quarta-feira, 24 de junho de 2026

Fiocruz e Thermo Fisher Scientific assinam memorando de entendimento para impulsionar inovação

A Fiocruz e a Thermo Fisher Scientific assinaram um memorando de entendimento (MoU) para explorar oportunidades de colaboração em pesquisa biomédica, capacitação laboratorial, diagnósticos, vacinas e bioprodução. O acordo foi assinado em 23 de junho, durante a BIO International Convention 2026, em San Diego, na Califórnia.



Da esquerda para a direita, o vice-presidente Global de Operações Comerciais e Bioprodução da Thermo Fisher, Chris Mach; a vice-presidente Sênior e presidente de BioProdução e Customer Excellence da Thermo Fisher, Daniella Cramp; a vice-presidente de Produção e Inovação em Saúde da Fiocruz, Priscila Ferraz, a diretora do Instituto de Tecnologia em Imunobiológicos (Bio-Manguinhos/Fiocruz), Rosane Cuber, e o secretário-adjunto da Secretaria de Ciência, Tecnologia, Inovação e Complexo Econômico-Industrial da Saúde do MS, Eduardo Jorge Valadares Oliveira (Foto: Pamela Lang)

"O acordo com a Thermo Fisher reforça nossa capacidade de planejar o enfrentamento de desafios sanitários que exigem inovação contínua. Trata-se de uma cooperação técnico-científica que pode gerar oportunidades de desenvolvimento de tecnologias relevantes para o Brasil e para a América Latina", reforçou a vice-presidente de Produção e Inovação em Saúde da Fiocruz, Priscila Ferraz.

O MoU estabelece uma estrutura para intercâmbio científico e colaboração, incluindo reuniões técnicas, compartilhamento de conhecimento e identificação de áreas de interesse mútuo. As possíveis áreas de cooperação incluem desenvolvimento tecnológico, otimização de fluxos de trabalho, validação de tecnologias e capacitação de profissionais.

A diretora do Instituto de Tecnologia em Imunobiológicos (Bio-Manguinhos/Fiocruz), Rosane Cuber, explica que o documento estabelece as bases para “Uma colaboração estruturada com as equipes técnicas da Thermo Fisher, com foco no avanço da ciência e na geração de impacto em saúde pública”.

“Na Thermo Fisher Scientific, nossa missão é permitir que nossos clientes tornem o mundo mais saudável, mais limpo e mais seguro. Este MoU reflete nosso compromisso compartilhado com a Fiocruz em promover a ciência e explorar abordagens inovadoras que fortaleçam as capacidades de saúde, acelerem o progresso científico e melhorem os resultados em saúde pública no Brasil e na América Latina. Temos orgulho de contribuir com nossa expertise científica, tecnologias inovadoras e amplo portfólio de soluções integradas de ponta a ponta para apoiar essa colaboração e ajudar a enfrentar alguns dos desafios mais urgentes da saúde atualmente”.

O acordo, com vigência inicial de três anos, apoia a estratégia da Fiocruz de fortalecer o Complexo Econômico-Industrial da Saúde do Brasil por meio da colaboração internacional. Ao promover o intercâmbio científico e a inovação, a parceria busca ampliar as capacidades nacionais e apoiar o desenvolvimento de soluções estratégicas para o Sistema Único de Saúde (SUS).

Participaram da cerimônia de assinatura representantes do Ministério da Saúde do Brasil, incluindo o secretário-adjunto da Secretaria de Ciência, Tecnologia, Inovação e Complexo Econômico-Industrial da Saúde do Ministério da Saúde, Eduardo Jorge Valadares Oliveira, como representante da pasta, a vice-presidente Priscila Ferraz, a diretora Rosane Cuber, e a vice-presidente Sênior e presidente de BioProdução e Customer Excellence da Thermo Fisher Scientific, Daniella Cramp.



Autor: fiocruz
Fonte: fiocruz
Sítio Online da Publicação: fiocruz
Data: 23/06/2026
Publicação Original: http://fiocruz.br/noticia/2026/06/fiocruz-e-thermo-fisher-scientific-assinam-memorando-de-entendimento-para

Simpósio Internacional debate avanços e desafios da nanotecnologia na saúde pública

Da aplicação de nanopartículas em vacinas e medicamentos ao desenvolvimento de métodos mais seguros para avaliação toxicológica, a nanotecnologia e seu potencial para ampliar soluções em saúde estiveram no centro das discussões do 1º Simpósio Internacional de Nanotecnologia em Saúde, realizado no Rio de Janeiro. O encontro, promovido pela Fiocruz, reuniu pesquisadores do Brasil e de outros países, além de estudantes e representantes de empresas. Ao todo, foram 200 inscritos.



Discussões também abordaram os desafios da produção e da segurança de nanomedicamentos (Foto: VPPVB/Fiocruz)

Na abertura do evento, a vice-presidente de Pesquisa e Coleções Biológicas (VPPCB) da Fiocruz, Alda Maria da Cruz – por meio de vídeo pré-gravado –, a coordenadora-geral para Promoção do Complexo Industrial da Saúde do Ministério da Saúde, Zênia Maciel, a diretora-executiva da Fiotec, Cristiane Sedim, os coordenadores da Rede Fio-Nano, Fabio Formiga e Carlos Calzavara, e o consultor científico do Programa de Pesquisa Translacional (PPT) da Vice-Presidência de Pesquisa e Coleções Biológicas (VPPCB/Fiocruz), Wim Degrave, destacaram o papel estratégico da nanotecnologia como área capaz de impulsionar a inovação em saúde. Eles pontuaram também a importância de fortalecer novos projetos e parcerias, a captação de recursos, o papel do pesquisador como empreendedor e as tendências emergentes da nanotecnologia e da nanomedicina como áreas de vanguarda para inovação em saúde e para as políticas públicas brasileiras. A coordenação do evento coube ao PPT.

A conferência de abertura foi ministrada por Juan Manuel Irache, da Universidade de Navarra, na Espanha, que apresentou pesquisas com nanopartículas produzidas a partir da zeína, uma das proteínas extraídas dos grãos de milho. Biocompatíveis, biodegradáveis e abundantes, essas nanopartículas vêm sendo investigadas como sistemas de transporte de fármacos e como adjuvantes para imunização por mucosas, o que amplia seu potencial de aplicação em vacinas e sua relevância para a indústria farmacêutica. Os dados apresentados indicaram resultados promissores tanto para o aprimoramento de vacinas quanto para o controle glicêmico e a redução da resistência à insulina.

Nanomedicamentos e plataformas tecnológicas

As discussões também abordaram os desafios da produção e da segurança de nanomedicamentos. A pesquisadora Eder Lilia Romero, da Universidade Nacional de Quilmes, da Argentina, apresentou estratégias para simplificar a produção industrial de medicamentos por meio do uso de biomateriais inovadores. Já Diego Martinez, do Laboratório Nacional de Nanotecnologia do Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais, defendeu uma abordagem integrada para o desenvolvimento de nanomateriais, considerando aspectos de inovação, sustentabilidade e segurança ao longo de todo o ciclo de vida desses sistemas. Em sua apresentação, destacou a necessidade de evitar a nanopoluição e de incorporar os princípios do conceito de saúde única para promover inovação com segurança. Ele acrescentou haver ainda iniciativas importantes para a nanoagricultura e trabalhos com instituições europeias em campos como nanoinformática e inteligência artificial.

A pesquisadora Heloisa Bordallo, da Universidade de Copenhague, na Dinamarca, abordou aspectos do desenho de nanopartículas, estudos com células cancerosas e o papel da água nas interações entre o organismo e drogas anticâncer. Utilizando técnicas de espalhamento de nêutrons, foi possível observar que a água atua como participante ativa nos mecanismos envolvidos na ação de medicamentos e no comportamento de sistemas nanoestruturados, ampliando a compreensão sobre processos fundamentais da nanomedicina.

As discussões também concentraram-se nas aplicações farmacêuticas da nanotecnologia. Representando a Croda Pharma, empresa fornecedora de componentes químicos, Letícia Marques apresentou avanços no desenvolvimento de lipídios de alta pureza utilizados em nanopartículas lipídicas, empregadas em vacinas de RNA mensageiro, como as utilizadas contra a Covid-19. Marques comentou iniciativas de colaboração entre as universidades públicas e a indústria para o desenvolvimento de novos sistemas de entrega de medicamentos. Uma das parcerias da Croda Pharma é com a Universidade Federal do Ceará para melhorar a eficiência da encapsulação de medicamentos.

As possibilidades da nanotecnologia para o enfrentamento de doenças socialmente determinadas foram uma das ênfases da apresentação de Ariane Batista, do Instituto Alberto Luiz Coimbra de Pós-Graduação e Pesquisa de Engenharia da Coppe/UFRJ. A pesquisadora mostrou o trabalho com engenharia de nanopartículas e como as nanopartículas podem transformar abordagens terapêuticas. Ela analisou resultados obtidos com micropartículas capazes de promover a liberação prolongada de fármacos, reduzindo a necessidade de múltiplas aplicações e minimizando efeitos adversos. Entre os exemplos, citou o tratamento da leishmaniose, incluindo as formulações e os sistemas de liberação controlada do medicamento com potencial de impacto para o SUS.

Também dedicada ao desenvolvimento tecnológico, a professora Eliana Lima, da Universidade Federal de Goiás (UFG), ressaltou que a nanomedicina translacional já é uma realidade no país, mas depende da integração entre diferentes áreas do conhecimento. Segundo ela, o sucesso dessas tecnologias está associado não apenas ao medicamento, mas às nanopartículas responsáveis por protegê-lo, transportá-lo e direcioná-lo ao local de ação. Lima esclareceu que as nanopartículas não apenas protegem o medicamento no organismo, mas também contribuem para reduzir seus efeitos indesejados ao controlar sua distribuição e liberação.

Especialistas do Reino Unido, Alemanha e Brasil apresentaram avanços em nanometrologia e nanotoxicologia. Eles discutiram desde o papel das ferramentas para caracterização de nanopartículas até modelos alternativos aos testes em animais. Nesse contexto, as nanofibras sintéticas foram apontadas como uma alternativa promissora por possibilitarem a criação de modelos de tecidos humanos aplicáveis a pesquisas com intestino, pulmão, coração, córnea, ossos, pele e mucosa nasal.

Nanomedicina translacional e financiamento da pesquisa

No segundo dia, pesquisadores do Instituto de Pesquisa Scripps (Estados Unidos), do Instituto de Tecnologia em Imunobiológicos (Bio-Manguinhos/Fiocruz), da UFMG, da UFRGS, da Universidade de Groningen (Holanda), do Instituto Oswaldo Cruz (IOC/Fiocruz) e do Instituto Fraunhofer de Pesquisa em Silicatos (Alemanha) discutiram o papel das plataformas tecnológicas no aumento da precisão e da efetividade de terapias avançadas. A programação abordou temas como terapias regenerativas e o uso de nanopartículas para entrega de ácidos nucleicos, uma das estratégias promissoras para o desenvolvimento de medicamentos baseados em RNA e DNA. Também foram apresentadas inovações em bioimpressão 3D para medicamentos, uso de robôs e desenvolvimento de nanomateriais.

Além de colocar luz sobre esses temas, o simpósio abriu espaço para refletir sobre as formas de financiamento da pesquisa e as condições necessárias para consolidar a nanomedicina translacional no Brasil. O tema foi debatido em uma mesa-redonda composta por representantes de instituições responsáveis pelo financiamento, pela regulação e pelo fomento da pesquisa científica no país. Participaram da discussão Camila Moreira, da Anvisa; Silvia Fialho, da Fundação Ezequiel Dias (Funed); Monica Felts, do CNPq; Letícia Koester, da Capes; e André Daher, da VPPCB, responsável pela mediação da mesa. Os participantes destacaram a necessidade de fortalecer a cultura de acompanhamento de chamadas nacionais e internacionais voltadas para financiamento da pesquisa. Também foi reforçada a dimensão translacional do simpósio com a abertura da exposição de pôsteres, valorizando a difusão de pesquisas, de metodologias e dos resultados.

