Mostrando postagens com marcador idosos. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador idosos. Mostrar todas as postagens

terça-feira, 14 de agosto de 2018

Idosos que se preparam para a morte vivem melhor, mostra estudo



Pesquisa do Instituto de Psicologia trata das questões que permeiam a mente do idoso quando se sente próximo à morte – Foto: Mabel Amber via Pixabay – CC

.
Pesquisa indica que se preparar para a morte é viver uma vida mais digna. O estudo foi feito por Gabriela Machado Gilberti, do Instituto de Psicologia (IP) da USP, com idosos com mais de 80 anos e mostrou que ignorar a morte ou tratá-la como tabu traz sofrimento durante o processo de envelhecimento.


“E importante que se naturalize a ideia de se preparar para a morte, o que faz com que as pessoas vivam sua existência da melhor forma possível”, Gabriela Machado Gilberti, autora da pesquisa.

Gabriela abordou questões intrínsecas à morte e ao envelhecimento de idosos que se consideravam preparados para a morte. A intensão era ampliar a visão dominante sobre o assunto e compreender de fato o que seria esta preparação.

Segundo a pesquisadora, os entrevistados discorreram sobre a morte com naturalidade, e entre as questões levantadas, duas se destacaram que foi a noção de corporeidade e de temporalidade. Ou seja, “a relação que o idoso mantinha com seu corpo devido às perdas ocasionadas pelas condições de saúde (corporeidade); e reflexões acerca do passado, do presente e do possível futuro encurtado (temporalidade). Tais pensamentos, afirma Gabriela, faziam parte do entendimento sobre a velhice, o significado da morte e o sentido da vida”, afirma.

Nos diálogos também se fizeram presente a dificuldade que os idosos possuíam de encontrar pessoas (familiares e profissionais da saúde) com quem pudessem discorrer sobre a questão da finitude da vida. Gabriela observou que “tal afastamento ocorre devido à cultura contemporânea que faz com que falar sobre a morte faz com que o interlocutor também reflita sobre a sua própria existência que é finita, o que causa medo e desconforto”, explica.

Nas entrevistas, foi possível identificar muitas possibilidades do que significa a preparação para a morte: reserva de dinheiro para pagamento de rituais fúnebres; a compra do próprio túmulo; divulgação do desejo de encaminhamento do corpo; testamentos; doações; despedidas; destinação de enxovais para um ente querido (bisnetos, por exemplo); quitação de dívidas; o cuidado de deixar exames e documentos em lugares de fácil acesso; dentre outros. Segundo Gabriela, “essas preparações foram feitas pelos idosos no sentido de cuidar da vida – tanto da própria quanto de familiares e amigos que permanecerão vivos após a morte do idoso”, afirma

Pesquisadora propõe aumento dos debates de como propiciar aos pacientes uma “morte digna” de forma a assegurar-lhes também uma existência honrada – Foto: Arek Socha via Pixabay – CC

.
Baseando-se no entendimento de que a sociedade moderna evita a reflexão sobre a morte e o envelhecimento, a pesquisadora explica que a medicina surge como tentativa de controlar e dominar o fim da vida. “De fato, os avanços tecnológicos melhoram o bem-estar, porém, o problema surge quando tais instrumentos são utilizados para prolongar vida sem refletir sobre a qualidade da existência de quem se mantém a vida e ou o sentido desse prolongamento”, explica Gabriela. Dessa forma, a pesquisadora propõe aumento dos debates de como propiciar aos pacientes uma “morte digna” de forma a assegurar-lhes também uma existência honrada.

Gabriela acrescenta que o diálogo é necessário para que se possa respeitar a singularidade de cada indivíduo porque a visão de “dignidade sobre a morte e a vida é completamente individual”. Em sua opinião, é importante que se naturalize a ideia do preparo para a morte, o que faz com que as pessoas vivam sua existência da melhor forma possível”. “A morte convoca para o tempo do viver”, conclui.

A pesquisa A única certeza da morte é a vida: investigação fenomenológica sobre idosos que se preparam para a morte, foi o resultado de mestrado de Gabriela Machado Gilberti, com orientação da professora Helena Rinaldi Rosa, do Programa de Pós graduação em Psicologia Escolar e do Desenvolvimento Humano do IP.

