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sábado, 10 de outubro de 2020

Matemática se alia à saúde para traçar cenários de epidemias futuras



Tiago Pereira (esq.) e Claudio Struchiner compõem o grupo que também estuda reinfecção e tempo de imunidade dos infectados (Fotos: ICMC/USP e Flaviano Quaresma)

A Matemática está a serviço da Saúde, buscando definir cenários e prever o comportamento da Covid-19 e das pandemias futuras. Fundador do Laboratório de Dinâmica de Fluidos do Instituto de Matemática Pura e Aplicada (Impa) em 1987, Dan Marchesin, que recebe apoio da FAPERJ para a realização de suas pesquisas por meio do programa Cientista do Nosso Estado, faz parte do grupo de pesquisa que se dedica a projetar o comportamento futuro da epidemia. Dessa forma, os pesquisadores esperam dar o suporte técnico-científico necessário para definir cenários futuros que garantam a melhor tomada de decisão e adoção de melhores estratégias para o enfrentamento da pandemia. Projeções que também servirão para a avaliação do impacto das medidas implementadas e o planejamento da sua suspensão paulatina, sem risco de a epidemia voltar a se agravar.

O grupo, liderado pelo doutor em Dinâmica Populacional de Doenças Infecciosas Claudio Struchiner, considera que o insuficiente conhecimento científico sobre o novo coronavírus, sua alta velocidade de disseminação e capacidade de provocar óbitos, especialmente em populações vulneráveis, geram incertezas quanto à escolha das melhores estratégias a serem utilizadas para o enfrentamento da epidemia em diferentes partes do mundo. Formado em Medicina pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), com mestrado em Matemática pelo Impa e doutorado em Epidemiologia na Universidade de Harvard, nos Estados Unidos, Struchiner e sua equipe vêm somar esforços já realizados por outras ferramentas e plataformas desenvolvidas por instituições como Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), Universidade de São Paulo (USP) e Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio), entre outras, que visam fornecer as melhores informações sobre o impacto atual e futuro da epidemia no País, considerando diferentes cenários de transmissão.

Marchesin conta que após contato com alguns ex-alunos interessados em contribuir de alguma forma durante a pandemia, uma palestra online de Tiago Pereira, professor do Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação (ICMC) da USP em São Carlos, foi decisiva para esclarecer o impacto mundial do novo coronavírus. Pesquisador do Centro de Ciências Matemáticas Aplicadas à Indústria (CeMEAI), em março Pereira já contribuía com estudos sobre como prever doenças a partir da matemática e analisou o protocolo de distanciamento social junto a uma estratégia de isolamento de infectados. Totalmente motivado, o pesquisador do Impa imediatamente se prontificou a compor a equipe de estudos, coordenada por Claudio Struchiner.



Tiago Pereira (esq.) e Claudio Struchiner compõem o grupo que também estuda reinfecção e tempo de imunidade dos infectados (Fotos: ICMC/USP e Flaviano Quaresma)


“Achei perfeito, porque o Claudio é especialista em epidemiologia com mestrado no Impa, e conseguiria unir a linguagem da Matemática aos objetivos da saúde”, diz Marchesin. Entre diversas frentes de trabalho, Struchiner vem conduzindo estudos de testagem em massa para saber o percentual da população já infectada pelo novo coronavírus e acompanhando famílias na comunidade da Maré a fim de verificar a existência de casos de reinfecção e estimar o tempo que infectados permanecem imunes, perguntas fundamentais para lidar com a Covid-19 no futuro. O grupo também está ansioso em relação à vacina. “Temos a expectativa de que os modelos desenvolvidos possam também guiar as estratégias de vacinação esperadas para um futuro próximo e simplificar os desenhos de ensaios vacinais de novos produtos”, esclarece o epidemiologista.

Dan Marchesin vem se dedicando à organização dos dados com vistas aos projetos de pesquisa em 2021, “algo analógico à previsão do tempo, aos aspectos do clima e à matemática da computação” esclarece. Segundo ele, será necessário criar uma rede de coleta de dados como as que já existem para a previsão do tempo. O pesquisador ressalta a importância das mudanças climáticas no aparecimento de epidemias e alerta para as consequências da ocupação de biomas importantes como o amazônico, que vem provocando desequilíbrio e o contato entre vírus e seus hospedeiros, entre eles o homem. “Diria que estou aprendendo como é essa nova área importantíssima, integrada a outra ainda maior, que é a biologia matemática”, diz o matemático.

