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terça-feira, 21 de fevereiro de 2023

Check-up Semanal: telemedicina para risco cirúrgico, pancreatite aguda e mais!

No episódio de hoje do Check-up Semanal, nosso editor-chefe médico, Ronaldo Gismondi, traz os principais destaques da semana abordados no Portal PEBMED.

Confira os temas do check-up de hoje: telemedicina para risco cirúrgico, IOT em pediatria: escolha do tubo ideal, anti HAS no puerpério, novidades no tratamento da pancreatite aguda e qual corticoide usar na laringite.

Confira o episódio!

Para mais conteúdos como esse, acompanhe nosso canal no Spotify!


Leia na íntegra os artigos mencionados hoje:


Telemedicina para avaliação pré-operatória difere de avaliação presencial?

Intubação endotraqueal em pediatria: como escolher o tubo?

Relação entre anti-hipertensivos e reinternação por pré-eclâmpsia pós-parto.

O que há de novo no tratamento da pancreatite aguda?

Laringite: qual corticoide é mais eficaz no tratamento?

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Autor: Redação do Portal PEBMED
Fonte: PEBMED
Sítio Online da Publicação: PEBMED
Data: 20/02/2023
Publicação Original: https://pebmed.com.br/check-up-semanal-telemedicina-para-risco-cirurgico-pancreatite-aguda-e-mais/

segunda-feira, 10 de outubro de 2022

AAP 2022: Estudo analisa equidade da asma e determinantes sociais da saúde

Em coletiva de imprensa durante o AAP Experience 2022, Keri Carstairs, médica do Rady Children’s Hospital San Diego, mostrou resultados do estudo Creating a System to Identify Social Determinants of Health and Achieve Equitable Health Outcomes for Children with Asthma, em que atuou como autora principal. O Rady Children’s Health Network (RCHN) recebeu uma doação destinada a desenvolver um “Índice de Equidade em Saúde da Asma” (Asthma Health Equity Index) para redefinir como são capturados e exibidos dados que atendam as necessidades de uma abordagem padronizada com o objetivo de medir e rastrear estratégias de melhorias relacionadas à equidade em saúde.



Métodos

O hospital pilotou esse índice na população de asma grave recentemente atendida em seu departamento de emergência (DE). Muitas das crianças recebidas no setor vivem em bairros com desigualdades relacionadas à pobreza, qualidade do ar e fatores socioeconômicos e culturais. Os pacientes são principalmente hispânicos (56,1%). O índice estratifica dados do DE, dados demográficos e Determinantes Sociais da Saúde (Social Determinants of Health – SDOH) para identificar lacunas e intervenções com a crença compartilhada de que as disparidades representam danos evitáveis e trabalham para identificar processos e estruturas sistêmicos que promovem disparidades.

Para testar o índice, a Dra. Carstairs e sua equipe direcionaram as crianças com asma mal controlada que haviam sido recentemente atendidas no DE para contato telefônico feito por um coordenador de atendimento ao paciente, com o objetivo de identificar disparidades por meio de determinantes sociais de triagem de saúde para insegurança alimentar, moradia, transporte e uso de tabaco e, ao mesmo tempo, garantindo acompanhamento adequado e educação em asma para as famílias.


Resultados

Os pesquisadores observaram que raça e etnia foram fortemente associadas à insegurança alimentar (p<0,01), moradia instável (p<0,01) e uso de tabaco (p<0,01). O idioma diferente do inglês foi fortemente associado à insegurança alimentar (p <0,001), habitação instável (p <0,001) e também a problemas de transporte (p=0,05). Negros e outros foram 3 a 5 vezes mais propensos a habitação instável (p <0,001).


Os pacientes de origem hispânica eram três vezes mais propensos a apresentar insegurança alimentar (<0,001) e problemas de transporte (<0,001). Já os negros foram duas vezes mais propensos ao uso de tabaco/exposição ao fumo (<0,001). Os pacientes de língua espanhola tiveram 4,6 vezes mais chances de insegurança alimentar (<0,001) e duas vezes mais chances de moradia instável (<0,001) e transporte (0,03) quando comparados aos que falam a língua inglesa.


O estudo de Carstairs e colaboradores mostrou que o uso de um programa de informática permite a aplicação de uma lente de equidade para entender os determinantes sociais da saúde, identificar intervenções e acompanhar os desfechos em crianças que vivem com asma. Os autores observaram que as crianças que vivem com asma estavam em maior risco de SDOH se fossem hispânicas e fossem de famílias de língua espanhola. Destaca-se o fato de que o design é escalável para outras condições para identificar populações de alto risco e ajuda no desenvolvimento de ecossistemas comunitários para conexões de recursos.

Autor: AAP 2022: Estudo analisa equidade da asma e determinantes sociais da saúde

Índice tem como base a população de asma grave recentemente atendida no departamento de emergência (DE) de um hospital em San Diego, EUA.

O Portal PEBMED é destinado para médicos e demais profissionais de saúde. Nossos conteúdos informam panoramas recentes da medicina.

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Roberta Esteves Vieira de Castro
Fonte: pebmed
Sítio Online da Publicação: pebmed
Data: 10/10/2022
Publicação Original: https://pebmed.com.br/aap-2022-estudo-analisa-se-um-indice-de-equidade-da-asma-identifica-os-determinantes-sociais-da-saude/

segunda-feira, 29 de agosto de 2022

Comunicação em alça fechada e a segurança do paciente

Para que a comunicação seja efetiva, é necessário que todas as partes envolvidas compreendam a mensagem a ser transmitida. Apesar de parecer um conceito simples, muitas vezes, na prática, é um objetivo difícil de ser alcançado, podendo resultar em consequências indesejáveis e mesmo prejudiciais, assim, a comunicação em alça fechada pode ser fundamental para que esse objetivo seja alcançado.



Considera-se que falhas na comunicação desempenhem um importante papel em casos de erros médicos, sendo o estabelecimento de comunicação efetiva uma das metas internacionais de Segurança do Paciente estabelecidas pela Organização Mundial da Saúde (OMS).


De forma semelhante, estima-se que a maioria dos pacientes retém somente cerca de metade das informações que recebem dos profissionais de saúde durante as consultas clínicas. Ao mesmo tempo, os pacientes podem sentir-se envergonhados e hesitantes em admitir que não compreenderam o que lhes foi dito.


Em situações traumáticas e/ou estressantes, a possibilidade de que informações importantes sejam perdidas aumenta. Além disso, outros fatores como nível educacional, a linguagem utilizada, a presença de ruídos ou outros elementos distratores, entre outros, podem contribuir para que ocorram falhas de comunicação. Nesse contexto, o profissional de saúde precisa, não somente transmitir sua mensagem de forma clara e empática, mas também assegurar-se de que foi compreendido. A comunicação em alça fechada é uma estratégia útil para verificar a compreensão dos pacientes.


Série Comunicação Médica: Comunicação em alça fechada

O que é Comunicação em Alça Fechada?

Trata-se de uma técnica simples, baseada em evidências, que permite a confirmação imediata do entendimento do interlocutor. Por esse método, após as explicações dadas pelo profissional de saúde, os pacientes são convidados a dizer, em suas próprias palavras, o que compreenderam. Com isso, há a possibilidade de identificar, corrigir e esclarecer quaisquer mal-entendidos ou dúvidas que possam estar presentes.


Pesquisas sugerem que o uso dessa ferramenta é útil no engajamento de pacientes e seus familiares, aumentando a satisfação e contribuindo para a construção de vínculos de confiança. Além disso, é considerado efetivo independente de características demográficas, como sexo, idade, status socioeconômico, renda e grau de escolaridade. Por esses motivos, diversas agências internacionais relacionadas à qualidade em saúde, como a The Joint Commission, vêm recomendando sua utilização.


Como aplicar essa técnica na Prática?

A técnica é dividida em quatro estágios. No primeiro, a informação é transmitida pelo profissional de forma calma e clara, evitando-se uso de linguagem técnica e fazendo contato visual com o paciente e/ou familiares. Em seguida, pede-se ao paciente para que, por meio de suas próprias palavras, reconte o que lhe foi transmitido. Se dúvidas, mal-entendidos ou inseguranças forem percebidos, estes podem ser esclarecidos no terceiro estágio.


Nessa etapa do processo, o primeiro e o segundo estágios devem ser repetidos quantas vezes for necessário, tendo o profissional o cuidado de não utilizar expressões que responsabilizam o paciente pela não compreensão do discurso. Quando o profissional percebe que a informação foi transmitida de forma satisfatória, alcança-se o quarto estágio.


Exemplos de frases que podem ser utilizadas como facilitadores nesse processo são:


Para que eu tenha certeza de que eu me expressei adequadamente, pode me dizer nas suas próprias palavras o que o Sr(a). entendeu sobre o que discutimos?

O que o Sr(a). vai dizer para sua família sobre o que falamos hoje?

Usando suas próprias palavras, diga-me como o Sr(a). fará seu tratamento em casa?

Falamos sobre muitas coisas hoje, então gostaria de ter certeza de que eu as expliquei bem. Pode me dizer o que entendeu e quais nossos passos daqui para a frente?

Revisei seus exames e prontuário, mas gostaria de ouvir o que mais você pensa sobre o que está acontecendo. O Sr(a). poderia me contar o que está entendendo de tudo isso?

Mensagem final

A técnica de comunicação em alça fechada pode ser utilizada em diversas situações de comunicação entre profissionais de saúde e usuários. Consultas ambulatoriais, instruções para alta, conferências familiares e comunicação de más notícias são situações onde a aplicação da ferramenta se mostrou associada a maior adesão, menores taxas de readmissão e maior sensação de segurança.


Além de adequação da linguagem utilizada, é preciso que o profissional esteja atento a alguns detalhes, especialmente à linguagem não verbal (olhar o interlocutor nos olhos, manter postura relaxada, evitar olhar no relógio e/ou celular), para que pacientes e familiares se sintam acolhidos e participem satisfatoriamente de seu processo de cuidado.






Autor: Isabel Cristina Melo Mendes
Fonte: pebmed
Sítio Online da Publicação: pebmed
Data: 26/08/2022
Publicação Original: https://pebmed.com.br/serie-comunicacao-medica-comunicacao-em-alca-fechada/

domingo, 7 de agosto de 2022

Insegurança e ansiedade no aleitamento materno

“Quando nasce uma mãe, nasce a culpa”, frase dita por muitos e que, provavelmente, você já ouviu e/ou falou. Isso acontece porque desde o momento em que a mulher descobre estar grávida, surge o bebê imaginário, aquele que é idealizado em sonhos e pensamentos. Entretanto, quando o bebê real chega, ou seja, aquele que nasce, pode ser muito diferente ao da imaginação. Além disso, o cuidado com ele e seu desenvolvimento, inclusive, também podem ser diferentes daquilo que foi imaginado anteriormente.