Mariana Navarro/Comunicação do Instituto de Psicologia




Autor: Mariana Navarro
Fonte: Jornal da USP
Sítio Online da Publicação: Jornal da USP
Data de Publicação: 13/08/2018
Publicação Original: https://jornal.usp.br/ciencias/ciencias-da-saude/idosos-que-se-preparam-para-a-morte-vivem-melhor-mostra-estudo/

segunda-feira, 30 de abril de 2018

IBGE/PNAD Contínua: Número de idosos cresce 18% em 5 anos e ultrapassa 30 milhões em 2017

A população brasileira manteve a tendência de envelhecimento dos últimos anos e ganhou 4,8 milhões de idosos desde 2012, superando a marca dos 30,2 milhões em 2017, segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua – Características dos Moradores e Domicílios, divulgada hoje pelo IBGE.

Em 2012, a população com 60 anos ou mais era de 25,4 milhões. Os 4,8 milhões de novos idosos em cinco anos correspondem a um crescimento de 18% desse grupo etário, que tem se tornado cada vez mais representativo no Brasil. As mulheres são maioria expressiva nesse grupo, com 16,9 milhões (56% dos idosos), enquanto os homens idosos são 13,3 milhões (44% do grupo).

“Não só no Brasil, mas no mundo todo vem se observando essa tendência de envelhecimento da população nos últimos anos. Ela decorre tanto do aumento da expectativa de vida pela melhoria nas condições de saúde quanto pela questão da taxa de fecundidade, pois o número médio de filhos por mulher vem caindo. Esse é um fenômeno mundial, não só no Brasil. Aqui demorou até mais que no resto do mundo para acontecer”, explica a gerente da PNAD Contínua, Maria Lúcia Vieira.

Entre 2012 e 2017, a quantidade de idosos cresceu em todas as unidades da federação, sendo os estados com maior proporção de idosos o Rio de Janeiro e o Rio Grande do Sul, ambas com 18,6% de suas populações dentro do grupo de 60 anos ou mais. O Amapá, por sua vez, é o estado com menor percentual de idosos, com apenas 7,2% da população.



Autodeclaração de pretos e pardos aumenta

Outro fenômeno recente é o aumento na autodeclaração de pretos e pardos nos últimos anos. De 2012 a 2017, os dois grupos cresceram consistentemente: os pretos foram de 7,4% da população para 8,6%, enquanto os pardos saíram de 45,3% para 46,8%. Os que se dizem brancos, por outro lado, caíram de 46,6% para 43,6%.

Como são os próprios entrevistados que definem sua cor ou raça, esse fenômeno pode ser explicado em grande parte por uma mudança cultural nos últimos anos.

“Podemos explicar isso por duas hipóteses. A primeira é a miscigenação da população. A população vai casando e se reproduzindo fora de sua etnia. A segunda hipótese é a questão das políticas de afirmação, das pessoas entenderem a importância de se dizer de determinada cor e não mais dizer que é de outra. É entender a importância de sua própria origem, de sua cor ou raça”, conclui Maria Lúcia.

O estado com maior percentual de população parda é o Amazonas, com 76,7%, enquanto a Bahia é a unidade da federação com maior proporção de pretos (20,9%) e Santa Catarina é a que tem mais brancos (82,8%).


Repórter: Rodrigo Paradella
Imagem: Governo da Bahia
Arte: Marcelo Barroso


Do IBGE, in EcoDebate, ISSN 2446-9394, 27/04/2018



Autor: IBGE
Fonte: EcoDebate
Sítio Online da Publicação: EcoDebate
Data de Publicação: 27/04/2018
Publicação Original: https://www.ecodebate.com.br/2018/04/27/ibgepnad-continua-numero-de-idosos-cresce-18-em-5-anos-e-ultrapassa-30-milhoes-em-2017/

terça-feira, 10 de abril de 2018

Lesões por pressão em idosos: como prevenir



Alguns pontos relevantes de um cuidado seguro são prevenção das lesões de pele e o cuidado no manuseio dos medicamentos

As lesões de pele nas pessoas idosas não são incomuns, sobretudo naquelas que se encontram acamadas. Em geral o indivíduo idoso tem a pele mais frágil, além de apresentar uma resposta inflamatória baixa, alteração na velocidade de circulação sanguínea, e todos esses são fatores que contribuem para retardo no processo de cicatrização. “Portanto, promover cuidados diários a este idoso deve ser numa tarefa constante”, diz Grasiela Piuvezam, cirurgiã dentista e coordenadora do PPG QualiSaúde UFRN/UMU/INSP, do Departamento de Saúde Coletiva – DSC da Universidade Federal do Rio Grande do Norte – UFRN, que organizou o “Guia prático de cuidado à saúde da pessoa idosa”, em parceria com a pesquisadora da área do Envelhecimento Humano, a enfermeira Dra. Vilani Medeiros de Araújo Nunes.

