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terça-feira, 11 de junho de 2019

Como 'ensinar' seu corpo a acordar cedo, segundo cientistas


Direito de imagemGETTY IMAGESImage captionTécnicas simples, como redução do consumo de cafeína e exposição ao sol pela manhã, podem ajudar a ajustar relógio biológico

Mudanças simples de hábito podem ajudar a ajustar o relógio biológico e melhorar o bem-estar, concluem cientistas na Austrália e no Reino Unido.

Os pesquisadores se concentraram nos chamados "corujões", indivíduos que têm uma predisposição natural a ficar acordados até tarde da noite.

Os participantes foram orientados a adotar técnicas simples, como horários regulares para dormir, redução do consumo de cafeína e exposição ao sol pela manhã.


Embora a abordagem pareça óbvia, pode fazer uma diferença importante na vida das pessoas, de acordo com os cientistas.

Todo mundo tem um relógio biológico interno, que é influenciado pela variação da luz. Mais precisamente, pelo nascer e o pôr do sol. É por isso que dormimos à noite.

Mas os "relógios" de algumas pessoas são mais atrasados do que outros.

Enquanto os indivíduos diurnos tendem a levantar da cama cedo, mas lutam para ficar acordados até tarde, os notívagos são o oposto, preferem acordar mais tarde e permanecem ativos até altas horas da noite.
Acordar tarde faz mal?

O problema para muitos "corujões" é se encaixar em um mundo baseado no horário comercial, de 9h às 17h, com o despertador tocando cedo, horas antes de seu corpo estar pronto.

Não é à toa que pesquisas recentes mostram que ser notívago está associado a um risco maior de morrer de forma prematura, assim como de desenvolver doenças físicas ou mentais.


Image caption
Você se considera uma pessoa diurna ou noturna?

Os cientistas analisaram o comportamento de 21 "notívagos extremos" que costumavam ir dormir às 2h30 e só acordavam depois das 10h.

E deram aos participantes as seguintes instruções:

- Acorde 2 a 3 horas mais cedo que o habitual e pegue sol ao ar livre pela manhã.

- Tome café da manhã assim que possível.

- Pratique exercício físico apenas pela manhã.

- Almoce na mesma hora todos os dias e não coma nada depois das 19h.

- Corte a cafeína depois das 15h.

- Não tire cochilos depois das 16h.

- Vá para a cama 2 a 3 horas mais cedo que o habitual e reduza a iluminação à noite.

- Mantenha os mesmos horários de sono e vigília todos os dias.

Após três semanas, os participantes adiantaram com sucesso seus relógios biológicos em duas horas, conforme revelam as análises feitas pelas universidades de Birmingham e Surrey, no Reino Unido, e a Universidade Monash, na Austrália.

Os resultados, publicados na revista científica Sleep Medicine, mostraram que as pessoas ainda conseguiam dormir as mesmas horas de sono.

Mas relataram níveis mais baixos de sonolência, estresse e depressão, enquanto os testes indicam que seus tempos de reação também melhoraram.

"O estabelecimento de rotinas simples pode ajudar os notívagos a ajustar seus relógios biológicos e melhorar sua saúde física e mental", afirmou Debra Skene, professora da Universidade de Surrey.

"Níveis insuficientes de sono e desalinhamento circadiano [do relógio biológico] podem interferir em muitos processos corporais, aumentando o risco de doença cardiovascular, câncer e diabetes."


Direito de imagemGETTY IMAGESImage captionSer notívago está associado a um risco maior de morrer de forma prematura, assim como de desenvolver doenças físicas ou mentais

Um dos principais sinais que o organismo usa para sincronizar seu relógio com o ciclo do sol é a luz - por isso a recomendação de expor o corpo mais à luz durante o dia e menos à noite.

Ter horários de sono e vigília irregulares também pode atrapalhar o ritmo circadiano, ciclo fisiológico de aproximadamente 24 horas do organismo.

As técnicas adotadas podem parecer recomendações óbvias para um sono saudável, mas cada uma é usada para ajudar a treinar o relógio biológico.

O que os pesquisadores não sabiam era se as pessoas programadas para dormir tarde reagiriam à mudança de hábitos.

"O que não é óbvio é se, no caso de notívagos extremos, é possível fazer algo a respeito?", explica Andrew Bagshaw, da Universidade de Birmingham.

