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sexta-feira, 24 de fevereiro de 2023

Projeto busca relatos de experiências no SUS

A equipe do projeto VideoSaúde e IdeiaSUS está convocando projetos de todas as regiões do Brasil para relatar suas experiências na Plataforma IdeiaSUS, no intuito de que os relatos fiquem disponíveis e preservados no acervo, criando pontes entre serviços e trabalhadores do SUS para seu fortalecimento e memória. Para saber como incluir as práticas no site do IdeiaSUS, é necessário se cadastrar como usuário e criar uma conta. Há um tutorial disponível, que explica detalhadamente todo o procedimento.



A produção da série Clínicas da família e SUS, segundo a equipe do projeto, tem servido para capilarizar e divulgar distintas ações do SUS e seus profissionais. Como mostra a mensagem contando sobre projeto realizado na Paraíba:

“Sou Cristiane Cosmo Silva Luis, nutricionista e doutoranda em Ciências da Nutrição, na Universidade Federal da Paraíba-UFPB. Meu orientador é o nutricionista pesquisador Prof. Dr. José Luiz de Brito Alves. O meu projeto de pesquisa está sendo desenvolvido com crianças obesas em escolas municipais de João Pessoa-PB. Realizo a intervenção com as crianças de Educação Alimentar e Nutricional e exercícios físicos, avalio antes e após da intervenção a microbiota intestinal, perfil inflamatórios, consumo alimentar Rec24h, frequência de consumo de alimentos açucarados, gorduras e industrializados e outras variáveis envolvendo a gestação e infância das crianças.

O meu projeto faz parte de grande projeto aprovado no Programa Pesquisa para o SUS (PPSUS). Vi um dos curta metragens da Fiocruz, gostaríamos de fazer algo assim com a nossa pesquisa/ projeto. Vocês poderiam nos fornecer subsídios para realizarmos a filmagem?”.

Sobre a série Clínicas da família e SUS

A série Clínicas da família e SUS, produzida pela VideoSaúde em parceria com o IdeiaSUS, terá vários episódios exibidos pelo canal Futura em 2023. Os curta-metragens retratam diferentes ações e ofícios desenvolvidos em clínicas da família no chamado Subúrbio da Leopoldina, no Rio de Janeiro. Em TerritórioRua, uma unidade básica de saúde mostra um caminho de mudança no acolhimento de pessoas em situação de rua. Em Construtoras de caminhos, a câmera acompanha o cotidiano do Núcleo de Atenção Interdisciplinar do Desenvolvimento Infantil (Naidi), que atende crianças com diferentes deficiências. Já CorpoAlma revela como o grupo interdisciplinar de reeducação alimentar e obesidade funciona como um espaço de acolhimento, orientação qualificada, valorização e empoderamento de mulheres.

IdeiaSUS: acervo conta com mais de 2 mil práticas do SUS

O IdeiaSUS é uma iniciativa da cooperação técnica entre a Fiocruz, o Conselho Nacional de Secretários de Saúde (Conass) e o Conselho Nacional de Secretarias Municipais de Saúde (Conasems), no âmbito da Rede de Apoio à Gestão Estratégica do SUS. Conta, atualmente, com mais de 2.300 práticas e inovações. Tem como objetivo identificar, reunir e disponibilizar um banco de “práticas e soluções” em Saúde e Ambiente. Parte do princípio que a troca de experiências, “exitosas ou não”, são essenciais ao processo de consolidação e fortalecimento do SUS. Mais de 800 municípios brasileiros têm práticas descritas no IdeiaSUS.

Repositório Audiovisual de Práticas do IdeiaSUS

O projeto também faz parte do Repositório Audiovisual de Práticas do IdeiaSUS, no canal da VideoSaúde no YouTube, onde também se encontram os vídeos sobre o Ambulatório de Atenção à Saúde da População Travesti e Transexual João Walter Nery, em Niterói (RJ); as estratégias de integração e qualificação do cuidado em saúde da Rede de Saúde do município de Quissamã, no Rio de Janeiro; e as oficinas terapêuticas de cuidado em saúde mental, promovidas em Lajeado (RS).

Unidades básicas de saúde visitadas - Os curtas da série Clínicas da família e SUS foram desenvolvidos no âmbito de uma série de visitas da equipe do IdeiaSUS a unidades básicas de saúde da região de Atenção Primária 3.1 no Rio de Janeiro. Foram visitadas mais de 30 unidades, entre dezembro de 2021 e fevereiro de 2022, para mapeamento de suas atividades e apresentação da Plataforma IdeiaSUS. O projeto segue incorporando práticas da região no IdeiaSUS. Agora, dos centros de atenção psicossocial da região.

A AP 3.1 localiza-se no entorno do eixo da Estrada de Ferro da Leopoldina e congrega seis regiões administrativas: Ramos, Penha, Vigário Geral, Ilha do Governador, Complexo do Alemão e Complexo da Maré. O conjunto de bairros da AP 3.1 abriga, de acordo com o Censo de 2010 do IBGE, mais de 1 milhão de mil habitantes. Trata-se de uma população composta majoritariamente por jovens adultos – um terço do total está na faixa etária de 20 a 39 anos – e com 13% acima dos 60 anos. A AP 3.1 possui 186 equipes de Saúde da Família, 58 equipes de Saúde Bucal e sete Núcleos de Apoio à Saúde da Família.

“Há muitas inovações e boas iniciativas concluídas e em andamento nas unidades básicas. Essas práticas precisam ser compartilhadas e capilarizadas. Indicam um SUS vivo e presente na vida das pessoas”, cometa Wagner de Oliveira, da equipe do projeto VideoSaúde e IdeiaSUS.

Outros documentários da série disponíveis na Plataforma de filmes da VideoSaúde

TerritórioRua

Eles não têm CEP. Vivem onde as pessoas estão apenas de passagem. Ruas, calçadas, jardins, bancos de praças, abaixo de marquises e viadutos. Em escadas e vãos ao relento que levam a portas fechadas. São, muitas vezes, invisíveis. Uma unidade básica de saúde mostra um caminho de mudança neste estado de coisas.

Construtora de Caminhos

O cotidiano do Núcleo de Atenção Interdisciplinar do Desenvolvimento Infantil (Naidi) que atende crianças com diferentes deficiências. O serviço atravessa a vida dos pacientes e seus familiares e revela a importância do SUS e de seus profissionais e ofícios para a vida de milhares de famílias que necessitam do mesmo tipo de cuidado e acolhimento. A câmera entra na rotina do Naidi, ouve quem participa e atende e mostra os elos entre uma unidade básica de saúde e as pessoas.

CorpoAlma

O grupo interdisciplinar de reeducação alimentar e obesidade da Clínica da Família Augusto Boal, no Rio de Janeiro, é muito mais do que um espaço de controle da obesidade e de reeducação alimentar. É um lugar de acolhimento, reconhecimento e pertencimento. Do corpo e da alma. Ao mesmo tempo que se perde peso, amplia-se a autoestima. Os cuidados com si mesma. De atenção ao espaço-tempo da mulher. Um retrato sem retoques do conceito ampliado de saúde.






Autor: Icict/Fiocruz
Fonte: Fiocruz
Sítio Online da Publicação: Fiocruz
Data: 23/02/2023
Publicação Original: https://portal.fiocruz.br/noticia/projeto-busca-relatos-de-experiencias-no-sus

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2023

SUS em destaque no Canal Saúde






Em fevereiro, a programação da VideoSaúde no Canal Saúde valoriza a importância do SUS e de colaboradores com suas ações voltadas para atenção à saúde mental promovidas pelos CAPS e com a exibição da série de documentários IdeiaSUS.


A programação também exibe Alzheimer: mudanças na comunicação e no comportamento, com acessibilidade em Libras, destacando o cuidado a idosos que sofrem dessa doença degenerativa e o impacto dela em seus familiares cuidadores, entre outras produções.

Veja, abaixo, a programação completa:

06/02, segunda-feira, 22h30 - Alzheimer: mudanças na comunicação e no comportamento | tradução em Libras 

A doença de Alzheimer é uma patologia neurológica progressiva e irreversível que atinge toda a família, pois muda, significativamente, o cotidiano e traz forte repercussão emocional, principalmente, para aqueles que assumem a função de cuidador. Com o objetivo de tentar esclarecer algumas das incertezas que cercam os familiares durante a evolução da doença, este documentário apresenta informações básicas sobre mudanças na comunicação e no comportamento que são os fatores de maior impacto e desestruturação familiar.

Reprises:
08/02, quarta, às 22h30
10/02, sexta, às 22h30
12/02, domingo, às 21h30

13/02, segunda-feira, 22h30 - Caminhos da curadoria - IdeiaSUS | Curadoria em saúde - caminhos possíveis

Caminhos da curadoria – IdeiaSUS

Levantando a questão do que se trata a curadoria em saúde, o vídeo traz o significado do que é a iniciativa: um trabalho de unificação de gestores, profissionais de saúde e a comunidade usuária trocando conhecimento de cuidado, orientação e gestão com a finalidade de fortalecer o SUS. A produção embarca numa viagem pelo Brasil apresentando projetos que explicam o que é a prática e webconferências com participantes que atuam na área da saúde comentando a relevância das atividades de curadoria.

Curadoria em saúde - caminhos possíveis

Práticas de saúde desenvolvidas no SUS por uma rede colaborativa que quer promover com suas ações a melhoria na qualidade de vida da população proporcionando inovação na relação de cuidado e atendimento. 

Reprises:
15/02, quarta, às 22h30
17/02, sexta, às 22h30
19/02, domingo, às 21h30

20/02, segunda-feira, 22h30 - SOS Saúde Mental | Mudanças alimentares na pandemia de Covid-19

SOS Saúde Mental 

O desmonte da rede de atenção psicossocial no Rio de Janeiro e da precarização do trabalho nos CAPS durante a pandemia. O documentário é um produto da pesquisa "Monitoramento da saúde, acesso à EPIs de técnicos de enfermagem, agentes de combate às endemias, enfermeiros, médicos e psicólogos, no município do Rio de Janeiro em tempos de COVID-19", coordenada pelas pesquisadoras da Fiocruz Regimarina Reis, Leticia Batista e Mariana Nogueira. A pesquisa contou também com pesquisadores da Uerj e UFRJ e com o financiamento do Inova Fiocruz.

