terça-feira, 15 de setembro de 2026

Peptídeos em cosméticos: uma revolução que não é isenta de riscos

O uso de peptídeos não alérgenos em formulações cosméticas é apontado como uma alternativa de tratamento de alta performance (Foto: Magnific)
Nos últimos anos, tem surgido um boom de novos produtos cosméticos, que prometem revolucionar os resultados em rejuvenescimento da pele com o uso de peptídeos. As propagandas afirmam que eles são mais eficientes e seguros até para quem tem a pele sensível. Mas será que são mesmo? A resposta não é tão simples. De fato, têm o potencial de atuar mais profundamente nas células, mas a sensibilidade varia entre as pessoas e para diferentes tipos de peptídeos.

No intuito de garantir essa segurança, pesquisadores da Pontífícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio), liderados pelo professor André Silva Pimentel do Laboratório de Sistemas Complexos do Departamento de Química da universidade, publicaram, recentemente, um artigo no periódico American Chemical Society, que usa a Inteligência Artificial Explicável como método alternativo para determinar quais peptídeos são mais seguros contra alergias, para serem usados no desenvolvimento de novos produtos cosméticos. A pesquisa contou com financiamento da FAPERJ.

A palavra peptídeo está em alta no mundo da beleza, principalmente quando falamos em rejuvenescimento facial. "Os peptídeos são pequenas partes de uma proteína. É como se fossem os tijolos de uma casa e a proteína fosse a casa já pronta. Essas pequenas sequências são capazes de conversar diretamente com as nossas células", explica Pimentel.

Alguns peptídeos tendem a causar mais alergia do que outros. No tratamento do rejuvenescimento facial tradicional, usa-se muito retinol e ácidos, que têm significativamente mais chances de gerar reações alérgicas. O uso de peptídeos não alérgenos em formulações cosméticas entram como uma alternativa de tratamento de alta performance.

Os não alérgenos ajudam a ter uma comunicação saudável com o organismo, de tal forma, que o sistema imunológico não se sinta ameaçado e não gere uma reação inflamatória. "Isso evita o aparecimento de todos, ou pelo menos, da maioria dos sintomas alérgicos que estamos acostumados a ver, como a coceira, vermelhidão e a ardência. Os peptídeos entram como mensageiros que vão se comunicar com as células e ajudar a estimular a produção de colágeno, a elastina, e outras substâncias necessárias para o bom funcionamento do corpo", destaca Marina Damaso, mestranda do projeto.

O colágeno é a proteína que ajuda a trazer firmeza à pele. Já a produção de elastina traz elasticidade. Ao longo dos anos, nossa pele tende a ter um efeito de “derretimento”. "Imagine que o cimento que une os tijolos é o colágeno que não deixa a parede cair. Quando somos jovens, esse cimento está fresco e tem uma equipe de trabalhadores atenta e eficaz para manter sempre firme a estrutura. Ao longo dos anos, com a presença de alguns fatores como a exposição solar excessiva e sem proteção, estilo de vida, alimentação e poluição associados à genética fazem com que a nossa 'equipe de trabalhadores' fique mais lenta e menos eficaz. Então, começam a surgir as 'rachaduras' (rugas), a flacidez e outros sinais de envelhecimento", comenta Pimentel.

Ele explica que, para entender o papel da elastina na pele jovem ou de um idoso, é importante pensar em um colchão. Quando é recém-fabricado, os materiais internos do colchão são firmes e elásticos. Ao deitar, o colchão se adapta ao peso do corpo, mas assim que o indivíduo se levanta, retorna rapidamente ao formato original.

Com o passar dos anos, porém, esses materiais se desgastam, perdem elasticidade e deixam de recuperar completamente sua forma. O colchão passa a apresentar afundamentos permanentes, tornando-se menos firme e mais deformado. "Na pele ocorre um processo semelhante. A elastina funciona como esses 'materiais' no tecido cutâneo. Enquanto estão íntegros, permite que a pele estique e volte ao normal. Com o envelhecimento e a exposição ao sol, a elastina se degrada e se torna desorganizada", explica Damaso.

André Pimentel e Marina Damaso: professor do Laboratório de Sistemas Complexos do Departamento de Química da PUC-Rio lidera a equipe de pesquisadores que conta com a participação da mestranda (Fotos: Divulgação)


Como resultado, a pele perde sua capacidade de recuperação, tornando-se mais flácida e propensa ao surgimento de rugas. Assim como um colchão envelhecido perde sua capacidade de sustentar o corpo adequadamente.

Até recentemente, para saber se um peptídeo era alérgeno ou não se utilizava testes em animais, mas atualmente a Lei 15.183/2025, de 30 de julho de 2025, proíbe o uso de animais em testes de cosméticos, perfume e produtos de higiene pessoal e seus ingredientes em todo o território nacional. Essa lei é de grande importância para que tenhamos processos mais éticos e com a imposição de padrões rígidos para evitar abusos e garantir o bem-estar dos animais de laboratório.

Diante dessa restrição, os pesquisadores foram buscar alternativas e a Inteligência Artificial (IA) Explicável se tornou um caminho. Diferente da IA tradicional, a IA Explicável permite interpretar o que tem dentro da “caixa preta” para ter mais transparência na explicação dos resultados de alergenicidade dos peptídeos. "Além de classificar esses peptídeos de acordo com uma certa probabilidade de causar alergias, conseguimos identificar as sequências de forma específica usando interpretadores de última geração", diz Damaso.

Ela conta que os resultados são promissores. Ao decifrar os peptídeos alérgenos, conseguiram ajudar na criação de formulações cosméticas mais seguras. Com isso, evita-se a geração de processos inflamatórios e alérgicos. Isso é de grande importância, principalmente para pessoas com pele sensível. Enquanto os ácidos geram uma descamação para “forçar” uma renovação celular, os peptídeos não alérgenos entregam mensagens químicas sem gerar respostas alérgicas e de forma mais respeitosa para a célula.

Esses peptídeos geralmente são encontrados em forma de séruns, máscaras e cremes. E podem ser usados em peles com rosácea, área dos olhos e em peles ultrassensíveis, com acompanhamento profissional. "A aplicação dos nossos resultados pode ir além dos cosméticos. No futuro, os resultados dessa ferramenta também poderão ser úteis para evitar alergias, por exemplo, alimentares. Também poderá ter aplicação na imunoterapia para dessensibilizar pessoas alérgicas, em vacinas e, consequentemente, evitar complicações", diz Pimentel.

O uso da Inteligência Artificial Explicável para decifrar os peptídeos alérgenos, mostra que a tecnologia por traz da beleza, evoluiu, sendo cada vez mais inteligente, respeitosa e ética. E além de tudo é inclusiva para aqueles de peles sensíveis. O futuro da beleza deve incluir bons hábitos associados a produtos inteligentes e eficazes. Um caminho seguro para o rejuvenescimento saudável.


Autor: faperj
Fonte: faperj
Sítio Online da Publicação: faperj
Data: 10/09/2026
Publicação Original: https://www.faperj.br/?id=1073.7.1

Microdispositivo diagnóstico revela doenças de bovinos em 5 minutos


Um pequena quantidade de saliva, urina ou leite das vacas em contato com o reagente revela, em 5 minutos, a doença do animal ou a contaminação por antibiótico (Fotos: Divulgação)

Doenças que acometem os bovinos, especialmente o rebanho leiteiro, causam prejuízos estimados em R$ 6 bilhões por ano para os pecuaristas brasileiros, de acordo com informações publicadas no www.embrapa.br/gado-de-leite. As perdas são decorrentes da queda na produção de leite, no descarte de leite com resíduos de antibióticos, custos de tratamentos e abate prematuro de animais.

O que pode mudar rapidamente este cenário é o avanço da pesquisa. Cientistas do Laboratório de Nanorradiofarmácia do Instituto de Engenharia Nuclear (IEN), localizado na Cidade Universitária, Ilha do Fundão, no Rio de Janeiro, desenvolveram um microchip diagnóstico capaz de detectar as principais doenças dos bovinos em apenas cinco minutos. Coordenado pelo pesquisador Ralph Santos-Oliveira, Cientista do Nosso Estado da FAPERJ, o estudo integra o Programa Redes de Pesquisa em Nanotecnologia, criado pela Fundação em 2019.

O microchip é impresso em 3D em material transparente e ali são acrescidos reagentes específicos para diversas doenças do gado bovino. Com a ajuda da nanotecnologia, apenas algumas gotas da saliva ou urina do animal em contato com o reagente revelam em cinco minutos qual a enfermidade. Gotas de leite também podem acusar a presença de antibióticos no produto, que deve ser retirado imediatamente de circulação.

A mastite, uma inflamação da glândula mamária, é uma das principais doenças do gado leiteiro, respondendo por cerca de 70% das perdas, principalmente pela redução na produção de leite. Além disso, o leite de vacas tratadas com antibióticos não pode ser comercializado, gerando desperdício e queda de receita. Além da mastite, brucelose, tuberculose, diarréia, tristeza parasitária estão entre as enfermidades que podem ocorrer no rebanho.

Manter a sanidade do plantel de vacas leiteiras exige gastos e tempo. As fazendas contratam médicos veterinários, que fazem visitas periódicas para avaliar, entre outras coisas, a saúde dos animais. Em geral, exames de sangue são feitos para a detecção de doenças, sendo necessário enviar amostras para os laboratórios de análise, que darão a respostas em alguns dias.

Ralph Santos-Oliveira: segundo o pesquisador, o material já está disponível para empresas interessadas na comercialização. O próximo passo será fazer o mesmo microchip diagnóstico para detecção de doenças em equinos.