As boas práticas de cuidado com a pele que o cuidador deve ter envolvem, em primeiro lugar, a inspeção diária da pele do idoso com o objetivo de detectar possíveis alterações. “Um bom momento para a realização desta inspeção é durante o banho”, afirma Grasiela. “Esta detecção de alterações na pele devem desencadear imediatamente ações preventivas para que as alterações não se agravem”, completa a especialista. Assim, manter a integridade cutânea é de extrema importância para que o organismo possa se defender das diversas alterações ou mudanças às quais a pessoa está exposta no dia a dia.

Em relação ao manuseio dos medicamentos, é de conhecimento de todos que os idosos compõem o grupo de pessoas que mais utilizam medicamentos, em função de diversos fatores, dentre eles as múltiplas doenças crônicas que atingem comumente essa faixa etária. “A utilização criteriosa e cautelosa dos medicamentos é necessária para obter bons resultados terapêuticos, tendo em vista vários fatores adversos e reações medicamentosas que podem trazer malefícios à saúde desse idoso”, comenta Grasiela.

As boas práticas de cuidado em relação ao manuseio dos medicamentos para o cuidador são lavar as mãos antes de manusear o medicamento, conferir o nome do medicamento, conferir a data de validade, checar a dose a ser ministrada, seguir os horários corretos (se o medicamento for dado à noite deve-se fazê-lo de luzes acesas), estar atento ao processo de armazenamento correto dos medicamentos, além de seguir as recomendações médicas para a utilização correta dos medicamentos. Essas são algumas ações essenciais para garantir a segurança do idoso e obter o efeito desejado do medicamento.


Autor: Segurança do Paciente
Fonte: Segurança do Paciente
Sítio Online da Publicação: Segurança do Paciente
Data de Publicação: 01/04/2018
Publicação Original: https://www.segurancadopaciente.com.br/qualidade-assist/esoes-por-pressao-em-idosos-como-prevenir/?utm_source=IBSP+Newsletter&utm_campaign=a95706f624-EMAIL_CAMPAIGN_2018_04_06&utm_medium=email&utm_term=0_cf1fdfc664-a95706f624-170902285

terça-feira, 23 de janeiro de 2018

Poluição praticamente anula efeito de caminhada em idosos



Pessoas com mais de 60 anos devem escolher áreas verdes e calmas para se exercitar. Um estudo do Imperial College de Londres e da Universidade Duke, dos Estados Unidos, indica que os benefícios para o coração e os pulmões de duas horas de caminhada são rapidamente neutralizados se a atividade física for feita em uma área poluída (The Lancet, 5 de dezembro). Os pesquisadores recrutaram 119 homens e mulheres dessa faixa etária: um terço deles saudável e dois terços com histórico de problema cardíaco ou pulmonar, mas com a doença sob controle. Os voluntários caminharam por um par de horas em um trecho calmo do Hyde Park, grande área verde de Londres, e, em outro dia, cumpriram essa mesma tarefa em um ambiente poluído e agitado do centro da capital inglesa, um trecho comercial da Oxford Street. As análises indicaram que todos os participantes que andaram no parque apresentaram benefícios pulmonares significativos e redução da rigidez das artérias uma hora após o término do exercício. Em muitos casos, os ganhos se estenderam por até 24 horas. Os exames, no entanto, indicaram que a caminhada na zona mais poluída da cidade quase não trouxe ganhos de saúde ou produziu benefícios que se prolongaram por apenas duas horas.

Autor: fapesp
Fonte: fapesp
Sítio Online da Publicação: fapesp
Data de Publicação: 21/12/2017
Publicação Original: http://revistapesquisa.fapesp.br/2017/12/28/poluicao-praticamente-anula-efeito-de-caminhada-em-idosos/

quarta-feira, 29 de novembro de 2017

Presença de árvores reduz casos de câncer de pulmão em



Árvores diminuem a quantidade de material particulado no ar pois agem como filtros de captação e absorção – Foto: Marcos Santos/USP Imagens


Pesquisas feitas no exterior já têm mostrado como as árvores urbanas afetam a qualidade do ar. Um estudo da Universidade de Birmingham, no Reino Unido, por exemplo, concluiu que prédios cobertos por plantas poderiam diminuir em até 30% a poluição de uma cidade.