"São coisas relativamente simples que qualquer um pode fazer e que causam impacto, e isso para mim é surpreendente."

"Ser capaz de ajudar uma boa parcela da população a se sentir melhor sem uma intervenção particularmente radical é muito importante", completa.



Autor: James Gallagher
Fonte: BBC News Brasil
Sítio Online da Publicação: BBC News Brasil
Data: 10/06/2019
Publicação Original: https://www.bbc.com/portuguese/geral-48580392

terça-feira, 6 de novembro de 2018

Evento busca aproximar cientistas e empresas da área de biomedicina

Foto: Marcos Santos / USP Imagens

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Aproximar as empresas da Universidade, permitindo parcerias e projetos. Essa é a proposta do AIMday USP Biomedicina Terapêutica que será realizado no dia 13 de novembro, na Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade (FEA) da USP, em São Paulo.

Organizado pela Agência USP de Inovação, o evento abordará as maiores questões que o mercado possui a respeito da biomedicina terapêutica, convidando para essa interação empresas, pesquisadores da Universidade, organizações públicas e privadas. O evento dividirá os participantes em grupos, nos quais ocorrerão as discussões por cerca de uma hora.

O setor de biomedicina representa uma oportunidade econômica, tanto para o desenvolvimento de tecnologias pelos pesquisadores, como o investimento de empresas e iniciativa privada. Em 2016, o País teve um déficit de R$ 10 bilhões no Complexo Econômico Industrial de Saúde (Ceis), o que evidencia uma deficiência tecnológica e uma necessidade de aumentar projetos no setor.

As inscrições estão abertas, havendo vagas para empresas e pesquisadores que queiram participar do evento. Para garantir o seu lugar, basta entrar neste link.
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Projeto Listo

O AIMday USP Biomedicine 2018, faz parte do projeto Listo (Latin American and European Cooperation on Innovation and Entrepreneurship), uma cooperação internacional no âmbito do Erasmus+ capacity building project – Key Action 2, com foco em relações universidade-empresa, educação empreendedora e estratégias da universidade para inovação.

A ideia principal é facilitar o contato entre a universidade e as empresas, por troca de experiências e compartilhamento de conhecimento, para que dessa forma, sejam alavancados e contribuam para a sociedade.

A metodologia do AIMday foi desenvolvida pela Universidade de Uppsala (Suécia) e compartilhada com a USP e demais participantes do projeto Listo.

Da Agência USP de Inovação




Autor: Jornal da USP
Fonte: Jornal da USP
Sítio Online da Publicação: Jornal da USP
Data: 05/11/2018
Publicação Original: https://jornal.usp.br/universidade/extensao/evento-busca-aproximar-cientistas-e-empresas-da-area-de-biomedicina/

terça-feira, 17 de abril de 2018

Cientistas desenvolvem por acaso enzima devoradora de plástico



Mais de 8 milhões de plásitcos são descartados todos os anos nos oceanos (Foto: H. Hach/Pixabay)

Cientistas britânicos e americanos produziram acidentalmente uma enzima devoradora de plástico que poderia, eventualmente, ajudar a resolver o problema crescente da poluição gerada por este material, revelou um estudo publicado na segunda-feira (16), do qual participaram pesquisadores da Unicamp.

Mais de oito milhões de toneladas de plásticos são descartadas nos oceanos do mundo todos os anos e há uma preocupação crescente com as consequências contaminantes deste produto derivado do petróleo para a saúde humana e o meio ambiente.

Apesar dos esforços de reciclagem, a maior parte dos plásticos permanece por centenas de anos no meio ambiente, e por isso cientistas buscam melhores formas de eliminá-lo.

Pesquisadores da Universidade de Portsmouth e do Laboratório de Energias Renováveis do Departamento de Energia dos Estados Unidos decidiram se concentrar em uma bactéria encontrada na natureza, descoberta no Japão há alguns anos.

Cientistas japoneses acreditam que a bactéria tenha evoluído recentemente em um centro de reciclagem de rejeitos, uma vez que o plástico não existia até os anos 1940.

Conhecida como Ideonella sakaiensis, ela parece se alimentar exclusivamente de um tipo de plástico conhecido como polietileno tereftalato (PET), usado amplamente em garrafas plásticas.


Uma mutação útil


O objetivo dos cientistas era compreender o funcionamento de uma destas enzimas - denominada PETase ao compreender sua estrutura.



