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sexta-feira, 28 de janeiro de 2022

A concentração de CO2 na atmosfera continua aumentando

A concentração de CO2 na atmosfera continua aumentando, artigo de José Eustáquio Diniz Alves

A concentração de CO2 na atmosfera continua aumentando, a despeito de todo o blá-blá-blá das COPs e da governança global.

A cada dia aumenta a consciência das pessoas e das instituições nacionais e internacionais sobre a gravidade da crise climática. Porém, as soluções apontadas e os acordos assinados não são capazes de frear e reverter as emissões de gases de efeito estufa.

A Conferência das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente Humano (ou Conferência de Estocolmo) foi realizada na capital da Suécia entre 5 e 16 de junho de 1972. Naquela ocasião, há 50 anos, a concentração de CO2 na atmosfera estava em 330 partes por milhão (ppm) e a população mundial era de 3,85 bilhões de habitantes.

O mundo tomou conhecimento que o número de 280 ppm que era o máximo que havia prevalecido antes da Revolução Industrial e Energética, durante todo o Holoceno (últimos 12 mil anos). Entre os princípios acordados em Estocolmo estava o reconhecimento de que os recursos naturais necessitavam de gestão adequada para não serem esgotados e a necessidade do controle da poluição.

Porém, a concentração de CO2 continuou subindo como mostra o gráfico abaixo. Em 1988, o climatologista James Hansen fez um depoimento no Congresso Americano mostrando como o aquecimento global estava acelerando. Naquele ano a concentração de CO2 estava em 354 ppm e a população mundial tinha passado para cerca de 5 bilhões de habitantes.





A Conferência das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente e o Desenvolvimento, também conhecida como Eco-92 ou Cúpula da Terra, aconteceu na cidade do Rio de Janeiro de 3 a 14 de junho de 1992, com o objetivo foi debater os problemas ambientais globais. Naquela ocasião a concentração de CO2 tinha passado para 360 ppm.

A 1ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudança Climática (a COP1) aconteceu na cidade de Berlim em 1995. Dois anos depois, em 1997, aconteceu a COP3, quando foi assinado o Protocolo de Kyoto, no Japão. Naquele ano a concentração de CO2 estava em 367 ppm e a população mundial tinha passado para quase 6 bilhões de habitantes.

A Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável, conhecida também como Rio+20, foi realizada entre os dias 13 e 22 de junho de 2012, na cidade do Rio de Janeiro. Naquele ano a concentração de CO2 estava em 396 ppm e a população mundial tinha ultrapassado 7 bilhões de habitantes.

Nos 70 anos da ONU, foi realizado a COP21, quando foi assinado o Acordo de Paris que é um tratado ocorrido no âmbito da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre a Mudança do Clima (CQNUMC). O acordo foi negociado na capital da França e aprovado em 12 de dezembro de 2015. Entre as principais medidas estão a redução das emissões de gases estufa, a fim de conter o aquecimento global abaixo de 2º C e, preferencialmente, abaixo de 1,5º C, e garantir a perspectiva do desenvolvimento sustentável. Naquele ano a concentração de CO2 estava em 404 ppm.

No final de 2021 foi realizada a Conferência das Nações Unidas sobre Mudança Climática, na cidade de Glasgow, na Escócia. A tarefa mais urgente da COP26 foi traçar metas mais ambiciosas de redução de gases de efeito estufa para evitar um aquecimento global acima de 1,5º C. No ano passado a concentração de CO2 estava em 419 ppm e a população mundial estava chegando a 8 bilhões de habitantes. Portanto, a curva de Keeling continua a aumentar a despeito de todo o blá-blá-blá da governança global, pois o crescimento demoeconômico do mundo continua em sua marcha incessante e desregrada.

