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quinta-feira, 29 de dezembro de 2022

Fiocruz e MS lançam curso online e gratuito sobre autocuidado e literacia para a saúde

Como você cuida da sua saúde, e o que faz para mantê-la em níveis saudáveis? Como você avalia, compreende e aplica as informações sobre saúde que recebe ao longo da vida? Essas são questões tratadas no campo da literacia para a saúde e o autocuidado que, a partir de agora, podem ser aprendidas na nova formação, gratuita e online, do Campus Virtual Fiocruz. Com foco em profissionais de saúde, o curso Autocuidado em Saúde e a Literacia para a promoção da saúde e a prevenção de doenças crônicas na Atenção Primária à Saúde já está com inscrições abertas!

Inscreva-se já!





A formação, que aborda modelos, estratégias e possibilidades de intervenções para a promoção do autocuidado, busca qualificar profissionais de nível médio e superior, especialmente os que atuam na atenção primária à saúde, mas é aberto a todos os interessados na temática. Ela é dividida em cinco módulos, carga horária de 60 horas e é autoinstrucional, ou seja, não conta com tutoria e pode ser cursado conforme a necessidade do participante. O curso certifica os participantes mediante avaliação dos conhecimentos adquiridos .

A formação surgiu de uma demanda do Ministério da Saúde e da Organização Pan-Americana da Saúde (Opas), e foi desenvolvida por pesquisadores do Instituto de Comunicação e Informação Científica e Tecnológica em Saúde (Icict/Fiocruz), em parceria com o grupo de estudos e pesquisa Promoção em comunicação, educação e Literacia para a Saúde no Brasil (ProLiSaBr), vinculado ao Instituto de Educação, Letras, Artes, Ciências Humanas e Sociais da Universidade Federal do Triângulo Mineiro (UFTM); e está sob a coordenação-geral da médica sanitarista Ana Luiza Pavão, pesquisadora do Laboratório de Informações em Saúde (Lis/Icict/Fiocruz) e docente colaboradora do Programa de Pós-Graduação em Informação e Comunicação em Saúde (PPGICS/Icict), além da coordenação adjunta de Rosane Aparecida de Sousa, da UFTM.

Foram desenvolvidos especialmente para este curso cinco guias, que estão disponíveis como material de apoio à formação: um sobre autocuidado e literacia e outros quatro voltados para o manejo de doenças específicas, como hipertensão, doença pulmonar obstrutiva crônica, doença renal crônica e diabetes tipo 2. O curso disponibiliza ainda oito vídeos relativos às características das referidas doenças e suas formas de prevenção e controle, videoaulas e outros recursos educativos.

A literacia para a saúde e o autocuidado

Ana Luiza explicou que o conceito de literacia para a saúde (LS) versa sobre o conhecimento, as motivações e as competências dos indivíduos para acessar, compreender, avaliar e aplicar informações sobre saúde, a fim de fazer julgamentos e tomar decisões na vida cotidiana relacionadas aos cuidados de saúde, à prevenção de doenças e à promoção da saúde para manter ou melhorar sua qualidade de vida ao longo dos anos. Ela detalhou que a LS vem do termo em inglês health literacy, e que existem outras traduções utilizadas para o conceito, como literacia em saúde, letramento em saúde e até mesmo alfabetização em saúde.

Para Ana Luiza, quanto maior o nível de literacia para a saúde — conceito que está intimamente relacionado ao autocuidado —, melhores serão os desfechos em saúde daquele indivíduo. "O curso tem foco em profissionais da Atenção Primária, pois quando falamos de promoção e prevenção à saúde, nos referimos principalmente a esse nível de atuação, apesar de não ser exclusivo para a APS, sendo essa comprovadamente a abordagem mais eficaz", detalhou Ana Luiza.

Ela comentou ainda que o curso estimula o profissional a se questionar, a pensar, durante a assistência cotidiana do trabalho, sobre o que podem fazer para promover a saúde naquele indivíduo atendido. A ideia é fomentar uma visão focada na saúde e não na doença e suas complicações. "Ao termos uma visão positiva sobre o cuidado, buscamos novas estratégias para melhorar a saúde, com foco na qualidade de vida, bem-estar, saúde mental, e outros aspectos que influenciam fortemente o dia a dia das pessoas.

A proposta deste curso é trazer uma série de conceitos e reflexões a respeito do autocuidado em saúde e da literacia para a saúde, incluindo também a questão da comunicação em saúde, e a importância da literacia digital em saúde — que é a influência da internet e da capacidade das pessoas de obterem e manejarem informações de saúde provenientes da internet —, além dos fundamentos da promoção da saúde, e da Política Nacional de Promoção da Saúde do Ministério da Saúde.

Conheça a estrutura do curso Autocuidado em Saúde e a Literacia para a promoção da saúde e a prevenção de doenças crônicas na Atenção Primária à Saúde (APS):
 

Módulo 1 - A PROMOÇÃO DA SAÚDE, A SALUTOGÊNESE E A LITERACIA PARA A SAÚDE (LS)Aula 1 - Promoção da saúde: um conceito em construção
Aula 2 - Reflexões sobre a salutogênese no contexto da Atenção Primária à Saúde
Aula 3 - Literacia para a Saúde: concepção e perspectivas para promover saúde

Módulo 2 - CUIDADO, AUTOCUIDADO E A LITERACIA PARA A PROMOÇÃO DA SAÚDE E A PREVENÇÃO DE DOENÇAS NA APSAula 1 - Promoção da saúde e prevenção de doenças: aspectos conceituais, políticas e ações na APS
Aula 2 - O cuidado e o autocuidado no contexto da promoção da saúde e prevenção de doenças
Aula 3 - O cuidado e o autocuidado na APS: espaço para a ampliação dos níveis de LS

Módulo 3 - INTERVENÇÕES PARA EQUIPES E SISTEMAS DE SAÚDE NAS PRÁTICAS DE LSAula 1 - A Literacia para a Saúde no cotidiano da Atenção Primária à Saúde
Aula 2 - Boas práticas de LS em contextos específicos e nos ciclos da vida
Aula 3 - A educação em saúde e a educação popular em saúde como estratégias para a assistência à saúde na APS

Módulo 4 - FERRAMENTAS NO COTIDIANO DO TRABALHO DAS EQUIPES DA APSAula 1 - A comunicação em saúde e estratégias para melhoria na APS
Aula 2 - As mídias e a tecnologia de informação em saúde
Aula 3 - A Literacia Digital em Saúde como competência para promover saúde na APS

Módulo 5 - AUTOCUIDADO EM SAÚDE NA APS: AÇÕES PARA PROMOÇÃO DA SAÚDE E QUALIDADE DE VIDAAula 1 - Autocuidado no âmbito pessoal
Aula 2 - Autocuidado no âmbito profissional
Aula 3 - Relacionamentos e qualidade de vida





Autor: Isabela Schincario
Fonte: fiocruz
Sítio Online da Publicação: fiocruz
Data: 27/12/2022
Publicação Original: https://campusvirtual.fiocruz.br/portal/?q=noticia/67834

segunda-feira, 14 de novembro de 2022

Ciência confirma que 10 mil passos por dia melhoram saúde, mas ritmo também conta



CRÉDITO,GETTY IMAGES
Legenda da foto,

A caminhada favorece a liberação de endorfinas no cérebro, o que nos faz mais felizes


Hoje em dia existe toda uma indústria em torno da ideia de que você precisa dar 10 mil passos por dia para ser saudável.


Essa recomendação permeia nossa sociedade de tal forma que até a própria Organização Mundial da Saúde (OMS) a adotou como objetivo.


Mas de onde vem tal afirmação? E, sobretudo, o que há de verdade nela, segundo a ciência?

Benefícios para a saúde desde o primeiro passo


A primeira coisa a dizer é que, independentemente da quantidade de passos que se dê, os benefícios da caminhada são inquestionáveis.


No curto prazo, favorece a liberação de endorfinas no cérebro, o que nos faz nos sentir melhor, mais felizes. Também melhora o equilíbrio e fortalece as pernas. Isso é muito importante, pois significa que pode nos manter ativos por mais anos.


Além disso, deixa nossos corações mais fortes e reduz pela metade as chances de pegar um resfriado, fortalecendo nosso sistema imunológico.


Outra vantagem é que a caminhada facilita a eliminação da gordura, e por isso pode ser considerada uma ferramenta eficaz para perder peso.


As pesquisas mais recentes indicam que também pode reduzir o risco de doenças como câncer, alguns problemas cardiovasculares e demência.



CRÉDITO,GETTY IMAGES
Legenda da foto,

A caminhada é benéfica em todas as idades


Poderíamos dizer que Hipócrates estava indo na direção certa ao afirmar que caminhar é o melhor remédio para o homem.


Além das virtudes saudáveis, a caminhada é convidativa porque, diferentemente de outros tipos de atividade física, não intimida. Muito pelo contrário: pode ser feita em quase qualquer lugar e não requer equipamentos e roupas específicas, nem exige uma condição física específica ou habilidades prévias.


Os objetivos baseados neste exercício físico são fáceis de entender e memorizar, independentemente da idade ou escolaridade.


E atualmente, graças ao acelerômetro do celular, pulseiras fitness e smartwatches, temos o incentivo extra de poder medir quanto e como caminhamos, o que remonta ao mantra dos 10 mil passos por dia.

Por que 10 mil passos exatamente?


Essa regra tem origem em uma campanha publicitária japonesa de meados da década de 1960 que, aproveitando os Jogos Olímpicos de Tóquio, lançou o primeiro pedômetro da história.


Chamado mampo-kei, o dispositivo estabelecia uma meta de 10 mil passos (cerca de oito quilômetros).


Desde então, a comunidade científica vem tentando esclarecer a utilidade desse objetivo.


Algumas pesquisas já sugeriam que são necessários entre 6 mil e 8 mil passos por dia para reduzir o risco de morte prematura. E, mais recentemente, nossa equipe conseguiu determinar que cerca de 10 mil passos são realmente necessários, de maneira ideal, para melhorar nossa saúde.


Conseguimos verificar que atingir essa meta reduz o risco de doenças cardiovasculares em 35%; de câncer, em 20%; e de demência, em 50%.


E a "mágica dos 10 mil passos" não para por aí: nosso estudo mostrou que superar essa meta não proporcionou benefícios adicionais aos participantes.


Por outro lado, parece que as virtudes da caminhada aumentam gradativamente.


Outra conclusão a que chegamos é que dar 4 mil passos por dia está associado a uma diminuição de até 25% do risco de demência.


É um dado bastante reconfortante — as pessoas que não estão motivadas ou estão começando a adquirir o hábito de caminhar devem saber que os benefícios começam a se acumular a partir de alguns passos ao dia.



CRÉDITO,GETTY IMAGES
Legenda da foto,

Existe toda uma indústria em torno da sugestão de que você precisa dar 10 mil passos por dia

30 minutos de aceleração


Mas e o ritmo, é importante? Se eu tiver que andar por um certo tempo ou dar um determinado número de passos, com que cadência devo fazer isso? Esta questão, ainda sujeita a debate científico, é de vital relevância.


Em nossas pesquisas, observamos que caminhar com certa velocidade (intensidade moderada, de modo que seja difícil manter uma conversa enquanto realizamos a atividade) por pelo menos 30 minutos por dia pode garantir benefícios extras. Se, além de sair para tomar um ar, dermos um pouco de ritmo à caminhada, melhor ainda.


Em resumo: uma pessoa que busca melhorar ao máximo sua saúde por meio da caminhada deve procurar dar 10 mil passos por dia, incluindo meia hora de caminhada moderada.


Também é importante notar que cada passo conta: aquele que damos no jardim, dentro de casa ou naquele passeio no fim da tarde.


