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quarta-feira, 18 de abril de 2018

De vacina contra câncer de pele a melhor tratamento para câncer na próstata: veja avanços em 5 pesquisas



Pesquisador Marcio Chaim Bajgelman, do LNBio, trabalha no desenvolvimento de vacina contra o câncer. (Foto: CNPEM/Divulgação)

Descobertas recentes feitas por pesquisadores no Brasil e no mundo prometem melhorar tratamentos de combate ao câncer e aumentar as chances de cura dos pacientes. O G1 reuniu alguns estudos publicados recentemente que mostram o avanço nas pesquisas e que vão desde uma vacina que pode acabar com tumores até a diminuição dos efeitos colaterais da quimioterapia.

Veja abaixo alguns estudos publicados recentemente:


1. Vacina contra o câncer


Uma vacina desenvolvida no Laboratório Nacional de Biociências, no Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais (CNPEM), estimula o sistema imunológico a combater o câncer. Os primeiros resultados em camundongos foram surpreendentes e em alguns animais o tumor foi eliminado completamente.


O estudo: A vacina usa células tumorais do próprio indivíduo que receberá o tratamento e secreta citocina GM-CSF, que estimula a proliferação e a maturação de diferentes tipos de células de defesa, para evitar que as células tumorais se multipliquem descontroladamente no organismo.


Na prática: A vacina foi testada em camundongos e na próxima etapa será testada em amostras provenientes de cirurgias com pacientes para analisar o desempenho in vitro. Se tudo der certo, a vacina pode chegar ao mercado dentro de alguns anos.


"Nossos estudos demonstraram a possibilidade de curar o câncer em experimentos com animais. Além disso, uma observação interessante foi que animais curados e redesafiados com novos tumores apresentaram uma resposta duradoura, sugerindo-se o desenvolvimento de uma memória imunológica antitumoral", disse o pesquisador Marcio Chaim Bajgelman, que coordena o estudo no Laboratório Nacional de Biociências, no Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais (CNPEM), que tem sede em Campinas (SP).


2. Atlas da origem do câncer


Cientistas da Universidade de Santa Cruz, na Califórnia, descobriram que cânceres que começam em diferentes órgãos podem ter a mesma origem celular e criaram um “atlas” da origem do câncer.



O estudo: Foram analisados 33 diferentes tipos de tumor em 10 mil pacientes. Todos os 33 tipos foram reclassificados em 28 tipos moleculares. Dois terços destes foram considerados heterogêneos porque continham até 25 tipos histológicos, que tradicionalmente seriam tratados de maneira diferente.


Na prática: Sabendo da origem molecular do tipo de câncer, tratamentos para um tipo de câncer poderão ser estudados para beneficiar pessoas que têm outros tipos, porém de mesma origem molecular.



O 'mapa dos tumores' ajuda os cientistas a visualizar a origem celular de diferentes tipos de câncer (Foto: UC Santa Cruz Genomics Institute)


3. Quimioterapia sem dor


Com frequência, pacientes que fazem quimioterapia sofrem com efeitos colaterais como dores musculares, formigamento nos pés e nas mãos e queimação. Em março, pesquisadores da Universidade de Saint Louis, nos EUA, divulgaram que conseguiram com sucesso eliminar a dor do tratamento de quimioterapia para câncer colorretal em um modelo animal.


O estudo: Os pesquisadores analisaram o remédio oxaliplatina, comumente usado no tratamento de câncer colorretal, e descobriram como o remédio pode causar dor até mesmo anos depois do fim do tratamento. A dor está associada à enzima adenosina quinase em astrócitos (um tipo de célula do sistema nervoso central) e à diminuição da sinalização de adenosina em um receptor chave, A3AR. Os pesquisadores conseguiram bloquear o desenvolvimento dos efeitos colaterais do remédio sem interferir nas propriedades anticancerígenas do medicamento.


Na prática: O estudo mostra que pode ser possível combinar o uso da oxaliplatina com outros remédios durante o tratamento. Atualmente, já existe um estudo em andamento para analisar os agonistas (drogas que atuam em receptores e causam um aumento ou uma diminuição na sua atividade) do A3AR como novo agente anticancerígeno.


4. Tratamento melhor para câncer de próstata


Câncer de próstata é o segundo câncer mais comum em homens e a quinta causa de morte mais comum entre eles no mundo, segundo dados de 2012 da Organização Mundial da Saúde (OMS).


