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quarta-feira, 13 de junho de 2018

Faltam caminhoneiros nos Estados Unidos. E no Brasil?


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O empresário Inácio Freitas diz que, na disputa por motoristas, cada centavo importa

Inácio Freitas, de 49 anos, diz ter decidido abrir uma empresa de transporte de carga nos Estados Unidos há pouco mais de dois anos ao ver uma oportunidade: havia demanda de sobra para esse tipo de serviço, mas faltavam empresas para fazê-lo.

A situação hoje é outra, diz o empresário brasileiro. Com a economia americana cada vez mais aquecida, a demanda segue em alta, mas agora são os caminhoneiros que estão em falta no mercado, um problema que é realidade também na Europa e só não começou a dar sinais no Brasil devido à recessão econômica, dizem especialistas.

Havia, no ano passado, um déficit de 51 mil caminhoneiros nos Estados Unidos, o equivalente a 10% dos 500 mil que trabalham hoje no país, segundo a American Trucking Associations (ATA), entidade de classe que representa as maiores companhias do setor no país e que alerta há alguns anos para essa questão.

Seu estudo mais recente, divulgado em outubro, mostra que a situação vem se agravando. Em 2013, faltavam 20 mil motoristas, e o número subiu para 36,5 mil em 2016 - o déficit pode chegar a 174 mil em 2026, caso a tendência não seja revertida.

Um dos principais reflexos atuais da escassez é o encarecimento do serviço. Freitas, por exemplo, afirma que a disputa por mão de obra foi um dos principais motivos do aumento de 20% do valor que paga aos caminhoneiros que contrata para guiar sua frota de seis veículos, conforme chegam os pedidos.

"Um centavo a mais por hora, o que dá uma diferença de US$ 200 (R$ 761) no fim do mês, é suficiente para um motorista te trocar pelo concorrente", diz Freitas à BBC News Brasil. "Preciso pagar mais para reter os bons profissionais e atrair os que preciso. Mesmo assim, tenho uma alta rotatividade."

Em um país onde caminhões fazem 70,6% do transporte de carga, grandes empresas de outras indústrias americanas dizem estar preocupadas com o aumento de custos.

"Como outras empresas de bens de consumo, enfrentamos um contratempo significativo com o frete na América do Norte neste ano", disse a investidores a vice-presidente de finanças da Coca-Cola, Kathy Waller, segundo o jornal americano The Wall Street Journal. "O setor de caminhões está passando por uma grave crise. Faltam motoristas na era da Amazon", afirmou Robert Csongor, vice-presidente da fabricante de processadores e chips Nvidia, fazendo referência ao aumento da demanda por entregas trazido pela escalada do comércio online.
Economia aquecida

Um dos principais motivos por trás do deficit de caminhoneiros é o bom momento vivido pela economia americana, apontam economistas.

O PIB dos EUA sofreu um baque com a crise financeira de 2008, mas voltou a crescer em 2010, enquanto a taxa de desemprego, após chegar quase a 10% há oito anos, vem caindo desde então - hoje em 3,8%, é a mais baixa dos últimos 18 anos.

Ao mesmo tempo, a expansão do comércio eletrônico fez aumentar o número de entregas e, consequentemente, o transporte de carga.

"Conforme a demanda aumenta, as empresas tentam conquistar os motoristas de outras transportadoras oferecendo bônus, pagamentos, caminhões e rotas melhores", explica Bob Costello, economista-chefe da ATA.

A organização diz não ser um problema apenas de quantidade, mas de qualidade. Um levantamento apontou que 88% das empresas recebem candidatos suficientes para novas vagas, mas a maioria não tem a qualificação necessária.

"A mão de obra até existe, mas as seguradoras exigem que contratemos motoristas com no mínimo dois anos de habilitação, sem nenhuma multa em seu nome. Isso já elimina a grande maioria", diz o empresário Freitas.

"Além disso, a economia está aquecida, e o cara não quer ficar um mês fora de casa. Prefere arranjar outro trabalho para ganhar a mesma coisa e ficar perto da família."
Vida na estrada


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O americano Troy virou caminhoneiro após a crise de 2008

As horas na boleia de um caminhão cobram mesmo seu preço, diz Troy Blomdal. O americano de 42 anos é caminhoneiro há seis. Trabalhava com a venda de imóveis até a crise da economia americana o fazer perder "quase tudo". Ele viu no transporte de automóveis uma saída.

Blomdal diz que os primeiros três anos foram mais difíceis, com remuneração baixa. Ele diz ganhar hoje, com mais experiência e um bom histórico, cerca de US$ 95 mil (R$ 360,6 mil) por ano, mais do que o dobro da média do setor, de US$ 42 mil, segundo dados do governo.

Mas o motorista afirma que, para isso, tem de ficar muito tempo longe da mulher e do filho de 11 anos. "Passo de duas a três semanas fora, volto e fico só de três a cinco dias em casa com eles", diz.

"É duro, mas tenho de sustentar minha família e economizar para a aposentadoria. É um sacrifício que preciso fazer", diz o caminhoneiro, que conta que não encontra muitos motoristas jovens na estrada. "Alguns estão na casa dos 20 anos, mas a maioria dos motoristas tem entre 30 e 40 anos."

A idade média dos caminhoneiros americanos hoje está em 49 anos, acima da média dos trabalhadores do país, de 42 anos. É um sinal de que a mão de obra do setor não está se renovando como deveria.

