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segunda-feira, 4 de outubro de 2021
Crise hídrica, jogos políticos e o risco de apagão no fim do ano
Crise hídrica, jogos políticos e o risco de apagão no fim do ano, artigo de Allan Christian Krainski Ferrari
A geração solar poderia ser uma resposta rápida e efetiva contra essa crise energética atual, pois o Brasil tem um potencial de geração maior do que os países europeus que já exploram essa fonte há mais tempo
O Brasil sofre atualmente uma das piores crises hídricas dos últimos 90 anos, com reflexos diretos no preço da tarifa de energia elétrica. A situação climática também afeta de forma indireta os preços de bens e serviços que dependem do uso de eletricidade. Além do rodízio no fornecimento da água em diversas cidades, a população enfrenta outra questão: a energia elétrica pesa no orçamento familiar.
A maior parte da energia elétrica produzida no Brasil provém de usinas hidrelétricas, o meio mais barato de produção, mas que depende das chuvas para abastecer os reservatórios. Em períodos de seca a produção fica mais cara, pois o governo precisa acionar as termelétricas como forma de compensar as deficiências nos níveis dos reservatórios.
Apesar da crise hídrica, o sistema elétrico brasileiro é interligado entre as diversas regiões, de forma a minimizar os riscos de falhas no abastecimento. Mas às vezes isso não é suficiente para suprir a demanda e atender consumidores residenciais e industriais, tendo o governo que recorrer à importação de energia de outros países.
Falta de planejamento
O sistema elétrico brasileiro pode ser considerado um dos mais renováveis do mundo, pois mais de 80% da energia produzida pelo país é gerada por usinas hidrelétricas. Logo, o aumento na fatura deve-se, de fato, à crise hídrica que estamos vivendo.
Ainda assim, o governo brasileiro tem sua parcela de culpa. Seja na gestão atual ou nas anteriores, pelo planejamento e investimentos insuficientes em outras fontes de energia.
É inegável que o governo atual esteja tentando minimizar os efeitos da crise hídrica, via propagandas que objetivam conscientizar a população a economizar. Outras medidas também incluem o acionamento de usinas termelétricas e a importação de energia de outros países.
Isso é válido, mas não seria estranho se repensasse também em adotar o Horário de Verão. Além disso, poderia incentivar a geração de energia por meio de fontes renováveis como a eólica e a solar.
Jogo de interesses
A geração solar poderia ser uma resposta rápida e efetiva contra essa crise energética atual, pois o Brasil tem um potencial de geração maior do que os países europeus que já exploram essa fonte há mais tempo. Como exemplo, cito a Alemanha.
Sabemos que a falta de investimentos em outras fontes de energia renováveis também se deve às influências políticas e aos jogos de interesse de empresas, que muitas vezes estão acima do bem social.
Recentemente, a Câmara dos Deputados discutiu a melhor maneira de taxar a energia solar. Como resultado, foi aprovado o Projeto de Lei 5829/19 que permite a cobrança de taxas e tributos à minigeração e microgeração de energia solar distribuída conectada à rede elétrica.
Isso gera dúvidas, confunde e desanima a quem tem interesse em investir no segmento. Em plena crise hídrica e energética, esperava-se que os políticos discutissem como expandir e difundir a geração de energia solar. Mesmo em crescimento, a sua participação na matriz elétrica brasileira em comparação à fonte hidráulica é ínfima.
Grupos ligados às concessionárias e distribuidoras de energia elétrica defendem a taxação solar com o argumento de que famílias mais pobres não teriam condições de instalar um sistema fotovoltaico e os mesmos acabariam arcando com uma tarifa mais cara devido aos custos de manutenção da rede elétrica.
Isso não deixa de ser verdade, pois as pessoas que desejam ter um sistema fotovoltaico em suas residências pagariam uma tarifa menor, onde a parcela do valor destinado à manutenção da rede elétrica também seria menor. Logo, essa diferença seria arcada no bolso dos mais pobres. Também vale destacar que a instalação de sistemas fotovoltaicos é realmente cara e atualmente poucas pessoas têm acesso a esta tecnologia.
Neste caso, a cobrança de impostos da geração solar conectada à rede elétrica pode ser até justa, desde que o valor cobrado não torne o investimento inviável e o dinheiro arrecadado pelo imposto seja, de fato, usado corretamente na manutenção do sistema elétrico.
Interesses obscuros
A ideia já é discutida e protegida por aqueles que defendem o uso da energia solar, mas talvez não seja tão interessante para quem controla e vende a energia elétrica por geração hidráulica ou por outras fontes.
No cenário atual, o Brasil precisa de uma solução rápida e mais efetiva para uma crise energética que está cada vez mais iminente com o prolongamento da falta de chuvas. Mesmo que o governo negue os riscos de apagão, vários setores da economia estão considerando as hipóteses de racionamento de energia e como isso vai afetar na produção de bens e serviços.
O governo atual precisa ser mais ousado em incentivar o uso de energias renováveis, principalmente a solar, mesmo que não agrade certos grupos [concessionárias e distribuidoras] e quem é a favor da taxação da energia solar.