Bolsista de produtividade nível 1ª do CNPq, sua principal linha de trabalho é em teoria qualitativa para leis de conservação, aplicados à modelagem de escoamentos em meios porosos, com uso em recuperação melhorada de petróleo. Orientou 21 teses de doutorado, é coordenador de eventos internacionais no Brasil e no exterior, revisor de várias revistas, e comendador. Sua preocupação com o meio ambiente o levou, nos últimos anos, a se dedicar à pesquisa e orientar a pós-graduação (ele orientou mais de 20 teses de doutorado) em Dinâmica dos Fluidos para Recuperação de Petróleo e Preservação do Meio Ambiente. Seu objeto de estudo há quatro décadas é solucionar a questão de como aumentar a eficiência da produção de petróleo e reduzir as emissões de CO2. Marchesin chegou a tentar cursar Biofísica, na PUC-Rio, mas problemas de saúde de seu coordenador o fizeram voltar aos estudos sobre o petróleo, um setor estratégico e de enorme potencial para o País e para o Estado do Rio de Janeiro.

Instigado pela forma como as coisas funcionam desde criança, Dan Marchesin acha a exploração de petróleo uma área bastante curiosa. Segundo ele, a maioria das pessoas acredita que o petróleo está numa cavidade, numa caverna ou numa espécie de piscina no subsolo. Mas, na verdade, explica o pesquisador, o petróleo está sempre impregnado numa rocha porosa. “Uma boa analogia é uma pedra-pomes, uma esponja-solo bastante porosa, impregnada de petróleo, invariavelmente de água e comumente de gás”, explica Marchesin. Segundo ele, apesar de toda a tecnologia disponível, a exploração de petróleo só consegue extrair de 20% a 30% do óleo disponível no campo.

Na opinião do pesquisador, a descoberta das reservas do Pré-sal foi uma grande conquista para o País, devido ao tipo de petróleo disponível nas jazidas. Segundo ele, um óleo com características fantásticas, de extrema leveza, que quase não demanda refino, basicamente pronto para ser consumido. Em sua opinião, outra vantagem desses poços é a camada de sal que cobre o reservatório, daí o nome Pré-sal. Ele lembra que o petróleo é fruto da decomposição de matéria orgânica ao longo de milhões de anos e que esse processo produz muito gás carbônico, um problema bastante sério nos dias atuais. “A humanidade vem queimando carbono na forma de carvão e petróleo há mais de 200 anos. Esse aumento crescente de gás carbônico na atmosfera vem provocando o efeito estufa, assunto que até pouco tempo era ignorado, mas que agora é uma emergência que está na pauta mundial”.

Para o matemático não há mais dúvida quanto ao aumento da temperatura média do planeta, tanto que o nível dos mares está subindo e as geleiras degelando. “Hoje, já podemos afirmar com absoluta certeza que o efeito estufa não é consequência, exclusivamente, do ciclo da natureza. O homem está contribuindo para isso. E se fecharmos os olhos para esse fenômeno e mantivermos os mesmos hábitos energéticos, chegaremos a um ponto impossível, colocando em riscos todas as cidades costeiras do mundo”, pondera o pesquisador, acrescentando que as mudanças climáticas vão gerar altos custos sociais.




Dan Marchesin alerta que, mantidos os atuais hábitos energéticos, todas as cidades costeiras do mundo estarão em risco (Foto: Paula Guatimosim)


