quarta-feira, 26 de agosto de 2026

Espanha: cancro faz disparar interesse por testamentos solidários



Cancro já causa 26,3% das mortes em Espanha. Neste contexto, cresce o número de pessoas que deixam causas sociais em herança e o interesse por testamentos solidários atingiu um máximo em 2025.


O cancro consolidou-se como a principal causa de morte em Espanha e, ao mesmo tempo, cresce o número de pessoas que decidem deixar parte do seu património para financiar a investigação oncológica. A Fundação CRIS Contra o Cancro afirma que o interesse pelos testamentos solidários aumentou 49% em 2025 face ao ano anterior, uma tendência que praticamente se quintuplicou nos últimos cinco anos.

Este aumento coincide com o auge deste tipo de doação em Espanha. Segundo dados da plataforma Haz Testamento Solidario, em 2025 foi atingido um máximo histórico de 9 413 pessoas interessadas neste tipo de legado. Nesse mesmo ano, as organizações participantes receberam 548 testamentos solidários, com um valor global próximo dos 50 milhões de euros.

A fundação enquadra este crescimento num contexto em que o cancro se consolidou como principal causa de morte em Espanha. De acordo com os dados mais recentes do Instituto Nacional de Estatística (INE), a doença representa 26,3% de todas as mortes e soma três anos consecutivos como principal causa de óbito no país.

Segundo a experiência da organização, três em cada quatro pessoas interessadas em fazer um testamento solidário são mulheres e, em muitos casos, pacientes, sobreviventes ou familiares que conviveram com o cancro. Os bens habitualmente incluídos nestes legados vão desde habitações, poupanças, planos de pensões, ações ou propriedades rústicas, que muitas vezes são divididos entre os herdeiros e projetos de investigação.



Autor: pt.euronews
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Data: 04/07/2026

País Basco reduz em 50% mortalidade por cancro do cólon com programa de rastreio


Um estudo espanhol relaciona o programa de rastreio precoce implementado no País Basco com uma redução de 50% nas mortes por cancro colorretal entre os 50 e os 69 anos.

Rastreio do cancro do cólon com uma simples análise de sangue oculto nas fezes pode salvar milhares de vidas. Assim o demonstra um dos maiores estudos realizados até à data em Espanha, que conclui que este programa de deteção precoce está associado a uma redução de 50% da mortalidade por cancro colorretal entre as pessoas dos 50 aos 69 anos.

A investigação, publicada esta quarta-feira em “JAMA Network Open (fonte em espanhol)”, analisou a evolução desta doença ao longo de 21 anos numa população de cerca de 2,2 milhões de habitantes do País Basco. Os resultados mostram que a diminuição das mortes começou apenas três anos depois da implementação do programa de rastreio e se manteve de forma sustentada.

Além de reduzir a mortalidade, o programa permitiu detetar 70,8% dos tumores nos estádios I e II, quando as hipóteses de cura são muito maiores e os tratamentos são menos agressivos.

Estudo liderado pelo médico Luis Bujanda analisou os dados de mortalidade registados entre 2004 e 2024. Nesse período contabilizaram-se 438.134 mortes por qualquer causa, das quais 16.298 estiveram relacionadas com o cancro colorretal.

No grupo etário abrangido pelo programa de rastreio, entre os 50 e os 69 anos, a taxa de mortalidade passou de 39,7 para 19,8 óbitos por cada 100.000 habitantes, o que representa uma descida de 50,1%. No conjunto da população, a mortalidade também diminuiu, ao passar de 32,8 para 23,1 mortes por cada 100.000 habitantes.

Investigadores identificaram um ponto de viragem em 2012, apenas três anos após o início do programa, o que reforça a associação entre o rastreio e a redução das mortes por cancro colorretal. Além disso, estimam que, sem a implementação deste sistema de deteção precoce, a mortalidade entre as pessoas dos 50 aos 69 anos teria sido 46,2% superior.
Prova simples permite detetar o cancro antes de surgirem sintomas

Programa de rastreio assenta no teste imunológico fecal (FIT), um exame não invasivo que deteta pequenas quantidades de sangue oculto nas fezes, um dos primeiros sinais de um possível cancro ou de lesões pré-cancerosas. No País Basco, este exame é oferecido de dois em dois anos a homens e mulheres entre os 50 e os 69 anos sem sintomas. Se o resultado for positivo, é realizada uma colonoscopia para confirmar o diagnóstico.

Ao longo do período analisado, o programa permitiu detetar 4.892 casos de cancro colorretal. Mais de sete em cada dez foram diagnosticados nos estádios I ou II, quando as opções de tratamento são mais eficazes e a sobrevivência é significativamente maior.
Estudo reforça programas de deteção precoce

Cancro colorretal é um dos tumores mais frequentes e uma das principais causas de morte por cancro tanto em Espanha como no resto do mundo. No entanto, detetá-lo de forma precoce aumenta consideravelmente as hipóteses de cura e permite mesmo retirar pólipos antes de se transformarem num tumor maligno.

Para os autores, os resultados confirmam o benefício a longo prazo dos programas organizados de rastreio com recurso ao teste imunológico fecal como estratégia de saúde pública para reduzir a mortalidade por cancro colorretal.

Ainda assim, lembram que se trata de um estudo observacional. Isto significa que os resultados mostram uma associação entre a implementação do programa e a redução da mortalidade, embora não permitam estabelecer uma relação de causa e efeito com a mesma certeza que um ensaio clínico.

Mesmo assim, a dimensão da descida observada e a sua manutenção ao longo de mais de duas décadas reforçam o valor do rastreio como uma das principais ferramentas para combater este tipo de cancro.



Autor: pt.euronews
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Data: 05/07/2026

Estudo revela que 5% dos ursos-pardos da Cantábria conseguem enganar sobre o tamanho


O “Journal of Mammalogy” confirma, com foto-armadilhagem, que uma minoria de “Ursus arctos” exagera a altura das marcas para parecer maior e mais ameaçadora, revelando a astúcia dos mamíferos

O ser humano não é o único mamífero capaz de enganar os seus congéneres. É o que mostra este estudo centrado nos ursos-pardos da Cordilheira Cantábrica, realizado com a colaboração de especialistas do CSIC, do FAPAS, de várias universidades espanholas e europeias e do Principado das Astúrias.

O estudo publicado na revista “Journal of Mammalogy” (fonte em espanhol) defende que uma minoria dos ursos distribuídos pelas cumeadas de Leão, Astúrias e Cantábria poderá estar a ‘mentir’ sobre o seu verdadeiro tamanho para evitar enfrentar rivais maiores. Como? Através dos sinais e marcas que estes mamíferos deixam no ambiente para marcar território.

Sete machos (4,3% dos 164 monitorizados) fizeram marcações exageradamente altas, trepando ou utilizando troncos e outros tipos de plataformas para deixar o seu rasto a uma altura superior à que o seu verdadeiro tamanho permitiria. Destes, 57,1% eram adultos e 42,9% adolescentes. “Estes resultados sugerem que os ursos-pardos conseguem manipular sinais índice que antes se consideravam impossíveis de falsear, o que acrescenta complexidade ao seu sistema de comunicação”, resumem os autores.

Para investigar este comportamento, a equipa monitorizou 14 pontos de marcação na Cordilheira Cantábrica durante 117 552 horas de gravações entre 2021 e 2024. Os resultados mostraram que estes sete machos astutos treparam às árvores para deixar sinais químicos e visuais mais altos do que a sua estatura real permite.

Os ursos-pardos costumam deixar as suas marcas à altura máxima que alcançam quando se erguem sobre as patas traseiras, cerca de dois metros. No entanto, os investigadores observaram um sinal visual a três metros, uma altura inatingível para qualquer exemplar apoiado no chão. A descoberta de um ramo partido mesmo por baixo da marca sugere que o animal trepou para a fazer.

“Para um macho não dominante ou um indivíduo jovem, esta estratégia pode trazer vantagens, já que, ao parecerem maiores, podem dissuadir rivais de maior porte, reduzindo a probabilidade de um confronto direto, evitando os custos associados e até aumentando as suas oportunidades reprodutivas. É uma estratégia que lembra casos de engano descritos noutros mamíferos, mas que até agora nunca tinha sido documentada em ursos”, assinala o investigador Vincenzo Penteriani, do Museu Nacional de Ciências Naturais.

Ainda assim, tanto ele como os colegas mostram-se prudentes em classificar o Ursus arctos como uma espécie desonesta por regra, uma vez que as ‘batotas’ analisadas são raras e ocorreram em zonas muito específicas das áreas estudadas. “O nosso trabalho põe em evidência uma capacidade comportamental fascinante nos ursos, que justifica a realização de mais estudos observacionais e experimentais”, afirma Penteriani.

As duas populações de ursos-pardos em Espanha, a cantábrica e a pirenaica, ultrapassam atualmente os 400 indivíduos, depois de terem estado à beira da extinção nas décadas de 1970 e 1980. Embora estes ursos continuem em perigo de extinção, já saíram da categoria de perigo crítico graças aos esforços dos conservacionistas.




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Data: 26/07/2026

terça-feira, 25 de agosto de 2026

Modelo de gravidade da NASA faz Terra parecer batata: o que é o “geóide”




Ao mapear a gravidade terrestre, a NASA divulgou uma visualização do geoide, a forma aparente da Terra definida por oceanos sujeitos só à gravidade e à rotação.

A gravidade não atua de forma igual em toda a Terra e isso tem um impacto visível na forma do planeta.

Este verão, a NASA divulgou uma visualização impressionante que reflete estas diferenças à escala global.

Se os oceanos do mundo não tivessem marés, ondas, ventos ou correntes e fossem moldados apenas pela gravidade e pela rotação da Terra, a sua superfície seria ligeiramente diferente. Em vez de formar uma esfera perfeitamente lisa, apresentaria saliências e depressões subtis.

A visualização da NASA amplifica estas diferenças em 10 000 vezes, fazendo com que a Terra pareça uma batata irregular.

O geoide, como é conhecido, é um modelo matemático do campo gravitacional da Terra que representa um nível médio do mar imaginário à escala de todo o planeta, incluindo sob os continentes. Não corresponde à forma real da superfície física da Terra.

Como a massa está distribuída de forma desigual dentro e à superfície da Terra, também o seu campo gravitacional se reparte de forma irregular.

Montanhas, fossas oceânicas e diferenças na densidade dos materiais no interior do planeta influenciam o campo gravitacional. Áreas com massa adicional atraem a água, criando elevações imaginárias no geoide. Noutras regiões, o nível do mar teórico é mais baixo, formando depressões.

Índia: ponto mais baixo do geoide fica a sul do país

Na visualização, as variações na altura do geoide foram exageradas em 10 000 vezes. Na realidade, a diferença entre os seus pontos mais alto e mais baixo é de 191 metros.

O geoide atinge 85 metros acima do nível de referência em redor da Islândia e 106 metros abaixo dele a sul da Índia. O nível de referência é um modelo matemático suave e ligeiramente achatado da Terra que serve de base para medir estas variações.

A visualização assenta em mais de mil milhões de observações recolhidas por 19 satélites ao longo de 15 anos. Incluem, entre outras, as missões Gravity Recovery and Climate Experiment da NASA e Gravity Field and Steady-State Ocean Circulation Explorer da Agência Espacial Europeia.