"Ser caminhoneiro sempre foi algo que passou de pai para filho. Nos últimos 30 anos, houve uma quebra dessa hereditariedade", diz Paulo Resende, coordenador do Núcleo de Infraestrutura, Supply Chain e Logística da Fundação Dom Cabral (FDC).

O própria família de Blomdal é um exemplo disso. Ex-militar, seu avô trabalhou como motorista de caminhão por 40 anos, mas seu pai, ao deixar o Exército, foi trabalhar com varejo. Se depender do caminhoneiro americano, seu filho não seguirá a profissão. "Não paga muito bem e causa muito estresse. Prefiro que ele faça outra coisa que não o leve para a estrada."

Resende diz ser pouco provável que os jovens queiram trabalhar com isso. "Em um mundo mais tecnológico, com mais possibilidades de emprego e com melhor remuneração, os jovens não têm muito interesse em trabalhar como caminhoneiros."

O especialista explica ainda que o avanço da tecnologia traz incerteza sobre o futuro da profissão. "Já se fala hoje em caminhões sem motorista. Por que um jovem vai entrar nesse mercado se não vai ter um emprego garantido amanhã?"

Por outro lado, a exigência de mais conhecimentos para lidar com as novas tecnologias dos veículos, avalia o professor da FDC, "contribui para a falta de mão obra qualificada", principalmente entre as gerações mais antigas.

Também no Brasil, Resende diz que já são realidade a quebra da hereditariedade na profissão e a pouca familiaridade dos profissionais mais velhos com a tecnologia - o caminhoneiro brasileiro tem uma idade média de 44 anos e está há 18 na estrada, de acordo com uma pesquisa de 2016 da Confederação Nacional do Transporte (CNT).
Sem segurança

No Brasil, outro obstáculo ao avanço na profissão é a falta de segurança nas estradas, o ponto negativo da profissão mais citado por caminhoneiros - 60,6% mencionaram esse problema na pesquisa da CNT. "Há muitos assaltos e acidentes. Essa característica brasileira reduz a atratividade da profissão", diz Resende.


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Caminhões respondem por 70,6% do transporte de carga nos EUA

Hoje, a falta de estatísticas oficiais impede dimensionar exatamente o número de motoristas de caminhões de carga no Brasil. A informalidade do mercado e a grande extensão territorial são alguns dos obstáculos para mapear essa mão de obra. A CNT afirma que há 477 mil caminhoneiros autônomos, mas não há dados sobre os que trabalham guiando os 1.108.122 veículos de empresas e cooperativas desta indústria registrados na Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT).

Associações brasileiras trabalham com uma estimativa de que haja de 1,5 milhão de caminhoneiros. Eles realizam 61% do transporte de carga no Brasil.

A quantidade de motoristas brasileiros cresceu na década passada, explica o professor da FDC. Com economia aquecida, encontrava-se trabalho rapidamente. Ele também lembra que o governo deu subsídios e facilitou o financiamento da compra de caminhões, o que aumentou o tamanho da frota.

Mas a instabilidade política e a crise da economia recentes levaram muita gente a vender seus caminhões para trabalhar com outra coisa ou se aposentar, explica Resende. "Chegamos a ter um excesso de caminhoneiros. Hoje, neste momento pós-crise, o que temos só dá para o gasto."
Controle eletrônico

Nos Estados Unidos, a falta de caminhoneiros pode ter se intensificado com uma novidade introduzida no mercado neste ano: o registro digital das viagens. Desde o início de 2018, é obrigatório um controle eletrônico da jornada, em vez do antigo método com papel e caneta.

O novo sistema impede que o motorista burle as regras e trabalhe além do limite - o motorista pode ser penalizado com uma parada obrigatória de 10 horas caso não siga as regras, o que ajuda a prevenir acidentes, defende o governo.

A lei americana determina que um caminhoneiro deve trabalhar no máximo por 14 horas seguidas, sendo 11 delas efetivamente dirigindo. Depois, deve descansar por 10 horas.

No Brasil, uma lei de 2015 prevê, entre outras regras, um período máximo 12 horas de trabalho, incluindo horas extras, com uma parada de 30 minutos a cada 6 horas, e 11 horas de descanso entre cada jornada, além do controle em papel ou eletronicamente.

A ATA diz que o novo sistema digital contribui para o déficit de motoristas nos Estados Unidos, porque, com o ponto digital, as empresas passaram a ter de contratar mais caminhoneiros para transportar o mesmo volume de carga, o que eleva seus custos.

"O caminhoneiro acabava sempre trabalhando a mais. Dirigia por 12, 15 horas, virava a noite, porque assim ganhava mais dinheiro, mas isso acabou com o novo sistema. Isso deixou muitos deles assustados, que acabaram desistindo."
Crise

Uma pesquisa com 3,1 mil companhias realizada em janeiro pela Associação Nacional do Transporte de Cargas e Logística (NTC&Logística), que representa empresas de transporte de cargas, apontou que havia 70 mil caminhões parados por falta de carga ou de motoristas.

"Caminhávamos para essa mesma situação dos Estados Unidos, mas a recessão deu amenizada no problema porque, se a indústria não vende, não tem o que transportar", diz Lauro Valdívia, assessor técnico da NTC&Logística.


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Falta de caminhoneiros já afeta alguns setores, como o escoamento da produção agrícola, diz professor da FDC

Valdívia afirma ainda que, com a crise, muitos motoristas ficaram endividados - 44,8% têm obrigações vencidas ou a vencer, diz a CNT, e devem em média R$ 28,1 mil.

Muitos caminhoneiros acabaram tendo seus veículos confiscados pelo banco ou foram demitidos e tiveram de arranjar outra forma de ganhar a vida. Isso fez a frota encolher.

