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sexta-feira, 12 de abril de 2019

Pesquisa do IB-USP revela que a poluição do ar afeta crescimento de árvores em São Paulo

Os efeitos da poluição do ar à saúde humana já são conhecidos. Uma pesquisa do Instituto de Biociências (IB) da Universidade de São Paulo (USP) identificou agora que as árvores também sofrem esses efeitos, o que interfere nos benefícios ambientais prestados por elas. Os pesquisadores utilizaram como modelo a tipuana (Tipuana tipu) – uma das espécies de árvores mais comuns em São Paulo – e mostraram que os poluentes atmosféricos restringem o desenvolvimento desse tipo de planta.

ABr


Tipuana tipu. Foto: Wikimedia


Diminuir temperatura, produzir vapor de água, mitigar o escoamento da água da chuva e, inclusive, filtrar a poluição são alguns dos benefícios das árvores no ambiente urbano que estão prejudicados. “Vamos precisar muito desses serviços ambientais para a gente se adaptar aos impactos das mudanças climáticas. É muito importante ter árvores na cidade. Quanto mais saudáveis elas forem, mais rapidamente a gente vai ganhar esse serviço [ambiental]. As árvores que estão crescendo neste momento estão, provavelmente, sofrendo com o efeito da poluição”, disse Marcos Buckeridge, professor do IB-USP e responsável pelo projeto.

Foram analisadas 41 tipuanas localizadas em diferentes distâncias do Polo Industrial de Capuava, em Mauá, uma das áreas mais industrializadas da região metropolitana de São Paulo. De acordo com os pesquisadores, o bairro é composto por áreas residenciais e comerciais e um polo industrial, formado por refinarias de petróleo e fábricas de cimento e fertilizantes, por onde circula grande quantidade de caminhões e carros.

Estudo

Com um instrumento semelhante a uma broca de furadeira, mas com o interior oco, chamado de sonda Pressler, os pesquisadores retiraram amostras das cascas e dos anéis de crescimento. Eles analisaram a composição química e o tamanho dos anéis e conseguiram medir a variação dos níveis de poluição do ar por diversos elementos químicos a que as plantas foram expostas durante o desenvolvimento e como esse fator influenciou o crescimento delas.

“Nós pegamos árvores que estão em posição onde há uma poluição muito forte e comparamos com árvores onde a poluição não é tão forte”, afirmou Buckeridge. Quando os anéis são muito grandes ou largos, isso indica anos de bom crescimento, ou seja, foram anos de menores níveis de poluição. Os anéis de crescimento menores ou mais estreitos, por sua vez, representam anos de crescimento ruim, quando os níveis de poluição foram maiores.

“As árvores mais próximas às vias de tráfego e expostas a concentrações mais altas de alumínio, bário e zinco, gerados pelo desgaste de peças de automóveis, tiveram menor crescimento ao longo dos anos”, mostra o estudo, que teve apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp).

De acordo com a pesquisa, o material particulado (partículas muito finas de sólidos ou líquidos suspensos no ar) com tamanho de até 10 micrômetros (PM10), emitido pelo polo industrial, reduziu em até 37% a taxa de crescimento do diâmetro das árvores mais próximas à área.

Os resultados das análises da composição química das amostras das cascas foram confirmadas com dados obtidos por meio de séries temporais de emissões de material particulado na região de Capuava por cerca de 20 anos, elaboradas pela Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb).

O estudo revela que os metais pesados e o material particulado influenciam o desenvolvimento das árvores ao mudar as propriedades ópticas da superfície das folhas. “Dessa forma, aumentam a temperatura e reduzem a disponibilidade de luz para a fotossíntese da planta. Além disso, podem reduzir as trocas gasosas das árvores ao acumular nos estômatos foliares – um conjunto de células nas folhas da planta que permitem a troca de gases com o ambiente e a transpiração do vegetal”.

Buckeridge destaca que a pesquisa mostrou o impacto da poluição no desenvolvimento das tipuanas e, agora, em novas etapas do trabalho, será possível calcular os impactos para a cidade como um todo. “Agora vamos ter que integrar, fazer a modelagem da arborização em São Paulo e ver, no caso da tipuana tipu, quais são esses efeitos no nível macro, mas nós não temos esse número ainda”, explicou.


