quarta-feira, 5 de agosto de 2026

Aids 2026 debate prevenção, financiamento e acesso equitativo

Durante a última semana, 7 mil pessoas se reuniram no Rio de Janeiro para debater os caminhos com relação à resposta global à infecção pelo HIV. Cientistas, lideranças da saúde global, representantes de governos, da indústria e da sociedade civil integraram a 26ª Conferência Internacional de Aids (Aids 2026), que teve como temas centrais nos debates os avanços nas pesquisas em relação a cura e a profilaxia, acesso equitativo à tecnologias em saúde, crise global de financiamento, redução de preços, estigma e a mobilização pela vida.



Realizada pela primeira vez na América do Sul, a conferência teve o Brasil como palco das discussões e o papel do país no enfrentamento da Aids foi destaque

“Nesta semana, analisamos os avanços científicos e programáticos que oferecem a oportunidade de reconstruir e repensar a resposta ao HIV”, pontuou a presidente da Sociedade Internacional de Aids (IAS) e chefe do Laboratório de Pesquisa Clínica em HIV/Aids e IST do Instituto Nacional de Infectologia Evandro Chagas (INI/Fiocruz), Beatriz Grinsztejn. “Os avanços nas opções de tratamento e prevenção estão ocorrendo rapidamente. Pelo que ouvi aqui, estou ainda mais convencida de que alcançaremos a cura e encontraremos uma vacina eficaz. Temos todos os motivos para não perder a esperança”.

Grinsztejn reforçou que a conferência ocorreu em um momento de grandes desafios para a resposta global ao HIV, principalmente pela crise global de financiamento que impacta diretamente na resposta, com prejuízo aos serviços e programas de saúde. Realizada pela primeira vez na América do Sul, a conferência teve o Brasil como palco das discussões e o papel do país no enfrentamento da Aids foi destaque. O Brasil é referência internacional na oferta de estratégias de prevenção, diagnóstico e tratamento do HIV. O congresso é organizado pela IAS e esta edição teve apoio do Ministério da Saúde e da Fiocruz.

“O Brasil sediar esta conferência é uma mensagem em si”, disse Grinsztejn. “Crises convergentes estão abalando a resposta ao HIV: mudanças geopolíticas, cortes repentinos de financiamento e crescente hostilidade às comunidades mais afetadas. Este é o lugar certo para termos as conversas que a pandemia de HIV exige: sobre poder e recursos”.



Beatriz Grinsztejn: "estou ainda mais convencida de que alcançaremos a cura e encontraremos uma vacina eficaz"

Acompanhando as atividades de abertura da conferência, o presidente da Fiocruz, Mario Moreira, ressaltou a importância social e científica do encontro, chamando atenção para o compromisso institucional da Fundação com a resposta à epidemia de Aids: "A Fiocruz tem um compromisso histórico com o enfrentamento ao HIV e participa desta tradicional conferência levando suas contribuições para a pesquisa clínica, sua expertise na produção de medicamentos e o fortalecimento do SUS, além de participar do debate sobre o acesso universal a bens e tecnologias em saúde e a defesa dos direitos humanos”.

Diretor-geral da Organização Mundial da Saúde (OMS), Tedros Adhanom também citou, durante a sessão de abertura, a crise de financiamento, a urgência de acesso universal a medicamentos, a proteção e centralidade das comunidades, o fim da criminalização de pessoas vulnerabilizadas e reforçou ser falsa a ideia de que a epidemia da doença acabou. Ele disse que é preciso reorganizar as prioridades globais de enfrentamento ao HIV. “Não é uma luta finalizada”, disse Adhanom. “Nós viemos ao Rio para defender e construir o que vem a seguir. Esse é o sentido do tema desta conferência: repensar, reconstruir, erguer-se”.

Além de Adhanom, outras autoridades da saúde global participaram da conferência, como o diretor da Organização Pan-Americana da Saúde (Opas), Jarbas Barbosa, e a diretora-executiva do Programa Conjunto das Nações Unidas sobre HIV/Aids (Unaids), Winnie Byanyima. O ministro da Saúde do Brasil, Alexandre Padilha, e lideranças da pasta também integraram as discussões. Segundo Padilha, está em avaliação a incorporação de novas tecnologias de prevenção, incluindo a PrEP injetável de longa duração. Uma proposta de incorporação dessa tecnologia, administrada a cada dois meses, foi encaminhada à Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS (Conitec) e será analisada em agosto.

Parceria pelo fortalecimento da resposta ao HIV

Como apoiadora do evento, a Fiocruz e sua comunidade científica participaram ativamente da conferência. Na terça-feira (28/7), a Fiocruz e a MSD Brasil assinaram um memorando de entendimento que prevê a avaliação de uma parceria relacionada ao MK-8527, medicamento em estudo de ação prolongada para Profilaxia Pré-Exposição (PrEP) ao HIV. O acordo tem potencial de fortalecer a capacidade nacional de produção de tecnologias inovadoras em saúde e ampliar o acesso da população brasileira a novas opções de prevenção ao HIV — condicionado a resultados positivos dos estudos clínicos de fase 3 em andamento e à eventual aprovação regulatória do medicamento.

Em um estande, a Fiocruz levou aos participantes informações institucionais sobre sua atuação na área. No estande, circularam, principalmente, pessoas de países da América do Sul e África, interessadas na produção nacional de medicamentos antirretrovirais e no funcionamento do sistema único de saúde do país. Os brasileiros também visitaram o estande para conhecer mais sobre as tecnologias produzidas pela Fiocruz e disponíveis no SUS.

A Fiocruz produz testes rápidos para detecção do HIV, que favorecem o diagnóstico precoce, o início oportuno do tratamento e, assim, ajudam no controle das infecções. E lançou recentemente o autoteste HIV ½ e produz também o kit molecular NAT Plus HIV/HBV/HCV/Malária, que complementa os testes sorológicos oferecidos nos hemocentros do país. A Fiocruz fornece dez antirretrovirais para o SUS, sendo o Dolutegravir o mais moderno por suas vantagens tecnológicas e pelo perfil favorável de adesão. Pesquisadores da instituição apresentaram trabalhos e integraram discussões científicas ao longo da programação, contribuindo para os progressos em pesquisas.

Entre as atividades paralelas ao congresso, foi celebrado o aniversário de 20 anos da Unitaid, iniciativa global de saúde fundada em 2006 por Brasil, Chile, França, Noruega e Reino Unido. O evento ocorreu na última segunda-feira (27/7) e a Fundação foi representada por seu presidente, Mario Moreira.

Mais informações sobre os trabalhos divulgados e avanços compartilhados na conferência, basta acessar o site da IAS.

Período eleitoral

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Autor: fiocruz
Fonte: fiocruz
Sítio Online da Publicação: fiocruz
Data: 04/08/2026
Publicação Original: https://fiocruz.br/noticia/2026/08/aids-2026-debate-prevencao-financiamento-e-acesso-equitativo

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