Um sinal disso, diz o assessor da NTC&Logística, é que agora que com a leve melhora da economia, "as empresas já começaram a reclamar" da falta de mão de obra.

"Elas dizem que não conseguem contratar um autônomo, porque muitos estão com o nome sujo, e a agenciadora de risco não autoriza porque vê nisso uma chance maior de ele cometer um delito. Se a empresa contratar, perde o seguro", explica.

Para Resende, da FDC, ainda que o número de caminhoneiros seja "suficiente" no mercado como um todo, há déficits pontuais que já afetam alguns setores, como o escoamento da produção agrícola.

Ele acredita, no entanto, que esse problema da falta de caminhoneiros está no horizonte do Brasil. "Estamos uns 15 anos atrás dos Estados Unidos em logística de cadeias produtivas. Esse fenômeno vai chegar por aqui na próxima década", diz. "A sorte é que isso dá sinais de alerta, e podemos nos preparar, mas talvez seja exigir demais de um país que vive situações complicadas como as do Brasil."



Autor: Rafael Barifouse
Fonte: BBC
Sítio Online da Publicação: BBC
Data de Publicação: 08/06/2018
Publicação Original: https://www.bbc.com/portuguese/internacional-44378094

sexta-feira, 2 de março de 2018

Asteroide passará próximo da Terra nesta sexta-feira




Ilustração representa asteroide no espaço; 18 asteroides chegaram próximo a Terra esse ano a uma distância menor que a lunar (Foto: Nasa/Divulgação)

Um asteroide se aproximará da Terra nesta sexta-feira (2) e chegará a aproximadamente 111.300 quilômetros do planeta. Trata-se de uma distância menor que o espaço entre a Terra e a Lua (384.400 quilômetros). A aproximação do asteroide é considerada "perto" em termos astronômicos, mas sem possibilidade de colisão.

Segundo dados da Nasa, a agência espacial dos Estados Unidos, o asteroide viajará a 6,5 km/s e alcançará sua distância mínima da Terra às 2h54, no horário de Brasília. O asteroide recebeu o nome de "2018 DV1" e estima-se que tenha entre 5,6 e 12 metros. É o 18º asteroide conhecido este ano que chega próximo da Terra a uma distância menor que a lunar.



Objetos próximos à Terra



O objeto espacial foi classificado como Near Earth Object (NEO, "Objeto Próximo da Terra", em tradução livre). Entre os mais de 600 mil asteroides conhecidos em nosso Sistema Solar, 12 mil estão catalogados como NEO. A aproximação deste corpo rochoso é fundamental para seu estudo: servirá sobretudo para confirmar informações relativas a massa e tamanho e averiguar sua densidade a partir dos dados de sua rotação. 
Telescópios de diversas partes do mundo poderão observá-lo e monitorá-lo. O objeto também poderá ser acompanhado através da internet, graças a um acordo entre o projeto "The Virtual Telescope Project 2.0" e o Observatório Tenagra no Arizona (EUA). O asteroide 2018 DV1 foi descoberto pelo telescópio Mount Lemmon Survey, que fica no Arizona, nos Estados Unidos.



Autor: Agencia EFE
Fonte: G1 Globo
Sítio Online da Publicação: G1 Globo
Data de Publicação: 02/03/2018
Publicação Original: https://g1.globo.com/ciencia-e-saude/noticia/asteroide-passara-proximo-da-terra-nesta-sexta-feira.ghtml

sexta-feira, 23 de fevereiro de 2018

UFRJ e FAPERJ realizam workshop sobre a criação do AIR Center



Na mesa de abertura, a partir da esq.: José Carlos Pinto, Vieiralves de Castro, Manuel Heitor e Roberto Leher (Foto: Beatriz Correa)

Um workshop realizado no Parque Tecnológico da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), nesta terça e quarta-feira, 20 e 21 de fevereiro, colocou em debate novos conhecimentos sobre mudanças climáticas e questões relacionadas ao oceano Atlântico. Organizado pela UFRJ e pela FAPERJ, o evento Rio 2018 Atlantic Interactions representou um primeiro passo para a instalação de um polo do Atlantic International Research Center (AIR Center) no estado do Rio de Janeiro. A iniciativa promove o monitoramento do oceano, conectando tecnologias de águas profundas a tecnologias espaciais por meio de uma cooperação global entre América Latina, Europa, África e Estados Unidos.


Na cerimônia de abertura, na terça, o ministro da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior de Portugal, Manuel Frederico Tojal de Valsassina Heitor, fez uma apresentação sobre os principais pontos do programa. Estavam presentes Paulo Ferrão, presidente da Fundação para a Ciência e Tecnologia de Portugal (FCT); Roberto Leher, reitor da UFRJ; José Carlos Pinto, diretor do Parque Tecnológico da UFRJ; Ricardo Vieiralves de Castro, presidente da FAPERJ, Augusto C. Raupp, subsecretário de Ciência e Tecnologia do Estado do Rio de Janeiro; Andrei Polejack, coordenador geral de Oceanos, Antártida e Geociências do Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC); entre outros participantes.


