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quarta-feira, 18 de dezembro de 2019

A crescente ameaça do lixo eletrônico

Por Henrique Cortez, redação EcoDebate.

Os incríveis avanços da tecnologia nas últimas décadas trouxeram grandes avanços à nossa comodidade, segurança e saúde, mas também trouxeram severos impactos socioambientais, da extração de recursos naturais à geração de lixo eletrônico ou e-lixo. E o lixo eletrônico é um dos resíduos tóxicos que mais crescem de ano para ano.

Em 2017, a ONU estima que foram produzidos 44 milhões de toneladas de lixo eletrônico e elétrico , o equivalente a mais de 6 quilos por habitante do planeta. No ritmo atual, o nível de produção de lixo eletrônico global deverá alcançar 120 milhões de toneladas ao ano em 2050.

É um silencioso desastre socioambiental, que poucos percebem, mas que afeta a todos.

Como qualquer outro resíduo, ao lixo eletrônico também se aplica as regras dos 3 R’s – Reduzir, Reutilizar e Reciclar.

É óbvio que para qualquer tipo de resíduo a sua redução é a solução mais inteligente. Mas será possível reduzir a geração de lixo eletrônico?

A primeira solução possível é a redução da produção e consumo. Não temos à nossa disposição uma Terra B e, por isto, habitando um planeta finito, com finitos recursos, devemos entender que a lógica de crescimento baseada em extração-produção-consumo-descarte é insustentável e não poderá ser mantida por muito tempo.

Mas será realmente possível reduzir o consumo de produtos eletrônicos que, afinal, fazem parte do nosso dia a dia e são, cada vez mais, úteis e necessários.

No caso dos produtos eletrônicos de uso pessoal e residencial a resposta é sim, a partir da lógica do consumo responsável. Ao contrário do impulso consumista, o consumo responsável supõe que nosso consumo ocorra apenas e tão somente se e quando necessário.

É o caso dos aparelhos celulares que, de verdade, não possuem diferenças tecnológicas tão evidentes de uma geração para outra. Raríssimas pessoas precisam trocar de celular a cada nova geração do produto e a troca pela troca é um claro exemplo de consumismo, com consequências negativas para os limitados recursos naturais e para a própria sociedade. É desnecessário e caro.

Enquanto isto, a reutilização de eletrônicos é um mercado crescente que também pode influir na redução desnecessária de produtos novos.

A primeira e natural forma de reúso está na atualização dos nossos próprios equipamentos, como computadores e celulares, dos quais podemos trocar fontes, processadores, placas, baterias e, com isto, utilizá-los por mais, melhor e por mais tempo.

Se não for este o caso, podemos revendê-los. Computadores, celulares, eletrodomésticos, eletrônica embarcada em veículos, etc., podem ser úteis e necessários para outras pessoas.

Já existe um mercado legal de compra e venda de eletrônicos usados e tudo indica que este mercado continuará em crescimento, atendendo a uma demanda igualmente crescente.

A terceira hipótese de reutilização ocorre por remanufatura, quando o equipamento passa por reprocessamento, transformando-se em um novo equipamento.

Vejamos um exemplo. Nos cassinos podem existir centenas de máquinas de jogos, os caça-níqueis, que ficam obsoletos ou inutilizados em poucos meses. Isto geraria uma montanha anual de lixo eletrônico, que, na prática, é reduzida porque estas máquinas são desmontadas e seus componentes eletrônicos são recuperados e reutilizados em um novo equipamento. Com isto o cassino consegue reduzir custos ao mesmo tempo que também reduz a produção de resíduos.

E, por fim, temos a reciclagem, que é um dos mais sérios desafios na destinação do lixo eletrônico. Estima-se que, em termos globais, 20% dos resíduos eletrônicos sejam reciclados, o que significa um imenso desperdício de recursos naturais, tais como ouro, prata, cobre e outros materiais de alto valor e uma inacreditável fonte de resíduos tóxicos.

Refletir sobre o tema está cada vez mais urgente porque, diante de tantos desafios ambientais globais, o e-lixo tende a se tornar um dos mais relevantes e com grande potencial de danos.

Para ilustrar o tema ‘lixo eletrônico e qual é o tamanho do problema’, a Betway Cassino Online, site de caça níquel, produziu um interessante infográfico, que reproduzimos abaixo:




in EcoDebate, ISSN 2446-9394, 18/12/2019



Autor: EcoDebate
Fonte: EcoDebate
Sítio Online da Publicação: EcoDebate
Data: 18/12/2019
Publicação Original: https://www.ecodebate.com.br/2019/12/18/a-crescente-ameaca-do-lixo-eletronico/

quinta-feira, 28 de junho de 2018

Presidente Prudente, SP, realiza mutirão anual de coleta do lixo eletrônico e sua destinação correta

Entre as 50 melhores do Brasil em qualidade de vida, a cidade realiza mutirão de coleta e destinação correta


Componentes eletroeletrônicos contêm pesadas substâncias tóxicas. Mutirão de 2018 arrecada 70 toneladas, 10 a mais que em 2016. Crédito: João Paulo Barbosa

Presidente Prudente encontrou um meio que tem se mostrado eficiente para a destinação correta do descarte de produtos eletroeletrônicos, capaz de servir como referência para São Paulo e o Brasil. É um mutirão de coleta do lixo eletrônico e sua destinação correta. Evento que envolve o poder público municipal e a Universidade do Oeste Paulista (Unoeste), que promove mobilização da população e que em dez anos está consolidado como ação prática de educação ambiental, de tal forma a ganhar o apoio institucional da Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cestesb), agência vinculada à Secretaria de Estado do Meio Ambiente.

