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terça-feira, 4 de abril de 2023

Fiocruz Paraná participa de estudo para avaliar a efetividade do autoteste em série de Covid-19



O Instituto Carlos Chagas (Fiocruz Paraná) e o Program for Appropriate Technology in Health (PATH) estão realizando um estudo de viabilidade para entender o impacto do autoteste de Covid-19 entre indivíduos que tiveram contato com um caso da doença, em Curitiba, cidade reconhecida como a primeira a implementar o autoteste de HIV no país. O mesmo estudo está sendo realizado concomitantemente em Porto Velho, Rondônia, no Centro de Pesquisa em Medicina Tropical (Cepem).

“Nossa experiência com o autoteste de HIV em Curitiba é que as pessoas preferem a autonomia para cuidar de si mesmas. Este estudo é uma oportunidade de considerar o impacto no acesso, à medida que os testes se deslocam da clínica para as casas das pessoas”, observa Alexandre Costa, pesquisador do ICC que coordena o estudo em Curitiba.

O estudo, financiado pela UNITAID, terá duração de três meses e pretende avaliar a eficácia do rastreio de contatos na identificação precoce de casos de Covid-19 por meio da realização de autotestes em série em Unidades Básicas de Saúde (UBS) e Unidades de Pronto Atendimento (UPA) que tratam pacientes infectados com a doença em ambos os municípios. O estudo também visa explorar as barreiras e oportunidades que podem impactar o acesso e a adesão ao autoteste, bem como gerar evidências e recursos que apoiem a sua implementação no sistema de saúde.

Desde o início de novembro, os casos de Covid-19 no Brasil tornaram a aumentar, especialmente devido ao aparecimento de novas variantes. Em razão desse aumento, a Organização Panamericana de Saúde demonstrou preocupação com as medidas sanitárias e a redução drástica dos testes de diagnóstico de Covid-19, que podem dificultar o monitoramento do vírus e mascarar como ele está se espalhando e evoluindo.

“Nossa hipótese é que o rastreamento de contatos facilitado por autotestagem em série é capaz de identificar mais casos positivos de COVID-19 entre os contatos próximos expostos a um caso da doença”, explica Costa.

De acordo com as Nações Unidas, o acesso aos autotestes aumenta a equidade em saúde nos países, fornecendo uma opção de teste adicional com potencial para atingir indivíduos que não teriam acesso ou hesitariam em fazê-los. Desde janeiro, a distribuição e o uso de autotestes de Covid-19 no Brasil estão autorizados pela Anvisa, com preços que variam de 20 a 80 reais.

* Com informações da Assessoria de Comunicação Global Health Strategies





Autor: ICC/Fiocruz Paraná
Fonte: Fiocruz
Sítio Online da Publicação: Fiocruz
Data: 04/04/2023
Publicação Original: https://portal.fiocruz.br/noticia/fiocruz-parana-participa-de-estudo-para-avaliar-efetividade-do-autoteste-em-serie-de-covid

segunda-feira, 13 de março de 2023

Brasil chega a 700 mil mortes da Covid-19, artigo de José Eustáquio Diniz Alves

O Brasil tem 2,7% da população mundial e 10% do número de mortes globais contabilizadas pela OMS

“Quando se navega sem destino, nenhum vento é favorável”
Sêneca (05 a.C. – 65 d. C.)

A pandemia da covid-19 completa 3 anos. A Organização Mundial de Saúde (OMS) declarou que o mundo vivia uma pandemia em 11 de março de 2020. Os primeiros casos da covid-19 foram identificados na China em dezembro de 2019, mas a doença se espalhou pelo mundo no ano seguinte. No Brasil, o primeiro caso confirmado da covid-19 foi registrado no final de fevereiro e a primeira morte foi registrada em 12 de março de 2020.

Em três anos, o país registrou mais de 37 milhões de pessoas infectadas e deve atingir 700 mil óbitos registrados até meados de março de 2023. O Brasil tem 2,7% da população mundial e 10% do número de mortes globais contabilizadas pela OMS. Mas como existe subnotificação de óbitos, o número do excesso de mortes pela covid-19 ultrapassa 1 milhão de vítimas fatais. O coeficiente de mortalidade no Brasil foi muito superior ao da maioria dos países e houve uma queda da expectativa de vida ao nascer, que estava em 75,3 anos em 2019 e caiu para 72,8 anos em 2021. Todavia, deve se recuperar para 76,2 anos em 2023, segundo a Divisão de População da ONU.


O gráfico abaixo mostra a média diária de casos da covid-19 no Brasil, para o período de março de 2020 a fevereiro de 2023. Nota-se que o máximo de casos diários em 2020 ocorreu no mês de julho com 40,7 mil registros, o máximo de 2021 ocorreu em março com 70,9 mil registros diários e o máximo de 2022 ocorreu em fevereiro com 120 mil registros diários. Em dezembro de 2022 ainda foram registrados 34,4 mil casos diários. Mas em 2023, o ritmo diminuiu e foram registrados 16 mil casos diários em janeiro e 8 mil casos diários em fevereiro. A tendência é de continuidade da queda.



O gráfico abaixo mostra a média diária de óbitos da covid-19 no Brasil, também para o período de março de 2020 a fevereiro de 2023. Nota-se que o maior número de mortes diárias em 2020 ocorreu no mês de julho com 1.061 registros, o máximo geral da série ocorreu em abril de 2021 com 2.742 óbitos. Em 2022, a despeito do aumento do número de infecções, o número de mortes diminuiu em função do aumento da cobertura vacinal e o máximo ocorreu em fevereiro com 793 óbitos diários. Em 2023, o número diários de mortes ficou em 72 registros no mês de fevereiro. A tendência também é de continuidade da queda.



Em nível global, a covid-19 já atingiu 225 países e territórios nos últimos 3 anos. No dia 01 de março de 2020, havia somente 1 país com mais de 10 mil casos confirmados de Covid-19 (a China) e havia 5 países com valores entre 1 mil e 10 mil casos (Irã, Coreia do Sul, França, Espanha, Alemanha e EUA). No dia 01/05/2020 somente os EUA tinham registrado mais de 1 milhão de pessoas infectadas. No dia 01 de janeiro de 2021 já eram 18 países com mais de 1 milhão de casos da covid-19. Um ano depois passou para 42 países com mais de 1 milhão de casos. Em 2022, o salto foi grande e o mundo chegou a 71 países com mais de 1 milhão de casos em 01/12/2022. Em 2023 já são 73 países com mais de 1 milhão de casos. Os destaques ficam para os EUA que já registram mais de 105 milhões de casos acumulados e a Índia com mais de 45 milhões de casos.

A lista dos 73 primeiros colocados do ranking, com a data em que chegaram à marca de 1 milhão, apresentada na tabela abaixo, são: EUA (27/04/20), Brasil (19/06), Índia (16/07), Rússia (01/09), Espanha (15/10), Argentina (19/10), França (23/10), Colômbia (24/10), Turquia (28/10), Reino Unido (31/10), Itália (11/11); México (15/11), Alemanha (26/11), Polônia (02/12), Irã (03/12), Peru (22/12), Ucrânia (24/12), África do Sul (26/12), Indonésia (26/01/21), República Tcheca (01/02), Holanda (06/02), Chile (01/04), Canadá (05/4), Romênia (09/04), Iraque (21/04), Filipinas (26/04), Suécia (05/05), Bélgica (06/05), Bangladesh (10/07), Paquistão (23/07), Malásia (25/07), Japão (07/08), Portugal (15/08), Tailândia (20/08), Israel (24/08), Sérvia (09/10), Vietnã (11/11), Áustria (18/11), Hungria (21/11), Suíça (30/11), Jordânia (10/12), Grécia (12/12), Marrocos (09/01/2022), Austrália (10/01), Irlanda (11/01), Dinamarca (13/01), Cazaquistão (16/01), Cuba (17/01), Georgia (17/01) e Eslováquia (30/01), Coreia do Sul (06/02), Bulgária (07/02). Croácia e Líbano (10/02), Noruega (11/02), Tunísia (04/03); Singapura (19/03), Hong Kong (19/03), Lituânia (23/03), Eslovênia (20/04), Finlândia (21/04), Nova Zelândia (10/05), Coreia do Norte (15/05), Taiwan (19/05), Guatemala (15/07), Bolívia (20/07), Costa Rica (30/07), UAE (10/08), Equador (15/09), Nepal (13/10), Panamá (29/11), Mongólia (03/12) e Uruguai (20/12/2022). Não houve nenhum acréscimo nesta lista em 2023.



O número de mortes no mundo atingiu um valor expressivo em abril de 2020, com 7,4 mil óbitos diários. Mas no final deste mesmo ano os valores aumentaram e atingiram o pico máximo da série em janeiro de 2021, com 14,8 mil óbitos diários, conforme mostra o gráfico abaixo do site Our World in Data, com dados da Universidade Johns Hopkins. Nos meses seguintes o número de mortes diminuiu, mas se manteve em patamares elevados. Em fevereiro de 2022, o máximo chegou a 11 mil óbitos diários. Em janeiro de 2023 houve um pico anormal em decorrência dos registros de mortes da China, mas a tendência tem sido de queda e o mês de fevereiro de 2023 terminou com uma média abaixo de 1 mil óbitos diários, o menor valor desde março de 2020.



O fato é que a pandemia aumentou o número de mortes no mundo, reduziu a expectativa de vida e também fez cair o número de nascimentos, afetando a dinâmica demográfica em diversos aspectos (inclusive nas taxas de migração). A pandemia afetou também a dinâmica econômica provocando recessões e aumentando a fome a pobreza. Os custos da covid-19 foram extremamente elevados.