Voltando à exploração de petróleo e a consequente emissão de dióxido de carbônico, o pesquisador compartilha uma solução ambiciosa: a reinjeção do dióxido de carbono nos próprios campos de exploração. Ele conta que a técnica já foi feita sucesso na Noruega, que desde 1998 captura milhões de toneladas de CO2 e reinjeta em um aquífero de sal no Mar do Norte, a 220 quilômetros da costa. Mas, segundo Dan, isso foi possível porque o governo norueguês, atendendo aos anseios da sociedade, estabeleceu uma taxação tão elevada para as emissões de CO2 que inviabilizaria financeiramente a exploração de petróleo. Para o matemático, numa estimativa barata, o custo da injeção de CO2 deve girar em torno de 30% do valor gerado pelo Pré-sal, mas pesquisas ainda podem reduzir esse custo. O pesquisador ressalta que a reinjeção não é uma tecnologia barata, entretanto, o custo ambiental e social é muito maior. “Em minha opinião, o país que produz petróleo deve pagar o preço, fazer uma compensação ambiental. E há várias formas de se fazer isso”, afirma Dan. Ele pondera que como a sociedade não pode parar de consumir petróleo de forma abrupta, nem deixar de reconhecer os danos dos gases de efeito estufa, uma das alternativas é a reinjeção do CO2 nos campos de petróleo, especialmente no Pré-sal, pois a camada de sal manterá o gás seguro no reservatório.

O pesquisador considera que outra alternativa viável seria aumentar o plantio de árvores, já que a vegetação depende do dióxido de carbono para se desenvolver. Em sua opinião, a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) pode, inclusive, trabalhar para aumentar a eficiência das plantas em absorverem CO2, como a cana de açúcar, por exemplo, que também pode gerar o álcool, um combustível alternativo. “Noto que algumas agências financiadoras, como a FAPERJ, estão à frente e, quando têm recursos, estão atentas ao que será melhor para o estado do Rio de Janeiro e para o Brasil, na forma de projetos temáticos”, avalia o pesquisador. “As mudanças climáticas podem aumentar as chances de novas epidemias e minha intenção, antes de me aposentar, é deixar essa área mais estabelecida no País”, afirma Marchesin.



Autor: Paula Guatimosim
Fonte: Faperj
Sítio Online da Publicação: Faperj
Data: 01/10/2020
Publicação Original: http://www.faperj.br/?id=4075.2.4

sábado, 18 de maio de 2019

A Matemática por trás das novas tecnologias




Uma das cenas da produção criada pelo Visgraf com base na obra Tempest, de William Shakespeare (Foto: Divulgação/Impa)

Como serão as mídias do futuro? Cada vez mais, os meios de comunicação de massa tradicionais, como o rádio e a TV, passam por transformações decorrentes do advento da Internet e do processo de convergência das mídias. “As novas mídias estão unindo as diferentes linguagens dos meios de comunicação tradicionais e incorporando, progressivamente, novos conceitos, como tecnologia imersiva, realidade estendida, e inteligência artificial", diz o matemático Luiz Carlos Pacheco Rodrigues Velho, do Instituto de Matemática Pura e Aplicada (Impa), localizado no bairro do Jardim Botânico, Zona Sul do Rio. Ele retoma o exemplo da realidade estendida para explicar que esta se caracteriza por oferecer outros tipos de interação além da visão, audição ou tato, permitindo maiores sensações por meio de simuladores. "Essas tecnologias vão apresentar novas formas mentais, que permitem uma experiência de navegação que mistura os mundos digitais e físicos perfeitamente em sua percepção da realidade”, contextualiza.

Por trás de todo esse admirável universo tecnológico a ser desbravado pela indústria da inovação, constantemente empenhada em desenvolver dispositivos móveis e plataformas, está uma ciência milenar do conhecimento humano: a Matemática. “Além da Matemática pura, voltada à pesquisa abstrata, existe a Matemática aplicada ao desenvolvimento industrial, que estuda modelagens, ou seja, simulações numéricas de coisas que existem no mundo real”, ressalta Velho. No Laboratório Visgraf (Vision and Graphics), do Impa, especializado em pesquisas na área de Computação Gráfica – uma área da Matemática aplicada –, ele coordena diversos projetos voltados ao desenvolvimento de novas mídias, com apoio do programa Cientista do Nosso Estado, da FAPERJ. “Pesquisamos temas da Matemática que vão impactar no desenvolvimento da mídia do futuro. A pesquisa teórica e o desenvolvimento de modelos computacionais são fundamentais para gerar inovação tecnológica”, resume.

