sábado, 18 de abril de 2026

Ilha do Bom Jesus: exemplo de como a vida resiste em meio à poluição

A Ilha do Fundão – resultado de um aterro que, em 1945, unificou oito ilhas de um antigo arquipélago da Baía de Guanabara para a criação da Cidade Universitária da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) – enfrenta sérios problemas ambientais devido ao acúmulo de lixo trazido pela maré. O aterramento do arquipélago modificou de forma profunda o ambiente, alterou a circulação de água na Baía e contribuiu para o acúmulo contínuo de resíduos, afetando manguezais e a vida marinha. A maré passou a trazer todo o tipo de lixo, incluindo plásticos, pneus, materiais de construção, móveis etc. Além disso, a região ainda recebe esgoto doméstico, industrial e outros poluentes, especialmente através do Canal do Cunha, que deságua na região antes de seguir para a Baía de Guanabara. Tanto o aspecto visual quanto o forte odor impressionam quem observa o entorno do campus universitário.


Exemplos da fauna da Ilha do Bom Jesus, em fotos de Gabriel e Daniel Mello (beija-flor, carcará e lagarta) e ilustrações de Sara Fonseca (tainha) e Agnes Antonello (borboleta e capivara)


Ao longo dos anos, diferentes projetos voltados ao estudo e à preservação ambiental surgiram na Cidade Universitária. “Como a vida ainda resiste naquele ambiente tão modificado?” Foi para responder a esta pergunta que a pesquisadora Ana Karla Freire de Oliveira submeteu e teve aprovado o projeto “Design da informação com foco na conscientização ambiental: estudo aplicado para a identificação, catalogação e preservação das espécies da fauna e da flora da Ilha do Bom Jesus no Rio de Janeiro” ao Programa Jovem Cientista do Nosso Estado (JCNE) da FAPERJ. Essa pesquisa é um desdobramento do projeto “Estuário da Ilha do Bom Jesus”, submetida ao programa de Mestrado e Doutorado Acadêmico para Inovação do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (MAI/DAI/CNPq), que busca fortalecer a pesquisa, o empreendedorismo e a inovação, por meio do envolvimento de estudantes de graduação e pós-graduação em projetos de interesse do setor empresarial, assim como oferecer às indústrias os benefícios da pesquisa de alto nível.


A exposição na Biblioteca Nacional, no Rio, proporcionou uma experiência olfativa de algumas espécies vegetais (Foto: Divulgação)

Como o programa do CNPq propõe a vinculação do projeto a uma indústria, a professora Ana Karla Freire de Oliveira encontrou eco nos objetivos de promoção da sustentabilidade da L’Oréal, uma das empresas residentes no Parque Tecnológico da UFRJ, na Ilha do Bom Jesus. Graduada em Design Industrial, mestre em Engenharia Agrícola e doutora em Engenharia de Materiais e de Processos Metalúrgicos, Ana Karla, Jovem Cientista do Nosso Estado da FAPERJ, é uma das coordenadoras do projeto, ao lado da mestre em Arquitetura e doutora em Planejamento Urbano e Regional Madalena Ribeiro Grimaldi. Ao longo de dois anos (incluindo o período da pandemia de Covid-19), as orientadoras do Programa de Pós-Graduação em Design da UFRJ e uma equipe formada por quatro pesquisadores (três mestrandos e uma doutoranda), três biólogas e três ilustradoras (orientadas pela professora Dalila Santos, da Escola de Belas Artes da UFRJ) se dedicaram incansavelmente à identificação e catalogação das espécies da fauna e da flora remanescentes do antigo arquipélago. O objetivo do projeto foi integrar as áreas do Design, da Arte e da Biologia em prol da educação, conhecimento e preservação ambiental.

O levantamento resultou na identificação de mais de 100 espécies de fauna e flora na Ilha do Bom Jesus, dentre elas espécies típicas de manguezal, restinga e Mata Atlântica, incluindo invertebrados, peixes, répteis, aves e mamíferos (sagui híbrido e a capivara), o sabiá-laranjeira, insetos predadores, borboletas e o caranguejo Minuca rapax. Não é raro encontrar exemplos dessa fauna transitando pelo Fundão. Também foram identificados peixes de relevância pesqueira, como a tainha e a sardinha-brasileira, importantes para as comunidades locais. De forma sucinta, Ana Karla explica que o termo “design da informação” representa a prática de estruturar, organizar e apresentar dados de forma clara e visualmente compreensível, transformando informações complexas em mensagens de fácil entendimento. Para tanto, combina design gráfico, usabilidade e arquitetura da informação para aprimorar a comunicação, garantindo assim que o usuário entenda o conteúdo de forma eficaz.

