terça-feira, 10 de fevereiro de 2026

Curta Ciência Delas revela trajetórias femininas na produção científica

Exibido como parte da programação da Imersão no Verão, no contexto das celebrações do Dia Internacional das Mulheres e Meninas na Ciência, o documentário Ciência Delas apresentou às estudantes, na tarde do dia 9 de fevereiro, histórias e trajetórias de mulheres que produzem ciência e ajudaram a construir o Programa Mulheres e Meninas na Ciência da Fiocruz.

Com 22 minutos de duração, Ciência Delas nasceu da pesquisa de Beatris Duqueviz , que em seu doutorado investigou o Programa Mulheres e Meninas na Ciência, ligado à Vice-Presidência de Educação, Informação e Comunicação (VPEIC/Fiocruz). O documentário de curta duração une dados, depoimentos e imagens marcantes para contar a trajetória do programa e revelar as mulheres que foram decisivas nessa história. O resgate por meio desses depoimentos, joga luz sobre o programa e evidencia desigualdades de gênero no universo científico no Brasil.


Para Beatris, o documentário é um potente meio de divulgação científica. “O vídeo amplia a compreensão e o acesso para quem está fora da academia. Acho importante que trabalhos científicos alcancem mais pessoas que talvez não tenham a oportunidade de ler uma tese ou artigo, democratizando o conhecimento”, afirma. Ela ressalta que, cada vez mais, pesquisadores buscam novos formatos e linguagens para ampliar o alcance e o impacto social de seus trabalhos. “Foi um mergulho delicioso nesse mundo do audiovisual”, destaca.

Beatris observa que o documentário é uma estratégia para ampliar a circulação das informações e popularizar os resultados do Programa Mulheres e Meninas na Ciência. “Essa iniciativa tem potencial para ir muito além dos muros da Fiocruz, servindo como referência para políticas públicas em outras instituições”, afirma Beatris, que assina o roteiro e a direção juntamente com Daniela Muzi. A produção, realizada entre novembro de 2024 e fevereiro de 2025 pela VideoSaúde Distribuidora da Fiocruz, combina novas entrevistas e imagens de arquivo para retratar como o programa vem impulsionando ações de equidade de gênero no campo científico.

Audiovisual que mobiliza

Para Daniela Muzi, pesquisadora, documentarista e coordenadora da VideoSaúde, o audiovisual tem o poder de afetar e mobilizar. “Ao tornar visíveis as trajetórias de mulheres cientistas, o documentário permite que outras mulheres e meninas possam se imaginar também nesse campo”, afirma. Apesar dos avanços, ela lembra que as mulheres continuam sub-representadas em certas áreas, cargos de liderança e bolsas de pesquisa. “As barreiras do chamado ‘teto de vidro’ são múltiplas e interligadas, incluindo sobrecarga mental e jornada dupla, resultado do acúmulo de exigências acadêmicas e responsabilidades de cuidado, como maternidade e familiares dependentes, comprometendo trajetórias científicas”, explica.

Essas dificuldades se somam às desigualdades de oportunidades profissionais, à desvalorização da competência feminina, à violência de gênero e à ausência de políticas institucionais efetivas voltadas à equidade. “O documentário evidencia que não se trata de casos isolados, mas de um problema estrutural”, reforça Daniela. Ela vê o filme como uma fonte de inspiração e um convite à reflexão sobre políticas mais inclusivas.

Segundo ela, a frase escolhida para o cartaz “Quando mulheres abrem caminhos, meninas conquistam o mundo” sintetiza a mensagem de transformação que as diretoras quiseram transmitir. “Durante séculos, a ciência foi retratada como um universo masculino. Agora, por meio da imagem e do movimento, as mulheres afirmam seus lugares. É aquela máxima de que uma mulher puxa a outra, e isso é bem real”, conclui.

O filme está disponível na Fioflix, com versões com janela de Libras e audiodescrição.




Autor: Liseane Morosini
Fonte: Vpeic/Fiocruz
Sítio Online da Publicação: Fiocruz
Data: 10/02/2026

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