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segunda-feira, 7 de novembro de 2022

Pesquisadores do IBqM/UFRJ investigam novos caminhos para combater o câncer de mama



Os mecanismos moleculares do câncer de mama triplo negativo, um dos tipos mais agressivos da doença, são objeto de estudo de pesquisadores no Laboratório de Bioquímica Celular do IBqM/UFRJ (Foto: Reprodução)

Neste mês, celebra-se o Outubro Rosa, campanha internacional que teve início nos Estados Unidos, em 1997, para chamar a atenção para a importância do autoexame e do diagnóstico precoce do câncer de mama. A doença é a neoplasia que mais atinge mulheres em todo o mundo e um dos seus tipos mais agressivos, o câncer de mama triplo negativo, que provoca metástase, representa cerca de 15% dos cânceres de mama. Um estudo conduzido por pesquisadores do Instituto de Bioquímica Médica Leopoldo de Meis, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (IBqM/UFRJ), investiga os mecanismos moleculares envolvidos no aumento da concentração de fosfato extracelular no microambiente do câncer de mama e o seu transporte para o interior das células tumorais, que podem fazer a diferença no combate à doença, e o melhor, testando a aplicabilidade de fármacos já conhecidos pela indústria farmacêutica, mas até então utilizados para outras doenças.

A pesquisa vem sendo desenvolvida em células tumorais de câncer de mama triplo negativo, no Laboratório de Bioquímica Celular do IBqM/UFRJ, pelo biólogo e doutor em Química Biológica Marco Antonio Lacerda Abreu, sob supervisão do professor José Roberto Meyer-Fernandes, que é o chefe do laboratório. Pesquisador de pós-doutorado com bolsa concedida pela FAPERJ, por meio do programa Pós-Doutorado Nota 10, Marco Antonio demonstrou, pela primeira vez, os mecanismos de acumulação de fosfato inorgânico no meio extracelular que circunda as células do câncer de mama. “Esse acúmulo de fosfato está relacionado à grande necessidade que as células cancerosas têm de ATP (adenosina trifosfato), a molécula que serve de combustível para a enorme demanda de energia que as células tumorais possuem para a sua intensa divisão celular, quando em metástase. O fosfato é constituinte da molécula de ATP e a sua relação com o desenvolvimento tumoral pode revelar pistas para o combate ao câncer”, contou Abreu.

Outra descoberta dos pesquisadores foi o papel desse fosfato inorgânico como sinalizador celular nesses tumores cancerígenos. Eles observaram que a elevada concentração de fosfato inorgânico no meio extracelular resulta na liberação de peróxido de hidrogênio, substância popularmente conhecida como água oxigenada, que ajuda na sinalização de processos de metástase e está relacionada com o estresse oxidativo celular. Esse papel sinalizador do fosfato pode ser outra pista importante para o diagnóstico de tumores. “Estamos investigando as vias de sinalização envolvidas na progressão do câncer de mama, em metástase, em resposta ao peróxido de hidrogênio estimulado pelo elevado fosfato extracelular. Fomos o primeiro grupo a observar que a elevada concentração de fosfato extracelular estimula a produção de peróxido de hidrogênio em células triplo-negativas de câncer de mama. Antes, isso só havia sido demonstrado em modelos celulares relacionados à calcificação óssea”, explicou o coordenador do projeto, José Roberto Meyer-Fernandes.


Marco Antonio Abreu (à esq.) e seu orientador, José Roberto Meyer-Fernandes, no IBqM/UFRJ, destacam a necessidade da produção de fosfato inorgânico radioativo pelo Ipen para poderem dar continuidade à pesquisa (Foto: Divulgação)

Um ponto importante do estudo foi a caracterização de transportadores de fosfato inorgânico que agem como mediadoras dessa captação de fosfato inorgânico, assim como as enzimas responsáveis pela hidrólise de moléculas fosforiladas, as ectofosfatases e ecto-nucleotidases. Elas estão localizadas na membrana celular dos tumores, que estão envolvidas no processo bioquímico de entrada do fosfato inorgânico na célula cancerosa. Os pesquisadores demonstraram que elas possuem elevada atividade em células tumorais de mama, cerca de duas vezes maior do que em indivíduos saudáveis. Dois tipos de transportadores de fosfato foram caracterizados na pesquisa: o transportador de fosfato próton dependente e o transportador de fosfato sódio dependente. “Caracterizamos esses transportadores e essas enzimas ao longo dos últimos cinco anos”, citou Abreu.

Além de caracterizar essas enzimas, a pesquisa tem o mérito de testar a aplicação de fármacos já conhecidos pela indústria farmacêutica para restringir a ação enzimática e, consequentemente, mitigar a nutrição dos tumores e o processo de metástase. “Em 2018, descobrimos que um antiretroviral já receitado pelos médicos internacionalmente, o PFA (ácido fosfanofórmico), é capaz de inibir a ação do transportador sódio dependente, e consequentemente reduzir o processo de metástase das células tumorais. Por outro lado, observamos também que o PAA (acidofosfanocético), outro medicamento já aprovado em uso clinico, é um inibidor do transportador próton-dependente. Nossa ideia é investigar como inibir esses dois transportadores para estancarmos a metástase”, completou.

Esses caminhos bioquímicos, que podem ser a chave para a descoberta de tratamentos mais eficazes para o câncer de mama, estão sendo desvendados aos poucos pelos pesquisadores. Porém, um gargalo para a continuidade do estudo é a interrupção da produção de uma matéria-prima fundamental para a pesquisa, o fosfato inorgânico radioativo. “No Brasil, o Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares, o Ipen, que era o único produtor no País, suspendeu recentemente a sua produção de fosfato inorgânico radioativo. E como a meia-vida desse composto é de 14 dias, temos grande dificuldade de importar, pois quando ele chega, depois desse prazo, já perdeu metade das suas propriedades. Deixamos aqui esse apelo à comunidade científica pela volta da produção nacional dessa matéria-prima fundamental para darmos continuidade a estas pesquisas”, concluiu Meyer-Fernandes.

A pesquisa, intitulada "Efeito do fosfato inorgânico (Pi)extracelular no microambiente do câncer de mama: Produção, transporte, transdução do sinal e uma possível correlação com metástase", foi tema da tese de Doutorado defendida por Abreu no IBqM. Ela foi laureada recentemente com o Prêmio Mário Alberto-Silva Neto como a melhor tese de Doutorado defendida em 2021 no Programa de Pós-graduação em Química Biológica do IBqM.







