Mostrando postagens com marcador Eosinofilia pulmonar. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Eosinofilia pulmonar. Mostrar todas as postagens

terça-feira, 22 de fevereiro de 2022

Eosinofilia pulmonar pode indicar aspergilose broncopulmonar alérgica (ABPA)

A aspergilose broncopulmonar alérgica (ABPA) é uma doença caracterizada por exacerbação da resposta inflamatória T2 em indivíduos suscetíveis, principalmente em portadores de asma brônquica (AB) e fibrose cística (FC). A incidência varia de 2,5 até 22% em pacientes asmáticos, sobretudo naqueles com asma de difícil controle.

Vários critérios diagnósticos para ABPA têm sido propostos, como história de asma ou fibrose cística, opacidades pulmonares características incluindo dilatação central do brônquio, elevação dos níveis de imunoglobulina E (IgE) e reação de hipersensibilidade ao Aspergillus incluindo anticorpos IgE elevados contra Aspergillus fumigatus e/ou anticorpos IgG para Aspergillus. Entretanto, muitos critérios podem permanecer obscuros e atrasar o diagnóstico, incluindo a presença de pneumonia eosinofílica como diagnóstico inicial. O objetivo deste estudo foi destacar as diferenças entre pneumonia eosinofílica e a ABPA.


Doctor checking patients lung for coronavirus infection

Métodos

O estudo foi retrospectivo, em centro único, envolvendo 25 pacientes que preenchiam critérios para ABPA, entre eles a hipersensibilidade cutânea ou IgE específica para A. fumigatus. Foram utilizados dados coletados de prontuário e as imagens avaliadas por radiologistas experientes. Pacientes com eosinofilia periférica e achados de vidro fosco e consolidações na tomografia foram alocados no grupo pneumonia eosinofílica (PE), os demais ficaram no grupo não pneumonia eosinofílica (NPE), com achados clássicos de ABPA.

Resultados

A idade média foi de 65 anos e as mulheres foram a maioria (60%). Todos os pacientes apresentaram eosinofilia periférica (mediana, 1540 células/μl), nível elevado de IgE (mediana, 2802 UI/ ml) e reações positivas para IgE específica para Aspergillus (mediana, 20,7 UI/ml). Além disso, 64% dos pacientes tiveram reação positiva para anticorpos específicos para Aspergillus, representado principalmente por IgG. As características basais dos dois grupos não diferiam significativamente em relação à idade de início da ABPA, proporção de mulheres ou duração entre o início da asma e início de ABPA. Níveis de beta-D-glucano, um marcador para fungos, foi significativamente maior no grupo NPE (mediana, 11,7 pg/ml; IQR, 6,7-18,4 pg/ml) do que no grupo PE (mediana, 6,6 pg/ml; IQR, 5,2–9,3 pg/ml), mas não houve diferença significativa nas taxas de cultura positiva para fungos entre os grupos. A maioria dos pacientes do grupo PE recebeu corticosteroides (5/6, 83%) e apenas um paciente recebeu terapia antifúngica, enquanto a maioria dos pacientes do grupo NPE recebeu terapia antifúngica (16/19, 84%). As relações de eosinófilos periféricos com IgE específica para Aspergillus foram examinadas em ambos os grupos. O grupo PE não apresentou correlação significativa entre os dois (r = 0,49, p = 0,3188), possivelmente devido ao pequeno tamanho da amostra, enquanto o grupo NPE apresentou uma forte correlação positiva (r = 0,7878, p =0,0003).

Discussão

Vários estudos têm relatado uma relação entre achados de TCAR e marcadores imunológicos e prognósticos em pacientes com ABPA. A ABPA-S foi proposta por Patterson et al. em 1986, e definida como preenchendo os critérios diagnósticos para ABPA, mas sem evidência de bronquiectasias proximais. ABPA-S demonstra uma tendência de menores concentrações de IgE total e IgE específica para Aspergillus, e têm bons resultados em termos de não progressão para ABPA mais grave e manutenção de função pulmonar. No entanto, o grupo PE não apresentou concentrações séricas de IgE e IgE específicas anti Aspergillus mais baixas do que o grupo NPE; e os agrupamentos permaneceram inalterados após a progressão da doença. No estudo, o grupo PE apresentou uma tendência a uma correlação negativa entre eosinófilos periféricos e IgE específica para Aspergillus. Em contraste, o grupo NPE mostrou uma clara correlação entre esses dois valores.

 



Autor: Guilherme das Posses Bridi
Fonte: pebmed
Sítio Online da Publicação: pebmed
Data: 21/02/2022
Publicação Original: https://pebmed.com.br/eosinofilia-pulmonar-pode-indicar-aspergilose-broncopulmonar-alergica-abpa/