Não é justo que as pessoas mais pobres sejam usadas como justificativa de taxação da energia solar, pois o Brasil necessita de energia elétrica para fazer a economia crescer, manter hospitais e escolas etc. Os mais pobres já estão sofrendo as consequências por pagar uma tarifa mais cara. Logo, não é justo usá-los como desculpa para frear o desenvolvimento de um país.
Além das propagandas de conscientização da economia de energia que passam na TV, o governo poderia financiar anúncios sobre as energias renováveis de forma a incentivar a iniciativa privada a investir nelas e ajudar a girar a economia.
*Allan Christian Krainski Ferrari, é professor do UniCuritiba e mestre em Engenharia Elétrica na UFPR
in EcoDebate, ISSN 2446-9394, 04/10/2021
Autor: EcoDebate
Fonte: EcoDebate
Sítio Online da Publicação: EcoDebate
Data: 04/10/2021
Publicação Original: https://www.ecodebate.com.br/2021/10/04/crise-hidrica-jogos-politicos-e-o-risco-de-apagao-no-fim-do-ano/
segunda-feira, 27 de setembro de 2021
Crise hídrica deve se manter até 2022

Crise hídrica deve se manter até 2022
Com o cenário de crise hídrica pelo qual o País vem passando, as chuvas de primavera são aguardadas com ansiedade. No entanto, mesmo com a chegada delas, a previsão é que os reservatórios continuem abaixo dos níveis indicados
Pedro Luiz Côrtes prevê que a crise de abastecimento se estenda durante o primeiro semestre do próximo ano, mesmo com a ocorrência de chuvas dentro dos padrões normais
Jornal da USP no Ar / Jornal da USP no Ar 1ª edição / Rádio USP
Com o cenário de crise hídrica pelo qual o País vem passando, as chuvas de primavera são aguardadas com ansiedade. No entanto, mesmo com a chegada delas, a previsão é que os reservatórios continuem abaixo dos níveis indicados. O prognóstico é que a recuperação dos sistemas de abastecimento levará cerca de dois anos, sendo que o cenário de estiagem deve se estender pelo menos até o primeiro semestre de 2022.
“Com o início da primavera, nós teremos a volta das chuvas e isso dará a falsa impressão de retorno à normalidade”, contou ao Jornal da USP no Ar 1ª Edição o professor Pedro Luiz Côrtes, da Escola de Comunicações e Artes (ECA) e do Programa de Pós-Graduação em Ciência Ambiental do Instituto de Energia e Ambiente (IEE) da USP. Segundo ele, as chuvas ficaram dentro das médias anuais durante a estação e, com a chegada do verão, se tornaram irregulares, com chances de períodos de estiagem. Dessa forma, os reservatórios não irão restabelecer seus níveis ideais para acabar com a crise.
A previsão é que a crise de abastecimento se estenda durante o primeiro semestre de 2022, mesmo com a ocorrência de chuvas dentro dos padrões normais. Côrtes explica, no entanto, que nos últimos anos vêm acontecendo uma redução no volume anual de chuvas, uma das consequências do desmatamento da Amazônia: “A tendência é que essa situação de redução se mantenha”, afirma o professor.
Na região metropolitana de São Paulo, o prognóstico é o mesmo das demais regiões do País. A estiagem prevista no verão irá afetar principalmente o sistema Cantareira e parte do sistema do Alto Tiete. Côrtes explica que, nos últimos dez anos, esses sistemas tiveram um índice de chuvas dentro das médias anuais e a tendência é que o cenário se mantenha. “Diante desse prognóstico climático desfavorável, permanece o alerta de uma crise de abastecimento em 2022, infelizmente”, conclui Côrtes.
Autor: EcoDebate
Fonte: EcoDebate
Sítio Online da Publicação: EcoDebate
Data: 27/09/2021
Publicação Original: https://www.ecodebate.com.br/2021/09/27/crise-hidrica-deve-se-manter-ate-2022/
Com o cenário de crise hídrica pelo qual o País vem passando, as chuvas de primavera são aguardadas com ansiedade. No entanto, mesmo com a chegada delas, a previsão é que os reservatórios continuem abaixo dos níveis indicados
Pedro Luiz Côrtes prevê que a crise de abastecimento se estenda durante o primeiro semestre do próximo ano, mesmo com a ocorrência de chuvas dentro dos padrões normais
Jornal da USP no Ar / Jornal da USP no Ar 1ª edição / Rádio USP
Com o cenário de crise hídrica pelo qual o País vem passando, as chuvas de primavera são aguardadas com ansiedade. No entanto, mesmo com a chegada delas, a previsão é que os reservatórios continuem abaixo dos níveis indicados. O prognóstico é que a recuperação dos sistemas de abastecimento levará cerca de dois anos, sendo que o cenário de estiagem deve se estender pelo menos até o primeiro semestre de 2022.
“Com o início da primavera, nós teremos a volta das chuvas e isso dará a falsa impressão de retorno à normalidade”, contou ao Jornal da USP no Ar 1ª Edição o professor Pedro Luiz Côrtes, da Escola de Comunicações e Artes (ECA) e do Programa de Pós-Graduação em Ciência Ambiental do Instituto de Energia e Ambiente (IEE) da USP. Segundo ele, as chuvas ficaram dentro das médias anuais durante a estação e, com a chegada do verão, se tornaram irregulares, com chances de períodos de estiagem. Dessa forma, os reservatórios não irão restabelecer seus níveis ideais para acabar com a crise.
