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quinta-feira, 6 de abril de 2023

Proteína Spike pode ser a chave da perda de memória em síndrome Pós-Covid

O prejuízo de memória tardio e persistente é um dos sintomas muito comuns após a infecção pelo vírus SARS-CoV-2 da Covid-19. Entretanto, o mecanismo desse fenômeno ainda não é compreendido.


A proteína Spike (vermelho) do SARS-CoV2 (cinza) estimula as células imunes cerebrais (amarelo) a fagocitar vesículas sinápticas neuronais (verde)

Pesquisadores da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UniRio) conseguiram inserir mais uma peça nesse quebra-cabeça. Eles fizeram experimentos com camundongos e demonstraram que a infusão de proteína Spike do SARS-CoV-2 no cérebro desses animais induz prejuízo de memória que se desenvolve tardiamente, de forma semelhante à síndrome pós-Covid em seres humanos. O artigo foi publicado no prestigioso periódico Cell Report, do grupo Cell, e cujo fator de impacto é 9,99.

Os 25 pesquisadores brasileiros que assinam o artigo observaram que o cérebro dos animais desenvolve um intenso processo inflamatório com aumento da quantidade e do estado de ativação da micróglia - uma das principais células cerebrais, envolvida com a resposta imune inata, e cujo papel é essencial quando se trata de doenças neuroinflamatórias.

A causa do prejuízo de memória induzido pela proteína Spike está associada com a eliminação de sinapses neuronais por essas células microgliais ativadas no hipocampo. O hipocampo é uma estrutura relacionada com a função cognitiva, explica uma das líderes da pesquisa, Claudia Figueiredo, da Faculdade de Farmácia, da UFRJ.

Nos experimentos, os pesquisadores fizeram apenas uma infusão de proteína recombinante, parecida com a Spike do SARS-CoV-2, diretamente no cérebro de camundongos e acompanharam as mudanças comportamentais em dois tempos distintos: as fases “aguda” e “tardia”, correspondendo a avaliações realizadas na primeira semana e entre 30 e 60 dias. Para a avaliação da função de memória dos camundongos, os pesquisadores usaram diferentes estratégias comportamentais, incluindo os testes de reconhecimento de padrões e do labirinto aquático.

Eles identificaram um papel essencial do receptor do tipo TRL 4 (de Toll-like receptor), que faz parte de uma família de proteínas do sistema imunológico, e é considerada uma molécula central no desenvolvimento do prejuízo de memória induzido pela Spike.

"A ativação do TRL4, pela proteína viral, induz neuroinflamacão, que resultará na eliminação de proteínas sinápticas pela micróglia. É um processo de fagocitose, no qual a microglia 'come' as proteínas sinápticas, levando ao prejuízo de memória", explica Figueiredo.


A partir da esq., Fabricia Fontes-Dantas, primeira autora do artigo e bolsista de doutorado Nota 10 da FAPERJ; e as pesquisadoras Giselle Fazzioni Passos, Claudia Figueiredo e Andrea Da Poian, que participaram do estudo (Foto: Divulgação)

Os animais modificados, geneticamente, que não possuem o TRL4 ou animais tratados com um fármaco inibidor deste receptor, não desenvolveram a perda sináptica, tampouco perda de memória após infusão cerebral de proteína Spike, esclarece Giselle Passos, também da Faculdade de Farmácia, da UFRJ, e outra líder deste estudo.

Os pesquisadores também identificaram que pacientes com polimorfismos no gene do TLR4, que resulta em maior expressão deste receptor, apresentam maior risco para desenvolvimento de prejuízos de memória tardios após infecção pelo SARS-CoV-2.

Figueiredo e Passos afirmam que esses resultados demonstram que a proteína Spike tem um papel central no desenvolvimento das alterações cognitivas do pós-Covid e que o TLR4 é um alvo promissor para o desenvolvimento de estratégias preventivas e terapêuticas para evitar ou tratar a perda de memória provocada pelo SARS-CoV-2.

A integração de grupos de pesquisa, incluindo pesquisa básica e clínica, foi fundamental para desenvolvimento da pesquisa. Figueiredo ressalta ainda a liderança compartilhada com a cientista Andrea da Poian, do Instituto de Bioquímica Médica Leopoldo de Meis, e com a médica neurologista Soniza Alves-Leon, que coordenada a unidade de Pesquisa Clínica do Hospital Universitário Clementino Fraga Filho da UFRJ e o Laboratório de Neurociência Translacional da UniRio. E as colaborações das pós-doutorandas Fabrícia Fontes-Dantas e Gabriel Fernandes, ambos bolsistas nota 10 da FAPERJ.