De fato, as emissões globais de CO2 estavam em 2 bilhões de toneladas em 1900, passaram para 6 bilhões de toneladas em 1950, chegaram a 25 bilhões de toneladas no ano 2000 e atingiram 36 bilhões de toneladas entre 2019 e 2021. Em consequência do efeito estufa, as temperaturas do Planeta estão subindo e acelerando as mudanças climáticas e seus efeitos danosos sobre a vida na Terra.

No passado foram os países desenvolvidos que mais emitiram CO2 em função da queima de combustíveis fósseis. Mas no século XXI os países fora da OCDE emitem mais do que os países da OCDE e a soma da China + Índia emite muito mais do que a Europa + EUA, conforme mostra o gráfico abaixo de artigo do climatologista James Hansen.





Sob o Acordo de Paris adotado em 2015, praticamente todas as nações do mundo se comprometeram a limitar o aquecimento global a um patamar “bem abaixo” de 2º C (em relação aos níveis pré-industriais) e também, se possível, “buscar” esforços para limitar o aquecimento a 1,5C. Contudo, no momento, o mundo não está nem perto do caminho necessário para atingir essas metas e a concentração de CO2 deve atingir 422 ppm em maio de 2022.

Segundo análise do Carbon Brief, os cenários para os próximos anos são os seguintes:
• O mundo provavelmente excederá 1,5º C entre 2026 e 2042 em cenários onde as emissões não são reduzidas rapidamente, com uma estimativa central em 2031;
• O limite 2º C provavelmente será excedido entre 2034 e 2052 no cenário de emissões mais altas, com um ano mediano de 2043;
• Em um cenário de mitigação modesta – onde as emissões permanecem próximas aos níveis atuais – o limite 2º C seria excedido entre 2038 e 2072, com uma mediana em 2052.

A crise climática significa clima instável e com variações extremas, provocando mais furacões, mais secas, mais inundações, mais incêndios e queimadas, além de mais mortes relacionadas ao calor e mais prejuízos econômicos. Maiores temperaturas significam maior degelo. O nível do mar aumentará alguns metros à medida que as prateleiras de gelo dos polos derreterem. Milhões de pessoas serão forçadas a mudar de área ou país. A agricultura terá perda de produtividade e a insegurança alimentar deve aumentar.

Só existe um caminho para evitar os piores cenários e este caminho passa pelo fim das emissões de gases de efeito estufa e pela reversão da curva de Keeling. O crescimento precisa virar decrescimento. O mundo registrou uma concentração de CO2 de 321 ppm em maio de 1962 e 360 ppm em maio de 1992 (um aumento de 39 ppm nos 30 anos anteriores à Cúpula da Terra no Rio de Janeiro). Em maio de 2022 deve atingir 422 ppm (um aumento de 62 ppm nos 30 anos posteriores à Cúpula do Rio). Ou seja, o aumento da curva de Keeling se acelerou nos últimos 30 anos a despeito de todas as Conferências, Tratados e Acordos da governança global.

Portanto, é urgente interromper a emissão de gases de efeito estufa e voltar o mais rápido possível ao patamar de 360 ppm, considerando o nível seguro para evitar um aquecimento global catastrófico.
José Eustáquio Diniz Alves
Doutor em demografia, link do CV Lattes:
http://lattes.cnpq.br/2003298427606382

Referências:
ALVES, JED. Aula 11 AM088: Decrescimento demoeconômico e capacidade de carga do Planeta, IFGW, 11/04/21
https://www.youtube.com/watch?v=QVWun2bJry0&list=PL_1__0Jp-8rhsqxcfNUI8oTRO1wBr86fh&index=9



in EcoDebate, ISSN 2446-9394, 26/01/2022






Autor: José Eustáquio Diniz Alves
Fonte: EcoDebate
Sítio Online da Publicação: EcoDebate
Data: 26/01/2022
Publicação Original: https://www.ecodebate.com.br/2022/01/26/a-concentracao-de-co2-na-atmosfera-continua-aumentando/

quarta-feira, 17 de março de 2021

A concentração de CO2 é a mais alta em milhões de anos, artigo de José Eustáquio Diniz Alves

A concentração de CO2 na atmosfera está chegando ao nível equivalente ao que existia há 15 milhões de anos e continua crescendo de maneira sem precedentes, a despeito da covid-19 e da recessão econômica ocorrida em 2020.