Mudanças alimentares na pandemia de Covid-19

A população brasileira alterou os hábitos alimentares durante a pandemia de Covid-19. É o que mostra o estudo NutriNet Brasil. O consumo de alimentos saudáveis pelos brasileiros aumentou. No entanto, entre os setores sociais mais vulneráveis, cresceu o consumo de alimentos industrializados. A equipe Covid-19 DivulgAÇÃO Científica conversa com a pesquisadora Fernanda Rauber, da Universidade de São Paulo, que fala sobre o estudo de padrões alimentares durante a pandemia. 

Reprises:
22/02, quarta, às 22h30
24/02, sexta, às 22h30
26/02, domingo, às 21h30

27/02, segunda-feira, 22h30 - TerritórioRua - IdeiaSUS/Rio de Janeiro | Sistema Único de Saúde – SUS

TerritórioRua -  IdeiaSUS/Rio de Janeiro

Eles não têm CEP. Vivem onde as pessoas estão apenas de passagem: ruas, calçadas, jardins, bancos de praças, debaixo de marquises e viadutos, em escadas e vãos ao relento. São muitas vezes invisíveis. Uma unidade básica de saúde mostra um caminho de mudança neste estado de coisas.

Sistema Único de Saúde - SUS

Entenda o funcionamento e a importância do Sistema Único de Saúde - SUS para a população brasileira que, além de ser gratuito, possui serviços que abrangem desde consultas até cirurgias de alta complexidade como, por exemplo, transplante de órgãos.

Reprises:
01/03, quarta, às 22h30
03/03, sexta, às 22h30
05/03, domingo, às 21h30

28/02, terça-feira, 23 horas - Programa VideoSaúde Especial - Trajetória de uma missão | A dengue e a Covid-19 | Sala de situação - HCFAMEMA

Trajetória de uma Missão 

A narrativa é apresentada por meio de relatos de migrantes, refugiados e servidores humanitários que estão no estado de Roraima e na cidade de Manaus (AM), que sonham com um futuro melhor, mais acolhedor e trabalhando para oportunizar a milhares de cidadãos venezuelanos a reconstrução de suas vidas no Brasil.

A dengue e a Covid-19 

Uma epidemia de dengue pode agravar ainda mais a situação do sistema de saúde do país já sobrecarregado com os casos de Covid-19 se multiplicando no Brasil. A equipe Covid-19 DivulgAÇÃO Científica conversa com a Camila Lorenz, pós-doutoranda em epidemiologia na Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo, para saber mais sobre o assunto.

Sala de situação - HCFAMEMA

O vídeo documenta o desenvolvimento do Jogo da Sala de Situação (Comitê de Crises) criado para definir as estratégias de ação do hospital conforme avança ou se altera o estágio da pandemia. O jogo simula as decisões que um gestor de hospital precisa tomar no planejamento para o enfrentamento da Covid-19, monitorando o número de casos confirmados e o ambiente hospitalar, além de gerir os recursos disponíveis para poder atender, adequadamente, os pacientes que necessitam de intervenção médica para tratar os sintomas. Os jogadores precisam fazer o planejamento e a gestão de crise conforme faz a Sala de Situação do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina de Marília (HCFAMEMA). 

Reprise:  02/03, quinta-feira, às 23 horas






Autor: Icict/Fiocruz
Fonte: Fiocruz
Sítio Online da Publicação: Fiocruz
Data: 08/02/2023

sexta-feira, 16 de dezembro de 2022

‘Apagão de dados’ no SUS



CRÉDITO,AGÊNCIA BRASIL
Legenda da foto,

Algumas projeções falam até em 'inviabilidade do SUS'


O Grupo de Trabalho (GT) sobre Saúde do Governo de Transição diagnosticou a principal ameaça aos primeiros meses de governo: a falta de informações.


"Recebemos dados confusos, que não batem, que estão incompletos… O atual governo nem consegue nos dizer quantas vacinas estão para vencer em breve", relata o médico Arthur Chioro, coordenador do GT e ex-ministro da Saúde.


"E isso chega até a inviabilizar algumas das ações que precisam ser tomadas", complementa.

O chamado "apagão" também é mencionado em relatórios do Tribunal de Contas da União (TCU) compartilhados com a equipe de transição, que mencionam até um possível "cenário insustentável" para o Sistema Único de Saúde (SUS).


O Ministério da Saúde nega essas alegações e diz ter todos os dados disponíveis.


Mas o que a possível ausência desses indicadores pode significar na prática para o novo governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT)? E como isso pode afetar as políticas públicas em saúde no curto e no médio prazo?


A BBC News Brasil ouviu especialistas para entender o cenário da saúde de 2023 e os principais entraves para as políticas públicas de prevenção e o tratamento de doenças entre os brasileiros.

A importância das estatísticas


A médica Fatima Marinho, assessora técnica sênior da Vital Strategies, organização global de saúde pública, explica que os dados são vitais para definir políticas e tomar decisões.


"Se eu sei que a cobertura de uma vacina está menor do que a meta estipulada, posso identificar quem não tomou as doses indicadas e lançar campanhas específicas para esse público", exemplifica.


"Ou seja: pela informação, consigo transformar a realidade e decidir quem, onde, como e por que vou fazer isso ou aquilo", complementa.


A especialista, que também trabalhou com essa área de epidemiologia e análise de estatísticas no Ministério da Saúde, acrescenta que manter os dados atualizados e disponíveis é primordial para "a sociedade acompanhar e cobrar os representantes".


Quando essas informações não estão disponíveis, tudo fica mais complicado: ora, como o governo será capaz de definir a compra de medicamentos para diabetes, por exemplo, se não sabe ao certo o número de portadores da doença no país?


A falta de dados pode levar ao desabastecimento — se os números forem subestimados — ou ao desperdício — caso sejam superestimados.


E, nesse caso, tanto a falta quanto o excesso podem ser prejudiciais. Seguindo o exemplo do diabetes: por um lado, a falta de medicamentos pode significar a piora da saúde (e até a morte) de muitas pessoas; por outro, o exagero na hora de comprar esses fármacos significa que o recurso público foi investido em algo que não era necessário, e pode faltar dinheiro para outras áreas.



CRÉDITO,GETTY IMAGES
Legenda da foto,

Saber quem tomou (ou não) as vacinas é essencial para orientar as estratégias de saúde pública

O que diz o TCU


Em junho, o TCU divulgou um relatório intitulado Lista de Alto Risco na Administração Pública Federal.


O documento, que traz análises sobre diversas áreas, como energia elétrica, benefícios sociais e segurança hídrica, dedica um capítulo inteiro para o acesso e a sustentabilidade do SUS.


Os responsáveis pelo artigo apontam como principais problemas do setor o cenário fiscal, a inflação, o envelhecimento da população e a judicialização (em que o governo acaba sendo obrigado pela Justiça a custear tratamentos para indivíduos).


O texto também apresenta os "problemas de governança e gestão que impactam custos e eficiência do SUS" entre 2015 e 2021.


Entre os pontos, estão o desperdício de recursos, as deficiências na pactuação federativa (quem é responsável por custear cada coisa entre Governo Federal, Estados e municípios), e ineficiências nos sistemas de auditoria do SUS.


Em novembro, o TCU também compartilhou com o governo de transição outros documentos, em que cita "indícios de insustentabilidade" do sistema público de saúde do país e afirma que o Governo Federal não possui dados específicos sobre a vacinação contra a covid, especialmente a respeito dos grupos prioritários e a divisão por faixa etária.


No tópico sobre tecnologias da informação em saúde, o documento cita o termo "apagão" e lista "deficiências no funcionamento dos comitês de governança" do Ministério da Saúde.


"Constatou-se que os dois comitês internos mais importantes da pasta — o Comitê Interno de Governança (CIG) e o Comitê de Informática e Informações em Saúde (CIINFO) — se encontravam inoperantes durante a maior parte do período de acompanhamento", escrevem os autores.


"As reuniões destes comitês foram retomadas no final do período acompanhado, já em 2022, após provocação da equipe de fiscalização", informam.


O relatório admite que aconteceram alguns avanços (como a própria retomada dos tais comitês, ainda considerada "incipiente"), mas indica a necessidade de implementar vários aperfeiçoamentos nessa área de dados em saúde.



CRÉDITO,AGÊNCIA SENADO
Legenda da foto,

TCU apresentou relatórios ao governo de transição com as principais deficiências do setor de saúde

O que diz o governo de transição


Chioro, que também é professor da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), afirma que muitos dados pedidos pelo GT de Saúde ao ministério "estão em sigilo".


"Eles não sabem dizer quantas vacinas contra a covid foram distribuídas para Estados e municípios, ou qual o prazo de validade das doses que estão em estoque", critica o coordenador.


O médico revela que, desde as eleições, o GT da Saúde fez 38 audiências com diversos representantes do setor, como a indústria farmacêutica, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), a Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), diversas associações de trabalhadores…


"Dessas, em 37 reuniões as pessoas apontaram a falta de informações como um problema", calcula.


"Descobrimos a duras penas que, no início de dezembro, o Ministério da Saúde não tinha feito a programação de compra das vacinas para a campanha contra a gripe, que começa em março ou abril do ano que vem", acrescenta.


Procurado pela BBC News Brasil, o Instituto Butantan, responsável pela fabricação das doses contra o vírus influenza usadas na rede pública do país, confirmou a informação.


A médica sanitarista Lucia Souto, presidente do Centro Brasileiro de Estudos de Saúde (Cebes) e integrante do GT, considera a situação "gravíssima".


"Como não há dados, não temos uma dimensão adequada do problema que enfrentaremos", diz.