Uma realização que tem influenciado para a cidade estar entre as 50 melhores do Brasil em qualidade de vida, conforme o Observatório das Metrópoles, coordenado pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ, 2016), com levantamento realizado em 5.565 municípios brasileiros. Também está entre as 50 melhores do Brasil para sobreviver, de acordo com o Índice de Desenvolvimento Humano Municipal (IDHM, 2016), ocupando o 25º lugar conforme dados do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud/ONU).

Iniciado em 2009 com duas edições, no sábado (9) foi realizado o 11º Mutirão do Lixo Eletrônico, com a maior parte da coleta centralizada no Parque do Povo, extensa área verde e de lazer com 24 alqueires, servida por vias de trânsito rápido, o que facilita o acesso da população de 225.271 moradores, de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE, 2017). Em 11 edições passam de 700 toneladas coletadas, com arrecadação de 70 toneladas (10 a mais que em 2017) e cerca de 2 mil pessoas, representando suas famílias ou empresas, que atenderam o apelo dos organizadores.

No balanço divulgado nesta segunda-feira (11) foi constatado que a cada ano aumenta o número de participantes e neste ano foram 3,14% a mais que no ano anterior. Como 37% foram pela primeira vez, isso sinaliza a existência de rodízio por parte da população e muitos que levaram no anterior não tinham o que levar neste ano cuja média ficou em 35 Kg por pessoa. Na realização estiveram envolvidos 290 voluntários, dos quais 240 estudantes universitários de 19 cursos de graduação e do Mestrado em Meio Ambiente e Desenvolvimento Regional.

A logística contou com a recepção e separação entre objetos maiores e menores, a exemplo de televisores e pilhas, para serem acondicionados em ecobags colocadas, por empilhadeiras, em quatro carretas destinadas pela Silcon Ambiental, empresa de Cerqueira César/SP que possui certificação para gerenciamento e tratamento de resíduos industriais. Junto ao evento foram promovidas ações de educação ambiental, envolvendo alunos de escolas municipais do primeiro ciclo do ensino fundamental, com foco sobre possíveis formas de reaproveitamento, incluindo a produção de objetos de arte.

Para o diretor estadual de controle de licenciamento ambiental Geraldo do Amaral Filho, com mais de 40 anos de serviços prestados à Cetesb, o mutirão é um evento raro, se não for o único, já que outros eventos tratam do genérico e não especificamente do eletroeletrônico que é um resíduo muito agressivo ao meio ambiente. Entende que a iniciativa é altamente eficiente por envolver a comunidade e sua força está no empenho do poder público chancelado pela universidade, “que coloca ciência por trás disso e constrói credibilidade”.

O prefeito Nelson Roberto Bugalho (PTB), promotor público do meio ambiente e que foi vice-presidente da Cetesb, disse que o objetivo é evitar a contaminação ambiental com substâncias tóxicas, como são os casos de mercúrio, chumbo e cádmio, entre outras que podem prejudicar o solo, águas superficiais e subterrâneas. O fato das pessoas guardarem o lixo eletrônico e fazer o descarte somente no mutirão, é visto pelo prefeito como um importante componente de educação ambiental.

O pensamento do prefeito é compartilhado pelo pró-reitor de pesquisa, pós-graduação e extensão da Unoeste Dr. Adilson Eduardo Guelfi que analisa o evento como modelo estadual e nacional, dentro de um contexto de preocupação global, considerando que a indústria eletroeletrônica gera por ano 44,7 milhões de toneladas de resíduos, com apenas 20% tratado de maneira apropriada, de acordo com o Programa das Nações Unidades para o Meio Ambiente (Pnuma/ONU), sendo o restante jogado no lixo e reciclado sem cuidados com a manipulação e segurança, causando prejuízos ao meio ambiente e à saúde humana.

Colaboração de Homéro Ferreira, in EcoDebate, ISSN 2446-9394, 13/06/2018



Autor: Homéro Ferreira
Fonte: EcoDebate
Sítio Online da Publicação: EcoDebate
Data de Publicação: 13/06/2018
Publicação Original: https://www.ecodebate.com.br/2018/06/13/presidente-prudente-sp-realiza-mutirao-anual-de-coleta-do-lixo-eletronico-e-sua-destinacao-correta/