quarta-feira, 30 de setembro de 2026

Como está a mudar o Mediterrâneo? 40 anos de dados revelam o impacto das alterações climáticas

IEO cria CARIMED, produto de observações do Mediterrâneo sobre carbono inorgânico e variáveis básicas

Direitos de autor Arturo Rodríguez. IEO-CSIC


Cientistas espanhóis, em colaboração com investigadores de instituições europeias e dos Estados Unidos, reuniram dados de 46 campanhas oceanográficas realizadas entre 1976 e 2018 para estudar a evolução do Mediterrâneo e avaliar melhor os efeitos das alterações climáticas.

Temperatura, oxigénio, pH, carbono e até a idade das massas de água. Mais de 40 anos de medições permitem agora recuar no tempo para estudar como o Mediterrâneo se está a transformar e perceber melhor que mudanças a crise climática está a provocar nas suas águas.

Investigadores dos centros oceanográficos da Corunha e das Baleares do Instituto Espanhol de Oceanografia (IEO-CSIC), em colaboração com cientistas de instituições europeias e dos Estados Unidos, reuniram dados de 46 campanhas oceanográficas realizadas entre 1976 e 2018 em praticamente todo o Mediterrâneo.

O resultado é o Carimed, uma nova base de dados que permite comparar medições recolhidas ao longo de quatro décadas e acompanhar a evolução de indicadores como a temperatura, o oxigénio ou o pH. Até agora, parte dessa informação estava dispersa por diferentes arquivos e tinha sido obtida em campanhas realizadas em momentos distintos e com métodos diferentes.
Relate

Comparar o Mediterrâneo de há quatro décadas com o atual pode ajudar a distinguir as suas variações naturais das alterações que se mantêm no tempo e a compreender melhor como está a responder às alterações climáticas. Segundo o IEO-CSIC, (fonte em espanhol) os dados vão permitir seguir essas tendências a longo prazo e perceber melhor a evolução de um mar particularmente sensível ao aquecimento e a outras perturbações ambientais.

Recuperar o passado para compreender o presente

“Uma parte considerável dos dados foi recuperada a partir de registos históricos fragmentados ou arquivados localmente, o que permitiu consolidar medições que anteriormente não estavam acessíveis”, explica Marta Álvarez, oceanógrafa química do Centro Oceanográfico da Corunha e coordenadora do grupo de investigação, em declarações divulgadas pelo IEO-CSIC.

Outra parte, acrescenta Álvarez, resulta de “campanhas internacionais a bordo de navios oceanográficos nacionais e internacionais que contaram com a participação do pessoal do grupo INOCEN do IEO”.

Mas recuperar os dados era apenas o primeiro passo. Havia outro desafio: como comparar uma medição dos anos 70 com outra realizada décadas mais tarde? Os métodos, os instrumentos e as condições das campanhas foram mudando e podiam introduzir diferenças que não significavam necessariamente que o Mediterrâneo também tivesse mudado.

Por isso, os investigadores reviram e ajustaram as medições para detetar eventuais diferenças decorrentes da forma como foram recolhidas. Assim conseguem identificar com maior fiabilidade as alterações que, de facto, se mantêm ao longo dos anos.
Que podem revelar 40 anos de dados?

O Mediterrâneo enfrenta transformações que vão além do aumento da temperatura. O próprio estudo aponta o aquecimento, a acidificação e a perda de oxigénio entre as principais alterações que afetam os oceanos e que podem modificar o seu funcionamento e os seus ecossistemas.

É precisamente por isso que é importante dispor de observações que recuem várias décadas. Analisar essa evolução a longo prazo pode ajudar a detetar mudanças que seriam difíceis de perceber com medições isoladas.

Para garantir que as medições são comparáveis, os cientistas submeteram-nas a um rigoroso controlo de qualidade adaptado às particularidades do Mediterrâneo. Em termos simples, o objetivo é evitar que uma alteração na forma de medir seja confundida com uma alteração real no mar.

“Graças ao rigoroso processo de 2QC minimizaram-se os enviesamentos sistemáticos em variáveis biogeoquímicas e obteve-se um conjunto de dados com maior coerência”, explica Maribel García-Ibáñez, investigadora do Centro Oceanográfico das Baleares.

Para que serve agora toda essa informação? Entre outras coisas, permite observar como evoluíram, ao longo de décadas, processos relacionados com a acidificação do Mediterrâneo, o carbono que as suas águas armazenam ou a renovação das águas profundas. Os dados podem também ser usados para melhorar os modelos com que os cientistas procuram compreender como evoluirá o Mediterrâneo num clima em mudança.

O Carimed fica ainda aberto à comunidade científica e poderá incorporar novas observações no futuro, alargando o retrato do Mediterrâneo que permite ligar o seu passado às alterações que está a registar atualmente.



Autor: pt.euronews
Fonte: pt.euronews
Sítio Online da Publicação: pt.euronews
Data: 02/09/2026
Publicação Original:

A terapia génica, embora pareça saída de filmes de ficção científica, é bem real. Explicamos como funciona e o que ainda pode ser melhorado.


Direitos de autor Euronews

Se gosta de ciência e é fã da Marvel, talvez tenha reparado que a terapia genética, uma abordagem médica promissora para tratar doenças ao atacar as suas causas genéticas, ganhou destaque na mais recente versão da saga do super-herói aracnídeo, Spider-Man: Brand New Day.

Neste filme, Peter Parker, o Homem-Aranha, começa a sentir-se estranho. O seu ADN sofre mutações e o lado aranha começa a dominar, dando-lhe poderes novos e por vezes difíceis de controlar.

Para os controlar, Parker recorre à interferência de ARN, uma técnica real de terapia genética que silencia a atividade de genes específicos.

Mas como funciona a terapia genética? E quais são as suas limitações?

Para responder a estas e outras questões, Euronews Tech Talks entrevistou Alberto Auricchio, diretor do Telethon Institute of Genetics and Medicine, em Nápoles, professor na Universidade de Nápoles e presidente da European Society of Gene & Cell Therapy.
Como funciona a terapia genética?

Usada inicialmente para tratar doenças monogénicas, a terapia genética é hoje aplicada e estudada para encontrar tratamento para uma vasta gama de patologias, incluindo o cancro e o VIH.

“A terapia genética visa, basicamente, a causa de raiz de uma doença genética”, explicou Auricchio. Esta abordagem médica consiste, em essência, em introduzir ácidos nucleicos (ADN e ARN) nas células e tecidos-alvo com fins terapêuticos.

Os ácidos nucleicos podem ser introduzidos nas células-alvo in vivo (diretamente no organismo) ou ex vivo (em células retiradas de um organismo e depois novamente transplantadas para o corpo). Em ambos os casos, a administração é feita com vetores virais ou não virais.

Entre os tipos de terapia genética contam-se a adição de genes e a edição genética, sendo esta última subdividida em silenciamento e correção de genes.

Como os próprios nomes indicam, a adição de genes consiste em acrescentar um gene; a correção de genes implica reparar um gene disfuncional; e o silenciamento de genes desativa um gene.
Qual é o estado da terapia genética na Europa?

A terapia genética é uma área complexa e em constante evolução, mas já não é apenas matéria para histórias de ficção científica. “Já ultrapassámos a fase dos ensaios clínicos. Há produtos de terapia genética aprovados e disponíveis para os doentes”, afirmou Auricchio à Euronews Next.

A primeira terapia genética in vivo aprovada na Europa foi a Glybera, que recebeu autorização de comercialização da Comissão Europeia em 2012 e oferece tratamento médico a doentes com crises graves ou múltiplas de pancreatite devido a deficiência de lipoproteína lipase.

A primeira terapia genética ex vivo aprovada na Europa foi a Strimvelis, autorizada em 2016. Este medicamento trata imunodeficiência combinada grave causada por deficiência de adenosina desaminase e foi desenvolvido no Hospital San Raffaele, em Milão.
Porque é que a terapia genética é promissora?

Entre outras vantagens, a terapia genética destaca-se por ser um tratamento duradouro.

“Existem medicamentos de terapia genética aprovados para os quais temos décadas de acompanhamento em doentes, e sabemos que o efeito terapêutico se mantém estável ao longo de décadas e, em teoria, durante toda a vida do indivíduo”, explicou Auricchio.

Na verdade, estes medicamentos são concebidos para ser um tratamento único na vida, o que significa que uma única administração deverá durar muito tempo.

Por outro lado, para além das dificuldades científicas, a principal limitação da terapia genética é o obstáculo económico.

“São medicamentos muito caros de desenvolver e, os que chegam ao mercado, têm preços muito elevados, alguns deles na ordem dos milhões de euros”, explicou Auricchio.

Por exemplo, o custo da Strimvelis ascende a 594 000 euros, sem IVA.

“Em muitos casos, estes medicamentos são desenvolvidos para doenças raras, que não representam um mercado muito atrativo para os desenvolvedores habituais, como as empresas farmacêuticas; o elevado custo de desenvolvimento é um desafio”, acrescentou Auricchio.

Spider-Man: Brand New Day não aborda o problema económico associado à terapia genética. Peter Parker tem a sorte de conhecer o brilhante cientista Bruce Banner, o Hulk, que o ajuda a desenvolver a sua terapia.

Mas a ciência na vida real é muitas vezes mais exigente do que um filme de super-heróis.

Euronews Tech Talks é um podcast produzido, escrito, apresentado e publicado em inglês.



Autor: pt.euronews
Fonte: pt.euronews
Sítio Online da Publicação: pt.euronews
Data: 30/09/2026

terça-feira, 29 de setembro de 2026

Projeto da Fiocruz está entre os mais emblemáticos do BNDES



A Fiocruz foi uma das nove instituições contempladas na cerimônia de Premiação de Projetos Emblemáticos promovida pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), realizada nesta quinta-feira (24/9), na sede da instituição financeira. Com a iniciativa Fronteiras da biotecnologia e soberania em saúde: o Brasil entra na era do RNA, a Fundação foi selecionada pela década de 2020.