Cabe aos dirigentes globais e nacionais tirarem as lições deste fenômeno e se prepararem para proteger o mundo de novas epidemias e também construir uma economia internacional mais justa, mais inclusiva e mais sustentável.
José Eustáquio Diniz Alves
Doutor em demografia, link do CV Lattes:
http://lattes.cnpq.br/2003298427606382

Referências:

ALVES, JED. A pandemia de Coronavírus e o pandemônio na economia internacional, Ecodebate, 09/03/2020 https://www.ecodebate.com.br/2020/03/09/a-pandemia-de-coronavirus-covid-19-e-o-pandemonio-na-economia-internacional-artigo-de-jose-eustaquio-diniz-alves/

ALVES, JED. Presidente quinta-coluna não combate a pandemia e instala o Necroceno no Brasil, Ecodebate, 08/06/2020

https://www.ecodebate.com.br/2020/06/08/presidente-quinta-coluna-nao-combate-a-pandemia-e-instala-o-necroceno-no-brasil-artigo-de-jose-eustaquio-diniz-alves/

ALVES, JED. O impacto mortal da covid-19 sobre a economia e a demografia brasileira, ANPOCS, 11/05/2020 http://anpocs.com/images/stories/boletim/boletim_CS/Boletim_n37.pdf

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in EcoDebate, ISSN 2446-9394




Autor: EcoDebate
Fonte: EcoDebate
Sítio Online da Publicação: EcoDebate
Data: 13/03/2023
Publicação Original: https://www.ecodebate.com.br/2023/03/13/brasil-chega-a-700-mil-mortes-da-covid-19/

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2023

Experiências comunitárias de enfrentamento à Covid-19 são tema de live (10/2)

Como parte das programações do Dia Estadual de Mobilização para o Enfrentamento da Covid-19 e seus impactos nas favelas e periferias (10), a Cooperação Social da Fiocruz irá promover um debate virtual e o lançamento do Portal Radar Saúde Favela na próxima sexta-feira (10), às 10h, no canal da Plataforma Cidades em Movimento.




Neste dia, diversas atividades acontecerão simultaneamente no Estado com intuito de visibilizar alguns dos numerosos processos de enfrentamento da Covid-19 protagonizados pelas organizações e coletivos das favelas e periferias, bem como apontar caminhos para os desafios relacionados à saúde presentes nesses territórios. No mesmo dia, a Fiocruz em parceria com a Alerj promoverá um encontro entre autoridades e lideranças comunitárias no próximo dia 10/02, no Plenário da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj), das 10h às 12h.

No evento online, estarão presentes como debatedores Lúcia Cabral, promotora legal popular, coordenadora da ONG Educap e moradora do Complexo do Alemão; Fábio Monteiro, membro do Conselho Comunitário de Manguinhos, mobilizador na campanha Se Liga no Corona; Day Medeiros, Coordenadora Geral do Instituto CASA, Favela do Aço e idealizadora da União Coletiva pela Zona Oeste; Laura Torres, doula, vice-secretária da Associação Doulas Solidárias e idealizadora do Projeto Espaço Gaia, no Complexo do Salgueiro; Paulo Roberto de Oliveira Ribeiro, designer e comunicador do Radar Saúde Favela; e Emerson Baré, do povo do Rio Negro e integrante do Radar Saúde Favela. A medição será realizada por André Lima, integrante da Cooperação Social da Fiocruz.

Como parte da programação do dia, Paulo Roberto irá fazer um tour ao vivo pelo novo site do Radar Saúde Favela e mostrar tudo o que poderá ser encontrado no portal. O informativo Radar Saúde Favela (originalmente, Radar Covid-19 Favela) foi concebido no âmbito do Observatório Fiocruz Covid-19 e atualmente está alocado na Coordenação de Cooperação Social da Presidência da Fiocruz. Com participação ativa e direta de interlocutores de favelas e bairros populares, o Radar constitui uma importante ferramenta de comunicação e de vigilância popular em saúde.

SERVIÇO

Lançamento Portal Radar Saúde Favela e Debate sobre mobilização comunitária e saúde
Data: 10/02/2023 (sexta-feira)
Horário: 10 horas
Transmissão ao vivo pelo Canal Cidades em Movimento: https://youtube.com/live/DIQt06b-jLo?feature=share





Autor: Lidiane Nóbrega (Agência Fiocruz de Notícias)
Fonte: Fiocruz
Sítio Online da Publicação: Fiocruz
Data: 03/02/2023
Publicação Original: https://portal.fiocruz.br/noticia/experiencias-comunitarias-de-enfrentamento-covid-19-sao-tema-de-live-10/2

sexta-feira, 13 de janeiro de 2023

Covid-19: Especialistas explicam até quando surgirão variantes

A pandemia provocada pelo novo coronavírus (Sars-CoV-2) entra, em 2023, no terceiro ano. Apesar de ofertados gratuitamente, frascos e frascos de imunizantes correm risco de serem descartados devido à baixa procura pela vacinação contra a Covid-19, principalmente por aqueles que precisam tomar a dose de reforço recomendada pelas autoridades de saúde. Com isso, variantes e subvariantes, como a XBB.1.5, recentemente detectada no país, não param de surgir. E milhares de novos casos ainda são notificados pelo mundo.


Para explicar o atual cenário da emergência sanitária, pesquisadoras do Instituto Oswaldo Cruz (IOC/Fiocruz) tiram dúvidas sobre transmissão, vacinação, sequenciamento genômico e notificação de casos. Confira, abaixo, entrevistas especiais com as virologistas Marilda Siqueira e Paola Resende, ambas do Laboratório de Vírus Respiratórios e do Sarampo do IOC/Fiocruz, referência em vírus respiratórios para o Ministério da Saúde e em Covid-19 nas Américas para a Organização Mundial da Saúde (OMS).

Desde o começo da pandemia, a equipe atua no diagnóstico e sequenciamento genético do Sars-CoV-2, na capacitação de profissionais do Brasil e de países latino-americanos e no desenvolvimento de pesquisas. Além de manter reuniões frequentes com profissionais do Ministério da Saúde e da OMS, os pesquisadores também contribuem para a resposta de saúde pública com a participação em diferentes grupos de pesquisa e comitês de especialistas.





Autor: Maíra Menezes (IOC/Fiocruz)
Fonte: Fiocruz
Sítio Online da Publicação: Fiocruz
Data: 13/01/2023
Publicação Original: https://portal.fiocruz.br/noticia/covid-19-especialistas-explicam-ate-quando-surgirao-novas-variantes

segunda-feira, 26 de dezembro de 2022

Com novo biossensor, saliva poderá indicar a presença do vírus da covid-19

Da Assessoria de Comunicação do IFSC

Uma pessoa vai à farmácia, compra um pequeno tubo, abre a tampa e coloca um pouco de saliva no interior. Passados cinco minutos ela fica sabendo se contraiu – ou não – a covid-19 por uma mudança de cor no interior do tubo.

Este poderá ser o cenário em um futuro muito próximo no que diz respeito a um novo teste para a covid-19, que pode ser estendido para outros vírus, graças à criação de um novo biossensor desenvolvido por uma equipe de cientistas do Instituto de Física de São Carlos (IFSC) da USP e de outras instituições. Parte dos resultados desses estudos foi publicada na ACS Applied Materials & Interfaces.

Tendo como principal autora da publicação científica a pesquisadora Elsa Materón, do IFSC, este novo biossensor é constituído por nanopartículas de ouro recobertas com um anticorpo. Ao entrarem em contato com a proteína spike do vírus sars-cov-2, a dispersão com as nanopartículas muda de cor. Isso ocorre mesmo para concentrações baixas do vírus, ou seja, mesmo para os estágios iniciais da doença, quando a carga viral ainda é pequena.


Elsa Materón - Foto: Divulgação/IFSC

A mudança de cor acontece porque as nanopartículas recobertas com anticorpos se aglomeram em torno do vírus no tubo. Para altas cargas virais, a mudança é facilmente visível, de vermelho para roxo, em apenas cinco minutos. Para pacientes com carga viral baixa, ou seja, que estejam no início da covid-19, a mudança de cor poderá ser quase imperceptível, podendo suscitar dúvidas devido à dificuldade de verificação. Essa dificuldade foi resolvida pelos pesquisadores simplesmente fotografando o tubo com o biossensor usando um telefone celular. As fotos são processadas com um aplicativo específico que permite determinar a carga viral. Tal determinação é feita com uso de inteligência artificial para correlacionar imagens à carga viral.

Para o professor e pesquisador do IFSC, Osvaldo N. Oliveira Jr., que também assina o estudo, “este método é inovador na medida em que permite diagnosticar a covid-19 no início sem usar outros instrumentos, mas apenas um telefone celular. É possível facilmente estender o método para outros vírus, bastando alterar o anticorpo”, pontua o pesquisador.


Contaminação de águas


Além de servir para o diagnóstico da covid, o biossensor pode ser usado para verificar se há contaminação de águas com o vírus sars-cov-2. Nos testes descritos no artigo científico, comprovou-se a determinação da carga viral em águas colocadas diretamente no tubo contendo as nanopartículas (biossensor), sem necessidade de pré-tratamento. Assim, a tecnologia desenvolvida permite um monitoramento rápido de contaminação ambiental, que ajuda a acompanhar a epidemia, sem necessitar de instrumentos ou operadores especializados para as análises.

As pesquisas continuam com testes em voluntários em hospitais de Brasília, cujos resultados têm se mostrado excelentes. Numa bateria de testes, o diagnóstico com o biossensor de nanopartículas teve acerto de 100% em comparação ao padrão de PCR (teste molecular denominado polymerase chain reaction).



Osvaldo N. Oliveira Jr. - Foto: Divulgação/IFSC

Este trabalho foi feito no âmbito do projeto da Rede Nanoimunoteste, coordenada pelo professor Ricardo Bentes de Azevedo, da Universidade de Brasília (UnB), tendo recebido também os apoios da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e Fundação de Amparo à Pesquisa de São Paulo (Fapesp).

Colaboraram neste estudo pesquisadores das seguintes instituições, mencionados no artigo científico: Instituto de Física de São Carlos (IFSC) da USP; Instituto de Química de São Carlos (IQSC) da USP; Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia de Bioanalítica (INCTBio – Campinas); Instituto de Física Gleb Wataghin (Unicamp); Departamento de Química da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar); Laboratório Nacional de Nanotecnologia para a Agricultura (Embrapa – Instrumentação); Instituto de Biologia da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp); Instituto Nacional do Câncer (RJ); Instituto de Ciências Biológicas da Universidade de Brasília (UnB), e Departamento de Física da Universidade del Valle, na Colômbia.

