segunda-feira, 20 de abril de 2026

Programa Centelha SP destina R$ 6 milhões para inovação

FAPESP lança novo edital de apoio a até 47 projetos com subvenção econômica e bolsas para criação de empresas de base tecnológica





A FAPESP lança edital do Programa Nacional de Apoio à Geração de Empreendimentos Inovadores – Programa Centelha 3 São Paulo para apoiar projetos inovadores.

A iniciativa é realizada em parceria com o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), por meio da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), e do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), além do Conselho Nacional das Fundações Estaduais de Amparo à Pesquisa (Confap) e da Fundação CERTI.

O objetivo do Programa Centelha 3 São Paulo é estimular o empreendedorismo inovador e apoiar a criação de empresas de base tecnológica a partir da transformação de ideias em negócios com potencial de mercado. O programa integra a estratégia nacional de incentivo à inovação e ao empreendedorismo tecnológico, com foco na geração de novos negócios.

A nova chamada Centelha SP prevê R$ 6,016 milhões em recursos de subvenção econômica (não reembolsáveis), destinados ao apoio de até 47 projetos de inovação. Cada proposta poderá receber até R$ 128 mil.

Os projetos selecionados também poderão contar com até R$ 50 mil em Bolsas de Fomento Tecnológico e Extensão Inovadora do CNPq. A FAPESP prevê ainda bolsas adicionais, nas modalidades Pesquisa em Empresa (PE-1) e Treinamento Técnico.

As propostas devem apresentar produtos, serviços ou processos inovadores com potencial de aplicação tecnológica. Podem submeter propostas pessoas físicas sem empresa constituída e por pessoas físicas representantes de empresas formalmente constituídas.

Os projetos aprovados terão prazo de execução de 12 meses. A empresa proponente deverá aportar recursos a título de contrapartida financeira, de no mínimo 5% do valor total de subvenção econômica contratada.

A seleção será realizada em duas fases. A primeira envolve a submissão de ideias inovadoras. A segunda fase exige o detalhamento dos projetos, incluindo viabilidade comercial, planejamento e orçamento.

Na Fase 1, a submissão de ideias inovadoras poderá ser feita até 21 de maio de 2026. Na Fase 2, o prazo de submissão termina em 17 de agosto.

O edital do Programa Centelha 3 São Paulo está publicado em fapesp.br/18109.




Autor: fapesp
Fonte: fapesp
Sítio Online da Publicação: fapesp
Data: 07/04/2024
Publicação Original: https://fapesp.br/18111/programa-centelha-sp-destina-r-6-milhoes-para-inovacao

FAPESP e DAAD lançam nova chamada

Programa de Pesquisa Alemanha - São Paulo seleciona propostas de intercâmbio acadêmico em qualquer área do conhecimento científico


Imagem: Pixabay

A FAPESP anuncia o lançamento de uma nova chamada com o Serviço Alemão de Intercâmbio Acadêmico (DAAD) para o Programa de Pesquisa Alemanha - São Paulo (Propasp), que visa fomentar atividades de intercâmbio em qualquer área do conhecimento científico.

Para a FAPESP, são elegíveis para submeter propostas pesquisadores responsáveis por Auxílios à Pesquisa FAPESP vigentes nas modalidades Regular, Projeto Temático, Jovem Pesquisador, Projeto Inicial, Projeto Geração, Centros de Pesquisa, Inovação e Difusão (CEPID), Centro de Pesquisa Aplicada (CPA), Centros de Ciência para Desenvolvimento (CCD), Programa Ensino Público, Programa de Pesquisa em Políticas Públicas e Programa de Apoio à Pesquisa em Parceria para Inovação Tecnológica (PITE). Pesquisadores principais de Projeto Temático, CEPID, CPA, CCD e PITE vigentes também são elegíveis para a submissão de propostas.

Para o DAAD, a proposta deve ser submetida por um líder de projeto na Alemanha e a equipe deve incluir acadêmicos em início de carreira. Podem fazer parte da equipe jovens pesquisadores, graduados, alunos de mestrado e doutorado, doutores, professores e acadêmicos.

Cada proposta poderá ser apoiada por até dois anos iniciais, com a possibilidade de estender o financiamento por até dois anos adicionais após a submissão de uma proposta complementar através de um nova chamada a ser oportunamente lançada pela FAPESP e DAAD – resultando em uma potencial situação de financiamento por um máximo de quatro anos.

Será permitida a participação de bolsistas de pós-doutorado e de doutorado nas missões de intercâmbio selecionadas, além dos pesquisadores da equipe.

A FAPESP financiará até um máximo equivalente a € 18 mil por ano por proposta e o DAAD poderá financiar até € 18 mil por ano por proposta durante a vigência do Auxílio para cobrir despesas de mobilidade relacionadas à pesquisa.

Os recursos deverão ser utilizados em atividades como intercâmbio de pesquisadores, visitas para planejamento de pesquisa, workshops internacionais e atividades iniciais de coleta de dados, sempre visando a continuidade da pesquisa e a consolidação da colaboração.

Submissões devem ser feitas até 8 de junho conjuntamente pelo pesquisador responsável alemão da Alemanha e do estado de São Paulo junto à agência de fomento de seu respectivo território. Propostas devem ser encaminhadas à FAPESP exclusivamente pela plataforma SAGe (https://fapesp.br/sage), sendo que o PR alemão deverá efetuar cadastro na plataforma com antecedência.

A chamada de propostas está publicada em: https://fapesp.br/18123.




Autor: fapesp
Fonte: fapesp
Sítio Online da Publicação: fapesp
Data: 13/04/2024
Publicação Original: https://fapesp.br/18126/fapesp-e-daad-lancam-nova-chamada

Antonio José de Almeida Meirelles é nomeado diretor administrativo da FAPESP

Decreto da nomeação assinado pelo governador Tarcísio de Freitas foi publicado no Diário Oficial do Estado de São Paulo de 15 de abril



O governador Tarcísio de Freitas nomeou Antonio José de Almeida Meirelles para o cargo de diretor administrativo da FAPESP para um mandato de três anos. O decreto da nomeação foi publicado no Diário Oficial do Estado de São Paulo de quarta-feira (15/04).


Meirelles foi reitor da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) de 2021 a 2025. Engenheiro de alimentos, é doutor em engenharia de processos pela TH Merseburg (Alemanha) e doutor em ciência econômica pela Unicamp. É professor titular da Faculdade de Engenharia de Alimentos (FEA-Unicamp). É membro do Conselho Superior da FAPESP e do Conselho Curador do Centro de Pesquisa e Desenvolvimento em Telecomunicações (CPQD).


Autor: fapesp
Fonte: fapesp
Sítio Online da Publicação: fapesp
Data: 15/04/2024
Publicação Original: https://fapesp.br/18130/antonio-jose-de-almeida-meirelles-e-nomeado-diretor-administrativo-da-fapesp

FAPESP participa de chamada do nexBio Amazônia

Programa de inovação sustentável reunirá em Manaus e Macapá startups suíças e brasileiras para trabalhar em áreas da bioeconomia amazônica


Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

A FAPESP anuncia a participação na terceira edição do Programa Suíço-Brasileiro de Inovação Sustentável para a Bioeconomia (nexBio Amazônia).

A chamada foi lançada pela Swissnex no Brasil em parceria com a Leading House para a região da América Latina do Institute of Management in Latin America (Universidade de St. Gallen) e o Conselho Nacional das Fundações Estaduais de Amparo à Pesquisa (Confap).

O nexBio Amazônia é um programa bilateral de inovação sustentável que visa promover projetos na região amazônica, atuando como plataforma e catalisador de parcerias internacionais entre a Suíça e o Brasil. O programa oferece oportunidade estratégica para colaborar em soluções que promovam uma bioeconomia sustentável na região amazônica, fortalecendo laços entre a Suíça e o Brasil.

O objetivo principal é desenvolver e implementar soluções inovadoras que impactem positivamente a sociobioeconomia da Amazônia. O programa nexBio Amazônia ocorrerá nas cidades de Manaus e Macapá durante duas semanas no mês de agosto.

A chamada está aberta ao financiamento para startups e para pesquisadores. No primeiro caso, as inscrições estão abertas aos responsáveis de startups financiadas pela FAPESP nas modalidades PIPE 2 e PIPE 3 vigentes na data da visita. A experiência deve ser relatada no Relatório Científico.

No financiamento para pesquisadores, as inscrições estão abertas para pesquisadores vinculados à instituição do estado de São Paulo que atendam aos requisitos de pesquisador responsável disponíveis em https://fapesp.br/apr.

A FAPESP financiará aos selecionados na chamada:

• Passagens aéreas nos seguintes trechos: cidade de origem – Manaus, Manaus – Macapá e Macapá – cidade de origem.
• Diárias no período do evento de acordo com a tabela de valores disponível em https://fapesp.br/16590.

As inscrições devem ser enviadas por meio do formulário de inscrição on-line até a meia-noite de 3 de maio de 2026.

As diretrizes para pesquisadores do estado de São Paulo para submissão de propostas estão publicadas em: https://fapesp.br/18132.



Autor: fapesp
Fonte: fapesp
Sítio Online da Publicação: fapesp
Data: 17/04/2024
Publicação Original: https://fapesp.br/18133/fapesp-participa-de-chamada-do-nexbio-amazonia

sábado, 18 de abril de 2026

Ilha do Bom Jesus: exemplo de como a vida resiste em meio à poluição

A Ilha do Fundão – resultado de um aterro que, em 1945, unificou oito ilhas de um antigo arquipélago da Baía de Guanabara para a criação da Cidade Universitária da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) – enfrenta sérios problemas ambientais devido ao acúmulo de lixo trazido pela maré. O aterramento do arquipélago modificou de forma profunda o ambiente, alterou a circulação de água na Baía e contribuiu para o acúmulo contínuo de resíduos, afetando manguezais e a vida marinha. A maré passou a trazer todo o tipo de lixo, incluindo plásticos, pneus, materiais de construção, móveis etc. Além disso, a região ainda recebe esgoto doméstico, industrial e outros poluentes, especialmente através do Canal do Cunha, que deságua na região antes de seguir para a Baía de Guanabara. Tanto o aspecto visual quanto o forte odor impressionam quem observa o entorno do campus universitário.