Diante disso e das demandas geradas a partir da maternidade e da chegada de um novo membro da família, as puérperas podem desenvolver momentos de ansiedade, o que para Chemello, Levandowski e Donelli (2021, p.40), pode fazer parte da experiência materna, para algumas mães tais episódios podem se manifestar de forma exagerada, gerando “preocupações excessivas e/ou de um estado de tensão, insatisfação, insegurança, incerteza e medo diante da maternidade.”




Nesse sentido, uma situação que pode gerar quadro de ansiedade e, consequentemente, produzir insegurança para mulher, é a amamentação, tendo em vista que tal prática está permeada por muitos mitos, além de desinformação, conselhos não solicitados e opiniões diversas quanto ao ato de amamentar. Não é à toa que, em 1948, a Organização Mundial de Saúde (OMS) criou a Semana Mundial do Aleitamento Materno, cujo objetivo é incentivar a amamentação, o que corrobora para prevenção da mortalidade infantil.




Leia também: Como e quando o profissional de enfermagem pode orientar sobre aleitamento materno?




É notório que a intenção da mulher em realizar a amamentação é algo construído ao longo de sua vida, o que antecede até mesmo a gravidez. No entanto, quando ela se vê com o bebê real nos braços, permeada por diferentes obstáculos advindos dos primeiros dias do puerpério, emergem preocupações, inseguranças e incertezas quanto à decisão tomada. A puérpera percebe que amamentar um bebê não é instintivo como ocorre com outras espécies de mamíferos ou é compartilhado por diferentes meios de comunicação que veiculam propagandas de incentivo à amamentação. É importante salientar que algumas mídias digitais ou campanhas governamentais quando abordam o tema amamentação, apenas retratam a imagem de mulheres sorrindo, lindas, maquiadas, segurando seu bebê nos braços enquanto amamentam.


Questionamentos

No entanto, a mulher que vivencia problemas como: dor do pós-parto, baby blues, privação do sono, dificuldade de fazer a pega para o bebê mamar, fissura nos mamilos ou problemas para o ganho de peso de seu filho, pode começar a repensar sobre sua capacidade de amamentar ou ter questionamentos sobre a qualidade de seu leite (“Existe leite fraco?”, “Estou com produção suficiente?”, ‘Meu bebê está com fome?”). Assim, observa-se que a ansiedade e a insegurança ficam cada vez mais evidentes diante dos mitos e tabus que pairam a amamentação.



Nesse contexto, destaca-se a importância do profissional de enfermagem que desenvolve um papel fundamental para consolidação das políticas públicas e promoção do desenvolvimento humano com qualidade. Suas atividades são pautadas em preceitos éticos, legais, técnicos e científicos que valorizam o saber dos indivíduos na sociedade. Durante o pré-natal, tais profissionais buscam compreender os questionamentos que emergem sobre o processo de amamentação, a fim de promover orientações eficazes para empoderar a mulher e sua rede de apoio, haja vista que as tradições e mitos de cada família vão passando de geração em geração


Neste cenário, é importante frisar que as orientações, ainda no período gestacional, devem englobar questões sobre como fazer uma boa pega, quais as posições possíveis para amamentar, o que é esperado nos primeiros dias de vida do bebê, os principais sinais e sintomas de alerta para que mulher e sua família saibam quando buscar ajuda profissional. Esse conjunto de ações assertivas fará com que a puérpera e sua rede de apoio conheçam o que está por vir, incluindo as sensações e sentimentos que podem surgir em decorrência da gestação, parto e puerpério.


Mensagem final

Desta forma, conclui-se que a acessibilidade ao conhecimento e o protagonismo que quem vivencia o processo possibilitam minimizar eventuais situações adversas, ao mesmo tempo que fortalece o ato de amamentar, minimizando, desta forma, as chances do surgimento de insegurança e ansiedade diante do medo do desconhecido.






Autor: Isabelle Gaspar
Fonte: PEBMED
Sítio Online da Publicação: PEBMED
Data: 02/08/2022
Publicação Original: https://pebmed.com.br/inseguranca-e-ansiedade-no-aleitamento-materno/

quinta-feira, 28 de julho de 2022

Revista PEBMED – Emergências Pediátricas está disponível para download gratuito

Já está disponível para download gratuito a Revista PEBMED – Emergências Pediátricas! Com o foco em emergências da pediatria, a oitava edição da revista faz uma revisão dos temas mais relevantes do plantão. O material pode ser acessado pelos usuários logados do Portal PEBMED.

De acordo com o editorial, assinado pela editora da revista e do Portal PEBMED, a pediatra Roberta Castro, as crianças têm necessidades médicas únicas se comparadas aos adultos. Vão desde as diferenças anatômicas, fisiológicas e de desenvolvimento cognitivo até as diferenças emocionais. Nesse sentido, o editorial faz um convite ao médico para lançar um olhar único aos pacientes infantis, tanto na Clínica Médica quanto em outras especialidades.



Nesta edição da Revista PEBMED – Emergências Pediátricas, os artigos abordam temas como: anafilaxias e arritmias (temidas por quem não é cardiologista) e asma e bronquiolite (que voltam a lotar os prontos-socorros de todo o país durante o inverno). Além disso, o leitor vai encontrar textos sobre cetoacidose diabética, febre de origem indeterminada, pneumonia, síndrome inflamatória multissistêmica e traumatismo cranioencefálico.

Ainda de acordo com Castro, apesar de todo o avanço da Ciência, há muitos locais sem recursos adequados e profissionais sem as habilidades necessárias para conduzir um atendimento pediátrico de excelência. “As dificuldades vão muito além e englobam também horas de trabalho extenuantes e famílias de diferentes comportamentos, com as quais precisamos saber lidar com profissionalismo e empatia”, comenta a pediatra.

Acompanhe a live da lançamento da revista: hoje, às 19 horas, pelo Youtube da PEBMED. Também haverá transmissão aqui pelo Portal PEBMED. Clique aqui para acessar a live!






Autor: pebmed
Fonte: pebmed
Sítio Online da Publicação: pebmed
Data: 28/07/2022
Publicação Original: https://pebmed.com.br/revista-pebmed-emergencias-pediatricas-esta-disponivel-para-download-gratuito/

segunda-feira, 25 de julho de 2022

25 de julho: Dia Mundial de Prevenção do Afogamento

Em 14 de julho de 2021, a Resolução 75/76 adotada na Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU) consagrou o dia 25 de julho como o Dia Mundial de Prevenção do Afogamento.

Aproximadamente, 236.000 pessoas morreram afogadas no ano de 2019, tornando o afogamento um grande problema de saúde pública em todo o mundo. O afogamento é a terceira causa principal de morte por ferimentos não intencionais, sendo responsável por 7% de todas as mortes relacionadas a ferimentos. A carga global de óbitos por afogamento é sentida em todas as economias e regiões, no entanto os países de baixa e média renda são responsáveis por mais de 90% das mortes por afogamento não intencionais.

Os principais fatores de risco para afogamento incluem:

Idade: é um dos principais fatores. Globalmente, as maiores taxas de afogamento ocorrem entre crianças de 1 a 4 anos, seguidas por crianças de 5 a 9 anos. Essa relação costuma estar associada a um lapso na supervisão;

Gênero: homens estão especialmente sob risco de afogamento, com o dobro da taxa de mortalidade geral das mulheres, sendo também mais propensos que o sexo feminino a serem hospitalizados por afogamento não fatal. Estudos sugerem que as taxas mais altas de afogamento entre os homens se devem ao aumento da exposição à água e a comportamentos de risco, como nadar sozinho, uso de álcool antes de nadar sozinho e andar de barco;

Acesso a água: pessoas com ocupações como pesca comercial ou pesca de subsistência, usando pequenos barcos em países de baixa renda, estão mais propensos a se afogar. As crianças que vivem perto de fontes de água abertas, como valas, lagoas, canais de irrigação ou piscinas estão especialmente em risco, além de bebês deixados sem supervisão ou sozinhos com outra criança perto da água;

Viagens na água: deslocamentos diários e as viagens feitas por migrantes ou requerentes de asilo geralmente ocorrem em navios superlotados e inseguros, sem equipamento de segurança ou são operados por pessoal não treinado para lidar com incidentes de transporte ou navegação;

Inundações: o afogamento é responsável por 75% das mortes em enchentes. Esses desastres estão se tornando mais frequentes e mais graves, e essa tendência deve continuar como parte das mudanças climáticas. Os riscos de afogamento aumentam com as inundações, especialmente em países de baixa e média renda, onde as pessoas vivem em áreas propensas e a capacidade de alertar, evacuar ou proteger as comunidades é falha ou está apenas em desenvolvimento;

Status socioeconômico mais baixo, ser membro de uma minoria étnica, falta de ensino superior e populações rurais tendem a estar associados, embora essa associação possa variar entre os países;

Condições médicas, como epilepsia;

Turistas não familiarizados com os riscos e recursos hídricos locais.

Afogamento em crianças

No Brasil, os afogamentos são a segunda maior causa de óbito e a sétima causa de hospitalização por acidentes entre crianças de zero a 14 anos. Segundo o Ministério da Saúde, 866 crianças morreram vítimas de afogamento no país em 2018, representando uma média de 2,3 mortes por dia.

Enquanto a maioria dos bebês se afoga em banheiras (62 a 71%) e grandes baldes (16%), a maioria dos pré-escolares se afoga em piscinas (o acesso inesperado e não supervisionado é um cenário de afogamento recorrente para crianças pequenas). Todas as piscinas devem ter uma barreira e uma cerca de isolamento de quatro lados. Uma alternativa é montar uma barreira no topo da estrutura da piscina. Piscinas infláveis ​​ou portáteis são um grande perigo: seus lados macios facilitam a queda das crianças. Para crianças mais novas, o uso de assentos de banheira e banheiras infantis são fatores contribuintes, especialmente quando a supervisão não é constante.

Já as crianças mais velhas têm maior probabilidade de se afogar em fontes naturais de água, como cachoeiras e praias. Para os adolescentes, a presença de pares pode promover atividades de risco. Podem ocorrer problemas quando eles superestimam suas habilidades, se envolvem em comportamentos impulsivos ou usam substâncias, como o álcool. As seguintes condições médicas também estão associadas a afogamentos pediátricos: epilepsia, autismo, transtorno de déficit de atenção/hiperatividade e arritmias cardíacas.

