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quinta-feira, 8 de dezembro de 2022

AAP 2022: Pesquisa avalia preditores de gravidade da covid-19 em crianças e vacinação eficaz

Mais de 12,8 milhões de casos de covid-19 em crianças foram relatados nos Estados Unidos, representando 19% de todos os casos no país. No entanto, relatórios inconsistentes de desfechos de gravidade em crianças obscurecem o impacto da doença em pediatria e as taxas de vacinação infantil variam amplamente entre os estados americanos.


Para avaliar os efeitos da vacinação e fatores clínicos e demográficos em desfechos graves em crianças com covid-19, pesquisadores da University of Texas Southwestern Medical Center conduziram o estudo Identifying Risk Factors for Severe Clinical Outcomes in Pediatric COVID-19 Patients In a National Electronic Health Record Repository, apresentado em 09 de outubro no 2022 AAP Experience.


Metodologia

O estudo, observacional retrospectivo, avaliou fatores clínicos, demográficos e vacinação nos desfechos da covid-19 entre pacientes pediátricos com menos de 18 anos usando o pipeline de dados de baixa latência Optum® COVID-19 (Optum Inc, Eden Prairie, MN). Foram incluídos pacientes com teste positivo para covid-19 por reação em cadeia da polimerase ou antígeno no período entre 12 de março de 2020 a 20 de janeiro de 2022.


O desfecho primário foi a gravidade da doença (não hospitalização, hospitalização, necessidade de Unidade de Terapia Intensiva Pediátrica [UTIP] ou desfecho pior). Uma regressão logística multivariável (R versão 4.1.2; α = 0,05) foi utilizada, considerando idade, índice de massa corporal (IMC), pontuação do índice de comorbidade pediátrica (ICP) validado indicando comorbidades pré-teste, raça e etnia, sexo, região e variante da covid-19 predominante no momento do diagnóstico para a região geográfica do paciente.


Ressalta-se que três modelos foram desenvolvidos agrupando crianças por faixa etária (0-2, 3-10 e 11-18 anos) devido a diferenças clínicas entre as idades, limitações de codificação do conjunto de dados e elegibilidade da vacina (IMC excluído por 0-2 anos, estado de vacinação incluído para 11-18 anos).


Resultados

Os pesquisadores observaram que, entre os pacientes pediátricos, 218.759 (18,7%) testaram positivo para covid-19, sendo que 8.717 (4%) foram hospitalizados, necessitaram de cuidados de UTIP ou ventilação mecânica ou evoluíram para óbito. Os preditores mais fortes desses desfechos graves em todos os grupos foram uma pontuação mais alta no índice de comorbidade pediátrica, com odds ratio [OR] de 2,27, 4,21 e 5,33, respectivamente — ou residência no sul dos Estados Unidos.


Em todos os grupos, o “status de seguro desconhecido“, a variante alfa e a raça negra foram preditores estatisticamente significativos e limítrofes clinicamente significativos de desfecho grave (p < 0,0001). Os pesquisadores enfatizaram que a razão de chances de doença grave comparando pelo menos uma vacinação com nenhuma vacinação conhecida é de 0,55 na coorte elegível para a imunização.


Considerações

Esse estudo concluiu que a presença de doença pré-existente foi o preditor independente mais forte de desfechos graves de covid-19 entre pacientes pediátricos e que a vacinação foi significativamente protetora. A utilização de um pipeline de dados nacionais americanos em larga escala permitiu a avaliação centralizada e atualizada dos desfechos em uma população diversificada de pacientes, revelando disparidades de saúde persistentes em linhas raciais e geográficas durante a pandemia. Os pesquisadores descrevem que muitos parâmetros facilmente avaliados podem prever com segurança desfechos adversos da covid-19 em pediatria, indicando populações que precisam de alcance para vacinação e outros esforços preventivos.




Autor: Roberta Esteves Vieira de Castro
Fonte: pebmed
Sítio Online da Publicação: pebmed
Data: 10/10/2022
Publicação Original: https://pebmed.com.br/aap-2022-pesquisa-avalia-preditores-de-gravidade-da-covid-19-em-criancas-e-se-a-vacinacao-foi-significativamente-protetora/

segunda-feira, 10 de outubro de 2022

AAP 2022: Pesquisa avalia preditores de gravidade da covid-19 em crianças e vacinação eficaz

 Mais de 12,8 milhões de casos de covid-19 em crianças foram relatados nos Estados Unidos, representando 19% de todos os casos no país. No entanto, relatórios inconsistentes de desfechos de gravidade em crianças obscurecem o impacto da doença em pediatria e as taxas de vacinação infantil variam amplamente entre os estados americanos.

Para avaliar os efeitos da vacinação e fatores clínicos e demográficos em desfechos graves em crianças com covid-19, pesquisadores da University of Texas Southwestern Medical Center conduziram o estudo Identifying Risk Factors for Severe Clinical Outcomes in Pediatric COVID-19 Patients In a National Electronic Health Record Repository, apresentado em 09 de outubro no 2022 AAP Experience.


Metodologia

O estudo, observacional retrospectivo, avaliou fatores clínicos, demográficos e vacinação nos desfechos da covid-19 entre pacientes pediátricos com menos de 18 anos usando o pipeline de dados de baixa latência Optum® COVID-19 (Optum Inc, Eden Prairie, MN). Foram incluídos pacientes com teste positivo para covid-19 por reação em cadeia da polimerase ou antígeno no período entre 12 de março de 2020 a 20 de janeiro de 2022.


O desfecho primário foi a gravidade da doença (não hospitalização, hospitalização, necessidade de Unidade de Terapia Intensiva Pediátrica [UTIP] ou desfecho pior). Uma regressão logística multivariável (R versão 4.1.2; α = 0,05) foi utilizada, considerando idade, índice de massa corporal (IMC), pontuação do índice de comorbidade pediátrica (ICP) validado indicando comorbidades pré-teste, raça e etnia, sexo, região e variante da covid-19 predominante no momento do diagnóstico para a região geográfica do paciente.

Ressalta-se que três modelos foram desenvolvidos agrupando crianças por faixa etária (0-2, 3-10 e 11-18 anos) devido a diferenças clínicas entre as idades, limitações de codificação do conjunto de dados e elegibilidade da vacina (IMC excluído por 0-2 anos, estado de vacinação incluído para 11-18 anos).

Resultados

Os pesquisadores observaram que, entre os pacientes pediátricos, 218.759 (18,7%) testaram positivo para covid-19, sendo que 8.717 (4%) foram hospitalizados, necessitaram de cuidados de UTIP ou ventilação mecânica ou evoluíram para óbito. Os preditores mais fortes desses desfechos graves em todos os grupos foram uma pontuação mais alta no índice de comorbidade pediátrica, com odds ratio [OR] de 2,27, 4,21 e 5,33, respectivamente — ou residência no sul dos Estados Unidos.

Em todos os grupos, o “status de seguro desconhecido“, a variante alfa e a raça negra foram preditores estatisticamente significativos e limítrofes clinicamente significativos de desfecho grave (p < 0,0001). Os pesquisadores enfatizaram que a razão de chances de doença grave comparando pelo menos uma vacinação com nenhuma vacinação conhecida é de 0,55 na coorte elegível para a imunização.

Considerações

Esse estudo concluiu que a presença de doença pré-existente foi o preditor independente mais forte de desfechos graves de covid-19 entre pacientes pediátricos e que a vacinação foi significativamente protetora. A utilização de um pipeline de dados nacionais americanos em larga escala permitiu a avaliação centralizada e atualizada dos desfechos em uma população diversificada de pacientes, revelando disparidades de saúde persistentes em linhas raciais e geográficas durante a pandemia. Os pesquisadores descrevem que muitos parâmetros facilmente avaliados podem prever com segurança desfechos adversos da covid-19 em pediatria, indicando populações que precisam de alcance para vacinação e outros esforços preventivos.





Autor: Roberta Esteves Vieira de Castro
Fonte: pebmed
Sítio Online da Publicação: pebmed
Data: 10/10/2022
Publicação Original: https://pebmed.com.br/aap-2022-pesquisa-avalia-preditores-de-gravidade-da-covid-19-em-criancas-e-se-a-vacinacao-foi-significativamente-protetora/

quarta-feira, 5 de outubro de 2022

'Quando acordei, não andava mais': sobrevivente da pólio faz apelo por vacinação



CRÉDITO,ARQUIVO PESSOAL


Zuleide Verpa Degasperi brincava no chão da área externa de sua casa em Londrina, aos 18 meses de idade, quando, depois de se assustar com o barulho dos carros, foi colocada pela mãe para tirar uma soneca.