“A grande vantagem dos microdispositivos para teste colorimétrico é que eles não dependem de profissional com especialização para utilizá-los e fornecem o resultado em tempo real, cerca de cinco minutos”, aponta Santos-Oliveira. O pesquisador explica que o pequeno dispositivo, similar a um kit teste de gravidez, é produzido em impressora 3D e os reagentes são adicionados de acordo com a doença que se quer investigar. Algumas gotas de saliva, urina ou leite – para o caso de detecção de resíduo de antibióticos no leite – são adicionadas ao microchip e a reação será positiva ou negativa para a doença em questão ou presença de resíduo de medicamento. Desta forma, o pecuarista reduz o tempo e o custo do diagnóstico, podendo tomar uma decisão de tratamento mais rápida e evitar prejuízos.

Segundo Santos-Oliveira, que submeteu o projeto ao Programa Agro do Futuro, da FAPERJ, o próximo passo será o registro da patente, mas o material já está disponível para empresas que estejam interessadas na comercialização. O laboratório do IEN também pretende fazer o mesmo microchip diagnóstico para detecção de doenças em eqüinos. De acordo com o pesquisador, qualquer empresa interessada poderá com baixo custo e rapidez atender ao mercado e solicitar a aprovação na Anvisa”, concluiu.

O Programa Agro do Futuro nasceu com o objetivo de apoiar projetos de pesquisa, desenvolvimento e inovação que fortaleçam o ecossistema de agritechs e foodtechs no estado, estimular a criação de novas empresas de base tecnológica, ampliar mercados e consolidar cadeias agroindustriais inteligentes. A proposta é promover a modernização da produção agrícola e da agroindústria, reduzir perdas, ampliar a segurança alimentar e impulsionar a inserção de produtos fluminenses em mercados mais exigentes e sofisticados.

Segundo a presidente da FAPERJ, Caroline Alves, a iniciativa reforça o papel da ciência no desenvolvimento econômico do estado. “O Rio de Janeiro tem enorme potencial para integrar inovação tecnológica ao setor agroalimentar. Queremos estimular soluções que aumentem a produtividade, fortaleçam cadeias produtivas e ampliem a competitividade do estado, sempre com foco na sustentabilidade e na geração de conhecimento e riqueza”, afirma.



Autor: faperj
Fonte: faperj
Sítio Online da Publicação: faperj
Data: 10/09/2026
Publicação Original: https://www.faperj.br/?id=1034.7.1

Pesquisa desenvolve terapia na busca pela cura definitiva da hepatite B crônica

 

Principal doença entre as que afetam o fígado, a hepatite B crônica não possui atualmente terapia que promova a remissão total do vírus no órgão, e exige um tratamento contínuo do paciente (Foto: Magnific)


Doença viral que afeta o fígado e pode passar despercebida por anos, a hepatite B é um problema internacional de saúde pública. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), cerca de 1,5 milhão de novos casos da doença são notificados anualmente em todo o mundo. Estima-se que dois bilhões de pessoas no planeta estão infectadas com hepatite B, sendo que 296 milhões possuem a forma crônica da doença. O tratamento inclui o uso de medicamentos orais antivirais, que controlam a infecção, com o objetivo de evitar a progressão da doença nos casos crônicos, e a possibilidade dela evoluir para casos de cirrose ou de câncer no fígado. No entanto, as terapias atualmente disponíveis para a hepatite B crônica não promovem a remissão total do vírus no fígado, e requerem o uso contínuo do medicamento pelo paciente e a realização de exames por toda a vida. Vale lembrar que a principal forma de prevenção da infecção pelo vírus da hepatite B é a vacina, que está disponível no Sistema Único de Saúde (SUS), de forma universal, desde 2016.


Nesse cenário, a bióloga Giovana Angelice, da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), que participa do Programa de Mobilidade Internacional – Doutorado Sanduíche Nota 10 da FAPERJ, na Bélgica, investiga o desenvolvimento de um tratamento inovador e definitivo para a hepatite B, com base no mecanismo do RNA de interferência (RNAi), capaz de bloquear de vez a replicação do vírus dentro das células. Trata-se de um mecanismo celular natural que silencia genes específicos, ao destruir ou bloquear o seu RNA mensageiro (mRNA), impedindo a produção de proteínas.

“A longo prazo, o desenvolvimento de uma terapia nacional baseada em RNAi abre caminho para a criação, no futuro, de um fármaco brasileiro inovador. Isso reduziria a dependência de tecnologia estrangeira, baratearia os custos de saúde para o estado e, o mais importante, ofereceria uma perspectiva de tratamento mais eficaz e acessível para a população fluminense”, explicou Giovana, que é mestre em Biologia celular e molecular pela Fiocruz, onde integra a equipe do Laboratório de Referência em Hepatites Virais do Instituto Oswaldo Cruz (IOC), e desenvolve a pesquisa sob orientação do professor Francisco Campello do Amaral Mello.

Giovana Angelice: pesquisadora participa, na Bélgica, de estudo sobre o papel do RNA de interferência para bloquear a replicação do vírus da hepatite B (Foto: Divulgação)


De acordo com a pesquisadora, o edital de Mobilidade Internacional da FAPERJ permitiu estabelecer uma importante parceria com o grupo do professor Kai Dallmeier, na Universidade Católica de Leuven (Katholieke Universiteit Leuven), na Bélgica. Essa colaboração estratégica possibilitou, para Giovana, o acesso a um modelo animal inovador desenvolvido pela equipe belga, que reproduz a infecção humana e é essencial para validar a eficácia da terapia desenvolvida pela doutoranda. “As agências de fomento são a espinha dorsal do desenvolvimento científico e tecnológico do Brasil. Diferente de outros países, a ciência brasileira e fluminense é financiada quase em sua totalidade pelo investimento público. Sem esse apoio, a pesquisa e a inovação não existiriam. Trabalhar em outro país amplia nossa visão de mundo, estimula a criatividade, fortalece a capacidade de resolver problemas e proporciona o aprendizado de um novo idioma, competências indispensáveis para a formação de um pesquisador”, ponderou.

O estudo teve como desdobramento a publicação de um artigo na revista científica internacional International Journal of Molecular Sciences – MDPI, intitulado Evaluation of Interfering RNA Efficacy in Treating Hepatitis B: Is It Promising?.

Impactos da hepatite B no estado do Rio de Janeiro


Carlos Terra: médico hepatologista, ele ressalta que a evolução da hepatite B crônica no fígado do paciente muitas vezes é silenciosa (Foto: Divulgação)


No estado do Rio de Janeiro, foram registrados 754 casos de janeiro a dezembro de 2025, e 352 casos em 2026, de janeiro a agosto, totalizando 1.106 casos nos dois períodos, segundo dados da Secretaria de Estado de Saúde (SES). A Região Metropolitana I (Rio e adjacências) teve mais notificações, com 449 notificações de casos de hepatite B em 2025, e 192 em 2026. Já a Região Metropolitana II (Niterói e adjacências), teve 77 casos em 2025, e 50 neste ano.

O médico hepatologista Carlos Antonio Rodrigues Terra Filho, professor da Faculdade de Ciências Médicas da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), destacou a necessidade de distinguir os casos de hepatite B agudos e crônicos. “Para que o gestor em saúde pública possa mensurar melhor os impactos da doença, precisaríamos diferenciar as notificações dos casos de hepatite B aguda, que têm impacto bem menor, dos casos de hepatite B crônica. Uma vez contraído o vírus, a pessoa pode ter uma infecção aguda e o próprio organismo encontrar a cura espontaneamente, sem um transtorno maior para o sistema de saúde. Mas, em 5% a 10% dos pacientes com hepatite aguda, o vírus permanece no corpo, com potencial para causar inflamação crônica, para a deposição de fibroses (cicatrizes) que se convertem em cirrose, podendo até evoluir após alguns anos para o câncer de fígado, de forma silenciosa”, detalhou.

Principal causa entre as doenças do fígado, a hepatite B é transmitida por agentes patogênicos encontrados no sangue, por contato sexual ou durante a gestação, da mãe ao bebê. Após um período de incubação de 90 dias, as manifestações clínicas da doença podem ser assintomáticas ou mesmo se tornarem uma hepatite fulminante, dependendo da resposta do sistema imunológico do paciente.




Autor: faperj
Fonte: faperj
Sítio Online da Publicação: faperj
Data: 10/09/2026
Publicação Original: https://www.faperj.br/?id=1106.7.0

segunda-feira, 14 de setembro de 2026

Estados Unidos tentam reduzir preços dos medicamentos: doentes europeus podem ter de esperar mais


Direitos de autor Canva

Doentes europeus poderão ter de esperar mais por alguns medicamentos novos, já que os esforços dos EUA para baixar preços podem levar empresas farmacêuticas a adiarem lançamentos em mercados mais baratos, indica um novo estudo de modelização.

Em maio passado, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, avançou com uma iniciativa para alinhar o preço dos medicamentos com os níveis mais baixos praticados noutros países desenvolvidos, o chamado sistema de preços de nação mais favorecida (MFN). No entanto, esta política de preços pode ter consequências negativas.

Os doentes europeus podem vir a esperar mais tempo por alguns medicamentos inovadores, à medida que os Estados Unidos obrigam as farmacêuticas a oferecer preços alinhados com outros países de elevado rendimento, como a Alemanha ou a França, segundo um novo estudo de modelização publicado na revista The Lancet.

Os investigadores analisaram 195 medicamentos patenteados que, em conjunto, representam 87,9 mil milhões de dólares da despesa anual dos Estados Unidos. Concluíram que, em três em cada quatro fármacos estudados, o montante que as empresas perderiam ao baixar os preços no mercado norte‑americano seria superior ao total das vendas anuais nos países usados como referência para fixar os preços nos Estados Unidos.

Para minimizar as perdas nos Estados Unidos, o maior mercado farmacêutico mundial, as empresas “podem ser incentivadas a adiar o lançamento no mercado nos países com preços mais baixos incluídos na referência”, afirmaram os investigadores, uma vez que, ao atrasar os lançamentos, as farmacêuticas evitam ter de igualar esses preços mais baixos nos Estados Unidos.