Além disso, o aprisionamento e o emaranhamento do cabelo também causam lesões e afogamento, mas muitos pais e proprietários de piscinas e spas não estão cientes do risco. As precauções envolvem o uso de tampas de drenagem especiais, sistemas de segurança de liberação de vácuo, bombas de filtro com vários drenos e outras técnicas de construção com filtro de ventilação/pressão.

A supervisão de um adulto é de extrema importância, mas não exclui o uso de barreiras assim como a aplicação de barreiras não podem eliminar a necessidade de supervisão.

Importância de um dia destinado à prevenção dos afogamentos

A proclamação de um dia do ano destinado a prevenção dessa tragédia serve como uma oportunidade para destacar o impacto trágico e profundo do afogamento nas famílias e comunidades e para oferecer soluções para evitá-lo. Governos, agências da ONU, organizações da sociedade civil, setor privado e toda a população são convidados a participar dessa luta, destacando a necessidade de ação urgente, coordenada e multissetorial em medidas comprovadas, como:


Instalação de barreiras para controle do acesso à água;

Fornecer locais seguros longe de água, como creches adequadas;

Ensinar natação, segurança na água e habilidades de resgate seguro;

Treinar espectadores em resgate e ressuscitação seguros;

Definição e aplicação de regulamentos de navegação segura, transporte e balsa;

Melhorar a gestão do risco de inundação.

Referências bibliográficas:

United Nations. Drowning is a leading cause of accidental death. 2021. Disponível em: https://www.un.org/en/observances/drowning-prevention-day

World Health Organization. Drowning. 2021. Disponível em: https://www.who.int/news-room/fact-sheets/detail/drowning

Criança segura. Como prevenir afogamentos. 2021. Disponível em: https://criancasegura.org.br/aprenda-a-prevenir/por-area-de-risco/como-prevenir-afogamentos/

Wyckoff AS. New information, research add to understanding of drowning risks, precautions. 2021. Disponível em: https://www.aappublications.org/news/2021/07/12/drowning-071221

Autor(a):
Roberta Esteves Vieira de Castro

Graduada em Medicina pela Faculdade de Medicina de Valença ⦁ Residência médica em Pediatria pelo Hospital Federal Cardoso Fontes ⦁ Residência médica em Medicina Intensiva Pediátrica pelo Hospital dos Servidores do Estado do Rio de Janeiro. Mestra em Saúde Materno-Infantil (UFF) ⦁ Doutora em Medicina (UERJ) ⦁ Aperfeiçoamento em neurointensivismo (IDOR) ⦁ Médica da Unidade de Terapia Intensiva Pediátrica (UTIP) do Hospital Universitário Pedro Ernesto (HUPE) da UERJ ⦁ Professora adjunta de pediatria do curso de Medicina da Fundação Técnico-Educacional Souza Marques ⦁ Membro da Rede Brasileira de Pesquisa em Pediatria do IDOR no Rio de Janeiro ⦁ Acompanhou as UTI Pediátrica e Cardíaca do Hospital for Sick Children (Sick Kids) em Toronto, Canadá, supervisionada pelo Dr. Peter Cox ⦁ Membro da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) e da Associação de Medicina Intensiva Brasileira (AMIB) ⦁ Membro do comitê de sedação, analgesia e delirium da AMIB e da Sociedade Latino-Americana de Cuidados Intensivos Pediátricos (SLACIP) ⦁ Membro da diretoria da American Delirium Society (ADS) ⦁ Coordenadora e cofundadora do Latin American Delirium Special Interest Group (LADIG) ⦁ Membro de apoio da Society for Pediatric Sedation (SPS) ⦁ Consultora de sono infantil e de amamentação ⦁ Instagram: @draroberta_pediatra.






Autor: Roberta Esteves Vieira de Castro
Fonte: pebmed
Sítio Online da Publicação: pebmed
Data: 25/07/2022
Publicação Original: https://pebmed.com.br/25-de-julho-dia-mundial-de-prevencao-do-afogamento/

sexta-feira, 24 de junho de 2022

Você sabia que você pode ajudar pessoas no momento de luto?

 No dia 19 de junho celebramos o Dia Nacional do Luto no Brasil. Esta data é importante para a construção de reflexões sobre os sentimentos de perda. A necessidade de discussão do tema se potencializou na pandemia quando de forma avassaladora milhares de pessoas morreram e outras milhares tiveram que conviver com a dor da perda de forma tão abrupta.


O Sentimento de Luto e a Morte

Já se sabe que o luto é uma reação natural esperada, sendo considerado um tipo de reação a um acontecimento que evidencie o sentimento de perda. O processo do luto pode acontecer nas situações de adoecimento onde subjetivamente há perda da saúde ou mesmo quando há ligação com a finitude da vida. Pode acontecer quando perdemos entes queridos e passamos pelo sentimento de luto referido a possibilidade de perda ou real perda de outrem.

Cada um de nós, seja por tradição cultural, familiar ou por investigação pessoal, possuímos uma representação própria da morte, ainda que, de maneira dicotômica ela tenha associação com a ideia de perda, ruptura, desintegração, e por outro lado a ideia de entrega, descanso ou alívio do sofrimento.

A morte provoca muita dor aos que permanecem em vida nos dias atuais. Mas nem sempre ela foi compreendida dessa maneira. Profundas mudanças ocorreram acerca do conceito de morte e do processo de morrer diante dos avanços tecnológicos. Em contraste com os séculos anteriores, as conquistas da medicina possibilitaram um aumento da expectativa de vida, bem como a melhora na prevenção e tratamento das doenças, e mudanças nas condições de morrer. Dessa forma, diferentemente do que ocorria em outros momentos na história, os quais a morte era corriqueira e familiar, ela passa a ser ocultada da vida social. O tempo da morte passou a ser domínio dos médicos, que embora não pudessem suprimi-la, passaram a regular a sua duração.

A compreensão existencial de finitude de nossa sociedade é cada vez mais negada. Negamos o óbvio! Todos nós vamos morrer, cada um a seu tempo. Mas parece que com o desenvolvimento tecnológico e a possibilidade de maior qualidade de vida, a negação com os processos de partida, tão certa e natural, se tornou uma questão para a humanidade. Indubitavelmente o encontro com a morte não tem necessariamente a ver com o fim. O simples fato de adoecer, mesmo que haja tratamento e recursos para o pleno estabelecimento da saúde, pode fazer as pessoas se encontrarem com a possibilidade da fragilidade natural da existência humana, o que gera medo, temor e um processo complexo a ser entendido por esta pessoa e por quem a cuida.

Quando esse processo se dá relacionado a um ente querido, o sofrimento pode ser avassalador. Principalmente quando ocorre o fim da vida de forma a qual julgamos não ser a ordem natural das coisas, como a perda de uma criança. Nessa perspectiva, cuidar da criança em processo de morrer e morte gera conflitos pessoais acerca da qualidade do cuidado e sofrimento para o profissional de enfermagem.

O profissional de Enfermagem diante da morte de um paciente

Cuidar de pacientes com doenças graves, fora de possibilidade de cura ou que por algum motivo estejam vivenciando seus últimos momentos de vida provoca intensos dilemas éticos nas equipes de saúde. É extremamente complexo estabelecer limites entre o cuidado, alívio do sofrimento, fornecendo conforto e morte digna, e medidas invasivas e dolorosas decorrentes dos avanços tecnológicos, que só prolongam o sofrimento por algum tempo.

Nós, profissionais de enfermagem, estamos de frente aos diagnósticos de adoecimento, e também nos momentos antes, durante e depois da morte. Nosso cuidado se estende para aqueles que ficam, que podem tornar o luto um processo patológico e de grande sofrimento. Por vezes é necessário auxiliar na readaptação da nova realidade de pessoas que ficam vulneráveis, paralisadas e frágeis. Que inconscientemente produzem comportamentos mal adaptativos para a situação, não percebidos por si ou por seus familiares na maioria das vezes, mas facilmente reconhecidos por profissionais tecnicamente apurados.

Entretanto, alguns estudos revelam a frustração e o sentimento de impotência expresso pelos profissionais diante da morte de um paciente. Esse sentimento de impotência diante da terminalidade da vida revela o despreparo dos profissionais de enfermagem para acompanhar esse momento e pode ser relacionado a uma lacuna existente na formação, que ainda prioriza a cura do paciente e o restabelecimento da saúde como objetivo final o cuidado.

É importante destacar que os profissionais necessitam explorar práticas que considerem a sensibilidade para o cuidado, mas acima de tudo, apurado conhecimento na tecnologia relacional. Cabe utilizar os conceitos de Merhy (2006), no qual aborda que uma tecnologia leve no trabalho em saúde, seria aquela que passa por um processo de acolhimento, vínculo e atenção integral à saúde, considerando ações humanizadas no processo de cuidar.

A necessidade do cuidado e acolhimento humanizado frente ao processo de luto, se faz necessário quando compreende-se que o luto é uma tentativa de compreensão da realidade, da existência, do nosso lugar no mundo e de como será o nosso mundo pós as perdas que envolvem: perda da saúde, possibilidade da perda da vida, perda de um familiar, perda de um amigo, etc. A complexidade desse tema, promove profundas reflexões dos profissionais da saúde quanto às ações profissionais.

Ações de Enfermagem diante do Luto

O luto tem em nossa sociedade uma ligação direta com morte. A filosofia é considerada por Sócrates, como a preparação para a morte sendo aquela que nos fará refletir sobre o que é morrer. Alguns filosófos dizem que morremos aos poucos ao longo da vida, convivendo com a morte daqueles que amamos, até que chegue a nossa própria morte. Seria o ensinamento natural da vida para o ser humano compreender melhor o luto?

A morte sempre foi um desafio para humanidade. Uma construção de experiências pessoais que envolve aspectos sociais, culturais, religiosos, pessoais e situacionais que transformam a concepção existencial. Na maioria das vezes não pensamos na morte até encontrá-la. Esse encontro não se dá apenas no encontro com nossa própria morte, mas com a morte daqueles que amamos, de pessoas próximas, de conhecidos, de celebridades ou mesmo de nossos pacientes.

Dessa maneira, entender a morte como processo natural e curso da vida é um ponto extremamente importante para que possamos realizar nossa assistência de forma humana e respeitando o processo de morte e morrer.

Contemplar as necessidades físicas, incluindo o tratamento dos sintomas, com vistas a aumentar a qualidade nos momentos finais da vida e garantir a dignidade do paciente antes e durante momento da morte e pós morte;

Respeitar a individualidade do paciente e sua família, pois mesmo que sejam realizadas as mesmas medidas para aliviar os sintomas físicos no momento da morte, a experiência da dor e do sofrimento são únicas e individuais a cada ser humano.