Os projetos emblemáticos foram definidos por meio de mais de 1.200 votos de funcionários do BNDES entre cerca de 50 iniciativas selecionadas (foto: Peter Ilicciev)



O presidente da Fiocruz, Mario Moreira, participou da solenidade que teve abertura de Aloizio Mercadante, presidente do BNDES, reunindo representantes das organizações homenageadas e parceiros do banco. Ao receber o prêmio, Moreira descreveu a cerimônia como um espaço de preservação da memória e resgatou o histórico de cooperação da Fundação com o banco, que teve início nos anos 2000.

Ao abordar os avanços na área de RNA, foco da iniciativa da Fiocruz contemplada pela instituição financeira, Moreira citou a recente autorização para o início dos estudos clínicos da vacina de RNA mensageiro (RNAm) contra Covid-19 da Fundação, a primeira produzida com a tecnologia no país. "O projeto já foi autorizado pela [Agência Nacional de Vigilância Sanitária] Anvisa para iniciar os estudos clínicos. O objetivo é desenvolver esta plataforma tecnológica no Brasil, dado o seu potencial para enfrentar diversos desafios na área da saúde", comentou.

Os projetos emblemáticos foram definidos por meio de mais de 1.200 votos de funcionários do BNDES entre cerca de 50 iniciativas selecionadas. O processo de escolha abrangeu ações desenvolvidas ao longo dos 74 anos da instituição financeira, elegendo as mais representativas em áreas como infraestrutura, indústria, meio ambiente e saúde pública.


O presidente da Fiocruz, Mario Moreira, participou da solenidade que teve abertura de Aloizio Mercadante, presidente do BNDES (foto: Peter Ilicciev)



Durante a cerimônia, o projeto da Fiocruz premiado pelo BNDES foi contextualizado a partir dos desafios expostos durante a pandemia de Covid-19 na produção de vacinas de alta complexidade, como as de RNA mensageiro (mRNA). O recurso viabilizou o desenvolvimento de capacidades nacionais em tecnologia mRNA, que, com a plataforma em desenvolvimento, poderá ser aplicada a vacinas para doenças como influenza, zika e HIV, além de terapias para o tratamento de câncer e de doenças raras.

A iniciativa da Fundação concorreu com oito projetos para representar a década de 2020, sob a temática de crescimento com inclusão social: a expansão de energia eólica pelo Complexo Eólico Rio do Vento; o apoio à restauração do Museu Nacional; a expansão do saneamento pela Companhia Estadual de Águas e Esgotos do Rio de Janeiro (Cedae); a inclusão digital no Brasil por meio do Fundo de Universalização dos Serviços de Telecomunicações (Fust); o desenvolvimento sustentável no Nordeste com o Sertão Vivo; a restauração do arco do desmatamento BNDES Florestas; o avanço da indústria de motores elétricos com a WEG; e a inovação na garantia para acesso ao crédito por micro, pequenas e médias empresas (MPMEs) pelo Programa Emergencial de Acesso a Crédito com garantia do Fundo Garantidor para Investimentos (FGI PEAC).

Também foram lembrados no evento a Estrada de Ferro Central do Brasil, pela década de 1950; a criação da Eletrobras, pela década de 1960; a Usina Hidrelétrica de Itaipu, pela década de 1970; o Projeto Carajás (Companhia Vale do Rio Doce), pela década de 1980; a Embraer, pela década de 1990; o Fundo Amazônia, pelos anos 2000; o Butantan, pela década de 2010; e a Concessionária Rodoviária Rio-SP, representando os projetos recentes. A instituição também concedeu menção honrosa ao apoio emergencial ao Rio Grande do Sul.

Período eleitoral

Durante o período eleitoral (de 4 de julho até 25 de outubro), os conteúdos digitais publicados e disponibilizados pela Agência Fiocruz de Notícias (AFN) acompanham as orientações da Advocacia-Geral da União (AGU) e da Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República (Secom). O documento esclarece que é permitida a divulgação de "conteúdo meramente informativo ou de serviço ao cidadão".


 Autor: fiocruz
Fonte: fiocruz
Sítio Online da Publicação: fiocruz
Data: 28/09/2026

Protagonismo do Brasil na ciência global varia de acordo com o modelo de colaboração




Em parceria com a Universidade Calvin (no Michigan, EUA), um estudo da Fiocruz avaliou 10 anos (2010–2019) de colaboração internacional brasileira na área de Ciências da Vida e da Saúde (CVS). Foram mais de 360 mil publicações analisadas, entre 2010 e 2019, com o objetivo de comparar liderança, impacto e temas de pesquisa presentes em três modelos de colaboração: Norte–Sul, Sul–Sul e triangular. A pesquisa contribui para o debate sobre avaliação da ciência ao mostrar que a posição de um país pode não ser adequadamente compreendida por indicadores agregados de colaboração. O artigo foi publicado no site da revista Scientometrics.



Para os autores do artigo, analisar conjuntamente a liderança dos pesquisadores brasileiros, o impacto das publicações e a especialização temática em cada modelo oferece uma leitura mais abrangente do papel do Brasil nas redes globais de ciência. A pesquisa apontou ainda que o Brasil na ciência global não é simplesmente “central” ou “periférico”: ele é context-dependent, ou seja, depende do contexto. O país exerce liderança em alguns arranjos, mas perde espaço de definição de agenda em outros. Os autores também questionam a própria área de estudos métricos: “será que indicadores agregados de internacionalização e impacto conseguem realmente capturar a posição de um país nas redes globais de ciência?”.

Os resultados do estudo indicaram que, ao longo da década, houve um aumento de 71% na colaboração internacional brasileira, com crescimento mais acelerado nas colaborações triangulares, que triplicaram no período. Além disso, a liderança brasileira se mostrou variável conforme o modelo de colaboração: esteve presente em 75% das parcerias Sul–Sul, 67% das Norte–Sul, mas caiu para 31% nas triangulares. No entanto, as colaborações triangulares apresentaram o maior impacto de citação: 50,4% dos artigos ficaram entre os 10% mais citados, contra 36,0% nas Norte–Sul e 23,2% nas Sul–Sul. No mais, nas parcerias Sul–Sul, a colaboração se concentra justamente em áreas nas quais o Brasil possui forte especialização científica, como ecologia, agricultura e veterinária. Já as triangulares apresentam forte concentração em epidemiologia e ensaios clínicos.

Participaram do estudo a professora do Instituto de Comunicação e Informação Científica e Tecnológica em Saúde (Icict/Fiocruz) e coordenadora do estudo, Bruna de Paula Fonseca; os pesquisadores do Centro de Desenvolvimento Tecnológico em Saúde (CDTS/Fiocruz), Juliana Freitas, Priscila Costa Albuquerque e Fabio Zicker; e o pesquisador da Universidade Calvin, Eric Araújo.

Período eleitoral

Durante o período eleitoral (de 4 de julho até 25 de outubro), os conteúdos digitais publicados e disponibilizados pela Agência Fiocruz de Notícias (AFN) acompanham as orientações da Advocacia-Geral da União (AGU) e da Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República (Secom). O documento esclarece que é permitida a divulgação de "conteúdo meramente informativo ou de serviço ao cidadão".




Autor: fiocruz
Fonte: fiocruz
Sítio Online da Publicação: fiocruz
Data: 28/09/2026

Fiocruz alcança aprovação máxima em edital Finep e tem projetos contemplados


A Fiocruz alcançou o número máximo de aprovações previsto no Edital Finep Centros Temáticos. A chamada, lançada em 2025, com submissão em 2026, estabelecia um limite de até duas propostas aprovadas por eixo temático. A Fiocruz submeteu, ao todo, nove propostas e obteve a aprovação de quatro delas, atingindo o limite máximo de contratações permitido pelo edital em dois eixos: Complexo da Saúde e Transformação Digital.

Na linha temática Complexo da Saúde, as recomendações dentro do limite de recursos foram da pesquisa Inovação, desenvolvimento tecnológico e produção de biofármacos em células de mamíferos do Complexo Tecnológico em Insumos Estratégicos (CTIE) do Instituto de Tecnologia em Imunobiológicos (Bio-Manguinhos/Fiocruz) e do Instituto Gonçalo Moniz (IGM/Fiocruz Bahia) com o projeto Centro Avançado para o Desenvolvimento de Terapias Inovadoras para Leishmanioses. Na linha temática de Transformação Digital, os projetos recomendados são da Fiocruz Ceará, com a Plataforma Multidisciplinar de Inteligência Artificial Multimodal e Computação Científica para Transformação Digital Baseada em Dados Complexos e do Instituto Carlos Chagas (ICC/Fiocruz Paraná) o Desbravar - Integração de dados genômicos heterogêneos de seres humanos.

O resultado alcançado mostra que a articulação das unidades traz resultados positivos, como destaca a vice-presidente de Pesquisa e Coleções Biológicas, Alda Maria da Cruz. “A conquista inédita de quatro projetos contemplados é resultado de um processo de mobilização e articulação institucional realizado para ampliar a participação das unidades da Fiocruz em oportunidades de financiamento”. O resultado também reforça a atuação institucional em pesquisa e inovação, por meio da articulação entre a Vice-Presidência de Pesquisa e Coleções Biológicas (VPPCB/Fiocruz) e as unidades, em parceria com a Fundação para o Desenvolvimento Científico e Tecnológico em Saúde (Fiotec) com o objetivo de ampliar a participação em chamadas estratégicas. E reflete a qualidade das propostas e, ao mesmo tempo, a importância de uma atuação institucional articulada para ampliar o acesso das unidades às oportunidades de financiamento, como destaca a vice-presidente Alda Maria da Cruz.