Por Camila Maciel, da Agência Brasil, in EcoDebate, ISSN 2446-9394, 12/04/2019




Autor: Camila Maciel
Fonte: Agência Brasil
Sítio Online da Publicação: EcoDebate
Data: 12/04/2019
Publicação Original: https://www.ecodebate.com.br/2019/04/12/pesquisa-do-ib-usp-revela-que-a-poluicao-do-ar-afeta-crescimento-de-arvores-em-sao-paulo/

quinta-feira, 14 de dezembro de 2017

Cientistas brasileiros descobrem que árvores amazônicas são grandes emissoras de metano



Durante expedição à Floresta Amazônica, pesquisadores mediram
a emissão de metano de 2.300 árvores (Foto: Divulgação)



As árvores das florestas alagadas em torno do rio Amazonas emitem tanto metano (CH4) para a atmosfera quanto todos os oceanos do mundo juntos. Foi o que constatou pesquisa conduzida pelos professores Alex Enrich-Prast, do Departamento de Botânica do Instituto de Biologia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ); Humberto Marotta, do Instituto de Geografia da Universidade Federal Fluminense; e Olaf Malm, do Instituto de Biofísica Carlos Chagas Filho da UFRJ. Enrich-Prast, Malm e Marotta são Cientistas do Nosso Estado e Jovem Cientista do Nosso Estado da FAPERJ, respectivamente. O estudo, que rendeu um artigo publicado na revista Nature, foi desenvolvido em conjunto com pesquisadores da Open University, no Reino Unido, e da Universidade de Linköping, na Suécia.

Segundo Enrich-Prast, durante a pesquisa, foram realizadas duas expedições à Amazônia, uma em 2013 e a outra em 2014. Na última, cerca de 20 pesquisadores percorreram de barco mais de mil quilômetros no trajeto que seguiu por Manaus e atravessou os rios Negro, Solimões e Tapajós durante 60 dias. Os biólogos analisaram as emissões de metano de 2.300 árvores. “Foi surpreendente encontrar uma fonte natural de emissão de metano tão relevante do ponto de vista global e que era totalmente desconhecida e desconsiderada. E ainda descobrir que os gases são eliminados pelos caules”, afirma Enrich-Prast.

Embora os gases emitidos pelas árvores realmente contribuam para o aquecimento global, de acordo com o pesquisador, a floresta nunca deve ser considerada um perigo para o meio ambiente por esse fator. “São fontes naturais, que certamente emitem metano há milhões e milhões de anos. Devemos nos preocupar com as fontes artificiais de emissão desse gás, provenientes, principalmente, da indústria de laticínios e carne, da queima de combustíveis fósseis e dos aterros sanitários. O que devemos questionar é como a intervenção humana vem alterando de forma significativa a natureza, e o quanto essas mudanças climáticas vêm afetando o comportamento das árvores, inclusive na quantidade de metano emitida por elas”, diz.

Para Marotta, o resultado desse trabalho mostra a importância de se pesquisar com mais profundidade áreas tropicais. “Essa descoberta sinaliza apenas o começo de muitas pesquisas que ainda vamos realizar. Já estão planejadas novas expedições à Amazônia para que possamos começar a desvendar os processos que regulam essas emissões de metano, se elas variam ao longo do ano, se existem famílias e gêneros de plantas que tenham maiores taxas de emissão, por exemplo”, finaliza.



Autora: Danielle Kiffer
Fonte: faperj
Sítio Online da Publicação: faperj
Data de Publicação: 07/12/2017
Publicação Original: http://www.faperj.br/?id=3510.2.7

quarta-feira, 29 de novembro de 2017

Presença de árvores reduz casos de câncer de pulmão em



Árvores diminuem a quantidade de material particulado no ar pois agem como filtros de captação e absorção – Foto: Marcos Santos/USP Imagens


Pesquisas feitas no exterior já têm mostrado como as árvores urbanas afetam a qualidade do ar. Um estudo da Universidade de Birmingham, no Reino Unido, por exemplo, concluiu que prédios cobertos por plantas poderiam diminuir em até 30% a poluição de uma cidade.

Agora a bióloga Bruna Lara de Arantes mostra, em seu mestrado, defendido na Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq) da USP, a relação entre arborização, material particulado e casos de câncer de pulmão em idosos na cidade de São Paulo.

