terça-feira, 1 de setembro de 2026

Romeu Gomes recebe título de Pesquisador Emérito da Fiocruz

A Fiocruz concedeu, na quinta-feira (27/8), o título de Pesquisador Emérito ao professor e pesquisador Romeu Gomes, em cerimônia realizada no Instituto Nacional de Saúde da Mulher, da Criança e do Adolescente Fernandes Figueira (IFF/Fiocruz). A homenagem reconheceu a trajetória acadêmica, científica e institucional e a contribuição de Gomes para o fortalecimento da Saúde Coletiva. A data também faz referência à Política Nacional de Atenção Integral à Saúde do Homem (PNAISH), instituída no Brasil em 27 de agosto de 2009, e cuja construção contou com a participação do pesquisador.



Romeu Gomes (ao centro), junto com a esposa Orsinda e a filha Clarissa. À esquerda, o presidente da Fiocruz, Mario Moreira, e à direita o diretor do IFF, Antônio Flávio Meirelles

A cerimônia reuniu trabalhadores, pesquisadores, estudantes e familiares. Participaram da abertura o presidente da Fiocruz, Mario Moreira, o diretor do IFF/Fiocruz, Antônio Flávio Meirelles, a professora e pesquisadora Suely Deslandes e o homenageado Romeu Gomes. Na ocasião, Suely destacou que a trajetória de Romeu reúne “a excelência da pesquisa, do ensino e da assistência”.

Antônio Flávio Meirelles citou o caráter inédito da homenagem, já que Romeu é o primeiro pesquisador emérito do IFF/Fiocruz, e mencionou a aprovação unânime da indicação pelo Conselho Deliberativo da Fiocruz. O diretor fez referência à atuação do pesquisador na pós-graduação e ao papel desempenhado na formação de dezenas de pesquisadores.

Mario Moreira afirmou que a homenagem a pesquisadores eméritos também representa uma celebração da própria Fiocruz e da ciência produzida pela instituição. Para o presidente, o reconhecimento está relacionado não apenas à produção acadêmica, mas ao compromisso com as políticas públicas e com o Sistema Único de Saúde.

A contribuição de Romeu para a formação de pesquisadores foi reforçada por seus orientandos. O coordenador da Rede de Bancos de Leite Humano da Fiocruz e autor da primeira tese de doutorado do Instituto orientada pelo pesquisador, João Aprígio, afirmou que sua relação com Romeu ultrapassou a orientação de uma pesquisa. Para ele, o processo de orientação foi fundamental para aproximar diferentes áreas do conhecimento e contribuiu para a construção de políticas públicas na área do aleitamento humano.

Para o doutorando em Saúde Coletiva do IFF/Fiocruz Gleydson Paiva, a generosidade de Romeu no ensino foi um dos aspectos que mais marcam a trajetória. Paiva também ressaltou a disponibilidade do pesquisador e a sensibilidade para compreender a rotina de um doutorando trabalhador.



Dirigentes, pesquisadores e alunos celebram a homenagem a Romeu Gomes

Na sequência, Suely Deslandes apresentou a trajetória profissional e acadêmica de Romeu Gomes. Ele foi um dos responsáveis pela criação do curso de Doutorado em Saúde da Criança e da Mulher do IFF/Fiocruz, coordenou o Programa de Pós-Graduação e teve papel fundamental na consolidação das Ciências Sociais e Humanas em Saúde. Ao longo de sua jornada, orientou mais de 70 pesquisadores no IFF/Fiocruz, entre estudantes de iniciação científica, mestrandos, doutorandos e pós-doutorandos, além de participar e coordenar pesquisas de abrangência nacional.

A pesquisadora frisou sua ampla produção científica, composta por quase 200 artigos publicados, livros e capítulos, além de sua atuação contínua na pesquisa, no ensino e na formação de novos pesquisadores, mesmo após a aposentadoria. Na visão de Suely, a homenagem representa o reconhecimento dos valores que a instituição deseja preservar. “A ciência é feita de pessoas. E quando a gente atribui uma honraria, na verdade, todos esses símbolos de reconhecimento social, eles falam dos valores que aquela comunidade quer ver reforçada, quer ver reconhecida como valiosa”.

