quinta-feira, 17 de setembro de 2026

Fiocruz é contemplada no Prêmio Capes de Teses 2026

A Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) divulgou o resultado do Prêmio Capes de Teses - edição 2026. A Fiocruz está entre as instituições contempladas, com duas premiações (nas categorias Ciências Biológicas e Medicina) e uma menção honrosa (na categoria Saúde Coletiva).


Os premiados são Jackson Alves da Silva Queiroz, com trabalho desenvolvido no programa de pós-graduação em Biologia Experimental da Fiocruz Rondônia em associação com a Universidade Federal de Rondônia (Unir); e Mateus Santana do Rosário, cuja tese foi desenvolvida no programa de Biotecnologia em Saúde e Medicina Investigativa, do Instituto Gonçalo Moniz (IGM/Fiocruz Bahia). A menção honrosa foi recebida por Camila Rebouças Fernandes, com trabalho desenvolvido no programa de Saúde da Criança e da Mulher, do Instituto Nacional de Saúde da Mulher, da Criança e do Adolescente Fernandes Figueira (IFF/Fiocruz). A solenidade de premiação dos contemplados ocorrerá em 12 de novembro, no Recife.

Jackson Alves da Silva Queiroz publicou o trabalho Abordagem molecular aplicada ao diagnóstico da hepatite delta: desenvolvimento, validação e implantação de ensaio de alta sensibilidade para quantificação da viremia e avaliação da estabilidade viral em diferentes matrizes biológicas sob a orientação dos pesquisadores Deusilene Souza Vieira Dall'Acqua e Juan Miguel Vilallobos Salcedo como coorientador. O objetivo da tese, elaborada no âmbito do programa de pós-graduação em Biologia Experimental, oferecido em associação da Fiocruz Rondônia com a Universidade Federal de Rondônia (Unir), foi desenvolver, validar e implantar um método multiplex RT-qPCR one step de alta sensibilidade para quantificação de carga viral do vírus da hepatite delta e avaliar a estabilidade viral em diferentes matrizes biológicas.

A hepatite delta é uma doença causada pela exposição aos vírus da hepatite B (HBV) e da hepatite D (HDV), geralmente com evolução clínica mais grave quando comparada a uma monoinfecção pelo HBV. Atualmente, a prevalência real da infecção pelo HDV está subestimada e os métodos de detecção não estão amplamente disponíveis. Amostras biológicas de pacientes monoinfectados com HBV, e coinfectados HBV/HDV foram coletadas nos estados de Rondônia e Acre. Após as etapas de validação, o teste foi implementado em um piloto para implantação do exame de carga viral de hepatite delta no Sistema Único de Saúde (SUS) a partir de parcerias com o Ministério da Saúde. Os resultados sugerem que o HDV pode permanecer detectável por até 96 horas quando armazenado em temperatura ambiente, 4ºC, -30ºC e -80ºC, e até 72 horas em temperaturas de 4ºC à 42ºC, além da possibilidade de detecção utilizando papel de filtro, embora com sensibilidade reduzida. O HDV mostrou-se estável em diferentes condições, o que é crucial para o diagnóstico molecular em regiões com condições adversas de armazenamento.

Mateus Santana do Rosário desenvolveu a tese Encefalites e outras doenças neurológicas relacionadas a arboviroses sob a orientação da pesquisadora Isadora Cristina de Siqueira, no programa de Biotecnologia em Saúde e Medicina Investigativa do Instituto Gonçalo Moniz (IGM/Fiocruz Bahia). O trabalho visa caracterizar os aspectos clínicos, epidemiológicos e laboratoriais das encefalites e de outras síndromes neurológicas agudas associadas a arboviroses na Bahia. Vírus neurotrópicos, pertencentes a diferentes famílias de RNA e DNA, são causas relevantes de síndromes neurológicas agudas, como encefalite, mielite e síndrome de Guillain-Barré. Entre essas, a encefalite destaca-se por sua gravidade e heterogeneidade etiológica, tradicionalmente associada a herpesvírus e, em regiões tropicais, a arbovírus. No Brasil, a cocirculação de zika, chikungunya, dengue e oropouche tem ampliado o espectro de manifestações neurológicas, impondo novos desafios à vigilância clínica, diagnóstica e epidemiológica.

A tese de Mateus apontou que as encefalites e outras síndromes neurológicas agudas associadas a arboviroses representam um desafio diagnóstico relevante na Bahia. A predominância do vírus da Chikungunya (CHIKV), a emergência do vírus Oropouche (Orov) e a diversidade de apresentações clínicas reforçam a necessidade de vigilância integrada, ampliação do diagnóstico molecular e fortalecimento das redes clínicas e laboratoriais em regiões endêmicas.

Camila Rebouças Fernandes elaborou o trabalho A gente tem o direito de não querer ser mãe: Experiências de mulheres que escolhem não ser mães sob a orientação da pesquisadora Ivia Maria Jardim Maksud, no âmbito do programa de Saúde da Criança e da Mulher do Instituto Nacional de Saúde da Mulher, da Criança e do Adolescente Fernandes Figueira (IFF/Fiocruz). A tese busca discutir a construção da experiência de escolher não ser mãe a partir das narrativas de mulheres. O estudo analisou a experiência da não-maternidade com base em: marcadores sociais de gênero, raça, classe e geração; na relação entre o modelo hegemônico de maternidade e a escolha das mulheres pela não-maternidade; na dinâmicas das relações familiares, amorosas e de amizade de mulheres que escolhem não ser mães; além de explorar o impacto do trabalho, remunerado ou não, para mulheres que escolhem não se tornar mães; bem como discutir as experiências de reprodução e de contracepção de não-mães voluntárias.