“Este resultado é fruto de um trabalho articulado entre a VPPCB, as unidades e a Fiotec, que envolveu mobilização, identificação de oportunidades e apoio à participação institucional em uma chamada estratégica para a pesquisa e a inovação. Alcançar o limite máximo de projetos que poderiam ser contratados em dois eixos do edital demonstra a força das competências existentes na Fiocruz e a importância de atuarmos de forma integrada para transformar essas capacidades em novas oportunidades de financiamento e fortalecimento da pesquisa institucional”, afirma.

Os projetos recomendados representam, em conjunto, um investimento de quase R$ 37 milhões e reforçam a capacidade da Fiocruz como instituição de referência nacional em pesquisa, desenvolvimento e inovação. A aprovação evidencia a relevância e a qualidade das propostas apresentadas, além de demonstrar a capacidade institucional de mobilizar competências e transformar conhecimento científico em iniciativas de impacto para a sociedade.

Para Marcia Perdonati, que coordenou as submissões pela Fiotec, a conquista também faz parte de um trabalho estratégico de identificação de oportunidades e de apoio às equipes na elaboração das propostas. “Nosso trabalho consistiu em realizar uma busca ativa por projetos alinhados ao escopo do edital e, a partir disso, apoiar as unidades na construção e no aprimoramento das propostas. Atuamos especialmente na adequação aos critérios de avaliação de mérito, buscando fortalecer os projetos e aumentar sua competitividade. Esse trabalho conjunto foi fundamental para que as propostas apresentassem maior aderência aos critérios estabelecidos e alcançassem resultados que assegurassem a obtenção dos recursos”, ressalta Marcia.

Outras iniciativas recentes de captação de recursos junto à Finep também vêm ganhando força, ampliando as oportunidades de financiamento para projetos estratégicos da Fiocruz. Nesse contexto, foram realizadas reuniões entre a Fiotec, as unidades da Fundação e empresas parceiras com o objetivo de estruturar e viabilizar a submissão conjunta de propostas aos editais Finep Mais Inovação Saúde – Empresas (Rodada 2) e Mais Inovação Tecnologias Digitais – Empresas (Rodada 2).

Como resultado desse movimento, foram submetidas propostas pelo Instituto Nacional de Saúde da Mulher, da Criança e do Adolescente Fernandes Figueira (IFF/Fiocruz) e por Bio-Manguinhos, no âmbito do edital voltado à área da Saúde. Na frente de Tecnologias Digitais, está prevista, até 30 de setembro, a submissão de uma proposta pelo Ceará, visando ampliar a participação das unidades da Fiocruz nas oportunidades de financiamento oferecidas pela Finep.

Período eleitoral

Durante o período eleitoral (de 4 de julho até 25 de outubro), os conteúdos digitais publicados e disponibilizados pela Agência Fiocruz de Notícias (AFN) acompanham as orientações da Advocacia-Geral da União (AGU) e da Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República (Secom). O documento esclarece que é permitida a divulgação de "conteúdo meramente informativo ou de serviço ao cidadão".




Autor: fiocruz
Fonte: fiocruz
Sítio Online da Publicação: fiocruz
Data: 28/09/2026
Publicação Original: https://fiocruz.br/noticia/2026/09/fiocruz-alcanca-aprovacao-maxima-em-edital-finep-e-tem-projetos-contemplados

sexta-feira, 25 de setembro de 2026

FAPERJ e SECTI lançam editais para pesquisas sobre obesidade e envelhecimento saudável


Solenidade de lançamento de editais de apoio a pesquisas em obesidade e envelhecimento saudável, no Palácio Guanabara, reuniu, na mesa de abertura (a partir da esq.), o secretário estadual de Saúde, Ronaldo Damião; o novo secretário estadual de CT&I, Antonio Claudio da Nóbrega; e a presidente da FAPERJ, Caroline Alves (Fotos: Ernesto Carriço)


Em cerimônia realizada no Palácio Guanabara, nesta quinta-feira, 24 de setembro, a FAPERJ, em conjunto com a Secretaria de Estado de Ciência, Tecnologia e Inovação (SECTI), anunciou o lançamento de quatro editais inéditos, planejados especificamente para financiar pesquisas sobre dois temas estratégicos para a saúde pública: a obesidade e o envelhecimento saudável. Ambos representam desafios contemporâneos para o Sistema Único de Saúde (SUS) no Brasil e para a Medicina em todo o mundo.

Para a obesidade, foi anunciado o lançamento do “Programa de Auxílio à Pesquisa em Obesidade para Pesquisadores CNE/FAPERJ ou CNPq Níveis A ou B com Experiência Comprovada em Redes de Pesquisas Consolidadas com no Mínimo 5 Pesquisadores Associados (Edital FAPERJ Nº 18/2026)” e do “Programa de Auxílio à Pesquisa em Obesidade para Pesquisadores JCNE/FAPERJ ou CNPq Níveis C ou D com Experiência Comprovada e com no Mínimo 3 Pesquisadores Associados (Edital FAPERJ Nº 19/2026)”.

Já para impulsionar estudos sobre o envelhecimento saudável, foram lançados os editais “Programa de Apoio ao Envelhecimento com Qualidade de Vida para Pesquisadores CNE/FAPERJ ou CNPq Níveis A ou B com Experiência Comprovada em Redes de Pesquisas Consolidadas com no Mínimo 5 Pesquisadores Associados (Edital FAPERJ Nº 20/2026)” e “Programa de Apoio ao Envelhecimento com Qualidade de Vida para Pesquisadores JCNE/FAPERJ ou CNPq Níveis C ou D com Experiência Comprovada e com no Mínimo 3 Pesquisadores Associados (Edital FAPERJ Nº 21/2026)".

Os editais vão apoiar trabalhos de pesquisadores de alto nível, com reconhecida trajetória acadêmica, e contemplados pelos programas Cientista do Nosso Estado (CNE) e Jovem Cientista do Nosso Estado (JCNE), editais-símbolo da FAPERJ, e bolsistas de produtividade do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq).

Ao dar início à cerimônia, a presidente da FAPERJ, Caroline Alves, ressaltou a nova fase da Secretaria, com a chegada do professor Antonio Claudio Lucas da Nóbrega, e a parceria entre a Fundação e a SECTI. “Hoje, iniciamos um novo ciclo da Secretaria Estadual de Ciência, Tecnologia e Inovação e não estamos falando apenas do lançamento de editais, mas de uma mudança, de uma perspectiva de planejamento e compreensão sobre o papel da Ciência para o nosso estado. A compreensão de que a gente vai fortalecer ainda mais a tecnologia e a inovação para o desenvolvimento do nosso estado. Esses editais foram planejados e estruturados junto ao nosso secretário de Ciência e Tecnologia, em uma construção cuidadosa, estratégica, olhando para nossas necessidades, para uma maior reflexão sobre onde estamos, onde queremos chegar e qual a Ciência que queremos construir para o futuro do estado do Rio de Janeiro”, afirmou Caroline Alves.

A presidente da Fundação destacou também a forma cuidadosa como o novo secretário conduziu o processo de lançamento dos novos editais. “O seu olhar para as instituições de pesquisa, universidades e para todo o nosso ecossistema, reforça ainda mais a importância de construir políticas públicas de forma integrada e estratégica. Este é um novo momento, de fortalecimento das instituições, de integração e, sobretudo, de planejamento. O Rio de Janeiro tem ciência, tem conhecimento, tem instituições de excelência. Nosso desafio é transformar toda essa potência em estratégia, oportunidade, desenvolvimento e futuro”, concluiu.

Antonio Claudio da Nóbrega: o novo secretário de CT&I assinou uma carta-compromisso com a população e a comunidade científica e tecnológica fluminense elencando os objetivos a serem alcançados na sua gestão, entre eles a implementação do Conselho Estadual de CT&I e a reestruturação do Conselho Superior da FAPERJ


O secretário de Ciência, Tecnologia e Inovação, Antonio Claudio Lopes da Nóbrega, enfatizou a importância dos novos editais. “São dois temas absolutamente fundamentais. Há uma prevalência da obesidade, ela é um fator determinante de agravos à saúde, de morbidade, de custos com saúde, de redução de qualidade de vida. Então, essa é uma iniciativa fundamental para a que a ciência possa tratar do tema e, da mesma maneira, da questão do envelhecimento saudável”, afirmou.

Nóbrega ressaltou, também, a maneira ampla como os novos editais tratam as pesquisas dos dois temas. “Quero chamar atenção, e essa foi uma preocupação do trabalho realizado com a FAPERJ, que o olhar sobre a questão da obesidade e do envelhecimento, nesses editais, procura ser um olhar mais alargado do que o aspecto biológico ou de saúde. Ele incentiva também uma compreensão dos fatores determinantes da obesidade do ponto de vista social e econômico, os aspectos do impacto sobre as políticas públicas, quais são os determinantes e os fatores modificadores do ponto de vista da relação entre instituições. É um desafio maior. Isso também vale para o envelhecimento. Há um olhar do ponto de vista de políticas públicas para promover um envelhecimento autônomo e com qualidade”, explicou.

O secretário lembrou que a cerimônia de lançamento dos editais, prestigiada por representantes de diferentes instituições de pesquisa, foi sua primeira oportunidade de falar diretamente com a comunidade acadêmica do estado, em um evento promovido no âmbito da Secretaria. Ao se dirigir aos pesquisadores, Nóbrega falou sobre as diretrizes e a missão da nova SECTI.