A previsão é que a crise de abastecimento se estenda durante o primeiro semestre de 2022, mesmo com a ocorrência de chuvas dentro dos padrões normais. Côrtes explica, no entanto, que nos últimos anos vêm acontecendo uma redução no volume anual de chuvas, uma das consequências do desmatamento da Amazônia: “A tendência é que essa situação de redução se mantenha”, afirma o professor.
Na região metropolitana de São Paulo, o prognóstico é o mesmo das demais regiões do País. A estiagem prevista no verão irá afetar principalmente o sistema Cantareira e parte do sistema do Alto Tiete. Côrtes explica que, nos últimos dez anos, esses sistemas tiveram um índice de chuvas dentro das médias anuais e a tendência é que o cenário se mantenha. “Diante desse prognóstico climático desfavorável, permanece o alerta de uma crise de abastecimento em 2022, infelizmente”, conclui Côrtes.
in EcoDebate, ISSN 2446-9394, 27/09/2021
Autor: EcoDebate
Fonte: EcoDebate
Sítio Online da Publicação: EcoDebate
Data: 27/09/2021
Publicação Original: https://www.ecodebate.com.br/2021/09/27/crise-hidrica-deve-se-manter-ate-2022/
terça-feira, 24 de agosto de 2021
Reaproveitamento de água poderia reduzir a crise hídrica

Muitos dispositivos de reuso de água são de baixo custo e podem ser implantados em qualquer residência. Divulgação
Reaproveitamento de água poderia reduzir a crise hídrica
Sistemas de reuso e captação da água da chuva ainda não são uma obrigação, mas espera-se que seja em breve
Segundo arquiteto e urbanista Paulo Renato Alves, embora os modernos empreendimentos ofereçam tais inovações, falta incentivo do poder público para uso consciente dos recursos naturais, como o reaproveitamento de água
A crise hídrica anunciada no fim do último mês de maio pelo próprio governo federal e que já atinge cinco estados brasileiros, entre eles Goiás, é considerada a mais grave nos últimos 91 anos. Por isso já provoca um efeito em cadeia enorme, que vai desde a falta de água nas torneiras das casas, ao impacto negativo na economia com encarecimento de energia elétrica e da produção de alimentos.
Acontece que, esse quadro não precisaria ser tão grave se, primeiro, a população brasileira tivesse uma efetiva educação ambiental; e segundo, se tecnologias e sistemas de reuso de água ou que estimulam o consumo racional já estivessem sendo usados em larga escala no País. É no que acredita o arquiteto e urbanista Paulo Renato Alves, especializado em desenvolvimento de empreendimentos imobiliários. Segundo ele, muitos dos novos empreendimentos que estão sendo lançados e construídos atualmente pelo mercado imobiliário, já contam com mecanismos de captação das águas da chuva ou de reuso da água fornecida pela concessionária de saneamento.
Segundo o especialista, são tecnologias que requerem um investimento um pouco maior na construção, mas que têm um retorno imediato para o morador e claro, para o meio ambiente. “Hoje você recebe uma água potável na sua casa que é toda descartada só com um primeiro uso, sendo que atualmente existem tecnologias super acessíveis e que irão pegar essas águas, como por exemplo a água usada no banho, que será armazenada e tratada numa subestação, podendo ser tranquilamente usada para outros fins. Isso, além de bom para o meio ambiente, é economia para as famílias”, afirma Paulo Renato.
Mas apesar de muitos novos projetos preverem tais tecnologias de uso sustentável da água, elas não são obrigatórias nos empreendimentos. O urbanista lembra, porém, que essa discussão já existe, em Goiânia inclusive, mas precisa avançar. “Esses sistemas de reuso e captação da água da chuva ainda não são uma obrigação, mas espera-se que seja em breve. Já há muitas cidades Brasil afora que já discutem isso. Em Goiânia mesmo, há um projeto de lei municipal que propõe tal obrigatoriedade”, revela Paulo Renato.
Lençol freático
Mas Paulo Renato aponta alguns avanços importantes nas leis sobre a gestão dos recursos hídricos. “As legislações municipais têm se atentado muito a isso. Uma dessas ferramentas que já tem sido amplamente usada, e que em Goiânia é obrigatória, são os poços de infiltração. Os empreendimentos precisam ter a caixa de recarga, poço de infiltração, que nada mais são formas de você pegar a água que vem das chuvas e devolvê-la para o lençol freático”, destaca.
Paulo Renato afirma que a preservação dos lençóis freáticos é uma questão primordial para a manutenção da água potável. Ele, inclusive, condena o hábito de muitas famílias, que ao construírem ou comprarem uma casa eliminam as áreas permeáveis ou cobertura verde desses terrenos. “Na maioria das residências pela cidade, a área permeável que a prefeitura exige nos terrenos, depois que o proprietário tem o habite-se, é toda cimentada. Então o que acontece com a água da chuva? Ela cai no telhado ou no chão, desce, vai para o piso, sai desse terreno e vai para a rede pluvial. Então essa água não volta para o lençol freático. Então, além do uso exagerado, há uma interrupção desse ciclo natural da água, o que com tempo reflete nesse desequilíbrio hídrico que estamos vendo hoje ”, explica o arquiteto e urbanista.