Os cientistas usam o geoide para estudar o campo gravitacional da Terra e as suas alterações à medida que a água, o gelo e outras massas se deslocam pelo planeta. Segundo a NASA, esta informação é igualmente importante para cartografia, levantamentos e navegação.




Autor: pt.euronews
Fonte: pt.euronews
Sítio Online da Publicação: pt.euronews
Data: 17/08/2026
Publicação Original: https://pt.euronews.com/next/2026/08/17/modelo-de-gravidade-da-nasa-faz-terra-parecer-batata-o-que-e-o-geoide

Itália: cientistas usam polvos para travar proliferação do caranguejo-azul




O governo italiano já tinha sido pressionado a declarar o estado de emergência devido à proliferação do caranguejo-azul, alimentada pelo aquecimento das águas

Cientistas italianos tornaram-se criadores de polvo na mais recente batalha de uma longa guerra contra o caranguejo-azul invasor. Conhecidos pelas pinças afiadas de tons azulados, estes animais terão provocado cerca de 200 milhões de euros em prejuízos para a indústria da pesca.

A partir de um arrastão no Adriático, os cientistas libertam cuidadosamente milhares de pequenos polvos, na esperança de travar uma espécie invasora de caranguejo que devastou as pescas locais.

“Escolhemos o polvo porque, em estado selvagem, é um predador formidável de crustáceos”, explicou à agência noticiosa AFP o investigador Antonio Casalini.
Cada caranguejo-azul põe milhões de ovos

Nativos da costa atlântica da América do Norte, os caranguejos-azuis chegaram ao Mediterrâneo há décadas, provavelmente transportados na água de lastro dos navios. Mas em 2023 os seus números dispararam, destruindo marisco pelo qual o delta do Pó, em Itália, é famoso, como mexilhão, “vongole veraci” – uma espécie de amêijoa – e ostras-rosas.

O principal suspeito é a alteração climática. “Com o aquecimento das águas, os caranguejos tornaram-se mais ativos e vorazes”, disse em 2023 o pescador Bellan à agência AP. Quando a temperatura da água desce, os caranguejos comem e reproduzem-se menos, mas recentemente tem acontecido o contrário.

“Normalmente, em certas alturas do ano, quando a água desce abaixo dos 10 °C, este caranguejo não se adapta bem, mas agora encontra a temperatura ideal durante os 12 meses do ano”, explicou Enrica Franchi, bióloga marinha na Universidade de Siena.

Desde então, as autoridades e as associações de pesca têm procurado formas de usar e eliminar estes crustáceos, incluindo o envio de contentores para os Estados Unidos, onde são considerados uma iguaria.

As autoridades da região de Emília-Romanha, cuja capital é Bolonha, afirmaram no ano passado que a espécie provocou ali quase 17 milhões de euros em danos desde 2022.

A organização de agricultores e pescadores Coldiretti estima o valor em cerca de 200 milhões de euros para todo o país, com a região norte do Véneto também fortemente afetada.

“Come tudo, incluindo as jovens amêijoas que estão deitadas no fundo do mar”, diz o pescador e produtor de mexilhão Davide Sanulli, de sobrancelhas espessas e cabelo grisalho, sobre o caranguejo.

Exímios nadadores e com um peso até um quilo, os caranguejos têm poucos predadores naturais, algo que os investigadores esperam mudar.
Octo-Blu: crias de polvo ocupam tocas artificiais submersas

Uma equipa da Universidade de Bolonha aposta que o polvo-comum pode ajudar a conter o crescimento da população de caranguejo-azul, um crustáceo voraz que devastou a produção de marisco no Adriático.

Lançado no ano passado e financiado pela região da Emília-Romanha, o projeto “Octo-Blu” procura aumentar as populações de polvo como contrapeso aos invasores de carapaça dura.

A equipa cria crias de polvo em tanques brancos de água, num laboratório na cidade portuária de Cesenatico. Quando estão prontas, as minúsculas criaturas invertebradas são retiradas aos milhares para um grande saco de plástico e levadas para o mar, por vezes no robusto barco de pesca azul de Sanulli.

As crias são depois libertadas junto a recifes submersos, onde o grupo instalou tocas artificiais de cimento e argila para ajudar os polvos a prosperar.

Desde junho já foram libertados cerca de 80 mil exemplares, número que a equipa de investigação pretende duplicar até ao final de agosto, na esperança de que alguns cresçam até à idade adulta.

“A ideia é estabelecer uma pequena comunidade perto da costa, para combater melhor a expansão do caranguejo-azul”, explica Casalini, técnico de aquacultura.
Alguns defendem que o robalo é um predador mais eficaz

O projeto tem limitações evidentes.

O polvo-comum não tende a viver em águas quentes e arenosas, típicas das zonas lagunares onde o caranguejo-azul causa mais danos, pelo que o seu impacto potencial aí é reduzido, algo que os investigadores reconhecem.

Outros especialistas sugerem que o robalo poderia ser um predador mais eficaz de caranguejos e a equipa da Universidade de Bolonha estuda também as enguias, grandes consumidoras de ovos de crustáceos, para complementar o papel do polvo.

Ainda assim, se for replicado, o projeto-piloto poderá ajudar a limitar o número de caranguejos-azuis e o impacto associado no ambiente marinho da costa adriática, sublinha Casalini.

“Os caranguejos-azuis têm um potencial reprodutivo e uma taxa de fertilidade impressionantes”, afirma Pietro Emmanuele, outro investigador da Universidade de Bolonha, salientando que uma única fêmea põe milhões de ovos, a maioria dos quais eclode.

Embora apenas uma parte das crias chegue à idade adulta, bastaria que um polvo apanhasse uma única fêmea para fazer diferença, acrescenta.




Autor: pt.euronews
Fonte: pt.euronews
Sítio Online da Publicação: pt.euronews
Data: 20/08/2026
Publicação Original: https://pt.euronews.com/2026/08/20/italia-cientistas-usam-polvos-para-travar-proliferacao-do-caranguejo-azul

Reino Unido: investigadores criam balão “Bioloon” biodegradável como alternativa ecológica





Balões descartados “libertam químicos tóxicos no ambiente” e podem ser facilmente engolidos por aves, peixes e outros animais.

Estudante de doutoramento britânico pode ter encontrado a solução para um problema global: o risco mortal que os balões descartados representam para a vida selvagem.


Embora sejam um símbolo de alegria e celebração, os balões podem ser nocivos e até mortais para a vida marinha e as aves quando acabam em montes de lixo, nas praias e no mar.


Um estudo de 2019 da Universidade da Tasmânia concluiu que os balões eram “o resíduo de plástico de maior risco” para as aves marinhas, 32 vezes mais mortais do que a ingestão de plásticos rígidos.

‘Bioloon’ procura resolver esse problema. A nova invenção é feita de um material que se biodegrada num prazo de nove meses.

Os seus criadores esperam estar a vendê-lo até 2028 e, como bónus adicional para quem está a organizar uma festa, o balão enche-se tão facilmente como um convencional.

Bioloons cor-de-rosa e roxos Bioloon
Bioloon: balão 100% degradável

“Fizemos centenas de ensaios. Tivemos muitíssimos fracassos”, admite Juliana Cumming, estudante de doutoramento no Imperial College London (fonte em inglês) e cocriadora do ‘Bioloon’.

Num laboratório da universidade, a investigadora de 29 anos mostrou orgulhosamente à agência AFP um frasco com um precioso líquido amarelo. Depois de solidificar, transforma-se num material macio e elástico, com uma textura comparável à de um balão convencional.

Mas há uma diferença crucial: degrada-se completamente em cerca de nove meses, ao contrário dos balões tradicionais, sublinha Cumming.

Bioloon é o resultado de uma parceria público-privada lançada por Charlotte Melia, empresária de eventos que se descreve como ambientalmente consciente. “Durante mais de 10 anos fui organizadora de festas e... estava muito focada na sustentabilidade. O último obstáculo para mim era o desperdício de balões”, conta à AFP. “Colocávamos milhares de balões de festa todas as semanas”, acrescenta, mas estes estavam lá apenas “durante algumas horas, simplesmente para serem rebentados e deitados ao lixo”.

O ponto de rutura chegou quando percebeu que “os balões não eram biodegradáveis”, apesar de a embalagem indicar que se iam desfazer (fonte em inglês) “à mesma velocidade que uma folha de carvalho”.

Convencida de que seria possível encontrar uma alternativa sustentável, Melia decidiu, com uma associada, investir cerca de 30 mil libras (35 mil euros) para financiar parcialmente o doutoramento de Cumming.

Balões libertam substâncias tóxicas no ambiente

O departamento de engenharia química do Imperial College estima que, todos os anos, são comprados entre 20 e 25 mil milhões de balões em todo o mundo, mas a maioria dos compradores desconhece o impacto ambiental dos balões tradicionais que, apesar da publicidade, não se degradam. Vários estudos documentaram os perigos que os balões representam quando acabam na natureza, sobretudo para a vida marinha e para as aves.

Cumming passou três anos a desenvolver a fórmula. O ponto de partida é o mesmo de um balão comum: látex natural obtido da seiva da árvore-da-borracha, originária da Amazónia, uma base que mudou muito pouco desde que o balão foi inventado, em 1824.

“Para transformar o látex natural em algo a que chamamos borracha, ele passa por um processo denominado vulcanização com enxofre”, explica. Isso implica acrescentar “aceleradores de enxofre, antioxidantes e ativadores ao material”, o que “impede a biodegradação dos balões” e também liberta “substâncias químicas tóxicas para o ambiente”.
RelatePreservativos e roupa a seguir?

Foi esta fase do processo de fabrico que se tornou o foco da investigação de Cumming.

“O nosso balão continua a ser feito com látex natural, mas misturamo-lo com outro polímero biodegradável e não adicionamos nenhum destes aditivos usados nos balões tradicionais”, afirma.

“Isso mantém a capacidade de biodegradação”, acrescenta, recusando revelar mais detalhes sobre o processo patenteado.

Segundo os criadores, o Bioloon degrada-se independentemente de onde acabe. Os investigadores “testaram-no em solo, água do mar e água desionizada”.

“Degradou-se em todas essas condições... e estimamos que se biodegrade em cerca de nove meses”, explica Cumming.

Para Melia, o potencial desta tecnologia vai muito além das decorações de festas e pode ser adaptado a produtos de uso quotidiano e médico, incluindo luvas domésticas, luvas cirúrgicas, roupa de látex e preservativos.


Autor: pt.euronews
Fonte: pt.euronews
Sítio Online da Publicação: pt.euronews
Data: 25/08/2026
Publicação Original: https://pt.euronews.com/2026/08/25/reino-unido-investigadores-criam-balao-bioloon-biodegradavel-como-alternativa-ecologica

segunda-feira, 24 de agosto de 2026

FAPESP e CNPq vão apoiar formação de novas redes de excelência em pesquisa

Estruturada em torno dos eixos estratégicos de pesquisa da Fundação, chamada no âmbito do PRONEX – Programa de Apoio a Núcleos de Excelência, do CNPq, visa criar grupos de referência em suas respectivas áreas do conhecimento



Em parceria com o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), a FAPESP lança nova chamada no âmbito do Programa de Apoio a Núcleos de Excelência (Pronex) do CNPq, visando criar Redes de Excelência em Pesquisa com duração máxima de 12 meses e orçamento total de até R$ 2,5 milhões.