O encontro de formas tradicionais de entretenimento com as novas mídias


Coordenador do Visgraf, Luiz Velho destaca a importância da pesquisa aplicada em Matemática


Um dos projetos em andamento no Visgraf reúne performance teatral, cinema, tecnologia de jogos e realidade virtual. Trata-se do espetáculo The Tempest ("A Tempestade”), um experimento multidisciplinar criado em parceria com um grupo de profissionais de artes cênicas, baseado na obra do dramaturgo inglês William Shakespeare. “O Tempest é um espetáculo que utiliza a plataforma VR Kino+Theater, concebida e desenvolvida no Visgraf. Ela converge as linguagens de teatro e cinema usando as tecnologias mais avançadas de mídia, que são os jogos e a realidade virtual aumentada. Juntamos formas tradicionais de entretenimento com novas mídias”, diz Velho.

Nas exibições do Tempest, que duram cerca de 20 minutos, atores encenam ao vivo trechos da peça escrita por Shakespeare, entre 1610 e 1611. É a história de Próspero, que perdeu o título de duque de Milão ao ser traído pelo irmão, Antônio. Isolado em uma ilha, com a filha Miranda e seu assistente, o espírito Ariel, ele recorre aos seus poderes mágicos para produzir uma tempestade no mar e fazer naufragar o navio onde estava Antônio. Enquanto os atores encenam, suas imagens são projetadas em um telão, em forma de avatares, e o público acompanha com óculos em 3D. “Os atores, usando realidade virtual, estão totalmente imersos em um cenário virtual e sua performance é exibida ao vivo para o público em uma tela de cinema, como computação gráfica em tempo real, sob o controle interativo de um diretor”, detalha. As exibições do Tempest, que tiveram início em dezembro de 2017, na sede do próprio Impa, ocorrem apenas de forma agendada para plateias selecionadas, de profissionais ligados à indústria do entretenimento, às novas tecnologias, empreendedores e pesquisadores, com um caráter experimental.

O Tempest é como o cinema do futuro. É uma realidade virtual imersiva. “Há imersão, mas não há interação do público com os personagens. Pensando nisso, desenvolvemos outro projeto com a plataforma VR Kino+Theater, mas com uma proposta interativa. É o projeto After the Tempest – VR Tour", conta Velho, que acrescenta: “É como se fosse um jogo de RPG atualizado, interativo, em que um narrador guia interage com o telespectador, que não é um mero espectador passivo, dentro da história. Ele constrói o enredo o tempo todo”

O pesquisador sênior do Impa, que é bacharel em Desenho Industrial pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), mestre em Computação Gráfica pelo Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT), nos Estados Unidos, e doutor em Ciências da Computação pela Universidade de Toronto, no Canadá, destaca a importância de se adaptar às mudanças no modo de fazer ciência que as novas tecnologias trarão. “Estamos vivendo um momento especial da história da civilização, com a revolução nos processos comunicacionais. A Matemática agora está inserida nesse contexto de mudanças tecnológicas. A Computação Gráfica, com a simulação visual e a inteligência artificial, estão relacionadas ao desenvolvimento de algoritmos para o funcionamento das novas mídias”, pontua Velho. Em 2019, o Visgraf completa 30 anos de contribuição a essa história. “Quando nós criamos o laboratório, ninguém sabia o que era Computação Gráfica e hoje todas as universidades têm nos cursos de graduação de Matemática essa disciplina. Hoje, a inteligência artificial é uma nova área da matemática”, destaca.

Veja o vídeo de divulgação do projeto Tempest: https://www.youtube.com/watch?v=niq6VC2KOMA



Autor: Débora Motta
Fonte: Faperj
Sítio Online da Publicação: Faperj
Data: 16/05/2019
Publicação Original: http://www.faperj.br/?id=3751.2.2

terça-feira, 11 de setembro de 2018

Maioria dos estudantes no ensino médio apresenta resultados considerados insuficientes em matemática e português

Cerca de 70% dos estudantes que concluíram o ensino médio no país apresentaram resultados considerados insuficientes em matemática. A mesma porcentagem não aprendeu nem mesmo o considerado básico em português.

Os dados são do Sistema Nacional de Avaliação da Educação Básica (Saeb), apresentados ontem (30) pelo Ministério da Educação (MEC).