"Quando acordei, eu não andava mais", conta ela, com base nas memórias compartilhadas pela mãe.


Uma vizinha da família tinha sofrido paralisia geral por causa de poliomielite, e assim surgiu a suspeita, logo confirmada, de que Zuleide havia sido contaminada pelo mesmo vírus. O ano era 1961, e a primeira campanha nacional de imunização contra a poliomielite foi lançada oficialmente só em1980 no Brasil.

Ela iniciou o tratamento imediatamente, e quando tinha cerca de três anos, mudou-se para a casa de uma tia em São Paulo para começar a ser acompanhada por um médico especialista.


Quatro anos depois, Zuleide já conseguia andar sozinha, mas ficou com sequelas permanentes de falta de força na perna esquerda.


"As pessoas desconhecem o efeito da doença porque não viram pessoas com poliomielite. Depois da vacina não se depararam com as dificuldades de uma pessoa durante o tratamento, que é bem complicado. Eu, por exemplo, vivi em função de fisioterapia, natação, e cirurgias — ao longo da vida, fiz seis, e sei que tem gente que fez muito mais", diz Zuleide, que hoje tem 63 anos.


Ela faz uso de órtese somente quando precisa fazer caminhadas longas. "Não tenho uma grande deficiência hoje em dia. O que tenho é falta de força na perna esquerda. Manco um pouco, mas tem horas que é difícil porque tenho dores e não tomo medicamentos por me deixarem sonolenta, Mas eu tive muita sorte de ter encontrado pessoas que se preocuparam comigo e se dedicaram a achar o melhor para mim."


Zuleide tem quatro filhos e se esforçou para sempre manter a carteira de vacinação deles em dia. "Principalmente contra a poliomielite, porque eu sabia o que ela poderia causar na vida deles — as dificuldades durante a adolescência e a vida adulta e as dores terríveis.


Para os pais que hesitam em vacinar seus filhos, Zuleide deixa uma mensagem.


"Vacinar é essencial para que essas pessoas possam ter uma vida normal no que diz respeito às escolhas profissionais e a simplesmente correr e pular. Eu não tive nada disso. Na minha infância, minha 'aula de educação física' foi dentro da AACD [Associação de Assistência à Criança Deficiente], fazendo fisioterapia e nadando."

A faixa de cobertura vacinal recomendada para a poliomielite, de acordo com a Fiocruz, é de 80%.


Mas dados oficiais da campanha deste ano, que começou em 8 de agosto e foi prorrogada até 30 de setembro, mostram que somente 54% das crianças entre um e quatro anos — população-alvo da campanha — receberam o reforço da vacina contra a doença no Brasil.


Ainda é possível, se estiver na faixa etária recomendada para o imunizante, receber a vacina em postos de saúde ao decorrer de todo o ano.


Muitas vezes, a infecção não causa efeitos graves. No entanto, em um grupo menor, especialmente crianças com menos de cinco anos, a doença pode resultar em paralisia total ou parcial e até levar à morte.


O Brasil registra sucessivas quedas na taxa de vacinação contra a poliomielite desde 2016 e que a pandemia agravou o cenário: em 2021, o país registrou a pior cobertura dos últimos 25 anos, quando menos de 75% dos bebês foram imunizados.


De acordo com Juarez Cunha, presidente da SBIm (Sociedade Brasileira de Imunizações), uma das razões prováveis da queda vacinal é a falsa sensação de proteção de doenças que as pessoas desconhecem e as quais não viram as sequelas.



CRÉDITO,MARCELO CAMARGO/AGÊNCIA BRASIL
Legenda da foto,

As primeiras doses da vacina, com vírus inativado, são aplicadas aos 2, 4 e 6 meses de idade por meio de injeção intramuscular


"A poliomielite, junto com sarampo, já foi uma das principais doenças da infância em índice de sequelas e de mortes, mas os pais e tutores de hoje em dia são de uma geração que foi muito vacinada, e por isso, não têm experiência com a doença", aponta Juarez Cunha.


Mônica Levi, diretora da SBIm, avalia que as fake news também são responsáveis por uma parcela da população não ter se vacinado.


"Para uma mãe de um bebê que fica com pulga atrás da orelha por conta de notícias falsas, por exemplo, é mais fácil para ela correr o risco da doença, que ela acha que não vai chegar até seu filho, do que arriscar um suposto efeito colateral gravíssimo logo após a vacinação. O movimento antivacina ficou mais organizado pós-pandemia e tem sido efetivo em causar hesitação."

'Não pensei duas vezes antes de imunizar meu filho'



CRÉDITO,ARQUIVO PESSOAL
Legenda da foto,

Ledson Alexandre Sathler hoje, aos 70 anos


Ledson Alexandre Sathler tinha dois anos quando foi contaminado pelo vírus da poliomielite, em 1954, muito antes da vacina estar disponível no Brasil.


Ele foi o único da família a ficar doente, mas se lembra de ter visto outras pessoas que sofreram com a pólio durante sua infância. "Uma vizinha da minha família também pegou, mas o caso dela foi mais grave, o vírus subiu para a cabeça [atingiu o sistema nervoso]."


Ledson ficou com uma atrofia permanente na perna direita, uma sequela causada pelo vírus. Apesar da limitação de movimentos, ele conta que seus pais sempre o deixaram "à vontade", para que se movesse, largavam-o "solto", e o deixavam tentar se levantar sozinho se caísse. Na visão dele, isso o ajudou a se tornar mais independente.


"Na época da infância, faziam brincadeiras comigo, piadas, mas eu nunca liguei para isso."


Em 1992, ele passou por uma operação para tentar melhorar a funcionalidade da perna, mas acabou não tendo bons resultados com o procedimento e adquiriu uma infecção no hospital. Três anos depois, ele conseguiu uma órtese que o auxilia para caminhar até hoje.


Depois de adulto, Ledson se formou em agronomia, casou-se e teve um filho, com quem compartilha o mesmo nome.


"Desde que ele nasceu, sempre esteve com a carteira de vacina atualizada, para se proteger da poliomielite e também de outras doenças. Não pensei duas vezes antes de dar a imunização e é algo que eu incentivo até hoje."


Ele conta que tem familiares que, mesmo sabendo do que a polio causou nele e suas consequências perigosas, decidiram por não vacinar os filhos. "Acho que isso é alienação de pessoas que acham que nada vai acontecer com elas, que só os outros ficarão doentes."


"Essas famílias precisam pensar bem direitinho, lembrar que muitas pessoas enfrentaram problemas sérios por essas doenças. Se alguém não vacinado pega o vírus, o sofrimento de todos é muito grande."


- Este texto foi publicado em https://www.bbc.com/portuguese/brasil-63094020





Autor: Giulia Granchi Da BBC News Brasil em São Paulo
Fonte: BBC News Brasil
Sítio Online da Publicação: BBC News Brasil
Data: 05/10/2022
Publicação Original: https://www.bbc.com/portuguese/brasil-63094020

segunda-feira, 26 de setembro de 2022

Como apagão de dados sobre vacinação no Brasil traz de volta ameaça de doenças já controladas



CRÉDITO,GETTY IMAGES
Legenda da foto,

Números da vacinação em cidades brasileiras menores esbarra na burocraria e na falta de estrutura

Não há dúvidas entre os profissionais de saúde e pesquisadores que as taxas de vacinação vêm caindo de forma consistente no Brasil durante os últimos anos. Na avaliação deles, porém, há um problema pouco discutido nesse setor que complica ainda mais as coisas: a falta de dados confiáveis e atualizados sobre quantos brasileiros realmente tomaram as doses dos imunizantes disponíveis na rede pública de cada município.


Na base de dados do Sistema Único de Saúde, o DataSUS, é possível encontrar mais de uma dezena de cidades cuja cobertura vacinal nem chega aos 10% — em mais de 900 delas, o indíce não alcança os 50%.

Os gestores de saúde desses locais, porém, argumentam que as estatísticas oficiais não correspondem à realidade e que essa taxa, na prática, é bem maior.


O problema, dizem eles, está no excesso de burocracia, na falta de equipes e nas falhas de conexão com a internet ou acesso aos sistemas de informática mais modernos e conectados.


"É pouco provável que um município brasileiro tenha apenas 3 ou 5% de cobertura vacinal. O registro de dados simplesmente não funciona nesse país", atesta a médica Isabella Ballalai, vice-presidente da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm).

Os especialistas apontam que esse descompasso entre os números oficiais e a realidade prejudica a tomada de decisões e a criação de políticas públicas mais certeiras na área de saúde — o que aumenta a ameaça de surtos de doenças erradicadas, controladas ou com poucos casos, como poliomielite, sarampo e febre amarela.