Após a leitura e a entrega oficial do diploma de Pesquisador Emérito, Romeu Gomes fez seu pronunciamento e relembrou momentos de sua trajetória acadêmica, desde a parceria com a também pesquisadora emérita Cecília Minayo, iniciada na década de 1980, até sua chegada à Fiocruz e ao IFF. O pesquisador destacou a importância das experiências vividas no Instituto para sua formação profissional e pessoal. “Consegui aprender muita coisa aqui”, afirmou Romeu, ao falar sobre o convívio com colegas e pesquisadores do IFF/Fiocruz. Ele também falou sobre o aprendizado proporcionado pela atuação em uma instituição hospitalar e pelo contato com profissionais de diferentes áreas. “O hospital é um lugar de cuidados, não só um lugar de prestar socorro”.

Ao encerrar seu discurso, Romeu agradeceu aos colegas, orientandos, familiares e às pessoas que fizeram parte de sua trajetória e deixou uma mensagem que sintetizou o espírito da homenagem: “Não pensem vocês que legado é alguma coisa que se deixa, não, porque eu vou continuar”, concluiu.

Período eleitoral

Durante o período eleitoral (de 4 de julho até 25 de outubro), os conteúdos digitais publicados e disponibilizados pela Agência Fiocruz de Notícias (AFN) acompanham as orientações da Advocacia-Geral da União (AGU) e da Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República (Secom). O documento esclarece que é permitida a divulgação de "conteúdo meramente informativo ou de serviço ao cidadão".

Autor: fiocruz
Fonte: fiocruz
Sítio Online da Publicação: fiocruz
Data: 28/08/2026
Publicação Original: https://fiocruz.br/noticia/2026/08/romeu-gomes-recebe-titulo-de-pesquisador-emerito-da-fiocruz

Pesquisadores divulgam nota técnica sobre cigarros eletrônicos e desinformação

Pesquisadores da Fiocruz produziram uma nota técnica com dados sobre a circulação de vídeos desinformativos sobre os cigarros eletrônicos no YouTube. Os conteúdos produzidos em canais brasileiros negam evidências científicas sobre os riscos da nicotina e desacreditam autoridades sanitárias. De acordo com os pesquisadores, o formato opinativo dos vídeos é uma estratégia para burlar as leis que proíbem a publicidade do tabaco na internet brasileira desde 2000.



Estudo indica a urgência de ajuste à legislação brasileira, que proíbe a publicidade do tabaco na internet desde 2000 e a venda de vape desde 2009 (Foto: Freepik)

Os cigarros eletrônicos são proibidos no Brasil, pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), desde 2009. Eles causam dependência e provocam a doença denominada evali, causadora de lesões no pulmão. Pessoas entre 15 e 24 anos somam cerca de 70% dos usuários desses dispositivos eletrônicos para fumar no Brasil.

Nota técnica

O vape desafia três décadas de conquistas de políticas públicas contra o tabaco, por meio do Programa Nacional de Controle do Tabagismo (PNCT). A nota técnica, produzida por pesquisadores do Instituto de Comunicação e Informação Científica e Tecnológica em Saúde (Icict/Fiocruz), indica que, entre 2023 e 2024, houve um aumento no número de fumantes no Brasil, passando de 9,3% para 11,6% de adultos fumantes no país. O enfrentamento das doenças causadas pelo tabagismo representa um custo anual de R$ 153 bilhões para o Sistema Único de Saúde (SUS).

Os cinco canais identificados na nota acumularam mais de 6 milhões de visualizações e somam 400 mil pessoas inscritas. Os conteúdos são recomendados pelo YouTube em buscas sobre os cigarros eletrônicos. Eles ensinam como usar o produto, avaliam os modelos, oferecem cupons de desconto e links para adquirir o vape, além de trazer entrevistas com especialistas defensores do cigarro eletrônico.

