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terça-feira, 22 de maio de 2018

Descoberta sobre ativação de genes pode ajudar a conter câncer de próstata


Revelação de genes que estavam aumentados em tumores na próstata pode levar ao desenvolvimento de drogas que inibam a ação de hormônio andrógeno e o avanço da doença – Foto: Visual Hunt-CC


Os andrógenos são um grupo de hormônios, como a testosterona, que têm entre suas ações regular as funções da próstata, glândula do sistema genital masculino. Para atuar nas células deste órgão, o hormônio precisa se ligar aos receptores de andrógenos, que ativam os genes responsáveis pela regulação da glândula. Pesquisa do Instituto de Química (IQ) da USP e do Instituto Butantan identificou moléculas que são fatores associados à ativação desses genes.

Essas moléculas são os RNAs de uma família específica (“RNAs longos não codificadores”, ou simplesmente aqueles não usados para traduzir proteínas – uma das funções dos RNAs). O estudo identificou 7.022 RNAs expressos na próstata, 619 deles associados ao receptor de andrógenos. A comparação com dados de pacientes com câncer de próstata revelou 67 genes que expressavam RNAs longos não codificadores e estavam aumentados nos tumores. Assim, a descoberta pode levar ao desenvolvimento de drogas que inibam a atividade do receptor e a progressão da doença.

O hormônio é produzido na glândula suprarrenal e chega até as células da próstata pela corrente sanguínea. “No interior da célula (citoplasma), o hormônio precisa se ligar a um receptor de andrógenso para ser transportado até o núcleo, onde estão os genes que fazem a regulação da célula”, diz o professor Sérgio Verjovski Almeida, coordenador da pesquisa. No núcleo encontra-se o DNA genômico, com cerca de 10 mil locais de domínio conservado, que são genes que podem ou não ser ativados, onde o receptor de andrógenos se liga. “Para ativar os genes e fazer as células funcionarem, o receptor se associa a diversos fatores, um dos quais são os RNAs longos não codificadores”. Esse tipo de RNA interage com proteínas que vão regular as funções das células.

O professor aponta que os tumores do câncer de próstata são sensíveis a andrógenos, por isso o tratamento procura, num primeiro momento, suprimir o hormônio no paciente. “Entretanto, em um estágio avançado, os receptores de andrógenos passam a agir independentemente da presença do hormônio”, observa. “Controlar a ativação destes receptores poderia conter a progressão dos tumores. Por essa razão, os RNAs longos não codificadores ligados ao receptor são um possível alvo para o futuro desenvolvimento de drogas que combatam o câncer de próstata”, explica.


Infografia: Jornal da USP

Bioinformática

A partir da análise de um enorme banco de dados gerado pelo grupo de pesquisa, com 600 milhões de sequências do RNA de células da próstata, os cientistas buscaram identificar todos os RNAs longos não codificadores expressos nessas células. “Ao todo, foram encontrados 7.022 RNAs diferentes”, destaca Verjovski Almeida, “dos quais 3.043 já eram descritos pela literatura científica e 3.979 ainda eram desconhecidos”.

Em seguida, era preciso identificar quantos e quais RNAs se ligavam ao receptor de andrógeno. Para isso os pesquisadores usaram um anticorpo para precipitar o receptor junto com os RNAs associados a ele, realizando em seguida o sequenciamento. “Foram identificados 619 RNAs longos não codificadores diferentes ligados ao receptor”, relata o professor. “Eles estavam na vizinhança de genes que poderiam ser regulados pelo receptor de andrógenos”.

Para confirmar quais genes estavam ativados ou inibidos, a pesquisa identificou onde havia marcas de proteínas que indicam quando há expressão dos RNAs: as histonas. “Nesta etapa utilizaram-se técnicas de aprendizado de máquina, com a criação de um algoritmo (fórmula matemática) para analisar grandes conjuntos de dados e encontrar padrões que se repetem, como as marcas de histonas (proteínas)”, conta Verjovski Almeida. “A análise de 28 conjuntos de dados públicos sobre as marcas de histonas mapeadas no genoma de células da próstata permitiu encontrar marcas de ativação significativamente mais abundantes nos locais do genoma onde os RNAs estavam ligados ao receptor de andrógenos, sugerindo que os genes vizinhos daqueles locais serão ativados.”