"O que deu para constatar foi uma desmobilização do Programa Nacional de Imunizações (PNI) e de setores que cuidam da saúde da mulher, dos indígenas e da assistência farmacêutica, como o programa Farmácia Popular", lista.


A especialista, que também integra a Fundação Oswaldo Cruz (FioCruz), chama a atenção para uma "demanda represada" por diagnósticos e tratamentos para as mais variadas doenças.




"À época, ele afirmou que era necessário 'desconstruir muita coisa' no Brasil", lembra.


Na visão do especialista, isso de fato aconteceu em relação aos dados públicos em diversas áreas, como a saúde.


"Ao longo de muitos anos, eu fiz uma consulta sistemática ao site do Ministério de Ciência e Tecnologia para colher informações sobre gastos nacionais com pesquisa e desenvolvimento. E esses dados simplesmente deixaram de ser publicados nos últimos três anos. Algumas bases vão só até 2018 ou 2019", conta.


"Por um lado, temos a falta de competência das pessoas que foram colocadas em cargos importantes. Por outro, há um projeto de poder que se aproveita do sequestro e do apagamento de dados", opina.


Guimarães dá outro exemplo para entender como a ausência de números é prejudicial.


"O Censo deveria ser feito pelo IBGE em 2020, mas atrasou e só teremos os dados no início de 2023. Ou seja: todas as políticas públicas atuais são baseadas numa estimativa de 2010, sendo que nesse meio tempo tivemos uma queda na taxa de fecundidade e na expectativa de vida, além de uma pandemia que matou quase 700 mil brasileiros", diz o pesquisador, que também é professor aposentado da Universidade Federal do Rio de Janeiro.



CRÉDITO,IBGE
Legenda da foto,

Censo é fundamental para ter as estatísticas mais atualizadas da população brasileira e definir políticas públicas, explicam acadêmicos


Para Marinho, algumas decisões tomadas pelo governo durante a crise da covid-19 aumentaram a descrença sobre as estatísticas oficiais de saúde.


"Nós tivemos aquelas tentativas de não disponibilizar os dados de casos e mortes por covid, em que foi necessária até a criação de um consórcio de veículos de imprensa para coletar as informações com as Secretarias Estaduais da Saúde", lembra.


Já durante a vacinação contra o coronavírus, lembra a médica, os sistemas de informática de municípios, Estados e do Ministério da Saúde não "conversavam" e foram detectadas muitas discrepâncias entre as estatísticas locais e as do Governo Federal.


"Isso tudo gerou desconfiança, até porque o Brasil sempre foi um dos países mais avançados do mundo em termos de disponibilizar publicamente os dados de saúde", conta.


O infectologista Julio Croda, presidente da Sociedade Brasileira de Medicina Tropical, concorda que há de fato um apagão no momento.


"Não temos acesso adequado a respeito da cobertura vacinal, ou de quantas pessoas internadas receberam ou não as doses", afirma.


Mas o especialista, que é professor da FioCruz e também trabalhou no Ministério da Saúde, chama a atenção para algumas dificuldades crônicas de obter informações nessa área.


"Desde a criação do SUS em 1988, nunca tivemos um sistema com capacidade de avaliar o impacto das medidas que são tomadas", avalia.


"Com isso, sempre foi difícil saber o real impacto dos serviços que o SUS executa. Por exemplo, como um novo tratamento contra o AVC [Acidente Vascular Cerebral] reduziu os casos e as mortes em cada região? Ou qual foi o resultado da implementação de uma UPA [Unidade de Pronto Atendimento] numa cidade?", questiona.


"Esses processos de avaliação de saúde pública muitas vezes são feitos por instituições como a FioCruz e as universidades públicas, mas precisamos também que isso seja realizado de forma constante pelo próprio Ministério da Saúde", opina.

O que diz o governo


A BBC News Brasil procurou o Ministério da Saúde para saber qual o posicionamento do Governo Federal a respeito das alegações apresentadas por pesquisadores, entidades e a equipe de transição.


Em nota, a assessoria de comunicação disse que "é falsa a informação de falta de transparência dos dados relacionados à covid-19".


"O Ministério da Saúde possui todos os registros relacionados aos brasileiros vacinados contra a doença no país, como CPF, tipo de vacina administrada, data de administração, doses de reforço aplicadas, entre outros. Todas essas informações estão disponíveis para acesso da população por meio do aplicativo Conecte SUS."


A nota também defende que, "desde o início da pandemia, o Governo Federal atuou de forma célere e transparente para agilizar as medidas de prevenção, proteção e cuidado da população brasileira".


"A pasta apostou na compra diversificada de vacinas, garantindo mais de 700 milhões de doses com um investimento de mais de R$ 37 bilhões. Destas, mais de 550 milhões de doses já foram distribuídas a todos os Estados e Distrito Federal."


O texto ainda afirma que todos os dados relativos à covid-19 estão disponíveis na plataforma Localiza SUS. "Na ferramenta, também é possível localizar todos os insumos e recursos financeiros disponibilizados aos Estados e municípios durante a pandemia, como leitos, vacina, medicamentos, testes diagnósticos, EPI, entre outros."



CRÉDITO,MARCELLO CASAL JR/AGÊNCIA BRASIL
Legenda da foto,

Ministério da Saúde diz que possui todos os dados relacionados à covid-19


Por fim, o Ministério da Saúde diz que vai disponibilizar doses da vacina bivalente (que protege contra as variantes mais recentes do coronavírus) a partir de dezembro.


Após o recebimento das respostas, a BBC News Brasil enviou novamente ao Ministério da Saúde questionamentos sobre o programa Farmácia Popular, o represamento de exames e cirurgias, o mecanismo de fiscalização do SUS e o relacionamento com o governo de transição, que não foram respondidos no primeiro comunicado.


Até o fechamento desta reportagem, não haviam sido enviados posicionamentos sobre essas outras perguntas.

O que fazer?


Diante dos desafios e da falta de dados, o que o novo governo está planejando na área da saúde? E quais são as principais metas desse setor para os primeiros 100 dias de Lula na presidência?


Chioro cita que o primeiro passo é garantir um orçamento mais polpudo para a saúde em 2023.



"Também precisamos recuperar a capacidade de coordenação do Ministério da Saúde. Isso inclui articular as ações com Estados e municípios, pois são eles que estão na ponta e executam as políticas públicas", acrescenta.


O médico também cita que áreas como vacinação, saúde indígena, assistência farmacêutica, redução de filas de exames ou cirurgias e saúde mental serão prioridades.


"Vamos voltar a condicionar o Bolsa Família à carteirinha de vacinação atualizada. Exigir esse documento na hora da matrícula em creches, escolas e universidades é outra atitude para voltarmos a ter boas coberturas vacinais", promete.


Souto destaca a necessidade de melhorar os sistemas de informação. "Precisamos turbinar essa área para que todos os dados estejam no mesmo sistema e isso facilite a vida de pacientes e profissionais da saúde", diz.


A médica também indica a necessidade de retomar a participação popular nas políticas públicas, por meio das Conferências Nacionais de Saúde.



CRÉDITO,JEFFERSON RUDY/AG. SENADO
Legenda da foto,

Vincular a vacinação a programas sociais, como o Bolsa Família, é uma maneira de assegurar coberturas vacinais mais altas, acredita Chioro


Para Guimarães, o início do próximo governo deveria servir para corrigir as deficiências mais urgentes, que se agravaram nos últimos quatro anos.


"É claro que temos problemas estruturais, mas precisamos compreender a situação na qual estamos, recuperar o tempo perdido e resgatar um sistema que, apesar de alguns defeitos, fornecia a maior parte das informações necessárias para o governo exercer o seu papel", conta.


Croda vê que os primeiros 100 dias da nova gestão podem apresentar uma armadilha importante na área de saúde. "A grande dificuldade é saber se teremos insumos suficientes para iniciar os projetos, como as grandes campanhas de vacinação", cita.


"Sem esses insumos estratégicos, como vacinas, remédios e inseticidas para controlar insetos transmissores de doenças, qualquer planejamento fica comprometido", aponta o infectologista.


Por fim, Marinho entende que a situação é preocupante — e vai exigir ações imediatas.


"Já tínhamos que estar trabalhando na reestruturação da saúde e, ao mesmo tempo, 'apagar os incêndios' que aparecerão pelo caminho", diz.


"Tudo indica que até agora só foram identificadas as pontas do iceberg de muitos dos problemas", conclui.


- Este texto foi publicado em https://www.bbc.com/portuguese/brasil-63970693







Autor: André Biernath - @andre_biernath
Fonte: BBC News Brasil em Londres
Sítio Online da Publicação: BBC
Data: 16/12/2022
Publicação Original: https://www.bbc.com/portuguese/brasil-63970693

quinta-feira, 20 de outubro de 2022

Testes rápidos no SUS permitem diagnósticos em até 30 minutos



- Foto: Myke Sena/MS

Testes rápidos imunocromatográficos são aqueles cuja execução, leitura e interpretação dos resultados são feitas em no máximo 30 minutos. Eles são de fácil realização e não necessitam de estrutura laboratorial. Essa opção de testagem permite aumentar a agilidade de resposta aos usuários, encaminhar com brevidade para assistência médica e início de tratamento, além de ampliar o acesso ao diagnóstico para pessoas que vivem em locais remotos.

O Sistema Único de Saúde (SUS) disponibiliza testes rápidos imunocromatográficos para a detecção de infecções como HIV, sífilis, hepatites B e C. Esses testes são, primariamente, recomendados para testagens presenciais. Podem ser feitos com amostra de sangue total obtida por punção venosa, da polpa digital ou com amostras de fluido oral. Dependendo do fabricante, podem também ser realizados com soro e/ou plasma. O processo é simples, rápido e sigiloso em todas as etapas.

- HIV

HIV é a sigla em inglês para o vírus da imunodeficiência humana. Causador da Aids, ele ataca as células do sistema imunológico, responsável por defender o organismo de doenças. O vírus altera o DNA da célula, transformando-a em uma cópia dele mesmo.