Portanto, estabelecer rotinas mais ativas que favoreçam passar um tempo caminhando pode nos dar saúde — mas, acima de tudo, nos proporciona viver a vida.


* Borja del Pozo Cruz é pesquisador principal de ciências da saúde na Universidade de Cádiz, na Espanha.


Este artigo foi publicado originalmente no site de notícias acadêmicas The Conversation e republicado aqui sob uma licença Creative Commons. Leia aqui a versão original (em espanhol).





Autor: Borja del Pozo Cruz
Fonte: bbc
Sítio Online da Publicação: bbc
Data: 14/11/2022
Publicação Original: https://www.bbc.com/portuguese/geral-63624788

terça-feira, 9 de agosto de 2022

Ministério da Saúde divulga orientações para profissionais da saúde, gestantes, lactantes e puérperas sobre a varíola dos macacos




Para evitar casos da varíola dos macacos, também conhecida como monkeypox, e prevenir a transmissão da doença especialmente na gravidez, o Ministério da Saúde publicou, nesta segunda-feira (1º), orientações para profissionais da saúde, gestantes, lactantes e puérperas que apresentem sintomas ou casos positivos da doença. As recomendações estão em uma Nota Técnica, disponível aqui.

Para profissionais da saúde que estejam envolvidos no atendimento, entre as recomendações, estão:

Em gestante assintomática pós-exposição ao vírus:
• Em caso de teste negativo – O monitoramento será suspenso;
• Em caso de teste positivo – Será indicado o isolamento domiciliar por 21 dias, sem visitas;
• A gestante também será instruída à automonitoração, acompanhando sua temperatura e o aparecimento/evolução das lesões cutâneas.

Para gestantes com sinais ou sintomas suspeitos de varíola dos macacos:
• Em caso de teste negativo – Será indicado o isolamento domiciliar por 21 dias, sem visitas e orientada a automonitoração. O teste deve ser feito novamente caso os sintomas persistam;
• Em caso de teste positivo – Levando em consideração maior risco, é indicada a hospitalização da gestante nos casos moderados, graves e críticos;
• Dentro do conhecimento disponível até o momento, os profissionais de saúde devem saber que: as gestantes devem ficar em isolamento domiciliar com acompanhamento pela equipe assistencial, em caso de doença com quadro clínico leve;
• As pacientes com casos de maior gravidade devem ser acompanhadas em regime de internação hospitalar;
• Não há ainda protocolo de tratamento específico com antivirais no ciclo gravídico-puerperal;
• O monitoramento da vitalidade fetal deve ser cuidadoso nas pacientes com a doença moderada, grave ou crítica, em vista da constatação de maior morbimortalidade do concepto nestes casos;
• A via e o momento do parto têm indicação obstétrica e a cesárea como rotina não está indicada nestes casos; o aleitamento deve ser analisado de acordo com o quadro clínico cada caso específico.
Tratamento na gravidez

Apesar da doença transmitida pelo vírus monkeypox ser considerada uma doença autolimitada, que geralmente apresenta cura espontânea, em alguns casos, pode haver a necessidade de tratamento medicamentoso específico, sobretudo em pessoas imunossuprimidas.

Na maioria das vezes, só há indicação de uso de tratamento sintomático para febre e dor. Nos casos que apresentem lesões mais significativas, algumas medicações podem ser consideradas após avaliação médica.
Em geral, as gestantes apresentam quadros leves e autolimitados da doença; nestas não há indicação de antecipar o parto.

As recomendações do Ministério da Saúde para gestantes, puérperas e lactantes são:
• Afastem-se de pessoas que apresentem sintomas suspeitos como febre e lesões de pele-mucosa (erupção cutânea, que habitualmente afeta o rosto e as extremidades, e evolui de máculas para pápulas, vesículas, pústulas e posteriormente crostas);
• Usem preservativo em todos os tipos de relações sexuais (oral, vaginal, anal) uma vez que a transmissão pelo contato íntimo tem sido a mais frequente;
• Estejam alertas para observar se sua parceria sexual apresenta alguma lesão na área genital e, se presente, não tenham contato;
• Mantenham uso de máscaras, principalmente em ambientes com indivíduos potencialmente contaminados com o vírus;
• Procurem assistência médica, caso apresentem algum sintoma suspeito, para que se estabeleça diagnóstico clínico e, eventualmente, laboratorial.
Vigilância

Na última sexta-feira (29), o Ministério da Saúde ativou o Centro de Operação de Emergências (COE) para elaboração do Plano de Contingência do surto de varíola dos macacos no Brasil. O COE será coordenado pela Pasta, com a participação de representantes do Conselho Nacional de Secretários de Saúde (Conass), Conselho Nacional de Secretarias Municipais de Saúde (Conasems), da Organização Pan-Americana de Saúde (Opas/OMS), Agência Nacional de Vigilância em Saúde (Anvisa) e do Instituto Nacional de Infectologia Evandro Chagas da Fiocruz.

O controle da varíola dos macacos é prioridade para o Ministério da Saúde, que realiza o constante monitoramento da situação epidemiológica para orientar ações de vigilância e resposta à doença no Brasil. A Pasta segue em tratativas com a OPAS e OMS para aquisição da vacina contra a doença e medicamentos antivirais para o tratamento da varíola dos macacos.

Fran Martins
Ministério da Saúde





Autor: Ministério da Saúde
Fonte: Ministério da Saúde
Sítio Online da Publicação: Ministério da Saúde
Data: 01/08/2022
Publicação Original: https://www.gov.br/saude/pt-br/assuntos/noticias/2022/agosto/ministerio-da-saude-divulga-orientacoes-para-profissionais-da-saude-gestantes-lactantes-e-puerperas-sobre-a-variola-dos-macacos

segunda-feira, 25 de julho de 2022

Violência na área da saúde e o papel da humanização

A violência, em suas muitas faces, é recorrente nas instituições de saúde. Definida pela Organização Mundial de Saúde (OMS) a partir do trabalho de Krug e colaboradores, publicado em 2002, a violência pode ser entendida como “o uso intencional da força ou do poder, real ou em ameaça, contra si próprio, contra outra pessoa, ou contra um grupo ou uma comunidade, que resulte ou tenha possibilidade de resultar em lesão, morte, dano psicológico, deficiência de desenvolvimento ou privação”.

A OMS ainda aplica três tipologias para os atos de violência: coletiva, autoinflingida e interpessoal, podendo ser comunitária ou familiar. Minayo, em 2006, ainda acrescentou mais um grupo determinando à violência estrutural: quando os processos sociais, políticos e econômicos geram e mantêm a violência. O trabalho taxonômico de Krug e colaboradores atribui na área da saúde quatro modalidades de expressão da violência sendo elas a violência física, psicológica, sexual e a negligência ou privação de cuidados.


 
O ponto de destaque é que podemos praticar atos de violência durante nossa prática. A relação de cuidado na saúde é atravessada por uma lógica de relação de poder. A violência na área da saúde ocorre, então, quando essa potencialidade, que carrega em si também a potência terapêutica, é utilizada intencionalmente de forma que resulte ou tenha possibilidade de resultar em lesão, morte, dano psicológico, deficiência de desenvolvimento ou privação.

Caminhos de mudança

Uma das ferramentas mais contundentes contra essa violência é a humanização na saúde, que consiste em dar voz aos sujeitos do cenário do cuidado em saúde, sejam eles receptores ou provedores desse cuidado. Empiricamente uma maneira de se entender essa dialética é perceber violência como o uso intencional de alguma forma de poder para constranger enquanto humanizar é o uso intencional desse poder para se centrar ou perceber o outro.

Humanização pode ser entendida como o processo de promoção do protagonismo dos sujeitos de cuidado em saúde, sendo alvo de uma política pública instituída pela lei n. 8080 de 1990.

No cenário do cuidado é necessário que cada ator conheça suas potências e fragilidades, seus direitos e deveres. O tema da violência na área da saúde é tão somente uma reprodução de um problema estrutural contemporâneo num setor social específico em que os mesmos grupos vulnerabilizados são objetos de atos violentos pelos mesmos grupos com validação social para dominar dentro e fora desse setor. A grande diferença é que neste recorte social, o setor saúde, identificar problemas e propor soluções, ou minimamente buscá-las, é parte essencial do fazer profissional.

Desde a graduação entender a Política Nacional de Humanização como constitutiva do SUS e desenvolver competências humanísticas nos profissionais de saúde é o caminho macropolítico para mitigar essa questão. Por outro lado, no campo micropolítico, profissionais e clientes serem apresentados a esses conceitos e conhecerem como isso remodela suas fronteiras relacionais é outra direção modificadora do nosso cenário atual.

Mensagem Prática

A violência de gênero na área da saúde reproduz os mesmos recortes e padrões de violência da sociedade em geral

Atos de violência que não são percebidos como experiências desagradáveis normalizam e autorizam atos de violência que culminarão em experiências desagradáveis

Informação acessível e de qualidade é uma ferramenta lida como potente e transformadora por todos os atores participantes do cenário de cuidado em saúde

Debater o tema e introduzir conceitos associados a ele tem potencial de despertar autoconsciência e mudar padrões de comportamento lesivo nos serviços de saúde

Praticar a política nacional de humanização é uma via de mudança estrutural para o paradigma da violência na área da saúde

Autor(a):

Marcelo Gobbo Jr

Médico de Família e Comunidade ⦁ Editor de Medicina de Família e Comunidade do Portal PEBMED ⦁ Docente de Comunicação, Profissionalismo e Humanização em Saúde no IMEPAC Araguari ⦁ Supervisor de Medicina Preventiva e Médico Assistente na Unimed Uberlândia ⦁ Idealizador do programa “Hora da Saúde” ⦁ Instagram: @mgobbojr

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Referências bibliográficas:

MACIEL, Carolina. O papel do enfermeiro frente à violência obstétrica: Uma revisão integrativa. 2022.

AMORIM, Amanda Christina Oliveira; OLIVEIRA, Stéfani Silva de. Violência obstétrica na perspectiva dos profissionais da saúde: revisão integrativa. 2020.

DA COSTA CARDOSO, Ferdinand José et al. INSTITUTIONAL OBSTETRIC VIOLENCE IN BIRTH: PERCEPTION OF HEALTH PROFESSIONALS. Journal of Nursing UFPE/Revista de Enfermagem UFPE, v. 11, n. 9, 2017.

ALMEIDA, Mayron Morais et al. Vivência e saberes das parturientes acerca da violência obstétrica institucional no parto. Revista Eletrônica Acervo Saúde/Electronic Journal Collection Health ISSN, v. 2178, p. 2091, 2018.

MARTINELLI, Katrini Guidolini et al. Adequação do processo da assistência pré-natal segundo os critérios do Programa de Humanização do Pré-natal e Nascimento e Rede Cegonha. Revista Brasileira de Ginecologia e Obstetrícia, v. 36, p. 56-64, 2014.

NEGRÃO, Ana Carolina Bittencourt Morais. Iniciativas para diminuir o número de cesáreas excessivas no Brasil: Projeto Parto Adequado. 2017.

COELHO, Elza Berger Salema; SILVA, Anne Caroline Luz Grüdtner da; LINDNER, Sheila Rubia. Violência: definições e tipologias. 2014.

KRUG, E. G, et al. (eds.) World report on violence and health. Geneva: World Health Organization, 2002.

MINAYO, M. C. S.; SOUZA, E. R. Violência e saúde como um campo interdisciplinar e de ação coletiva. Hist. cienc. saude-Manguinhos, Rio de Janeiro, v. 4, n.3, p. 513-531, nov. 1997.

