No início de maio de 2026, o nome hantavírus voltou a dominar as notícias em todo o mundo. O navio de cruzeiro MV Hondius, com bandeira holandesa, partiu da Argentina com 150 passageiros a bordo rumo a Cabo Verde, mas chegou ao destino com um surto a bordo.
Três pessoas morreram e outras ficaram gravemente doentes.
Com um dos tripulantes português, o navio ficou retido ao largo do Porto da Praia, com os passageiros impedidos de desembarcar para proteger a população local, enquanto equipas médicas visitavam a embarcação.
A Organização Mundial de Saúde (OMS) confirmou que pelo menos uma das mortes foi causada pelo hantavírus, com o número de casos a subir para sete.
Até 4 de maio de 2026, foram identificados sete casos (dois casos de hantavírus confirmados em laboratório e cinco casos suspeitos), que incluem três vítimas mortais, um doente em estado grave e três pessoas que relataram sintomas ligeiros.
Comunicou a OMS, nesta segunda-feira.
Ainda que o vírus tenha sido uma surpresa para muitos, os especialistas conhecem-no bem.
Afinal, o que é o hantavírus?
O hantavírus não é uma doença nova. Trata-se de uma família de vírus transmitidos principalmente por ratos e ratazanas, conhecida há décadas e com registos de surtos na Ásia e na Europa que remontam a séculos.
Existem pelo menos 38 espécies diferentes de hantavírus identificadas a nível global, das quais 24 têm capacidade de provocar doença em seres humanos.
Ratos
A principal via de transmissão é a inalação de partículas microscópicas presentes na urina, nas fezes ou na saliva de roedores infetados, como ratos e ratazanas.
Não é uma doença que se apanha na rua ao passar ao lado de alguém. É necessário contacto direto com o ambiente contaminado pelos roedores.
Casos de transmissão entre humanos existem, mas são extremamente raros e estão maioritariamente documentados entre cônjuges, em contexto da estirpe sul-americana.
Dois vírus, dois órgãos-alvo
Nem todos os hantavírus são iguais. Dependendo da estirpe e da região geográfica, o vírus pode afetar de formas distintas o organismo humano. Os especialistas dividem-nos em dois grandes grupos.
Os hantavírus do hemisfério ocidental, sobretudo os encontrados na América do Sul e do Norte, tendem a atacar o sistema respiratório, causando a chamada Síndrome Pulmonar por Hantavírus.
Nesta, os pulmões enchem-se de líquido, a respiração torna-se impossível sem suporte médico, e a taxa de mortalidade pode atingir os 40%. É esta a estirpe que estará por detrás do surto no MV Hondius, dado que o navio partiu da Argentina, um país considerado endémico para o hantavírus.
Já as estirpes predominantes na Europa e na Ásia afetam sobretudo os rins, causando Febre Hemorrágica com Síndrome Renal. São geralmente menos letais, embora continuem a ser doenças sérias que exigem hospitalização.
Na Europa, a Finlândia é o país com maior número de casos registados, associados a uma espécie de rato comum nas florestas do norte do continente.
Os sintomas podem enganar
Um dos maiores perigos do hantavírus é precisamente a sua fase inicial, pois não há nenhum sinal de alarme imediato que leve um médico a suspeitar logo de hantavírus, sobretudo em regiões onde o vírus não é endémico.
E uma pandemia?
Perante o alarme mediático, outra questão inevitável surge e procura saber se o hantavírus pode tornar-se a próxima pandemia global.
Segundo os especialistas, o vírus não se transmite facilmente entre pessoas, não sofre mutações rápidas que alterem o seu comportamento e depende de uma exposição muito específica para infetar humanos.
Ainda que grave e letal, o hantavírus não se propaga de forma eficiente em populações humanas. O surto no cruzeiro foi, muito provavelmente, resultado de condições específicas a bordo, como o contacto com roedores ou materiais contaminados durante a viagem pela América do Sul.
Fonte: sapo
Sítio Online da Publicação: sapo
Data: 05/05/2024
Nenhum comentário:
Postar um comentário