Exemplos da fauna da Ilha do Bom Jesus, em fotos de Gabriel e Daniel Mello (beija-flor, carcará e lagarta) e ilustrações de Sara Fonseca (tainha) e Agnes Antonello (borboleta e capivara)


Ao longo dos anos, diferentes projetos voltados ao estudo e à preservação ambiental surgiram na Cidade Universitária. “Como a vida ainda resiste naquele ambiente tão modificado?” Foi para responder a esta pergunta que a pesquisadora Ana Karla Freire de Oliveira submeteu e teve aprovado o projeto “Design da informação com foco na conscientização ambiental: estudo aplicado para a identificação, catalogação e preservação das espécies da fauna e da flora da Ilha do Bom Jesus no Rio de Janeiro” ao Programa Jovem Cientista do Nosso Estado (JCNE) da FAPERJ. Essa pesquisa é um desdobramento do projeto “Estuário da Ilha do Bom Jesus”, submetida ao programa de Mestrado e Doutorado Acadêmico para Inovação do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (MAI/DAI/CNPq), que busca fortalecer a pesquisa, o empreendedorismo e a inovação, por meio do envolvimento de estudantes de graduação e pós-graduação em projetos de interesse do setor empresarial, assim como oferecer às indústrias os benefícios da pesquisa de alto nível.


A exposição na Biblioteca Nacional, no Rio, proporcionou uma experiência olfativa de algumas espécies vegetais (Foto: Divulgação)

Como o programa do CNPq propõe a vinculação do projeto a uma indústria, a professora Ana Karla Freire de Oliveira encontrou eco nos objetivos de promoção da sustentabilidade da L’Oréal, uma das empresas residentes no Parque Tecnológico da UFRJ, na Ilha do Bom Jesus. Graduada em Design Industrial, mestre em Engenharia Agrícola e doutora em Engenharia de Materiais e de Processos Metalúrgicos, Ana Karla, Jovem Cientista do Nosso Estado da FAPERJ, é uma das coordenadoras do projeto, ao lado da mestre em Arquitetura e doutora em Planejamento Urbano e Regional Madalena Ribeiro Grimaldi. Ao longo de dois anos (incluindo o período da pandemia de Covid-19), as orientadoras do Programa de Pós-Graduação em Design da UFRJ e uma equipe formada por quatro pesquisadores (três mestrandos e uma doutoranda), três biólogas e três ilustradoras (orientadas pela professora Dalila Santos, da Escola de Belas Artes da UFRJ) se dedicaram incansavelmente à identificação e catalogação das espécies da fauna e da flora remanescentes do antigo arquipélago. O objetivo do projeto foi integrar as áreas do Design, da Arte e da Biologia em prol da educação, conhecimento e preservação ambiental.

O levantamento resultou na identificação de mais de 100 espécies de fauna e flora na Ilha do Bom Jesus, dentre elas espécies típicas de manguezal, restinga e Mata Atlântica, incluindo invertebrados, peixes, répteis, aves e mamíferos (sagui híbrido e a capivara), o sabiá-laranjeira, insetos predadores, borboletas e o caranguejo Minuca rapax. Não é raro encontrar exemplos dessa fauna transitando pelo Fundão. Também foram identificados peixes de relevância pesqueira, como a tainha e a sardinha-brasileira, importantes para as comunidades locais. De forma sucinta, Ana Karla explica que o termo “design da informação” representa a prática de estruturar, organizar e apresentar dados de forma clara e visualmente compreensível, transformando informações complexas em mensagens de fácil entendimento. Para tanto, combina design gráfico, usabilidade e arquitetura da informação para aprimorar a comunicação, garantindo assim que o usuário entenda o conteúdo de forma eficaz.

“Foram muitas trocas com a comunidade local, especialmente pescadores, que nos ajudaram muito a conhecer e compreender o ambiente que, para eles, é fonte de sustento”, conta a pesquisadora. O objetivo principal do projeto, segundo ela, é despertar a conscientização ecológica e a necessidade de manutenção e conservação das espécies remanescentes na ilha.


Ana Karla Freire: para a pequisadora, o objetivo principal do projeto é despertar a conscientização ecológica e a necessidade de manutenção e conservação das espécies remanescentes na ilha (Foto: Arquivo Pessoal)


Ana Karla foi docente da Escola de Belas Artes (EBA) da UFRJ ao longo de 14 anos e considera este um de seus mais importantes projetos. Devido a questões familiares, ela solicitou remanejamento para a Universidade Federal de Campina Grande (UFCG), sua cidade natal, onde atualmente reside, mas espera que sua equipe amplie este projeto para toda a Ilha do Fundão.

O rico resultado do inventário foi a base para a estruturação de ações de educação ambiental. Uma das “entregas” previstas no projeto foi a criação de um website, batizado de Ilha Viva, onde é possível encontrar belíssimas fotos e ilustrações botânicas das espécies da flora e da fauna da Ilha do Bom Jesus, acompanhadas de dados científicos e até mesmo, no caso das aves, do áudio com seu canto peculiar (veja exemplo aqui). A L’Oréal abriu suas portas aos alunos de uma escola da ilha para mostrar o projeto e ainda aproveitou o material para editar um livro trilíngue e promover quatro exposições: uma na sede do Inova UFRJ e três nos Centros de Pesquisa e Inovação da L’Oréal em Paris. A pesquisa ainda foi apresentada em dois congressos, um internacional, na cidade de Assis, Itália, onde a professora Ana Karla apresentou o artigo intitulado “Imagens e Sustentabilidade: Mímesis aplicada a ilustrações científicas para representação da fauna e flora da Ilha do Bom Jesus, Rio de Janeiro”; e outro nacional, no Congresso de Cosmetologia, em Nova Iguaçu, apresentado pela Maria Eduarda Figueiredo, representante da L’Oreal.

Além do acervo fotográfico e de ilustrações terem sido expostos em Paris, houve também uma grande mostra na Biblioteca Nacional, no Rio de Janeiro, intitulada “Olhar ao Redor”. A exposição destacou a biodiversidade da Ilha do Bom Jesus (Baía de Guanabara) unindo ciência, arte e sustentabilidade. A mostra exibiu ilustrações científicas e fotos do Projeto Ilha Viva, com entrada gratuita. Segundo a curadora da exposição, Marisa Flórido Cesar, “Olhar ao Redor buscou refletir como habitar coletivamente em uma era de extermínio acelerado das espécies, de iminente catástrofe ambiental. A Ilha, que ainda vive, nos faz compreender que há interdependência das formas de vida e dos mundos, que somos um encontro multiespécies e que as existências estão entrelaçadas, dos fungos que reciclam os solos degradados às estrelas que correm em nossas veias”.

Arquipélago formado por oito ilhas

Até meados do século XX, a região onde hoje está situada a Cidade Universitária era um arquipélago formado por oito ilhas — Cabras, Catalão, Pindaí do França e Pindaí do Ferreira, Sapucaia, Bom Jesus e Fundão. Entre 1949 e 1952, as ilhas foram unificadas por meio de um amplo projeto de aterro que viabilizou a construção do campus da Universidade Federal do Rio de Janeiro. A Ilha do Bom Jesus foi doada pelos seus proprietários em 1704 à Congregação dos Frades Franciscanos, que ali ergueram a Igreja do Bom Jesus da Coluna. Edificada em 1705, portanto com mais de 300 anos, a igreja era integrada a um convento e, mais tarde, passou a funcionar como hospital, onde recebia, em sua maioria, feridos de guerra. Como hospital, acolheu pessoas acometidas por doenças diversas, leprosos, escravizados e vítimas das epidemias de febre amarela e cólera que assolaram o Rio de Janeiro em períodos diversos. Foi presídio e recebeu levas de imigrantes. Na Ilha, está localizado o Asilo dos Inválidos da Pátria, erguido por D. Pedro II para abrigar soldados egressos da Guerra do Paraguai. O nome da igreja remete à tradição popular de que Jesus teria ficado preso a uma coluna e teria sido açoitado, antes de ser crucificado. A imagem principal no altar retrata a cena. O templo foi tombado em 1937 pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional e teve sua restauração completa em 2008. Saiba mais sobre a equipe e o projeto aqui.



Autor: faperj
Fonte: faperj
Sítio Online da Publicação: faperj
Data: 16/04/2024
Publicação Original: https://www.faperj.br/?id=1004.7.2

Academia de Ciências promove primeiro seminário da série 'ABC 110 anos: Legado e Futuro'

Para festejar os seus 110 anos de fundação, a Academia Brasileira de Ciências (ABC) abrirá oficialmente, no dia 28 de abril, as comemorações com o primeiro seminário da série “ABC 110 Anos: Legado e Futuro” (endereço para inscrição no pé da pág.). Na mesma ocasião, será apresentado o processo de criação do site do Centro de Memória da ABC José Murilo de Carvalho, projeto financiado pela FAPERJ.


O físico Albert Einstein (ao centro, segurando o chapéu) e membros da Academia Brasileira de Ciências (ABC), entre os quais o primeiro presidente da instituição, Henrique Morize (de branco), e Juliano Moreira (de braços cruzados), na frente da sede da Academia, no dia 7 de maio de 1925 (Foto: O Universal)


Realizado em colaboração com o Museu de Astronomia e Ciências Afins (Mast), o objetivo do Centro é a promoção da difusão científica por meio do acesso ao acervo da instituição, que reúne mais de um século de memória científica brasileira, com documentos, fotos, vídeos, publicações e objetos de interesse de estudiosos e do público em geral. O nome homenageia o falecido acadêmico José Murilo de Carvalho (1939-2023), renomado historiador, cientista político e escritor, eleito para a ABC em 2003 e para a Academia Brasileira de Letras (ABL) em 2004. O grupo responsável pelo projeto foi liderado pelas acadêmicas Maria Vargas e Patricia Bozza, e contou com a participação dos acadêmicos Débora Foguel, Diogenes Campos, Ildeu Moreira, Paulo Terra, Rodrigo Toniol e Thaiane Oliveira, assim como com Everaldo Pereira Frade, à frente da parceria com o Mast.