A desaceleração industrial devido à pandemia não reduziu os níveis recordes de gases de efeito estufa que estão prendendo o calor na atmosfera, aumentando as temperaturas, elevando o clima aos extremos, derretimento do gelo, aumento do nível do mar e acidificação dos oceanos, de acordo com a NOAA (Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos EUA).

O aumento em 2020 foi de 2,31 partes por milhão (ppm), atingindo o valor de 414,24 ppm em 2020, ou seja, em cada um milhão de moléculas de ar no planeta, havia 414,24 do principal gás de efeito estufa. O nível minimamente seguro, para evitar um colapso climático de grandes proporções, é de 350 ppm.



Nos 800 mil anos antes da revolução industrial, a concentração de CO2 na atmosfera ficou abaixo de 280 ppm. As medições com base no estudo do gelo, mostram que em 1860 a concentração atingiu 290 ppm. Em 1900 estava em 295 ppm. Chegou a 300 ppm em 1920 e atingiu 310 ppm em 1950. A partir do início do Antropoceno (1950), o efeito estufa se acelerou. Em 1958, Charles Keeling, instalou no alto do vulcão Mauna Loa o primeiro equipamento para medir as concentrações de CO2 na atmosfera. Isto possibilitou que a partir de uma série histórica de dados houvesse a possibilidade de acompanhar a poluição recente. A série de Keeling mostra que a concentração de CO2 na atmosfera, na média mensal, chegou a 399,76 partes por milhão (ppm) em maio de 2013 e só ultrapassou a barreira de 400 ppm no ano seguinte. E continua crescendo.

A previsão de aumento do dióxido de carbono para 2021 da NOAA (Mauna Loa) é de 2,29 (mais ou menos 0,55) ppm, o que implica uma concentração de 419,3 (+ ou – 0,6) ppm, o que significa que o CO2 atmosférico atingirá níveis 50% maiores do que as concentrações pré-industriais em 2021, conforme o gráfico abaixo. Desta forma, o dióxido de carbono continuará a se acumular na atmosfera em 2021 devido às emissões contínuas da queima de combustível fóssil, mudança no uso da terra e produção de cimento. Prevê-se que o aumento anual deste ano seja menor do que nos anos mais recentes, devido a um fortalecimento temporário do sumidouro de carbono da terra associado às atuais condições do La Niña.



Artigo de Ayesha Tandon, no Carbon Brief (08/03/2021), mostra que os “sistemas alimentares” foram responsáveis por 34% de todas as emissões de gases de efeito estufa causadas pelo ser humano em 2015, de acordo com uma nova pesquisa. O estudo, publicado na revista Nature Food, desenvolve o primeiro banco de dados a decompor as emissões de cada etapa da cadeia alimentar para todos os anos de 1990 a 2015. O banco de dados também descompacta as emissões por setor, gás de efeito estufa e país. De acordo com o estudo, 71% das emissões de alimentos em 2015 vieram da agricultura e “uso do solo associado e atividades de mudança no uso do solo”. O restante foi proveniente de varejo, transporte, consumo, produção de combustível, gestão de resíduos, processos industriais e embalagem. O estudo constata que o CO2 é responsável por cerca de metade das emissões relacionadas com alimentos, enquanto o metano (CH4) representa 35% – principalmente da produção animal, agricultura e tratamento de resíduos. As emissões do setor de varejo estão aumentando, conclui o estudo, e aumentaram 3 a 4 vezes na Europa e nos EUA entre 1990 e 2015.