“Foram muitas trocas com a comunidade local, especialmente pescadores, que nos ajudaram muito a conhecer e compreender o ambiente que, para eles, é fonte de sustento”, conta a pesquisadora. O objetivo principal do projeto, segundo ela, é despertar a conscientização ecológica e a necessidade de manutenção e conservação das espécies remanescentes na ilha.


Ana Karla Freire: para a pequisadora, o objetivo principal do projeto é despertar a conscientização ecológica e a necessidade de manutenção e conservação das espécies remanescentes na ilha (Foto: Arquivo Pessoal)


Ana Karla foi docente da Escola de Belas Artes (EBA) da UFRJ ao longo de 14 anos e considera este um de seus mais importantes projetos. Devido a questões familiares, ela solicitou remanejamento para a Universidade Federal de Campina Grande (UFCG), sua cidade natal, onde atualmente reside, mas espera que sua equipe amplie este projeto para toda a Ilha do Fundão.

O rico resultado do inventário foi a base para a estruturação de ações de educação ambiental. Uma das “entregas” previstas no projeto foi a criação de um website, batizado de Ilha Viva, onde é possível encontrar belíssimas fotos e ilustrações botânicas das espécies da flora e da fauna da Ilha do Bom Jesus, acompanhadas de dados científicos e até mesmo, no caso das aves, do áudio com seu canto peculiar (veja exemplo aqui). A L’Oréal abriu suas portas aos alunos de uma escola da ilha para mostrar o projeto e ainda aproveitou o material para editar um livro trilíngue e promover quatro exposições: uma na sede do Inova UFRJ e três nos Centros de Pesquisa e Inovação da L’Oréal em Paris. A pesquisa ainda foi apresentada em dois congressos, um internacional, na cidade de Assis, Itália, onde a professora Ana Karla apresentou o artigo intitulado “Imagens e Sustentabilidade: Mímesis aplicada a ilustrações científicas para representação da fauna e flora da Ilha do Bom Jesus, Rio de Janeiro”; e outro nacional, no Congresso de Cosmetologia, em Nova Iguaçu, apresentado pela Maria Eduarda Figueiredo, representante da L’Oreal.

Além do acervo fotográfico e de ilustrações terem sido expostos em Paris, houve também uma grande mostra na Biblioteca Nacional, no Rio de Janeiro, intitulada “Olhar ao Redor”. A exposição destacou a biodiversidade da Ilha do Bom Jesus (Baía de Guanabara) unindo ciência, arte e sustentabilidade. A mostra exibiu ilustrações científicas e fotos do Projeto Ilha Viva, com entrada gratuita. Segundo a curadora da exposição, Marisa Flórido Cesar, “Olhar ao Redor buscou refletir como habitar coletivamente em uma era de extermínio acelerado das espécies, de iminente catástrofe ambiental. A Ilha, que ainda vive, nos faz compreender que há interdependência das formas de vida e dos mundos, que somos um encontro multiespécies e que as existências estão entrelaçadas, dos fungos que reciclam os solos degradados às estrelas que correm em nossas veias”.

Arquipélago formado por oito ilhas

Até meados do século XX, a região onde hoje está situada a Cidade Universitária era um arquipélago formado por oito ilhas — Cabras, Catalão, Pindaí do França e Pindaí do Ferreira, Sapucaia, Bom Jesus e Fundão. Entre 1949 e 1952, as ilhas foram unificadas por meio de um amplo projeto de aterro que viabilizou a construção do campus da Universidade Federal do Rio de Janeiro. A Ilha do Bom Jesus foi doada pelos seus proprietários em 1704 à Congregação dos Frades Franciscanos, que ali ergueram a Igreja do Bom Jesus da Coluna. Edificada em 1705, portanto com mais de 300 anos, a igreja era integrada a um convento e, mais tarde, passou a funcionar como hospital, onde recebia, em sua maioria, feridos de guerra. Como hospital, acolheu pessoas acometidas por doenças diversas, leprosos, escravizados e vítimas das epidemias de febre amarela e cólera que assolaram o Rio de Janeiro em períodos diversos. Foi presídio e recebeu levas de imigrantes. Na Ilha, está localizado o Asilo dos Inválidos da Pátria, erguido por D. Pedro II para abrigar soldados egressos da Guerra do Paraguai. O nome da igreja remete à tradição popular de que Jesus teria ficado preso a uma coluna e teria sido açoitado, antes de ser crucificado. A imagem principal no altar retrata a cena. O templo foi tombado em 1937 pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional e teve sua restauração completa em 2008. Saiba mais sobre a equipe e o projeto aqui.