“Motivada pelos propósitos de aprender, criar, construir e realizar, a SECTI terá como missão formular, coordenar, executar e avaliar a Política Estadual de Ciência, Tecnologia e Inovação, na condição de órgão responsável pela regulamentação, articulação, estruturação, coordenação geral e gestão do Sistema Estadual de Ciência, Tecnologia e Inovação do Estado do Rio de Janeiro e se orientará pela integração permanente entre as quatro hélices fundamentais do sistema composto pela comunidade acadêmica e científica, pelo setor produtivo, pelos entes governamentais e pela sociedade civil”, explicou Nóbrega.

Na cerimônia, o novo secretário anunciou uma carta-compromisso com a população e a comunidade científica e tecnológica fluminense com os objetivos a serem alcançados. Nóbrega leu o documento, que lista uma série de ações estruturantes e operacionais orientadas pelo Plano de Desenvolvimento Social e Econômico do Estado (Pedes), como: articular as unidades vinculadas, valorizando seus servidores e corpo técnico; articular as secretarias estaduais para promover a Ciência, Tecnologia e Inovação em todas as instâncias de governo; harmonizar os marcos legais e construir os meios para implementação do Conselho Estadual de CT&I – CONECTI; reestruturar o Conselho Superior da FAPERJ e dotá-lo de um papel estratégico para o fomento consistente, perene, robusto e crescente; promover a visibilidade da Ciência e Tecnologia em toda a sociedade; integrar o estado do Rio de Janeiro com os projetos estratégicos nacionais em CT&I e ampliar o alcance das ações da SECTI junto às demais unidades da federação e internacionalmente.

Como forma de aproximar a ciência e a tecnologia do setor produtivo, a SECTI firmou um acordo de cooperação, com a Secretaria de Estado de Desenvolvimento Econômico e o Instituto Brasileiro de Petróleo, Gás e Biocombustíveis (IBP), para criação de cursos de capacitação técnica na área de petróleo e gás. Maior produtor de petróleo e gás natural do País, respondendo por cerca de 88% da produção nacional, segundo dados da Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan), o estado ainda tem déficit de mão de obra especializada nessa área.

O secretário de Estado de Saúde, Ronaldo Damião, destacou a importância do lançamento de editais voltados à pesquisa sobre obesidade e envelhecimento saudável. “O envelhecimento, a obesidade e o meio ambiente são preocupações mundiais. A população está vivendo mais. Hoje, já somos mais de 18 milhões de pessoas com mais de 60 anos no Brasil e há uma visão de que esse número vai chegar a 40 milhões. O mundo não está preparado para isso. Principalmente, os países em desenvolvimento como o nosso. Vamos ter uma maior incidência de doenças cardiovasculares, a incidência de tumores vai aumentar, há a possibilidade da obesidade também. Então, é preciso estudar isso melhor. Não são só as canetas (emagrecedoras), não são só as cirurgias, e a taxa de complicações é bem significativa. Há outras formas de tentar resolver essas questões e eu acho que é com pesquisa”, afirmou.

Sobre os editais para obesidade e envelhecimento saudável

Para a obesidade, as linhas de pesquisa contempladas nos dois editais lançados incluem: estratégias de tratamento clínico da obesidade no SUS; organização e qualificação do cuidado na Atenção Primária à Saúde; comorbidades associadas à obesidade; biomarcadores e mecanismos fisiopatológicos; tecnologias diagnósticas e soluções digitais; atenção de alta complexidade em obesidade severa; avaliação de políticas públicas; e etiopatogenia da obesidade com foco em prevenção na infância e na adolescência.


Com a presença de representantes da comunidade científica e tecnológica estadual, a cerimônia de anúncio dos editais lotou o auditório do Prédio Anexo do Palácio Guanabara


Segundo o novo secretário de CT&I, o lançamento de editais, chamadas públicas e programas voltados para a obesidade converge com a nova gestão estadual, que assume o compromisso de alinhar a produção científica, o setor produtivo e o desenvolvimento socioeconômico. “A abordagem da obesidade deixa de ser apenas uma despesa na saúde assistencial e passa a ser tratada como um vetor estratégico de inovação e inclusão”, analisou Nóbrega.

Por sua vez, os editais voltados ao envelhecimento saudável foram divididos por três eixos temáticos. A iniciativa visa impulsionar pesquisas inovadoras sobre os mecanismos do envelhecimento, a funcionalidade e a qualidade de vida da população idosa; modelos de cuidado, organização de serviços e políticas públicas; prevenção de incapacidade; terapias antienvelhecimento, além de tecnologias em saúde, inovação digital e inclusão social.

Segundo a presidente da FAPERJ, a iniciativa não se trata de um projeto independente, mas de uma ação integrada ao Sistema Único de Saúde fluminense. "Não são editais isolados, mas um pacote conectado, pensado para dialogar com a realidade do SUS e com a agenda de desenvolvimento do estado. Estamos investindo em quem cuida, em quem pesquisa e em quem inova dentro da rede de Saúde do estado", destacou a presidente.

De acordo com a diretora Científica da FAPERJ, Eliete Bouskela, o Brasil é um país que está envelhecendo muito rapidamente e, por isso, torna-se extremamente importante que as pessoas consigam envelhecer com qualidade de vida. E, portanto, se faz urgente produzir evidências científicas que possam orientar a formulação de políticas públicas e melhorar a assistência à saúde da população idosa no estado.

O período de submissão para os editais voltados à obesidade e ao envelhecimento saudável é de 24 de setembro a 12 de outubro de 2026. Os editais completos estão disponíveis na página da FAPERJ (www.faperj.br).

Confira os editais nos links abaixo:

Edital FAPERJ Nº 18/2026 – Programa de Auxílio à Pesquisa em Obesidade para Pesquisadores CNE/FAPERJ ou CNPq Níveis A ou B com Experiência Comprovada em Redes de Pesquisas Consolidadas com no Mínimo 5 Pesquisadores Associados

Edital FAPERJ Nº 19/2026 – Programa de Auxílio à Pesquisa em Obesidade para Pesquisadores JCNE/FAPERJ ou CNPq Níveis C ou D com Experiência Comprovada e com no Mínimo 3 Pesquisadores Associados

Edital FAPERJ Nº 20/2026 – Programa de Apoio ao Envelhecimento com Qualidade de Vida para Pesquisadores CNE/FAPERJ ou CNPq Níveis A ou B com Experiência Comprovada em Redes de Pesquisas Consolidadas com no Mínimo 5 Pesquisadores Associados

Edital FAPERJ Nº 21/2026 – Programa de Apoio ao Envelhecimento com Qualidade de Vida para Pesquisadores JCNE/FAPERJ ou CNPq Níveis C ou D com Experiência Comprovada e com no Mínimo 3 Pesquisadores Associados 



Autor: faperj
Fonte: faperj
Sítio Online da Publicação: faperj
Data: 24/09/2026
Publicação Original: https://www.faperj.br/?id=1116.7.7

Livro aborda a música dos cassinos brasileiros entre 1933 e 1946


Reunindo nove artigos assinados por jornalistas e pesquisadores do Brasil e da França, o livro traz elementos para pensar a produção, a circulação e o consumo de músicas populares na América Latina, entre 1933 e 1946, período em que o Brasil teve cerca de 80 cassinos (Imagem: Divulgação)

Quando os cassinos fecharam suas portas no Brasil, em 1946, com a publicação do Decreto-Lei nº 9.215, que proibia a prática e a exploração dos jogos de azar no País, não foram apenas o giro das roletas e o ruído das fichas arrastadas sobre as mesas que deixaram de ser ouvidos. A proibição dos jogos silenciou, também, a voz de cantores e os instrumentos de músicos e orquestras que se apresentavam nos palcos dos luxuosos salões de apostas, nas décadas de 1930 e 1940.

Passados 80 anos da edição do decreto, no Governo Dutra, que proibia os jogos, chegará às livrarias, até o fim de 2026, o livro “O som dos cassinos”. A obra traz aos leitores elementos para pensar a produção, a circulação e o consumo das músicas populares na América Latina, entre 1933 e 1946, período em que o Brasil teve cerca de 80 casas de jogos. Organizado pela pesquisadora Suely Campos Franco, da Escola de Música da Universidade Federal do Rio de Janeiro (EM/UFRJ), o livro reúne, em 214 páginas, nove artigos assinados por jornalistas e pesquisadores de diferentes instituições do Brasil e da França. O texto da contracapa é do jornalista e escritor Ruy Castro.

Impresso com auxílio do Programa de Apoio à Editoração da FAPERJ, o livro, publicado pela Numa Editora, é resultado do evento acadêmico “I Jornada Internacional O Som dos Cassinos – A circulação das músicas populares entre América Latina e Europa no século XX: apropriações e transferências culturais”, também organizado por Suely, em novembro de 2016, com a parceria do Museu da Imagem e do Som (MIS) e do Consulado da França, marcando os 70 anos da proibição dos cassinos no Brasil.

“A proposta do livro é mapear e refletir sobre a música dos cassinos, a produção e consumo das músicas populares na América Latina nos anos 1930 e 1940, e sobre a circulação de artistas, músicos e cantores brasileiros e estrangeiros entre o Rio de Janeiro e a Europa no período entre as duas Guerras Mundiais. A obra conta com ensaios dos pesquisadores que participaram da jornada internacional e de outros autores convidados”, explica Suely Franco, cientista social, mestre em Memória Social e doutora em Études Lusophonnes (História/Estudos Culturais) pela Universidade Paris 3 Sorbonne Nouvelle.
Artistas como Linda Batista, Grande Otelo, Herivelto Martins e Ary Barroso (ao piano) se apresentaram no Cassino da Urca, uma das mais famosas casas de jogos do Rio de Janeiro (Foto: Carlos Moskovics/Acervo Instituto Moreira Salles - IMS)


A pesquisadora é autora do capítulo que mostra os cassinos como palco para músicos e cantores europeus que buscaram exílio no Brasil e em outros países do continente, no fim da década de 1930, por conta da Segunda Guerra Mundial. O ponto de partida da pesquisa de Suely Franco foi a viagem do maestro francês Ray Ventura e de sua orquestra à América do Sul no ano de 1941. No texto, ela mostra que além de ser um espaço de trabalho para os artistas, os cassinos favoreceram a realização de encontros musicais, diálogos de diferentes culturas e uma intensa troca de experiências entre cantores e músicos brasileiros e do exterior.

