segunda-feira, 21 de setembro de 2026

Mulheres dominam saúde na Europa mas ganham 19% menos por hora, alerta OMS



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O sector da saúde e dos cuidados é o quarto maior empregador e o maior empregador de mulheres na Região Europeia da OMS. As mulheres representam 77% da força de trabalho na saúde, face a 45% em todos os outros sectores combinados. Ainda assim, são apenas 55% entre quem mais ganha no sector.

“As mulheres são a maioria das pessoas que mantêm os sistemas de saúde da Europa a funcionar, mas recebem menos do que os colegas homens, uma diferença que se acumula ao longo de toda a carreira”, afirmou Natasha Azzopardi Muscat, directora da Divisão de Sistemas de Saúde da OMS Europa.

A diferença salarial de género, isto é, a diferença entre o salário médio de homens e mulheres com emprego remunerado, é maior nos escalões salariais mais elevados, variando de 2% entre quem ganha menos para mais de 22% no topo da distribuição salarial.


O relatório conclui que o sector é especialmente importante para o emprego feminino. Representa quase 17% de todo o emprego das mulheres, contra 5% no caso dos homens.

Estas conclusões seguem o mesmo padrão observado no mercado de trabalho em geral: desigualdades estruturais acentuadas, que se agravam nos níveis de salário e de hierarquia mais altos.

À escala mundial, o sector da saúde espelha o que acontece na Europa, com as mulheres a auferirem em média menos 24% do que os homens, uma diferença superior à de muitos outros sectores.

Quando se ajustam estes quatro factores, a diferença horária desce de 19% para 6% e a diferença no salário mensal recua de 28% para 10%.

No entanto, a diferença restante não é explicada por nenhum dos factores medidos nos dados.

“A maior parte desta diferença não se deve a as mulheres trabalharem menos horas, serem mais novas ou trabalharem em áreas diferentes do sector”, explicou Azzopardi Muscat. “Tem a ver com o modo como o sector valoriza o trabalho das mulheres. A idade, a educação, o horário de trabalho e o facto de ser emprego público ou privado só explicam uma parte.”

Segundo a OMS, o relatório aponta para factores estruturais mais profundos, como a desvalorização do trabalho de cuidados, a segregação profissional e uma possível discriminação nas práticas de definição salarial.

Quanto mais feminizada é uma categoria profissional, menor tende a ser o salário, um padrão que se observa tanto em cargos de gestão como em funções profissionais e técnicas. Os cargos de gestão na saúde e nos cuidados, por exemplo, empregam mais mulheres do que funções de gestão noutros sectores e pagam menos: 22 euros por hora em média, face a 24,70 euros em funções comparáveis noutras áreas.
O impacto mais amplo da diferença salarial

A OMS sublinha que a diferença salarial entre homens e mulheres continua a ser uma das formas mais persistentes de desigualdade no mercado de trabalho.

Dado o elevado número de mulheres que trabalham na saúde e nos cuidados, esta diferença pode ter consequências económicas e sociais significativas.

O relatório assinala que esta desigualdade pode conduzir a rendimentos acumulados mais baixos ao longo da vida e a pensões mais reduzidas, aumentar o risco de pobreza para as mulheres, diminuir o retorno do investimento em educação e comprometer um crescimento económico sustentável.

“Isto significa pensões mais baixas, menos segurança financeira na velhice e um risco maior de pobreza para mulheres que passaram a vida profissional a cuidar dos outros”, afirmou Azzopardi Muscat.

“Isto não é coincidência, nem se explica com as qualificações. As mulheres estão a ser pagas menos pelo mesmo trabalho e são ultrapassadas nos cargos que melhor pagam.”

Reduzir as diferenças salariais de género é, por isso, simultaneamente uma questão de equidade e um investimento numa força de trabalho na saúde mais forte e sustentável, destaca a agência internacional.

Para esse fim, a OMS recomenda acções específicas, desde garantir transparência salarial e facilitar a representação feminina em cargos de decisão até enfrentar normas e estereótipos de género.



Autor: pt.euronews
Fonte: pt.euronews
Sítio Online da Publicação: pt.euronews
Data: 18/09/2026

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