Com o estabelecimento das Redes de Excelência em Pesquisa, a chamada objetiva o fomento à formação de recursos humanos altamente qualificados, ao desenvolvimento de pesquisas de fronteira, ao fortalecimento da infraestrutura de pesquisa e ao papel nucleador de grupos com potencial para se tornarem referências em suas áreas de atuação.

As Redes devem ter objetivos e metas claros, aderentes aos eixos estratégicos de ciência, tecnologia e inovação – estabelecidos para a FAPESP para o período de 2026-2028, considera tendências nacionais e internacionais em áreas prioritárias para o desenvolvimento científico, tecnológico, econômico, social e ambiental, a saber: Biotecnologia; Transição energética; Biodiversidade, produção sustentável de alimentos e segurança alimentar; Transição digital e inteligência artificial; Ciência e tecnologias quânticas; Saúde humana e animal; e Violência e segurança pública.

A equipe da Rede deve incluir um Pesquisador Responsável (PR) e, no mínimo, quatro Pesquisadores Principais (PP) por cada grande área do conhecimento envolvida na proposta, considerando as temáticas dos eixos estratégicos – a proposta deve incluir obrigatoriamente um pesquisador principal com expertise no eixo temático de Transição Digital e Inteligência Artificial. As outras áreas de atuação dos pesquisadores devem ser distintas, multidisciplinares, e evidenciar a criação de novas colaborações.

O PR e os PPs devem, obrigatoriamente, ser de Instituições diferentes ou, no mínimo, de Unidades Acadêmicas diferentes dentro de uma mesma Instituição.

Para a formação da Rede de Pesquisa, é necessário que o Pesquisador Responsável e os Pesquisadores Principais sejam responsáveis (PR) por Auxílio à Pesquisa vigente, por pelo menos 6 meses, na FAPESP, a partir da data de início da proposta, em uma das seguintes modalidades: Projeto Temático, CEPID, CPE/CPA, NPOP, PDIP ou CCD. Os auxílios vigentes precisarão se sobrepor por 6 meses, o que será objeto de mérito na avaliação da proposta.

O orçamento total por projeto selecionado, de R$ 2,5 milhões, destina-se ao fortalecimento da infraestrutura de pesquisa e à consolidação de grupos de excelência. Os recursos solicitados deverão respeitar a proporção de 60% para despesas de custeio e 40% para despesas de capital, observadas as normas da FAPESP e do CNPq.

Propostas devem ser submetidas até 16 de outubro por meio do Sistema SAGe.

A chamada está disponível em fapesp.br/18317.

Foto: Eduardo César/Pesquisa FAPESP




Autor: fapesp
Fonte: fapesp
Sítio Online da Publicação: fapesp
Data: 07/08/2026
Publicação Original: https://fapesp.br/18318/fapesp-e-cnpq-vao-apoiar-formacao-de-novas-redes-de-excelencia-em-pesquisa

Chamada do Programa de Pesquisa em Políticas Públicas divulga resultado para a Fase 1

Foram selecionadas propostas de pesquisadores responsáveis que atuarão em parceria com instituições públicas atuando em âmbito estadual ou federal

A FAPESP anuncia o resultado para a Fase 1 da chamada de propostas 2025/2026 do Programa de Pesquisa em Políticas Públicas (PPP), que selecionou propostas de pesquisadores vinculados a instituição paulista de ensino superior e pesquisa que envolvessem atuação conjunta de instituições atuando em âmbito federal ou estadual. Dezesseis propostas foram aprovadas nesta Fase.

Por meio do PPP, a FAPESP incentiva o aumento de oportunidades de engajamento entre cientistas, gestores públicos e sociedade, com o objetivo de contribuir para o fortalecimento das decisões da gestão pública apoiadas em conhecimento científico.

Está prevista para novembro a divulgação do resultado da Chamada em sua Fase 2, que visa ao fomento de pesquisas voltadas ao planejamento, implementação e avaliação de políticas públicas no âmbito dos municípios paulistas.

De acordo com as normas do PPP, os projetos devem ter duração de 36 a 48 meses, demonstrar parceria efetiva com órgãos da administração pública e assegurar que os resultados da pesquisa tenham potencial de aplicação prática.

Propostas selecionadas:

Redesenho da Rede Estadual de Assistência à Mulher com Endometriose (ReamE-SP)
Processo: 2025/25666-9
Pesquisador Responsável: Edmund Chada Baracat
Instituição sede: Hospital das Clínicas da FMUSP

Fortalecimento analítico e econômico dos fluxos de atendimento à intoxicação e à monitorização terapêutica de fármacos: integração entre o C. de Toxicologia do HCFMRPUSP e o Depto de Química da FFCLRPUSP no âmbito das políticas públicas de saúde e drogas
Processo: 2025/25717-2
Pesquisador Responsável: Bruno Spinosa de Martinis
Instituição sede: Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Ribeirão Preto/USP

Infraestrutura e resiliência climática para a restauração de paisagens em São Paulo: subsídios para políticas públicas
Processo: 2025/25745-6
Pesquisador Responsável: Nathalia Cristina Costa do Nascimento
Instituição sede: Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz/USP

Dados e indicadores educacionais no Novo Plano de Ações Articuladas (Novo PAR) do Ministério da Educação: estratégias para fortalecer capacidades estatais e promover equidade na gestão da educação
Processo: 2025/25749-1
Pesquisador Responsável: Heber Silveira Rocha
Instituição sede: Escola de Artes, Ciências e Humanidades/USP

Apoio Técnico à Cooperação Internacional para o Enfrentamento ao Crime Organizado Transnacional
Processo: 2025/25755-1
Pesquisador Responsável: Matias Spektor
Instituição sede: Escola de Relações Internacionais/FGVSP

Mercado de Carbono no Brasil: evidências econômicas e aprimoramento institucional para a implementação do SBCE
Processo: 2025/25778-1
Pesquisador Responsável: Braz Ministério de Camargo
Instituição sede: Escola de Economia de São Paulo/FGVSP

Avaliação e monitoramento multidimensional da insegurança alimentar nas áreas urbanas e rurais do estado de São Paulo: relações com perfil agropecuário para apoio à políticas públicas no contexto das mudanças climáticas
Processo: 2025/25779-8
Pesquisador Responsável: Dirce Maria Lobo Marchioni
Instituição sede: Faculdade de Saúde Pública/USP

Inovação na atenção à saúde da mulher com Diabetes Mellitus Gestacional e de sua prole: integração à Política Estadual de Regionalização da Saúde do Estado de São Paulo (Plano Estadual de Regionalização Processo: 2025)
Processo: 2025/25786-4
Pesquisador Responsável: Marilza Vieira Cunha Rudge
Instituição sede: Faculdade de Medicina de Botucatu/UNESP

A Baixada Santista e a relação Porto - Cidades: (re)construção de instrumentos públicos para reduzir as vulnerabilidades do território
Processo: 2025/25794-7
Pesquisador Responsável: Fernando Burgos Pimentel dos Santos
Instituição sede: Escola de Administração de Empresas de São Paulo/FGVSP

Análise da Força de Trabalho em Reabilitação e implementação adequada ao contexto: GROWE Brasil
Processo: 2025/25799-9
Pesquisador Responsável: Ana Carolina Basso Schmitt
Instituição sede: Faculdade de Medicina/USP

Vigilância sorológica e molecular de herpesvírus 8 para diagnóstico precoce de síndrome inflamatória associada ao herpesvírus 8 em receptores de transplante de fígado
Processo: 2025/25806-5
Pesquisador Responsável: Alice Tung Wan Song
Instituição sede: Hospital das Clínicas da FMUSP

Plataforma Digital e Metodologia Participativa de Diagnóstico, Projeto e Orçamento de Reformas Habitacionais na Reforma Agrária
Processo: 2025/25814-8
Pesquisador Responsável: José Gilberto de Souza
Instituição sede: Instituto de Geociências e Ciências Exatas de Rio Claro/UNESP

Políticas públicas para a conservação da Serra do Espinhaço em Minas Gerais: pesquisas botânicas aplicadas para o aperfeiçoamento da gestão ambiental com estratégias integradas
Processo: 2025/25815-4
Pesquisador Responsável: Paulo Takeo Sano
Instituição sede: Instituto de Biociências/USP

Hotspots ecohidrológicos do Cerrado: bases científicas para resiliência hídrica e gestão integrada de bacias hidrográficas
Processo: 2025/25819-0
Pesquisador Responsável: Rafael Silva Oliveira
Instituição sede: Instituto de Biologia/UNICAMP

Avaliação de serviços diferenciados e da oferta da PrEP com protocolos simplificados: subsídio para a incorporação equitativa da PrEP injetável de longa ação e expansão da rede para o acesso de populações socialmente vulneráveis
Processo: 2025/25821-4
Pesquisador Responsável: Alexandre Domingues Grangeiro
Instituição sede: Faculdade de Medicina/USP

Análise da Metodologia e Estimativa de Custeio do Plano Pena Justa, elaborado em resposta à decisão do STF (ADPF 347) sobre o sistema prisional brasileiro
Processo: 2025/28398-5
Pesquisador Responsável: Renato Sérgio de Lima
Instituição sede: Fórum Brasileiro de Segurança Pública/FBSP

Foto: FAPESP



Autor: fapesp
Fonte: fapesp
Sítio Online da Publicação: fapesp
Data: 24/08/2026
Publicação Original: https://fapesp.br/18350/chamada-do-programa-de-pesquisa-em-politicas-publicas-divulga-resultado-para-a-fase-1

FAPESP simplifica submissão de propostas do PIPE





A FAPESP anuncia a atualização das normas do Programa FAPESP Pesquisa Inovativa em Pequenas Empresas (PIPE), que entrarão em vigor no dia 15 de setembro de 2026.

As novas normas simplificam a submissão de propostas e refletem o compromisso da FAPESP com o aprimoramento contínuo de seus processos, buscando tornar a jornada do empreendedor inovador mais ágil e eficiente.

Entre as principais mudanças, destaca-se a redução do número de documentos solicitados e a simplificação do processo de submissão da Fase 2 Indireta e do PIPE Invest.

Além disso, as informações do antigo Relatório de Desenvolvimento Empresarial – RDE foram incorporadas diretamente ao Relatório Científico, centralizando os dados e reduzindo a carga administrativa para as empresas. Esta mudança em relação aos RDEs valerá também para Auxílios PIPE já concedidos. Os pesquisadores responsáveis destes processos receberão comunicado sobre o novo formato de envio das informações sobre a empresa.

Outra mudança importante alinha a submissão do PIPE ao modelo adotado pelo PIPE Jornada: a proposta passa a ser realizada obrigatoriamente em nome do sócio administrador da empresa. Caso a empresa ainda não esteja constituída no momento da submissão, o proponente deverá ser sócio da futura empresa a ser constituída. As regras para a composição da equipe também foram uniformizadas, seguindo o padrão do PIPE Jornada.

Para garantir uma transição eficiente e a implementação das adequações necessárias no sistema, a FAPESP estabeleceu o seguinte cronograma:

Até 20 de agosto: Pesquisadores podem submeter propostas seguindo as normas vigentes.


De 21 de agosto a 14 de setembro: O sistema SAGe ficará indisponível para novas submissões de propostas PIPE, devido à necessidade de ajustes técnicos para as novas diretrizes.


A partir de 15 de setembro: As novas normas entram em vigor e o sistema SAGe será reaberto para submissões.

