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quarta-feira, 27 de julho de 2022

Transmissão da varíola dos macacos durante o sexo: veja o que se sabe



Casos da varíola dos macacos foram identificados em 75 países, inclusive no Brasil — Foto: Getty Images

A Organização Mundial da Saúde (OMS) mostrou preocupação com o fato de a maioria dos casos notificados de varíola dos macacos terem ocorrido entre homens que fazem sexo com homens. Nesta quarta-feira (27), a entidade fez um alerta para este público, mas ressaltou que o risco de contrair a doença não está restrito a apenas um grupo.

O padrão que aponta a prevalência dos casos entre homens que fazem sexo com outros homens levantou o questionamento sobre se o vírus é transmitido por via sexual ou apenas durante o sexo.

A varíola dos macacos é uma infecção causada por um vírus que geralmente se manifesta de forma leve — os principais sintomas são febre, dor e o aparecimento de lesões e feridas em algumas partes específicas do corpo.

Não há confirmação de transmissão via fluidos sexuais, como o sêmem, conforme explica é Andrea Paula Bruno Von Zuben, professora de epidemiologia da Faculdade de Ciências Médicas da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).

"Não é considerado uma infecção sexualmente transmissível (IST) até esse momento porque não foi provada essa transmissão por fluido sexual. Por enquanto, é isso o que a literatura fala e epidemiologicamente é isso o que a gente entende", diz Andrea.

Por outro lado, a própria OMS admitiu que a intimidade prolongada durante o sexo parece ser a condição principal que facilita a transmissão da varíola dos macacos durante o sexo. A doença é transmitida quando alguém tem contato próximo com as lesões de pele, as secreções respiratórias ou os objetos usados por uma pessoa que está infectada.

Comparação com herpes

Conselheiro dos programas de HIV, hepatites virais, IST's e varíola dos macacos da OMS, Andy Seele afirmou nesta quarta-feira que cientistas analisam como as experiências do passado podem orientar as investigações do atual surto em relação à transmissão sexual.

No caso do vírus Zika, ele é transmissível sexualmente, pois está presente nos fluidos vaginais e no sêmen. Ainda não há indicação de que isso ocorra com a monkeypox.

"Não podemos dizer que o uso de camisinhas protege, porque sabemos que a transmissão da varíola se dá pelo contato pele a pele, assim como herpes, em que o uso de camisinha não é o suficiente para prevenir. É preciso focar (na prevenção e cuidado com) o contato íntimo pessoal e prolongado, que é o modo chave de transmissão", afirma Andy Seele.

Recomendações

Um estudo publicado na quinta-feira (21) na revista "The New England Journal of Medicine" apontou que a transmissão por meio de contato no sexo se deu em 95% dos casos analisados.

"Até o momento, a disseminação atual afetou desproporcionalmente homens gays ou bissexuais e outros homens que fazem sexo com homens, o que sugere amplificação da transmissão via redes sociais sexuais", aponta o estudo.

Tendo isso em vista, o diretor da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, aconselhou que homens que fazem sexo com homens reduzam momentaneamente o número de parceiros. O objetivo é "reduzir risco de exposição".

Modos de transmissão

O vírus pode ser transmitido por meio de secreções, pelas lesões bolhosas que se formam, ou por via respiratória. O contato sexual é íntimo e prolongado, proporcionando a exposição por meio de todas as vias citadas anteriormente, o que justifica o aumento da transmissão desse modo.

De acordo com a líder técnica da OMS para a doença, Rosamund Lewis, é essencial que a população entenda que todos podem, eventualmente, contrair a doença.


"Apesar de as agências de saúde estarem compartilhando que um grupo é o mais acometido neste momento, é muito importante que todos nós entendamos que qualquer um de nós está em risco. Precisamos de informações sobre como esse grupo pode proteger a si mesmo, mas, ao mesmo tempo, qualquer um está exposto", esclarece Lewis.

Ritmo preocupante

Andrea ressalta que a situação merece atenção, uma vez que o ritmo de transmissão atual não é comparável ao ritmo da África, onde a varíola é endêmica, circulando durante todo o ano e causando um número esperado de mortes.

