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segunda-feira, 15 de janeiro de 2018

Protetor solar com oxibenzona pode contribuir para destruição dos recifes de coral, alertam especialistas

Os cientistas têm más notícias para quem costuma frequentar praias: o filtro solar que protege a sua pele enquanto você nada, surfa ou mergulha pode estar matando os recifes de corais e a vida marinha. Muitos protetores solares contêm oxibenzona, uma substância química que ajuda a barrar os raios ultravioletas responsáveis pelo câncer de pele. Infelizmente, pesquisas também indicam que o composto torna os corais mais suscetíveis ao branqueamento.


Recifes de coral ficariam mais vulneráveis ao branqueamento por conta da contaminação das águas por protetor solar. Foto: ONU Meio Ambiente/NOOR/Kadir van Lohuizen



Os cientistas têm más notícias para quem costuma frequentar praias: o filtro solar que protege a sua pele enquanto você nada, surfa ou mergulha pode estar matando os recifes de corais e a vida marinha. Muitos protetores solares contêm oxibenzona, uma substância química que ajuda a barrar os raios ultravioletas responsáveis pelo câncer de pele. Infelizmente, pesquisas também indicam que o composto torna os corais mais suscetíveis ao branqueamento.

Esse é mais um exemplo de como os produtos químicos sintéticos podem ter consequências não intencionais, fato que reforça a necessidade de avaliações de risco mais rigorosas antes de aprová-los para uso na indústria. Muitas substâncias novas, incluindo a oxibenzona, passam por estações de tratamento de água sem ser filtradas e acabam nos rios e oceanos.

“Este é um caso para a aplicação do princípio da precaução”, diz Gabriel Grimsditch, especialista em ecossistemas marinhos da ONU Meio Ambiente. “A oxibenzena nos protege contra queimaduras, mas também é um poluente, e precisamos saber o máximo possível sobre ela antes de liberá-la no ambiente. Já existem evidências de que esta substância é prejudicial aos recifes de corais”, completa.

O branqueamento dos recifes ocorre quando os corais expelem as algas que vivem sobre sobre eles mesmos, que ficam brancos, sem o tradicional revestimento colorido. Essas plantas são as fontes primárias de alimento para os corais, com os quais mantêm uma relação de simbiose. O branqueamento pode ser provocado pelo aquecimento da temperatura dos oceanos.

A oxibenzona faz parte da família de produtos químicos frequentemente adicionados aos plásticos — para evitar que se degradem com a luz — e às garrafas de bebidas para proteger seu conteúdo. Ela também preserva as cores e aromas de vários itens, incluindo sprays de cabelo, sabonetes e esmaltes de unha.

Mesmo sem a conexão com a destruição dos corais, muitos países já restringiram o uso da oxibenzona devido à preocupação com a saúde humana, como no caso de alergias de pele. Pesquisadores também estão examinando o impacto da substância nos níveis hormonais.

O recente alerta sobre seu impacto para a vida marinha surgiu de um artigo científico de 2015*, que apontava que até 14 mil toneladas de protetor solar são “lavadas” anualmente da pele de banhistas e mergulhadores perto de recifes de corais em todo o mundo.

Em experimentos laboratoriais, os autores da pesquisa descobriram que a oxibenzona reduziu a forma larval do coral Stylophora pistillata a uma “condição deformada e séssil” — uma consequência direta é o comprometimento do ciclo reprodutivo e, portanto, da renovação das populações de corais. A substância também foi considerada tóxica para outras cinco espécies de corais. A oxibenzona “ameaça a resiliência dos recifes às mudanças climáticas”, advertem os especialistas.

Outras pesquisas indicam que a oxibenzona também pode causar problemas de saúde em peixes, ouriços do mar e mamíferos marinhos.
Governos e indústria se mobilizam pelo meio ambiente

Buscando proteger a indústria do turismo, fundamental para as praias do México, o país permite apenas protetores solares “biodegradáveis” em algumas de suas principais reservas marinhas. Os parlamentares da Europa e do Havaí pressionam por proibições mais amplas. Nos Estados Unidos, o Serviço de Parques Nacionais incentiva os visitantes a usar produtos alternativos ou apenas a se cobrir com chapéus e roupas de banho com mangas longas.