No último dia, o foco esteve nas aplicações da nanomedicina em desafios prioritários da saúde pública. Os destaques foram para a nanomedicina no combate ao câncer, com foco em terapias mais direcionadas e menos tóxicas, e o potencial da nanotecnologia para enfrentar as doenças infecciosas e as determinadas socialmente, temática de grande relevância para países da América Latina.

A diversidade das sessões científicas demonstrou que os avanços da nanotecnologia não são resultado de uma única disciplina. A área se constrói na convergência entre medicina, biologia, física, farmácia, química e engenharia. Trata-se de um campo essencialmente interdisciplinar, cujos avanços dependem da articulação entre diferentes saberes e de um esforço coletivo capaz de compreender fenômenos complexos e transformar descobertas científicas em aplicações clínicas.




Autor: fiocruz
Fonte: fiocruz
Sítio Online da Publicação: fiocruz
Data: 23/06/2026
Publicação Original: https://fiocruz.br/noticia/2026/06/simposio-internacional-debate-avancos-e-desafios-da-nanotecnologia-na-saude-publica

Cooperação entre MS e Fiocruz fortalece atuação na Atenção Primária à Saúde

A Fiocruz celebrou parceria com o Ministério da Saúde (MS) cujo objetivo é potencializar o Centro de Saúde Escola Germano Sinval Faria (CSEGSF) como espaço de inovação, formação e qualificação da Atenção Primária à Saúde (APS). Para celebrar e marcar o início do acordo, representantes do MS e da Secretaria Municipal de Saúde do Rio de Janeiro realizaram uma visita técnica ao CSEGSF.



Projeto busca fortalecer a vocação do Centro de Saúde da Fiocruz por meio da qualificação de profissionais, da implementação de processos sistemáticos de monitoramento e avaliação e do desenvolvimento de ações voltadas a temas prioritários da APS (Foto: Informe Ensp)

Com vigência de cinco anos, o projeto Qualificação em ensino e serviço de profissionais da atenção primária à saúde, em território vulnerabilizado reafirma o compromisso do MS com o fortalecimento do Centro de Saúde como unidade-escola e das atividades de ensino da Escola Nacional de Saúde Pública (Ensp/Fiocruz). A iniciativa prevê ações de formação permanente, desenvolvimento de trilhas formativas em áreas prioritárias, aumento da participação social, aprimoramento de programas de residência e pós-graduação no âmbito da APS, ampliação do uso de indicadores e da produção de conhecimento voltado à tomada de decisão em saúde. Assim, a iniciativa visa consolidar Manguinhos como território-escola, aprimorar a resolutividade da APS, melhorar o cuidado e gerar modelos replicáveis para outros territórios do SUS, alinhados à Política Nacional de Atenção Básica e às necessidades reais da população.

A visita foi marcada por dois momentos. De manhã, após um momento de recepção e abertura institucional em que as equipes se apresentaram, foi realizada uma visita a todos os espaços do Centro de Saúde. Na parte da tarde, a apresentação institucional continuou, seguida de uma mesa de cooperação e alinhamento de expectativas.

Representantes destacam potencial estratégico

O SUS no território e para o território. Segundo o diretor da Ensp/Fiocruz, Marco Menezes, esse é um dos pontos centrais reforçados pelo projeto. Menezes destacou que a execução do projeto parte da experiência prática no cuidado realizado no território, tendo o Centro de Saúde como referência e origem da articulação em Manguinhos. O diretor ressaltou que se trata de uma iniciativa construída de forma integrada, que envolve Fiocruz, movimentos sociais e outras áreas da instituição.

"Este projeto também contribui para afirmar o papel estratégico da Fundação. Um dos temas centrais desse debate é como melhoramos nossa atuação nos territórios, e esta iniciativa tem grande potencial para valorizar ainda mais esse papel", enfatizou. Menezes ressaltou a intenção de desenvolver uma experiência inovadora de gestão e a possibilidade de expansão da iniciativa: "O projeto nasce no Centro de Saúde, mas envolve toda a Escola. Essa integração é uma das suas maiores fortalezas e representa uma oportunidade importante para ampliar e valorizar ainda mais seus resultados".

"Estamos muito felizes com este momento, que marca uma transformação importante na gestão da Atenção Primária à Saúde no âmbito da Escola", afirmou a vice-diretora de Atenção à Saúde e Laboratórios, Fátima Rocha. Segundo ela, a cooperação fortalece o papel da Fiocruz no campo das políticas públicas, além de representar a possibilidade de avançar no cuidado com a promoção de uma atenção integrada. A vice-diretora enfatizou a importância da atuação coletiva e reafirmou compromissos para realizar os objetivos: "É uma experiência nova, que construiremos da forma mais cuidadosa possível. Contamos com o olhar atento e a sensibilidade de todos para enfrentar os desafios e esperamos que o processo dê robustez à rede de afetos e aos compromissos políticos fundamentais para a dimensão e a importância dos desafios que temos pela frente".

Patrícia Canto, da Vice-Presidência de Ambiente, Atenção e Promoção da Saúde (VPAAPS/Fiocruz), destacou a satisfação de celebrar mais uma oportunidade de aprofundar a cooperação entre a instituição e o MS. "Experiências como as desenvolvidas aqui levaram a muitos dos princípios da Reforma Sanitária brasileira e do SUS. Ao longo dos anos, o Centro sempre se renovou. Acredito que fará história ao participar deste modelo inovador". Para Canto, o valor da iniciativa está em fortalecer o papel da Fiocruz como espaço de inovação, formação, produção de conhecimento e discussão de novas práticas, sempre integrado ao SUS.

"É um momento de ressignificar a forma como atuamos, fortalecendo identidades, vínculos e modos de produzir cuidado", defendeu a coordenadora de Atenção à Saúde da Ensp, Lucélia Santos. Ela contextualizou que, frente às inúmeras iniciativas do CSEGSF em formação, assistência, pesquisa e inovação, a parceria representa uma oportunidade estratégica de garantir condições adequadas para os trabalhadores e trabalhadoras, bem como de retomar uma vocação histórica: a de ser um centro formador para o Brasil. "Nosso desafio é potencializar este legado. O Centro já ocupa esse lugar, mas agora temos a possibilidade de ampliar seu alcance e sua capacidade de formação, bem como de compartilhar suas experiências de forma mais abrangente", reforçou.

"Entendemos o projeto como uma possibilidade de potencializar o Centro de Saúde na formação de trabalhadores do Sistema Único de Saúde, na qualificação das nossas equipes de Saúde da Família, pensando em um cuidado integral, cada vez mais alinhado com as questões do território", afirmou a chefe do CSEGSF, Janine Santos, que reforçou a participação histórica do Centro na construção da saúde pública brasileira.

Ana Luiza Caldas, da Secretaria de Atenção Primária à Saúde (SAPS/MS), destacou que este projeto é resultado de uma demanda antiga e reforçou a importância do momento. Ela defendeu que era necessário encontrar uma solução capaz de fortalecer a vinculação do Centro de Saúde à Fiocruz, assim como seu papel histórico e estratégico. "Foi com esse entendimento que construímos uma alternativa que aprofunda o papel do Centro de Saúde Escola como espaço de assistência, formação, pesquisa e inovação, sem perder de vista sua integração com a rede municipal de saúde e sua contribuição histórica para o SUS", afirmou. Segundo a representante da SAPS/MS, a expectativa é aprimorar mecanismos de cooperação já existentes e avançar para instrumentos mais estruturados de colaboração institucional, preservando a continuidade da assistência e das atividades desenvolvidas no território.

"Nosso objetivo é contribuir para que esta unidade se consolide como uma referência e um modelo para o SUS. Acreditamos nessa força e estamos aqui para construir esse caminho em parceria com vocês", declarou Ana Cláudia Cardozo Chaves, coordenadora-geral de Saúde da Família e Comunidade (SAPS/MS). A representante do MS reforçou a expectativa positiva em relação à parceria e o potencial de crescimento da cooperação: "Não tenho dúvidas de que a Fiocruz, a equipe do Centro de Saúde e a Secretaria Municipal de Saúde, com o apoio do Ministério, conseguirão construir uma experiência de grande relevância. Estamos aqui para apoiar, colaborar e experimentar conjuntamente novas possibilidades, tanto no âmbito da formação quanto da inovação e do desenvolvimento tecnológico, avaliando o que a parceria pode produzir e transformar".

Hannah Shiva Ludgero Farias, da Coordenação de Atributos e Estratégias da APS (SAPS/MS), reforçou a potencialidade de pensar o cuidado em saúde a partir da formação, da qualificação, da atuação junto à população e da construção coletiva realizada cotidianamente. "Este é o momento inicial da trajetória de um trabalho muito potente", defendeu.

A assessora técnica do Subsecretaria de Atenção Primária, Promoção e Vigilância em Saúde, Laís Pimenta, afirmou que o Rio de Janeiro é pioneiro em diversas estratégias de Atenção Primária, e a Ensp/Fiocruz ocupa papel central nesse processo ao formar profissionais comprometidos com o SUS e preparados para pensar o cuidado a partir das necessidades concretas da população. "Nenhuma transformação é feita de forma isolada. Temos a oportunidade de consolidar o CSEGSF como um laboratório de inovação não apenas para Manguinhos, mas para o Brasil e para o mundo. Um espaço capaz de desenvolver experiências, tecnologias e estratégias que transformem a vida das pessoas e fortaleçam o SUS", concluiu.

Outros representantes da ENSP e do Ministério da Saúde envolvidos na implementação do projeto também marcaram presença na atividade. Entre eles Renata Collazos, da Assessoria da Direção da Ensp; Pedro Lima, Patrícia Costa, Érica Souza e Fabrício Araújo, da VDAL/Ensp; além de Janaína Rangel, Fabiano Santos, Isabella Lopes, Vera Frossard, Eliane Vianna, Cristiane Coutinho Figueiredo e Rafael Arnoso Leitão, integrantes das equipes de gestão, ensino, pesquisa, cuidado e formação do Centro de Saúde Escola Germano Sinval Faria.

O projeto

A proposta parte do reconhecimento dos desafios enfrentados pela APS em territórios marcados por vulnerabilidades sociais, desigualdades socioeconômicas e situações recorrentes de violência armada, como Manguinhos. Este contexto foi agravado após a pandemia de Covid-19, com o aumento das demandas relacionadas às condições crônicas, ao sofrimento mental e à insegurança alimentar, complexificando o cuidado ofertado às populações do território.

Nesse cenário, o CSEGSF foi reconhecido como um espaço estratégico por articular assistência, ensino, pesquisa e participação social. O projeto busca fortalecer essa vocação por meio da qualificação de profissionais, da implementação de processos sistemáticos de monitoramento e avaliação e do desenvolvimento de ações voltadas a temas prioritários da APS, como cuidado integral, saúde mental, vigilância em saúde, práticas integrativas e complementares, bem como segurança do paciente e atenção à saúde em contextos de violência armada.

O objetivo da iniciativa é contribuir para a melhoria do cuidado e da organização dos processos de trabalho na APS, por meio da formação de profissionais capazes de atuar de forma resolutiva, humanizada, interprofissional e comprometida com os princípios do SUS. Para tanto, prevê o aperfeiçoamento de competências técnicas, pedagógicas e de gestão, além da implementação de ações de monitoramento e avaliação das práticas clínicas e dos indicadores de cuidado integral, fortalecendo o acompanhamento longitudinal dos usuários, a identificação das necessidades do território e a tomada de decisão.



Autor: fiocruz
Fonte: fiocruz
Sítio Online da Publicação: fiocruz
Data: 23/06/2026
Publicação Original: https://fiocruz.br/noticia/2026/06/cooperacao-entre-ms-e-fiocruz-fortalece-atuacao-na-atencao-primaria-saude

segunda-feira, 22 de junho de 2026

Estado do Rio cria Marco Legal Mães na Ciência e fortalece políticas de apoio à permanência de mulheres na pesquisa


A redação do projeto de lei teve a contribuição de representantes da Comissão de Equidade, Diversidade e Inclusão da FAPERJ, que acompanharam os debates na Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj) sobre o tema (Foto: DC Studio/Magnific)

O Estado do Rio de Janeiro passa a contar com um novo instrumento de promoção da equidade de gênero na produção científica. O governador em exercício, desembargador Ricardo Couto, sancionou a lei nº 11.213, publicada no Diário Oficial desta segunda-feira, dia 8 de junho, que institui o Marco Legal Mães na Ciência. A legislação cria diretrizes para garantir apoio às mães e adotantes na graduação e na pós-graduação, assegurando condições mais justas para a permanência e a progressão acadêmica.