A partir das entrevistas realizadas, a tese observou que as experiências de maternidade das mulheres ao redor é um dos elementos que constroem a sua decisão pela não-maternidade. O quesito carreira profissional não se mostrou como impeditivo à maternidade, mas foram identificados alguns fatores que afastam as mulheres da vontade de ser mães: o receio de gerar uma criança com uma condição complexa de saúde, a experiência de cuidar de crianças e seu convívio, a noção de responsabilidade nos cuidados com uma criança, e as restrições de circulação de espaço e de tempo. Entre os grupos que mais exercem cobranças e pressões para que as mulheres tenham filhos, destacaram-se na pesquisa as famílias, sendo elas de origem ou não.

A falta de referências de não-mães voluntárias também se revelou um potencializador da sensação de falta de pertencimento e solidão. As mulheres dessa pesquisa assumem o papel de cuidadoras, sendo os principais alvos de seus cuidados as crianças, as pessoas idosas e os animais de estimação. Apesar de, aparentemente, fazerem a mesma escolha, as trajetórias das interlocutoras mostraram-se plurais. Foram acessadas narrativas de mulheres negras, brancas e pardas; de diferentes faixas etárias (20, 30, 40, 50 e 60 anos), locais de moradia, orientação sexual, estado civil e crença religiosa.

Três teses concorrem ao Grande Prêmio

Além da premiação por área há o Grande Prêmio Capes de Tese, destinado às três melhores teses entre os 50 trabalhos vencedores. A escolha será dividida em três colégios de avaliação: Ciências da Vida; Humanidades; e Exatas, Tecnológicas e Multidisciplinar.

Os três vencedores dos Grandes Prêmios receberão bolsa de pós-doutorado no exterior por até 12 meses, certificado e troféu. Os orientadores receberão R$ 9 mil para participação em congresso internacional.

Os demais autores das teses vencedoras receberão bolsa de pós-doutorado no Brasil por até 12 meses, certificado e medalha. Caso haja cerimônia presencial e disponibilidade orçamentária, os autores e seus orientadores também receberão passagens aéreas e diárias para participar do evento. Cada orientador receberá ainda R$ 3 mil e certificado.

Reconhecimento em 50 áreas do conhecimento

O Prêmio Capes de Tese seleciona anualmente trabalhos que se destacam pela qualidade científica e pelo potencial de contribuição para a sociedade. Na edição deste ano, a avaliação considerou seis critérios: originalidade, relevância, metodologia, redação, inovação e impactos.

Para realizar a seleção, a Capes constituiu comissões específicas formadas por representantes das 50 áreas de avaliação. O resultado divulgado contempla um vencedor em cada área.

A abrangência da premiação evidencia a diversidade da produção científica brasileira. Entre os trabalhos reconhecidos estão pesquisas sobre agricultura familiar e sustentabilidade, patrimônio arquitetônico, culturas africanas e de seus descendentes, fotossíntese artificial, paisagens amazônicas, produção de biopolímeros, desinformação, inteligência artificial, doença de Alzheimer, hepatite delta, educação intercultural, prevenção de quedas em idosos, energia, refrigeração magnética, câncer, arboviroses, mudanças climáticas e biodiversidade. Também estão entre os premiados estudos dedicados a questões sociais e políticas contemporâneas, a uberização do trabalho, a política de gestão de rejeitos de mineração, o racismo estrutural, a violência no campo e a tortura contra adolescentes.

Período eleitoral

Durante o período eleitoral (de 4 de julho até 25 de outubro), os conteúdos digitais publicados e disponibilizados pela Agência Fiocruz de Notícias (AFN) acompanham as orientações da Advocacia-Geral da União (AGU) e da Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República (Secom). O documento esclarece que é permitida a divulgação de "conteúdo meramente informativo ou de serviço ao cidadão".



Autor: fiocruz
Fonte: fiocruz
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Data: 11/09/2026

CUIDA Chagas encerra atividades de campo após ampliar diagnóstico, tratamento e cuidado em quatro países

Após cinco anos de atuação junto a comunidades e sistemas de saúde do Brasil, Bolívia, Colômbia e Paraguai, o projeto CUIDA Chagas encerrou suas atividades de campo. Mais do que marcar o fim de uma etapa, o encerramento consolida os resultados de uma iniciativa que busca enfrentar um dos principais desafios da doença de Chagas: fazer com que diagnóstico, tratamento e cuidado cheguem às populações mais vulneráveis. Ao longo do projeto, mais de 81 mil pessoas foram examinadas e mais de 2.660 diagnósticos foram confirmados, revelando necessidades que permaneciam invisíveis ou insuficientemente atendidas pelos serviços de saúde. O CUIDA Chagas é coordenado pela Fiocruz.


Participantes do projeto estiveram em 31 municípios dos quatro países

O trabalho mostrou que ampliar o acesso à doença de Chagas exige ir além da oferta de testes e medicamentos. Em 31 municípios dos quatro países, o projeto aproximou a atenção primária das comunidades, estruturou estratégias de busca ativa, fortaleceu laboratórios e capacitou mais de 2,5 mil profissionais de saúde, além de promover mais de mil atividades educativas e comunitárias e formar mais de 100 lideranças.

O diagnóstico da doença de Chagas congênita foi fortalecido nos territórios de implementação, com a incorporação da triagem e do acompanhamento sistemático de recém-nascidos expostos e a introdução da PCR como inovação para o diagnóstico precoce da transmissão congênita. A estratégia ampliou a capacidade de identificar a infecção nos primeiros meses de vida, período em que o diagnóstico oportuno permite iniciar precocemente o tratamento, com elevadas chances de cura. Na Fiocruz, a coordenação do CUIDA Chagas é feita pelo Instituto Nacional de Infectologia Evandro Chagas (INI).

Os resultados também avançaram no campo da inovação diagnóstica e terapêutica. O estudo de validação, realizado no Brasil e na Bolívia, produziu evidências para algoritmos baseados em testes rápidos, ampliando a possibilidade de diagnóstico descentralizado, inclusive em áreas remotas. No Brasil, o ensaio clínico BENBRASIL avaliou a efetividade do Benznidazol nas cinco macrorregiões do país, considerando diferentes contextos epidemiológicos e genótipos do parasita. As análises finais ainda devem subsidiar recomendações nacionais de tratamento.