"Sem esses dados consolidados, não conhecemos a realidade do país e não é possível fazer o planejamento ou elaborar o orçamento", pontua Wilames Freire, presidente do Conselho Nacional de Secretarias Municipais de Saúde (Conasems).


Ou seja: se os dados sobre a cobertura vacinal das cidades não batem, fica mais difícil para os governos municipais, estaduais e federal reforçarem as campanhas de comunicação, enviarem mais doses para um lugar específico, conversarem com os profissionais daquele local…


"Sem informações fidedignas, não temos condições de tomar decisões em tempo hábil", ele chama a atenção.


E um apagão de dados, por sua vez, abre a possibilidade de doenças que estão erradicadas, como a poliomielite, ou relativamente controladas, como o sarampo, voltem a representar uma ameaça.

O processo


O presidente do Conasems explica os detalhes do processo de vacinação no país.


"A pessoa chega no posto, é acolhida e conferimos se ela possui o Cartão Nacional de Saúde. Se tem, segue em frente. Se não, esse documento precisa ser produzido ali na hora."


"Após a vacinação, os dados daquele indivíduo e das vacinas que ele tomou devem ser inseridos no sistema", continua Freire.


E é justamente aí que começa o problema. "Às vezes, pelo acúmulo de trabalho, a equipe deixa para atualizar todos os dados só no final do dia", relata.



CRÉDITO,GETTY IMAGES
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Equipes dos postos de saúde são responsáveis por preencher e digitalizar as fichas de indivíduos vacinados


Segundo o presidente do Conasems, muitos postos de saúde também têm dificuldades nessa etapa por falta de internet ou conexão lenta.


"Daí todas aquelas fichas de papel são encaminhadas para a sede da secretaria de saúde, e um técnico fica responsável por inserir os dados, paciente por paciente, no sistema", diz.


"E isso quando ele consegue fazer esse trabalho. Não raro, o sistema trava, não abre no tempo adequado, não se comunica com outras bases…", lista.


Willames diz que, "como a prioridade das equipes é vacinar", muitas vezes essa tarefa burocrática de compilar os dados fica em segundo plano e não é feita a tempo.


"Nas primeiras fases da vacinação contra a covid-19, vi alguns municípios com mais de 100 mil fichas paradas que precisavam ser digitalizadas", lembra.

A realidade


A BBC News Brasil fez uma consulta ao sistema do DataSUS, disponível online, para conferir a cobertura vacinal dos mais de 5.500 municípios do país em 2021.


Foram considerados todos os imunizantes disponíveis na rede pública, que protegem contra doenças como poliomielite, sarampo, caxumba, rubéola e pneumonia, por exemplo.


No dia 7 de setembro de 2022, os dez municípios que apareciam com as piores taxas de imunização no ano passado eram:
Trajano de Moraes (RJ) - 3,1% de cobertura vacinal
Jucuruçu (BA) - 5,2%
Murici dos Portelas (PI) - 5,6%
Belford Roxo (RJ) - 6,3%
Santiago (RS) - 6,9%
Taquara (RS) - 7,2%
Bom Jardim (RJ) - 7,3%
Crisólita (MG) - 7,6%
Curuá (PA) - 8,5%

A BBC News Brasil entrou em contato com os gabinetes de prefeitos, as secretarias de saúde ou as assessorias de comunicação dos dez municípios listados acima para checar essas porcentagens e saber se, na visão dessas autoridades públicas, elas representam a realidade.


Desses, quatro prefeituras enviaram respostas até a publicação desta reportagem.


A enfermeira Sofia Marinho, que é coordenadora de imunização em Trajano de Moraes desde maio deste ano, informou que "o município não inseria as doses aplicadas no sistema, o que influenciou nesses dados baixos das coberturas vacinais".


Ela também apontou que há uma diferença entre os sistemas de informática de acordo com cada local de vacinação — na sede da prefeitura, por exemplo, se usa um programa de computador, nos distritos mais afastados, outro.


"Estamos com alguns problemas na migração dos dados dos sistemas, o que também pode ser um dos motivos por trás desses números, embora a nossa realidade seja totalmente diferente", completa.


A Secretaria de Saúde de Taquara informou que "houve um problema técnico no envio de dados de vacinação do município ao Ministério da Saúde e isso já está sendo corrigido".


A enfermeira Carolline Azevedo Caetano, diretora de Vigilância em Saúde de Bom Jardim, admitiu que o município encontra-se com uma cobertura insatisfatória, "mas por causa dos sistemas de informação, e não da vacinação propriamente dita".


"Tivemos alguns problemas com os recursos humanos responsáveis pela digitação dos dados, situação que já está sendo resolvida", respondeu.


Por fim, a enfermeira Glaucimeire Moura, coordenadora de Atenção Primária na cidade de Murici dos Portelas, declarou que as porcentagens que aparecem no DataSUS "não condizem com a realidade".


"Passamos um tempo com problemas no sistema e as vacinas não puderam ser registradas", relatou.


Ela também disse que boa parte das informações de cobertura vacinal do município está registrada em livros de papel.


Moura entende que colocar as informações no sistema é relativamente fácil, mas há barreiras na implantação dessa tecnologia e falhas na internet, especialmente nas zonas rurais.


Questionado pela reportagem, o Ministério da Saúde informou que "não foram identificadas divergências nas informações dos dados sobre as coberturas vacinais referentes ao ano de 2021 e os registros nos sistemas do DataSUS".


"De todo modo, a pasta orienta aos municípios que identificarem inconsistência nos dados que reportem [essas falhas] ao Programa Nacional de Imunizações (PNI)."



CRÉDITO,MARCELLO CASAL JR/AGÊNCIA BRASIL
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Ministério da Saúde diz não ver inconsistências das taxas de cobertura vacinal reportadas até agora

A solução


Freire, do Conasems, avalia que o PNI "trouxe grandes benefícios à população brasileira", mas apresenta "problemas históricos".


"E eles estão principalmente nas bases de dados e na integração entre elas. O Ministério da Saúde possui mais de 300 sistemas de informação", calcula.


Na avaliação dele, o descompasso entre os dados dos municípios e do Governo Federal "não é surpresa".


"No momento, as prefeituras estão trabalhando com quatro campanhas de vacinação simultâneas: covid, sarampo, pólio e múltiplas doses", conta.


"E as equipes das Unidades Básicas de Saúde são pequenas para lidar com tantas demandas."


Ballalai concorda e vê a situação como "uma antiga pedra no sapato".


"Esses sistemas já mudaram uma porção de vezes e, mesmo assim, ainda apresentam muitos erros e atrasos", critica.


"Um processo burocrático desses pode ocupar profissionais que vacinavam as pessoas, mas ficam sentados na frente de um computador preenchendo fichas", lamenta.


E todo esse cenário, por sua vez, prejudica as políticas de saúde pública, avaliam os entrevistados.



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Compilar os dados de vacinação em locais afastados — e com pouco acesso à internet — é um desafio, segundo especialistas

Uma das faces do problema maior


Ainda que reconheçam esse grande descompasso nos dados, os especialistas entendem que a cobertura vacinal vem caindo de forma consistente no país como um todo.


O número de brasileiros imunizados contra a poliomielite, por exemplo, desabou de 99% em 2010 para 69% no ano passado.


A aplicação da primeira dose da tríplice viral (que protege contra sarampo, caxumba e rubéola) saiu de 100% há dez anos para 73% em 2021.


Em outras palavras, a queda nacional no número de vacinados é real e preocupante — mas não dá pra saber com exatidão como isso está acontecendo nas cidades, especialmente nas de pequeno porte ou com menos estrutura.


"Sabemos que existe tecnologia disponível para acompanhar a cobertura não apenas de Estados e cidades, mas de cada sala de vacinação do país", complementa Freire.


E, embora a inconsistência nos sistemas de informática ajude a entender parte dessa situação, ela é apenas uma das faces de um problema bem maior.


"Vemos um desabastecimento de doses dos imunizantes em alguns lugares, a falta de campanhas nacionais adequadas e o aumento de notícias falsas ou até de um movimento antivacina no país", acrescenta Freire.


E, para elevar novamente as coberturas vacinais no país, é preciso lidar adequadamente com todas essas questões, concluem os especialistas.







