terça-feira, 29 de setembro de 2026

Protagonismo do Brasil na ciência global varia de acordo com o modelo de colaboração




Em parceria com a Universidade Calvin (no Michigan, EUA), um estudo da Fiocruz avaliou 10 anos (2010–2019) de colaboração internacional brasileira na área de Ciências da Vida e da Saúde (CVS). Foram mais de 360 mil publicações analisadas, entre 2010 e 2019, com o objetivo de comparar liderança, impacto e temas de pesquisa presentes em três modelos de colaboração: Norte–Sul, Sul–Sul e triangular. A pesquisa contribui para o debate sobre avaliação da ciência ao mostrar que a posição de um país pode não ser adequadamente compreendida por indicadores agregados de colaboração. O artigo foi publicado no site da revista Scientometrics.



Para os autores do artigo, analisar conjuntamente a liderança dos pesquisadores brasileiros, o impacto das publicações e a especialização temática em cada modelo oferece uma leitura mais abrangente do papel do Brasil nas redes globais de ciência. A pesquisa apontou ainda que o Brasil na ciência global não é simplesmente “central” ou “periférico”: ele é context-dependent, ou seja, depende do contexto. O país exerce liderança em alguns arranjos, mas perde espaço de definição de agenda em outros. Os autores também questionam a própria área de estudos métricos: “será que indicadores agregados de internacionalização e impacto conseguem realmente capturar a posição de um país nas redes globais de ciência?”.

Os resultados do estudo indicaram que, ao longo da década, houve um aumento de 71% na colaboração internacional brasileira, com crescimento mais acelerado nas colaborações triangulares, que triplicaram no período. Além disso, a liderança brasileira se mostrou variável conforme o modelo de colaboração: esteve presente em 75% das parcerias Sul–Sul, 67% das Norte–Sul, mas caiu para 31% nas triangulares. No entanto, as colaborações triangulares apresentaram o maior impacto de citação: 50,4% dos artigos ficaram entre os 10% mais citados, contra 36,0% nas Norte–Sul e 23,2% nas Sul–Sul. No mais, nas parcerias Sul–Sul, a colaboração se concentra justamente em áreas nas quais o Brasil possui forte especialização científica, como ecologia, agricultura e veterinária. Já as triangulares apresentam forte concentração em epidemiologia e ensaios clínicos.

Participaram do estudo a professora do Instituto de Comunicação e Informação Científica e Tecnológica em Saúde (Icict/Fiocruz) e coordenadora do estudo, Bruna de Paula Fonseca; os pesquisadores do Centro de Desenvolvimento Tecnológico em Saúde (CDTS/Fiocruz), Juliana Freitas, Priscila Costa Albuquerque e Fabio Zicker; e o pesquisador da Universidade Calvin, Eric Araújo.

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Autor: fiocruz
Fonte: fiocruz
Sítio Online da Publicação: fiocruz
Data: 28/09/2026

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