Mais informações: e-mail rsintra@gmail.com, na Assessoria do IFSC




Autor: Guilherme Castro
Fonte: jornal.usp
Sítio Online da Publicação: jornal.usp
Data: 15/12/2022
Publicação Original: https://jornal.usp.br/ciencias/com-novo-biossensor-saliva-podera-indicar-a-presenca-do-virus-da-covid-19/

quinta-feira, 15 de dezembro de 2022

Efeitos da covid-19 na gravidez mudam segundo o trimestre gestacional da infecção?

Após quase três anos do início da pandemia causada pela covid-19 estamos conseguindo saber os efeitos da doença nas gestantes e nos fetos. Durante esses anos muitas pesquisas foram feitas em caráter de urgência, mas agora conseguimos avaliar a real situação através de estudos robustos e confiáveis.


Novo estudo

Em dezembro de 2022, foi publicado um artigo com o objetivo de avaliar os efeitos da doença de covid-19 e do trimestre em que a doença é diagnosticada nos resultados obstétricos e neonatais. Artigo de grande importância para todos da área da saúde que prestam assistência à gestante e ao recém-nascido.


Métodos

Esse artigo foi publicado no Journal of Obstetrics and Gynaecology Research, sendo um estudo de coorte retrospectivo, realizado com 358 pacientes que foram ou não diagnosticadas com covid-19 durante a gravidez, tiveram aborto espontâneo ou deram à luz.


Resultados

De acordo com os pesquisadores, a doença de covid-19 durante a gravidez foi associada a uma maior doença hipertensiva materna, parto prematuro, baixo peso ao nascer, baixos índices de Apgar no primeiro e quinto minuto e necessidade de unidade de terapia intensiva neonatal.


A incidência de parto prematuro, baixo peso ao nascer, baixos índices de Apgar no primeiro e quinto minuto e necessidade de unidade de terapia intensiva neonatal naqueles diagnosticados com covid-19 no segundo trimestre foi significativamente maior do que naqueles diagnosticados com covid-19 em outros trimestres.


Já a frequência de cesariana foi maior naquelas gestantes diagnosticadas com covid-19 no terceiro trimestre.


Conclusão

A partir deste estudo, os autores concluíram que a presença de covid-19 durante a gravidez pode estar associada a um risco aumentado de parto prematuro iatrogênico.


Mensagem prática

Contudo, acredito que isso possa mudar nos próximos anos, conforme a segurança no tratamento da gestante com covid-19 aumente entre os obstetras, por termos mais estudos confiáveis sobre esse tema e mais experiência no tratamento dessas pacientes.






Autor: Letícia Suzano Lelis Bellusci
Fonte: pebmed
Sítio Online da Publicação: pebmed
Data: 13/12/2022
Publicação Original: https://pebmed.com.br/efeitos-da-covid-19-na-gravidez-mudam-segundo-o-trimestre-gestacional-da-infeccao/

sábado, 10 de dezembro de 2022

Perda de massa muscular na fase aguda da COVID-19 está associada a sintomas persistentes, mostra estudo

Quanto maior a perda de massa muscular durante o período de hospitalização por COVID-19, maiores são as chances de o paciente desenvolver sintomas persistentes da doença, como comprometimento muscular e a chamada COVID longa, que pode incluir dificuldade para respirar, tosse persistente, dores de cabeça, insônia e ansiedade.


A conclusão é de um estudo conduzido na Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FM-USP) e divulgado no Journal of the American Medical Directors Association. Os resultados também indicam haver uma relação entre maior perda de massa muscular e maiores gastos com saúde nos meses seguintes à alta hospitalar.

“A perda de massa muscular é razoavelmente comum durante períodos prolongados de internação hospitalar. No entanto, esse quadro parece ser exacerbado em pacientes hospitalizados por COVID, afetando a massa, a força e a função muscular a ponto de comprometer a mobilidade do paciente em alguns casos”, explica Hamilton Roschel, líder do estudo e um dos coordenadores do Grupo de Pesquisa em Fisiologia Aplicada e Nutrição da Escola de Educação Física e da Faculdade de Medicina da USP.

Financiada pela FAPESP por meio de dois projetos (17/13552-2 e 20/08091-9), a investigação envolveu 80 pacientes com COVID-19 moderada ou grave internados no Hospital das Clínicas da FM-USP em 2020 – época em que ainda não havia vacinas disponíveis. Os participantes foram acompanhados durante e após o período de hospitalização.

Os pesquisadores mediram a força e a massa muscular dos pacientes em quatro momentos: assim que eles deram entrada hospitalar, quando tiveram alta e dois e seis meses depois da alta hospitalar. Para isso foi usado um equipamento (dinamômetro) que mede a força de preensão manual – medida que tem uma boa correlação com a força global de um indivíduo. Já a massa muscular foi aferida com um aparelho de ultrassom, tendo como referência o músculo da coxa.

“É comum associarmos a função dos músculos apenas com a locomoção, mas o sistema musculoesquelético tem um papel muito mais abrangente. Ele participa de vários outros processos no organismo, como a regulação do metabolismo e até mesmo do sistema imune”, explica Roschel.

De acordo com as análises, nos pacientes que tiveram maior perda de massa muscular também foi maior a prevalência de fadiga (76%) e de dor muscular (66%). Já nos que tiveram menor comprometimento da musculatura, a prevalência foi, respectivamente, de 46% e 36%.

Na avaliação feita seis meses após a alta hospitalar, aqueles que haviam perdido mais massa muscular permaneciam com dificuldade para recuperar a musculatura prévia. Já os que tiveram pouca perda se recuperaram quase que totalmente no período.

Preditor de prognóstico

Os pesquisadores também avaliaram os gastos com saúde durante os seis meses seguintes à alta hospitalar. “Embora não tenha havido grandes diferenças em relação à reospitalização e autopercepção de saúde, os pacientes que perderam mais massa muscular tiveram um gasto total com a saúde relacionados à COVID-19 muito maior que o outro grupo”, conta Roschel.

Na média, os participantes que tiveram a musculatura mais afetada na fase aguda gastaram US$ 77 mil contra US$ 3 mil nos dois primeiros meses após a alta hospitalar. Quando considerados os seis meses após a saída do hospital, esse valor foi de aproximadamente US$ 90 mil com gastos em reabilitação e outras complicações, contra US$ 12 mil na média para os que tiveram menor comprometimento muscular.

“Os resultados mostram que a perda de massa muscular parece ser um parâmetro de prognóstico negativo em pacientes hospitalizados, o que sugere serem necessárias testagens de intervenções terapêuticas já durante o período de internação. No plano coletivo, de saúde pública, mostramos que a perda de massa muscular está associada a maiores custos, o que certamente impacta e pressiona os sistemas de saúde não só no âmbito econômico, mas também na demanda por serviços de reabilitação para esses pacientes”, avalia.

Estudo anterior do grupo havia demonstrado que medidas de força e massa muscular podem ajudar a prever o tempo de internação por COVID-19. Ao analisar esses dados no momento da admissão hospitalar, foi possível observar que os pacientes com melhor saúde muscular tendiam a permanecer menos tempo internados (leia mais em: agencia.fapesp.br/35625/).

“Essa primeira etapa do trabalho mostrou como a COVID-19 afeta o músculo e a importância de ter uma ‘reserva muscular prévia’ para lidar com a infecção. Agora vimos que, seis meses após a alta hospitalar, quem perdeu mais massa não apenas não conseguiu recuperá-la, como teve mais sintomas persistentes e maiores gastos com saúde. É importante ressaltar o impacto da doença também para o sistema musculoesquelético e como isso requer atenção dos sistemas de saúde, mesmo após o paciente estar recuperado da infecção”, ressalta o autor.

O artigo Acute muscle mass loss predicts long-term fatigue, myalgia, and health care costs in covid-19 survivors pode ser lido em: www.sciencedirect.com/science/article/pii/S152586102200891X.






Autor: Maria Fernanda Ziegler
Fonte: Agência FAPESP
Sítio Online da Publicação: FAPESP
Data: 07/12/2022
Publicação Original: https://agencia.fapesp.br/perda-de-massa-muscular-na-fase-aguda-da-covid-19-esta-associada-a-sintomas-persistentes-mostra-estudo/40246/

quinta-feira, 8 de dezembro de 2022

AAP 2022: Pesquisa avalia preditores de gravidade da covid-19 em crianças e vacinação eficaz

Mais de 12,8 milhões de casos de covid-19 em crianças foram relatados nos Estados Unidos, representando 19% de todos os casos no país. No entanto, relatórios inconsistentes de desfechos de gravidade em crianças obscurecem o impacto da doença em pediatria e as taxas de vacinação infantil variam amplamente entre os estados americanos.


Para avaliar os efeitos da vacinação e fatores clínicos e demográficos em desfechos graves em crianças com covid-19, pesquisadores da University of Texas Southwestern Medical Center conduziram o estudo Identifying Risk Factors for Severe Clinical Outcomes in Pediatric COVID-19 Patients In a National Electronic Health Record Repository, apresentado em 09 de outubro no 2022 AAP Experience.


Metodologia

O estudo, observacional retrospectivo, avaliou fatores clínicos, demográficos e vacinação nos desfechos da covid-19 entre pacientes pediátricos com menos de 18 anos usando o pipeline de dados de baixa latência Optum® COVID-19 (Optum Inc, Eden Prairie, MN). Foram incluídos pacientes com teste positivo para covid-19 por reação em cadeia da polimerase ou antígeno no período entre 12 de março de 2020 a 20 de janeiro de 2022.


O desfecho primário foi a gravidade da doença (não hospitalização, hospitalização, necessidade de Unidade de Terapia Intensiva Pediátrica [UTIP] ou desfecho pior). Uma regressão logística multivariável (R versão 4.1.2; α = 0,05) foi utilizada, considerando idade, índice de massa corporal (IMC), pontuação do índice de comorbidade pediátrica (ICP) validado indicando comorbidades pré-teste, raça e etnia, sexo, região e variante da covid-19 predominante no momento do diagnóstico para a região geográfica do paciente.