"Mas eles acabaram dando um passo à frente e desenvolveram acidentalmente uma enzima ainda mais eficiente em decompor plásticos PET", destacou o estudo, publicado no periódico científico americano Proceedings of the National Academy of Sciences.



Usando um raio-X superpotente, eles conseguiram produzir um modelo tridimensional em altíssima resolução da enzima.

Empregando a modelagem de computador, cientistas da Unicamp e da Universidade da Flórida descobriram que a PETase era similar a outra enzima, a cutinase, encontrada em fungos e bactérias.

Uma parte da PETase, no entanto, era um pouco diferente e cientistas supuseram que esta era a parte que permitia a degradação do plástico.

Eles, então, submeteram à mutação o local ativo da PETase para fazê-la se parecer mais com a cutinase e descobriram de forma inesperada que a enzima mutante era mais eficiente do que a PETase natural em decompor o PET.



Plásticos ficam por centenas de anos no ambiente sem desintegrar (Foto: Andrew Martin/Pixabay)

Os pesquisadores afirmam estar trabalhando agora em melhorias desta enzima, na esperança de eventualmente permitir seu uso industrial na decomposição de plásticos.

"A sorte frequentemente desempenha um papel significativo na pesquisa científica de base, e nossa descoberta não é uma exceção", afirmou um dos autores do estudo, John McGeehan, professor da escola de Ciências Biológicas de Portsmouth.


"Embora o aperfeiçoamento seja modesto, esta descoberta inesperada sugere que há espaço para mais melhorias destas enzimas, aproximando-nos de uma solução de reciclagem para a crescente montanha de plásticos descartados", acrescentou.


Autor: G1 Globo
Fonte: G1 Globo
Sítio Online da Publicação: G1 Globo
Data de Publicação: 16/04/2018
Publicação Original: https://g1.globo.com/natureza/noticia/cientistas-desenvolvem-por-acaso-enzima-devoradora-de-plastico.ghtml

terça-feira, 3 de abril de 2018

Quais são as teorias e as pesquisas sobre as possíveis causas do autismo



Possíveis causas do autismo intrigam cientistas do mundo inteiro (Foto: congerdesign/Pixabay)

"Por quê? Foi uma coisa que eu fiz? Será que eu poderia ter evitado?" Essas perguntas passavam pela cabeça de Ana Maria Mello quando, há 39 anos, recebeu o diagnóstico de autismo do seu filho Guilherme.

"Comecei a lembrar de tudo o que tinha acontecido durante a gravidez. Era um bebê tão desejado. Queria saber a causa", se recorda Ana, uma das fundadoras da Associação de Amigos do Autista, com sede em São Paulo. É um questionamento que, ainda hoje, milhares de mães e pais se fazem ao redor do mundo.

A ONU, que estabeleceu 2 de abril como Dia Mundial de Conscientização do Autismo, afirma haver cerca de 70 milhões de autistas no mundo - sendo mais comum em meninos do que meninas. No Brasil, não há estatísticas oficiais, mas se estima que 2 milhões de pessoas estejam no espectro autista.

Um projeto de lei circula na Câmara dos Deputados propondo a coleta obrigatória de dados sobre autismo nos censos demográficos a partir de 2018.

O que mais intriga cientistas do mundo inteiro, no entanto, é por que essa síndrome se desenvolve.


Teorias já rejeitadas


Desde que o autismo foi identificado pelo psiquiatra austríaco Leo Kanner, em 1943, pesquisadores tentam entender os fatores que levam a essas desordens complexas do desenvolvimento cerebral - atualmente fundidas sob um único diagnóstico, Transtorno do Espectro Autista (TEA) – que geram dificuldade de comunicação social e comportamento repetitivo em diversos graus de intensidade.

Lá atrás, Kanner culpou as mães. Pioneiro no estudo de autistas, ele cunhou a expressão "mães-geladeiras" àquelas mulheres que, supostamente, se mantinham distantes de seus bebês recém-nascidos. A falta desse vínculo afetivo, segundo ele, levaria ao autismo.

A tese foi completamente descartada no meio acadêmico ao longo dos anos e o próprio médico mais tarde tentou se retratar no livro Em Defesa das Mães.

