Vários critérios diagnósticos para ABPA têm sido propostos, como história de asma ou fibrose cística, opacidades pulmonares características incluindo dilatação central do brônquio, elevação dos níveis de imunoglobulina E (IgE) e reação de hipersensibilidade ao Aspergillus incluindo anticorpos IgE elevados contra Aspergillus fumigatus e/ou anticorpos IgG para Aspergillus. Entretanto, muitos critérios podem permanecer obscuros e atrasar o diagnóstico, incluindo a presença de pneumonia eosinofílica como diagnóstico inicial. O objetivo deste estudo foi destacar as diferenças entre pneumonia eosinofílica e a ABPA.
Doctor checking patients lung for coronavirus infection
Métodos
O estudo foi retrospectivo, em centro único, envolvendo 25 pacientes que preenchiam critérios para ABPA, entre eles a hipersensibilidade cutânea ou IgE específica para A. fumigatus. Foram utilizados dados coletados de prontuário e as imagens avaliadas por radiologistas experientes. Pacientes com eosinofilia periférica e achados de vidro fosco e consolidações na tomografia foram alocados no grupo pneumonia eosinofílica (PE), os demais ficaram no grupo não pneumonia eosinofílica (NPE), com achados clássicos de ABPA.
Resultados
A idade média foi de 65 anos e as mulheres foram a maioria (60%). Todos os pacientes apresentaram eosinofilia periférica (mediana, 1540 células/μl), nível elevado de IgE (mediana, 2802 UI/ ml) e reações positivas para IgE específica para Aspergillus (mediana, 20,7 UI/ml). Além disso, 64% dos pacientes tiveram reação positiva para anticorpos específicos para Aspergillus, representado principalmente por IgG. As características basais dos dois grupos não diferiam significativamente em relação à idade de início da ABPA, proporção de mulheres ou duração entre o início da asma e início de ABPA. Níveis de beta-D-glucano, um marcador para fungos, foi significativamente maior no grupo NPE (mediana, 11,7 pg/ml; IQR, 6,7-18,4 pg/ml) do que no grupo PE (mediana, 6,6 pg/ml; IQR, 5,2–9,3 pg/ml), mas não houve diferença significativa nas taxas de cultura positiva para fungos entre os grupos. A maioria dos pacientes do grupo PE recebeu corticosteroides (5/6, 83%) e apenas um paciente recebeu terapia antifúngica, enquanto a maioria dos pacientes do grupo NPE recebeu terapia antifúngica (16/19, 84%). As relações de eosinófilos periféricos com IgE específica para Aspergillus foram examinadas em ambos os grupos. O grupo PE não apresentou correlação significativa entre os dois (r = 0,49, p = 0,3188), possivelmente devido ao pequeno tamanho da amostra, enquanto o grupo NPE apresentou uma forte correlação positiva (r = 0,7878, p =0,0003).
Discussão
Vários estudos têm relatado uma relação entre achados de TCAR e marcadores imunológicos e prognósticos em pacientes com ABPA. A ABPA-S foi proposta por Patterson et al. em 1986, e definida como preenchendo os critérios diagnósticos para ABPA, mas sem evidência de bronquiectasias proximais. ABPA-S demonstra uma tendência de menores concentrações de IgE total e IgE específica para Aspergillus, e têm bons resultados em termos de não progressão para ABPA mais grave e manutenção de função pulmonar. No entanto, o grupo PE não apresentou concentrações séricas de IgE e IgE específicas anti Aspergillus mais baixas do que o grupo NPE; e os agrupamentos permaneceram inalterados após a progressão da doença. No estudo, o grupo PE apresentou uma tendência a uma correlação negativa entre eosinófilos periféricos e IgE específica para Aspergillus. Em contraste, o grupo NPE mostrou uma clara correlação entre esses dois valores.
Autor: Guilherme das Posses Bridi
Fonte: pebmed
Sítio Online da Publicação: pebmed
Data: 21/02/2022
Publicação Original: https://pebmed.com.br/eosinofilia-pulmonar-pode-indicar-aspergilose-broncopulmonar-alergica-abpa/
Sítio Online da Publicação: pebmed
Data: 21/02/2022
Publicação Original: https://pebmed.com.br/eosinofilia-pulmonar-pode-indicar-aspergilose-broncopulmonar-alergica-abpa/