A FAPESP recomenda que os pesquisadores responsáveis e os interessados em submeter propostas planejem suas atividades em conformidade com este cronograma, evitando o período de indisponibilidade do sistema.

PIPE: Fases

O Programa FAPESP Pesquisa Inovativa em Pequenas Empresas (PIPE) destina-se a apoiar, com a concessão de recursos não reembolsáveis, a execução de pesquisa científica e tecnológica inovativa em pequenas empresas.

As propostas de pesquisa para inovação submetidas ao PIPE deverão ser organizadas nas seguintes Fases:

a) Fase 1: Análise de Viabilidade Técnico-Científica da proposta de pesquisa para inovação;

b) Fase 2: Desenvolvimento da Proposta de Pesquisa para inovação;

c) PIPE Invest: Aceleração da chegada ao mercado de Projetos apoiados pelo PIPE, quando houver terceira parte interessada, em situações de investimento privado simultâneo; e

d) Fase 3: desenvolvimento comercial e industrial dos produtos, processos, sistemas e/ou serviços inovadores obtidos a partir de pesquisas anteriores realizadas pela pequena empresa sem o apoio da FAPESP ou a partir de pesquisa apoiada no âmbito do PIPE.

As normas atualizadas, que consolidam os requisitos para as diferentes modalidades do programa (Fase 1, Fase 2 Direta/Indireta, PIPE Invest e Fase 3), podem ser consultadas em fapesp.br/pipe/normas.

Mais informações sobre o PIPE: fapesp.br/pipe




Foto: FAPESP
Autor: fapesp
Fonte: fapesp
Sítio Online da Publicação: fapesp
Data: 17/08/2026
Publicação Original: https://fapesp.br/18332/fapesp-simplifica-submissao-de-propostas-do-pipe

sexta-feira, 21 de agosto de 2026

Pesquisadoras da UFF utilizam Inteligência Artificial e exames de neuroimagem para detecção precoce de transtornos mentais



Nas pesquisas realizadas no Labnec/UFF são aplicadas técnicas de IA para tentar localizar, nos exames de neuroimagem, circuitos ou regiões cerebrais com maior vulnerabilidade ao desenvolvimento de transtornos mentais (Imagem: Divulgação)

Pesquisadoras do Laboratório de Neurofisiologia do Comportamento (Labnec), do Instituto Biomédico da Universidade Federal Fluminense (UFF), vêm desenvolvendo projetos que utilizam a Inteligência Artificial (IA) e exames de neuroimagem para identificar sintomas de transtornos mentais, como ansiedade, depressão, ideação suicida e Transtorno de Estresse Pós-Traumático (TEPT). A equipe conta com apoio da FAPERJ por meio de diferentes editais e programas.

O grupo de pesquisa vem estudando, em especial, os reflexos de experiências traumáticas ocorridas durante a infância na saúde mental de adultos, uma vez que traumas sofridos no passado podem deixar marcas no cérebro das pessoas. A metodologia desenvolvida pela equipe do Labnec/UFF poderá, no futuro, contribuir para que profissionais, como psiquiatras e psicólogos, possam contar com novos instrumentos para fazer o diagnóstico precoce e agilizar o tratamento de pacientes com algum tipo de transtorno.

As pesquisadoras tentam identificar marcadores cerebrais que possam sinalizar uma predisposição a transtornos mentais. O grupo aplica técnicas de IA para tentar localizar, nos exames de neuroimagem, circuitos ou regiões cerebrais com uma atividade anormal que estaria relacionada a uma vulnerabilidade ao desenvolvimento desses transtornos mentais.

Voluntários participam de testes no Labnec, onde são submetidos a estímulos para evocar emoções. As reações a esses estímulos são medidas por meio de exames e os resultados são analisados e geram informações para os estudos (Foto: Divulgação)


“Um dos desafios enfrentados por psicólogos e psiquiatras é a ausência de medidas biológicas que os auxiliem no diagnóstico e no tratamento de seus pacientes. Ao contrário de outros especialistas da área da Saúde, esses profissionais não contam com a ajuda de marcadores e de muitos exames complementares para a tomada de decisões”, explica a neurocientista Leticia de Oliveira, pesquisadora apoiada pelo programa Cientista do Nosso Estado (CNE) da FAPERJ e uma das coordenadoras do Labnec. O laboratório é coordenado em conjunto por Leticia e as professoras Isabel David e Mirtes Pereira, neurocientistas da UFF e também contempladas pelo CNE.

Altamente incapacitantes, os transtornos mentais são doenças associadas a alguma disfunção cerebral e acabam gerando alterações no humor, na cognição e, principalmente, no comportamento. Há evidências, segundo a literatura científica, de que as alterações cerebrais ocorrem muito antes do aparecimento dos primeiros sintomas que, muitas vezes, só se manifestam entre os 18 e 25 anos de idade. “O estudo dessas alterações cerebrais antes do surgimento dos sintomas permite que se faça uma intervenção precoce, o que pode retardar o aparecimento da patologia ou até mesmo evitar que ela se manifeste”, explica Leticia, doutora em Neurofisiologia pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e que estuda o uso da IA na detecção precoce de transtornos mentais há cerca de 15 anos.

Estudos para compreender impacto dos transtornos no comportamento

Tradicionalmente, para estudar os transtornos mentais, os pesquisadores coletam respostas do cérebro e de outras partes do corpo, como a frequência cardíaca e a sudorese, para compreender um pouco melhor como esses transtornos mentais impactam na fisiologia e nas respostas cerebrais das pessoas. Isso é feito com a ajuda de voluntários e, em alguns casos, de pacientes oriundos de hospitais públicos que participam de testes no Labnec. O laboratório não atende a população diretamente.

“Essas pessoas são submetidas a uma série de estímulos emocionais usados para evocar emoções. Esses estímulos podem ser figuras ou objetos tangíveis e as reações a eles são medidas por meio de exames. A nossa equipe pega esses sinais, os analisa, e extrai deles as informações importantes para entender as emoções nas pessoas”, explica a pesquisadora Isabel David, doutora em Ciências Biológicas pela UFRJ e professora do Instituto Biomédico da UFF.

Como o algoritmo computacional aprende da mesma forma que o cérebro, por meio de exemplos, as pesquisadoras apresentam imagens de ressonância magnética do cérebro para esse algoritmo. São apresentadas tanto imagens de indivíduos com transtornos mentais como de pessoas sem diagnóstico.

Isabel David (esq.) e Leticia de Oliveira: pesquisadoras vêm desenvolvendo uma série de trabalhos com o uso de IA aplicada à neuroimagem. Estudos interdisciplinares estão relacionados às áreas de Neurociências, Psiquiatria e Nutrição (Fotos: Acervo pessoal)


“Quanto mais imagens forem apresentadas e quanto mais diversas elas forem, mais esse algoritmo vai aprender. Depois, serão apresentadas imagens que o algoritmo não viu e ele será capaz de classificar se aquela imagem é de um paciente com transtorno mental ou se é de um indivíduo sem diagnóstico”, explica a pesquisadora Liana Portugal, que fez doutorado em Neurociências na UFF e atualmente é professora no Instituto de Biologia Roberto Alcântara Gomes (Ibrag) da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj).

Uma das pesquisas realizadas, recentemente, no Labnec, utilizando Inteligência Artificial para estudar transtornos mentais, foi um estudo sobre ideação suicida, que avaliou 4 mil pessoas aproximadamente. “O algoritmo conseguiu discriminar com quase 80% de acerto quais eram as pessoas que apresentavam ideação suicida em relação às que não apresentavam. O importante desse estudo foi que, para essa decisão, aspectos como o otimismo que a pessoa apresentava e o fato de ela ter tido ou não maus tratos na infância foram fatores importantes para que o algoritmo conseguisse discriminar esses dois grupos”, explicou Leticia. O estudo foi publicado na revista The Lancet Health Americas, em julho de 2026.

Outro distúrbio mental estudado pelo grupo é o Transtorno de Estresse Pós-Traumático, que, como o nome já diz, é aquele que se desenvolve após a vivência de um evento traumático. “Quando falamos em evento traumático não estamos nos referindo a qualquer evento adverso ou ruim que tenha acontecido. Ele precisa ser um evento que represente um risco real de morte, uma lesão grave ou uma violência sexual. Para dizer que uma pessoa tem o transtorno, ela precisa ter uma série de sintomas. É como se a pessoa estivesse revivendo aquele trauma. Porém, nem todas as pessoas que vivenciam esses eventos desenvolvem esse transtorno. Aqui no laboratório, temos tentado compreender melhor quais são os fatores que aumentam o risco de a pessoa desenvolver o Transtorno de Estresse Pós-Traumático”, explica a professora Mirtes Pereira, coordenadora do Programa de Pós-graduação em Ciências Biomédicas da UFF.

Violência psicológica pode ser tão danosa quanto a violência física e a sexual

Entre os fatores, as pesquisadoras têm se debruçado no estudo do impacto da vivência de maus tratos durante a infância. Os maus tratos podem ser de abuso, quando alguma pessoa tem alguma ação que não deveria ter tido em relação a uma criança; ou de negligência, quando ela deixa de prover os cuidados que são necessários. “A grande relevância desse estudo é jogar luz sobre a importância da violência psicológica como causadora de danos à saúde mental. O que o trabalho traz de novidade é mostrar que a violência psicológica pode ser tão danosa quanto a violência física e sexual. Esse estudo foi relacionado aos eventos traumáticos vivenciados na infância e, portanto, envolve principalmente as relações com os cuidadores. Atualmente, estamos investigando os impactos da violência psicológica na vida adulta e envolve outros ambientes além do doméstico, tais como o escolar e o de trabalho. Imaginamos que vamos encontrar resultados bastante similares”, adiantou Mirtes, doutora em Neurociências e Comportamento pela UFRJ.

Mirtes Pereira (esq.) e Liana Portugal: pesquisadoras têm realizado estudos que investigam os reflexos, na saúde mental de adultos, dos maus-tratos sofridos na infância. Traumas na infância estão relacionados a casos de depressão, ansiedade e outros transtornos (Fotos: Acervo pessoal)


Atualmente, as pesquisadoras estão desenvolvendo um projeto que investiga os efeitos dos maus-tratos na infância na psicometria, no desempenho comportamental e reatividade cerebral em diferentes contextos emocionais. Trata-se de um estudo interdisciplinar que integra avaliações comportamentais e de neuroimagem funcional em adultos da comunidade acadêmica durante a visualização de imagens de violência apresentadas em contextos com e sem pistas de segurança.

“Os resultados preliminares mostraram que participantes com histórico de maus-tratos na infância apresentaram pior saúde mental quando comparados àqueles sem esse histórico. Esse grupo exibiu níveis mais elevados de sintomas de depressão, ansiedade e outros indicadores de sofrimento psicológico, além de menores níveis de apoio social percebido e otimismo. Também foi observada uma frequência significativamente maior de ideação suicida entre os participantes que relataram experiências de maus-tratos na infância, reforçando o impacto duradouro dessas vivências sobre a saúde mental na vida adulta”, explicou Liana Portugal.

Os estudos realizados pela equipe do Labnec contam com apoio da FAPERJ, por meio de editais e programas como Cientista do Nosso Estado (CNE); Jovem Cientista do Nosso Estado (JCNE); Programa Pensa Rio – Apoio ao Estudo de Temas Relevantes e Estratégicos para o Estado do Rio de Janeiro; Programa de Apoio às Cientistas Mães com Vínculo em ICTs do Estado do Rio de Janeiro; e o edital Treinamento e Capacitação Técnica (TCT), entre outros.