“As políticas nos Estados Unidos podem afetar o acesso a medicamentos em todo o mundo”, afirmou em comunicado Kerstin Vokinger, autora do estudo e investigadora na ETH Zurique e na Universidade de Zurique.

Quem acaba por sentir o impacto são os doentes.

“O risco é muito concreto: se as empresas farmacêuticas atrasarem o lançamento de medicamentos na Europa porque os preços europeus podem ser usados para definir os preços nos Estados Unidos, os doentes daqui podem ter de esperar mais tempo por tratamentos que já estão disponíveis noutros lugares”, afirmou o European Patients Forum em comentário escrito enviado à Euronews Health. “Para quem vive com uma doença grave ou progressiva, uma espera adicional pode ter um impacto real na saúde e na qualidade de vida.”

A política norte‑americana já se faz sentir na Europa.


Países de referência na Europa incluídos no estudo de modelização MapChart
Impacto na Europa

A Europa tem registado uma quebra nos lançamentos de novos medicamentos nos últimos meses. Dez meses após a ordem executiva de Trump, o número de lançamentos nos mercados da UE caiu cerca de 35% face aos dez meses anteriores, reportou a Reuters em março.

Embora não seja claro se esta quebra está diretamente ligada às políticas nos Estados Unidos, foi anunciado em fevereiro que a retirada do mercado de um medicamento para tratar casos particularmente graves de colesterol elevado pode estar relacionada com a política de preços de medicamentos do Presidente norte‑americano, Donald Trump.

“É verdade que, mesmo em países maiores como a Alemanha, vemos empresas a reconsiderar se lançam ou quando lançam um medicamento”, disse à Euronews Alexander Natz, secretário‑geral da associação de empresários da biotecnologia Eucope, explicando que a situação atual obriga as farmacêuticas a pensar duas vezes antes de avançar com um lançamento.

“Não devemos assumir que vamos deixar de ter acesso a medicamentos, mas devemos contar com decisões muito mais ponderadas por parte das empresas”, acrescentou.

Para Natz, para garantir que a Europa recebe novos medicamentos sem atrasos, os governos têm de estar dispostos a gastar mais.

“É preciso ter um debate, um debate político interno na Alemanha e noutros países, sobre quanto estamos dispostos a gastar com os cuidados de saúde”, afirmou.

Os países já sentem essa pressão sobre orçamentos apertados.

“Os países de referência, da Alemanha ao Japão e à Austrália, enfrentam uma pressão significativa da administração norte‑americana e da indústria para aumentarem os preços e a despesa com medicamentos”, afirmou Thomas Hwang, do Brigham and Women’s Hospital, autor principal do estudo.

“Mas isso confronta‑se com a realidade de que outros países têm uma margem orçamental limitada”, acrescentou.

Para reduzir os impactos negativos, os autores do estudo apontam que fabricantes e países podem passar a usar os preços de tabela — ou seja, o preço de catálogo antes de descontos — em vez dos preços líquidos, que refletem descontos confidenciais.

Entretanto, ao abrigo das regras farmacêuticas da União Europeia recentemente atualizadas, uma empresa tem de lançar um novo medicamento se um país o solicitar no prazo de três anos, sob pena de perder dois anos de direitos de exclusividade.

Esta condição funciona como um “contrapeso” aos efeitos da política de preços de medicamentos de Trump; porém, é “pouco provável que, por si só, altere de forma significativa a dimensão das poupanças”, escreveram os autores. Natz mostrou‑se igualmente céptico quanto à possibilidade de isto ser suficiente para eliminar eventuais consequências negativas da política de preços norte‑americana.
Quanto poupam os Estados Unidos?

Embora a política de preços de medicamentos dos Estados Unidos esteja a provocar riscos de atrasos na Europa, pode permitir aos Estados Unidos reduzir a despesa em 5,2 mil milhões de dólares em medicamentos usados em hospitais e 6,4 mil milhões de dólares em fármacos comprados em farmácias, segundo o estudo publicado na The Lancet. Essas poupanças poderiam subir, respetivamente, para 21 mil milhões e 25,5 mil milhões de dólares com uma aplicação mais ampla da política.

Mas, como 17 empresas celebraram acordos confidenciais com a administração, ficando excluídas destas regras, as poupanças potenciais seriam reduzidas em 71%.

Embora o sistema de preços de nação mais favorecida tenha potencial “para gerar poupanças reais para o governo federal dos Estados Unidos e para os contribuintes (…) se os fabricantes puderem escapar à participação nestes modelos através de acordos paralelos, a maior parte dessas poupanças pode não se concretizar”, advertiu Hwang.

O European Patients Forum afirmou que, se a “implementação da política de preços dos Estados Unidos levar a atrasos no lançamento de medicamentos noutros países sem gerar as poupanças esperadas para o Medicare [programa de seguro de saúde dos Estados Unidos], corre‑se o risco de criar uma situação em que todos perdem, tanto os sistemas de saúde como os doentes”.

A Comissão Europeia está também a analisar o tema, depois de os ministros da Saúde, em meados de junho, terem encarregado a comissária europeia da Saúde de avaliar o impacto da política de nação mais favorecida dos Estados Unidos sobre o bloco: se o MFN está a provocar atrasos nos lançamentos, aumentos significativos de preços e, em última instância, uma redução do acesso a medicamentos inovadores.

No estudo, ainda não publicado mas consultado pela Euronews Health, a Comissão afirma que, por agora, é quase impossível determinar se os atrasos ou as pressões sobre os preços estão diretamente ligados às políticas de preços dos Estados Unidos ou resultam antes das atuais incertezas em torno delas, remetendo para os próximos anos uma maior clarificação.

“Pelo que percebo, o estudo da Comissão diz, basicamente, que é demasiado cedo para comparar preços individuais. Até aqui, tudo bem, talvez seja verdade. Mas as implicações são muito mais amplas”, disse Natz, acrescentando que “não se trata apenas desse preço; trata‑se também de saber se esse produto alguma vez será lançado na Europa, se chegará aos doentes na Alemanha. Essa é a verdadeira questão aqui”.


Autor: pt.euronews
Fonte: pt.euronews
Sítio Online da Publicação: pt.euronews
Data: 14/09/2026

Cirurgia às cataratas em Marte: cientistas testam implantes oculares no espaço



Direitos de autor NASA
Uma equipa de investigação enviou 135 lentes artificiais sem embalagem para a Estação Espacial Internacional, onde ficaram cerca de seis meses expostas às condições da órbita baixa da Terra antes de regressarem para análise.


Uma viagem a Marte pode demorar meses. E o que acontece se um astronauta desenvolver um problema ocular grave a meio do trajecto?

Uma equipa de investigadores nos Estados Unidos enviou lentes artificiais usadas em cirurgias às cataratas para fora da Estação Espacial Internacional, para perceber se os implantes necessários em futuras operações conseguiriam sobreviver à viagem até destinos como Marte.

Os investigadores responsáveis pelo estudo acreditam que, ainda durante a sua vida, alguém vai precisar de uma cirurgia às cataratas em Marte.

“Uma viagem até Marte pode demorar quase um ano, e regressar à Terra por causa de uma catarata que limite a visão, de uma lesão ou de outro problema ocular cirúrgico pode não ser realista”, afirmou Morgan Micheletti, cirurgião oftalmologista e director de investigação no Berkeley Eye Center, nos Estados Unidos.


“Mais cedo ou mais tarde, o tratamento terá de ser feito onde o doente estiver.”

Forma-se uma catarata quando a lente natural do olho se torna opaca. Durante a cirurgia, os médicos removem essa lente e substituem-na por uma lente artificial transparente, chamada lente intraocular.

Fazer o mesmo a milhões de quilómetros da Terra exigiria alguém capaz de realizar a operação, bem como aparelhos, material e

sterilizado e implantes que resistam à viagem.

A ideia também nasceu da fascinação que Micheletti alimenta desde criança.

“Estou fascinado pelo espaço desde que me lembro”, disse.

“Quando me tornei cirurgião ocular, essa fascinação evoluiu para uma questão mais prática. Conseguiria fazer uma cirurgia no espaço?”
Que aconteceu às lentes no espaço?

No âmbito do projecto JAMES, a equipa enviou 135 lentes artificiais sem embalagem para a Estação Espacial Internacional.

Ficaram cerca de seis meses no exterior da estação, em três posições, expostas a condições diferentes: uma ficou voltada para oxigénio atómico altamente reactivo, outra recebeu radiação ultravioleta intensa do Sol e uma terceira ficou parcialmente protegida de ambos.

Outras 45 lentes, também sem embalagem, ficaram na Terra para comparação.

Depois do regresso das lentes enviadas ao espaço, uma equipa do Intermountain Ocular Research Center, da Universidade do Utah, examinou 61 delas, a par de 20 lentes que tinham permanecido na Terra.

A maioria das lentes expostas ao espaço, 42 em 61, não apresentou alterações relevantes.

Das outras 19, oito lentes de acrílico desenvolveram fissuras e rugosidade à superfície, compatíveis com erosão provocada por oxigénio atómico, enquanto cinco adquiriram descoloração amarelada e deixaram passar menos luz em determinados comprimentos de onda.

As seis lentes ajustáveis por luz, que podem ser afinadas com luz ultravioleta após a implantação, apresentaram um aspecto invulgar em “calçada” ou tipo “plástico de bolhas”. Os investigadores ainda não sabem porquê.

Isso não significa, alertam os investigadores, que implantes para cataratas fossem necessariamente danificados numa viagem a Marte.

As lentes foram deliberadamente deixadas sem embalagem e expostas directamente ao ambiente hostil no exterior da estação, para identificar de que forma poderiam falhar. Na prática, viajariam protegidas no interior de uma nave espacial.


