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quinta-feira, 7 de abril de 2022

Astrofísica brasileira lidera primeira simulação de um buraco negro com uso de Inteligência Artificial

Pela primeira vez na história, o comportamento de um buraco negro foi simulado com o uso de Inteligência Artificial (IA) e aprendizado de máquina. Os cálculos envolvidos no fenômeno astronômico foram realizados de maneira automatizada e programada, um grande avanço para o estudo dos buracos negros e que possibilita novas descobertas em diversas áreas da ciência.

O feito inédito é o resultado da dissertação de mestrado de Roberta Duarte Pereira, formada em Física pelo Instituto de Física de São Carlos (IFSC) da USP e atualmente doutoranda no Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas (IAG) da USP, sob orientação de Rodrigo Nemmen. O projeto, desenvolvido desde 2018, resultou em um artigo sobre o tema, aceito para publicação na revista científica Monthly Notices of the Royal Astronomical Society, uma das mais reconhecidas na área da astronomia.


A pesquisadora explica ao Jornal da USP que o estudo dos buracos negros demanda cálculos extremamente complexos e envolve uma quantidade gigantesca de dados para serem processados, a exemplo da união de esforços internacionais que permitiu a realização da primeira imagem de um buraco negro em 2019.

Além disso, não há capacidade humana de processamento que consiga resolver equações tão complexas como aquelas dos fenômenos astronômicos em questão. “Para compreender os buracos negros, é preciso usar simulações computadorizadas de cálculos numéricos muito avançados, que geralmente envolvem os parâmetros de densidade, pressão e velocidade para cada ponto de análise”, explica Roberta Duarte.



Roberta Duarte Pereira - Foto: Reprodução


Segundo a astrônoma, a cada adição de complexidade nos dados inseridos nos programas computacionais, como melhor qualidade de imagem e campo magnético do astro, o tempo necessário para a resolução dos cálculos aumenta consideravelmente, o que pode atrasar as pesquisas ou até mesmo inviabilizar o estudo — a chamada barreira computacional ou tecnológica.


“É necessário um novo método para acelerar esse tipo de simulação, e o aprendizado de máquina, uma das técnicas de Inteligência Artificial, mostrava bons indícios de uma possível aplicação na área”, diz a especialista.

De início, ela testou o modelo com uma simulação simples de um buraco negro e, aos poucos, acrescentou dados mais complexos. O êxito foi tão grande que levou a pesquisadora a ousar algo ainda mais ambicioso: usar a Inteligência Artificial para calcular um buraco negro totalmente desconhecido para a máquina.

E o resultado foi positivo. “É um grande passo para mostrar que essas técnicas conseguem simular eventos inéditos e otimizar o estudos desses astros”, comenta. Foi a primeira vez na história em que um buraco negro foi simulado com o uso de Inteligência Artificial.

A arquitetura digital escolhida para as simulações foi a chamada U-Net, inicialmente desenvolvida para exames neurológicos de imagem. Como esclarece a pesquisadora, esse tipo de programação conecta a entrada e a saída de cada um dos dados inseridos, compatível com a necessidade de que cada informação sobre o buraco negro interfira nas demais.

Durante a simulação no IAG, o sistema enfrentou alguns erros na modelagem do astro, pois, como se trata da previsão de eventos, as falhas se somam umas às outras. Roberta Duarte explica que era esperado que o erro crescesse linearmente, mas o crescimento real se deu de forma exponencial, devido à quantidade de dados. “Mas logo o programa aprendeu a lidar com a taxa do erro e conseguiu controlar as falhas”, comenta a pesquisadora.

Um avanço leva a outro: aplicações da descoberta

A prova de que é possível simular objetos tão complexos e desafiadores como os buracos negros com Inteligência Artificial é importante por diversos motivos, mas há dois aspectos fundamentais para medir a relevância da descoberta.

O primeiro deles se refere à astrofísica. Roberta Duarte explica que a barreira tecnológica para a compreensão dos buracos negros ocorre no mundo inteiro, não apenas no Brasil. “Ainda há muitas coisas sobre esses astros que nós desconhecemos, pois não há poder computacional para simular ambientes mais complexos usando os métodos tradicionais. Então, introduzir uma nova forma de realizar essas pesquisas é fundamental.”