Apesar de diversos tratamentos estarem disponíveis para os pacientes, alguns homens não respondem às principais opções disponíveis. Pensando neste grupo, pesquisadores da Universidade de Toronto, no Canadá, desenvolveram uma biópsia através de uma amostra de sangue que revela, antes mesmo de o tratamento começar, quem não responderá a ele.


O estudo: A partir da amostra de sangue, os cientistas identificaram as células tumorais e analisavam se elas tinham algum marcador indicativo de que seriam resistentes a tratamentos específicos. Foram analisados pacientes com câncer de próstata em metástase.


Na prática: Segundo os pesquisadores, a biópsia feita com a amostra de sangue não tem custo, é rápida e precisa. Agora, eles irão replicar o estudo com mais pacientes e já pensam em testar a aplicação da tecnologia em outros tipos de câncer e até em outras doenças.


Segundo o médico urologista Cláudio Murta, coordenador do Centro de Referência da Saúde do Homem do Estado de São Paulo, o impacto do estudo será grande pois permitirá aos médicos "a utilização de meios menos invasivos para individualização do melhor tratamento ao paciente". Além disso, o estudo demonstra que as biópsias líquidas para câncer de próstata podem ser aplicadas clinicamente em um futuro próximo, afirma ele.


5. Células T combatem câncer de fígado



Pesquisadores da Universidade de Augusta, nos EUA, testaram camundongos criados em laboratório para responder a um antígeno comumente encontrado em câncer de fígado em humanos. Algumas células T dos camundongos conseguiram identificar as células cancerígenas e matá-las.


As células T são responsáveis pela defesa do organismo contra agentes desconhecidos (antígenos) que tomam conta das células, como vírus, bactérias e o câncer. São elas que regulam o funcionamento do sistema imunológico.


O estudo: Depois do teste feito com camundongos, os cientistas testaram as células T em tecido humano in vitro. Eles usaram os genes de receptores de antígeno mais eficazes nessas células T, as colocaram em células T humanas e também em células humanas o câncer foi erradicado sem alterar as células normais do fígado.


Na prática: Os cientistas já firmaram parceria para testar o uso destas células T em tecidos humanos saudáveis e com câncer de fígado. Se as células produzirem uma boa resposta ao câncer e não atacarem também as células saudáveis, o estudo poderá ser testado clinicamente.




Autor: G1 Globo
Fonte: G1 Globo
Sítio Online da Publicação: G1 Globo
Data de Publicação: 18/04/2018
Publicação Original: https://g1.globo.com/olha-que-legal/noticia/de-vacina-contra-cancer-de-pele-a-melhor-tratamento-para-cancer-na-prostata-veja-avancos-em-5-pesquisas.ghtml

sexta-feira, 13 de abril de 2018

Vacina contra o câncer de pele desenvolvida no Brasil é testada com sucesso em cobaias, diz estudo



Pesquisador Marcio Chaim Bajgelman, do LNBio, trabalha no desenvolvimento de vacina contra o câncer. (Foto: CNPEM/Divulgação)


Pesquisadores brasileiros desenvolveram uma vacina contra o câncer e obtiveram bons resultados nos testes realizados em camundongos. O resultado foi publicado na revista científica "Frontiers of Immunology".


A vacina usa células tumorais do próprio indivíduo que receberá o tratamento e secreta citocina GM-CSF, que estimula a proliferação e a maturação de diferentes tipos de células de defesa, para evitar que as células tumorais se multipliquem descontroladamente no organismo.


"A vacina consiste em modificar células tumorais para que produzam imunomoduladores. Estes imunomoduladores estimulam as células de defesa do organismo a identificar e eliminar o câncer", disse o pesquisador Marcio Chaim Bajgelman, que coordena o estudo no Laboratório Nacional de Biociências, no Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais (CNPEM), que tem sede em Campinas.


Os pesquisadores testaram diferentes combinações de células tumorais geneticamente modificadas para desenvolver a vacina, que foi aplicada em camundongos com câncer de pele. Os resultados foram positivos.


"Nossos estudos demonstraram a possibilidade de curar o câncer em experimentos com animais. Além disso, uma observação interessante foi que animais curados e redesafiados com novos tumores apresentaram uma resposta duradoura, sugerindo-se o desenvolvimento de uma memória imunológica antitumoral", avalia Bajgelman.



Por que o câncer de pele?