Um exemplo brasileiro de doença endêmica é a dengue, transmitida pela picada do mosquito Aedes aegypti.

"Nada impede que, daqui a pouco tempo, a gente descubra que tem outras vias de transmissão, inclusive a sexual. Em qualquer dessas doenças, a gente demora um pouco para saber", pontua Andrea.

Lewis revela que basta uma configuração na qual muitas pessoas estejam juntas, dividindo um espaço físico e tendo contato entre si, para a transmissão ocorrer. "Inclusive no ambiente doméstico, tanto em países onde há doença já é conhecida há tempos, quanto em outros recentemente afetados", finaliza Lewis.



Mundo ultrapassa 18 mil casos confirmados de Varíola dos macacos




Autor: Julia Putini e Lara Pinheiro
Fonte: g1
Sítio Online da Publicação: g1
Data: 27/07/2022
Publicação Original: https://g1.globo.com/saude/noticia/2022/07/27/transmissao-da-variola-dos-macacos-durante-o-sexo-veja-o-que-se-sabe.ghtml

sexta-feira, 10 de junho de 2022

OMS diz que não há necessidade urgente de vacinação em massa contra varíola

Seus comentários vieram quando os Centros de Controle e Prevenção de Doenças dos EUA disseram que estavam em processo de liberação de algumas doses da vacina Jynneos para uso em casos de varíola dos macacos. consulte Mais informação

O governo da Alemanha disse na segunda-feira que está avaliando as opções de vacinação, enquanto a Grã-Bretanha as ofereceu a alguns profissionais de saúde. consulte Mais informação



As autoridades de saúde pública na Europa e na América do Norte estão investigando mais de 100 casos suspeitos e confirmados da infecção viral no pior surto do vírus fora da África, onde é endêmico.

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As principais medidas para controlar o surto são o rastreamento e o isolamento de contatos, disse Pebody, observando que não é um vírus que se espalha com muita facilidade, nem causou doenças graves até agora. As vacinas usadas para combater a varíola dos macacos podem ter alguns efeitos colaterais significativos, acrescentou.

Não está claro o que está impulsionando o surto, com os cientistas tentando entender a origem dos casos e se algo sobre o vírus mudou. Não há evidências de que o vírus tenha sofrido mutação, disse um executivo sênior da agência da ONU separadamente na segunda-feira. consulte Mais informação

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Muitas - mas não todas - das pessoas que foram diagnosticadas no atual surto de varíola são homens que fazem sexo com homens. Mas isso pode ser porque esse grupo demográfico provavelmente procurará aconselhamento médico ou acessará exames de saúde sexual mais prontamente, disse a OMS no início do dia. consulte Mais informação

A maioria dos casos confirmados não está ligada a viagens para a África, o que sugere que pode haver uma grande quantidade de casos não detectados, disse Pebody. Algumas autoridades de saúde suspeitam que haja algum grau de disseminação comunitária.

"Então, estamos vendo apenas ... a ponta do iceberg", disse ele.


Dado o ritmo do surto e a falta de clareza sobre o que o está impulsionando, há uma preocupação de que grandes eventos e festas neste verão possam piorar as coisas.

"Não estou dizendo para as pessoas não se divertirem, não vão a esses eventos", disse Pebody.

"É mais sobre o que as pessoas fazem nas festas que importa. Portanto, trata-se de comportamento sexual seguro, boa higiene, lavagem regular das mãos - todos esses tipos de coisas ajudarão a limitar a transmissão desse vírus".