Autor: Débora Motta
Fonte: faperj
Sítio Online da Publicação: faperj
Data: 27/10/2022
Publicação Original: https://www.faperj.br/?id=217.7.7

sexta-feira, 28 de outubro de 2022

Pesquisadores do IBqM/UFRJ investigam novos caminhos para combater o câncer de mama

Neste mês, celebra-se o Outubro Rosa, campanha internacional que teve início nos Estados Unidos, em 1997, para chamar a atenção para a importância do autoexame e do diagnóstico precoce do câncer de mama. A doença é a neoplasia que mais atinge mulheres em todo o mundo e um dos seus tipos mais agressivos, o câncer de mama triplo negativo, que provoca metástase, representa cerca de 15% dos cânceres de mama. Um estudo conduzido por pesquisadores do Instituto de Bioquímica Médica Leopoldo de Meis, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (IBqM/UFRJ), investiga os mecanismos moleculares envolvidos no aumento da concentração de fosfato extracelular no microambiente do câncer de mama e o seu transporte para o interior das células tumorais, que podem fazer a diferença no combate à doença, e o melhor, testando a aplicabilidade de fármacos já conhecidos pela indústria farmacêutica, mas até então utilizados para outras doenças.


Os mecanismos moleculares do câncer de mama triplo negativo, um dos tipos mais agressivos da doença, são objeto de estudo de pesquisadores no Laboratório de Bioquímica Celular do IBqM/UFRJ (Foto: Reprodução)

A pesquisa vem sendo desenvolvida em células tumorais de câncer de mama triplo negativo, no Laboratório de Bioquímica Celular do IBqM/UFRJ, pelo biólogo e doutor em Química Biológica Marco Antonio Lacerda Abreu, sob supervisão do professor José Roberto Meyer-Fernandes, que é o chefe do laboratório. Pesquisador de pós-doutorado com bolsa concedida pela FAPERJ, por meio do programa Pós-Doutorado Nota 10, Marco Antonio demonstrou, pela primeira vez, os mecanismos de acumulação de fosfato inorgânico no meio extracelular que circunda as células do câncer de mama. “Esse acúmulo de fosfato está relacionado à grande necessidade que as células cancerosas têm de ATP (adenosina trifosfato), a molécula que serve de combustível para a enorme demanda de energia que as células tumorais possuem para a sua intensa divisão celular, quando em metástase. O fosfato é constituinte da molécula de ATP e a sua relação com o desenvolvimento tumoral pode revelar pistas para o combate ao câncer”, contou Abreu.

Outra descoberta dos pesquisadores foi o papel desse fosfato inorgânico como sinalizador celular nesses tumores cancerígenos. Eles observaram que a elevada concentração de fosfato inorgânico no meio extracelular resulta na liberação de peróxido de hidrogênio, substância popularmente conhecida como água oxigenada, que ajuda na sinalização de processos de metástase e está relacionada com o estresse oxidativo celular. Esse papel sinalizador do fosfato pode ser outra pista importante para o diagnóstico de tumores. “Estamos investigando as vias de sinalização envolvidas na progressão do câncer de mama, em metástase, em resposta ao peróxido de hidrogênio estimulado pelo elevado fosfato extracelular. Fomos o primeiro grupo a observar que a elevada concentração de fosfato extracelular estimula a produção de peróxido de hidrogênio em células triplo-negativas de câncer de mama. Antes, isso só havia sido demonstrado em modelos celulares relacionados à calcificação óssea”, explicou o coordenador do projeto, José Roberto Meyer-Fernandes.


Marco Antonio Abreu (à esq.) e seu orientador, José Roberto Meyer-Fernandes, no IBqM/UFRJ, destacam a necessidade da produção de fosfato inorgânico radioativo pelo Ipen para poderem dar continuidade à pesquisa (Foto: Divulgação)

Um ponto importante do estudo foi a caracterização de transportadores de fosfato inorgânico que agem como mediadoras dessa captação de fosfato inorgânico, assim como as enzimas responsáveis pela hidrólise de moléculas fosforiladas, as ectofosfatases e ecto-nucleotidases. Elas estão localizadas na membrana celular dos tumores, que estão envolvidas no processo bioquímico de entrada do fosfato inorgânico na célula cancerosa. Os pesquisadores demonstraram que elas possuem elevada atividade em células tumorais de mama, cerca de duas vezes maior do que em indivíduos saudáveis. Dois tipos de transportadores de fosfato foram caracterizados na pesquisa: o transportador de fosfato próton dependente e o transportador de fosfato sódio dependente. “Caracterizamos esses transportadores e essas enzimas ao longo dos últimos cinco anos”, citou Abreu.

Além de caracterizar essas enzimas, a pesquisa tem o mérito de testar a aplicação de fármacos já conhecidos pela indústria farmacêutica para restringir a ação enzimática e, consequentemente, mitigar a nutrição dos tumores e o processo de metástase. “Em 2018, descobrimos que um antiretroviral já receitado pelos médicos internacionalmente, o PFA (ácido fosfanofórmico), é capaz de inibir a ação do transportador sódio dependente, e consequentemente reduzir o processo de metástase das células tumorais. Por outro lado, observamos também que o PAA (acidofosfanocético), outro medicamento já aprovado em uso clinico, é um inibidor do transportador próton-dependente. Nossa ideia é investigar como inibir esses dois transportadores para estancarmos a metástase”, completou.

Esses caminhos bioquímicos, que podem ser a chave para a descoberta de tratamentos mais eficazes para o câncer de mama, estão sendo desvendados aos poucos pelos pesquisadores. Porém, um gargalo para a continuidade do estudo é a interrupção da produção de uma matéria-prima fundamental para a pesquisa, o fosfato inorgânico radioativo. “No Brasil, o Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares, o Ipen, que era o único produtor no País, suspendeu recentemente a sua produção de fosfato inorgânico radioativo. E como a meia-vida desse composto é de 14 dias, temos grande dificuldade de importar, pois quando ele chega, depois desse prazo, já perdeu metade das suas propriedades. Deixamos aqui esse apelo à comunidade científica pela volta da produção nacional dessa matéria-prima fundamental para darmos continuidade a estas pesquisas”, concluiu Meyer-Fernandes.

A pesquisa, intitulada "Efeito do fosfato inorgânico (Pi)extracelular no microambiente do câncer de mama: Produção, transporte, transdução do sinal e uma possível correlação com metástase", foi tema da tese de Doutorado defendida por Abreu no IBqM. Ela foi laureada recentemente com o Prêmio Mário Alberto-Silva Neto como a melhor tese de Doutorado defendida em 2021 no Programa de Pós-graduação em Química Biológica do IBqM.







Autor: Débora Motta
Fonte: faperj
Sítio Online da Publicação: faperj
Data: 27/10/2022
Publicação Original: https://www.faperj.br/?id=217.7.7

sexta-feira, 21 de outubro de 2022

Câncer de mama: 6 fatores que aumentam o risco da doença



CRÉDITO,GETTY IMAGES


O câncer de mama é o tipo mais comum da doença, com mais de 2,2 milhões de casos em todo o mundo todos os anos, segundo dados de 2020 da Organização Mundial da Saúde (OMS).


Estima-se que cerca de uma em cada 12 mulheres vai desenvolver câncer de mama ao longo da vida — a doença é a principal causa de morte entre elas.


Em 2020, cerca de 685 mil mulheres morreram desta doença em todo o mundo.