Autor: faperj
Fonte: faperj
Sítio Online da Publicação: faperj
Data: 16/04/2024
Publicação Original: https://www.faperj.br/?id=1004.7.2

Academia de Ciências promove primeiro seminário da série 'ABC 110 anos: Legado e Futuro'

Para festejar os seus 110 anos de fundação, a Academia Brasileira de Ciências (ABC) abrirá oficialmente, no dia 28 de abril, as comemorações com o primeiro seminário da série “ABC 110 Anos: Legado e Futuro” (endereço para inscrição no pé da pág.). Na mesma ocasião, será apresentado o processo de criação do site do Centro de Memória da ABC José Murilo de Carvalho, projeto financiado pela FAPERJ.


O físico Albert Einstein (ao centro, segurando o chapéu) e membros da Academia Brasileira de Ciências (ABC), entre os quais o primeiro presidente da instituição, Henrique Morize (de branco), e Juliano Moreira (de braços cruzados), na frente da sede da Academia, no dia 7 de maio de 1925 (Foto: O Universal)


Realizado em colaboração com o Museu de Astronomia e Ciências Afins (Mast), o objetivo do Centro é a promoção da difusão científica por meio do acesso ao acervo da instituição, que reúne mais de um século de memória científica brasileira, com documentos, fotos, vídeos, publicações e objetos de interesse de estudiosos e do público em geral. O nome homenageia o falecido acadêmico José Murilo de Carvalho (1939-2023), renomado historiador, cientista político e escritor, eleito para a ABC em 2003 e para a Academia Brasileira de Letras (ABL) em 2004. O grupo responsável pelo projeto foi liderado pelas acadêmicas Maria Vargas e Patricia Bozza, e contou com a participação dos acadêmicos Débora Foguel, Diogenes Campos, Ildeu Moreira, Paulo Terra, Rodrigo Toniol e Thaiane Oliveira, assim como com Everaldo Pereira Frade, à frente da parceria com o Mast.

Em página criada para apresentar o projeto, a acadêmica Maria Vargas explica que o material contemplado nesta primeira etapa corresponde a pouco mais de um terço do acervo total. “Tínhamos um conhecimento limitado sobre o material quando começamos, e acabamos descobrindo muito mais do que havíamos antecipado. Por essa razão, já estamos elaborando uma segunda fase do projeto. Nesta etapa, temos a intenção de organizar e digitalizar mais de 240 mil páginas. Esse acervo inclui toda a correspondência emitida e recebida desde 1929, uma documentação valiosa relacionada a convênios, intercâmbios acadêmicos e parcerias com instituições científicas, documentos sobre prêmios e honrarias que a Academia já outorgou, além daqueles que dizem respeito às negociações para que a ABC tivesse uma sede condizente com sua relevância. Faremos também a transcrição dos arquivos preciosos de áudio e vídeo que já foram masterizados na primeira etapa do projeto, para disponibilização virtual em PDF”, antecipa a professora.

O evento inaugural do dia 28 de abril contará com palestra intitulada “Os 110 Anos da Academia Brasileira de Ciências”, proferida pelo acadêmico e físico Ildeu de Castro Moreira, professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), na qual serão abordados marcos históricos deste percurso desde os anos iniciais de fundação, ao longo de sua trajetória de consolidação até os dias atuais.