Preservar os princípios da bioética são imprescindíveis;

O adoecer é uma das experiências mais profundas frente a morte. Podemos ficar enlutados quando adoecemos e temos a possibilidade de morrer, mas quando o luto é com um ente querido, marcas desse luto podem nos acompanhar para o resto da vida. O que pode definir uma melhor readaptação são as intervenções de um profissional de saúde. Essas pessoas precisam de projetos terapêuticos singulares que as façam, compreender que o mundo é feito dos que vão, dos que ficam, da saudade, mas também da esperança, do recomeço, das experiências que elas ainda tem a viver. Não há fracasso diante do fim da vida de um paciente, é necessário que se compreenda a grandeza do ser humano que enfrentou a sua morte.





Autor: Colunista
Fonte: PEBMED
Sítio Online da Publicação: PEBMED
Data: 20/06/2022
Publicação Original: https://pebmed.com.br/voce-sabia-que-voce-pode-ajudar-pessoas-no-momento-de-luto/

terça-feira, 7 de junho de 2022

Cerca de 1,3 milhão de atendimentos a pacientes com asma foram realizados no SUS ano passado


A relação direta entre doenças respiratórias e a poluição do ar é um grave problema de saúde pública. De acordo com dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), existem mais de 235 milhões de asmáticos no mundo.

O cenário não é diferente no Brasil. Principalmente em períodos de longa estiagem, a poluição atmosférica afeta de maneira importante a saúde dos brasileiros. O resultado disso é a expansão e o agravamento de doenças respiratórias, em especial a asma.


Casos no Brasil

Segundo estimativas, 23,2% da população brasileira sofrem com a doença, com incidência variando de 19,8% a 24,9% entre as regiões do país. Em 2021, foram realizados 1,3 milhão de atendimentos na Atenção Primária à Saúde (APS), 231 mil consultas a mais que em 2020.

Dados do Ministério da Saúde (MS) apontam que entre maio e junho de 2021 foi registrado o pico de atendimentos (158 mil). O alto número coincidiu com um período crítico da pandemia de Covid-19 no país, com crescimento de casos e flexibilização do isolamento e distanciamento social.

A diretora do Departamento de Promoção da Saúde do MS, Juliana Rezende, afirma que a melhora no cenário da pandemia impactou o atendimento de asmáticos.

“A partir de julho, o número de consultas de pacientes com asma diminuiu significativamente nas unidades básicas de saúde, por redução dos casos de Covid-19, fator de risco para piora do quadro.”

Capital paulista tem poluição do ar acima do recomendado nos últimos 22 anos

De acordo com uma nota técnica publicada em 26 de maio, pelo Instituto de Energia e Meio Ambiente (IEMA), a qualidade do ar na cidade de São Paulo permaneceu acima do recomendado pela OMS ao longo dos últimos 22 anos.

Mesmo durante a pandemia, três poluentes atmosféricos em especial estiveram muito acima do que a entidade considera seguro para a saúde pública: material particulado (MP), ozônio (O3) e dióxido de nitrogênio (NO2).

Segunda a nota do IEMA, em alguns pontos da cidade, o limite foi ultrapassado quatro vezes o indicado. E pior: no ano passado, nenhuma estação de monitoramento da qualidade do ar da cidade atendeu aos limites em relação aos três poluentes.

Com os moradores de São Paulo respirando um ar poluído nas duas últimas décadas, é fácil prever que terão maiores chances de desenvolver enfermidades do sistema respiratório, como asma, e sofrer envelhecimento precoce.

Principais poluentes

Na análise realizada pelo IEMA, o ozônio se manteve em patamares elevados, com variações anuais, mas sem tendência de queda ou aumento. O gerente de projetos do IEMA e coordenador do estudo, David Tsai, explica a persistência do gás.

“Esse é um poluente complexo de eliminar porque se forma na atmosfera devido a diversos fatores, naturais e antrópicos.”

Curiosamente, o ozônio aumentou de 2019 para 2020. Vale lembrar que o pico de atendimentos de asmáticos que procuraram o SUS (158 mil) também coincidiu com um dos períodos críticos da pandemia de Covid-19 no país (escrito acima).

Com relação ao dióxido de nitrogênio, houve redução das suas concentrações sobre a cidade paulista desde o ano 2000, o que pode ser explicado pelo fato dos veículos estarem emitindo menos gases poluentes graças ao Programa de Controle de Emissões Veiculares (Proconve), iniciado em 1986.

Em 2021, no entanto, a OMS lançou uma nova diretriz de qualidade do ar, reduzindo os valores de concentração de poluentes considerados seguros em relação ao impacto para a saúde.

Baseado nos novos valores, o dióxido de nitrogênio na cidade de São Paulo está distante do ideal, até quase cinco vezes mais do que o recomendado. É o caso da estação de monitoramento da Marginal Tietê, que sofre o efeito imediato das emissões dos poluentes pelos veículos, registrando 49 (µg/m3) para o poluente.

Em entrevista ao Portal, o colunista da PEBMED e pneumologista da Unidade de Terapia Intensiva (UTI) Respiratória do Instituto do Coração do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (InCor-HCFMUSP), Guilherme das Posses Bridi, explica que a poluição e as crises respiratórias andam lado a lado.

“A exposição prolongada a esses poluentes é um grande fator de risco para o desenvolvimento de doenças respiratórias e nas cidades mais poluídas isso possui também uma relação direta com progressão e piora dos sintomas respiratórios, como o desencadeamento de crises de asma; crises da via aérea superior, como rinite alérgica; rinossinusites crônicas, além das doenças obstrutivas crônicas”.

O especialista afirma ainda que a agressão epitelial, após o antígeno, é um dos principais fatores que leva à progressão e ao não controle da asma.

“Por isso que sempre quando atuamos no controle da doença devemos pensar em controlar a exposição aos antígenos, no caso os poluentes. Assim, o tabagismo, a presença de um ar mais poluído ou uma concentração maior de poluentes onde o paciente mora ou trabalha são fatores de risco para o não controle da enfermidade e deve fazer parte da abordagem nas consultas de todo paciente asmático. Então, se esse paciente não consegue controlar a doença, devo pensar obrigatoriamente em abordar a questão da exposição aos antígenos, antes de simplesmente associar ou aumentar a medicação do tratamento dele”, orientou Bridi, que também é médico do Grupo de Doenças Intersticiais Pulmonares do HCFMUSP e do Núcleo de Pulmão do AC Camargo Cancer Center.

Estudo serve de alerta

A OMS estima que 7 milhões de indivíduos morrem anualmente em decorrência da poluição do ar no mundo, sendo 300 mil somente nas Américas. E essa nota técnica visa alertar para a necessidade da redução das emissões de poluentes nas grandes cidades.

“Quanto mais perto uma pessoa vive ou trabalha em uma via de alto tráfego, mais ela respira esse ar poluído. Se a estação de monitoramento do Pico do Jaraguá, que é um local de maior altitude, longe das fontes emissoras e dentro de um parque, apresenta recomendações acima do indicado pela OMS, isso mostra que a cidade de São Paulo como um todo é poluída”, destacou a nota.







Autor: Úrsula Neves
Fonte: pebmed
Sítio Online da Publicação: pebmed
Data: 07/06/2022
Publicação Original: https://pebmed.com.br/cerca-de-13-milhao-de-atendimentos-a-pacientes-com-asma-foram-realizados-no-sus-ano-passado/

terça-feira, 17 de maio de 2022

ATS 2022: destaques da sessão Year in Review

A clássica sessão Year in Review do congresso da American Thoracic Society (ATS 2022) atrai milhares de pessoas todos os anos. Durante o evento são relembrados diversos estudos que marcaram o ano, além de perspectivas para os próximos estudos.

Destaques da oncologia

Nova indicação de rastreio para câncer de pulmão: passou a ser realizada entre 50 e 80 anos de idade, com carga tabágica igual ou superior a 20 anos/maço e ex-tabagistas que deixaram de fumar até 15 anos. A tomografia de tórax deve ser realizada anualmente. O câncer de pulmão é o responsável pelo maior número de óbitos por neoplasias, sendo de suma importância o rastreio e a detecção precoce da doença.

O sotorasib foi a primeira medicação aprovada para uso em pacientes com câncer de pulmão e mutação do KRAS, sendo a mutação G12C apenas que possui benefício comprovado com boa taxa de resposta.


Destaques em doenças intersticiais

As exacerbações das doenças intersticiais são raras, com a maioria dos estudos sendo retrospectivos. No estudo apresentado, foram comparados a associação da ciclofosfamida com metilprednisolona, sem benefício encontrado. No geral, o tratamento das exacerbações tem sido feito com corticoides. Além disso, pacientes em uso de antifibróticos podem ter melhores desfechos nas exacerbações, incluindo mortalidade. O uso de antibióticos crônicos nessas doenças não mostrou diferença na prevenção de exacerbações e prevenção de progressão.

O uso da tomografia endobrônquica é um método diagnóstico promissor, sobretudo naqueles pacientes que possuem contraindicação a biópsia. Estudos recentes mostraram boa acurácia no exame que utiliza a reconstrução em 3D do segmento, com rápida aquisição de imagens, levando em torno de 10-15 minutos.

Destaques das doenças da circulação pulmonar

O sotatercept é uma droga nova, que atua na via do BMPR2, possivelmente a quarta via de tratamento das doenças da circulação pulmonar. Em estudo recente, pacientes em uso de terapia dupla ou tripla fizeram uso da droga, mostrando redução da resistência vascular pulmonar. É uma esperança para maioria dos pacientes que estão em terapia tripla e ainda assim permanecem em alto risco.

O estudo TRITON não mostrou superioridade de início com terapia tripla versus terapia dupla na hipertensão arterial pulmonar.

Destaques em asma

A tomografia quantitativa está cada vez mais presente na rotina das doenças pulmonares e na asma não foi diferente. O estudo SARP associou a presença de aprisionamento aéreo e remodelamento à maiores taxas de redução da função pulmonar. Essa ferramenta pode ser útil no seguimento do paciente asmático grave, a despeito da dose de radiação utilizada.

Cada vez mais associa-se a presença de nascimentos prematuros e tempo de aleitamento materno reduzido à chance de desenvolvimento de bronquiolites na infância e sua evolução para asma na fase adulta.

