terça-feira, 25 de agosto de 2026

Reino Unido: investigadores criam balão “Bioloon” biodegradável como alternativa ecológica





Balões descartados “libertam químicos tóxicos no ambiente” e podem ser facilmente engolidos por aves, peixes e outros animais.

Estudante de doutoramento britânico pode ter encontrado a solução para um problema global: o risco mortal que os balões descartados representam para a vida selvagem.


Embora sejam um símbolo de alegria e celebração, os balões podem ser nocivos e até mortais para a vida marinha e as aves quando acabam em montes de lixo, nas praias e no mar.


Um estudo de 2019 da Universidade da Tasmânia concluiu que os balões eram “o resíduo de plástico de maior risco” para as aves marinhas, 32 vezes mais mortais do que a ingestão de plásticos rígidos.

‘Bioloon’ procura resolver esse problema. A nova invenção é feita de um material que se biodegrada num prazo de nove meses.

Os seus criadores esperam estar a vendê-lo até 2028 e, como bónus adicional para quem está a organizar uma festa, o balão enche-se tão facilmente como um convencional.

Bioloons cor-de-rosa e roxos Bioloon
Bioloon: balão 100% degradável

“Fizemos centenas de ensaios. Tivemos muitíssimos fracassos”, admite Juliana Cumming, estudante de doutoramento no Imperial College London (fonte em inglês) e cocriadora do ‘Bioloon’.

Num laboratório da universidade, a investigadora de 29 anos mostrou orgulhosamente à agência AFP um frasco com um precioso líquido amarelo. Depois de solidificar, transforma-se num material macio e elástico, com uma textura comparável à de um balão convencional.

Mas há uma diferença crucial: degrada-se completamente em cerca de nove meses, ao contrário dos balões tradicionais, sublinha Cumming.

Bioloon é o resultado de uma parceria público-privada lançada por Charlotte Melia, empresária de eventos que se descreve como ambientalmente consciente. “Durante mais de 10 anos fui organizadora de festas e... estava muito focada na sustentabilidade. O último obstáculo para mim era o desperdício de balões”, conta à AFP. “Colocávamos milhares de balões de festa todas as semanas”, acrescenta, mas estes estavam lá apenas “durante algumas horas, simplesmente para serem rebentados e deitados ao lixo”.

O ponto de rutura chegou quando percebeu que “os balões não eram biodegradáveis”, apesar de a embalagem indicar que se iam desfazer (fonte em inglês) “à mesma velocidade que uma folha de carvalho”.

Convencida de que seria possível encontrar uma alternativa sustentável, Melia decidiu, com uma associada, investir cerca de 30 mil libras (35 mil euros) para financiar parcialmente o doutoramento de Cumming.

Balões libertam substâncias tóxicas no ambiente

O departamento de engenharia química do Imperial College estima que, todos os anos, são comprados entre 20 e 25 mil milhões de balões em todo o mundo, mas a maioria dos compradores desconhece o impacto ambiental dos balões tradicionais que, apesar da publicidade, não se degradam. Vários estudos documentaram os perigos que os balões representam quando acabam na natureza, sobretudo para a vida marinha e para as aves.

Cumming passou três anos a desenvolver a fórmula. O ponto de partida é o mesmo de um balão comum: látex natural obtido da seiva da árvore-da-borracha, originária da Amazónia, uma base que mudou muito pouco desde que o balão foi inventado, em 1824.

“Para transformar o látex natural em algo a que chamamos borracha, ele passa por um processo denominado vulcanização com enxofre”, explica. Isso implica acrescentar “aceleradores de enxofre, antioxidantes e ativadores ao material”, o que “impede a biodegradação dos balões” e também liberta “substâncias químicas tóxicas para o ambiente”.
RelatePreservativos e roupa a seguir?

Foi esta fase do processo de fabrico que se tornou o foco da investigação de Cumming.

“O nosso balão continua a ser feito com látex natural, mas misturamo-lo com outro polímero biodegradável e não adicionamos nenhum destes aditivos usados nos balões tradicionais”, afirma.

“Isso mantém a capacidade de biodegradação”, acrescenta, recusando revelar mais detalhes sobre o processo patenteado.

Segundo os criadores, o Bioloon degrada-se independentemente de onde acabe. Os investigadores “testaram-no em solo, água do mar e água desionizada”.

“Degradou-se em todas essas condições... e estimamos que se biodegrade em cerca de nove meses”, explica Cumming.

Para Melia, o potencial desta tecnologia vai muito além das decorações de festas e pode ser adaptado a produtos de uso quotidiano e médico, incluindo luvas domésticas, luvas cirúrgicas, roupa de látex e preservativos.


Autor: pt.euronews
Fonte: pt.euronews
Sítio Online da Publicação: pt.euronews
Data: 25/08/2026
Publicação Original: https://pt.euronews.com/2026/08/25/reino-unido-investigadores-criam-balao-bioloon-biodegradavel-como-alternativa-ecologica

Nenhum comentário:

Postar um comentário