FARIAS, Aline Zacchi et al. Expressões da violência de gênero vivenciadas por terapeutas ocupacionais: narrativas e ações de enfrentamento no cotidiano. Cadernos Brasileiros de Terapia Ocupacional, v. 30, 2022.







Autor: Marcelo Gobbo Jr
Fonte: pebmed
Sítio Online da Publicação: pebmed
Data: 21/07/2022
Publicação Original: https://pebmed.com.br/violencia-na-area-da-saude-e-o-papel-da-humanizacao/

quarta-feira, 11 de maio de 2022

Campanha contra gripe: 25% dos brasileiros que fazem parte dos grupos prioritários estão vacinados



- Foto: Myke Sena/MS

Após um mês do início da campanha nacional de vacinação contra a gripe, cerca de 25% do total de pessoas que devem ser vacinadas nas duas etapas da campanha receberam o imunizante, segundo informações enviadas pelas gestões municipais e estaduais ao Ministério da Saúde até essa quarta-feira (4). A meta é atingir, pelo menos, 90% de cobertura vacinal.

Simultaneamente à campanha contra a gripe, acontece, também, a campanha nacional de vacinação contra o Sarampo. Até agora, 11,6% do público entre 6 meses e menores de 5 anos tomaram a vacina tríplice viral, ou seja, cerca de 1,7 milhão de crianças. A campanha, para esse público, começou no último sábado (30).

De acordo com o Ministério da Saúde, o público infantil, composto pelas crianças com idade entre seis meses e menores de 5 anos de idade, deve tomar uma dose dos dois imunizantes. Não há necessidade de cumprir intervalo para a aplicação das vacinas contra o Sarampo e Influenza. Dessa forma, as duas vacinas poderão ser administradas no mesmo dia.

A segunda etapa da campanha nacional começou nesta segunda-feira (02) e vai até o dia 03 de junho em todo o País. Cabe ressaltar que idosos e trabalhadores de saúde que não se vacinaram na primeira etapa da mobilização serão atendidos na segunda fase.

Confira os grupos da 2ª etapa:

2ª etapa - de 02/05 a 03/06Crianças de 6 meses a menores de 5 anos de idade (4 anos, 11 meses e 29 dias) - sarampo e gripe;
Gestantes e puérperas;
Povos indígenas;
Professores;
Pessoas com comorbidades;
Pessoas com deficiência permanente;
Forças de segurança e salvamento e Forças Armadas;
Caminhoneiros e trabalhadores de transporte coletivo rodoviário de passageiros urbano e de longo curso;
Trabalhadores portuários;
Funcionários do sistema prisional;
Adolescentes e jovens de 12 a 21 anos de idade sob medidas socioeducativas;
População privada de liberdade.

Vacinação de crianças

Para crianças de seis meses a menores de 5 anos, que já receberam ao menos uma dose da vacina Influenza ao longo da vida em anos anteriores, deve se considerar o esquema vacinal com a apenas uma dose em 2022. Já para as crianças que serão vacinadas pela primeira vez, a orientação é agendar a segunda dose da vacina contra gripe para 30 dias após a primeira dose.

Marco Guimarães
Ministério da Saúde
Categoria
Saúde e Vigilância Sanitária




Autor: Marco Guimarães
Fonte: Ministério da Saúde
Sítio Online da Publicação: Ministério da Saúde
Data: 05/05/2022
Publicação Original: https://www.gov.br/saude/pt-br/assuntos/noticias/2022/maio/campanha-contra-gripe-25-dos-brasileiros-que-fazem-parte-dos-grupos-prioritarios-estao-vacinados

segunda-feira, 2 de maio de 2022

Psicologia: curso de extensão, on-line e gratuito, sobre saúde e trabalho recebe inscrições

O Curso de Extensão sobre Clínicas do Trabalho está com inscrições abertas por meio de formulário eletrônico. Podem participar estudantes e profissionais de Psicologia e áreas afins interessados nas discussões sobre saúde e trabalho. Inteiramente gratuito, o curso é realizado numa parceria entre a Universidade Federal do Ceará, Universidade de Fortaleza (UNIFOR) e Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN).

As aulas on-line ocorrerão no período de 19 de maio a 7 de julho, com encontros semanais sempre às quintas-feiras, a partir das 18h30min, através do YouTube, nos links disponibilizados no programa do curso. O material para as aulas está disponível no Google Classroom.


Os participantes do curso vão ter acesso a mais informações sobre a relação entre o trabalho e suas duplas implicações: sociais e psíquicas (Imagem: Freepik)

O curso vai levar aos participantes conhecimentos sobre três abordagens: ergonomia, clínica da atividade e psicodinâmica do trabalho. “Ao longo dos encontros, vamos discutir fundamentos teóricos e metodológicos dessas vertentes e técnicas de intervenção , além de apresentar relatos de práticas em clínicas do trabalho”, informa o Prof. Francisco Pablo Huascar Aragão Pinheiro, do Curso de Psicologia do Campus da UFC em Sobral e vice-coordenador do Programa de Pós-Graduação Profissional em Psicologia e Políticas Públicas da UFC.

Ele esclarece ainda que “as clínicas do trabalho se alinham ao tentar compreender a relação entre o trabalho e suas duplas implicações: sociais e psíquicas. Elas também realizam intervenções na articulação entre a produção social do sofrimento e os sentidos construídos nas ações coletivas e individuais”.

O curso é organizado pelos Programas de Pós-Graduação em Psicologia do Campus de Sobral e do Centro de Humanidades da UFC em Fortaleza, através do Laboratório de Práticas e Pesquisas em Psicologia e Educação (UFC-Sobral), Laboratório de Estudos em Subjetividade e Saúde no Trabalho (UFC-Sobral) e Núcleo de Psicologia do Trabalho (UFC-Fortaleza). A parceria envolve ainda o Laboratório de Estudos sobre o Trabalho (UNIFOR) e o Grupo de Estudos e Pesquisas sobre o Trabalho (UFRN).

Os participantes que cumprirem 75% de frequência receberão certificados emitidos pela Pró-Reitoria de Extensão da UFC.

Mais informações sobre os professores facilitadores, tema detalhado de cada encontro e outras podem ser acessadas no programa do curso.

Fonte: Prof. Francisco Pablo Huascar Aragão Pinheiro, do Curso de Psicologia do Campus da UFC em Sobral e vice-coordenador do Programa de Pós-Graduação Profissional em Psicologia e Políticas Públicas – e-mail: pablo.pinheiro@ufc.br







Autor: ufc
Fonte: ufc
Sítio Online da Publicação: ufc
Data: 29/04/2022
Publicação Original: https://www.ufc.br/noticias/16875-psicologia-curso-de-extensao-on-line-e-gratuito-sobre-saude-e-trabalho-esta-com-inscricoes-abertas

sexta-feira, 16 de abril de 2021

Saúde destina R$ 247 milhões em ações para gestantes e puérperas




OMinistério da Saúde destinou R$ 247 milhões aos estados e municípios para incentivar ações que assegurem o acesso de qualidade de gestantes e puérperas aos pontos da Rede de Atenção à Saúde no pré-natal. A portaria que libera os recursos traz uma série de recomendações para o atendimento e isolamento social de mulheres grávidas, além da destinação de verba específica para o pré-natal odontológico.

O investimento contribuirá para fortalecer a identificação precoce, o monitoramento de gestantes e puérperas com síndrome gripal, síndrome respiratória aguda grave, com suspeita ou confirmação de covid-19. A qualificação das ações em todos os pontos da rede de atenção à saúde, no contexto da pandemia de coronavírus, inclui o suporte ao distanciamento social daquelas que não possuam condições para realização de isolamento domiciliar e a qualificação das ações de atenção ao pré-natal odontológico realizadas na Atenção Primária à Saúde (APS).

Para o secretário da Atenção Primária à Saúde (Saps) do ministério, Raphael Parente, a destinação dos recursos reforça o compromisso da pasta com a qualificação da atenção e cuidado da população obstétrica, além de contribuir com a redução da mortalidade materno-infantil no contexto da pandemia.

“Por isso reforçamos, com crédito substancial, o apoio aos estados e municípios, onde efetivamente a atenção à saúde da gestante e puérpera acontece. Essa ação destina-se a potencializar o atendimento pré-natal durante a pandemia, que não deve ser interrompido, e garantir que toda gestante seja testada no final da gestação, como recomenda o manual de recomendações para a assistência à gestante e à puérpera frente à pandemia de covid-19”, enfatizou.

Os recursos serão transferidos de modo automático e em parcela única do Fundo Nacional de Saúde (FNS) aos Fundos Municipais e Distrital de Saúde, dispensando-se a publicação de portaria de adesão. “Com esse valor, damos condições para que as prefeituras consigam identificar gestantes que precisem de apoio para isolamento e fiquem acomodadas em hotéis, assim como reforçamos o orçamento da saúde para garantir que não falte leitos de terapia intensiva para as gestantes e puérperas”, destacou o diretor do Departamento de Ações Programáticas Estratégicas do MS, Antônio Braga Neto.

O ministério traçou uma série de diretrizes para os gestores de saúde nos estados e municípios. Dentre elas, seguir as recomendações do MS quanto à vacinação na gravidez e puerpério; divulgar a evolução mais grave da doença diante das novas variantes do vírus; incentivar o isolamento vertical de grávidas; promover treinamento das equipes, dentre outras.

O secretário destacou a importância da vacinação de gestantes e mulheres que acabaram de dar à luz que tenham algum fator de risco associado à covid-19. "Estamos em contato com o Programa Nacional de Vacinação (PNI) e, se for o caso, aumentarmos a recomendação de imunização para todas. Estamos avaliando com muito cuidado, afinal, estamos falando de duas vidas", reforçou Parente.

Para monitoramento das ações, o ente beneficiário deverá comprovar a aplicação dos recursos financeiros recebidos por meio do Relatório Anual de Gestão (RAG).


Clique aqui e acesse a apresentação da coletiva


Ministério da Saúde
Categoria
Saúde e Vigilância Sanitária




Autor: Ministério da Saúde
Fonte: Ministério da Saúde
Sítio Online da Publicação: Ministério da Saúde
Data: 16/04/2021
Publicação Original: https://www.gov.br/saude/pt-br/assuntos/noticias/ms-destina-r-247-milhoes-em-acoes-estrategicas-de-apoio-a-gestacao-pre-natal-e-puerperio

sábado, 10 de outubro de 2020

Matemática se alia à saúde para traçar cenários de epidemias futuras



Tiago Pereira (esq.) e Claudio Struchiner compõem o grupo que também estuda reinfecção e tempo de imunidade dos infectados (Fotos: ICMC/USP e Flaviano Quaresma)

A Matemática está a serviço da Saúde, buscando definir cenários e prever o comportamento da Covid-19 e das pandemias futuras. Fundador do Laboratório de Dinâmica de Fluidos do Instituto de Matemática Pura e Aplicada (Impa) em 1987, Dan Marchesin, que recebe apoio da FAPERJ para a realização de suas pesquisas por meio do programa Cientista do Nosso Estado, faz parte do grupo de pesquisa que se dedica a projetar o comportamento futuro da epidemia. Dessa forma, os pesquisadores esperam dar o suporte técnico-científico necessário para definir cenários futuros que garantam a melhor tomada de decisão e adoção de melhores estratégias para o enfrentamento da pandemia. Projeções que também servirão para a avaliação do impacto das medidas implementadas e o planejamento da sua suspensão paulatina, sem risco de a epidemia voltar a se agravar.