Ressalta-se que três modelos foram desenvolvidos agrupando crianças por faixa etária (0-2, 3-10 e 11-18 anos) devido a diferenças clínicas entre as idades, limitações de codificação do conjunto de dados e elegibilidade da vacina (IMC excluído por 0-2 anos, estado de vacinação incluído para 11-18 anos).


Resultados

Os pesquisadores observaram que, entre os pacientes pediátricos, 218.759 (18,7%) testaram positivo para covid-19, sendo que 8.717 (4%) foram hospitalizados, necessitaram de cuidados de UTIP ou ventilação mecânica ou evoluíram para óbito. Os preditores mais fortes desses desfechos graves em todos os grupos foram uma pontuação mais alta no índice de comorbidade pediátrica, com odds ratio [OR] de 2,27, 4,21 e 5,33, respectivamente — ou residência no sul dos Estados Unidos.


Em todos os grupos, o “status de seguro desconhecido“, a variante alfa e a raça negra foram preditores estatisticamente significativos e limítrofes clinicamente significativos de desfecho grave (p < 0,0001). Os pesquisadores enfatizaram que a razão de chances de doença grave comparando pelo menos uma vacinação com nenhuma vacinação conhecida é de 0,55 na coorte elegível para a imunização.


Considerações

Esse estudo concluiu que a presença de doença pré-existente foi o preditor independente mais forte de desfechos graves de covid-19 entre pacientes pediátricos e que a vacinação foi significativamente protetora. A utilização de um pipeline de dados nacionais americanos em larga escala permitiu a avaliação centralizada e atualizada dos desfechos em uma população diversificada de pacientes, revelando disparidades de saúde persistentes em linhas raciais e geográficas durante a pandemia. Os pesquisadores descrevem que muitos parâmetros facilmente avaliados podem prever com segurança desfechos adversos da covid-19 em pediatria, indicando populações que precisam de alcance para vacinação e outros esforços preventivos.




Autor: Roberta Esteves Vieira de Castro
Fonte: pebmed
Sítio Online da Publicação: pebmed
Data: 10/10/2022
Publicação Original: https://pebmed.com.br/aap-2022-pesquisa-avalia-preditores-de-gravidade-da-covid-19-em-criancas-e-se-a-vacinacao-foi-significativamente-protetora/

Brasil recebe medicamentos para pacientes com risco de complicações por covid-19

No total, são 50 mil unidades do antiviral formado pelos comprimidos nirmatrelvir e ritonavir. 

O Ministério da Saúde recebeu o primeiro lote de medicamentos incorporados ao Sistema Único de Saúde (SUS) para o tratamento de indivíduos infectados com a covid-19 sob risco de internações, complicações e óbitos. No total, são 50 mil unidades do antiviral formado pelos comprimidos nirmatrelvir e ritonavir. 


O fármaco, produzido pela Pfizer, foi desenvolvido para ser administrado por via oral, até cinco dias do início dos sintomas, após diagnóstico confirmado com teste reagente detectável para o novo coronavírus, seja pelas metodologias de testes rápidos de antígeno (TR-Ag) ou por testes de biologia molecular (RT-qPCR ou LAMP). 

“Com a chegada dessa medicação, teremos mais um tratamento disponível nas Unidades Básicas de Saúde (USB) para os médicos que, com autonomia, poderão prescrevê-la nos casos que estão indicados, trazendo benefícios para as pessoas que precisem dessa terapia”, afirmou o ministro da Saúde, Marcelo Queiroga. 

Critérios de indicação do antiviral 

A associação de NMV/r está indicada no SUS para pacientes com diagnóstico confirmado de covid-19 com sintomas leves a moderados, que podem evoluir para sintomas mais graves, que não requerem oxigênio suplementar, independentemente do status vacinal, conforme os seguintes critérios de indicação: 

Imunocomprometidos com 18 anos ou mais (segundo os critérios utilizados para priorização da vacinação para a Covid-19); 

Pacientes com 65 anos ou mais; a ser administrado em até cinco dias do início dos sintomas. 

As demais 50 mil unidades do antiviral, encomendadas pelo Ministério da Saúde, estão previstas para serem entregues no início de 2023. 

OPAS pede aos países que continuem os testes para detectar a covid-19 

Durante a 30ª Conferência Sanitária Pan-Americana, realizada entre os dias 26 e 30 de setembro, o diretor de Emergências Sanitárias da Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS), Ciro Ugarte, afirmou que a região das Américas está passando de uma resposta pandêmica aguda para um controle sustentado do vírus. 

Desde o surgimento do novo coronavírus até o dia 17 de setembro deste ano, o continente americano relatou mais de 177 milhões de casos e 2,8 milhões de mortes, 29,1% e 43%, respectivamente, do total global. Nos últimos 14 dias, os casos aumentaram em 0,7% e os óbitos em 0,3%. 

Sobre o futuro da pandemia, Ugarte disse que o pior cenário – particularmente se não houver a triagem de casos e o aumento da cobertura vacinal – é aquele em que possa surgir uma nova variante mais letal e altamente transmissível contra a qual as vacinas atuais sejam menos eficazes, prolongando ainda mais a pandemia. 

“Estamos em uma longa jornada nestes últimos 33 meses e o caminho a ser seguido exige sistemas e serviços de saúde preparados e resilientes, com forte vigilância epidemiológica e expansão dos programas de vacinação. A experiência da covid-19 nos mostrou que os países precisam de procedimentos de emergência atualizados, medidas de saúde pública flexíveis e redes de logística para garantir a rápida mobilização de pessoas e de suprimentos”, ressaltou o diretor de Emergências Sanitárias da OPAS. 





Autor: Úrsula Neves
Fonte: pebmed
Sítio Online da Publicação: pebmed
Data: 20/12/2022
Publicação Original: https://pebmed.com.br/brasil-recebe-medicamentos-para-pacientes-com-risco-de-complicacoes-por-covid-19/

terça-feira, 22 de novembro de 2022

Anvisa aprova remdesivir para pacientes pediátricos com covid-19

 Nesta segunda-feira (21), a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou o uso do medicamento remdesivir para o tratamento de pacientes pediátricos com covid-19.





A indicação é para uso em bebês e crianças a partir de 28 dias e peso igual ou superior a 3 kg, com pneumonia e necessidade de suplementação de oxigênio; e crianças com mais de 40 kg que não precisam suplementar oxigênio, mas com risco de evoluir para covid-19 grave.

Até então, ele era indicado para pacientes acima de 12 anos de idade com pneumonia e necessidade de suplementação de oxigênio. As indicações da aplicação do remdesivir eram as mesmas desde a última resolução da agência, no dia 25 de maio.


Mais sobre o remdesivir

Trata-se de um antiviral injetável produzido no formato de pó para diluição em frascos de 100 mg, que impede a replicação do vírus no organismo, diminuindo o processo de infecção da covid-19.


Além dessa indicação, o remédio é utilizado no tratamento de complicações causadas pelo vírus Ebola.




Autor: pebmed
Fonte: pebmed
Sítio Online da Publicação: pebmed
Data: 22/11/2022
Publicação Original: https://pebmed.com.br/anvisa-aprova-remdesivir-para-pacientes-pediatricos-com-covid-19/

quarta-feira, 9 de novembro de 2022

Descoberto novo mecanismo associado ao agravamento da COVID-19

Pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP) descobriram que a forma grave da COVID-19 está associada ao desequilíbrio em uma importante via de sinalização do sistema imune. Além de ajudar a explicar em nível molecular por que parte dos infectados pelo SARS-CoV-2 desenvolve uma inflamação sistêmica potencialmente fatal, o achado abre caminho para o desenvolvimento de terapias mais específicas.



A doutoranda Anna Julia Pietrobon, que atualmente realiza estágio de pesquisa no Instituto de Virologia do Charité Universitätsmedizin Berlin, Alemanha (foto: divulgação)

No estudo – financiado pela FAPESP e publicado na revista Frontiers in Immunology – foi identificada a ocorrência de uma desregulação no sistema de sinalização da resposta imune mediada por moléculas de ATP (trifosfato de adenosina), uma das principais fontes de energia para a realização dos processos celulares. Além de apresentarem maior quantidade de ATP no sangue, pacientes com a forma grave da doença tinham menor quantidade de adenosina, molécula gerada a partir da degradação do ATP.

“O sistema imune é formado por diversas vias de sinalização que servem para alertar sobre a invasão de um patógeno, por exemplo. Entre elas, existe uma que funciona por meio de moléculas de ATP, que liberam sinais inflamatórios nas células de defesa como forma de atacar o invasor. Geralmente, o sistema imune apresenta também mecanismos para controlar essa inflamação, evitando assim uma resposta muito exacerbada. Porém, quando ocorre esse erro na degradação de ATP, há um desequilíbrio enorme que desencadeia disfunções sistêmicas na resposta imune”, explica Maria Notomi Sato, professora da Faculdade de Medicina da USP e coautora do estudo.

Esse aumento de ATP não degradado, segundo o artigo, resulta em um status pró-inflamatório que desencadeia a chamada tempestade de citocinas, uma inflamação sistêmica potencialmente fatal. “O estudo mostra que, além de contribuir para o desequilíbrio do sistema de sinalização, ocorre uma disfunção na regulação desses componentes. É mais um dos fatores que vão atuar em nível sistêmico ou nos órgãos acometidos pela COVID-19 grave”, afirma Sato.

O ATP é uma molécula que está constantemente sendo produzida pelas células e é degradado no ambiente extracelular por enzimas chamadas ectonucleotidases. “O ATP vira um sinal de perigo a partir do momento que sai das células em grandes quantidades. E quando isso acontece? Quando ocorre uma ativação exacerbada [da resposta inflamatória], ou quando a célula foi lesada gravemente, ou ainda quando há um dano muito grande. O ATP então promove um processo inflamatório que sinaliza para as outras células, ativando-as como uma reação em cadeia”, diz Anna Julia Pietrobon, primeira autora do estudo e doutoranda no Instituto de Virologia do Charité Universitätsmedizin Berlin (Alemanha).