As pesquisas envolvem colaborações com uma equipe multidisciplinar que reúne psiquiatras, engenheiros, profissionais de Computação, neurocientistas e psicólogos. “O Labnec está alinhado com a universidade e desenvolve ensino, pesquisa e extensão. Temos alunos de mestrado e doutorado que participam desses experimentos, que fazem parte dos programas de pós-graduação vinculados ao nosso laboratório”, explica a professora Isabel David.

A expectativa das pesquisadoras é que a metodologia desenvolvida no Labnec/UFF possa contribuir para que psiquiatras e psicólogos tenham, daqui a alguns anos, novas ferramentas para fazer o diagnóstico precoce das pessoas com distúrbios mentais. Isso será uma importante contribuição no tratamento desses pacientes.

As atividades do Labnec/UFF já foram tema de vídeo no canal de divulgação científica da FAPERJ no YouTube. Assista aqui.




Autor: faperj
Fonte: faperj
Sítio Online da Publicação: faperj
Data: 20/08/2026
Publicação Original: https://www.faperj.br/?id=1091.7.3

Pesquisador venezuelano refugiado visita a FAPERJ para agradecer apoio


Summar foi recebido na FAPERJ por Beatriz Ramadas, da Assessoria de Cooperação Internacional (Fotos: Divulgação)


Um fato inusitado ocorreu mês passado na FAPERJ. Um pesquisador venezuelano enviou uma mensagem solicitando uma visita à Fundação. Seu objetivo: agradecer pessoalmente por ter sido contemplado no Programa Luiz Pinguelli Rosa de Apoio à Mobilidade e Instalação de Pesquisadores Originários de Regiões em Conflito ou Refugiados em ICTs do Estado do Rio de Janeiro. Divulgado em fevereiro de 2026, o edital contemplou 10 pesquisadores de outros países, entre eles o doutor em Gestão e Inovação Organizacional na Área Esportiva Summar Alfredo Gómez Barrios, que é ex-atleta da Seleção Nacional de Voleibol da Venezuela. Ele elogiou o processo seletivo da FAPERJ, em sua opinião, eficaz, limpo, transparente e um exemplo de eficiência.

“Minha visita é uma retribuição ao apoio da FAPERJ, um agradecimento que quis fazer pessoalmente, porque sou um refugiado migrante e o Rio de Janeiro me recebeu de braços abertos como o Cristo Redentor”, disse Summar.

Orientado pelo professor anfitrião Carlos Alberto Figueiredo da Silva, da Universidade Salgado de Oliveira (Universo), em São Gonçalo, Summar, que se graduou em Educação Física, teve aprovado o projeto “Cultura Gerencial e Inovação nas Organizações do Esporte de Alto Rendimento no Estado do Rio de Janeiro: Abordagem de Hélice Quíntupla”.

Em sua carta, endereçada à Assessoria de Relações Internacionais da FAPERJ, Summar solicitava visitar a sede da Fundação para agradecer pessoalmente o benefício do programa. Para sua surpresa, recebeu uma resposta positiva e foi recebido pela equipe da Assessoria de Cooperação Internacional. “Fiquei muito satisfeito com esse processo efetivo e eficaz da FAPERJ em relação à minha condição de bolsista. Estou surpreso como uma organização pública, geralmente emperrada com burocracias, pode ser eficaz e aberta ao contato direto com os pesquisadores”, disse Summar.

Ele relata que, após ser forçado a deixar seu país, o programa representou uma "luz no horizonte" e um ato de restituição de sua dignidade humana e científica, viabilizando sua integração e inserção acadêmica no estado do Rio de Janeiro. Para Summar, mais importante do que ele ter solicitado ser recebido pela FAPERJ, foi a Fundação ter aceitado sua visita. “Isso é inovação organizacional”, afirma.

“Na Venezuela temos passado por momentos muito difíceis após a intervenção dos Estados Unidos, em janeiro de 2026, e a catástrofe decorrente dos terremotos de magnitudes 7,5 e 7,2 em junho passado, que vitimaram mais de 5 mil pessoas e deixaram quase 17 mil feridos”, lembrou o pesquisador. Segundo ele, sua família precisou sair de Caracas após a sua residência ter sido afetada pelos terremotos.

Carlos Alberto Figueiredo e Summar Gómez: orientador e orientado em sessão de autógrafo do livro "Relações étnico-raciais, transidentidades e educação física: diferenças dentro das diferenças", apoiado pela FAPERJ, durante a 78ª Reunião Anual da SBPC


"Chegar ao Rio de Janeiro com a bagagem carregada de vocação científica e encontrar o respaldo institucional da FAPERJ foi uma experiência que mudou minha vida. Este programa não representa apenas um apoio profissional de vital importância, mas a oportunidade de colocar meus conhecimentos a serviço do desenvolvimento tecnológico, social e esportivo do estado que me acolheu com tanta generosidade", afirma Summar Gómez.

Carlos Alberto Figueiredo da Silva, seu orientador, conta que conheceu Summar através de um grupo idealizado e criado em 2010, durante seu pós-doutorado na Universidade do Porto, o Gestão Desportiva Internacional (GDInter), que, no formato de site, passou a agregar pesquisadores de diversos países, incluindo Summar, na promoção de troca de experiências, eventos e intercâmbios, e até a criação da Revista Intercontinental de Gestão Desportiva (RIGD), em 2011. “Quando a FAPERJ lançou o edital para refugiados, vi uma chance para que Summar viesse para o Brasil, pois sua situação na Venezuela não era nem um pouco confortável”, lembra o professor. Segundo Carlos Alberto Figueiredo, Summar já conseguiu se estabelecer em uma residência próxima à Universo, publicou dois artigos, está orientando um aluno, organizando um livro e à frente de dois eventos que devem ocorrer em novembro.

O projeto apresentado pelo pesquisador venezuelano ao edital da FAPERJ redefine o legado pós-olímpico ao considerar a importância geopolítica do estado do Rio de Janeiro para sediar megaeventos esportivos e visa superar modelos administrativos tradicionais e fragmentados mediante a governança sistêmica da quíntupla hélice. “Trata-se de uma metamorfose paradigmática, estrutural e cultural que substitui a inércia patrimonialista por um ecossistema de inovação aberta, impulsionado pela teoria Sintonia Analítica Gerencial (SAG), que propomos para integrar a inteligência de dados, a ética deontológica e a sustentabilidade humana na governança do esporte de alto rendimento fluminense”, esclarece o pesquisador.

Proveniente da Universidade de Zulia, Summar propõe em seu projeto analisar a cultura gerencial nas organizações de esporte de alto rendimento no estado do Rio de Janeiro, com o objetivo de identificar tensões culturais e propor modelos de adaptação organizacional que otimizem a gestão esportiva regional. O modelo utilizado é o da “Quíntupla Hélice”, que integra cinco dimensões (governo, universidades, empresas, sociedade civil e meio ambiente), inspirado no legado ético e intelectual do físico Luiz Pinguelli Rosa, falecido em 2022, buscando unir teoria, técnica e ciência a serviço da humanidade e do desenvolvimento social.

A investigação parte do reconhecimento de que os sistemas do esporte brasileiro enfrentam um processo de transição estrutural — desde modelos tradicionais, baseados em lógicas associativas e personalistas, até modelos corporativos, profissionalizados e regulados —, mas onde a dimensão cultural continua sendo o eixo menos explorado e, ao mesmo tempo, mais determinante na consolidação de uma gestão moderna, ética e competitiva.

O diagrama ilustra a proposta teórica da Sintonia Analítica Gerencial (SAG-B), modelo que está sendo desenvolvido em paralelo à pesquisa e tem o potencial de impactar organizações esportivas no Rio de Janeiro e em todo o Brasil.


“Nosso modelo busca identificar como essas cinco hélices devem se desenvolver em sintonia”, alega Summar, que junto com seu orientador já identificou uma série de elementos que, para funcionarem corretamente, devem valer-se da Teoria da Sintonia Analítica Gerencial. Interesse, vontade, sintonia e integração devem ser estimulados para que as cinco hélices funcionem em harmonia e haja reciprocidade entre as organizações. O pesquisador destaca a importância das pessoas nos processos, como por exemplo, para reduzir a burocracia que, para ele, é decorrente de processos humanos que podem ser lentos ou rápidos.

“Se antes trabalhávamos com a tríplice hélice (governo, universidades, empresas), agora consideramos a quíntupla hélice, agregando o meio ambiente e a sociedade civil organizada”, explica Carlos Alberto Figueiredo, para quem a gestão no esporte precisa, necessariamente, partir de uma visão mais humanista, considerando aspectos culturais e sociais. Como exemplo positivo, ele cita a liga do basquete NBA, que faculta ao time com pior resultado no ranking escolher o melhor jogador universitário para compor seu time. “É uma questão de manter o equilíbrio entre as equipes, que precisam continuar exercendo encanto e não fascínio entre os torcedores”, ressalta.

Por meio do Diagnóstico Crítico Institucional, o projeto visa desconstruir barreiras organizacionais e fatores de opacidade na infraestrutura esportiva fluminense. Na fase de operacionalização, busca estruturar a Sintonia Analítica Gerencial (SAG) unindo decisões baseadas em evidências ao fator humano. Como fechamento Ético e Tecnológico, busca fundamentar o uso da Analítica Avançada sob a Deontologia Kantiana e os preceitos da Indústria 5.0, assegurando que a tecnologia seja um meio para a dignidade e o bem-estar absoluto do atleta.

A metodologia mista e interdisciplinar é executada em três fases complementares, iniciando com a Triagem Bibliométrica, ou seja, a seleção e organização de metadados científicos obtidos com o uso do protocolo PRISMA 2020 nas bases Scopus e Web of Science. Na fase 2 – Desconstrução Documental e Auditoria –, será feita a análise qualitativa de relatórios governamentais, incluindo acórdãos do TCU e diagnósticos do Instituto de Pesquisa Inteligência Esportiva (IPIE). Já a última fase é composta da Modelagem Estruturada e Campo, a partir do desenho matricial analítico da SAG e intervenções qualitativas em municípios estratégicos do Rio de Janeiro.

Summar Gómez: para o pesquisador, os sistemas do esporte brasileiro enfrentam um processo de transição estrutural


“Vemos que o esporte no Rio de Janeiro sofre com a falta de integração com a indústria, patrocinadores (marca da empresa privada) para impulsionar projetos sociais nas áreas urbanas e rurais”, destaca Summar. Para ele, o problema é cultural, de entender que pessoas são o fator chave para o êxito do esporte no Brasil, da eficiência das organizações, do aproveitamento dos recursos financeiros provenientes do Estado. “Nós, as pessoas, somos o fator chave. Para isso, há que se construir uma teoria, o pensamento imperativo do dever ser, modelo baseado no pensamento filosófico de Kant (Immanuel Kant), que considera que a ação humana deve ser guiada pelo dever e por princípios universais, independentemente de interesses pessoais”, explica. “É tratar os demais como você gostaria de ser tratado”, afirma o bolsista, para quem uma forma de retribuir o investimento feito pelo estado é gerando soluções.