Quão realista é uma cirurgia às cataratas no espaço?

A cirurgia às cataratas para lá da Terra continua a ser uma perspectiva distante.

A experiência testou a forma como as lentes artificiais resistem às condições do espaço, não se a própria cirurgia pode ser realizada em segurança fora da Terra. Os investigadores também ainda não sabem se as alterações detectadas em algumas lentes afectariam a visão ou as tornariam inutilizáveis.

O passo seguinte para Micheletti é testar o aparelho usado na cirurgia às cataratas durante curtos períodos de microgravidade, em voos parabólicos.

O equipamento utiliza ultrassons e líquido para fragmentar e remover a lente natural turva do olho.

Se isso resultar, espera avançar para testes mais longos em microgravidade e, por fim, para uma experiência cirúrgica em órbita.

“A progressão tem de ser cuidadosa. Primeiro os materiais, depois o equipamento, a seguir o procedimento e, por último, a própria cirurgia”, sublinhou.

“O meu objectivo a longo prazo é ajudar a tornar possível a primeira cirurgia ocular para lá da Terra.”

Os resultados da experiência foram apresentados no domingo, em Londres, no congresso da Sociedade Europeia de Cirurgiões de Catarata e Cirurgia Refrativa.

Os investigadores acreditam que se trata da primeira experiência controlada em que vários tipos de lentes oculares artificiais modernas são expostos directamente ao ambiente exterior da Estação Espacial Internacional e depois devolvidos à Terra para análise laboratorial.


O passo seguinte é perceber de quanta embalagem e protecção necessitam, sem acrescentar peso e volume desnecessários.



Autor: pt.euronews
Fonte: pt.euronews
Sítio Online da Publicação: pt.euronews
Data: 14/09/2026
Publicação Original: https://pt.euronews.com/saude/2026/09/14/cirurgia-as-cataratas-em-marte-cientistas-testam-implantes-oculares-no-espaco

sexta-feira, 11 de setembro de 2026

Luz da lua, ecrãs de telemóvel e LEDs: o seu quarto está demasiado iluminado?



Direitos de autor Canva
Um novo estudo conclui que até a fraca luz de um ecrã de telemóvel durante o sono está associada a alterações potencialmente nocivas na estrutura e função cardíacas.

A poluição luminosa durante o sono noturno – mesmo níveis tão baixos como luz da lua ou luz que entra pela frincha de uma porta – prejudica o coração humano, segundo um novo estudo (fonte em inglês) publicado no European Heart Journal.


“A exposição a níveis mais elevados de luz durante a noite está ligada à remodelação cardíaca”, afirmou Lu Qi, da Tulane University, em Nova Orleães, EUA, que liderou a investigação, num comunicado de imprensa. “É quando se alteram a estrutura e a função do coração e, normalmente, observamos isso em resposta a stress crónico ou lesão cardíaca.”

Embora seja assim que o organismo se adapta a esse stress, “acaba por enfraquecer o coração e pode conduzir a insuficiência cardíaca”, sublinhou.

Por isso, manter os quartos o mais escuros possível “deve ser considerado uma das estratégias potenciais para prevenir doenças cardíacas por parte de clínicos e decisores políticos”, disse Qi.

O estudo incluiu 11.071 pessoas expostas, durante uma semana, a diferentes níveis de luz durante a noite, desde quase total escuridão até intensidades variadas, incluindo luz equivalente ao ecrã de um telemóvel com brilho reduzido ou à luz que entra por uma porta entreaberta.

Três anos depois, os participantes foram submetidos a uma ressonância magnética cardiovascular para avaliar eventuais alterações na estrutura e na função do coração.

Os resultados mostraram que os participantes expostos aos níveis mais elevados de luz noturna apresentavam espessamento das paredes da câmara esquerda do coração, reduzindo o espaço no ventrículo. Surgiram também sinais de redução da capacidade do coração de se contrair e relaxar durante cada batimento, um indicador precoce de disfunção cardíaca.

“A escuridão merece ser reconhecida como um sinal vital, tão essencial para a saúde cardiovascular como o controlo da pressão arterial e ar limpo”, escreveram o professor Thomas Münzel, do University Medical Center Mainz, na Alemanha, e colegas, num editorial que acompanha o estudo.

Apelaram aos clínicos para que passem a perguntar sobre o ambiente de sono: “quão escuro é o quarto, se o doente trabalha em turnos noturnos e quanto tempo de utilização de ecrãs existe após o anoitecer”, recomendando o uso de cortinas opacas, iluminação de cabeceira em tons quentes e a cobertura dos pequenos LEDs de standby dos aparelhos eletrónicos domésticos.

Os municípios também têm um papel a desempenhar, sendo a poluição luminosa “um dos poucos riscos ambientais que as cidades podem controlar de forma direta e acessível”, acrescentaram, apontando luminárias protegidas, lâmpadas de espetro quente e iluminação pública regulável ou acionada por movimento como formas “eficientes em termos energéticos e amigas do clima” de reduzir a exposição à luz.




Autor: pt.euronews
Fonte: pt.euronews
Sítio Online da Publicação: pt.euronews
Data: 11/09/2026

Refeições ao fim de semana fora de horas podem prejudicar coração dos homens


Direitos de autor Cleared/Canva

Horários de trabalho ou de aulas muito cedo obrigam muitas pessoas a ajustar as refeições durante a semana, com horários diferentes dos do fim de semana e dos dias de descanso.

Estas alterações nos padrões alimentares podem perturbar os ritmos biológicos do organismo e ter impacto na saúde cardiovascular, indica um novo estudo francês. Cada hora adicional de “jet lag alimentar” aumentou em 14% o risco de doença cardiovascular e em 21% o risco de doença coronária nos homens, segundo os investigadores.

“Este estudo sugere a importância de padrões regulares de horário das refeições, para além do sono e da qualidade da alimentação, na prevenção da doença cardiovascular”, escreveram os autores.

A investigação, publicada na revista Communications Medicine (fonte em inglês), analisou os horários da primeira e da última refeição de mais de 100 mil participantes em dias úteis e ao fim de semana, ao longo de um período de acompanhamento de 14 anos, entre 2009 e 2023.
Homens são mais afetados

Os participantes foram classificados de acordo com os horários das refeições: o primeiro grupo comia mais cedo ao fim de semana do que durante a semana, o segundo mantinha horários semelhantes em ambos os períodos e o último fazia as refeições mais tarde ao fim de semana.

Os dois grupos que comiam mais tarde ou mais cedo do que o habitual apresentaram um risco cardiovascular superior ao do grupo com horários regulares, independentemente da qualidade global da alimentação.

De forma surpreendente, este padrão só foi observado nos homens; as mulheres não pareceram ser afetadas pelas alterações de horário.

Porquê?

Uma explicação poderá ser o facto de os homens terem, em geral, um risco absoluto mais elevado de doença cardiovascular. Os autores apontam ainda que as mulheres tendem mais do que os homens a seguir rotinas matinais, diferença associada à anatomia e às hormonas, o que pode influenciar a forma como o organismo reage a mudanças no horário das refeições.
Irregularidade nos horários das refeições: o que está por trás

Para os autores, a principal explicação é que o “jet lag alimentar” aumenta o risco de eventos cardiovasculares através da perturbação dos ritmos circadianos.

Os ritmos circadianos são os relógios internos do corpo, baseados em ciclos de 24 horas que ajudam a regular o seu funcionamento. São sobretudo regulados pela luz, mas os padrões alimentares também podem atuar como sincronizadores de relógios periféricos, como os do fígado e do coração. Quando os horários das refeições estão alinhados com esses ritmos internos, a saúde metabólica beneficia; a irregularidade pode desorganizar o equilíbrio interno do organismo.

Os autores assinalam que, se os resultados forem confirmados por novos estudos de grande escala, a regularidade dos horários das refeições poderá tornar‑se um eixo central de intervenções destinadas a reduzir o risco de doenças crónicas e aliviar a carga sobre a saúde pública.



Autor: pt.euronews
Fonte: pt.euronews
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Data: 08/09/2026

Preparar a mente para a cirurgia é tão importante como preparar o corpo



Direitos de autor Canva

“O stress da cirurgia pode agravar sintomas de ansiedade e depressão e afetar a recuperação e a saúde global dos doentes”, afirmou a primeira autora do estudo, Joanna Abraham, num comunicado de imprensa.

Os autores defendem que os cuidados prévios à cirurgia devem incluir não só a preparação física, mas também a preparação psicológica, levada a cabo por profissionais de saúde mental qualificados – algo que os atuais cuidados perioperatórios geralmente não contemplam.

“Reconhecemos a importância de pôr o corpo em forma antes da cirurgia, mas preparar a mente e o cérebro é igualmente crucial”, afirmou o autor sénior do estudo, Eric J. Lenze.

A solução passa por tratar os doentes de forma “holística”, disse Michael S. Avidan, aproximando anestesiologia e psiquiatria.
Impacto de uma chamada telefónica

O estudo incluiu 306 adultos com 60 ou mais anos, agendados para cirurgia cardíaca, oncológica ou ortopédica. Os participantes foram divididos em dois grupos. Um recebeu apenas materiais de autoajuda para leitura autónoma, enquanto o outro falou com um profissional de saúde mental, como um assistente social ou conselheiro de saúde mental, ao longo de oito a 12 sessões telefónicas. Este segundo grupo teve também uma avaliação personalizada por farmacêuticos e médicos, para otimizar em segurança as doses de medicamentos de alto risco.

Três meses após a cirurgia, os doentes que beneficiaram de consulta com profissionais de saúde mental e de revisão da medicação registaram uma redução dos sintomas de depressão e ansiedade entre 2,2 e 2,5 pontos superior à do grupo que recebeu apenas materiais educativos, numa escala de 48 pontos.