Especificamente, quase um quarto dos novos casos de câncer de mama em 2020 ocorreram nas Américas.


Na América Latina e no Caribe, a proporção de mulheres afetadas pela doença antes dos 50 anos (32%) é muito maior do que na América do Norte (19%), diz a Organização Pan-Americana da Saúde (Opas).


Existem vários fatores de risco para o câncer de mama que não podem ser modificados, como envelhecimento, mutações genéticas e histórico pessoal e familiar, para citar os mais frequentes.


Mas existem outros fatores que aumentam o risco de contrair a doença e que podem ser prevenidos ou amenizados fazendo mudanças no cotidiano.


Quais são os fatores que aumentam o risco de câncer de mama? E o que pode ser feito para reduzi-los?

1. Inatividade física



CRÉDITO,GETTY IMAGES


As mulheres que não são fisicamente ativas correm maior risco de ter câncer de mama, segundo os Centros dos EUA para Controle e Prevenção de Doenças (CDC).


Por isso, é importante praticar atividade física regularmente.


A Sociedade Americana do Câncer recomenda que os adultos façam pelo menos 150 a 300 minutos de atividade física de intensidade moderada ou 75 a 150 minutos de atividade mais intensa por semana (ou uma combinação de ambos), de preferência distribuídos ao longo de sete dias.


A atividade física de maior intensidade causa uma frequência cardíaca elevada, sudorese e frequência respiratória rápida.

2. Excesso de peso


Mulheres mais velhas que estão com sobrepeso ou obesas têm um risco maior de câncer de mama do que aquelas com peso saudável.


A Sociedade Americana do Câncer recomenda manter um peso saudável ao longo da vida e evitar o ganho excessivo, equilibrando a ingestão de alimentos com a atividade física.

3. Hormônios



CRÉDITO,GETTY IMAGES
Legenda da foto,

Medicamentos de reposição hormonal para menopausa podem aumentar os riscos de câncer


Algumas formas de terapia de reposição hormonal (aquelas que incluem estrogênio e progesterona) tomadas durante a menopausa podem aumentar o risco de câncer de mama se tomadas por mais de 5 anos, observa o CDC.


Para evitar isso, é uma boa ideia conversar com seu médico sobre opções não hormonais para tratar os sintomas da menopausa.

4. História reprodutiva


Engravidar pela primeira vez após os 30 anos, não amamentar e ter tido uma gravidez interrompida podem aumentar o risco de câncer de mama.


As mulheres que optam por amamentar seus bebês por pelo menos vários meses podem obter um benefício adicional ao diminuir o risco de câncer de mama, aponta a Sociedade Americana do Câncer.

5. Álcool



CRÉDITO,GETTY IMAGES


Alguns estudos mostram que o risco de câncer de mama de uma mulher aumenta quanto mais álcool ela bebe, diz o CDC.


Mesmo o consumo em níveis baixos tem sido associado ao aumento desse risco. É melhor não beber bebidas alcoólicas.


Mas aquelas que o fazem não devem tomar mais do que uma bebida alcoólica por dia, aconselha a Sociedade Americana do Câncer.


E quanto é essa dose diária? Cerca de 355 ml de cerveja, 150 ml de vinho, ou 50 ml de destilados ou "bebidas fortes".

6. Tabagismo


Fumar pode causar câncer em quase qualquer parte do corpo.


Evitar fumar e ser exposto à fumaça do cigarro ajuda a reduzir o risco de contrair câncer.


Pesquisas sugerem que outros fatores, como exposição a produtos químicos que podem causar câncer e alterações em outros hormônios devido ao trabalho noturno, também podem aumentar o risco de câncer de mama, detalha o CDC.



CRÉDITO,GETTY IMAGES

Recomendações


Organizações especializadas em câncer de mama recomendam consultar seu médico sobre exames para detecção precoce da doença.


Conversar com um profissional sobre quando iniciar exames, como exames clínicos e mamografias, são fundamentais, afirma a Mayo Clinic em seu site.


Além disso, é necessário se familiarizar com os seios durante um autoexame de mama.


Se houver uma alteração nova, nódulos ou outros sinais incomuns nas mamas, um médico deve ser consultado imediatamente.


E como sempre, é preciso cuidar da alimentação.


As mulheres que seguem uma dieta mediterrânea com azeite extra virgem e nozes mistas podem ter um risco reduzido de câncer de mama.


A dieta mediterrânea é focada em alimentos à base de plantas, como frutas e vegetais, grãos integrais, legumes e nozes, detalha a Clínica Mayo.


- Este texto foi publicado em https://www.bbc.com/portuguese/geral-63323701


Autor: BBC News Mundo
Fonte: BBC News Mundo
Sítio Online da Publicação: BBC News Mundo
Data: 20/10/2022
Publicação Original: https://www.bbc.com/portuguese/geral-63323701

quinta-feira, 20 de outubro de 2022

Câncer de mama é a principal causa de morte por câncer em mulheres; conheça os fatores de risco



No Brasil, o câncer de mama é o tipo de câncer mais comum, depois do câncer de pele não melanoma, segundo o Instituto Nacional de Câncer. Também é o que causa mais mortes entre as mulheres. Para 2022, o INCA estima a ocorrência de 66 mil novos casos. O câncer de mama também pode atingir homens, situação que representa 1% dos casos. Diversos fatores podem estar relacionados ao câncer de mama, como:
Comportamentais/ambientais

. Obesidade e sobrepeso;
. Sedentarismo;
. Consumo de bebida alcoólica;
. Exposição frequente a radiações ionizantes (raios X, mamografia e tomografia).
História reprodutiva/hormonais

. Primeira menstruação (menarca) antes dos 12 anos;
. Menopausa tardia (após os 55 anos);
. Não ter tido filhos;
. Primeira gravidez após os 30 anos;
. Não ter amamentado;
. Ter feito uso de contraceptivos orais (pílula anticoncepcional) por um longo tempo;
. Ter feito reposição hormonal pós-menopausa (principalmente por mais de cinco anos).
Hereditários/genéticos

História familiar de:
. Câncer de ovário;
. Câncer de mama em homens;
. Câncer de mama em mulheres, principalmente antes dos 50 anos.

A mulher que possui alterações genéticas herdadas na família tem risco elevado de câncer de mama. De 5 a 10% dos casos estão relacionados a fatores hereditários e/ou genéticos. Ainda assim, a presença de um ou mais fatores de risco não significa que a mulher terá, necessariamente, a doença.Sinais e sintomas

O sintoma mais comum do câncer de mama é o caroço (nódulo) no seio, que pode ser acompanhado ou não de dor. Ele está presente em mais de 90% dos casos da doença. De acordo com o INCA, nem todo o caroço é câncer de mama, por isso, é importante consultar um profissional de saúde para análise. Outros sintomas também podem aparecer:

. Pele da mama avermelhada, retraída ou com aspecto de casca de laranja;
. Pequenos caroços embaixo do braço ou no pescoço;
. Alterações no bico do peito (mamilo);
. Saída espontânea de líquido de um dos mamilos.