Ter HIV não é a mesma coisa que ter Aids: HIV é o vírus e Aids é a doença. Muitas pessoas vivem com HIV por anos ou durante toda a vida, sem apresentar qualquer sintoma, ou seja, sem desenvolver a doença. Mesmo sem sinais, o vírus pode ser transmitido por meio de relação sexual desprotegida, compartilhamento de seringas contaminadas, da mãe para o filho durante a gravidez ou aleitamento se não forem tomadas as medidas de prevenção.

Todas as pessoas diagnosticadas com HIV devem iniciar o tratamento com antirretrovirais imediatamente, e, assim, poupar o seu sistema imunológico. Esses medicamentos impedem que o vírus se replique dentro das células T-CD4+, evitam que a imunidade caia e que a Aids apareça.

No caso do surgimento de sinais, é importante ficar atento a febre, dor de cabeça, fraqueza, aumento dos gânglios linfáticos ou linfonodos aumentados, faringite, erupção cutânea e dor muscular. Também pode acontecer o aumento do tamanho do baço, fadiga, anorexia, depressão, náuseas, vômitos, diarreia, perda de peso e úlceras orais.

Esses são sintomas inespecíficos, que podem estar associados a outras condições de saúde. Por isso, a importância de ser avaliado por um profissional. Sempre que uma pessoa apresentar histórico de exposição de risco para o HIV, mesmo sem sintomas, é indicada a realização do teste.

Para prevenir a transmissão vertical de HIV, toda gestante deve ser testada na primeira consulta do pré-natal (idealmente, no 1º trimestre da gestação); no início do 3º trimestre (28ª semana); no momento do parto, ou em caso de aborto/natimorto, independentemente de exames anteriores.

- SÍFILIS

É uma Infecção Sexualmente Transmissível (IST) curável que apresenta manifestações clínicas em diferentes estágios: sífilis primária, secundária, latente e terciária. Também pode acontecer a sífilis congênita.

. Sífilis primária

É uma ferida, geralmente única, no local de entrada da bactéria (pênis, vulva, vagina, colo uterino, ânus, boca ou outros locais da pele), que aparece entre 10 e 90 dias após o contágio. Essa lesão é chamada de “cancro duro”. Normalmente não dói, não coça, não arde e não tem pus, podendo estar acompanhada de ínguas (caroços) na virilha. Essa ferida desaparece sozinha, independentemente de tratamento.

. Sífilis secundária

Os sintomas se manifestam entre seis semanas e seis meses do aparecimento e cicatrização da ferida inicial. Podem surgir manchas no corpo, que geralmente não coçam, incluindo palmas das mãos e plantas dos pés. Essas lesões são ricas em bactérias. Além disso, pode ocorrer febre, mal-estar, dor de cabeça e ínguas pelo corpo. As manchas desaparecem em algumas semanas, independentemente de tratamento, trazendo falsa impressão de cura.

. Sífilis latente (fase assintomática)

A pessoa não apresenta sinais e a duração dessa fase é variável, podendo ser interrompida pelo surgimento de sintomas.

. Sífilis terciária

Pode surgir entre 1 e 40 anos após o início da infecção. Aqui aparecem, principalmente, lesões cutâneas, ósseas, cardiovasculares e neurológicas, podendo levar à morte. A testagem deve ocorrer sempre que houver manifestações clínicas sugestivas de sífilis e nos casos de exposição de risco, mesmo na ausência de sinais ou sintomas.

. Sífilis congênita

A sífilis também pode ser transmitida da mãe para a criança durante a gestação, quando não for diagnosticada e tratada adequadamente no pré-natal, causando a sífilis congênita. A sífilis congênita pode gerar consequências graves ao bebê, podendo levar a morte.

Portanto, para prevenção da transmissão vertical de sífilis, toda gestante deve ser testada na primeira consulta do pré-natal (idealmente, no 1º trimestre da gestação), no início do 3º trimestre (28ª semana), no momento do parto, ou em caso de aborto/natimorto, independentemente de exames anteriores.

- HEPATITES B E C

As hepatites B e C são causadas pelos vírus tipo B (HBV) e tipo C (HCV) e são transmitidos, sobretudo, por meio do sangue. Ambas as doenças acometem o fígado, causando inflamação do órgão. Os vírus podem ser passados pelo contato sexual, via sanguínea, por meio de seringas contaminadas, alicates de unha contaminados, materiais de tatuagem contaminados, entre outros.

Os sintomas mais comuns são febre, pele e olhos amarelados, náusea e vômitos, mal-estar, desconforto abdominal, falta de apetite, urina com cor de refrigerante de cola e fezes esbranquiçadas.

Frequentemente, os sinais das hepatites B e C não aparecem. Grande parte dos infectados só acaba descobrindo que tem a doença após anos e, muitas vezes, por acaso, em testes para esses vírus. Quando não tratadas, as hepatites B e C podem evoluir para um quadro crônico e, então, para cirrose ou até câncer de fígado.

Toda gestante deve ser testada para Hepatite B e C na primeira consulta do pré-natal, idealmente no primeiro trimestre. Além da identificação de doenças, os testes rápidos também possuem grande eficácia na detecção da gravidez.

- TESTE RÁPIDO DE GRAVIDEZ

O principal sintoma da gravidez é o atraso da menstruação. O tempo de espera para a realização do teste, após o atraso, pode variar de acordo com a indicação do fabricante, sendo em sua maioria igual ou superior a sete dias, quando os níveis do hormônio beta HCG já estão maiores. Quando positivo, a mulher é encaminhada imediatamente para o acompanhamento pré-natal.

Fran Martins
Ministério da Saúde





Autor: Ministério da Saúde
Fonte: Ministério da Saúde
Sítio Online da Publicação: Ministério da Saúde
Data: 14/10/2022
Publicação Original: https://www.gov.br/saude/pt-br/assuntos/noticias/2022/outubro/testes-rapidos-no-sus-permitem-diagnosticos-em-ate-30-minutos

quinta-feira, 9 de junho de 2022

Validade dos receituários de anorexígenos passa a ser de 30 dias

A Resolução da Diretoria Colegiada (RDC) 689/2022, da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), estabeleceu uma nova validade para as receitas de anorexígenos (receita “B2”, de cor azul) em todo o território nacional: 30 dias contados a partir da sua emissão. 

A norma alterou o trecho da RDC 58/2007, que dispõe sobre o aperfeiçoamento do controle e fiscalização de substâncias psicotrópicas anorexígenas. Desde 2018, com a publicação da Lei nº 13.732, o receituário de medicamentos, inclusive os que estão sujeitos a controle especial, como os anorexígenos, possui validade igual para todos os estados brasileiros. 


Os demais aspectos relativos ao controle das substâncias psicotrópicas anorexígenas, dispostos na RDC 58/2007, permanecem válidos. 

Anorexígenos 

Os anorexígenos são substâncias sintéticas com alto poder estimulante sobre o Sistema Nervoso Central (SNC), muito utilizadas em fórmulas para tratamentos de obesidade.  

No momento, existem três medicamentos contra a obesidade aprovados no Brasil: a sibutramina, que atua no apetite; a liraglutida, hormônio que desacelera o esvaziamento do estômago; e o orlistat, que diminui a absorção de gordura no intestino. Confira! 

Sibutramina 

A sibutramina é o primeiro medicamento emagrecedor a ser registrado no Brasil, em março de 1998. É também o único disponível no Sistema Único de Saúde (SUS) para tratar a obesidade. 

Sibus, Vazy, Biomag e Sigran são algumas das marcas de referência da sibutramina no país. 

Desenvolvida inicialmente como antidepressivo, a substância age no sistema nervoso central, especialmente sobre a serotonina e a noradrenalina, provocando uma sensação de saciedade nos pacientes. 

No entanto, é contraindicada para pessoas com doença cardiovascular e sob tratamento psiquiátrico. 

Liraglutida 

A liraglutida foi aprovada no Brasil em 2011 para o tratamento do diabetes tipo 2. Em 2017, passou a ser usada também na terapia da obesidade e sobrepeso. 

O seu uso libera uma substância no intestino, que promove uma alteração do esvaziamento gástrico no estômago. No cérebro, aumenta a saciedade. Com isso, o paciente come menos tanto pela ação central do medicamento quanto pela menor dilatação do estômago durante as refeições, favorecendo também a saciedade. 

O medicamento é bem tolerado, seguro e eficaz quando usado de maneira correta. Os efeitos colaterais mais comuns são: náusea, diarreia, constipação, indigestão, tontura, fadiga e cefaleia. 

Victoza e Saxenda são as marcas de referência da liraglutida no país, infelizmente, por conta do alto custo, o remédio não é oferecido pelo SUS.

IM/ACP 2022: o que vem funcionando para a obesidade? 

Orlistat 

Já a Orlistat, conhecido pelo nome comercial de Xenical, auxilia na perda de peso ao impedir a absorção de gorduras pelo intestino. Muitas vezes consegue reduzir cerca de um terço (30%) das gorduras consumidas na alimentação através da inibição da lipase, uma enzima produzida no pâncreas que faz a ingestão de gorduras. 

Os efeitos colaterais mais comuns são a eliminação de fezes gordurosas, cólicas intestinais, diarreia, gases e o aumento do número de evacuações. Esses efeitos tendem a melhorar com o tempo de tratamento, com o paciente conseguindo manter uma alimentação balanceada. 

Também não é oferecido pelo SUS, sendo comercializado com custo intermediário. 





Autor: Larissa Pires Marquite da Silva
Fonte: PEBMED
Sítio Online da Publicação: PEBMED
Data: 09/06/2022
Publicação Original: https://pebmed.com.br/validade-dos-receituarios-de-anorexigenos-passa-a-ser-de-30-dias/

terça-feira, 7 de junho de 2022

Cerca de 1,3 milhão de atendimentos a pacientes com asma foram realizados no SUS ano passado


A relação direta entre doenças respiratórias e a poluição do ar é um grave problema de saúde pública. De acordo com dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), existem mais de 235 milhões de asmáticos no mundo.