Os mais velhos submetidos a cirurgia oncológica apresentaram as maiores melhorias na saúde mental, com valores quase cinco pontos inferiores aos do grupo de controlo.


Os doentes relataram também experiências positivas com estes cuidados adicionais, tanto com os profissionais de bem‑estar como com os farmacêuticos que trabalharam para eliminar medicamentos desnecessários.

“O que torna este modelo de cuidados tão promissor é ser fácil de implementar”, afirmou Abraham. “Os doentes e os profissionais de saúde consideraram o programa manejável e simples de integrar nos fluxos cirúrgicos já existentes. Um acompanhamento proativo da saúde mental não tem de sobrecarregar o sistema hospitalar.”




Autor: pt.euronews
Fonte: pt.euronews
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Data: 10/09/2026

quinta-feira, 10 de setembro de 2026

InfoGripe: cresce número de casos de SRAG em crianças e adolescentes


Divulgada nesta quinta-feira (3/9), a nova edição do Boletim InfoGripe da Fiocruz aponta manutenção do sinal de aumento dos casos de Síndrome Respiratória Aguda (SRAG), em nível nacional, nas crianças e adolescentes de até 14 anos. O crescimento está associado principalmente ao rinovírus. A análise é referente à Semana Epidemiológica 34, período de 23 a 29 de agosto.

A atualização destaca também que 3 das 27 unidades federativas - Alagoas, Goiás e Paraíba - apresentam incidência de SRAG em nível de alerta, risco ou alto risco nas últimas duas semanas, com sinal de crescimento até a Semana 34. Segundo o estudo, o aumento de SRAG nesses estados se concentra principalmente nas crianças de até 4 anos.

Alagoas também registra aumento de SRAG nas faixas etárias de 5 a 14 anos e 15 a 49 anos. O rinovírus é o principal vírus associado a este crescimento, especialmente entre crianças e adolescentes. Em Alagoas e na Paraíba, observa-se a contribuição do metapneumovírus.


Estados e capitais

Dez unidades da Federação (UF) também apresentam incidência de SRAG em níveis de alerta, risco ou alto risco, porém sem sinal de crescimento na tendência de longo prazo: Amazonas, Maranhão, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Paraná, Rio Grande do Sul, Rio de Janeiro, Roraima, Santa Catarina e Sergipe.

Seis das 27 capitais registram nível de atividade de SRAG em alerta, risco ou alto risco, com indícios de crescimento de SRAG até a Semana 34: Aracaju, Boa Vista, Goiânia, João Pessoa, Salvador e Vitória.

Dados epidemiológicos

Nas quatro últimas semanas epidemiológicas, a proporção entre os casos positivos foi de 3,6% de influenza A, 6,9% de influenza B, 31,9% de vírus sincicial respiratório, 44,3% de rinovírus e 2,1% de Sars-CoV-2 (Covid-19). Entre os óbitos, a presença destes mesmos vírus entre os positivos e no mesmo recorte temporal foi de 14,3% de influenza A, 16,3% de influenza B, 24% de vírus sincicial respiratório, 34,2% de rinovírus e 4,1% de Sars-CoV-2 (Covid -19).

Referente ao ano epidemiológico 2026, já foram notificados 144.599 casos de SRAG, sendo 78.101 (54%) com resultado laboratorial positivo para algum vírus respiratório, 50.925 (35,2%) negativos, e cerca de 7.323 (5,1%) aguardando resultado laboratorial. Dentre os casos positivos do ano corrente, observou-se 17,5% de influenza A, 5,4% de influenza B, 41,7% de vírus sincicial respiratório, 30,7% de rinovírus e 3,8% de Sars-CoV-2 (Covid-19).

Dentre os casos positivos do ano corrente, observou-se 17,5% de influenza A, 5,4% de influenza B, 41,7% de vírus sincicial respiratório, 30,7% de rinovírus e 3,8% de Sars-CoV-2 (Covid-19). Nas quatro últimas semanas epidemiológicas, a prevalência entre os casos positivos foi de 3,6% de influenza A, 6,9% de influenza B, 31,9% de vírus sincicial respiratório, 44,3% de rinovírus e 2,1% de Sars-CoV-2 (Covid-19).

Incidência e mortalidade

A incidência de SRAG é mais elevada nas crianças pequenas e está associada principalmente ao VSR. Já a mortalidade é maior entre os idosos, tendo como principal causa o vírus da influenza A, rinovírus e VSR. O VSR e o rinovírus também se destacam como principais causas de mortalidade nas crianças pequenas. A incidência de SRAG por Covid-19 continua baixa em todas as faixas etárias.

As ocorrências de SRAG por vírus sincicial respiratório (VSR) continuam caindo na maior parte do país, com exceção de Roraima, onde observa-se uma retomada das hospitalizações pelo vírus. O estudo observa ainda que os casos de SRAG por VSR ainda estão um pouco elevados neste período na Bahia, Minas Gerais, Mato Grosso do Sul, Paraná, Santa Catarina, Sergipe e Rio Grande do Sul.

O período da sazonalidade da influenza A já se encerrou no país. Porém os casos graves por influenza B tem apresentado aumento nos estados da Bahia, Mato Grosso e Ceará. Em relação à Covid-19, todas as UF estão em um patamar baixo de incidência.

Período eleitoral

Durante o período eleitoral (de 4 de julho até 25 de outubro), os conteúdos digitais publicados e disponibilizados pela Agência Fiocruz de Notícias (AFN) acompanham as orientações da Advocacia-Geral da União (AGU) e da Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República (Secom). O documento esclarece que é permitida a divulgação de "conteúdo meramente informativo ou de serviço ao cidadão".


Autor: fiocruz
Fonte: fiocruz
Sítio Online da Publicação: fiocruz
Data: 03/09/2026

FAPESP lança nova chamada para apoio à inovação em FATECs


Iniciativa destinará R$ 20 milhões para até 250 projetos coordenados por docentes das FATECs, com a concessão de 500 Bolsas de Iniciação Tecnológica

Foto de Mikhail Nilov/Pexels

A FAPESP lança a segunda chamada de propostas do ano para apoio a projetos de inovação tecnológica desenvolvidos nas Faculdades de Tecnologia do Estado de São Paulo (FATECs), do Centro Paula Souza.

Assim como aconteceu na primeira oportunidade anunciada em junho, este novo edital prevê investimentos totais de R$ 20 milhões para financiar até 250 projetos em qualquer área do conhecimento relacionada ao desenvolvimento tecnológico e à inovação. Os projetos serão financiados na modalidade Auxílio à Inovação Regular e poderão ter duração de até 18 meses, com possibilidade de prorrogação por até 12 meses.

Cada proposta aprovada poderá receber até R$ 50 mil em recursos de custeio e até duas Bolsas de Iniciação Tecnológica (IT), com duração inicial de até 12 meses e possibilidade de prorrogação por mais 12 meses. No total, a chamada poderá conceder até 500 bolsas.

O objetivo da iniciativa é ampliar a participação de estudantes das FATECs em atividades de pesquisa aplicada, estimulando sua formação em inovação tecnológica e contribuindo para a diversificação da força de trabalho em pesquisa e desenvolvimento no estado de São Paulo.

As propostas deverão ser submetidas por docentes das FATECs do Centro Paula Souza que possuam vínculo empregatício com a instituição, tenham título mínimo de mestre e competência comprovada na área do projeto proposto.

Os estudantes beneficiados pelas bolsas deverão estar regularmente matriculados em cursos de graduação das FATECs, ter concluído disciplinas relevantes para o desenvolvimento das atividades previstas e apresentar bom desempenho acadêmico.

As pesquisas deverão ser desenvolvidas nas próprias FATECs. Os recursos de custeio poderão contemplar, entre outros itens, aquisição de materiais de consumo, pequenos equipamentos, contratação de serviços especializados, despesas de transporte e diárias vinculadas às atividades do projeto.

As propostas deverão ser submetidas exclusivamente por meio do Sistema de Apoio à Gestão (SAGe), da FAPESP.

O prazo para submissão vai até 5 de outubro de 2026. Os resultados serão divulgados a partir de 15 de dezembro de 2026, e o início dos projetos está previsto para ocorrer a partir de 1º de fevereiro de 2027.

A chamada de propostas está publicada em: fapesp.br/18364.

Dúvidas podem ser encaminhadas para o e-mail: air-it@fapesp.br.



Autor: fapesp
Fonte: fapesp
Sítio Online da Publicação: fapesp
Data: 03/09/2026

FAPESP e Unesco-TWAS apoiarão colaborações em pesquisa

Nova chamada concederá até 20 bolsas de pós-doutorado para pesquisadores desenvolverem projetos em instituições de ensino e pesquisa no estado de São Paulo





A FAPESP anuncia o lançamento de uma nova chamada de propostas em parceria com a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco), por meio de seu programa The World Academy of Sciences (TWAS).

A iniciativa oferecerá até 20 Bolsas FAPESP de Pós-Doutorado a pesquisadores de países em desenvolvimento para a realização de pesquisas em instituições de ensino e pesquisa no estado de São Paulo. As bolsas terão duração de 12 meses.

A chamada está aberta a todas as áreas das ciências naturais, aplicadas e sociais. Os projetos apoiados deverão estar vinculados a Auxílios à Pesquisa vigentes da FAPESP e contribuir para as atividades de pesquisa apoiadas pela Fundação. A supervisão deverá ser realizada por pesquisadores responsáveis ou pesquisadores principais de projetos elegíveis.