A especialista também menciona a necessidade de absorver a enorme quantidade de dados obtidos por novos equipamentos, como o telescópio James Webb recém-lançado pela Nasa, e destaca que o processamento dessas informações poderia ser agilizado e otimizado com o uso do aprendizado de máquina.

E o outro aspecto é o da Inteligência Artificial. A pesquisadora comenta que, uma vez provada a possibilidade de usar esse tipo de tecnologia em objetos extremos como os buracos negros, é possível encontrar os limites da própria IA. “Ao testar a Inteligência Artificial além do que seria esperado, podemos reconhecer onde ela precisa ser melhorada e como repensar alguns procedimentos.”

E como essa descoberta da astronomia impacta a vida cotidiana e a produção científica em outras áreas?

Roberta Duarte explica que a teoria da relatividade geral, usada na simulação dos buracos negros, está presente em diversas partes da nossa vida. “O GPS, por exemplo, é influenciado pelo campo gravitacional da Terra e sofre correções relativísticas, o que permite que ele saiba se você está em São Paulo ou no meio do Oceano Pacífico.” Ela acrescenta que a melhor forma de comprovar o funcionamento da relatividade é experimentando-a em uma situação extrema, como os buracos negros.

“Na área da Inteligência Artificial e do aprendizado de máquina, vemos que muitas tecnologias são reutilizadas e reaproveitadas para novas descobertas, como a arquitetura de programação que foi inicialmente desenhada para analisar cérebros e acabou sendo utilizada por nós em um estudo de astronomia. Um avanço é útil para outro e isso abre portas para novos usos dessa tecnologia.”

Além disso, segundo ela, há muita resistência ao uso de Inteligência Artificial na astrofísica, e a comprovação de sua viabilidade deve preparar o terreno para futuras descobertas. “Conseguimos plantar a semente de que IA aplicada tem seu valor, não basta se resumir na teoria e na formulação de algoritmos para entender os fenômenos do mundo real.”

Atualmente no doutorado, a pesquisadora está testando o modelo com dados mais complexos para verificar como o programa se comporta diante dessa situação. “Fico muito feliz que meu estudo tenha sido o primeiro com o uso de IA, espero que mais cientistas trabalhem na área da simulação e reconheçam que é possível unir a Inteligência Artificial e a astrofísica.”

O artigo Black Hole Weather Forecasting with Deep Learning: A Pilot Study tem autoria de Roberta Duarte, Rodrigo Nemmen, João Paulo Navarro.




Autor: Gabriel Gama
Fonte: Jornal da USP
Sítio Online da Publicação: Jornal da USP
Data: 16/03/2022
Publicação Original: https://jornal.usp.br/ciencias/astrofisica-brasileira-lidera-primeira-simulacao-de-um-buraco-negro-com-uso-de-inteligencia-artificial/

segunda-feira, 5 de abril de 2021

Buraco negro recém-descoberto pode ter se formado antes das estrelas e das galáxias



CRÉDITO,GETTY IMAGES
Legenda da foto,

Os buracos negros podem ser detectados por ondas gravitacionais


Nossa galáxia, a Via Láctea, é cercada por buracos negros, mas uma descoberta recente indicou que um deles é muito mais especial que os demais.


Ele tem cerca de 55 mil vezes a massa do Sol. Mas o que o torna tão peculiar, segundo a comunidade científica, é que ele pode ter se formado antes das primeiras estrelas e galáxias.


Eles acreditam que esse buraco negro específico pode ser a semente dos buracos negros supermassivos de hoje e pode ajudar os cientistas a estimar o número total desses objetos no universo, disseram os pesquisadores.


A descoberta dessa "massa intermediária" ou buraco negro do tipo Cachinhos Dourados (que, como na história infantil, não seria nem grande demais, nem pequeno demais) foi publicada na revista especializada Nature Astronomy.


Ele seria diferente dos pequenos buracos negros feitos de estrelas e dos gigantes supermassivos encontrados no centro da maioria das galáxias,


Os pesquisadores estimam que existam cerca de 46 mil buracos negros de massa intermediária nas proximidades da Via Láctea.


O novo buraco negro foi descoberto por pesquisadores da Universidade de Melbourne e da Universidade Monash, por meio de lentes gravitacionais que captaram uma explosão de raios gama.