O cenário não é diferente no Brasil. Principalmente em períodos de longa estiagem, a poluição atmosférica afeta de maneira importante a saúde dos brasileiros. O resultado disso é a expansão e o agravamento de doenças respiratórias, em especial a asma.


Casos no Brasil

Segundo estimativas, 23,2% da população brasileira sofrem com a doença, com incidência variando de 19,8% a 24,9% entre as regiões do país. Em 2021, foram realizados 1,3 milhão de atendimentos na Atenção Primária à Saúde (APS), 231 mil consultas a mais que em 2020.

Dados do Ministério da Saúde (MS) apontam que entre maio e junho de 2021 foi registrado o pico de atendimentos (158 mil). O alto número coincidiu com um período crítico da pandemia de Covid-19 no país, com crescimento de casos e flexibilização do isolamento e distanciamento social.

A diretora do Departamento de Promoção da Saúde do MS, Juliana Rezende, afirma que a melhora no cenário da pandemia impactou o atendimento de asmáticos.

“A partir de julho, o número de consultas de pacientes com asma diminuiu significativamente nas unidades básicas de saúde, por redução dos casos de Covid-19, fator de risco para piora do quadro.”

Capital paulista tem poluição do ar acima do recomendado nos últimos 22 anos

De acordo com uma nota técnica publicada em 26 de maio, pelo Instituto de Energia e Meio Ambiente (IEMA), a qualidade do ar na cidade de São Paulo permaneceu acima do recomendado pela OMS ao longo dos últimos 22 anos.

Mesmo durante a pandemia, três poluentes atmosféricos em especial estiveram muito acima do que a entidade considera seguro para a saúde pública: material particulado (MP), ozônio (O3) e dióxido de nitrogênio (NO2).

Segunda a nota do IEMA, em alguns pontos da cidade, o limite foi ultrapassado quatro vezes o indicado. E pior: no ano passado, nenhuma estação de monitoramento da qualidade do ar da cidade atendeu aos limites em relação aos três poluentes.

Com os moradores de São Paulo respirando um ar poluído nas duas últimas décadas, é fácil prever que terão maiores chances de desenvolver enfermidades do sistema respiratório, como asma, e sofrer envelhecimento precoce.

Principais poluentes

Na análise realizada pelo IEMA, o ozônio se manteve em patamares elevados, com variações anuais, mas sem tendência de queda ou aumento. O gerente de projetos do IEMA e coordenador do estudo, David Tsai, explica a persistência do gás.

“Esse é um poluente complexo de eliminar porque se forma na atmosfera devido a diversos fatores, naturais e antrópicos.”

Curiosamente, o ozônio aumentou de 2019 para 2020. Vale lembrar que o pico de atendimentos de asmáticos que procuraram o SUS (158 mil) também coincidiu com um dos períodos críticos da pandemia de Covid-19 no país (escrito acima).

Com relação ao dióxido de nitrogênio, houve redução das suas concentrações sobre a cidade paulista desde o ano 2000, o que pode ser explicado pelo fato dos veículos estarem emitindo menos gases poluentes graças ao Programa de Controle de Emissões Veiculares (Proconve), iniciado em 1986.

Em 2021, no entanto, a OMS lançou uma nova diretriz de qualidade do ar, reduzindo os valores de concentração de poluentes considerados seguros em relação ao impacto para a saúde.

Baseado nos novos valores, o dióxido de nitrogênio na cidade de São Paulo está distante do ideal, até quase cinco vezes mais do que o recomendado. É o caso da estação de monitoramento da Marginal Tietê, que sofre o efeito imediato das emissões dos poluentes pelos veículos, registrando 49 (µg/m3) para o poluente.

Em entrevista ao Portal, o colunista da PEBMED e pneumologista da Unidade de Terapia Intensiva (UTI) Respiratória do Instituto do Coração do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (InCor-HCFMUSP), Guilherme das Posses Bridi, explica que a poluição e as crises respiratórias andam lado a lado.

“A exposição prolongada a esses poluentes é um grande fator de risco para o desenvolvimento de doenças respiratórias e nas cidades mais poluídas isso possui também uma relação direta com progressão e piora dos sintomas respiratórios, como o desencadeamento de crises de asma; crises da via aérea superior, como rinite alérgica; rinossinusites crônicas, além das doenças obstrutivas crônicas”.

O especialista afirma ainda que a agressão epitelial, após o antígeno, é um dos principais fatores que leva à progressão e ao não controle da asma.

“Por isso que sempre quando atuamos no controle da doença devemos pensar em controlar a exposição aos antígenos, no caso os poluentes. Assim, o tabagismo, a presença de um ar mais poluído ou uma concentração maior de poluentes onde o paciente mora ou trabalha são fatores de risco para o não controle da enfermidade e deve fazer parte da abordagem nas consultas de todo paciente asmático. Então, se esse paciente não consegue controlar a doença, devo pensar obrigatoriamente em abordar a questão da exposição aos antígenos, antes de simplesmente associar ou aumentar a medicação do tratamento dele”, orientou Bridi, que também é médico do Grupo de Doenças Intersticiais Pulmonares do HCFMUSP e do Núcleo de Pulmão do AC Camargo Cancer Center.

Estudo serve de alerta

A OMS estima que 7 milhões de indivíduos morrem anualmente em decorrência da poluição do ar no mundo, sendo 300 mil somente nas Américas. E essa nota técnica visa alertar para a necessidade da redução das emissões de poluentes nas grandes cidades.

“Quanto mais perto uma pessoa vive ou trabalha em uma via de alto tráfego, mais ela respira esse ar poluído. Se a estação de monitoramento do Pico do Jaraguá, que é um local de maior altitude, longe das fontes emissoras e dentro de um parque, apresenta recomendações acima do indicado pela OMS, isso mostra que a cidade de São Paulo como um todo é poluída”, destacou a nota.







Autor: Úrsula Neves
Fonte: pebmed
Sítio Online da Publicação: pebmed
Data: 07/06/2022
Publicação Original: https://pebmed.com.br/cerca-de-13-milhao-de-atendimentos-a-pacientes-com-asma-foram-realizados-no-sus-ano-passado/

Telecardiologia: especialistas debatem implementação da Linha do Cuidado ao Infarto Agudo no Miocárdio no SUS



Após regulamentar a Telessaúde no Brasil, com o objetivo de garantir acesso à saúde pública de qualidade para todos os brasileiros, o Ministério da Saúde promoveu uma série de debates para discutir o tema. Nesta quinta-feira (2), uma das mesas de debate girou em torno da atenção especializada, cuja a telessaúde também é muito importante para diversas ações assistenciais. O tema da apresentação, iniciada pelo Dr. Antônio Luiz Pinho Ribeiro, Coordenador da Rede de Teleassistência de Minas Gerais e do Centro de Telessaúde do Hospital das Clínicas da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), foi a telecardiologia, com implementação da Linha do Cuidado ao Infarto Agudo no Miocárdio no Sistema Único de Saúde (SUS).

A telecardiologia é uma das especialidades mais beneficiadas pelas inovações tecnológicas que permitem a troca de informações online na área da saúde. As novidades tecnológicas nesse campo da medicina tem o objetivo de atender e identificar cardiopatias e outras alterações no funcionamento do coração de forma precoce e em tempo oportuno permitindo tratamento adequado e evitando complicações ou morte dos pacientes.

"No Brasil, as doenças cardiovasculares estão entre as principais causas de morte, representando algo em torno de 28% na taxa de mortalidade do país. Criada em 2005 a partir do Projeto de Pesquisa Minas Telecardio, a Rede de Telessaúde de Minas Gerais é composta por sete universidades públicas mineiras e liderada pelo Centro de Telessaúde do Hospital das Clínicas da UFMG. Os diagnósticos remotos de eletrocardiograma são o grande destaque da rede, são mais de 4 mil laudos por dia, com urgências liberadas em até 5 minutos", destacou Ribeiro.

Os principais diferenciais da telecardiologia estão na possibilidade da emissão de laudos à distância para exames como ECG, Holter e até o MAPA (Monitorização Ambulatorial da Pressão Arterial), que podem ser feitos de forma remota por cardiologistas, que não necessariamente atuam diretamente na clínica ou hospital onde o exame foi realizado. Pela telemedicina, o resultado da avaliação é enviado pela internet para uma central online, que a distribui para sua equipe de especialistas.

Além da emissão de laudos, a telecardiologia tem outras frentes possibilitadas pela telemedicina, como o monitoramento remoto de pacientes (teleassistência), a interação médica online (teleconferência) e a capacitação profissional à distância (teleducação), permitindo acompanhamento e monitoramento do paciente, garantindo que a terapia seja ofertada em tempo adequeado e que os tratamentos necessários, com cuidado continuado, desde o pré-hospitalar até a UTI, reabilitação cardiovascular e retorno à unidade ambulatorial aconteçam da forma adequada.

Para o médico cirurgião Fábio Jatene, da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP), a telessaúde é um programa de extrema relevância, que beneficia todos os níveis de atenção e todas as especialidades médicas. Ele destacou o uso da telemedicina no processo de transplantes. "Antigamente nós tínhamos dificuldade em saber a condição do coração para transplantes. Por muitos anos fizemos avaliação visual. Hoje, por meio da tele, conseguimos fazer uma avaliação cardiográfica e analisar o coração em pouco tempo", destacou Jatente.

O especialista concluiu dizendo que o centro do Instituto do Coração (Incor) vai assessorar e monitorar uma operação cardíaca de forma remota em outro centro no Maranhão. As equipes não terão contato com os pacientes, mas aos exames que servirão para fazer análise e discussão de cada caso. "Tudo isso por telessaúde, vamos imprimir também as peças anatômicas em 3D, tanto no centro do INCOR quanto no centro do Maranhão, e acompanharemos tudo em tempo real", disse.

