, entre outros aspectos apontado no Termo de Referência divulgado na última Assembleia da OMS. O documento aponta, ainda, a “expansão substancial no número de atores da Saúde”, fundamentais nesse cenário, mas, ao mesmo tempo, adicionando “complexidade” e resultando “em desequilíbrios de poder, fragmentação e duplicação, que estão limitando a apropriação, o impacto e a equidade dos países”.

As propostas da Força Tarefa serão apresentadas na 80ª Assembleia Mundial da Saúde, em maio de 2027. A composição da Força-Tarefa: 12 representantes de estados-membros (países) e mais dois integrantes adicionais, provenientes das regiões cujos países venham a assumir à copresidência; a copresidência será a liderança da Força-Tarefa e deve ser compartilhada obrigatoriamente por um país em desenvolvimento e um país desenvolvido; os demais assentos, para evitar duplicações e alinhar financiamento e resposta, estão assim distribuídos entre cinco principais iniciativas globais de saúde que não são da ONU (Gavi [Alliance], Fundo Global [Aids, TB e Malária], Coalizão para Inovações em Preparação para Epidemias[Cepi], Unitaid e o Fundo Pandêmico do Banco Mundial); quatro agências do sistema ONU – agências focadas em saúde (como Unicef, UNFPA, Unaids); um representante do Banco Mundial; e um representante de organização regional de saúde.

A escolha de Rômulo Paes de Sousa deu-se por convite e indicação do governo brasileiro.

Arquitetura Global da Saúde (GHA)

A Arquitetura Global da Saúde refere-se a um ecossistema, combinando atores, estruturas e processos que orientam, coordenam, financiam e implementam esforços para melhorar e proteger a saúde globalmente, respondendo de forma mais eficaz e eficiente às necessidades específicas e coletivas de países e comunidades.

Prioridades e abordagens globais em saúde mudaram

Conforme indica o Termo de Referência resultante da última Assembleia Mundial da Saúde, observam-se no mundo mudanças em que programas conduzidos globalmente passam a ser liderados por países e apoiados regionalmente; intervenções voltadas a doenças específicas deslocam-se para abordagens integradas de atenção primária à saúde e para a cobertura universal de saúde; doenças infecciosas e saúde materno-infantil abrem espaço para a inclusão de doenças não transmissíveis, saúde mental, envelhecimento, bem como para a abordagem da Saúde Única (One Health), no cuidado à saúde; em vez de produção centralizada, a produção local e regional supre as demandas essenciais para a saúde, entre outros pontos.

Período eleitoral

Durante o período eleitoral (de 4 de julho até 25 de outubro), os conteúdos digitais publicados e disponibilizados pela Agência Fiocruz de Notícias (AFN) acompanham as orientações da Advocacia-Geral da União (AGU) e da Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República (Secom). O documento esclarece que é permitida a divulgação de "conteúdo meramente informativo ou de serviço ao cidadão".




Autor: fiocruz
Fonte: fiocruz
Sítio Online da Publicação: fiocruz
Data: 14/08/2026