Os pesquisadores também compararam os resultados com dados sobre os genes de tumores em pacientes com câncer de próstata. “Foram identificados 67 genes que expressavam RNAs longos não codificadores e estavam aumentados nos tumores, 23 deles ainda não descritos pela ciência”, aponta o professor. “Possivelmente, eles estão relacionados à multiplicação das células cancerosas e ao crescimento dos tumores, o que será verificado em novos estudos.”


Professor Sérgio Verjovski Almeida, do Instituto de Química (IQ): análises de grandes conjuntos de dados no genoma de células permitiram encontrar padrões que se repetem – Foto Marcos Santos/USP Imagens



A pesquisa é descrita no artigo Chromatin Landscape Distinguishes the Genomic Loci of Hundreds of Androgen-Receptor-Associated LincRNAs From the Loci of Non-associated LincRNAs, publicado na revista científica Frontiers in Genetics no último dia 25 de abril. O texto é de autoria de Lucas Ferreira da Silva, Felipe Beckedorff, Ana Ayupe, Murilo Amaral, Vinícius Mesel, Alexandre Videira, Eduardo Reis, João Setubal e Sergio Verjovski-Almeida. O primeiro autor do artigo, Lucas Ferreira da Silva, estudou o tema em sua tese de doutorado, no Departamento de Bioquímica do IQ e no Programa Interunidades em Bioinformática da USP. A pesquisa teve apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp).



Autor: Jornal USP
Fonte: Jornal USP
Sítio Online da Publicação: Jornal USP
Data de Publicação: 18/05/2018
Publicação Original: https://jornal.usp.br/ciencias/ciencias-da-saude/descoberta-sobre-ativacao-de-genes-pode-ajudar-a-conter-cancer-de-prostata/

quarta-feira, 18 de abril de 2018

De vacina contra câncer de pele a melhor tratamento para câncer na próstata: veja avanços em 5 pesquisas



Pesquisador Marcio Chaim Bajgelman, do LNBio, trabalha no desenvolvimento de vacina contra o câncer. (Foto: CNPEM/Divulgação)

Descobertas recentes feitas por pesquisadores no Brasil e no mundo prometem melhorar tratamentos de combate ao câncer e aumentar as chances de cura dos pacientes. O G1 reuniu alguns estudos publicados recentemente que mostram o avanço nas pesquisas e que vão desde uma vacina que pode acabar com tumores até a diminuição dos efeitos colaterais da quimioterapia.

Veja abaixo alguns estudos publicados recentemente:


1. Vacina contra o câncer


Uma vacina desenvolvida no Laboratório Nacional de Biociências, no Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais (CNPEM), estimula o sistema imunológico a combater o câncer. Os primeiros resultados em camundongos foram surpreendentes e em alguns animais o tumor foi eliminado completamente.


O estudo: A vacina usa células tumorais do próprio indivíduo que receberá o tratamento e secreta citocina GM-CSF, que estimula a proliferação e a maturação de diferentes tipos de células de defesa, para evitar que as células tumorais se multipliquem descontroladamente no organismo.


Na prática: A vacina foi testada em camundongos e na próxima etapa será testada em amostras provenientes de cirurgias com pacientes para analisar o desempenho in vitro. Se tudo der certo, a vacina pode chegar ao mercado dentro de alguns anos.


"Nossos estudos demonstraram a possibilidade de curar o câncer em experimentos com animais. Além disso, uma observação interessante foi que animais curados e redesafiados com novos tumores apresentaram uma resposta duradoura, sugerindo-se o desenvolvimento de uma memória imunológica antitumoral", disse o pesquisador Marcio Chaim Bajgelman, que coordena o estudo no Laboratório Nacional de Biociências, no Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais (CNPEM), que tem sede em Campinas (SP).


2. Atlas da origem do câncer


Cientistas da Universidade de Santa Cruz, na Califórnia, descobriram que cânceres que começam em diferentes órgãos podem ter a mesma origem celular e criaram um “atlas” da origem do câncer.



O estudo: Foram analisados 33 diferentes tipos de tumor em 10 mil pacientes. Todos os 33 tipos foram reclassificados em 28 tipos moleculares. Dois terços destes foram considerados heterogêneos porque continham até 25 tipos histológicos, que tradicionalmente seriam tratados de maneira diferente.