Incentivos
Para Paulo Renato, além de uma maior conscientização da população brasileira sobre o uso racional da água, faltam ainda políticas públicas que incentivem as pessoas e empresas a adotarem essas tecnologias sustentáveis. “Acho que aqui no Brasil a população só irá fazer alguma coisa se houver de fato algum incentivo. Só pela conscientização, pura e simplesmente, eu não acredito que a grande maioria da população o faça”.
O urbanista defende incentivos fortes por parte do poder público. “As prefeituras podem perfeitamente implantar políticas de incentivo fiscal ou de desconto no IPTU para quem implantar na sua casa, por exemplo, uma canalização para captação de água da chuva, que é algo muito simples”, sugere.
Experiências fora
O urbanista cita várias experiências de sucessos que já são adotadas em outros países há um bom tempo e podem ser facilmente implantadas aqui no Brasil. “Na Alemanha, por exemplo, já desde os anos 1980 as casas e prédios contam com sistemas de reuso da água da chuva. Essa água é armazenada e depois utilizada para irrigação, para descarga, para limpeza e outros usos. Em todo o Japão, por exemplo, usa-se água da captação das chuvas. Inclusive, em várias cidades japonesas você encontra empreendimentos, que não só captam a água da chuva, mas a tornam potável”, exemplifica Paulo Renato Alves.
De acordo o urbanista, países que adotam uma gestão eficiente dos recursos hídricos têm quase sempre algo incomum, terem em algum momento de sua história passado por uma forte escassez de água, o que faz das populações destas nações mais conscientes. “A Alemanha, por exemplo, viveu duas Grandes Guerras, e por isso eles sabem bem o que é escassez, não só de água, mas de alimento e outras coisas vitais. Nesses países eles sabem que a falta de água potável gera mortes”, alerta o especialista.
in EcoDebate, ISSN 2446-9394, 24/08/2021
Autor: EcoDebate
Reaproveitamento de água poderia reduzir a crise hídrica
Sistemas de reuso e captação da água da chuva ainda não são uma obrigação, mas espera-se que seja em breve
Segundo arquiteto e urbanista Paulo Renato Alves, embora os modernos empreendimentos ofereçam tais inovações, falta incentivo do poder público para uso consciente dos recursos naturais, como o reaproveitamento de água
A crise hídrica anunciada no fim do último mês de maio pelo próprio governo federal e que já atinge cinco estados brasileiros, entre eles Goiás, é considerada a mais grave nos últimos 91 anos. Por isso já provoca um efeito em cadeia enorme, que vai desde a falta de água nas torneiras das casas, ao impacto negativo na economia com encarecimento de energia elétrica e da produção de alimentos.
Acontece que, esse quadro não precisaria ser tão grave se, primeiro, a população brasileira tivesse uma efetiva educação ambiental; e segundo, se tecnologias e sistemas de reuso de água ou que estimulam o consumo racional já estivessem sendo usados em larga escala no País. É no que acredita o arquiteto e urbanista Paulo Renato Alves, especializado em desenvolvimento de empreendimentos imobiliários. Segundo ele, muitos dos novos empreendimentos que estão sendo lançados e construídos atualmente pelo mercado imobiliário, já contam com mecanismos de captação das águas da chuva ou de reuso da água fornecida pela concessionária de saneamento.
Segundo o especialista, são tecnologias que requerem um investimento um pouco maior na construção, mas que têm um retorno imediato para o morador e claro, para o meio ambiente. “Hoje você recebe uma água potável na sua casa que é toda descartada só com um primeiro uso, sendo que atualmente existem tecnologias super acessíveis e que irão pegar essas águas, como por exemplo a água usada no banho, que será armazenada e tratada numa subestação, podendo ser tranquilamente usada para outros fins. Isso, além de bom para o meio ambiente, é economia para as famílias”, afirma Paulo Renato.
Mas apesar de muitos novos projetos preverem tais tecnologias de uso sustentável da água, elas não são obrigatórias nos empreendimentos. O urbanista lembra, porém, que essa discussão já existe, em Goiânia inclusive, mas precisa avançar. “Esses sistemas de reuso e captação da água da chuva ainda não são uma obrigação, mas espera-se que seja em breve. Já há muitas cidades Brasil afora que já discutem isso. Em Goiânia mesmo, há um projeto de lei municipal que propõe tal obrigatoriedade”, revela Paulo Renato.
Lençol freático
Mas Paulo Renato aponta alguns avanços importantes nas leis sobre a gestão dos recursos hídricos. “As legislações municipais têm se atentado muito a isso. Uma dessas ferramentas que já tem sido amplamente usada, e que em Goiânia é obrigatória, são os poços de infiltração. Os empreendimentos precisam ter a caixa de recarga, poço de infiltração, que nada mais são formas de você pegar a água que vem das chuvas e devolvê-la para o lençol freático”, destaca.