As universidades públicas estaduais e a Fundação Carlos Chagas Filho de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro (FAPERJ) devem adotar mecanismos de equidade e reconhecimento no âmbito do Marco Legal Mães na Ciência. A lei observará a autonomia didático-científica, administrativa e de gestão financeira das Instituições de Ensino Superior (IES) e os objetivos do Programa Estadual de Incentivo ao Protagonismo das Mulheres na Ciência. A redação do projeto de lei sancionado teve a contribuição de representantes da Comissão de Equidade, Diversidade e Inclusão da FAPERJ, que acompanharam os debates na Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj) sobre o tema.

Nos processos seletivos e de renovação de bolsas de pesquisa, ensino e extensão, a lei veda a adoção de critérios discriminatórios contra candidatas por motivo de gestação, parto, nascimento de filho, adoção ou guarda judicial para fins de adoção. Proíbe, ainda, a formulação de perguntas sobre planejamento familiar em entrevistas, avaliações ou documentos de inscrição, salvo quando a candidata manifestar a intenção de tratar do tema.

A iniciativa avança no reconhecimento do trabalho de cuidado, especialmente da maternidade e da adoção, na avaliação de mérito acadêmico, produtividade científica e análise curricular, para fins de pontuação em processos seletivos de bolsas e editais de monitoria, iniciação científica, extensão, mestrado, doutorado e pós-doutorado.

Para a presidente da FAPERJ, Caroline Alves, a nova lei reforça iniciativas da Fundação que caminham no mesmo sentido de fortalecer a atuação das mulheres em prol do avanço da ciência no estado. "A sanção do Marco Legal Mães na Ciência representa um avanço histórico para a ciência fluminense e para a equidade de gênero na produção do conhecimento no estado, pois sabemos que a maternidade e a adoção impõem desafios reais às trajetórias acadêmicas de inúmeras pesquisadoras", disse.

Na mais recente medida em apoio à participação das mulheres na pesquisa fluminense, a FAPERJ lançou, no início de março, o edital Programa de Apoio à Jovem Cientista Mulher – Dra. Tatiana Sampaio, em homenagem à cientista, cujo trabalho pioneiro trouxe contribuições importantes para o campo da regeneração da medula espinhal em pacientes tetraplégicos.

* Com informações da Assessoria de Comunicação do Governo do Estado do Rio de Janeiro



Autor: faperj
Fonte: faperj
Sítio Online da Publicação: faperj
Data: 08/06/2026
Publicação Original: https://www.faperj.br/?id=1038.7.3

Biotech Hub vai reforçar estrutura de startups de Biotecnologia na UFRJ



Imagem mostra como ficará uma das salas do Biotec Hub, que será entregue em junho. Espaço multiusuário será utilizado por startups da área de Biotecnologia (Imagem: Fernanda Metello)

A Incubadora de Empresas da Coppe/UFRJ vai inaugurar, no próximo dia 18 de junho, seu Biotech Hub, uma estrutura dedicada ao desenvolvimento de startups da área de Biotecnologia. Implantado com apoio da FAPERJ, o espaço multiusuário de 350 m² funcionará no prédio da Incubadora, na Cidade Universitária, e será utilizado por pesquisadores empreendedores. A proposta é transformar conhecimento acadêmico em soluções tecnológicas de alto impacto social e econômico.

O hub contará com um conjunto de equipamentos que poderão ser utilizados de forma compartilhada por startups de base científica. Desta forma, as empresas poderão investir seus recursos em outras necessidades. O ambiente contará com um ultrafreezer vertical capaz de refrigerar até 86 graus negativos, conhecido como freezer -80°; ultracentrífuga; uma incubadora de células, entre outros.

A estrutura foi viabilizada por meio do Programa de Apoio a Ações Integradas de Inovação em Instituições de Ciência e Tecnologia Fluminenses da FAPERJ, que destinou recursos para aquisição de equipamentos laboratoriais de ponta. “A inauguração do Biotech Hub representa exatamente o tipo de resultado que buscamos ao investir recursos públicos em ciência, tecnologia e inovação. Trata-se da materialização de um projeto estratégico que transforma conhecimento científico em oportunidades concretas de desenvolvimento econômico e social. Muitas startups de base tecnológica possuem equipes altamente qualificadas e pesquisas promissoras, mas enfrentam dificuldades para acessar infraestrutura laboratorial avançada, fundamental para validar tecnologias e avançar em direção ao mercado. O Biotech Hub reduz essa barreira, democratizando o acesso a equipamentos e ambientes especializados, permitindo que mais soluções inovadoras sejam desenvolvidas no estado do Rio de Janeiro. Para a FAPERJ, é motivo de grande satisfação ver um investimento realizado por meio do Programa de Apoio a Ações Integradas de Inovação se transformar em um ambiente capaz de acelerar a inovação, gerar empregos qualificados e fortalecer o ecossistema fluminense de ciência e tecnologia”, afirmou a presidente da FAPERJ, Caroline Alves.

“O apoio da FAPERJ foi decisivo não apenas para estruturar o Biotech Hub, mas também para desenvolver um programa voltado especificamente à geração de startups de Biotecnologia”, afirmou o líder de Biotecnologia da Incubadora Coppe/UFRJ Diego Lelis, responsável pela seleção dos equipamentos adquiridos.

O Hub também contou com apoio da Finep, do Inova UFRJ e de parceiros institucionais, consolidando um modelo de cooperação entre universidade, agências públicas e setor produtivo voltado à geração de inovação de alto impacto. Também será inaugurado o Hub de Bioimpressão 3D, desenvolvido em parceria com a divisão Life Science da Merck.

O Biotech Hub foi idealizado pela professora Daniela Uziel, atual diretora do Núcleo de Inovação Tecnológica da UFRJ, o Inova, que adaptou o modelo internacional de laboratórios compartilhados à realidade das startups acadêmicas brasileiras. A execução da implantação do espaço contou com a coordenação de Marcos Chaves Martins, head da Incubadora de Empresas da Coppe/UFRJ, responsável por viabilizar a estrutura física do hub.



Um grupo de alunos da UFRJ visita o Hub, montado no prédio da incubadora de empresas da Coppe. Espaço contará com equipamentos que serão compartilhados por pesquisadores empreendedores. (Fotos: Diego Lelis/Acervo pessoal)

"Apesar de a UFRJ já possuir uma resolução que permite compartilhar sua infraestrutura com startups, observamos que, à medida que elas crescem, precisam ter um espaço próprio. Calculamos que, individualmente, cada startup gastaria pelo menos R$ 3 milhões para montar um espaço de bancada onde pudesse desenvolver seus produtos. Algo praticamente inviável nesse estágio inicial. Com base em experiências internacionais, idealizamos esse espaço compartilhado voltado para startups acadêmicas focadas em Biotecnologia. O recurso da FAPERJ foi essencial para a aquisição dos equipamentos que tornam essa estrutura viável", explicou Daniela Uziel.

Segundo Diego Lelis, doutor em Ciências Morfológicas e bolsista do programa Pesquisador na Empresa da FAPERJ, o trabalho foi conduzido com foco nas reais necessidades das startups, atendendo às exigências regulatórias e às boas práticas de biossegurança. Diego esteve à frente da concepção técnica do hub e do acompanhamento da implantação da infraestrutura. “Startups nascentes, em geral, não têm capital suficiente para investir em infraestrutura laboratorial e, com isso, acabam deixando de lado áreas estratégicas como gestão, marketing e desenvolvimento comercial. Com o Biotech Hub, ofereceremos um laboratório completo, equipado com tecnologia de ponta, permitindo que os recursos captados pelas startups sejam aplicados de forma mais estratégica e equilibrada”, explicou.

A implantação do espaço contribuirá para startups como a RioGen, apoiada pelo programa Doutor Empreendedor da FAPERJ. "Iniciativas como o Biotech Hub são fundamentais para auxiliar as startups de Biotecnologia, que enfrentam inúmeros desafios, sendo um dos principais, a necessidade de infraestrutura. Além de dar suporte direto às startups, o Biotech Hub também contribui para fortalecer o ecossistema de inovação do Rio de Janeiro", afirmou Beatriz Mota, CEO da RioGen.


Segundo Diego Lelis, líder de Biotecnologia da Incubadora, ao utilizar estrutura multiusuária, startups vão economizar e poderão aplicar recursos captados em outras frentes.


O advento da estrutura também foi destacado por Mariana Collodetti, CEO da Tolveg, outra startup apoiada pelo edital Doutor Empreendedor. “Para a TolVeg, a possibilidade de acessar uma infraestrutura compartilhada, com laboratórios bem equipados, apoio técnico e conexões estratégicas, amplia significativamente nosso potencial de crescimento. Isso nos permite focar no que realmente importa: escalar tecnologias sustentáveis que ajudem a transformar o agronegócio, como o Hariman, nosso primeiro produto", ressaltou Mariana.

"Para a Grisea, o Biotech Hub será exatamente importante. Ter acesso a um espaço de co-working de bancada e laboratório equipado nos permitirá acelerar o desenvolvimento dos nossos biopolímeros e ampliar a colaboração com outras startups de base tecnológica. É uma iniciativa estratégica para fortalecer o ecossistema da incubadora e as startups presentes nele", afirmou Felipe Teixeira, CEO da Grisea, também apoiada pelo programa Doutor Empreendedor.

Com essa infraestrutura, o Biotech Hub se consolida como uma das poucas estruturas do gênero no país dentro de uma incubadora universitária. O espaço fortalece o ecossistema fluminense de inovação ao criar pontes entre academia, setor produtivo e mercado de investimentos, promovendo a interação estratégica da hélice tríplice e acelerando o desenvolvimento de soluções inovadoras com alto valor agregado.

No segundo semestre de 2025, a Incubadora de Empresas da Coppe/UFRJ promoveu uma consulta pública para identificar quais as parcerias, contrapartidas, compromissos e mecanismos de governança são mais atrativos para os atores envolvidos com o Biotech Hub. Foram ouvidos startups, instituições de ciência e tecnologia, parceiros, investidores e o público em geral.

O canal de divulgação científica da FAPERJ no YouTube já publicou videorreportagens sobre as atividades das startups Grisea, RioGen e Tolveg, cujos representantes foram ouvidos nesta matéria. Confira os vídeos nos links.

* Com informações da Assessoria de Comunicação e da Incubadora de Empresas da Coppe/UFRJ



Autor: faperj
Fonte: faperj
Sítio Online da Publicação: faperj
Data: 11/06/2026
Publicação Original: https://www.faperj.br/?id=851.7.7

quinta-feira, 18 de junho de 2026

Fiocruz é premiada em Simpósio Internacional de Imunologia e Hematologia

Estudos desenvolvidos pela Fiocruz foram premiados durante a 9ª edição do Simpósio Internacional de Imunologia e Hematologia. O evento, que reuniu pesquisadores, profissionais e acadêmicos de graduação, mestrado e doutorado das áreas de Ciências Biológicas, Dermatologia e Saúde de toda a região amazônica, de outros estados brasileiros, da América Latina e demais continentes, premia os melhores trabalhos científicos apresentados em cinco modalidades/áreas temáticas específicas da saúde: Imunologia, Hematologia, Interação Patógeno Hospedeiro, Dermatologia, Medicina Tropical.



Evento teve o objetivo de debater e atualizar conhecimentos científicos sobre doenças tropicais e negligenciadas, desde a fisiopatologia básica até novas abordagens terapêuticas aplicadas (Foto: Fiocruz Amazônia)

A seleção do melhor trabalho de cada uma dessas áreas considerou a avaliação do resumo e da apresentação (feita em formato de banner/painel) pela Comissão Científica. Luandra Gadea, discente do Programa de Pós-Graduação Stricto Sensu em Biologia da Interação Patógeno Hospedeiro (PPGBIO-Interação), foi premiada na categoria Mestrado, na área Interação Patógeno-hospedeiro. Giovanna Marques, bolsista do Programa de Iniciação Científica (PIC) da Fiocruz Amazônia, foi premiada em duas áreas: Medicina Tropical e Biologia da Interação Patógeno-Hospedeiro. Orientada por Priscila Aquino, pesquisadora do Laboratório Diversidade Microbiana da Amazônia e coordenadora do PPGBIO-Interação, a aluna Giovanna Marques, apresentou os trabalhos Standardization of a protein extraction protocol applied to the study of entomopathogenic fungi for the control of Aedes aegypti e In silico design and evaluation of a multi-epitope protein for oropouche virus diagnosis.