Agora a bióloga Bruna Lara de Arantes mostra, em seu mestrado, defendido na Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq) da USP, a relação entre arborização, material particulado e casos de câncer de pulmão em idosos na cidade de São Paulo.

O estudo aponta que a presença de árvores diminui a quantidade de material particulado no ar. Em consequência disso, foi observada também uma redução nos casos de doenças respiratórias.

Para chegar a esse resultado, a pesquisadora cruzou dados da Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb) e da Faculdade de Medicina da USP (FMUSP), através de um convênio firmado com a professora Thaís Mauad e a médica Tiana Lopes.




Regiões mais centrais da cidade são mais ocupadas por construções, enquanto que regiões mais afastadas têm mais árvores – Foto: Marcos Santos/USP Imagens

“Basicamente nós escolhemos as estações de monitoramento do ar da Cetesb que estavam medindo material particulado em 2010”, explica Bruna. “O material particulado é um dos poluentes que mais afetam a respiração humana e também um dos mais absorvidos pelas plantas. Isso acontece porque ele tem um tamanho microscópico, de 10 microgramas por centímetro cúbico (µg/cm³), o que permite que ele passe pela nossa respiração sem ser filtrado.”

Além dos dados coletados pela Cetesb, Bruna passou a analisar como o entorno das estações de monitoramento é ocupado. Verificou se havia mais asfalto, construções, árvores ou gramado, identificando as espécies de plantas que habitam um raio de 100 metros da estação.

Em seguida, Bruna usou programas estatísticos para observar como as mortes por câncer de pulmão em idosos estavam distribuídas pela cidade e se tinham alguma relação com os dados atmosféricos encontrados pela Cetesb.
Mortes pela poluição

“Os dados apontam que a forma como você ocupa o solo na cidade influencia em 17% os casos de morte por câncer de pulmão em idosos”, afirma Bruna. Outros fatores de risco que devem ser considerados são a genética e o estilo de vida dos idosos.

O estudo também encontrou uma relação entre a ocupação da cidade por relvado ou asfalto e a região no município. Regiões mais centrais são mais ocupadas por construções, enquanto que regiões mais afastadas têm mais árvores. “Esse padrão já era observado na literatura da área, mas não havia dados quantitativos como os desta pesquisa”, ressalta.



O material particulado é um dos poluentes que mais afetam a respiração humana e também um dos mais absorvidos pelas plantas – Foto: Marcos Santos/USP Imagens

Com os dados, foi possível concluir também que quanto mais afastado do centro da cidade e quanto maior for a quantidade de plantas no local, menos casos de câncer de pulmão são encontrados. “A saúde dessa população é favorecida”, pontua Bruna.

Ainda sim, a pesquisadora lembra que, pelo caráter exploratório da pesquisa, são necessários novos estudos sobre o assunto para afirmações mais concretas.

Segundo uma pesquisa publicada pela revista The Lancet, a poluição do ar foi responsável por mais de 70 mil mortes no Brasil.
Soluções

Além da importância acadêmica, o estudo também é de interesse da gestão pública. “Esses dados nos trazem evidências que, ao aumentar as áreas urbanas de gramados e árvores, há uma diminuição significativa da poluição do ar por material particulado”, defende a pesquisadora.



O estudo encontrou uma relação entre a ocupação da cidade por relvado ou asfalto e a região no município – Foto: Marcos Santos/USP Imagens

Segundo o estudo, o aumento de 1% de gramado na cidade é capaz de diminuir 0.45 μg/cm³ de material particulado. Já o aumento de um metro quadrado de copa de árvore reduz 0.29 μg/cm³.

“A ação dos gramados está relacionada à possibilidade de maior circulação do ar, levando em conta que essas partículas são muito leves e facilmente dispersas”, explica. “Já as árvores agem como filtros de captação e absorção.”

A bióloga ainda destaca que regiões com muitas construções verticais ou bosques fechados podem ter pouca ventilação. Nesse caso, é interessante a substituição de prédios inutilizados pela construção de áreas de gramado, como parques, jardins e canteiros.




Autora: Jornal USP
Fonte: Jornal USP
Sítio Online da Publicação: Jornal USP
Data de Publicação: 27/11/2017
Publicação Original: http://jornal.usp.br/ciencias/ciencias-ambientais/presenca-de-arvores-reduz-casos-de-cancer-de-pulmao-em-idosos/