Outra teoria rechaçada entre os cientistas foi a de que a vacina tríplice viral causaria o autismo. Dezenas de amplos estudos ao redor do mundo descartaram essa hipótese, a ponto de o autor da teoria, o médico britânico Andrew Wakefield, ter sido considerado "inapto para o exercício da profissão" pelo Conselho Geral de Medicina do Reino Unido.

A Organização Mundial da Saúde destaca em seu site que "não há evidência que sugira que qualquer vacina infantil possa aumentar o risco de TEA".


Causas?


Mas o que causa o autismo então? Não há uma resposta definitiva. Assim como cada criança autista é única, as causas que levam a essa desordem neurológica também são únicas, podendo haver uma ou várias associações.

"Existem algumas teorias do porquê do autismo", diz Patrícia Beltrão Braga, professora de embriologia e genética da Universidade de São Paulo (USP).


"Temos fatores genéticos influenciando, então seria uma carga hereditária ou mutações novas. Outras teorias dizem que pode haver uma influência do ambiente, como uma infecção, algum remédio que a mãe tomou ou até poluição", diz

No estudo "O que causa o autismo? Explorando a contribuição ambiental", da Escola de Medicina Mount Sinai, de Nova York, publicado em 2010, foram listados agentes que, em contato com a mãe durante a gravidez, causariam TEA no feto que está se formando: talidomida (usado para tratamento de doenças como câncer, lúpus, tuberculose, entre outras), misoprostol (para combater úlcera), ácido valpróico (para tratamento de epilepsia e transtorno bipolar), infecção por rubéola e clorpirifós (agrotóxico utilizado para controle de pragas).

Outros fatores ambientais estão sendo estudados como possíveis causadores do autismo.

A questão é saber qual a porcentagem de "culpabilidade" desses agentes, isto é, se eles sozinhos causam autismo ou se precisam estar ligados a fator genético ou biológico.



Pesquisa da USP diz ter encontrado relação causal entre inflamação em células cerebrais e autismo (Foto: Sbtlneet /Pixabay/CC0 Creative Commons)

No Instituto de Biociências da USP há uma outra linha de investigação. "Conseguimos ver uma relação causal entre a neuroinflamação e o autismo", relata Beltrão Braga.

A partir da análise de dentes de leite doados por familiares de crianças autistas, os cientistas da USP constataram que a inflamação dos astrócitos (células que estão no cérebro), ocasionada por um desequilíbrio do sistema imune, prejudicava o desenvolvimento dos neurônios - os quais ficavam menos ativos, ocasionando o autismo, segundo os pesquisadores.


Vale destacar, porém, que o estudo abrangeu apenas crianças diagnosticadas com o autismo clássico, o que significa que nem todas as variantes do espectro poderiam ser enquadradas nessa possível causa.

A parte genética


"O que se acredita com mais força que seja causador do autismo é uma base genética, quer seja hereditária, em que os pais passaram para o filho, quer seja uma mutação nova, em que aparece somente na criança. A complexidade é que existem centenas de genes", explica o psiquiatra Estevão Vadasz, criador do Programa Transtornos do Espectro Autista da Faculdade de Medicina da USP.

Já foram identificados entre 700 e 800 genes descritos como causadores de alguns casos de autismo.

"Os estudos estão avançando e, provavelmente, daqui a poucos anos a gente vai conseguir descobrir um número maior de genes e mapear melhor esses indivíduos que têm autismo e talvez entender quais foram as causas de cada um", prevê Beltrão Braga.

Embora várias associações possam estar correlacionadas à causa do TEA, na genética os pesquisadores conseguem trabalhar com elementos mais objetivos.

A comparação de gêmeos idênticos (que compartilham 100% do mesmo material genético) e não-idênticos (que compartilham 50% do mesmo material genético) é uma das formas que os acadêmicos utilizam para esclarecer o aspecto genético do transtorno.

Foi constatado em estudos que, no caso de gêmeos idênticos, a probabilidade de ambos os irmãos terem autismo era de cerca de 70%. Isso baixava para 30% no caso de gêmeos não idênticos e ficava abaixo de 20% entre irmãos não gêmeos.

Outro levantamento feito na Suécia analisou todos os nascimentos no país entre 1973 e 2001. Foi constatado que o risco de uma criança nascer com autismo aumentava à medida que a idade do pai avançava. Isso ocorreria porque os espermatozoides teriam mais mutações genéticas.