Na prática: Sabendo da origem molecular do tipo de câncer, tratamentos para um tipo de câncer poderão ser estudados para beneficiar pessoas que têm outros tipos, porém de mesma origem molecular.



O 'mapa dos tumores' ajuda os cientistas a visualizar a origem celular de diferentes tipos de câncer (Foto: UC Santa Cruz Genomics Institute)


3. Quimioterapia sem dor


Com frequência, pacientes que fazem quimioterapia sofrem com efeitos colaterais como dores musculares, formigamento nos pés e nas mãos e queimação. Em março, pesquisadores da Universidade de Saint Louis, nos EUA, divulgaram que conseguiram com sucesso eliminar a dor do tratamento de quimioterapia para câncer colorretal em um modelo animal.


O estudo: Os pesquisadores analisaram o remédio oxaliplatina, comumente usado no tratamento de câncer colorretal, e descobriram como o remédio pode causar dor até mesmo anos depois do fim do tratamento. A dor está associada à enzima adenosina quinase em astrócitos (um tipo de célula do sistema nervoso central) e à diminuição da sinalização de adenosina em um receptor chave, A3AR. Os pesquisadores conseguiram bloquear o desenvolvimento dos efeitos colaterais do remédio sem interferir nas propriedades anticancerígenas do medicamento.


Na prática: O estudo mostra que pode ser possível combinar o uso da oxaliplatina com outros remédios durante o tratamento. Atualmente, já existe um estudo em andamento para analisar os agonistas (drogas que atuam em receptores e causam um aumento ou uma diminuição na sua atividade) do A3AR como novo agente anticancerígeno.


4. Tratamento melhor para câncer de próstata


Câncer de próstata é o segundo câncer mais comum em homens e a quinta causa de morte mais comum entre eles no mundo, segundo dados de 2012 da Organização Mundial da Saúde (OMS).


Apesar de diversos tratamentos estarem disponíveis para os pacientes, alguns homens não respondem às principais opções disponíveis. Pensando neste grupo, pesquisadores da Universidade de Toronto, no Canadá, desenvolveram uma biópsia através de uma amostra de sangue que revela, antes mesmo de o tratamento começar, quem não responderá a ele.


O estudo: A partir da amostra de sangue, os cientistas identificaram as células tumorais e analisavam se elas tinham algum marcador indicativo de que seriam resistentes a tratamentos específicos. Foram analisados pacientes com câncer de próstata em metástase.


Na prática: Segundo os pesquisadores, a biópsia feita com a amostra de sangue não tem custo, é rápida e precisa. Agora, eles irão replicar o estudo com mais pacientes e já pensam em testar a aplicação da tecnologia em outros tipos de câncer e até em outras doenças.


Segundo o médico urologista Cláudio Murta, coordenador do Centro de Referência da Saúde do Homem do Estado de São Paulo, o impacto do estudo será grande pois permitirá aos médicos "a utilização de meios menos invasivos para individualização do melhor tratamento ao paciente". Além disso, o estudo demonstra que as biópsias líquidas para câncer de próstata podem ser aplicadas clinicamente em um futuro próximo, afirma ele.


5. Células T combatem câncer de fígado



Pesquisadores da Universidade de Augusta, nos EUA, testaram camundongos criados em laboratório para responder a um antígeno comumente encontrado em câncer de fígado em humanos. Algumas células T dos camundongos conseguiram identificar as células cancerígenas e matá-las.


As células T são responsáveis pela defesa do organismo contra agentes desconhecidos (antígenos) que tomam conta das células, como vírus, bactérias e o câncer. São elas que regulam o funcionamento do sistema imunológico.


O estudo: Depois do teste feito com camundongos, os cientistas testaram as células T em tecido humano in vitro. Eles usaram os genes de receptores de antígeno mais eficazes nessas células T, as colocaram em células T humanas e também em células humanas o câncer foi erradicado sem alterar as células normais do fígado.


Na prática: Os cientistas já firmaram parceria para testar o uso destas células T em tecidos humanos saudáveis e com câncer de fígado. Se as células produzirem uma boa resposta ao câncer e não atacarem também as células saudáveis, o estudo poderá ser testado clinicamente.