CRÉDITO,GETTY IMAGES
Legenda da foto,

Antenas móveis, conhecidas como Very Large Array (VLA), recebem sinais de rádio, alguns extremamente fracos, de todo o cosmos


"Este buraco negro recém-descoberto pode ser uma relíquia antiga, um buraco negro primordial, criado no início do universo antes da formação das primeiras estrelas e galáxias", disse o co-autor do estudo, Professor Eric Thrane, da Monash University.


"Esses primeiros buracos negros podem ser as sementes dos buracos negros supermassivos que vivem hoje no coração das galáxias."



O que é um buraco negro?

Um buraco negro é uma região do espaço onde a matéria entrou em colapso sobre si mesma.
A atração gravitacional é tão forte que nada, nem mesmo a luz, pode escapar dele.
Os buracos negros surgem após o desaparecimento explosivo de certas estrelas grandes.
Mas alguns são realmente gigantescos e têm bilhões de vezes a massa do nosso Sol.
Os buracos negros são detectados pela forma como influenciam seu ambiente.





CRÉDITO,ALMA (ESO/NAOJ/NRAO
Legenda da foto,

Os buracos negros emitem jatos de luz polarizada

Como foi observado?


A explosão, um flash de meio segundo de luz de alta energia emitida por um par de estrelas em fusão, teve um "eco", causado pelo buraco negro de massa intermediária, que desviou o caminho da luz em seu caminho para a Terra, de modo que os astrônomos viram o mesmo flash duas vezes.


O software desenvolvido para detectar buracos negros a partir de ondas gravitacionais foi adaptado para mostrar que as duas chamas eram imagens do mesmo objeto.


Coautora do artigo, a professora Rachel Webster, da Universidade de Melbourne, descreve as descobertas como "empolgantes".


"Usando este novo candidato a buraco negro, podemos estimar o número total desses objetos no universo", disse ela.


"Previmos que isso poderia ser possível há 30 anos e é emocionante ter descoberto um exemplo forte", acrescentou.




Autor: Sara Rigby
Fonte: BBC Science Focus
Sítio Online da Publicação: BBBC News
Data: 05/04/2021
Publicação Original: https://www.bbc.com/portuguese/geral-56639392

quarta-feira, 31 de março de 2021

Nova imagem revela detalhes de buraco negro 3 milhões de vezes maior que a Terra



CRÉDITO,EHT COLLABORATION
Legenda da foto,

Imagem mostra luz saindo do buraco negro no centro da galáxia M87


Em 2019, astrônomos surpreenderam o mundo com a primeira imagem de um buraco negro.


Dois anos depois, eles nos revelam o que acontece no campo magnético que cerca esse famoso monstro gravitacional.


O objeto em estudo é o buraco negro gigante, ou supermassivo, localizado no centro da galáxia Messier 87 (M87), na constelação de Virgem, a 55 milhões de anos-luz da Terra.


Este buraco negro é três milhões de vezes maior que o nosso planeta, e tem uma massa de 6,5 ​​bilhões de vezes a do sol.

"O que vemos é uma evidência crucial para entender como os campos magnéticos se comportam em torno dos buracos negros", disse em comunicado Monika Mościbrodzka, pesquisadora do Event Horizon Telescope (EHT, na sigla em inglês), uma colaboração de cerca de 300 cientistas que tornou possível a primeira imagem do buraco.



CRÉDITO,EHT
Legenda da foto,

Esta foi a primeira imagem da M87; nunca a humanidade havia visto um buraco negro até então

O que mostra a imagem?


O que a imagem mostra é o vórtice de ondas de luz geradas pelo campo magnético ao redor do buraco.


A imagem revela que uma parte significativa da luz em torno do buraco negro está polarizada devido à atração do campo magnético.


Isso significa que uma luz que normalmente viajaria em todas as direções (despolarizada) repentinamente se ordena e vai em apenas uma direção (polarizada) devido a uma força externa.


Nesse caso, a forte gravidade do buraco faz com que seu campo magnético se curve e faça com que as ondas de luz se polarizem, ou seja, oscilem em uma mesma direção ordenada.

Veja a 1ª imagem de um buraco negro da história, um 'monstro' maior que o Sistema Solar


Dessa forma, o campo magnético atua como um poderoso filtro polarizador que nos permite ver o que está acontecendo ao redor do buraco.