Em página criada para apresentar o projeto, a acadêmica Maria Vargas explica que o material contemplado nesta primeira etapa corresponde a pouco mais de um terço do acervo total. “Tínhamos um conhecimento limitado sobre o material quando começamos, e acabamos descobrindo muito mais do que havíamos antecipado. Por essa razão, já estamos elaborando uma segunda fase do projeto. Nesta etapa, temos a intenção de organizar e digitalizar mais de 240 mil páginas. Esse acervo inclui toda a correspondência emitida e recebida desde 1929, uma documentação valiosa relacionada a convênios, intercâmbios acadêmicos e parcerias com instituições científicas, documentos sobre prêmios e honrarias que a Academia já outorgou, além daqueles que dizem respeito às negociações para que a ABC tivesse uma sede condizente com sua relevância. Faremos também a transcrição dos arquivos preciosos de áudio e vídeo que já foram masterizados na primeira etapa do projeto, para disponibilização virtual em PDF”, antecipa a professora.

O evento inaugural do dia 28 de abril contará com palestra intitulada “Os 110 Anos da Academia Brasileira de Ciências”, proferida pelo acadêmico e físico Ildeu de Castro Moreira, professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), na qual serão abordados marcos históricos deste percurso desde os anos iniciais de fundação, ao longo de sua trajetória de consolidação até os dias atuais.

Para acompanhar presencialmente o seminário, é necessário fazer a inscrição, gratuita, no Sympla

* Com informações da Assessoria de Comunicação da ABC



Autor: faperj
Fonte: faperj
Sítio Online da Publicação: faperj
Data: 16/04/2024
Publicação Original: https://www.faperj.br/?id=1007.7.9

quinta-feira, 16 de abril de 2026

Previsão analisada pela Nasa aponta colapso da atmosfera e antecipa prazo para o fim da vida na Terra


O destino da vida na Terra é uma incógnita que a ciência tenta decifrar por meio de modelos matemáticos e simulações computacionais de grande escala. Um estudo publicado em 2021, que voltou a viralizar recentemente após a missão Artemis II ir à lua, lançou luz sobre os limites temporais da nossa biosfera ao sugerir que a sobrevivência dos organismos no planeta pode ter um prazo mais curto do que se imaginava — tema que ganhou repercussão após ser comentado por cientistas ligados à Nasa

Como os cientistas previram o fim do oxigênio?
O estudo, publicado originalmente na revista Nature Geoscience e posteriormente divulgado por fontes especializadas, sustenta que o oxigênio atmosférico, componente fundamental para a vida como a conhecemos, desaparecerá de forma drástica em um futuro distante.

Para chegar a essa conclusão, os pesquisadores Kazumi Ozaki e Christopher T. Reinhard executaram um sistema de modelagem biogeoquímica e climática que realizou cerca de 400 mil simulações. O objetivo central era determinar a duração das condições ricas em oxigênio na nossa atmosfera. Os resultados indicaram que o tempo médio de vida de uma atmosfera com níveis de oxigênio superiores a 1% dos valores atuais é de aproximadamente 1,08 bilhão de anos, com uma margem de erro estatística. Esse processo de desoxigenação é, segundo os autores, uma consequência inevitável do aumento do fluxo solar à medida que o Sol evolui.

Por que a habitabilidade da Terra será reduzida pela metade?
Historicamente, a comunidade científica estimava que a habitabilidade terrestre se estenderia por cerca de dois bilhões de anos, baseando esse período no brilho constante do Sol. No entanto, as novas projeções da Nasa reduzem esse tempo quase pela metade. — Por muitos anos, a vida útil da biosfera da Terra foi discutida com base no brilho constante do Sol — explicou Kazumi Ozaki, autor principal do estudo. O especialista alertou que, à medida que o astro aumenta sua emissão de calor, a Terra se transformará em um ambiente hostil, no qual o ciclo de carbonatos e silicatos levará a uma atmosfera pobre em dióxido de carbono e, eventualmente, a uma queda abrupta na disponibilidade de oxigênio.

Embora o imaginário coletivo frequentemente associe o fim do planeta à expansão final do Sol — um processo que ocorrerá em cerca de cinco bilhões de anos, quando o astro se tornar uma gigante vermelha e engolir a Terra —, a realidade biológica será muito mais breve. Antes que a água dos oceanos evapore completamente ou que a superfície terrestre se torne inabitável devido às altas temperaturas solares, o colapso da atmosfera eliminará todas as formas de vida complexa que dependem da respiração aeróbica. A pesquisa aponta que essa desoxigenação ocorrerá antes da fase de efeito estufa úmido, marcando um ponto de não retorno para a biosfera.

É importante destacar que essa projeção científica se refere à viabilidade global da biosfera e não necessariamente ao destino da civilização humana. Diversos fatores ambientais, mudanças climáticas causadas pelo homem e eventos astronômicos imprevisíveis atuam como variáveis que podem alterar drasticamente o futuro da humanidade muito antes de o Sol esgotar seu ciclo de habitabilidade. Ainda assim, o estudo reforça que, em escala geológica, o destino da Terra está intrinsecamente ligado à evolução estelar e à estabilidade atmosférica que hoje permite a nossa existência.


Autor: o Globo 
Fonte: o Globo
Sítio Online da Publicação: o Globo
Data: 15/04/2024

Físicos descobrem que os líquidos (até a água) também se podem partir

Um novo estudo, publicado na Physical Review Letters, revelou que, além de esticar e fluir, os líquidos também podem estalar.

Desde a tecnologia de impressão 3D até aos sistemas biológicos dentro dos nossos corpos, esta descoberta, levada a cabo por investigadores da Universidade Drexel, nos EUA, e da ExxonMobil, vem abalar a mecânica dos fluidos.

Tudo começou quando cientistas faziam experiências para ver como líquidos viscosos respondem a forças intensas. Inicialmente pensaram que o equipamento de laboratório tinha avariado.

“A fratura causou um ruído de estalo muito alto que, na verdade, me assustou”, disse, à Science Alert, a engenheira química Thamires Lima, da Universidade Drexel.

“O que observámos foi tão inesperado. Assim que confirmámos o fenómeno, a investigação tornou-se um empreendimento científico completamente diferente”, afirmou, por seu turno, Nicolas Álvarez, engenheiro químico da Universidade Drexel.

Sabe a mesma revista que a equipa repetiu as experiências algumas vezes para garantir que os resultados eram fiáveis. A montagem envolveu líquidos colocados entre duas placas metálicas, observados por uma câmara de alta velocidade, e com uma variedade de forças aplicadas.

O primeiro estalo ocorreu quando o líquido foi puxado com uma força comparável à de um saco de tijolos suspenso numa área do tamanho de uma unha.

Isto foi num líquido de mistura de hidrocarbonetos semelhante a alcatrão, e o mesmo ponto de rutura foi, posteriormente, encontrado num líquido diferente, um oligómero de estireno – que também era espesso e semelhante a alcatrão.

A tensão acumula-se de forma diferente num líquido mais espesso e mais viscoso em comparação com um mais fluido, menos viscoso.

Com base nestas experiências, líquidos mais espessos podem rachar mesmo quando são puxados mais lentamente – mas a quantidade de força necessária parece ser a mesma, independentemente da viscosidade envolvida.

Autor: ZAP aeiou 
Fonte: ZAP aeiou
Sítio Online da Publicação: ZAP aeiou
Data: 15/04/2024

Novas experiências mostram que o núcleo da Terra pode guardar vastos "oceanos" de um elemento essencial para a vida

Estudar a origem e a distribuição do hidrogénio é fundamental para compreender a formação planetária e a evolução da vida na Terra
Imagine todos os oceanos da Terra, que cobrem cerca de 70% do planeta e são compostos maioritariamente por hidrogénio. Agora, multiplique isso por nove. Essa poderá ser a quantidade de hidrogénio presente no núcleo terrestre, o que fará desta a maior reserva do elemento no planeta, estimaram recentemente os investigadores.


E nove "oceanos" de hidrogénio representam apenas o limite inferior do cálculo, uma vez que o núcleo pode conter o equivalente a 45 oceanos. Dito de outra forma, o hidrogénio pode representar cerca de 0,07% a 0,36% do peso total do núcleo da Terra, revelou um grupo de cientistas esta terça-feira na revista Nature Communications. Isto sugere que o nosso planeta adquiriu a maior parte da sua água (a principal fonte de hidrogénio na Terra) durante a sua formação, e não mais tarde, através do impacto de cometas que teriam deixado água na superfície, como sugeriram alguns especialistas. A explicação foi avançada por Dongyang Huang, autor principal do estudo e professor assistente na Escola de Ciências da Terra e do Espaço da Universidade de Pequim.

O investigador precisou, num e-mail enviado à CNN, que "o núcleo terrestre teria armazenado a maior parte da água no primeiro milhão de anos de história da Terra". Seguem-se, em abundância de água, o manto e a crosta. Dongyang Huang acrescentou ainda que "a superfície, onde reside a vida, é a que contém menos".

Há mais de 4,6 mil milhões de anos, rochas, gás e poeira em torno do nosso sol colidiram para formar um jovem planeta. Com o tempo, estas colisões moldaram o núcleo, o manto e a crosta terrestre. No interior profundo da Terra, e sob enorme pressão, um núcleo metálico denso, quente e fluido começou a agitar-se. Composto maioritariamente por ferro e níquel, é este núcleo que alimenta o campo magnético protetor do nosso planeta.

Rajdeep Dasgupta, professor de ciência dos sistemas terrestres no departamento de Ciências da Terra, Ambientais e Planetárias da Universidade de Rice, no Texas, esclareceu que "o hidrogénio só pode entrar no líquido metálico que forma o núcleo se estivesse disponível durante as principais fases de crescimento da Terra e tivesse participado na sua formação". O especialista não esteve envolvido nesta nova investigação.

terça-feira, 14 de abril de 2026

Agricultura ganha aliada da ciência: pesquisa desenvolve plantas mais produtivas e resistentes





Desenvolvido por cientistas da UFRJ com apoio da FAPERJ, estudo investiga como o crescimento das plantas pode ser regulado a partir da identificação de genes-chave, responsáveis por controlar todo o desenvolvimento vegetal (Foto: Divulgação)

Uma pesquisa brasileira está abrindo caminho para uma nova geração de plantas mais produtivas, resistentes e sustentáveis. O estudo, desenvolvido por cientistas da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), investiga como o crescimento das plantas pode ser regulado a partir da identificação de genes-chave, responsáveis por controlar todo o desenvolvimento vegetal.