Paulo Renato afirma que a preservação dos lençóis freáticos é uma questão primordial para a manutenção da água potável. Ele, inclusive, condena o hábito de muitas famílias, que ao construírem ou comprarem uma casa eliminam as áreas permeáveis ou cobertura verde desses terrenos. “Na maioria das residências pela cidade, a área permeável que a prefeitura exige nos terrenos, depois que o proprietário tem o habite-se, é toda cimentada. Então o que acontece com a água da chuva? Ela cai no telhado ou no chão, desce, vai para o piso, sai desse terreno e vai para a rede pluvial. Então essa água não volta para o lençol freático. Então, além do uso exagerado, há uma interrupção desse ciclo natural da água, o que com tempo reflete nesse desequilíbrio hídrico que estamos vendo hoje ”, explica o arquiteto e urbanista.
Incentivos
Para Paulo Renato, além de uma maior conscientização da população brasileira sobre o uso racional da água, faltam ainda políticas públicas que incentivem as pessoas e empresas a adotarem essas tecnologias sustentáveis. “Acho que aqui no Brasil a população só irá fazer alguma coisa se houver de fato algum incentivo. Só pela conscientização, pura e simplesmente, eu não acredito que a grande maioria da população o faça”.
O urbanista defende incentivos fortes por parte do poder público. “As prefeituras podem perfeitamente implantar políticas de incentivo fiscal ou de desconto no IPTU para quem implantar na sua casa, por exemplo, uma canalização para captação de água da chuva, que é algo muito simples”, sugere.
Experiências fora
O urbanista cita várias experiências de sucessos que já são adotadas em outros países há um bom tempo e podem ser facilmente implantadas aqui no Brasil. “Na Alemanha, por exemplo, já desde os anos 1980 as casas e prédios contam com sistemas de reuso da água da chuva. Essa água é armazenada e depois utilizada para irrigação, para descarga, para limpeza e outros usos. Em todo o Japão, por exemplo, usa-se água da captação das chuvas. Inclusive, em várias cidades japonesas você encontra empreendimentos, que não só captam a água da chuva, mas a tornam potável”, exemplifica Paulo Renato Alves.
De acordo o urbanista, países que adotam uma gestão eficiente dos recursos hídricos têm quase sempre algo incomum, terem em algum momento de sua história passado por uma forte escassez de água, o que faz das populações destas nações mais conscientes. “A Alemanha, por exemplo, viveu duas Grandes Guerras, e por isso eles sabem bem o que é escassez, não só de água, mas de alimento e outras coisas vitais. Nesses países eles sabem que a falta de água potável gera mortes”, alerta o especialista.
in EcoDebate, ISSN 2446-9394, 24/08/2021
Autor: EcoDebate
Fonte: EcoDebate
Sítio Online da Publicação: EcoDebate
Data: 24/08/2021
Publicação Original: https://www.ecodebate.com.br/2021/08/24/reaproveitamento-de-agua-poderia-reduzir-a-crise-hidrica/
Sítio Online da Publicação: EcoDebate
Data: 24/08/2021
Publicação Original: https://www.ecodebate.com.br/2021/08/24/reaproveitamento-de-agua-poderia-reduzir-a-crise-hidrica/
terça-feira, 15 de junho de 2021
Entenda o impacto da meteorologia na atual crise hídrica
Antes de explicar a relação da meteorologia com o tema, é importante ressaltar que a matriz elétrica brasileira é alimentada principalmente por fontes renováveis (83%), um ponto extremamente positivo quando comparado com a média mundial que é de 25% (BEN, 2020).
No Brasil, estamos acompanhando um grande crescimento da produção de energia proveniente de fontes eólicas, a qual ultrapassou recentemente o marco de 18 GW de capacidade instalada, equivalente a 10,3% da matriz elétrica brasileira. Ainda assim, as hidráulicas representam a maior fonte de geração de energia no país, tal que alterações no volume ou padrões irregulares de precipitação afetam todo o setor de energia.
Principais Sistemas Climáticos e a crise hídrica
Apesar do Brasil ser um país com enorme extensão continental, o grande regulador dos padrões meteorológicos que influenciam no continente são os oceanos, que interagem com a atmosfera e regulam o balanço de energia através da redistribuição do vento e da água. O padrão de precipitação de uma região pode ser alterado por diversos sistemas meteorológicos e climáticos, que possuem diferentes resoluções espaciais e temporais. Um dos sistemas climáticos mais conhecidos e monitorados é o El Niño – Oscilação Sul.
O El Niño é um dos sistemas climáticos que mais recebe atenção da mídia e da comunidade científica, por representar cerca de 40% da variabilidade climática no Brasil, principalmente nas regiões Sudeste e Nordeste (GRIMM et al., 1998; KAYANO, ANDREOLI, 2016). No entanto, outros sistemas também são capazes de alterar o padrão de precipitação nas bacias de geração hídrica, especialmente quando estes sistemas de menor influência atuam simultaneamente. Alguns exemplos destes sistemas são: Oscilação Antártica (OA) ou Modo Anular Sul (SAM), Oscilação de Madden Julian (OMJ), Oscilação Quase Bienal (QBO) entre outras.
A atual crise hídrica possui diversas semelhanças com a crise que enfrentamos nos anos de 2014 e 2015. Porém, para compreender o impacto da meteorologia na crise atual, é necessário um maior entendimento dos sistemas citados anteriormente.