Para o estudo, os pesquisadores injetaram as células tumorais de um melanoma altamente agressivo nos animais. A ideia era colocar os animais em uma situação semelhante ao que acontece com humanos, em que o tumor se desenvolve a partir de células próprias e o sistema imunológico age nestas células.


O resultado mostrou que o sistema imunológico daqueles que tinham recebido a vacina conseguiu responder ao câncer. Em alguns animais, o tumor foi eliminado completamente.


"Sendo assim, animais que não recebem a terapia desenvolvem tumores e animais submetidos a terapia têm o sistema imune estimulado para erradicar o câncer", diz o pesquisador.


Eles também já trabalham para desenvolver a vacina que funcione com outros tipos de câncer: "Além do modelo de melanoma também estamos investigando outros modelos que utilizam células derivadas de câncer de mama e câncer de próstata. O câncer é uma doença multifatorial que apresenta características que podem variar entre indivíduos, por esse motivo pacientes podem responder de forma diferente aos tratamentos".


No futuro


Nas próximas etapas no estudo, a vacina será testada em tecido humano proveniente de amostras clínicas de pacientes removidas em cirurgias para avaliar o desempenho in vitro. Se esta etapa for bem sucedida, os cientistas planejam fazer ensaios no que chamam de "animais humanizados", simulando os efeitos no corpo humano.


"A transferência desta tecnologia para o mercado depende da conclusão destes ensaios pré-clínicos e posterior realização de ensaios clínicos, que seguem requisitos preconizados por comissões e órgãos regulamentadores. Estes ensaios seguem um cronograma padrão, de cerca de 8 anos para chegar ao mercado", explica Bajgelman.


O trabalho vem sendo conduzido no Laboratório Nacional de Biociências (LNBio), do Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais (CNPEM), durante o doutorado de Andrea Johanna Manrique Rincón, sob a coordenação do pesquisador Marcio Chaim Bajgelman.



Autor: Tatiana Regadas
Fonte: G1 Globo
Sítio Online da Publicação: G1 Globo
Data de Publicação: 13/04/2018
Publicação Original: https://g1.globo.com/ciencia-e-saude/noticia/vacina-contra-o-cancer-de-pele-desenvolvida-no-brasil-e-testada-com-sucesso-em-cobaias-diz-estudo.ghtml

terça-feira, 31 de outubro de 2017

Protetor solar colorido barra dano da luz visível à pele




Estudo realizado no CEPID Redoxoma esclarece mecanismo de ação da luz visível na epiderme e põe em questão o modo como os protetores solares são utilizados pela população (foto: Wikimedia)


Há algo de errado em relação à exposição das pessoas ao sol. Mesmo com o aumento no consumo de protetores solares em todo o mundo, o número de casos de câncer de pele continua a crescer. Um dos principais motivos pode ser a ação da luz visível, que também causa danos à pele e não é bloqueada por protetores solares convencionais.

Essa foi a conclusão de uma equipe do Centro de Pesquisa em Processos Redox em Biomedicina (Redoxoma), um Centro de Pesquisa, Inovação e Difusão (CEPID) da FAPESP. Os pesquisadores descreveram, em artigo publicado no Journal of Investigative Dermatology, o mecanismo dos efeitos combinados do dano provocado pelos raios UVA e pela luz visível nas células que produzem queratina.



“Sabia-se que a luz visível provocava dano na pele, porém avançamos no entendimento dos mecanismos ao demonstrar que os raios UVA estimulam o acúmulo de um pigmento chamado lipofuscina, que atua depois como fotossintetizador da luz visível na epiderme”, disse Maurício Baptista, professor do Instituto de Química da USP e membro do CEPID Redoxoma, à Agência FAPESP.

“Basicamente, o UVA causa um dano na pele e a luz visível amplifica”, disse. De acordo com Baptista, para se proteger da luz visível seria necessário usar uma barreira física, como o uso de roupas e panos, ou um protetor solar colorido.

“O protetor colorido não deve ser de qualquer cor. A ideia é que seja da tonalidade da pele de cada pessoa. Desenvolvemos um produto que contempla a proteção dos raios UVA, UVB e também da luz visível. Ele usa nanopartículas revestidas com filme fino de melanina. Este invento está patenteado [em nome da USP, com apoio da FAPESP] e estamos buscando parcerias para produzi-lo”, disse.

