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quarta-feira, 14 de dezembro de 2022

Varíola dos Macacos

Varíola dos Macacos







Autor: Ministério da Saúde
Fonte: Ministério da Saúde
Sítio Online da Publicação: Ministério da Saúde
Data: 01/12/2022
Publicação Original: https://www.gov.br/saude/pt-br/assuntos/variola-dos-macacos

terça-feira, 30 de agosto de 2022

Saúde poderá adquirir medicamentos e vacinas de forma mais célere contra varíola dos macacos

O Ministério da Saúde poderá solicitar à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) a dispensa de registro de medicamentos e vacinas que já tenham sido aprovados no exterior, em condições específicas, para a prevenção ou tratamento da varíola dos macacos, também conhecida como monkeypox. Isso porque a agência aprovou, nesta sexta-feira (19), norma que prevê a dispensa do registro para importação. A resolução aprovada vai simplificar a análise documental e facilitar o acesso da população brasileira aos medicamentos ou vacinas.


O controle da varíola dos macacos é prioridade para o Ministério da Saúde, que realiza constante monitoramento da situação epidemiológica para orientar ações de vigilância e resposta à doença no Brasil. Com a evolução do cenário epidemiológico da doença no País, a pasta ativou o Centro de Operações de Emergência em Saúde Pública (COE) com o objetivo de organizar a atuação do SUS para resposta coordenada à doença, com a elaboração do Plano Nacional de Contingência para Monkeypox.

Anterior à análise da Anvisa, o Ministério da Saúde havia entrado em tratativas para a aquisição de imunizantes. A previsão é que 50 mil doses sejam destinadas ao Brasil, de acordo com a solicitação feita à Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS).
Sobre a doença

A varíola dos macacos é uma zoonose viral (um vírus transmitido aos seres humanos a partir de determinados animais) com sintomas semelhantes aos observados no passado em pacientes com varíola, embora esteja se mostrando clinicamente menos grave.

Causada por um vírus, os sinais da enfermidade podem durar entre duas e quatro semanas. A transmissão ocorre principalmente pelo contato pessoal e direto com secreções respiratórias, lesões de pele de pessoas infectadas ou objetos contaminados. A transmissão por meio de gotículas requer contato mais próximo entre o paciente infectado e outras pessoas, por isso, trabalhadores da saúde, membros da família, parceiros e parceiras têm maior risco de contaminação.

Acesse a página sobre varíola dos macacos no portal do Ministério da Saúde e saiba tudo sobre a doença.

Nathan Victor
Ministério da Saúde

Categoria
Saúde e Vigilância Sanitária





Autor: gov

quinta-feira, 18 de agosto de 2022

Monkeypox: o que caso de varíola dos macacos em cachorro pode significar para o futuro da doença



CRÉDITO,GETTY IMAGES
Legenda da foto,

O vírus monkeypox pode afetar muitas espécies além dos seres humanos


Um grupo de cientistas franceses confirmou o primeiro caso de monkeypox, doença conhecida popularmente como varíola dos macacos, em um cachorro.


O relato inédito foi publicado no periódico científico The Lancet e já foi suficiente para mudar algumas recomendações das autoridades em saúde pública.

O Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) dos Estados Unidos, por exemplo, incluiu os cães entre as espécies que podem ser afetadas por esse vírus e orientou que pessoas diagnosticadas com a doença limitem o contato com os pets até a completa recuperação do quadro.


Após realizar o teste que confirmou a presença do patógeno no bicho de estimação, os cientistas fizeram o sequenciamento genético das amostras colhidas de um dos donos e do cão.


Os resultados mostraram que os vírus eram idênticos — o que praticamente confirma a transmissão do monkeypox dos humanos para o cachorro.

Ainda não está claro se o caminho inverso também pode acontecer, ou seja, se o patógeno pode passar dos cães para as pessoas.


Os especialistas entendem que isso é algo que ainda precisa ser observado e estudado a fundo.


Representantes da Organização Mundial da Saúde (OMS) explicaram que a informação "é nova, mas não surpreende".


"Esse é o primeiro incidente do tipo e ainda estamos aprendendo sobre a transmissão desse vírus de humanos para animais", declarou a médica Rosamund Lewis, líder técnica sobre monkeypox da OMS ao jornal The Washington Post.


A virologista Clarissa Damaso, da Universidade Federal do Rio de Janeiro, concorda com a avaliação e se mostra preocupada com o risco de que o vírus "descubra" hospedeiros diferentes.


"Há um grande receio que envolve o fato de o monkeypox poder encontrar novos repositórios na natureza, o que dificultaria bastante o controle de casos", analisa.


Entenda a seguir o que se sabe sobre o episódio confirmado na França e o que ele pode significar para o futuro da crise sanitária relacionada ao monkeypox.

Uma nova espécie-alvo?


O relato do caso foi publicado em 10 de agosto por pesquisadores da Universidade Sorbonne, em Paris.


O cachorro, um galgo italiano de quatro anos, começou a apresentar lesões na pele doze dias após os seus dois tutores serem diagnosticados com monkeypox.


Os indivíduos, do sexo masculino, se declaram como homens que fazem sexo com outros homens, moram na mesma casa e mantêm uma relação amorosa não exclusiva.


O primeiro deles, de 44 anos, apresentou lesões no ânus, no rosto, nas orelhas e nas pernas.


O segundo, de 27, teve feridas no ânus, nas pernas e nas costas.


Ambos também sentiram falta de energia, dor de cabeça e febre.


Já o cachorro apresentou pequenas pústulas no abdômen e uma pequena úlcera no ânus.



CRÉDITO,GETTY IMAGES
Legenda da foto,

Um galgo italiano, como esse da imagem, foi o primeiro cachorro com um caso documentado de monkeypox

Outras espécies afetadas

Em regiões da África onde o monkeypox é endêmico, o vírus circula entre roedores e primatas não humanos — antes do surto atual, uma das principais formas de transmissão por lá, inclusive, acontecia pelo contato com esses animais na natureza ou nas regiões de transição das florestas para as cidades.


Em entrevista à BBC News Brasil, Damaso lembra de um surto de monkeypox que aconteceu no zoológico de Roterdã, na Holanda, em 1964.


À época, animais de várias espécies foram infectados — incluindo até tamanduás originários da América do Sul.


Os registros do episódio mostram que orangotangos, chimpanzés, gorilas e outros primatas também foram afetados e alguns deles morreram.


Mais recentemente, durante um surto de monkeypox que ocorreu nos Estados Unidos no início dos anos 2000, cientistas documentaram que o vírus passou para cães-da-pradaria, uma espécie de roedor que é mantida como animal de estimação por algumas pessoas.


Atualmente, o CDC americano aponta que, além de seres humanos, a doença também pode afetar:
Esquilos
Cães-da-pradaria
Marmotas
Chinchilas
Ratos de bolsa de Emin
Cachorros
Porcos-espinho
Musaranhos
Primatas não-humanos


A entidade admite que o vírus provavelmente também infecta ratos, camundongos e coelhos.


Não se sabe se o patógeno pode passar para porquinhos-da-índia, hamsters, gatos, vacas, camelos, ovelhas, porcos ou raposas.


Que fique claro: o fato de esses animais serem possíveis "alvos" do patógeno não faz com que eles virem automaticamente uma ameaça a nós. Por isso, especialistas asseguram que nada justifica atacar ou até matar esses bichos — como, aliás, já aconteceu com alguns macacos no Brasil nas últimas semanas.


Damaso explica que os orthopoxvirus, família da qual o monkeypox faz parte, têm essa característica de circular por várias espécies animais.


"Como falamos de um vírus capaz de infectar diferentes hospedeiros, nós já esperávamos que isso [a transmissão para cachorros] pudesse acontecer", avalia.


Uma das únicas exceções deste grupo viral é o smallpox, o vírus causador da varíola humana. Ele é bem "exclusivo" e, enquanto não foi eliminado do planeta por meio da vacinação na década de 1970, só circulou entre as pessoas.



CRÉDITO,GETTY IMAGES
Legenda da foto,

Os cães-da-pradaria são suscetíveis ao monkeypox, assim como uma série de outros roedores

O que fazer?


A recomendação geral dos especialistas é que indivíduos com diagnóstico confirmado de monkeypox limitem o contato com os bichos de estimação.


Vale, se possível, manter os animais em cômodos separados ou pedir que alguém cuide deles enquanto a infecção estiver ativa — a recuperação completa da doença acontece quando todas as lesões de pele cicatrizam (mesmo as casquinhas ainda podem trazer partículas virais).


"Nesse contexto, é importante não colocar o cachorro para dormir na mesma cama, até porque ele pode ter contato com as lesões da pele ou com os vírus que foram parar no lençol", diz Damaso.


"Caso não seja possível se distanciar do animal de estimação, o tutor deve usar máscara quando estiver próximo do pet, não deixar que ele toque nas lesões de pele e evitar abraços, carinhos e brincadeiras por um tempo", complementa a virologista.


O CDC reforça que não há necessidade de dar banho no animal com desinfetante, álcool ou outros produtos químicos. O uso de máscaras nos pets também é algo contra-indicado.


"Não abandone ou sacrifique animais de estimação apenas por causa de uma exposição potencial ao monkeypox", acrescenta a entidade.


Nesse contexto, também é importante redobrar os cuidados de higiene dos potes de comida e água, dos brinquedos e dos locais de descanso dos pets.


Se o cachorro ou o gato apresentar qualquer sintoma típico de monkeypox, como letargia, falta de apetite, tosse, secreções nasais, febres e, principalmente, lesões na pele, vale levá-lo para uma consulta com veterinário.


Damaso entende que esses cuidados são primordiais para diminuir a probabilidade de o vírus "pular" e se estabelecer em outras espécies — o que tornaria o controle da doença ainda mais complicado no futuro.


"Todo vírus que encontra novos reservatórios na natureza fica mais difícil de eliminar", conta.


"Por isso que a gente precisa tomar cuidado agora e monitorar os casos, ainda mais um país com uma grande abundância na fauna, como é o caso do Brasil", conclui a virologista.







Autor: André Biernath - @andre_biernath
Fonte: BBC News Brasil em Londres
Sítio Online da Publicação: BBC News
Data: 17/08/2022
Publicação Original: https://www.bbc.com/portuguese/geral-62575335

quarta-feira, 10 de agosto de 2022

Surto de varíola dos macacos não será controlado com 1ª remessa de vacinas, diz Queiroga

De acordo com o ministro, as 50 mil doses vão ser divididas em três remessas com o primeiro lote previsto para o final de agosto; vacinas serão destinadas apenas aos profissionais da saúde nesse primeiro momento.


Brasil registra 2.415 casos confirmados de varíola dos macacos, de acordo com o Ministério da SaúdeFoto: Walterson Rosa/MS

O ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, falou durante agenda em São Paulo, que o surto de varíola dos macacos no país não será controlado com a primeira remessa de vacinas que o Brasil vai receber.