Autor: Natalie Grover
Fonte: reuters
Sítio Online da Publicação: reuters
Data: 23/05/2022
Publicação Original: https://www.reuters.com/business/healthcare-pharmaceuticals/who-official-no-immediate-need-mass-monkeypox-vaccinations-2022-05-23/?taid=628c70e65430b80001b72a1c&utm_campaign=trueanthem&utm_medium=trueanthem&utm_source=twitter

terça-feira, 24 de maio de 2022

Varíola



Diagnóstico diferencia

Varíola

Vaccinia generalizada

Zoster disseminado

Catapora

Eczema herpético

Herpes simples disseminado

Sífilis

Bouba

Sarna

Rickettsiapox

Sarampo

Infecções bacterianas da pele

Erupção associada a drogas


Prognóstico

Existem dois clados distintos do vírus da varíola dos macacos. O clado da África Ocidental tem um prognóstico mais favorável com uma taxa de letalidade abaixo de 1%. Por outro lado, o clado da Bacia Central (clado da África Central) é mais letal, com taxa de letalidade de até 11% em crianças não vacinadas. Além de possíveis cicatrizes e descoloração da pele, o restante dos pacientes geralmente se recupera totalmente dentro de quatro semanas após o início dos sintomas.


Vamos para:

Complicações

Superinfecção bacteriana da pele

Cicatrizes permanentes da pele

Hiperpigmentação ou hipopigmentação

Cicatrizes permanentes da córnea (perda de visão)

Pneumonia


Desidratação (vômitos, diarreia, ingestão oral diminuída devido a lesões orais dolorosas e perda insensível de líquidos por ruptura generalizada da pele)


Sepse

Encefalite

Morte


Dissuasão e Educação do Paciente

A educação de pacientes e profissionais de saúde em regiões onde o vírus da varíola dos macacos é endêmico é de extrema importância. A contenção local é a melhor defesa contra a disseminação mundial. Historicamente, o vírus da varíola dos macacos tem uma capacidade limitada de se espalhar entre humanos. No entanto, a diminuição da população de pessoas vacinadas contra a varíola abre caminho para um aumento da prevalência da varíola humana, aumentando as oportunidades de mutação viral. Portanto, melhorar o reconhecimento da doença pelo paciente, a fidelidade dos relatórios e o acesso aos recursos de diagnóstico são ações críticas para coletar os dados necessários para obter uma compreensão mais profunda e fortalecer a defesa contra a varíola dos macacos.

Vamos para:

Melhorando os resultados da equipe de saúde

A disseminação de doenças infecciosas requer uma população suscetível e oportunidades de transmissão. A imunidade individual e coletiva à varíola dos macacos, anteriormente alcançada por meio da ampla vacinação contra a vaccinia, diminuiu desde a década de 1980, aumentando a suscetibilidade humana a surtos. Além disso, mudanças sociopolíticas e ecológicas provisórias em regiões endêmicas provavelmente aumentaram a exposição humana a reservatórios animais.

Embora relativamente rara fora da África central e ocidental, a receita acima mencionada para a propagação de doenças, juntamente com o comércio de animais selvagens e a disponibilidade de viagens internacionais, resultou em casos em outras partes do mundo. Devido à variedade de gravidade da doença da varíola dos macacos, um paciente infectado pode se apresentar ao pronto-socorro, atendimento de urgência ou atendimento primário. A capacidade de uma equipe interprofissional de médicos, enfermeiros, virologistas, veterinários e especialistas em saúde pública para identificar prontamente a infecção por varíola em humanos e animais, implementar medidas de proteção e iniciar relatórios de saúde pública cria um baluarte contra um surto devastador.






Autor: Marlyn Moore; Farah Zahra
Fonte: ncbi
Sítio Online da Publicação: ncbi
Data: 22/05/2022
Publicação Original: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/books/NBK574519/

segunda-feira, 23 de maio de 2022

Como se transmite a varíola dos macacos, que tem 90 casos confirmados em 12 países



CRÉDITO,SCIENCE PHOTO LIBRARY
Legenda da foto,

Partícula do vírus da varíola do macaco; OMS detectou cerca de 80 casos em 12 países


A varíola dos macacos foi confirmada, até o momento, em 92 pacientes em ao menos 12 países, segundo boletim de sábado (21/5) da Organização Mundial da Saúde (OMS).


Outros 50 casos estão sob investigação, e a OMS acredita que novas notificações devem surgir nos próximos dias.