A diretriz para o diagnóstico de asma da sociedade europeia reforça a utilização da espirometria no diagnóstico da doença, reforçando a presença do distúrbio obstrutivo. Outros fatores como resposta broncodilatadora positiva e fração exalada de óxido nítrico acima de 50 ppm reforçam a hipótese diagnóstica.

O risankizumabe, um anticorpo monoclonal contra a IL-23, mostrou ação negativa em pacientes com asma grave. Pacientes submetidos ao tratamento com a droga tiveram maior probabilidade de piora do quadro em comparação aos pacientes que utilizaram placebo.

Destaques em DPOC

Pacientes com DPOC apresentam risco aumentado de pneumonia, e esse risco aumenta ainda mais após uso do corticoide inalatório. Porém, isso pode variar conforme o tipo de partícula. Partículas extrafinas apresentam um risco menor do desenvolvimento de pneumonia nesses pacientes, mais idosos que possuem menor função pulmonar.

A incidência de tromboembolia pulmonar na exacerbação de DPOC é mais baixa do que se imaginava, tendendo-se a ficar abaixo de 10% dos casos internados por quadros de exacerbação.

O DPOC é classicamente um fator de risco para maior gravidade da covid-19, diferentemente da asma, sendo risco ainda maior que outras doenças como o diabetes.

Delirium na UTI

Cerca de 40-80% dos pacientes que recebem alta da UTI podem ter algum tipo de delirium ou redução cognitiva a longo prazo. Esse índice é associado a aumento de hospitalização e mortalidade no primeiro ano após a alta do paciente.

A neuropatia do doente crítico é associada a vários fatores durante a estadia do paciente em UTI e já possui marcadamente aumento da incidência de internações no primeiro ano após a alta hospitalar.

Estamos acompanhando ATS 2022. Fique ligado no Portal PEBMED e também em nosso Twitter!

Veja mais do congresso:

Inibidores de fosfodiesterase 4 para fibrose pulmonar idiopática

Autor(a):

Guilherme das Posses Bridi

Residência em Clínica Médica e Pneumologia pelo HCFMUSP ⦁ Doutorando em Pneumologia pela USP ⦁ Fellow em Doenças Intersticiais Pulmonares.






Autor: Guilherme das Posses Bridi
Fonte: pebmed
Sítio Online da Publicação: pebmed
Data: 17/05/2022
Publicação Original: https://pebmed.com.br/ats-2022-destaques-da-sessao-year-in-review/

segunda-feira, 16 de maio de 2022

O que todo clínico precisa saber sobre alterações hepáticas e hipertireoidismo?

O hipertireoidismo é uma enfermidade que afeta múltiplos órgãos e sistemas, como sistema nervoso, cardiovascular e gastrointestinal, podendo também afetar o fígado.

Alterações na bioquímica hepática podem ocorrer em 15 – 79% de pacientes com tireotoxicose sem tratamento adequada. Na maioria dos casos, são alterações discretas, contudo 1-2% podem cursar com hepatite fulminante.

Uma revisão sistemática publicada em 2021 evidenciou que 55-60% dos pacientes com hipertireoidismo não tratado apresentavam pelo menos um parâmetro laboratorial hepático alterado (AST, ALT, FA, GGT, BT).


Exame % alterado

AST 23%

ALT 33%

FA 44%

GGT 24%

BT 12%

Como é a relação entre tireoide e fígado?

Em torno de 80% do T3 é proveniente de deiodinação de T4 no tecido extratireoidiano, em especial no fígado e o rim.

Em torno de 99% dos hormônios tireoidianos séricos estão ligados a proteínas produzidas principalmente no fígado, que ajudam a manter os hormônios tireoidianos livres do soro dentro da faixa de normalidade, promovendo a homeostase.

Os hormônios tireoidianos auxiliam nos processos metabólicos do fígado, como por exemplo no metabolismo da bilirrubina, através de ação na enzima glucuroniltransferase.

Quais são os mecanismos de alteração hepática no hipertireoidismo?

Toxicidade hepática direta por excesso de hormônios tireoidianos, devido a aumento de radicais livres pelo estado hipercatabólico;

Doença hepática autoimune associada – principalmente na doença de Graves;

Hepatopatia congestiva – insuficiência cardíaca de alto débito;

Doença hepática preexistente descompensada;

Lesão hepática induzida por droga antitireoidiana;

Degeneração de hepatócitos devido a proteólise e glicogenólise aceleradas.

Em situações de dano hepático por estado hipercatabólico, o principal mecanismo é por lesão isquêmica, devido ao aumento da demanda de O2 pelo fígado. No geral, cursam com lesão de padrão colestático, podendo haver elevação de BT. A fosfatase alcalina aumenta tanto devido a suas frações hepáticas, quanto pela atividade osteoblástica acelerada.

Em situações de insuficiência cardíaca congestiva decorrente da tireotoxicose, os pacientes cursam com aumentos de transaminases e enzimas canaliculares, podendo cursar com icterícia, ascite e hepatomegalia.

Até 10% dos pacientes com doença de Graves podem cursar com outras doenças autoimunes, como colangite biliar primária e hepatite autoimune. Esses pacientes no geral apresentam FAN positivo. Contudo podem ocorrer de CBP antimitocôndria negativo.

Aumento de enzimas hepáticas após o início do tratamento com as tionamidas podem ocorrer em 0,1% e 0,2% dos casos. Os principais fatores de risco são idade avançada e uso de altas doses da medicação. Se alterações graves, é indicado suspender a medicação e usar colestiramina, tratando o hipertireoidismo com iodoterapia ou cirurgia.

No geral, o tratamento adequado do hipertireoidismo permite a normalização dos marcadores hepáticos em mais de 50-87% dos casos.

Marcadores hepáticos % de normalização após tratamento do hipertireoidismo

AST 87%

ALT 83%

FA 53%

GGT 70%

BT 50%

Mensagens práticas

O hipertireoidismo é uma enfermidade comum em nosso meio, podendo cursar com alterações em enzimas hepáticas de maneira direta ou indireta. Dessa forma, é importante que ao identificarmos hipertireoidismo, solicitemos transaminases, enzimas canaliculares e bilirrubinas. Assim como o rastreio de função tireoideana deve estar incluso na avaliação etiológica de alterações no hepatograma.

Existem três principais cenários de alteração hepática no hipertireoidismo:

Em vigência de tireotoxicose sem insuficiência cardíaca.

Em vigência de tireotoxicose com insuficiência cardíaca – sendo esses casos os mais graves;.

Em vigência de drogas antitireoidianas (DILI) – especialmente em idosos ou pacientes com altas doses da medicação.

Deve-se atentar que na doença de Graves, a elevação dos marcadores hepáticas pode estar relacionada com outras doenças autoimunes associadas.





Autor: Fernanda Costa Azevedo
Fonte: pebmed
Sítio Online da Publicação: pebmed
Data: 16/05/2022
Publicação Original: https://pebmed.com.br/o-que-todo-clinico-precisa-saber-sobre-alteracoes-hepaticas-e-hipertireoidismo/

terça-feira, 5 de abril de 2022

Alterações oftalmológicas na criança com transtorno do espectro autista (TEA)

O transtorno do espectro autista (TEA) não é uma doença. Se trata de uma condição neurológica e do desenvolvimento caracterizada por algum grau de comprometimento na interação social, comunicação e na linguagem. É descrito como um transtorno do desenvolvimento porque geralmente os sintomas aparecem nos primeiros dois anos de vida.


Análise recente

Um artigo publicado em abril de 2020 teve como objetivo descrever alterações oftalmológicas em crianças com TEA. O estudo prospectivo avaliou o exame oftalmológico e o exame oculomotor. O grau da TEA e o impacto no QI (intelligence quotient) e verbal foram determinados. As informações clínicas foram comparadas entre grupos baseado na presença ou ausência de desordens oftalmológicas.

Foram avaliadas 51 crianças e encontradas alterações oftalmológicas em 39% dos casos, com 35% tendo erros refrativos significativos e 10% apresentando estrabismo. As crianças com TEA e alterações oculares tinham menor desempenho verbal (29,8 ± 14,7 comparado com 44,3 ± 21,5; p = 0,010) e QI (57,8 ± 18,3 comparado com 67,59 ± 20; p = 0,049) mas não houve associação significativa entre a presença de alterações oftalmológicas e o grau de severidade da TEA, capacidade de comunicação e contato social ou modulação do comportamento quando ocorre alguma mudança. Crianças que não atingiram a acuidade visual monocular mínima (39%) tiveram desempenho verbal pior (25,1 ± 9,7 comparado com 46,1 ± 20,9; p < 0,001) e QI (52,7 ± 17 comparado com  69,8 ± 18,8; p = 0,001)e também apresentaram maior dificuldade na interação social e mais alterações comportamentais.

Conclusão

O artigo conclui que as desordens oftalmológicas são frequentes em crianças com TEA, especialmente naquelas com deficiência intelectual. Não houve grupo controle, o que não nos permite dizer que elas são mais comuns do que em crianças típicas.

De qualquer forma, entende-se que Oftalmologistas, psiquiatras infantis e neuropediatras devem estar atentos e orientar o exame oftalmológico em crianças com TEA já que as alterações oculares em alguns casos podem não ser detectadas sem a avaliação.




Autor: Juliana Rosa
Fonte: PEBMED
Sítio Online da Publicação: PEBMED
Data: 05/04/2022
Publicação Original: https://pebmed.com.br/alteracoes-oftalmologicas-na-crianca-com-transtorno-do-espectro-autista-tea/

terça-feira, 29 de março de 2022

Rastreabilidade em CME: o que é e por que devemos fazer?

O conceito de rastreabilidade tem adquirido grande importância nos últimos anos por permitir traçar a história, aplicação, uso e localização de um artigo para a saúde. Isso garante a qualidade do processo como um todo e fortalece a relação de confiança entre o paciente e as instituições de saúde.

Martins e Ribeiro (2017) definem a rastreabilidade como a capacidade de esquematizar a linha histórica de todo o processamento dos produtos para saúde (PPS) e de sua utilização através de informações antecipadamente registradas, por meio de um sistema de informação que pode ser manual ou automatizado, de todas as etapas de limpeza, desinfecção e/ou esterilização.


A rastreabilidade nos proporciona a segurança de que apenas artigos processados adequadamente e de origem conhecida terão contato com o paciente, além de auxiliar na identificação de artigos como danificados com grande segurança e agilidade.

Segundo Possari (2010) a rastreabilidade pode ser dividida em logística e qualitativa, sendo a primeira relacionada à identificação da localização do material, sua origem, destino e necessidade de recall. Já a segunda está pautada em descobrir desvios e falhas qualitativas e onde é possível intervir.