Os cientistas do EHT aproveitaram o fenômeno para observar melhor o que está acontecendo naquela área, da mesma forma que óculos escuros ou um filtro polarizado nas janelas de um carro nos permitem muitas vezes enxergar melhor.



CRÉDITO,ESO
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O buraco está no centro da galáxia Messier 87, a 55 milhões de anos-luz da Terra



O que é um buraco negro?

Um buraco negro é uma região do espaço onde a matéria colapsou sobre si mesma
A atração gravitacional é tão forte que nada, nem mesmo a luz, pode escapar
Os buracos negros surgem do desaparecimento explosivo de certas estrelas grandes
Mas alguns são realmente gigantescos e têm bilhões de vezes a massa do nosso sol.
Os buracos negros são detectados pela forma como influenciam seu entorno



Jatos de luz


As linhas que aparecem na imagem correspondem à luz polarizada no campo magnético do buraco negro. O que vemos são os raios polarizados que conseguem escapar do horizonte e eventos, que é a fronteira onde o buraco engole tudo que chega até ele.


A imagem mostra a intensidade e a direção desses raios descontrolados.


Um buraco negro engole a maior parte da matéria que o atinge, mas algumas partículas conseguem escapar e são lançadas ao espaço a grandes distâncias na forma de jatos.



CRÉDITO,ALMA (ESO/NAOJ/NRAO
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Imagem mostra jatos de luz polarizada escapando do buraco negro


Jatos de energia e matéria na forma de plasma (gás quente) escapando do M87 podem viajar cerca de 5 mil anos-luz de distância, bem além da própria galáxia, de acordo com o EHT.


Graças a esta nova imagem, os especialistas podem estudar pela primeira vez aquela região onde o buraco engole e ejeta a matéria.


"As observações sugerem que os campos magnéticos na borda do buraco negro são fortes o suficiente para puxar o gás quente, fazendo com que ele resista à atração gravitacional", explica Jason Dexter, pesquisador do EHT.


Com a nova imagem, informações ainda estão sendo coletadas para entender o grande monstro gravitacional M87.






Autor: Redação BBC News Mundo
Fonte: BBC News Mundo 
Sítio Online da Publicação: BBC News
Data: 30/03/2021
Publicação Original: https://www.bbc.com/portuguese/geral-56562919

sexta-feira, 25 de setembro de 2020

O fascinante cintilar do primeiro buraco negro a ser captado em imagem



CRÉDITO,EHT COLLABORATION
Legenda da foto,

Examinando dados antigos, os cientistas podem dizer que a região brilhante do anel está se movendo


Quando os cientistas apresentaram a primeira imagem de um buraco negro no ano passado, o feito foi saudado como um avanço extraordinário.


Agora eles reavaliaram alguns dos dados de imagem que foram adquiridos nos anos anteriores àquele momento histórico.


E isso nos dá algumas novas perspectivas sobre o objeto conhecido como M87*, que tem a massa descomunal de 6,5 bilhões de sóis.


Uma das revelações foi que o brilho do buraco negro oscila com o tempo.


Este é provavelmente o resultado de o M87* fragmentar e consumir a matéria próxima capturada pela atração feroz de sua gravidade.


A matéria, aquecida a bilhões de graus, se contorce e vira através de intensos campos magnéticos. E ao fazer isso, a região de brilho vista no anel de gás que circunda o buraco negro parece oscilar.


"O que vemos é o fluxo de matéria girando e finalmente mergulhando no horizonte de eventos, mas essa matéria, esse fluxo de plasma, de gás, é muito turbulento", explica o Dr. Maciek Wielgus, astrônomo da Universidade Harvard.


"Nós esperamos essa turbulência. Há o que é chamado de instabilidade magneto-rotacional nesta turbulência. E, por essa razão, há alguma estocasticidade (aleatoriedade no comportamento); parece que bolhas de brilho se formam em locais diferentes", disse ele à BBC News.

Observatório virtual


A imagem histórica do M87*, divulgada em abril de 2019, foi capturada pelo Event Horizon Telescope (EHT).


Este é um "observatório virtual". Ele conecta uma série de oito receptores de rádio — do Polo Sul ao Havaí, às Américas e Europa — para imitar a resolução que você obteria com um único telescópio do tamanho da Terra.