Em português, os estudantes alcançaram, em média, 268 pontos, o que coloca o país no nível 2, em uma escala que vai de 0 a 8. Até o nível 3, o aprendizado é considerado insuficiente pelo MEC. A partir do nível 4, o aprendizado é considerado básico e, do nível 7, avançado. Na prática, isso significa que os brasileiros deixam a escola provavelmente sem conseguir reconhecer o tema de uma crônica ou identificar a informação principal em uma reportagem.

Em matemática, os estudantes alcançaram, em média, 270 pontos, o que coloca o país no nível 2, de uma escala que vai de 0 a 10, e segue a mesma classificação em língua portuguesa. A maior parte dos estudantes do país não é capaz, por exemplo, de resolver problemas utilizando soma, subtração, multiplicação e divisão.
Desigualdades

Na média, 43 pontos separam os estudantes que pertencem ao grupo dos 20% com o mais alto nível socioeconômico dos 20% do nível mais baixo, em português, no país. A diferença, coloca os mais ricos no nível 3 de aprendizagem, enquanto os mais pobres ficam no nível 2. Embora mais alto, o nível 3 ainda é considerado insuficiente pelo MEC. Em matemática, a diferença entre os dois grupos é ainda maior, de 52 pontos. Enquanto os mais pobres estão no nível 2, os mais ricos estão no nível 4, considerado básico.

Entre os entes federados, o Distrito Federal registra a maior diferença entre os dois grupos, tanto em português quanto em matemática. Os alunos com mais alto nível socioeconômico obtiveram, em média, 329 pontos em português, ficando no nível 5 de aprendizagem, considerado básico. Já os de nível socioeconômico mais baixo ficaram com 255 pontos, no nível 2, uma diferença de 74 pontos Em matemática, a diferença foi maior, de 101 pontos. Os mais pobres estão no nível 2 e os mais ricos, no nível 6.

Os resultados também mostram desigualdades regionais. A maioria dos estados das regiões Norte e Nordeste, além do Mato Grosso, tiveram, em média, pontuações inferiores à média nacional em matemática e português. A exceção é Pernambuco, que, ficou acima da média, juntando-se aos estados das regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste que ficaram ou na média ou acima da média de desempenho nacional. Rondônia ficou acima da média nacional apenas em matemática.

Seis estados pioraram os resultados de 2015 para 2017 tanto em português quanto em matemática: Amazonas; Amapá; Bahia; Mato Grosso do Sul; Pará; e Roraima. Além desses estados, o Rio Grande do Norte piorou o resultado apenas em matemática e Distrito Federal, Mato Grosso, Pernambuco, Rio de Janeiro, Santa Catarina e São Paulo pioraram apenas em língua portuguesa.
Ministério da Educação

Na avaliação do MEC e do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), responsável pela avaliação, os resultados de aprendizagem dos estudantes brasileiros “são absolutamente preocupantes”.

No ensino médio, o país encontra-se praticamente estagnado desde 2009. “A baixa qualidade, em média, do Ensino Médio brasileiro prejudica a formação dos estudantes para o mundo do trabalho e, consequentemente, atrasa o desenvolvimento social e econômico do Brasil”, diz a pasta.

Os resultados são do Saeb, aplicado em 2017 aos estudantes do último ano do ensino médio. Pela primeira vez a avaliação foi oferecida a todos os estudantes das escolas públicas e não apenas a um grupo de escolas, como era feito até então. Cerca de 70% dos estudantes participaram das provas. Nas escolas particulares, a avaliação seguiu sendo feita de forma amostral. Aquelas que desejassem também podiam se voluntariar, mas os resultados não foram incluídos nas divulgações.


Por Mariana Tokarnia, da Agência Brasil, in EcoDebate, ISSN 2446-9394, 31/08/2018






Autor: Mariana Tokarnia
Fonte: EcoDebate
Sítio Online da Publicação: EcoDebate
Data: 31/08/2018
Publicação Original: https://www.ecodebate.com.br/2018/08/31/maioria-dos-estudantes-no-ensino-medio-apresenta-resultados-considerados-insuficientes-em-matematica-e-portugues/

terça-feira, 7 de agosto de 2018

A matemática que nasce de um floco de neve

Os cabelos brancos de Étienne Ghys remetem aos flocos de neve. Ele é um matemático francês, que trabalha com geometria e sistemas dinâmicos – Foto: Denise Casatti
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Você já observou um floco de neve bem de perto, como fazem os cientistas quando usam um microscópio? Se você nunca teve a oportunidade de ver uma fotografia desse minúsculo objeto da natureza, faça uma busca pela internet. Você vai se surpreender com a beleza que habita um simples floco de neve.