Rastreabilidade em CME

Quando falamos de CME e rastreabilidade, estamos falando de qualidade atrelada ao processo, estabelecendo padrões, avaliando as conformidades e podendo agir quando necessário para buscar melhorias. Além disto, o usuário já politizado deseja transparência e quer compreender a origem dos artigos para saúde utilizados em seu tratamento.

Perroni (2010) também afirma que realizar a rastreabilidade no CME de maneira eficaz, integrada e em tempo real garante respaldo legal as instituições de saúde, que por sua vez devem cumprir as exigências contidas na resolução especial (RE) nª 2606, de 11/08/2006 artigo 2ª.

Gaziano, Silva e Psaltikidis (2011) afirmam que a informatização da rastreabilidade é a forma mais prática e segura de realizar este processo, sendo o uso de código de barras aplicado tanto aos instrumentos quanto as caixas, uma maneira de realizar o monitoramento dos itens e sua circulação, obter relatórios de consumo e poder correlacionar às informações em casos de notificação de infecção associada ao sitio cirúrgico.

Segundo Fernandes e Et al (2022), a implementação da rastreabilidade também é um processo de educação continuada interna já que conta com o fator humano para sua execução e interpretação dos dados obtidos.

Mensagem final

O engajamento e o treinamento contínuo na CME são de extrema importância para um processo de rastreabilidade bem sucedido e seguro, trazendo ainda mais qualidade para o suporte e assistência de enfermagem. Para Cividini (2019) a educação do colaborador na instituição deve ser um método que o torne apto a realizar adequadamente suas atividades e também o deixe preparado para possíveis oportunidades de plano de carreira, através de novos conhecimentos....






Autor: Bárbara Petillo Hayashi
Fonte: PEBMED
Sítio Online da Publicação: PEBMED
Data: 29/03/2022
Publicação Original: https://pebmed.com.br/rastreabilidade-em-cme-o-que-e-e-por-que-devemos-fazer/

quinta-feira, 24 de março de 2022

PEBMED e Saúde Global: gestão de carreira na área médica [vídeo]

Você sabia que as atividades médicas podem ser divididas em tradicionais e não-tradicionais? No episódio de hoje da série sobre gestão de saúde, uma parceria entre a PEBMED e a Saúde Global, Dr. Vitor Sforni, Head de Governança Clínica da Saúde Global, comenta sobre as diversas possibilidades de carreira na área médica.

Atualmente existem mais de 100 especialidades médicas e área de atuação disponíveis para graduados em Medicina e reconhecidos pelo Conselho Federal de Medicina (CFM).


Tópicos abordados no episódio

Contextualização de carreira na área médica

Atividades médicas tradicionais

Atividades médicas não-tradicionais

Opções de carreira no Sistema Único de Saúde (SUS)








Autor: Saude Global
Fonte: PEBMED
Sítio Online da Publicação: PEBMED
Data: 24/03/2022
Publicação Original: https://pebmed.com.br/pebmed-e-saude-global-gestao-de-carreira-na-area-medica-video/

terça-feira, 15 de março de 2022

Março Lilás e Março Amarelo — um mês com foco no cuidado com a Saúde da Mulher

No mês de março comemoram-se 2 campanhas inspiradas na mulher: março lilás e março amarelo! Saiba um pouco mais sobre elas:

Março Lilás

Com o objetivo de conscientizar as mulheres sobre a importância de realizar o exame colpocitológico (preventivo) que é uma forma de prevenção do câncer de colo uterino.

Com relação a campanha do Março Lilás, é importante destacar que o câncer de colo uterino (CCU) é a quarta maior causa de morte em mulheres por câncer no Brasil (INCA, 2019), o que é contraditório pois o CCU é uma doença que pode ser evitável através de medidas de prevenção primária e ter seu diagnóstico precoce por meio da prevenção secundária, o que leva a grande chance de cura. Em 2019, a maior parte dos óbitos ocorridos em decorrência do CCU foi na faixa etária dos 40 aos 69 anos.



É através do exame preventivo que as lesões precursoras são identificadas e, se não identificadas e tratadas, podem vir a se tornar o CCU, por essa razão, o Instituto Nacional do Câncer José Alencar Gomes da Silva (INCA) e o Ministério da Saúde (MS) recomendam que a rotina de realização do exame colpocitológico (prevenção secundária do CCU) seja a cada 3 anos (caso possuam 2 outros exames anteriores, anuais e sem alteração) para qualquer pessoa com colo do útero, que já tenha tido atividade sexual, na faixa etária de 25 a 64 anos. É válido ressaltar que, neste grupo indicado para a realização do exame preventivo, estão incluídos homens trans, pessoas não binárias e indivíduos intersexuais que possuam colo uterino (WHO, 2021).

A forma de prevenção primária do CCU é através do não contágio com Papiloma Vírus Humano (HPV), seja pelo uso do preservativo interno ou externo durantes todas as relações sexuais e também através da vacinação contra o HPV. A vacina protege contra os tipos 6, 11, 16 e 18 do vírus, sendo que entre esses, o 16 e 18, possuem poder oncogênico, o que pode levar ao desenvolvimento das lesões precursoras no colo de útero nos casos de infecção persistente.

Essa mesma temática também é colocada em evidência durante o mês de Outubro, com a campanha Outubro Rosa, que tem o foco no diagnóstico precoce do câncer de mama mas, como há um aumento de mulheres que procuram as unidades de saúde para atendimento nesse período, aproveita-se a demanda e se incentiva para que elas façam o exame preventivo quando necessário, além do Exame Clínico das Mamas (ECM) e mamografia, se indicado. Isso é importante porque estima-se, segundo o INCA, que o Brasil irá registrar 16.590 novos casos de câncer de colo de útero, o que representa 7,4% dos novos casos entre as mulheres para cada ano no triênio 2020-2022.

Destaca-se ainda, que a coleta da colpocitologia pode ser realizada tanto por médicos, quanto por enfermeiros, pois as duas profissões são capacitadas para coleta, e isso facilita a acessibilidade das mulheres e o diagnóstico precoce do câncer porque amplia a oferta do exame. Além disso, tão importante quanto o incentivo em realizar a coleta do material colpocitológico, é a busca pelo resultado, por essa razão, durante a consulta ginecológica, vale orientar que não basta realizar o exame preventivo, mas buscar saber o resultado do exame e seguir as recomendações.

Nesse contexto, os profissionais que atuam na Atenção Primária à Saúde têm um papel fundamental na busca ativa das mulheres, tanto as que estejam no período indicado para realização do preventivo, quanto para realizar a entrega dos resultados com as orientações necessárias. Sendo assim, os Agentes Comunitários de Saúde (ACS) têm um papel fundamental na convocação da população feminina, auxiliando os demais profissionais de saúde no planejamento das ações, a fim de identificarem as mulheres com alterações celulares que precisem de tratamento adequado ou de nova coleta do exame. A conduta para seguimento dos casos é recomendada pelo INCA e pelo MS e tem o objetivo de tratar precocemente as lesões precursoras.

Nesse cenário, reforça-se a importância do profissional de enfermagem, pois com sua capacitação e competência teórico-prática, o enfermeiro atua nos diversos níveis de atenção à saúde e através das ações de educação em saúde incentiva que as mulheres busquem atendimento e orienta sobre a importância da realização dos exames e da promoção a sua saúde.

Março Amarelo

Com o objetivo de conscientizar a população e em especial as mulheres a respeito da endometriose, uma doença hormônio-dependente que que pode levar a grande repercussão na vida das mulheres e seus familiares.

Pensando nisso, vem a importância da campanha Março Amarelo, pois estima-se que mais de 7 milhões de mulheres sofram com a endometriose no Brasil e cerca de 176 milhões em todo o mundo. A endometriose é uma doença ginecológica crônica, benigna, estrogênio-dependente, de etiologia desconhecida e atinge principalmente mulheres em idade reprodutiva. Embora seja considerada benigna, pode causar prejuízos para a vida pessoal, familiar e econômica da mulher, pois um dos sintomas mais relatados pelas mulheres é a dor intensa e incapacitante, que dificulta suas atividades diárias, afetando diretamente a qualidade de vida da mulher, além de casos de dificuldade de engravidar, o que também pode trazer repercussões psicológicas que podem afetar o dia a dia e o bem-estar da mulher e sua família.

Apesar de números tão expressivos e repercussões consideráveis na vida, a mulher com endometriose pode ter como grande obstáculo a dificuldade de ter o diagnóstico, pois este é difícil, porque não basta um exame físico após a suspeita clínica, ainda é preciso fazer uso de outros exames como o ultrassom pélvico, a ultrassonografia transvaginal com preparo intestinal e a ressonância magnética com protocolos especializados, além de um profissional médico que tenha experiência nesse diagnóstico. A videolaparoscopia já foi considerada padrão ouro para o diagnóstico da endometriose, mas com o avanço dos exames de imagem, ela só é indicada para mulheres em que o tratamento clínico não funcionou e que através da imagem não se consiga fechar o diagnóstico, porque em alguns casos, só é possível identificar lesões superficiais.

Nesse viés, é indispensável a divulgação à população sobre a consulta de enfermagem para a mulher e a capacitação desses profissionais para a realização adequada da anamnese, do exame físico, do diagnóstico de enfermagem e da conduta correta. Com relação à divulgação sobre a consulta de enfermagem, é comum observar que muitas mulheres ainda procuram especialistas para a realização de suas consultas. Nesse sentido, é importante a divulgação da autonomia do enfermeiro por meio de veículos de comunicação ー revistas, jornais, televisão, whatsapp, instagram, Facebook e Twitter ー a fim de ampliar o acesso das mulheres na Atenção Primária e no tratamento precoce.

No caso da endometriose, é comum que as mulheres descubram o seu diagnóstico somente 10 anos depois do início dos sintomas e o diagnóstico tardio de doenças como endometriose ou CCU podem resultar em tratamentos cirúrgicos e muita das vezes esterilização.

Por conseguinte, mulheres que apresentem os seguintes sintomas devem procurar avaliação:

- Dor pélvica (cólicas intensas);

- Sangramento fora do período menstrual;

- Infertilidade;

- Dispareunia;

- Metrorragia.

Cabe mencionar que, caso a mulher não identifique nenhum desses sintomas, também necessita ir às consultas regularmente, para realização do citopatológico de colo uterino e do exame clínico das mamas (ECM). Durante a consulta, o enfermeiro poderá avaliar outras questões referentes à saúde da mulher e solicitar avaliação de outros profissionais de saúde sempre que necessário.