A doença rara e pouco conhecida, até recentemente restrita a regiões remotas da África Ocidental e Central, foi identificada em nove países europeus (Reino Unido, Espanha, Portugal, Alemanha, Bélgica, França, Holanda, Itália e Suécia), além de EUA, Canadá e Austrália.


O Brasil não tem registro da doença ainda, mas o vírus foi identificado em um brasileiro de 26 anos na Alemanha, vindo de Portugal, após passar pela Espanha.


Trata-se de uma rara infecção viral que geralmente se manifesta de forma leve - e a maioria dos pacientes se recupera em algumas semanas, segundo dados do NHS, o sistema de saúde britânico.

Até o momento a varíola dos macacos não causa motivo para um alarme semelhante ao que foi dado com a chegada do novo coronavírus, no início de 2020 - até porque não se espalha tão facilmente e o risco de contaminação geral é apontado, por enquanto, como baixo.


Além disso, embora não haja uma vacina específica para esse vírus, a vacina contra a varíola tem alta eficácia, de 85%, porque os dois vírus são bastante parecidos.


Mas chama atenção o fato de a doença estar aparecendo em países onde não ocorria até agora, e a OMS realizou na sexta-feira uma reunião de emergência para tratar do assunto.



CRÉDITO,GETTY IMAGES
Legenda da foto,

Varíola dos macacos causa coceira dolorida, que provoca lesões, mas a tendência é de que o quadro seja leve e acabe em poucas semanas


Em comunicado, a organização afirmou que o quadro atual é "atípico, porque (a doença) está ocorrendo em países onde ela não é endêmica", e que vai ajudar os países afetados no monitoramento dos casos.

Como a varíola dos macacos é transmitida?

A varíola dos macacos é transmitida quando alguém tem contato próximo com uma pessoa infectada. O vírus pode entrar no corpo por lesões da pele, pelo sistema respiratório ou pelos olhos, nariz e boca.


Não é uma doença que se espalhe tão facilmente, mas pode infectar da seguinte forma:


- Ao se encostar em roupas, lençóis e toalhas usadas por alguém com lesões de pele causadas pela doença;


- Ao se encostar em bolhas ou casquinhas na pele de pessoas com essas lesões;


- Pela tosse ou espirro de pessoas com a varíola dos macacos.


Até agora, o vírus não foi descrito como uma doença sexualmente transmissível, mas pode ser passado durante a relação sexual pela proximidade entre as pessoas envolvidas.


E os casos mais recentes no Reino Unido foram observados em homens gays ou bissexuais, algo que levou a Agência de Segurança de Saúde do Reino Unido a pedir que homens prestem atenção a coceiras ou lesões de pele que lhes pareçam incomuns.


Eles foram orientados a contactar seus serviços locais de saúde sexual no caso de algum sintoma ou preocupação. Mas autoridades ressaltam que qualquer pessoa, independentemente de sua orientação sexual, pode ser contaminada.


Animais infectados, como macacos, ratos e esquilos, também podem transmitir o vírus.

Quais são os sintomas da varíola dos macacos?


Depois da infecção, leva-se geralmente de 5 a 21 dias para os primeiros sintomas surgirem.


Esses sintomas incluem febre, dor de cabeça, dor nas costas ou musculares, inflamações nos nódulos linfáticos, calafrio e exaustão.


E nesse processo pode surgir a coceira, geralmente começando no rosto e depois se espalhando por outras partes do corpo, principalmente nas mãos e sola do pé.


A coceira, que costuma ser bastante irritante e dolorida, muda e passa por diferentes estágios - de modo parecido à varicela - antes de formar uma casquinha, que depois cai.


A infecção costuma terminar depois de 14 a 21 dias.



CRÉDITO,UKHSA
Legenda da foto,

A coceira da varíola dos macacos passa por diferentes estágios até a formação de lesões de pele


No Reino Unido, a maioria das infecções até agora são leves. Mas a doença pode ganhar formas mais severas, especialmente em crianças pequenas, mulheres grávidas e pessoas com sistema imune frágil. Na África Ocidental, já houve casos de mortes pela doença.