Alteração no eixo ATP-adenosina

No estudo, os pesquisadores dosaram a quantidade de moléculas de ATP e de adenosina em amostras de sangue de 88 pacientes com COVID-19 grave. As amostras foram coletadas entre 2020 e 2021 e, portanto, nenhum dos participantes havia sido vacinado.

“Identificamos que ectonucleotidases presentes na superfície celular e que são responsáveis por clivar o ATP estavam menos expressas nas células de pacientes com COVID, isso principalmente na forma grave da doença. Identificamos, inclusive, uma relação: quanto mais ATP, maior a gravidade da doença”, afirma Pietrobon.

Os pesquisadores também investigaram possíveis alterações em células do sistema imune. “Observamos que algumas células imunes, em especial os linfócitos B, estavam expressando menos CD39 e CD73, enzimas que degradam o ATP”, contou a pesquisadora.

“Pacientes com COVID-19 tendem a ter redução de linfócitos de maneira geral. Porém, observamos que nas amostras de sangue de pacientes graves, além de as células B estarem diminuídas, elas também expressavam menos dessas duas enzimas, o que contribui para a menor degradação do ATP e, por consequência, para a menor geração de adenosina – o componente anti-inflamatório que tentaria regular essa resposta”, explicou Pietrobon.

Com esse achado, os pesquisadores decidiram isolar as células B presentes nas amostras de sangue e fornecer a elas moléculas de ATP. “No experimento in vitro, demos ATP tanto para as células de pacientes com COVID-19, quanto para a de controles saudáveis. Desse modo, descobrimos que as células B dos pacientes geram menos adenosina, quando comparadas às de controles saudáveis. Isso acontece possivelmente porque elas expressam menos enzimas CD39 e CD73”, diz.

Vale ressaltar que a equipe de pesquisadores ainda não sabe se a alteração no metabolismo do ATP é causa ou efeito da resposta inflamatória exacerbada ao SARS-CoV-2, algo que ainda precisa ser investigado em futuros projetos.

Reação sistêmica

Outro trabalho conduzido no Centro de Pesquisa em Doenças Inflamatórias (CRID) – um Centro de Pesquisa, Inovação e Difusão (CEPID) da FAPESP sediado na USP de Ribeirão Preto – já havia constatado que o quadro mais grave de COVID-19 tem relação com um mecanismo inflamatório conhecido como inflamassoma, que, além de estar exacerbado nesses pacientes graves, não é desativado nunca. Dessa forma, a resposta imunológica que provoca a inflamação também não cessa (leia mais em: agencia.fapesp.br/39333/).

O inflamassoma é um complexo proteico existente no interior das células de defesa. Quando essa maquinaria celular é acionada, moléculas pró-inflamatórias conhecidas como citocinas passam a ser produzidas para avisar o sistema imune sobre a necessidade de enviar mais células de defesa ao local da infecção.

A equipe de pesquisadores que realizou o estudo sobre o metabolismo de ATP afirma que o fato de pacientes graves estarem acumulando essa molécula e gerando menos adenosina pode contribuir com a exacerbação das respostas inflamatórias mediadas por citocinas. “O processo inflamatório desencadeado pela não degradação do ATP ocorre devido a uma descompensação dessa via, que funciona como uma forma de regulação anti-inflamatória. Porém, quando ocorre esse erro no eixo ATP-adenosina, a sobrecarga de ATP vai sinalizar para outras vias de inflamação do sistema imune, culminando na ativação do inflamassoma, por exemplo", afirma Sato.

Não por acaso, de acordo com as pesquisadoras, são nesses casos em que a regulação do sistema imune está disfuncional que ocorre uma resposta inflamatória exagerada e diretamente relacionada com falência múltipla de órgãos – fatores que levam aos piores desfechos da COVID-19.

O artigo Dysfunctional purinergic signaling correlates with disease severity in COVID-19 patients pode ser lido em: www.frontiersin.org/articles/10.3389/fimmu.2022.1012027/full.




Autor: Maria Fernanda Ziegler 
Fonte: Agência FAPESP
Sítio Online da Publicação: FAPESP
Data: 09/11/2022
Publicação Original: https://agencia.fapesp.br/descoberto-novo-mecanismo-associado-ao-agravamento-da-covid-19/39995/

terça-feira, 8 de novembro de 2022

Covid-19: atraso em vacinação de bebês e crianças preocupa pais em meio a temor de alta de casos



CRÉDITO,GETTY IMAGES
Legenda da foto,

Crianças de 3 e 4 anos podem receber Coronavac, mas algumas localidades reclamam de falta da distribuição da vacina


A descoberta de uma variante da ômicron no Brasil, a nova onda de casos de covid na Europa e a alta de testes positivos em laboratórios particulares e farmácias no país elevam a preocupação sobre uma faixa que ainda não foi atendida pela vacinação: a de bebês e crianças pequenas.


A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou em 16 de setembro um imunizante da Pfizer que poderia atender crianças entre 6 meses e 2 anos e 11 meses de idade — que, até o momento, não foram incluídas na cobertura vacinal. A farmacêutica já entregou 1 milhão de doses ao governo.


O Ministério da Saúde, no entanto, limitou a vacinação nessa faixa etária apenas para casos de pessoas com comorbidades. E mesmo para esse grupo ainda não foi divulgado um calendário.

A epidemiologista Ethel Maciel, professora da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes), diz que "não há justificativa para essa delimitação".


Ela cita um estudo brasileiro publicado na revista científica Lancet que analisou 11.613 casos de covid em crianças e adolescentes. Em 8.352 (71,9%) das ocorrências não havia comorbidade prévia. A mesma situação foi registrada em metade das mortes nessa faixa etária.


"Já são quase dois meses desde que a Anvisa aprovou a vacina e nem mesmo as crianças com comorbidades receberam a vacina no braço. E há que se pensar nos casos de covid longa em que a gente sabe que a vacina tem eficácia para diminuir o desenvolvimento. A situação é ruim e o atraso do ministério, irresponsável", afirma a epidemiologista.


Nota técnica elaborada pelo governo sobre a Pfizer (que tem aplicação liberada para uma faixa mais estendida, até os 4 anos) afirma que "de maneira geral não foram observadas preocupações significativas do ponto de vista da segurança".


A BBC News Brasil entrou em contato com o Ministério da Saúde por e-mail, telefone e WhatsApp para obter mais informações sobre as definições para o esquema vacinal para bebês e crianças pequenas, mas não recebeu resposta.


"Nós temos famílias preocupadíssimas com a aproximação da nova onda, com a presença da variante BQ.1 no Brasil. Então as crianças não vacinadas estão sob maior risco. É urgente a vacinação desse grupo", diz Maciel.


O advogado Gabriel Camorim, de São Paulo, pai de uma menina de 2 anos, tem seguido o noticiário sobre a vacinação e diz que "acompanha com bastante preocupação inclusive por ouvir sobre o aumento de casos de covid, especialmente porque a Anvisa já liberou para a faixa etária da minha filha. A covid não passou totalmente. Assim que a vacina estiver disponível, eu quero levá-la ao posto".


Legenda da foto,

Gabriel Camorim, pai de uma menina de 2 anos, demonstra preocupação sobre a indefinição no esquema de vacinação para essa faixa etária

Camorim afirma que fez um isolamento bem rigoroso e, diante das notícias de novos casos de covid, tem procurado evitar aglomerações e aumentar a frequência do uso de máscaras.


O tatuador Uli Terra Reis, da Bahia, é pai de uma criança de 11 meses com comorbidade e reclama da falta de definições claras mesmo tendo sido anunciada a vacinação para o grupo.


"Meu neném tem apenas um rim, então ele entra na lista de comorbidades. Mas mesmo assim ainda permanecemos no escuro sobre quando a vacina vai chegar. Para mim o que mais me revolta é sermos um dos países com mais mortalidade infantil e fazerem pouco caso de preservar a vida das nossas crianças."


A advogada Stefanie Ferraz, mãe de um bebê de 6 meses, conta que teve uma "relação bastante difícil com a covid" durante a quarentena. "Fiquei muito ansiosa e com insônia vendo as notícias."


Ela diz que o atraso na campanha para vacina para bebês tem sido frustrante: "Foi um alívio saber da aprovação da vacina de covid para bebês e crianças há alguns meses... Mas meu bebê chegou na idade mínima e a vacina ainda não está disponível".


A angústia aumentou quando ela e o marido se infectaram com a doença na semana passada e veio a preocupação sobre uma criança tão nova.


"Foi a nossa primeira vez. Não fizemos o teste no bebê porque ele é muito pequeno, mas, mesmo tomando todos os cuidados (máscara o tempo todo, lavar as mãos e utensílios dele com muita frequência, deixar mais tempo com a avó etc), ele teve 2 dias de febre (e foi a primeira vez na vida que ele teve febre) e estava bem abatido. Teve um pouco de tosse e espirros também."


Nas redes sociais, outros pais e mães têm reclamado sobre a indefinição para distribuir os imunizantes para as crianças menores, inclusive em cobranças diretas ao ministro da Saúde, Marcelo Queiroga.


No mês passado, em meio à campanha do segundo turno em que foi derrotado, o presidente Jair Bolsonaro voltou a minimizar as mortes de crianças por covid e, sem apresentar nenhuma prova, declarou que óbitos nessa faixa etária eram inflados.


"Alguém viu alguma criança morrer de covid? É coisa rara. O que acontecia nesse caso é que chegava uma criança no hospital com traumatismo craniano que caiu da bicicleta e alguns hospitais, maldosamente, botavam na UTI de covid."


Nota conjunta das Sociedades Brasileiras de Pediatria (SBP) e de Imunizações (SBIm) disse que a carga da doença na população brasileira de crianças até 5 anos é relevante. Cita que, apenas em 2022, foram registradas 12.634 hospitalizações por Síndrome Respiratória Aguda Grave decorrente de covid com 463 mortes confirmadas.


"Atualmente, com a circulação predominante da variante ômicron e suas diversas sublinhagens em nosso país, esse quadro se mantém, com maior risco de hospitalizações, complicações e mortes em pessoas não vacinadas ou com esquemas incompletos. Da mesma forma, observamos também entre as crianças um aumento no risco de ocorrência de formas graves da doença", afirmam as entidades.

