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segunda-feira, 25 de outubro de 2021

Jejum intermitente: Evidências a favor dessa prática para melhora do perfil metabólico

O jejum intermitente, uma estratégia alimentar muito utilizada nos dias atuais, consiste na alternância de períodos de jejum, ou seja, estado não alimentado, com janelas de alimentação. Nessa estratégia, o período ao qual o paciente se alimenta restringe-se a menos de 12 horas durante o dia, podendo chegar a intervalos de até 24 a 48 horas de jejum em alguns casos específicos. Muitos estudos tem sido realizados nessa área e muitos profissionais tem utilizado rotineiramente essa estratégia para tratamento da obesidade e melhora do perfil metabólico dos pacientes.

Satchidananda Panda, PhD, do Panda Lab no Salk Institute for Biological Studies, La Jolla, California relata: “A prática do jejum intermitente tem demonstrado um grande benefício na prevenção e melhora de doenças metabólicas causadas pela obesidade. O jejum é uma prática fácil de seguir e que exige muito menos matemática do que a contagem de calorias, além disso tem a capacidade de melhorar o sono e diminuir o risco de desenvolver diabetes, obesidade e doenças cardíacas”.

“Pessoas que estão tentando perder peso e viver uma vida mais saudável, devem prestar mais atenção em que momento comem e o que comem” aconselha Dr Panda.

O jejum intermitente, além de ser uma técnica sem contraindicações é capaz de ser realizada por qualquer pessoa, em qualquer lugar.

Um artigo publicado em setembro no Endocrine Reviews pelo DR Emily N. Manoogian, sugere que os profissionais da área de saúde devam encorajar seus pacientes, principalmente aqueles de risco a obesidade, a monitorizar a qualidade da sua alimentação e o horário do sono, além de estimular as mudanças de hábitos como a diminuição do consumo de lanches no final da noite e sempre dormir no mesmo horário todos os dias.



Estudos sobre o jejum intermitente

Estudos em animais e alguns estudos pilotos em humanos evidenciaram que a prática do jejum intermitente sem déficit calórico durante a janela alimentar foi suficiente para reduzir o peso corporal, diminuir a hipertensão, a dislipdemia e a intolerância a glicose. Apesar desses estudos não estimularem o déficit calórico, os pacientes que participaram tiveram uma redução de 7% a 22% do seu consumo calórico diário.

Foram revisados 39 estudos que abrangeram a prática do jejum intermitente, sendo a maioria realizados por curto período de tempo, com uma janela alimentar de 8-10 horas. Em 24 dos 39 estudos houve uma significativa perda de peso entre os participantes e em todos, a prática foi considerada aceitável e segura.


Enquanto outros estudos estão sendo realizados com amostragem populacional maior e por tempo mais prolongado, o autor sugere algumas dicas como por exemplo:
Ser consistente;
Parar de se alimentar três horas antes de ir dormir;
Escolher uma janela alimentar que seja pelo menos uma hora após se levantar e três horas antes de dormir, para que os picos diários de melatonina (durante a parte da manhã e da noite) não interfiram na absorção do alimento;
Sempre tentar se alimentar durante o mesmo horário todos os dias;
Comer sempre o mais cedo possível, assim quando abrir a janela.






Autor: Gabriela Queiroz
Fonte: pebmed
Sítio Online da Publicação: pebmed
Data: 25/10/2021
Publicação Original: https://pebmed.com.br/jejum-intermitente-evidencias-a-favor-dessa-pratica-para-melhora-do-perfil-metabolico/

segunda-feira, 11 de junho de 2018

Jejum intermitente “24 por 24” horas aumenta risco de diabete em ratos


Apesar da necessidade de mais pesquisas, achados obtidos servem de alerta para possíveis riscos do tipo de dieta de jejum intermitente estudado – Foto: Cecília Bastos / USP Imagens


Pesquisa do Instituto de Ciências Biomédicas (ICB) da USP constatou efeitos negativos no organismo de ratos tratados com um protocolo de jejum intermitente, em que os animais ficaram 24 horas sem comer e 24 horas com alimentação à vontade, pelo período de três meses. Ao final do experimento, apesar de os animais tratados com o protocolo apresentarem peso menor comparado ao grupo controle, os pesquisadores observaram vários efeitos negativos que indicam aumento de risco para diabete tipo 2.

“Os efeitos negativos constatados foram: aumento dos radicais livres e da secreção de insulina no pâncreas [um sintoma clássico da resistência à insulina], diminuição da ilhota pancreática [estrutura celular que secreta a insulina], diminuição periférica da resposta à insulina, grande aumento da dimensão do estômago, redução da massa magra, aumento da quantidade de gordura geral [inclusive a visceral], além de prejuízos no crescimentos dos animais”, conta a autora do estudo, a bióloga Ana Cláudia Munhoz Bonassa, que pesquisa o tema em sua tese de doutorado.