Entre os impactos esperados, no campo científico e intelectual, o projeto visa produzir literatura de ponta e fortalecer as redes de pesquisa entre Brasil e Venezuela. No aspecto tecnológico e econômico, busca otimizar o gasto público e captação de patrocínios privados por meio de ferramentas de governança, destacando-se a criação de um aplicativo (software/APP) para operacionalizar os algoritmos da SAG, monitorar indicadores em tempo real e consolidar a transferência prática de inovação para a gestão pública e privada do esporte fluminense. E, no âmbito social e ambiental, garantir transparência, inclusão social e sustentabilidade ecológica nas instalações esportivas do estado.



Autor: faperj
Fonte: faperj
Sítio Online da Publicação: faperj
Data: 20/08/2026
Publicação Original: https://www.faperj.br/?id=1090.7.8

Bio Beach Open une ciência, esporte e inclusão na Praia do Flamengo, com crianças da Maré


Envolvendo crianças da Maré, Bio Beach Open pretende popularizar a prática do beach tennis, ampliando o acesso à modalidade e abrindo novos caminhos para a pesquisa científica sobre esse esporte (Foto: Divulgação)


O beach tennis, modalidade que vem ganhando espaço entre atletas e praticantes de diferentes idades, será apresentado sob uma nova perspectiva no Bio Beach Open. O evento acontece nos dias 22 e 23 de agosto, sábado e domingo, na Praia do Flamengo. Com fomento da FAPERJ, por meio do Programa de Apoio à Organização de Eventos Científicos, Tecnológicos e de Inovação no Estado do Rio de Janeiro, o evento pretende aproximar ciência, esporte de alto rendimento e inclusão social, mostrando como a prática esportiva pode contribuir tanto para a performance quanto para a qualidade de vida e a prevenção de doenças.

A proposta do evento é reunir pessoas de diferentes faixas etárias e níveis de experiência, de crianças a idosos, em torno do beach tennis, ampliando o acesso à modalidade e, ao mesmo tempo, criando oportunidades para a produção de conhecimento científico. A iniciativa é promovida pelo Instituto Ingrid Tarditi de Saúde Integrativa, instituto de pesquisa que atua nas áreas de Nutrição, Educação Física e Medicina, com foco em prevenção e longevidade.

“O principal objetivo é mostrar para a sociedade que é possível unir mundos que muitas vezes parecem separados: a comunidade, a ciência e o esporte de alto rendimento. O beach tennis é uma modalidade que ainda possui pouca produção científica no mundo, e queremos justamente abrir novos caminhos de pesquisa, ao mesmo tempo em que mostramos que o esporte pode transformar a vida de uma criança, melhorar a qualidade de vida de um adulto e contribuir para um envelhecimento mais saudável”, afirma Ingrid Tarditi, CEO do Bio Beach Open.

Crianças da Maré terão experiência com o esporte

Entre as ações sociais do evento está a participação de 32 crianças da Maré que já frequentam atividades esportivas na Vila Olímpica da região, incluindo o beach tennis. Elas terão acesso a uma experiência no ambiente da competição e participarão de atividades em uma quadra anexa.

A programação também contará com uma ação do Conselho Regional de Nutrição, que promoverá uma experiência sensorial para as crianças, aproximando temas relacionados à alimentação, esporte e saúde.

A proposta é mostrar aos participantes mais jovens que o esporte pode representar não apenas uma atividade física, mas também uma possibilidade de desenvolvimento, socialização e descoberta de novos caminhos.

Competição oficial

Um dos destaques da programação será a competição de beach tennis, que deverá reunir cerca de 200 atletas, entre praticantes amadores e atletas de alto rendimento. A disputa terá chancela da Federação Carioca de Beach Tennis e da Confederação Brasileira de Beach Tennis.

Os atletas interessados em competir poderão se inscrever mediante o pagamento de uma taxa de R$ 50. Os resultados obtidos na competição poderão gerar pontuação para os rankings estadual e brasileiro, de acordo com as regras das respectivas entidades esportivas.

A competição será destinada a atletas a partir de 12 anos, incluindo categorias para participantes com 65 anos ou mais.

Beach tennis para quem nunca jogou

O Bio Beach Open também terá uma programação gratuita voltada ao público que ainda não pratica a modalidade. Das 8h às 18h, professores estarão em quadras destinadas à iniciação esportiva, oferecendo aulas para quem quiser conhecer o beach tennis.

Durante o evento, praticantes de beach tennis serão selecionados para participar de avaliações físicas e de um trabalho científico desenvolvido pelo Instituto Ingrid Tarditi de Saúde Integrativa. Objetivo é ampliar a produção de artigos científicos sobre a modalidade esportiva (Foto: Divulgação)


A proposta é ensinar fundamentos, técnicas e a dinâmica do jogo, permitindo que pessoas que nunca tiveram contato com uma raquete possam experimentar o esporte. Quem se interessar em continuar poderá buscar encaminhamento para o +Esporte & Saúde, que oferece a possibilidade de continuidade gratuita da prática esportiva.

A iniciativa contempla pessoas de 6 a 65 anos ou mais, com o objetivo de mostrar que o esporte pode ter impactos diferentes ao longo da vida: para crianças e adolescentes, pode ampliar perspectivas e oportunidades; para adultos e idosos, pode contribuir para qualidade de vida, manutenção da funcionalidade e prevenção de doenças.

Ciência aplicada ao esporte

A pesquisa é outro eixo central do Bio Beach Open. A partir do evento, alguns praticantes de beach tennis serão selecionados para participar de avaliações e de um trabalho científico desenvolvido pelo Instituto Ingrid Tarditi de Saúde Integrativa.

Entre as avaliações previstas estão testes de força e potência, análises bioquímicas e avaliação de painel nutrigenético com mais de 300 marcadores. A iniciativa pretende gerar informações que possam contribuir para o avanço da produção científica relacionada ao beach tennis, modalidade que ainda conta com uma quantidade limitada de publicações científicas.

O instituto também utiliza avaliações bioquímicas realizadas a partir de uma pequena amostra de sangue, com análise de mais de 30 marcadores e resultado em aproximadamente 15 minutos. Os participantes selecionados poderão ainda ter acompanhamento periódico, conforme o protocolo do projeto, com orientações individualizadas e, quando necessário, encaminhamento para profissionais das áreas de Nutrição, Medicina do Esporte, Educação Física e Fisioterapia.

“O nosso objetivo é utilizar as ferramentas mais modernas de avaliação para entender melhor cada indivíduo e trabalhar com prevenção, performance e qualidade de vida. A ideia é que a pessoa não apenas viva mais, mas tenha uma longevidade com função, mantendo suas capacidades e sua autonomia”, explica Ingrid Tarditi.

Formação para profissionais

O evento também terá um workshop gratuito para cerca de 100 nutricionistas e profissionais de educação física. A programação contará com palestras de especialistas sobre temas relacionados ao esporte, com foco no beach tennis, incluindo nutrição, suplementação e alimentação para modalidades esportivas praticadas ao ar livre.

Com isso, o Bio Beach Open amplia sua atuação para além da competição, criando um espaço de atualização profissional e troca de conhecimento entre diferentes áreas.

Esporte como ferramenta de transformação

Ao integrar competição, iniciação esportiva, formação profissional, pesquisa e ações sociais, o Bio Beach Open busca demonstrar que o esporte pode ser uma ferramenta de transformação em diferentes etapas da vida.

Para a FAPERJ, o fomento à iniciativa contribui para aproximar a produção científica da sociedade e estimular novas possibilidades de pesquisa aplicada ao esporte, enquanto o evento cria oportunidades de acesso a uma modalidade que ainda não está disponível de forma ampla para todos os públicos.

A proposta é que o Bio Beach Open não termine com o encerramento das competições: os participantes selecionados poderão dar continuidade às avaliações e pesquisas, enquanto aqueles que descobrirem o beach tennis durante as atividades gratuitas terão a possibilidade de continuar praticando a modalidade por meio das iniciativas esportivas disponíveis.




Autor: faperj
Fonte: faperj
Sítio Online da Publicação: faperj
Data: 20/08/2026
Publicação Original: https://www.faperj.br/?id=1092.7.9

quinta-feira, 20 de agosto de 2026

Vírus intestinais desenvolvem novas armas contra superbactérias




Problema: as bactérias conseguem desenvolver defesas contra os fagos, tal como desenvolvem resistência aos antibióticos.

Os novos resultados sugerem que os próprios fagos dispõem de uma contra‑medida evolutiva.

Alguns dos vírus que vivem no intestino humano conseguem gerar rapidamente variações genéticas entre a descendência, aumentando a probabilidade de que pelo menos alguns sobrevivam quando as bactérias contra‑atacam, indica o estudo (fonte em inglês), publicado na quinta‑feira na revista Nature Microbiology.


A descoberta pode abrir uma nova via na procura de alternativas aos antibióticos, numa altura em que as infeções resistentes aos medicamentos se tornam cada vez mais difíceis de tratar.

Investigadores da Michigan State University identificaram regiões até agora pouco valorizadas nos genomas de bacteriófagos que funcionam como “pontos quentes” genéticos, permitindo aos vírus alterar repetidamente genes essenciais à medida que se replicam.

Isso sugere que estas regiões ajudam os fagos a diversificar as apostas evolutivas face às defesas bacterianas. Em vez de produzirem uma população de vírus geneticamente idênticos, geram uma coleção diversa de descendentes com características diferentes, aumentando a probabilidade de que alguns consigam continuar a infetar e matar os hospedeiros bacterianos.

“Isto altera a nossa compreensão sobre a forma como os fagos evoluem”, disse (fonte em inglês)o coautor Chris Waters, docente no programa de Ecologia, Evolução e Comportamento da Michigan State University. “Em vez de sequestrarem os hospedeiros para produzirem em massa cópias exatas de si próprios, estão na realidade a usar estes pontos quentes de mutação para criar um autêntico ‘zoo’”, acrescentou, sublinhando que os fagos “estão, no essencial, a diversificar as apostas”.
Vírus que atacam e matam seletivamente bactérias, também conhecidos como bacteriófagos, ou simplesmente fagos, infetam bactérias mas deixam as células humanas intactas. Canva
Uma via genética de fuga

Os investigadores estudaram o bacteriófago T2, que infeta E. coli, depois de analisarem um sistema de defesa bacteriano capaz de reconhecer e destruir ADN de fagos invasores.


A equipa transferiu o sistema de defesa para E. coli em laboratório e expôs as bactérias aos fagos.

A proteção não durou muito.

Em poucas horas, os fagos começaram a ultrapassar as defesas bacterianas.

“Ao fim de poucas horas, os fagos começavam sempre a ganhar”, contou Waters. “Não conseguíamos perceber porquê”, acrescentou.

Quando os investigadores sequenciaram os vírus resistentes, encontraram mutações repetidas num gene chamado agt, sobretudo numa faixa de ADN repetitivo. “Quando vi os dados, pensei: ‘meu Deus’”, relatou Waters.

Essa sequência revelou‑se aquilo a que os cientistas chamam um locus de contingência, uma região altamente mutável onde a maquinaria que copia o ADN pode deslizar ao replicar sequências repetidas.

O resultado é uma mutação reversível que altera o enquadramento da leitura e pode mudar a forma como as instruções do gene são interpretadas.

Alguns fagos ganham uma repetição extra, outros perdem uma. O resultado é uma população com diferentes versões do vírus, potencialmente com distintas capacidades de escapar às defesas bacterianas.