Esquema vacinal infantil


O esquema da vacina da Pfizer inclui três doses de 0,2 ml (o que é equivalente a 3 microgramas). A segunda dose será administrada três semanas depois. A terceira, ao menos oito semanas após a segunda dose. Terá tampa de cor vinho porque tem dosagem e composição diferentes.


Os Estados aguardam uma definição do governo federal. A Secretaria de Saúde de São Paulo, por exemplo, disse ter requisitado 615 mil doses do imunizante ao governo e aguarda envio para dar início à sua campanha.


No momento, o esquema vacinal está da seguinte forma:
Bebês e crianças entre 6 meses e 2 anos e 11 meses de idade têm previsão de receber a vacina da Pfizer. Só casos de comorbidade serão contemplados na leva inicial. Ainda não há um calendário definido
Crianças de 3 e 4 anos estão recebendo Coronavac, mas há queixas sobre a falta do imunizante em algumas localidades (veja a seguir)
A faixa acima de 5 anos pode tomar qualquer um dos dois imunizantes, Pfizer ou Coronavac


O prefeito de Recife, João Campos (PSB), escreveu nesta segunda (7/11) no Twitter que precisou suspender a aplicação para a faixa de 3 e 4 anos por falta de Coronavac e cobrou o Ministério da Saúde.




Autor: Shin Suzuki
Fonte: BBC News Brasil em São Paulo
Sítio Online da Publicação: BBC
Data: 08/11/2022
Publicação Original: https://www.bbc.com/portuguese/brasil-63551031

Covid-19: testes positivos em alta acendem alerta sobre nova onda no Brasil



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Aumento de casos de covid-19 deve ser observado no país nas próximas semanas


Laboratórios particulares e farmácias em todo Brasil vêm registrando aumento nos testes positivos para covid-19 nas últimas semanas, em um indício do que epidemiologistas classificam como um "alerta" para uma nova onda de casos no país.


Levantamento do Instituto Todos pela Saúde (ITpS) mostra que a taxa de exames positivos para a doença em laboratórios particulares passou de 3% para 17% em menos de um mês — um salto de 566%.


O aumento de casos foi registrado principalmente no Sudeste e Centro-Oeste do país, com destaque para São Paulo, Rio de Janeiro e Mato Grosso.


O ITpS também registrou alta na procura por testes ao longo do mês de outubro em todo o Brasil.


Já nas farmácias, os exames positivos para a doença voltaram ao patamar de dois dígitos, segundo a Associação Brasileira de Redes de Farmácias e Drogarias (Abrafarma), que reúne 26 redes responsáveis por cerca de 45% das vendas de medicamentos no país.


Das 14.970 testagens realizadas de 17 a 23 de outubro, 2.320 (15,5%) apresentaram diagnóstico positivo. Na semana anterior, a taxa havia sido de 9,36%.


O epidemiologista e pesquisador da ITpS, Anderson Brito, explica que a alta de testes positivos aponta para a tendência de surgimento de uma nova onda em algumas semanas.


"Provavelmente observaremos um aumento geral de testes positivos nos próximos dias, assim como aconteceu nas outras duas ondas de 2022", diz.


A demora para que o salto nos casos identificados pelas farmácias e laboratórios particulares seja também notada com clareza nos dados divulgados pelo Conselho Nacional de Secretarias de Saúde (Conass) é natural, segundo o especialista.


"Os testes em laboratórios servem como um termômetro — quando há uma alta na positividade no sistema privado é questão de tempo até começarmos a observar isso também na rede pública e de forma mais ampla."


Para o epidemiologista Pedro Hallal, da Universidade Federal de Pelotas, os aumentos registrados até agora são "um sinal de alerta".


"Não há motivo para desespero, pois ainda não sabemos a gravidade da onda ou se os casos provocarão muitas internações e óbitos", afirmou o especialista à BBC News Brasil. "Mas precisamos lembrar que a adesão às doses de reforço no Brasil tem sido baixa, o que não é uma boa notícia."



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Especialistas ressaltam a importância das doses de reforço da vacinação


Quase 80% da população brasileira recebeu duas doses da vacina contra a covid-19, mas menos de 50% foram imunizados com uma ou duas doses de reforço, segundo dados das secretarias estaduais de Saúde.


"A vacinação é o melhor caminho para o fim da pandemia e o grande desafio é lembrar a parte da população que ainda não se imunizou ou tomou as doses de reforço disso", afirma Hallal.

Do Sudeste para o resto do Brasil?


O levantamento do Instituto Todos pela Saúde aponta para uma alta especialmente em São Paulo, Rio de Janeiro e Mato Grosso.


Neste último, os testes positivos subiram de 3% para 18% entre os dias 22 e 29 de outubro — ou seja, foram registrados seis vezes mais diagnósticos.


Já em São Paulo, no mesmo período, os positivos subiram de 10% para 19%. No Rio, de 15% para 26%.



CRÉDITO,NIAD-NATIONAL INSTITUTE OF ALLERGY AND INFECTIOUS
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BQ.1: variante da ômicron foi descoberta no Brasil


Mas segundo os epidemiologistas consultados pela BBC Brasil, a tendência é que a nova onda ultrapasse as fronteiras desses Estados e chegue a todo o país em breve.


"Desde que a pandemia começou, o aumento de casos começa em uma região restrita, mas logo se espalha", diz Pedro Hallal. "Ou seja, é provável que a nova atinja também outras partes do Brasil."


"A covid é uma doença que se dissemina muito rápido e facilmente. Leva o tempo de um voo para que uma nova variante saia de São Paulo e chegue no Pará", afirma Anderson Brito.


O epidemiologista explica, porém, que a pandemia nem sempre acontece ao mesmo tempo em outros lugares, especialmente quando se trata de países e continentes diferentes.


"A Europa está saindo de sua última onda de casos, que durou cerca de dois meses, e só agora estamos observando uma tendência de aumento no Brasil", diz.


No último final de semana, uma nova variante do coronavírus, chamada de BQ.1, foi identificada no Rio de Janeiro, de acordo com a Secretaria Municipal de Saúde.


A variante já havia sido encontrada no Amazonas em 20 de outubro, de acordo com a unidade da Fiocruz no Estado, o que fortalece a suposição de que ela já circula em diferentes locais do país.


Nos Estados Unidos e na Europa, a BQ.1 já é considerada dominante.


- Este texto foi publicado em https://www.bbc.com/portuguese/brasil-63550537







Autor: Julia Braun
Fonte: BBC News Brasil em São Paulo
Sítio Online da Publicação: BBC
Data: 08/11/2022
Publicação Original: https://www.bbc.com/portuguese/brasil-63550537

sexta-feira, 14 de outubro de 2022

AAP 2022: Pesquisa avalia preditores de gravidade da covid-19 em crianças e vacinação eficaz

Mais de 12,8 milhões de casos de covid-19 em crianças foram relatados nos Estados Unidos, representando 19% de todos os casos no país. No entanto, relatórios inconsistentes de desfechos de gravidade em crianças obscurecem o impacto da doença em pediatria e as taxas de vacinação infantil variam amplamente entre os estados americanos.


Para avaliar os efeitos da vacinação e fatores clínicos e demográficos em desfechos graves em crianças com covid-19, pesquisadores da University of Texas Southwestern Medical Center conduziram o estudo Identifying Risk Factors for Severe Clinical Outcomes in Pediatric COVID-19 Patients In a National Electronic Health Record Repository, apresentado em 09 de outubro no 2022 AAP Experience.

Metodologia

O estudo, observacional retrospectivo, avaliou fatores clínicos, demográficos e vacinação nos desfechos da covid-19 entre pacientes pediátricos com menos de 18 anos usando o pipeline de dados de baixa latência Optum® COVID-19 (Optum Inc, Eden Prairie, MN). Foram incluídos pacientes com teste positivo para covid-19 por reação em cadeia da polimerase ou antígeno no período entre 12 de março de 2020 a 20 de janeiro de 2022.

O desfecho primário foi a gravidade da doença (não hospitalização, hospitalização, necessidade de Unidade de Terapia Intensiva Pediátrica [UTIP] ou desfecho pior). Uma regressão logística multivariável (R versão 4.1.2; α = 0,05) foi utilizada, considerando idade, índice de massa corporal (IMC), pontuação do índice de comorbidade pediátrica (ICP) validado indicando comorbidades pré-teste, raça e etnia, sexo, região e variante da covid-19 predominante no momento do diagnóstico para a região geográfica do paciente.

Ressalta-se que três modelos foram desenvolvidos agrupando crianças por faixa etária (0-2, 3-10 e 11-18 anos) devido a diferenças clínicas entre as idades, limitações de codificação do conjunto de dados e elegibilidade da vacina (IMC excluído por 0-2 anos, estado de vacinação incluído para 11-18 anos).

Resultados

Os pesquisadores observaram que, entre os pacientes pediátricos, 218.759 (18,7%) testaram positivo para covid-19, sendo que 8.717 (4%) foram hospitalizados, necessitaram de cuidados de UTIP ou ventilação mecânica ou evoluíram para óbito. Os preditores mais fortes desses desfechos graves em todos os grupos foram uma pontuação mais alta no índice de comorbidade pediátrica, com odds ratio [OR] de 2,27, 4,21 e 5,33, respectivamente — ou residência no sul dos Estados Unidos.

Em todos os grupos, o “status de seguro desconhecido“, a variante alfa e a raça negra foram preditores estatisticamente significativos e limítrofes clinicamente significativos de desfecho grave (p < 0,0001). Os pesquisadores enfatizaram que a razão de chances de doença grave comparando pelo menos uma vacinação com nenhuma vacinação conhecida é de 0,55 na coorte elegível para a imunização.

Considerações

Esse estudo concluiu que a presença de doença pré-existente foi o preditor independente mais forte de desfechos graves de covid-19 entre pacientes pediátricos e que a vacinação foi significativamente protetora. A utilização de um pipeline de dados nacionais americanos em larga escala permitiu a avaliação centralizada e atualizada dos desfechos em uma população diversificada de pacientes, revelando disparidades de saúde persistentes em linhas raciais e geográficas durante a pandemia. Os pesquisadores descrevem que muitos parâmetros facilmente avaliados podem prever com segurança desfechos adversos da covid-19 em pediatria, indicando populações que precisam de alcance para vacinação e outros esforços preventivos.