A influência dos artistas estrangeiros e da atmosfera glamourosa dos salões de jogos, no período de 1933 a 1946, conhecido como “Tempo dos cassinos”, também foi objeto de estudo do historiador Laurent Vidal, um dos pesquisadores franceses que participaram da jornada de 2016 e agora do livro. Professor da Universidade de La Rochelle, Vidal investigou essa influência na formação de uma identidade cosmopolita no Rio de Janeiro daquela época e no impacto da presença estrangeira na criação das modernidades urbana e balneária, arquitetônica, sonora e musical. Um dos focos do pesquisador foi a passagem do cantor francês Jean Sablon, entre 1939 e 1945, pelos palcos dos cassinos da então capital brasileira.

Vizinhos do poder, os cassinos foram palco de eventos relacionados à história política, social e cultural na “Era Vargas”. Esse é um dos aspectos abordados pelo jornalista Flavio Menna Barreto em seu artigo. Autor do livro “Apostas encerradas – O breve império do Cassino Quitandinha” (Ed. Velho Litoral, 217 pág., 2009), Barreto dedicou seu ensaio ao palacete erguido em Petrópolis para ser um suntuoso hotel-cassino, anunciado como o mais luxuoso das Américas. Inaugurado em 1944, na cidade da Região Serrana fluminense, o espaço funcionou como cassino por pouco mais de dois anos apenas.

No período Vargas, os cassinos também serviram de palco para as relações, nem sempre tão harmônicas, entre a música popular e o poder, tratadas em dois ensaios do livro. Em “O samba fora do compasso do ‘Estado Novo’”, Adalberto Paranhos, professor do Programa de Pós-graduação em História da Universidade Federal de Uberlândia (UFU), aborda essa relação e a censura às vozes destoantes da pauta estado-novista. Já “A canção popular no tempo de Getúlio Vargas” mostra a intensa difusão da música popular nas décadas de 1930 e 1940, suas intenções e implicações políticas. No texto, Orlando de Barros, professor do Programa de Pós-graduação em História da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), destaca, entre outros aspectos, a importância das casas de jogos como espaço de atuação para os artistas populares, assim como as emissoras de rádio que viviam sua época de ouro nos anos 1940 e 1950.
Durante a pesquisa que deu origem ao livro, Suely visitou o que restou do Cassino da Urca. Do luxuoso salão à beira mar, restaram apenas ruínas. Posteriormente, a construção foi recuperada (Foto: acervo pessoal)


Os artistas e produtores que transitavam pelos cassinos e estavam em evidência naquele período são personagens do artigo “As roletas e a indústria da música no Rio de Janeiro do século XX”, do jornalista e gestor cultural Leo Feijó. Autor de textos sobre a cultura da noite e do entretenimento, Feijó mostra que as indústrias da música e dos salões de apostas trabalhavam em colaboração. Em meio às figuras que brilhavam naquele momento, um dos protagonistas da noite era o empresário Joaquim Rolla, proprietário de cassinos em Minas Gerais e no Rio de Janeiro. Conhecido como o “Rei da roleta”, Rolla foi analisado pelo jornalista, pesquisador e escritor João Perdigão, no capítulo “Como o show business dos cassinos moldou o Brasil contemporâneo”.

Além de ser espaço para os artistas, os cassinos dão emprego a milhares de trabalhadores, temporários ou não, da área do espetáculo na França, assim como acontecia no Brasil. Em seu artigo, o professor e coordenador do Mestrado em Administração e Gestão Musical da Sorbonne, Gilles Demonet, investiga a relação entre a música e as casas de apostas e faz uma cronologia dos regulamentos dos cassinos na França, o que permite realizar uma comparação com as práticas adotadas ou não no Brasil.

O impacto da proibição do jogo, em 1946, na atividade profissional dos músicos é o tema do texto produzido pelas pesquisadoras Luciana Requião, professora da Universidade Federal Fluminense (UFF) e do Programa de Pós-graduação em Música da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UniRio), e Anne Meyer, doutora em Documentação e História da Música pela UniRio. No ensaio, resultado de pesquisa realizada no Fundo Documental do Sindicato dos Músicos do Estado do Rio de Janeiro, as autoras recuperaram informações inéditas sobre o regime de trabalho para os músicos nos cassinos.

A diversidade dos temas abordados no livro, mostra o impacto que as casas de jogos tinham, 90 anos atrás, no cenário artístico e cultural brasileiro, em especial à música; no mercado de trabalho de instrumentistas e cantores; e na indústria do entretenimento. Apesar disso, o “Tempo dos cassinos” é relativamente pouco estudado, se comparado à “Época de ouro do rádio no Brasil”.
Suely Campos Franco: para a pesquisadora, o "Tempo dos cassinos" ainda é relativamente pouco estudado se comparado à "Época de ouro do rádio no Brasil". Memória dos salões de jogos sofreu uma espécie de apagamento (Foto: acervo pessoal)


“No Brasil, os estudiosos se dedicaram muito mais às pesquisas sobre o rádio do que aos estudos acerca dos cassinos. Os acervos das emissoras e dos jornais contribuíram para guardar a memória do rádio. Já a memória dos cassinos sofreu uma espécie de apagamento por conta do fechamento dos salões e do próprio preconceito em relação àqueles espaços”, argumenta a pesquisadora.

O lançamento da obra, no Rio de Janeiro, será dia 7 de outubro, às 19h, na Sala Guarani do Teatro Carlos Gomes, no Centro. Para o evento estão previstas uma mesa com os autores e uma apresentação musical com exemplos do repertório apresentado nos cassinos da Urca, Atlântico, Copacabana Palace, Icaraí e Quitandinha.

A escolha do Teatro Carlos Gomes tem um significado histórico: após o fechamento dos cassinos, em 1946, o espaço recebeu festivais beneficentes em apoio aos artistas que, com o fim das atividades, perderam seus contratos e seus locais de trabalho. O lançamento pretende, assim, associar a apresentação do livro à preservação da memória desse importante capítulo da história da música e da vida artística brasileira.

Até o fim de 2026, Suely Campos Franco também pretende levar o livro para feiras literárias e para lançamento em livrarias e espaços culturais de outras cidades brasileiras. Em Belo Horizonte, o evento será na Livraria da Rua, em data a ser confirmada.




Autor: faperj
Fonte: faperj
Sítio Online da Publicação: faperj
Data: 17/09/2026
Publicação Original: https://www.faperj.br/?id=1101.7.3

Aplicativo gratuito auxilia portadores do espectro autista nas tarefas diárias



Acima, reproduções das telas do aplicativo gratuito, que propõe pequenas missões diárias, cria rede de amigos, estabelece desafios, treinos sobre como enfrentar situações sociais, identificação do humor e da ansiedade


Tudo começou durante uma conversa com um sobrinho de 5 anos, que cuida de um tamagotchi. Para quem não lembra, o tamagotchi é uma espécie de pet digital, um famoso bichinho virtual que virou uma febre mundial nos anos 90. Usado por quem não pode (ou não quer) ter um pet de verdade, também exige cuidados do dono, que precisa alimentar, dar carinho, limpar e cuidar da saúde para o pet crescer. É um brinquedo que desenvolve na criança o senso de responsabilidade, já que as ações e a atenção dadas determinam qual tipo de personagem o bichinho vai se tornar, ou se ele vai ficar doente e morrer.

Foi a partir daí que o pesquisador Luís Anunciação, doutor em Psicometria pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio) idealizou a criação de um aplicativo para pessoas autistas, que promove o desenvolvimento de habilidades da vida diária. Unindo as Ciências Exatas às Ciências Humanas, o psicólogo se baseou em uma pesquisa realizada por sua equipe, em 2025, que mostrou que muitas pessoas têm mais afinidade com cães do que com humanos e que muitos autistas têm um pet de estimação, que pode ser um cão ou outro animal.

Segundo ele, os sintomas de pessoas no espectro autista são distintos em função da idade e do gênero. Em geral, adultos têm comportamentos bem característicos, especialmente em função da sua maior adaptação ao meio. Mulheres, por sua vez, conseguem camuflar melhor os sintomas, mesmo que de forma pouco deliberada. O espectro apresenta três diferentes níveis, determinados em função do suporte (dependência) exigido pelos pacientes. Sua ideia, então, foi criar um pet virtual em um aplicativo para adultos no espectro autista que requerem menos suporte, com ou sem diagnóstico. O app propõe pequenas missões diárias, cria uma rede de amigos, estabelece desafios, treinos sobre como enfrentar situações sociais, identificação do humor e da ansiedade, e disponibiliza um botão de socorro que ajuda o usuário a falar com sua pessoa de confiança e ser atendido por um profissional para dar suporte. Um app gratuito, em português, sem anúncios ou vendas, e sem necessidade de cadastro, ou seja, não armazena nem compartilha dados pessoais.

Pankeka (pankeka.org), que pode ser baixado gratuitamente em loja de aplicativo para celular. Quem interage com o usuário é o pet virtual, inspirado em uma cadela real, uma labradora preta que vive no bairro de Laranjeiras, na Zona Sul do Rio. O usuário pode optar por cachorra, gata ou pata, e elas podem ser personalizadas com nove diferentes cores de pelagem e nove tipos de coleiras. A espécie, cor de pelo e coleira são escolhidas quando o usuário abre o app pela primeira vez, e mudam quando o usuário quiser. Um pet virtual que nunca fica bravo e nunca vai embora. Mas o seu “dono” deve dar comida, fazer carinho, passear, jogar bolinha. Ela come, dorme, faz zoomies e interage com seus amigos pets Batata e Feijão. Nunca fica triste, nunca cobra.