Para Vitor Salvatori, do Instituto de Cardiologia do DF (ICDF), a telemedicina tem utilidade para cardiologia e várias outras situações, com possibilidade de funcionar em qualquer lugar do Brasil, principalmente em locais remotos. "Nossa motivação em relação a linha de cuidado do infarto é trazer equidade no ambiente de emergência, quando a performance é bastante demandada.

Telessaúde em debate
Após o evento que marcou a assinatura da portaria que regulamenta a telessaúde no Brasil, o Ministério da Saúde deu espaço para debates e discussões sobre esse tema. Vários especialistas, médicos, gestores, parlamentares, representantes de entidades e de universidades abordam os desafios e perspectivas da saúde digital dentro de várias áreas. Os debates ocorrem ao longo dessa quinta (2) e sexta-feira (3) com transmissão ao vivo. O conteúdo completo e na íntegra, além da programação, pode ser acessado na página especial: gov.br/telessaude.

Gustavo Frasão
Ministério da Saúde
Categoria
Saúde e Vigilância Sanitária




Autor: gov
Fonte: Ministério da Saúde
Sítio Online da Publicação: Ministério da Saúde
Data: 04/06/2022
Publicação Original: https://www.gov.br/saude/pt-br/assuntos/noticias/2022/junho/telecardiologia-especialistas-debatem-implementacao-da-linha-do-cuidado-ao-infarto-agudo-no-miocardio-no-sus

quinta-feira, 28 de abril de 2022

Saiba como é o processo de incorporação de um medicamento, equipamento e procedimento ao SUS




- Foto: Walterson Rosa/MS

Para que um medicamento, procedimento ou equipamento faça parte do Sistema Único de Saúde (SUS) é necessária uma avaliação criteriosa antes de ser disponibilizado à população. A busca por melhores tecnologias em saúde leva em conta tanto as necessidades dos pacientes quanto as do sistema público de saúde.

A primeira etapa desse processo de avaliação começa com a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). O órgão faz uma avaliação de eficácia e segurança de um medicamento ou produto para a saúde visando à autorização de comercialização no Brasil. No caso de medicamentos, há ainda a etapa de definição de preços, feita pela Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos (CMED).

No entanto, para que essas tecnologias possam ser utilizadas na rede pública de saúde, além de receber o registro sanitário, elas precisam ser avaliadas pela Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no Sistema Único de Saúde (Conitec). A Comissão é um órgão colegiado que assessora o Ministério da Saúde no processo de incorporação, exclusão ou alteração de medicamentos, procedimentos e equipamentos ofertados no SUS.

Além disso, a Conitec elabora ou altera os Protocolos Clínicos e Diretrizes Terapêuticas (PCDT), documentos que estabelecem critérios para o diagnóstico e tratamento de uma doença, com os medicamentos e demais produtos apropriados.

De acordo com a diretora da Secretaria-Executiva da Conitec, Vania Canuto, a avaliação das tecnologias em saúde pelo órgão protege o SUS e seus usuários.

“A avaliação da Conitec considera os benefícios e a segurança para os pacientes, em relação aos demais tratamentos ofertados no SUS, mas também a capacidade do sistema público para ofertá-las. Assim, garante que sejam incorporados tratamentos custo-efetivos, que atendam às necessidades da população, com bom uso dos recursos disponíveis”, pontou.

A análise realizada pela Comissão considera a eficácia (como a tecnologia em saúde age no contexto de um estudo clínico), a segurança (se causa ou não malefícios à saúde), a efetividade (como ele age no contexto real) e o provável impacto social, legal, ético e econômico relativo à possível incorporação do medicamento, procedimento ou equipamento.

Veja abaixo o fluxo de incorporação de medicamentos do SUS:

sexta-feira, 15 de abril de 2022

Esclerose Múltipla pode ganhar mais opções de tratamento pelo SUS

 A Esclerose Múltipla é uma doença rara(4), de condição inflamatória, neurológica e degenerativa(5), sendo uma das principais causas de incapacidade em jovens adultos(3), com sintomas como fadiga, depressão, dor articular, alteração nas emoções, no equilíbrio, na coordenação motora, na fala e deglutição, além de comprometer os movimentos, a visão e a cognição – o que pode prejudicar seriamente a qualidade de vida dos portadores da doença.(6-8). Estudos científicos têm demonstrado que, quanto mais cedo a EM for diagnosticada e tratada, melhor o prognóstico e, consequentemente, melhor qualidade e perspectiva de vida para o portador da doença.(9-14) Por isso, para os sistemas de saúde, uma maior gama de tratamentos pode minimizar o avanço da doença, impactando diretamente na utilização dos recursos de saúde(1).




Com intuito de subsidiar o processo de tomada de decisão sobre a incorporação de mais tratamentos para Esclerose Múltipla (EM) no Sistema Único de Saúde (SUS), a Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS – Conitec abriu a Consulta Pública (CP) nº 12 para ouvir a opinião da sociedade civil sobre a inclusão de terapia para o tratamento de pacientes com esclerose múltipla. A participação de especialistas, pacientes e da população em geral até o dia 25/04/2022 contribuirá para a decisão do órgão. Assista o vídeo abaixo e saiba como contribuir com a CP.





Autor: Novartis
Fonte: PEBMED
Sítio Online da Publicação: PEBMED
Data: 15/04/2022
Publicação Original: https://pebmed.com.br/esclerose-multipla-pode-ganhar-mais-opcoes-de-tratamento-pelo-sus/

segunda-feira, 18 de outubro de 2021

CHEST 2021: fibrose pulmonar idiopática – atualizações baseadas em evidências

A fibrose pulmonar idiopática (FPI) é a doença intersticial com maior prevalência no mundo. A fisiopatologia da doença é parcialmente conhecida e o seu tratamento se baseia no uso de antifibróticos e cuidados de suporte. Atualmente, vias de tratamento tanto da doença crônica quanto das exacerbações são alvos de diversos estudos.

Em sessão de hoje no CHEST Annual Meeting 2021, congresso do American College of Chest Physicians, a FPI foi mais uma vez alvo de discussões, desta vez em relação ao seu tratamento.



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Fibrose pulmonar idiopática

As drogas antifibróticas como nintendanibe e pirfenidona são o cerne do tratamento, atuando na redução da progressão da doença. Os estudos apontaram uma redução de cerca de 30 a 40% na progressão na capacidade vital forçada (CVF) quando comparados aos controles ao longo de 24 semanas. Entretanto, não há expectativa de melhora dos sintomas ou de recuperação da função pulmonar ao longo desse período.

Em relação à qualidade de vida não houve diferença entre os grupos. É interessante lembrar que há uma incidência aumentada de efeitos colaterais com uso dessas drogas, sobretudo gastrointestinais e cutâneos. Cerca de 60% dos pacientes em uso de nintendanibe apresentam diarreia e um terço dos pacientes em uso de pirfenidona evoluem com rash cutâneo. A maioria deles é bem controlada com uso de sintomáticos e tende a melhorar com o passar do tempo.

Ao prescrever as medicações é importante explicar ao paciente os benefícios das drogas e seus riscos, bem como tomar as decisões em conjunto. Além disso, todas as outras comorbidades devem ser acessadas. As mais prevalentes nessa população são: doença do refluxo gastroesofágico, apneia obstrutiva do sono, depressão e ansiedade, câncer de pulmão e enfisema. O seguimento proposto são consultas a cada seis meses, prova de função pulmonar a cada 6 ou 12 meses e tomografia computadorizada de tórax a cada 1 ou 2 anos.
Exarcebação da FPI

Outro ponto abordado pelos painelistas foi a exacerbação da FPI. Atualmente, pouco se sabe sobre a fisiopatologia das exacerbações agudas e a maioria dos estudos são retrospectivos. A definição de exacerbação baseia-se na piora dos sintomas respiratórios associados à piora radiográfica ou tomográfica no período de menos de 30 dias em que não há outra causa para a piora do paciente. O tratamento preferencial, porém baseado em estudos retrospectivos e opinião de especialistas, é feito com corticosteroides na dose de 0,5-1mg/kg/dia e em alguns casos até pulsoterapia.

O uso do nintendanibe parece reduzir exacerbações e seu uso não deve ser suspenso durante esse período. Antibióticos no geral são utilizados como adjuvantes no tratamento. A dosagem de procalcitonina pode ajudar a reduzir o tempo de antibiótico e antivirais não são recomendados de rotina. Cerca de 25% dos pacientes requerem cuidados de UTI em 12 horas da admissão e o uso de cateter nasal de alto fluxo não parece ser inferior à ventilação não invasiva.

A mortalidade é de cerca de 50% daqueles submetidos à ventilação mecânica e pode chegar a 90% em alguns casos. Outras intervenções como ciclofosfamida, trombomodulina, rituximab e autoanticorpos não estão indicados nos casos de exacerbações agudas da doença.

No Brasil ainda há pouca disponibilidade das drogas antifibróticas. Além de não estarem disponíveis no SUS, o preço é elevado mesmo na rede privada.




Autor: pebmed
Fonte: pebmed
Sítio Online da Publicação: pebmed
Data: 17/10/2021
Publicação Original: https://pebmed.com.br/chest-2021-fibrose-pulmonar-idiopatica-atualizacoes-baseadas-em-evidencias/

sexta-feira, 3 de setembro de 2021

Governo Federal fixa prazo de até 180 dias para incorporação de tratamentos e medicamentos na saúde suplementar



Foto: Isac Nóbrega/PR


Ainclusão de novos procedimentos e medicamentos na saúde suplementar ficará mais simples e ágil para chegar na ponta, isto é, aos quase 48 milhões brasileiros que possuem planos de saúde. O Governo Federal editou Medida Provisória que determina o prazo de até 180 dias para que a Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) realize as análises para incorporações de novas tecnologias na cobertura dessa área.

A medida, assinada pelo presidente da República, Jair Bolsonaro, nesta quinta-feira (2), regulamenta todo o processo para incorporação de tecnologias na saúde suplementar. O prazo contabiliza a conclusão do processo administrativo em 120 dias, que poderá ser prorrogado por sessenta dias corridos quando as circunstâncias exigirem.