Autor: Roberta Esteves Vieira de Castro
Fonte: pebmed
Sítio Online da Publicação: pebmed
Data: 10/10/2022
Publicação Original: https://pebmed.com.br/aap-2022-pesquisa-avalia-preditores-de-gravidade-da-covid-19-em-criancas-e-se-a-vacinacao-foi-significativamente-protetora/

sexta-feira, 9 de setembro de 2022

3ª atualização sobre hidroxicloroquina para Covid-19 [vídeo]

 Revisão sistemática e metanálise de ensaios randomizados de hidroxicloroquina para a prevenção da COVID-19. Confira o episódio!

O Portal PEBMED é destinado para médicos e demais profissionais de saúde. Nossos conteúdos informam panoramas recentes da medicina.

Caso tenha interesse em divulgar esse conteúdo crie um perfil gratuito no AgendarConsulta.

Neste vídeo, Fabio Tuche, cardiologista e editor de MBE do Portal PEBMED,  faz uma análise da recente revisão sistemática com metanálise de estudos randomizados avaliando a hidroxicloroquina como profilaxia para Covid-19.

A revisão foi publicada em 09/08/2022 no European Journal of Epidemiology (grupo Nature). 

Quer saber mais sobre hidroxicloroquina como profilaxia para Covid-19?

Aperta o play e assista!

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Tópicos abordados no vídeo:

A Revisão Sistemática

O Processo de Condução de uma Revisão Sistemática / Metanálise

Avaliação da Credibilidade dos Métodos da Revisão Sistemática

Classificação da Confiança nas Estimativas de Efeito

Veja também os conteúdos em vídeo:

Nova atualização das evidências para hidroxicloroquina na Covid-19


Atualização das evidências sobre o uso de hidroxicloroquina para Covid-19

Acesso o conteúdo disponibilizado pela medrxiv.org/ – Suplemento da Revisão Sistêmica

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Autor: PEBMED
Fonte: PEBMED
Sítio Online da Publicação: PEBMED
Data: 07/09/2022
Publicação Original: https://pebmed.com.br/3a-atualizacao-sobre-hidroxicloroquina-para-covid-19-video/

quarta-feira, 3 de agosto de 2022

Efeito da interrupção do metotrexato na vacinação contra covid-19

Um desafio fundamental nesta fase da pandemia de covid-19 é melhorar a imunidade induzida pela vacina em indivíduos imunossuprimidos. O metotrexato, a droga antireumática mais prescrita mundialmente, é o tratamento de primeira linha para doenças reumatológicas como a artrite reumatoide e muitas vezes é a primeira linha terapia sistêmica para doenças de pele, como a psoríase.

Interromper o tratamento com metotrexato por duas semanas após a vacinação contra a influenza resultou em maior imunidade à vacinação em pacientes com artrite reumatoide, sem efeito de interrupção tratamento até quatro semanas antes da vacinação em estudos prévios.


 Métodos

O objetivo do estudo foi avaliar se uma interrupção de duas semanas do tratamento com metotrexato imediatamente após o reforço da vacina contra covid-19 melhorou respostas de anticorpos contra o domínio de ligação ao receptor S1 (S1-RBD) da proteína spike SARS-CoV-2, em comparação com tratamento ininterrupto em pacientes com doenças inflamatórias imunomediadas.

Foi um estudo aberto, prospectivo, de grupos paralelos, multicêntrico, randomizado, controlado, realizado em 26 hospitais no Reino Unido. Foram recrutados adultos de clínicas de reumatologia e dermatologia que foram diagnosticados com uma doença inflamatória imunomediada (por exemplo, artrite reumatoide, psoríase com ou sem artrite, espondiloartrite axial, dermatite atópica, polimialgia reumática e lúpus eritematoso sistêmico) e que estavam tomando metotrexato semanal de baixa dose (≤25 mg por semana) por pelo menos três meses. Os participantes também tinham que ter recebido duas doses primárias de vacina do programa de vacinação da covid-19 do Reino Unido.

O desfecho primário foi o título de anticorpos S1-RBD quatro semanas após receber a dose de reforço da vacina para covid-19, avaliada na população com intenção de tratar.

Resultados

Entre setembro de 2021 e março de 2022 foram recrutados 340 participantes. A média de idade foi de 59,1 anos, 155 (61%) eram do sexo feminino, 130 (51%) tinham artrite reumatoide e 86 (34%) tinham psoríase com ou sem artrite. Após 4 semanas, a média geométrica de título de anticorpo S1-RBD foi 22750 U/mL (95% IC 19314-26796) no grupo de suspensão do metotrexato e 10798 U/mL (8970–12 997) no grupo de metotrexato contínuo, com uma razão geométrica média de 2,19 (IC 95% 1,57–3,04; p<0,0001; modelo de efeitos mistos).

Discussão

O aumento da resposta de anticorpos no grupo de suspensão do metotrexato foi consistente através da dose de metotrexato, via de administração, tipo de doença inflamatória imunomediada, idade, plataforma de vacinação e histórico de infecção por SARS-CoV-2. Não houve eventos adversos graves relacionados à intervenção. Com isso, o estudo mostrou que uma interrupção de duas semanas do tratamento com metotrexato para pessoas com doenças inflamatórias imunomediadas resultou em aumento aprimorado das respostas de anticorpos após a vacinação com covid-19. Essa intervenção é simples, de baixo custo, fácil de implementar e pode potencialmente se traduzir em maior eficácia da vacina e duração da proteção para grupos suscetíveis.

Mensagens práticas

Pacientes imunossuprimidos apresentam pior resposta imunológica às vacinas da covid-19;

Pacientes usuários crônicos de metotrexato e estáveis da doença de base, podem interromper o tratamento por cerca de duas semanas após a dose da vacina, apresentando melhores respostas ao booster vacinal;

A combinação de vacinas com diferentes plataformas não parece trazer riscos a essa população, com aparente melhor resposta vacinal.





Autor: pebmed
Fonte: pebmed
Sítio Online da Publicação: pebmed
Data: 01/08/2022
Publicação Original: https://pebmed.com.br/efeito-da-interrupcao-do-metotrexato-na-vacinacao-contra-covid-19/

quarta-feira, 22 de junho de 2022

FDA autoriza a administração de vacinas contra a covid-19 em crianças pequenas

Em 17 de junho de 2022, o órgão americano Food and Drug Administration (FDA) emitiu autorização de uso emergencial (AUE) das vacinas contra a COVID-19 Moderna e Pfizer-BioNTech em crianças de até 6 meses de idade. De acordo com o FDA, a avaliação e análise dos dados de segurança, eficácia e fabricação dessas vacinas foi rigorosa e abrangente, apoiando a AUE. A agência determinou que os benefícios conhecidos e potenciais das vacinas Moderna e Pfizer-BioNTech contra a COVID-19 superam os riscos conhecidos e potenciais nas populações pediátricas autorizadas para uso de cada vacina. Ademais, antes de tomar a decisão de autorizar essas vacinas para as respectivas populações pediátricas, o Comitê Consultivo de Vacinas e Produtos Biológicos Relacionados independente da FDA (FDA’s independent Vaccines and Related Biological Products Advisory Committee) foi consultado, com votação em apoio às autorizações.


Moderna

Para a vacina Moderna, o FDA alterou a AUE para incluir o uso da vacina em pacientes com idades entre 6 meses e 17 anos de idade como uma série primária de duas doses, com um mês de intervalo, com as respectivas posologias: 6 meses a 5 anos: 25 gramas por dose; 6 a 11 anos: 50 gramas por dose; 12 a 17 anos: 100 gramas por dose. Uma terceira dose da série primária está autorizada com pelo menos um mês de intervalo após a segunda dose para indivíduos nessa faixa etária que tenham determinados tipos de imunocomprometimento. A vacina já foi autorizada para uso em adultos com idade igual ou superior a 18 anos.

Pfizer-BioNTech

Já no caso da Pfizer-BioNTech, o FDA alterou a AUE para incluir o uso da vacina em crianças de 6 meses a 4 anos de idade como uma série primária de três doses (3 gramas por dose) em que as duas doses iniciais são administradas com três semanas de intervalo, seguidas por uma terceira dose administrada pelo menos oito semanas após a segunda dose. A vacina já foi autorizada para uso em indivíduos com 5 anos de idade ou mais.










Autor: Roberta Esteves Vieira de Castro
Fonte: pebmed
Sítio Online da Publicação: pebmed
Data: 20/06/2022
Publicação Original: https://pebmed.com.br/fda-autoriza-a-administracao-de-vacinas-contra-a-covid-19-em-criancas-pequenas/

quinta-feira, 16 de junho de 2022

Vacinas nasais para COVID-19 oferecem esperança e enfrentam obstáculos

 Algumas semanas atrás, eu estava obcecado com meu nariz e garganta. Eu estava em uma viagem a Seattle para falar em uma pequena reunião de virologia com uso de máscaras sobre ser jornalista durante uma pandemia. Eu fiz pós-graduação lá, então fiquei emocionado ao ver velhos amigos e colegas. Mas a ironia de que eu estava arriscando ser infectado em meio ao aumento de casos de COVID-19 para pegar um avião para conversar com virologistas sobre a pandemia não me escapou. Passei a semana inteira em alerta máximo para o menor indício de dor de garganta ou coriza. Apesar do mascaramento, temia ficar doente e ficar preso a milhares de quilômetros de casa ou que, sem saber, passaria o vírus para outra pessoa.


Felizmente, esta história tem um final feliz. Eu não peguei o coronavírus. Nenhum dos meus amigos ou ex-colegas ficou doente. Embora eu não tenha escapado completamente ileso; Eu peguei um resfriado misterioso, não-COVID, que suspeito que peguei do bebê de um amigo. Ainda assim, a experiência me fez pensar – e se eu não precisasse me preocupar tanto em me tornar um transmissor de doenças porque havia vacinas COVID-19 que ajudavam meu corpo a controlar o vírus no meu nariz?