O aplicativo desperta no autista um interesse específico. Inspirado nos aplicativos de corrida, o app organiza, em navegação simples, o desenvolvimento de habilidades de vida diária e de auto-advocacia, ou seja, a capacidade de uma pessoa falar, agir e defender seus próprios direitos, expressando suas necessidades de forma direta e sem depender de terceiros. A concepção partiu do uso real e continuado por uma pessoa autista adulta, que integra a equipe como designer e é fundamental em todo design do aplicativo, a Vitoria Meirelles, que também é a dona da Pankeka.
 

A partir do alto à esquerda: Luís Anunciação, Vitoria Meirelles, Jonathan Rochelle e a Pankeka formam a equipe do projeto (Fotos: reprodução site Pankeka.org)


Coordenado por Luís, que desenvolve suas pesquisas com apoio da FAPERJ, por meio do “Programa de Apoio ao Jovem Pesquisador Fluminense com Vínculo em ICTs do Estado do Rio de Janeiro”, o projeto conta com a colaboração de Jonathan Rochelle, doutor em Psicologia pela Universidade de Oregon, e também com dois bolsistas de Iniciação Científica da FAPERJ, que fizeram testes, revisão literária e pesquisaram os conceitos éticos, entre outras funções. O app foi desenvolvido com ajuda do Claude, um assistente de IA especializado em códigos de programação para resolução de problemas.

Mas o caminho até chegar ao aplicativo demandou muita pesquisa. Luís Anunciação explica que, há um tempo, sua equipe no Departamento de Psicologia da PUC-Rio começou a se interessar pelo estudo de transtornos mentais, em especial pelo espectro autista, desenvolvendo um conjunto de ferramentas que ajudassem no diagnóstico, no tratamento e no suporte. Segundo ele, a Inteligência Artificial é uma ferramenta fundamental para o desenvolvimento de modelos. “Antes, tínhamos uma boa idéia, mas o custo para desenvolvê-la era altíssimo. Hoje, com a IA, o custo é bem baixo, no nosso caso cerca de US$ 200/mês”, explica. O psicólogo atribui à FAPERJ grande parte do sucesso do projeto. “A FAPERJ sempre foi parceira. Não fosse o apoio recebido, não conseguiria dar continuidade às pesquisas”, afirma Luís.

O Pankeka integra o conjunto de projetos sobre autismo conduzidos no laboratório da PUC-Rio. Cada peça do aplicativo aponta para um mecanismo com nome e para uma pesquisa publicada. Em julho de 2026, o aplicativo ficou por 14 dias no Google Play, sendo testado por 12 usuários. Hoje, disponível para aparelhos Android e Iphone, tem 700 aparelhos registrados e cerca de 20 usuários ativos. A recomendação é para que seja usado por maiores de 18 anos.

Doutor em Psicologia e pós-doutor em Psicometria – uma área da Psicologia e das Ciências Humanas que usa a Matemática e a Estatística para medir fenômenos mentais e comportamentos – em intercâmbio com a Universidade de Oregon (EUA), e mestre em Saúde Pública pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), Luís e sua equipe lideraram a construção da ERA-A e ERA-F, ferramentas usadas pela comunidade de psicólogos, psiquiatras e outros profissionais para “rastreio” e “auxílio” diagnóstico do espectro autista. Para ele, é fundamental um diagnóstico correto e, principalmente, um tratamento adequado, incluindo o medicamentoso, para que as perdas não sejam maiores que os ganhos. Baixe gratuitamente o app neste link.




Autor: faperj
Fonte: faperj
Sítio Online da Publicação: faperj
Data: 17/09/2026
Publicação Original: https://www.faperj.br/?id=1108.7.1

quarta-feira, 23 de setembro de 2026

Infeções raras na gravidez aumentam risco de deficiência intelectual grave e autismo



Direitos de autor Cleared/Canva
Crianças que nascem com infeções como sífilis, rubéola e citomegalovírus têm muito maior probabilidade de serem diagnosticadas com autismo e deficiência intelectual.

Crianças com infeções transmitidas durante a gravidez têm um risco cerca de três vezes superior de receber um diagnóstico de autismo mais tarde na vida e mais de sete vezes superior de serem diagnosticadas com deficiência intelectual, em comparação com crianças sem essas infeções, conclui um novo estudo.

Sugere-se assim que certas infeções transmitidas ao feto durante a gravidez podem ter efeitos de longa duração no desenvolvimento cerebral, referem os autores.

Estas infeções, conhecidas como TORCH – um grupo de infeções que podem ser transmitidas de uma mulher grávida para o feto – incluem sífilis, rubela, toxoplasmose, citomegalovírus e herpesvírus. Ao contrário de muitas infeções comuns, estes agentes patogénicos podem, nalguns casos, atravessar a placenta e afetar diretamente o feto, aumentando o risco de aborto espontâneo, morte fetal e complicações na gravidez.

“Embora estas infeções congénitas sejam raras, algumas podem ser prevenidas, o que as torna importantes do ponto de vista da saúde pública”, afirmou Reneé Gardner, investigadora no Departamento de Saúde Pública Global do Instituto Karolinska, que participou no estudo.

Foram incluídas 3,7 milhões de pessoas nascidas na Suécia entre 1987 e 2021. Destas, 975 tinham sido diagnosticadas com uma infeção congénita TORCH. Os investigadores acompanharam os participantes durante um período máximo de três décadas para avaliar se estas infeções estavam associadas a diagnósticos posteriores e a resultados escolares.

Embora estas infeções congénitas representem uma proporção muito pequena de todos os casos de autismo na população, as crianças afetadas têm um risco aumentado de autismo e de deficiência intelectual. Segundo os autores, uma em cada cinco crianças nascidas com uma infeção TORCH poderá desenvolver autismo mais tarde.

Para além do autismo, nascer com este tipo de infeção esteve associado a um risco mais elevado de deficiência intelectual em todos os graus. O risco de deficiência intelectual grave a profunda foi até 30 vezes superior ao observado em crianças sem infeção.

Mesmo na ausência de diagnóstico, as infeções aparentam influenciar os resultados escolares. No estudo, 420 pessoas tinham uma infeção TORCH diagnosticada e tiveram fraco desempenho escolar sem receber um diagnóstico de autismo ou de deficiência intelectual.

Estas infeções variam em termos de epidemiologia e prevalência. A mais comum (fonte em inglês) a nível global é o citomegalovírus congénito (CMV), que afeta cerca de um em cada 150 recém-nascidos. Este impacto é substancialmente maior nos países de baixo e médio rendimento.
Como reduzir os riscos

Segundo os autores, o trabalho sublinha a necessidade de fortalecer estratégias de prevenção, sobretudo em zonas com taxas de infeção mais elevadas.

Realça-se também a relevância, em saúde pública, de desenvolver, aplicar e manter estratégias de vacinação em massa para prevenir estas infeções.

Destaca-se ainda que os sistemas atualmente em vigor – como o sueco – podem falhar a deteção de casos assintomáticos, uma vez que o rastreio neonatal para TORCH não é universal. Os autores defendem estratégias mais eficazes para identificar estas situações.




Autor: pt.euronews
Fonte: pt.euronews
Sítio Online da Publicação: pt.euronews
Data: 22/09/2026

CURSO DE FORMAÇÃO CONTINUADA EDUCAÇÃO AMBIENTAL, ESCOLAS SUSTENTÁVEIS E RESILIENTES







Sobre o Curso

O Curso Educação Ambiental, Escolas Sustentáveis e Resilientes é formação continuada gratuita, de 80 horas, ofertada pela UFMT em parceria com a UFR e a UNIRIO, no âmbito da Política Nacional de Educação Ambiental, com a CGAMS/SECADI/MEC. São 360 vagas para todo o território nacional, destinadas a profissionais da educação básica das redes públicas e privada, incluindo professoras e professores, gestoras e gestores escolares, coordenadoras e coordenadores pedagógicos, técnicas e técnicos das secretarias de educação e integrantes da comunidade escolar. A formação abrange Educação Infantil, Ensino Fundamental, Ensino Médio, Educação de Jovens e Adultas e Adultos e as educações do campo, indígena e quilombola. A seleção dá prioridade a territórios marcados por desigualdades socioambientais e por ocorrência de eventos climáticos extremos, buscando distribuição equilibrada entre as cinco regiões do país.

O curso acontece a distância, no ambiente virtual de aprendizagem da UFR, com atividades síncronas e assíncronas e acompanhamento da equipe de tutoria e de formação ao longo de todo o percurso. São quatro módulos de 20 horas, organizados em: Módulo 1: Eu – Raízes, trajetórias e pertencimento ecológico; Módulo 2: Outro – Tronco, escola como território vivo; Módulo 3: Mundo – Copa, conexões com o mundo e ação comunitária; e Módulo 4: Gestão e equidade – Frutos e sementes, gestão, monitoramento e transformação com equidade.

As inscrições são gratuitas e vão de 13 a 23 de setembro de 2026, pelo formulário disponível em www.webtecaea.ufr.edu.br/cursos. O deferimento das inscrições sai em 24 de setembro, com prazo de recurso em 26 e resultado final homologado em 27. A documentação, RG, CPF, comprovante de endereço e diploma de graduação, deve ser enviada para cursosgpea@gmail.com até 30 de setembro, quando se efetiva a matrícula. A abertura oficial e o início do percurso formativo acontecem em 01 de outubro de 2026. A certificação de 80 horas é emitida pela UFMT. A coordenação geral é da professora Déborah Luíza Moreira Santana Santos, da UFMT, e a coordenação adjunta da professora Regina Aparecida da Silva, da UFR.