A experiência também evidenciou que a resposta à doença de Chagas precisa ser construída com as comunidades, e não apenas para elas. Estratégias de comunicação, educação, busca ativa, cuidado coletivo e formação de lideranças ampliaram a adesão aos serviços e fortaleceram a participação social. No Brasil, três leis municipais foram aprovadas a partir desse processo. O projeto ainda contribuiu para identificar barreiras relacionadas a mercado, regulação, aquisição e organização dos programas de saúde, fatores que podem impedir que tecnologias e tratamentos disponíveis cheguem de maneira equitativa a quem precisa.

Com o fim dos campos, começa agora uma etapa igualmente decisiva: consolidar dados, analisar resultados e sistematizar as contribuições produzidas pelo CUIDA Chagas, transformando as evidências acumuladas em conhecimento capaz de orientar políticas públicas e a expansão das estratégias para além dos municípios diretamente envolvidos. Entre os desafios estão concluir processos de revisão de políticas, assegurar financiamento sustentável, coordenar a aquisição e incorporar as capacidades construídas à rotina dos sistemas de saúde.

O principal legado do CUIDA Chagas não está apenas nos números alcançados durante cinco anos de campo, mas na demonstração de que é possível reorganizar a resposta à doença de Chagas de forma integrada e centrada nas pessoas. A continuidade deste legado depende de transformar as experiências e evidências produzidas pelo projeto em práticas sustentáveis, como incorporar algoritmos diagnósticos, capacidades profissionais e laboratoriais, estratégias de organização do cuidado e participação comunitária às políticas públicas e à rotina dos serviços de saúde, garantindo que os avanços construídos nos territórios permaneçam para além do encerramento do projeto.

Período eleitoral

Durante o período eleitoral (de 4 de julho até 25 de outubro), os conteúdos digitais publicados e disponibilizados pela Agência Fiocruz de Notícias (AFN) acompanham as orientações da Advocacia-Geral da União (AGU) e da Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República (Secom). O documento esclarece que é permitida a divulgação de "conteúdo meramente informativo ou de serviço ao cidadão".




Autor: fiocruz
Fonte: fiocruz
Sítio Online da Publicação: fiocruz
Data: 14/09/2026

InfoGripe: cinco estados têm incidência de SRAG em nível de alerta e tendência de aumento

Divulgada nesta quinta-feira (10/9), a mais recente edição do Boletim InfoGripe da Fiocruz mostra que, no cenário nacional, o número de casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) apresenta sinal de estabilização ou oscilação nas tendências de longo (últimas seis semanas) e de curto prazo (últimas três semanas). Cinco estados apresentam incidência de SRAG em nível de alerta, risco ou alto risco (últimas duas semanas) com sinal de crescimento na tendência de longo prazo (últimas seis semanas) até a Semana 35: Goiás, Maranhão, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Rio de Janeiro. A atualização é referente à Semana Epidemiológica 35, período de 30 de agosto a 5 de setembro.

A análise aponta ainda para manutenção do sinal de aumento do número de casos de SRAG nas crianças e adolescentes de 2 a 14 anos, impulsionado principalmente pelo rinovírus, e diminuição ou estabilização das ocorrências de SRAG nas demais faixas etárias. Segundo os pesquisadores do InfoGripe, a estabilização dos os casos de SRAG nas crianças pequenas também se deve à contraposição entre a queda dos casos graves por VSR e ao aumento das ocorrências graves por rinovírus. A queda dos casos de SRAG nas demais faixas etárias é atribuída especialmente à diminuição das hospitalizações por influenza.


Estados e capitais

O aumento do número de casos de SRAG em Goiás, Maranhão, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Rio de Janeiro concentra-se principalmente nas crianças e adolescentes de 2 a 14 anos e está associado principalmente ao rinovírus. No Mato Grosso, o aumento ocorre entre crianças e adolescentes de 5 a 14 anos e idosos a partir dos 65 anos, possivelmente associado à influenza B.

No Rio de Janeiro, o metapneumovírus também tem contribuído, em menor escala, para o aumento de SRAG nas crianças e adolescentes. A atualização aponta ainda que três estados também apresentam incidência de SRAG em níveis de alerta, risco ou alto risco, porém sem sinal de crescimento na tendência de longo prazo. São eles Rio Grande do Sul, Roraima e Santa Catarina.

Em Roraima, há sinal de interrupção do crescimento dos casos de SRAG por VSR, embora os casos ainda permaneçam em patamar elevado. Na Bahia, Minas Gerais, Mato Grosso do Sul, Paraná, Piauí, Santa Catarina e Rio Grande do Sul, os casos de SRAG por VSR continuam em queda, mas permanecem levemente elevados para esta época do ano. Nos demais estados, o período de sazonalidade do VSR já se encerrou. Já os casos de SRAG por influenza B continuam aumentando na Bahia, Mato Grosso e Ceará.

O InfoGripe aponta também um início ou manutenção do aumento das hospitalizações por metapneumovírus em toda a Região Sul, em alguns estados das regiões Sudeste (Rio de Janeiro e São Paulo) e Nordeste (Bahia, Paraíba, Alagoas e Sergipe), além de Roraima. Foi observado, ainda, aumento de casos de SRAG por rinovírus em diversos estados do país: Acre, Ceará, Goiás, Maranhão, Mato Grosso do Sul, Pará, Paraná, Rio de Janeiro, Roraima, Rio Grande do Sul e Santa Catarina. Em relação à Covid-19 nos estados, há um leve aumento dos casos graves em Roraima. Nas demais UFs, as ocorrências de SRAG por Covid-19 estão em um patamar baixo de incidência.