Segundo ele, as 50 mil doses vão ser divididas em três remessas e o primeiro lote deve chegar até o final de agosto. Neste primeiro momento as vacinas serão destinadas apenas aos profissionais da saúde.


Queiroga reforçou que a prioridade da pasta é estruturar a rede de diagnósticos no país e oferecer informação à população.

“Nós já temos oito laboratórios, no início eram quatro. O Brasil, inclusive, apoiou os países aqui da região sul-americana em relação a essa questão do diagnóstico e deve expandir para todos os laboratórios centrais. Os laboratórios privados já começam a fazer esses exames para fortalecer essa questão do combate da Monkeypox, que é diferente da Covid-19”.

O ministro ainda lembrou que o alerta é para evitar que ocorra uma explosão de casos da doença que, segundo Queiroga, não tem letalidade alta. “Temos de informar a forma de contágio, diagnosticar e fazer isolamento”, completou.

Até o momento, de acordo com dados do Ministério da Saúde, o Brasil registra 2.415 casos confirmados de varíola dos macacos nos estados de São Paulo (1.732), Rio de Janeiro (263), Minas Gerais (102), Distrito Federal (92), Paraná (52), Goiás (53), Bahia (19), Ceará (9), Rio Grande do Norte (4), Espírito Santo (5), Pernambuco (13), Tocantins (1), Acre (1), Amazonas (5), Pará (1), Paraíba (1), Piauí (1), Rio Grande do Sul (29), Mato Grosso (2), Mato Grosso do Sul (8), e Santa Catarina (22).
Campanha contra a poliomielite

Ao ser questionado sobre a vacinação contra a poliomielite, Queiroga voltou a dizer que é “inaceitável” que ainda haja pessoas com doenças que pode ser evitadas com imunizantes.

“A poliomielite também gera sequelas. Por isso, precisamos falar da importância dos pais, das mães e dos avós levarem seus filhos às salas de vacinação, mas infelizmente autoridades públicas cerceiam as nossas falas. Já que não vamos falar, vamos furar a sola do sapato”.

O presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Edson Fachin, vetou novo pedido para exibição do pronunciamento do ministro da Saúde sobre a vacinação contra a poliomielite e a multivacinação de 2022. O pronunciamento ocorreria em cadeia nacional de rádio e televisão.

Na decisão assinada na segunda-feira (8), Fachin afirmou que o princípio da impessoalidade “desautoriza a personificação de programas da administração pública federal”, especialmente no período que antecede as eleições.

No pronunciamento, Queiroga elogiava a atuação do governo no combate à Covid-19 e destacava a “capacidade de adquirir e vacinar, em tempo recorde, a nossa população”.

“A tônica do discurso considera que o restante da manifestação narra a atuação do Ministério da Saúde, no passado remoto e próximo, além de renovar a pretensão de manifestar-se sobre o Dia Nacional da Saúde”, afirmou o Fachin.





Autor: Soraya Lauand
Fonte: cnnbrasil
Sítio Online da Publicação: cnnbrasil
Data: 10/08/2022
Publicação Original: https://www.cnnbrasil.com.br/saude/surto-de-variola-dos-macacos-nao-sera-controlado-com-1a-remessa-de-vacinas-diz-queiroga/

Teste brasileiro para varíola dos macacos é mais rápido e barato, diz pesquisador

À CNN Rádio, Paulo Felipe Estrela explicou projeto que está na última etapa para chegar “o mais rápido possível” para a população


Exame para diagnóstico de varíola dos macacosMax Gomes/IOC/Fiocruz

Um teste rápido da Universidade Federal de Goiás (UFG) para a detecção da varíola dos macacos está na fase final de estudo, segundo o pesquisador Paulo Felipe Estrela.

Em entrevista à CNN Rádio, ele explicou que é utilizada uma técnica alternativa de testagem, a LAMP, que é uma reação “mais rápida e mais barata” do que o padrão ouro de testes para a doença, o PCR.


“A gente realiza a mistura com reagentes e após um período de 40 minutos o resultado aparece”, afirmou.

Se a amostra ficar rosa, o paciente testou negativo, se ficar amarela, ele está com a varíola dos macacos.

O pesquisador ressalta que entre a coleta e o resultado há um intervalo de menos de uma hora.

No entanto, este teste molecular para a monkeypox é laboratorial e não pode ser aplicado pelo próprio paciente, como acontece com o autoteste para a Covid-19.

“A gente quer simplificar o processo, já que o que é feito está indisponível devido à demanda recente diante do surto da doença”, disse Neves.

O custo dos reagentes nacionais, segundo ele, é de 3 reais. “Obviamente este não será o custo que vai chegar na população, já que são necessários profissionais e coleta de amostra, mas a gente estima que o valor seja bem mais em conta.”

A tecnologia desenvolvida pela universidade utiliza um swab – semelhante ao teste para Covid – nas lesões cutâneas, que têm a maior quantidade de vírus da varíola dos macacos.

*Com produção de Bruna Sales




Autor: Amanda Garcia
Fonte: cnnbrasil
Sítio Online da Publicação: cnnbrasil
Data: 10/08/2022
Publicação Original: https://www.cnnbrasil.com.br/saude/teste-brasileiro-para-variola-dos-macacos-e-mais-rapido-e-barato-diz-pesquisador/

terça-feira, 9 de agosto de 2022

Ministério da Saúde divulga orientações para profissionais da saúde, gestantes, lactantes e puérperas sobre a varíola dos macacos




Para evitar casos da varíola dos macacos, também conhecida como monkeypox, e prevenir a transmissão da doença especialmente na gravidez, o Ministério da Saúde publicou, nesta segunda-feira (1º), orientações para profissionais da saúde, gestantes, lactantes e puérperas que apresentem sintomas ou casos positivos da doença. As recomendações estão em uma Nota Técnica, disponível aqui.

Para profissionais da saúde que estejam envolvidos no atendimento, entre as recomendações, estão:

Em gestante assintomática pós-exposição ao vírus:
• Em caso de teste negativo – O monitoramento será suspenso;
• Em caso de teste positivo – Será indicado o isolamento domiciliar por 21 dias, sem visitas;
• A gestante também será instruída à automonitoração, acompanhando sua temperatura e o aparecimento/evolução das lesões cutâneas.

Para gestantes com sinais ou sintomas suspeitos de varíola dos macacos:
• Em caso de teste negativo – Será indicado o isolamento domiciliar por 21 dias, sem visitas e orientada a automonitoração. O teste deve ser feito novamente caso os sintomas persistam;
• Em caso de teste positivo – Levando em consideração maior risco, é indicada a hospitalização da gestante nos casos moderados, graves e críticos;
• Dentro do conhecimento disponível até o momento, os profissionais de saúde devem saber que: as gestantes devem ficar em isolamento domiciliar com acompanhamento pela equipe assistencial, em caso de doença com quadro clínico leve;
• As pacientes com casos de maior gravidade devem ser acompanhadas em regime de internação hospitalar;
• Não há ainda protocolo de tratamento específico com antivirais no ciclo gravídico-puerperal;
• O monitoramento da vitalidade fetal deve ser cuidadoso nas pacientes com a doença moderada, grave ou crítica, em vista da constatação de maior morbimortalidade do concepto nestes casos;
• A via e o momento do parto têm indicação obstétrica e a cesárea como rotina não está indicada nestes casos; o aleitamento deve ser analisado de acordo com o quadro clínico cada caso específico.
Tratamento na gravidez

Apesar da doença transmitida pelo vírus monkeypox ser considerada uma doença autolimitada, que geralmente apresenta cura espontânea, em alguns casos, pode haver a necessidade de tratamento medicamentoso específico, sobretudo em pessoas imunossuprimidas.

Na maioria das vezes, só há indicação de uso de tratamento sintomático para febre e dor. Nos casos que apresentem lesões mais significativas, algumas medicações podem ser consideradas após avaliação médica.
Em geral, as gestantes apresentam quadros leves e autolimitados da doença; nestas não há indicação de antecipar o parto.

As recomendações do Ministério da Saúde para gestantes, puérperas e lactantes são:
• Afastem-se de pessoas que apresentem sintomas suspeitos como febre e lesões de pele-mucosa (erupção cutânea, que habitualmente afeta o rosto e as extremidades, e evolui de máculas para pápulas, vesículas, pústulas e posteriormente crostas);
• Usem preservativo em todos os tipos de relações sexuais (oral, vaginal, anal) uma vez que a transmissão pelo contato íntimo tem sido a mais frequente;
• Estejam alertas para observar se sua parceria sexual apresenta alguma lesão na área genital e, se presente, não tenham contato;
• Mantenham uso de máscaras, principalmente em ambientes com indivíduos potencialmente contaminados com o vírus;
• Procurem assistência médica, caso apresentem algum sintoma suspeito, para que se estabeleça diagnóstico clínico e, eventualmente, laboratorial.
Vigilância

Na última sexta-feira (29), o Ministério da Saúde ativou o Centro de Operação de Emergências (COE) para elaboração do Plano de Contingência do surto de varíola dos macacos no Brasil. O COE será coordenado pela Pasta, com a participação de representantes do Conselho Nacional de Secretários de Saúde (Conass), Conselho Nacional de Secretarias Municipais de Saúde (Conasems), da Organização Pan-Americana de Saúde (Opas/OMS), Agência Nacional de Vigilância em Saúde (Anvisa) e do Instituto Nacional de Infectologia Evandro Chagas da Fiocruz.

O controle da varíola dos macacos é prioridade para o Ministério da Saúde, que realiza o constante monitoramento da situação epidemiológica para orientar ações de vigilância e resposta à doença no Brasil. A Pasta segue em tratativas com a OPAS e OMS para aquisição da vacina contra a doença e medicamentos antivirais para o tratamento da varíola dos macacos.

Fran Martins
Ministério da Saúde





Autor: Ministério da Saúde
Fonte: Ministério da Saúde
Sítio Online da Publicação: Ministério da Saúde
Data: 01/08/2022
Publicação Original: https://www.gov.br/saude/pt-br/assuntos/noticias/2022/agosto/ministerio-da-saude-divulga-orientacoes-para-profissionais-da-saude-gestantes-lactantes-e-puerperas-sobre-a-variola-dos-macacos

sábado, 6 de agosto de 2022

Varíola dos macacos: ainda é possível parar o surto de monkeypox?



CRÉDITO,EPA
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Combater esse surto de varíola dos macacos é possível, mas quanto mais tempo deixamos passar, mais difícil fica e maior é o risco


A varíola dos macacos (monkeypox) pegou o mundo de surpresa.


Há muito tempo está presente em partes da África central e ocidental, onde as pessoas vivem perto dos animais da floresta que carregam o vírus.