Qual é o tratamento?


A melhor forma de prevenir surtos é com a vacinação: a vacina da varíola é capaz de prevenir a ampla maioria dos casos de varíola dos macacos.


Drogas antivirais também podem ajudar.


De modo geral, nos casos leves, a infecção passa por conta própria.

Devo me preocupar com a varíola dos macacos?


Especialistas no Reino Unido, onde há algumas dezenas de casos confirmados, dizem que não há neste momento risco de uma epidemia nacional.


"É importante enfatizar que a varíola não se espalha facilmente entre e o risco para as pessoas em geral é bastante baixo", disse Nick Phin, vice-diretor do Serviço Nacional de Infecção do departamento de Saúde Pública do Reino Unido.


Jonathan Ball, professor de virologia molecular da Universidade de Nottingham, no Reino Unido, lembrou que, de 50 pessoas que tiveram contato com o primeiro paciente infectado no país, apenas uma apresentou sintomas.


Isso, segundo Ball, mostra como o vírus não é bastante eficiente em se alastrar.


No entanto, especialistas reforçam que pessoas infectadas precisam se isolar para não correr o risco de passar a doença adiante.

O que faz o vírus avançar neste momento?


O vírus da varíola dos macacos é da mesma família da varíola comum, mas menos grave e prevalente, e por isso as chances de infecção de grandes populações é considerado baixo.


O vírus foi identificado inicialmente em um macaco em cativeiro nos anos 1970, e desde então houve surtos esporádicos em países centro e oeste-africanos.


Já houve um surto nos EUA em 2003 - a primeira vez que o vírus foi visto fora da África -, com 81 casos registrados, mas nenhuma morte.


O maior surto já registrado foi em 2017, na Nigéria: houve 172 casos suspeitos.


No momento atual, não está claro o motivo por trás do avanço da varíola dos macacos na Europa, América do Norte e Austrália.


Uma possibilidade é que o vírus tenha mudado de alguma forma, mas até o momento não há evidências de que esteja em circulação uma nova variante.



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Uma das preocupações é com a pressão adicional em serviços de saúde


Outra possibilidade é de que, com a redução da cobertura vacinal para a varíola (que é considerada erradicada no mundo desde 1980), o vírus tenha encontrado condições propícias para se propagar mais do que antes.


O diretor regional de Europa da OMS, Hans Kluge, se disse preocupado com a possibilidade de o vírus avançar nos meses de verão no continente, quando há mais festas e aglomerações.


Peter Horby, diretor do Instituto de Ciências Pandêmicas da Universidade de Oxford, disse à Radio 4, da BBC, que está em curso uma "situação incomum, em que parece que o vírus foi introduzido (do exterior) mas agora está sendo transmitido dentro de certas comunidades".


A mensagem principal, agregou Horby, é de que pessoas com sintomas devem "procurar assistência, obter um diagnóstico e daí se isolar".

Pressão sobre sistemas de saúde


Uma preocupação de alguns especialistas é com a pressão adicional que a varíola dos macacos pode ter sobre sistemas de saúde e clínicas já no limite da capacidade de atendimento, já que pode forçar profissionais de saúde a se afastar temporariamente de suas atividades.


No Reino Unido, clínicas que atenderam pacientes tiveram de isolar seus profissionais de saúde, deixando-as desguarnecidas.


Em Londres, onde estão a maioria dos 20 casos de varíola dos macacos identificados no Reino Unido até agora, clínicas de saúde sexual já interromperam o atendimento a visitantes.


A Associação Britânica de Saúde Sexual e HIV se disse preocupada com o efeito disso no tratamento de outras infecções relacionadas à saúde sexual.


A médica Claire Dewsnap, presidente da Associação Britânica de Saúde Sexual, diz que equipes de clínicas de saúde sexual já estavam "sob pressão significativa", e a varíola dos macacos tende a tornar a situação pior.


"Isso (a doença) já está exigindo muito da força de trabalho e haverá um enorme impacto se as equipes tiverem de se isolar no caso de entrarem em contato com pessoas infectadas", diz Dewsnap.