Os pesquisadores estão trabalhando em vacinas que esperamos fazer exatamente isso. Você esguicha essas vacinas nas narinas, em vez de injetá-las no músculo do braço, como as atuais injeções de COVID-19. Pulverizadas no nariz, as vacinas ensinam nosso sistema imunológico a fortalecer nossas narinas contra o coronavírus, talvez significando que ficamos menos doentes ou nos tornando menos propensos a transmitir o vírus a outras pessoas.

Jabs no braço podem não ser tão bons na prevenção da transmissão quanto as vacinas em spray nasal, alguns cientistas suspeitam. As injeções são melhores na construção de defesas que circulam no sangue ou no fluido que envolve as células, o que as torna ótimas para proteger os pulmões. E eles fizeram o que foram projetados para fazer: conter doenças graves e morte (SN: 31/8/21). As doses de reforço ajudam a combater o COVID-19 grave melhor do que as duas primeiras doses – especialmente para pessoas mais velhas, mostram estudos (SN: 29/4/22). Mas mesmo com as taxas de mortalidade baixas, isso não significa que nossa luta contra o coronavírus acabou. As defesas imunológicas em declínio combinadas com versões escorregadias do coronavírus que podem escapar de partes de nosso sistema imunológico deixam as pessoas vacinadas suscetíveis à infecção. Portanto, ainda precisamos de proteção adicional.

Um painel de especialistas que aconselha a Food and Drug Administration dos EUA se reunirá no final deste mês para avaliar se podemos precisar de uma atualização de vacina para o outono. Injeções atualizadas podem realmente estar no horizonte: dados preliminares da desenvolvedora de vacinas Moderna mostram que sua vacina mais recente, que inclui o omicron e o vírus original, aumenta a resposta imune contra o omicron, bem como outras variantes, como delta, anunciou a empresa em junho 8.

E em 7 de junho, o comitê consultivo da FDA recomendou que a agência autorizasse uma nova vacina COVID-19 para uso emergencial. Este, desenvolvido pela empresa Novavax, é baseado em um método tradicional - mostrando as proteínas virais purificadas do sistema imunológico - que pode ser atraente para pessoas ainda não vacinadas que estão hesitantes sobre a nova tecnologia de mRNA nas vacinas da Moderna e da Pfizer (SN: 1/ 28/21). Outros especialistas estão trabalhando em vacinas que podem resistir a um ataque de variantes, presentes e futuras.








Autor: Erin Garcia de Jesús
Fonte: sciencenews
Sítio Online da Publicação: sciencenews
Data: 10/06/2022
Publicação Original: https://www.sciencenews.org/article/covid-19-nasal-vaccines-pfizer-moderna-fluenz-tetra-flumist

sexta-feira, 20 de maio de 2022

Doação de leite humano é impactada negativamente pela Covid-19, segundo estudo

 O Dia Nacional de Doação de Leite Humano é celebrado todo dia 19 de maio, desde o ano de 2015, data oportuna para promover e proteger o aleitamento materno, bem como incentivar o ato de doação de leite humano. Doar leite está estreitamente relacionado à redução da mortalidade neonatal de recém nascidos prematuros hospitalizados, uma vez que lhes confere benefícios nutricionais e de proteção contra inúmeras doenças. Atualmente, o Brasil tem a maior e mais bem estruturada rede de bancos de leite do mundo. Mais de 70% de todos os bancos de leite estão localizados em território nacional, e contam com cerca de 1,1 milhão de doadoras de leite, sendo portanto o país com maior número de mulheres que doam leite materno.


Entretanto, diante dos impactos provocados pela pandemia de Covid-19 no mundo nos diversos setores, um estudo buscou analisar quantitativamente a doação de leite entre os anos de 2019 e 2020, e compará-los com o período anterior à pandemia. A metodologia do estudo contou com a utilização da estatística inferencial (Excel 2019), mediante a aplicação do Teste t de Student, com alfa = 0,05. Os dados utilizados para análise, foram os dados

disponíveis no site da Rede Nacional de Bancos de Leite Humano, do Brasil. A Covid-19 provocou muitas inseguranças em mulheres lactantes, principalmente acerca do risco de transmissão do vírus para o bebê através do leite materno. Entretanto, a orientação foi a manutenção do aleitamento materno, diante dos seus inúmeros benefícios, associada à medidas de segurança contra a doença, mesmo nos casos em que a mãe esteja infectada.

Cordeiro et al 2022, evidenciou que a doação de leite materno também sofreu impactos negativos no período pandêmico. Lactantes com sintomas gripais ou que entrarem em contato recente com pessoas infectadas pela Covid-19, não estão aptas à doar leite. Somente após a restauração do quadro de saúde que poderão retornar as atividades de doação. As medidas de isolamento social e/ou quarentena para pessoas do grupo de risco, incluindo lactantes, também reduziram a procura pelos serviços do banco de leite. Dessa forma, no ano de 2020, houve uma queda significativa no número de doadoras de leite de mais de 560 mulheres.

Segundo o estudo, o volume de leite coletado foi maior em 2020, se comparado com 2019. Entretanto, a quantidade de leite humano distribuído teve uma queda de 895 litros/mês decorrente de descartes diante de contaminação do leite, provavelmente por coleta inadequada.

Os autores reforçam as necessidades de educação em saúde quanto a técnica correta para coleta de leite materno, bem como os cuidados com o leite em todas as etapas, incluindo armazenamento, estoque e transporte, para que sejam mantidas a qualidade e as propriedades biológicas do leite.

Guia Prático

Nesse sentido, nós da equipe no Nursebook elaboramos um guia prático ilustrado muito especial sobre Doação de Leite Humano. Você poderá utilizá-lo para esclarecer de forma objetiva e ilustrada as lactantes sobre os benefícios da doação de leite humano, bem como os cuidados que ela precisa ter para que o leite dela chegue com segurança aos bancos de leite e beneficie dezenas de bebês recém nascidos prematuros hospitalizados em UTIneonatais!





Autor: Nathalia Schuengue
Fonte: pebmed
Sítio Online da Publicação: pebmed
Data: 19/05/2022
Publicação Original: https://pebmed.com.br/doacao-de-leite-humano-e-impactada-negativamente-pela-covid-19-segundo-estudo/

quarta-feira, 11 de maio de 2022

Anvisa aprova novo teste de Covid-19 que utiliza biotecnologia inovadora

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou a utilização de um novo reagente para teste Real-Time PCR, que permite a obtenção do material genético do novo coronavírus por um processo exclusivo, eliminando etapas anteriores de extração e possibilitando que seja realizado direto da amostra.

Trata-se do Kit artus ® SARS-CoV-2 Prep & Amp, método que utiliza uma tecnologia de preparação de amostras à base de líquido, o que simplifica e aumenta o rendimento dos testes de Covid-19.

O kit foi registrado para uso em mercados que aceitam a rotulagem CE-IVD. Além disso, a QIAGEN, multinacional alemã, fez um pedido às autoridades de saúde dos Estados Unidos para uma autorização de uso de emergência do produto.

Diferenciais do produto

Segundo o seu fabricante, o novo kit diagnóstico identifica a presença ou ausência de Covid-19 em amostras de swab nasofaríngeo e saliva através da detecção do material genético viral, gerando economia de tempo, materiais e custos.

“Esse novo kit diagnóstico pode permitir uma maior economia de tempo, materiais e custos, aumentando a capacidade de processamento de exames. Ao diminuir o TAT (turn around time) do exame, os resultados podem ser disponibilizados ao médico assistente em menos de uma hora, permitindo uma rápida tomada de conduta médica, gerando assim um impacto direto em questões como o isolamento social, investigação de contactantes, retorno ao trabalho, necessidade de novos exames complementares e tratamentos”, afirmou o médico patologista clínico Pedro Serrão Morales, colunista da PEBMED, em entrevista ao Portal de Notícias da PEBMED.

Testagem sindrômica

Outra tecnologia que veio para facilitar o trabalho dos profissionais de saúde é a testagem sindrômica, que identifica até 22 patógenos respiratórios de interesse clínico, utilizando a tecnologia QI Astat-Dx.

Como diversas doenças respiratórias apresentam um conjunto de sinais e sintomas semelhantes (inclusive coinfecções), caracterizadas genericamente por uma “síndrome gripal”, é difícil distingui-las clinicamente, prejudicando, assim, um diagnóstico e um tratamento específico. Esse novo teste pode ajudar muito os médicos neste sentido.

Outro benefício da tecnologia é o diagnóstico de algumas infecções que, geralmente, não são detectadas devido à falta de testes de rotina disponíveis nos hospitais.

“Dessa forma, esse tipo de testagem pode auxiliar na identificação precisa do agente causador da infecção respiratória, direcionando o médico assistente para uma conduta médica mais específica e adequada”, destacou o médico patologista clínico.

Setor da indústria diagnóstica

Sem dúvida, o setor da indústria diagnóstica passou (e superou) por grandes desafios durante a pandemia de Covid-19 e, certamente, conseguiu um lugar de destaque e protagonismo nesta história. Além disso, obviamente, há o desafio de desenvolver exames específicos para o diagnóstico da infecção.

“Tivemos que lidar com uma enorme escassez, à nível global, de insumos para a realização dos exames. Entretanto, é importante destacar que, em tempo recorde, o setor desenvolveu e aperfeiçoou metodologias e kits diagnósticos para ensaios moleculares, de antígeno e sorológicos, exames estes indispensáveis para auxiliar o adequado controle da pandemia e à formulação de políticas públicas de saúde”, ressaltou Pedro Morales.

Na opinião do vice-presidente da QIAGEN, na América Latina, Paulo Gropp, ao eliminar as incertezas do diagnóstico, “essas ferramentas são capazes de fornecer as diretrizes para a conduta médica mais adequada, com o uso dos medicamentos corretos e uma abordagem mais responsável em termos de administração e resistência aos antibióticos”.




Autor: Úrsula Neves
Fonte: pebmed
Sítio Online da Publicação: pebmed
Data: 11/05/2022
Publicação Original: https://pebmed.com.br/anvisa-aprova-novo-teste-de-covid-19-que-utiliza-biotecnologia-inovadora/