Autor: webtecaea
Fonte: webtecaea
Sítio Online da Publicação: webtecaea
Data: 18/09/2026

segunda-feira, 21 de setembro de 2026

Mulheres recebem tratamentos menos invasivos e intensivos do que homens com as mesmas doenças



Direitos de autor Cleared/Canva
Um novo estudo conclui que, para as mesmas patologias, as mulheres têm menos probabilidades do que os homens de receber cirurgias ou analgésicos fortes.

As mulheres têm menos probabilidade do que os homens de lhes serem propostas terapias intensivas, como cirurgias ou analgésicos fortes, conclui uma nova revisão. Embora os sistemas de saúde tratem frequentemente homens e mulheres de forma diferente, os investigadores salientam que não é claro se estas diferenças colocam qualquer dos sexos em desvantagem.

As diferenças entre sexos são evidentes em toda a medicina e desempenham um papel central no diagnóstico e na gestão dos doentes. Investigadores da Universidade de St Andrews, na Escócia, identificaram diferenças visíveis na forma como homens e mulheres são tratados.

“Enquanto a direção dos resultados não foi uma surpresa, a sua consistência foi”, afirmou Miriam Veenhuizen, docente honorária na Escola de Medicina de St Andrews.

Os investigadores analisaram 41 estudos publicados entre 2018 e 2023 e encontraram o mesmo padrão em cardiologia, cirurgia, medicina de transplantes e cuidados de urgência.

As mulheres com insuficiência cardíaca, enfarte ou taquicardia eram mais frequentemente tratadas de forma conservadora, com medicação, em comparação com procedimentos invasivos como a cirurgia de bypass da artéria coronária e a intervenção coronária percutânea.

Entre os doentes com doença de Parkinson, os homens tinham mais probabilidade de ser encaminhados para dispositivos de estimulação cerebral profunda, um aparelho implantável usado para controlar os sintomas. As mulheres também tinham menos probabilidade de receber um transplante de fígado ou de serem encaminhadas para cirurgia.

“Para os clínicos, os resultados são um alerta para verificarem se o tratamento está a ser oferecido com base em critérios clínicos e não em pressupostos”, declarou Andrew O’Malley, coautor do estudo.
Diferença de tratamentos: o que a explica?

Embora a tendência fosse consistente entre os estudos, as razões para tal permanecem pouco claras.

“Não é totalmente claro porque isto está a acontecer, mas é provável que se deva ao facto de as mulheres terem estado sub-representadas nos ensaios clínicos até há poucas décadas, pelo que muitas orientações assentam em dados de homens”, explicou Veenhuizen.

Os investigadores defendem mais investigação para perceber se estas diferenças refletem variações legítimas na prática clínica ou desigualdades mais amplas, e para garantir que os doentes recebem cuidados equitativos.



Autor: pt.euronews
Fonte: pt.euronews
Sítio Online da Publicação: pt.euronews
Data: 18/09/2026
Publicação Original: https://pt.euronews.com/2026/09/18/mulheres-recebem-tratamentos-menos-invasivos-e-intensivos-do-que-homens-com-as-mesmas-doen

Mulheres dominam saúde na Europa mas ganham 19% menos por hora, alerta OMS



Direitos de autor Cleared/Canva

O sector da saúde e dos cuidados é o quarto maior empregador e o maior empregador de mulheres na Região Europeia da OMS. As mulheres representam 77% da força de trabalho na saúde, face a 45% em todos os outros sectores combinados. Ainda assim, são apenas 55% entre quem mais ganha no sector.

“As mulheres são a maioria das pessoas que mantêm os sistemas de saúde da Europa a funcionar, mas recebem menos do que os colegas homens, uma diferença que se acumula ao longo de toda a carreira”, afirmou Natasha Azzopardi Muscat, directora da Divisão de Sistemas de Saúde da OMS Europa.

A diferença salarial de género, isto é, a diferença entre o salário médio de homens e mulheres com emprego remunerado, é maior nos escalões salariais mais elevados, variando de 2% entre quem ganha menos para mais de 22% no topo da distribuição salarial.


O relatório conclui que o sector é especialmente importante para o emprego feminino. Representa quase 17% de todo o emprego das mulheres, contra 5% no caso dos homens.

Estas conclusões seguem o mesmo padrão observado no mercado de trabalho em geral: desigualdades estruturais acentuadas, que se agravam nos níveis de salário e de hierarquia mais altos.

À escala mundial, o sector da saúde espelha o que acontece na Europa, com as mulheres a auferirem em média menos 24% do que os homens, uma diferença superior à de muitos outros sectores.

Quando se ajustam estes quatro factores, a diferença horária desce de 19% para 6% e a diferença no salário mensal recua de 28% para 10%.

No entanto, a diferença restante não é explicada por nenhum dos factores medidos nos dados.

“A maior parte desta diferença não se deve a as mulheres trabalharem menos horas, serem mais novas ou trabalharem em áreas diferentes do sector”, explicou Azzopardi Muscat. “Tem a ver com o modo como o sector valoriza o trabalho das mulheres. A idade, a educação, o horário de trabalho e o facto de ser emprego público ou privado só explicam uma parte.”

Segundo a OMS, o relatório aponta para factores estruturais mais profundos, como a desvalorização do trabalho de cuidados, a segregação profissional e uma possível discriminação nas práticas de definição salarial.

Quanto mais feminizada é uma categoria profissional, menor tende a ser o salário, um padrão que se observa tanto em cargos de gestão como em funções profissionais e técnicas. Os cargos de gestão na saúde e nos cuidados, por exemplo, empregam mais mulheres do que funções de gestão noutros sectores e pagam menos: 22 euros por hora em média, face a 24,70 euros em funções comparáveis noutras áreas.
O impacto mais amplo da diferença salarial

A OMS sublinha que a diferença salarial entre homens e mulheres continua a ser uma das formas mais persistentes de desigualdade no mercado de trabalho.

Dado o elevado número de mulheres que trabalham na saúde e nos cuidados, esta diferença pode ter consequências económicas e sociais significativas.

O relatório assinala que esta desigualdade pode conduzir a rendimentos acumulados mais baixos ao longo da vida e a pensões mais reduzidas, aumentar o risco de pobreza para as mulheres, diminuir o retorno do investimento em educação e comprometer um crescimento económico sustentável.

“Isto significa pensões mais baixas, menos segurança financeira na velhice e um risco maior de pobreza para mulheres que passaram a vida profissional a cuidar dos outros”, afirmou Azzopardi Muscat.

“Isto não é coincidência, nem se explica com as qualificações. As mulheres estão a ser pagas menos pelo mesmo trabalho e são ultrapassadas nos cargos que melhor pagam.”

Reduzir as diferenças salariais de género é, por isso, simultaneamente uma questão de equidade e um investimento numa força de trabalho na saúde mais forte e sustentável, destaca a agência internacional.

Para esse fim, a OMS recomenda acções específicas, desde garantir transparência salarial e facilitar a representação feminina em cargos de decisão até enfrentar normas e estereótipos de género.



Autor: pt.euronews
Fonte: pt.euronews
Sítio Online da Publicação: pt.euronews
Data: 18/09/2026

Quem merece um transplante? A resposta da IA não coincide com a dos médicos




Direitos de autor Cleared/Canva

Segundo esse novo estudo (fonte em inglês), os modelos de IA revelam excesso de confiança, valorizam outros fatores e tendem a simplificar em demasia decisões complexas sobre que doente deve receber um transplante.

No estudo, investigadores da Penn State University, nos Estados Unidos, apresentaram a grandes modelos de linguagem (LLM) cenários hipotéticos, baseados em conjuntos de dados existentes de investigação publicada sobre atribuição de rins de dadores, nos quais participantes reais tinham já feito essas escolhas.

Cada cenário envolvia dois doentes, o doente A e o doente B, ambos elegíveis para um único rim disponível e descritos em função da idade, estado de saúde e hábitos de consumo de álcool. O decisor tinha depois de escolher qual dos dois receberia o órgão.


“Fizemos estas comparações de várias formas diferentes”, explicou Hosseini. “Por vezes isolámos apenas uma característica de cada vez, noutras combinámos várias para perceber como a IA ponderava fatores concorrentes e, nalguns casos, acrescentámos a opção de ‘atirar a moeda ao ar’ para medir a indecisão, um elemento-chave presente no juízo moral humano.”

Enquanto os participantes humanos tendiam a dar mais peso à idade — preferindo doentes mais jovens em detrimento dos mais velhos — muitos modelos privilegiavam antes um menor consumo de álcool. As decisões humanas consideravam vários fatores e eram mais sensíveis ao contexto do que as dos LLM, que muitas vezes se fixavam num único atributo.

“Antes de mais, os chatbots de IA afastam-se frequentemente dos valores humanos na forma como ponderam as características de um doente”, afirmou Hadi Hosseini, responsável pelo estudo na Penn State University. “Focam-se num único fator, como os hábitos de consumo de álcool, em vez de equilibrarem várias considerações, como fazem as pessoas.”

“Quando distribuímos algo escasso, seja um rim, um emprego ou o acesso a outro recurso, nem sempre existe uma única resposta objetivamente correta”, sublinhou John Dickerson, diretor executivo da Mozilla.ai, que colaborou no estudo.

“Os humanos reconhecem essa ambiguidade e incorporam-na, através do debate aberto, nos processos de atribuição. Os modelos de IA muitas vezes não o fazem.”
IA e decisões éticas

Segundo os autores, as interações recentes com sistemas de IA exigem cada vez mais que estes vão além da informação factual e façam juízos de valor.