“Receber duas premiações de Iniciação Científica foi uma experiência muito especial e motivadora. Além da felicidade pelo reconhecimento, participar de um evento internacional com pesquisadores e palestrantes tão renomados reforçou para mim, a importância de desenvolver pesquisas que contribuam para a compreensão e, esperançosamente, para a solução de problemas em saúde pública. A conquista reflete não apenas o meu esforço, mas o trabalho conjunto de toda a equipe, mostrando como a ciência é construída por meio da colaboração, da dedicação e da busca constante por respostas para desafios que rodeiam a nossa sociedade”, destaca Marques.

Aquino falou sobre a satisfação em ver o reconhecimento do trabalho e evolução da aluna. “Fiquei muito feliz com a premiação da Giovanna em duas áreas diferentes e tão importantes: Medicina Tropical e Biologia da Interação Patógeno-Hospedeiro. Esse reconhecimento demonstra não apenas a qualidade dos trabalhos apresentados, mas também o compromisso, a dedicação e o crescimento científico da estudante ao longo de sua trajetória. Para mim, é uma grande satisfação acompanhar essa conquista e ver o quanto a iniciação científica pode contribuir para a formação de jovens pesquisadoras. Aproveito também para agradecer a todos que, de alguma forma, contribuíram para o desenvolvimento desses trabalhos”, observa.

A mestranda Luandra Gadea, orientada por Yury Chaves, docente do PPGBIO-Interação, apresentou o estudo Padronização da citometria de fluxo para avaliação da resposta imune celular de Anopheles darling. “Receber a premiação pela apresentação no 9º HIT Meeting Amazon, na categoria de Mestrado em Interação Patógeno-Hospedeiro, foi um momento muito significativo, pois representa o reconhecimento do esforço e da dedicação envolvidos no desenvolvimento desta pesquisa. Além disso, é uma grande motivação para continuar aprofundando os estudos e contribuindo para a construção do conhecimento científico na área”, comenta.

A pesquisa aborda a resposta imune celular de Anopheles darlingi frente ao Plasmodium vivax, buscando identificar e compreender os tipos celulares e os mecanismos de defesa envolvidos nessa interação. “Estudar o vetor é essencial para compreender como esses processos podem influenciar o desenvolvimento do parasito no mosquito e, consequentemente, contribuir para o entendimento dos mecanismos envolvidos na transmissão da malária. Esse olhar é especialmente importante na região amazônica, onde Anopheles darlingi possui grande relevância epidemiológica”, explica.

Yury Chaves, destacou a importância deste reconhecimento para o desenvolvimento de novas linhas de pesquisa, bem como a cooperação entre laboratórios da Fiocruz Amazônia e do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa). “Essa premiação é especialmente relevante por representar uma oportunidade de visibilidade aos trabalhos desenvolvidos pelos grupos de pesquisa do Laboratório de Diagnóstico e Controle de Doenças Infecciosas na Amazônia, Laboratório Ecologia de Doenças Transmissíveis na Amazônia da Fiocruz Amazônia e o Laboratório de Leishmaniose e Doença de Chagas do Inpa, que conduzem um estudo pioneiro envolvendo a resposta imune de vetores de doenças analisada por citometria de fluxo. O reconhecimento evidencia não apenas a qualidade científica e o potencial inovador da pesquisa, mas também sua aplicabilidade na geração de novas linhas de investigação para a Fiocruz Amazônia e o Inpa”, esclarece.

O Simpósio Internacional de Imunologia e Hematologia foi realizado pelo Programa de Pós-Graduação em Imunologia Básica e Aplicada (PPGiba) da Universidade Federal do Amazonas (Ufam), em parceria com o Programa de Pós-Graduação em Biologia da Interação Patógeno-Hospedeiro (PPGBio Interação) do Instituto Leônidas e Maria Deane (ILMD/Fiocruz Amazônia), Programa de Pós-Graduação em Ciências Aplicadas à Dermatologia, Programa de Pós-Graduação em Ciências Aplicadas à Hematologia e Programa de Pós-Graduação em Medicina Topical da Universidade do Estado do Amazonas (UEA), em colaboração com a Fundação Hospitalar Alfredo da Matta (Fuham), Fundação Hospitalar de Hematologia e Hemoterapia do Amazonas (FHemoam) e Fundação de Medicina Tropical Dr. Heitor Vieira Dourado (FMT-HVD). Neste ano, o evento terá também o apoio da Sociedade Brasileira de Imunologia (SBI) e da Associação Brasileira de Hematologia, Hemoterapia e Terapia Celular (ABHH).

O evento teve o objetivo de debater e atualizar conhecimentos científicos sobre doenças tropicais e negligenciadas, desde a fisiopatologia básica até novas abordagens terapêuticas aplicadas. O simpósio teve ainda o intuito de impulsionar a pesquisa e a inovação na maior biodiversidade do planeta, além de discutir aspectos imunológicos e hematológicos ligados a infecções prevalentes na região amazônica, promover palestras e mesas-redondas para alinhar práticas clínicas, inovação e pesquisa de alto nível, conectando acadêmicos, residentes, pesquisadores e profissionais da saúde.

A 9ª edição do Simpósio Internacional de Imunologia e Hematologia foi apoiada pelo Governo do Amazonas, por meio do Programa de Apoio à Realização de Eventos Científicos e Tecnológicos do Amazonas da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas (Fapeam). A ação visa apoiar a realização de eventos científicos regionais, nacionais e internacionais, nas modalidades presencial, virtual ou híbrida, sediados no Amazonas, relacionados à Ciência, Tecnologia e Inovação (CT&I): congressos, simpósios, workshops, seminários, ciclo de palestras, conferências e oficinas de trabalho, visando divulgar resultados de pesquisas e contribuir para a promoção do intercâmbio tecnológico e inovativo.




Autor: fiocruz
Fonte: fiocruz
Sítio Online da Publicação: fiocruz
Data: 17/06/2026
Publicação Original: https://fiocruz.br/noticia/2026/06/fiocruz-e-premiada-em-simposio-internacional-de-imunologia-e-hematologia

Fiocruz e Ministério da Justiça iniciam formação de 120 Defensoras Populares no Espírito Santo

“Na Fiocruz, entendemos a saúde como democracia e acesso à justiça também. Não existe saúde sem que se considere questões de raça, classe e gênero”, afirmou Camila Castanho Miranda, coordenadora nacional do projeto Defensoras Populares pela Fiocruz, durante o lançamento da iniciativa no Espírito Santo. O evento aconteceu no último domingo (14), em Vitória, e marcou o início da formação que capacitará 120 mulheres em direitos humanos no estado. A iniciativa é fruto de uma parceria entre a Coordenação de Cooperação Social da Presidência da Fiocruz e a Secretaria Nacional de Acesso à Justiça do Ministério da Justiça e Segurança Pública (Saju/MJSP).


Créditos: Denise Tadei

De abrangência nacional, o projeto promove a formação em direitos humanos para mulheres em situação de vulnerabilidade, com foco no fortalecimento de lideranças comunitárias e na ampliação do acesso à justiça nos territórios. O projeto está vinculado ao programa federal Antes que Aconteça, integra o Pacto Nacional de Enfrentamento ao Feminicídio — que reúne os três poderes da República — e conta ainda com o apoio do Instituto Nacional de Saúde da Mulher, da Criança e do Adolescente Fernandes Figueira (IFF/Fiocruz).

Zélia Profeta, coordenadora de Relações Institucionais da Presidência da Fiocruz, destacou a importância da atuação das defensoras populares nos territórios. “Vocês vão acompanhar, atuar e fortalecer o acesso à justiça, dialogando com as mulheres e com as pessoas do território sobre equidade, enfrentamento da violência contra a mulher e combate ao feminicídio. A gente está atuando para ter mulheres saudáveis, respeitadas e vivas”.
 


Crédito: Denise Tadei

Rede de proteção e acesso à justiça

A mesa de abertura contou com a participação de Sheila Carvalho, secretária da Saju/MJSP; Camila Castanho Miranda, coordenadora do projeto na Fiocruz; Cristiane Esteves Soares, promotora de justiça do Ministério Público do Espírito Santo; Sonia Lopes, vice-reitora da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes); Rosely Pires, coordenadora do Programa de Extensão “Fordan: Cultura no Enfrentamento às Violências” da Ufes; além das parlamentares Jackeline Rocha, Camila Valadão e Iriny Lopes.


Sheila Carvalho ressaltou o papel do Projeto Defensoras Populares na construção de redes de apoio entre as mulheres. “O Defensoras Populares tem sido mais que um projeto de defesa dos nossos direitos, é um projeto de conexão. Se vocês olharem para o lado, vão se reconhecer. Todas nós, agora, fazemos parte dessa rede de proteção das mulheres”.

Segundo a promotora de Justiça Cristiane Esteves Soares, os dados revelam que grande parte das vítimas de feminicídio não chega a buscar ajuda institucional. “O cenário nacional é muito semelhante ao que observamos em nosso estado: cerca de 80% das mulheres vítimas de feminicídio sequer procuraram o sistema de justiça. Por isso, o papel das defensoras populares é fundamental para orientar e acolher mulheres em situação de violência, para que elas consigam, de fato, romper esse ciclo da violência”.

A vice-reitora Sonia Lopes defendeu a participação de diferentes setores da sociedade e o reconhecimento da diversidade das experiências das mulheres. “Precisamos dialogar sempre a partir da coletividade, que é fundamental quando se trata de um tema tão sensível. A violência contra as mulheres é uma questão complexa, que envolve diferentes áreas do conhecimento e diferentes mulheres, em toda a sua representatividade”.

Experiências anteriores

O Defensoras Populares se inspira em experiências bem-sucedidas das Defensorias Públicas voltadas ao empoderamento jurídico nas comunidades. No Ceará, o projeto desenvolvido em parceria com a Universidade da Integração Internacional da Lusofonia Afro-Brasileira foi premiado no Innovare 2025, reconhecimento que destaca iniciativas inovadoras e transformadoras na promoção da cidadania e na ampliação do acesso à justiça. Agora, a metodologia se expande para novos territórios, consolidando seu caráter nacional.

O projeto

A formação ocorrerá de forma híbrida ao longo de oito meses, organizada em oito módulos, com videoaulas gravadas, plantões de dúvidas, encontros online e atividades presenciais. Ao final do processo, cada participante deverá elaborar um Plano de Articulação Comunitária (PAC), que funcionará como trabalho final de avaliação.

Entre os temas abordados estão: Cidadania e Organização do Estado; Funcionamento do Sistema de Justiça; Direitos Humanos e Direitos das Mulheres; Enfrentamento às Violações de Direitos; Saúde Coletiva e Educação Popular; e Saberes Locais e Articulação Territorial.

O projeto selecionou 120 mulheres em cada um dos estados participantes que, além da formação, também receberão uma bolsa-auxílio mensal de R$ 700,00 durante todo o percurso formativo.



Autor: fiocruz
Fonte: fiocruz
Sítio Online da Publicação: fiocruz
Data: 17/06/2026
Publicação Original: https://fiocruz.br/noticia/2026/06/fiocruz-e-ministerio-da-justica-iniciam-formacao-de-120-defensoras-populares-no

Brasil registrou 120 mil mortes associadas a ondas de calor em 20 anos

O estudo Saúde e ondas de calor do Brasil: evidências sobre mortalidade, morbidade hospitalar e implicações para o SUS, lançado nesta quarta-feira (17/6), apresenta dados inéditos sobre mortes atribuíveis às ondas de calor no país nos últimos 20 anos. O estudo caracteriza padrão de exposição a eventos de ondas de calor e os efeitos na saúde humana em todo o território nacional. Os achados reforçam o calor extremo como ameaça à saúde pública e destacam a necessidade de fortalecer a agenda de adaptação, diante do aquecimento global e da intensificação e frequência de ondas de calor. As análises foram conduzidas por pesquisadores da Fiocruz e da Universidade Federal da Bahia (UFBA), sob a coordenação das equipes técnicas dos projetos Ciência&Clima e ProAdapta, com o objetivo de apoiar a formulação de ações para o enfretamento do calor extremo e fortalecer a integração entre produção científica e políticas setoriais. Acesse o estudo.