Mas agora se tornou global — está se espalhando de maneiras nunca vistas antes e em uma escala sem precedentes. Houve mais de 27 mil casos confirmados da doença, principalmente em homens que fazem sexo com outros homens, em 88 países.


A Organização Mundial da Saúde (OMS) diz que esta é uma emergência global. Então, a varíola dos macacos pode ser interrompida? Ou estamos condenados a ter outro vírus se espalhando pelo mundo?


A líder técnica da OMS para a varíola dos macacos, Dra. Rosamund Lewis, diz que é "possível" acabar com o surto, mas alerta que "não temos uma bola de cristal" e não está claro se a organização será capaz de "apoiar países e comunidades o suficiente para parar este surto."

Para entender o caso, há três aspectos que precisamos considerar:
O vírus é particularmente difícil de lidar?
Temos a capacidade de pará-lo?
Existe vontade de enfrentar uma doença que afeta principalmente homens gays e bissexuais?

O vírus


Não há nada de especial na biologia do vírus da varíola dos macacos. Não é uma força imparável.


A covid provavelmente era — ela se espalhava tão prontamente que era impossível de ser contida mesmo nos primeiros dias da pandemia.


Mas a varíola dos macacos tem mais dificuldade em passar de uma pessoa para outra. Precisa de contato físico próximo - como através de pele infectada, contato pessoal prolongado ou superfícies contaminadas, como um lençol ou uma toalha.


Os dois vírus têm características diferentes, e os surtos anteriores de varíola dos macacos acabaram de desaparecer. E já superamos o desafio muito maior de derrotar o primo mortal do vírus, a varíola.



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Legenda da foto,

Vírus Monkeypox visto usando microscopia


"A varíola dos macacos é mais fácil (de lidar), pois é menos transmissível do que a varíola, por isso estamos em uma posição muito melhor", disse o professor Jonathan Ball, virologista da Universidade de Nottingham, no Reino Unido.


No entanto, um problema é que algumas pessoas têm sintomas leves ou que podem ser facilmente confundidos com uma doença sexualmente transmissível ou varicela. Isso significa que pode ser involuntariamente passada para os outros.

As ferramentas

O vírus entrou em um grupo de pessoas que estão fazendo sexo suficiente ou tendo contato íntimo suficiente com parceiros suficientes para que o vírus supere suas próprias inadequações e consiga se espalhar.


O vírus não é classificado como uma infecção sexualmente transmissível. Mas um estudo no New England Journal of Medicine estimou que 95% das infecções por varíola dos macacos estavam sendo adquiridas através do sexo, particularmente sexo entre homens.


O sexo, obviamente, está cheio de todo o contato íntimo de pele com pele que o vírus usa para se espalhar.


Isso deixa duas opções para conter a doença — persuadir as pessoas a fazer menos sexo; ou a reduzir o risco de contrair a infecção quando houver exposição.


O professor Paul Hunter, da Universidade de East Anglia (Reino Unido), disse: "A maneira mais fácil de evitar isso é fechar todas as redes sexuais altamente ativas por alguns meses até que desapareça, mas acho que isso nunca acontecerá — e você?"


Algumas pessoas ajustam suas vidas sexuais em resposta aos avisos sobre a varíola dos macacos e os conselhos têm sido direcionados às pessoas em maior risco. Mas o professor Hunter argumenta que a lição das infecções sexualmente transmissíveis — desde a sífilis na Idade Média até agora — é que as pessoas ainda fazem sexo e "a vacinação é praticamente a única opção".


Felizmente, a vacina contra a varíola que foi usada para erradicar esse vírus é cerca de 85% eficaz na prevenção da varíola dos macacos.


Há suprimentos limitados, pois os estoques são mantidos no caso de alguém usar a varíola como arma, não para combater um surto sem precedentes de varíola dos macacos.


No entanto, nem todos em risco precisariam ser vacinados para interromper o surto. "Imunidade de rebanho" significa que, uma vez que um limite crítico de pessoas esteja protegido, o vírus não pode mais se espalhar. Isso será muito mais fácil de conseguir com a varíola do que com outras doenças — incluindo a covid.



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O vírus pode afetar qualquer pessoa, mas o surto é predominantemente em homens que fazem sexo com homens

As pessoas


Embora qualquer pessoa possa pegar monkeypox, são gays, bissexuais e outros homens que fazem sexo com homens que são afetados desproporcionalmente neste surto.


Isso pode facilitar o controle do vírus, pois, em geral, é um grupo mais informado sobre a saúde sexual. Também permite que os recursos sejam direcionados para aqueles que precisam — como vacinar homens que fazem sexo com homens em vez de toda a população.


No entanto, o estigma, a discriminação e o abuso podem impedir as pessoas de procurar ajuda, principalmente em países onde o sexo entre homens é ilegal.


"Alguns países não têm infraestrutura e alguns podem não ter vontade de fazer teste de varíola dos macacos, porque são homens que fazem sexo com homens", disse o professor François Balloux, da University College London, no Reino Unido.


Ainda há desafios em países que apoiam os direitos LGBT — lésbicas, gays, bissexuais e transgêneros. Mesmo políticas como pedir às pessoas que se isolem — medidas com as quais estamos tão familiarizados devido à covid - podem ter consequências não intencionais.


"Isso equivale a se assumir — seja para uma esposa ou pais (já que de repente você precisa explicar o porquê) —, então há uma forte pressão para não dizer quem eram seus contatos", disse o professor Hunter.

Então a varíola dos macacos pode ser contida?


Alguns países já parecem estar controlando o vírus. O Reino Unido, por exemplo, diz que o número de infecções parece ter se estabilizado em cerca de 35 por dia. Mas os casos continuam a aumentar em outros lugares, incluindo os Estados Unidos, que declararam emergência.


Mas não será suficiente apenas os países ricos controlarem o vírus quando ele está agora em mais de 80 países que não têm um longo histórico da doença.


"Não está muito claro para mim se isso será controlado completamente, alguns países ficarão em cima disso, outros não", disse Balloux.


A líder técnica da OMS para a varíola dos macacos, Dra. Rosamund Lewis, diz que é "possível" acabar com o surto, mas alerta que "não temos uma bola de cristal" e não está claro se a organização será capaz de "apoiar países e comunidades o suficiente para parar este surto."


Países como Reino Unido, Espanha e Estados Unidos já iniciaram campanhas de vacinação contra o monkeypox, mas ainda não há previsão de quando as primeiras doses devem chegar ao Brasil.


Segundo o portal Our World In Data, o Brasil havia registrado 1.721 casos de monkeypox até 3 de agosto.


Os países endêmicos da África — onde a varíola dos macacos está sempre presente — continuarão a lidar com o vírus à medida que ele salta continuamente de animais selvagens para pessoas.


Estudos mostraram que o problema está piorando desde que o programa de erradicação da varíola terminou, já que poucas pessoas com menos de 50 anos foram imunizadas.


A única coisa que impediria isso seria uma campanha de vacinação em massa, "mas há um grande debate na África se isso é apropriado ou necessário", diz o professor Hunter.



CRÉDITO,REUTERS
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Alguns exemplos de lesões sugestivas de monkeypox

O que acontece se não pararmos o vírus?


A preocupação é que a varíola possa se tornar uma presença permanente em pessoas em todo o mundo, e não apenas em países com animais infectados.


No momento, isso está mais relacionado a homens fazendo sexo com homens, mas quanto mais tempo o surto continuar, mais chances o vírus tem de se estabelecer de forma mais ampla.


Houve casos isolados em crianças e mulheres, mas estes casos não iniciaram seus próprios surtos em salas de aula ou locais de trabalho. No entanto, os riscos aumentam à medida que o vírus tem tempo para se tornar melhor em infectar pessoas. Testemunhamos como a covid evoluiu e variantes como a ômicron se tornaram muito melhores em nos infectar.


"A menos que o vírus mude, pessoalmente duvido que se espalhe em crianças ou, mais geralmente, em pessoas que não têm muitos parceiros sexuais", disse Balloux. "Mas quanto maior a espera, maior o risco de que isso mude", disse ele.


A outra questão é que a varíola dos macacos tem um talento especial para infectar uma ampla variedade de mamíferos, incluindo esquilos, ratos, arganazes e macacos na África. Existe o perigo de que o vírus possa se estabelecer em outros animais e começar a saltar entre as espécies. O surto de varíola dos macacos nos EUA em 2003 - que levou a 47 casos em seis estados - foi causado por cães da pradaria (um tipo de roedor nativo da América do Norte) usados como animais de estimação.


Combater esse surto de varíola dos macacos é possível, mas quanto mais tempo deixamos passar, mais difícil fica e maior é o risco.




Autor: James Gallagher
Fonte: Repórter de saúde e ciência da BBC News
Sítio Online da Publicação: bbc
Data: 06/08/2022
Publicação Original: https://www.bbc.com/portuguese/geral-62448970

Varíola dos macacos: qual a gravidade da doença em crianças



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Lesões na pele são um dos principais indícios de monkeypox em crianças


O Estado de São Paulo já confirmou cinco casos de monkeypox, doença conhecida popularmente como varíola dos macacos, em crianças. A enfermidade também já havia sido diagnosticada nos mais jovens em outros lugares, como Espanha e Estados Unidos.


Diversas instituições internacionais, como a Organização Mundial da Saúde (OMS) e o Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) dos Estados Unidos, colocam as crianças com menos de oito anos como um dos grupos onde a infecção pode ser mais grave e apresentar complicações.

Essa informação está baseada em séries históricas e em estudos feitos desde os anos 1970 principalmente nas regiões do continente africano onde o monkeypox é endêmico — mas ainda não há certeza que essa mesma gravidade vai se repetir no surto atual, em que o vírus se espalhou por diversos continentes.


"Não existe motivo para pânico", acalma o infectologista Francisco Ivanildo de Oliveira Junior, gerente de qualidade assistencial e controle de infecção do Sabará Hospital Infantil, em São Paulo.


Entenda a seguir porque as crianças seriam mais vulneráveis ao monkeypox, como protegê-las, quando suspeitar da doença nelas e quais são as formas de tratamento desses casos.

Defesas em formação


O infectologista e pediatra Marcelo Otsuka explica que o maior risco de complicações nas crianças acontece porque elas ainda não estão com o sistema imunológico completamente formado.


"Nós desenvolvemos nossa imunidade ao longo dos primeiros anos de vida. Portanto, qualquer infecção pode ser potencialmente mais grave nessa faixa etária", diz o especialista, que é vice-presidente do Departamento de Infectologia da Sociedade de Pediatria de São Paulo.


Além disso, de acordo com o médico, os mais jovens que pegaram monkeypox apresentam uma maior tendência de sofrer com infecções secundárias, causadas principalmente por bactérias.