O estudo aponta que a presença de árvores diminui a quantidade de material particulado no ar. Em consequência disso, foi observada também uma redução nos casos de doenças respiratórias.

Para chegar a esse resultado, a pesquisadora cruzou dados da Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb) e da Faculdade de Medicina da USP (FMUSP), através de um convênio firmado com a professora Thaís Mauad e a médica Tiana Lopes.




Regiões mais centrais da cidade são mais ocupadas por construções, enquanto que regiões mais afastadas têm mais árvores – Foto: Marcos Santos/USP Imagens

“Basicamente nós escolhemos as estações de monitoramento do ar da Cetesb que estavam medindo material particulado em 2010”, explica Bruna. “O material particulado é um dos poluentes que mais afetam a respiração humana e também um dos mais absorvidos pelas plantas. Isso acontece porque ele tem um tamanho microscópico, de 10 microgramas por centímetro cúbico (µg/cm³), o que permite que ele passe pela nossa respiração sem ser filtrado.”

Além dos dados coletados pela Cetesb, Bruna passou a analisar como o entorno das estações de monitoramento é ocupado. Verificou se havia mais asfalto, construções, árvores ou gramado, identificando as espécies de plantas que habitam um raio de 100 metros da estação.

Em seguida, Bruna usou programas estatísticos para observar como as mortes por câncer de pulmão em idosos estavam distribuídas pela cidade e se tinham alguma relação com os dados atmosféricos encontrados pela Cetesb.
Mortes pela poluição

“Os dados apontam que a forma como você ocupa o solo na cidade influencia em 17% os casos de morte por câncer de pulmão em idosos”, afirma Bruna. Outros fatores de risco que devem ser considerados são a genética e o estilo de vida dos idosos.

O estudo também encontrou uma relação entre a ocupação da cidade por relvado ou asfalto e a região no município. Regiões mais centrais são mais ocupadas por construções, enquanto que regiões mais afastadas têm mais árvores. “Esse padrão já era observado na literatura da área, mas não havia dados quantitativos como os desta pesquisa”, ressalta.



O material particulado é um dos poluentes que mais afetam a respiração humana e também um dos mais absorvidos pelas plantas – Foto: Marcos Santos/USP Imagens

Com os dados, foi possível concluir também que quanto mais afastado do centro da cidade e quanto maior for a quantidade de plantas no local, menos casos de câncer de pulmão são encontrados. “A saúde dessa população é favorecida”, pontua Bruna.

Ainda sim, a pesquisadora lembra que, pelo caráter exploratório da pesquisa, são necessários novos estudos sobre o assunto para afirmações mais concretas.

Segundo uma pesquisa publicada pela revista The Lancet, a poluição do ar foi responsável por mais de 70 mil mortes no Brasil.
Soluções

Além da importância acadêmica, o estudo também é de interesse da gestão pública. “Esses dados nos trazem evidências que, ao aumentar as áreas urbanas de gramados e árvores, há uma diminuição significativa da poluição do ar por material particulado”, defende a pesquisadora.



O estudo encontrou uma relação entre a ocupação da cidade por relvado ou asfalto e a região no município – Foto: Marcos Santos/USP Imagens

Segundo o estudo, o aumento de 1% de gramado na cidade é capaz de diminuir 0.45 μg/cm³ de material particulado. Já o aumento de um metro quadrado de copa de árvore reduz 0.29 μg/cm³.

“A ação dos gramados está relacionada à possibilidade de maior circulação do ar, levando em conta que essas partículas são muito leves e facilmente dispersas”, explica. “Já as árvores agem como filtros de captação e absorção.”

A bióloga ainda destaca que regiões com muitas construções verticais ou bosques fechados podem ter pouca ventilação. Nesse caso, é interessante a substituição de prédios inutilizados pela construção de áreas de gramado, como parques, jardins e canteiros.




Autora: Jornal USP
Fonte: Jornal USP
Sítio Online da Publicação: Jornal USP
Data de Publicação: 27/11/2017
Publicação Original: http://jornal.usp.br/ciencias/ciencias-ambientais/presenca-de-arvores-reduz-casos-de-cancer-de-pulmao-em-idosos/