A maioria dos municípios brasileiros apresentou uma tendência de aumento na frequência e na intensidade das ondas de calor ao longo das duas décadas estudadas

Os dados de mortalidade por doenças do aparelho circulatório e cardiovascular ocorridas no âmbito do Sistema Único de Saúde (SUS) em 5.566 municípios, entre os anos de 2000 e 2019, estimaram em aproximadamente 120 mil óbitos associados ao calor extremo no país. Esse valor equivale a 0,6% da mortalidade total registrada no período, excluindo os óbitos por causas externas (acidentes e violências). Os resultados revelam de modo consistente a associação entre a exposição ao calor extremo e ondas de calor e o aumento da mortalidade. Os efeitos foram mais pronunciados entre idosos, com óbitos por causas respiratórias, mulheres e pessoas com menor escolaridade. São resultados que indicam e reforçam a influência dos determinantes sociais na distribuição dos impactos.

“A inovação deste estudo está em integrar, em escala nacional, a caracterização das ondas de calor considerando frequência, intensidade e duração com uma análise detalhada de seus impactos sobre internações hospitalares e mortalidade. De modo geral, o trabalho reforça evidências já descritas na literatura, mas avança em análises mais detalhadas sobre os impactos do calor extremo na saúde da população brasileira”, destaca a pesquisadora Beatriz Oliveira, da Fiocruz, responsável por conduzir o estudo.

"A pesquisa traz uma mensagem inequívoca: o calor extremo já está custando vidas no Brasil. Os mais de 120 mil óbitos associados às ondas de calor revelam que a adaptação à mudança do clima precisa avançar com urgência, ampliando a construção de cidades verdes e resilientes. Para o Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima, é o que estamos fazendo a partir da implementação do Programa Cidades Verdes Resilientes com o Plano Nacional de Arborização Urbana, a iniciativa ArborizaCidades fomentando apoio a planos e projetos de arborização urbana para enfrentar o calor extremo, a elaboração da Estratégia Nacional de Soluções Baseadas na Natureza e o Plano Nacional de Ação pelo Resfriamento. Tudo isso é indispensável para apoiar estados e municípios a serem capazes de proteger a saúde da população diante de um clima cada vez mais quente. A agenda de resfriamento urbano é uma agenda de prevenção, adaptação e proteção da vida", detalha o diretor de Meio Ambiente Urbano do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima e do projeto ProAdapta, Maurício Guerra.

Em âmbito nacional, o estudo explorou os efeitos do calor extremo sobre as internações hospitalares do SUS. Na população em geral foi identificado um aumento consistente do risco de internação por doenças respiratórias, especialmente pneumonia, e geniturinárias, como insuficiência renal, em quase todas as regiões. O estresse térmico sobrecarrega as funções cardiorrespiratórias, contribuindo para inflamações sistêmicas e agravando doenças respiratórias pré-existentes, além de afetar o trato urinário por meio da desidratação, da hipovolemia (redução do volume total de sangue e líquidos no corpo) e da disfunção renal.



Para crianças menores de 10 anos, as gastroenterites (diarreias) foram a causa de internação mais fortemente associada às ondas de calor em todas as macrorregiões do país. A condição pode estar associada à maior suscetibilidade à desidratação, à imaturidade dos mecanismos de termorregulação e às alterações ambientais que afetam a qualidade da água e o armazenamento de alimentos durante períodos de calor extremo.

Na população idosa, indivíduos com mais de 60 anos mostraram alta sensibilidade em causas respiratórias, renais e metabólicas (diabetes). Segundo os pesquisadores, do ponto de vista fisiopatológico, esses efeitos podem estar associados à redução da capacidade de termorregulação, à maior prevalência de doenças crônicas e ao uso de medicamentos que interferem no balanço hídrico e eletrolítico, favorecendo a desidratação e a disfunção renal. O estudo sugere que, durante ondas de calor mais severas, internações por doenças cardiovasculares podem evoluir rapidamente para quadros graves, com possibilidade de óbito antes da hospitalização.

“Na morbidade hospitalar, exploramos diferentes desfechos de saúde, um tema ainda pouco estudado no país. Na mortalidade, identificamos um gradiente social de risco, com maior aumento percentual do risco de morte entre pessoas com menor escolaridade. Esses resultados reforçam a necessidade de direcionar ações de adaptação e proteção aos grupos mais vulneráveis”, explica o supervisor de Impactos, Vulnerabilidades e Adaptação do projeto Ciência&Clima, Sávio Raeder.

A maioria dos municípios brasileiros apresentou uma tendência de aumento na frequência e na intensidade das ondas de calor ao longo das duas décadas estudadas. Contudo, a análise sinaliza que a exposição às ondas de calor não ocorre de modo homogêneo no território nacional. Há variações de frequência, duração e intensidade entre as sete zonas climáticas do país, que foram adotadas neste estudo por sua maior sensibilidade de captar a relação entre saúde e os eventos de ondas de calor.

Estas variações também foram observadas entre as regiões brasileiras: enquanto os eventos climáticos foram mais frequentes, longos e persistentes nas regiões Norte e Centro-Oeste, os episódios com maior intensidade, em relação à temperatura média climatológica local, ocorreram no Sul e no Sudeste. Os resultados demonstram como as ondas de calor podem aumentar a demanda por serviços de saúde pública e contribuir para o agravamento de condições clínicas entre os grupos mais sensíveis.

Metodologia empregada

O estudo envolveu três etapas. A primeira caracterizou a exposição às ondas de calor no Brasil. Foram considerados o número de dias em ondas de calor, o número de eventos climáticos, a duração média dos episódios e a intensidade média em relação à média climatológica do período de referência (1981-2010). A metodologia para realização do estudo adotou o critério mínimo de dois dias consecutivos com temperatura acima do percentil 95 da temperatura média como principal componente da exposição. Além disso, foram analisadas a distribuição espacial e temporal entre 2000 e 2019.

A segunda etapa explorou as estimativas de risco da exposição às ondas de calor sobre desfechos de morbidade hospitalar atendidos pelo SUS, segundo diferentes definições de ondas de calor, subgrupos populacionais de maior risco (população geral, crianças menores de 10 anos e idosos) e causas específicas. Os principais desfechos estudados foram selecionados de acordo com a plausibilidade biológica, relevância clínica e adequação ao uso de dados administrativos. Foram consideradas as internações hospitalares com a seleção de 680 municípios, que apresentaram séries temporais mais estáveis e robustas entre 2010 e 2019. Por fim, os pesquisadores analisaram a associação entre ondas de calor e mortalidade e estimaram o número de óbitos atribuíveis, considerando as zonas climáticas e as características sociodemográficas (2000-2019).

Medidas preventivas

Os resultados reforçam a necessidade de ampliar a sensibilização sobre os riscos das ondas de calor e incrementar os planos de ações em nível municipal. A resposta passa pela implementação de sistemas de monitoramento e alerta antecipado, orientação à população e fortalecimento da capacidade de respostas do SUS.

Outro aspecto apontado pelo estudo é a necessidade de incorporar sistematicamente informações climáticas nos processos de vigilância epidemiológica e ambiental para melhor identificar os períodos críticos, ampliar a capacidade de antecipação de riscos e subsidiar medidas preventivas e assistenciais. Os maiores impactos observados em grupos de maior vulnerabilidade apontam necessidade de atenção especial a estes segmentos.

A publicação é mais um resultado da iniciativa conjunta dos projetos Ciência&Clima e ProAdapta, em conjunto com a Fiocruz, em aprofundar e avançar no conhecimento científico e na compreensão dos impactos observados da mudança do clima no Brasil. O estudo preenche uma lacuna crítica sobre a associação entre calor extremo e impactos na saúde no âmbito nacional. Na primeira fase do estudo, lançado em outubro de 2025, os técnicos se preocuparam em sintetizar os indicadores e índices utilizados para estabelecer os parâmetros para protocolos de enfrentamento ao calor extremo.

Saiba mais

Ciência&Clima é um projeto de cooperação técnica internacional executado pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), com o apoio do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) na sua implementação e recursos do Fundo Global para o Meio Ambiente (GEF) cujo propósito é auxiliar o governo brasileiro no cumprimento dos compromissos internacionais da agenda de transparência climática junto à Convenção do Clima (UNFCCC). Acesse: https://www.gov.br/mcti/ciencia-clima

ProAdapta é fruto da parceria entre o Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima do Brasil (MMA) e o Ministério Federal do Meio Ambiente, Ação Climática, Conservação da Natureza e Segurança Nuclear (BMUKN) da Alemanha, no contexto da Iniciativa Internacional para o Clima (IKI, na sigla em alemão) e implementado pela Deutsche Gesellschaft für Internationale Zusammenarbeit (GIZ) GmbH. Acesse: https://www.adaptacao.eco.br/

A Fiocruz é a maior instituição de pesquisa biomédica da América Latina e uma das principais responsáveis pela produção de vacinas, medicamentos e conhecimento para o Sistema Único de Saúde (SUS). Vinculada ao Ministério da Saúde, atua em pesquisa, ensino, inovação e assistência em saúde. Presente em dez estados e no Distrito Federal, além de manter um escritório em Moçambique, reúne 16 unidades técnico-científicas distribuídas pelo país.

Contato para imprensa

Ciência&Clima – transparência.clima@undp.org (Jussara Peccini)
Fiocruz – ccs@fiocruz.br (Regina Castro)


ProAdapta – tiago.zenero@giz.de (Tiago Zenero)




Autor: fiocruz
Fonte: fiocruz
Sítio Online da Publicação: fiocruz
Data: 17/06/2026
Publicação Original: https://fiocruz.br/noticia/2026/06/brasil-registrou-120-mil-mortes-associadas-ondas-de-calor-em-20-anos

quarta-feira, 17 de junho de 2026

FAPESP anuncia nova chamada com a NRF, da Coreia do Sul

Serão selecionadas propostas de pesquisas em qualquer área do conhecimento com duração de até 24 meses


A FAPESP anuncia o lançamento de uma nova chamada de propostas com a National Research Foundation of Korea (NRF), destinada ao financiamento de projetos colaborativos entre pesquisadores do estado de São Paulo e da Coreia do Sul.

A chamada – quarta no âmbito do acordo de cooperação entre as instituições – está aberta a propostas em todas as áreas do conhecimento e prevê o apoio a até três projetos de pesquisa, com duração máxima de 24 meses, na modalidade Auxílio à Pesquisa Regular.

O prazo para submissão das propostas vai até 30 de junho de 2026. As propostas deverão ser submetidas simultaneamente à FAPESP, por meio do sistema SAGe, e à NRF, pelo sistema ERND.

No âmbito da chamada, a FAPESP poderá financiar até R$ 200 mil por projeto ao ano para a equipe paulista, excluindo-se os valores de Reserva Técnica. Já a NRF financiará até KRW 30 milhões anuais por proposta para a equipe sul-coreana.

Poderão participar da chamada pesquisadores vinculados a instituições de ensino superior e pesquisa do estado de São Paulo que atendam aos requisitos da modalidade Auxílio à Pesquisa Regular da FAPESP, bem como pesquisadores elegíveis da Coreia do Sul conforme as normas da NRF.

Cada proposta deverá ser elaborada conjuntamente por um pesquisador responsável no estado de São Paulo e um pesquisador responsável na Coreia do Sul, com o mesmo título e conteúdo científico correspondente submetido às duas agências.

Segundo a chamada, pesquisadores que já atuam como pesquisadores responsáveis ou principais em projetos em andamento poderão submeter propostas, desde que apresentem justificativa científica demonstrando complementaridade ou nova linha de pesquisa em colaboração internacional.