Isso acontece porque as lesões na pele — uma das principais manifestações da doença — podem funcionar como portas de entrada para a invasão de micro-organismos.


Esses quadros de infecções secundárias são frequentes nas crianças porque elas têm mais contato com o chão e, se não forem bem orientadas, acabam mexendo, coçando e cutucando as feridas com as mãos e os dedos.


Ainda nessa seara, também não dá pra ignorar o fato de que as crianças com febre que não se alimentam ou não bebem água suficiente são mais propensas a sofrer com um quadro de desidratação.

Qual o tamanho do risco?

Num artigo recém-publicado no periódico The Lancet Child & Adolescent Health, quatro especialistas no tema destacam que "em comparação com adultos saudáveis, as complicações por monkeypox são mais frequentes em crianças e indivíduos com o sistema imunológico comprometido".


O texto ainda aponta que esses dois grupos apresentam um risco elevado de infecções bacterianas secundárias, sepse, ceratite (inflamação no olho), problemas respiratórios e encefalite (inflamação no cérebro).


"Em episódios anteriores de monkeypox, houve um aumento na taxa de hospitalizações e mortes em crianças, mesmo nos países de alta renda como os Estados Unidos, onde os únicos dois casos severos registrados durante um surto em 2003 acometeram a população pediátrica", informam os autores.


Oliveira Junior pondera que boa parte das informações disponíveis sobre o monkeypox em crianças se baseia nos registros colhidos em países africanos, onde a doença é endêmica há décadas.


"Por lá, existe um subtipo do vírus que é mais agressivo e está relacionado com uma mortalidade maior, especialmente das crianças", contextualiza.



CRÉDITO,CDC/REUTERS
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O monkeypox visto em microscópio eletrônico


Porém, pelo que se sabe até o momento, o subtipo do patógeno que está circulando por vários países agora é outro, cuja agressividade é significativamente menor, segundo os registros históricos.


"O que estamos vendo com essa doença nos últimos meses parece ser diferente daquilo que foi registrado no passado", observa o médico.


"Por enquanto, o número de crianças afetadas nessa epidemia é baixo e são poucos casos registrados entre elas, o que não permite tirar muitas conclusões."


"A tendência é que os casos aumentem nessa faixa etária e o vírus comece a circular por outros ambientes, como creches e escolas, mas não de uma forma explosiva como vimos com a covid-19", antevê.

Como proteger e suspeitar da doença em crianças


A transmissão do monkeypox acontece por meio da relação próxima e prolongada com alguém que está infectado.


O vírus "pula" de uma pessoa para outra através do contato direto com as lesões de pele, do compartilhamento de objetos de uso pessoal (como talheres, copos, toalhas e roupas de cama) ou das gotículas de saliva.


A primeira maneira de proteger as crianças, portanto, é limitar a interação dela com pessoas em que há suspeita ou confirmação da doença, até que as feridas estejam completamente cicatrizadas.


Mas quando se presume que um indivíduo mais jovem pode estar com monkeypox? Os médicos orientam que pais e tutores fiquem de olho nos sintomas mais frequentes.


"Se por acaso você observar o aparecimento de lesões na pele, com ou sem febre e prostração, é importante levar a criança ao médico para uma avaliação", orienta Oliveira Junior.


E aqui há um desafio grande: várias outras enfermidades comuns na infância, como catapora, sarampo, doença mão-pé-boca e molusco contagioso, também estão relacionadas ao aparecimento de bolhas, vermelhidão e pústulas.


Independentemente de qual for o causador daquele sintoma, a consulta com um profissional da saúde é primordial para fazer o diagnóstico correto e receber orientações sobre o tratamento.


"E não custa lembrar que para algumas dessas doenças, como sarampo e catapora, nós temos vacinas disponíveis e é muito importante que as crianças estejam com a carteirinha atualizada", acrescenta Otsuka.

Como tratar a monkeypox em crianças


Por fim, nos casos em que a avaliação clínica e o teste confirmam que se trata de monkeypox mesmo, é possível tomar alguns cuidados para diminuir o risco de complicações.


Oliveira Junior destaca que já existem remédios e vacinas disponíveis contra a doença, mas o uso deles é bem limitado e não há liberação para utilizá-los no Brasil até o momento.


Recentemente, o Ministério da Saúde anunciou que está negociando a compra de doses do imunizante e das medicações com a OMS.



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Alguns países já começaram a vacinação contra a varíola dos macacos


Enquanto recursos específicos para lidar com o agente infeccioso não ficam disponíveis, a primeira atitude é limitar o contato do paciente com outras pessoas — isso diminui o risco de transmitir o vírus adiante.


O isolamento deve acontecer até que as lesões estejam completamente cicatrizadas. Mesmo aquela casquinha que se forma no final do processo ainda carrega o patógeno.


Na grande maioria das vezes, a criança estará 100% recuperada em duas a quatro semanas.


"Também orientamos uma alimentação adequada, boas noites de sono e ficar atento ao consumo de líquidos, para evitar um quadro de desidratação", lista Otsuka.


Nessa fase, ainda podem ser prescritos remédios para aliviar a dor e a febre, como o paracetamol e a dipirona.


"Por fim, é fundamental ter muito cuidado com as lesões para evitar infecções bacterianas secundárias."


"Uma maneira de prevenir isso é adotar uma higiene adequada, com banhos regulares, e manter as unhas curtas e limpas, além de orientar a criança a não coçar o local afetado", conclui o infectologista e pediatra.


E, claro, se os sintomas não melhorarem ou piorarem depois de alguns dias, vale buscar uma nova avaliação médica.




Autor: André Biernath - @andre_biernath
Fonte: BBC News Brasil em Londres
Sítio Online da Publicação: bbc
Data: 05/08/2022
Publicação Original: https://www.bbc.com/portuguese/geral-62435777

quinta-feira, 4 de agosto de 2022

Varíola dos macacos: por que doença se espalha pelo mundo após ser endêmica por décadas na África



CRÉDITO,REUTERS
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Amostra de pele infectada com o vírus monkeypox


O vírus monkeypox, causador da doença conhecida popularmente como varíola dos macacos, é estudado há décadas e já foi detectado em pelo menos onze países africanos desde os anos 1970. Mas por que ele começou a se espalhar por outras partes do mundo justamente agora?


Até o momento, não existem respostas certeiras para essa pergunta. Mas os cientistas listam ao menos cinco hipóteses que ajudariam a entender porque a doença virou uma emergência de saúde pública internacional.


Entre os fatores levantados por especialistas ouvidos pela BBC News Brasil, estão o descaso com doenças negligenciadas, o aumento da mobilidade de pessoas com o fim das restrições relacionadas à covid, a falta de imunidade da população contra os vírus dessa família, um padrão de transmissão e uma mistura de todos esses fatores.

'Sinais eram claros'


A virologista Clarissa Damaso, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), dedicou os últimos 35 anos de carreira a estudar os orthopoxvirus, uma família de agentes infecciosos da qual fazem parte o monkeypox e o causador da varíola humana, entre outros.


Ela também é assessora da Organização Mundial da Saúde (OMS) e integra comitês sobre a pesquisa e as políticas públicas relacionadas a esses agentes infecciosos.


De acordo com a avaliação da cientista, era questão de tempo para que o espalhamento do monkeypox acontecesse.


"Uma hora ou outra uma situação dessas ia estourar. A questão é que não damos atenção aos indícios que vêm dos países menos desenvolvidos", analisa.


"E os sinais eram claros: o número de casos vinha aumentando pouco a pouco. Primeiro, por meio do contato do ser humano com animais infectados em áreas silvestres. Depois, nas regiões próximas das cidades maiores."


"Para completar, cada vez mais pessoas vão trabalhar ou passear nas áreas onde esse vírus é endêmico", completa.


"Vale lembrar que essa doença nunca desapareceu do radar, e já tivemos outros surtos menores, de poucos casos, registrados fora da África em anos recentes", concorda a infectologista Mirian Dal Ben, do Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo.


Todo esse processo significa que o contato das pessoas com o monkeypox foi se tornando cada vez mais comum — até os casos começarem a ser "exportados" para outros continentes com mais frequência e gerarem as cadeias de transmissão observadas nos últimos três meses.

Hora errada

Damaso acrescenta um segundo fator que ajuda a entender a crise sanitária atual: ela se desenrola num momento em que a maioria das restrições relacionadas à pandemia de covid-19 foram completamente abandonadas pelos países.


"O surto de monkeypox acontece na hora errada, num período logo após a crise da covid, em que as pessoas se sentiram mais livres, foram se divertir e se aglomeraram", contextualiza a virologista.


Pelo que foi divulgado por autoridades no final de maio, a primeira leva de casos de monkeypox parece estar relacionada a festas que ocorreram na Espanha e na Bélgica.


Possivelmente, uma ou várias pessoas que participaram desses eventos estavam infectadas, tiveram contato com muita gente e passaram o vírus adiante.


Isso, por sua vez, criou cadeias de transmissão do patógeno na comunidade que, num cenário de aumento de viagens internacionais e encontros presenciais pós-covid, rapidamente se disseminou por cidades, países e continentes.



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Cientistas ainda não sabem responder com exatidão porque a monkeypox começou a se espalhar pelo mundo justamente agora


Mas isso ainda não responde completamente porque essa doença se espalhou justamente agora — e não em outros momentos do passado, quando deslocamentos, aglomerações e festas também aconteciam.


"Por que o monkeypox demorou tanto para afetar outros lugares? Isso ainda é um mistério para nós", admite o médico Alexandre Naime Barbosa, vice-presidente da Sociedade Brasileira de Infectologia.


Um vírus modificado?


Uma das primeiras hipóteses que ajudariam a explicar o surto atual seria alguma nova mutação do monkeypox, que o tornaria mais transmissível entre as pessoas, por exemplo.


O cenário, porém, é considerado muito improvável pelos especialistas. Este patógeno possui DNA como código genético, o que significa que ele é muito mais estável e carrega mecanismos internos para reparar erros genômicos — ao contrário do que acontece com o coronavírus, que é constituído de RNA e apresenta mutações numa frequência bem maior.


O sequenciamento genético de amostras colhidas de pacientes nas últimas semanas também ajuda a enfraquecer por ora essa teoria: o vírus em circulação agora não parece apresentar alterações significativas no genoma quando comparado a versões do patógeno analisadas em anos anteriores.


Damaso explica que o subtipo do monkeypox que está atuando em vários países tem uma menor letalidade e, apesar de não ter sofrido grandes mutações no código genético, pode ter adquirido uma espécie de "padrão de passagem".


Vale lembrar aqui que a principal forma de transmissão acontece por meio do contato direto e prolongado com as feridas características dessa doença — outras possibilidades de infecção são as gotículas de saliva (que podem carregar o vírus) e o compartilhamento de objetos de uso pessoal (como toalhas, roupas de cama, pratos, copos e talheres).