O grupo, liderado pelo doutor em Dinâmica Populacional de Doenças Infecciosas Claudio Struchiner, considera que o insuficiente conhecimento científico sobre o novo coronavírus, sua alta velocidade de disseminação e capacidade de provocar óbitos, especialmente em populações vulneráveis, geram incertezas quanto à escolha das melhores estratégias a serem utilizadas para o enfrentamento da epidemia em diferentes partes do mundo. Formado em Medicina pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), com mestrado em Matemática pelo Impa e doutorado em Epidemiologia na Universidade de Harvard, nos Estados Unidos, Struchiner e sua equipe vêm somar esforços já realizados por outras ferramentas e plataformas desenvolvidas por instituições como Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), Universidade de São Paulo (USP) e Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio), entre outras, que visam fornecer as melhores informações sobre o impacto atual e futuro da epidemia no País, considerando diferentes cenários de transmissão.

Marchesin conta que após contato com alguns ex-alunos interessados em contribuir de alguma forma durante a pandemia, uma palestra online de Tiago Pereira, professor do Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação (ICMC) da USP em São Carlos, foi decisiva para esclarecer o impacto mundial do novo coronavírus. Pesquisador do Centro de Ciências Matemáticas Aplicadas à Indústria (CeMEAI), em março Pereira já contribuía com estudos sobre como prever doenças a partir da matemática e analisou o protocolo de distanciamento social junto a uma estratégia de isolamento de infectados. Totalmente motivado, o pesquisador do Impa imediatamente se prontificou a compor a equipe de estudos, coordenada por Claudio Struchiner.



Tiago Pereira (esq.) e Claudio Struchiner compõem o grupo que também estuda reinfecção e tempo de imunidade dos infectados (Fotos: ICMC/USP e Flaviano Quaresma)


“Achei perfeito, porque o Claudio é especialista em epidemiologia com mestrado no Impa, e conseguiria unir a linguagem da Matemática aos objetivos da saúde”, diz Marchesin. Entre diversas frentes de trabalho, Struchiner vem conduzindo estudos de testagem em massa para saber o percentual da população já infectada pelo novo coronavírus e acompanhando famílias na comunidade da Maré a fim de verificar a existência de casos de reinfecção e estimar o tempo que infectados permanecem imunes, perguntas fundamentais para lidar com a Covid-19 no futuro. O grupo também está ansioso em relação à vacina. “Temos a expectativa de que os modelos desenvolvidos possam também guiar as estratégias de vacinação esperadas para um futuro próximo e simplificar os desenhos de ensaios vacinais de novos produtos”, esclarece o epidemiologista.

Dan Marchesin vem se dedicando à organização dos dados com vistas aos projetos de pesquisa em 2021, “algo analógico à previsão do tempo, aos aspectos do clima e à matemática da computação” esclarece. Segundo ele, será necessário criar uma rede de coleta de dados como as que já existem para a previsão do tempo. O pesquisador ressalta a importância das mudanças climáticas no aparecimento de epidemias e alerta para as consequências da ocupação de biomas importantes como o amazônico, que vem provocando desequilíbrio e o contato entre vírus e seus hospedeiros, entre eles o homem. “Diria que estou aprendendo como é essa nova área importantíssima, integrada a outra ainda maior, que é a biologia matemática”, diz o matemático.

Bolsista de produtividade nível 1ª do CNPq, sua principal linha de trabalho é em teoria qualitativa para leis de conservação, aplicados à modelagem de escoamentos em meios porosos, com uso em recuperação melhorada de petróleo. Orientou 21 teses de doutorado, é coordenador de eventos internacionais no Brasil e no exterior, revisor de várias revistas, e comendador. Sua preocupação com o meio ambiente o levou, nos últimos anos, a se dedicar à pesquisa e orientar a pós-graduação (ele orientou mais de 20 teses de doutorado) em Dinâmica dos Fluidos para Recuperação de Petróleo e Preservação do Meio Ambiente. Seu objeto de estudo há quatro décadas é solucionar a questão de como aumentar a eficiência da produção de petróleo e reduzir as emissões de CO2. Marchesin chegou a tentar cursar Biofísica, na PUC-Rio, mas problemas de saúde de seu coordenador o fizeram voltar aos estudos sobre o petróleo, um setor estratégico e de enorme potencial para o País e para o Estado do Rio de Janeiro.

Instigado pela forma como as coisas funcionam desde criança, Dan Marchesin acha a exploração de petróleo uma área bastante curiosa. Segundo ele, a maioria das pessoas acredita que o petróleo está numa cavidade, numa caverna ou numa espécie de piscina no subsolo. Mas, na verdade, explica o pesquisador, o petróleo está sempre impregnado numa rocha porosa. “Uma boa analogia é uma pedra-pomes, uma esponja-solo bastante porosa, impregnada de petróleo, invariavelmente de água e comumente de gás”, explica Marchesin. Segundo ele, apesar de toda a tecnologia disponível, a exploração de petróleo só consegue extrair de 20% a 30% do óleo disponível no campo.

Na opinião do pesquisador, a descoberta das reservas do Pré-sal foi uma grande conquista para o País, devido ao tipo de petróleo disponível nas jazidas. Segundo ele, um óleo com características fantásticas, de extrema leveza, que quase não demanda refino, basicamente pronto para ser consumido. Em sua opinião, outra vantagem desses poços é a camada de sal que cobre o reservatório, daí o nome Pré-sal. Ele lembra que o petróleo é fruto da decomposição de matéria orgânica ao longo de milhões de anos e que esse processo produz muito gás carbônico, um problema bastante sério nos dias atuais. “A humanidade vem queimando carbono na forma de carvão e petróleo há mais de 200 anos. Esse aumento crescente de gás carbônico na atmosfera vem provocando o efeito estufa, assunto que até pouco tempo era ignorado, mas que agora é uma emergência que está na pauta mundial”.

Para o matemático não há mais dúvida quanto ao aumento da temperatura média do planeta, tanto que o nível dos mares está subindo e as geleiras degelando. “Hoje, já podemos afirmar com absoluta certeza que o efeito estufa não é consequência, exclusivamente, do ciclo da natureza. O homem está contribuindo para isso. E se fecharmos os olhos para esse fenômeno e mantivermos os mesmos hábitos energéticos, chegaremos a um ponto impossível, colocando em riscos todas as cidades costeiras do mundo”, pondera o pesquisador, acrescentando que as mudanças climáticas vão gerar altos custos sociais.




Dan Marchesin alerta que, mantidos os atuais hábitos energéticos, todas as cidades costeiras do mundo estarão em risco (Foto: Paula Guatimosim)


Voltando à exploração de petróleo e a consequente emissão de dióxido de carbônico, o pesquisador compartilha uma solução ambiciosa: a reinjeção do dióxido de carbono nos próprios campos de exploração. Ele conta que a técnica já foi feita sucesso na Noruega, que desde 1998 captura milhões de toneladas de CO2 e reinjeta em um aquífero de sal no Mar do Norte, a 220 quilômetros da costa. Mas, segundo Dan, isso foi possível porque o governo norueguês, atendendo aos anseios da sociedade, estabeleceu uma taxação tão elevada para as emissões de CO2 que inviabilizaria financeiramente a exploração de petróleo. Para o matemático, numa estimativa barata, o custo da injeção de CO2 deve girar em torno de 30% do valor gerado pelo Pré-sal, mas pesquisas ainda podem reduzir esse custo. O pesquisador ressalta que a reinjeção não é uma tecnologia barata, entretanto, o custo ambiental e social é muito maior. “Em minha opinião, o país que produz petróleo deve pagar o preço, fazer uma compensação ambiental. E há várias formas de se fazer isso”, afirma Dan. Ele pondera que como a sociedade não pode parar de consumir petróleo de forma abrupta, nem deixar de reconhecer os danos dos gases de efeito estufa, uma das alternativas é a reinjeção do CO2 nos campos de petróleo, especialmente no Pré-sal, pois a camada de sal manterá o gás seguro no reservatório.

O pesquisador considera que outra alternativa viável seria aumentar o plantio de árvores, já que a vegetação depende do dióxido de carbono para se desenvolver. Em sua opinião, a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) pode, inclusive, trabalhar para aumentar a eficiência das plantas em absorverem CO2, como a cana de açúcar, por exemplo, que também pode gerar o álcool, um combustível alternativo. “Noto que algumas agências financiadoras, como a FAPERJ, estão à frente e, quando têm recursos, estão atentas ao que será melhor para o estado do Rio de Janeiro e para o Brasil, na forma de projetos temáticos”, avalia o pesquisador. “As mudanças climáticas podem aumentar as chances de novas epidemias e minha intenção, antes de me aposentar, é deixar essa área mais estabelecida no País”, afirma Marchesin.



Autor: Paula Guatimosim
Fonte: Faperj
Sítio Online da Publicação: Faperj
Data: 01/10/2020
Publicação Original: http://www.faperj.br/?id=4075.2.4

sexta-feira, 28 de agosto de 2020

Saúde, ciência e tecnologia como áreas estratégicas do país


Foto: EBC
Saúde, ciência e tecnologia como áreas estratégicas do país

Artigo de Benisio Ferreira da Silva Filho e Alessandro Castanha

A pandemia da Covid-19 evidenciou alguns fatos importantes em nosso país, como o baixo investimento em saúde e ciência. Atualmente, a renda per capita em saúde anual é de apenas R$ 555,00, o que mostra uma queda do montante aplicado em outros anos. Isso tem resultado catastrófico, pois, como apresenta o próprio governo, é um prejuízo de mais de 400 milhões ao longo de 20 anos de congelamento. Tal situação tem se mostrado na quantidade de mortes causada pelo coronavírus, números que passam de 100 mil desde março deste ano.

Não é alarde sensacionalista, mas é certo e a comunidade científica sabe que em breve teremos outra pandemia. Quando? Não sabemos. Sabemos apenas que existem outros patógenos (vírus, bactérias e fungos) que podem começar a infectar humanos. Quando isso ocorrerá? Não sabemos.

Sendo esta uma verdade, nosso país deve enxergar o setor de saúde e ciência como parte estratégica para o desenvolvimento, e a partir de hoje fazer parte dos planos de defesa do país. O Coronavírus SARS-CoV-2, além das mortes que causou, provocou um abalo econômico no mundo. Os países independentes cientificamente são os que menos sofreram com o impacto. Países como o Brasil que dependem de outros para ter equipamentos, reagentes laboratoriais e material para proteção dos profissionais, teve seu problema potencializado pela inexistência de recursos próprios, mesmo possuindo excelentes profissionais em todas as áreas.

Torna-se obvio que os recursos empregados na área são insuficientes perante os processos pandêmicos, que valores como os que são fornecidos por pessoa são irrisórios de acordo com a necessidade. É um grave problema de saúde pública, pois deixa-se de pensar em prevenção e passa-se a pensar em remediação do problema. A medicina preventiva sempre foi e sempre será a medida mais econômica para os sistemas de saúde, pois é fato comprovado pela própria história que temos a capacidade de erradicar doenças do nosso meio, reduzir comorbidades e gerar prognósticos melhores para a saúde da população.

Da mesma forma que temos a saúde desprovida de recursos, não podemos deixar de analisar a ciência, tecnologia e inovação em nosso país. Estas, tanto quanto, a área de saúde vem ano após ano sofrendo com a decadência de investimento. Atualmente no Brasil, a aplicação de recursos gira em torno de 1,8% do PIB segundo o Ipea (Institude de Pesquisa Econômica Aplicada), enquanto países como EUA, Inglaterra e Alemanha investem 4%, 11% e 12%, respectivamente, em ciência e tecnologia.

