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quinta-feira, 29 de setembro de 2022

Furacão Ian: entenda fenômeno que tornou tempestade na Flórida ainda mais perigosa



CRÉDITO,FOTO DE SATÉLITE

A única coisa 100% previsível em relação aos furacões são suas constantes mudanças.

Esses fenômenos atmosféricos — formados com a energia das águas quentes e dos ventos, e comuns em regiões como o Oceano Atlântico — representam um desafio para os cidadãos e para os meteorologistas devido à sua instabilidade.


É necessário acompanhar sua trajetória minuto a minuto por meio de radares e satélites para antecipar seu comportamento e, assim, se preparar para qualquer eventualidade que represente um risco à vida e ao patrimônio.


E uma das mudanças que mais surpreende meteorologistas e especialistas em clima, porque o motivo ainda não está totalmente claro, é a chamada substituição da parede do olho do furacão.


Este evento, que geralmente ocorre em grandes furacões de categoria 3, 4 e 5, pode mudar o efeito de um ciclone quando atinge terra firme.



CRÉDITO,GETTY IMAGES


Na terça-feira (27/09), o furacão Ian, um poderoso ciclone de categoria 4 com ventos sustentados de mais de 240 km/h, passou pelo processo de substituição da parede do olho.


Ele fez isso logo após atingir a província de Pinar del Río, em Cuba, e antes de chegar ao Estado da Flórida, nos EUA, onde está causando grandes danos devido aos fortes ventos e uma enorme tempestade.

A parede do olho

A primeira coisa que você precisa saber é que, de acordo com o Centro Nacional de Furacões (NHC, na sigla em inglês) dos EUA, estes fenômenos atmosféricos têm uma estrutura que é dividida em três partes: o olho, a parede do olho e as faixas de chuva.


Nas faixas de chuva, há nuvens e fortes trovoadas que se movem em espiral, produzindo ventos e, às vezes, tornados. Já o olho é uma área de relativa calma, um centro em torno do qual giram as faixas de precipitação.


E a parede é justamente a área mais próxima do olho.


"A parede do olho consiste em um anel de altas tempestades elétricas que produzem fortes chuvas e, geralmente, os ventos mais fortes", diz o NHC sobre essa zona dos furacões.



CRÉDITO,GETTY IMAGES
Legenda da foto,

A circulação dos ventos do furacão Ian fez parte da água da Baía de Tampa recuar, ao se aproximar da costa da Flórida


As mudanças na estrutura do olho ou de sua parede podem tornar os ventos de um ciclone mais fortes ou mais fracos.


"O olho pode crescer ou diminuir de tamanho, e paredes duplas podem se formar", acrescenta o NHC.

A substituição da parede e seus efeitos


A substituição da parede do olho costuma ocorrer em furacões de maior intensidade, explicou à BBC News Mundo, serviço de notícias em espanhol da BBC, o meteorologista Ernesto Rodríguez, que trabalha no Serviço Nacional de Meteorologia dos Estados Unidos.


Estes ciclones, que vão da categoria 3 a 5 na escala Saffir-Simpson, têm ventos sustentados de mais de 178 km/h.



CRÉDITO,GETTY IMAGES
Legenda da foto,

O furacão Ian deixou um rastro de destruição em Cuba


"O que acontece é que uma parede maior de tempestades elétricas começa a rodear e sufocar o núcleo interno que havia se formado originalmente. O novo anel de tempestades rodeia a parede do olho mais antiga, e esta acaba desaparecendo", explica o especialista.


Quando passam por esse processo, que geralmente acontece enquanto o furacão está em vias de se fortalecer, as tempestades deixam de ganhar força.


"É que passam por ciclos em que o olho vai mudando de diâmetro. A substituição do olho os mantém [os furacões] estáveis, ​​e depois eles se intensificam novamente", acrescenta Rodríguez.


O especialista deu como exemplo o furacão Maria, que atingiu Porto Rico em 2017. A tempestade era de categoria 5, com ventos sustentados de 257 km/h, mas durante a substituição da parede do olho, pouco antes de atingir o território, sua força foi reduzida para categoria 4, com ventos de 249 km/h.



CRÉDITO,GETTY IMAGES
Legenda da foto,

Ao passar por Cuba, o furacão Ian deixou pelo menos dois mortos


Mas quando a substituição da parede do olho termina, essa parte do furacão, que é a mais poderosa e perigosa, acaba com um diâmetro maior.


"Ao expandir o diâmetro do olho, haverá mais áreas que serão impactadas pelos ventos mais fortes", diz Rodríguez.


Isso significa que as áreas mais destrutivas vão atingir mais terras.


O processo de substituição da parede do olho pode ocorrer mais de uma vez.


No caso do furacão Ian, seu olho original tinha 20 milhas náuticas de diâmetro — e após a substituição da parede do olho, ficou 75% maior, com 35 milhas náuticas.






Autor: Ronald Ávila-Claudio - @ronaldavilapr
Fonte: BBC News Mundo
Sítio Online da Publicação: BBC
Data: 29/09/2022
Publicação Original: https://www.bbc.com/portuguese/internacional-63072320

segunda-feira, 26 de setembro de 2022

Furacão Ian obriga Nasa a 'guardar' foguete de missão à Lua



CRÉDITO,REUTERS
Legenda da foto,

A Artemis-1 será a primeira de uma série de missões que levarão humanos de volta à Lua


A agência espacial americana, a Nasa, deve retirar seu foguete da missão Artemis-1 da plataforma de lançamento na Flórida para protegê-lo de um furacão que se aproxima.


A Nasa diz que o Sistema de Lançamento Espacial (SLE) será recolhido para sua oficina de engenharia por precaução.


O furacão Ian está se movendo pelo Golfo do México e deve atingir a Flórida na quinta-feira (29/9). A previsão é de que o Centro Espacial Kennedy sofra com ventos e chuvas fortes.


Embora o local provavelmente escape dos piores impactos da tempestade, a Nasa não quer arriscar que seu foguete multibilionário seja danificado.


Isso provavelmente alterará os planos para o voo inaugural para novembro.


A Nasa esperava que a passagem da tempestade pelo Golfo a levasse suficientemente para oeste para que o foguete pudesse permanecer na plataforma.


Mas as previsões das últimas horas apontaram que a trajetória deve mudar, colocando a costa oeste da Flórida diretamente no caminho.

O governador da Flórida, Ron DeSantis, já declarou estado de emergência.


A Nasa tem um de seus transportadores gigantes de prontidão na plataforma para iniciar a operação.


A baixa velocidade com que o transportador se move significa que a jornada de 6,7 km demorará meio dia. Os engenheiros, portanto, devem querer colocar isso em andamento o mais rápido possível.


O recolhimento deve começar à meia-noite no horário de Brasília.


A Artemis-1 é a primeira de uma série de missões que pretendem levar humanos de volta à superfície lunar após 50 anos.


O voo inicial do SLE não será tripulado: foi anunciado como uma demonstração de segurança do equipamento e enviará a cápsula Orion para e além da Lua antes de voltar para casa com um mergulho no Oceano Pacífico.


Supondo que tudo funcione como planejado, os astronautas cumprirão a missão em 2024 com uma volta simples ao redor da Lua.


Só na missão Artemis-3, possivelmente no final de 2025, os astronautas tocarão a superfície lunar.







Autor: Jonathan Amos
Fonte: BBC News
Sítio Online da Publicação: BBC
Data: 26/09/2022
Publicação Original: https://www.bbc.com/portuguese/geral-63040279