Para acompanhar presencialmente o seminário, é necessário fazer a inscrição, gratuita, no Sympla

* Com informações da Assessoria de Comunicação da ABC



Autor: faperj
Fonte: faperj
Sítio Online da Publicação: faperj
Data: 16/04/2024
Publicação Original: https://www.faperj.br/?id=1007.7.9

quinta-feira, 16 de abril de 2026

Previsão analisada pela Nasa aponta colapso da atmosfera e antecipa prazo para o fim da vida na Terra


O destino da vida na Terra é uma incógnita que a ciência tenta decifrar por meio de modelos matemáticos e simulações computacionais de grande escala. Um estudo publicado em 2021, que voltou a viralizar recentemente após a missão Artemis II ir à lua, lançou luz sobre os limites temporais da nossa biosfera ao sugerir que a sobrevivência dos organismos no planeta pode ter um prazo mais curto do que se imaginava — tema que ganhou repercussão após ser comentado por cientistas ligados à Nasa

Como os cientistas previram o fim do oxigênio?
O estudo, publicado originalmente na revista Nature Geoscience e posteriormente divulgado por fontes especializadas, sustenta que o oxigênio atmosférico, componente fundamental para a vida como a conhecemos, desaparecerá de forma drástica em um futuro distante.

Para chegar a essa conclusão, os pesquisadores Kazumi Ozaki e Christopher T. Reinhard executaram um sistema de modelagem biogeoquímica e climática que realizou cerca de 400 mil simulações. O objetivo central era determinar a duração das condições ricas em oxigênio na nossa atmosfera. Os resultados indicaram que o tempo médio de vida de uma atmosfera com níveis de oxigênio superiores a 1% dos valores atuais é de aproximadamente 1,08 bilhão de anos, com uma margem de erro estatística. Esse processo de desoxigenação é, segundo os autores, uma consequência inevitável do aumento do fluxo solar à medida que o Sol evolui.

Por que a habitabilidade da Terra será reduzida pela metade?
Historicamente, a comunidade científica estimava que a habitabilidade terrestre se estenderia por cerca de dois bilhões de anos, baseando esse período no brilho constante do Sol. No entanto, as novas projeções da Nasa reduzem esse tempo quase pela metade. — Por muitos anos, a vida útil da biosfera da Terra foi discutida com base no brilho constante do Sol — explicou Kazumi Ozaki, autor principal do estudo. O especialista alertou que, à medida que o astro aumenta sua emissão de calor, a Terra se transformará em um ambiente hostil, no qual o ciclo de carbonatos e silicatos levará a uma atmosfera pobre em dióxido de carbono e, eventualmente, a uma queda abrupta na disponibilidade de oxigênio.

Embora o imaginário coletivo frequentemente associe o fim do planeta à expansão final do Sol — um processo que ocorrerá em cerca de cinco bilhões de anos, quando o astro se tornar uma gigante vermelha e engolir a Terra —, a realidade biológica será muito mais breve. Antes que a água dos oceanos evapore completamente ou que a superfície terrestre se torne inabitável devido às altas temperaturas solares, o colapso da atmosfera eliminará todas as formas de vida complexa que dependem da respiração aeróbica. A pesquisa aponta que essa desoxigenação ocorrerá antes da fase de efeito estufa úmido, marcando um ponto de não retorno para a biosfera.

É importante destacar que essa projeção científica se refere à viabilidade global da biosfera e não necessariamente ao destino da civilização humana. Diversos fatores ambientais, mudanças climáticas causadas pelo homem e eventos astronômicos imprevisíveis atuam como variáveis que podem alterar drasticamente o futuro da humanidade muito antes de o Sol esgotar seu ciclo de habitabilidade. Ainda assim, o estudo reforça que, em escala geológica, o destino da Terra está intrinsecamente ligado à evolução estelar e à estabilidade atmosférica que hoje permite a nossa existência.


Autor: o Globo 
Fonte: o Globo
Sítio Online da Publicação: o Globo
Data: 15/04/2024

Físicos descobrem que os líquidos (até a água) também se podem partir

Um novo estudo, publicado na Physical Review Letters, revelou que, além de esticar e fluir, os líquidos também podem estalar.

Desde a tecnologia de impressão 3D até aos sistemas biológicos dentro dos nossos corpos, esta descoberta, levada a cabo por investigadores da Universidade Drexel, nos EUA, e da ExxonMobil, vem abalar a mecânica dos fluidos.

Tudo começou quando cientistas faziam experiências para ver como líquidos viscosos respondem a forças intensas. Inicialmente pensaram que o equipamento de laboratório tinha avariado.

“A fratura causou um ruído de estalo muito alto que, na verdade, me assustou”, disse, à Science Alert, a engenheira química Thamires Lima, da Universidade Drexel.