"Me preocupa o potencial impacto disso no acesso a (medidas de) saúde sexual em geral."


Em Londres, clínicas estão pedindo que pacientes liguem antes de ir ao local e notifiquem os sintomas antes da consulta.


Assim, pacientes com suspeita de varíola dos macacos podem ser colocados em salas de espera ou locais de atendimento separados dos demais pacientes.


No Brasil, o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações anunciou a criação de uma câmara técnica para acompanhar os desdobramentos do vírus.





Autor: BBC
Fonte: BBC News Mundo
Sítio Online da Publicação: BBC News Brasil
Data: 21/05/2022
Publicação Original: https://www.bbc.com/portuguese/internacional-61535607

Varíola dos macacos: qual a diferença da doença para a varíola humana, erradicada há 40 anos



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O surgimento de vários surtos de varíola dos macacos nos Estados Unidos, Canadá, Austrália e vários países da Europa trouxe à memória da humanidade a terrível doença que durante séculos arrasou vidas.

A varíola é uma das doenças mais mortais que já existiu, e estudos sobre múmias egípcias sugerem que ela pode estar circulando entre nós há pelo menos 3 mil anos.

Felizmente, a varíola se tornou a primeira doença erradicada da história há mais de 40 anos, quando a Organização Mundial da Saúde (OMS) certificou seu fim em 1980, após uma bem-sucedida campanha de vacinação global.

Agora, a varíola dos macacos está causando o maior surto da doença já visto na Europa. Cientistas estão investigando o que está acontecendo.

No momento, as autoridades médicas afirmam que as chances de uma transmissão descontrolada são baixas e apontam que sua letalidade está longe daquela causada pela varíola humana.

Especialistas apontam que a varíola dos macacos é muito mais branda e menos contagiosa do que a versão humana da doença.

A seguir, entenda as diferenças entre os dois vírus, que pertencem à mesma família de Orthopoxvirus:

Mortalidade

Quão mortal é a varíola dos macacos?

Essa é a principal pergunta que muitos se fazem ao ouvir falar de uma doença desconhecida. Especialmente se ela compartilha o nome com uma das mais mortíferas da história.


"Felizmente, a varíola dos macacos é muito mais branda do que a versão humana da varíola", explica Raúl Rivas González, professor de microbiologia da Universidade de Salamanca, na Espanha, à BBC News Mundo (serviço de notícias em espanhol da BBC).



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A varíola humana tinha duas versões: varíola maior e varíola menor. A maior era a mais mortífera — com mortalidade em 30% dos casos de infecção. A menor causava doenças mais leves e raramente levava à morte.

Algo parecido acontece com a varíola dos macacos, embora com taxas de mortalidade mais baixas. Existem duas versões: da África Ocidental e da África Central.

"A da África Ocidental é a mais branda, com mortalidade entre 1% e 10%, e parece ser a que está causando o surto na Europa", diz Rivas. "A da África Central, por outro lado, é mais virulenta e perigosa e pode matar cerca de 20% dos infectados", acrescenta.

Jacob Lorenzo Morales, diretor do Instituto Universitário de Doenças Tropicais e Saúde Pública das Ilhas Canárias, na Espanha, explica que os níveis mais altos de letalidade estão concentrados em certas populações.


"Com base nos dados que vimos, a maior parte das mortes ocorre em áreas rurais muito pobres da África e, em geral, em muitas crianças devido ao seu sistema imunológico menos desenvolvido", disse ele à BBC News Mundo.



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A varíola foi erradicada do mundo há 40 anos

Transmissão

Ao contrário do coronavírus ou até mesmo da varíola humana, em que o patógeno é altamente transmissível, a varíola dos macacos é menos contagiosa.

"É um vírus que transmite muito bem entre animais, mas quando ele passa de animal para humano, ele não tem alta capacidade de transmissão", diz Lorenzo Morales.

As autoridades médicas observam que ainda não há muita informação sobre as possíveis rotas de transmissão entre humanos nos surtos atuais.