A nota identificou que o YouTube apresenta uma autorregulação frágil, ao desconsiderar leis como o Código de Defesa do Consumidor, a Lei Anti Fumo e o Eca Digital. A plataforma não menciona, em sua seção de publicidade, a proibição legal de propaganda de tabaco e cigarros eletrônicos no Brasil; e a sinalização de conteúdo restrito a maiores de 18 anos foi aplicada de forma esporádica. O estudo técnico defende uma articulação intersetorial entre Estado e sociedade civil para propor soluções para ampliar a segurança dos brasileiros no YouTube, diante do avanço da desinformação sobre tabaco e da promoção dos cigarros eletrônicos.

Recomendações

Celebrar um acordo de cooperação com o YouTube, destinado a oferecer maior segurança aos cidadãos brasileiros no que se refere à proibição da publicidade do tabaco nos canais brasileiros. Nesse contexto, sugere-se uma parceria entre atores da comunicação pública, influenciadores digitais e o YouTube para promover, gratuitamente, conteúdos informativos sobre o risco dos cigarros eletrônicos.

Sugere-se, com base no Decreto n.º 12.975/2026, que os provedores de aplicações de internet tenham transparência sobre estratégias usadas para a avaliação de riscos, moderação, recomendação e monetização sobre os temas relativos ao tabaco nas plataformas. Tais medidas são relevantes no contexto do ECA Digital, pois atuam como medidas preventivas para evitar a iniciação de jovens e adolescentes no uso de dispositivos eletrônicos para fumar.

Período eleitoral

Durante o período eleitoral (de 4 de julho até 25 de outubro), os conteúdos digitais publicados e disponibilizados pela Agência Fiocruz de Notícias (AFN) acompanham as orientações da Advocacia-Geral da União (AGU) e da Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República (Secom). O documento esclarece que é permitida a divulgação de "conteúdo meramente informativo ou de serviço ao cidadão".



Autor: fiocruz
Fonte: fiocruz
Sítio Online da Publicação: fiocruz
Data: 28/08/2026
Publicação Original: https://fiocruz.br/noticia/2026/08/pesquisadores-divulgam-nota-tecnica-sobre-cigarros-eletronicos-e-desinformacao

InfoGripe: apenas três estados têm incidência de SRAG com sinal de crescimento

Divulgada nesta quinta-feira (27/8), a nova edição do Boletim InfoGripe da Fiocruz mostra que 3 das 27 unidades federativas (UF) - Alagoas, Mato Grosso e Roraima - apresentam incidência de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) em nível de alerta, risco ou alto risco nas últimas duas semanas, com sinal de crescimento na tendência de longo prazo. Oito UF também apresentam incidência de SRAG em níveis de alerta, risco ou alto risco, mas sem sinal de crescimento na tendência de longo prazo (Amazonas, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Paraná, Rio Grande do Sul, Rio de Janeiro, Santa Catarina e Sergipe). No cenário nacional, há um leve sinal de aumento dos casos de SRAG nas crianças e adolescentes de 2 a 14 anos, associado principalmente ao rinovírus. A análise é referente à Semana Epidemiológica 33, período de 16 a 22 de agosto.

De acordo com os pesquisadores do InfoGripe, os dados laboratoriais por faixa etária indicam que o aumento dos casos de SRAG nas crianças e adolescentes tem sido impulsionado principalmente pelo rinovírus. Já a diminuição dos casos de SRAG nas crianças menores de 2 anos se deve à queda do número de hospitalizações por VSR, enquanto a queda de SRAG nas demais faixas etárias é atribuída especialmente a diminuição das hospitalizações pelo vírus da influenza.



Estados e capitais

O aumento do número de casos de SRAG no Mato Grosso e em Roraima tem se concentrado especialmente nas crianças de 2 a 4 anos, enquanto em Alagoas o amento tem ocorrido principalmente nas crianças e adolescentes de 2 a 14 anos. Não há dados laboratoriais suficientes para determinar o vírus responsável por esse crescimento, mas devido ao cenário epidemiológico nacional e a faixa etária afetada, é possível que esse aumento esteja sendo impulsionado principalmente pelo rinovírus, em menor escala, pelo metapneumovírus.