Autor: G1 Globo
Fonte: G1 Globo
Sítio Online da Publicação: G1 Globo
Data de Publicação: 18/04/2018
Publicação Original: https://g1.globo.com/olha-que-legal/noticia/de-vacina-contra-cancer-de-pele-a-melhor-tratamento-para-cancer-na-prostata-veja-avancos-em-5-pesquisas.ghtml

quarta-feira, 22 de novembro de 2017

Urologista fala sobre prevenção e tratamento do câncer de próstata





No Dia Mundial de Prevenção ao Câncer de Próstata, celebrado em 17 de novembro, lembramos que o combate a esta doença tem que ser diário e ter como objetivos principais a busca pelo diagnóstico precoce e o esclarecimento de mitos com relação ao exame masculino. Participando da campanha Novembro Azul de conscientização a respeito do câncer de próstata, o Instituto Nacional de Infectologia (INI/Fiocruz) promoveu a palestra Saúde do homem: prevenção do câncer de próstata e outras orientações com o médico urologista do Hospital Central da Polícia Militar, Renato dos Santos Faria. A atividade foi organizada pelo Laboratório de Pesquisa em Epidemiologia e Determinação Social da Saúde (LAP-EPIDSS) em parceria com a Associação Lutando para Viver Amigos do INI.

“A próstata é o coração da urologia, mas temos que entender que o urologista vai além do tratamento dessa glândula que só o homem possui e que se localiza na parte baixa do abdômen”, destacou Renato Faria, ao iniciar sua exposição, lembrando que essa especialidade não é exclusiva ao homem, uma vez que tratamentos para infecções urinárias ou de cálculo renal, por exemplo, também são feitos pelas mulheres.
Segundo dados do Instituto Nacional do Câncer, no Brasil um homem morre a cada 38 minutos devido ao câncer de próstata, sendo o segundo mais comum em nosso país, ficando atrás somente dos tumores de pele/melanoma. Apenas em 2016, cerca de 70 mil brasileiros foram diagnosticados com a doença. Nos Estados Unidos, um homem recebe este diagnóstico a cada três minutos e outro morre a cada 15 minutos. É uma doença silenciosa e muitos homens preferem fugir do assunto, não sendo possível preveni-la. “Entretanto, quando mais precoce for a detecção, maior a chance de cura do paciente, podendo chegar a quase 100%.

Existe toda uma dificuldade de aproximação em levar um homem ao consultório médico ou diversas brincadeiras com relação ao câncer de próstata, principalmente quando se fala do exame de toque retal. Temos que desmistificar isso”, destacou Renato.

O risco ao câncer de próstata aumenta com o avançar da idade. No Brasil, a cada dez homens diagnosticados com câncer de próstata, nove são maiores de 55 anos. É possível justificar o crescimento nas taxas de incidência no país por conta da evolução dos métodos de diagnósticos (exames), a melhoria na qualidade dos sistemas de informação em saúde e o aumento da expectativa de vida da população. “Existe uma possibilidade de diminuir a taxa de mortalidade da doença a partir desse diagnóstico mais precoce. Entretanto, cerca de 20 a 30% dos pacientes já são diagnosticados na fase de metástase, ou seja, quando a doença já está espalhada pelo corpo e não mais confinada a próstata”, explicou o urologista.

Fatores de risco

O câncer de próstata apresenta um crescimento lento, podendo chegar a 15 anos de evolução até ser descoberto. Ou seja, o paciente que foi diagnosticado aos 70 anos com a doença já possuía alguma alteração celular a partir dos 55 anos. Além da faixa etária, outro fator de risco para o câncer de próstata é o histórico familiar, como pai, irmãos ou tios que tiveram a doença antes dos 60 anos. Além disso, estudo recentes mostram que há um aumento no risco do câncer de próstata em homens com peso corporal elevado.