Dúvidas e terapias


No instituto de pesquisa Simons Foundation Autism Research Initiative (SFARI), de Nova York, foram analisadas as informações genéticas de 2,5 mil famílias com uma criança autista, mas cujos pais e mães não apresentavam histórico de TEA.

Ao comparar o DNA da criança com o dos pais foi constatado que em cerca 25% dos casos ocorreram a chamada "mutação de novo", isto é, que não foi herdada por nenhum dos pais - a alteração de um ou de alguns genes ocorreu apenas na criança.

Com isso, foi possível identificar com clareza a causa genética do transtorno. Nos demais 75% dos casos, no entanto, os pesquisadores não conseguiriam verificar as possíveis origens do autismo.

"A medicina e a biologia não são como a matemática. Sempre vai ter uma parcela de indivíduos de quem não vamos saber a causa, o motivo pelo qual ele desenvolveu o quadro de autismo", diz Beltrão Braga.

Há também, segundo a neurocientista, uma questão de suscetibilidade. "Temos uma combinação genética que às vezes torna o indivíduo mais suscetível a uma alteração que o ambiente está forçando ou mais resistente", ela diz.

"Quando todos ficam gripados na mesma casa, por exemplo, um não fica mais afetado do que o outro? É a genética que faz cada indivíduo responder de formas diferentes a agentes externos."

Desvendar as múltiplas associações à etiologia do autismo é um desafio aos cientistas e uma esperança às milhares de famílias ao redor do mundo que convivem com essa condição permanente.

Não há uma cura, mas sim tratamentos focando em terapias comportamentais e físicas.

Ao mesmo tempo, o conhecimento genético traria, teoricamente, a possibilidade de se consertar uma mutação ou desenvolver um medicamento específico, por exemplo.

É uma linha de pesquisa, contudo, que trará muitas discussões, em particular no campo ético, como ressaltou em um artigo Simon Baron Cohen, diretor do Centro de Pesquisa de Autismo da Universidade de Cambridge e uma referência mundial no estudo de TEA.

"A ética do mapeamento genético ou da terapia genética deve ser pensada bem antes desses ficarem disponíveis. (...) Pesquisas futuras deverão focar na avaliação de até quando qualquer forma de intervenção reduz as deficiências enquanto apoia as virtudes de cada autista."


Autor: G1 Globo
Fonte: G1 Globo
Sítio Online da Publicação: G1 Globo
Data de Publicação: 02/04/2018
Publicação Original: https://g1.globo.com/bemestar/noticia/quais-sao-as-teorias-e-as-pesquisas-sobre-as-possiveis-causas-do-autismo.ghtml

quarta-feira, 7 de fevereiro de 2018

Quando cientistas não bastam para fazer ciência

Foto: Antoninho PerriPeter Schulz foi professor do Institut














O de Física "Gleb Wataghin" (IFGW) da Unicamp durante 20 anos. Atualmente é professor titular da Faculdade de Ciências Aplicadas (FCA) da Unicamp, em Limeira. Além de artigos em periódicos especializados em Física e Cienciometria, dedica-se à divulgação científica e ao estudo de aspectos da interdisciplinaridade. Publicou o livro “A encruzilhada da nanotecnologia – inovação, tecnologia e riscos” (Vieira & Lent, 2009) e foi curador da exposição “Tão longe, tão perto – as telecomunicações e a sociedade”, no Museu de Arte Brasileira – FAAP, São Paulo (2010).

Na minha formação como físico, da graduação ao doutorado, nunca me deparei com uma disciplina sobre metodologia científica, tema que é mais presente nas grades curriculares em outras áreas do conhecimento, como vim a descobrir bem mais tarde. Interessava-me, juntos com alguns outros colegas naquele longínquo século XX, por filosofia e história das ciências, mas passamos ao largo de qualquer manual de metodologia científica. Assim se alguém perguntasse naquela época o que era ciência, não teria uma resposta pronta (como ainda não tenho), mas poderia enunciar um conjunto de crenças, regras e práticas próprias daquilo que estava aprendendo e fazendo e que uma comunidade reconhecia como ciência, afinal meus artigos estavam sendo aceitos em revistas internacionais. E como isso que fazíamos (e continuamos a fazer) diferencia-se do que não era chamado de ciência? A demarcação da ciência frente a outras formas do conhecimento ocupou (e ocupa) um respeitável time de filósofos da ciência, entre eles, por exemplo, Imre Lakatos (1922-1974), que ainda aparecerá em uma nota nessa coluna. Mas não é esse, pelo menos diretamente, o assunto desta coluna. No entanto, preciso mencionar que nos manuais de metodologia científica existe sim a preocupação de delimitar o conhecimento científico dos outros tipos de conhecimento: popular, religioso e filosófico; como descrito no capítulo três dos “Fundamentos de metodologia científica” de Marina de Andrade Marconi e Eva Maria Lakatos. Breves definições sobre esses tipos de conhecimento podem ser lidos aí, portanto não vou me estender na descrição dessas caixas separadas, mas no que sempre me despertou maior curiosidade: a comunicação entre elas.