A iniciativa estabelece uma análise robusta sobre a eficácia, a segurança e o custo-benefício da inserção de procedimentos e equipamentos oferecidos pelos planos de saúde. Além disso, o texto prevê o amplo acesso à defesa e contraditório, com a realização de consultas e audiências públicas, na hipótese de matérias relevantes.

Até o momento, pela legislação vigente, não havia prazo determinado para que a análise para incorporações fosse realizada. A norma atual da agência (RN 470/2021), que entraria em vigor em outubro, estabeleceu um ciclo específico para cada solicitação com o prazo de até 18 meses de análise. No entanto, será substituída pela nova legislação. Antes, a atualização do rol de procedimentos e eventos era publicada pela ANS a cada dois anos, com um ciclo único para todos os pedidos de incorporação.

Outras atualizações

O Medida Provisória ainda determina que seja realizada a incorporação automática de procedimentos e medicamentos caso a ANS não conclua a análise no prazo determinado. Além disso, deverão ser inseridos no rol de cobertura dos planos de saúde os procedimentos e fármacos já autorizados no Sistema Único de Saúde (SUS). A inclusão deve acontecer em até 30 dias após decisão da Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS (Conitec), vinculada ao Ministério da Saúde.

Ministério da Saúde
Categoria
Saúde e Vigilância Sanitária





Autor: Ministério da Saúde
Fonte: Ministério da Saúde
Sítio Online da Publicação: Ministério da Saúde
Data: 03/09/2021
Publicação Original: https://www.gov.br/saude/pt-br/assuntos/noticias/2021-1/setembro/governo-federal-fixa-prazo-de-ate-180-dias-para-incorporacao-de-tratamentos-e-medicamentos-na-saude-suplementar

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2021

Dados do SUS embasam pesquisa sobre os efeitos da Covid-19 nas cinco regiões brasileiras



Coordenada pelo pesquisador Fernando Augusto Bozza, chefe do Laboratório de Pesquisa Clínica em Medicina Intensiva do Instituto Nacional de Infectologia Evandro Chagas da Fundação Oswaldo Cruz (INI/Fiocruz), em uma colaboração com pesquisadores da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio), Instituto D’Or de Pesquisa e Ensino (Idor), do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP) e do Instituto de Saúde Global de Barcelona (ISGlobal), a pesquisa, que utilizou dados do Sistema Único de Saúde (SUS) coletados nas cinco reiões brasileiras, revela dados alarmantes. Do universo de 254.288 pacientes hospitalizados que testaram positivo para a Covid-19, 38% (87.515) faleceram; dos 79.687 pacientes que foram internados em Unidades de Terapia Intensiva (UTI), 59% (47.002) não sobreviveram, e nada menos que 80% (36.046) dos 45.205 doentes que precisaram de auxílio de respiradores morreram. E para quem ainda acha que a doença só afeta idosos, os dados mostram que 1/3 dos pacientes hospitalizados tinha menos que 50 anos e 47% menos de 60 anos.

Publicado em 15 de janeiro, o artigo Caracterização das primeiras 250 mil internações hospitalares por COVID-19 no Brasil: uma análise retrospectiva de dados nacionais (https://www.thelancet.com/journals/lanres/article/PIIS2213-2600(20)30560-9/fulltext#sec1) também mostra como a epidemia atingiu populações das diferentes cinco regiões brasileiras (Norte, Nordeste, Centro-Oeste, Sudeste e Sul) de forma desigual. Os maiores impactos foram observados nas regiões em que a renda per capita é mais baixa e os sistemas de saúde mais precários, como por exemplo no recente colapso no estado do Amazonas, onde apenas na capital, Manaus, há UTIs.


O gráfico mostra o número de pacientes com Covid-19 hospitalizados, os que necessitaram de UTI, os que foram ventilados artificialmente em todas as regiões do País, bem como o percentual de óbitos nas diversas faixas etárias (Fonte: The Lancet)


A análise abrangeu retrospectivamente os dados de pacientes internados com Covid-19 durante os primeiros cinco meses da pandemia no Brasil, usando um banco de dados de âmbito nacional que cobre cada macrorregião. Foram avaliados doentes com registro no Sistema de Informação de Vigilância Epidemiológica da Influenza (Sivep-Gripe), usado desde 2012 pelo Ministério da Saúde para monitorar infecções respiratórias agudas graves no Brasil, entre os dias 16 de fevereiro e 15 de agosto de 2020. Neste período, a região Norte já apresentava 79% de mortalidade de pacientes em UTI, contra 49% no Sudeste. Os números mostram uma alta mortalidade hospitalar, mesmo entre pacientes jovens, e diferenças regionais substanciais em termos de recursos disponíveis e desfechos da doença. Do total de pacientes avaliados, 16% não tinham comorbidades e 72% receberam algum suporte respiratório (invasivo ou não invasivo). A mortalidade hospitalar em pacientes com menos de 60 anos foi de 31% no Nordeste contra 15% na região Sul. O Sivep-Gripe registra os casos e mortes devido à doença lançados por todas as unidades de saúde dos municípios, confirmados pelo teste RT-PCR, que é considerado o mais eficaz, ou padrão de referência, já que identifica o vírus e confirma a Covid-19 por meio da detecção do RNA do vírus.

Bozza, que recebe apoio da FAPERJ para a realização de suas pesquisas por meio do programa Cientista do Nosso Estado (CNE) e da chamada Apoio a Projetos Temáticos, diz que o estudo ganhou grande repercussão, tanto dentro da comunidade científica quanto da população em geral. “Um dos objetivos da equipe foi informar os resultados da pesquisa por meio de uma linguagem acessível e em que os dados falassem por si”. Os pesquisadores foram motivados pela extrema pressão que a pandemia de Covid-19 provocou nos sistemas de saúde em todo o mundo, em especial devido ao aumento de internações hospitalares e o crescimento da demanda por leitos de UTI, suporte respiratório avançado e profissionais de saúde treinados. Para Fernando Bozza, o fato de o artigo ter “viralizado” nos diversos grupos de médicos nas redes sociais e tido boa repercussão na mídia mostra a importância da reflexão social e política sobre a epidemia e esse momento dramático para a humanidade e para o País.


Bozza: para o pesquisador, País precisa usar os dados disponíveis para planejar políticas públicas
e tornar o sistema de saúde um sistema inteligente


No artigo, os pesquisadores chamam a atenção para o fato de o Brasil ter uma população de 210 milhões de habitantes distribuídos em uma extensa área territorial, com grande heterogeneidade entre suas cinco macrorregiões, incluindo disparidade socioeconômica, que se reflete na qualidade dos serviços regionais de saúde. “A Covid-19 afeta as populações e os sistemas de saúde de forma desigual, colapsando primeiro os sistemas de saúde mais frágeis e provocando desfechos piores sobre as populações mais vulneráveis, tanto econômica quanto biologicamente”, afirma o médico intensivista. A proporção geral de mortes hospitalares foi maior entre pacientes analfabetos (63%), negros ou pardos (43%) ou indígenas (42%).

“Embora a pesquisa confirme o impacto negativo da pandemia sobre o sistema de saúde e sobre a população brasileira, também mostra a importância do Sistema Único de Saúde (SUS), onde foram gerados e disponibilizados os dados para a pesquisa”, ressalta Bozza. Ele diz que o principal objetivo do trabalho foi mostrar que a Covid-19 é realmente uma doença grave, com um índice de mortalidade muito alto e que atinge todas as faixas etárias, até mesmo os jovens. E que os dados estatísticos apresentados deveriam servir para nortear políticas públicas e ações para o enfrentamento da segunda e demais ondas que a doença possa provocar. “O País tem os dados, tem a competência para analisar os dados, mas precisa usar os dados e informações para planejar ações, elaborar políticas públicas e tornar o sistema de saúde um sistema inteligente. É triste saber que apesar da disponibilidade dos dados, a mortalidade no País não caiu”, alerta o médico.




Autor: Paula Guatimosim
Fonte: FAPERJ
Sítio Online da Publicação: FAPERJ
Data: 22/01/21
Publicação Original: http://www.faperj.br/?id=4151.2.7

segunda-feira, 25 de janeiro de 2021

Dados do SUS embasam pesquisa sobre os efeitos da Covid-19 nas cinco regiões brasileiras



De janeiro a agosto de 2020, o índice de mortalidade entre os pacientes com Covid-19 internados em UTIs na região Norte estava em 79% (Foto: Marcio James / Amazônia Real)


Coordenada pelo pesquisador Fernando Augusto Bozza, chefe do Laboratório de Pesquisa Clínica em Medicina Intensiva do Instituto Nacional de Infectologia Evandro Chagas da Fundação Oswaldo Cruz (INI/Fiocruz), em uma colaboração com pesquisadores da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio), Instituto D’Or de Pesquisa e Ensino (Idor), do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP) e do Instituto de Saúde Global de Barcelona (ISGlobal), a pesquisa, que utilizou dados do Sistema Único de Saúde (SUS) coletados nas cinco reiões brasileiras, revela dados alarmantes. Do universo de 254.288 pacientes hospitalizados que testaram positivo para a Covid-19, 38% (87.515) faleceram; dos 79.687 pacientes que foram internados em Unidades de Terapia Intensiva (UTI), 59% (47.002) não sobreviveram, e nada menos que 80% (36.046) dos 45.205 doentes que precisaram de auxílio de respiradores morreram. E para quem ainda acha que a doença só afeta idosos, os dados mostram que 1/3 dos pacientes hospitalizados tinha menos que 50 anos e 47% menos de 60 anos.