O documento “World Scientists’ Warning of a Climate Emergency” (BioScience, 05/11/2019) afirma que: “O crescimento econômico e populacional está entre os mais importantes fatores do aumento das emissões de CO2 em decorrência da combustão de combustíveis fósseis”. Em consequência, diz o seguinte sobre a questão demográfica: “Ainda crescendo em torno de 80 milhões pessoas por ano, ou mais de 200.000 por dia, a população mundial precisa ser estabilizada – e, idealmente, reduzida gradualmente – dentro de uma estrutura que garante a integridade social” (Bongaarts e O’Neill 2018)”.

Portanto, o mundo está percorrendo uma rota perigosa. O aumento da concentração de CO2 na atmosfera contribuiu para o fato de termos 7 anos seguidos (2014 a 2020) de recordes de temperatura. O efeito estufa trará custos enormes e as sociedades podem não estar preparadas para pagar o alto preço de limpar no futuro a sujeira feita no passado e no presente. O mais grave é que nem as metas modestas do Acordo de Paris, de dezembro de 2015, estão sendo respeitadas.

As emissões de gases de efeito estufa (GEE) deveriam estar diminuindo, mas, ao contrário, o mundo continua emitindo grande quantidade de GEE. Assim, o mundo pode caminhar para uma situação de “Terra Estufa” e várias partes do Planeta podem ficar inabitáveis.

José Eustáquio Diniz Alves
Colunista do EcoDebate.
Doutor em demografia, link do CV Lattes: http://lattes.cnpq.br/2003298427606382



Referências:

ALVES, JED. Cientistas alertam para a emergência climática e o crescimento populacional, Ecodebate, 15/11/2019
https://www.ecodebate.com.br/2019/11/15/cientistas-alertam-para-a-emergencia-climatica-e-o-crescimento-populacional-artigo-de-jose-eustaquio-diniz-alves/

ALVES, JED. A vida na Terra tem duas ameaças vitais: mudanças climáticas e ecocídio, Ecodebate, 19/06/2019
https://www.ecodebate.com.br/2019/06/19/a-vida-na-terra-tem-duas-ameacas-vitais-mudancas-climaticas-e-ecocidio-artigo-de-jose-eustaquio-diniz-alves/

ALVES, JED. A dinâmica demográfica global em uma “Terra inabitável”, Revista Latinoamericana de Población, Vol. 14 Núm. 26, dezembro de 2019
https://revistarelap.org/index.php/relap/article/view/239

AHMED, Nafeez. New Report Suggests ‘High Likelihood of Human Civilization Coming to an End’ Starting in 2050, Motherboard. Jun 3 2019
https://www.vice.com/en_us/article/597kpd/new-report-suggests-high-likelihood-of-human-civilization-coming-to-an-end-in-2050

AYESHA TANDON. “Food systems” were responsible for 34% of all human-caused greenhouse gas emissions in 2015, according to new research, Carbon Brief, 08/03/2021
https://www.carbonbrief.org/food-systems-responsible-for-one-third-of-human-caused-emissions

STEFFEN, W. et al. Planetary boundaries: Guiding human development on a changing planet, V. 347, I. 6223, Science, 13/02/2015
https://science.sciencemag.org/content/347/6223/1259855

BONGAARTS J, O’NEILL BC. Global warming policy: Is population left out in the cold? Science 361: 650–652,17/08/2019
http://demographic-challenge.com/files/downloads/dba87c53530fb9f6776c29cff5820115/science-361.pdf

WILLIAM J R, et. al. World Scientists’ Warning of a Climate Emergency, BioScience, 05/11/19
https://academic.oup.com/bioscience/advance-article/doi/10.1093/biosci/biz088/5610806



in EcoDebate, ISSN 2446-9394, 17/03/2021






Autor: EcoDebate
Fonte: EcoDebate
Sítio Online da Publicação: EcoDebate
Data: 17/03/2021
Publicação Original: https://www.ecodebate.com.br/2021/03/17/a-concentracao-de-co2-e-a-mais-alta-em-milhoes-de-anos/