Este estudo foi financiado pela FAPERJ e pelo Instituto D’Or de Pesquisa e Ensino (Idor), e contou com bolsas do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes).





Autor: Claudia Jurberg
Fonte: faperj
Sítio Online da Publicação: faperj
Data: 05/04/2023
Publicação Original: https://www.faperj.br/?id=297.7.5

segunda-feira, 25 de outubro de 2021

Mortalidade de pacientes com problemas cardíacos pós-Covid é de 42%, aponta estudo do InCor

A taxa de mortalidade hospitalar em pacientes com problemas cardíacos em decorrência da Covid-19 é de 42%, de acordo com os pesquisadores do Instituto do Coração do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (InCor/HCFMUSP), que realizaram o primeiro estudo brasileiro para avaliar os impactos da Covid-19 no coração.

No entanto, os fatores que podem aumentar ainda mais o risco de óbitos nesses pacientes ainda são desconhecidos.

O estudo foi publicado neste mês na revista científica “IJC Heart & Vasculature”, com o professor e cardiologista Roberto Kalil Filho, presidente do InCor, como responsável.



Método realizado

Para chegar a essa conclusão foram avaliados os prontuários médicos de 2.546 pacientes, com idade média de 65 anos, com Covid-19 e características de alto risco de acordo com critérios clínicos e/ou laboratoriais em 21 centros no Brasil de 10 de junho a 23 de outubro de 2020, até que tivessem alta hospitalar ou viessem a óbito.

Kalil Filho ressaltou que a Covid-19 é uma doença predominantemente pulmonar, mas que afeta diversos órgãos, como o coração. “A síndrome pós-Covid pode trazer consequências para o coração após a alta hospitalar. Por conta desses fatores, é fundamental o acompanhamento clínico, mesmo que o paciente tenha se recuperado da doença”.
Resultados

No geral, 70,8% foram internados em unidades de terapia intensiva e 54,2% apresentavam níveis elevados de troponina. Com mortalidade hospitalar de 41,7%. Foi encontrada interação entre sexo, idade e mortalidade (p = 0,007). As mulheres mais jovens apresentaram taxas de mortalidade mais elevadas (30,0% vs 22,9%), enquanto os pacientes masculinos mais velhos apresentaram taxas de mortalidade mais elevadas (57,6% vs 49,2%).

Os fatores mais fortes associados à mortalidade hospitalar foram a necessidade de ventilação mecânica, proteína C reativa elevada, câncer e níveis elevados de troponina.

Segundo o estudo, a elevação nos níveis de troponina (proteína liberada quando ocorrem lesões no coração) é um dos principais fatores de alerta para a elevação do risco de mortalidade. No total, 70,8% dos participantes foram internados em unidades de terapia intensiva e 54,2% apresentavam níveis elevados de troponina.

Em menor percentual, outros fatores de risco também foram identificados, como a insuficiência cardíaca prévia (12,6%), alterações no ecocardiograma (6%), síndromes coronárias agudas (5,7%) e arritmias (4,5%).

Nesses casos, a mortalidade está associada à idade avançada, a necessidade de ventilação mecânica, aos altos índices de inflamação, alterações no músculo cardíaco e no sistema de coagulação do sangue.

Corona Heart Risk Score

A equipe do InCor desenvolveu um score de risco, o Corona Heart Risk Score, para auxiliar médicos na avaliação precoce e na orientação dos cuidados e dos potenciais tratamentos em pacientes infectados com Covid-19.

“Primeiro na América do Sul, esse estudo passa agora a compor o conjunto mundial de informações sobre intercorrências cardíacas em pacientes com Covid-19, ao lado de pesquisas da Itália, Estados Unidos e Inglaterra. Como cada população tem sua especificidade, é importante que tenhamos esse estudo como um recorte brasileiro”, reforçou o cardiologista Kalil Filho.

*Esse artigo foi revisado pela equipe médica do Portal PEBMED







Autor: Úrsula Neves
Fonte: pebmed
Sítio Online da Publicação: pebmed
Data: 25/10/2021
Publicação Original: https://pebmed.com.br/mortalidade-de-pacientes-com-problemas-cardiacos-pos-covid-e-de-42-aponta-estudo-do-incor/