Autor: André Biernath - @andre_biernath
Fonte: BBC News Brasil em Londres
Sítio Online da Publicação: BBC
Data: 25/09/2022
Publicação Original: https://www.bbc.com/portuguese/brasil-62980100

sexta-feira, 10 de junho de 2022

OMS diz que não há necessidade urgente de vacinação em massa contra varíola

Seus comentários vieram quando os Centros de Controle e Prevenção de Doenças dos EUA disseram que estavam em processo de liberação de algumas doses da vacina Jynneos para uso em casos de varíola dos macacos. consulte Mais informação

O governo da Alemanha disse na segunda-feira que está avaliando as opções de vacinação, enquanto a Grã-Bretanha as ofereceu a alguns profissionais de saúde. consulte Mais informação



As autoridades de saúde pública na Europa e na América do Norte estão investigando mais de 100 casos suspeitos e confirmados da infecção viral no pior surto do vírus fora da África, onde é endêmico.

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As principais medidas para controlar o surto são o rastreamento e o isolamento de contatos, disse Pebody, observando que não é um vírus que se espalha com muita facilidade, nem causou doenças graves até agora. As vacinas usadas para combater a varíola dos macacos podem ter alguns efeitos colaterais significativos, acrescentou.

Não está claro o que está impulsionando o surto, com os cientistas tentando entender a origem dos casos e se algo sobre o vírus mudou. Não há evidências de que o vírus tenha sofrido mutação, disse um executivo sênior da agência da ONU separadamente na segunda-feira. consulte Mais informação

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Muitas - mas não todas - das pessoas que foram diagnosticadas no atual surto de varíola são homens que fazem sexo com homens. Mas isso pode ser porque esse grupo demográfico provavelmente procurará aconselhamento médico ou acessará exames de saúde sexual mais prontamente, disse a OMS no início do dia. consulte Mais informação

A maioria dos casos confirmados não está ligada a viagens para a África, o que sugere que pode haver uma grande quantidade de casos não detectados, disse Pebody. Algumas autoridades de saúde suspeitam que haja algum grau de disseminação comunitária.

"Então, estamos vendo apenas ... a ponta do iceberg", disse ele.


Dado o ritmo do surto e a falta de clareza sobre o que o está impulsionando, há uma preocupação de que grandes eventos e festas neste verão possam piorar as coisas.

"Não estou dizendo para as pessoas não se divertirem, não vão a esses eventos", disse Pebody.

"É mais sobre o que as pessoas fazem nas festas que importa. Portanto, trata-se de comportamento sexual seguro, boa higiene, lavagem regular das mãos - todos esses tipos de coisas ajudarão a limitar a transmissão desse vírus".






Autor: Natalie Grover
Fonte: reuters
Sítio Online da Publicação: reuters
Data: 23/05/2022
Publicação Original: https://www.reuters.com/business/healthcare-pharmaceuticals/who-official-no-immediate-need-mass-monkeypox-vaccinations-2022-05-23/?taid=628c70e65430b80001b72a1c&utm_campaign=trueanthem&utm_medium=trueanthem&utm_source=twitter

terça-feira, 7 de junho de 2022

Ministério da Saúde prorroga Campanha Nacional de Vacinação contra Gripe e Sarampo



- Foto: Myke Sena/MS

Os públicos prioritários da Campanha Nacional de Vacinação contra a Gripe e Sarampo podem procurar os postos de vacinação de todo Brasil até o dia 24 de junho. A prorrogação da campanha, divulgada nesta quinta-feira (2) pelo Ministério da Saúde, tem o objetivo de aumentar as coberturas vacinais para as duas doenças.

A partir do dia 25 de junho, estados e municípios poderão ampliar a campanha contra a gripe para toda a população a partir de 6 meses, enquanto durarem os estoques da vacina Influenza. O Ministério da Saúde já distribuiu quase 80 milhões de doses para todo país.

Já a imunização contra o sarampo faz parte do Calendário Nacional de Vacinação e os imunizantes estão disponíveis durante todo o ano. A campanha de vacinação começou no dia 4 de abril.
Reforço da vacinação

Mais de 77 milhões de brasileiros estão nos grupos prioritários para a vacinação contra a gripe. Até agora, a cobertura vacinal chegou a 44%. O Ministério da Saúde reforça a importância da vacinação para evitar os casos graves da doença, principalmente durante os meses mais frios do ano.
Quem pode se vacinar contra gripe

• Idosos acima de 60 anos;
• Trabalhadores da saúde;
• Crianças de 6 meses a menores de 5 anos de idade (4 anos, 11 meses e 29 dias);
• Gestantes e puérperas;
• Povos indígenas;
• Professores;
• Pessoas com comorbidades;
• Pessoas com deficiência permanente;
• Forças de segurança e salvamento e Forças Armadas;
• Caminhoneiros e trabalhadores de transporte coletivo rodoviário de passageiros urbano e de longo curso;
• Trabalhadores portuários;
• Funcionários do sistema prisional;
• Adolescentes e jovens de 12 a 21 anos de idade sob medidas socioeducativas;
• População privada de liberdade.
Público-alvo da campanha contra o sarampo

• Trabalhadores da saúde;
• Crianças de 6 meses a menores de 5 anos de idade (4 anos, 11 meses e 29 dias);

Ministério da Saúde
Categoria
Saúde e Vigilância Sanitária









Autor: gov
Fonte: Ministério da Saúde
Sítio Online da Publicação: Ministério da Saúde
Data: 02/06/2022
Publicação Original: https://www.gov.br/saude/pt-br/assuntos/noticias/2022/junho/ministerio-da-saude-prorroga-campanha-nacional-de-vacinacao-contra-gripe-e-sarampo

sexta-feira, 4 de março de 2022

A suspensão temporária do metotrexato é útil na vacinação contra a covid-19?

 Com o grande avanço da vacinação contra a covid-19 na população geral, é importante compreendermos quais são os fatores relacionados a uma menor resposta vacinal em populações de risco, como aqueles que sofrem de doenças autoimunes sistêmicas. 

Recentemente, eu trouxe para o Portal PEBMED um artigo publicado pelo grupo da USP a respeito do uso da vacina Coronavac em pacientes com diversas doenças autoimunes.

Um novo estudo desse mesmo grupo foi recentemente publicado, agora com o objetivo de avaliar se a suspensão temporária por duas semanas do metotrexato após cada dose da vacina em pacientes com artrite reumatoide (AR) se associaria com uma melhora na imunogenicidade da vacina contra a covid-19. 


Metodologia

Trata-se de um estudo de intervenção, na qual um grupo manteria o uso de metotrexato (grupo controle), enquanto o outro suspenderia a medicação por duas semanas após cada dose de vacina (grupo intervenção), na proporção de 1:1. 

Foram incluídos pacientes ≥18 anos, com AR em baixa atividade de doença ou remissão (CDAI<10), com uso de prednisona ≤7,5 mg/dia, no momento da primeira dose da vacina. A dose do metotrexato deveria estar estável por 4 semanas e o uso concomitante de outros DMARDs foi permitido. Pacientes com sorologia positiva para covid-19 antes da vacinação foram excluídos das análises de imunogenicidades, mas mantidos nas análises de segurança. A vacina estudada foi a Coronavac.  

Os desfechos coprimários avaliados foram a taxa de soroconversão (positividade para IgG contra SARS-CoV-2 S1/S2) e a positividade para anticorpos neutralizantes (≥30%), avaliados no dia 69. Além disso, foram analisadas as taxas de reativação da AR após a suspensão da medicação. 

Resultados

Dos pacientes avaliados, 67 foram randomizados para o grupo intervenção e 71 para o grupo controle. 

Ao final do estudo, devido a exclusões que ocorreram por sorologia previamente positiva ou por reativação da doença após suspensão do MTX na primeira dose da vacina, 37 pacientes do grupo intervenção e 55 no grupo controle foram incluídos na análise de imunogenicidade. Na análise de segurança, foram incluídos 60 e 69 pacientes, respectivamente. 

No D69, a soroconversão foi maior no grupo que suspendeu o MTX por 2 semanas (78,4% vs. 54,5%, p=0,019), assim como o aumento nos títulos médios geométricos. Não houve diferença na positividade para anticorpos neutralizantes. Nesse mesmo momento, a taxa de reativação (CDAI>10) foi maior no grupo que suspendeu o metotrexato (p=0,024). 

Comentários 

A suspensão por duas semanas do MTX após as doses da Coronavac melhorou a soroconversão, no entanto às custas de uma maior taxa de reativação após a segunda dose da vacina.  

Esse dado é extremamente importante para otimizarmos as estratégias de vacinação dos pacientes com AR, uma vez que é necessário se discutir os riscos e benefícios com o paciente na tomada de decisão....