O período da sazonalidade da influenza A já se encerrou no país. Os casos graves por influenza B têm apresentado leve aumento na Bahia e no Mato Grosso. As ocorrências de SRAG por vírus sincicial respiratório (VSR) continuam caindo, mas ainda estão em níveis altos de incidência em Roraima. Apesar da queda, os casos de SRAG por VSR estão um pouco elevados para esta época do ano em Minas Gerais, Mato Grosso do Sul, Bahia, Minas Gerais, Paraná, Bahia, Mato Grosso do Sul, Paraná, Rio de Janeiro, São Paulo, Santa Catarina, Sergipe e Rio Grande do Sul. Em relação à Covid-19, todas as UF estão em um patamar baixo de incidência.

Quatro das 27 capitais apresentam nível de atividade de SRAG em alerta, risco ou alto risco (últimas duas semanas) com sinal de crescimento de SRAG na tendência de longo prazo (últimas 6 semanas) até a semana 33: Aracaju (SE), Belém (PA), Boa Vista (RR) e Joao Pessoa (PB).

Dados epidemiológicos

Nas quatro últimas semanas epidemiológicas, a proporção entre os casos positivos foi de 4,4% de influenza A, 8,2% de influenza B, 38,7% de vírus sincicial respiratório, 38,3% de rinovírus e 1,6% de Sars-CoV-2 (Covid-19) 19). Entre os óbitos, a presença destes mesmos vírus entre os positivos e no mesmo recorte temporal foi de 16,5% de influenza A, 18% de influenza B, 24% de vírus sincicial respiratório, 32% de rinovírus e 5,5% de Sars-CoV-2 (Covid-19).

Referente ao ano epidemiológico 2026, já foram notificados 141.009 casos de SRAG, sendo 76.126 (54%) com resultado laboratorial positivo para algum vírus respiratório, 49.389 (35%) negativos, e ao menos 7.392 (5,2%) aguardando resultado laboratorial. Dados de positividade para semanas recentes estão sujeitos a grandes alterações em atualizações seguintes por conta do fluxo de notificação de casos e inserção do resultado laboratorial associado.

Dentre os casos positivos do ano corrente, observou-se 17,9% de influenza A, 5,4% de influenza B, 42% de vírus sincicial respiratório, 30,4% de rinovírus e 3,9% de Sars-CoV-2 (Covid-19). Nas quatro últimas semanas epidemiológicas, a prevalência entre os casos positivos foi de 4,4% de influenza A, 8,2% de influenza B, 38,7% de vírus sincicial respiratório, 38,3% de rinovírus e 1,6% de Sars-CoV-2 (Covid-19).

No ano epidemiológico 2026 já foram notificados 141.009 casos de SRAG, sendo 76.126 (54%) com resultado laboratorial positivo para algum vírus respiratório, 49.389 (35%) negativos e ao menos 7.392 (5,2%) aguardando resultado laboratorial.

Incidência e mortalidade

A incidência e mortalidade semanal média, nas últimas oito semanas epidemiológicas, mantêm o cenário típico de maior impacto nos extremos das faixas etárias analisadas. Enquanto a incidência de SRAG apresenta impacto mais elevado nas crianças até 2 anos, em termos de mortalidade há o inverso, com a população a partir de 65 anos sendo a mais impactada.

A incidência de SRAG é mais elevada nas crianças pequenas e está associada principalmente ao VSR. Já a mortalidade é maior entre os idosos, tendo como principal causa o vírus da influenza A, rinovírus e VSR. O VSR e o rinovírus também se destacam como principais causas de mortalidade nas crianças pequenas. A incidência de SRAG por Covid-19 continua baixa em todas as faixas etárias.

Período eleitoral

Durante o período eleitoral (de 4 de julho até 25 de outubro), os conteúdos digitais publicados e disponibilizados pela Agência Fiocruz de Notícias (AFN) acompanham as orientações da Advocacia-Geral da União (AGU) e da Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República (Secom). O documento esclarece que é permitida a divulgação de "conteúdo meramente informativo ou de serviço ao cidadão".




Autor: fiocruz
Fonte: fiocruz
Sítio Online da Publicação: fiocruz
Data: 27/08/2026
Publicação Original: https://fiocruz.br/noticia/2026/08/infogripe-apenas-tres-estados-tem-incidencia-de-srag-com-sinal-de-crescimento