Temos conhecimento e mão de obra especializada para produzir todos os equipamentos necessários. Temos conhecimento também para produzir reagentes, insumos laboratoriais, vacinas e fármacos. No entanto, sofremos com o não conhecimento dos números reais de pessoas infectadas, só contabilizamos infelizmente os mortos, não fizemos desde o início a testagem da população do jeito que deveria ser porque não tínhamos testes suficientes. Ficamos em pânico com a ideia da superlotação dos hospitais pois não há equipamentos para tantas pessoas, tivemos que comprar de outros países. Máscaras? Importamos milhares.

De fato, a falta de incentivo, fomento e políticas eficientes para áreas de saúde, pesquisa e desenvolvimento, acaba limitando muito o desenvolvimento tecnológico e inovações na linha de frente do combate de pandemias. A capacidade das instituições de pesquisa em superar as dificuldades de investimento ficou evidenciada na atual situação, foram inúmeros esforços na produção de respiradores de baixo custo para suprir a necessidade das UTIs para melhorar a sobrevida de pacientes com a Covid-19.

O fato de empregarmos parcos recursos é preocupante, pois enquanto países como EUA aplicam US$ 6 bilhões de dólares na ampliação do desenvolvimento de pesquisa em saúde e despontando na frente da descoberta de medicamentos e vacinas, nós brasileiros, não participamos diretamente como desenvolvedores ou parceiros em esforço conjunto internacional para tal e assim ficamos cada vez mais para trás, o que nos coloca numa posição final quando estes recursos tornarem-se disponíveis.

Sabendo que iremos enfrentar isso no futuro, acreditamos que a área de saúde, ciência e tecnologia deve a partir deste ano, fazer parte do programa de defesa do país, caso contrário estaremos de joelhos na próxima grande pandemia. Se continuarmos com os pequenos recursos investidos em saúde, ciência, pesquisa e desenvolvimento enfrentaremos os mesmos problemas sempre. Será que 2020 não é suficiente para mostrar que isso deve mudar?

Autores:

Benisio Ferreira da Silva Filho é biomédico, doutor em Biotecnologia e coordenador do curso de Biomedicina do Centro Universitário Internacional Uninter.

Alessandro Castanha é biólogo, especialista em Microbiologia clínica e professor do Centro Universitário Internacional Uninter.

in EcoDebate, ISSN 2446-9394, 28/08/2020




Autor: EcoDebate
Fonte: EcoDebate
Sítio Online da Publicação: EcoDebate
Data: 28/08/2020
Publicação Original: https://www.ecodebate.com.br/2020/08/28/saude-ciencia-e-tecnologia-como-areas-estrategicas-do-pais/

terça-feira, 7 de abril de 2020

Postos de saúde de todo o país terão acesso à internet

Governo Federal vai garantir conectividade em mais de 16 mil unidades de saúde. Ação vai facilitar os registros nos sistemas de informação da Covid-19

O Governo Federal vai ampliar a conectividade em mais de 16 mil postos de saúde de todo o país. Com isso, a expectativa é chegar a 100% dos mais de 42 mil postos de saúde com acesso à internet. A medida é uma parceria do Ministério da Saúde (MS) com o Ministério de Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC) para o enfrentamento da pandemia do coronavírus. A chamada de qualificação para a contratação do serviço teve início nesta segunda-feira (06) e o trabalho deve ser concluído até o fim de abril.O foco da ação é alimentar o Sistema Único de Saúde com informações necessárias para o controle da Covid-19 e ações de enfrentamento da pandemia do coronavírus, como a viabilidade de condições técnicas para a execução das atividades de Telemedicina. Os mais de 42 mil postos de saúde distribuídos pelo país são capazes de atender 80% dos casos relacionados à infecção do coronavírus.

Juntos, Ministério da Saúde e MCTIC irão viabilizar a conectividade de 16.202 unidades de saúde, de várias partes do país, que ainda não têm acesso à internet. A inciativa é parte da Estratégia de Saúde Digital do Ministério da Saúde. Também é parte do Projeto Rede Conectada com a operacionalização da Rede Nacional de Ensino e Pesquisa (RNP), ambos vinculados ao MCTIC. A partir da conexão à internet, essas unidades de saúde poderão integrar o Programa Informatiza APS, estratégia de informatização da Atenção Primária à Saúde que permitirá a integração dos dados clínicos dos postos de saúde ao Conecte SUS.

A RNP opera uma infraestrutura de internet acadêmica em território nacional e viabiliza assim uma rede de internet com pontos de presença (PoPs) em todos os 26 estados brasileiros e, adicionalmente, no Distrito Federal. Essa capilaridade é o ponto forte para alcance e agilidade na execução da conectividade das equipes de saúde da família que trabalham nas unidades de saúde que serão contempladas.
COMO FUNCIONARÁ

Nos primeiros quatro meses da prestação dos serviços, as empresas contratadas farão trabalho voluntário, portanto sem ônus para a gestão pública. Os valores serão pagos somente para os oito meses posteriores para garantir a oferta da conectividade por um período de dozes meses. Serão contratados serviços de telecomunicações, incluindo a instalação, ativação, operação e manutenção de conexões de acesso à internet com operadoras que já prestam serviço no país.

Com isso, as unidades que ainda não estejam conectadas passarão a contar com soluções de banda larga de internet, preferencialmente em fibra óptica com atendimento e monitoração do provedor, 24 horas, 7 dias por semana. Em locais onde não existir disponibilidade em fibra óptica, será considerado alternativa em enlace de rádio de frequência licenciada ou satélite. A velocidade, para quaisquer dos tipos de acesso será disponibilizada em função do número de Equipes de Saúde da Família de cada um dos postos de saúde a serem conectados.
LEGADO

Atualmente, o Brasil possui mais de 42 mil postos de saúde. O acesso à rede mundial de computadores pretendida nessa ação é parte da Estratégia de Saúde Digital, que engloba o programa de informatização do Governo do Brasil para a saúde prevendo a utilização do prontuário eletrônico do cidadão de forma integrada em uma grande rede de informações (RNDS).

Assim a implementação da conectividade para o enfrentamento da Covid-19, ação paralela ao Conecte SUS, se firma como legado para o programa que permitirá aos profissionais de saúde e gestores mais eficiência no atendimento e continuidade ao cuidado do paciente em qualquer tempo e lugar. Neste momento, Alagoas é o estado piloto da implementação do Conecte SUS.

Por Cristiane Ventura, da Agência Saúde, com informações da RNP e MCTIC
Atendimento à imprensa
(61) 3315-3580 / 2351 / 2745




Autor: Ministerio da Saúde
Fonte: Ministerio da Saúde
Sítio Online da Publicação: Ministerio da Saúde
Data: 07/04/2020
Publicação Original: https://www.saude.gov.br/noticias/agencia-saude/46671-postos-de-saude-de-todo-o-pais-terao-acesso-a-internet

sexta-feira, 3 de abril de 2020

Brasil e EUA estreitam parcerias na área da saúde

Ministério da Saúde e embaixada americana debateram ações para o enfrentamento da Covid-19, como produção de insumos e equipamentos, além de esforços no desenvolvimento da vacina

O ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, se reuniu nesta quinta-feira (2/04), com o embaixador dos Estados Unidos da América (EUA) no Brasil, Todd C. Chapman, para tratar de parcerias na área da saúde entre os países no enfrentamento da pandemia da Covid-19. O objetivo é unir esforços na área de produção de insumos e equipamentos.



Participaram do encontro o embaixador e ministro de Estado das Relações Exteriores, Ernesto Araújo; o embaixador e secretário Geral do Ministério das Relações Exteriores, Otávio Brandelli; representante do Departamento de Saúde e Serviços Humanos da Embaixada dos EUA no Brasil, Amy Dubois; e o conselheiro de Meio Ambiente, Ciências, Tecnologia e Saúde da Embaixada dos EUA no Brasil, Pablo Valdez.

Durante a reunião, o ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta disse que o Brasil está aberto para conversar sobre novas parcerias em saúde na área de tecnologia, assistência, produção de insumos e materiais, como fabricação nacional de equipamentos de proteção.

Todd lembrou que os dois países já possuem parcerias em saúde para o combate de outras epidemias, como a do vírus zika. “Empresas americanas estão interessadas em investir na produção de uma vacina para o coronavírus”, comentou o embaixador Chapman. O ministro da Saúde se mostrou aberto à parceria.

Outro ponto foi a questão da produção de máscaras N95, específicas para uso de profissionais da saúde. O ministro da Saúde ressaltou a capacidade brasileira na produção desses insumos, dependendo da matéria prima de outros países para produção. O embaixador americano vai analisar a viabilidade de intermediar o acesso do material para um eventual abastecimento dos países das Américas do Norte, Central e do Sul.

“Temos aqui no Brasil uma indústria que conseguiria fazer 1,5 milhão de máscaras N95 por mês, mas precisamos da matéria prima. Além disso, fábricas que podem produzir 8 mil respiradores por mês, que antes produziam de 300 a 400 equipamentos”, pontou o ministro da Saúde durante o encontro. O embaixador completou que “alianças são usadas para combater ameaças de fora, como o vírus”, em referência à pandemia que está atingindo o Brasil e o mundo.
Por Bruno Cassiano, da Agência Saúde
Atendimento à imprensa
(61) 3315-3580 / 2745 / 2351

Autor: Bruno Cassiano
Fonte: Agência Saúde
Sítio Online da Publicação: Ministerio da Saúde
Data: 02/04/2020
Publicação Original: https://www.saude.gov.br/noticias/agencia-saude/46649-brasil-e-eua-estreitam-parcerias-na-area-da-saude

sexta-feira, 3 de janeiro de 2020

Como os amigos podem fazer bem ou mal para sua saúde



Abra-se para novas amizades — Foto: Pexels


No começo de um novo ano, várias pessoas adotam resoluções para ter um estilo de vida mais saudável. Muitas acham que fazer dieta ou se inscrever numa academia é mais fácil quando amigos e familiares adotam a mesma resolução.


Mas nem todas as decisões que afetam a nossa saúde são conscientes e intencionais, já que tendemos a copiar o comportamento de amigos, colegas e parentes que admiramos. Infelizmente, também imitamos os hábitos ruins para a nossa saúde, como fumar ou comer demais.


Esse fenômeno ajuda a explicar por que condições não contagiosas, como doenças do coração, derrames e câncer, parecem se espalhar de uma pessoa a outra como uma infecção.



Seus amigos podem te engordar?



Pessoas que valorizamos e com quem estamos em constante contato formam nossa rede social.


O Estudo Cardíaco de Framingham (Farmingham Heart Research), liderado por pesquisadores de universidades como Harvard e Cambridge, analisa o poder desses contatos sociais desde os anos 40, ao acompanhar três gerações de moradores de Framingham, em Massachusetts, nos Estados Unidos.


A pesquisa indica que temos mais chance de nos tornarmos obesos se alguém de nosso círculo íntimo for obeso. Conforme o estudo, uma pessoa é 57% mais propensa a se tornar obesa se tiver como amigo ou amiga uma pessoa muito acima do peso.


No caso de ter uma irmã ou irmão obeso, o percentual é de 40%. E uma pessoa que tem parceiro obeso tem chance 37% maior de ficar acima do peso.



Segundo estudo, há 57% mais propensão de se obeso aquele que tiver como amigo ou amiga uma pessoa muito acima do peso — Foto: PA Media


O impacto é maior se as duas pessoas forem do mesmo gênero e se a ligação emocional entre elas for grande.


O estudo de Framingham indica, por exemplo, que ter um vizinho obeso não afeta o seu peso, se vocês não tiverem um relacionamento próximo, mesmo que você o veja diariamente entrando e saindo de casa.


Em relacionamentos "desiguais", a pessoa que enxerga a amizade da outra como muito importante é mais propensa a engordar se o amigo ou a amiga ficar acima do peso.


O nível de divórcios e vício em cigarro e álcool também parece se espalhar entre amigos e parentes.