 Veja mais em  - Portal PEBMED: https://pebmed.com.br/a-suspensao-temporaria-do-metotrexato-e-util-na-vacinacao-contra-a-covid-19/?utm_source=artigoportal&utm_medium=copytext






Autor: Nathalia Schuengue
Fonte: PEBMED
Sítio Online da Publicação: PEBMED
Data: 03/03/2022
Publicação Original: https://pebmed.com.br/a-suspensao-temporaria-do-metotrexato-e-util-na-vacinacao-contra-a-covid-19/

sexta-feira, 16 de abril de 2021

Gestantes, puérperas e lactantes: Saúde orienta vacinação contra a covid-19 para mulheres de grupos prioritários



Gestantes, puérperas e lactantes podem se vacinar contra a Covid-19 no Brasil, desde que pertençam a um dos grupos prioritários, especialmente se tiverem alguma comorbidade. Essa é a orientação do Ministério da Saúde, que tem como base estudos nacionais e internacionais que avaliaram os riscos e os benefícios de imunizar mulheres nessas condições.

No caso de gestantes sem doenças pré-existentes, mas que façam parte do público-alvo da campanha, a recomendação é que seja realizada uma avaliação cautelosa junto ao seu médico, principalmente se a mulher exercer alguma atividade que a deixe mais exposta à doença. A gestante também deve ser informada sobre os dados de eficácia e segurança conhecidos dos imunizantes. Quem se enquadrar nesses critérios, deve ser vacinado contra a covid-19 conforme a ordem de imunização dos grupos prioritários, estabelecida pelo Plano Nacional de Operacionalização da Vacinação contra a Covid-19 (PNO).

Mas atenção: o Ministério da Saúde orienta que as gestantes, lactantes e puérperas procurem os serviços de saúde somente quando chegar a fase de vacinação do grupo prioritário no qual elas estão inseridas.

As gestantes, puérperas e lactantes, pertencentes aos grupos prioritários, que não concordarem em serem vacinadas, devem ser apoiadas em sua decisão e orientadas a manter medidas de proteção como higiene das mãos, uso de máscaras e distanciamento social. Além disso, lactantes que forem vacinadas contra a covid-19 não precisam interromper o aleitamento materno por conta do imunizante, uma vez que não há evidências de riscos para a saúde do bebê, conforme recomendação da Organização Mundial da Saúde (OMS). A doação de leite materno também é permitida.

MONITORAMENTO

O Ministério da Saúde vem prestando apoio às coordenações estaduais de saúde da mulher e de vigilância epidemiológica para, juntos, monitorar a oferta da vacina e o acompanhamento das gestantes, puérperas e lactantes que optarem pela imunização. A pasta também acompanha casos de eventos adversos pós-vacinação em gestantes, fetos e recém-nascidos até seis meses após o nascimento.

As recomendações em relação a aplicação de vacinas covid-19 em gestantes, puérperas e lactantes estão disponíveis no PNO e também em uma nota técnica elaborada pela Secretaria de Atenção Primária à Saúde (SAPS).

Marina Pagno
Ministério da Saúde
(61) 3315-3580 / 2351
Categoria
Saúde e Vigilância Sanitária




Autor: Ministério da Saúde
Fonte: Ministério da Saúde
Sítio Online da Publicação: Ministério da Saúde
Data: 16/04/2021
Publicação Original: https://www.gov.br/saude/pt-br/assuntos/noticias/gestantes-puerperas-e-lactantes-saude-orienta-vacinacao-contra-a-covid-19-para-mulheres-de-grupos-prioritarios

quarta-feira, 27 de janeiro de 2021

Quem ‘fura’ fila de vacinação pode ser responsabilizado criminalmente



Quem ‘fura’ fila de vacinação pode ser responsabilizado criminalmente
Furar a fila da vacinação é crime e tem implicação penal – Especialista aponta principais sanções e ressalta a importância de denunciar casos

Por Guta Bolzan

Estados e municípios, apesar de terem autonomia na distribuição e aplicação da vacina contra o coronavírus, devem seguir o Plano Nacional de Operacionalização da Vacinação contra a Covid-19, organizado pelo Ministério da Saúde, e que prevê a vacinação em ciclos, de acordo com grupos prioritários. Com o início da imunização, no entanto, diversos casos de pessoas que não pertencem ao primeiro ciclo, os chamados “fura-filas”, vêm sendo noticiados e apurados.

De acordo com a advogada, especialista em Direito Contemporâneo, e procuradora-municipal Jocinéia Zanardini*, tanto quem fura a fila quanto o servidor que aplica a dose em quem não pertence ao grupo prioritário podem ser responsabilizados em diferentes esferas. “A vacina é um bem público, que tem uma destinação específica, prevista no plano nacional de imunização. Portanto, quando há esse desvio das doses, os responsáveis estão cometendo infrações e podem ser responsabilizados criminalmente e, também, nas esferas cível e administrativa”, afirma.

Na esfera cível, funcionário público e a pessoa física, que recebeu a dose da vacina, respondem a uma ação de improbidade, cujas consequências previstas são: ressarcimento do valor total das doses desviadas, pagamento de multa, ter os direitos políticos suspensos e ser proibido de contratar serviços ou de receber qualquer tipo de benefício do poder público.

Os servidores públicos também ficam sujeitos às penalidades administrativas. “Além de ter a possibilidade de perder a função ou o cargo público, o servidor também irá responder a processo disciplinar interno, dentro do órgão em que atua, e, em alguns casos, no conselho de classe, porque é também uma infração ética”, explica Zanardini.

Segundo a especialista, a conduta não é apenas antiética, mas, também, criminosa e, portanto, tem implicações penais. “Desviar algo que é um bem público é um crime previsto no código penal, chamado de peculato-desvio”, afirma. O infrator, além de pagar multa penal, está sujeito à pena de até 12 anos de reclusão em regime fechado. No caso das vacinas, tanto o servidor público quanto o “fura-fila” respondem criminalmente. Embora o crime de peculato-desvio seja um crime específico de funcionário público, nesta questão, em particular, ambos respondem pelo desvio do bem. Isso acontece porque, quando o beneficiário tem conhecimento da condição do agente ou do servidor público, essa circunstância se comunica”, comenta a advogada.

Para a profissional, é muito importante que as pessoas tenham consciência e conhecimento de que há implicações para quem fura a fila da vacinação. “Além de antiético e de demonstrar uma grande falta de cidadania e de respeito com a coletividade, é uma conduta condenável do ponto de vista jurídico e que precisa ser denunciada”, reforça. Para fazer denúncias destes casos, o cidadão deve procurar a ouvidoria do município ou do estado em que reside. Também é possível denunciar diretamente no Ministério Público, órgão responsável por apurar e tomar as medidas legais cabíveis.

Segundo o Ministério da Saúde, nesse primeiro ciclo de aplicação de doses, serão contemplados profissionais de saúde, idosos acima de 60 anos institucionalizados, portadores de deficiência com mais de 18 anos institucionalizados e indígenas aldeados em terras homologadas.

* Jocinéia Zanardini é Bacharel em Direito pela Universidade Tuiuti do Paraná e especialista em Direito Contemporâneo pela Universidade Cândido Mendes (RJ), há 10 anos é procuradora-municipal em Campo Largo (PR) e, desde 2008, está à frente do escritório de advocacia Zanardini Advogados



in EcoDebate, ISSN 2446-9394, 27/01/2021




Autor: Guta Bolzan
Fonte: EcoDebate
Sítio Online da Publicação: EcoDebate
Data: 27/01/21
Publicação Original: https://www.ecodebate.com.br/2021/01/27/quem-fura-fila-de-vacinacao-pode-ser-responsabilizado-criminalmente/

quarta-feira, 20 de janeiro de 2021

Vacina covid-19: O que significa uso emergencial? O que é placebo? As respostas para as 10 perguntas mais procuradas sobre vacinação nas últimas 24 horas



CRÉDITO,IRYNA VEKLICH/GETTY IMAGES
Legenda da foto,

Trabalhadores da área da saúde, indígenas e idosos serão os grupos prioritários no início da vacinação contra a covid-19 no Brasil


A aprovação da CoronaVac (Sinovac/Instituto Butantan) e da CoviShield (FioCruz/Universidade de Oxford/AstraZeneca) representou um enorme avanço para conter a pandemia de covid-19, que já vitimou quase 210 mil brasileiros.


Essas duas vacinas são as primeiras a serem liberadas pela Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária). No domingo (17/01), técnicos e diretores da agência sanitária brasileira se reuniram para tomar a decisão e aceitar de forma emergencial a aplicação das doses.


Em meio a tanta expectativa e planejamento, a população brasileira está cheia de dúvidas e perguntas a respeito dos produtos e, claro, de como vai acontecer a campanha nacional de imunização contra a covid-19.