"Até o momento, a maioria dos casos está acontecendo em homens que fazem sexo com outros homens, e eles comumente apresentam lesões na região genital", descreve.


"O contato com essas feridas costuma ser mais intenso durante a relação sexual. A partir daí, o vírus é transmitido para um outro indivíduo, que também tende a manifestar os sintomas na região genital", complementa.


Ou seja: o padrão de passagem acontece por conta do contato próximo com as lesões, que no surto atual surgem com mais frequência na região genital. Assim, a pessoa infectada também desenvolve lesões nessa parte do corpo — e pode perpetuar o ciclo ao ter um contato mais íntimo com outros indivíduos.


Mas isso, claro, não descarta a relevância das outras formas de transmissão desse agente infeccioso que vão além da relação sexual, como o compartilhamento de objetos e as gotículas de saliva. Prova disso são os casos recentemente confirmados em crianças.

Proteção desatualizada?


A segunda hipótese que justificaria o espalhamento do monkeypox agora tem a ver com o despreparo das nossas células de defesa para lidar com essa família de vírus.


Isso porque os orthopoxvirus têm uma característica peculiar: se você já teve contato com um deles, fica relativamente bem protegido de ser infectado pelos outros. Trata-se de uma espécie de "imunidade cruzada".

E é justamente aí que entra a vacinação contra a varíola, uma doença causada pelo smallpox (também um orthopoxvirus) que foi completamente erradicada do planeta.


A aplicação das doses foi suspensa no mundo inteiro a partir do final dos anos 1970 — afinal, esse vírus deixou de circular entre nós e não representava mais uma ameaça.



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Os integrantes da família orthopoxvirus oferecerem uma espécie de 'imunidade cruzada'


Alguns estudos revelam que as pessoas que foram vacinadas contra a varíola lá atrás, há mais de 40 anos, possuem alguma proteção contra o monkeypox.


O mesmo não acontece com a faixa etária mais jovem, que não recebeu esse imunizante na infância.


Não à toa, a grande maioria dos casos registrados nas últimas semanas acometeu justamente indivíduos que ainda não alcançaram a quarta década de vida.


Num artigo publicado no periódico Nature, a epidemiologista Raina MacIntyre, da Universidade New South Wales, na Austrália, explica que "a cada ano desde a erradicação do smallpox, a população com pouca ou nenhuma imunidade contra esse grupo de vírus [os orthopoxvirus] só aumentou".


Pode ser, portanto, que o número de indivíduos vulneráveis a esses agentes infecciosos se tornou suficientemente alto para que um surto de proporções internacionais se tornasse possível.

Ação em cascata


Por fim, não é exagero pensar que todos esses fatores, juntos com uma boa dose de acaso, possam ter contribuído para que o monkeypox se tornasse um problema global.


Ou seja: embora ainda não exista um consenso sobre as causas da emergência de saúde pública, a baixa na imunidade, a volta das aglomerações, o padrão de transmissão e a negligência com o vírus ajudam a entender e montar esse quebra-cabeças complexo.


"Mas ainda precisamos entender melhor tudo o que está acontecendo", resume Dal Ben.


Se o cenário é considerado nebuloso, existe uma clareza maior sobre o que pode ser feito para diminuir a probabilidade de infecção com esse vírus.


O primeiro passo é evitar as situações de maior risco, ficar atento aos sintomas e buscar a avaliação médica se eles aparecerem.


"Qualquer lesão que comece com um edema ou uma pequena vermelhidão e evolua para uma placa, tenha líquido, forme ferida e crostas, pode ser monkeypox", descreve Barbosa, que também é professor da Universidade Estadual Paulista (Unesp).


Essas manifestações podem aparecer no ânus, nos genitais, no rosto e nas mãos.


"A lesão também pode ser acne, herpes, herpes-zóster ou uma série de outras coisas. Mas, na dúvida, é importante procurar atendimento médico e fazer um teste", complementa.



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Alguns exemplos de lesões sugestivas de monkeypox


Caso o exame confirme a presença desse agente infeccioso, os profissionais de saúde recomendam fazer isolamento e evitar o contato próximo com outras pessoas até que as feridas estejam completamente cicatrizadas (mesmo a casquinha delas ainda carrega vírus).


Ao limitar a interação e o compartilhamento de objetos de uso pessoal, o paciente diminui o risco de transmitir o monkeypox adiante e evita a criação de novas cadeias de contágio na comunidade.


Embora o perfil de infectados até agora tenha se concentrado em gays, bissexuais e homens que fazem sexo com outros homens, a tendência é que a doença afete cada vez mais pessoas de outros grupos — isso aliás, é a evolução natural e esperada para esse surto, de acordo com especialistas ouvidos pela BBC News Brasil.

Ainda falando em prevenção, alguns países como Reino Unido, Espanha e Estados Unidos já iniciaram campanhas de vacinação contra o monkeypox, mas ainda não há previsão de quando as primeiras doses devem chegar ao Brasil.

Por ora, não está claro se a camisinha ajuda a proteger contra esse vírus — embora o uso de preservativos continue a ser primordial para impedir a transmissão de várias infecções sexualmente transmissíveis (ISTs), como HIV, sífilis, gonorreia e algumas hepatites.


Na maioria dos casos de monkeypox, o quadro evolui bem e o paciente está completamente recuperado em duas a quatro semanas.


As mortes por essa doença são consideradas raras pelas autoridades em saúde.

Segundo o portal Our World In Data, o mundo já registrou 23,2 mil casos de monkeypox. Desses, 1,3 mil foram diagnosticados no Brasil.

- Este texto foi publicado originalmente em https://www.bbc.com/portuguese/internacional-62398486




Autor: André Biernath - @andre_biernath
Fonte: BBC News Brasil em Londres
Sítio Online da Publicação: bbc
Data: 03/08/2022
Publicação Original: https://www.bbc.com/portuguese/internacional-62398486

sexta-feira, 29 de julho de 2022

O que se sabe sobre primeira morte por varíola dos macacos no Brasil



CRÉDITO,SCIENCE PHOTO LIBRARY
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Partícula do vírus da varíola dos macacos; OMS detectou cerca de 80 casos em 12 países

O Ministério da Saúde confirmou na manhã desta sexta-feira (29/7) a primeira morte por varíola dos macacos no Brasil. De acordo com a pasta, a vítima é um homem de 41 anos que morava na cidade de Uberlândia, em Minas Gerais.

O paciente, segundo o Ministério da Saúde, tinha "imunidade baixa e comorbidades, incluindo câncer (linfoma), que o levaram ao agravamento do quadro". Ele foi "hospitalizado em hospital público em Belo Horizonte, sendo depois direcionado ao CTI. A causa de óbito foi choque séptico, agravada pelo Monkeypox (varíola dos macacos)", segundo uma nota enviada à imprensa.

Essa é a primeira morte pela doença registrada fora da África.

A varíola dos macacos foi confirmada, até o momento, em mais de 16 mil pacientes espalhados por 74 países.

No dia 23 de julho, a Organização Mundial da Saúde (OMS) classificou a doença como uma emergência global de saúde. Outras enfermidades que ganharam o mesmo status nos últimos anos foram covid-19, zika e ebola.

No Brasil, foram detectados mais de 900 casos até o momento. Os dados foram compilados pelo Our World In Data. e pelo Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) dos Estados Unidos.

A varíola dos macacos é uma infecção causada por um vírus que geralmente se manifesta de forma leve — os principais sintomas são febre, dor e o aparecimento de lesões e feridas em algumas partes específicas do corpo.

O que é a varíola dos macacos?

Trata-se de doença causada pelo vírus monkeypox, que pertence à mesma família do vírus da varíola humana.

Os casos dessa infecção eram relativamente comuns na África Central e na África Ocidental, especialmente em regiões com florestas tropicais. Mais recentemente, o número de casos parece ter aumentado também em áreas urbanas.

Apesar do nome, os principais hospedeiros desse vírus na natureza são roedores. Mas primatas não humanos também são afetados por esse tipo de varíola.



CRÉDITO,GETTY IMAGES
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A varíola dos macacos causa coceira dolorida, que provoca lesões, mas a tendência é de que o quadro seja leve e acabe em poucas semanas

Como a varíola dos macacos é transmitida?

A varíola dos macacos é transmitida quando alguém tem contato próximo com as lesões de pele, as secreções respiratórias ou os objetos usados por uma pessoa que está infectada.

O vírus ainda pode ser passado de mãe para filho durante a gestação, através da placenta.

Até agora, o patógeno não foi descrito oficialmente como uma infecção sexualmente transmissível, mas a doença pode ser passada durante a relação sexual pela proximidade e o contato pele a pele entre as pessoas envolvidas.

Muitos dos casos registrados até o momento foram observados em homens que fazem sexo com outros homens. Isso levou, inclusive, a Agência de Segurança de Saúde do Reino Unido a pedir que esses indivíduos prestem mais atenção a coceiras ou lesões de pele que lhes pareçam incomuns, especialmente na região anal e genital.

Eles foram orientados a contactar seus serviços locais de saúde no caso de algum sintoma ou preocupação. Mas autoridades ressaltam que qualquer pessoa, independentemente da orientação sexual, pode ser contaminada.

Animais infectados, como macacos, ratos e esquilos, também podem transmitir o vírus.

Quais são os sintomas da varíola dos macacos?

A OMS explica que o período de incubação (o tempo entre o vírus invadir as células e o aparecimento dos primeiros sintomas) costuma variar de 6 a 13 dias, mas pode chegar até a 21 dias.

A partir do início dos sintomas, a infecção pode ser dividida em dois momentos.

Primeiro, acontece o período de invasão, que dura até 5 dias. Neste momento, o paciente pode apresentar:
Febre;
Dor de cabeça forte;
Inchaço nos linfonodos (conhecido popularmente como "íngua");
Dor nas costas;
Dores musculares;
Falta de energia intensa.

Terminado o período de invasão, começa a segunda etapa, que é marcada por feridas na pele. Geralmente, essas marcas cutâneas surgem depois de 1 a 3 dias do início da febre.

As feridas costumam se concentrar no rosto, nas extremidades do corpo, como a palma das mãos e na sola dos pés, na mucosa da boca, na genitália e nos olhos.

Os médicos relatam que, no surto atual, as lesões têm sido mais frequentemente encontradas na região do ânus e dos genitais.

Elas surgem como feridas planas e, com o passar do tempo, formam pequenas bolhas com líquido dentro. Depois, ganham uma casquinha.

Mas o paciente pode ter apenas uma vermelhidão na pele que se assemelha a uma irritação.



CRÉDITO,UKHSA
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A coceira da varíola dos macacos passa por diferentes estágios até a formação de lesões de pele

O número de marcas cutâneas varia bastante: alguns pacientes apresentam poucas, enquanto outros chegam a ter milhares.