A chamada está publicada em fapesp.br/18200.



Autor: FAPESP
Fonte: FAPESP
Sítio Online da Publicação: FAPESP
Data: 20/05/2026
Publicação Original: https://fapesp.br/18202/fapesp-anuncia-nova-chamada-com-a-nrf-da-coreia-do-sul

FAPESP e NERC lançam nova chamada em ciências ambientais

Serão apoiadas pesquisas colaborativas de alto impacto reunindo pesquisadores do Reino Unido e do estado de São Paulo




A FAPESP e o Natural Environment Research Council (NERC) anunciam a edição de 2026 da chamada para colaborações no âmbito do acordo mantido pela Fundação com o United Kingdom Research and Innovation (UKRI), do qual faz parte o NERC.

O objetivo da chamada FAPESP-NERC Global Partnerships Seedcorn Fund é promover parcerias entre grupos de pesquisa de São Paulo e do Reino Unido em ciências ambientais por meio de mecanismos de colaboração de curto prazo.

Propostas devem ser submetidas nas áreas de atuação do NERC, que incluem ciências terrestres, marinhas, biologia de água doce, arqueologia, ciências polares e atmosféricas e observação da Terra. São elegíveis pesquisadores de São Paulo com auxílios FAPESP vigentes.

Os projetos receberão apoio para atividades de mobilidade e intercâmbio (como diárias de viagens e workshops) e para custos de estudos exploratórios (insumos, serviços de terceiros e equipamentos de baixo custo). No caso da FAPESP, o financiamento será baseado na modalidade Auxílio à Pesquisa – Regular, com limite de orçamento de R$ 400 mil e previsão de conclusão em até dois anos.

O prazo para recebimento de propostas termina em 16 de julho de 2026. A chamada de propostas está disponível em: https://fapesp.br/18225.

Foto: NASA Johnson Space Center/Wikimedia Commons



Autor: FAPESP
Fonte: FAPESP
Sítio Online da Publicação: FAPESP
Data: 12/05/2026
Publicação Original: https://fapesp.br/18228/fapesp-e-nerc-lancam-nova-chamada-em-ciencias-ambientais

FAPESP apoiará inovação tecnológica nas FATECs

Nova iniciativa destinará R$ 20 milhões para até 250 projetos coordenados por docentes das FATECs, com a concessão de 500 Bolsas de Iniciação Tecnológica




A FAPESP lança uma nova chamada de propostas para apoiar projetos de inovação tecnológica desenvolvidos nas Faculdades de Tecnologia do Estado de São Paulo (FATECs), do Centro Paula Souza.

Com investimento total de R$ 20 milhões, a chamada poderá financiar até 250 projetos em qualquer área do conhecimento relacionada ao desenvolvimento tecnológico e à inovação. Os projetos serão financiados na modalidade Auxílio à Inovação Regular e poderão ter duração de até 18 meses, com possibilidade de prorrogação por até 12 meses.

Cada proposta aprovada poderá receber até R$ 50 mil em recursos de custeio e até duas Bolsas de Iniciação Tecnológica (IT), com duração inicial de até 12 meses e possibilidade de prorrogação por mais 12 meses. No total, a chamada poderá conceder até 500 bolsas.

O objetivo da iniciativa é ampliar a participação de estudantes das FATECs em atividades de pesquisa aplicada, estimulando sua formação em inovação tecnológica e contribuindo para a diversificação da força de trabalho em pesquisa e desenvolvimento no estado de São Paulo.

As propostas deverão ser submetidas por docentes das FATECs do Centro Paula Souza que possuam vínculo empregatício com a instituição, tenham título mínimo de mestre e competência comprovada na área do projeto proposto.

Os estudantes beneficiados pelas bolsas deverão estar regularmente matriculados em cursos de graduação das FATECs, ter concluído disciplinas relevantes para o desenvolvimento das atividades previstas e apresentar bom desempenho acadêmico.

As pesquisas deverão ser desenvolvidas nas próprias FATECs. Os recursos de custeio poderão contemplar, entre outros itens, aquisição de materiais de consumo, pequenos equipamentos, contratação de serviços especializados, despesas de transporte e diárias vinculadas às atividades do projeto.

As propostas deverão ser submetidas exclusivamente por meio do Sistema de Apoio à Gestão (SAGe), da FAPESP.

O prazo para submissão vai até 13 de julho de 2026. Os resultados serão divulgados a partir de 17 de agosto de 2026, e o início dos projetos está previsto para ocorrer a partir de 1º de setembro de 2026.

A chamada de propostas está publicada em: fapesp.br/18231.

Dúvidas podem ser encaminhadas para o e-mail: air-it@fapesp.br.


Autor: FAPESP
Fonte: FAPESP
Sítio Online da Publicação: FAPESP
Data: 17/05/2026
Publicação Original: https://fapesp.br/18232/fapesp-apoiara-inovacao-tecnologica-nas-fatecs

terça-feira, 16 de junho de 2026

Congresso discute os desafios da produção de vinhos e uvas e do enoturismo em território fluminense


Mesa de abertura do Congresso no Palácio Tiradentes: representantes do poder público, profissionais e produtores discutiram caminhos para apoiar o desenvolvimento da cadeia produtiva da uva, do vinho e do enoturismo em território fluminense (Foto: Marcos Patricio)


A FAPERJ participou do III Congresso Desafios do Enoturismo no Estado do Rio de Janeiro realizado, dias 19 e 20 de maio, no Palácio Tiradentes, antiga sede da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj). O evento reuniu produtores de uvas e de vinhos, pesquisadores, representantes dos poderes Executivo e Legislativo, além de técnicos e profissionais dos setores agrícola e de turismo para discutir as perspectivas do enoturismo e da vitivinicultura fluminense. Organizado pelo Departamento de Geografia e Meio Ambiente da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio), o encontro teve o apoio da FAPERJ.

A cerimônia de abertura do evento foi mediada pelo deputado estadual Luiz Paulo Corrêa da Rocha, que destacou o crescimento da produção de vinhos no interior fluminense. “Era inacreditável, há duas décadas, que o estado do Rio de Janeiro pudesse chegar ao estágio que atingiu no plantio de uvas. O Rio de Janeiro está dando exemplo, gerando emprego, renda e desenvolvimento local”, afirmou o parlamentar, que é autor de um Projeto de Lei, em tramitação na Alerj, destinado a apoiar o desenvolvimento da cadeia produtiva da uva, do vinho e do enoturismo no estado.

Representando a Presidência da FAPERJ, o assessor da Diretoria de Tecnologia, Marcelo Corenza, ressaltou a importância dos editais lançados pela Fundação para induzir o desenvolvimento da vitivinicultura e apoiar a criação e estruturação de territórios fluminenses com o registro de Indicações Geográficas (IGs). “A FAPERJ vem lançando uma série de editais voltados ao fomento da cadeia agroprodutiva fluminense. Em 2021, fizemos um estudo e identificamos uma ausência de registros de Indicações Geográficas no estado, que são instrumentos importantes de valorização de produtos originários de territórios específicos, como é o Queijo da Canastra, por exemplo. Então, em 2022, lançamos o primeiro edital Apoio a Indicações Geográficas, que teve dez projetos aprovados, entre eles o polo de moda íntima de Nova Friburgo. Em 2025, lançamos uma segunda edição deste edital, que teve 14 propostas de IGs aprovadas, sendo que duas dessas submeteram o pedido de registro no Instituto Nacional de Propriedade Intelectual (INPI): a farinha de mandioca de São Francisco de Itabapoana e o abacaxi do Norte Fluminense”, contou Corenza.

O deputado Jair Bittencourt avaliou o potencial do enoturismo no interior do estado. “Há uma produção extraordinária no Rio de Janeiro, com grandes produtores, e uma estrutura sendo montada para receber turistas. O turismo no interior é um caminho natural para o desenvolvimento do estado, gerando renda para a agricultura familiar e fortalecendo toda a cadeia produtiva ligada ao campo”, afirmou.


Os assessores da Diretoria de Tecnologia da FAPERJ Guilherme Santos (esq.) e Marcelo Corenza representaram a Fundação e destacaram os impactos do edital Apoio a Indicações Geográficas para induzir o desenvolvimento regional
(Fotos: Lécio Augusto Ramos)


O congresso foi apoiado pelo edital Apoio à Organização de Eventos Científicos, Tecnológicos e de Inovação no Estado, da FAPERJ. “Nesta terceira edição do congresso, reunimos representantes do setor público, de associações de produtores, pesquisadores e profissionais da área para discutir ações e projetarmos as perspectivas de evolução do enoturismo no estado do Rio de Janeiro”, explicou a curadora do encontro, Geiza Rocha, pesquisadora do Departamento de Geografia da PUC-Rio.

Também participaram da cerimônia de abertura, o secretário estadual de Agricultura, Pecuária e Abastecimento do Rio de Janeiro, Felipe da Costa Brasil; o diretor do Departamento de Geografia e Meio Ambiente da PUC-Rio, professor Glaucio José Marafon; a chefe-geral da Embrapa Agrobiologia, Cristhiane Oliveira da Graça Amancio; o vice-presidente da Federação da Agricultura do Estado do Rio de Janeiro (Faerj) e superintendente-adjunto do Serviço Nacional de Aprendizagem Rural-Rio (Senar-Rio), Mauricio Salles; o presidente da Associação dos Vitivinicultores da Serra do Rio de Janeiro (Aviva), Ideraldo Luiz Machado; e o coordenador de Desenvolvimento Regional da Secretaria de Desenvolvimento Regional do Interior, Pesca e Agricultura Familiar, Diogo Campos Versari; entre outros. Também estiveram presentes representantes das prefeituras de municípios produtores; da Empresa de Pesquisa Agropecuária do Estado do Rio de Janeiro (Pesagro-Rio); da Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Estado do Rio de Janeiro (Emater-Rio) e do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae-RJ).

Na quarta-feira, 20 de maio, o deputado estadual e ex-secretário de Turismo do estado do Rio de Janeiro, Gustavo Tutuca, deu início ao segundo dia de evento. Ele traçou um panorama do turismo durante a pandemia, quando as medidas restritivas afetaram negativamente o setor, mas destacou a recuperação da atividade com o fim do isolamento e a volta das famílias ao turismo ao ar livre. Tutuca informou que o turismo internacional também vem batendo marcas expressivas de crescimento no estado, tendo alcançado a marca de 2,2 milhões em 2025. Para este ano, que já acumula 17% de aumento nos primeiros meses, a previsão é de que 2,5 milhões de turistas estrangeiros visitem o Rio de Janeiro. Gustavo Tutuca acredita que desenvolver novas e atrativas rotas do turismo no interior pode aumentar a permanência do turista estrangeiro no estado.
 

Uvas produzidas na Vinícola Arouca, de Areal: o município no Centro-Sul fluminense é conhecido como a capital da uva do estado do Rio de Janeiro e vem atraindo visitantes com o enoturismo (Foto: Vinícola Arouca/Divulgação)


A diretora executiva da Diretoria de Suporte Operacional, Controladoria e Administração da Agência de Fomento do Estado do Rio de Janeiro (AgeRio), Fernanda Curdi, destacou que o enoturismo tem potencial de fortalecer toda a cadeia econômica regional. Em sua opinião, o turismo de experiência é uma vocação do Rio de Janeiro e o enoturismo abre novas oportunidades para diversas regiões do estado. “Para que essa atividade se expanda, o investimento é fundamental, e a AgeRio trabalha para ampliar e interiorizar o acesso ao crédito”, afirmou Fernanda, citando como exemplo o Fungetur, que concede crédito de até R$ 15 milhões.

Em seguida, o assessor da Diretoria de Tecnologia da FAPERJ, Guilherme Santos, falou das políticas de fomento da Fundação, a primeira entre as Fundações de Amparo à Pesquisa (FAPs) a criar editais para apoiar o Agro. Ele destacou o Programa de Estruturação e Consolidação de Indicações Geográficas, que qualifica e certifica produtos e/ou serviços de determinadas regiões, como o champagne francês, por exemplo, que só pode receber essa denominação se for produzido na região homônima. O assessor da FAPERJ destacou a parceria do Sebrae na identificação das potenciais IGs no estado, e acrescentou que o processo de certificação (atribuição do INPI) envolve muitas pesquisas. “Temos um potencial enorme para esse Agro de maior valor agregado”, afirmou. O resultado da segunda edição do programa foi divulgado este mês e 16 projetos foram contemplados.