A Oscilação Antártica, também conhecida como Modo Anular Sul, é um fenômeno de variabilidade climática que domina a circulação extratropical. Essa circulação está associada a um cinturão de baixa pressão, que se concentra próximo à Antártica em sua fase positiva e se expande até o sul da América do Sul em sua fase negativa (Figura 1). O processo de expansão ou retração do cinturão de baixa pressão normalmente dura de semanas a meses.

Figura 1: Primeira EOF de anomalia mensal de altura geopotencial em 700 hPa (1980-2006) abril (esquerda) e julho (direita) representando as fases positiva e negativa, respectivamente. Adaptado de Vasconcellos (2012).
De forma geral, a fase positiva reduz o avanço dos sistemas frontais pela América do Sul, diminuindo o volume de precipitação no centro-sul brasileiro. Enquanto a fase negativa permite que estes sistemas transientes adentrem o continente, favorecendo positivamente a geração hídrica e manutenção dos reservatórios.
No índice da oscilação Antártica, observa-se o predomínio da fase positiva desde os últimos meses de 2020, padrão que também foi observado nos anos de 2015 e 2016 (Figura 2).
Figura 2: Média móvel trimestral do Índice AAO. Fonte NOAA CPC.
Por outro lado, a Oscilação de Madden Julian (OMJ) é uma oscilação intrasazonal que se propaga através da faixa tropical do globo, com ciclo em torno de 30 a 60 dias. Esse pulso de convecção promove o aumento/diminuição da precipitação regional. Nas fases 4 e 5 (1 e 8) a oscilação é desfavorável (favorável) à precipitação no Nordeste, Centro-Oeste e Sudeste do Brasil (DE SOUZA, AMBRIZZI, 2006).
No ano de 2020 a configuração de um bloqueio atmosférico persistente promoveu recordes de temperaturas e baixos volumes pluviométricos entre setembro e outubro no Brasil, principalmente no Sudeste, influenciado pela OMJ (Figura 3). No verão de 2013 a 2014, a OMJ também ficou estacionada por muito tempo nas fases 5 e 6, o que influenciou na presença de bloqueio atmosférico no Sudeste, deixando o tempo seco na região, e com temperaturas elevadas, condições que acarretaram o agravamento da crise hídrica.
Figura 3: Índice da Oscilação de Madden Julian de 16/09/2020 a 14/12/2020.
Ainda não há o entendimento por completo do porquê a OMJ persistiu por tanto tempo nas fases 5 e 6 (desfavorável a precipitação) em 2020 e em 2013/2014. Uma das possíveis explicações é a influência da Oscilação Quase-Bienal (QBO), no qual a fase negativa da QBO é capaz de alterar a duração e intensidade das fases da OMJ.
Na crise hídrica de 2013/2014, foi no verão que o nível do sistema Cantareira (abastecimento humano) começou a ficar mais crítico. O ano de 2014 contou com vários meses com chuva abaixo da média, em 2015 os volumes de chuva apesar de acima da média (influenciados pelo El Niño) não foram suficientes para recuperar o volume dos reservatórios, uma vez que este se encontrava no volume morto. Além do impacto causado pelo consumo acima da média (MARENGO; ALVEZ, 2015)
De forma geral, a fase e posição destes sistemas climáticos, influenciaram também os níveis dos reservatórios de geração de energia e da energia natural afluente (ENA) na crise hídrica de 2014/2015 e estão impactando de forma negativa novamente nos anos de 2020/2021.
E por fim estamos na fase negativa da ODP (Oscilação Decadal do Pacífico; MANTUA; HARE, 2002), que é quando há a diminuição das temperaturas do Oceano Pacífico. A fase negativa da ODP é capaz de aumentar a incidência e intensidade de eventos de La Niña em a diminuição e enfraquecimento do El Niño. Para a fase positiva da ODP o impacto é observado principalmente no leste do Brasil de novembro a fevereiro, sobre o Norte e Noroeste da América do Sul durante março e abril. Enquanto a fase negativa apresenta impacto sobre o Nordeste março e abril (KAYANO, ANDREOLI, 2016).
Diante de todas os fenômenos analisados, a conclusão para a primeira questão: O Brasil está enfrentando mais uma crise hídrica ou ainda estamos na mesma crise que começou em 2012? é que sim, estamos na mesma crise hídrica, que teve momentos mais brandos e agora está na sua fase crítica novamente.
Qual a expectativa para os próximos meses?
Estamos praticamente no Inverno e nesta época do ano não se espera por chuva significativa para a região central do Brasil. Não há nenhum fenômeno meteorológico previsto que possa mudar este quadro. No Sul, ao contrário, apesar da pouca sazonalidade anual nas Bacias, é o período das melhores chuvas. A previsão ainda é de irregularidade na precipitação, mas em uma condição muito melhor do que o observado até o início de maio, quando as frentes frias praticamente não provocavam instabilidades sobre a Região. A boa notícia é que não há expectativa de atraso na entrada do próximo período úmido!
Referências Bibliográficas
DE SOUZA, Everaldo B.; AMBRIZZI, Tércio. Modulation of the intraseasonal rainfall over tropical Brazil by the Madden-Julian oscillation. International Journal of Climatology: A Journal of the Royal Meteorological Society, v. 26, n. 13, p. 1759-1776, 2006.