Os investigadores verificaram que estas regiões repetitivas acumulavam mutações milhares de vezes mais depressa do que o restante genoma do fago.

E o mecanismo não se limita a um único vírus.

Recorrendo a evolução experimental e sequenciação de genomas, a equipa identificou loci de contingência semelhantes no fago T4 de E. coli. Constatou ainda que repetições simples de sequência estavam amplamente distribuídas por diferentes fagos de E. coli, embora a sua abundância variasse entre genes com funções distintas.


Terapia com fagos pode ajudar a tratar superbactérias

A investigação surge numa altura em que cientistas e responsáveis políticos procuram alternativas aos antibióticos.

A terapêutica com fagos não é nova. Os fagos começaram a ser usados de forma terapêutica já na década de 1920 para tratar infeções bacterianas, mas o interesse na abordagem diminuiu quando antibióticos como a penicilina se tornaram amplamente disponíveis.

Hoje, o aumento da resistência aos antimicrobianos voltou a despertar interesse.

O apelo deve‑se em parte à especificidade. Enquanto muitos antibióticos podem matar bactérias benéficas juntamente com os agentes patogénicos que pretendem eliminar, fagos individuais podem ser altamente seletivos para determinadas espécies ou estirpes bacterianas.

Mas essa mesma especificidade também é uma fragilidade: as bactérias podem desenvolver resistência a um fago, tornando potencialmente ineficaz um tratamento.

Os resultados obtidos na Michigan State University abrem a possibilidade de, no futuro, os cientistas poderem tirar partido das próprias estratégias evolutivas dos vírus para tornar os tratamentos com fagos mais robustos.

“Se conseguirmos aproveitar este tipo de truques evolutivos, poderemos desenvolver terapias com fagos mais eficazes em resposta à crise da resistência aos antibióticos”, defendeu Waters.

“Nunca vamos conseguir eliminar totalmente a resistência”, acrescentou. “Mas, se compreendermos melhor como é que as bactérias se protegem da infeção por fagos e como é que os fagos contra‑atacam, poderemos reduzi‑la ao mínimo.”



Autor: pt.euronews
Fonte: pt.euronews
Sítio Online da Publicação: pt.euronews
Data: 20/08/2026
Publicação Original: https://pt.euronews.com/saude/2026/08/15/virus-intestinais-desenvolvem-novas-armas-contra-superbacterias

Tremor de doente com Parkinson desaparece minutos após tratamento com ultrassons focados


Foto DR/UT Southwestern Medical Center


Um homem de 72 anos com doença de Parkinson viu desaparecer, em poucos minutos, o tremor que durante anos condicionou a sua vida, depois de ser submetido a um tratamento por ultrassons focados no UT Southwestern Medical Center, no Texas, Estados Unidos.

O caso de Bud Leavell, veterano da Força Aérea norte-americana e residente em Arlington, foi divulgado pela Fox News e confirmado por informação do próprio centro médico. Leavell sofria de um tremor intenso na mão direita desde que foi diagnosticado com Parkinson, em 2017, que lhe dificultava tarefas quotidianas e até o seu passatempo de reparar rádios antigos.

A técnica utilizada é a ultrassonografia focada de alta intensidade guiada por ressonância magnética (MRgHIFU). O procedimento permite concentrar ondas de ultrassom numa zona específica e profunda do cérebro, aquecendo e destruindo de forma controlada determinados tecidos envolvidos na transmissão dos sinais nervosos anormais. Não é necessária uma incisão nem a abertura do crânio.

No caso de Leavell, os médicos começaram por utilizar ultrassons de menor intensidade para testar a resposta do cérebro e confirmar o alvo adequado. Segundo o neurologista e neurorradiologista Bhavya Shah, do UT Southwestern, a resposta foi suficientemente forte para dar confiança à equipa quanto à zona a tratar.

O tratamento definitivo foi realizado a 13 de Abril. Imediatamente depois, o doente afirmou que conseguia manter a mão imóvel, utilizar utensílios e voltar a executar tarefas que anteriormente eram dificultadas pelo tremor. No acompanhamento posterior, o efeito mantinha-se. Quando lhe perguntaram pelo tremor, respondeu: "What tremor?" ("Que tremor?").



Tratamento já aprovado nos Estados Unidos

Apesar de o caso ter sido apresentado como uma novidade, a tecnologia não é experimental no sentido estrito. A Food and Drug Administration (FDA) já aprovou o uso de ultrassons focados guiados por ressonância magnética para determinados doentes com tremor essencial e doença de Parkinson. A aprovação mais recente do sistema Exablate, em Julho de 2025, alargou a indicação a uma técnica de lesão do tracto pálido-talâmico em doentes com Parkinson idiopático avançado e complicações motoras que não respondem adequadamente à medicação.

A FDA já tinha aprovado, em 2018, a utilização do sistema para a talamotomia unilateral em doentes com Parkinson dominante de tremor e tremor resistente à medicação.

A UT Southwestern explica que o procedimento é realizado em regime ambulatório e constitui uma alternativa sem incisão à estimulação cerebral profunda, conhecida como DBS, que implica a implantação de eléctrodos no cérebro. O centro médico foi o primeiro do Texas a disponibilizar a técnica.


Não é uma cura para a doença

Os especialistas sublinham, contudo, que o tratamento não cura a doença de Parkinson. O objectivo é controlar determinados sintomas motores, podendo ser escolhido um alvo cerebral diferente consoante o quadro de cada doente.

A técnica também não está isenta de riscos. Segundo Bhavya Shah, podem ocorrer efeitos secundários como dormência ou formigueiro na boca e nas pontas dos dedos, dificuldades de marcha, fala ou deglutição, fraqueza dos membros e problemas de equilíbrio. O médico estima que efeitos secundários ocorram em cerca de 20% a 30% dos casos e tendam a melhorar com o tempo.

Outra diferença face à estimulação cerebral profunda é que o ultrassom produz uma alteração permanente no tecido tratado. Enquanto um dispositivo de DBS pode ser reprogramado se os sintomas se alterarem, a lesão provocada pelo ultrassom não pode ser simplesmente "desligada".

A investigação sobre a utilização dos ultrassons no Parkinson continua, incluindo abordagens que procuram actuar sobre diferentes estruturas cerebrais. Um estudo publicado em 2026 na Nature Communications demonstrou que a estimulação transcraniana por ultrassons pode interferir com oscilações cerebrais associadas à doença, embora esta abordagem permaneça numa fase de investigação.

Outro estudo publicado este ano concluiu que a estimulação por ultrassons de determinadas regiões, nomeadamente a zona incerta, reduziu tremores posturais e de repouso em participantes com Parkinson, reforçando o interesse científico na técnica.

No caso de Bud Leavell, o resultado foi imediato e manteve-se no acompanhamento posterior. O próprio médico responsável pelo tratamento, contudo, considera que a técnica não deve ser vista como uma solução universal, mas como mais uma opção para determinados doentes que procuram uma alternativa à cirurgia com implantes.




Autor: dnoticias
Fonte: dnoticias
Sítio Online da Publicação: dnoticias
Data: 20/08/2026
Publicação Original: https://www.dnoticias.pt/2026/8/20/502910-tremor-de-doente-com-parkinson-desaparece-minutos-apos-tratamento-com-ultrassons-focados/

Plataforma LeapSpace de IA está disponível pela Capes

A Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES) informa a disponibilização da ferramenta LeapSpace, desenvolvida pela Elsevier, como parte do conjunto de soluções voltadas ao apoio à pesquisa científica. A plataforma utiliza recursos de inteligência artificial para auxiliar pesquisadores na busca, análise e organização de informações acadêmicas.

O LeapSpace é estruturado sobre uma base de conteúdos científicos revisados por pares, permitindo o acesso a um amplo conjunto de artigos, livros e dados de pesquisa. A solução integra informações provenientes de diferentes editoras e bases referenciais, contribuindo para a identificação de evidências e o aprofundamento de estudos em diversas áreas do conhecimento.

A ferramenta permite acompanhar a origem das informações apresentadas, com indicação das fontes utilizadas e dos processos adotados na geração das respostas. Esse recurso favorece a transparência e possibilita a verificação das evidências, aspecto relevante para a produção científica.

Desenvolvido com a participação da comunidade científica, o LeapSpace – https://www.sciencedirect.com/leapspace – combina tecnologias de inteligência artificial com dados estruturados e conteúdos validados, com o objetivo de apoiar o desenvolvimento de pesquisas e otimizar o tempo dedicado à análise de informações.

A solução adota ainda diretrizes de segurança e privacidade de dados, mantendo as informações em ambiente protegido e com uso controlado de modelos de linguagem.

A disponibilização de ferramentas dessa natureza reforça as iniciativas voltadas ao fortalecimento do ambiente de pesquisa no país e à ampliação do acesso aos conteúdos científicos qualificados por meio do Portal de Periódicos da CAPES, onde é necessário realizar a busca por leapspace .

O que é o LeapSpace



O LeapSpace é uma plataforma digital de apoio à pesquisa científica que utiliza inteligência artificial para facilitar a busca e a análise de informações acadêmicas. Desenvolvida pela Elsevier, a ferramenta reúne conteúdos revisados por pares e integra bases de dados científicas, permitindo ao usuário acessar evidências confiáveis em um único ambiente.

Entre os recursos disponíveis, destacam-se a apresentação de referências associadas às respostas, o rastreamento das fontes utilizadas e a possibilidade de verificação das informações, contribuindo para maior transparência no processo de pesquisa.

A plataforma é voltada a pesquisadores, docentes e estudantes, com foco no apoio à produção científica e na organização de estudos a partir de dados estruturados e validados.

Saiba mais: https://www.elsevier.com/pt-br/products/leapspace


Fonte: abcd
Sítio Online da Publicação: abcd
Data: 14/08/2026
Publicação Original: https://www.abcd.usp.br/noticias/plataforma-leapspace-capes-2026/

terça-feira, 18 de agosto de 2026

Pesquisador da Fiocruz é o representante do Brasil na Reforma da Arquitetura Global da Saúde da OMS


Pesquisador da Fiocruz, Rômulo Paes de Sousa é o representante do Brasil escolhido para a Força-Tarefa Conjunta (Joint Task Force) que orientará reformas na Organização Mundial da Saúde (OMS) e suas unidades satélites, conforme decidido na 79ª Assembleia Mundial da Saúde, em maio de 2026. O grupo, formado por representantes de 14 países (um por país), mais nove representantes de estruturas ligadas à OMS, deverá produzir um conjunto de propostas que conformarão a Reforma da Arquitetura Global da Saúde (GHA, na sigla em inglês).

A proposta é fazer frente às grandes transformações pelas quais vem passando o mundo: a soberania nacional e as capacidades regionais expandiram-se; a carga de doenças e os riscos à saúde mudaram; a ciência, a IA e as tecnologias digitais estão evoluindo rapidamente; e o cenário de financiamento contraiu-se, entre outros aspectos apontado no Termo de Referência divulgado na última Assembleia da OMS. O documento aponta, ainda, a “expansão substancial no número de atores da Saúde”, fundamentais nesse cenário, mas, ao mesmo tempo, adicionando “complexidade” e resultando “em desequilíbrios de poder, fragmentação e duplicação, que estão limitando a apropriação, o impacto e a equidade dos países”.