Embora nossa saúde seja afetada pelo envelhecimento e predisposições genéticas a certas condições, nosso risco de desenvolver doenças não infecciosas aumenta a depender de certos comportamentos: se você fuma, se adota uma dieta equilibrada, a quantidade de atividade física que faz semanalmente e o volume de álcool que ingere.


Doenças não infecciosas como de coração, pulmão, derrame, câncer e diabetes, causam sete a cada 10 mortes no mundo todo. No Reino Unido, são a causa de 90% das mortes.



Sentimentos contagiam



As conexões sociais também podem afetar nosso humor e comportamento. Não surpreende, portanto, que o fumo entre adolescentes seja influenciado pelo desejo de popularidade. Quando adolescentes considerados "populares" fumam, os níveis de dependência em cigarro aumentam e o número de jovens que desejam e conseguem parar de fumar cai.


Ao mesmo tempo, jovens cujos amigos são mais desanimados tendem a desenvolver esse tipo de humor também. No caso de depressão clínica, estudos não encontraram evidências de que ela possa se espalhar pelo convívio.


Mas desânimo e mau humor já são suficientes para afetar a qualidade de vida dos adolescentes e, em alguns casos, podem aumentar o risco de desenvolverem depressão clínica no futuro.


Desânimo e mau humor são suficientes para afetar a qualidade de vida — Foto: BBC


A ideia de que sentimentos contagiam é respaldada por um controverso experimento secreto conduzido em quase 700 mil usuários do Facebook. A pesquisa filtrou de maneira seletiva o que podia ser visto nos feeds de notícia, que usam algoritmos para mostrar postagens relevantes para o usuário da rede social.


Dois experimentos paralelos foram conduzidos. Um deles reduziu a exposição dos usuários a postagens associadas a emoções positivas, enquanto o outro reduziu a exposição a postagens que mostravam emoções negativas.


Os usuários alimentados com mais mensagens positivas se mostraram mais propensos a postarem eles próprios fotos e legendas positivas, enquanto os que passaram a ver mais postagens negativas aumentaram as suas publicações associadas a emoções ruins.


Isso sugere que os sentimentos podem se espalhar por nossas redes sociais, apesar da falta de interação face a face. Uma crítica comum a estudos sobre redes sociais é o fato de nos conectarmos na internet com pessoas que já demonstram adotar estilo de vida parecidos com os nossos ou ter gostos semelhantes.


Mas vários estudos reconhecem e adaptam seus achados a esse fenômeno, conhecido como contágio social.



Como tirar proveito do 'contágio social'



Se copiamos o comportamento de amigos e familiares, como aproveitar isso da melhor maneira possível?


Iniciativas como "janeiro sem álcool" (Dry January) ou "janeiro vegano" (Veganuary), que surgiram recentemente no Reino Unido, são exemplos de tentativas coletivas de implementar opções saudáveis de vida.


Também na Inglaterra houve a campanha "stopoctober" ou "pare em outubro", que encorajou pessoas a pararem de fumar naquele mês. Essa iniciativa, baseada em estudos que mostram o "contágio" de comportamentos por meio de conexões sociais, tem sido bem-sucedida desde que foi lançada em 2012.


Acredita-se que ela estimulou mais de um milhão de tentativas de parar de parar de fumar, o que sugere que um único empurrão coletivo pode ter mais eficácia do que campanhas constantes feitas ao longo do ano.


Campanhas coletivas que envolvem uma meta clara, para ser cumprida num mês específico, costumam ter mais efeito que mensagens contínuas em defesa de um estilo de vida mais saudável divulgadas ao longo do ano — Foto: Reprodução / EPTV


Um problema observado é que mensagens e campanhas tradicionais que visam incentivar comportamentos mais saudáveis tendem a aumentar a desigualdade, porque não conseguem alcançar todas as camadas sociais da população.


Essas mensagens costumam ter efeito maior entre os mais ricos— pessoas que costumam priorizar a saúde e que possuem situação educacional, econômica e social que lhes permite mudar de comportamento.


No entanto, até mesmo aqueles que não são "conscientes sobre a saúde" são influenciados pelo comportamento das pessoas com quem convivem, interagem e com quem se importam.


Se queremos melhorar a saúde de uma população inteira, talvez seja útil explorar o "contágio" social, principalmente por meio de pessoas capazes de influenciar muitos. Esses indivíduos influentes, que são peças centrais de suas redes sociais, costumam ser admirados por outros, mais propensos a compartilhar experiências e interagir com várias pessoas ao mesmo tempo.


Mais pesquisas precisam ser feitas sobre como o contágio de comportamento pode ser usado para dar eficácia a políticas públicas, sistemas públicos de saúde e para encorajar escolhas saudáveis que garantam uma redução de doenças não infecciosas.


Esse artigo foi escrito por uma especialista que não é funcionária da BBC. Dr. Oyinlola Oyebode é professora da Escola de Medicina da Universidade de Warwick, no Reino Unido.



VÍDEO SOBRE 'CONTÁGIO SOCIAL'


Na saúde, e também no trabalho, veja as manifestações do contágio social neste vídeo.





Veja como empresas devem lidar com contágio social de informações que circulam nas redes



Autor: G1 Globo Saúde
Fonte: G1 Globo Saúde
Sítio Online da Publicação: G1 Globo Saúde
Data: 02/03/2020
Publicação Original: https://g1.globo.com/ciencia-e-saude/viva-voce/noticia/2020/01/02/como-os-amigos-podem-fazer-bem-ou-mal-para-sua-saude.ghtml

terça-feira, 12 de novembro de 2019

Seminário Economia da Saúde

29/11/2019 - 09:00 - 13:00
FGV - Fundação Getulio Vargas - Rio de Janeiro - Brasil


Sobre o evento


O evento pretende reunir os principais atores na área de Gestão em Saúde para exporem suas visões sobre os desafios e novos cenários para o setor.

Seminário Economia da Saúde


Data: 29/11/2019

Horário: 09h às 13h

Local: Sede FGV

Endereço: Praia de Botafogo, 190, 12º andar, Auditório Engenheiro M. F. Thompson Motta

Botafogo – Rio de Janeiro/RJ



Autor: Fundação Getulio Vargas
Fonte: Fundação Getulio Vargas
Sítio Online da Publicação: Fundação Getulio Vargas
Data: 29/11/2019
Publicação Original: https://evento.fgv.br/economiadasaude/

segunda-feira, 30 de setembro de 2019

Diálogos da Inovação discute rumos da saúde diante das novas tecnologias

A Casa Firjan promoveu, em parceria com a FAPERJ, nesta quarta-feira, dia 25 de setembro, o Diálogos da Inovação na Saúde, com objetivo de identificar quais as oportunidades e os gargalos a serem superados para garantir o desenvolvimento do estado do Rio de Janeiro nesse setor. Em pauta, as tendências de inovação na área da saúde e as iniciativas de vanguarda que podem ser adotadas. A jornalista e especialista de Projetos Especiais da Firjan, Julia Zardo, apresentou o evento, que foi transmitido em tempo real pela Internet. Ela explicou aos novatos na plateia (cerca de 40% dos inscritos) que a Casa Firjan tem o compromisso de pensar o futuro a partir das mudanças trazidas por novas tecnologias e hábitos de consumo, que devem ser acompanhadas pelas empresas e toda a sociedade. E reforçou que a série Diálogos da Inovação pretende ser uma ponte entre diversos setores para o enfrentamento dos desafios de uma nova economia e uma sociedade em transformação.

O diretor de Tecnologia da FAPERJ, Mauricio Guedes, abriu o debate destacando o perfil dos três palestrantes, diferentes e complementares, e convidou os presentes para o próximo encontro, em 30 de outubro, que discutirá “Dados e Negócios”. Em seguida, anunciou a presença do presidente da FAPERJ, Jerson Lima, a quem passou a palavra. Lima parabenizou a Firjan pela parceria e garantiu que ele e toda a diretoria têm trabalhado incansavelmente para apoiar alunos desde a pré-iniciação científica até o pós-doutorado. Lembrou que a FAPERJ passará a apoiar, por decisão do governador Wilson Witzel, os participantes das Olimpíadas da Matemática. Ele destacou que sendo da área da saúde, setor que no Estado do Rio têm um histórico de excelência, está otimista quanto a possibilidade de o setor fazer a transição, acompanhando e agregando inovações.

“Sabemos que nos Estados Unidos e na Europa existem startups na área da saúde que valem de US$ 100 a 200 milhões, e que, eventualmente, são adquiridas por grandes empresas do setor. Espero que isso também possa acontecer aqui no Rio”, disse. O titular da FAPERJ informou que até o momento a Fundação já empenhou recursos que superam o montante liberado em 2018 e que a agência continua defendendo arduamente que a Constituição seja cumprida no que se refere ao percentual de repasses obrigatórios, além de estar se empenhando para pagar todos os atrasados. Por fim, o presidente da FAPERJ convidou o público presente para a cerimônia de entrega dos termos de outorga aos comtemplados nos editais Cientista do Nosso Estado, Jovem Cientista do Nosso Estado e Rede de Nanotecnologia, a ser realizado nesta sexta (27/09), no Museu do Amanhã, e informou que em breve novo edital será lançado para apoiar micro, pequenas e médias empresas.

O primeiro palestrante foi Ariel Dascal, diretor de Transformação Digital da rede D’Or São Luiz, com passagem pela Oi e Telefônica. Formado em Ciências Sociais na Universidade de São Paulo (USP), Dascal afirmou que a busca pela inovação é uma necessidade impulsionada pelas pressões por mudanças que agreguem valor aos processos. Para ele, as principais pressões por mudanças sofridas pelo sistema de saúde em todo o mundo é o aumento do envelhecimento da população mundial e a experiência digital da sociedade. Segundo ele, o Brasil já soma 29 milhões de pessoas com mais de 60 anos e a projeção para 2030 é que chegue a 42 milhões. Diante deste cenário, Dascal acredita que a principal mudança na pirâmide da saúde será a predominância das doenças crônicas, o que deverá aumentar a atenção com a prevenção e a gestão da saúde, gerando um aumento no custo da saúde em todo o mundo. Estimativas do Instituto Coalização Saúde mostram que idosos com mais de 60 anos gastam 1,8 vezes mais com consultas, exames e internações do que a faixa etária de 15 a 39 anos. Mantendo a tendência, atual, explica Dascal, o custo com saúde no Brasil passaria de 9,5% do Produto Interno Bruto (PIB) hoje, segundo dados do IBGE, para 25% do PIB em 2030.

Em sua opinião, as inovações a serem adotadas pelo setor devem considerar as mudanças nos hábitos do consumidor brasileiro, que se tornou digital e em 73% do tempo em que está ativo está também conectado via celular, computador etc. Dados indicam que 31 milhões de brasileiros utilizam múltiplas plataformas digitais e possuem três ou mais telas. São Paulo é o líder mundial de utilização do aplicativo Waze, de navegação no trânsito. Segundo Dascal, todas essas transformações vêm impactando muitas empresas e negócios, que já incorporaram várias mudanças. “Muitas atividades que anteriormente dependiam de tempo e deslocamento, hoje podem ser resolvidas pelo celular, como operações bancárias, transporte, alimentação etc. Na saúde, é importante considerar que o paciente passou a ser agente da sua própria saúde”, afirma.

Segundo levantamento de 2018, 47,4 milhões de brasileiros possuem plano de saúde, número que vem caindo devido à crise econômica e ao desemprego. Para que o percentual de segurados particulares não caia ainda mais, o que pressionaria o já precário sistema público, Dascal acredita em novas formas de pagamento, focada em resultados, coparticipação, clínicas populares e verticalização das operadoras. Grandes empresas em todo o mundo buscam formas de se valer da tecnologia para promover a longevidade e a redução de custos com o tratamento e a gestão da saúde de seus colaboradores. Para ele, a proliferação de startups health techs pode auxiliar este processo.