A varíola dos macacos pode ser grave?

Na maioria das vezes, a varíola dos macacos é um quadro autolimitado. Isso significa que, após duas a quatro semanas, os sintomas passam e a pessoa fica bem.

Os casos mais severos acontecem com mais frequência em crianças e têm a ver com a condição de saúde e uma grande exposição ao vírus.

As complicações também são mais comuns em pacientes com problemas no sistema imunológico.

Quadros graves estão relacionados ao surgimento de pneumonia, sepse, encefalite (inflamação do cérebro) e infecção ocular, que pode até levar à cegueira.

Historicamente, calcula-se que a taxa de mortalidade por varíola dos macacos varie entre 3 e 6% nos pacientes infectados. No surto atual, foram confirmadas até o momento 5 mortes.

Em linhas gerais, pessoas com mais de 40 ou 50 anos parecem estar mais protegidas. Isso acontece porque elas foram vacinadas contra a varíola no passado — sabe-se que esse imunizante também confere uma boa proteção contra o vírus monkeypox.




Qual é o tratamento?

O tratamento da varíola dos macacos envolve o suporte clínico e o alívio dos sintomas, como dor e febre.

Geralmente, os profissionais de saúde pedem muito cuidado com a alimentação e a hidratação, para que o organismo tenha boas condições de combater o vírus.

Quando o paciente sofre com infecções secundárias, também é possível usar medicamentos específicos para lidar com esses outros vírus, bactérias, fungos ou protozoários.

A OMS também destaca que existe um antiviral chamado tecovirimat, que foi desenvolvido especificamente para tratar a varíola dos macacos.

Ele já foi liberado pela Agência Europeia de Medicamentos, mas não está disponível de forma mais ampla.

Como a doença é diagnosticada?

Se o profissional de saúde suspeita que um paciente está com varíola dos macacos, ele pode indicar a realização de alguns testes.

Os exames laboratoriais, alguns deles já disponíveis no Brasil, analisam a amostra, geralmente colhida das lesões na pele, e detectam a presença do vírus.

Uma das técnicas utilizadas é a PCR, que ficou muito conhecida durante a pandemia de covid-19.

Tem como prevenir essa doença?

As vacinas são a principal forma de prevenção.

De acordo com a OMS, uma série de estudos observacionais descobriu que o imunizante que protege contra a varíola tem uma efetividade de 85% contra a varíola dos macacos.

Como o vírus causador da varíola foi completamente erradicado, o programa de vacinação contra essa doença foi paralisado a partir dos anos 1980.

Existe, porém, uma vacina mais recente contra a varíola dos macacos, feita a partir do vírus atenuado modificado em laboratório.

Usada num esquema de duas doses, ela está aprovada em alguns lugares desde 2019. A disponibilidade deste imunizante no momento é bem limitada.

Mas em alguns lugares, como o Reino Unido, a vacinação para conter a varíola do macacos já foi iniciada. Por ora, as doses só estão disponíveis neste país para três grupos: trabalhadores da área de saúde, indivíduos que tiveram contato próximo com alguém que foi diagnosticado com a doença e, por último, homens gays, bissexuais ou que fazem sexo com outros homens.

No Brasil, o Ministério da Saúde anunciou que está negociando a compra de vacinas contra a varíola. O Instituto Butantan e a Fundação Oswaldo Cruz também estão estudando a possibilidade de fabricar doses no próprio país.

Além da vacina, outras formas de prevenção envolvem a vigilância e a identificação rápida de novos casos.

Indivíduos que foram diagnosticados com varíola dos macacos devem ficar em isolamento e evitar o contato próximo com outras pessoas até as feridas na pele desaparecerem por completo — isso diminui o risco de transmitir o vírus adiante e criar novas cadeias de transmissão na comunidade.




Autor: BBC
Fonte: BBC
Sítio Online da Publicação: BBC
Data: 29/07/2022
Publicação Original: https://www.bbc.com/portuguese/brasil-62352878

Varíola dos macacos: qual o perfil dos infectados e como isso pode mudar com avanço da doença



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O monkeypox visto em microscópio eletrônico

Homens que fazem sexo com outros homens, gays e bissexuais com menos de 40 anos são os mais afetados pelo vírus monkeypox nos primeiros meses desde que os casos começaram a se espalhar pelo mundo.

Especialistas alertam que, no entanto, isso não significa que outros indivíduos estão livres da ameaça: conforme o vírus da varíola dos macacos se espalha mundo afora, a tendência é que ele infecte cada vez mais pessoas que não se encaixam nesse perfil inicial.

Nos Estados Unidos, por exemplo, já foram detectados os dois primeiros casos dessa infecção em bebês.

"É questão de semanas para começarmos a ver mais casos em outros grupos, como heterossexuais ou crianças", antevê o médico sanitarista Nésio Fernandes, presidente do Conselho Nacional de Secretários da Saúde (Conass).


"Essa é a evolução natural esperada para a doença", complementa.

O perfil atual dos mais afetados pelo monkeypox

Uma das principais pesquisas a avaliar essa questão foi publicada recentemente no periódico The New England Journal of Medicine.

Nela, especialistas da Universidade Queen Mary de Londres, em parceria com diversas outras instituições britânicas, avaliaram 528 casos de monkeypox que ocorreram entre abril e junho em 16 países diferentes.

Os números mostram que 98% dos pacientes se declararam gays, bissexuais ou homens que fazem sexo com outros homens. Três quartos deles se diziam brancos e 41% eram HIV positivo.

A idade média dos indivíduos avaliados era de 38 anos e 95% tinham a relação sexual como a principal suspeita de contato com o monkeypox.

A respeito dos sintomas, o estudo descobriu que 95% apresentaram irritação na pele (dois terços tinham menos de dez lesões).

Em 73% dos participantes, o local de aparecimento das feridas foi a região do ânus e dos genitais, enquanto 41% possuíam irritações na mucosa da boca.

Entre os sintomas gerais, 62% dos pacientes tiveram febre. Outros sinais comuns foram inchaços dos linfonodos ou "ínguas" (apareceu em 56% dos participantes), letargia (41%), dor muscular (31%) e dor de cabeça (27%).

A média de incubação, ou o tempo entre o contato com o vírus e o aparecimento dos sintomas, foi de sete dias. Mas alguns indivíduos demoraram de três a até 20 dias para ter as primeiras manifestações do monkeypox.

Informar sem estigmatizar

Especialistas ouvidos pela BBC News Brasil esclarecem que não faz sentido encarar apenas gays, bissexuais e homens que fazem sexo com outros homens como grupo de risco para essa condição.

"A concentração de casos nesses indivíduos é uma coisa do momento e toda doença tem uma dinâmica própria", aponta o médico Alexandre Naime Barbosa, vice-presidente da Sociedade Brasileira de Infectologia.

"Já temos pelo menos de 70 a 80 crianças no mundo com diagnóstico de monkeypox, sendo que metade delas tem menos de quatro anos", calcula o especialista, que também é professor na Universidade Estadual Paulista (Unesp).

Vale lembrar aqui que a principal forma de transmissão do monkeypox é o contato direto com as feridas de alguém infectado. Por isso que a relação sexual, onde há fricção pele a pele, tem se mostrado como uma das fontes de contágio mais frequentes.

Mas esse vírus também pode ser passado por meio de gotículas de saliva ou através de objetos contaminados, como louças, toalhas e lençóis.



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Vacinação contra o monkeypox já está acontecendo em alguns países do Hemisfério Norte

Uma quarta maneira de pegar o monkeypox se dá pela proximidade com animais que carregam o patógeno — essa, aliás, é uma das principais formas de transmissão nas regiões da África onde o vírus é endêmico há décadas, especialmente em áreas silvestres.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) descreve que esse modo de infecção pode ocorrer pelo contato direto com sangue, fluidos corporais e lesões cutâneas de animais infectados, como roedores e primatas.

Na avaliação da infectologista Mirian Dal Ben, do Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo, todas essas formas de transmissão (especialmente o sexo, a saliva e os objetos contaminados, que espalharam a doença por vários países) significam que "mais cedo ou mais tarde, o monkeypox vai criar cadeias de transmissão em outros subgrupos".

"Não se trata de uma doença restrita apenas a um perfil ou outro", diz.

"E parece que estamos com tanto medo de estigmatizar alguns grupos que deixamos de oferecer a orientação adequada para aqueles que estão sob maior risco no momento", opina a médica.

Como proteger a si e aos outros

O primeiro passo é ficar atento aos sintomas e buscar a avaliação médica se eles aparecerem.

"Qualquer lesão que comece com um edema ou uma pequena vermelhidão e evolua para uma placa, tenha líquido, forme ferida e crostas, pode ser monkeypox", descreve Barbosa.

Essas manifestações pode aparecer no ânus, nos genitais, no rosto e nas mãos.

"Essa lesão também pode ser acne, herpes, herpes-zóster ou uma série de outras coisas. Mas, na dúvida, é importante procurar atendimento médico e fazer um teste", complementa.



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Alguns exemplos de lesões sugestivas de monkeypox

Caso o exame confirme a presença desse agente infeccioso mesmo, os profissionais de saúde recomendam fazer um isolamento e evitar o contato próximo com outras pessoas até que as feridas estejam completamente cicatrizadas (mesmo a casquinha delas ainda carrega vírus).

Ao limitar a interação, o paciente diminui o risco de transmitir o vírus adiante e evita a criação de novas cadeias de contágio na comunidade.

Na maioria das vezes, o quadro evolui bem e a pessoa se recupera depois de algumas semanas. O estudo britânico revelou que 13% dos pacientes acompanhados precisaram ficar no hospital, sendo que as principais razões de internação foram dor severa no ânus e no reto, infecções oportunistas e, mais raramente, faringite, lesões oculares, crise aguda renal e miocardite (um tipo de inflamação no coração).

Alguns países, como Reino Unido, Espanha e Estados Unidos, já iniciaram uma campanha de vacinação contra o monkeypox, mas ainda não há previsão de quando as primeiras doses devem chegar ao Brasil.

Por ora, ainda não está claro se a camisinha ajuda a proteger contra esse vírus — embora o uso de preservativos continue a ser primordial para impedir a transmissão de várias infecções sexualmente transmissíveis (ISTs), como HIV, sífilis, gonorreia e algumas hepatites.

Numa entrevista coletiva recente, o diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, também orientou que os grupos onde a doença é mais frequente no momento limitem temporariamente o número de parceiros sexuais.

"Para homens que fazem sexo com homens, isso significa fazer escolhas mais seguras para você e para os outros", declarou.

Andy Seale, conselheiro da OMS em HIV, hepatites e ISTs, disse esperar que essa orientação seja válida por um prazo curto. "Nossa esperança é que esse surto não dure muito."

De acordo com o portal Our World In Data, já foram diagnosticados 18,8 mil casos de monkeypox no mundo, 813 deles no Brasil.







