sexta-feira, 6 de fevereiro de 2026

Pesquisa na Pesagro estabelece padrão para a produção da farinha de banana verde


O principal diferencial da banana verde é o amido resistente, um carboidrato insolúvel (Foto: Pixabay)

O Brasil é o quarto produtor mundial de bananas, tendo colhido pouco mais de 7 milhões de toneladas em 2024, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O Vale da Ribeira, em São Paulo, é a maior região produtora, com 40 mil hectares cultivados. Entretanto, as perdas chegam a 40% da produção, em média, principalmente devido à inadequação na colheita e na estocagem, transporte e, especialmente, devido aos frutos fora do tamanho padrão para uso de mesa. A farinha de banana verde tem sido uma alternativa para o completo aproveitamento das bananas na cadeia produtiva, garantindo as qualidades nutricionais da fruta além de disponibilizar o amido resistente (AR), o que caracteriza o produto como alimento funcional.

Projeto conduzido ao longo de três anos na Empresa de Pesquisa Agropecuária do Estado do Rio de Janeiro (Pesagro-Rio), com o apoio do Programa de Bolsa de Treinamento e Capacitação Técnica em Apoio à Pesquisa e Desenvolvimento do Setor Agropecuário e da Agroindústria do Estado do Rio de Janeiro (TCT Agro), da FAPERJ, estabeleceu os parâmetros para a produção e conservação da farinha de banana verde. Segundo a pesquisadora Eliane Rodrigues, coordenadora do estudo, a farinha de banana verde é rica em fibras, sais minerais e vitaminas, e possui um grande diferencial em relação às demais farinhas: o amido resistente, alimento funcional que auxilia nas defesas do organismo e no trânsito intestinal. Ela pode ser empregada na fabricação de vários alimentos como sopas, comidas infantis, bolos, biscoitos, dentre outros, dependendo da granulometria.

Com cerca de 30 espécies conhecidas e 700 diferentes variedades, a banana (Musa spp.) pertencente à família das Musaceae, é uma fruta de rápido cultivo e fácil propagação, sendo produzida em grande escala no mundo todo, mas especialmente nos países tropicais. Uma das frutas mais consumidas em diversos países, a banana é rica em fibras, sais minerais como potássio, manganês e magnésio, vitaminas B1, B6, A e C, e betacaroteno, além de também ser rica em triptofano, um aminoácido que proporciona aumento da serotonina.
 

O projeto estabeleceu parâmetros para higiene de bancadas e utensílios e a padronização nutricional e sanitária do produto (Fotos: Divulgação)


“No caso da banana verde, seu principal diferencial é o amido resistente, um carboidrato insolúvel que sofre fermentação bacteriana no intestino, reforçando o sistema imunológico e reduzindo a ocorrência de doenças inflamatórias, colaborando para regular níveis de colesterol e glicemia, até mesmo podendo prevenir o câncer de cólon, caracterizando, assim, o produto como funcional”, explica a pesquisadora.

Eliane Rodrigues conta que diversas pequenas agroindústrias do estado do Rio de Janeiro aproveitam a banana verde fora do tamanho padrão de consumo para fazer farinha. No entanto, não havia parâmetros de qualidade no processo produtivo, fazendo com que o produto oferecido nas prateleiras ao consumidor não tivesse um padrão de qualidade. E sua pesquisa foi justamente para cobrir essa lacuna: determinar a qualidade físico-química, microbiológica e toxicológica das farinhas ofertadas no mercado consumidor.

O projeto-piloto foi executado na Fumel, agroindústria localizada em Cachoeiras de Macacu (maior produtor de banana do RJ), que recebe a produção de diversos pequenos produtores do estado e é um dos maiores produtores de banana-passa, bananada e outros subprodutos da banana. O objetivo agora é replicar o método e acompanhar a produção das diversas marcas de farinha de banana verde comercializadas no estado do Rio de Janeiro, garantindo a inocuidade microbiológica do produto e estabelecendo um protocolo de padronização nutricional e sanitária do produto. Além de determinar o melhor ajuste da temperatura e do tempo da desidratação, a fim de manter a característica nutricional, a pesquisa estabeleceu parâmetros para higiene de bancadas e utensílios, e até mesmo o melhor material para a embalagem da farinha, visando evitar possível contaminação.