O estudo é realizado no Laboratório de Fisiologia da Secreção de Insulina do ICB, sob a orientação do professor Angelo Rafael Carpinelli. Os resultados da pesquisa foram apresentados, na última semana, no Congresso Europeu de Endocrinologia, realizado na Espanha.


Imagem gerada em um exame que indica composição corporal (absortometria radiológica de dupla energia) mostra um rato do grupo controle (esquerda) e outro do grupo tratado (direita). É possível observar o tamanho maior da barriga (gordura visceral) do animal que passou pelo jejum intermitente – Foto: Divulgação

Para a pesquisadora, os achados obtidos servem de alerta para possíveis riscos da dieta de jejum intermitente no modelo estudado. “Outros estudos ainda são necessários, principalmente em humanos e de longo prazo, para entender melhor os resultados que obtivemos, se eles são decorrentes do fato de os animais serem jovens, ou se é devido a esse modelo de jejum intermitente, e verificar se isso se repete em seres humanos”, pondera Ana Cláudia.

Os animais utilizados no estudo estavam desmamados, com 30 dias de idade, ainda em fase de crescimento, não tendo atingido a idade adulta. Ao final dos três meses, foram realizados testes de glicemia, de análise do tecido adiposo, de tolerância à glicose e à insulina, e a absortometria radiológica de dupla energia, espécie de raio x que mostra a composição corporal. Posteriormente, os pesquisadores fizeram a coleta de tecidos do pâncreas, músculos, gordura e fígado para diferente análises.

Na média, os animais tratados se alimentaram menos quando comparados ao grupo controle. Entretanto, no dia em que eram alimentados, principalmente na primeira hora, comiam excessivamente: cerca de 65% a mais. O peso final do grupo controle foi de 264 gramas; já o grupo tratado teve peso médio de 215 gramas.
Muitos protocolos, necessidade de mais estudos

A bióloga conta que, atualmente, existem vários protocolos de jejum intermitente sendo usados por muitas pessoas como forma de manter e perder peso. Nesses protocolos, há variados períodos de intercalação de jejum com outros de alimentação. Pode-se, por exemplo, comer durante um período do dia e não comer no outro, ou fazer jejum apenas em dois dias na semana e se alimentar normalmente nos outros (conhecido como 5 x 2). E a duração do jejum também pode variar: 12, 14, 16 ou 18 horas, etc. Ou seja, há uma infinidade de modelos.

Ana Cláudia comenta que vários fatores podem interferir nos resultados, como o período do dia em que o jejum está sendo feito, as características pessoais de quem faz o jejum, se é um animal noturno ou diurno (no caso de pesquisa em animais), entre outros fatores. “Atualmente não há consenso entre a comunidade científica sobre o jejum intermitente. Há estudos em humanos e em animais mostrando benefícios, como efeitos neuroprotetores, enquanto outras pesquisas mostram exatamente o contrário: efeitos neurotóxicos. Por isso, são necessários mais estudos randomizados e de longo prazo, principalmente em humanos”, alerta.


Ana Cláudia Bonassa: “Atualmente não há consenso entre a comunidade científica sobre o jejum intermitente. Há estudos em humanos e em animais mostrando benefícios, como efeitos neuroprotetores, enquanto outras pesquisas mostram exatamente o contrário: efeitos neurotóxicos. Por isso, são necessários mais estudos randomizados e de longo prazo, principalmente em humanos” – Foto: Cecília Bastos / USP Imagens

A bióloga cita um estudo robusto, realizado com mais de 4 mil participantes humanos, que foram acompanhados durante nove anos, que correlacionou o hábito de pular o café da manhã – um tipo de jejum intermitente – com um risco maior de ter diabete, obesidade e aumento dos fatores de risco para síndrome metabólica e resistência à insulina.

Ana Cláudia lembra que, com o jejum intermitente, a pessoa ingere menos calorias e, com isso, emagrece. “Talvez muitos dos resultados benéficos observados em algumas pesquisas possam ser ocasionados pela perda de peso em si, e não por causa do jejum intermitente, pois perder peso melhora vários parâmetros associados à síndrome metabólica. Agora se o jejum intermitente for, de fato, benéfico, é preciso estudar qual é o melhor protocolo”, finaliza.

Mais informações: e-mail anamunoz@icb.usp.br, com a pesquisadora Ana Cláudia Munhoz Bonassa

Ouça no link abaixo o áudio da entrevista que a pesquisadora Ana Bonassa concedeu ao Jornal da USP no Ar, programa da Rádio USP FM



Autor: Jornal da USP
Fonte: Jornal da USP
Sítio Online da Publicação: Jornal da USP
Data de Publicação: 07/06/2018
Publicação Original: https://jornal.usp.br/ciencias/ciencias-biologicas/jejum-intermitente-24-por-24-horas-aumenta-risco-de-diabete-em-ratos/