Dado o exposto, a divulgação acerca da prevenção de agravos à saúde da mulher deve partir dos profissionais de saúde e utilizando diversas ferramentas para garantir a melhora do conhecimento sobre os agravos, acessibilidade e tratamento precoce de forma interdisciplinar.





Autor: Dolores Henriques
Fonte: PEBMED
Sítio Online da Publicação: PEBMED
Data: 15/03/2022
Publicação Original: https://pebmed.com.br/marco-lilas-e-marco-amarelo-um-mes-com-foco-no-cuidado-com-a-saude-da-mulher/

Infecções respiratórias: probióticos no tratamento e prevenção

As infecções respiratórias são quadros extremamente comuns, tanto na população pediátrica quanto em adultos. A pandemia da covid-19 trouxe novos reconhecimentos desses quadros como causadores de grande morbidade e mortalidade para a população. Os quadros infecciosos respiratórios trazem inúmeros prejuízos econômicos e financeiros, visto as altas taxas de hospitalizações, absenteísmo e custos para seu tratamento.

A grande variedade de agentes etiológicos e a limitada disponibilidade de vacinas para esses agentes gera um grande desafio preventivo na prática. Assim, formas adicionais de prevenção têm sido buscadas na literatura, com interesse da população geral acerca de evidências a esse respeito.


Veja como a Cellera Farma contribui para a saúde do Brasil

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Infecções respiratórias: o que são?

As infecções respiratórias consistem em síndromes clínicas caracterizadas pela invasão do trato respiratório, em qualquer parte, com produção de sinais e sintomas. Podem ocorrer tanto nas vias aéreas superiores, quando produzem os quadros de resfriado comum, rinites, sinusites, adenoidites, faringoamigdalites, epiglotites e laringites, quanto nas vias aéreas inferiores, onde causam as traqueítes, bronquiolites, tuberculose pulmonar e pneumonias. Em algumas situações, podem ser acometidas mais de uma parte das vias aéreas.

As infecções respiratórias são particularmente graves em alguns grupos, como crianças, idosos, portadores de doenças crônicas, grupos desfavorecidos socialmente e minorias étnicas. A maior parte dos quadros são causados por vírus, apesar de bactérias, fungos e parasitas também estarem envolvidos.

As infecções respiratórias de etiologia viral revestem-se de importância pelo seu alto contágio, com surgimento de surtos e epidemias associados, inclusive nos ambientes de creches e escolas. Geralmente, apresentam um caráter sazonal, com aumento dos casos nos períodos do outono e inverno. Porém, podem ocorrer em qualquer época do ano, como observado no último surto de influenza H3N2 observado em várias cidades brasileiras nos meses de dezembro de 2021 e janeiro de 2022.

Como a microbiota intestinal interfere nas infecções respiratórias?

A microbiota intestinal é composta por aproximadamente 104 bactérias de cerca de 1000 espécies diferentes. Os filos Firmicutes e Bacteroidetes formam cerca de 90% dessa microbiota. Chunxi et al (2020) ressaltam as semelhanças que as mucosas intestinal e respiratória apresentam: estrutura embrionária comum, funções estruturais e anatômicas semelhantes e colonização microbiana no início da vida ocorrendo de forma parecida. Assim, essas duas estruturas apresentam relações íntimas, reconhecidas como o eixo intestino-pulmonar (“Gut-lung axis”), com interações recíprocas que podem contribuir para suas funções.

Mudanças na microbiota intestinal não alteram apenas a função desse órgão, mas também podem causar desvios na função de vários outros órgãos. Diversos estudos têm sugerido que mudanças na microbiota intestinal estão associadas a doenças como alergias, doenças autoimunes, diabetes, obesidade e neoplasias, apesar dos mecanismos pelos quais essa relação ocorre ainda não estarem completamente compreendidos.

A microbiota intestinal tem sido reconhecida como tendo um papel relevante com relação à imunomodulação do hospedeiro, incluindo no que diz respeito ao trato respiratório. O papel exato da microbiota intestinal no trato respiratório ainda não é conhecido, mas mecanismos possíveis descritos na literatura sugerem que a regulação da população de células T, a produção de metabólitos da microbiota (como os ácidos graxos de cadeia curta), o desenvolvimento da tolerância imunológica, o aumento da produção de imunidade da mucosa (através do aumento da IgA) e a regulação da produção de citocinas estão envolvidas nessa relação.

Com relação ao papel da microbiota nas infecções respiratórias, diversos autores têm ressaltado a importância dessas relações. Chaux et al (2020) descrevem que a microbiota intestinal beneficia a mucosa respiratória através do estímulo à sua imunidade de mucosa e ao aumento da proteção contra infecções respiratórias, à distância, através da modulação da resposta imune do hospedeiro. Estudos têm observado a diferença da microbiota intestinal em pacientes com determinadas infecções respiratórias (vírus sincicial respiratório, influenza e tuberculose) quando comparados a pacientes sadios.

A desregulação da microbiota intestinal pode gerar um desbalanceamento da resposta imune contra vírus e bactérias, conforme apontam Shahbazi et al (2020). Os mesmos autores esclarecem que a microbiota intestinal está associada à sinalização pela via dos interferons, que são cruciais para a resposta contra infecções virais. Essa modulação pode também ocorrer no trato respiratório, através da migração de células imunológicas da mucosa gastrointestinal para o trato respiratório. Além disso, a microbiota intestinal esteve associada tanto à regulação da imunidade inata quanto da imunidade adquirida.

Avaliação do uso de probióticos na prevenção e tratamento das infecções respiratórias

Segundo Suez et al (2019), os probióticos podem ser definidos como “microrganismos vivos que conferem benefícios na saúde quando consumidos em quantidades adequadas”. Geralmente, são compostos por cepas das espécies Lactobacillus, Bifidobacterium ou Saccharomyces. Os probióticos têm sido implicados no tratamento da disbiose, que é um desbalanço na população microbiana comensal que pode comprometer a função da mucosa intestinal. O uso dos probióticos apresenta o potencial de manter a barreira de mucosa intestinal e exercer atividade imunomodulatória, através da prevenção ou tratamento da disbiose.

O uso de probióticos como forma de prevenção e tratamento das infecções respiratórias tem sido levantado na literatura, baseado nos achados de que a microbiota intestinal apresenta um papel fundamental na imunomodulação do sistema respiratório, afetando sua capacidade de defesa contra agentes invasores. A ideia do uso dos probióticos para a melhora dos quadros de infecções respiratórias é que, ao se melhorar a microbiota intestinal, é possível realizar um melhor ajuste dos mecanismos de proteção da via respiratória. Por exemplo, o uso de probióticos em ratos foi associado ao aumento da produção de diversas citocinas (incluindo o TNF-alfa e o IFN-gama) a nível de mucosa respiratória em um estudo experimental.

Suez et al (2019) relatam que diversas metanálises e revisões sistemáticas sugerem que os probióticos podem ser eficazes em reduzir a gravidade, duração e incidência de infecções respiratórias em crianças e adultos, apesar da baixa evidência desses estudos.

Uma revisão de 2018 (Robinson et al, 2018) encontrou estudos randomizados nos quais o uso de probióticos, especialmente de cepas do Lactobacillus rhamnosus, esteve associado, com relevância estatisticamente significativa, à redução de pneumonia associada à ventilação mecânica. Já a metanálise realizada por Long et al (2017) encontrou redução nas taxas de infecção respiratórias superiores, redução de absenteísmo escolar e redução do uso de antibióticos associado a infecções respiratórias com o uso de probióticos, apesar das qualidades das evidências também ser baixa.

Uma revisão sistemática brasileira (Araujo et al, 2015) encontrou resultados que sugerem que o uso de probióticos está relacionado com a redução de novos episódios de infecções respiratórias, principalmente em pacientes com história clínica de infecções respiratórias de repetição.

Apesar disso, geralmente os estudos indicativos do benefício do uso dos probióticos em infecções respiratórias são baseados em estudos in vitro ou com metodologias inadequadas. Os que são baseados em metodologias apropriadas, como estudos duplo-cego, controlados por placebo, frequentemente apresentam resultados contraditórios. Os mecanismos de benefício dos probióticos na prevenção de doenças respiratórias ainda não são completamente compreendidos, e ainda não está claro se os custos relacionados com o uso de probióticos justificam o uso deles para fins de prevenção e tratamento de infecções respiratórias.

Por ora, apesar de poucas orientações clínicas disponíveis, há uma crescente tendência de estudar e aplicar na prática o uso dos probióticos na prevenção e no tratamento adjuvante das doenças infecciosas respiratórias. Diversos estudos já destacam a importância da modulação da microbiota através do uso dos probióticos como um mecanismo promissor no controle dos processos inflamatórios. Apesar disso, há a necessidade de mais testes clínicos randomizados, além do estabelecimento de protocolos padronizados para uso clínico, para que a aplicabilidade clínica seja feita de forma segura e eficaz.





Autor: Dolores Henriques
Fonte: PEBMED
Sítio Online da Publicação: PEBMED
Data: 15/03/2022
Publicação Original: https://pebmed.com.br/infeccoes-respiratorias-probioticos-no-tratamento-e-prevencao/

segunda-feira, 7 de março de 2022

Existe prevenção primária para endometriose?

De acordo com dados epidemiológicos recentes existe maior chance de desenvolver endometriose mulheres que tiveram menarca precoce, apresentam ciclo menstrual curto, ciclos hipermenorrágicos, tamanho corporal magro, poucas gestações e menor paridade. Pesquisadores acreditam que a exposição a poluentes e alergia a níquel são fatores de risco para o desenvolvimento desta patologia, porém, não temos dados suficientes para confirmar tal suspeita.

Do mesmo modo que os poluentes citados acima, não há evidências robustas que sustentem uma associação significativa entre dieta e endometriose. Embora as mulheres com endometriose consumam menos vegetais, frutas cítricas, laticínios, bem como alimentos ricos em vitamina D e ômega-3 e mais carne vermelha, café e gorduras trans. A suplementação de ômega-3 e vitamina D podem ser benéficos para prevenção e para controle das dores nestas pacientes, embora seja necessário mais estudos para qualificar essa recomendação.


Fatores preventivos

Existem evidências científicas recentes sobre estilo de vida e dieta saudáveis, com redução do consumo de álcool e atividade física regular para a prevenção da endometriose. Aliás, independentemente da endometriose, os benefícios de um estilo de vida saudável são bem conhecidos. Até onde sabemos, a proposta de estilo de vida saudável pode ser considerada uma opção viável e aceitável para melhorar a saúde no geral, e também pode ser benéfica para o risco de endometriose. No entanto, ainda é necessário mais estudos para esta recomendação tornar-se fortemente embasada cientificamente.