São elegíveis como supervisores pesquisadores responsáveis por Auxílios à Pesquisa vigentes nas modalidades Regular, Projeto Temático, Jovem Pesquisador, Centros de Pesquisa, Inovação e Difusão (CEPIDs), Centros de Pesquisa em Engenharia/Centros de Pesquisa Aplicada (CPEs/CPAs), Centro de Ciência para o Desenvolvimento (CCD), Programa Ensino Público e Programa em Políticas Públicas (PPP). Pesquisadores principais de Projetos Temáticos, CEPIDs, CCDs, CPEs e CPAs vigentes também podem apresentar propostas.

Os candidatos às bolsas deverão ser naturais e residentes permanentes de um dos países classificados pela TWAS como países em desenvolvimento, com exceção do Brasil. Não poderão participar pesquisadores que já estejam no Brasil ou que possuam visto de residência temporária ou permanente no Brasil ou em qualquer país desenvolvido.

Também é necessário possuir doutorado em uma área das ciências naturais, aplicadas ou sociais e solicitar a bolsa dentro de sete anos após a obtenção do título. Os candidatos deverão contar com a aceitação oficial de um supervisor de uma instituição-sede no estado de São Paulo e comprovar proficiência oral e escrita em língua inglesa suficiente para o desenvolvimento das atividades previstas no projeto.

Pesquisadores e pós-doutorandos contemplados na chamada anterior, de 2023, não são elegíveis para esta nova oportunidade. Cada candidato poderá submeter proposta a apenas um programa do portfólio TWAS por ano-calendário.

Manifestação de interesse

A primeira etapa é destinada aos pesquisadores interessados em atuar como supervisores. Eles deverão preencher um formulário de manifestação de interesse, informando seus dados, o número e a vigência do Auxílio FAPESP ao qual a bolsa estará vinculada e um resumo, em inglês, do projeto de pesquisa a ser desenvolvido pelo bolsista, especificando sua contribuição para o Auxílio vigente.

Nesta etapa, não é necessário indicar o nome do bolsista nem apresentar orçamento. Os supervisores considerados elegíveis integrarão uma lista com seus contatos e os resumos dos projetos, que será divulgada pela FAPESP e pela Unesco-TWAS para facilitar o contato com potenciais candidatos nos países em desenvolvimento.

O prazo para preenchimento do formulário de manifestação de interesse é 1º de novembro de 2026. A lista de potenciais supervisores será divulgada em 1º de dezembro de 2026.

Após o alinhamento entre supervisor e candidato, a proposta completa deverá ser submetida pelo supervisor à FAPESP, por meio do SAGe, na modalidade Bolsa no País – Pós-Doutorado. O prazo para submissão é 1º de abril de 2027. Os resultados serão divulgados a partir de agosto de 2027, quando também poderão ter início os projetos aprovados.

Apoio aos bolsistas

A FAPESP será responsável pelo pagamento das mensalidades, auxílio instalação e, conforme as normas da chamada, pelas passagens do bolsista. A Unesco-TWAS cobrirá as despesas relacionadas à obtenção do visto, de acordo com suas regulamentações e disponibilidade orçamentária.

A bolsa exige dedicação integral ao projeto e atuação exclusiva no estado de São Paulo. Ao término dos 12 meses, o bolsista deverá retornar ao seu país de origem, em alinhamento com a missão do programa de fortalecimento da capacidade científica nos países em desenvolvimento.

Uma novidade desta edição é a exigência de maior apoio institucional aos pesquisadores estrangeiros durante sua chegada e instalação. As instituições-sede deverão designar um ponto focal para orientar os bolsistas nos primeiros trâmites administrativos, incluindo questões relacionadas a vistos, documentação e abertura de conta bancária.

A seleção será realizada pela FAPESP em processo competitivo, considerando o mérito e a relevância da proposta, o perfil do candidato, o supervisor e a relação do projeto com o Auxílio à Pesquisa vigente. Os candidatos pré-selecionados serão submetidos à homologação da Unesco-TWAS, e a decisão final será tomada conjuntamente pelas instituições, por meio de um Comitê Gestor. O equilíbrio de gênero será considerado na seleção, em alinhamento com a prioridade global da Unesco.

A chamada de propostas, com instruções para submissão, está disponível em: fapesp.br/18365.


Autor: fapesp
Fonte: fapesp
Sítio Online da Publicação: fapesp
Data: 08/09/2026

terça-feira, 8 de setembro de 2026

Pré-Inscrição no VI Congresso de Neurociências e Espiritualidade


O VI Congresso de Neurociência e Espiritualidade vem ai, com diversas palestras para ampliar seu conhecimento, trocas valorosas e ampliação da consciência sobre ciência, consciência e mente. Não perca!
Faça sua pré- inscrição no formulário e garanta acesso a todas as novas informações em primeira mão!


 

Autor: VI Congresso de Neurociência e Espiritualidade
Fonte: VI Congresso de Neurociência e Espiritualidade
Sítio Online da Publicação: VI Congresso de Neurociência e Espiritualidade
Data: 08/09/2026
Publicação Original: https://docs.google.com/forms/d/e/1FAIpQLSfNcjYEdJTbRvkQaELt9chQ-S8Khjlmk42WJDSLSj1sh_e__Q/viewform

Fumo passivo: estudo revela 2,7 mil milhões expostos, 767 milhões são crianças


O fumo ambiental do tabaco provoca danos graves à saúde, incluindo doenças cardíacas, problemas respiratórios e cancros, e continua a ser uma das principais causas de morte evitável em todo o mundo.

Um terço da população mundial está exposto todos os anos ao fumo ambiental de tabaco (também conhecido como fumo passivo), que continua a ser uma importante causa de doença e mortalidade entre pessoas não fumadoras.

Estima-se que 2,71 mil milhões de pessoas em todo o mundo tenham sido expostas ao fumo passivo em 2023, uma combinação de dois tipos de fumo inalado por não fumadores, contribuindo para 1,66 milhões de mortes. Entre elas contam-se 767 milhões de crianças com menos de 15 anos, particularmente vulneráveis, bem como 1,49 mil milhões de mulheres.

Estas novas conclusões resultam do estudo Global Burden of Disease (GBD) 2023, publicado na revista The Lancet Public Health, que estimou a exposição ao fumo passivo e os respetivos impactos na saúde em 204 países e territórios entre 1990 e 2023.
Necessidade de regulamentação mais rigorosa

Apesar da dimensão da exposição, o estudo conclui que cerca de 70% da população mundial não está protegida por leis abrangentes de espaços livres de fumo.

Em 2024, apenas 79 países, cerca de 70% deles nas Américas, atingiram o nível máximo de proteção previsto pelo quadro da Organização Mundial da Saúde, com todos os espaços públicos totalmente livres de fumo ou, pelo menos, 90% da população abrangida pela legislação.

A proporção da população mundial abrangida por legislação abrangente de espaços livres de fumo aumentou de 3% em 2007 para 33% em 2024, passando a cobrir 2,6 mil milhões de pessoas.

No entanto, os autores assinalam que, embora as políticas de espaços livres de fumo reduzam diretamente a exposição ao fumo, são necessárias medidas adicionais, como impostos sobre o tabaco, restrições à publicidade, embalagens simples e programas de cessação tabágica.
Padrões regionais

Os investigadores verificaram que o número de pessoas afetadas pela exposição ao fumo passivo se manteve globalmente estável, mas aumentou de forma acentuada na África Subsariana, Norte de África e Médio Oriente, o que atribuem ao crescimento demográfico.

A prevalência de exposição na região que inclui Europa Central, Europa de Leste e Ásia Central foi de 37,7%, acima da média global de 33,9%, afetando 146 milhões de pessoas.

Grande parte dos países da Europa Ocidental foi incluída na “super-região de elevado rendimento”, que registou alguns dos progressos mais significativos na redução do fumo passivo.

Dinamarca e Noruega registaram algumas das maiores reduções a nível mundial desde 1990, de -48,8% e -44,3%, respetivamente.
Impacto alargado na saúde

Para lá do número de pessoas expostas, o relatório conclui que o fumo passivo esteve na origem da perda de 44,8 milhões de anos de vida saudável e continua a ser um dos principais fatores de incapacidade e morte prematura.

Enquanto um fumador inala o “fumo principal” através do filtro do cigarro, as pessoas não fumadoras respiram sobretudo o fumo lateral. Este não é filtrado e contém concentrações por unidade mais elevadas de compostos tóxicos e carcinogénicos do que o fumo inalado pelo próprio fumador.

Os investigadores estimam que o fumo passivo continua a ser um importante fator de perda de saúde a nível mundial, sobretudo através de doenças cardiovasculares e respiratórias pediátricas.

A exposição ao fumo de tabaco foi associada a várias doenças, incluindo acidente vascular cerebral, infeções respiratórias inferiores, doença pulmonar obstrutiva crónica, asma, diabetes tipo 2 e cancros da traqueia, pulmão e mama.




Autor: pt.euronews
Fonte: pt.euronews
Sítio Online da Publicação: pt.euronews
Data: 08/09/2026

Cérebro jovem revela fragilidade: quando a plasticidade falha


A mesma capacidade que torna os cérebros jovens mais adaptáveis pode levá-los a transformar uma lesão numa rede patológica persistente, revela um novo estudo.

Cérebros jovens são mais flexíveis. Adaptam-se e formam novas ligações com facilidade. Quando algo corre mal, parte-se do princípio de que um cérebro mais jovem tem mais margem para se reorganizar e compensar os danos.

Mas essa mesma flexibilidade pode também ter um lado negativo após uma lesão cerebral traumática, uma lesão provocada por uma força externa, como uma queda, um acidente de viação, uma lesão desportiva ou um impacto na cabeça, segundo um estudo (fonte em inglês) publicado na revista Experimental Neurology.

“Muitos poderão pensar que cérebros mais jovens são mais resistentes após uma lesão, mas os nossos resultados mostram que a realidade é bastante mais complexa”, afirmou Samba Reddy, especialista em neurociência e terapêuticas experimentais no Texas A&M Naresh K. Vashisht College of Medicine e autor principal do estudo.