Os grandes modelos de linguagem estão a ser integrados de forma crescente nos cuidados de saúde, apoiando tarefas clínicas, diagnósticos, planeamento de tratamentos e a utilização atempada de recursos médicos escassos.

Uma das aplicações passa por decisões sobre a atribuição de rins de dadores falecidos ou vivos a doentes, decisões que, de acordo com os autores, dependem de considerações éticas e morais complexas.

Nestes cenários de elevado risco, os investigadores salientam que as decisões exigem não só precisão, mas também alinhamento com os valores humanos e com o juízo moral.

Para os investigadores, questionar se a IA pode tomar decisões morais e se estas estão alinhadas com os valores humanos está no centro do debate mais amplo atual sobre inteligência artificial.

“As implicações éticas são graves e o papel da IA em decisões que mudam vidas exige uma reflexão profunda”, afirmou Hosseini. “As decisões morais em contextos como a atribuição de órgãos determinam diretamente quem vive e quem morre, por isso definir corretamente o papel da IA nelas não é opcional.”

“Embora não pretendamos incentivar o uso da IA como substituto do juízo profissional na tomada de decisões médicas ou noutros contextos de elevado risco, torna-se essencial compreender o seu comportamento, à medida que indivíduos, organizações e empresas dependem cada vez mais da IA para tomar decisões ou receber recomendações”, acrescentou.




Autor: pt.euronews
Fonte: pt.euronews
Sítio Online da Publicação: pt.euronews
Data: 19/09/2026
Publicação Original: https://pt.euronews.com/2026/09/19/quem-merece-um-transplante-a-resposta-da-ia-nao-coincide-com-a-dos-medicos

sexta-feira, 18 de setembro de 2026

Terceira morte: surto de malária em Frankfurt agrava-se




Direitos de autor Jacquelyn Martin/AP2009

No caso da pessoa falecida, tratava-se de uma infeção por Malaria tropica, a forma mais perigosa da doença. Desde julho, oito pessoas contraíram malária em Frankfurt, uma doença tropical transmitida por mosquitos. Duas das infeções já tinham terminado anteriormente de forma fatal, envolvendo dois trabalhadores do operador aeroportuário Fraport.

Os dois casos mais recentes dizem respeito a residentes de Schwanheim, bairro situado nas imediações do aeroporto. Ao contrário do que aconteceu nos primeiros casos, estes dois doentes, segundo as autoridades, não tinham viajado para nenhuma região endémica de malária nem trabalhado no aeroporto.

Segundo o Departamento de Saúde, as infeções ocorreram a cerca de cinco quilómetros do aeroporto, distância que os mosquitos Anopheles conseguem percorrer. Mantém-se assim a suspeita de que um mosquito infetado terá chegado a Frankfurt num avião e transmitido depois a doença através de uma picada, num caso designado como malária de aeroporto.




Malária: o que é

A malária, doença tropical, é tratável quando diagnosticada precocemente. No início, porém, os sintomas são semelhantes aos de uma gripe ou constipação. “É por isso essencial considerar desde cedo uma possível infeção por malária sempre que surjam sintomas compatíveis”, sublinha o município de Frankfurt am Main.

Entre os sintomas típicos de uma infeção por malária contam-se febre, calafrios, dores de cabeça e musculares, bem como queixas gastrointestinais. “Com frequência, estes sinais são interpretados de forma errada como uma síndrome gripal ou uma infeção gastrointestinal”, explica também o Instituto Robert Koch.




Nem todos os tipos de malária são mortais, como a Malaria tertiana, a quartana ou a malária por Plasmodium knowlesi. A forma mais perigosa é a Malaria tropica, que pode ser fatal se não for diagnosticada e tratada rapidamente. O Ministério dos Negócios Estrangeiros alemão classifica por isso a doença como potencialmente mortal.

A doença não se transmite de pessoa para pessoa. Para haver contágio é necessária a picada de um mosquito infetado. Quando a malária não é transmitida numa região endémica, mas sim através do transporte incidental dos mosquitos para outros países, fala-se frequentemente em malária de aeroporto.
Recomendação: em caso de febre de origem desconhecida, procurar um médico

Quem trabalha no aeroporto de Frankfurt ou nas suas imediações, quem lá passa algum tempo, bem como residentes nas proximidades, deve consultar um médico em caso de febre de origem desconhecida.

É importante indicar ao médico o local de residência ou uma eventual permanência na zona do aeroporto.




São igualmente possíveis medidas preventivas, nomeadamente a proteção contra picadas de mosquitos. A profilaxia pode passar, por exemplo, pela utilização de repelentes de insetos. Até agora, produtos à base de dietiltoluamida (DEET) e icaridina têm demonstrado eficácia a nível mundial, refere um guia (fonte em alemão)do Ministério dos Negócios Estrangeiros alemão. Também o uso de roupa comprida e de redes mosquiteiras pode oferecer proteção duradoura.
Europa: malária de aeroporto

Segundo o Instituto Robert Koch, os casos de malária de aeroporto são muito raros na Alemanha. Um estudo (fonte em alemão) publicado em 2024 mostra ainda que mais de 99% dos casos de malária registados na Europa foram importados de regiões endémicas.

Entre 1969 e o início de 2024, foram identificados em bases de dados 145 casos de malária em que o contágio ocorreu na Europa. Mais de dois terços foram classificados como malária de aeroporto. Os países mais afetados foram França (52 casos), Bélgica (19) e a Alemanha, com nove infeções, oito das quais em Frankfurt e uma em Munique.



Também nestes casos muitas das pessoas infetadas tinham alguma ligação a um aeroporto internacional. A segunda pessoa de Frankfurt-Schwanheim, ainda viva, permanece internada, de acordo com o município.





Autor: pt.euronews
Fonte: pt.euronews
Sítio Online da Publicação: pt.euronews
Data: 17/09/2026
Publicação Original: https://pt.euronews.com/2026/09/17/terceira-morte-surto-de-malaria-em-frankfurt-agrava-se

Vacina para cães mais vendida na Rússia associada a onda de mortes de animais de estimação em todo o país




Direitos de autor AP Photo/Pavel Bednyakov

Segundo a Rosselkhoznadzor, a agência russa de inspeção veterinária e agrícola, o lote 20 da vacina Multican-8, produzida pela empresa Vetbiokhim, sediada em Moscovo, continha vírus vivos da doença de Aujeszky. Trata-se de uma patologia geralmente mortal em cães, para a qual não existe tratamento específico.

A entidade reguladora ordenou a retirada do lote da circulação e a sua destruição. Segundo o meio de comunicação russo independente Meduza, o lote 20 continha 60 mil doses.

Os proprietários de cães em Moscovo, São Petersburgo e, pelo menos, em mais oito regiões, nomeadamente Krasnodar, Yaroslavl, Leningrado, Tula, Penza, Saratov e Belgorod, tinham notificado reações adversas graves e mortes de animais vacinados com a Multican-8.

Segundo o meio russo Baza, a Duma de Estado russa indicou ter recebido cerca de 300 queixas relacionadas com a vacina e com a morte de cães de companhia.

Inicialmente, a Vetbiokhim alegou uma interferência deliberada por parte de terceiros. No entanto, as conclusões posteriores do regulador, que detetou um agente patogénico vivo e graves violações das práticas de produção, não corroboram as alegações de sabotagem.

Antes da ordem de quarta-feira, já tinham sido suspensos quatro outros lotes de vacinas Multican.

Em agosto, o Rosselkhoznadzor e a Procuradoria anunciaram inspeções, enquanto a Vetbiokhim afirmou estar a realizar uma investigação interna.

No início de setembro, o Rosselkhoznadzor indicou que as conclusões preliminares apontavam para graves violações no processo de produção e advertiu que a empresa poderia enfrentar a revogação da licença.

A Vetbiokhim celebrou acordos de indemnização com os proprietários dos cães que morreram, oferecendo entre 200 mil e 300 mil rublos por caso, segundo o Meduza, que citou mensagens de conversas privadas utilizadas pelas pessoas afetadas.

Estes acordos obrigavam os beneficiários a renunciar a quaisquer outras ações legais e a assinar acordos de confidencialidade que os proibiam de discutir o caso com os órgãos de comunicação social, nas redes sociais ou em aplicações de mensagens, sem o consentimento da empresa.

A empresa declarou ao órgão de comunicação social económico russo RBC que a cláusula de confidencialidade constituía "uma prática jurídica habitual".

Segundo o Kommersant, com base em dados da RNC Pharma, a Multican-8 foi o produto mais vendido no segmento de vacinas para animais de companhia na Rússia entre Janeiro e Julho deste ano, representando cerca de 20% do mercado.

Os produtos da Vetbiochem representam cerca de 70% do mercado russo de vacinas para cães e gatos, abrangendo uma gama de 15 produtos.

A posição dominante da empresa aumentou significativamente após a invasão em larga escala da Ucrânia pela Rússia, no início de 2022, e a imposição de sanções que reduziram a quota de medicamentos veterinários importados no mercado russo de 50% para 10% a 15%.

Segundo o meio independente Govorit NeMoskva, os proprietários de gatos que receberam a vacina Multifel da empresa também comunicaram mortes.

A Multican-8 é igualmente comercializada fora da Rússia, nomeadamente na Bielorrússia, Arménia e Cazaquistão. Atualmente, não há provas de que algum lote suspeito tenha sido exportado para o estrangeiro.




Autor: pt.euronews
Fonte: pt.euronews
Sítio Online da Publicação: pt.euronews
Data: 17/09/2026
Publicação Original: https://pt.euronews.com/2026/09/17/vacina-para-caes-mais-vendida-na-russia-associada-a-onda-de-mortes-de-animais-de-estimacao