Os astrônomos descrevem a resolução alcançada como 42 microssegundo de arco. Para o leigo, trata-se de uma definição de imagem que equivale a "poder assistir a um jogo de bilhar, ou snooker, na Lua, de poder seguir o movimento das bolas", disse o dr. Wielgus.


E é disso que você precisa se quiser uma visão detalhada de um objeto — mesmo um tão grande quanto M87* — que está a 53 milhões de anos-luz (aproximadamente 500 milhões de trilhões de quilômetros) de distância.


O que vimos no ano passado em jornais, sites e reportagens de TV foi um objeto em forma de rosquinha — o disco de acreção, que é um anel de gás superaquecido girando em torno de uma região central escura onde se acredita que fica o buraco negro.


A imagem surgiu a partir de uma única semana de observações conjuntas pelo EHT em rede — seguido por um longo período de processamento e análise de computador.

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Mas, é claro, para se chegar a esse momento, foram necessários muitos anos de preparação, de tentativa e erro, e com menos receptores de rádio do que na configuração EHT final.


E são os dados de todos esses testes, desde 2009, que o dr. Wielgus e seus colegas revisitaram e descreveram em um artigo publicado no The Astrophysical Journal.


O que eles fizeram, em suma, foi reavaliar esse material de arquivo com base em tudo o que aprenderam na produção da imagem final de 2019.




O que é um buraco negro?

Um buraco negro é uma região do espaço onde a matéria colapsou sobre si mesma.
A atração gravitacional é tão forte que nada, nem mesmo a luz, pode escapar.
Os buracos negros surgem do desaparecimento explosivo de certas estrelas grandes.
Mas alguns são realmente gigantescos e têm bilhões de vezes a massa do nosso sol.
Não se sabe como esses "monstros", que são encontrados no centro das galáxias, foram formados.
Os buracos negros são detectados pela forma como influenciam seu ambiente.





Eles não conseguem nos fornecer imagens completas a partir dos dados antigos, mas, usando modelos, eles conseguem extrair detalhes para confirmar certas características e comportamentos no M87* que provavelmente já estavam presentes naqueles anos anteriores.


"Nenhum dos períodos de dados mais antigos foi tão bom quanto esse [da imagem de 2019]", disse o professor Anton Zensus, diretor do Instituto Max Planck de Radioastronomia, na Alemanha, e diretor-fundador do EHT.



CRÉDITO,ESO
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É preciso ter uma resolução espetacular para ver algo com tantos detalhes, tão longe


"Mas todos eles podem ser examinados, sabendo-se que existe uma estrutura de anel subjacente ali. E então, se você restringiu as condições iniciais para examinar esses dados, então essa estrutura de anel é realmente aparente em todas essas sessões, desde 2009. Portanto, a importância disso é que confirmamos o resultado [de 2019] observando os dados mais antigos."


Reconhecer uma mudança de posição do brilho no disco de acreção do M87* é um dos resultados da pesquisa.


Outro é a simples confirmação da constância do diâmetro desta estrutura de anel e, portanto, do diâmetro do próprio buraco negro — ou mais exatamente de seu horizonte de eventos: a zona dentro da qual a velocidade necessária para escapar da atração da gravidade excede até mesmo a velocidade de luz.


Para o M87*, essa "superfície" tem cerca de 40 bilhões de km de diâmetro. Pense em uma região do espaço com cerca de duas vezes o tamanho de nosso Sistema Solar.

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Outra coisa que esta pesquisa faz é nos dar um vestígio da capacidade futura do EHT.

Com ela, se você rodar muitos anos de dados juntos, deveria ser possível fazer filmes da atividade nas proximidades dos buracos negros.

Mas isso exigirá que mais receptores de rádio sejam incorporados ao EHT e que os períodos de observação sejam estendidos.

No momento, o EHT funciona apenas durante alguns dias por ano no final de março, início de abril, porque esta é a época do ano em que as condições climáticas de observação são normalmente boas em todas as diferentes estações de rádio ao redor do globo.