Eliane Rodrigues: para a pesquisadora, o mais importante é que na produção da farinha da banana verde não há perda do amido resistente


Para a pesquisadora, o mais importante é que, na produção da farinha a partir da banana verde, não há perda do amido resistente, cujo percentual chega a aproximadamente 40% do produto. “Conseguimos manter o produto como alimento funcional”, comemora a farmacêutica. Além disso, os estudos também contribuíram para atestar a não ocorrência da micotoxina fumonisina nas amostras de farinha analisadas durante os três anos de experimento. Causada pela contaminação das bananas pelo fungo Fusarium spp., a micotoxina fumonisina é uma das principais doenças da bananeira.

Eliane explica que no Centro Estadual de Pesquisa em Qualidade de Alimentos da Pesagro, em Niterói, é feito o controle de qualidade de diversos tipos de alimentos, englobando os aspectos físico-químicos, microbiológicos, sensoriais e de contaminantes. Somado a isso, são desenvolvidas novas tecnologias de fabricação e estudos com processamento tecnológico de alimentos.

Graduada em Farmácia, mestre e doutora em Medicina Veterinária e Processamento Tecnológico de Produtos de Origem Animal pela Universidade Federal Fluminense (UFF), Eliane foi a primeira pesquisadora do estado do Rio a trabalhar com homeopatia em animais, obtendo uma redução de 90% da mastite (inflamação das tetas) em vacas submetidas a esse tratamento. Na área de Tecnologia de Alimentos, dedicou-se ao estudo de produtos de origem animal, inicialmente com leite e derivados lácteos e depois com carnes. Segundo ela, o laboratório também apoia as ações de vigilância sanitária da Superintendência de Defesa Agropecuária da Secretaria de Estado de Agricultura, sendo o único órgão público autorizado a emitir laudos técnicos para o Serviço de Inspeção Estadual. “Todas as nossas atividades visam a segurança dos alimentos e a saúde do consumidor”, resume.


Veja videorreportagem no canal da FAPERJ no YouTube sobre as atividades do Centro Estadual de Pesquisa em Qualidade de Alimentos (CEPQA) da Pesagro-Rio: aqui.


Autor: faperj
Fonte: faperj
Sítio Online da Publicação: faperj
Data: 05/02/2026
Publicação Original: https://www.faperj.br/?id=913.7.9

Jogo de tabuleiro ajuda estudantes a refletir sobre o trabalho do cuidado




Ao assumir as personagens do 'Jogo do Cuidado', os participantes têm a oportunidade de viver as experiências de quem mora nas grandes cidades. Reflexões sobre acesso à moradia, saneamento, segurança, transporte, saúde e outros direitos e infraestruturas (Foto: Divulgação/Eric Lobo)


Questões relacionadas à reprodução social e ao chamado trabalho do cuidado estão presentes no dia a dia de muitas pessoas. Sobretudo das mulheres que, geralmente, carregam a responsabilidade e o peso de cuidar de crianças e idosos e de dar conta de uma série de afazeres domésticos. Para discutir esses e outros aspectos de um trabalho não remunerado e quase sempre invisibilizado, pesquisadoras da Escola de Arquitetura e Urbanismo e do Programa de Pós-Graduação em Arquitetura e Urbanismo da Universidade Federal Fluminense (UFF), sob a coordenação da professora Rossana Brandão Tavares, criaram o “Jogo do Cuidado – Um jogo sobre o direito à cidade das mulheres”. O grupo vem discutindo a problemática da reprodução social nos territórios urbanos e produziu um jogo de tabuleiro como material de apoio didático para que professores do Ensino Médio possam trabalhar essas questões com seus alunos.

