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sexta-feira, 24 de março de 2023

Estudo avalia testes para leishmaniose visceral no Brasil

O diagnóstico da leishmaniose visceral no estágio inicial da doença é fator importante para o sucesso do tratamento e, por isso, os testes para detectar a enfermidade devem ser precisos, ou seja, apresentar baixo índice de resultados errados. Na Fiocruz Minas, um estudo desenvolvido pelo grupo de Pesquisa Clínica e Políticas Públicas de Doenças Infecto-Parasitárias avaliou se os dados de desempenho de testes diagnósticos informados pelos fabricantes à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) são reproduzidos em estudos realizados no Brasil. A avaliação apontou uma diferença significativa entre o informado na bula e o observado com o uso clínico, além da inexistência de informações críticas sobre os testes, como o antígeno utilizado e detalhamento das análises que geraram as medidas de desempenho.




Para realizar o estudo, os pesquisadores identificaram, no banco de dados eletrônico da Anvisa, todos os testes com registro vigente no Brasil, ou seja, autorizados a serem comercializados, totalizando 28 produtos. Desse total, 15 não disponibilizavam dados de desempenho (sensibilidade e especificidade) em seu manual de instruções e, assim, apenas 13 puderam ser avaliados. Para avaliar a reprodutibilidade do desempenho informado, foram buscados na literatura científica estudos clínicos, publicados até julho de 2021, descrevendo valores de sensibilidade (que é a capacidade de identificar corretamente os indivíduos que têm a doença ou, com mais especificidade, a capacidade de identificar corretamente os indivíduos que não têm a doença) desses testes.

De modo geral, os resultados indicaram que as medidas de desempenho apresentados nos manuais de instrução são superestimados, não sendo representativos do que ocorre com o uso em condições reais. Em boa parte dos casos, os fabricantes informam valores muito próximos de 100% de precisão, mas, na prática, ao aplicar os testes em um grupo grande de pessoas com suspeita da doença, vê-se que os resultados são inferiores.

“São várias as possíveis explicações para esta divergência, dentre elas, o fato de as medidas de desempenho do fabricante serem, em geral, obtidas a partir de pequeno número de soros de pacientes com e sem doença, casos muito selecionados, o que os tornam exemplos perfeitos de doente e não doente, mas não representativos de todo o espectro de pacientes com suspeita de leishmaniose visceral”, explica a pesquisadora Gláucia Cota, líder do grupo de pesquisa. Outro motivo é a realização das análises de desempenho com amostras e populações diferentes daquelas onde o teste será efetivamente aplicado, o que é relevante para uma doença como a leishmaniose, que pode ser causada por mais de uma espécie de parasita nas diferentes regiões do mundo.

“Outra constatação é a indisponibilidade de informações completas sobre os testes em comercialização, no que se refere não só às análises que produziram as medidas de desempenho realizadas pelos fabricantes, tais como tamanho da amostra, isto é, em quantas pessoas o teste foi aplicado, teste de referência, ou seja, qual foi o teste que definiu se havia ou não doença, mas também o local de realização do estudo, considerando a diversidade geográfica de espécies de leishmania, o que justifica que determinado teste apresente desempenho melhor em uma região em relação a outras”, explica a pós-doutoranda Mariana Lourenço Freire, que integra a equipe responsável pelo estudo.

Por isso, uma das proposições do grupo de pesquisa da Fiocruz Minas é a reavaliação dos critérios vigentes para registro de produtos diagnósticos na Anvisa. Além de informações relevantes para a compreensão dos limites e aplicabilidade de uma tecnologia, a apresentação de dados de validação local permitiria uma análise mais fidedigna da acurácia de um teste antes de sua incorporação. “Nossa análise mostrou a importância de estudos locais, com cálculos amostrais baseados em um número adequado de participantes e o estabelecimento de um teste padrão de referência adequado, de forma que seja possível identificar testes com desempenho aceitável a serem utilizados em cada área endêmica. Esperamos que nossa pesquisa possa contribuir para a melhoria do processo de avaliação de tecnologia em saúde no Brasil e, consequentemente, para melhor gestão dos recursos e abordagem clínica desta grave doença”, afirma Glaucia.

Leishmaniose visceral

A leishmaniose visceral é causada por protozoários parasitas que ficam hospedados principalmente em cães e roedores, transmitidos ao homem pelas fêmeas de flebotomíneos, popularmente conhecidos como mosquito palha, cangalhinha e birigui. A doença se caracteriza por febre de longa duração, anemia, aumento do fígado e baço, além de perda de peso acentuada.

No Brasil, são registrados cerca de 3.500 casos por ano. A taxa de letalidade no país se aproxima de 10%, muito mais alta do que a média mundial, que é de cerca de 5%. Pesquisas científicas sugerem que um dos fatores que levam a esse desfecho inaceitável no Brasil é a demora para se definir o diagnóstico.