EPE [Empresa de Pesquisa Energética] Balanço Energético Nacional (BEN) 2018 Balanço Energético Nacional (BEN) 2018: Ano base 201 : Ano base 201 : Ano base 2017, 2018. Disponível em < https://ben.epe.gov.br>. Acesso em jun/2020.
GRIMM, Alice M.; FERRAZ, Simone ET; GOMES, Júlio. Precipitation anomalies in southern Brazil associated with El Niño and La Niña events. Journal of climate, v. 11, n. 11, p. 2863-2880, 1998.
KAYANO, Mary T.; ANDREOLI, Rita V. Relationships between rainfall anomalies over northeastern Brazil and the El Niño-Southern Oscillation. Journal of Geophysical Research: Atmospheres, v. 111, n. D13, 2006.
MANTUA, Nathan J.; HARE, Steven R. The Pacific decadal oscillation. Journal of oceanography, v. 58, n. 1, p. 35-44, 2002.
MARENGO, Jose Antonio; ALVES, Lincoln M. Crise hídrica em São Paulo em 2014: seca e desmatamento. GEOUSP Espaço e Tempo (Online), v. 19, n. 3, p. 485-494, 2015.
in EcoDebate, ISSN 2446-9394, 15/06/2021
Autor: Angela Ruiz, Climatempo
Fonte: EcoDebate
Sítio Online da Publicação: EcoDebate
Data: 15/06/2021
Publicação Original: https://www.ecodebate.com.br/2021/06/15/entenda-o-impacto-da-meteorologia-na-atual-crise-hidrica/
No Brasil, estamos acompanhando um grande crescimento da produção de energia proveniente de fontes eólicas, a qual ultrapassou recentemente o marco de 18 GW de capacidade instalada, equivalente a 10,3% da matriz elétrica brasileira. Ainda assim, as hidráulicas representam a maior fonte de geração de energia no país, tal que alterações no volume ou padrões irregulares de precipitação afetam todo o setor de energia.
Principais Sistemas Climáticos e a crise hídrica
Apesar do Brasil ser um país com enorme extensão continental, o grande regulador dos padrões meteorológicos que influenciam no continente são os oceanos, que interagem com a atmosfera e regulam o balanço de energia através da redistribuição do vento e da água. O padrão de precipitação de uma região pode ser alterado por diversos sistemas meteorológicos e climáticos, que possuem diferentes resoluções espaciais e temporais. Um dos sistemas climáticos mais conhecidos e monitorados é o El Niño – Oscilação Sul.
O El Niño é um dos sistemas climáticos que mais recebe atenção da mídia e da comunidade científica, por representar cerca de 40% da variabilidade climática no Brasil, principalmente nas regiões Sudeste e Nordeste (GRIMM et al., 1998; KAYANO, ANDREOLI, 2016). No entanto, outros sistemas também são capazes de alterar o padrão de precipitação nas bacias de geração hídrica, especialmente quando estes sistemas de menor influência atuam simultaneamente. Alguns exemplos destes sistemas são: Oscilação Antártica (OA) ou Modo Anular Sul (SAM), Oscilação de Madden Julian (OMJ), Oscilação Quase Bienal (QBO) entre outras.
A atual crise hídrica possui diversas semelhanças com a crise que enfrentamos nos anos de 2014 e 2015. Porém, para compreender o impacto da meteorologia na crise atual, é necessário um maior entendimento dos sistemas citados anteriormente.
A Oscilação Antártica, também conhecida como Modo Anular Sul, é um fenômeno de variabilidade climática que domina a circulação extratropical. Essa circulação está associada a um cinturão de baixa pressão, que se concentra próximo à Antártica em sua fase positiva e se expande até o sul da América do Sul em sua fase negativa (Figura 1). O processo de expansão ou retração do cinturão de baixa pressão normalmente dura de semanas a meses.

Figura 1: Primeira EOF de anomalia mensal de altura geopotencial em 700 hPa (1980-2006) abril (esquerda) e julho (direita) representando as fases positiva e negativa, respectivamente. Adaptado de Vasconcellos (2012).
De forma geral, a fase positiva reduz o avanço dos sistemas frontais pela América do Sul, diminuindo o volume de precipitação no centro-sul brasileiro. Enquanto a fase negativa permite que estes sistemas transientes adentrem o continente, favorecendo positivamente a geração hídrica e manutenção dos reservatórios.
No índice da oscilação Antártica, observa-se o predomínio da fase positiva desde os últimos meses de 2020, padrão que também foi observado nos anos de 2015 e 2016 (Figura 2).
Figura 2: Média móvel trimestral do Índice AAO. Fonte NOAA CPC.
Por outro lado, a Oscilação de Madden Julian (OMJ) é uma oscilação intrasazonal que se propaga através da faixa tropical do globo, com ciclo em torno de 30 a 60 dias. Esse pulso de convecção promove o aumento/diminuição da precipitação regional. Nas fases 4 e 5 (1 e 8) a oscilação é desfavorável (favorável) à precipitação no Nordeste, Centro-Oeste e Sudeste do Brasil (DE SOUZA, AMBRIZZI, 2006).