As alterações suspeitas de câncer de mama devem ser sempre investigadas para o esclarecimento diagnóstico. Em mulheres mais jovens, qualquer caroço persistente por mais de um ciclo menstrual deve ser investigado por um profissional. No caso das mulheres com mais de 50 anos, todo caroço na mama deve ser investigado.Redução dos fatores de risco

Alguns comportamentos podem reduzir o risco de desenvolvimento do câncer de mama:

. Manter o peso corporal saudável;
. Ser fisicamente ativo;
. Evitar o consumo de bebidas alcoólicas;

O aleitamento materno também é um fator de proteção para o câncer de mama. Segundo recomendações atuais do Ministério da Saúde, toda mulher entre 50 e 69 anos deve procurar uma Unidade Básica de Saúde para realizar o exame de mamografia de rastreamento a cada dois anos.


Fran Martins
Ministério da Saúde
Categoria
Saúde e Vigilância Sanitária





Autor: Ministério da Saúde
Fonte: Ministério da Saúde
Sítio Online da Publicação: Ministério da Saúde
Data: 12/10/2022
Publicação Original: https://www.gov.br/saude/pt-br/assuntos/noticias/2022/outubro/cancer-de-mama-e-a-principal-causa-de-morte-por-cancer-em-mulheres-conheca-os-fatores-de-risco

quinta-feira, 9 de junho de 2022

A formulação dos hormônios usados na terapia hormonal influencia no risco de câncer de mama?

Um artigo pulicado no Obstetrics & Gynecology em maio de 2022, avaliou se a formulação (mais especificamente o tipo de estrogênio e progestágeno) usada na terapia hormonal (TH) em mulheres climatéricas teve influência sobre o risco de câncer de mama.

Análise recente

A TH é o tratamento mais eficaz para os sintomas vasomotores em mulheres na peri e pós-menopausa. Um grande estudo conhecido como Women’s Health Initiative (WHI), desenvolvido no início dos anos 2000, foi um grande marco para a prescrição da TH. O estudo mostrou outros benefícios, além da melhora dos sintomas vasomotores, mas chamou atenção para o aumento do risco de câncer de mama quando usado o estrogênio (equino conjugado) associado a progesterona. Quando o mesmo estrogênio era usado isoladamente esse aumento não foi visto e nem no uso de estrogênios bioidênticos em estudos posteriores.



O risco de câncer de mama, então, parece estar ligado ao uso das diversas progesteronas. É o que vem sinalizando a literatura.

No mercado encontramos dois grandes tipos de progestágenos para uso em TH: a progesterona micronizada, dita também bioidêntica, e as progestinas ou progesteronas sintéticas. A literatura aponta que essas progestinas como o levonorgestrel, a medroxiprogesterona e a noretisterona parecem aumentar o risco de câncer de mama em suas usuárias, mas a progesterona bioidêntica não.

Esse estudo foi um estudo observacional do tipo caso-controle, desenvolvido com dados britânicos do U.K. Clinical Practice Research Datalink, com registros de 1995 a 2014.

Com mais de 14 milhões de mulheres registradas no banco de dados, foram elegíveis 561.379 mulheres (50 a 75 anos), divididas em dois grupos: câncer de mama (n=43.183) e ausência da doença (n=431.830).

Foram estudados quatro componentes das formulações de TH: estrogênio bioidêntico, estrogênio equino conjugado, progesterona micronizada e progesterona sintética.

Houve um aumento significativo no risco de câncer de mama entre mulheres que relataram ter usado TH em algum momento prévio ao diagnóstico da neoplasia, quando comparadas com mulheres que nunca haviam feito uso de TH (OR 1,12, IC 95% 1,09–1,15). Na análise estratificada, embora o tipo de estrogênio parece não estar associado ao aumento no risco, o risco de câncer de mama foi maior entre as mulheres que relataram uso de progestinas, as progesteronas sintéticas (OR 1,28, IC 95% 1,22– 1,35).

Esses resultados se mantiveram, mesmo quando a análise foi restrita a mulheres de 50 a 60 anos.

Mensagem final

Após o WHI, a prescrição de TH para o tratamento de sintomas vasomotores em mulheres pós-menopausa caiu muito pelo receio de aumento do risco de câncer de mama em usuárias. Entretanto, o uso de TH é o tratamento mais eficaz dessa condição, melhorando qualidade de vida, qualidade do sono e até reduzindo risco de doenças cardiovasculares.

As conclusões dos autores são que o tipo de estrogênio usado na TH parece não influenciar no risco de câncer de mama, mas o tipo de progestágeno sim. E sugerem que essas progesteronas sintéticas, que parecem estar associadas a maior risco de câncer de mama, sejam descontinuadas dessas formulações para esse objetivo.





Autor: Ênio Luis Damaso
Fonte: PEBMED
Sítio Online da Publicação: PEBMED
Data: 09/06/2022
Publicação Original: https://pebmed.com.br/a-formulacao-dos-hormonios-usados-na-terapia-hormonal-influencia-no-risco-de-cancer-de-mama/

terça-feira, 19 de outubro de 2021

Amamentação e câncer de mama

O câncer de mama é o tipo de câncer mais comum entre mulheres do mundo inteiro. A doença, bem como o seu tratamento podem provocar impactos negativos de diversas maneiras para o processo de amamentação, trazendo sobretudo morbidades para a saúde da mãe e bebê.



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Impactos negativos do câncer de mama na amamentação
Medicamentos: Medicamentos usados para tratar o câncer de mama podem ser incompatíveis com o período de lactação ou produzirem efeitos de redução na produção de leite, dessa forma, a amamentação deve ser interrompida durante o uso da medicação incompatíveis ou caso seja compatível, complementada com leite artificial;
Cirurgia mamária: Procedimentos cirúrgicos podem comprometer a capacidade lactacional de maneira irreversível da mama. Em casos de mastectomia total, em torno de 95% ou mais do parênquima da mama é removido, podendo incluir até o complexo aréolo mamilar. Mesmo que permaneça algum tecido mamário residual, a mama será incapaz de produzir leite em uma quantidade adequada para as demandas do bebê.
Radioterapia: essa modalidade de tratamento promove uma processo de fibrose patológica, fazendo com que os ductos lactíferos se proliferam durante o período gestacional. Também podem provocar alteração na característica de elasticidade do complexo aréolo mamilar dificultando a pega do bebê e alterações no sabor do leite aumentando o risco de recusa do bebê.
Quimioterapia: provoca impactos na capacidade de produção láctea durante o tratamento.

Em mulheres que apresentaram câncer de mama antes do período gestacional e lactação e obtiveram a cura, é importante enfatizar que não está contra indicado a amamentação. Entretanto, caso haja baixa produção de leite, não é recomendado o uso de galactagogos ou medicações que aumentam os níveis de prolactina, por estarem associados ao maior risco de tumorigênese. O acompanhamento com equipe multiprofissional deve ser realizado e estratégias para aumento da produção de leite com bomba extratora podem ser benéficas em alguns casos.