“O que observámos foi tão inesperado. Assim que confirmámos o fenómeno, a investigação tornou-se um empreendimento científico completamente diferente”, afirmou, por seu turno, Nicolas Álvarez, engenheiro químico da Universidade Drexel.

Sabe a mesma revista que a equipa repetiu as experiências algumas vezes para garantir que os resultados eram fiáveis. A montagem envolveu líquidos colocados entre duas placas metálicas, observados por uma câmara de alta velocidade, e com uma variedade de forças aplicadas.

O primeiro estalo ocorreu quando o líquido foi puxado com uma força comparável à de um saco de tijolos suspenso numa área do tamanho de uma unha.

Isto foi num líquido de mistura de hidrocarbonetos semelhante a alcatrão, e o mesmo ponto de rutura foi, posteriormente, encontrado num líquido diferente, um oligómero de estireno – que também era espesso e semelhante a alcatrão.

A tensão acumula-se de forma diferente num líquido mais espesso e mais viscoso em comparação com um mais fluido, menos viscoso.

Com base nestas experiências, líquidos mais espessos podem rachar mesmo quando são puxados mais lentamente – mas a quantidade de força necessária parece ser a mesma, independentemente da viscosidade envolvida.

Autor: ZAP aeiou 
Fonte: ZAP aeiou
Sítio Online da Publicação: ZAP aeiou
Data: 15/04/2024

Novas experiências mostram que o núcleo da Terra pode guardar vastos "oceanos" de um elemento essencial para a vida

Estudar a origem e a distribuição do hidrogénio é fundamental para compreender a formação planetária e a evolução da vida na Terra
Imagine todos os oceanos da Terra, que cobrem cerca de 70% do planeta e são compostos maioritariamente por hidrogénio. Agora, multiplique isso por nove. Essa poderá ser a quantidade de hidrogénio presente no núcleo terrestre, o que fará desta a maior reserva do elemento no planeta, estimaram recentemente os investigadores.


E nove "oceanos" de hidrogénio representam apenas o limite inferior do cálculo, uma vez que o núcleo pode conter o equivalente a 45 oceanos. Dito de outra forma, o hidrogénio pode representar cerca de 0,07% a 0,36% do peso total do núcleo da Terra, revelou um grupo de cientistas esta terça-feira na revista Nature Communications. Isto sugere que o nosso planeta adquiriu a maior parte da sua água (a principal fonte de hidrogénio na Terra) durante a sua formação, e não mais tarde, através do impacto de cometas que teriam deixado água na superfície, como sugeriram alguns especialistas. A explicação foi avançada por Dongyang Huang, autor principal do estudo e professor assistente na Escola de Ciências da Terra e do Espaço da Universidade de Pequim.

O investigador precisou, num e-mail enviado à CNN, que "o núcleo terrestre teria armazenado a maior parte da água no primeiro milhão de anos de história da Terra". Seguem-se, em abundância de água, o manto e a crosta. Dongyang Huang acrescentou ainda que "a superfície, onde reside a vida, é a que contém menos".

Há mais de 4,6 mil milhões de anos, rochas, gás e poeira em torno do nosso sol colidiram para formar um jovem planeta. Com o tempo, estas colisões moldaram o núcleo, o manto e a crosta terrestre. No interior profundo da Terra, e sob enorme pressão, um núcleo metálico denso, quente e fluido começou a agitar-se. Composto maioritariamente por ferro e níquel, é este núcleo que alimenta o campo magnético protetor do nosso planeta.

Rajdeep Dasgupta, professor de ciência dos sistemas terrestres no departamento de Ciências da Terra, Ambientais e Planetárias da Universidade de Rice, no Texas, esclareceu que "o hidrogénio só pode entrar no líquido metálico que forma o núcleo se estivesse disponível durante as principais fases de crescimento da Terra e tivesse participado na sua formação". O especialista não esteve envolvido nesta nova investigação.

terça-feira, 14 de abril de 2026

Agricultura ganha aliada da ciência: pesquisa desenvolve plantas mais produtivas e resistentes





Desenvolvido por cientistas da UFRJ com apoio da FAPERJ, estudo investiga como o crescimento das plantas pode ser regulado a partir da identificação de genes-chave, responsáveis por controlar todo o desenvolvimento vegetal (Foto: Divulgação)

Uma pesquisa brasileira está abrindo caminho para uma nova geração de plantas mais produtivas, resistentes e sustentáveis. O estudo, desenvolvido por cientistas da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), investiga como o crescimento das plantas pode ser regulado a partir da identificação de genes-chave, responsáveis por controlar todo o desenvolvimento vegetal.