O casal Angélica e Leandro Caiafa Orçay, proprietários da Casa Caiafa, estão investindo em um novo projeto turístico na região serrana de Nova Friburgo (Três Picos), no Rio de Janeiro. Há quatro anos, eles escolheram a região, que possui altitude (1350 metros) e temperatura adequadas à produção de vinho e azeite, duas de suas paixões. Os olivais ocupam quatro hectares e, em breve, ocuparão mais quatro. Já os vinhedos, cultivados em outros quatro hectares e com previsão de expansão de mais cinco ainda este ano, são compostos por uvas Syrah, Sauvignon Blanc, Malbec, Pinot Noir e Chardonnay, além de variedades italianas, entre elas a Sangiovese. Segundo Angélica, os testes já mostram um grande potencial para a produção de espumantes. Ela conta que, ao contrário da região de Areal, onde o produtor adota a poda invertida (ou poda dupla), uma técnica para alterar o ciclo da videira, em Nova Friburgo o casal faz a poda normal e produz vinho no inverno. O terroir decorrente da altitude, clima e solo é de uma uva com mais acidez e vinhos mais frutados.


Proprietários da Casa Caiafa, Angélica e Leandro Caiafa investem na produção de vinhos em Nova Friburgo, na Região Serrana (Foto: Paula Guatimosim)


O presidente da Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Rio de Janeiro (Emater-Rio), Marcelo Monteiro da Costa, destacou o papel das 72 unidades da Emater no estado. “O extensionista ouve e percebe os anseios de quem vive da terra”, ressaltou, acrescentando que além da experiência em observar a execução dos projetos no campo, a Emater também auxilia na elaboração de políticas públicas. Segundo dados da Associação dos Vitivinicultores da Serra do Rio de Janeiro (Aviva), atualmente há mais de 40 hectares de área plantada em Areal e municípios adjacentes, dezenas de vinícolas em formação e muitas já em produção. Mas, segundo o presidente da Emater, esse circuito das vinícolas colaborou para incrementar a produção de uvas de mesa pelos agricultores familiares da região, incluindo uma comunidade quilombola.

Para o coordenador de Agronegócio do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) do Rio de Janeiro, Daniel Freitas, o estado tem uma grande oportunidade para desenvolver o enoturismo, agregando diversos atrativos como restaurantes, pousadas e as próprias vinícolas. Em sua opinião, a região Sul do Brasil continuará sendo o grande referencial na produção de vinhos no País, mas o Rio de Janeiro pode conquistar uma boa fatia do mercado de vinhos finos, principalmente no comércio regional. “O vinho tem um grande potencial de mercado, principalmente quando aliado ao turismo de experiência”, aposta Freitas, lembrando que o Sebrae apoia outros circuitos similares, como o Circuito do Vale do Café, por exemplo. Freitas finalizou a mesa de abertura, mediada por Geiza Rocha, doutoranda em Geografia pela PUC-Rio, curadora do evento e apresentadora do Podcast O Rio é Di Vino, que vai ao ar toda quinta-feira com episódios sobre o universo da vitivinicultura.




Autor: FAPERJ
Fonte: FAPERJ
Sítio Online da Publicação: FAPERJ
Data: 21/05/2026
Publicação Original: https://www.faperj.br/?id=1023.7.0

Poluentes invisíveis na água ameaçam pesca, biodiversidade e saúde no Rio


Integrantes da equipe que participam da pesquisa realizam trabalho experimental em bancada de laboratório na UniRio (Foto: GPEC/UNIRIO)

Poluentes invisíveis presentes na água de rios, lagoas e áreas costeiras do estado do Rio de Janeiro estão no centro de uma pesquisa inédita que pode ajudar a proteger a biodiversidade aquática, a produção pesqueira e até a saúde humana. A iniciativa, desenvolvida por pesquisadores da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UniRio), investiga os chamados “contaminantes emergentes”, substâncias químicas como resíduos de medicamentos, produtos de higiene pessoal, pesticidas e outros compostos que chegam aos ecossistemas aquáticos principalmente por meio do esgoto e do descarte inadequado. A pesquisa conta com apoio da Fundação Carlos Chagas Filho de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro (FAPERJ), por meio do Programa de Apoio à Jovem Cientista Mulher com Vínculo em ICTs do Estado do Rio de Janeiro.

Embora esses contaminantes já tenham sido identificados em diferentes partes do mundo, ainda existem poucas informações sobre seus impactos nos ambientes aquáticos brasileiros. A pesquisa fluminense nasceu justamente da observação feita pelos cientistas da UniRio sobre a presença crescente dessas substâncias em ecossistemas do estado.

O estudo mapeou os níveis de poluentes em rios, lagoas e áreas costeiras e analisou como eles afetam espécies aquáticas, incluindo organismos que vivem na natureza e também aqueles criados em sistemas de aquicultura. Além disso, os pesquisadores investigam possíveis impactos na cadeia produtiva da pesca e na segurança alimentar da população.

Segundo a bióloga Raquel de Almeida, coordenadora da pesquisa, o trabalho busca entender como esses contaminantes se acumulam no ambiente e quais consequências podem trazer para os ecossistemas e para a sociedade. “Esses poluentes muitas vezes passam despercebidos, mas podem provocar alterações importantes na biodiversidade aquática e até chegar ao consumo humano por meio da cadeia alimentar. Nosso objetivo é gerar dados científicos que contribuam para estratégias de monitoramento, controle e preservação ambiental”, explica a pesquisadora.

A primeira etapa da pesquisa está em fase final e já apresenta resultados considerados promissores. Além do diagnóstico ambiental, o projeto aposta no desenvolvimento de soluções sustentáveis, incluindo o uso de tecnologias inovadoras, produtos naturais e microrganismos da biodiversidade brasileira para reduzir os impactos desses contaminantes nos ecossistemas aquáticos. “A ideia é não apenas identificar o problema, mas também buscar alternativas viáveis e sustentáveis para minimizar os danos ambientais e proteger a produção pesqueira e a qualidade da água”, destaca Raquel.

O estudo segue o conceito de “Saúde Única” (One Health), que integra saúde humana, animal e ambiental, além de dialogar com metas globais de desenvolvimento sustentável relacionadas à preservação da vida marinha, acesso à água de qualidade e segurança alimentar.


Raquel Almeida: coordenadora da pesquisa realiza trabalho de dissecção em peixe para separação de tecidos utilizados em análise de contaminantes (Foto: Divulgação)

A presidente da FAPERJ, Caroline Alves, ressaltou a importância de investir em pesquisas voltadas à preservação ambiental e à segurança alimentar. “Investir em ciência é fundamental para anteciparmos problemas que impactam diretamente a saúde da população, o meio ambiente e a economia. Essa pesquisa representa um avanço importante para o estado do Rio de Janeiro, ao produzir conhecimento estratégico capaz de contribuir para políticas públicas, sustentabilidade e qualidade de vida”, afirmou Caroline Alves.

Com resultados inéditos para o estado do Rio de Janeiro, a expectativa é que os dados produzidos sirvam de base para políticas públicas, ações de conservação ambiental e fortalecimento da chamada Economia Azul, modelo voltado ao uso sustentável dos recursos marinhos e costeiros.

Por que isso importa?

Os chamados contaminantes emergentes podem afetar diretamente a qualidade da água e comprometer espécies aquáticas consumidas pela população, como peixes e frutos do mar. Além dos riscos ambientais, os impactos atingem pescadores, produtores da cadeia pesqueira e comunidades que dependem economicamente desses recursos.


A pesquisa também contribui para a preservação da biodiversidade aquática e para a criação de políticas públicas voltadas à segurança alimentar, ao monitoramento ambiental e ao uso sustentável dos recursos hídricos. Outro ponto importante é o desenvolvimento de estratégias inovadoras e sustentáveis capazes de minimizar os danos causados por esses poluentes invisíveis nos ecossistemas do estado do Rio de Janeiro.




Autor: FAPERJ
Fonte: FAPERJ
Sítio Online da Publicação: FAPERJ
Data: 28/05/2026
Publicação Original: https://www.faperj.br/?id=1029.7.2

Startup oferece aluguel de abelhas para polinização de cafezais no estado do Rio de Janeiro


Paula Barbosa, CEO da Rent a Bee: startup oferece aluguel e transporte de abelhas para propriedades especializadas na produção de cafés especiais, com o monitoramento da polinização dos insetos no cafezal e a avaliação da produtividade (Fotos: Divulgação)

Voando de flor em flor, as abelhas são responsáveis pela polinização das diversas espécies vegetais e têm sido fundamentais ao longo da história para promover a variabilidade genética das plantas e a agricultura. Promovendo de forma inovadora essa tecnologia natural no estado do Rio de Janeiro, a startup Rent a Bee oferece um serviço inusitado: o aluguel de colmeias de abelhas (da espécie Apis mellifera) e o monitoramento técnico da polinização desses insetos em cafezais de propriedades rurais no Noroeste Fluminense. O projeto foi contemplado pela FAPERJ, por meio do edital Doutor Empreendedor.

“A polinização é um trabalho que as abelhas realizam naturalmente há 125 milhões de anos. A grande virada evolutiva dos vegetais aconteceu a partir da polinização cruzada feita pelas abelhas, que é a transferência do gameta masculino para o feminino nas flores. A partir de então começou a existir a variabilidade genética das plantas na natureza”, explicou Paula de Sousa Barbosa, CEO da Rent a Bee. E justificou: “Sem as abelhas não existem alimentos. O açaí, por exemplo, depende 100% delas. Algumas culturas de café dependem até 90% das abelhas. A carne também, porque a soja depende das abelhas. Sem o polinizador não há soja, principal fonte proteica do animal.”


Caixa com colmeia de abelhas colocada em meio ao cafezal: abelhas saem de dia para fazer a polinização e à noite voltam para o ninho, atraídas pelo odor da rainha mãe


Médica Veterinária com Doutorado em Biologia de Água Doce e Pesca Interior pelo Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), ela explica as diferentes etapas do trabalho da Rent a Bee, que tem como público-alvo produtores especializados em cafés especiais. “No nosso modelo, oferecemos não só o aluguel do enxame, mas também a prospecção e o monitoramento no cliente. Primeiro, realizamos uma visita técnica para avaliar se ele tem condições de receber os enxames de abelhas. Isso envolve avaliar se há fornecimento de água para as abelhas, se ele usa pesticidas, quem são as outras propriedades vizinhas e se aplicam pesticidas. Dez dias antes da floração da flor do café, levamos as abelhas e trabalhamos o hectare cultivado a ser melhorado com a polinização. Colocamos de sete a nove caixas com colmeias nessa área, o que representa uma média de 700 mil abelhas por hectare. Cada caixa tem 58 cm por 46 cm de altura e 41 cm de frente”, detalhou Paula, que é professora auxiliar na Estácio de Sá, em Campos dos Goytacazes.

Em parceria com o IFF, a Rent a Bee desenvolveu seu modelo de negócio e teve como experiência-piloto o atendimento a um pequeno produtor cafeeiro de Bom Jesus de Itabapoana – município situado a 330 quilômetros da capital fluminense, com tradição agropecuária. “Levamos as abelhas para lá, fizemos todo o protocolo e colhemos o café. Com os últimos dados, vamos comparar a produtividade do ano passado e a produtividade atual, para avaliar a eficácia da polinização assistida de forma inteligente”, contou.


Detalhe da colmeia dentro da caixa: para cada hectare, os profissionais levam uma média de 700 mil abelhas

Fascinada pelo universo das abelhas, Paula explica os cuidados durante o transporte dos insetos produtores de mel. “Transportamos as abelhas à noite porque elas costumam trabalhar de dia e voltar à noite para a colmeia. Elas são soltas no cafezal uns sete dias antes da floração, porque as flores do café abrem todas de uma vez. Depois que as flores caem, nós retiramos as abelhas. Elas sempre voltam sozinhas para a colmeia à noite, atraídas pelo odor da rainha, que fica no ninho e é a mãe de todas elas. E a rainha só sai do ninho quando precisa se acasalar, durante o voo nupcial com os zangões”, detalhou. “Nossa equipe tem bastante experiência de trabalho. A técnica deve ser feita com muita calma, utilizando macacões anti-ferroadas e o fumegador, um equipamento de apicultura que faz fumaça”, completou.