As empresas estão resistentes, apontando outros fatores como motivo da deterioração dos ecossistemas de corais, como a mudança do clima e o despejo de outras substâncias poluentes nos oceanos.

Diversas empresas de cosméticos já estão oferecendo produtos “amigos dos corais”, que usam óxido de zinco ou dióxido de titânio em vez de ingredientes mais controversos.

De acordo com a Consumer Healthcare Products Association, que representa empresas de medicamentos de venda liberada nos Estados Unidos, “não há provas científicas de que, em condições naturais, os ingredientes dos protetores solares, que têm sido utilizados com segurança em todo o mundo há décadas, contribuem para essa questão”.

No entanto, várias empresas de cosméticos já oferecem novas alternativas e grandes meios de comunicação, como o jornal The New York Times e a revista de moda Vogue ajudam a promovê-los.

Então, na próxima vez que você der uma passada na praia, não precisa esperar até que o argumento científico ganhe ou perca. Você pode exercer o princípio da precaução por si mesmo, reduzindo o risco para o meio ambiente sem se expor aos excessos do sol.

*O artigo foi assinado por C. A. Downs, Esti Kramarsky-WinterRoee SegalJohn FauthSean KnutsonOmri BronsteinFrederic R. CinerRina JegerYona LichtenfeldCheryl M. WoodleyPaul PenningtonKelli CadenasAriel KushmaroYossi Loya.



Da ONU Brasil, in EcoDebate, ISSN 2446-9394, 15/01/2018



Autor: ONU Brasil
Fonte: EcoDebate
Sítio Online da Publicação: EcoDebate
Data de Publicação: 15/01/2018
Publicação Original: https://www.ecodebate.com.br/2018/01/15/protetor-solar-com-oxibenzona-pode-contribuir-para-destruicao-dos-recifes-de-coral-alertam-especialistas/

terça-feira, 31 de outubro de 2017

Protetor solar colorido barra dano da luz visível à pele




Estudo realizado no CEPID Redoxoma esclarece mecanismo de ação da luz visível na epiderme e põe em questão o modo como os protetores solares são utilizados pela população (foto: Wikimedia)


Há algo de errado em relação à exposição das pessoas ao sol. Mesmo com o aumento no consumo de protetores solares em todo o mundo, o número de casos de câncer de pele continua a crescer. Um dos principais motivos pode ser a ação da luz visível, que também causa danos à pele e não é bloqueada por protetores solares convencionais.

Essa foi a conclusão de uma equipe do Centro de Pesquisa em Processos Redox em Biomedicina (Redoxoma), um Centro de Pesquisa, Inovação e Difusão (CEPID) da FAPESP. Os pesquisadores descreveram, em artigo publicado no Journal of Investigative Dermatology, o mecanismo dos efeitos combinados do dano provocado pelos raios UVA e pela luz visível nas células que produzem queratina.



“Sabia-se que a luz visível provocava dano na pele, porém avançamos no entendimento dos mecanismos ao demonstrar que os raios UVA estimulam o acúmulo de um pigmento chamado lipofuscina, que atua depois como fotossintetizador da luz visível na epiderme”, disse Maurício Baptista, professor do Instituto de Química da USP e membro do CEPID Redoxoma, à Agência FAPESP.

“Basicamente, o UVA causa um dano na pele e a luz visível amplifica”, disse. De acordo com Baptista, para se proteger da luz visível seria necessário usar uma barreira física, como o uso de roupas e panos, ou um protetor solar colorido.

“O protetor colorido não deve ser de qualquer cor. A ideia é que seja da tonalidade da pele de cada pessoa. Desenvolvemos um produto que contempla a proteção dos raios UVA, UVB e também da luz visível. Ele usa nanopartículas revestidas com filme fino de melanina. Este invento está patenteado [em nome da USP, com apoio da FAPESP] e estamos buscando parcerias para produzi-lo”, disse.

O mecanismo de dano da luz visível é parecido com o dos raios UVA. Ambos atuam por meio da excitação luminosa e da promoção de estados excitados nas células da epiderme.