Prova disso é um levantamento feito pelo Google, ao qual a BBC News Brasil teve acesso com exclusividade.


Algumas perguntas relacionadas à vacinação contra a covid-19 tiveram um crescimento de 2.500% nas buscas durante as últimas 24 horas.


Confira abaixo as questões mais comuns e as respostas para elas.

1. O que significa uso emergencial da vacina?


O uso emergencial é uma aprovação que as agências regulatórias, como a Anvisa no Brasil e a FDA nos Estados Unidos, dão a determinados produtos em caráter provisório e por um tempo determinado.


Essa liberação se baseia nas análises preliminares dos testes clínicos. Esses estudos acompanham milhares de voluntários e geralmente demoram alguns anos para serem finalizados.


O problema é que, durante uma pandemia que afeta milhões de pessoas em todos os continentes, é impossível esperar tanto tempo para encontrar uma solução.


Para acelerar um pouco esse processo, os cientistas determinam um número mínimo de eventos. Em outras palavras, isso significa uma quantidade de participantes do estudo que pegam covid-19.


A partir daí, é possível fazer comparações e cálculos para determinar uma taxa de eficácia do imunizante e saber se ele é seguro e não provoca efeitos colaterais graves.


A CoronaVac e a CoviShield passaram por todo esse processo nos últimos meses e mostraram capacidade para conter a infecção pelo coronavírus. Por isso, foram aprovadas para uso emergencial no Brasil.


É importante mencionar que isso não significa que os estudos acabaram: eles continuarão pelos próximos meses para garantir que essas observações iniciais se mantêm ao longo do tempo.


A partir dos dados completos, será possível pedir a autorização definitiva dos produtos num futuro próximo.

2. O que é imunogenicidade?


A imunogenicidade é a capacidade que uma vacina tem de gerar uma resposta imune e fazer com que uma pessoa fique protegida contra determinada doença.


"A partir do momento em que aplicamos as doses, o imunizante vai induzir uma produção de anticorpos que vão nos resguardar contra determinado vírus ou bactéria", explica o médico Fabiano Ramos, coordenador do Serviço de Infectologia do Hospital São Lucas da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul.


Pelos estudos feitos até o momento, a CoronaVac e a CoviShield tem uma boa imunogenicidade. O que ainda não se sabe é quanto tempo essa proteção dura — será preciso acompanhar os voluntários por mais tempo para obter essa resposta.


Pode ser que essas vacinas precisem de doses de reforço a cada seis, 12 ou 24 meses (como acontece com as vacinas contra a gripe).


Outra possibilidade é que o efeito delas na imunidade seja duradouro (como no caso dos imunizantes que resguardam contra a febre amarela e o sarampo, por exemplo).

Legenda do vídeo,

O que significa a eficácia de 50,4% da vacina do Butantan?

3. Quando começa a vacinação?


As primeiras doses já foram aplicadas ontem mesmo, logo após a aprovação pela Anvisa. A primeira brasileira a receber a CoronaVac foi a enfermeira Mônica Calazans, de 54 anos, que trabalha no Instituto de Infectologia Emílio Ribas, em São Paulo.


A CoviShield ainda deve demorar um pouco para ficar disponível. Os primeiros frascos do produto serão importados e a previsão é que cheguem ao país nas próximas duas semanas. A FioCruz, que vai produzir essa vacina em território nacional, aguarda a chegada de insumos para iniciar a fabricação.


De acordo com o site Our World in Data, até o momento 112 brasileiros foram vacinados. A expectativa é que esse número aumente bastante nos próximos dias.


Os lotes da CoronaVac já começaram a ser distribuídos e chegaram em algumas localidades, como Distrito Federal, Piauí, Santa Catarina e Goiás.



CRÉDITO,RODRIGO PAIVA/GETTY IMAGES
Legenda da foto,

A enfermeira Mônica Calazans foi a primeira brasileira a receber a CoronaVac, logo após a aprovação da vacina pela Anvisa

4. O que é vacina placebo?


Esse termo "vacina placebo", na verdade, está errado. Uma coisa é vacina e outra completamente diferente é o placebo.


Acontece que, durante os testes clínicos antes da aprovação, os cientistas precisam saber se o imunizante é seguro e eficaz.


Para isso, os voluntários são divididos em dois grupos. O primeiro toma doses do produto ativo, que vai gerar aquela imunogenicidade que explicamos um pouco mais acima.


Já o segundo recebe doses de placebo, uma substância sem nenhum efeito no corpo.


A expectativa é que, na comparação dos resultados, o grupo que foi vacinado esteja mais protegido contra determinada doença infecciosa em relação àqueles que receberam placebo.

5. Quantas vacinas o Brasil comprou?


Por enquanto, estão autorizadas no Brasil a CoronaVac (Instituto Butantan/Sinovac) e a CoviShield (FioCruz/Universidade de Oxford/AstraZeneca).


No momento, 6 milhões de doses da CoronaVac são distribuídas pelos Estados. O Instituto Butantan calcula que tem capacidade de produzir 46 milhões de doses até abril.


Cerca de 2 milhões de doses da CoviShield devem chegar ao país nas próximas duas semanas. A FioCruz promete entregar 100 milhões de doses desta vacina durante o primeiro semestre de 2021.


Algumas concorrentes já possuem acordos com governos estaduais. É o caso da Sputnik V (Instituto Gamaleya de Pesquisa), que tem intenção de compra no Paraná e na Bahia. Mas sua distribuição depende do aval da Anvisa — recentemente, a agência pediu mais dados sobre os estudos deste imunizante para poder tomar a decisão.


Há concorrentes já aprovados em outros países, como aqueles produzidos por Pfizer/BioNTech e Moderna, mas eles não têm previsão de chegada ao Brasil.

6. O que fazer quando se perde a carteira de vacinação?


Para a campanha de imunização contra a covid-19, isso não será um problema. "Os postos de vacinação vão estar preparados para fornecer algum tipo de comprovante, mesmo que o cidadão não tenha a carteirinha antiga", prevê Ramos, que foi o coordenador das pesquisas com a CoronaVac em Porto Alegre.


Ainda não há orientações específicas, mas espera-se que na hora da vacinação contra a covid-19 as pessoas levem algum tipo de documento de identificação, apresentem o Cartão Nacional de Saúde ou informem o número do CPF.


Em alguns casos, será necessário comprovar de alguma maneira que você faz parte dos grupos prioritários (falaremos mais sobre esses grupos na próxima pergunta).


No entanto, é essencial que todos guardem sua carteirinha de vacinação com muito cuidado. Ali estão informações importantíssimas de saúde.


Muitas vezes, se o indivíduo não sabe se tomou determinado imunizante e perdeu esse documento, ele precisa repetir todo o esquema vacinal contra uma doença ou outra.


É importante também que todos atualizem sua carteirinha de tempos em tempos. Há vacinas que precisam ser tomadas na infância, na adolescência, na fase adulta e após os 60 anos.


A Sociedade Brasileira de Imunizações possui um site com o calendário atualizado com recomendações de vacinação para todas as faixas etárias e situações específicas.

Legenda do vídeo,

Vacinas contra covid: como as novas variantes do coronavírus podem afetar a imunização

7. Como será a vacinação no Brasil?


O Ministério da Saúde lançou um plano nacional de imunização contra a covid-19 no final de dezembro de 2020.


Nesse documento, foram definidos os grupos prioritários e algumas etapas do processo. Em resumo, o esquema e o público-alvo foram definidos da seguinte forma:

Primeira fase: trabalhadores da área da saúde, indígenas, indivíduos com mais de 75 anos e pessoas com mais de 60 anos que vivem em asilos e hospitais;
Segunda fase: idosos de 60 a 74 anos;
Terceira fase: pessoas com comorbidades, como diabetes, hipertensão grave, doença pulmonar obstrutiva crônica, doença renal, doenças cardiovasculares e cerebrovasculares, indivíduos transplantados, com anemia falciforme, câncer, obesidade grau III ou deficiência permanente severa;
Quarta fase: trabalhadores da educação, população em situação de rua, membros das forças de segurança e salvamento, trabalhadores do transporte coletivo e transportadores rodoviários de carga, funcionários do sistema prisional e população carcerária.


Esse planejamento pode ser acelerado ou sofrer atrasos, a depender da chegada das doses das vacinas.


Ainda não há um calendário de como esses grupos serão atendidos ou quando cada um deles deve procurar um posto de saúde.


Uma estratégia sugerida por especialistas é reforçar a vacinação nos locais onde a situação da covid-19 está mais grave.


Isso poderia trazer alívio ao sistema de saúde e garantir uma melhora mais rápida no panorama da pandemia.