“É preciso discutir um modelo de transformação digital do setor”, disse o executivo da Rede D’Or. Segundo ele, o Brasil possui mais de 500 startups health techs, que desenvolveram produtos voltados para o setor da saúde e há muitos investidores interessados nesse nicho. Deu o exemplo da China, onde a telemedicina já realiza 300 mil consultas por dia, e citou casos de como a Inteligência Artificial já está presente em toda a cadeia da saúde. “No mundo das transformações exponenciais, tanto as novas tecnologias quanto os novos players estão fazendo pressão por mudanças”, disse o executivo. Para ele, do ponto de vista de um hospital, o foco da transformação digital deve estar baseado em quatro pilares: no empoderamento e experiência do paciente, no suporte e personalização do médico, na digitalização e disponibilização de informações em tempo real para hospitais e clínicas, e, do ponto de vista do setor, a prevenção e a promoção da saúde. No caso da Rede D’Or, que agrega seis milhões de pacientes e possui mais de 45 hospitais, a transformação digital é um grande desafio. Segundo Dascal, o grupo está procurando se integrar, em rede, ao cenário da inovação, incluindo contratos com quatro startups, para evitar surpresas no futuro. Os próximos passos serão voltados para a área do paciente e do médico.

Doutor em Economia pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), o coordenador de Ações de Prospecção da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), Carlos A. Grabois Gadelha, segundo palestrante da tarde, acumula uma experiência de atuação em diversas áreas, tendo ocupado as Secretarias de Programas de Desenvolvimento Regional do Ministério de Integração Nacional; de Ciência e Tecnologia e Insumos Estratégicos do Ministério da Saúde; e Desenvolvimento e Competitividade Industrial no Ministério do Desenvolvimento Indústria e Comercio Exterior. Como coordenador do Grupo de Pesquisa sobre Desenvolvimento, Complexo Econômico Industrial e Inovação em Saúde da Fiocruz, vê o setor como uma grande oportunidade, de negócios, empregos e desenvolvimento social.

Sua palestra, intitulada Desenvolvimento, Inovação e Saúde: o Complexo Econômico-Industrial da Saúde (Ceis), Desafios para o Rio de Janeiro discutiu a saúde com uma visão de oportunidade, considerando que o desenvolvimento pode ser ao mesmo tempo social, econômico, territorial e com base na ciência, tecnologia e inovação, sem necessidade de se fazer escolhas entre essas áreas. Gadelha deu o exemplo do pós-guerra para validar a existência de uma “evidência empírica” de que essas dimensões podem ser articuladas. O economista parte da ideia de que temos, na saúde, um sistema produtivo potente e que só tende a crescer, assim como os gastos com saúde, em função do aumento da longevidade e da redução da mortalidade infantil. “Promoção da saúde é bom, mas também aumenta os gastos”, brincou.

Gadelha considera a saúde a área mais dinâmica do Século XXI, que crescerá no PIB de modo acelerado, que gera intensivo conhecimento em ciência, tecnologia e inovação, e que necessariamente tem uma dimensão local. Ele enfatizou que não há como dissociar as transformações sociais e institucionais das econômicas, nos sistemas produtivos e na C,T&I. O economista mostrou o mapa mundial das assimetrias internacionais a partir da complexidade econômica dos países, e um gráfico que mostra o Brasil perdendo complexidade econômica e voltando a se basear num modelo de exportação de produtos extrativos, em vez de ciência e tecnologia.

Para Gadelha, apesar das desigualdades sociais ainda persistentes no País, saúde é um fator estruturante de bem estar posto que a qualidade de vida é um direito, um forte indutor de desenvolvimento econômico, fator de equidade social e regional, sendo base do desenvolvimento sustentável e tendo ainda papel importante na geopolítica global. Ele defende que a competição faz bem à saúde, não os monopólios. “É um problema sistêmico. O que é setorial é a nossa cabeça. Nesse sentido, sou um liberal”, afirmou, defendendo o papel das startups para reduzir a concentração de conhecimento e poder do setor. Em sua opinião, o complexo da saúde é ultra potente e interdependente, tendo o Estado como promotor e regulador do sistema e as indústrias e os serviços em interação. Segundo ele, o setor de saúde no Brasil emprega 20 milhões de trabalhadores (diretos e indiretos), agrega 10% dos trabalhadores melhor qualificados, concentra 35% do esforço nacional em pesquisa e desenvolvimento e detém plataformas das tecnologias críticas para o futuro como biotecnologia, nanotecnologia, inteligência artificial, big data, internet das coisas, entre outras.


FAPERJ marcou presença no debate sobre inovação: o presidente Jerson Lima (à dir.) e o diretor de Tecnologia, Mauricio Guedes, prestigiaram o evento, que discutiu os rumos da Saúde no País


Em sua opinião, o complexo econômico-industrial da saúde está sendo revolucionado pela 4ª Revolução Tecnológica. “Hoje, com a hiperdigitalização, não sabemos o que é serviço e o que é produto. Eles se misturam, se complementam. “É o diagnóstico ligado ao tratamento e ao cuidado”, explica Gadelha. Entretanto, ele faz um alerta aos empresários que pretendem ingressar no setor. “Se não gosta do Estado, não trabalhe na saúde, pois é um setor regulado, no qual há ética na pesquisa”, acrescentando que o público e o privado são complementares e passíveis de vários arranjos positivos.

Apesar da evolução na produção científica no País, que hoje ocupa a 14ª posição no ranking mundial, Carlos Gadelha chamou atenção para a falta de crescimento na produção do setor de saúde, que amarga resultado negativo na balança comercial, o que para ele significa que o conhecimento não está sendo transformado em riqueza. Ele ressalta que o investimento em um único equipamento para a área da saúde pode gerar/agregar uma dezena de outras áreas e conhecimentos. Suas estimativas são de que as importações para a saúde representem hoje R$ 80 bilhões, diante do orçamento do Ministério da Saúde de R$ 110 bilhões. Como agravante, a presença da indústria farmacêutica no Rio de Janeiro caiu pela metade. Como provocação final, Gadelha lançou a pergunta: “O Brasil será apenas consumidor e reprodutor de inovação ou vamos entrar no jogo?” E desafiou a todos a romper barreiras cognitivas e políticas “pensando fora da caixa e para dentro da sociedade brasileira”.

A médica ginecologista Renata Aranha, cofundadora da venture builder Atol, que busca identificar, estruturar e potencializar negócios com potencial de impacto econômico, e da Entropia, uma rede de inovação e empreendedorismo, finalizou os debates com uma provocação como título de sua palestra: “Onde estão seus dados de saúde?” Para ela, as farmácias que frequentamos regularmente e os laboratórios onde realizamos exames sabem muito mais do nosso histórico de saúde do que nós mesmos. “Quem não está se apropriando desses dados somos nós”, afirma.

Doutora e mestre em Epidemiologia pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), Renata lembrou que nosso modelo de negócio da saúde é baseado na doença, no qual cada setor (operadora de planos, hospitais, clínicas de exames e indústria farmacêutica) tem seus interesses específicos e muitas vezes conflitantes. “O que incentiva, o que remunera, o que faz essas pessoas investirem em seus modelos de negócios é a doença, e não a saúde”, afirmou. Renata falou da ineficiência dos investimentos em saúde, dos quais 30% são desperdiçados por conta de abusos e fraudes no País. Por isso, ela defende a mudança do foco de intenção, propõe o alinhamento de todos os atores envolvidos na busca da saúde e do bem estar por meio da prevenção e do pagamento por hábitos saudáveis.

Médica com trajetória acadêmica, Renata fez pós-doutorado em Educação porque acredita ser um caminho para se aproximar mais das pessoas. Seu foco mudou radicalmente quando de médica passou a ser paciente. Foi no oitavo mês de gestação, quando enfrentou uma pré-eclâmpsia grave (Síndrome Hellp), que a levou para um CTI. Como acreditar que estava enfrentando um problema totalmente conhecido por ela, dentro da sua própria especialidade, só porque não identificou o momento crítico em que sua pressão subiu demais? A partir desse episódio, passou a querer sensibilizar as pessoas para elas mesmas monitorarem suas doenças, cuidarem da saúde, prestarem mais atenção em si. Sua opção foi, então, trabalhar com tecnologia que chega até as pessoas, como, por exemplo, um software que monitora a pressão sanguínea a custo acessível, e que até poderá ser compartilhado por várias grávidas de um grupo de amigas.

Foi para levar o conhecimento da pesquisa científica acadêmica ao máximo de pessoas que Renata mudou radicalmente sua vida e passou a empreender. “A minha casa virou uma empresa, um movimento para desenvolver soluções tecnológicas para prevenção de doença”, disse. Ela defende o auto monitoramento de cada pessoa em sua própria casa, se apropriando do histórico de dados “espalhados por aí”. Ela defende, inclusive, que o compartilhamento de dados pessoais seja uma opção do indivíduo para colaborar com atores da saúde, como a indústria farmacêutica, por exemplo, que poderá aplicar os resultados em suas pesquisas.

Renata propõe um modelo de carteira digital, que reúna todas as informações e histórico de saúde do paciente, podendo ser fornecido de forma anônima a vários atores do setor em troca de alguma recompensa, não necessariamente monetária. Em sua opinião, a competição não deve ser pelos dados dos pacientes, mas pela melhor gestão, ferramenta e eficiência. Diante da concentração de dados pessoais em empresas como Google, Facebook etc. Renata defende o blockchain, ou seja, as redes sem intermediários, dando o direito às pessoas de realizarem sua própria governança a partir de pactos pré-estabelecidos, em negócios auto implementados.




Autor: Paula Guatimosim
Fonte: FAPERJ
Sítio Online da Publicação: FAPERJ
Data: 26/09/2019
Publicação Original: http://www.faperj.br/?id=3847.2.6

quarta-feira, 28 de agosto de 2019

Instituto Nacional de Controle de Qualidade em Saúde completa 38 anos



Por: Penélope Toledo (INCQS/Fiocruz)


Literatura e leveza, esta foi a forma que o Instituto Nacional de Controle de Qualidade em Saúde (INCQS/Fiocruz) escolheu para celebrar seu 38º aniversario. A farmacêutica e sanitarista Daniella Guimarães de Araújo, que também é escritora, ministrará a palestra Guimarães Rosa - saúde, território e arte: confluências em 6 de setembro, a partir das 9h, no auditório Sérgio Arouca (Av. Brasil, 4365, em frente à creche). O evento é aberto ao público geral, gratuito e não requer inscrição prévia.

A palestrante fará a exposição Diálogos sobre as experiências do projeto Saúde e Literatura, com foco em Guimarães Rosa, homenageado no 8º Simbravisa (Simpósio Brasileiro de Vigilância Sanitária), exibirá o trecho de um curta-metragem, promoverá uma atividade em que os participantes escreverão cartas para Guimarães Rosa e discutirá com os participantes as confluências entre saúde, território e arte.

A discussão partirá dos encontros realizados nas três cidades relacionadas à literatura rosiana: Cordisburgo, Morro da Garça e Andrequicé-Três Marias, cidades situadas na região onde Daniella reside. “É simbólico. Faz uma pausa, abre um parêntesis, desloca do lugar do desalento para um lugar ao abrigo da utopia”, explica.

Sobre o escritor

Nascido em Cordisburgo, Minas Gerais, em 1908, Guimarães Rosa é considerado por muitos especialistas como o maior escritor brasileiro do século XX e um dos maiores de todos os tempos. Além de sua habilidade impecável com as palavras, foi médico e diplomata.