As lesões cerebrais traumáticas afetam até 69 milhões de pessoas por ano. Este tipo de lesão pode originar epilepsia pós-traumática, uma perturbação crónica caracterizada por crises que podem surgir meses ou mesmo anos depois do incidente.


O estudo sugere que cérebros mais jovens poderão ser mais vulneráveis aos processos que conduzem à epilepsia pós-traumática, pelo menos em ratinhos.

“A mesma plasticidade que ajuda os cérebros jovens a adaptarem-se pode também criar condições favoráveis ao desenvolvimento de redes que produzem crises epiléticas”, explicou Reddy num comunicado de imprensa (fonte em inglês). Nos ratinhos mais jovens, a epilepsia surgiu mais tarde, mas, uma vez instalado o processo, o número e a intensidade das crises tornaram-se substancialmente maiores.

Já os ratinhos mais velhos apresentaram atividade convulsiva mais precoce após a lesão, mas tinham uma incidência global e uma carga de epilepsia pós-traumática mais baixa.

Em suma, o cérebro jovem pode reagir melhor aos danos graças à capacidade de alterar as suas ligações e organização em resposta à experiência ou à lesão. Mas essa mesma plasticidade pode também gerar ligações anómalas que alimentam redes produtoras de crises epiléticas.

Memória segue um percurso diferente

Os ratinhos mais velhos mostraram, na verdade, uma recuperação mais rápida em algumas medidas de função motora. Mas o envelhecimento teve o seu preço.

Os animais mais idosos apresentaram sinais mais fortes de neuroinflamação e remodelação anómala dos circuitos e tiveram maiores dificuldades em manter memórias a longo prazo.

“O envelhecimento alterou o trajeto da recuperação, em vez de simplesmente a tornar mais difícil”, afirmou Reddy. “Os cérebros mais velhos pareciam menos suscetíveis a atividade convulsiva crónica, mas continuavam vulneráveis de outras formas, sobretudo no que diz respeito à memória e à função cognitiva.”

Os resultados sugerem que as consequências de longo prazo de uma lesão cerebral dependem não apenas da extensão dos danos físicos, mas também da forma como o cérebro reage a esses danos ao longo do tempo.

Isso pode ajudar a explicar porque é que duas pessoas com lesões aparentemente semelhantes podem ter desfechos a longo prazo muito diferentes.

A investigação oferece ainda pistas sobre o papel da idade no estudo das consequências das lesões cerebrais traumáticas. Nos cérebros mais jovens, a preocupação principal poderá ser o desenvolvimento gradual de redes anómalas que originam crises epiléticas. Nos cérebros mais velhos, a inflamação, as alterações dos circuitos e o declínio da memória surgem como traços mais marcantes.

“Um cérebro jovem poderá necessitar de intervenções destinadas a travar o desenvolvimento gradual de redes produtoras de crises epiléticas”, concluiu Reddy, “enquanto cérebros mais velhos poderão beneficiar de abordagens focadas na perda de memória, na inflamação e no declínio cognitivo após a lesão.”



Autor: pt.euronews
Fonte: pt.euronews
Sítio Online da Publicação: pt.euronews
Data: 07/09/2026

segunda-feira, 7 de setembro de 2026

FAPESP lança nova chamada para apoio à inovação em FATECs

Iniciativa destinará R$ 20 milhões para até 250 projetos coordenados por docentes das FATECs, com a concessão de 500 Bolsas de Iniciação Tecnológica


Foto de Mikhail Nilov/Pexels



A FAPESP lança a segunda chamada de propostas do ano para apoio a projetos de inovação tecnológica desenvolvidos nas Faculdades de Tecnologia do Estado de São Paulo (FATECs), do Centro Paula Souza.

Assim como aconteceu na primeira oportunidade anunciada em junho, este novo edital prevê investimentos totais de R$ 20 milhões para financiar até 250 projetos em qualquer área do conhecimento relacionada ao desenvolvimento tecnológico e à inovação. Os projetos serão financiados na modalidade Auxílio à Inovação Regular e poderão ter duração de até 18 meses, com possibilidade de prorrogação por até 12 meses.

Cada proposta aprovada poderá receber até R$ 50 mil em recursos de custeio e até duas Bolsas de Iniciação Tecnológica (IT), com duração inicial de até 12 meses e possibilidade de prorrogação por mais 12 meses. No total, a chamada poderá conceder até 500 bolsas.

O objetivo da iniciativa é ampliar a participação de estudantes das FATECs em atividades de pesquisa aplicada, estimulando sua formação em inovação tecnológica e contribuindo para a diversificação da força de trabalho em pesquisa e desenvolvimento no estado de São Paulo.

As propostas deverão ser submetidas por docentes das FATECs do Centro Paula Souza que possuam vínculo empregatício com a instituição, tenham título mínimo de mestre e competência comprovada na área do projeto proposto.

Os estudantes beneficiados pelas bolsas deverão estar regularmente matriculados em cursos de graduação das FATECs, ter concluído disciplinas relevantes para o desenvolvimento das atividades previstas e apresentar bom desempenho acadêmico.

As pesquisas deverão ser desenvolvidas nas próprias FATECs. Os recursos de custeio poderão contemplar, entre outros itens, aquisição de materiais de consumo, pequenos equipamentos, contratação de serviços especializados, despesas de transporte e diárias vinculadas às atividades do projeto.

As propostas deverão ser submetidas exclusivamente por meio do Sistema de Apoio à Gestão (SAGe), da FAPESP.

O prazo para submissão vai até 5 de outubro de 2026. Os resultados serão divulgados a partir de 15 de dezembro de 2026, e o início dos projetos está previsto para ocorrer a partir de 1º de fevereiro de 2027.

A chamada de propostas está publicada em: fapesp.br/18364.

Dúvidas podem ser encaminhadas para o e-mail: air-it@fapesp.br.




Autor: fapesp
Fonte: fapesp
Sítio Online da Publicação: fapesp
Data: 03/09/2026
Publicação Original: https://fapesp.br/18370/fapesp-lanca-nova-chamada-para-apoio-a-inovacao-em-fatecs

FAPESP e CNPq vão apoiar formação de novas redes de excelência em pesquisa


Estruturada em torno dos eixos estratégicos de pesquisa da Fundação, chamada no âmbito do PRONEX – Programa de Apoio a Núcleos de Excelência, do CNPq, visa criar grupos de referência em suas respectivas áreas do conhecimento



Em parceria com o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), a FAPESP lança nova chamada no âmbito do Programa de Apoio a Núcleos de Excelência (Pronex) do CNPq, visando criar Redes de Excelência em Pesquisa com duração máxima de 12 meses e orçamento total de até R$ 2,5 milhões.

Com o estabelecimento das Redes de Excelência em Pesquisa, a chamada objetiva o fomento à formação de recursos humanos altamente qualificados, ao desenvolvimento de pesquisas de fronteira, ao fortalecimento da infraestrutura de pesquisa e ao papel nucleador de grupos com potencial para se tornarem referências em suas áreas de atuação.

As Redes devem ter objetivos e metas claros, aderentes aos eixos estratégicos de ciência, tecnologia e inovação – estabelecidos para a FAPESP para o período de 2026-2028, considera tendências nacionais e internacionais em áreas prioritárias para o desenvolvimento científico, tecnológico, econômico, social e ambiental, a saber: Biotecnologia; Transição energética; Biodiversidade, produção sustentável de alimentos e segurança alimentar; Transição digital e inteligência artificial; Ciência e tecnologias quânticas; Saúde humana e animal; e Violência e segurança pública.

A equipe da Rede deve incluir um Pesquisador Responsável (PR) e, no mínimo, quatro Pesquisadores Principais (PP) por cada grande área do conhecimento envolvida na proposta, considerando as temáticas dos eixos estratégicos – a proposta deve incluir obrigatoriamente um pesquisador principal com expertise no eixo temático de Transição Digital e Inteligência Artificial. As outras áreas de atuação dos pesquisadores devem ser distintas, multidisciplinares, e evidenciar a criação de novas colaborações.

O PR e os PPs devem, obrigatoriamente, ser de Instituições diferentes ou, no mínimo, de Unidades Acadêmicas diferentes dentro de uma mesma Instituição.

Para a formação da Rede de Pesquisa, é necessário que o Pesquisador Responsável e os Pesquisadores Principais sejam responsáveis (PR) por Auxílio à Pesquisa vigente, por pelo menos 6 meses, na FAPESP, a partir da data de início da proposta, em uma das seguintes modalidades: Projeto Temático, CEPID, CPE/CPA, NPOP, PDIP ou CCD. Os auxílios vigentes precisarão se sobrepor por 6 meses, o que será objeto de mérito na avaliação da proposta.

O orçamento total por projeto selecionado, de R$ 2,5 milhões, destina-se ao fortalecimento da infraestrutura de pesquisa e à consolidação de grupos de excelência. Os recursos solicitados deverão respeitar a proporção de 60% para despesas de custeio e 40% para despesas de capital, observadas as normas da FAPESP e do CNPq.

Propostas devem ser submetidas até 16 de outubro por meio do Sistema SAGe.

A chamada está disponível em fapesp.br/18317.


Foto: Eduardo César/Pesquisa FAPESP


Autor: fapesp
Fonte: fapesp
Sítio Online da Publicação: fapesp
Data: 03/09/2026

Museu Virtual de Instrumentos Musicais ganha projeção internacional


Na página incial do MVIM estão disponíveis informações sobre o museu, instrumentos, fabricantes e autores, artigos, concertos e vídeos, entre outras (Imagem: reprodução)


Criado com recursos de diferentes editais da FAPERJ, desde sua concepção, o Museu Virtual de Instrumentos Musicais (MVIM) ganha agora projeção internacional e passa a estabelecer um diálogo permanente com instituições museais brasileiras e internacionais, estimulando a troca de conhecimento, através de publicações e seminários. A partir de setembro, a coordenadora do projeto, Adriana Ballesté, viaja para quatro diferentes países para apresentar o MVIM e estabelecer parcerias e intercâmbios.