O território onde o jogo é disputado é a Região Portuária da cidade do Rio de Janeiro, lugar onde a professora realiza sua investigação há mais de uma década. O tabuleiro do jogo é dividido em dez áreas, como a Central do Brasil, os bairros da Gamboa, Saúde e Santo Cristo, a favela da Providência, a Praça Mauá e a Cidade do Samba. São locais onde vivem e transitam os dez personagens do jogo, que retratam a diversidade de grupos sociais, com gênero, idade, raça e orientação sexual diferentes. As características de cada um deles estão descritas na carta relativa a esse personagem. A carta traz também o grau de instrução, o local de moradia e o objetivo de cada um.

Produzido a partir de recursos do programa Jovem Cientista do Nosso Estado da FAPERJ, o jogo conta com outras 41 cartas – de sorte, de revés, de direitos e com coringas – que ficam na mesa para serem compradas pelos participantes à medida que o jogo se desenrola. Além delas, há dez peões e cédulas que simbolizam o Capital do Cuidado e o Capital Econômico.


Parte do Grupo de Estudos e Pesquisa Urb.Anas, da Escola de Arquitetura e Urbanismo da UFF. Pesquisadores vêm estudando as contradições a respeito da reprodução social e do trabalho do cuidado (Foto: Divulgação/Tayná Silva)

Ao longo de cada partida, os participantes têm a oportunidade de viver as experiências dos personagens que se assemelham às situações enfrentadas pelas pessoas nas grandes cidades – com todas as dificuldades e enfrentando desafios relacionados a diferentes questões cotidianas, como acesso à moradia, segurança, serviços de transporte, de saúde e de educação. A meta de cada participante é não ser expulso do jogo e acumular maior Capital do Cuidado, ou seja, incidir no território com infraestruturas e equipamentos que apoiem o trabalho do cuidado. À medida que as cartas da mesa são tiradas, surgem novas situações que podem melhorar ou piorar as condições de vida de cada área e de cada um. Ao final, vence o jogador que acumular o maior valor de Capital do Cuidado.

“O jogo é fruto da pesquisa que realizamos sobre a vida cotidiana das mulheres na cidade atravessada pelo trabalho do cuidado, e foi pensado para apoiar atividades realizadas em sala de aula. Em parte, ele é baseado nas dinâmicas sociais e urbanas da Região Portuária do Rio de Janeiro. O objetivo é contribuir para a compreensão das contradições a respeito da reprodução social e do trabalho do cuidado”, explica Rossana, idealizadora do jogo e professora da Escola de Arquitetura e Urbanismo e do Programa de Pós-graduação em Arquitetura e Urbanismo da UFF.

O jogo de tabuleiro é um produto do projeto “Inversões Urbanas – Cartografias da reprodução social dos territórios” desenvolvido pelo Grupo de Estudos e Pesquisa Urb.Anas da Escola de Arquitetura e Urbanismo da UFF. Como as cidades não são pensadas e estruturadas para facilitar o trabalho do cuidado, o tema tem sido trabalhado para aprofundar uma agenda de pesquisa no campo da Arquitetura e Urbanismo, assim como no Planejamento Urbano e Regional.


Professora e idealizadora do jogo, Rossana Brandão Tavares vem estudando caminhos para a articulação entre os problemas urbanos e de moradia, familismo e a reprodução social. A pesquisadora desenvolve há 15 anos suas investigações sobre a Região Portuária do Rio (Foto: Divulgação/Camille Cristine)


“A proposta da pesquisa é justamente estudar, compreender e propor caminhos para a articulação entre os problemas urbanos e a reprodução social que, historicamente, é de responsabilidade das mulheres. Dessa forma, discutimos a importância de pensar as cidades a partir da ética do cuidado e da gestão feminista do habitat”, explica Rossana, coordenadora do Urb.Anas e Jovem Cientista do Nosso Estado.

Como uma das ações previstas no programa da FAPERJ é a promoção de práticas relacionadas à pesquisa em escolas públicas no estado, a equipe coordenada por Rossana realizou atividades com os alunos do Colégio Estadual Reverendo Hugh Clarence Tucker, na Gamboa. Eles são moradores da região. Em conjunto com os pesquisadores e seus professores, os estudantes puderam refletir sobre as condições de vida no local, o trabalho do cuidado, o cotidiano das mulheres e questões como familismo e reprodução social.