As propostas da Força Tarefa serão apresentadas na 80ª Assembleia Mundial da Saúde, em maio de 2027. A composição da Força-Tarefa: 12 representantes de estados-membros (países) e mais dois integrantes adicionais, provenientes das regiões cujos países venham a assumir à copresidência; a copresidência será a liderança da Força-Tarefa e deve ser compartilhada obrigatoriamente por um país em desenvolvimento e um país desenvolvido; os demais assentos, para evitar duplicações e alinhar financiamento e resposta, estão assim distribuídos entre cinco principais iniciativas globais de saúde que não são da ONU (Gavi [Alliance], Fundo Global [Aids, TB e Malária], Coalizão para Inovações em Preparação para Epidemias[Cepi], Unitaid e o Fundo Pandêmico do Banco Mundial); quatro agências do sistema ONU – agências focadas em saúde (como Unicef, UNFPA, Unaids); um representante do Banco Mundial; e um representante de organização regional de saúde.

A escolha de Rômulo Paes de Sousa deu-se por convite e indicação do governo brasileiro.

Arquitetura Global da Saúde (GHA)

A Arquitetura Global da Saúde refere-se a um ecossistema, combinando atores, estruturas e processos que orientam, coordenam, financiam e implementam esforços para melhorar e proteger a saúde globalmente, respondendo de forma mais eficaz e eficiente às necessidades específicas e coletivas de países e comunidades.

Prioridades e abordagens globais em saúde mudaram

Conforme indica o Termo de Referência resultante da última Assembleia Mundial da Saúde, observam-se no mundo mudanças em que programas conduzidos globalmente passam a ser liderados por países e apoiados regionalmente; intervenções voltadas a doenças específicas deslocam-se para abordagens integradas de atenção primária à saúde e para a cobertura universal de saúde; doenças infecciosas e saúde materno-infantil abrem espaço para a inclusão de doenças não transmissíveis, saúde mental, envelhecimento, bem como para a abordagem da Saúde Única (One Health), no cuidado à saúde; em vez de produção centralizada, a produção local e regional supre as demandas essenciais para a saúde, entre outros pontos.

Período eleitoral

Durante o período eleitoral (de 4 de julho até 25 de outubro), os conteúdos digitais publicados e disponibilizados pela Agência Fiocruz de Notícias (AFN) acompanham as orientações da Advocacia-Geral da União (AGU) e da Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República (Secom). O documento esclarece que é permitida a divulgação de "conteúdo meramente informativo ou de serviço ao cidadão".




Autor: fiocruz
Fonte: fiocruz
Sítio Online da Publicação: fiocruz
Data: 14/08/2026

Especialistas reforçam importância do acompanhamento do colesterol na gravidez


No mês das gestantes, celebrado em agosto, um tema merece atenção especial: o comportamento do colesterol durante a gravidez. Embora muitas mulheres se assustem ao receber resultados laboratoriais com níveis elevados, esse aumento costuma fazer parte das adaptações fisiológicas necessárias para garantir o desenvolvimento do bebê. Ainda assim, o acompanhamento durante o pré-natal é fundamental para diferenciar as alterações esperadas daquelas que podem representar riscos para a saúde materna e fetal.


Pré-natal é fundamental para diferenciar as alterações esperadas durante a gravidez

Durante a gestação, o organismo materno passa por intensas mudanças metabólicas. O aumento do colesterol e dos triglicerídeos é uma resposta natural às necessidades do crescimento fetal, da formação da placenta e da produção de hormônios. Em grande parte dos casos, essas alterações não exigem tratamento medicamentoso, mas devem ser avaliadas dentro do contexto clínico de cada mulher.

A endocrinologista do Instituto Nacional de Saúde da Mulher, da Criança e do Adolescente Fernandes Figueira (IFF/Fiocruz), Lizanka Marinheiro, explica que este é um dos principais pontos que precisam ser esclarecidos às gestantes. "Na prática clínica, considero importante tranquilizar as gestantes: o aumento do colesterol durante a gravidez, na maioria das vezes, faz parte das adaptações fisiológicas do organismo necessárias ao desenvolvimento do bebê. Não é motivo para pânico nem para iniciar ou suspender medicamentos por conta própria. O mais importante é um pré-natal de qualidade, capaz de identificar as mulheres que realmente necessitam de investigação e acompanhamento especializado", afirma Lizanka.

Segundo a especialista, o exame laboratorial, isoladamente, não deve ser o único parâmetro utilizado para definir a necessidade de investigação mais aprofundada. A avaliação deve considerar o histórico da paciente, seus fatores de risco e outros marcadores metabólicos: "Precisamos olhar para a gestante como um todo, e não apenas para um resultado laboratorial. Na maioria das gestantes, uma elevação isolada do colesterol faz parte das alterações fisiológicas da gravidez e não representa, por si só, indicação de tratamento. O contexto clínico, a presença de dislipidemia prévia, hipercolesterolemia familiar ou doença cardiovascular e, especialmente, elevações importantes dos triglicerídeos ajudam a identificar as situações que merecem maior atenção".

Lizanka destaca que a assistência pré-natal deve ir além do monitoramento dos exames, incluindo orientações que favoreçam uma gestação saudável. "Também é fundamental o acompanhamento nutricional, com o objetivo de favorecer um ganho de peso adequado durante a gestação e reduzir o risco de complicações metabólicas, como diabetes gestacional e elevações excessivas do colesterol e, principalmente, dos triglicerídeos", aponta Lizanka, acrescentando: "Informação de qualidade reduz a ansiedade e evita tanto o excesso quanto a falta de tratamento. O objetivo não é medicalizar uma alteração fisiológica da gravidez, mas reconhecer precocemente as exceções que realmente precisam de cuidados especializados. O equilíbrio é a essência de uma boa assistência pré-natal".

A alimentação também ocupa papel central nesse processo. A nutricionista do IFF/Fiocruz Julyane Sobrino explica que mulheres que iniciam a gestação com colesterol elevado, seja em decorrência de hábitos de vida inadequados, dislipidemias prévias (alteração nos níveis de gorduras no sangue) ou condições genéticas, apresentam maior risco de complicações como diabetes mellitus gestacional e pré-eclâmpsia. Por isso, investir em hábitos saudáveis antes mesmo da gravidez favorece uma melhor adaptação às mudanças metabólicas e contribui para um ambiente intrauterino mais saudável para o bebê.

Durante a gestação deve-se priorizar uma alimentação baseada em alimentos in natura e minimamente processados, rica em frutas, verduras, legumes, cereais integrais, leguminosas e fontes de gorduras insaturadas, como azeite de oliva extravirgem, abacate, oleaginosas e sementes. Também é recomendada a inclusão de peixes ricos em ômega-3, como sardinha e salmão, duas a três vezes por semana. Em algumas situações específicas, a suplementação de ômega-3 pode ser indicada como estratégia complementar, sempre mediante avaliação individualizada e acompanhamento profissional. Diante disso, Julyane ressalta que a orientação nutricional precisa respeitar as necessidades de cada gestante.

"A conduta nutricional deve ser individualizada, evitando megadoses de nutrientes e restrições alimentares desnecessárias. Prioriza-se o consumo de 'comida de verdade', enquanto a suplementação deve ser utilizada de forma complementar, com base na avaliação clínica, nos exames laboratoriais, nos sinais e sintomas e nas necessidades específicas de cada trimestre gestacional", frisa Julyane.

Ela chama atenção para hábitos que podem favorecer uma elevação excessiva do colesterol e dos triglicerídeos, aumentando o risco cardiovascular e obstétrico, especialmente em mulheres com obesidade, hipertensão, diabetes gestacional ou histórico de dislipidemia. Entre eles, estão o consumo frequente de alimentos ultraprocessados, gorduras saturadas, bebidas açucaradas e carboidratos refinados, além do sedentarismo e do ganho excessivo de peso durante a gravidez. Ao mesmo tempo, a nutricionista alerta que a gestação não é o momento para dietas restritivas.

"É importante ressaltar que não se recomenda a restrição excessiva de gorduras ou colesterol durante a gestação, uma vez que esses nutrientes são fundamentais para a síntese hormonal, o desenvolvimento placentário e o adequado crescimento e desenvolvimento cerebral do bebê. A abordagem nutricional deve priorizar a qualidade da dieta, com ênfase no consumo de gorduras insaturadas, fibras alimentares e alimentos in natura e minimamente processados, em vez da adoção de dietas restritivas", declara.

Na prática clínica, simples mudanças sustentáveis costumam produzir resultados mais consistentes do que restrições rígidas: "Orientar a gestante a realizar pequenas mudanças sustentáveis no padrão alimentar, como substituir frituras por preparações assadas, trocar alimentos refinados por integrais, incluir oleaginosas e consumir peixes ricos em ômega-3, mostra-se uma estratégia mais eficaz e segura do que a adoção de restrições alimentares desnecessárias", ressalta Julyane.

A importância desse cuidado integrado é reforçada pela médica clínica da Área da Gestante do IFF/Fiocruz, Simone de Almeida Leite. A especialista salienta que embora a elevação dos lipídios seja considerada fisiológica, algumas mulheres apresentam fatores de risco que exigem acompanhamento mais próximo. "Algumas evidências sugerem que gestantes com dislipidemia prévia à gestação apresentam associações potenciais com eventos adversos durante a gestação, como hipertensão induzida pela gravidez, diabetes gestacional, parto prematuro e macrossomia. Por esse motivo, toda a equipe de pré-natal deve estar atenta para detectar esses eventos prejudiciais e orientar mudanças comportamentais de estilo de vida das gestantes", reforça Simone.

Por sinal, o pré-natal é uma oportunidade para identificar precocemente fatores de risco, orientar mudanças no estilo de vida e planejar o acompanhamento da mulher também após o nascimento do bebê, segundo frisa Simone: "Deve detectar, pela anamnese (entrevista de saúde), o histórico de doença cardiovascular na paciente e familiares, e encaminhar a nutricionista, que fará uma revisão dos hábitos alimentares da paciente e proporcionará correções que sejam saudáveis, orientar atividade física, convencer dos efeitos nocivos à saúde do uso do álcool e cigarro, rastrear pelo exame físico e por exames laboratoriais hipertensão, dislipidemia e diabetes gestacional e orientar, no pós-parto, a continuidade desse acompanhamento médico nas unidades básicas de saúde".

O aumento do colesterol durante a gestação é, na maioria das vezes, uma adaptação natural do organismo. Por isso, mais do que se preocupar com uma alteração isolada nos exames, é fundamental contar com um pré-natal de qualidade, capaz de identificar precocemente situações que exigem maior atenção. Com acompanhamento médico, nutricional e multiprofissional, a gestante pode adotar hábitos saudáveis, reduzir o risco de complicações e contribuir para a própria saúde cardiovascular, durante a gestação e ao longo da vida.

Período eleitoral

Durante o período eleitoral (de 4 de julho até 25 de outubro), os conteúdos digitais publicados e disponibilizados pela Agência Fiocruz de Notícias (AFN) acompanham as orientações da Advocacia-Geral da União (AGU) e da Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República (Secom). O documento esclarece que é permitida a divulgação de "conteúdo meramente informativo ou de serviço ao cidadão".




Autor: fiocruz
Fonte: fiocruz
Sítio Online da Publicação: fiocruz
Data: 14/08/2026
Publicação Original: https://fiocruz.br/noticia/2026/08/especialistas-reforcam-importancia-do-acompanhamento-do-colesterol-na-gravidez