A proposta é entender quais mecanismos dentro da planta determinam seu crescimento e produtividade. Ao identificar esses genes principais, os pesquisadores conseguem ajustar o funcionamento da planta para que ela cresça melhor, produza mais e utilize menos recursos naturais.

Segundo a pesquisadora Adriana Hemerly, do Laboratório de Biologia Molecular de Plantas (LBMP/UFRJ), esses genes funcionam como um centro de comando. “O que conseguimos identificar são genes que atuam como reguladores principais. Ao modificar esse ponto central, conseguimos reorganizar toda a rede de funcionamento da planta, tornando-a mais eficiente”, explica.

A pesquisa envolve análises genéticas e experimentos em laboratório, onde os cientistas avaliam como as plantas se comportam em diferentes condições ambientais, como escassez de água e interação com bactérias benéficas que ajudam na absorção de nutrientes.

Um dos principais avanços do estudo foi a identificação de genes presentes em diversas espécies vegetais. Isso permite que a tecnologia seja aplicada em culturas agrícolas importantes, como milho, soja, algodão e cana-de-açúcar.



Adriana Hemerly: de acordo com a pesquisadora, resultados do estudo já indicam ganhos significativos na produtividade, além de melhor aproveitamento da luz solar, maior eficiência no uso da água e redução na necessidade de fertilizantes químicos (Foto: Divulgação)


Os resultados já indicam ganhos significativos na produtividade, além de melhor aproveitamento da luz solar, maior eficiência no uso da água e redução na necessidade de fertilizantes químicos. “Estamos falando de plantas que conseguem produzir mais utilizando menos recursos, o que é fundamental para uma agricultura mais sustentável”, destaca a pesquisadora.

Outro impacto importante é o ambiental. Com maior eficiência na fotossíntese, essas plantas também aumentam a captura de dióxido de carbono da atmosfera, contribuindo para a redução dos efeitos das mudanças climáticas.

Para a presidente da Fundação Carlos Chagas Filho de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro (FAPERJ), Caroline Alves, o investimento em pesquisa científica é essencial para o avanço do País. “Apoiar estudos como este é investir em inovação, sustentabilidade e no fortalecimento da nossa agricultura. A ciência produzida no Rio de Janeiro tem potencial para gerar impactos positivos não só no Brasil, mas em todo o mundo”, afirma.

Apesar dos avanços, os testes ainda são realizados em ambiente controlado, como casas de vegetação. Antes de chegar ao campo, a tecnologia precisa passar pela avaliação da Comissão Técnica Nacional de Biossegurança, responsável por garantir a segurança de organismos geneticamente modificados no Brasil.

A expectativa é que, após essa etapa e a adaptação pelas empresas do setor agrícola, as novas variedades estejam disponíveis para produtores em cerca de três anos. O objetivo final é desenvolver uma agricultura mais eficiente e sustentável, com plantas mais resistentes, produtivas e adaptadas aos desafios ambientais atuais.


Autor: faperj
Fonte: faperj
Sítio Online da Publicação: faperj
Data: 09/04/2024
Publicação Original: https://www.faperj.br/?id=1001.7.6

Pesquisa no IDOR analisa riscos cardiovasculares em pacientes que tiveram câncer de mama



Estudo realizado no IDOR analisou os mecanismos fisiológicos, moleculares e celulares associados ao aumento dos riscos cardiovasculares em mulheres que receberam tratamento quimioterápico a longo prazo (Foto: Freepik)

Um estudo desenvolvido no Instituto D’Or de Pesquisa e Ensino (IDOR) investiga os efeitos da quimioterapia a longo prazo para o sistema cardiovascular de mulheres que sobreviveram ao câncer de mama, especialmente como ela impacta o controle do sistema nervoso autônomo e a função vascular. A pesquisa, orientada por Allan Kluser, coordenador do Laboratório de Controle CardioNeuroVascular e professor no Programa de Pós-Graduação em Ciências Médicas do instituto, foi conduzida por João Izaias e colegas e ganhou visibilidade com a recente publicação, em março, de artigo na renomada revista científica internacional Journal of the American Heart Association. Kluser realiza suas atividades com apoio da FAPERJ, por meio do programa Jovem Cientista do Nosso Estado.