Encantado com essa beleza, o francês Étienne Ghys contou o que a ciência já sabe sobre os flocos de neve e o que ainda falta saber em uma palestra que ministrou no encontro mundial de matemáticos, evento que acontece até dia 9 de agosto no Rio de Janeiro. Apesar de nenhum floco de neve ser idêntico a outro, eles têm algo em comum: a forma hexagonal, pois são como estrelas de seis pontas. Étienne disse que, muito antes de existir um microscópico, em 1610, um dos cientistas mais famosos da história, o alemão Johannes Kepler, foi o primeiro a sugerir que havia simetria nos flocos de neve.

“O entendimento da natureza através da matemática é um conceito muito moderno. E as simetrias que Johannes tentou encontrar na natureza ainda hoje estão na raiz da ciência. As simetrias governam a matemática e a física.”

Diretor de pesquisas na Escola Normal Superior de Lyon, na França, e pesquisador honorário do Instituto de Matemática Pura e Aplicada (Impa), Étienne explicou como a ciência foi, aos poucos, compreendendo mais e mais sobre a geometria dos flocos de neve. Hoje, os pesquisadores são capazes de inserir fórmulas matemáticas em programas de computador e gerar imagens de flocos de neve muito parecidas com as que encontramos na natureza.

“O fato é que os matemáticos têm grande criatividade, mas as criações deles não são objetos concretos, são objetos artificiais, virtuais. Por isso, eles trabalham em um mundo externo, no mundo deles. E não é fácil comunicar essas coisas abstratas para outras pessoas. Às vezes, já é difícil se comunicar com outros matemáticos.”

De fato, nem sempre é fácil entender como funciona o mundo abstrato da matemática, mas vale a pena tentar. Pense que os flocos de neve têm algo em comum com os favos das colmeias das abelhas. Se dividirmos um favo ou um floco em pequenas partes, você verá que cada uma delas é semelhante à original. É como se os favos e os flocos possuíssem dentro de si cópias menores deles mesmos.

A partir do estudo dessa geometria, os matemáticos criaram objetos virtuais chamados fractais. A pesquisa desses objetos já está ajudando a humanidade a compreender fenômenos que ocorrem no mercado financeiro, aprimorar a transmissão de informações via fibra óptica, a mistura de substância e a análise de imagens médicas. Tudo isso a partir da matemática que nasceu com o estudo de um simples floco de neve.

Ouça no áudio acima a reportagem com o professor Étienne Ghys.


Denise Casatti, especial para o Jornal da USP



Autor: Denise Casatti
Fonte: Jornal da USP
Sítio Online da Publicação: Jornal da USP
Data de Publicação: 06/08/2018
Publicação Original: https://jornal.usp.br/universidade/a-matematica-que-nasce-de-um-floco-de-neve/

sexta-feira, 23 de fevereiro de 2018

Brasil entra no grupo da elite mundial da pesquisa em Matemática



Popularizar o gosto pela Matemática ainda é um desafio no País (Foto: Divulgação)


Se o ensino e o aprendizado da Matemática nas escolas enfrentam dificuldades, o Brasil faz bonito quando o assunto é a pesquisa em Matemática. O País acaba de ingressar no seleto grupo das nações mais desenvolvidas do mundo em pesquisa na área da Matemática. O País se junta, assim, ao chamado "Grupo 5" – Alemanha, Canadá, China, Estados Unidos, França, Israel, Itália, Japão, Reino Unido e Rússia –, que formam uma “primeira divisão” dentre as nações que participam da União Matemática Internacional (IMU, na sigla em inglês). Com sede em Berlim, a IMU tem 76 países-membros, divididos em cinco grupos, segundo ordem de excelência. O anúncio foi realizado na quinta-feira, 22 de janeiro, na sede do Instituto de Matemática Pura e Aplicada (Impa), tradicional instituição localizada no Jardim Botânico, no Rio.