Paula espera que a Rent a Bee se torne um diferencial tecnológico para os produtores de cafés especiais no estado do Rio de Janeiro. “Estamos desbravando um segmento de mercado no agro fluminense. Nossa ideia é que esse conhecimento técnico se transforme em instrumento de organização e eficiência para fortalecer nossa cadeia agrária de uma maneira cada vez mais sustentável. O estado do Rio de Janeiro tem todo o potencial para que isso aconteça e a FAPERJ tem sido nossa aliada para a criação da nossa startup. Vamos fortalecer a cadeia de apicultores e cafeicultores”, concluiu.


Autor: FAPERJ
Fonte: FAPERJ
Sítio Online da Publicação: FAPERJ
Data: 28/05/2026
Publicação Original: https://www.faperj.br/?id=1014.7.9

Meninas na robótica: projeto incentiva presença feminina nas áreas tecnológicas


Rafaelli Coutinho, coordenadora do projeto e professora no Cefet/RJ, destaca a importância de despertar, entre as meninas, vocações profissionais para a área de Robótica (Fotos: Divulgação)

Imagine poder desfrutar de uma lixeira ultrassônica, projetada por sua filha, que abre a tampa automaticamente ao detectar a aproximação da mão. E já pensou em implantar em casa uma horta com irrigação automatizada que une tecnologia e sustentabilidade também projetada e instalada por sua filha?

Esses são apenas dois dos miniprojetos direcionados especialmente para meninas interessadas pelas áreas de Ciência, Tecnologia, Engenharia e Matemática. Os miniprojetos são ensinados em oficinas oferecidas entre as atividades do projeto Meninas na Robótica, do Centro Federal de Educação Tecnológica Celso Suckow da Fonseca (Cefet/RJ), campus Nova Iguaçu. A iniciativa é apoiada pelo edital Meninas e Mulheres nas Ciências Exatas e da Terra, Engenharias e Computação da FAPERJ.

De acordo com dados da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco), o percentual de mulheres graduadas em Ciência, Tecnologia, Engenharia e Matemática (STEM) no Ensino Superior no Brasil era de 37%.

Dentro da perspectiva da divisão sexual do trabalho, dados mostram uma presença ainda reduzida das mulheres nessas áreas. Além disso, mulheres costumam receber salários menores do que homens e têm maior probabilidade de sofrer discriminação de gênero.

O percentual das mulheres na ativa e nas áreas de STEM vem aumentando aos poucos, mas ainda representa uma proporção bastante desfavorável. Vale destacar que 50% da população mundial é composta por mulheres e meninas.

Desconstrução da ideologia patriarcal

Diante disso, incentivar meninas para as áreas das Ciências Exatas é essencial para melhorar esse índice e contribuir para a desconstrução de uma ideologia patriarcal que ainda interdita, mesmo em níveis simbólicos, a atuação das mulheres em determinados campos laborais.

A ideia do projeto, coordenado pela professora Rafaelli de Carvalho Coutinho, do Departamento de Engenharia de Controle e Automação do Cefet/RJ, é atuar no combate e na prevenção à discriminação e à falta de representatividade feminina nas áreas tecnológicas. "Por isso, resolvemos promover a participação, o incentivo e a formação de estudantes, especialmente meninas do segundo segmento do Ensino Fundamental (6º ao 9º ano) e do Ensino Médio, em conhecimentos básicos de robótica e programação. O foco é no empoderamento feminino em escolas públicas da Educação Básica na Baixada Fluminense, no Rio de Janeiro. Desde 2019, já conseguimos beneficiar cerca de 500 alunos, em 11 escolas", explica Coutinho.

Para além do ambiente da sala de aula, as ações elaboradas potencializam o desenvolvimento individual das estudantes a partir de uma proposta de aprendizagem baseada em projetos pequenos e simples de robótica.

Além de dialogar com um conhecimento técnico, há a reflexão e a potencialização de mensagens sobre o contexto do empoderamento feminino na ciência, a fim de incentivar o ingresso de meninas na área.


Projeto motiva o interesse das estudantes pelas carreiras tecnológicas, como Engenharia e Ciência da Computação, e ajuda a integrar o ecossistema de inovação e empreendedorismo do Cefet/RJ


Rafaelli Coutinho explica que durante a participação em capacitações formativas são apresentados às alunas temas relevantes como violência de gênero, assédio, relações étnico-raciais, saúde sexual e reprodutiva. "Estas temáticas são consideradas fundamentais para refletir sobre a condição das mulheres na sociedade, permitindo que as jovens confrontem suas concepções iniciais, ampliem seu repertório de informações e se posicionem de forma mais qualificada diante de situações presentes no cotidiano social", afirma.

Tecnologia aplicada ao cotidiano

Coutinho conta que, além da lixeira ultrassônica e da horta automatizada, foram elaboradas outras atividades. "Uma delas utiliza sensores para demonstrar como a tecnologia pode ser aplicada no dia a dia para garantir a saúde das plantas, evitando tanto a seca quanto o excesso de água no solo. Dentro do universo da robótica, também criamos atividades para a montagem de um carrinho ultrassônico, demonstrando como a tecnologia pode ser aplicada à mobilidade inteligente. Outra proposta foi a criação de um carrinho controlado por bluetooth", explica.

Ela ainda conta sobre uma outra iniciativa implantada que foi a criação de um ventilador. Nesse caso, o objetivo é mostrar como funcionam os circuitos elétricos simples e a conversão de energia elétrica em movimento, por meio de um motor que aciona a hélice do equipamento. "Com a implantação dessas atividades, percebemos melhorias no aprendizado e na mitigação de dificuldades relacionadas à concentração, ao pensamento analítico e ao planejamento de tarefas no cotidiano dessas jovens adolescentes", conta.

Formação e impacto social

Além de despertar o interesse das estudantes por cursos como Engenharia de Controle e Automação, Engenharia Mecânica, Engenharia de Produção, Ciência da Computação, Engenharia da Computação e Sistemas de Informação, o projeto desenvolvido no Cefet/RJ integra o ecossistema de inovação e empreendedorismo do campus.

O projeto teve origem na equipe de robótica do campus Nova Iguaçu do Cefet/RJ, a Bodetronic. E o principal objetivo foi aplicar a robótica em projetos que dialoguem com a sociedade e causem impacto social. "Completando 10 anos de existência em 2026, nosso projeto tem um exitoso histórico de financiamentos pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e pela FAPERJ", comenta.

Atualmente, a iniciativa, que conta ainda com a participação de Carla Romão, Cristiano Carvalho, Fabrício Lopes e Silva, Thiago de Moura Prego, Laura Silva de Assis, Diego Nunes Brandão, Helga Dolorico Babi, Kele Teixeira Belloze, Carmen Lucia Asp de Queiroz, Mayara Midori Omai e do professor da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ) Ubiratam Carvalho de Paula Junior, tem o apoio de ambas as agências de fomento e, até 2027, espera expandir suas ações, levando iniciativas de inclusão, formação técnica e impacto social para além da Baixada Fluminense, chegando também à Região Serrana e à cidade do Rio de Janeiro.

"Lugar de meninas e mulheres é onde elas quiserem. Precisamos desmistificar que áreas como as das Ciências Exatas sejam uma espécie de reserva de mercado para eles (meninos e homens) e incentivar todas aquelas que também tenham interesse", conclui Rafaelli Coutinho.




Autor: FAPERJ
Fonte: FAPERJ
Sítio Online da Publicação: FAPERJ
Data: 03/06/2026
Publicação Original: https://www.faperj.br/?id=1032.7.0

quinta-feira, 11 de junho de 2026

Pesquisa busca novo tratamento para esquistossomose

Uma pesquisa liderada pela Fiocruz, destacada na capa da revista científica internacional ACS Infectious Diseases, aponta caminhos para desenvolver novos fármacos ativos contra o verme Schistosoma mansoni, causador da esquistossomose. Popularmente conhecida como “xistose", “barriga d’água” ou “doença dos caramujos”, a infecção é considerada uma doença negligenciada e está ligada à falta de saneamento.


A análise de imagens de microscopia do verme 'Schistosoma mansoni' foi um dos métodos utilizados para avaliar efeitos de compostos sobre suas formas juvenis (foto: Rudson Amorim, IOC/Fiocruz)

No Brasil, cerca de 1,5 milhão de pessoas vivem em áreas com transmissão da doença, segundo o Ministério da Saúde. No mundo, a população sob risco chega a 700 milhões, de acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS). O estudo liderado pelo Instituto Oswaldo Cruz (IOC/Fiocruz) investiga a atividade de moléculas derivadas do praziquantel, remédio atualmente indicado no tratamento da esquistossomose.

Em uso há cerca de 40 anos, o praziquantel é eficaz, mas o tamanho grande do tablete e o sabor amargo dificultam sua administração, especialmente para crianças. Além disso, em condições experimentais, cientistas já observaram vermes que desenvolveram resistência ao fármaco, embora casos desse tipo nunca tenham sido identificados a partir de trabalhos de campo de forma a serem considerados um problema de saúde pública.

“É importante buscar alternativas ao praziquantel. Nosso objetivo é chegar a medicamentos que possam ser otimizados do ponto de vista farmacológico, facilitando a administração e garantindo uma opção na eventualidade de resistência”, afirma o chefe do Laboratório de Bioquímica Experimental e Computacional de Fármacos do IOC/Fiocruz e primeiro autor do estudo, Floriano Paes.

Através de ensaios em laboratório e análises computacionais, os cientistas identificaram três moléculas com atividade contra o verme da esquistossomose, em níveis semelhantes ao medicamento de referência. Além disso, a pesquisa revelou uma característica inesperada, relacionada ao mecanismo de ação dos compostos, que pode orientar a criação de novos fármacos.

“Dados de diversos trabalhos indicavam que o praziquantel se liga quase perfeitamente a uma proteína do parasito, que atua como um receptor. Porém, nós observamos que este receptor tem plasticidade, ou seja, ele consegue abrir espaço para ligação com moléculas um pouco diferentes. Isso abre possibilidade de explorar novos caminhos para desenhar compostos que superem deficiências do praziquantel”, explica Floriano.

A pesquisa foi realizada em parceria com Faculdade de Medicina de Wisconsin, nos Estados Unidos; Universidade Aberystwyth, no Reino Unido; e Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).

Desenho racional de fármacos

As oito moléculas testadas no estudo possuem estrutura química semelhante ao praziquantel com pequenas modificações realizadas pelos cientistas. Nos experimentos, três compostos se destacaram por apresentarem atividade contra os diferentes estágios do ciclo de vida do S. mansoni presentes no ser humano: vermes adultos, formas juvenis e larvas (que são chamadas de esquistossômulos).


As oito moléculas testadas no estudo possuem estrutura química semelhante ao praziquantel com pequenas modificações realizadas pelos cientistas (foto: Rudson Amorim, IOC/Fiocruz)

Os testes também demonstraram que estas substâncias atuam de forma semelhante ao medicamento de referência, por meio da ligação à proteína do verme conhecida pela sigla TRPM. Segundo os pesquisadores, as substâncias não se mostraram mais potentes que o praziquantel contra vermes adultos, mas características observadas as tornam interessantes para otimização estrutural.

“Com base nos resultados, podemos propor modificações mais racionais na estrutura desses compostos para atuar na forma como eles se ligam ao receptor, aumentando a afinidade”, declara Floriano, acrescentando que a pesquisa também deve seguir com ensaios experimentais in vivo.

“No modelo de infecção em roedores, queremos investigar como essas moléculas se comportam no organismo em comparação ao praziquantel e verificar se é possível melhorar aspectos farmacológicos”, diz o pesquisador.



Autor: fiocruz
Fonte: fiocruz
Sítio Online da Publicação: fiocruz
Data: 11/06/2026
Publicação Original: https://fiocruz.br/noticia/2026/06/pesquisa-busca-novo-tratamento-para-esquistossomose