O projeto, que foi tema do doutorado de João Izaias, hoje no pós-doutorado em Ciências Médicas no IDOR, investiga os mecanismos fisiológicos, moleculares e celulares associados ao aumento dos riscos de desenvolvimento de doenças cardiovasculares em mulheres que receberam tratamento quimioterápico à base de doxorrubicina e trastuzumabe. Para isso, os pesquisadores examinaram e compararam dois grupos de pacientes, de 45 a 55 anos, recrutadas do Sistema Único de Saúde (SUS) e avaliadas no laboratório: um grupo de 23 sobreviventes ao câncer de mama, que finalizaram a quimioterapia há pelo menos oito anos, e o grupo controle, de 18 mulheres saudáveis e que nunca tiveram tumores.

Allan Kluser (à esq.) e João Izaias: pesquisadores observaram intolerância ao exercício físico e sobrecarga no sistema nervoso simpático, entre outras condições que ajudam a explicar o risco aumentado para doenças cardiovasculares nas pacientes investigadas (Fotos: Divulgação)


“Observamos que, nas pacientes que sobreviveram ao câncer de mama, houve uma sobrecarga do sistema nervoso simpático, responsável por preparar o corpo para situações de estresse, luta ou fuga; e disfunção vascular, isto é, alterações no sistema circulatório que precedem a formação da aterosclerose e que podem fazer o paciente infartar. Também observamos intolerância ao exercício físico, com falta de ar e fadiga associadas à realização de atividades físicas, e alterações subclínicas na função cardíaca, que não indicam de fato uma disfunção, mas já são uma pré-condição que pode levar à alteração cardíaca no futuro”, disse Kluser.

Os pesquisadores também encontraram alterações em diversos fatores no meio circulante sanguíneo desse grupo de pacientes. “Observamos estresse oxidativo aumentado, biodisponibilidade de óxido nítrico diminuída e aumento em vesículas extracelulares derivadas de células endoteliais, o que funciona como um marcador, ajudando a indicar a ativação endotelial, e alterações em diversos metabólitos sistêmicos”, detalhou. “Nós também fizemos experimentos ex vivo (fora do corpo humano, em ambientes laboratoriais controlados), envolvendo cultura de células endoteliais para investigar mecanismos moleculares relatados para a disfunção vascular verificada in vivo, ou seja, no paciente. Essas condições juntas podem ajudar a explicar, pelo menos em parte, o risco aumentado de desenvolvimento de doenças cardiovasculares nesse grupo populacional”, completou Allan Kluser.

Equipe de pesquisadores do IDOR, após apresentação de trabalho no 44º Congresso da Sociedade de Cardiologia do Estado de São Paulo: a partir da esq., Gabrielly Mel, João Izaias, Camila Nunes, Allan Kluser, Artur Sales, Bruna Ono, Thais Rodrigues e Maria Fernanda (Foto: Divulgação)


Ele contou que hoje, na literatura médica, sabe-se que pacientes sobreviventes ao câncer de mama apresentam um risco aumentado de desenvolver doenças cardiovasculares, mas havia poucas informações detalhadas sobre os mecanismos moleculares associados a essa fisiologia. “Por isso, decidimos nos debruçar sobre esse tema. O objetivo foi avaliar sobreviventes de câncer de mama a longo prazo, para saber porque eles apresentam riscos cardiovasculares aumentados. Partindo dessa perspectiva, estudamos os detalhes dos mecanismos fisiológicos, moleculares e celulares”, justificou.

Um dos testes realizados pela equipe foi a microneurografia, um método considerado pelos pesquisadores como referência – ou seja, o teste “padrão ouro” para medir a atividade neural simpática. “O Laboratório de Controle CardioNeuroVascular do IDOR, até onde eu tenho conhecimento, é um dos poucos lugares do Rio de Janeiro onde esse exame está sendo realizado quase que diariamente. Fomos o primeiro grupo de pesquisa no mundo, de que se tem notícia, a demonstrar que uma sessão de quimioterapia já é capaz de aumentar a atividade do sistema nervoso simpático”, destacou Kluser.




Autor: faperj
Fonte: faperj
Sítio Online da Publicação: faperj
Data: 09/04/2024
Publicação Original: https://www.faperj.br/?id=1000.7.0