“A entrada no Grupo 5 da IMU é o reconhecimento da evolução do nosso País na área de Matemática, mesmo diante do atual cenário de dificuldades econômicas, devido à redução do orçamento destinado à pesquisa. Como nação em desenvolvimento, entramos apenas em 1954 na IMU, no Grupo 1, o mais baixo, e, que eu saiba, somos o único país-membro que conseguiu sair dessa categoria e chegar ao Grupo 5”, diz o diretor-geral do Impa, o matemático Marcelo Viana. Em 1978, o Brasil ascendeu ao grupo 2; em 1981, ao grupo 3; e, em 2005, ao grupo 4.

Ele lembra que, nos anos 1950, a pesquisa no Brasil – em Matemática e em outras áreas – ainda era feita totalmente de forma amadora, sem o apoio de uma rede de fomento, já que não existia o atual Sistema Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (SNDCT), formado por instituições como o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), a Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) e as agências estaduais de fomento, como a FAPERJ. “Nossa comunidade científica era muito despreparada na época. O Impa só foi criado em 1952; o CNPq, em 1951, e a FAPERJ, em 1980. Era um País diferente. Há pouco tempo, nem tínhamos o registro histórico de como foi essa adesão do Brasil à IMU em 1954. Descobrimos que não foi iniciativa do Brasil, foi um convite da IMU”, conta.

Viana recorda que essa trajetória da institucionalização do apoio à pesquisa no País também passou pelo fortalecimento da pós-graduação do Brasil, nos anos 1970, e pela consolidação do Impa como uma instituição de ponta internacional, tornando-se um celeiro de jovens talentos, entre eles o matemático carioca Artur Ávila, ganhador, em 2014, da Medalha Fields – considerada o “Nobel” da Matemática. “O Impa tradicionalmente atrai mentes brilhantes, como o Artur Ávila e o Carlos Gustavo Moreira, porque oferece uma flexibilidade na admissão desses talentos, sem deixar de exigir qualidade. Temos, por exemplo, casos de alunos que foram aceitos no mestrado sem a exigência de conclusão do ensino médio, e casos de admissão no doutorado sem a exigência do mestrado como pré-requisito. Prezamos o talento, acima da burocracia”, pondera.


Viana destaca a importância da educação em matemática (Foto: Divulgação/Impa)


Outra característica do Impa que vem contribuindo para alavancar a Matemática brasileira no exterior é a internacionalização. “Metade dos nossos alunos são estrangeiros. Os que não ficam no Brasil depois do curso voltam aos seus países, onde acabam se tornando embaixadores da nossa Matemática no exterior”, disse Viana. O instituto também investe no aprimoramento de professores de Matemática. “Oferecemos formação continuada de professores do ensino médio, desde os anos 1990. Hoje, temos mais de 70 polos de ensino de Matemática a distância, pela internet, espalhados pelo Brasil”, completa.

No entanto, mesmo com potencial para a pesquisa na área, a Matemática no Brasil ainda é vista, pela maioria dos alunos em idade escolar e até pela população em geral, como um “bicho-papão”. Uma iniciativa importante para desmistificar essa ideia e atrair novos talentos é a realização da Olimpíada Brasileira de Matemática das Escolas Públicas (OBMEP), organizada pelo Impa desde 2005. “Cerca de 18 milhões de jovens, de escolas públicas e, em 2017, também das escolas privadas, participaram da Olimpíada. É um esforço enorme para aproximar a Matemática das crianças e desfazer a imagem ruim dessa disciplina junto às crianças e famílias”, afirma.

O matemático destaca que mudanças estruturais na educação do País são necessárias. “Entrar no 'Grupo 5' não resolve todos os problemas, mas aumenta a autoestima dos nossos alunos. Infelizmente, o Brasil é um país que investe muito pouco em ciência; menos de 1% do PIB é destinado à pasta de ciência, tecnologia, inovações e comunicações. Deveríamos investir pelo menos o dobro, pois ciência não é gasto, é investimento. Países com visão estratégica sabem que a ciência é o melhor retorno para sair da crise.”