CRÉDITO,RODRIGO PAIVA/GETTY IMAGES
Legenda da foto,

A distribuição das primeiras 6 milhões de doses da CoronaVac para os estados começou hoje (18/12)

8. Onde vai começar a vacinação contra o coronavírus?


O Ministério da Saúde afirma que as doses das vacinas serão distribuídas por todo o país de forma igualitária, de acordo com a população de cada local.


Os Estados já estão começando a receber os seus lotes e devem aplicar as vacinas nos profissionais da saúde durante os próximos dias - alguns já iniciaram na segunda-feira, como Goiás e Rio Grande do Norte.

9. Quem serão os primeiros a serem vacinados?


Os primeiros vacinados contra a covid-19 serão os profissionais da saúde. Na sequência, a prioridade será de indígenas e idosos. Mas qual a razão dessa prioridade?


"Em primeiro lugar, isso tem a ver com a exposição ao vírus. Médicos, enfermeiros e outros trabalhadores da linha de frente estão sob grande risco e precisamos proteger logo essas pessoas", justifica Ramos.


Já idosos e indígenas são populações vulneráveis, que correm mais risco de sofrer com o agravamento e morte por covid-19.

O que é a 'isenção de responsabilidade' das vacinas e por que você não deveria se preocupar com ela
Covid-19: novo estudo revela mortalidade de 50% entre hospitalizados no Norte, contra 31% no Sul

10. Como cadastrar para a vacinação para a covid-19 pelo SUS?


No momento, não há orientações para fazer cadastro em nenhum site ou aplicativo. "É provável que as secretarias municipais e estaduais de Saúde de cada lugar se organizem de formas diferentes", diz Ramos.

O governo de São Paulo, por exemplo, lançou o site Vacina Já, para que os paulistas tenham informações sobre os locais de aplicação das doses e façam um pré-cadastro.

Por enquanto, somente trabalhadores da área de saúde e indígenas devem preencher as informações por lá.

Nesse momento é bom tomar cuidado com fraudes e pegadinhas: o Ministério da Saúde diz que não vai realizar agendamentos e nem envia códigos pelo celular para usuários do Sistema Único de Saúde (SUS).

A melhor coisa a se fazer por ora é aguardar novas orientações que serão dadas pelas autoridades de saúde em breve.




Autor: André Biernath
Fonte: BBC News Brasil em São Paulo
Sítio Online da Publicação: BBC News Brasil
Data: 19/01/21
Publicação Original: https://www.bbc.com/portuguese/brasil-55713026

terça-feira, 19 de maio de 2020

Começa hoje a vacinação de professores e adultos de 55 a 59 anos

Em balanço apresentado pelo Ministério da Saúde, nesta segunda-feira (18), nas duas primeiras fases da Campanha Nacional de Vacinação contra a Gripe foram vacinadas 43 milhões de pessoas

Começou nesta segunda-feira (18/05) a vacinação de professores das redes pública e privada, e adultos de 55 a 59 anos de idade. Nesta etapa, a expectativa é vacinar 10,7 milhões de pessoas. Com esses dois grupos, o Ministério da Saúde encerra a terceira e última fase da Campanha Nacional de Vacinação contra a Gripe. Nas duas primeiras fases da ação, que teve início em 23 de março, 43 milhões de pessoas receberam a vacina. Com isso, todos os estados conseguiram atingir a meta na primeira fase, que foi destinada aos trabalhadores da saúde e idosos. Já na segunda fase, apenas seis estados alcançaram a meta prevista de vacinar 90% dos públicos prioritários.

A terceira e última fase da Campanha Nacional de Vacinação contra a Gripe foi dividida em duas etapas: a primeira ocorreu no período de 11 a 17 de maio, com foco nas pessoas com deficiência; crianças de seis meses a menores de seis anos; gestantes; e mães no pós-parto (até 45 dias). Nesta segunda etapa, estão os professores das escolas públicas e privadas, que devem apresentar o crachá funcional para comprovar o vínculo com alguma instituição; e os adultos de 55 a 59 anos de idade.

“Todas as pessoas que fazem parte dos grupos da primeira fase, segunda e primeira etapa da terceira fase, e que ainda não se vacinaram, podem procurar um dos 41 mil postos de saúde. As pessoas que integram os públicos prioritários precisam ficar protegidas. A vacina não protege contra o COVID-19, mas sim contra três tipos de vírus influenza, responsáveis por síndromes gripais e síndromes respiratórias agudas graves”, informa o secretário-substituto de Vigilância em Saúde do Ministério da Saúde, Eduardo Macário.

Mesmo sem a realização do dia D, o Ministério da Saúde tem recomendado que estados e municípios intensifiquem a divulgação da campanha e a importância da vacinação. Ao todo, nas três fases da campanha, 77,7 milhões de pessoas estão nos grupos prioritários para receberem a vacina.

Neste ano, o Ministério da Saúde mudou o início da campanha, de abril para março, para proteger de forma antecipada os públicos prioritários contra os vírus mais comuns da gripe. A vacina contra influenza não tem eficácia contra o coronavírus, porém, neste momento, irá auxiliar os profissionais de saúde na exclusão do diagnóstico para coronavírus, já que os sintomas são parecidos. E, ainda, ajuda a reduzir a procura por serviços de saúde. A vacina está disponível nos mais de 41 mil postos de saúde.

Até o momento, 63,2 milhões de doses da vacina já foram distribuídas aos estados para garantir a imunização do público-alvo da campanha. No total, o Ministério da Saúde investiu R$ 1,1 bilhão na aquisição de 79 milhões de doses da vacina para as três fases. A Campanha Nacional de Vacinação contra a Gripe segue até o dia 5 de junho e a meta é vacinar, pelo menos, 90% de cada um desses grupos.

A escolha dos grupos prioritários para a vacinação contra a gripe segue recomendação da Organização Mundial de Saúde (OMS). Essa definição também é respaldada por estudos epidemiológicos e pela observação do comportamento das infecções respiratórias, que têm como principal agente os vírus da gripe. São priorizados os grupos mais suscetíveis ao agravamento de doenças respiratórias."

BALANÇO DAS PRIMEIRAS FASES

Nas duas primeiras fases da Campanha Nacional de Vacinação contra a Gripe de 2020, de 23 de março a 14 de maio, 60,5% do grupo prioritário havia sido vacinado contra a influenza com a aplicação de 43 milhões de doses da vacina.

O percentual citado acima não inclui os grupos de pessoas com comorbidades, membros das forças de segurança e salvamento, caminhoneiros, motoristas e cobradores de transportes coletivos, trabalhadores portuários e o público relacionado com o Sistema prisional por possuírem limitações em suas estimativas populacionais. Isso porque o quantitativo desse público é uma estimativa e pode haver sobreposição a partir de pessoas que integram diferentes grupos prioritários, por exemplo, ser caminhoneiro (público-alvo da 2ª fase) e idoso (público-alvo da 1ª fase). Assim, é possível informar apenas o número de doses, de fato, aplicadas da vacina contra a gripe nestes grupos que foi de 7,5 milhões.

As Unidades da Federação com maior cobertura até o momento são: Distrito Federal (69,86%), Minas Gerais (68,41%), Rio Grande do Sul (66,84%), Espírito Santo (66,71%), Santa Catarina (65,54%) e São Paulo (64,49%). Já os estados com menor cobertura são: Roraima (23,03%) Amazonas (30,28%) Amapá (37,41%), Pará (38,31%) e Acre (44,08%).

CONHEÇA AS FASES E OS PÚBLICOS PRIORITÁRIOS DA CAMPANHA

Fases da Campanha
Público-alvo
1ª fase (a partir de 23 de março)
- Idosos com 60 anos ou mais de idade
- Trabalhadores da saúde
2ª fase (a partir de 16 abril)
- Profisisonais das forças de segurança e salvamento
- Pessoas com doenças crônicas ou condições clínicas especiais
- Caminhoneiros, profissionais de transporte coletivo (motoristas e cobradores) e portuários
- Povos indígenas
- Adolescentes e jovens de 12 a 21 anos sob medidas socioeducativas
- População privada de liberdade
- Funcionários do sistema prisional
3ª fase (de 11 de maio a 5 de junho)
- Pessoas com deficiência
- Professores
- Crianças de 6 meses a menores de 6 anos
- Gestantes
- Mulheres no pós-parto até 45 dias
- Pessoas de 55 anos a 59 anos de idade

CASOS DE INFLUENZA NO BRASIL

O Ministério da Saúde mantém a vigilância da influenza no Brasil por meio da vigilância sentinela de Síndrome Gripal (SG) e de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) em pacientes hospitalizados. São 200 unidades distribuídas em todas as regiões geográficas do País e tem como objetivo principal identificar os vírus respiratórios circulantes, permitir o monitoramento da demanda de atendimento dos casos hospitalizados e óbitos.