Autor: André Biernath - @andre_biernath
Fonte: BBC News Brasil em Londres
Sítio Online da Publicação: BBC News Brasil
Data: 28/07/2022
Publicação Original: https://www.bbc.com/portuguese/geral-62332626

quinta-feira, 28 de julho de 2022

Quando a vacina contra a varíola dos macacos deve estar disponível no Brasil?



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Alguns países já começaram a vacinação contra a varíola dos macacos

A vacinação contra o vírus monkeypox, o causador da doença conhecida popularmente como varíola dos macacos, já está acontecendo em alguns países do Hemisfério Norte, como Reino Unido e Espanha.

Por ora, não existe nenhuma previsão certeira de quando as primeiras doses devem chegar ao Brasil — o Ministério da Saúde diz que mantém conversas com a Organização Pan-Americana de Saúde (Opas), entidade ligada à Organização Mundial da Saúde (OMS), para adquirir o imunizante.

Existe uma expectativa de que o decreto de emergência de saúde pública de importância internacional, feito pela OMS em 23 de julho, possa agilizar as negociações ou os processos regulatórios e garantir a proteção a alguns grupos específicos.

Entenda a seguir que vacinas são utilizadas, quem são os primeiros a tomar as doses e como autoridades nacionais e internacionais estão trabalhando para ampliar a oferta do imunizante contra o monkeypox.

Que vacina é essa?

Há cerca de uma década, a farmacêutica dinamarquesa Bavarian Nordic desenvolveu um imunizante a partir do vírus vaccinia, que pertence à mesma família do smallpox (o causador da varíola humana) e do monkeypox.

Nos Estados Unidos, ela é conhecida como Jynneos. Já na Europa, o nome deste produto é Imvanex.

A virologista Clarissa Damaso, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), explica que os patógenos deste grupo (os orthopoxvirus) costumam conferir uma espécie de "proteção cruzada" — se você se infecta com um deles, o sistema imune gera uma resposta capaz de bloquear a invasão dos demais.

"Algumas cepas do vaccinia são pouco virulentas, o que as torna um alvo frequente de estudos para novas vacinas", diz a especialista.

O imunizante da Bavarian Nordic, que começou a ser utilizado há pouco para conter o monkeypox em algumas partes do mundo, se vale justamente dessa estratégia: ela traz o vírus vaccinia atenuado (mais "fraquinho"), que vai promover justamente essa imunidade cruzada.

"Trata-se de um vírus tão atenuado que ele nem consegue se replicar nas células humanas. Mesmo assim, ele gera uma resposta imune que protege contra o monkeypox", explica Damaso.

A Jynneos/Imvanex é aplicada num esquema de duas doses, com um intervalo de quatro semanas entre a primeira e a segunda.

Algumas autoridades locais estão optando por dar apenas uma dose por pessoa, dada a escassez desse imunizante no momento atual.

A própria Bavarian Nordic está ampliando sua capacidade produtiva e, segundo uma reportagem da agência de notícias financeiras Bloomberg no Reino Unido, está considerando iniciar uma operação emergencial, mantendo a fabricação por 24 horas ao dia, para atender o aumento da demanda por doses.

Além desta vacina, os Estados Unidos possuem uma segunda opção disponível, conhecida como ACAM2000. Ela, porém, não pode ser utilizada em alguns grupos com problemas no sistema imunológico.

Além desses dois recursos, há estudos demonstrando que pessoas vacinadas contra a varíola humana, causada pelo vírus smallpox, também estão mais protegidas do monkeypox.

Como o smallpox foi erradicado e não circula mais pelo mundo, a produção desses imunizantes em específico foi completamente paralisada e a campanha de vacinação não acontece desde o início dos anos 1980.

Mesmo assim, pessoas com mais de 40 anos que tomaram as doses contra a varíola humana durante a infância parecem manter um bom nível de proteção agora.

Que países já iniciaram a campanha e quais são os públicos-alvo?

Por ora, a vacinação contra o monkeypox começou apenas em partes da Europa e da América do Norte.

A União Europeia, por exemplo, fez um acordo com a Bavarian Nordic que prevê a entrega de 110 mil doses.

A distribuição delas ocorrerá de forma escalonada, de acordo com o número de casos registrados nos Estados-membros.

Os Estados Unidos já possuem um estoque de 800 mil unidades da Jynneos/Imvanex, de acordo com o jornal americano The New York Times.

Alguns locais, como Washington, Chicago e Nova York, iniciaram a campanha de vacinação por lá.



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Homens fazem fila na frente de centro de vacinação conra o monkeypox nos Estados Unidos

O Reino Unido, que também já oferece o imunizante, definiu três grupos como prioritários para receber as doses neste momento:
Profissionais de saúde que estão lidando com pacientes diagnosticados com monkeypox. Nesse caso, são oferecidas duas doses.
Gays, bissexuais e outros homens que fazem sexo com homens com alto risco de exposição ao vírus. O indivíduo deve conversar com o médico, que vai indicar a vacinação de acordo com alguns critérios. Nesse grupo, é aplicada apenas uma dose, com a possibilidade de dar uma segunda no futuro.
Pessoas que tiveram contato próximo com um paciente infectado com o monkeypox. Nessa situação, as clínicas também estão dando apenas uma dose, que deve ser aplicada o quanto antes (idealmente, em até quatro dias após o contato).


A médica Isabella Ballalai, da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm), explica que dar prioridade a alguns grupos faz sentido.


"Vacinação é estratégia. Precisamos pensar primeiro nos grupos de maior risco, como aqueles em que o vírus circula com mais intensidade, os indivíduos estão mais expostos ao patógeno ou podem ter efeitos mais graves da doença", explica.

No caso dos imunizantes contra o monkeypox, a boa notícia é que eles bloqueiam a transmissão do vírus e impedem que a pessoa se infecte.

"E nós sabemos que a resposta imune gerada é muito duradoura", complementa Damaso.



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Vacina contra o monkeypox é dada em duas doses, com um intervalo de 28 dias entre elas

E o Brasil?

Por ora, não existe nenhuma previsão de quando as vacinas contra o monkeypox ficarão disponíveis no país.

Procurado pela BBC News Brasil, o Ministério da Saúde respondeu que "tem articulado com a Organização Pan-Americana de Saúde as tratativas para aquisição da vacina, de forma que o Programa Nacional de Imunizações possa definir a estratégia de vacinação".

Em entrevista ao jornal Folha de S.Paulo, o médico David Uip, secretário de Ciência, Pesquisa e Desenvolvimento do Estado de São Paulo, estimou que o imunizante deve demorar até nove meses para chegar aos brasileiros.

O especialista também acredita que o decreto de emergência em saúde pública feito pela OMS permitirá o aparecimento de "soluções, inclusive a readequação e a distribuição de vacinas, recursos e a compatibilidade de programas públicos entre os países".

O Instituto Butantan, também na capital paulista, criou um comitê para estudar a possibilidade de produzir vacinas contra o monkeypox em território nacional.

Do ponto de vista técnico, criar imunizantes contra o monkeypox não é algo tão complexo — a tecnologia que permite manipular vírus vivos atenuados é dominada por muitos laboratórios e farmacêuticas.

"Mesmo assim, o processo não é tão simples assim. É preciso ter fábrica e cumprir uma série de exigências regulatórias para garantir as condições de fabricar as doses", pontua Ballalai.

"Precisamos ter em mente que, se vier a vacina, ela não será para todo mundo. Precisamos proteger os grupos de maior risco primeiro", complementa a médica.

Enquanto a vacina não chega, a recomendação dos especialistas é ficar atento aos principais sintomas da doença, como o surgimento de feridas, manchas, irritações, pústulas ou espinhas na pele, especialmente na região dos genitais, do ânus, da face ou dos braços.

Caso esses sinais apareçam, vale procurar um médico para fazer o diagnóstico. Se os exames confirmarem a presença do monkeypox, a principal orientação é ficar em isolamento, com o mínimo de contato com outras pessoas, até que as feridas sumam completamente. Isso diminui a circulação do vírus e evita a criação de novas cadeias de transmissão na comunidade.

De acordo com a plataforma o portal Our World In Data, da Universidade de Oxford (Inglaterra), até o momento o mundo registra 18,8 mil casos de monkeypox em 78 países. Desses, 813 foram diagnosticados no Brasil.




Autor: André Biernath - @andre_biernath
Fonte: BBC News Brasil em Londres
Sítio Online da Publicação: BBC News
Data: 28/07/2022
Publicação Original: https://www.bbc.com/portuguese/brasil-62317822

quarta-feira, 27 de julho de 2022

Transmissão da varíola dos macacos durante o sexo: veja o que se sabe



Casos da varíola dos macacos foram identificados em 75 países, inclusive no Brasil — Foto: Getty Images

A Organização Mundial da Saúde (OMS) mostrou preocupação com o fato de a maioria dos casos notificados de varíola dos macacos terem ocorrido entre homens que fazem sexo com homens. Nesta quarta-feira (27), a entidade fez um alerta para este público, mas ressaltou que o risco de contrair a doença não está restrito a apenas um grupo.

O padrão que aponta a prevalência dos casos entre homens que fazem sexo com outros homens levantou o questionamento sobre se o vírus é transmitido por via sexual ou apenas durante o sexo.

A varíola dos macacos é uma infecção causada por um vírus que geralmente se manifesta de forma leve — os principais sintomas são febre, dor e o aparecimento de lesões e feridas em algumas partes específicas do corpo.

Não há confirmação de transmissão via fluidos sexuais, como o sêmem, conforme explica é Andrea Paula Bruno Von Zuben, professora de epidemiologia da Faculdade de Ciências Médicas da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).

"Não é considerado uma infecção sexualmente transmissível (IST) até esse momento porque não foi provada essa transmissão por fluido sexual. Por enquanto, é isso o que a literatura fala e epidemiologicamente é isso o que a gente entende", diz Andrea.

Por outro lado, a própria OMS admitiu que a intimidade prolongada durante o sexo parece ser a condição principal que facilita a transmissão da varíola dos macacos durante o sexo. A doença é transmitida quando alguém tem contato próximo com as lesões de pele, as secreções respiratórias ou os objetos usados por uma pessoa que está infectada.

Comparação com herpes

Conselheiro dos programas de HIV, hepatites virais, IST's e varíola dos macacos da OMS, Andy Seele afirmou nesta quarta-feira que cientistas analisam como as experiências do passado podem orientar as investigações do atual surto em relação à transmissão sexual.

No caso do vírus Zika, ele é transmissível sexualmente, pois está presente nos fluidos vaginais e no sêmen. Ainda não há indicação de que isso ocorra com a monkeypox.