A proposta é entender quais mecanismos dentro da planta determinam seu crescimento e produtividade. Ao identificar esses genes principais, os pesquisadores conseguem ajustar o funcionamento da planta para que ela cresça melhor, produza mais e utilize menos recursos naturais.

Segundo a pesquisadora Adriana Hemerly, do Laboratório de Biologia Molecular de Plantas (LBMP/UFRJ), esses genes funcionam como um centro de comando. “O que conseguimos identificar são genes que atuam como reguladores principais. Ao modificar esse ponto central, conseguimos reorganizar toda a rede de funcionamento da planta, tornando-a mais eficiente”, explica.

A pesquisa envolve análises genéticas e experimentos em laboratório, onde os cientistas avaliam como as plantas se comportam em diferentes condições ambientais, como escassez de água e interação com bactérias benéficas que ajudam na absorção de nutrientes.

Um dos principais avanços do estudo foi a identificação de genes presentes em diversas espécies vegetais. Isso permite que a tecnologia seja aplicada em culturas agrícolas importantes, como milho, soja, algodão e cana-de-açúcar.



Adriana Hemerly: de acordo com a pesquisadora, resultados do estudo já indicam ganhos significativos na produtividade, além de melhor aproveitamento da luz solar, maior eficiência no uso da água e redução na necessidade de fertilizantes químicos (Foto: Divulgação)


Os resultados já indicam ganhos significativos na produtividade, além de melhor aproveitamento da luz solar, maior eficiência no uso da água e redução na necessidade de fertilizantes químicos. “Estamos falando de plantas que conseguem produzir mais utilizando menos recursos, o que é fundamental para uma agricultura mais sustentável”, destaca a pesquisadora.

Outro impacto importante é o ambiental. Com maior eficiência na fotossíntese, essas plantas também aumentam a captura de dióxido de carbono da atmosfera, contribuindo para a redução dos efeitos das mudanças climáticas.

Para a presidente da Fundação Carlos Chagas Filho de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro (FAPERJ), Caroline Alves, o investimento em pesquisa científica é essencial para o avanço do País. “Apoiar estudos como este é investir em inovação, sustentabilidade e no fortalecimento da nossa agricultura. A ciência produzida no Rio de Janeiro tem potencial para gerar impactos positivos não só no Brasil, mas em todo o mundo”, afirma.

Apesar dos avanços, os testes ainda são realizados em ambiente controlado, como casas de vegetação. Antes de chegar ao campo, a tecnologia precisa passar pela avaliação da Comissão Técnica Nacional de Biossegurança, responsável por garantir a segurança de organismos geneticamente modificados no Brasil.

A expectativa é que, após essa etapa e a adaptação pelas empresas do setor agrícola, as novas variedades estejam disponíveis para produtores em cerca de três anos. O objetivo final é desenvolver uma agricultura mais eficiente e sustentável, com plantas mais resistentes, produtivas e adaptadas aos desafios ambientais atuais.


Autor: faperj
Fonte: faperj
Sítio Online da Publicação: faperj
Data: 09/04/2024
Publicação Original: https://www.faperj.br/?id=1001.7.6

Pesquisa no IDOR analisa riscos cardiovasculares em pacientes que tiveram câncer de mama



Estudo realizado no IDOR analisou os mecanismos fisiológicos, moleculares e celulares associados ao aumento dos riscos cardiovasculares em mulheres que receberam tratamento quimioterápico a longo prazo (Foto: Freepik)

Um estudo desenvolvido no Instituto D’Or de Pesquisa e Ensino (IDOR) investiga os efeitos da quimioterapia a longo prazo para o sistema cardiovascular de mulheres que sobreviveram ao câncer de mama, especialmente como ela impacta o controle do sistema nervoso autônomo e a função vascular. A pesquisa, orientada por Allan Kluser, coordenador do Laboratório de Controle CardioNeuroVascular e professor no Programa de Pós-Graduação em Ciências Médicas do instituto, foi conduzida por João Izaias e colegas e ganhou visibilidade com a recente publicação, em março, de artigo na renomada revista científica internacional Journal of the American Heart Association. Kluser realiza suas atividades com apoio da FAPERJ, por meio do programa Jovem Cientista do Nosso Estado.

O projeto, que foi tema do doutorado de João Izaias, hoje no pós-doutorado em Ciências Médicas no IDOR, investiga os mecanismos fisiológicos, moleculares e celulares associados ao aumento dos riscos de desenvolvimento de doenças cardiovasculares em mulheres que receberam tratamento quimioterápico à base de doxorrubicina e trastuzumabe. Para isso, os pesquisadores examinaram e compararam dois grupos de pacientes, de 45 a 55 anos, recrutadas do Sistema Único de Saúde (SUS) e avaliadas no laboratório: um grupo de 23 sobreviventes ao câncer de mama, que finalizaram a quimioterapia há pelo menos oito anos, e o grupo controle, de 18 mulheres saudáveis e que nunca tiveram tumores.

Allan Kluser (à esq.) e João Izaias: pesquisadores observaram intolerância ao exercício físico e sobrecarga no sistema nervoso simpático, entre outras condições que ajudam a explicar o risco aumentado para doenças cardiovasculares nas pacientes investigadas (Fotos: Divulgação)


“Observamos que, nas pacientes que sobreviveram ao câncer de mama, houve uma sobrecarga do sistema nervoso simpático, responsável por preparar o corpo para situações de estresse, luta ou fuga; e disfunção vascular, isto é, alterações no sistema circulatório que precedem a formação da aterosclerose e que podem fazer o paciente infartar. Também observamos intolerância ao exercício físico, com falta de ar e fadiga associadas à realização de atividades físicas, e alterações subclínicas na função cardíaca, que não indicam de fato uma disfunção, mas já são uma pré-condição que pode levar à alteração cardíaca no futuro”, disse Kluser.

Os pesquisadores também encontraram alterações em diversos fatores no meio circulante sanguíneo desse grupo de pacientes. “Observamos estresse oxidativo aumentado, biodisponibilidade de óxido nítrico diminuída e aumento em vesículas extracelulares derivadas de células endoteliais, o que funciona como um marcador, ajudando a indicar a ativação endotelial, e alterações em diversos metabólitos sistêmicos”, detalhou. “Nós também fizemos experimentos ex vivo (fora do corpo humano, em ambientes laboratoriais controlados), envolvendo cultura de células endoteliais para investigar mecanismos moleculares relatados para a disfunção vascular verificada in vivo, ou seja, no paciente. Essas condições juntas podem ajudar a explicar, pelo menos em parte, o risco aumentado de desenvolvimento de doenças cardiovasculares nesse grupo populacional”, completou Allan Kluser.

Equipe de pesquisadores do IDOR, após apresentação de trabalho no 44º Congresso da Sociedade de Cardiologia do Estado de São Paulo: a partir da esq., Gabrielly Mel, João Izaias, Camila Nunes, Allan Kluser, Artur Sales, Bruna Ono, Thais Rodrigues e Maria Fernanda (Foto: Divulgação)


Ele contou que hoje, na literatura médica, sabe-se que pacientes sobreviventes ao câncer de mama apresentam um risco aumentado de desenvolver doenças cardiovasculares, mas havia poucas informações detalhadas sobre os mecanismos moleculares associados a essa fisiologia. “Por isso, decidimos nos debruçar sobre esse tema. O objetivo foi avaliar sobreviventes de câncer de mama a longo prazo, para saber porque eles apresentam riscos cardiovasculares aumentados. Partindo dessa perspectiva, estudamos os detalhes dos mecanismos fisiológicos, moleculares e celulares”, justificou.

Um dos testes realizados pela equipe foi a microneurografia, um método considerado pelos pesquisadores como referência – ou seja, o teste “padrão ouro” para medir a atividade neural simpática. “O Laboratório de Controle CardioNeuroVascular do IDOR, até onde eu tenho conhecimento, é um dos poucos lugares do Rio de Janeiro onde esse exame está sendo realizado quase que diariamente. Fomos o primeiro grupo de pesquisa no mundo, de que se tem notícia, a demonstrar que uma sessão de quimioterapia já é capaz de aumentar a atividade do sistema nervoso simpático”, destacou Kluser.




Autor: faperj
Fonte: faperj
Sítio Online da Publicação: faperj
Data: 09/04/2024
Publicação Original: https://www.faperj.br/?id=1000.7.0

sexta-feira, 10 de abril de 2026

Cientistas descobrem um “terceiro estado” entre a vida e a morte

Há séculos que os seres humanos refletem sobre a natureza da vida e da morte e, até agora, sem razão aparente, definiram a vida e a morte como as duas extremidades do mesmo pólo, opostas uma à outra. Agora, um estudo mostra resultados diferentes, chegando a um estado de “sem vida, sem morte"

Um grupo de biólogos celulares afirma que pode existir um “terceiro estado” que quebra as definições tradicionais de vida e morte.

Segundo os cientistas, a morte é geralmente entendida como “a cessação irreversível do funcionamento global de um ser vivo”. No entanto, medidas como a doação de órgãos mostram como os tecidos, órgãos e células podem continuar a viver durante algum tempo após a morte de um organismo.




Dois biólogos, Peter Noble, professor associado de microbiologia na Universidade do Alabama em Birmingham, e Alex Puzhitkov, diretor de bioinformática na Escola de Ciências Biológicas Earl e Manella, em Hope City (Arkansas), num artigo publicado na revista The Conversation, abordaram a forma como a emergência de novos organismos multicelulares nos permite quebrar os constrangimentos convencionais.

Exploraram em profundidade os processos que ocorrem nos organismos após a morte e que permitem que as células continuem a funcionar, possibilitando assim o sucesso de um transplante de órgãos.

A investigação mostrou que células da pele isoladas de embriões de rãs mortos podem adaptar-se espontaneamente às condições das placas de laboratório (placas de Petri) e formar novas estruturas multicelulares chamadas xenobots.

Estas novas estruturas multicelulares também apresentavam comportamentos que iam muito para além das suas funções biológicas originais. Por exemplo, as novas estruturas feitas a partir de células de embriões de rãs mortas utilizaram os seus cílios (protuberâncias finas, semelhantes a pêlos) para se deslocarem no seu ambiente, enquanto que nos embriões de rãs vivas, estes cílios são normalmente utilizados para mover o muco.

Os xenobots também possuíam a capacidade única de efetuar uma auto-replicação cinemática, o que significa que podiam replicar a sua forma física e a sua função sem ter em conta a via de crescimento tradicional.