Os contatos entre ciência e religião vão, dependendo do representante de cada campo, da hostilidade declarada e beligerante ao diálogo respeitoso, que reconhece os dois territórios do conhecimento. Como exemplo desse último tipo de contato, temos o debate epistolar entre o semiólogo (entre outras coisas) Umberto Eco e o cardeal Carlo Maria Mantini, que ficou conhecido como “Em que creem os que não creem?”. O diálogo é sobre Ética, mas Eco aborda diretamente a ciência em perguntas ao final de uma das suas cartas: “Qual é o estado atual do debate teológico a respeito, agora que a teologia não se mede já com a física aristotélica, a não ser, com as certezas (e as incertezas!) da ciência experimental moderna? Como bem sabe você, sob tais questões não subjaz, unicamente, uma reflexão sobre o problema do aborto, mas também, uma dramática série de problemas novíssimos, como a engenharia genética, por exemplo, ou a bioética, sobre a que hoje todos discutem, sejam crentes ou não. Qual é hoje a atitude do teólogo frente ao criacionismo clássico?” Mantini na carta resposta não aludiu diretamente a essas questões, mas começou a carta reafirmando: “Com toda razão recorda você, ao princípio de sua carta, o objetivo desta conversa epistolar. Trata-se de estabelecer um terreno de discussão comum entre laicos e católicos, confrontando também aqueles pontos nos quais não há consenso”.

Por outro lado, entre conhecimentos filosófico e científico o trânsito é bem mais intenso, ainda que um tanto assimétrico: o meu convívio acadêmico levou-me à percepção de que, em geral, os filósofos se interessam mais pela ciência do que os cientistas pela filosofia, o que é uma pena para estes últimos.

Não é, no entanto, as relações entre ciência e filosofia ou religião a questão central aqui, e sim a relação do conhecimento científico com o conhecimento popular, em particular os saberes tradicionais ou indígenas (indigenous knowledge). São muitas vezes saberes que correm risco de extinção junto com as línguas nas quais (ainda) são transmitidos, mas que, embora sejam “conhecimento não produzidos por meio de métodos de pesquisa tradicionais, podem ter valor científico”. Para não cair na armadilha da mera abstração, seguem três breves exemplos.

O primeiro eu aprendi lendo o artigo citado logo acima, que menciona como algumas tribos na Indonésia escaparam do Tsunami de 2004 (incluindo aí alguns grupos de turistas ocidentais), graças aos conhecimentos tradicionais passados oralmente de geração em geração. Não foi um caso isolado, como o relatório “Indigenous Knowledge for Disaster Risk Reduction” mostra em seus 18 estudos de caso. Esses exemplos, se por um lado reconhecem a importância do conhecimento tradicional, por outro lado tem um quê de objeto de estudo da ciência, ou seja, ainda uma assimetria, como nas outras relações.

O segundo exemplo é o dos parabotânicos na Amazônia, identificadores da biodiversidade da floresta, profissional cuja formação parte do conhecimento tradicional e que está em extinção. Nesse caso o conhecimento tradicional não só é reconhecido, mas é estratégico para viabilizar a pesquisa em si e até para que esta tenha credibilidade na comunidade científica internacional.