Duas das 27 capitais apresentam nível de atividade de SRAG em alerta, risco ou alto risco (últimas duas semanas) com sinal de crescimento de SRAG na tendência de longo prazo (últimas seis semanas) até a Semana 35. São as cidades de Aracaju e Florianópolis. Em Aracaju o aumento de SRAG se concentra principalmente nas crianças e adolescentes de até 14 anos e, em Florianópolis, nas crianças menores de 2 anos. O InfoGripe aponta ainda que três capitais também apresentam incidência de SRAG em níveis de alerta, risco ou alto risco, porém sem sinal de crescimento na tendência de longo prazo: Boa Vista, Cuiabá e Porto Alegre.

Dados epidemiológicos

Nas quatro últimas semanas epidemiológicas, a proporção entre os casos positivos foi de 3,2% de influenza A, 6,6% de influenza B, 27,1% de vírus sincicial respiratório, 48,4% de rinovírus e 2,4% de Sars-CoV-2 (Covid-19). Entre os óbitos, a presença destes mesmos vírus entre os positivos e no mesmo recorte temporal foi de 12,7% de influenza A, 16,3% de influenza B, 21,7% de vírus sincicial respiratório, 32,5% de rinovírus e 6% de Sars-CoV-2 (Covid-19).

Referente ao ano epidemiológico 2026, já foram notificados 147.868 casos de SRAG, sendo 79.761 (53,9%) com resultado laboratorial positivo para algum vírus respiratório, 52.327 (35,4%) negativos, e ao menos 7.349 (5%) aguardando resultado laboratorial. Entre os casos positivos do ano corrente, observou-se 17,2% de influenza A, 5,5% de influenza B, 41,4% de vírus sincicial respiratório, 31% de rinovírus e 3,8% de Sars-CoV-2 (Covid 19). Nas quatro últimas semanas epidemiológicas, a prevalência entre os casos positivos foi de 3,2% de influenza A, 6,6% de influenza B, 27,1% de vírus sincicial respiratório, 48,4% de rinovírus e 2,4% de Sars-CoV-2 (Covid-19).

Incidência e mortalidade

A incidência e mortalidade semanal média, nas últimas oito semanas epidemiológicas, mantêm o cenário típico de maior impacto nos extremos das faixas etárias analisadas. A incidência de SRAG apresenta impacto mais elevado nas crianças até 2 anos, em termos de mortalidade ocorre o inverso, com a população a partir de 65 anos sendo a mais impactada.

A incidência de SRAG é mais elevada nas crianças pequenas e está associada principalmente ao VSR e ao rinovírus. A mortalidade é maior entre os idosos, tendo como principal causa o vírus da influenza A, rinovírus e VSR. O VSR e o rinovírus se destacam como principais causas de mortalidade nas crianças pequenas. O estudo mostra que a incidência de SRAG por Covid-19 continua baixa em todas as faixas etárias.

Em relação aos óbitos de SRAG em 2026, já foram registrados 6.512 óbitos de SRAG, sendo 3.046 (46,8%) com resultado laboratorial positivo para algum vírus respiratório, 2.828 (43,4%) negativos, e cerca de (1,7%) aguardando resultado laboratorial.

Período eleitoral

Durante o período eleitoral (de 4 de julho até 25 de outubro), os conteúdos digitais publicados e disponibilizados pela Agência Fiocruz de Notícias (AFN) acompanham as orientações da Advocacia-Geral da União (AGU) e da Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República (Secom). O documento esclarece que é permitida a divulgação de "conteúdo meramente informativo ou de serviço ao cidadão".




Autor: fiocruz
Fonte: fiocruz
Sítio Online da Publicação: fiocruz
Data: 10/09/2026

terça-feira, 15 de setembro de 2026

Peptídeos em cosméticos: uma revolução que não é isenta de riscos

O uso de peptídeos não alérgenos em formulações cosméticas é apontado como uma alternativa de tratamento de alta performance (Foto: Magnific)
Nos últimos anos, tem surgido um boom de novos produtos cosméticos, que prometem revolucionar os resultados em rejuvenescimento da pele com o uso de peptídeos. As propagandas afirmam que eles são mais eficientes e seguros até para quem tem a pele sensível. Mas será que são mesmo? A resposta não é tão simples. De fato, têm o potencial de atuar mais profundamente nas células, mas a sensibilidade varia entre as pessoas e para diferentes tipos de peptídeos.

No intuito de garantir essa segurança, pesquisadores da Pontífícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio), liderados pelo professor André Silva Pimentel do Laboratório de Sistemas Complexos do Departamento de Química da universidade, publicaram, recentemente, um artigo no periódico American Chemical Society, que usa a Inteligência Artificial Explicável como método alternativo para determinar quais peptídeos são mais seguros contra alergias, para serem usados no desenvolvimento de novos produtos cosméticos. A pesquisa contou com financiamento da FAPERJ.

A palavra peptídeo está em alta no mundo da beleza, principalmente quando falamos em rejuvenescimento facial. "Os peptídeos são pequenas partes de uma proteína. É como se fossem os tijolos de uma casa e a proteína fosse a casa já pronta. Essas pequenas sequências são capazes de conversar diretamente com as nossas células", explica Pimentel.

Alguns peptídeos tendem a causar mais alergia do que outros. No tratamento do rejuvenescimento facial tradicional, usa-se muito retinol e ácidos, que têm significativamente mais chances de gerar reações alérgicas. O uso de peptídeos não alérgenos em formulações cosméticas entram como uma alternativa de tratamento de alta performance.

Os não alérgenos ajudam a ter uma comunicação saudável com o organismo, de tal forma, que o sistema imunológico não se sinta ameaçado e não gere uma reação inflamatória. "Isso evita o aparecimento de todos, ou pelo menos, da maioria dos sintomas alérgicos que estamos acostumados a ver, como a coceira, vermelhidão e a ardência. Os peptídeos entram como mensageiros que vão se comunicar com as células e ajudar a estimular a produção de colágeno, a elastina, e outras substâncias necessárias para o bom funcionamento do corpo", destaca Marina Damaso, mestranda do projeto.