"Não podemos dizer que o uso de camisinhas protege, porque sabemos que a transmissão da varíola se dá pelo contato pele a pele, assim como herpes, em que o uso de camisinha não é o suficiente para prevenir. É preciso focar (na prevenção e cuidado com) o contato íntimo pessoal e prolongado, que é o modo chave de transmissão", afirma Andy Seele.

Recomendações

Um estudo publicado na quinta-feira (21) na revista "The New England Journal of Medicine" apontou que a transmissão por meio de contato no sexo se deu em 95% dos casos analisados.

"Até o momento, a disseminação atual afetou desproporcionalmente homens gays ou bissexuais e outros homens que fazem sexo com homens, o que sugere amplificação da transmissão via redes sociais sexuais", aponta o estudo.

Tendo isso em vista, o diretor da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, aconselhou que homens que fazem sexo com homens reduzam momentaneamente o número de parceiros. O objetivo é "reduzir risco de exposição".

Modos de transmissão

O vírus pode ser transmitido por meio de secreções, pelas lesões bolhosas que se formam, ou por via respiratória. O contato sexual é íntimo e prolongado, proporcionando a exposição por meio de todas as vias citadas anteriormente, o que justifica o aumento da transmissão desse modo.

De acordo com a líder técnica da OMS para a doença, Rosamund Lewis, é essencial que a população entenda que todos podem, eventualmente, contrair a doença.


"Apesar de as agências de saúde estarem compartilhando que um grupo é o mais acometido neste momento, é muito importante que todos nós entendamos que qualquer um de nós está em risco. Precisamos de informações sobre como esse grupo pode proteger a si mesmo, mas, ao mesmo tempo, qualquer um está exposto", esclarece Lewis.

Ritmo preocupante

Andrea ressalta que a situação merece atenção, uma vez que o ritmo de transmissão atual não é comparável ao ritmo da África, onde a varíola é endêmica, circulando durante todo o ano e causando um número esperado de mortes.

Um exemplo brasileiro de doença endêmica é a dengue, transmitida pela picada do mosquito Aedes aegypti.

"Nada impede que, daqui a pouco tempo, a gente descubra que tem outras vias de transmissão, inclusive a sexual. Em qualquer dessas doenças, a gente demora um pouco para saber", pontua Andrea.

Lewis revela que basta uma configuração na qual muitas pessoas estejam juntas, dividindo um espaço físico e tendo contato entre si, para a transmissão ocorrer. "Inclusive no ambiente doméstico, tanto em países onde há doença já é conhecida há tempos, quanto em outros recentemente afetados", finaliza Lewis.



Mundo ultrapassa 18 mil casos confirmados de Varíola dos macacos




Autor: Julia Putini e Lara Pinheiro
Fonte: g1
Sítio Online da Publicação: g1
Data: 27/07/2022
Publicação Original: https://g1.globo.com/saude/noticia/2022/07/27/transmissao-da-variola-dos-macacos-durante-o-sexo-veja-o-que-se-sabe.ghtml

sábado, 16 de julho de 2022

Varíola dos macacos: por que os casos não param de aumentar?



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Alguns países, como a Indonésia, testam a temperatura das pessoas em aeroportos e outros locais públicos para verificar a possibilidade de uma pessoa estar infectada com varíola dos macacos


É uma doença conhecida e a humanidade lutou contra ela no passado, mas as infecções estão aumentando em todo o mundo e os governos não conseguiram até agora contê-la. A varíola dos macacos, uma condição zoonótica endêmica da África Ocidental e Central, está agora presente em 65 países — algo sem precedentes.


Os casos positivos do vírus, segundo o Centro de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos (CDC), totalizaram 11.068 em todo o mundo na quarta-feira, 13 de julho.


Como disse a Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) nesta semana, a tendência é que as infecções continuem aumentando nas próximas semanas.


Segundo especialistas ouvidos pela BBC News Mundo, o serviço em espanhol da BBC, uma combinação de fatores, em especial o fato de que a varíola dos macacos ainda não foi declarada como uma emergência internacional de saúde, explica essa explosão de casos.



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Vírus, que é endêmico na África Ocidental e Central, agora está presente em 65 países


Apesar de sua rápida disseminação, e ao contrário do que alguns pesquisadores independentes argumentam, a diretora da OPAS, Carissa Ettiene, disse que o risco representado pela varíola dos macacos "é moderado", devido à baixa mortalidade em comparação com o número de casos notificados.

Ainda assim, em uma entrevista a jornalistas, Sylvain Alighieri, diretor de emergências de saúde da OPAS, chamou a situação de "preocupante".


"Em muitos países da região para os quais temos informações bem caracterizadas, a proporção de casos sem histórico de viagens está aumentando a cada semana epidemiológica, o que destaca nossa preocupação de que uma transmissão mais sustentada se estabeleça", disse Alighieri.


Embora a maioria das pessoas se recupere do vírus, que causa erupções cutâneas e sintomas semelhantes aos da gripe, como febre e dor de cabeça, há temores de que ele possa se tornar endêmico fora da África.


A varíola dos macacos foi notificada pela primeira vez em 1970. Existem antivirais aprovados, bem como vacinas contra a doença, assim como testes para detectar o vírus e conhecimento suficiente sobre como ele se espalha.


Então, por que os casos estão aumentando?

Resposta da OMS


Para a médica Kavita Patel, especialista em políticas de saúde pública e ex-assessora da Casa Branca durante a presidência de Barack Obama, uma das explicações para isso está no fato de a Organização Mundial da Saúde (OMS) não ter declarado a varíola dos macacos uma emergência internacional de saúde.



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Imagem de laboratório do vírus


Sem consenso entre seus membros, o Comitê de Emergência da entidade entendeu em junho passado que, justamente pela baixa mortalidade, a doença não representava risco maior, embora devesse ser acompanhada de perto.


Patel sustenta que essa decisão afeta a cooperação global para lidar com o vírus, como a distribuição equitativa das vacinas existentes entre os grupos de risco, o que ajudaria a conter o aumento de casos.


"A falta de uma declaração de emergência nos deixa sem coordenação global, sem que o dinheiro e os recursos necessários sejam estabelecidos", disse ela.


A ação da OMS, que será reavaliada pelo órgão na próxima semana, pode fazer com que os cidadãos não entendam o risco que a doença pode representar, diz Carlos Rodríguez Díaz, professor de saúde pública da Universidade George Washington, nos EUA.



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Há vacinas para a varíola dos macacos, mas não em quantidades suficientes


"Quando uma emergência sanitária é declarada, é um indicador de que a resposta deve ser reforçada", disse. "Não há uma boa distribuição de informações confiáveis ​​e disponíveis para as populações que mais precisam", acrescentou.

Momento que a doença se espalhou

Os primeiros casos de varíola dos macacos, uma doença que se espalha de forma mais eficaz pelo contato físico, foram detectados há alguns meses fora da África entre homens que fazem sexo com homens. Isso fez dos gays um grupo de risco.


E, segundo Alighieri, da OPAS, os casos nessa comunidade continuam crescendo devido à coincidência de que durante os meses de junho e julho é comemorado em vários países o Mês do Orgulho Gay, eventos que reúnem milhões de pessoas.


Kavita Patel, por sua vez, lembrou a importância de enfatizar que a varíola não é uma doença que atinge apenas homens homossexuais.


Pelo contrário, vincular esse vírus à orientação sexual pode causar um aumento de casos, porque outros grupos não saberiam que também estão em risco.


"Isso me lembra os primeiros dias do HIV, quando o identificamos como uma doença relacionada a pessoas homossexuais... e ainda estamos lidando com as consequências disso no mundo", disse ela.

Problemas para detectar o vírus


Globalmente, continua Patel, os testes para detectar o vírus não são muito acessíveis à população, concentrando-se em alguns laboratórios e centros acadêmicos, mas não em clínicas comunitárias e outras instalações de atendimento direto.


"Isso nos deixa expostos a pessoas que, sem saber, têm varíola dos macacos e podem transmitir a doença a outras pessoas. Mesmo que tenham uma erupção cutânea e alguns sintomas, podem pensar que é um resfriado, porque os sintomas às vezes são parecidos", comentou.



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Vírus causa erupções cutâneas e sintomas semelhantes aos da gripe, como febre e dor de cabeça


"Na América Central, por exemplo, as pessoas procuram atendimento de seus profissionais de saúde do bairro. E agora esses provedores têm praticamente zero acesso a testes", disse ele.


De fato, os dados da OPAS indicam que, dos mais de 1.400 casos positivos no continente americano, apenas um foi registrado na América Central.


"Não sabemos nem o real número de casos no mundo", diz a especialista.

O problema das vacinas


Atualmente, existem duas vacinas eficazes contra a varíola dos macacos. Uma delas, chamado Jynneos, é recém-fabricada e só foi aprovado nos Estados Unidos e no Canadá.


A outra é a vacina ACAM 2000, usada contra a varíola tradicional.


Mas, segundo o professor Carlos Rodríguez-Díaz, as reservas de ambas são limitadas e, neste momento, organizações internacionais de saúde e governos não podem realizar vacinações em massa, o que deixa a população desprotegida.



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O New York Times informou no início de julho que a empresa dinamarquesa que fabrica Jynneos enviaria 2 milhões de doses para os EUA, mas isso não acontecerá até o final de 2022. E ela só tem capacidade para fabricar menos de cinco milhões de vacinas a mais para o restante do mundo.


Enquanto isso, a vacina ACAM 2000 tem fortes efeitos colaterais que, segundo Patel, podem representar risco de morte para pessoas imunocomprometidas.

Teremos uma pandemia?


Quando o surto de varíola começou, os cientistas argumentaram que era improvável que se tornasse uma pandemia. Especialmente porque a transmissão é mais difícil do que outras doenças, como a covid-19, e porque é uma doença já conhecida.



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Essa é a mão de um dos 20 pacientes infectados com varíola dos macacos nos EUA em 2003, quando foram registrados os primeiros casos no continente americano


No entanto, especialistas afirmaram recentemente que o surto pode se transformar em uma grande emergência.


Em uma coluna publicada no jornal americano The Washington Post, Patel, juntamente com o ex-professor de Harvard Eric Feigl-Ding e o fundador do New England Complex Systems Institute, Yaneer Bar-Yam, argumentaram que a varíola dos macacos já é uma "pandemia".


A avaliação dele é que a doença não está contida em um único espaço geográfico. Além disso, há contágio comunitário entre pessoas que não deixaram seus países ou comunidades. E alguns pacientes foram infectados de forma "inusitada".


"Há pessoas infectadas que não têm histórico de contato sexual ou viagens. Isso é para mim é muito relevante. Temos que começar a falar sobre isso", concluíram.











Autor: Ronald Ávila-Claudio - @ronaldavilapr
Fonte: BBC News Mundo
Sítio Online da Publicação: BBC News Mundo
Data: 15/07/2022
Publicação Original: https://www.bbc.com/portuguese/geral-62176214