Em 2020, até o dia 5 de maio, foram registrados 2.137 casos de SRAG hospitalizados por influenza (gripe) em todo o país, com 180 mortes. Do total de casos que já tiveram a subtipagem identificada, 517 foram casos de influenza A (H1N1), com 75 óbitos; 53 casos e 10 óbitos por influenza A (H3N2), 326 de influenza A não subtipado, com 47 mortes; e 440 casos e 48 óbitos por influenza B.

Por Jéssica Cerilo, da Agência SaúdeAtendimento à imprensa(61) 3315- 3580 / 2745


Autor: Ministério da Saúde
Fonte: Ministério da Saúde
Sítio Online da Publicação: Ministério da Saúde
Data: 19/05/2020
Publicação Original: 
https://www.saude.gov.br/noticias/agencia-saude/46898-comeca-hoje-a-vacinacao-de-professores-e-adultos-de-55-a-59-anos

sexta-feira, 3 de abril de 2020

Começa dia 16 a vacinação para caminhoneiros, motoristas de transporte coletivo e portuários

Governo amplia campanha de vacinação contra gripe | Jornal Midiamax

Profissionais que atuam nestas categorias, consideradas essenciais, foram incluídos na segunda fase da Campanha de Vacinação contra a Gripe

O Ministério da Saúde incluiu caminhoneiros, motoristas de transportes coletivo e trabalhadores portuários na segunda fase da Campanha Nacional de Vacinação contra a Gripe, que começa no dia 16 de abril. As três categorias se juntam ao grupo prioritário que também contempla doentes crônicos e profissionais das forças de segurança e salvamento. O anúncio da inclusão dos caminhoneiros, motoristas de transporte coletivo e portuários foi feito na última segunda-feira (30/3) pelos ministros da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, e da Infraestrutura, Tarcísio Gomes de Freitas.

Com essa alteração, os professores, tendo em vista que as aulas estão suspensas, passam a integrar o grupo prioritário da terceira fase. “Como todas as escolas estão com as atividades paralisadas, optamos por priorizar na próxima fase da campanha aqueles profissionais que atuam nos portos, no transporte de cargas, motoristas de transporte coletivo, expostos diariamente porque estão na linha de frente, prestando serviços essenciais”, destacou o ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta.

Até esta quinta-feira (2/4), na primeira fase da campanha que começou no dia 23 de março, 15,6 milhões de doses foram aplicadas em idosos, representando 62,6% da população a ser alcançada. Em relação aos trabalhadores de saúde, foram vacinados 2,6 milhões, alcançando 52% da meta. A Campanha Nacional de Vacinação contra a Gripe segue até 22 de maio.

A meta da Campanha Nacional de Vacinação Contra a Gripe é vacinar, pelo menos, 90% de cada um desses grupos, até o dia 22 de maio. O dia “D” de mobilização nacional para a vacinação acontece no sábado, dia 9 de maio.

CONHEÇA AS FASES DA CAMPANHA

Fases da Campanha
Público-alvo
1ª fase (a partir de 23 de março)
Idosos com 60 anos ou mais
Trabalhadores da saúde
2ª fase (a partir de 16 abril)
Profissionais das forças de segurança e salvamento
Doentes crônicos
Caminhoneiros, motoristas de transporte coletivo e portuários
3ª fase (de 09 a 22 de maio)
Professores
Crianças de 6 meses a menores de 6 anos
Grávidas
Mães no pós-parto
População indígena
Ressoas acima de 55 anos
Pessoas com deficiência

VACINAÇÃO ANTECIPADA

Neste ano, o Ministério da Saúde mudou o início da campanha, de abril para março, para proteger, de forma antecipada, os públicos prioritários contra os vírus mais comuns da gripe. Devido a circulação do coronavírus no país, cada estado e município tem buscado estratégias para diminuir concentração de pessoas. Esta vacina não tem eficácia contra o coronavírus, porém, neste momento, irá auxiliar os profissionais de saúde na exclusão do diagnóstico da gripe, já que os sintomas são parecidos, para chegar mais rapidamente a conclusão do diagnóstico de coronavírus. E, ainda, ajuda a reduzir a procura por serviços de saúde.

Estudos e dados apontam que casos mais graves de infecção por coronavírus têm sido registrados em pessoas acima de 60 anos, grupo que corresponde a aproximadamente 20 milhões de pessoas no Brasil. Por isso, a primeira fase da campanha contempla esse público.
ENVIO DAS DOSES DA VACINA

Todos os estados foram abastecidos para iniciar a Campanha Nacional de Vacinação contra a Gripe. Para isso, o Ministério da Saúde investiu R$ 1 bilhão na aquisição total de 75 milhões de doses da vacina para as três fases da campanha. Mais de 26 milhões de doses já foram enviadas às Unidades Federadas para atender o público prioritário da primeira fase. A vacina, composta por vírus inativado, protege contra os três vírus que mais circularam no hemisfério sul no ano passado: Influenza A (H1N1), Influenza B e Influenza A (H3N2).

Toda semana, o Ministério da Saúde envia novas remessas de lotes da vacina aos estados, conforme entrega do laboratório parceiro, o Instituto Butantan, que antecipou em um mês sua produção, para que o país iniciasse a vacinação da população contra a gripe. Os estados são responsáveis por fazer a distribuição aos municípios.

Neste ano, a campanha de comunicação divulgada pelo Ministério da Saúde traz o conceito “Gripe. Tem que vacinar”. Também voltada para as outras duas fases da campanha, as peças destacam as datas de início da vacinação para cada grupo e chamam a atenção para a importância de se respeitar o calendário para que todos sejam vacinados. A mensagem será transmitida por filme para redes e TV, spot de rádio, anúncio, cartazes, peças online, entre outras mídias, no período entre 21 de março a 22 de maio.
ADIAMENTO DA VACINAÇÃO DE ROTINA PARA CRIANÇAS

Durante a primeira fase da campanha de vacinação contra a gripe, o Ministério da Saúde recomendou aos Estados e Municípios que seja adiada a vacinação de rotina, principalmente das crianças. Assim, até o dia 15 de abril, a população deve aguardar a conclusão desta fase para que possa voltar aos postos de saúde para se vacinar. A medida preventiva objetiva reduzir o contato dos idosos e crianças, já que estas são importantes transmissores e disseminadores das doenças respiratórias.

Assim, a recomendação é que pais e responsáveis por crianças aguardem o término desta fase e, a partir do dia 16 de abril, voltem às unidades de saúde para realizar a vacinação de rotina. Esta medida, se estende também para população adulta, contemplada no calendário nacional de vacinação. Contudo, para Estados com circulação ativa do vírus de sarampo e febre amarela, é recomendada a continuidade da vacinação para as duas doenças, e que estas estratégias ocorram de forma planejada afim de evitar concentração de pessoas.
CASOS DE INFLUENZA NO BRASIL

O Ministério da Saúde mantém a vigilância da influenza no Brasil por meio da vigilância sentinela de Síndrome Gripal (SG) e de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) em pacientes hospitalizados. São 167 unidades distribuídas em todas as regiões geográficas do País e tem como objetivo principal identificar os vírus respiratórios circulantes, permitir o monitoramento da demanda de atendimento dos casos hospitalizados e óbitos.

Em 2020, até a Semana Epidemiológica 12 (21 de março), foram registrados 204 casos e 19 óbitos por Influenza A (H1N1)pdm09, 181 casos e 17 óbitos por Influenza B e 21 casos e 3 óbitos por Influenza A (H3N2). O estado de São Paulo concentra o maior número de casos de Influenza A (H1N1) pdm09, com 50 casos e 4 óbitos. Em seguida, estão a Bahia (49 casos e 3 óbitos) e o Paraná (21 casos e 5 óbitos). No ano passado, o país registrou 5.800 casos e 1.122 óbitos pelos três tipos de influenza.

Por Vanessa Aquino, da Agência SaúdeAtendimento à imprensa(61) 3315-3580 / 2351 / 3713



Autor: Ministerio da Saúde
Fonte: Ministerio da Saúde
Sítio Online da Publicação: Ministerio da Saúde
Data: 02/04/2020
Publicação Original: https://www.saude.gov.br/noticias/agencia-saude/46648-comeca-dia-16-a-vacinacao-para-caminhoneiros-motoristas-de-transporte-coletivo-e-portuarios-2