Em mulheres que apresentam câncer de mama durante a fase de lactação, não há, até o momento, evidências científicas que comprovem riscos para o bebê da ingestão de leite materno diretamente da mama adoecida. Entretanto, durante o tratamento com quimioterapia, o aleitamento materno deve ser suspenso pois há risco de neutropenia infantil. A amamentação pode ser retomada após o período de metabolização da droga no organismo, se a mulher desejar. Entretanto é importante lembrar que a quimioterapia provoca redução na capacidade de produção de leite de ambas as mamas, sendo necessário a complementação com leite artificial.

Caso a decisão seja pelo desmame, não é recomendado que ele seja de forma abrupta, pois há risco de crescimento tumoral. O desmame deve ser feito gradualmente, utilizando medicações como a cabergolina.

Rastreamento

O rastreamento de rotina para câncer de mama em mulheres que estão amamentando, não está contra indicado, uma vez que os exames radiológicos usados para rastreio como mamografia, ultrassonografia de mama e ressonância magnética de mama com contraste são compatíveis com o processo de lactação. Entretanto, essa deve ser uma conduta individualizada, pautada nos riscos pessoas do desenvolvimento de câncer de mama de cada mulher.

Durante a fase de lactação, as mamas apresentam características específicas desse período que podem interferir na aparência das imagens como hipervascularização, ductos lactíferos dilatados devido a presença de leite, maior densidade do parênquima mamário. Dessa forma o ideal esvaziar a mama antes do exame para reduzir a quantidade de leite, melhorando a sensibilidade do exame. Caso contrário, as chances de resultados falso positivos são maiores.

No aplicativo Nursebook você encontra conteúdos completos sobre câncer de mama e amamentação, e como deve ser realizada a assistência de enfermagem nesses casos.





Autor: Nathalia Schuengue
Fonte: pebmed
Sítio Online da Publicação: pebmed
Data: 19/10/2021
Publicação Original: https://pebmed.com.br/amamentacao-e-cancer-de-mama/

quarta-feira, 21 de outubro de 2020

Superação e autocuidado: mulheres com câncer de mama compartilham histórias no Outubro Rosa



Ministério da Saúde reforça importância do diagnóstico precoce e do tratamento adequado durante o mês destinado à saúde da mulher


Mulheres que ainda lutam ou que já venceram o câncer de mama compartilham histórias de superação. Durante o Outubro Rosa, a importância da prevenção, do diagnóstico precoce e do tratamento adequado é reforçada, para incentivar a população feminina a olhar para si e dar atenção ao seu corpo.

A campanha do Ministério da Saúde para reforçar o autocuidado das mulheres no mês de outubro, alertou Silvana Alves Viana, de 47 anos, no ano passado. “O câncer é uma doença silenciosa. Em determinado momento, eu falei que pelo menos o ‘toque nas mamas’ eu iria me propor a fazer com frequência. Em um desses que eu fiz, eu vi que tinha um nódulo”, conta a consultora, que ficou atenta aos sinais do próprio corpo, após a campanha de conscientização.

Para ela, o câncer foi uma experiência transformadora - para o bem e para o mal - que a proporcionou ver a vida de outra forma. Hoje, Silvana relata a conscientização que a doença lhe trouxe por conta do diagnóstico precoce.

“Eu acho que eu descobri o câncer, a tempo ainda de não ter um tratamento mais agressivo, por causa dessas campanhas. Se tem algo importante para ser feito é reforçar esse tipo de comunicação. Quanto mais cedo você descobrir, maior o percentual de cura”, concluiu a consultora, que segue em tratamento.
PREVENÇÃO

O Ministério da Saúde recomenda que mulheres entre 50 e 69 anos façam a mamografia a cada dois anos, mesmo que não apresentem sintomas da doença. Foi através de um exame preventivo que, em 2015, a bibliotecária Rosa Maria de Abreu Carvalho, de 58 anos, descobriu que estava com câncer de mama.

“Descobri a doença quando ela estava bem no início, por conta de o diagnóstico ter saído de um exame preventivo. Eu sou do tipo ‘dos males o menor’: retirei a mama toda, a esquerda, e já coloquei a prótese”, contou Rosa, dizendo que o humor e a autoestima lhe ajudaram a superar o tratamento com quimioterapia e radioterapia.

Rosa pede que as mulheres não tenham receio de um possível diagnóstico positivo: “Faça o exame de toque, que pode detectar já bem no início alguma alteração na mama. Tudo tem que ser diagnosticado, não tenham medo”, reforça.

“A campanha do Outubro Rosa na televisão, no seu trabalho, em um folheto, é muito importante para ela se lembrar de olhar para si própria, para se cuidar, porque a prevenção ainda é o melhor remédio”, concluiu a bibliotecária.
ATENDIMENTO

O Sistema Único de Saúde (SUS) oferta atenção integral à prevenção e ao tratamento do câncer de mama. A assistência passa pelo diagnóstico precoce e pelo rastreio mamográfico, quando indicado pelo médico.

Enfermeira há 30 anos, Maria Lúcia Pereira Machado Nobre, de 56 anos, é uma das profissionais de saúde responsáveis por cuidar das brasileiras na Atenção Primária. No atendimento, ela acolhe as mulheres e monitora se as pacientes fizeram os exames preventivos das mamas e do colo do útero.

“A gente faz um primeiro atendimento e vai ver todo o estado dessa mulher. A gente não vai ver só a questão do preventivo, vai ver o lado emocional, psicológico. Vai ver essa mulher como um todo”, explica a enfermeira da Unidade Básica de Saúde (UBS) Nova Colina, em Sobradinho (DF).

Lúcia, como gosta de ser chamada e é conhecida por colegas e pacientes, relembra as mulheres que foram atendidas em sua sala e que tiveram diagnósticos positivos para câncer de mama.

“Eu tive casos de mulheres que detectaram casos de câncer e que já tinha muitos anos que elas não faziam o preventivo. Eram mulheres que vinham várias vezes aqui na unidade, mas acompanhando outras pessoas. Eu sempre bato muito na tecla da necessidade de a mulher conhecer o seu corpo. Essa questão do toque eu acho muito importante”.

Para a enfermeira, a campanha do Outubro Rosa faz toda a diferença nos cuidados da saúde da mulher. Mas ela ressalta que o alerta deve ficar ligado durante o ano todo.

“Em todo o atendimento a gente fala que não precisa ser no Outubro Rosa, mas a gente sabe que esse mês é um momento que tem essa intensificação, é quando as mulheres procuram mais”, diz Lúcia.

Saiba mais sobre câncer de mama e do colo do útero em www.inca.gov.br.