Aos primeiros sintomas, pessoas residentes em áreas endêmicas de leishmaniose visceral devem procurar o serviço de saúde mais próximo. O Sistema Único de Saúde (SUS) oferece diagnóstico e tratamento gratuito para essa doença. O tratamento é feito com uso de medicamentos específicos.






Autor: Fiocruz Minas
Fonte: Fiocruz
Sítio Online da Publicação: Fiocruz
Data: 22/03/2023
Publicação Original: https://portal.fiocruz.br/noticia/estudo-avalia-testes-para-leishmaniose-visceral-no-brasil

segunda-feira, 3 de fevereiro de 2020

Estudo comprova transmissão de Leishmaniose visceral por novo vetor



Por: Diovana Rodrigues (ILMD/Fiocruz Amazônia)


Você sabe o que é leishmaniose? Uma enfermidade antes restrita a zonas rurais, mas que com as alterações ambientais, como desmatamento e queimadas, tornou-se também um problema dos espaços urbanos. A leishmaniose pode ser definida como uma doença infecciosa não contagiosa, causada pelo protozoário do gênero leishmania, essa doença é transmitida pelo inseto hematófago, flebotomíneo. Mas, no dialeto popular, é conhecida como ferida brava ou calazar. “Aquela ferida que não sara nunca, que se você não tomar a medicação correta, não vai ter cura, vai se espalhar pelo corpo ou vísceras. Uma parasitose que pode ocorrer no corpo todo”, explica Eric Marialva, mestre em Biologia da Interação Patógeno Hospedeiro, pelo Instituto Leônidas & Maria Deane (ILMD/Fiocruz Amazônia), que abordou a temática durante a realização de sua dissertação de mestrado.

Para compreender mais sobre a leishmaniose visceral, em especial sobre o protozoário Leishmania infantum chagasi e as formas de transmissão da doença, Eric Marialva, sob orientação do pesquisador Felipe Arley Costa Pessoa, desenvolveram o estudo Bionomia de Migonemyia migonei (Diptera, Psychodidae, Phlebotominae) em condições experimentais.

O estudo teve como principais resultados, a comprovação de um novo vetor de Leishmania infantum chagasi, novos métodos de criação em massa de Migonemyia migonei em laboratório e redescrição das fases imaturas desse vetor, que pode está causando preocupações à saúde básica por transmitirem doenças viscerais no Brasil e na Argentina.



As oito espécies de leishmania catalogadas que causam enfermidades à humanos no Brasil são: Leishmania (V) braziliensis, Leishmania (V) guyanensis, Leishmania (V) lainsoni, Leishmania (L) amazonenses, Le.(V) shawi, Le. (V) naiffi e Le. (V) lindenbergi, sendo essas sete causadoras da forma tegumentar e Leishmania (L) chagasi, da forma visceral

Sobre a pesquisa

A pesquisa de Eric Marialva enfatizou mais um vetor para se tomar cuidado no combate, já que o inseto Migonemyia migonei está vivendo ao mesmo tempo com a outra espécie já conhecida das pessoas, o Lutzomyia longipalpis. Então, as duas espécies preocupam e exigem para seu controle, cuidados com a limpeza do ambiente, para evitar a proliferação desses mosquitos.

O estudo definiu características morfológicas das larvas do flebotomíneo, para destacar aspectos como a taxonomia (classificação, descrição e identificação dos organismos), filogenia (relação evolutiva entre grupos de organismos) e a evolução. Outra importante descoberta está relacionada às condições de colonização de Migonemyia migonei em laboratório, com o intuito de verificar informações relevantes sobre o inseto, como ciclo de vida, fertilidade, fecundidade, longevidade e preferência de oviposição (deposição de ovos por fêmeas de animais invertebrados). Essas informações serviram para auxiliar na colonização em massa dessa espécie em condições laboratoriais.

O estudo verificou ainda, o desenvolvimento do modelo de transmissão de Leishmania infantum chagasi, através da picada de indivíduos colonizados. “Um dos experimentos realizados foi a infecção de Migonemyia migonei com Leishmania infantum chagasi. Após sete dias era feita a transmissão para um vertebrado em modelo murino. Conseguimos fazer a transmissão em vivo”, relata Eric Marialva, sobre os métodos e experiências utilizadas no estudo.

Com esse estudo, foi possível incriminar mais um vetor de Leishmania infantum chagasi na América Latina. Essa informação aciona um alerta para a vigilância em saúde, pois mais um vetor é capaz de transmitir a leishmaniose.

Para saber mais sobre a pesquisa, acesse o artigo no Repositório Institucional da Fiocruz (Arca).




Autor: Diovana Rodrigues
Fonte: ILMD/Fiocruz Amazônia
Sítio Online da Publicação: Fiocruz
Data: 03/02/2020
Publicação Original: https://portal.fiocruz.br/noticia/estudo-comprova-transmissao-de-leishmaniose-visceral-por-novo-vetor