Estudo realizado no CEPID Redoxoma esclarece mecanismo de ação da luz visível na epiderme e põe em questão o modo como os protetores solares são utilizados pela população (foto: Wikimedia)



O mecanismo é completamente diferente, por exemplo, do encontrado nos raios UVB, que são absorvidos diretamente pelo DNA das células da epiderme, tendo resposta muito mais rápida – inicialmente a vermelhidão para quem produz menos melanina – e um maior dano à pele. O infravermelho tem o efeito de uma radiação de calor que expande os vasos e provoca uma inflamação.

“É preciso saber que a maneira como estamos nos protegendo do sol está errada. Além de exagerada, pois os índices de vitamina D estão cada vez mais baixos na população brasileira, porque não pegamos um mínimo de sol necessário sem protetor. Não estamos evitando a luz visível, que também causa dano na epiderme e não é barrada pelo filtro solar”, disse Baptista.

Por outro lado, proteger-se dos raios UVB é fundamental. “Outra interpretação errada de nosso estudo seria dizer que não é preciso usar protetor solar. Não é isso. O UVB é muito mais tóxico do que o UVA e do que a luz visível. Só que tem havido um aumento na ocorrência de cânceres mais profundos, até porque a população se protege do UVB há, pelo menos, 40 anos, mas por muito tempo não havia protetores contra o UVA. Contra o visível não tem até hoje”, disse.

Lesão nos queratinócitos

A radiação UVA penetra de maneira mais profunda na epiderme e provoca outro tipo de dano, que é perceptível no longo prazo. “Acreditamos que os tipos de câncer de pele caracterizados pela exposição ao UVA devem ter muito da ação da luz visível, que nunca foi contabilizada. Os danos do UVA e da luz visível são parecidos, eles agem em conjunto. Tanto o dano oxidativo do UVA quanto do visível causam oxidação no DNA”, disse Baptista.

A equipe do Redoxoma já havia estudado, em 2014, como as células produtoras de melanina, os melanócitos, respondiam à luz visível. O novo trabalho vai além e analisa como as células produtoras de queratina (queratinócitos), que correspondem a maior parte das células da epiderme, são lesionados pela luz visível.

Baptista conta que os queratinócitos sofrem primeiro o dano pela radiação UVA, fazendo com que essas células produzam lipofuscina, um fotossensibilizador de luz visível – célula que absorve e destrói pigmentos. Quando isso ocorre, os queratinócitos se tornam sensíveis à luz visível. “Vimos que não é só o melanócito da epiderme que sofre com os efeitos da luz visível, o queratinócito também”, disse.

A luz visível tem um efeito menor de dano à pele em comparação a outros tipos de raios solares, mas a resposta na epiderme é amplificada quando a pele não é mais saudável e sofreu dano por radiação UVA. Além disso, 45% da radiação solar que atinge a pele é composta de luz visível e somente 5% de ultravioleta.

“Avançamos na compreensão sobre o dano na pele causado pelos tipos de radiação, mas é preciso alertar que tomar sol é importante. A pele fica mais saudável em quem toma um pouco de sol por uma série de fatores. O principal é a produção de vitamina D, que só ocorre se a pele é exposta sem o protetor solar. Quanto é esse pouco de sol? Depende muito do tipo de pele e de onde a pessoa está no planeta, da latitude, da altitude. Infelizmente, não existe uma tabela dizendo quanto a pessoa precisa tomar de sol”, disse Baptista.

O artigo Lipofuscin generated by UVA turns keratinocytes photosensitive to visible light (doi: 10.1016/j.jid.2017.06.018), de Paulo Newton Tonolli, Orlando Chiarelli-Neto, Carolina Santacruz-Perez, Helena Couto Junqueira, Ii-Sei Watanabe, Felipe Gustavo Ravagnani, Waleska Kerllen Martins, Maurício S. Baptista, pode ser lido no Journal of Investigative Dermatology em www.jidonline.org/article/S0022-202X(17)31848-1/pdf.



Autora: Agência FAPESP
Fonte: Maria Fernanda Ziegler
Sítio Online da Publicação: Agência FAPESP
Data de Publicação: 31/10/2017
Publicação Original: http://agencia.fapesp.br/protetor_solar_colorido_barra_dano_da_luz_visivel_a_pele_/26531/