O colágeno é a proteína que ajuda a trazer firmeza à pele. Já a produção de elastina traz elasticidade. Ao longo dos anos, nossa pele tende a ter um efeito de “derretimento”. "Imagine que o cimento que une os tijolos é o colágeno que não deixa a parede cair. Quando somos jovens, esse cimento está fresco e tem uma equipe de trabalhadores atenta e eficaz para manter sempre firme a estrutura. Ao longo dos anos, com a presença de alguns fatores como a exposição solar excessiva e sem proteção, estilo de vida, alimentação e poluição associados à genética fazem com que a nossa 'equipe de trabalhadores' fique mais lenta e menos eficaz. Então, começam a surgir as 'rachaduras' (rugas), a flacidez e outros sinais de envelhecimento", comenta Pimentel.

Ele explica que, para entender o papel da elastina na pele jovem ou de um idoso, é importante pensar em um colchão. Quando é recém-fabricado, os materiais internos do colchão são firmes e elásticos. Ao deitar, o colchão se adapta ao peso do corpo, mas assim que o indivíduo se levanta, retorna rapidamente ao formato original.

Com o passar dos anos, porém, esses materiais se desgastam, perdem elasticidade e deixam de recuperar completamente sua forma. O colchão passa a apresentar afundamentos permanentes, tornando-se menos firme e mais deformado. "Na pele ocorre um processo semelhante. A elastina funciona como esses 'materiais' no tecido cutâneo. Enquanto estão íntegros, permite que a pele estique e volte ao normal. Com o envelhecimento e a exposição ao sol, a elastina se degrada e se torna desorganizada", explica Damaso.

André Pimentel e Marina Damaso: professor do Laboratório de Sistemas Complexos do Departamento de Química da PUC-Rio lidera a equipe de pesquisadores que conta com a participação da mestranda (Fotos: Divulgação)


Como resultado, a pele perde sua capacidade de recuperação, tornando-se mais flácida e propensa ao surgimento de rugas. Assim como um colchão envelhecido perde sua capacidade de sustentar o corpo adequadamente.

Até recentemente, para saber se um peptídeo era alérgeno ou não se utilizava testes em animais, mas atualmente a Lei 15.183/2025, de 30 de julho de 2025, proíbe o uso de animais em testes de cosméticos, perfume e produtos de higiene pessoal e seus ingredientes em todo o território nacional. Essa lei é de grande importância para que tenhamos processos mais éticos e com a imposição de padrões rígidos para evitar abusos e garantir o bem-estar dos animais de laboratório.

Diante dessa restrição, os pesquisadores foram buscar alternativas e a Inteligência Artificial (IA) Explicável se tornou um caminho. Diferente da IA tradicional, a IA Explicável permite interpretar o que tem dentro da “caixa preta” para ter mais transparência na explicação dos resultados de alergenicidade dos peptídeos. "Além de classificar esses peptídeos de acordo com uma certa probabilidade de causar alergias, conseguimos identificar as sequências de forma específica usando interpretadores de última geração", diz Damaso.

Ela conta que os resultados são promissores. Ao decifrar os peptídeos alérgenos, conseguiram ajudar na criação de formulações cosméticas mais seguras. Com isso, evita-se a geração de processos inflamatórios e alérgicos. Isso é de grande importância, principalmente para pessoas com pele sensível. Enquanto os ácidos geram uma descamação para “forçar” uma renovação celular, os peptídeos não alérgenos entregam mensagens químicas sem gerar respostas alérgicas e de forma mais respeitosa para a célula.

Esses peptídeos geralmente são encontrados em forma de séruns, máscaras e cremes. E podem ser usados em peles com rosácea, área dos olhos e em peles ultrassensíveis, com acompanhamento profissional. "A aplicação dos nossos resultados pode ir além dos cosméticos. No futuro, os resultados dessa ferramenta também poderão ser úteis para evitar alergias, por exemplo, alimentares. Também poderá ter aplicação na imunoterapia para dessensibilizar pessoas alérgicas, em vacinas e, consequentemente, evitar complicações", diz Pimentel.

O uso da Inteligência Artificial Explicável para decifrar os peptídeos alérgenos, mostra que a tecnologia por traz da beleza, evoluiu, sendo cada vez mais inteligente, respeitosa e ética. E além de tudo é inclusiva para aqueles de peles sensíveis. O futuro da beleza deve incluir bons hábitos associados a produtos inteligentes e eficazes. Um caminho seguro para o rejuvenescimento saudável.


Autor: faperj
Fonte: faperj
Sítio Online da Publicação: faperj
Data: 10/09/2026
Publicação Original: https://www.faperj.br/?id=1073.7.1

Microdispositivo diagnóstico revela doenças de bovinos em 5 minutos


Um pequena quantidade de saliva, urina ou leite das vacas em contato com o reagente revela, em 5 minutos, a doença do animal ou a contaminação por antibiótico (Fotos: Divulgação)

Doenças que acometem os bovinos, especialmente o rebanho leiteiro, causam prejuízos estimados em R$ 6 bilhões por ano para os pecuaristas brasileiros, de acordo com informações publicadas no www.embrapa.br/gado-de-leite. As perdas são decorrentes da queda na produção de leite, no descarte de leite com resíduos de antibióticos, custos de tratamentos e abate prematuro de animais.

O que pode mudar rapidamente este cenário é o avanço da pesquisa. Cientistas do Laboratório de Nanorradiofarmácia do Instituto de Engenharia Nuclear (IEN), localizado na Cidade Universitária, Ilha do Fundão, no Rio de Janeiro, desenvolveram um microchip diagnóstico capaz de detectar as principais doenças dos bovinos em apenas cinco minutos. Coordenado pelo pesquisador Ralph Santos-Oliveira, Cientista do Nosso Estado da FAPERJ, o estudo integra o Programa Redes de Pesquisa em Nanotecnologia, criado pela Fundação em 2019.