Temas como saúde e adoecimento, sonhos, memórias, ambiente e relação do povo sertanejo com o seu território são muito marcantes em sua literatura.

Sua obra é marcada pela simplicidade, linguagem poética, grande sensibilidade, angústias e indagações perante os paradoxos da vida. O escritor mineiro foi, ainda, membro Academia Brasileira de Letras eleito por unanimidade e indicado ao prêmio Nobel de Literatura, pouco antes de falecer de ataque cardíaco, em 1967.


Além de escritor renomado, Guimarães Rosa também foi médico e diplomata (Imagem: divulgação)

Sobre a palestrante

Daniella Guimarães de Araújo é funcionária da Secretaria de Estado da Saúde de Minas Gerais/Regional de Sete Lagoas e coordenadora da Comissão Cultural do 8º Simbravisa, que acontecerá em novembro na cidade de Belo Horizonte e homenageará o escritor mineiro. O INCQS compõe a comissão científica do evento.

A palestrante coordena, ainda, o Projeto Saúde e Literatura, que tem uma parceria com o Instituto René Rachou (Fiocruz Minas) de cooperação técnica, estabelecida em abril deste ano.

Aniversário de 38 anos do INCQS - Guimarães Rosa - Saúde, Território e Arte: Confluências
Data: 06/09
Palestrante: Daniella Guimarães de Araújo, sanitarista e farmacêutica, trabalha na Secretaria de Estado da Saúde de MG e é escritora
9h às 10h15 - Exposição Diálogo sobre as experiências do trabalho Saúde e Literatura, com foco em Guimarães Rosa, homenageado no 8º Simbravisa
10h30 - exibição de trecho do curta-metragem Riobaldo e Diadorim (Anita Leandro) e considerações do público

O evento é aberto ao público geral, gratuito e não requer inscrição prévia.



Autor: Penélope Toledo (INCQS/Fiocruz)
Fonte: Fiocruz
Sítio Online da Publicação: Fiocruz
Data: 28/08/2019
Publicação Original: https://portal.fiocruz.br/noticia/instituto-nacional-de-controle-de-qualidade-em-saude-completa-38-anos

terça-feira, 11 de junho de 2019

Academia Nacional de Medicina debate Ensino Médico e o futuro da Saúde

A Academia Nacional de Medicina (ANM) realizou na última quinta-feira (23/05) o “Simpósio Universidades Públicas e o Futuro da Saúde”, coordenado pelo vice-presidente da ANM, Antonio Egídio Nardi, professor do Instituto de Psiquiatria (Ipub) da Faculdade de Medicina da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). O consenso entre os acadêmicos foi de que a iniciativa da ANM em realizar um novo formato de evento, ampliando as discussões, é um importante passo para a retomada da representatividade da entidade no cenário nacional, sua participação na elaboração de políticas públicas, inclusive nas áreas social e econômica.

Presidente da FAPERJ e acadêmico da ANM, Jerson Lima Silva iniciou o debate traçando um panorama do financiamento da Ciência, Tecnologia e Inovação (C,T&I) no estado do Rio de Janeiro, afetado pelo passivo da FAPERJ, superior a R$ 300 milhões, cujo pagamento vem sendo negociado com o governo estadual. “Muitas vezes, quando falamos em salvar o Rio de Janeiro, estamos falando, igualmente, em salvar o Brasil, seu patrimônio científico, cultural”, disse, destacando que o Rio de Janeiro é o segundo maior produtor de conhecimento do País. Quanto ao cenário nacional, lembrou que nos últimos 15 anos o País vem ocupando entre a 12ª e a 14ª posição no ranking mundial de produção de conhecimento, classificação estabelecida a partir do número de artigos publicados em periódicos indexados, um dos melhores resultados já obtidos, tendo formado 22 mil doutores em 2018. O presidente da FAPERJ ressaltou que a Fundação continuará zelando pelos avanços e conquistas da C,T&I no Rio de Janeiro e avaliando sua contribuição para a sociedade. A diretora Científica da FAPERJ, Eliete Bouskela, elogiou a iniciativa da ANM, da qual também é acadêmica: “Este debate é extremante rico e importante para toda a academia ao deixar de discutir apenas temas específicos e passar a produzir protagonismo e planejamento junto ao governo”, afirmou.

Ex-ministro da Saúde, o médico sanitarista José Gomes Temporão alegou que sua motivação para participar do simpósio foi a possibilidade da discussão do momento por que passa o Brasil, dentro de um contexto geral. “Em um país com as dimensões e características do Brasil é imperativo abordar a questão do desenvolvimento em uma visão que integre a educação, a saúde, a ciência”, disse. Para ele, as políticas públicas devem integrar essas três dimensões, tendo a educação como a base do desenvolvimento, a saúde como política de melhoria de condições de vida e de bem estar da população, mas também envolvendo a dimensão econômica, de geração de riqueza e inovação; e a ciência, sem a qual, em sua opinião, o Brasil continuará sendo visto como exportador de commodities. Temporão convocou a ANM a voltar a ocupar seu papel de vanguarda na defesa dos interesses da educação, saúde e ciência no País.

O acadêmico José Osmar Medina, professor de Nefrologia da antiga Escola Paulista de Medicina, atual Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), considera que a organização da sociedade civil tem um papel importante diante do atual quadro de incertezas política e econômica. Destacou os relevantes trabalhos desenvolvidos pelo Centro Brasileiro de Análise e Planejamento (Cebrap) e pelo Instituto Fernando Henrique Cardoso, que, no início de junho, colocará em debate o papel das Forças Armadas no atual governo. Ele classificou a ANM como um “núcleo de racionalidade não corporativa”, e relacionou os principais problemas a serem enfrentados na área da saúde, como a obesidade infantil, a crescente resistência da população em se vacinar, o controle da dependência das drogas, a liberação das armas de fogo, a saturação do mercado médico e as dificuldades de financiamento ao setor. Entre as ameaças à estabilidade, Medina citou a imigração, os conflitos comerciais, a preservação do meio ambiente, a guinada da política mundial à extrema direita, a ameaça de um conflito nuclear e a readaptação da democracia frente ao cenário atual.


Paulo Buss: ex-presidente da Fiocruz destacou o papel das políticas sociais na redução das desigualdades

Paulo Buss, ex-presidente da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e atual diretor do Centro de Relações Internacionais em Saúde da Fiocruz, escolheu o tema “Pobreza, desigualdade e saúde: desafios para governo e sociedade em tempos de Agenda 2030 e Objetivos do Desenvolvimento Sustentável”. Iniciou sua apresentação com dados referentes ao aumento da desigualdade social no Brasil. Segundo ele, relatório do Banco Mundial aponta que a pobreza no Brasil aumentou 7,3 milhões desde 2014, atingindo 21% da população (43,5 milhões de pessoas) em 2017. Como agravante, revelou o acadêmico, houve crescimento da taxa de desocupação, da mortalidade materna e, nos últimos dois anos, da mortalidade infantil, que, em sua opinião, é o principal indicador de saúde pública. “É preciso destacar o papel das políticas sociais implementadas entre 2002 e 2015, como o Bolsa Família e demais benefícios de prestação continuada, que retiraram da pobreza cerca de 50 milhões de brasileiros, garantiram o aumento real do salário mínimo e a redução da mortalidade infantil”, disse. Sobre o atual projeto de cortes no orçamento destinado à Educação, ele considera “a crise mais grave da universidade brasileira em seus 100 anos de história”.

Professor da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP) e médico do Hospital Sírio Libanês, o cirurgião Raul Cutait elegeu o tema das “Instituições Privadas como Centros de Ensino” para sua exposição. Segundo ele, apesar de demandarem altos investimentos, necessidade constante de modernização de equipamentos e de instalações, custeio elevado, o número de escolas privadas de medicina é maior do que as públicas. “Enquanto isso, a faculdades públicas não visam lucro, são gratuitas, recebem os melhores alunos e agregam hospitais”, alegou. Ele informou que as mensalidades nas instituições privadas oscilam entre R$ 6 e R$ 16 mil por mês e, ainda assim, as universidades usam hospitais ligados ao SUS para residência dos alunos, a fim de reduzirem seus custos, objetivo que, muitas vezes, afeta também a qualidade do ensino. Entretanto, Cutait citou diversos exemplos positivos, entre eles os Hospitais Albert Einstein e Sírio Libanês, ambos de São Paulo, e o Grupo Fleury de medicina diagnóstica, com 170 unidades de atendimento em sete estados brasileiros, que realiza 78 milhões de exame ano e emprega 10 mil colaboradores. Nos Estados Unidos, o acadêmico deu exemplo de duas instituições sem fins lucrativos, a Mayo Clinic, localizada em Minnesota, cujo staff se limita a dois mil funcionários; e a Cleveland Clinic Foundation, com sede em Ohio, que administra 18 hospitais, 4.200 médicos e oferece 7.300 leitos no total dos seus campi.


Marcelo Morales: dirigente do MCTIC defendeu o repasse de 25% do Fundo Social do Pré-Sal para a ciência

Após a Sessão Ordinária, momento em que confrades e confreiras deram informes de interesse da comunidade médica, o Secretário de Políticas de Pesquisa e Desenvolvimento do Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicação (MCTIC), Marcelo Marcos Morales, deu início à conferência “Saúde, Ciência e Tecnologia: Diagnóstico, Propostas e Soluções no Cenário Atual de Contingenciamentos”. Morales, que também ocupa cadeira de membro titular na ANM, lembrou que, antes de compor o atual governo, integrou os governos de Dilma Rousseff e Michel Temer, e que sua bandeira é a defesa da Ciência, Tecnologia, Inovação e Comunicação. Convocou todos os presentes a fazerem um diagnóstico dos setores e oferecerem soluções. O secretário destacou os avanços de produtividade na agricultura, a exploração de petróleo em águas profundas no Pré-sal e os avanços nos estudos das arboviroses como importantes exemplos de conquistas da ciência e tecnologia. “Temos planos, que começaram em 2007, e metas, estabelecidas de 2002 a 2015, e, depois, de 2016 a 2022. Basta que sigamos a cartilha”, afirmou. Segundo ele, a economia passa por um momento grave e a Medida Provisória 95 colocou a C,T&I numa camisa de força. Entre as possíveis soluções, Morales faz coro com entidades representativas do setor e defende o repasse de 25% do Fundo Social do Pré-sal e o repasse dos recursos do Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (FNDCT) para a ciência.

Entre as diretrizes mais recentes, o secretário citou a Estratégia Nacional de Ciência, Tecnologia e Inovação (ENCTI), que abrange 12 áreas e, em sua opinião, deve estar alinhada aos 17 Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (ODS). Ressaltou ainda que o Plano de Ação para a Saúde possui sete linhas temáticas e que, apesar dos atuais contingenciamentos de recursos, a intenção do atual governo é investir 3% do PIB no setor até o final do mandato. Morales defendeu maior investimento em bioeconomia e biodiversidade e considera a Amazônia “nosso Sputnik”. O pesquisador também destacou a relevância dos 4.500.000 quilômetros quadrados a serem explorados na costa brasileira, “nossa Amazônia Azul”, e defendeu projetos ecológicos de longa duração. Por fim, esclareceu que o Programa Ciência nas Escolas, em parceria com o Ministério da Educação, conta com recursos de R$ 100 milhões e promoverá a interação entre escolas e instituições de pesquisa a fim de incentivar o gosto pela ciência entre as novas gerações.




Autor: Ascom Faperj
Fonte: Faperj
Sítio Online da Publicação: Faperj
Data: 06/06/2019
Publicação Original: http://www.faperj.br/?id=3766.2.6