Por Marina Pagno
Ministério da Saúde
(61) 3315-3580/2005




Autor: Ministério da Saúde
Fonte: Ministério da Saúde
Sítio Online da Publicação: Ministério da Saúde
Data: 08/10/20
Publicação Original: https://antigo.saude.gov.br/noticias/agencia-saude/47588-superacao-e-autocuidado-mulheres-com-cancer-de-mama-compartilham-historias-no-outubro-rosa

sexta-feira, 16 de outubro de 2020

Câncer de mama




O câncer de mama é uma doença causada pela multiplicação desordenada de células da mama. Esse processo gera células anormais que se multiplicam, formando um tumor.

Há vários tipos de câncer de mama. Por isso, a doença pode evoluir de diferentes formas. Alguns tipos têm desenvolvimento rápido, enquanto outros crescem mais lentamente. Esses comportamentos distintos se devem a característica próprias de cada tumor. O câncer de mama também acomete homens, porém é raro, representando apenas 1% do total de casos da doença.

Existe tratamento para câncer de mama, e o Ministério da Saúde oferece atendimento por meio do Sistema Único de Saúde (SUS).

Atenção: A informação existente neste portal pretende apoiar e não substituir a consulta médica. Procure sempre uma avaliação pessoal com o Serviço de Saúde.

O câncer de mama pode ser percebido em fases iniciais, na maioria dos casos, por meio dos seguintes sinais e sintomas:
Nódulo (caroço), fixo e geralmente indolor: é a principal manifestação da doença, estando presente em cerca de 90% dos casos quando o câncer é percebido pela própria mulher
Pele da mama avermelhada, retraída ou parecida com casca de laranja
Alterações no bico do peito (mamilo)
Pequenos nódulos nas axilas ou no pescoço
Saída espontânea de líquido anormal pelos mamilos

Esses sinais e sintomas devem sempre ser investigados por um médico para que seja avaliado o risco de se tratar de câncer.

É importante que as mulheres observem suas mamas sempre que se sentirem confortáveis para tal (seja no banho, no momento da troca de roupa ou em outra situação do cotidiano), sem técnica específica, valorizando a descoberta casual de pequenas alterações mamárias.

Em caso de permanecerem as alterações, elas devem procurar logo os serviços de saúde para avaliação diagnóstica.

A postura atenta das mulheres em relação à saúde das mamas é fundamental para a detecção precoce do câncer da mama.


Detecção precoce


O câncer de mama pode ser detectado em fases iniciais, em grande parte dos casos, aumentando assim a possibilidade de tratamentos menos agressivos e com taxas de sucesso satisfatórias.
Todas as mulheres, independentemente da idade, devem ser estimuladas a conhecer seu corpo para saber o que é e o que não é normal em suas mamas. A maior parte dos cânceres de mama é descoberta pelas próprias mulheres.
Além disso, o Ministério da Saúde recomenda que a mamografia de rastreamento (exame realizado quando não há sinais nem sintomas suspeitos) seja ofertada para mulheres entre 50 e 69 anos, a cada dois anos.
A recomendação brasileira segue a orientação da Organização Mundial da Saúde e de países que adotam o rastreamento mamográfico.
Mamografia é uma radiografia das mamas feita por um equipamento de raios X chamado mamógrafo, capaz de identificar alterações suspeitas de câncer antes do surgimento dos sintomas, ou seja, antes que seja palpada qualquer alteração nas mamas.
Mulheres com risco elevado de câncer de mama devem conversar com seu médico para avaliação do risco e definição da conduta a ser adotada.
A mamografia de rastreamento pode ajudar a reduzir a mortalidade por câncer de mama, mas também expõe a mulher a alguns riscos. Os principais benefícios e riscos desse exame são:
Benefícios:
Encontrar o câncer no início e permitir um tratamento menos agressivo.
Menor chance de a paciente morrer por câncer de mama, em função do tratamento precoce.


Riscos:


Resultados incorretos:
Suspeita de câncer de mama, sem que se confirme a doença. Esse alarme falso (resultado falso positivo) gera ansiedade e estresse, além da necessidade de outros exames.
Câncer existente, mas resultado normal (resultado falso negativo). Esse erro gera falsa segurança à mulher.
Ser diagnosticada e submetida a tratamento, com cirurgia (retirada parcial ou total da mama), quimioterapia e/ou radioterapia, de um câncer que não ameaçaria a vida. Isso ocorre em virtude do crescimento lento de certos tipos de câncer de mama.
Exposição aos Raios X. Raramente causa câncer, mas há um discreto aumento do risco quanto mais frequente é a exposição. Esse dado não deve desestimular as mulheres a se submeterem à mamografia, já que a exposição ao Raio X durante esse exame é bem pequena, tornando o método bastante seguro para a detecção precoce.

A mamografia diagnóstica, exame realizado com a finalidade de investigação de lesões suspeitas da mama, pode ser solicitada em qualquer idade, a critério médico. Ainda assim, a mamografia diagnóstica não apresenta uma boa sensibilidade em mulheres jovens, pois nessa idade as mamas são mais densas, e o exame apresenta muitos resultados incorretos.

O SUS oferece exame de mamografia para todas as idades, conforme indicação médica.

Saiba mais em cartilha Câncer de mama: vamos falar sobre isso?

Autor: Inca
Fonte: Inca
Sítio Online da Publicação: Inca
Data: 16/10/2020
Publicação Original: https://www.inca.gov.br/tipos-de-cancer/cancer-de-mama

terça-feira, 18 de agosto de 2020

Fiocruz fornece ao SUS medicamento para câncer de mama


A Fundação Oswaldo Cruz, através do Instituto de Tecnologia em Imunobiológicos (Bio-Manguinhos/Fiocruz), passou a fornecer em agosto o medicamento trastuzumabe para o Ministério da Saúde (MS), que o disponibiliza de forma gratuita no Sistema Único de Saúde (SUS). Trata-se de mais um oncológico fornecido por Bio-Manguinhos/Fiocruz, que introduziu esta linha em 2020 em seu portfólio (juntamente com o rituximabe para o tratamento de linfomas não-Hodgkin - linfoma de grandes células B e linfoma folicular, além de artrite reumatoide). O trastuzumabe é um anticorpo monoclonal indicado no SUS para o tratamento de subtipo de câncer de mama identificado pela superexpressão do gene HER2.

O fornecimento ocorre a partir da Política de Parceria para o Desenvolvimento Produtivo (PDP) e acordo de transferência de tecnologia assinado com a Samsung Bioepis, detentora da tecnologia, e a Bionovis. Através da PDP, Bio-Manguinhos/Fiocruz e a Bionovis recebem a tecnologia da Samsung Bioepis e incorporam o biossimilar em seus portfolios, sendo a primeira etapa a importação, distribuição e absorção do controle de qualidade.

A incorporação do novo biofármaco é mais um dos recentes marcos de consolidação do papel de Bio-Manguinhos/Fiocruz na redução da dependência produtiva e tecnológica externa, potencializa a sustentabilidade econômico-financeira do Sistema Único de Saúde (SUS) e traz garantia de fornecimento às pacientes brasileiras, colaborando ainda para o fortalecimento do Complexo Industrial da Saúde – uma necessidade estratégica confirmada pela atual pandemia da Covid-19.