Até onde se sabe agora, o vírus é transmitido principalmente por meio de contatos próximos e trocas de fluidos corporais. Muitos dos casos na Europa parecem estar ligados à transmissão sexual.



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Uma campanha histórica de vacinação, especialmente em áreas com menos recursos, conseguiu erradicar a varíola humana em 1980

A equipe da BBC News Brasil lê para você algumas de suas melhores reportagens

Episódios

Mas todas as vias possíveis estão sendo estudadas, como a transmissão indireta por meio de objetos contaminados e até aerossóis.


"A varíola erradicada era transmitida de forma semelhante, mas o contágio entre humanos era muito mais fácil", lembra Lorenzo Morales, que não descarta que no futuro a varíola possa se tornar mais eficiente na forma como é transmitida.


Raúl Rivas explica que esta varíola dos macacos é um vírus bastante estável e que varia muito pouco. Mas Morales diz que "se trata de um patógeno relativamente novo, que está se acostumando a viver entre nós, e que ainda não é especializado em se multiplicar e nos infectar".


A varíola humana só podia ser transmitida entre humanos. De acordo com os Centros de Controle e Prevenção de Doenças dos EUA, não há evidências científicas de que a varíola possa ser transmitida por insetos ou outros animais.


A origem da varíola é desconhecida. No caso da varíola dos macacos, foi chamada assim porque foi descoberta em colônias de macacos mantidas para pesquisa em 1958.

Sintomas


Em ambas as doenças, o quadro clínico começa de forma semelhante, embora seja um pouco mais suave na varíola dos macacos.


"Como na maioria das infecções, elas começam com febre e também é comum ter desconforto corporal, fadiga, dores musculares e dor de garganta", descreve Rivas.



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Visão microscópica do vírus que causa a varíola


Além disso, em ambas as doenças também se desenvolvem as inconfundíveis pústulas cutâneas (bolinhas na pele), que podem deixar cicatrizes visíveis na pele dos pacientes.


"Com o passar dos dias, a varíola do macaco costuma inchar os gânglios linfáticos, tanto cervicais, maxilares, axilares e na virilha. Isso não aconteceu com a varíola humana", diz Rivas.


O período de incubação da varíola dos macacos é geralmente de 7 a 14 dias, mas pode variar entre 5 e 21 dias.


No caso da varíola, a incubação pode durar entre 7 e 19 dias, embora a duração média tenha sido entre 10 e 14 dias.

Tratamento


A varíola foi erradicada graças a uma campanha histórica de vacinação que pôs fim a milhares de anos de mortes causadas pelo patógeno.


Como o vírus da varíola do macaco tem relação com a varíola humana, a vacina contra a varíola também se mostrou eficaz para ambas as doenças.


Nesse caso, as pessoas com mais de 55 anos que foram vacinadas contra a varíola humana antes de sua erradicação podem ter uma imunidade considerável contra a varíola dos macacos.



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Os estudos do inglês Edward Jenner no século 18 foram fundamentais para o desenvolvimento da vacina contra a varíola


Os tratamentos disponíveis são principalmente paliativos para os sintomas. Lorenzo Morales diz não haver tratamento específico para a doença.


"Por se tratar de um patógeno que tem afetado principalmente a África e não os países desenvolvidos, não se investe o suficiente na busca de tratamentos", diz ele.


No entanto, há uma diferença muito grande entre a varíola dos macacos e a que foi erradicada: o avanço da ciência e do conhecimento nos últimos anos.


Por centenas de anos, a varíola arrasou vidas sem que a humanidade entendesse o que estava acontecendo.


"Essa varíola dos macacos é uma doença que conhecemos bem. Talvez para o público em geral ela seja algo novo, mas ela foi descoberta em 1958. Também é bem estudada porque é muito parecida com a varíola humana", diz Rivas.





Autor: José Carlos Cueto
Fonte: BBC News Mundo
Sítio Online da Publicação: BBC News Brasil
Data: 23/05/2022
Publicação Original: https://www.bbc.com/portuguese/geral-61548513