Outra boa nova para a matemática brasileira é que, neste ano de 2018, o Rio vai sediar o Congresso Internacional de Matemáticos, um dos principais eventos mundiais na área, que ocorre a cada quatro anos. “Estamos no Biênio da Matemática (2017-18), conforme foi estabelecido pela Lei 13.358, especialmente para a realização, no Brasil, dos dois maiores eventos matemáticos internacionais. De 12 a 23 de julho de 2017, sediamos a Olimpíada Internacional de Matemática e, este ano, vamos receber o Congresso Internacional de Matemáticos”, diz Viana, que é o coordenador do comitê organizador do congresso.


Autor: Débora Motta
Fonte: Faperj
Sítio Online da Publicação: Faperj
Data de Publicação: 22/02/2018
Publicação Original: http://www.faperj.br/?id=3525.2.0

quarta-feira, 1 de novembro de 2017

Pós-doutorado em Matemática Aplicada com Bolsa da FAPESP

O Centro de Pesquisa, Inovação e Difusão do Centro de Ciências Matemáticas Aplicadas à Indústria (CeMEAI), com sede no Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação da USP, em São Carlos, dispõe de duas vagas de pós-doutorado com Bolsa da FAPESP na área de Geometria Computacional. O prazo de inscrições termina no dia 10 de novembro de 2017.


CEPID CeMEAI tem duas vagas disponíveis para o projeto "Estrutura de dados eficiente para representação de triangulações". Inscrições vão até 10 de novembro (foto: CeMEAI)


O CeMEAI é um Centro de Pesquisa, Inovação e Difusão (CEPID) da FAPESP. Os bolsistas participarão do projeto “Estrutura de dados eficiente para representação de triangulações”, coordenado pelo professor Antonio Castelo Filho.

Segundo Castelo, a pesquisa visa estudar e aprimorar a representação topológica de triangulações por estruturas de dados eficientes. “Uma estrutura de interesse particular é a Graph-Encoded-Manifod (GEM), por sua simplicidade e generalidade para dimensões arbitrárias. Entretanto essa estrutura possui restrições relacionadas a certas propriedades de coloração de grafos”, disse. Os candidatos selecionados irão trabalhar com estruturas de dados para triangulações no intuito de contornar as restrições da estrutura GEM.

É necessário que o candidato tenha título de doutor em Matemática Aplicada, Ciência da Computação ou áreas afins, com bom conhecimento teórico, preferencialmente nas áreas de topologia, geometria computacional ou teoria de grafos. O candidato deve ter finalizado doutorado nos últimos cinco anos.

Os candidatos interessados devem enviar um e-mail tendo no campo assunto “CEPID Postdoc” para o professor Castelo (castelo@icmc.usp.br) com cópia para isabela@icmc.usp.br, anexando carta de apresentação incluindo nomes e informações de contato de dois profissionais que possam recomendá-lo (não incluir cartas de recomendação) e currículo. Todos os documentos devem ser enviados em formato PDF.

Mais informações sobre as vagas estão disponíveis em www.fapesp.br/oportunidades/1778 e www.fapesp.br/oportunidades/1779.

As vagas estão abertas a brasileiros e estrangeiros. Os selecionados receberão Bolsa de Pós-Doutorado da FAPESP no valor de R$ 7.174,80 mensais e Reserva Técnica. A Reserva Técnica de Bolsa de PD equivale a 15% do valor anual da bolsa e tem o objetivo de atender a despesas imprevistas e diretamente relacionadas à atividade de pesquisa.

Caso os bolsistas de PD residam em domicílio diferente e precisem se mudar para a cidade onde se localiza a instituição-sede da pesquisa, poderão ter direito a um Auxílio-Instalação. Mais informações sobre a Bolsa de Pós-Doutorado da FAPESP estão disponíveis em www.fapesp.br/bolsas/pd.

Outras vagas de bolsas, em diversas áreas do conhecimento, estão no site FAPESP-Oportunidades, em fapesp.br/oportunidades


Autora: Agência FAPESP
Fonte: Agência FAPESP
Sítio Online da Publicação: Agência FAPESP
Data de Publicação: 01/11/2017
Publicação Original: http://agencia.fapesp.br/posdoutorado_em_matematica_aplicada_com_bolsa_da_fapesp/26544/