À ocasião, o presidente da FCT de Portugal, Paulo Ferrão, e o presidente da FAPERJ, Ricardo Vieiralves de Castro, assinaram um memorando para o financiamento de recursos humanos no Rio de Janeiro e em Portugal para a realização de um intercâmbio de pesquisadores nos dois países. De acordo com Vieiralves, o documento é fundamental para confirmar o interesse do Rio de Janeiro em receber o AIR Center e promover uma troca de conhecimentos entre pesquisadores. “A partir de agora, iremos começar a atuar para atingir, pouco a pouco, os objetivos do AIR Center. De início, pretendemos montar uma rede de pesquisadores, com financiamento da FAPERJ e um mínimo de burocracia possível. Esperamos que o primeiro edital com esse objetivo esteja pronto, no máximo, em três meses para começarmos a colaborar com essa iniciativa global. Esse é um trabalho de longo prazo e extrema importância e temos, no nosso estado, um amplo número de cientistas gabaritados que vêm pesquisando mares e oceanos há muito tempo”, disse o presidente da FAPERJ.


Vieiralves também enfatizou a importância da ciência, tecnologia e inovação para o desenvolvimento do estado. “O Rio de Janeiro vem passando por uma crise nos últimos dois anos e a principal lição que aprendemos é que o estado precisa diversificar suas atividades econômicas para se reerguer. Na minha opinião, a melhor forma de fazer com que essa diversificação aconteça é por meio do investimento em ciência, tecnologia e inovação”, complementou.


O diretor do Parque Tecnológico da UFRJ, José Carlos Pinto, destacou a tradição da universidade em pesquisa e tecnologia. “A enorme tradição da UFRJ em áreas como engenharia oceânica, engenharia civil e exploração de petróleo em alto mar fazem com que a universidade esteja vocacionada a interagir fortemente com o AIR Center. O Parque Tecnológico da UFRJ conta hoje com o centro de supercomputação da Coppe, o Laboratório de Tecnologia Oceânica (LabOceano) e ainda com a presença de diversas grandes empresas desenvolvendo tecnologias para exploração de petróleo em águas profundas. Estamos muito motivados a participar dessa iniciativa e de braços abertos para receber a instalação de um polo do AIR Center num futuro próximo”, informa José Carlos.



Paulo Ferrão (E), do FCT, e Ricardo Vieiralves: assinatura do memorando para a criação de um polo de pesquisa do AIR Center no Rio de Janeiro (Foto: Lécio Augusto Ramos)

Durante o evento, o ministro português Manuel Heitor destacou que desenvolvimento econômico, tecnológico e social só é possível através do conhecimento e da criação de uma agenda científica inclusiva. “Criar e transformar o oceano Atlântico num centro de desenvolvimento social e econômico só é possível com mais conhecimento. O desafio que estamos partilhando com o Brasil e países da América Latina, África, Europa, além de uma série de instituições norte-americanas, é desenvolver uma agenda que seja inclusiva e que consiga reunir instituições científicas, pesquisadores, empresas e governos”, explicou o ministro.


O evento também contou com a participação de pesquisadores, representantes da Universidade do Minho (Portugal), UFRJ, Carnegie Mellon University, Marinha do Brasil, Petrobras, laboratórios da Coppe/UFRJ e empresas residentes do Parque Tecnológico da UFRJ. Além da criação do AIR Centre Data Intelligent Network, foram debatidos temas como o desenvolvimento e a integração de tecnologias espaciais e oceânicas, a ciência dos dados, estratégias de novos negócios intensivos em conhecimento no contexto das interações atlânticas, políticas públicas e cooperação entre União Europeia e Brasil. No final, os participantes foram convidados a conhecer o Laboratório de Tecnologia Naval e Oceânica da Coppe, localizado no Parque Tecnológico da UFRJ.


Autor: Ascom Faperj
Fonte: Faperj
Sítio Online da Publicação: Faperj
Data de Publicação: 22/02/2018
Publicação Original: http://www.faperj.br/?id=3526.2.6

Brasil entra no grupo da elite mundial da pesquisa em Matemática



Popularizar o gosto pela Matemática ainda é um desafio no País (Foto: Divulgação)


Se o ensino e o aprendizado da Matemática nas escolas enfrentam dificuldades, o Brasil faz bonito quando o assunto é a pesquisa em Matemática. O País acaba de ingressar no seleto grupo das nações mais desenvolvidas do mundo em pesquisa na área da Matemática. O País se junta, assim, ao chamado "Grupo 5" – Alemanha, Canadá, China, Estados Unidos, França, Israel, Itália, Japão, Reino Unido e Rússia –, que formam uma “primeira divisão” dentre as nações que participam da União Matemática Internacional (IMU, na sigla em inglês). Com sede em Berlim, a IMU tem 76 países-membros, divididos em cinco grupos, segundo ordem de excelência. O anúncio foi realizado na quinta-feira, 22 de janeiro, na sede do Instituto de Matemática Pura e Aplicada (Impa), tradicional instituição localizada no Jardim Botânico, no Rio.

“A entrada no Grupo 5 da IMU é o reconhecimento da evolução do nosso País na área de Matemática, mesmo diante do atual cenário de dificuldades econômicas, devido à redução do orçamento destinado à pesquisa. Como nação em desenvolvimento, entramos apenas em 1954 na IMU, no Grupo 1, o mais baixo, e, que eu saiba, somos o único país-membro que conseguiu sair dessa categoria e chegar ao Grupo 5”, diz o diretor-geral do Impa, o matemático Marcelo Viana. Em 1978, o Brasil ascendeu ao grupo 2; em 1981, ao grupo 3; e, em 2005, ao grupo 4.