Estudos demonstraram que as células pulmonares humanas também se podem reunir espontaneamente em pequenos organismos multicelulares com a capacidade de se moverem. Estes antropo-robôs também exibiram novos comportamentos e estruturas próprias e não só podiam manobrar no seu ambiente, como também se podiam reparar a si próprios e a células nervosas danificadas nas proximidades.

Como tal, os resultados destas investigações revelaram adaptações notáveis dos sistemas celulares e desafiaram a noção de que as células e os organismos apenas evoluem de formas pré-determinadas.

Este conceito de um “terceiro estado” também sugeriu que o processo de morte do organismo pode influenciar consideravelmente a forma como a vida evolui ao longo do tempo.
A vida pode ser preservada após a morte?

A capacidade das células e dos tecidos para sobreviverem e funcionarem após a morte de um organismo é influenciada por vários fatores, incluindo as condições ambientais, a atividade metabólica e os métodos de manutenção.

Diferentes tipos de células apresentam tempos de sobrevivência diferentes. Nos seres humanos, por exemplo, os glóbulos brancos são normalmente destruídos entre 60 a 86 horas após a morte.

Em contrapartida, as células do músculo esquelético dos ratos podem ser regeneradas até 14 dias após a morte e as células de fibroblastos de ovinos e caprinos podem ser implantadas cerca de um mês após a morte.

Para determinar se as células podem continuar a sobreviver e a funcionar após a morte, é necessário prestar atenção às suas atividades metabólicas. Manter vivas as células que requerem um fornecimento constante e substancial de energia para realizar as suas tarefas é mais difícil do que as células que requerem menos energia.

Técnicas como a congelação podem ajudar certas amostras de tecido, como a medula óssea, a manter a mesma função.

Os mecanismos inatos de sobrevivência são igualmente essenciais para a continuidade da vida das células e dos tecidos. Nos genes ligados ao stress e à imunidade, os investigadores observaram um aumento significativo da atividade post-mortem, provavelmente uma resposta à perda de hemostase (o processo de impedir a perda de sangue dos vasos saudáveis e de parar a hemorragia dos vasos danificados).



Autor: pt.euronews
Fonte: pt.euronews
Sítio Online da Publicação: pt.euronews
Data: 14/11/2024
Publicação Original: https://pt.euronews.com/saude/2024/11/14/cientistas-descobrem-um-terceiro-estado-entre-a-vida-e-a-morte

Análise sanguínea simples pode prever quem tem maior probabilidade de viver mais

Cientistas concluíram que pequenas moléculas de RNA no sangue, as piRNAs, antecipam melhor a sobrevivência a curto prazo do que idade, colesterol ou estilo de vida

Exame simples ao sangue pode ajudar a identificar que idosos correm maior risco de morrer no espaço de dois anos, segundo novas investigações.




Liderado pela Duke Health, em colaboração com a Universidade do Minnesota, o estudo sugere que minúsculas moléculas de RNA presentes na corrente sanguínea podem oferecer uma nova forma de avaliar o risco de sobrevivência a curto prazo em pessoas com 71 ou mais anos.

Investigadores focaram-se em pequenos fragmentos de RNA conhecidos como piRNAs, que intervêm na regulação do desenvolvimento, da regeneração e da função imunitária. Ao analisar amostras de sangue de mais de 1 200 idosos, a equipa descobriu que níveis mais baixos de certas piRNAs estavam associados a uma sobrevivência mais prolongada.

"A combinação de apenas algumas piRNAs foi o indicador mais forte de sobrevivência a dois anos em idosos, mais forte do que a idade, os hábitos de vida ou qualquer outra medida de saúde que analisámos", afirmou Virginia Byers Kraus, autora sénior do estudo e professora nos departamentos de Medicina, Patologia e Cirurgia Ortopédica na Escola de Medicina da Universidade de Duke.





"O que mais nos surpreendeu foi o facto de este sinal tão forte vir de um simples exame ao sangue", acrescentou Kraus.
Como foi realizado o estudo e quais foram os resultados?

Recorrendo a inteligência artificial e aprendizagem automática, a equipa analisou 187 indicadores de saúde diferentes e 828 pequenas moléculas de RNA.

Modelos avançados mostraram que apenas seis piRNAs conseguiam prever a sobrevivência a dois anos com uma precisão até 86 por cento. Estes resultados foram confirmados num segundo grupo independente de idosos.

No que toca à sobrevivência a curto prazo, as piRNAs superaram a idade, os níveis de colesterol, a atividade física e mais de 180 outras medidas clínicas.

Os participantes que viveram mais tempo apresentavam de forma consistente níveis mais baixos de piRNAs específicas, um padrão que reflete o observado em organismos de laboratório. Em C. elegans (minúsculos vermes cilíndricos), por exemplo, a redução global dos níveis de piRNAs já mostrou poder duplicar o tempo de vida.

"Sabemos muito pouco sobre as piRNAs no sangue, mas o que estamos a ver é que níveis mais baixos de algumas específicas são melhores", disse Kraus. "Quando estas moléculas estão presentes em maiores quantidades, pode ser um sinal de que algo no organismo não está bem. Perceber porquê pode abrir novas possibilidades para terapias que promovam um envelhecimento saudável."
Podem os tratamentos alterar estas moléculas no sangue?

A equipa planeia agora investigar se tratamentos, alterações no estilo de vida ou medicamentos, incluindo novas classes de fármacos como os fármacos GLP-1, podem alterar os níveis de piRNAs.

Pretendem também comparar os níveis no sangue com os encontrados nos tecidos, para compreender melhor como funcionam estas moléculas.

"Estes pequenos RNAs são como gestores de pormenor no organismo, ajudam a controlar muitos processos que afetam a saúde e o envelhecimento", disse Kraus. "Estamos apenas a começar a perceber o quão poderosos são. Esta investigação sugere que poderemos identificar o risco de sobrevivência a curto prazo com um exame ao sangue prático e minimamente invasivo, com o objetivo final de melhorar a saúde à medida que envelhecemos."




Autor: pt.euronews
Fonte: pt.euronews
Sítio Online da Publicação: pt.euronews
Data: 25/02/2026
Publicação Original: https://pt.euronews.com/saude/2026/02/25/analise-sanguinea-simples-pode-prever-quem-tem-maior-probabilidade-de-viver-mais

Expedição "Darwin 200" recria viagem do cientista em nome do ambiente

Quase 200 anos depois de Charles Darwin ter feito a volta ao mundo com várias descobertas para a história natural, 200 jovens naturalistas vão recriar o percurso para promover a proteção da natureza.


Direitos de autor AP Photo


Após a travessia do Atlântico, a expedição "Darwin 200" chegou a terra firme no Rio de Janeiro.


Quase duzentos anos após o conservacionista britânico ter feito a volta ao mundo, 200 jovens naturalistas propõem-se a retomar a missão. A expedição, que começou a 14 de agosto, em Inglaterra, conta com 32 escalas outrora visitadas por Darwin.



Em cada porto, os investigadores terão agora duas semanas para trocar experiências e promover o ativismo ambiental com cientistas locais.

O fundador do projeto, Stewart McPherson, diz que "o objetivo deste programa é formar os melhores jovens conservacionistas", daí o perfil procurado para participar sejam "pessoas em início de carreira, entre os 20 e os 25 anos, para mudar o mundo de amanhã".

"Quando se diz as palavras 'Charles Darwin', muitas pessoas lembram-se de um homem velho com barba que escreveu muitos livros importantes sobre a evolução e outros assuntos, mas quando ele começou esta viagem de cinco anos à volta do mundo tinha vinte e dois anos e fez esta viagem incrível e descobriu muitos aspetos da história natural e da ciência", lembra McPherson.

Cada líder ambiental deverá fazer três vídeos sobre o seu trabalho para publicar no Youtube e partilhar os projetos com as escolas. No Rio de Janeiro, cinco líderes ambientais selecionados para o "Darwin 200" vão fazer do navio base para expedições locais e aprofundar conhecimentos.

Os participantes no Brasil vão trabalhar na recuperação de florestas e reintrodução de macacos nos habitats, bem como no estudo das populações de golfinhos e na plantação de milhares de árvores de floresta tropical.



Autor: pt.euronews
Fonte: pt.euronews
Sítio Online da Publicação: pt.euronews
Data: 08/11/2023
Publicação Original: https://pt.euronews.com/2023/11/08/expedicao-darwin-200-recria-viagem-do-cientista-em-nome-do-ambiente

terça-feira, 7 de abril de 2026

Sexo de polvos: cientistas descobrem braço sensorial que deposita esperma


Polvos machos conseguem fecundar uma fêmea, mesmo quando não conseguem ver a parceira sexual.
Quando os polvos acasalam, o macho mantém a fêmea, literalmente, a uma distância de braço.

Para o acto, o macho tem um braço especial, chamado hectocótilo, que utiliza para depositar um saco de esperma no interior do sistema reprodutor da fêmea.

No entanto, os cientistas não sabiam ao certo como é que esse braço encontra o local exacto quando o macho não consegue ver o que está a fazer. Agora, um novo estudo revelou como é guiado o hectocótilo.
Polvos machos “saboreiam” hormonas das fêmeas

Durante o acto sexual, o polvo macho introduz o hectocótilo no manto da fêmea – uma estrutura em forma de saco, atrás dos olhos, que alberga todos os principais órgãos, incluindo os reprodutores – e tacteia até encontrar o oviduto.

Como o faz foi agora explicado num artigo (fonte em inglês) publicado esta semana na revista Science.

Os investigadores concluíram que o braço de acasalamento é um órgão sensorial que, tal como os outros braços dos polvos, está coberto de ventosas que contêm recetores quimiotáteis.

Nos outros sete braços, esses recetores ajudam o animal a “provar” o ambiente em redor, funcionando como uma língua para localizar alimento ou identificar micróbios nocivos.

Mas no hectocótilo, que é normalmente mantido junto ao corpo quando não está em acasalamento, a função destes recetores não era clara.

Durante a investigação, os cientistas verificaram que o oviduto da fêmea produz enzimas que geram a hormona sexual progesterona.

Descobriram que os recetores permitem ao braço de acasalamento dos machos detetar a progesterona, o que significa que conseguem fecundar a parceira mesmo sem verem o parceiro sexual.