O microchip é impresso em 3D em material transparente e ali são acrescidos reagentes específicos para diversas doenças do gado bovino. Com a ajuda da nanotecnologia, apenas algumas gotas da saliva ou urina do animal em contato com o reagente revelam em cinco minutos qual a enfermidade. Gotas de leite também podem acusar a presença de antibióticos no produto, que deve ser retirado imediatamente de circulação.

A mastite, uma inflamação da glândula mamária, é uma das principais doenças do gado leiteiro, respondendo por cerca de 70% das perdas, principalmente pela redução na produção de leite. Além disso, o leite de vacas tratadas com antibióticos não pode ser comercializado, gerando desperdício e queda de receita. Além da mastite, brucelose, tuberculose, diarréia, tristeza parasitária estão entre as enfermidades que podem ocorrer no rebanho.

Manter a sanidade do plantel de vacas leiteiras exige gastos e tempo. As fazendas contratam médicos veterinários, que fazem visitas periódicas para avaliar, entre outras coisas, a saúde dos animais. Em geral, exames de sangue são feitos para a detecção de doenças, sendo necessário enviar amostras para os laboratórios de análise, que darão a respostas em alguns dias.

Ralph Santos-Oliveira: segundo o pesquisador, o material já está disponível para empresas interessadas na comercialização. O próximo passo será fazer o mesmo microchip diagnóstico para detecção de doenças em equinos.


“A grande vantagem dos microdispositivos para teste colorimétrico é que eles não dependem de profissional com especialização para utilizá-los e fornecem o resultado em tempo real, cerca de cinco minutos”, aponta Santos-Oliveira. O pesquisador explica que o pequeno dispositivo, similar a um kit teste de gravidez, é produzido em impressora 3D e os reagentes são adicionados de acordo com a doença que se quer investigar. Algumas gotas de saliva, urina ou leite – para o caso de detecção de resíduo de antibióticos no leite – são adicionadas ao microchip e a reação será positiva ou negativa para a doença em questão ou presença de resíduo de medicamento. Desta forma, o pecuarista reduz o tempo e o custo do diagnóstico, podendo tomar uma decisão de tratamento mais rápida e evitar prejuízos.

Segundo Santos-Oliveira, que submeteu o projeto ao Programa Agro do Futuro, da FAPERJ, o próximo passo será o registro da patente, mas o material já está disponível para empresas que estejam interessadas na comercialização. O laboratório do IEN também pretende fazer o mesmo microchip diagnóstico para detecção de doenças em eqüinos. De acordo com o pesquisador, qualquer empresa interessada poderá com baixo custo e rapidez atender ao mercado e solicitar a aprovação na Anvisa”, concluiu.

O Programa Agro do Futuro nasceu com o objetivo de apoiar projetos de pesquisa, desenvolvimento e inovação que fortaleçam o ecossistema de agritechs e foodtechs no estado, estimular a criação de novas empresas de base tecnológica, ampliar mercados e consolidar cadeias agroindustriais inteligentes. A proposta é promover a modernização da produção agrícola e da agroindústria, reduzir perdas, ampliar a segurança alimentar e impulsionar a inserção de produtos fluminenses em mercados mais exigentes e sofisticados.

Segundo a presidente da FAPERJ, Caroline Alves, a iniciativa reforça o papel da ciência no desenvolvimento econômico do estado. “O Rio de Janeiro tem enorme potencial para integrar inovação tecnológica ao setor agroalimentar. Queremos estimular soluções que aumentem a produtividade, fortaleçam cadeias produtivas e ampliem a competitividade do estado, sempre com foco na sustentabilidade e na geração de conhecimento e riqueza”, afirma.



Autor: faperj
Fonte: faperj
Sítio Online da Publicação: faperj
Data: 10/09/2026
Publicação Original: https://www.faperj.br/?id=1034.7.1

Pesquisa desenvolve terapia na busca pela cura definitiva da hepatite B crônica

 

Principal doença entre as que afetam o fígado, a hepatite B crônica não possui atualmente terapia que promova a remissão total do vírus no órgão, e exige um tratamento contínuo do paciente (Foto: Magnific)


Doença viral que afeta o fígado e pode passar despercebida por anos, a hepatite B é um problema internacional de saúde pública. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), cerca de 1,5 milhão de novos casos da doença são notificados anualmente em todo o mundo. Estima-se que dois bilhões de pessoas no planeta estão infectadas com hepatite B, sendo que 296 milhões possuem a forma crônica da doença. O tratamento inclui o uso de medicamentos orais antivirais, que controlam a infecção, com o objetivo de evitar a progressão da doença nos casos crônicos, e a possibilidade dela evoluir para casos de cirrose ou de câncer no fígado. No entanto, as terapias atualmente disponíveis para a hepatite B crônica não promovem a remissão total do vírus no fígado, e requerem o uso contínuo do medicamento pelo paciente e a realização de exames por toda a vida. Vale lembrar que a principal forma de prevenção da infecção pelo vírus da hepatite B é a vacina, que está disponível no Sistema Único de Saúde (SUS), de forma universal, desde 2016.


Nesse cenário, a bióloga Giovana Angelice, da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), que participa do Programa de Mobilidade Internacional – Doutorado Sanduíche Nota 10 da FAPERJ, na Bélgica, investiga o desenvolvimento de um tratamento inovador e definitivo para a hepatite B, com base no mecanismo do RNA de interferência (RNAi), capaz de bloquear de vez a replicação do vírus dentro das células. Trata-se de um mecanismo celular natural que silencia genes específicos, ao destruir ou bloquear o seu RNA mensageiro (mRNA), impedindo a produção de proteínas.

“A longo prazo, o desenvolvimento de uma terapia nacional baseada em RNAi abre caminho para a criação, no futuro, de um fármaco brasileiro inovador. Isso reduziria a dependência de tecnologia estrangeira, baratearia os custos de saúde para o estado e, o mais importante, ofereceria uma perspectiva de tratamento mais eficaz e acessível para a população fluminense”, explicou Giovana, que é mestre em Biologia celular e molecular pela Fiocruz, onde integra a equipe do Laboratório de Referência em Hepatites Virais do Instituto Oswaldo Cruz (IOC), e desenvolve a pesquisa sob orientação do professor Francisco Campello do Amaral Mello.