Ele lembra que, nos anos 1950, a pesquisa no Brasil – em Matemática e em outras áreas – ainda era feita totalmente de forma amadora, sem o apoio de uma rede de fomento, já que não existia o atual Sistema Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (SNDCT), formado por instituições como o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), a Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) e as agências estaduais de fomento, como a FAPERJ. “Nossa comunidade científica era muito despreparada na época. O Impa só foi criado em 1952; o CNPq, em 1951, e a FAPERJ, em 1980. Era um País diferente. Há pouco tempo, nem tínhamos o registro histórico de como foi essa adesão do Brasil à IMU em 1954. Descobrimos que não foi iniciativa do Brasil, foi um convite da IMU”, conta.

Viana recorda que essa trajetória da institucionalização do apoio à pesquisa no País também passou pelo fortalecimento da pós-graduação do Brasil, nos anos 1970, e pela consolidação do Impa como uma instituição de ponta internacional, tornando-se um celeiro de jovens talentos, entre eles o matemático carioca Artur Ávila, ganhador, em 2014, da Medalha Fields – considerada o “Nobel” da Matemática. “O Impa tradicionalmente atrai mentes brilhantes, como o Artur Ávila e o Carlos Gustavo Moreira, porque oferece uma flexibilidade na admissão desses talentos, sem deixar de exigir qualidade. Temos, por exemplo, casos de alunos que foram aceitos no mestrado sem a exigência de conclusão do ensino médio, e casos de admissão no doutorado sem a exigência do mestrado como pré-requisito. Prezamos o talento, acima da burocracia”, pondera.


Viana destaca a importância da educação em matemática (Foto: Divulgação/Impa)


Outra característica do Impa que vem contribuindo para alavancar a Matemática brasileira no exterior é a internacionalização. “Metade dos nossos alunos são estrangeiros. Os que não ficam no Brasil depois do curso voltam aos seus países, onde acabam se tornando embaixadores da nossa Matemática no exterior”, disse Viana. O instituto também investe no aprimoramento de professores de Matemática. “Oferecemos formação continuada de professores do ensino médio, desde os anos 1990. Hoje, temos mais de 70 polos de ensino de Matemática a distância, pela internet, espalhados pelo Brasil”, completa.

No entanto, mesmo com potencial para a pesquisa na área, a Matemática no Brasil ainda é vista, pela maioria dos alunos em idade escolar e até pela população em geral, como um “bicho-papão”. Uma iniciativa importante para desmistificar essa ideia e atrair novos talentos é a realização da Olimpíada Brasileira de Matemática das Escolas Públicas (OBMEP), organizada pelo Impa desde 2005. “Cerca de 18 milhões de jovens, de escolas públicas e, em 2017, também das escolas privadas, participaram da Olimpíada. É um esforço enorme para aproximar a Matemática das crianças e desfazer a imagem ruim dessa disciplina junto às crianças e famílias”, afirma.

O matemático destaca que mudanças estruturais na educação do País são necessárias. “Entrar no 'Grupo 5' não resolve todos os problemas, mas aumenta a autoestima dos nossos alunos. Infelizmente, o Brasil é um país que investe muito pouco em ciência; menos de 1% do PIB é destinado à pasta de ciência, tecnologia, inovações e comunicações. Deveríamos investir pelo menos o dobro, pois ciência não é gasto, é investimento. Países com visão estratégica sabem que a ciência é o melhor retorno para sair da crise.”

Outra boa nova para a matemática brasileira é que, neste ano de 2018, o Rio vai sediar o Congresso Internacional de Matemáticos, um dos principais eventos mundiais na área, que ocorre a cada quatro anos. “Estamos no Biênio da Matemática (2017-18), conforme foi estabelecido pela Lei 13.358, especialmente para a realização, no Brasil, dos dois maiores eventos matemáticos internacionais. De 12 a 23 de julho de 2017, sediamos a Olimpíada Internacional de Matemática e, este ano, vamos receber o Congresso Internacional de Matemáticos”, diz Viana, que é o coordenador do comitê organizador do congresso.


Autor: Débora Motta
Fonte: Faperj
Sítio Online da Publicação: Faperj
Data de Publicação: 22/02/2018
Publicação Original: http://www.faperj.br/?id=3525.2.0

quinta-feira, 22 de fevereiro de 2018

Desmatamento na Amazônia está prestes a atingir limite irreversível

O desmatamento da Amazônia está prestes a atingir um determinado limite a partir do qual regiões da floresta tropical podem passar por mudanças irreversíveis, em que suas paisagens podem se tornar semelhantes às de cerrado, mas degradadas, com vegetação rala e esparsa e baixa biodiversidade.

O alerta foi feito em um editorial publicado nesta quarta-feira (21/02) na revista Science Advances. O artigo é assinado por Thomas Lovejoy, professor da George Mason University, nos Estados Unidos, e Carlos Nobre, coordenador do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia para Mudanças Climáticas – um dos INCTs apoiados pela FAPESP no Estado de São Paulo em parceria com o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) – e pesquisador aposentado do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe).

“O sistema amazônico está prestes a atingir um ponto de inflexão”, disse Lovejoy à Agência FAPESP. De acordo com os autores, desde a década de 1970, quando estudos realizados pelo professor Eneas Salati demonstraram que a Amazônia gera aproximadamente metade de suas próprias chuvas, levantou-se a questão de qual seria o nível de desmatamento a partir do qual o ciclo hidrológico amazônico se degradaria ao ponto de não poder apoiar mais a existência dos ecossistemas da floresta tropical.

Os primeiros modelos elaborados para responder a essa questão mostraram que esse ponto de inflexão seria atingido se o desmatamento da floresta amazônica atingisse 40%. Nesse cenário, as regiões Central, Sul e Leste da Amazônia passariam a registrar menos chuvas e ter estação seca mais longa. Além disso, a vegetação das regiões Sul e Leste poderiam se tornar semelhantes à de savanas.