Publicado em 15 de janeiro, o artigo Caracterização das primeiras 250 mil internações hospitalares por COVID-19 no Brasil: uma análise retrospectiva de dados nacionais (https://www.thelancet.com/journals/lanres/article/PIIS2213-2600(20)30560-9/fulltext#sec1) também mostra como a epidemia atingiu populações das diferentes cinco regiões brasileiras (Norte, Nordeste, Centro-Oeste, Sudeste e Sul) de forma desigual. Os maiores impactos foram observados nas regiões em que a renda per capita é mais baixa e os sistemas de saúde mais precários, como por exemplo no recente colapso no estado do Amazonas, onde apenas na capital, Manaus, há UTIs.


O gráfico mostra o número de pacientes com Covid-19 hospitalizados, os que necessitaram de UTI, os que foram ventilados artificialmente em todas as regiões do País, bem como o percentual de óbitos nas diversas faixas etárias (Fonte: The Lancet)


A análise abrangeu retrospectivamente os dados de pacientes internados com Covid-19 durante os primeiros cinco meses da pandemia no Brasil, usando um banco de dados de âmbito nacional que cobre cada macrorregião. Foram avaliados doentes com registro no Sistema de Informação de Vigilância Epidemiológica da Influenza (Sivep-Gripe), usado desde 2012 pelo Ministério da Saúde para monitorar infecções respiratórias agudas graves no Brasil, entre os dias 16 de fevereiro e 15 de agosto de 2020. Neste período, a região Norte já apresentava 79% de mortalidade de pacientes em UTI, contra 49% no Sudeste. Os números mostram uma alta mortalidade hospitalar, mesmo entre pacientes jovens, e diferenças regionais substanciais em termos de recursos disponíveis e desfechos da doença. Do total de pacientes avaliados, 16% não tinham comorbidades e 72% receberam algum suporte respiratório (invasivo ou não invasivo). A mortalidade hospitalar em pacientes com menos de 60 anos foi de 31% no Nordeste contra 15% na região Sul. O Sivep-Gripe registra os casos e mortes devido à doença lançados por todas as unidades de saúde dos municípios, confirmados pelo teste RT-PCR, que é considerado o mais eficaz, ou padrão de referência, já que identifica o vírus e confirma a Covid-19 por meio da detecção do RNA do vírus.

Bozza, que recebe apoio da FAPERJ para a realização de suas pesquisas por meio do programa Cientista do Nosso Estado (CNE) e da chamada Apoio a Projetos Temáticos, diz que o estudo ganhou grande repercussão, tanto dentro da comunidade científica quanto da população em geral. “Um dos objetivos da equipe foi informar os resultados da pesquisa por meio de uma linguagem acessível e em que os dados falassem por si”. Os pesquisadores foram motivados pela extrema pressão que a pandemia de Covid-19 provocou nos sistemas de saúde em todo o mundo, em especial devido ao aumento de internações hospitalares e o crescimento da demanda por leitos de UTI, suporte respiratório avançado e profissionais de saúde treinados. Para Fernando Bozza, o fato de o artigo ter “viralizado” nos diversos grupos de médicos nas redes sociais e tido boa repercussão na mídia mostra a importância da reflexão social e política sobre a epidemia e esse momento dramático para a humanidade e para o País.



Bozza: para o pesquisador, País precisa usar os dados disponíveis para planejar políticas públicas e tornar o sistema de saúde um sistema inteligente


No artigo, os pesquisadores chamam a atenção para o fato de o Brasil ter uma população de 210 milhões de habitantes distribuídos em uma extensa área territorial, com grande heterogeneidade entre suas cinco macrorregiões, incluindo disparidade socioeconômica, que se reflete na qualidade dos serviços regionais de saúde. “A Covid-19 afeta as populações e os sistemas de saúde de forma desigual, colapsando primeiro os sistemas de saúde mais frágeis e provocando desfechos piores sobre as populações mais vulneráveis, tanto econômica quanto biologicamente”, afirma o médico intensivista. A proporção geral de mortes hospitalares foi maior entre pacientes analfabetos (63%), negros ou pardos (43%) ou indígenas (42%).

“Embora a pesquisa confirme o impacto negativo da pandemia sobre o sistema de saúde e sobre a população brasileira, também mostra a importância do Sistema Único de Saúde (SUS), onde foram gerados e disponibilizados os dados para a pesquisa”, ressalta Bozza. Ele diz que o principal objetivo do trabalho foi mostrar que a Covid-19 é realmente uma doença grave, com um índice de mortalidade muito alto e que atinge todas as faixas etárias, até mesmo os jovens. E que os dados estatísticos apresentados deveriam servir para nortear políticas públicas e ações para o enfrentamento da segunda e demais ondas que a doença possa provocar. “O País tem os dados, tem a competência para analisar os dados, mas precisa usar os dados e informações para planejar ações, elaborar políticas públicas e tornar o sistema de saúde um sistema inteligente. É triste saber que apesar da disponibilidade dos dados, a mortalidade no País não caiu”, alerta o médico.






Autor: Paula Guatimosim
Fonte: FAPERJ
Sítio Online da Publicação: FAPERJ
Data: 22/01/21
Publicação Original: http://www.faperj.br/?id=4151.2.7

terça-feira, 22 de setembro de 2020

Ministério da Saúde amplia serviços de saúde mental no SUS




Reforço na Rede de Atenção Psicossocial (RAPS) contempla novos Centros de Atenção Psicossocial (CAPS) e Serviços de Residência Terapêutica (SRT)

O Ministério da Saúde tem reforçado os serviços de atendimento à saúde mental no Sistema Único de Saúde (SUS), a partir do incentivo à ampliação da Rede de Atenção Psicossocial (RAPS) que oferta atendimento às pessoas com transtornos mentais de forma integral e gratuita. Neste mês, em que se comemora o Setembro Amarelo, foram habilitados mais seis Centros de Atenção Psicossocial (CAPS) e três Serviços de Residência Terapêutica (SRT). As unidades habilitadas foram publicadas em duas portarias e os serviços constarão em seis estados.

A portaria de Nº 2.452, habilita municípios dos estados da Bahia, Maranhão, Paraná e São Paulo a receberem incentivos para a implantação de CAPS. Os Centros têm caráter aberto e comunitário, e são constituídos por equipe multiprofissional, atuando de maneira interdisciplinar. As unidades são montadas para atender uma área territorial determinada, seja em situações de crise ou nos processos de reabilitação psicossocial. Os CAPS, em suas diferentes modalidades, são pontos de atenção estratégicos da Rede de Atenção Psicossocial (RAPS). As unidades habilitadas têm gestão municipal. Neste âmbito, o Ministério destinou um aporte financeiro de R$ 260 mil aos seis municípios, são eles:

UF

Município

Tipo CAPS

Valor (parcela única)

BA

Nova Canaã

CAPS I

R$ 20.000,00

MA

Cidelândia

CAPS I

R$ 20.000,00

PR

Cornélio Procópio

CAPS AD III

R$ 150.000,00

SP

Caçapava

CAPS Infanto-juvenil

R$ 30.000,00

SP

Aguaí

CAPS I

R$ 20.000,00

SP

Riolândia

CAPS I

R$ 20.000,00

Já a portaria Nº 2.451 estabelece a implantação de Serviço Residencial Terapêutico (SRT) a três municípios dos estados de Roraima, Rio de Janeiro e São Paulo. A Residência Terapêutica tem o objetivo de responder à necessidade de moradia de pessoas em situação de vulnerabilidade que ficaram longo período internadas em Hospitais Psiquiátricos ou Hospitais de Custódia. Neste sentido, os SRTs garantem residência e ajudam na reinserção dos moradores na rede social existente (trabalho, lazer e educação). Para este serviço, o Ministério da Saúde fez um investimento de R$ 60 mil, destinados aos seguintes municípios:

UF

Município

Estabelecimento

Valor (parcela única)

RO

Ji-Paraná

SRT I

R$ 20.000,00

RJ

Vassouras

SRT II

R$ 20.000,00

SP

Ibiúna

SRT II

R$ 20.000,00


Ambas as portarias levam em conta a necessidade de aperfeiçoamento e adequação do modelo de atenção oferecida pelo Sistema Único de Saúde (SUS) aos usuários de álcool e outras drogas, além de estruturação e fortalecimento de uma rede de assistência centrada na atenção comunitária, associada à rede de serviços de saúde e sociais, com ênfase na reabilitação e reinserção social.
REDE DE ATENÇÃO PSICOSSOCIAL

Atualmente, a Rede de Atenção Psicossocial (RAPS) do SUS conta com 691 Residências Terapêuticas (SRT); 66 Unidades de Acolhimento (UA adulto e infantojuvenil); 1.641 leitos de saúde mental em hospitais gerais; 13.877 leitos em hospitais psiquiátricos e 50 equipes multiprofissionais de atenção especializada em saúde mental, e 144 Consultórios na Rua. O SUS também dispõe de, cerca de 42 mil Unidades Básica de Saúde (UBS), na Atenção Primária, que atendem 63% da população, e 2.657 Centros de Atenção Psicossocial (Caps) que ofertam acolhimento e tratamento à pessoa em sofrimento e/ou com transtorno mental e seus familiares. Nesses serviços, o cidadão é atendido e, caso seja necessário, é encaminhado para outro serviço especializado RAPS.

Até o momento, foi investido R$ 1,1 milhão para implantação de 76 novos serviços de saúde mental em 2020, como CAPS, Residências Terapêuticas, Unidades de acolhimento e leitos especializados. Além disso, foram habilitadas 21 novas Equipes Multiprofissionais que atuam no cuidado e atendimento multiprofissional de pessoas que apresentam transtornos mentais, por meio de atendimento e cuidado com psiquiatra, psicólogo, assistente social, terapeuta ocupacional, fonoaudiólogo e outros profissionais, representando um investimento de R$ 10,4 milhões.

Por Karina Borges
Ministério da Saúde
(61) 3315-3580/ 3989




Autor: Ministério da Saúde
Fonte: Ministério da Saúde
Sítio Online da Publicação: Ministério da Saúde
Data: 21/09/2020
Publicação Original: https://www.saude.gov.br/noticias/agencia-saude/47499-ministerio-da-saude-amplia-servicos-de-saude-mental-no-sus