Idealizado e desenvolvido pelo Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia (Ibict), em parceria com a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), o projeto recebeu apoio da FAPERJ desde a sua concepção, em 2011, até sua consolidação, a partir de 2018, quando contou com recursos do programa de Apoio à Produção e Divulgação das Artes no Estado do Rio de Janeiro, da FAPERJ, último edital voltado para a área de Humanidades. Em 2023, o projeto ganhou um livro, financiado por meio do edital de Apoio à Editoração, e com recursos do edital de Apoio à Organização de Eventos, promoveu o 61º Festival Villa-Lobos.

“Estou muito feliz com as conquistas ao longo desses 15 anos de existência do projeto MVIM, criado com o intuito de agregar instrumentos musicais de museus e instituições brasileiras, inspirado no Musical Instrument Museums Online (Mimo), que abarca hoje mais de 68 mil instrumentos. Para coroar o reconhecimento do projeto, fomos convidados a participar como palestrante na Assembleia Anual do Mimo”, comemora Adriana.

A pesquisadora embarca no próximo dia 9 para a Letônia, a fim de apresentar o MVIM na MIMO Annual General Meeting 2026 (Assembleia Geral Anual do Musical Instrument Museums Online), atendendo a convite oficial da rede. Depois segue para Paris, onde fará parte de uma reunião de trabalho na Cité de la musique - Philharmonie de Paris com RodolpheBailly (Presidente do MIMO e Diretor de Bibliotecas e Arquivos), visando estabelecer cooperação bilateral entre o MVIM e a rede MIMO. Ela também fará uma visita técnica e uma reunião de trabalho no Institut de Recherche em Musicologie (IReMusLab) na Sorbonne Université para apresentação do MVIM e discussão de projetos conjuntos. De 22 a 24 de setembro, segue para Leicester e Londres, no Reino Unido, para uma reunião e apresentação na University of Leicester, com foco em oportunidades de cooperação no âmbito de projetos de pesquisa. Seu destino seguinte é Zaragoza, na Espanha, onde apresentará o trabalho científico interinstitucional "Migração da base de instrumentos musicais do MVIM para o Tainacan: interoperabilidade semântica e difusão", autoria da própria Adriana, em colaboração com Rodrigo Freire de Oliveira, do Instituto Brasileiro de Museus (Ibram); Cláudio José Silva Ribeiro, da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UniRio); e Dalton Lopes Martins, da Universidade de Brasília (UNB) na 31st International Conference on Information and Documentation Systems (Ibersid), na Faculdade de Filosofia e Letras da Universidade de Zaragoza. Fechando a viagem, de 5 a 9 de outubro, Adriana participa do XV Seminário Hispano-Brasileiro de Pesquisa em Informação, Documentação e Sociedade (SHB) em Madri, para apresentação do trabalho “A atuação do Museu Virtual de Instrumentos Musicais na preservação, agregação e difusão de acervos de instrumentos musicais brasileiros”, elaborado em parceria internacional com Salomé Strauch (IReMusLab/Sorbonne Université).
Adriana Ballesté: para a pesquisadora, é importante integrar mais instrumentos musicais de diferentes museus e instituições em uma única plataforma acessível a todos (Foto: Pedro Struchiner)


“Além desse reconhecimento internacional, nosso projeto foi selecionado na Chamada Programa de Capacitação Institucional do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), o que vai permitir dar passos maiores em relação ao crescimento do acervo; à internacionalização; à interatividade e à divulgação da nossa cultura musical brasileira”, explica Adriana.

Concebido como um espaço dinâmico e em permanente expansão, o MVIM dedica-se à preservação da memória dos instrumentos musicais, fontes fundamentais para o entendimento da História da Música. Segundo Adriana Ballesté, doutora em Música pela Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UniRio), mestre em Sistemas e Computação e pesquisadora do Ibict, o objetivo agora, com apoio do CNPq,é buscar convergência com iniciativas nacionais e internacionais a partir de três eixos básicos.

O primeiro eixo busca incorporar acervos de outras instituições museais que possuem instrumentos musicais, estimulando a troca de conhecimento, através de publicações e seminários, a fim de fortalecer a capacidade científica, tecnológica e de inovação nos museus brasileiros. Outra meta é desenvolver a interoperabilidade entre o MVIM e outras instituições, como o portal “Brasiliana Museus”, uma plataforma online que conecta e disponibiliza o patrimônio dos museus brasileiros em um repositório acessível ao público, ampliando o alcance dos acervos para além das fronteiras físicas dos museus; assim como com o Musical Instruments Museums Online (Mimo), projeto colaborativo criado por um consórcio de 11 instituições europeias (liderado pela University of Edinburgh e coordenado a partir de centros como a Cité de la musique em Paris), com financiamento da Comissão Europeia, principal referência internacional nessa área. O projeto pretende, ainda, investigar, experimentar, desenvolver e incorporar ao MVIM tecnologias de inteligência artificial que permitam a simulação de conversas com músicos e luthiers virtuais, jogos interativos com simulações de áudio e imagem, ferramentas de criação personalizadas, como um palco virtual.

Fruto de diálogo interdisciplinar entre as novas tecnologias, a Musicologia e a Museologia, o MVIM se consolidou como um espaço inovador de pesquisa e de troca de conhecimentos. A apresentação on-line e gratuita reúne uma enorme variedade de instrumentos musicais apresentados em fotos, acompanhados de informações detalhadas, áudios e vídeos. No catálogo há desde instrumentos populares brasileiros, como violões, cavaquinho e cuíca, até curiosidades como uma flauta asteca feita a partir de um osso humano (tíbia).

As fichas catalográficas do acervo são separadas de acordo com a categoria (aerofones, cordofones, idiofones, membranofones) e reúnem os acervos do Museu Instrumental Delgado de Carvalho, sediado na Escola de Música da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ); do Museu Villa-Lobos; e do Instituto Moreira Salles (IMS). Cada instrumento é acompanhado de ficha de identificação e dados gerais, informações sobre a procedência; descrição detalhada do item; observações e contextualização sobre o instrumento em geral; dados específicos do exemplar tais como a data de fabricação, autoria, local de fabricação, material; dados sobre restauração; notas gerais; registros audiovisuais; referências bibliográficas.

Com apoio do edital de Apoio à Editoração da FAPERJ, em 2023 também foi produzido o livro “Museu Virtual de Instrumentos Musicais: Espaço de convergência de acervos”, organizado por Adriana, Álea de Almeida e Ana Cristina Valentino. Além disso, no mesmo ano, foi organizado, com recursos do edital de Apoio à Organização de Eventos da Fundação, o 61º Festival Villa-Lobos que, ao longo de novembro, promoveu concertos de violão, violoncelo e piano, além de palestras e rodas de conversa sobre o patrimônio musical brasileiro.
Da esp. p/ a dir. a partir do alto: caraxá, naqqara, yueqin e flauta feita de tíbia estão entre os instrumentos catalogados nas quatro categorias (Fotos: reproduções do MVIM)


“Hoje, o MVIM é a única plataforma que reúne as coleções de instrumentos musicais do Brasil; no entanto, reúne apenas três museus cadastrados, o que não é representativo da diversidade das coleções dos museus de todo o país”, explica Adriana. Para ela, é importante integrar mais instrumentos musicais provenientes de diferentes museus e instituições brasileiras, a fim de promovê-los e reuni-los em uma única plataforma acessível a todos. Para isso, o MVIM pretende desenvolver uma plataforma que possibilite a interoperabilidade (quando diferentes sistemas, redes ou programas de computador trocam e usam informações de forma automática). Adriana destaca que a futura colaboração com o Mimo permitirá que o MVIM alcance um público internacional e contribua para a divulgação das coleções contidas em seu acervo nas pesquisas organológicas em todo o mundo. Do ponto de vista da inovação, o projeto permitirá que o MVIM se torne o primeiro museu brasileiro integrado ao MIMO, que hoje é a maior referência mundial em termos de coleções e classificações organológicas.

As perspectivas de utilização da inteligência artificial (IA) estão se consolidando e começam a transformar a gestão dos museus. Na prática, a inteligência artificial pode atuar diretamente na conservação, catalogação, indexação, pesquisa de acervos, reconstrução virtual de obras e na interação com o público. Diante disso, o projeto pretende estudar formas de implementar tais inovações, procurando elevar a experiência do usuário.

Integram a equipe do projeto Salomé Strauch, pesquisadora de pós-doutorado no Instituto de Pesquisa em Musicologia da Universidade de Sorbonne; Cláudio José Silva Ribeiro, doutor em Ciência da Informação pelo convênio Universidade Federal Fluminense/MCT-Ibict; Alexandre Costa, pesquisador do Ibict-MCTI, professor da Universidade Federal do Amazonas e professor colaborador da UniRio; Ronnie Fagundes de Brito, pesquisador do Ibict e doutor em Engenharia e Gestão do Conhecimento pela Universidade Federal de Santa Catarina; Ana Cristina Valentino, mestranda no Programa de Pós-Graduação em Ciência da Informação do Ibict; Rodrigo Freire de Oliveira, do Instituto Brasileiro de Museus (Ibram), graduado em Biblioteconomia pela Faculdade de Ciência da Informação da Universidade de Brasília (UnB); Flávio Rigoni Costa Moreira, músico instrumentista; e Dalton Lopes Martins, diretor da Faculdade de Ciência da Informação da Universidade de Brasília.





Autor: faperj
Fonte: faperj
Sítio Online da Publicação: faperj
Data: 03/09/2026
Publicação Original: https://www.faperj.br/?id=1099.7.7