Nas últimas décadas, outros fatores além do desmatamento começaram a impactar o ciclo hidrológico amazônico, como as mudanças climáticas e o uso indiscriminado do fogo por agropecuaristas durante períodos secos – com o objetivo de eliminar árvores derrubadas e limpar áreas para transformá-las em lavouras ou pastagens.

A combinação desses três fatores indica que o novo ponto de inflexão a partir do qual ecossistemas na Amazônia oriental, Sul e Central podem deixar de ser floresta seria atingido se o desmatamento alcançar entre 20% e 25% da floresta original, ressaltam os pesquisadores.

O cálculo é derivado de um estudo realizado por Nobre e outros pesquisadores do Inpe, do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden) e da Universidade de Brasília (UnB), publicado em 2016 na revista Proceedings of the National Academy of Sciences.

“Apesar de não sabermos o ponto de inflexão exato, estimamos que a Amazônia está muito próxima de atingir esse limite irreversível. A Amazônia já tem 20% de área desmatada, equivalente a 1 milhão de quilômetros quadrados, ainda que 15% dessa área [150 mil km2] esteja em recuperação”, ressaltou Nobre.

Margem de segurança

Segundo os pesquisadores, as megassecas registradas na Amazônia em 2005, 2010 e entre 2015 e 2016, podem ser os primeiros indícios de que esse ponto de inflexão está próximo de ser atingido.

Esses eventos, juntamente com as inundações severas na região em 2009, 2012 e 2014, sugerem que todo o sistema amazônico está oscilando. “A ação humana potencializa essas perturbações que temos observados no ciclo hidrológico da Amazônia”, disse Nobre.

“Se não tivesse atividade humana na Amazônia, uma megasseca causaria a perda de um determinado número de árvores, que voltariam a crescer em um ano que chove muito e, dessa forma, a floresta atingiria o equilíbrio. Mas quando se tem uma megasseca combinada com o uso generalizado do fogo, a capacidade de regeneração da floresta diminui”, explicou o pesquisador.

A fim de evitar que a Amazônia atinja um limite irreversível, os pesquisadores sugerem a necessidade de não apenar controlar o desmatamento da região, mas também construir uma margem de segurança ao reduzir a área desmatada para menos de 20%.

Para isso, na avaliação de Nobre, será preciso zerar o desmatamento na Amazônia e o Brasil cumprir o compromisso assumido no Acordo Climático de Paris, em 2015, de reflorestar 12 milhões de hectares de áreas desmatadas no país, das quais 50 mil km2 são da Amazônia.

“Se for zerado o desmatamento na Amazônia e o Brasil cumprir seu compromisso de reflorestamento, em 2030 as áreas totalmente desmatadas na Amazônia estariam em torno de 16% a 17%”, calculou Nobre.

“Dessa forma, estaríamos no limite, mas ainda seguro, para que o desmatamento, por si só, não faça com que o bioma atinja um ponto irreversível”, disse

O editorial Amazon tipping point (doi: 10.1126/sciadv.aat2340), assinado por Thomas Lovejoy e Carlos Nobre, pode ser lido na revista Science Advances em http://advances.sciencemag.org/content/4/2/eaat2340.

O artigo Land-use and climate change risks in the Amazon and the need of a novel sustainable development paradigm (doi: 10.1073/pnas.1605516113), de Carlos Nobre, Gilvan Sampaio, Laura Borma, Juan Carlos Castilla-Rubio, José Silva e Manoel Cardoso, pode ser lido na revista PNAS em http://www.pnas.org/content/113/39/10759.

Autor: Elton Alisson
Fonte: Agência FAPESP
Sítio Online da Publicação: FAPESP
Data de Publicação: 21/02/2018
Publicação Original: http://agencia.fapesp.br/desmatamento_na_amazonia_esta_prestes_a_atingir_limite_irreversivel/27180/

terça-feira, 30 de janeiro de 2018

Deixar faltar água e esgotamento sanitário é violação de direitos humanos. Entrevista com Léo Heller

Quando nos deparamos com falta d’água, estamos falando de violação de direitos humanos, orienta Léo Heller, pesquisador da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e relator especial da Organização das Nações Unidas (ONU) para os direitos humanos à água e ao esgotamento sanitário. Com mandato outorgado pelo Conselho de Direitos Humanos da ONU, Heller faz voluntariamente dois relatórios temáticos por ano, além de dois anuais sobre a situação de diferentes países.

Léo Heller. Foto: Fiocruz


Seu trabalho pode ser um marco importante na direção de soluções para problemas frequentes, entre eles, os de regulação e de acessibilidade financeira. “A rigor, cortar água de quem não pode pagar é violação dos direitos humanos.Então, os países signatários dos tratados e resoluções deveriam ter uma lei que claramente proibisse o corte nesses casos”, afirma ele.

Leia a seguir a entrevista dividida por tópicos, com o objetivo de facilitar a compreensão do tema sob a ótica dos direitos humanos.



Origem do saneamento como direito – “No arcabouço legal internacional, os direitos à água e ao esgotamento sanitário derivam do artigo 25 da Declaração Universal dos Direitos Humanos, de 1948, que trata do padrão mínimo adequado de vida. Posteriormente, várias convenções, como das crianças, das mulheres, das pessoas com deficiências, citaram explicitamente o direito à água, mas é em 2010 que a ONU aprova a resolução que define mais especificamente o direito humano à água e ao esgotamento sanitário. Já tinha havido uma tentativa antes, com voto contrário de vários países, inclusive do Brasil. Porém em 2010, o Brasil é um dos países que mais fortemente apoia a resolução, apresentada pelo governo da Bolívia, e aprovada com 123 votos favoráveis e 41 abstenções. O direito à água fala do uso prioritário para consumo humano. Se numa comunidade há uma empresa que está reduzindo a disponibilidade de água para consumo humano a um nível insuficiente, está havendo violação do direito”, afirma Heller.