Os investigadores constataram também que braços especializados amputados de polvos machos se moviam em resposta à progesterona – mas não quando entravam em contacto com outras hormonas semelhantes.

Ao analisar células do hectocótilo de três indivíduos, a equipa detetou até três vezes mais recetores quimiotáteis e três vezes mais neurónios no braço de acasalamento do que num braço normal.
Polvos conseguem acasalar sem ver

É comum os animais recorrerem à deteção de hormonas durante os processos de acasalamento, mas o órgão sensorial de deteção é normalmente diferente daquele que liberta o esperma.


Nos polvos machos, porém, o hectocótilo assume as duas funções, algo que os investigadores associam à natureza solitária destes animais.

“Faz sentido que o braço funcione ao mesmo tempo como sensor e órgão de acasalamento porque, nestes encontros fortuitos, o braço tem de conseguir localizar a fêmea, localizar o oviduto e iniciar muito rapidamente a cópula ou seguir em frente”, explicou ao jornal britânico The Guardian o professor Nicholas Bellono, autor sénior do estudo na Universidade de Harvard.

A preferência dos polvos pela independência também representou um desafio para as experiências de laboratório.

Um par macho-fêmea foi colocado num tanque e separado por uma divisória, pois estes animais tendem a tornar-se agressivos e podem matar-se.

A divisória tinha orifícios que permitiam aos polvos estender os braços e aproximarem-se um do outro.

Os cientistas tencionavam retirar a divisória quando os polvos já estivessem familiarizados, mas ficaram surpreendidos ao ver o macho estender o braço de acasalamento por um dos orifícios e introduzi-lo no manto da fêmea.

Os investigadores colocaram outros casais no mesmo dispositivo experimental e verificaram que o mesmo se repetia.


Importa salientar que o comportamento foi idêntico em escuridão total, o que sustenta a hipótese de que os polvos conseguem acasalar sem sequer verem o outro.


Autor: euronews
Fonte: euronews
Sítio Online da Publicação: euronews
Data: 06/04/2026
Publicação Original: https://pt.euronews.com/2026/04/06/sexo-de-polvos-cientistas-descobrem-braco-sensorial-que-deposita-esperma

Pesquisadores da Fiocruz e do Complexo do Lins, moradores e coletivos locais se reúnem para tratar da qualidade da água no território

Moradores do Complexo do Lins e pesquisadores da Fiocruz participaram, no último sábado (28/3), da 3ª oficina do projeto integrado Tecnologias Sociais em Saúde da Bacia Hidrográfica do Canal do Cunha. A atividade aconteceu na favela da Cachoeira Grande, localizada no Complexo do Lins, e apresentou dados preliminares de uma pesquisa sobre indicadores do acesso à água e saneamento na região, realizada com 400 famílias, e promoveu o diálogo com a população sobre o direito humano à água e ao saneamento.

O encontro reuniu moradores, representantes de veículos locais de comunicação comunitária e pesquisadores do território, com o objetivo de compartilhar os dados quantitativos, realizar diagnósticos e ouvir as percepções da população sobre os resultados. A iniciativa integra um conjunto de ações voltadas à produção de conhecimento participativo e ao fortalecimento do debate público sobre as condições de vida na região.

A oficina promovida pelo projeto faz parte de uma ação conjunta coordenada pela Fiocruz, por meio da Coordenação de Cooperação Social da Presidência e da Escola Nacional de Saúde Pública Sergio Arouca (Ensp/Fiocruz), em articulação com o Observatório da Bacia Hidrográfica do Canal do Cunha — um espaço de articulação que reúne organizações, pesquisadores, movimentos socioambientais e instituições comprometidas com a melhoria das condições ambientais e de saneamento dos territórios da bacia hidrográfica.


“No Lins, nós estamos desenvolvendo, por meio do projeto, ações para compreender a percepção da população sobre as condições de saúde e saneamento. Isso é fundamental para subsidiar a formulação de políticas públicas”, explicou Rejany Ferreira dos Santos, coordenadora do projeto na Coordenação de Cooperação Social da Presidência da Fiocruz e pesquisadora do Observatório da Bacia Hidrográfica do Canal do Cunha.

Dados da pesquisa revelam desafios no acesso à água e saneamento

A pesquisa-ação realizada pelo projeto, segue uma metodologia de pesquisa social e qualitativa, com um questionário aprovado no Comite de Ética da Escola Nacional de Saúde Pública Sérgio Arouca (Ensp/Fiocruz) é composta por perguntas divididas em módulos sobre dados de identificação do participante e dados socioeconômicos, saneamento ambiental, acesso à água, esgoto, saúde ambiental, dados sobre serviço após concessão e problema de saúde devido a carência em saneamento. As entrevistas foram realizadas pessoalmente pelos pesquisadores do território do projeto.


Moradores de diferentes comunidades do Complexo do Lins relataram casos de falta de água no território por 21 dias. “Quem mora em favela sabe que sempre houve problemas com o acesso à água. Isso impacta diretamente a vida da população, inclusive no orçamento das famílias, que muitas vezes precisam comprar água para suprir a falta de abastecimento. Sem água, não é possível realizar atividades básicas do dia a dia, como tomar banho, cozinhar ou manter a rotina dentro de casa”, relata Rejany Ferreira dos Santos.


Durante a atividade, foram apresentados dados levantados entre maio de 2025 e fevereiro de 2026, com a participação de 400 famílias do Complexo do Lins, residentes nas favelas Árvore Seca, Santa Terezinha, Cachoeira Grande, Morro do Amor, Cachoeirinha, Gambá, Barro Preto e na Rua Vilela Tavares - Lins. Os resultados evidenciam desafios estruturais importantes no território no âmbito do acesso à água e saneamento básico.

De acordo com a pesquisa, 85% dos moradores precisam armazenar água devido à intermitência no abastecimento, o que pode representar riscos à saúde quando feito em condições inadequadas. Além disso, 56% dos entrevistados não possuem coleta adequada de esgoto, enquanto 88% relataram a presença de vetores de doenças, como mosquitos, ratos e baratas, próximos às residências.


O levantamento também aponta que 12% dos moradores identificaram risco de contaminação cruzada entre redes de água e esgoto, e 27% precisam utilizar bombas elétricas para garantir o abastecimento, gerando custos adicionais às famílias. Outro dado relevante indica que 5% dos entrevistados possuem apenas um ou nenhum ponto de água dentro de casa, condição que impacta diretamente na higiene e na saúde.

Entre os participantes, 81% vivem com até um salário-mínimo, 89% não possuem ensino superior e 80% se autodeclaram pretos, pardos ou indígenas, evidenciando a relação entre desigualdade social e acesso precário ao saneamento.


“É importante reivindicar intervenções políticas a partir dos dados levantados. Conseguimos identificar os pontos críticos no território relacionados à água, ao saneamento e à drenagem urbana. Destacamos a questão dos resíduos sólidos como um dos principais fatores de risco à saúde: mais de 80% dos problemas identificados estão relacionados ao acúmulo de lixo, que não é recolhido na mesma velocidade em que é produzido. Isso evidencia a necessidade de uma política mais efetiva de coleta”, explicou Adriana Sotero Martins, coordenadora do projeto e pesquisadora do Departamento de Saneamento e Saúde Ambiental da Ensp/Fiocruz.

Projeto subsidia a construção de tecnologias sociais e ações no território

Além da apresentação dos dados, a oficina também abordou análises sobre a qualidade da água nas nascentes locais e promoveu um espaço de escuta ativa da população, reforçando a importância da participação comunitária na construção de pesquisas.

Através de ações informativas, educativas e práticas de saneamento em territórios socioambientalmente vulnerabilizados, o projeto já realizou ações também em outros bairros e territórios de favelas e periferias próximos, como o Complexo do Alemão, que foi território de implementação das tecnologias sociais e recorte de pesquisa em edição anterior, e na favela Santa Terezinha, localizada no Complexo do Lins no ano de 2024. Na atual etapa, uma nova localidade do Complexo do Lins será escolhida para receber a construção de duas tecnologias sociais: o Biofiltro e a Bacia de Evapotranspiração.


O primeiro, se trata de um sistema que permite acesso à água tratada pelo processo de remoção das impurezas utilizando-se agentes biológicos e esses poluentes são removidos pela barreira mecânica e por biodegradação. Essa tecnologia pode ser utilizada como alternativa em situações de falta de abastecimento. A Bacia de Evapotranspiração consiste em um sistema natural de evapotranspiração que faz a coleta e tratamento de esgotos de casas, diminuindo a carga de dejetos, proporcionando melhoria ambiental dos rios, com reflexos na saúde da população.

Sobre o projeto

O projeto “Tecnologias sociais em saúde na Bacia Hidrográfica do Canal do Cunha na Serra dos Pretos Forros no Complexo do Lins” é articulado pelo Observatório da Bacia Hidrográfica do Canal do Cunha, pela Coordenação de Cooperação Social da Presidência da Fiocruz e pela Escola Nacional de Saúde Pública Sergio Arouca. As ações tiveram início no segundo semestre de 2023 e seguem em execução ao longo de 2026, com foco na promoção da saúde, no fortalecimento comunitário e na melhoria das condições de saneamento ambiental no território.

*Fotos presentes na matéria: Nathalia Mendonça



Autor: Fiocruz
Fonte: Fiocruz
Sítio Online da Publicação: Fiocruz
Data: 02/04/2026
Publicação Original: https://fiocruz.br/noticia/2026/04/pesquisadores-da-fiocruz-e-do-complexo-do-lins-moradores-e-coletivos-locais-se

Audiência pública no Senado debate internacionalização da Fiocruz


Na próxima quarta-feira (8/4), o Senado Federal vai realizar, às 10h, uma audiência pública para debater a internacionalização da Fiocruz enquanto instituição estratégica do Estado Brasileiro. O objetivo é discorrer sobre o papel da instituição no âmbito da Saúde Pública, ciência e cooperação internacional, e como essa atuação fortalece políticas públicas e a presença do Brasil no exterior. O presidente da Fiocruz, Mario Moreira, participará da sessão. A audiência será transmitida e aberta para a participação de interessados por meio do portal e-cidadania.

Além de Mario Moreira, participarão da audiência representantes da Agência Brasileira de Cooperação (ABC), do Ministério das Relações Exteriores, da Agência de Promoção e Exportação do Brasil (ApexBrasil) e do Ministério da Saúde. A sessão será durante a 5ª Reunião Extraordinária da Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional.