Autor: BBC News Brasil
Fonte: BBC News Brasil
Sítio Online da Publicação: BBC News Brasil
Data: 24/09/2020
Publicação Original: https://www.bbc.com/portuguese/geral-54280383

sexta-feira, 26 de julho de 2019

Estrela que orbita gigantesco buraco negro apoia teoria de Albert Einstein



Modelo visual da estrela S0-2, a mais próxima de um gigantesco buraco negro no centro da Via Láctea — Foto: Divulgação/National Science Foundation


A partir da observação da luz de uma estrela que gira em torno de um gigantesco buraco negro no centro de nossa galáxia, cientistas apresentaram nesta quinta-feira (25) novas evidências para apoiar a teoria da relatividade geral formulada em 1915 por Albert Einstein.


A estrela S0-2 ostenta uma massa dez vezes maior que a do sol, enquanto viaja na órbita elipsoidal do buraco negro Sagittarius A*, no centro da Via Láctea, a 26 mil anos-luz da Terra. Cada volta dura 16 anos.


Os cientistas descobriram que o comportamento da luz da estrela, enquanto escapava da extrema atração gravitacional exercida pelo buraco negro, corresponde às previsões da teoria de Einstein.


O famoso físico propôs a teoria, considerada hoje um dos pilares da ciência para explicar as leis da gravidade e sua relação com outras forças naturais.



Embora a teoria de Einstein se mantenha nas observações dessa estrela em particular, a astrônoma Andrea Ghez, da Universidade da Califórnia em Los Angeles, disse que não explica completamente o que acontece em ambientes gravitacionais exóticos, como os de buracos negros.


Ela considerou que essas entidades celestiais, extraordinariamente densas, podem exercer campos gravitacionais tão fortes que nenhuma matéria ou luz pode escapar deles.




Autor: G1 Saúde
Fonte: G1 Saúde
Sítio Online da Publicação: G1 Saúde
Data: 25/07/2019
Publicação Original: https://g1.globo.com/ciencia-e-saude/noticia/2019/07/25/estrela-que-orbita-gigantesco-buraco-negro-apoia-teoria-de-albert-einstein.ghtml

quarta-feira, 10 de abril de 2019

'Parece que Einstein acertou mais uma vez': análise de imagem inédita de buraco negro levou 2 anos



Buraco negro — Foto: Reprodução


"É extraordinário que a imagem que observamos seja tão semelhante àquela que obtemos de nossos cálculos teóricos. Até agora, parece que Einstein acertou de novo", afirma Ziri Younsi, da University College London, que integrou o experimento que resultou no registro de uma imagem inédita de um buraco negro.


Astrônomos apresentam a primeira imagem de um buraco negro já registrada


Localizado em uma galáxia distante da Terra, o buraco negro tem 40 bilhões de quilômetros de diâmetro - cerca de 3 milhões de vezes o tamanho de nosso planeta - e é descrito pelos cientistas como um "monstro".


A imagem registrada coincide com o que os físicos e diretores de Hollywood imaginaram que os buracos negros parecessem. Simulações baseadas nas equações de Einstein previam um anel brilhante no entorno de uma forma escura.


A luz seria produzida por partículas de gás e poeira aceleradas em alta velocidade e destruídas pouco antes de desaparecer no buraco. Já a área escura seria a sombra que o buraco lança nesse turbilhão.



"Embora sejam objetos relativamente simples, os buracos negros levantam algumas das questões mais complexas sobre a natureza do espaço e do tempo e, finalmente, sobre nossa existência."




Ter a primeira imagem real permitirá aprender mais sobre esses objetos misteriosos, especialmente onde ela difere do que se esperava. Ninguém sabe exatamente como o anel luminoso é criado. Ainda mais intrigante é a questão do que acontece quando um objeto entra no buraco negro.


Se existem falhas a serem encontradas nas ideias de Einstein - e os cientistas suspeitam que existam explicações mais complexas para a gravidade ainda não descobertas -, é no buraco negro que provavelmente as limitações devem ser expostas.




Maior que o Sistema Solar




O professor Heino Falcke, da Universidade Radboud, na Holanda, que propôs o experimento, disse à BBC News que o buraco negro foi achado na galáxia batizada de M87. "O que nós vemos é maior que o tamanho de nosso Sistema Solar inteiro."


Essa região está 500 quinquilhões de quilômetros de distância da Terra e foi registrada por uma rede de oito telescópios ao redor do mundo, batizada de Event Horizon Telescope (Telescópio de Horizonte de Eventos ou EHT).