Falta incluir na Constituição Federal – “Vários países já mudaram sua Constituição para incluir os direitos à água e ao esgotamento sanitário. O Brasil não fez isso. Existem propostas de emendas constitucionais (PECs), mas aparentemente a agenda do Congresso e do governo é outra. O Brasil está atrasado em relação a isso, mas o Judiciário brasileiro tem chamado o tema, fazendo prevalecer esses direitos”, disse.

Como avaliar à luz do direito humano – “De forma bem esquemática, o que se faz é associar duas dimensões distintas: o conteúdo normativo e os princípios dos direitos humanos. No caso da água, de acordo com o conteúdo normativo, cinco requisitos devem ser cumpridos:
Acessibilidade financeira: as pessoas não devem ter o acesso ao serviço negado por falta de capacidade financeira de pagamento;
Acessibilidade física: os serviços devem ser fornecidos de tal maneira que todos possam ter acesso, idosos, crianças, população rural, população em situação de rua, escolas, presídios etc.;
Disponibilidade: os governos têm a responsabilidade de prover de infraestrutura os serviços 24 horas por dia, próximo às residências e demais locais;
Aceitabilidade: as soluções precisam levar em conta os valores culturais e características das comunidades;
E qualidade.

Para o esgotamento sanitário, a esses elementos se agregam os requisitos da privacidade e da dignidade.

Já entre os princípios estão o do direito à informação e à participação, além da igualdade e não discriminação, que é muito central. O padrão de fornecimento desses serviços no Brasil é discriminatório. Se fizermos qualquer distribuição de quem tem e de quem não tem acesso – ou quem tem melhor ou pior –, veremos sempre que quanto mais rico, melhor o serviço. Este é um padrão que tem se mantido no Brasil de forma muito acentuada.

Quando associamos o conteúdo normativo e os princípios, podemos analisar se está ou não havendo violação de direitos humanos. Um princípio muito interessante de analisar é o do cumprimento progressivo, ou seja, é esperado avanço gradativo. Quando há retrocesso, há violação”, explica.

Falha na regulação dos serviços – “O processo de regulação pode ser um instrumento importante para enquadrar esses serviços no marco dos direitos humanos. Entretanto, em um relatório que fiz sobre regulação, acabou ficando claro como essas agências são em geral orientadas pelos aspectos econômicose não incluem em seus ordenamentos os princípios dos direitos humanos: acessibilidade, participação etc”.

Acesso para os mais pobres e proibição de corte de água – “Outro relatório foi sobre acessibilidade financeira, um tema que me parece muito central, porque a grande preocupação dos reguladores e dos prestadores dos serviços é que seja economicamente sustentável. E eu concordo com essa preocupação, porque quando isso não ocorre, o resultado é o sistema se deteriorar, além de não haver expansão; e os pobres, em geral, são os que sofrem. Mas associado a isso precisa haver o cuidado com a acessibilidade financeira. Existem algumas experiências interessantes no mundo sobre mecanismos para garantir o acesso. Aqui no Brasil há tarifa social em alguns estados, porém muitas vezes são mal aplicadas, com abrangência pequena e baixa capacidade de detectar quem realmente precisa. Alguns países estabelecem um mínimo vital gratuito, como África do Sul e Colômbia; e outros possuem subsídios. Existem muitos modelos e não há constatação de qual deles consegue focalizar as pessoas que precisam. Às vezes a intenção é boa, mas o resultado acaba perpetuando a exclusão dos que não podem pagar.

Associado a esse princípio tem a proibição do corte. A rigor, cortar água de quem não pode pagar é violação dos direitos humanos, então os países signatários deveriam ter uma lei que claramente proibisse o corte nesses casos. Quando aplicamos a lente analítica dos direitos humanos, podemos ressignificar melhor a área de saneamento e, com isso, enxergar mais as violações.

Penalidade para violadores – A expressão violação dos direitos humanos tem pelo menos duas dimensões: jurídica – quem viola tem que ser juridicamente penalizado e obrigado a cessar a violação e reparar os danos; e política, que me parece mais importante. Falar em violação de direitos humanos tem uma força que constrange e pode ajudar nas lutas na direção de uma visão mais social. A ONU não é homogênea, é um reflexo da geopolítica mundial, no entanto, o Conselho de Direitos Humanos, tradicionalmente, tem posturas muito progressistas.

Existe uma dinâmica chamada de revisão periódica universal, na qual todos os países são avaliados a cada cinco anos, quando é feita uma radiografia do desempenho de cada um quanto ao cumprimento dos direitos humanos. O que pode resultar dessas reuniões, que são abertas, é constrangimento. É muito difícil a ONU obrigar um país a remediar uma violação. Mesmo assim, a pressão internacional pode ter seu papel. Nesse período de um ano e meio, houve várias declarações da ONU contra o governo brasileiro, como em relação à Samarco, à Zica, à PEC do Teto e aos direitos indígenas.