Já as evidências sobre a profilaxia de endometriose com o uso de anticoncepcionais orais são controversas. Aparentemente, os anticoncepcionais orais melhoram o quadro álgico, mas não impedem a evolução da doença. De modo que não deve ser recomendado o uso de anticoncepcionais orais para prevenção da endometriose ou impedir sua evolução.




Autor: Letícia Suzano Lelis Bellusci
Fonte: PEBMED
Sítio Online da Publicação: PEBMED
Data: 07/03/2022
Publicação Original: https://pebmed.com.br/existe-prevencao-primaria-para-endometriose/

Covid-19: Fabricante faz recall de milhões de autotestes de antígeno nos EUA

 Recentemente, indo ao encontro do entendimento de outras Agências internacionais, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou a comercialização e o uso dos chamados autotestes  para detecção do antígeno do Sars-CoV-2 no Brasil.  

E, seguindo a resolução da Anvisa, os autotestes para Covid-19 devem ser submetidos a um monitoramento pós-comercialização, a fim de que haja a possibilidade da notificação rápida de queixas técnicas e eventos adversos. 

Nos Estados Unidos, assim como em grande parte dos países desenvolvidos, o uso de autotestes já é realidade há mais de um ano. Dessa forma, devido ao tempo maior de comercialização desses dispositivos, algumas inconformidades já foram detectadas e relatadas às Autoridades, como é o caso do recolhimento desses testes. 


O comunicado de recall 

O FDA (Food and Drug Administration), órgão norte-americano equivalente à Anvisa, emitiu um comunicado no final de 2021, anunciando um recall de alguns lotes de um dos autotestes previamente aprovados pela Agência.  

Foi observado uma quantidade maior que a aceitável de resultados falso-positivos do teste “Ellume COVID-19 Home Test”. Após a análise pelo FDA, o recall foi considerado como “Classe I”, o tipo mais sério de recolhimento segundo a classificação da Agência. 

Um total de 35 notificações de resultados falso-positivos foi relatada ao FDA sem, contudo, registros de óbitos. Devido a esses resultados, houve a necessidade do recolhimento de mais de dois milhões de testes (precisamente 2,212,335) de diferentes lotes do produto. 

Quais os possíveis impactos que um resultado falso-positivo pode acarretar? 

Esse tipo de resultado leva a impressão de que a pessoa possui o vírus, quando, na verdade, ela não está contaminada. Algumas consequências foram listadas pelo FDA, como por exemplo: 

O atraso no diagnóstico e tratamento da real condição clínica que o paciente eventualmente apresenta; 

Possibilidade de transmissão do SARS-CoV-2 quando, baseado em um resultado falso, pacientes presumidamente positivos são colocados juntos em um mesmo ambiente; 

Tratamento desnecessário para Covid-19, o que pode desencadear efeitos colaterais; 

Desconsideração de precauções recomendadas contra a Covid-19, incluindo vacinação; 

Necessidade de isolamento social e afastamento da escola/trabalho.

Mensagem final 

Ao proporcionar resultados quase que imediatos para uma rápida tomada de decisão, os autotestes são considerados uma importante ferramenta de triagem para os casos de Covid-19, auxiliando a interromper a cadeia de transmissão.  

Entretanto, assim como todo teste laboratorial, seu desempenho analítico pode ser afetado por variáveis situações e interferências, dentre elas a possibilidade de resultados falso-positivos (assim como falso-negativos).  

No Brasil, os resultados dos autotestes possuem caráter estritamente orientativo, ou seja, de triagem. Dessa forma, é recomendado que o indivíduo procure atendimento em um serviço de saúde para a confirmação diagnóstica, permitindo a notificação do caso e demais orientações necessárias.  

Importante salientar que, até o momento, seis autotestes já foram aprovados pela Anvisa, contudo, esses testes são de fabricantes diferentes do produto objeto desse recall americano. 

Autor: Pedro Serrão Morales

Graduação em Medicina pela Universidade Gama Filho (UGF) • Residência Médica em Patologia Clínica/Medicina Laboratorial pela Universidade Federal Fluminense (UFF) • Membro titular da Sociedade Brasileira de Patologia Clínica/Medicina Laboratorial (SBPC/ML) • Pós-Graduado em Medicina do Trabalho pela Faculdade Souza Marques (FTESM) • Médico Patologista Clínico do Laboratório Morales • Médico Patologista Clínico do Laboratório Central do Hospital Universitário Antônio Pedro (HUAP/UFF) • Médico do corpo clínico do Instituto Estadual de Doenças do Tórax Ary Parreiras (IETAP)

Referências bibliográficas: 

 Agência Nacional de Vigilância Sanitária – Anvisa. Anvisa aprova o registro do primeiro autoteste para Covid-19 no Brasil. Disponível em: https://www.gov.br/anvisa/pt-br/assuntos/noticias-anvisa/2022/anvisa-aprova-o-registro-do-primeiro-autoteste-para-covid-19-no-brasil#:~:text=A%20Anvisa%20aprovou%20nesta%20quinta,M%C3%A9dico%2DHospitalares%20e%20Odontol%C3%B3gicos%20Ltda. 

Agência Nacional de Vigilância Sanitária – Anvisa. Anvisa regulamenta a utilização de autotestes para Covid-19. Disponível em: https://www.gov.br/anvisa/pt-br/assuntos/noticias-anvisa/2022/anvisa-regulamenta-a-utilizacao-de-autotestes-para-covid-19. 

Food and Drug Admnistration (FDA). Ellume Recalls COVID-19 Home Test for Potential False Positive SARS-CoV-2 Test Results. Disponível em: https://www.fda.gov/medical-devices/medical-device-recalls/ellume-recalls-covid-19-home-test-potential-false-positive-sars-cov-2-test-results. 

Kost GJ. Home Antigen Test Recall Affects Millions: Beware False Positives, but Also Uncertainty and Potential False Negatives. Arch Pathol Lab Med. 2021 Dec 29. doi: 10.5858/arpa.2021-0563-LE. Epub ahead of print. PMID: 34964832. 

Novel Coronavirus (Covid-19) Autoteste Antígeno. Bioscience (Tianjin) Diagnostic Technology Co., Ltd. Bula de fabricante.



Autor: Pedro Serrão Morales
Fonte: PEBMED
Sítio Online da Publicação: PEBMED
Data: 07/03/2022
Publicação Original: https://pebmed.com.br/covid-19-fabricante-faz-recall-de-milhoes-de-autotestes-de-antigeno-nos-eua/

sexta-feira, 4 de março de 2022

Avaliação do desenvolvimento auditivo em crianças

 No próximo dia 03 de março, é comemorado o dia da Audição. Esta data, instituída pela Organização Mundial de Saúde, tem como objetivos, a divulgação de informações para promoção de cuidados com a saúde auditiva de todos, à nível mundial, e também, a conscientização sobre deficiência auditiva. A audição é uma função sensorial importante e está relacionada à aquisição de outras habilidades como a fala, a comunicação e a socialização. Para que o desenvolvimento da função auditiva aconteça, é fundamental a integridade da anatomia e função das estruturas auditivas, bem como do sistema nervoso central e periférico.

Desenvolvimento auditivo na criança

Durante o acompanhamento do desenvolvimento de uma criança, o enfermeiro deve se atentar para aspectos relacionados ao desenvolvimento global, incluindo o desenvolvimento  auditivo, principalmente em crianças com fatores de risco para perdas auditivas ou que necessitaram de internação em unidade de terapia neonatal.


Ao longo do desenvolvimento, o bebê passa por fases de maturação da função auditiva. O sistema auditivo já está formado ao nascimento, e o bebê apresenta uma audição reflexa. Com a exposição a estímulos sonoros, o bebê vai vivenciando experiências auditivas, que provocam respostas comportamentais esperadas, de acordo com sua idade cronológica.

A primeira fase do desenvolvimento auditivo é a detecção do som. Nessa fase, ocorre a percepção da presença ou ausência do som. Em seguida, a criança aprende a discriminação auditiva, em que ela começa a ser capaz de perceber dois sons diferentes. Ao longo do desenvolvimento, a criança aprende a reconhecer determinado som, classificar e nomear o que ouviu, podendo apontar a fonte sonora ou mesmo repetir o som. Por fim, na fase de compreensão auditiva, a criança além de compreender o som, ela é capaz de elaborar uma resposta para aquele som (ex: ouve uma pergunta, compreende e forma uma resposta).

Do nascimento aos 3 meses de vida, o bebê apresenta o Reflexo de Moro que é  desencadeado em bebês com audição normal, quando expostos a estímulos de 65 dB NPS ou mais. Nessa idade, ao ouvir a voz da mãe, ele apresenta comportamento de ficar mais calmo. Até os 6 meses, o bebê começa a ser capaz de fazer a localização lateral do som, virando a cabeça para a fonte sonora.

Aos 9 meses, a localização lateral é mais rápida, e o bebê vira a cabeça de forma mais brusca em direção ao som lateral. Os comandos simples começam a ser compreendidos aos 10 meses como dar “Tchau”, mandar beijo, bater palma. A partir dos 13 meses, o som é localizado em todas as direções.

Além da avaliação do desenvolvimento da audição, é importante que o enfermeiro avalie, em sua consulta, a presença do Reflexo Cocleopalpebral. Esse reflexo é apresentado em todas as idades quando há exposição a sons de forte intensidade, em torno de 90 dBNPS. A ausência de reflexo deve ser investigada, podendo ser sinal de alteração auditiva ou não.

Cerca de 1 a 6 recém nascidos, a cada cem mil nascidos vivos, e 1 a 4 recém nascidos, a cada cem bebês que necessitaram de internação em unidade de terapia intensiva neonatal apresentam perda auditiva. Os estudos mostram que 50% dos casos de perda auditiva poderia ser prevenida ou ter os seus efeitos minimizados se diagnóstico e intervenção precoces.

Mensagem final

Atualmente, a Triagem Auditiva Neonatal deve ser realizada em todos os bebês, preferencialmente nas primeiras 24 a 48 horas de vida, ainda na maternidade. Nos casos em que não tenha sido feito na maternidade e bebês nascidos em domicílio, a Triagem deve ser realizada no primeiro mês de vida do bebê, exceto em bebês que não tenham condições de saúde para realização da triagem....

 




Autor: Nathalia Schuengue
Fonte: PEBMED
Sítio Online da Publicação: PEBMED
Data: 03/03/2022
Publicação Original: https://pebmed.com.br/avaliacao-do-desenvolvimento-auditivo-em-criancas/