O estilo de vida e a dieta adotada podem influenciar no desenvolvimento da doença. “Não existem orientações efetivas para que um homem saia do risco de ter câncer de próstata. Sabemos que a mudança no estilo de vida contribui para minimizar os riscos. A doença é mais agressiva em obesos, então a perda de peso é um componente importante nessa luta. A ingestão diária de legumes, verduras e frutas, principalmente as de coloração verde e amarelo, por questões de vitaminas específicas, é algo que influencia de maneira positiva. A questão do consumo de tomate e de seus derivados para combater esse tipo de câncer se tornou uma propaganda interessante atualmente. Entretanto, para que a gente possa fazer uma proteção objetiva com o tomate, deve se comer, em média, 3kg do fruto in natura por dia, ou seja, impossível. A prática de atividade física de maneira regular, parar de fumar e de ingerir bebidas alcoólicas são formas objetivas de prevenção ao risco”, destacou Renato.

Prevenção e diagnóstico

O grande desafio na prevenção doença está mesmo no diagnóstico. Por ser uma assintomática e silenciosa, o homem não procura o médico. Nesse sentido, a Sociedade Brasileira de Urologia (SBU) recomenda que todo homem acima dos 45 anos visite o urologista. Já o Ministério da Saúde (MS) orienta que a consulta após os 50 anos. Para a SBU, pacientes que têm histórico familiar positivo e/ou são da raça negra devem visitar periodicamente o urologista a partir dos 40 anos. Nesses casos, o MS faz essa recomendação para os homens maiores de 45 anos.

Sintomas

Dificuldade de urinar, demora em começar ou terminar de urinar e diminuição do jato de urina são alguns dos sintomas que podem aparecer na fase inicial. Além disso é preciso estar atento a doenças benignas da próstata porque podem preceder o desenvolvimento desse tipo de câncer. Entre elas as principais são: a Hiperplasia Prostática Benigna, que é o aumento natural da próstata que acontece em homens com idade superior aos 50 anos, e a Prostatite, que é a inflamação da próstata, geralmente causada por bactérias.

Para a confirmação da doença, dois exames são realizados pelo médico: o toque retal e o Antígeno Prostático Específico (PSA). “Por que o toque retal é importante? Porque tocamos o acesso externo e periférico da glândula onde se desenvolvem 95% dos cânceres de próstata. Com o toque retal temos uma informação sobre o contorno, o tamanho, o endurecimento e a presença de nódulos no local. Associado a isso, temos a solicitação do exame de PSA. Se fizemos exclusivamente o toque retal, podemos ter uma falha para descobrir o câncer de próstata em 35% dos casos. Se temos só o PSA, essa falha pode ser de 20%. Com a associação desses dois exames, diminuímos o risco relacionado à doença de passar desapercebida e começar assim o tratamento do paciente”, afirmou Renato.

Ainda segundo o urologista, o câncer de próstata em quase 100% dos casos desde que diagnosticado precocemente. Após a detecção da doença, existem três tipos de tratamento: a cirurgia (retirada da próstata); radioterapia (aparelhos modernos provocam menos efeitos colaterais) e Braquiterapia (radioterapia em que se coloca uma fonte de radiação dentro ou junto à área que necessita tratamento).

“A grande maioria dos homens afirma ter conhecimento do exame do toque, mas apenas 30% confirma ter feito o procedimento. Outros têm mais informações sobre PSA, o exame que é feito com mais frequência na atualidade. Há um grande preconceito com relação ao exame de toque retal. Mais de 50% dos homens recusam fazer esse tipo exame. As desculpas são as mais diversas para não realizá-lo e não procurar um urologista, como preguiça, falta de tempo e falta de sintomas. Isso só prejudica o paciente uma vez que o afasta de um diagnóstico precoce. Nesse ponto, nosso principal desafio é a conscientização da população masculina sobre a importância de procurar um médico periodicamente”, encerrou Renato. Após sua exposição, o urologista respondeu perguntas do público presente e de integrantes da Associação Lutando para Viver Amigos do INI.

Durante a palestra de Renato dos Santos Faria, a equipe do Laboratório de Pesquisa em Epidemiologia e Determinação Social da Saúde (LAP-EPIDSS) distribuiu um folder explicativo sobre o câncer de próstata, com dicas de prevenção da doença. O folder pode ser acessado no site do INI.

*Edição: Juana Portugal

Autora: Antonio Fuchs
Fonte: INI/Fiocruz
Sítio Online da Publicação: Fiocruz
Data de Publicação: 21/11/2017
Publicação Original: https://portal.fiocruz.br/pt-br/content/urologista-fala-sobre-prevencao-e-tratamento-do-cancer-de-prostata