No ano de 2020 a configuração de um bloqueio atmosférico persistente promoveu recordes de temperaturas e baixos volumes pluviométricos entre setembro e outubro no Brasil, principalmente no Sudeste, influenciado pela OMJ (Figura 3). No verão de 2013 a 2014, a OMJ também ficou estacionada por muito tempo nas fases 5 e 6, o que influenciou na presença de bloqueio atmosférico no Sudeste, deixando o tempo seco na região, e com temperaturas elevadas, condições que acarretaram o agravamento da crise hídrica.
Figura 3: Índice da Oscilação de Madden Julian de 16/09/2020 a 14/12/2020.
Ainda não há o entendimento por completo do porquê a OMJ persistiu por tanto tempo nas fases 5 e 6 (desfavorável a precipitação) em 2020 e em 2013/2014. Uma das possíveis explicações é a influência da Oscilação Quase-Bienal (QBO), no qual a fase negativa da QBO é capaz de alterar a duração e intensidade das fases da OMJ.
Na crise hídrica de 2013/2014, foi no verão que o nível do sistema Cantareira (abastecimento humano) começou a ficar mais crítico. O ano de 2014 contou com vários meses com chuva abaixo da média, em 2015 os volumes de chuva apesar de acima da média (influenciados pelo El Niño) não foram suficientes para recuperar o volume dos reservatórios, uma vez que este se encontrava no volume morto. Além do impacto causado pelo consumo acima da média (MARENGO; ALVEZ, 2015)
De forma geral, a fase e posição destes sistemas climáticos, influenciaram também os níveis dos reservatórios de geração de energia e da energia natural afluente (ENA) na crise hídrica de 2014/2015 e estão impactando de forma negativa novamente nos anos de 2020/2021.
E por fim estamos na fase negativa da ODP (Oscilação Decadal do Pacífico; MANTUA; HARE, 2002), que é quando há a diminuição das temperaturas do Oceano Pacífico. A fase negativa da ODP é capaz de aumentar a incidência e intensidade de eventos de La Niña em a diminuição e enfraquecimento do El Niño. Para a fase positiva da ODP o impacto é observado principalmente no leste do Brasil de novembro a fevereiro, sobre o Norte e Noroeste da América do Sul durante março e abril. Enquanto a fase negativa apresenta impacto sobre o Nordeste março e abril (KAYANO, ANDREOLI, 2016).
Diante de todas os fenômenos analisados, a conclusão para a primeira questão: O Brasil está enfrentando mais uma crise hídrica ou ainda estamos na mesma crise que começou em 2012? é que sim, estamos na mesma crise hídrica, que teve momentos mais brandos e agora está na sua fase crítica novamente.
Qual a expectativa para os próximos meses?
Estamos praticamente no Inverno e nesta época do ano não se espera por chuva significativa para a região central do Brasil. Não há nenhum fenômeno meteorológico previsto que possa mudar este quadro. No Sul, ao contrário, apesar da pouca sazonalidade anual nas Bacias, é o período das melhores chuvas. A previsão ainda é de irregularidade na precipitação, mas em uma condição muito melhor do que o observado até o início de maio, quando as frentes frias praticamente não provocavam instabilidades sobre a Região. A boa notícia é que não há expectativa de atraso na entrada do próximo período úmido!
Referências Bibliográficas
DE SOUZA, Everaldo B.; AMBRIZZI, Tércio. Modulation of the intraseasonal rainfall over tropical Brazil by the Madden-Julian oscillation. International Journal of Climatology: A Journal of the Royal Meteorological Society, v. 26, n. 13, p. 1759-1776, 2006.
EPE [Empresa de Pesquisa Energética] Balanço Energético Nacional (BEN) 2018 Balanço Energético Nacional (BEN) 2018: Ano base 201 : Ano base 201 : Ano base 2017, 2018. Disponível em < https://ben.epe.gov.br>. Acesso em jun/2020.
GRIMM, Alice M.; FERRAZ, Simone ET; GOMES, Júlio. Precipitation anomalies in southern Brazil associated with El Niño and La Niña events. Journal of climate, v. 11, n. 11, p. 2863-2880, 1998.
KAYANO, Mary T.; ANDREOLI, Rita V. Relationships between rainfall anomalies over northeastern Brazil and the El Niño-Southern Oscillation. Journal of Geophysical Research: Atmospheres, v. 111, n. D13, 2006.
MANTUA, Nathan J.; HARE, Steven R. The Pacific decadal oscillation. Journal of oceanography, v. 58, n. 1, p. 35-44, 2002.
MARENGO, Jose Antonio; ALVES, Lincoln M. Crise hídrica em São Paulo em 2014: seca e desmatamento. GEOUSP Espaço e Tempo (Online), v. 19, n. 3, p. 485-494, 2015.
in EcoDebate, ISSN 2446-9394, 15/06/2021
Autor: Angela Ruiz, Climatempo
Fonte: EcoDebate
Sítio Online da Publicação: EcoDebate
Data: 15/06/2021
Publicação Original: https://www.ecodebate.com.br/2021/06/15/entenda-o-impacto-da-meteorologia-na-atual-crise-hidrica/
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