Giovana Angelice: pesquisadora participa, na Bélgica, de estudo sobre o papel do RNA de interferência para bloquear a replicação do vírus da hepatite B (Foto: Divulgação)


De acordo com a pesquisadora, o edital de Mobilidade Internacional da FAPERJ permitiu estabelecer uma importante parceria com o grupo do professor Kai Dallmeier, na Universidade Católica de Leuven (Katholieke Universiteit Leuven), na Bélgica. Essa colaboração estratégica possibilitou, para Giovana, o acesso a um modelo animal inovador desenvolvido pela equipe belga, que reproduz a infecção humana e é essencial para validar a eficácia da terapia desenvolvida pela doutoranda. “As agências de fomento são a espinha dorsal do desenvolvimento científico e tecnológico do Brasil. Diferente de outros países, a ciência brasileira e fluminense é financiada quase em sua totalidade pelo investimento público. Sem esse apoio, a pesquisa e a inovação não existiriam. Trabalhar em outro país amplia nossa visão de mundo, estimula a criatividade, fortalece a capacidade de resolver problemas e proporciona o aprendizado de um novo idioma, competências indispensáveis para a formação de um pesquisador”, ponderou.

O estudo teve como desdobramento a publicação de um artigo na revista científica internacional International Journal of Molecular Sciences – MDPI, intitulado Evaluation of Interfering RNA Efficacy in Treating Hepatitis B: Is It Promising?.

Impactos da hepatite B no estado do Rio de Janeiro


Carlos Terra: médico hepatologista, ele ressalta que a evolução da hepatite B crônica no fígado do paciente muitas vezes é silenciosa (Foto: Divulgação)


No estado do Rio de Janeiro, foram registrados 754 casos de janeiro a dezembro de 2025, e 352 casos em 2026, de janeiro a agosto, totalizando 1.106 casos nos dois períodos, segundo dados da Secretaria de Estado de Saúde (SES). A Região Metropolitana I (Rio e adjacências) teve mais notificações, com 449 notificações de casos de hepatite B em 2025, e 192 em 2026. Já a Região Metropolitana II (Niterói e adjacências), teve 77 casos em 2025, e 50 neste ano.

O médico hepatologista Carlos Antonio Rodrigues Terra Filho, professor da Faculdade de Ciências Médicas da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), destacou a necessidade de distinguir os casos de hepatite B agudos e crônicos. “Para que o gestor em saúde pública possa mensurar melhor os impactos da doença, precisaríamos diferenciar as notificações dos casos de hepatite B aguda, que têm impacto bem menor, dos casos de hepatite B crônica. Uma vez contraído o vírus, a pessoa pode ter uma infecção aguda e o próprio organismo encontrar a cura espontaneamente, sem um transtorno maior para o sistema de saúde. Mas, em 5% a 10% dos pacientes com hepatite aguda, o vírus permanece no corpo, com potencial para causar inflamação crônica, para a deposição de fibroses (cicatrizes) que se convertem em cirrose, podendo até evoluir após alguns anos para o câncer de fígado, de forma silenciosa”, detalhou.

Principal causa entre as doenças do fígado, a hepatite B é transmitida por agentes patogênicos encontrados no sangue, por contato sexual ou durante a gestação, da mãe ao bebê. Após um período de incubação de 90 dias, as manifestações clínicas da doença podem ser assintomáticas ou mesmo se tornarem uma hepatite fulminante, dependendo da resposta do sistema imunológico do paciente.




Autor: faperj
Fonte: faperj
Sítio Online da Publicação: faperj
Data: 10/09/2026
Publicação Original: https://www.faperj.br/?id=1106.7.0

segunda-feira, 14 de setembro de 2026

Estados Unidos tentam reduzir preços dos medicamentos: doentes europeus podem ter de esperar mais


Direitos de autor Canva

Doentes europeus poderão ter de esperar mais por alguns medicamentos novos, já que os esforços dos EUA para baixar preços podem levar empresas farmacêuticas a adiarem lançamentos em mercados mais baratos, indica um novo estudo de modelização.

Em maio passado, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, avançou com uma iniciativa para alinhar o preço dos medicamentos com os níveis mais baixos praticados noutros países desenvolvidos, o chamado sistema de preços de nação mais favorecida (MFN). No entanto, esta política de preços pode ter consequências negativas.

Os doentes europeus podem vir a esperar mais tempo por alguns medicamentos inovadores, à medida que os Estados Unidos obrigam as farmacêuticas a oferecer preços alinhados com outros países de elevado rendimento, como a Alemanha ou a França, segundo um novo estudo de modelização publicado na revista The Lancet.

Os investigadores analisaram 195 medicamentos patenteados que, em conjunto, representam 87,9 mil milhões de dólares da despesa anual dos Estados Unidos. Concluíram que, em três em cada quatro fármacos estudados, o montante que as empresas perderiam ao baixar os preços no mercado norte‑americano seria superior ao total das vendas anuais nos países usados como referência para fixar os preços nos Estados Unidos.

Para minimizar as perdas nos Estados Unidos, o maior mercado farmacêutico mundial, as empresas “podem ser incentivadas a adiar o lançamento no mercado nos países com preços mais baixos incluídos na referência”, afirmaram os investigadores, uma vez que, ao atrasar os lançamentos, as farmacêuticas evitam ter de igualar esses preços mais baixos nos Estados Unidos.

“As políticas nos Estados Unidos podem afetar o acesso a medicamentos em todo o mundo”, afirmou em comunicado Kerstin Vokinger, autora do estudo e investigadora na ETH Zurique e na Universidade de Zurique.

Quem acaba por sentir o impacto são os doentes.