Retrocesso no Brasil – O Brasil fez um esforço enorme de elaborar o Plano Nacional de Saneamento Básico (Plansab), que garantiria uma visão de 20 anos, e está engavetado. O governo trocou essa agenda pela da privatização e redução dos investimentos. Se olharmos os países em situação mais bem resolvida, que são os desenvolvidos, veremos que eles garantiram isso com décadas sequenciais, quase um século, de investimentos públicos contínuos.

Privatização à luz do direito – A discussão não é simples. O direito à água não prescreve o tipo de gestor, nem diz que se privatizar, necessariamente haverá violação. Tenho alguma experiência em pesquisar privatização, mas não como relator da ONU, que me revelam diferentes preocupações nos processos de privatização, inclusive de violação dos direitos humanos. De fato, a tendência internacional hoje é muito mais no sentido de remunicipalizar, de reestatizar. Alguns países estão indo no caminho da privatização e são situações mais particulares, como a China, que está abrindo mais o capital, ou países europeus submetidos à troika, num processo com reestruturações e reforma fiscal.

Dois anos atrás saiu uma publicação muito interessante, que fala de 180 experiências de remunicipalização recentes no mundo, países como França, Estados Unidos, Argentina, Bolívia, nações da Ásia. Alguns processos de privatização levam a retrocessos e a violações, como aumento do preço da água, recusa em expandir o sistema para populações mais pobres, baixa participação, informações opacas.


Da Casa Fluminense, in EcoDebate, ISSN 2446-9394, 29/01/2018




Autor: Casa Fluminense
Fonte: EcoDebate
Sítio Online da Publicação: EcoDebate
Data de Publicação: 29/01/2018
Publicação Original: https://www.ecodebate.com.br/2018/01/29/deixar-faltar-agua-e-esgotamento-sanitario-e-violacao-de-direitos-humanos-entrevista-com-leo-heller/

terça-feira, 23 de janeiro de 2018

Poluição praticamente anula efeito de caminhada em idosos



Pessoas com mais de 60 anos devem escolher áreas verdes e calmas para se exercitar. Um estudo do Imperial College de Londres e da Universidade Duke, dos Estados Unidos, indica que os benefícios para o coração e os pulmões de duas horas de caminhada são rapidamente neutralizados se a atividade física for feita em uma área poluída (The Lancet, 5 de dezembro). Os pesquisadores recrutaram 119 homens e mulheres dessa faixa etária: um terço deles saudável e dois terços com histórico de problema cardíaco ou pulmonar, mas com a doença sob controle. Os voluntários caminharam por um par de horas em um trecho calmo do Hyde Park, grande área verde de Londres, e, em outro dia, cumpriram essa mesma tarefa em um ambiente poluído e agitado do centro da capital inglesa, um trecho comercial da Oxford Street. As análises indicaram que todos os participantes que andaram no parque apresentaram benefícios pulmonares significativos e redução da rigidez das artérias uma hora após o término do exercício. Em muitos casos, os ganhos se estenderam por até 24 horas. Os exames, no entanto, indicaram que a caminhada na zona mais poluída da cidade quase não trouxe ganhos de saúde ou produziu benefícios que se prolongaram por apenas duas horas.

Autor: fapesp
Fonte: fapesp
Sítio Online da Publicação: fapesp
Data de Publicação: 21/12/2017
Publicação Original: http://revistapesquisa.fapesp.br/2017/12/28/poluicao-praticamente-anula-efeito-de-caminhada-em-idosos/

quarta-feira, 1 de novembro de 2017

Nanoarte do CDMF concorre em concurso dos Estados Unidos

Sete imagens de nanoarte feitas por integrantes do Centro de Desenvolvimento de Materiais Funcionais (CDMF) estão concorrendo ao concurso NanoArtography, promovido pelo A. J. Nanomaterials Institute da Drexel University, Estados Unidos.


Centro de Desenvolvimento de Materiais Funcionais tem sete imagens no concurso NanoArtography. Público pode votar até 6 de novembro (imagem: Rorivaldo de Camargo / UFCar-CDMF)

A votação está aberta para o público até dia 6 de novembro de 2017. O CDMF é um Centro de Pesquisa, Inovação e Difusão (CEPID) apoiado pela FAPESP.

O concurso é uma competição de imagens científicas que recebe o nome “Nature’s Beauty at the Small Scale”. Neste ano estão concorrendo: "Indian Love (Tin Oxide)", de Enio Longo (Universidade Federal de São Carlos - UFSCar), "Lucky Day", de Ricardo Tranquilin (Universidade Federal do Rio Grande do Norte - UFRN), "Crown of Lauren", de Ricardo Tranquilin (UFRN), "Western", de Rorivaldo de Camargo (UFSCar), "Rising up", de Rorivaldo de Camargo (UFSCar), e "Puzzles", de Rorivaldo de Camargo (UFSCar).

CDMF já teve imagens vencedoras em outras edições. Na última edição do concurso, Tranquilin obteve a terceira colocação com a imagem “Gerbera Flower”, desenvolvida a partir de uma imagem do tungstato de estrôncio obtida a partir da utilização de canhão de emissão de campo – Microscópio Eletrônico de Varredura (FEG – SEM).

As imagens estão disponíveis na página do Facebook do concurso. Para votar, basta entrar nos links das imagens e dar like (curtir). A imagem com maior número de curtidas será a vencedora. O resultado será divulgado na página do Facebook da competição após o período de votação.



Autora: Agência FAPESP
Fonte: Agência FAPESP
Sítio Online da Publicação: Agência FAPESP
Data de Publicação: 01/11/2017
Publicação Original: http://agencia.fapesp.br/nanoarte_do_cdmf_concorre_em_concurso_dos_estados_unidos/26547/