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terça-feira, 17 de maio de 2022

ATS 2022: inibidores de fosfodiesterase 4 para fibrose pulmonar idiopática

 A fibrose pulmonar idiopática (FPI) é, por definição, sempre progressiva. Diversas drogas testadas atualmente não encontraram benefício na evolução da doença, sendo os antifibróticos as únicas medicações que realmente impactam a progressão. Durante o congresso da American Thoracic Society (ATS 2022), foi apresentado, pelo autor Prof. Luca Richeldi, um trabalho utilizando inibidores de fosfodiesterase 4 em pacientes com FPI.

Inibidores de fosfodiesterase 4

Neste estudo de fase 2, duplo-cego, controlado por placebo, foi testada a eficácia e segurança de um inibidor oral da fosfodiesterase 4 (PDE4B) , em pacientes com fibrose pulmonar idiopática. Foram elegíveis pacientes com 40 anos ou mais, que tinham o diagnóstico de FPI pelas diretrizes internacionais, com padrão tomográfico de pneumonia intersticial usual (PIU) ou PIU provável, além de uma CVF acima de 45% e difusão de monóxido de carbono entre 25 e 80%.


O desfecho primário foi a mudança da linha de base na capacidade vital forçada (CVF) em 12 semanas.

Resultados

Um total de 147 pacientes foram aleatoriamente designados para receber PDE4B ou placebo. Entre os pacientes sem uso de antifibróticos simultaneamente, a mudança mediana na da CVF foi de 5,7 ml (IC de 95%, -39,1 a 50,5) no grupo PDE4B e –81,7 ml (IC de 95%, –133,5 a –44,8) no grupo placebo. Entre os pacientes com uso de antifibrótico, a alteração mediana na CVF foi de 2,7 ml (IC de 95%, -32,8 a 38,2) no grupo PDE4B e –59,2 ml (IC de 95%, –111,8 a –17,9) no grupo grupo placebo (diferença mediana, 62,4 ml; IC de 95%, 6,3 a 125,5).

As limitações deste estudo incluem o período de 12 semanas de duração e o tamanho de amostra relativamente pequeno. Embora o tamanho e a duração do estudo foram suficientes para a determinação de alterações na CVF, estes fatores não permitiram a coleta significativa de dados relativos a eventos clinicamente importantes, incluindo exacerbações agudas ou morte, ou a determinação de mudanças nas medidas de qualidade de vida dos pacientes.

Um estudo de fase 3 será necessário avaliar esses resultados preliminares e adicionais que são relevantes para os pacientes com FPI.

Mensagem prática

A fibrose pulmonar idiopática permanece como doença progressiva e com prognóstico reservado. Diversos tratamentos ainda estão em análise.

Os inibidores de fosfodiesterase 4, antes indicados para o tratamento do DPOC sintomático, agora parecem ter efeito na redução da progressão da doença.

A inibição da fosfodiesterase 4 (PDE4) está associada a efeitos anti-inflamatórios e antifibróticos, podendo atuar na fisiopatologia da doença justificando o racional do estudo.

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Veja mais do congresso:

Destaques da sessão Year in Review

Autor(a):

Guilherme das Posses Bridi

Residência em Clínica Médica e Pneumologia pelo HCFMUSP ⦁ Doutorando em Pneumologia pela USP ⦁ Fellow em Doenças Intersticiais Pulmonares.




Autor: Guilherme das Posses Bridi
Fonte: pebmed
Sítio Online da Publicação: pebmed
Data: 17/05/2022
Publicação Original: https://pebmed.com.br/ats-2022-inibidores-de-fosfodiesterase-4-para-fibrose-pulmonar-idiopatica/

segunda-feira, 18 de outubro de 2021

CHEST 2021: fibrose pulmonar idiopática – atualizações baseadas em evidências

A fibrose pulmonar idiopática (FPI) é a doença intersticial com maior prevalência no mundo. A fisiopatologia da doença é parcialmente conhecida e o seu tratamento se baseia no uso de antifibróticos e cuidados de suporte. Atualmente, vias de tratamento tanto da doença crônica quanto das exacerbações são alvos de diversos estudos.

Em sessão de hoje no CHEST Annual Meeting 2021, congresso do American College of Chest Physicians, a FPI foi mais uma vez alvo de discussões, desta vez em relação ao seu tratamento.



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Fibrose pulmonar idiopática

As drogas antifibróticas como nintendanibe e pirfenidona são o cerne do tratamento, atuando na redução da progressão da doença. Os estudos apontaram uma redução de cerca de 30 a 40% na progressão na capacidade vital forçada (CVF) quando comparados aos controles ao longo de 24 semanas. Entretanto, não há expectativa de melhora dos sintomas ou de recuperação da função pulmonar ao longo desse período.

Em relação à qualidade de vida não houve diferença entre os grupos. É interessante lembrar que há uma incidência aumentada de efeitos colaterais com uso dessas drogas, sobretudo gastrointestinais e cutâneos. Cerca de 60% dos pacientes em uso de nintendanibe apresentam diarreia e um terço dos pacientes em uso de pirfenidona evoluem com rash cutâneo. A maioria deles é bem controlada com uso de sintomáticos e tende a melhorar com o passar do tempo.

Ao prescrever as medicações é importante explicar ao paciente os benefícios das drogas e seus riscos, bem como tomar as decisões em conjunto. Além disso, todas as outras comorbidades devem ser acessadas. As mais prevalentes nessa população são: doença do refluxo gastroesofágico, apneia obstrutiva do sono, depressão e ansiedade, câncer de pulmão e enfisema. O seguimento proposto são consultas a cada seis meses, prova de função pulmonar a cada 6 ou 12 meses e tomografia computadorizada de tórax a cada 1 ou 2 anos.
Exarcebação da FPI

Outro ponto abordado pelos painelistas foi a exacerbação da FPI. Atualmente, pouco se sabe sobre a fisiopatologia das exacerbações agudas e a maioria dos estudos são retrospectivos. A definição de exacerbação baseia-se na piora dos sintomas respiratórios associados à piora radiográfica ou tomográfica no período de menos de 30 dias em que não há outra causa para a piora do paciente. O tratamento preferencial, porém baseado em estudos retrospectivos e opinião de especialistas, é feito com corticosteroides na dose de 0,5-1mg/kg/dia e em alguns casos até pulsoterapia.

O uso do nintendanibe parece reduzir exacerbações e seu uso não deve ser suspenso durante esse período. Antibióticos no geral são utilizados como adjuvantes no tratamento. A dosagem de procalcitonina pode ajudar a reduzir o tempo de antibiótico e antivirais não são recomendados de rotina. Cerca de 25% dos pacientes requerem cuidados de UTI em 12 horas da admissão e o uso de cateter nasal de alto fluxo não parece ser inferior à ventilação não invasiva.

A mortalidade é de cerca de 50% daqueles submetidos à ventilação mecânica e pode chegar a 90% em alguns casos. Outras intervenções como ciclofosfamida, trombomodulina, rituximab e autoanticorpos não estão indicados nos casos de exacerbações agudas da doença.

No Brasil ainda há pouca disponibilidade das drogas antifibróticas. Além de não estarem disponíveis no SUS, o preço é elevado mesmo na rede privada.




Autor: pebmed
Fonte: pebmed
Sítio Online da Publicação: pebmed
Data: 17/10/2021
Publicação Original: https://pebmed.com.br/chest-2021-fibrose-pulmonar-idiopatica-atualizacoes-baseadas-em-evidencias/