A imagem mostra um "anel de fogo" intensamente brilhante, segundo descrição de Falcke, que cerca um buraco escuro perfeitamente circular. O brilho é causado pelo gás superaquecido atraído pelo buraco. A luz é mais brilhante do que todas as bilhões de outras estrelas da galáxia combinadas - e é por isso que ela pode ser vista da Terra.


O círculo é o ponto no qual ele entra no buraco negro, que é um objeto que tem uma grande atração gravitacional e do qual nem mesmo a luz pode escapar. É o ponto em que todas as leis da física são quebradas.



"Ele tem uma massa 6,5 bilhões de vezes maior que a do Sol. E estimamos que seja um dos maiores que já tenham existido. É absolutamente monstruoso, um campeão peso-pesado dos buracos negros do Universo."




Segundo os astrônomos, os buracos negros são fenômenos cósmicos que se originam quando uma estrela entra em colapso. O restante de sua matéria fica limitado a uma pequena região, que logo dá lugar a um imenso campo gravitacional.


Informações mais detalhadas seriam divulgadas ainda nesta quarta-feira (10) na publicação científica Astrophysical Journal Letters.




Ideia do experimento




Falcke, da Universidade Radboud, teve a ideia para o projeto quando foi aluno de PhD em 1993. Na época, ninguém achou que fosse possível. Mas ele foi o primeiro a perceber que uma certa emissão de rádio seria gerada perto e em torno do buraco negro, algo que seria poderoso o suficiente para ser detectado por telescópios na Terra.


Ele também lembrou de ter lido um artigo científico de 1973 que sugeria que, devido à sua enorme gravidade, os buracos negros parecem 2,5 vezes maiores do que realmente são.


Esses dois fatores, anteriormente desconhecidos, tornavam de repente possível o aparentemente impossível. Depois de defender sua ideia por 20 anos, Falcke convenceu o Conselho Europeu de Pesquisa a financiar o projeto.


A National Science Foundation e agências do leste da Ásia juntaram-se para financiar o experimento estimado em mais de 40 milhões de libras (R$ 200 milhões).


"Missão cumprida", afirmou Falcke. "Foi uma longa jornada, mas é isso que eu queria ver com meus próprios olhos."


Nenhum telescópio sozinho é poderoso o suficiente para visualizar o buraco negro. Assim, no maior experimento desse tipo, o professor Sheperd Doeleman, do Centro de Astrofísica Harvard-Smithsonian, dirigiu o projeto de oito telescópios interligados.


Cada um dos telescópios está localizado em um região exótica, incluindo vulcões no Havaí e no México, montanhas no Arizona e na Sierra Nevada espanhola, no deserto do Atacama chileno e na Antártida.


Uma equipe de 200 cientistas apontou os telescópios da rede para o M87 e examinou seu coração durante um período de dez dias, em abril de 2017.


A informação que eles coletaram era grande demais para ser transmitida pela internet. Assim, os dados foram armazenados em centenas de discos rígidos que foram transportados para os centros de processamento central em Boston e Bonn para reunir as informações.


Doleman, do Centro de Astrofísica Harvard-Smithsonian, descreveu a conquista como "um extraordinário feito científico".


"Conseguimos algo que se presumia impossível apenas uma geração atrás", disse ele.


"Avanços na tecnologia, conexões entre os melhores observatórios de rádio do mundo e algoritmos inovadores se uniram para abrir uma janela totalmente nova sobre os buracos negros".


A equipe mira também o buraco negro que fica no centro de nossa galáxia, a Via Láctea. Pode parecer estranho, mas isso seria mais difícil de registrar do que a imagem divulgada hoje sobre uma galáxia distante. Isso se dá porque, por razões desconhecidas, o "anel de fogo" em torno do buraco negro no coração da Via Láctea é menor e tem menos brilho.




Autor: BBC
Fonte: G1 Saúde
Sítio Online da Publicação: G1 Saúde
Data: 10/04/2019
Publicação Original: https://g1.globo.com/ciencia-e-saude/noticia/2019/04/10/parece-que-einstein-acertou-mais-uma-vez-analise-de-imagem-inedita-de-buraco-negro-levou-2-anos.ghtml