Como parte do seu compromisso histórico com a saúde e a vida, a Fiocruz atua de forma cada vez mais estruturada na frente internacional e na Diplomacia da Saúde. Nos últimos anos, a presença da Fundação no exterior vem sendo fortalecida, apesar de um cenário global cada vez mais desafiador, marcado por conflitos, instabilidade geopolítica, ameaças ao multilateralismo, impactos da crise climática e emergências sanitárias. A saúde, neste contexto, assume centralidade no debate, exigindo atuação conjunta entre países.

Nas colaborações firmadas pela Fiocruz figuram, principalmente, o eixo Sul-Sul até a geração de conhecimento e tecnologias na interface com países líderes no contexto industrial em saúde. Neste contexto, a atuação internacional gera resultados concretos para a população brasileira e o Sistema Único de Saúde (SUS), como redução de custos na produção de medicamentos, fortalecimento da capacidade de produção nacional, avanços em pesquisas, ampliação de opções de terapias e imunizantes mais eficazes e acessíveis e fortalecimento da soberania nacional por meio de acordos de transferência de tecnologia.

Ao mesmo tempo, as ações de internacionalização, pautadas na defesa do multilateralismo, apoiam sistemas de saúde locais a partir do princípio da solidariedade entre nações. “Nosso olhar e nossos esforços estão voltados para garantir o direito à vida e o acesso equitativo a bens e serviços em saúde para as pessoas que vivem situações de vulnerabilidade”, reforça Mario Moreira. “Sem dúvida, o parlamento brasileiro é um grande aliado neste compromisso com a soberania nacional e o multilateralismo”.



Autor: Fiocruz
Fonte: Fiocruz
Sítio Online da Publicação: Fiocruz
Data: 06/04/2026

segunda-feira, 6 de abril de 2026

Risco de hospitalização é 21% maior em crianças infectadas com chikungunya na barriga da mãe

Em estudo publicado na revista Nature, pesquisadores da Fiocruz apontam que crianças que tiveram contato com a chikungunya ainda na barriga da mãe, ou seja, de forma intrauterina, apresentaram 21% maior risco de hospitalização nos primeiros três anos de vida. Para as crianças infectadas na hora do parto, este risco dobrou de tamanho. Outro achado teve relação com o período em que a mãe é infectada pela doença: se ocorreu durante o primeiro ou segundo trimestre da gravidez, as chances da criança vir a ser hospitalizada nos primeiros anos de vida foram 25 e 35% mais altas.
 


A pesquisa, conduzida no Centro de Integração de Dados e Conhecimentos para Saúde (Cidacs/Fiocruz Bahia), utilizou a Coorte de 100 Milhões de Brasileiros para monitorar dados de 1,8 mil crianças nascidas de mães que tiveram chikungunya durante a gestação por três anos, entre 2015 e 2018. Outras 18 mil crianças que não foram expostas à doença foram analisadas para comparação no mesmo período.

“Os resultados indicam que uma vez que a criança é exposta a chikungunya ainda bebê, independente de ter tido contato com a resposta inflamatória causada pelo vírus na mãe, a doença pode ter consequências duradouras para a saúde da criança”, conta a pesquisadora Mio Kushibuchi, líder do estudo.

As trajetórias das crianças foram acompanhadas desde o nascimento até os três anos de idade, tendo sido contabilizadas as hospitalizações neste período. A pesquisa também avaliou idade materna, escolaridade, raça materna, acesso a serviços de saúde, município de residência e data de nascimento. Os dados foram retirados do Sistema de Informações sobre Nascidos Vivos (Sinasc) e Sistema de Informações Hospitalares (SIH), dentre outros.

Atualmente, o Brasil notifica quase a totalidade de casos mundiais por chikungunya, tendo registrado 95% dos casos pela doença. Porém, o estudo avalia que as mudanças climáticas estão agindo para a disseminação da doença em outros países e contextos ao redor do mundo.

De acordo com o estudo, as manifestações do vírus chikungunya ainda permanecem pouco estudadas quando comparadas a doenças “primas” mais conhecidas, como a dengue e a Zika. Ao nascer, o bebê vem ao mundo sem sequelas visíveis da doença, que podem vir a se agravar à medida que o recém-nascido se torna uma criança. “Justamente por não ter consequências físicas aparentes, a chikungunya pode passar despercebida e, por vezes, as pessoas afetadas podem carregar os sintomas da doença em silêncio”, comenta Kushibuchi. “Tornar público o impacto da doença em crianças expostas ao vírus ainda no útero e o quão isso pode causar hospitalizações, pode ajudar a entender a dimensão desta doença”.

A pesquisadora ainda destaca que a chikungunya precisa de maior atenção em populações em situação vulnerável. “Mães que vivem em comunidades em situação de pobreza e desigualdade, com baixa condição sanitária, são consideradas um grupo de risco, já que o mosquito Aedes aegypti pode transmitir essa e outras doenças, como a dengue, para o feto”, explica.

O artigo também traz recomendações em três esferas. Na dimensão clínica, é indicado que gestantes que contraem a chikungunya recebam acompanhamento pré-natal reforçado, mesmo em fases iniciais da gravidez, e que seus filhos tenham assistência regular contínua nos primeiros dias de vida. Na dimensão política, o estudo avalia que a infecção da chikungunya traz custos altos para o sistema de saúde e, por isso, é necessário investimento em prevenção e vigilância ativa em tempos de epidemia. Ao lado desta, na dimensão governamental, é recomendadp o controle de vetores nas comunidades em situação de vulnerabilidade, em especial, nas cidades e centros urbanos com saneamento precário.


Autor: Fiocruz
Fonte: Fiocruz
Sítio Online da Publicação: Fiocruz
Data: 01/04/2026
Publicação Original: https://fiocruz.br/noticia/2026/04/risco-de-hospitalizacao-e-21-maior-em-criancas-infectadas-com-chikungunya-na

Livro de contos de autores de favelas do Rio é lançado no Museu da Maré

No dia 26 de março, o Museu da Maré recebeu o lançamento do livro “É Necessário o Coração em Chamas – Contos de Manguinhos e da Maré”. O projeto reúne 14 contos produzidos por moradoras e moradores desses dois territórios, a partir de uma articulação do Fórum Favela Universidade, com apoio do projeto Tecendo Diálogos, sob gestão da Coordenação de Cooperação Social da Presidência da Fiocruz e do Museu da Vida Fiocruz.


Crédito: Flávio Araujo

A celebração contou com a presença de autores e autoras da comunidade, que partilharam o processo de construção da obra, vivenciado na IV Residência Literária Favelofágica, iniciativa do selo editorial do Ecomuseu de Manguinhos, o Bando Editorial Favelofágico. A Residência é um programa de formação e criação literária voltado a escritores periféricos, promovido pelo Bando no Complexo de Manguinhos, no Rio de Janeiro, desde 2015. A proposta integrou o Grupo de Trabalho Lutas, Letras e Memória, vinculado ao Fórum Favela Universidade.

“A gente ainda vive sob o predomínio de uma cultura letrada. Por isso, ter um espaço para que escritoras e escritores de favelas e periferias contem suas histórias é muito importante. A metodologia favelofágica parte do princípio de que qualquer tipo de história pode ser contada por autores e autoras desses territórios, não apenas narrativas de testemunho sobre vivências, especialmente aquelas marcadas pelas desigualdades sociais”, afirmou Vanessa Almeida, ponto focal do Grupo de Trabalho Lutas e Letras e Memória e Coordenadora do Ecomuseu de Manguinhos da RedeCCAP. “Enquanto pessoa negra, você ocupa outros papéis e vive outros momentos que não se resumem à dor. Por isso, é importante ressaltar isso”.


Crédito: Flávio Araujo

A mesa institucional foi composta por Nlaisa Luciano, educadora e mediadora da Residência Literária; Alessandro Batista, representante do Museu da Vida Fiocruz e coordenador do projeto Tecendo Diálogos; e Antônio Carlos, pesquisador do Museu da Maré. Em suas falas, destacaram a importância de uma publicação comprometida com a ruptura de estigmas e estereótipos historicamente associados a esses territórios, reafirmando a potência da produção cultural periférica e sua contribuição para a defesa dos direitos humanos e do direito à cidade.

“A importância de um projeto como esse é permitir que, cada vez mais, possamos construir espaços de possibilidades, de troca, de aprendizado, de produção de saber e também de ciência, porque a literatura é uma ferramenta de transformação”, afirmou Nlaisa Luciano.


Crédito: Flávio Araujo

O próximo lançamento ocorrerá no território de Manguinhos. Mais informações serão divulgadas em breve no Instagram do Fórum Favela Universidade.

Autor: Fiocruz
Fonte: Fiocruz
Sítio Online da Publicação: Fiocruz
Data: 02/04/2026
Publicação Original: https://fiocruz.br/noticia/2026/04/livro-de-contos-de-autores-de-favelas-do-rio-e-lancado-no-museu-da-mare

Jornada fortalece cuidado integral às doenças neurológicas em Pernambuco

A Jornada para Cuidado Integral às Pessoas com Doença Neurológica chega a Pernambuco como uma iniciativa estratégica fruto da parceria entre o Hospital da Restauração e a Fiocruz, com apoio da The Global Health Network. O evento tem como objetivo interiorizar o conhecimento científico e fortalecer a assistência em saúde, com foco nas doenças neurológicas imunomediadas e na pesquisa clínica.



A Jornada será realizada em quatro edições ao longo de 2026, contemplando as principais macrorregiões de Pernambuco. As primeiras ocorrerão em Caruaru, nos dias 9 e 10 de abril, e em Petrolina, nos dias 20 e 21 de maio. No segundo semestre, o evento segue para Serra Talhada e Recife, no mês de agosto, cobrindo Agreste, Sertão do São Francisco, Sertão do Pajeú e Zona da Mata/Região Metropolitana. A iniciativa é coordenada pelas pesquisadoras Cristiane Bresani e Clarice Morais, do Departamento de Virologia e Terapia Experimental da Fiocruz Pernambuco, e pela neurologista especialista em doenças neuroimunomediadas do Hospital da Restauração, Lúcia Brito, reunindo expertise assistencial e científica para ampliar o acesso à formação qualificada em diferentes territórios do estado.