Ao longo das etapas da transferência de tecnologia do trastuzumabe, ocorrerá também, por exemplo, o aprendizado e domínio do processo de produção de Insumo Farmacêutico Ativo (IFA) em escala piloto em Bio-Manguinhos e, posterior, escalonamento para a escala industrial na Bionovis, fortalecendo a cadeia de inovação biofarmacêutica nas Instituições e no país. Ao final da PDP, Bio-Manguinhos e Bionovis produzirão integralmente o trastuzumabe no Brasil, demarcando o domínio da tecnologia e da capacidade para atender o SUS com produto 100% nacional.

Uso no trastuzumabe no SUS

A PDP entre Bio-Manguinhos/Fiocruz, Samsung Bioepis e Bionovis atenderá às pacientes de câncer de mama HER2 positivo inicial e metastático em primeira linha de tratamento no SUS, conforme Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas do Ministério da Saúde (PCDT).

O câncer de mama é categorizado em três subtipos principais relacionados à presença ou ausência de marcadores moleculares para receptores de estrogênio ou progesterona e fator de crescimento epidérmico humano 2 (HER2): HER2 negativo (70-80% dos pacientes), HER2 positivo (15-20%) e triplo-negativo (tumores sem os três marcadores moleculares padrão; 13-15%). No Brasil, estima-se que a incidência anual de câncer de mama seja de 67 mil novos casos, sendo que 20% correspondem ao tipo HER2 positivo (13.400 casos/ano), dos quais 80% são tratados no SUS - ou seja, em torno de 10.700 pacientes.

Biossimilar para oncologia

A PDP permite a Bio-Manguinhos incluir o novo biofármaco, considerado estratégico pelo Ministério da Saúde, em seu portfólio. O trastuzumabe que passa a ser oferecido na rede pública de saúde é um biossimilar aprovado no Brasil desde 2019, que, garante a mesma eficácia, segurança e perfil farmacológico – farmacocinética e farmacodinâmica que o medicamento de referência.

O Instituto já possui outros biossimilares em seu portfólio: o etanercepte, indicado no tratamento de pacientes adultos com doenças autoimunes, como artrite reumatoide, artrite psoriásica e espondilite anquilosante; a somatropina, usada no tratamento de pacientes portadores de hipopituitarismo (deficiência do hormônio do crescimento humano) e síndrome de Turner (doença genética que causa baixa estatura em mulheres); e o rituximabe, usado no tratamento de pacientes com artrite reumatoide e também para oncologia, no tratamento de linfomas não-Hodgkin .

De acordo com o diretor de Bio-Manguinhos/Fiocruz, Mauricio Zuma, “é de extrema importância poder contribuir com a ampliação do acesso às mulheres de forma gratuita no SUS, ao tratamento à forma de câncer de mama mais comum entre as brasileiras, com o principal medicamento utilizado para os casos tipo HER2+”.

Odnir Finotti, diretor-presidente da Bionovis, explica que “para receber e implementar a tecnologia de produção integral do trastuzumabe, a Bionovis está realizando investimentos expressivos na construção de uma planta industrial de classe mundial, na contratação e treinamento de recursos humanos altamente qualificados e no estabelecimento de laboratórios e infraestrutura, que contribuirão para inserir o Brasil entre os países que dominam a biotecnologia farmacêutica, conhecimento estratégico para garantir o acesso aos pacientes brasileiros e a soberania tecnológica do país. Todo esse esforço já é consequência das Parcerias para o Desenvolvimento Produtivo, estratégia inteligente, de longo prazo, que tem sido capaz de estimular o estabelecimento da indústria biotecnológica no Brasil”.

Mesma eficácia e segurança

O trastuzumabe fruto da PDP é um medicamento que mantém o perfil de eficácia, segurança e qualidade esperado para o trastuzumabe referência. O produto passou por todos os testes de comparabilidade e estudos clínicos, requisitos adotados internacionalmente para comprovar a eficácia de medicamentos biológicos. Além da Anvisa, este trastuzumabe também foi aprovado pelas principais agências regulatórias de medicamentos do mundo, entre elas a FDA (Food and Drug Administration), dos EUA; a EMA (European Medicines Agency), da Europa; entre outras - e foi lançado em 23 países -, sendo o primeiro trastuzumabe aprovado na Europa e o único pré-qualificado pela Organização Mundial da Saúde (OMS).




Autor: Bio-Manguinhos/Fiocruz
Fonte: Fiocruz
Sítio Online da Publicação: Fiocruz
Data: 17/08/2020
Publicação Original: https://portal.fiocruz.br/noticia/fiocruz-fornece-ao-sus-medicamento-para-cancer-de-mama

terça-feira, 8 de outubro de 2019

TOP 5 da semana: tratamentos para câncer de mama, fitoterápicos e mais!

mulher com o laço de prevenção do câncer de mama

O editor-chefe médico do Portal, Ronaldo Gismondi, apresenta mais um TOP 5, com os temas mais acessados da última semana! São eles:  novos tratamentos para o câncer de mama, fitoterápicos, uso da ondansetrona na gravidez, suspensão da importação de ranitidina e cannabis medicinal. Confira no player abaixo:


Autor: Clara Barreto
Fonte: PebMed
Sítio Online da Publicação: PebMed
Data: 07/10/2019
Publicação Original: https://pebmed.com.br/top-5-da-semana-tratamentos-para-cancer-de-mama-fitoterapicos-e-mais/

sexta-feira, 8 de fevereiro de 2019

Veja novidades na prática clínica em mastologia e câncer de mama

Um dos grandes eventos em oncologia, o San Antonio Breast Cancer Simposium (SABCS), ocorreu no fim do ano passado e dentre muitas palestras e discussões, destacamos a seguir as novidades mais importantes e que vão impactar a conduta médica:

1. O estudo fase 3 KATHERINE demonstrou que o uso de ado-trastuzumabe emtansine (T-DM1) (Trastuzumabe entansina) no grupo de paciente com HER-2 +, câncer de mama em estágio inicial que receberam quimioterapia e trastuzumabe antes da cirurgia e apresentam doença residual após a excisão, há redução de risco de recorrência de câncer de mama ou morte em 50%, se comparado ao uso de trastuzumabe sozinho.

2. Uso de OXIBUTININA para tratar ondas de calor. A oxibutinina, é um anticolinérgico usado para tratamento da incontinência urinária devido à bexiga hiperativa e mostrou-se muito eficaz no tratamento das ondas de calor ou fogachos em sobreviventes de câncer de mama. Houve uma redução significativa na frequência e gravidade dos fogachos como melhoria no trabalho, atividades sociais, lazer, sono e qualidade de vida em geral.