O “Jogo do Cuidado” foi lançado no final de 2025, na Semana Acadêmica da UFF. O jogo e a pesquisa também foram apresentados e discutidos em outros eventos acadêmicos e em uma audiência pública da Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher, na Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj).

Foram impressas 20 unidades do jogo e, diante do grande interesse que ele vem despertando nos eventos em que foi apresentado, a equipe do Urb.Anas desenvolveu um site, a partir do qual o tabuleiro e todas as cartas do jogo podem ser impressos. O site será lançado oficialmente dia 3 de março, às 16h, em um encontro virtual com as pesquisadoras, mas já pode ser acessado em: www.jogodocuidado.com.br . Na ocasião, também será apresentado o site www.urbanasuff.arq.br , onde será possível acompanhar as atividades do grupo de pesquisas.




Autor: faperj
Fonte: faperj
Sítio Online da Publicação: faperj
Data: 05/02/2026
Publicação Original: https://www.faperj.br/?id=950.7.9

Chamada apoiará colaborações em bioeconomia e desenvolvimento sustentável


(foto: Wikimedia Commons)

FAPESP e FAPEAM financiarão projetos bilaterais que gerem inovações com base na sociobiodiversidade amazônica


A FAPESP anuncia o lançamento de uma chamada de propostas em conjunto com a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas (FAPEAM), para o financiamento de pesquisas em ciência, tecnologia e inovação em bioeconomia amazônica, a partir da articulação de colaborações entre pesquisadores dos estados de São Paulo e do Amazonas.

A chamada – a terceira no âmbito do acordo de cooperação entre as instituições – visa apoiar a criação e o aprimoramento de tecnologias, processos e produtos inovadores para a valorização da sociobiodiversidade amazônica, a transição para uma economia de baixo carbono e a inclusão social.

FAPESP e FAPEAM também pretendem fomentar pesquisa em inovação e tecnologia avançada com potencial de gerar cadeias de valor sustentáveis e que contribuam com a inserção mercadológica de bioprodutos e biotecnologias amazônicas em cadeias de valor nacionais e globais, incluindo a criação ou o aprimoramento de mecanismos de certificação e rastreabilidade.

A chamada está aberta a pesquisadores vinculados a instituições de ensino superior e pesquisa dos estados de São Paulo e Amazonas. As propostas devem ter como representantes dois coordenadores, um de cada estado, e devem ser elaboradas conjuntamente entre as metades paulista e amazonense do consórcio. Serão apoiadas propostas que se atenham às quatro linhas temáticas da chamada:

• Linha 1 - Governança, Instrumentos Regulatórios e Modelos de Negócios Sustentáveis em Bioeconomia, tendo como foco principal a estruturação, a viabilidade e a competitividade do ambiente bioeconômico;
• Linha 2 - Descarbonização, Energias Renováveis e Economia Circular na Amazônia, cujo objetivo predominante é o impacto ambiental e energético da tecnologia/processo/serviço proposto;
• Linha 3 - Desenvolvimento de Bioprodutos, Bioprocessos e Biotecnologias da Sociobiodiversidade, com foco na geração de soluções tecnológicas inovadoras derivadas da biodiversidade amazônica;
• Linha 4 - Valorização do Capital Humano e Economia Criativa para a Bioeconomia, instrumentalizando identidades culturais como vetores estratégicos para o desenvolvimento da bioeconomia e incluindo ações de empreendedorismo social.

FAPESP e FAPEAM apoiarão projetos por até 36 meses. Serão selecionados até 10 projetos.

A FAPEAM destinará um total de R$ 2 milhões para a chamada. A FAPESP reservou um valor global de R$ 6 milhões e aplicará à chamada as normas de apoio e condições de elegibilidade da modalidade de fomento Auxílio à Pesquisa – Regular.

Cada coordenador deverá submeter proposta à Fundação de Amparo à Pesquisa de seu respectivo estado, por meio do SIGFAPEAM, do lado amazonense, e do SAGe, do lado paulista. O prazo para submissão é 23 de março.

A chamada está publicada em: fapesp.br/17974.




Autor: fapesp
Fonte: fapesp
Sítio Online da Publicação: fapesp
Data: 30/01/2026