Voltada a profissionais e estudantes da área da saúde, a programação reforça o caráter formativo e prático da jornada, com atividades que integram assistência e pesquisa. Entre os destaques da primeira edição, estão discussões clínicas, abordagens sobre diagnóstico e manejo de doenças neurológicas imunomediadas, além de conteúdos voltados à introdução e ao fortalecimento da pesquisa clínica nos serviços de saúde. Confira a programação completa da primeira edição.

Com essa iniciativa, Pernambuco avança na democratização do conhecimento em saúde, ampliando o acesso à qualificação profissional e fortalecendo redes de cuidado mais integradas, resolutivas e baseadas em evidências científicas. A participação é gratuita, mediante inscrição prévia, realizada por meio da plataforma da The Global Health Network.

A Jornada para Cuidado Integral às Pessoas com Doença Neurológica chega a Pernambuco como uma iniciativa estratégica fruto da parceria entre o Hospital da Restauração e a Fiocruz, com apoio da The Global Health Network. O evento tem como objetivo interiorizar o conhecimento científico e fortalecer a assistência em saúde, com foco nas doenças neurológicas imunomediadas e na pesquisa clínica.

A Jornada será realizada em quatro edições ao longo de 2026, contemplando as principais macrorregiões de Pernambuco. As primeiras ocorrerão em Caruaru, nos dias 9 e 10 de abril, e em Petrolina, nos dias 20 e 21 de maio. No segundo semestre, o evento segue para Serra Talhada e Recife, no mês de agosto, cobrindo Agreste, Sertão do São Francisco, Sertão do Pajeú e Zona da Mata/Região Metropolitana. A iniciativa é coordenada pelas pesquisadoras Cristiane Bresani e Clarice Morais, do Departamento de Virologia e Terapia Experimental da Fiocruz Pernambuco, e pela neurologista especialista em doenças neuroimunomediadas do Hospital da Restauração, Lúcia Brito, reunindo expertise assistencial e científica para ampliar o acesso à formação qualificada em diferentes territórios do estado.

Voltada a profissionais e estudantes da área da saúde, a programação reforça o caráter formativo e prático da jornada, com atividades que integram assistência e pesquisa. Entre os destaques da primeira edição, estão discussões clínicas, abordagens sobre diagnóstico e manejo de doenças neurológicas imunomediadas, além de conteúdos voltados à introdução e ao fortalecimento da pesquisa clínica nos serviços de saúde. Confira a programação completa da primeira edição.

Com essa iniciativa, Pernambuco avança na democratização do conhecimento em saúde, ampliando o acesso à qualificação profissional e fortalecendo redes de cuidado mais integradas, resolutivas e baseadas em evidências científicas. A participação é gratuita, mediante inscrição prévia, realizada por meio da plataforma da The Global Health Network.



Autor: Fiocruz
Fonte: Fiocruz
Sítio Online da Publicação: Fiocruz
Data: 02/04/2026
Publicação Original: https://fiocruz.br/noticia/2026/04/jornada-fortalece-cuidado-integral-doencas-neurologicas-em-pernambuco-0

Pesquisadores da Fiocruz e do Complexo do Lins, moradores e coletivos locais se reúnem para tratar da qualidade da água no território



Moradores do Complexo do Lins e pesquisadores da Fiocruz participaram, no último sábado (28/3), da 3ª oficina do projeto integrado Tecnologias Sociais em Saúde da Bacia Hidrográfica do Canal do Cunha. A atividade aconteceu na favela da Cachoeira Grande, localizada no Complexo do Lins, e apresentou dados preliminares de uma pesquisa sobre indicadores do acesso à água e saneamento na região, realizada com 400 famílias, e promoveu o diálogo com a população sobre o direito humano à água e ao saneamento.

O encontro reuniu moradores, representantes de veículos locais de comunicação comunitária e pesquisadores do território, com o objetivo de compartilhar os dados quantitativos, realizar diagnósticos e ouvir as percepções da população sobre os resultados. A iniciativa integra um conjunto de ações voltadas à produção de conhecimento participativo e ao fortalecimento do debate público sobre as condições de vida na região.

A oficina promovida pelo projeto faz parte de uma ação conjunta coordenada pela Fiocruz, por meio da Coordenação de Cooperação Social da Presidência e da Escola Nacional de Saúde Pública Sergio Arouca (Ensp/Fiocruz), em articulação com o Observatório da Bacia Hidrográfica do Canal do Cunha — um espaço de articulação que reúne organizações, pesquisadores, movimentos socioambientais e instituições comprometidas com a melhoria das condições ambientais e de saneamento dos territórios da bacia hidrográfica.


“No Lins, nós estamos desenvolvendo, por meio do projeto, ações para compreender a percepção da população sobre as condições de saúde e saneamento. Isso é fundamental para subsidiar a formulação de políticas públicas”, explicou Rejany Ferreira dos Santos, coordenadora do projeto na Coordenação de Cooperação Social da Presidência da Fiocruz e pesquisadora do Observatório da Bacia Hidrográfica do Canal do Cunha.

Dados da pesquisa revelam desafios no acesso à água e saneamento

A pesquisa-ação realizada pelo projeto, segue uma metodologia de pesquisa social e qualitativa, com um questionário aprovado no Comite de Ética da Escola Nacional de Saúde Pública Sérgio Arouca (Ensp/Fiocruz) é composta por perguntas divididas em módulos sobre dados de identificação do participante e dados socioeconômicos, saneamento ambiental, acesso à água, esgoto, saúde ambiental, dados sobre serviço após concessão e problema de saúde devido a carência em saneamento. As entrevistas foram realizadas pessoalmente pelos pesquisadores do território do projeto.


Moradores de diferentes comunidades do Complexo do Lins relataram casos de falta de água no território por 21 dias. “Quem mora em favela sabe que sempre houve problemas com o acesso à água. Isso impacta diretamente a vida da população, inclusive no orçamento das famílias, que muitas vezes precisam comprar água para suprir a falta de abastecimento. Sem água, não é possível realizar atividades básicas do dia a dia, como tomar banho, cozinhar ou manter a rotina dentro de casa”, relata Rejany Ferreira dos Santos.


Durante a atividade, foram apresentados dados levantados entre maio de 2025 e fevereiro de 2026, com a participação de 400 famílias do Complexo do Lins, residentes nas favelas Árvore Seca, Santa Terezinha, Cachoeira Grande, Morro do Amor, Cachoeirinha, Gambá, Barro Preto e na Rua Vilela Tavares - Lins. Os resultados evidenciam desafios estruturais importantes no território no âmbito do acesso à água e saneamento básico.

De acordo com a pesquisa, 85% dos moradores precisam armazenar água devido à intermitência no abastecimento, o que pode representar riscos à saúde quando feito em condições inadequadas. Além disso, 56% dos entrevistados não possuem coleta adequada de esgoto, enquanto 88% relataram a presença de vetores de doenças, como mosquitos, ratos e baratas, próximos às residências.


O levantamento também aponta que 12% dos moradores identificaram risco de contaminação cruzada entre redes de água e esgoto, e 27% precisam utilizar bombas elétricas para garantir o abastecimento, gerando custos adicionais às famílias. Outro dado relevante indica que 5% dos entrevistados possuem apenas um ou nenhum ponto de água dentro de casa, condição que impacta diretamente na higiene e na saúde.

Entre os participantes, 81% vivem com até um salário-mínimo, 89% não possuem ensino superior e 80% se autodeclaram pretos, pardos ou indígenas, evidenciando a relação entre desigualdade social e acesso precário ao saneamento.


“É importante reivindicar intervenções políticas a partir dos dados levantados. Conseguimos identificar os pontos críticos no território relacionados à água, ao saneamento e à drenagem urbana. Destacamos a questão dos resíduos sólidos como um dos principais fatores de risco à saúde: mais de 80% dos problemas identificados estão relacionados ao acúmulo de lixo, que não é recolhido na mesma velocidade em que é produzido. Isso evidencia a necessidade de uma política mais efetiva de coleta”, explicou Adriana Sotero Martins, coordenadora do projeto e pesquisadora do Departamento de Saneamento e Saúde Ambiental da Ensp/Fiocruz.

Projeto subsidia a construção de tecnologias sociais e ações no território

Além da apresentação dos dados, a oficina também abordou análises sobre a qualidade da água nas nascentes locais e promoveu um espaço de escuta ativa da população, reforçando a importância da participação comunitária na construção de pesquisas.

Através de ações informativas, educativas e práticas de saneamento em territórios socioambientalmente vulnerabilizados, o projeto já realizou ações também em outros bairros e territórios de favelas e periferias próximos, como o Complexo do Alemão, que foi território de implementação das tecnologias sociais e recorte de pesquisa em edição anterior, e na favela Santa Terezinha, localizada no Complexo do Lins no ano de 2024. Na atual etapa, uma nova localidade do Complexo do Lins será escolhida para receber a construção de duas tecnologias sociais: o Biofiltro e a Bacia de Evapotranspiração.


O primeiro, se trata de um sistema que permite acesso à água tratada pelo processo de remoção das impurezas utilizando-se agentes biológicos e esses poluentes são removidos pela barreira mecânica e por biodegradação. Essa tecnologia pode ser utilizada como alternativa em situações de falta de abastecimento. A Bacia de Evapotranspiração consiste em um sistema natural de evapotranspiração que faz a coleta e tratamento de esgotos de casas, diminuindo a carga de dejetos, proporcionando melhoria ambiental dos rios, com reflexos na saúde da população.

Sobre o projeto

O projeto “Tecnologias sociais em saúde na Bacia Hidrográfica do Canal do Cunha na Serra dos Pretos Forros no Complexo do Lins” é articulado pelo Observatório da Bacia Hidrográfica do Canal do Cunha, pela Coordenação de Cooperação Social da Presidência da Fiocruz e pela Escola Nacional de Saúde Pública Sergio Arouca. As ações tiveram início no segundo semestre de 2023 e seguem em execução ao longo de 2026, com foco na promoção da saúde, no fortalecimento comunitário e na melhoria das condições de saneamento ambiental no território.

*Fotos presentes na matéria: Nathalia Mendonça


Autor: Nathalia Mendonça
Fonte: Fiocruz
Sítio Online da Publicação: Fiocruz
Data: 02/04/2026