O mecanismo de dano da luz visível é parecido com o dos raios UVA. Ambos atuam por meio da excitação luminosa e da promoção de estados excitados nas células da epiderme.


Estudo realizado no CEPID Redoxoma esclarece mecanismo de ação da luz visível na epiderme e põe em questão o modo como os protetores solares são utilizados pela população (foto: Wikimedia)



O mecanismo é completamente diferente, por exemplo, do encontrado nos raios UVB, que são absorvidos diretamente pelo DNA das células da epiderme, tendo resposta muito mais rápida – inicialmente a vermelhidão para quem produz menos melanina – e um maior dano à pele. O infravermelho tem o efeito de uma radiação de calor que expande os vasos e provoca uma inflamação.

“É preciso saber que a maneira como estamos nos protegendo do sol está errada. Além de exagerada, pois os índices de vitamina D estão cada vez mais baixos na população brasileira, porque não pegamos um mínimo de sol necessário sem protetor. Não estamos evitando a luz visível, que também causa dano na epiderme e não é barrada pelo filtro solar”, disse Baptista.

Por outro lado, proteger-se dos raios UVB é fundamental. “Outra interpretação errada de nosso estudo seria dizer que não é preciso usar protetor solar. Não é isso. O UVB é muito mais tóxico do que o UVA e do que a luz visível. Só que tem havido um aumento na ocorrência de cânceres mais profundos, até porque a população se protege do UVB há, pelo menos, 40 anos, mas por muito tempo não havia protetores contra o UVA. Contra o visível não tem até hoje”, disse.

Lesão nos queratinócitos

A radiação UVA penetra de maneira mais profunda na epiderme e provoca outro tipo de dano, que é perceptível no longo prazo. “Acreditamos que os tipos de câncer de pele caracterizados pela exposição ao UVA devem ter muito da ação da luz visível, que nunca foi contabilizada. Os danos do UVA e da luz visível são parecidos, eles agem em conjunto. Tanto o dano oxidativo do UVA quanto do visível causam oxidação no DNA”, disse Baptista.

A equipe do Redoxoma já havia estudado, em 2014, como as células produtoras de melanina, os melanócitos, respondiam à luz visível. O novo trabalho vai além e analisa como as células produtoras de queratina (queratinócitos), que correspondem a maior parte das células da epiderme, são lesionados pela luz visível.

Baptista conta que os queratinócitos sofrem primeiro o dano pela radiação UVA, fazendo com que essas células produzam lipofuscina, um fotossensibilizador de luz visível – célula que absorve e destrói pigmentos. Quando isso ocorre, os queratinócitos se tornam sensíveis à luz visível. “Vimos que não é só o melanócito da epiderme que sofre com os efeitos da luz visível, o queratinócito também”, disse.

A luz visível tem um efeito menor de dano à pele em comparação a outros tipos de raios solares, mas a resposta na epiderme é amplificada quando a pele não é mais saudável e sofreu dano por radiação UVA. Além disso, 45% da radiação solar que atinge a pele é composta de luz visível e somente 5% de ultravioleta.

“Avançamos na compreensão sobre o dano na pele causado pelos tipos de radiação, mas é preciso alertar que tomar sol é importante. A pele fica mais saudável em quem toma um pouco de sol por uma série de fatores. O principal é a produção de vitamina D, que só ocorre se a pele é exposta sem o protetor solar. Quanto é esse pouco de sol? Depende muito do tipo de pele e de onde a pessoa está no planeta, da latitude, da altitude. Infelizmente, não existe uma tabela dizendo quanto a pessoa precisa tomar de sol”, disse Baptista.

O artigo Lipofuscin generated by UVA turns keratinocytes photosensitive to visible light (doi: 10.1016/j.jid.2017.06.018), de Paulo Newton Tonolli, Orlando Chiarelli-Neto, Carolina Santacruz-Perez, Helena Couto Junqueira, Ii-Sei Watanabe, Felipe Gustavo Ravagnani, Waleska Kerllen Martins, Maurício S. Baptista, pode ser lido no Journal of Investigative Dermatology em www.jidonline.org/article/S0022-202X(17)31848-1/pdf.



Autora: Agência FAPESP
Fonte: Maria Fernanda Ziegler
Sítio Online da Publicação: Agência FAPESP
Data de Publicação: 31/10/2017
Publicação Original: http://agencia.fapesp.br/protetor_solar_colorido_barra_dano_da_luz_visivel_a_pele_/26531/