“O risco é muito concreto: se as empresas farmacêuticas atrasarem o lançamento de medicamentos na Europa porque os preços europeus podem ser usados para definir os preços nos Estados Unidos, os doentes daqui podem ter de esperar mais tempo por tratamentos que já estão disponíveis noutros lugares”, afirmou o European Patients Forum em comentário escrito enviado à Euronews Health. “Para quem vive com uma doença grave ou progressiva, uma espera adicional pode ter um impacto real na saúde e na qualidade de vida.”

A política norte‑americana já se faz sentir na Europa.


Países de referência na Europa incluídos no estudo de modelização MapChart
Impacto na Europa

A Europa tem registado uma quebra nos lançamentos de novos medicamentos nos últimos meses. Dez meses após a ordem executiva de Trump, o número de lançamentos nos mercados da UE caiu cerca de 35% face aos dez meses anteriores, reportou a Reuters em março.

Embora não seja claro se esta quebra está diretamente ligada às políticas nos Estados Unidos, foi anunciado em fevereiro que a retirada do mercado de um medicamento para tratar casos particularmente graves de colesterol elevado pode estar relacionada com a política de preços de medicamentos do Presidente norte‑americano, Donald Trump.

“É verdade que, mesmo em países maiores como a Alemanha, vemos empresas a reconsiderar se lançam ou quando lançam um medicamento”, disse à Euronews Alexander Natz, secretário‑geral da associação de empresários da biotecnologia Eucope, explicando que a situação atual obriga as farmacêuticas a pensar duas vezes antes de avançar com um lançamento.

“Não devemos assumir que vamos deixar de ter acesso a medicamentos, mas devemos contar com decisões muito mais ponderadas por parte das empresas”, acrescentou.

Para Natz, para garantir que a Europa recebe novos medicamentos sem atrasos, os governos têm de estar dispostos a gastar mais.

“É preciso ter um debate, um debate político interno na Alemanha e noutros países, sobre quanto estamos dispostos a gastar com os cuidados de saúde”, afirmou.

Os países já sentem essa pressão sobre orçamentos apertados.

“Os países de referência, da Alemanha ao Japão e à Austrália, enfrentam uma pressão significativa da administração norte‑americana e da indústria para aumentarem os preços e a despesa com medicamentos”, afirmou Thomas Hwang, do Brigham and Women’s Hospital, autor principal do estudo.

“Mas isso confronta‑se com a realidade de que outros países têm uma margem orçamental limitada”, acrescentou.

Para reduzir os impactos negativos, os autores do estudo apontam que fabricantes e países podem passar a usar os preços de tabela — ou seja, o preço de catálogo antes de descontos — em vez dos preços líquidos, que refletem descontos confidenciais.

Entretanto, ao abrigo das regras farmacêuticas da União Europeia recentemente atualizadas, uma empresa tem de lançar um novo medicamento se um país o solicitar no prazo de três anos, sob pena de perder dois anos de direitos de exclusividade.

Esta condição funciona como um “contrapeso” aos efeitos da política de preços de medicamentos de Trump; porém, é “pouco provável que, por si só, altere de forma significativa a dimensão das poupanças”, escreveram os autores. Natz mostrou‑se igualmente céptico quanto à possibilidade de isto ser suficiente para eliminar eventuais consequências negativas da política de preços norte‑americana.
Quanto poupam os Estados Unidos?

Embora a política de preços de medicamentos dos Estados Unidos esteja a provocar riscos de atrasos na Europa, pode permitir aos Estados Unidos reduzir a despesa em 5,2 mil milhões de dólares em medicamentos usados em hospitais e 6,4 mil milhões de dólares em fármacos comprados em farmácias, segundo o estudo publicado na The Lancet. Essas poupanças poderiam subir, respetivamente, para 21 mil milhões e 25,5 mil milhões de dólares com uma aplicação mais ampla da política.

Mas, como 17 empresas celebraram acordos confidenciais com a administração, ficando excluídas destas regras, as poupanças potenciais seriam reduzidas em 71%.

Embora o sistema de preços de nação mais favorecida tenha potencial “para gerar poupanças reais para o governo federal dos Estados Unidos e para os contribuintes (…) se os fabricantes puderem escapar à participação nestes modelos através de acordos paralelos, a maior parte dessas poupanças pode não se concretizar”, advertiu Hwang.

O European Patients Forum afirmou que, se a “implementação da política de preços dos Estados Unidos levar a atrasos no lançamento de medicamentos noutros países sem gerar as poupanças esperadas para o Medicare [programa de seguro de saúde dos Estados Unidos], corre‑se o risco de criar uma situação em que todos perdem, tanto os sistemas de saúde como os doentes”.

A Comissão Europeia está também a analisar o tema, depois de os ministros da Saúde, em meados de junho, terem encarregado a comissária europeia da Saúde de avaliar o impacto da política de nação mais favorecida dos Estados Unidos sobre o bloco: se o MFN está a provocar atrasos nos lançamentos, aumentos significativos de preços e, em última instância, uma redução do acesso a medicamentos inovadores.

No estudo, ainda não publicado mas consultado pela Euronews Health, a Comissão afirma que, por agora, é quase impossível determinar se os atrasos ou as pressões sobre os preços estão diretamente ligados às políticas de preços dos Estados Unidos ou resultam antes das atuais incertezas em torno delas, remetendo para os próximos anos uma maior clarificação.

“Pelo que percebo, o estudo da Comissão diz, basicamente, que é demasiado cedo para comparar preços individuais. Até aqui, tudo bem, talvez seja verdade. Mas as implicações são muito mais amplas”, disse Natz, acrescentando que “não se trata apenas desse preço; trata‑se também de saber se esse produto alguma vez será lançado na Europa, se chegará aos doentes na Alemanha. Essa é a verdadeira questão aqui”.


Autor: pt.euronews
Fonte: pt.euronews
Sítio Online da Publicação: pt.euronews
Data: 14/09/2026