3. Baixa dose de Tamoxifeno para CDIS. Uma dose de 5 mg/dia em vez de 20 mg/dia por um período de tratamento menor (três anos em vez de cinco anos) para pacientes com CDIS (carcinoma ductal in situ), CLIS (carcinoma lobular in situ) ou hiperplasia ductal atípica (HDA) reduziu pela metade a recorrência de novos eventos de câncer de mama em comparação com placebo em um grande estudo italiano. Ensaio clínico de fase 3 com 500 doentes, 5,5% dos enfermos. No braço de tamoxifeno de baixa dosagem tiveram recorrência da doença ou nova doença, incluindo doença invasiva, em comparação com 11,3% no braço placebo. Como o tamoxifeno vem em comprimidos de 10 mg, oferecer 10 mg a cada dois dias é aplicável na prática clínica.

4. Exercício físico preserva função cardiovascular em pacientes com câncer de mama. Um programa de exercício estruturado de um ano, iniciado 3 semanas após a cirurgia para o câncer de mama precoce, atenuou significativamente os declínios esperados na função cardiovascular, à medida que os pacientes continuavam com o tratamento, segundo o estudo randomizado norueguês e controlado por placebo. O programa foi realizado ao ar livre e incluiu aeróbica e alongamento, permitiu a recuperação quase total da função cardiovascular em 12 meses.

5. Radiação parcial da mama para o câncer de mama inicial. A irradiação parcial acelerada da mama (PBI), embora não seja 100% equivalente à irradiação total da mama (WBI) para o controle da doença em pacientes com câncer de mama em estágio inicial, oferece resultados tão semelhantes, podendo ser considerada uma opção de tratamento. Foi o que constatou um acompanhamento a longo prazo deste estudo. o PBI limita a irradiação apenas à região da cavidade da lumpectomia, então o período de tratamento é reduzido para cinco dias ou menos.




Autor: Adriana Marinho Dapont
Fonte: PEBMED
Sítio Online da Publicação: PEBMED
Data: 08/02/2019
Publicação Original: https://pebmed.com.br/veja-novidades-na-pratica-clinica-em-mastologia-e-cancer-de-mama/

sexta-feira, 18 de janeiro de 2019

Câncer de mama: inibidores de aromatase são boa opção para prevenção?







O câncer de mama é o câncer mais comum em mulheres em todo o mundo, excluindo câncer de pele não-melanoma. Estima-se que uma a oito mulheres serão diagnosticadas com a doença em algum momento de suas vidas. O uso de tamoxifeno e raloxifeno é recomendado para prevenção primária em pacientes consideradas de alto risco para câncer de mama desde 2013. Recentemente, o US Preventive Services Task Force (USPSTF) incluiu também os inibidores de aromatase (anastrozol) como possibilidade para quimioprofilaxia da doença.

As pacientes consideradas de alto risco para câncer de mama e que podem se beneficiar do medicamento são as que apresentam:
hiperplasia ductal ou lobular atípica ou carcinoma lobular in situ em biópsia prévia;
idade maior ou igual a 65 anos com familiar de 1º grau com câncer de mama;
idade maior ou igual a 45 anos com mais de um familiar de primeiro grau com câncer de mama ou um familiar de 1º grau com câncer de mama diagnosticado antes dos 50 anos de idade;
idade maior ou igual a 40 anos com familiar de 1o grau com câncer de mama bilateral.

Outra possibilidade para essa avaliação é utilizar uma das diversas ferramentas disponíveis para estimar o risco da paciente em relação ao da população geral, considerando idade, história familiar, mutação nos genes BRCA1/2, dentre outros fatores. Um exemplo é a calculadora do National Cancer Institute.

Ainda não há consenso sobre os pontos de corte que definem o alto risco, mas sugere-se que a paciente que poderia se beneficiar da quimioprofilaxia é a que apresenta risco de câncer de mama nos próximos cinco anos de pelo menos 3%.

O projeto do USPSTF de inclusão dos inibidores de aromatase é baseado em uma metanálise de ensaios clínicos randomizados, que evidenciou que o uso dos inibidores de aromatase foi capaz de reduzir a incidência de câncer de mama invasivo em 16 eventos a cada mil mulheres em um período de cinco anos. O tempo de uso da quimioprofilaxia é de três a cinco anos.


No entanto, os dados sobre os riscos do uso deste medicamento ainda são limitados, especialmente a longo prazo. Alguns estudos mostram que há uma tendência de aumento de efeitos cardiovasculares com uso de inibidores de aromatase no tratamento de câncer de mama em estágios iniciais, mas que não é estatisticamente significativo quando comparado ao tamoxifeno. O uso do anastrozol também aumenta o risco de fraturas quando comparado com o raloxifeno.

O ACOG e o American Cancer Society ainda não têm recomendação formal sobre o uso de inibidores de aromatase para esta finalidade.



Autor: Julianna Vasconcelos Gomes
Fonte: PEBMED
Sítio Online da Publicação: PEBMED
Data: 18/01/2019
Publicação Original: https://pebmed.com.br/cancer-de-mama-inibidores-de-aromatase-sao-boa-opcao-para-prevencao/

segunda-feira, 15 de outubro de 2018

Outubro rosa alerta sobre prevenção do câncer de mama

O mês de outubro já é conhecido mundialmente como um mês marcado por ações afirmativas relacionadas à prevenção e diagnóstico precoce do câncer de mama. O movimento, conhecido como Outubro Rosa, é celebrado anualmente desde os anos 1990. O objetivo da campanha é compartilhar informações sobre o câncer de mama e, mais recentemente, câncer do colo do útero, promovendo a conscientização sobre as doenças, proporcionando maior acesso aos serviços de diagnóstico e contribuindo para a redução da mortalidade.

O nome da campanha remete à cor do laço que é um símbolo internacional usado por indivíduos, empresas e organizações na luta e prevenção do câncer de mama. É por esse motivo que durante esse mês a cor rosa ilumina a fachada de diversas instituições públicas e privadas iluminam suas fachadas com objetivo promover indicar a adesão ao movimento.

O diagnóstico precoce ainda é o maior aliado para o tratamento eficaz do câncer de mama. Quando identificado cedo pode ser tratado, impedindo que o tumor alcance outros órgãos. O câncer de mama pode ser detectado em fases iniciais, em grande parte dos casos, aumentando assim as chances de tratamento e cura. A doença é causada pela multiplicação de células anormais da mama, que formam um tumor. Há vários tipos de câncer de mama. Alguns tipos têm desenvolvimento rápido enquanto outros são mais lentos.

Saiba mais sobre o câncer de mama, segundo tipo de câncer mais comum entre as mulheres no mundo e no Brasil – atrás apenas do de pele não melanoma –, respondendo por cerca de 28% dos casos novos a cada ano.



Autor: Blog da Saúde
Fonte: Fiocruz
Sítio Online da Publicação: Fiocruz
Data: 11/10/2018
Publicação Original: https://portal.fiocruz.br/noticia/outubro-rosa-alerta-sobre-prevencao-do-cancer-de-mama