O último exemplo eu costumo apresentar nas aulas de Física sobre ondas, é uma pesquisa sobre a navegação através da “leitura do formato das ondas” em torno das ilhas Marshall no oceano Pacífico. Na primeira década deste século, as autoridades locais, preocupadas em promover o turismo, buscaram um meio de fazê-lo a partir do conhecimento tradicional de navegação com mapas de treliças de madeira, indicando as ondas e seus formatos, e conchas, identificando as ilhas, que refletem e refratam essas ondas. O sistema é eficiente, pois permite a navegação precisa por centenas de quilômetros, mas esse conhecimento tradicional estava se perdendo, pois poucos nativos ainda o detinham e sem nenhum estímulo para preservá-lo. Como resgatá-lo? Através de pesquisa conjunta entre portadores desse conhecimento tradicional, antropólogos para traduzir esse conhecimento e oceanógrafos com seus modelos computacionais da dinâmica marítima para comparar as ondas do conhecimento tradicional com as ondas da ciência. Resultado duplo: preservação através da ciência ocidental de um conhecimento tradicional, que ajuda a melhorar os modelos computacionais dos oceanógrafos. O artigo “Wave Navigation in the Marshall Islands – Comparing Indigenous and Western Knowledge of the Ocean” é também assinado por Korent Joel, um dos últimos navegadores tradicionais dessas ilhas da Micronésia. Uma rota mais simétrica entre diferentes tipos de conhecimento.

Autor: Unicamp
Fonte: Unicamp
Sítio Online da Publicação: Unicamp
Data de Publicação: 16/01/2018
Publicação Original: https://www.unicamp.br/unicamp/index.php/ju/artigos/peter-schulz/quando-cientistas-nao-bastam-para-fazer-ciencia

quinta-feira, 14 de dezembro de 2017

Cientistas brasileiros descobrem que árvores amazônicas são grandes emissoras de metano



Durante expedição à Floresta Amazônica, pesquisadores mediram
a emissão de metano de 2.300 árvores (Foto: Divulgação)



As árvores das florestas alagadas em torno do rio Amazonas emitem tanto metano (CH4) para a atmosfera quanto todos os oceanos do mundo juntos. Foi o que constatou pesquisa conduzida pelos professores Alex Enrich-Prast, do Departamento de Botânica do Instituto de Biologia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ); Humberto Marotta, do Instituto de Geografia da Universidade Federal Fluminense; e Olaf Malm, do Instituto de Biofísica Carlos Chagas Filho da UFRJ. Enrich-Prast, Malm e Marotta são Cientistas do Nosso Estado e Jovem Cientista do Nosso Estado da FAPERJ, respectivamente. O estudo, que rendeu um artigo publicado na revista Nature, foi desenvolvido em conjunto com pesquisadores da Open University, no Reino Unido, e da Universidade de Linköping, na Suécia.

Segundo Enrich-Prast, durante a pesquisa, foram realizadas duas expedições à Amazônia, uma em 2013 e a outra em 2014. Na última, cerca de 20 pesquisadores percorreram de barco mais de mil quilômetros no trajeto que seguiu por Manaus e atravessou os rios Negro, Solimões e Tapajós durante 60 dias. Os biólogos analisaram as emissões de metano de 2.300 árvores. “Foi surpreendente encontrar uma fonte natural de emissão de metano tão relevante do ponto de vista global e que era totalmente desconhecida e desconsiderada. E ainda descobrir que os gases são eliminados pelos caules”, afirma Enrich-Prast.

Embora os gases emitidos pelas árvores realmente contribuam para o aquecimento global, de acordo com o pesquisador, a floresta nunca deve ser considerada um perigo para o meio ambiente por esse fator. “São fontes naturais, que certamente emitem metano há milhões e milhões de anos. Devemos nos preocupar com as fontes artificiais de emissão desse gás, provenientes, principalmente, da indústria de laticínios e carne, da queima de combustíveis fósseis e dos aterros sanitários. O que devemos questionar é como a intervenção humana vem alterando de forma significativa a natureza, e o quanto essas mudanças climáticas vêm afetando o comportamento das árvores, inclusive na quantidade de metano emitida por elas”, diz.

Para Marotta, o resultado desse trabalho mostra a importância de se pesquisar com mais profundidade áreas tropicais. “Essa descoberta sinaliza apenas o começo de muitas pesquisas que ainda vamos realizar. Já estão planejadas novas expedições à Amazônia para que possamos começar a desvendar os processos que regulam essas emissões de metano, se elas variam ao longo do ano, se existem famílias e gêneros de plantas que tenham maiores taxas de emissão, por exemplo”, finaliza.



Autora: Danielle Kiffer
Fonte: faperj
Sítio Online da Publicação: faperj
Data de Publicação: 07/12/2017
Publicação Original: http://www.faperj.br/?id=3510.2.7

segunda-feira, 11 de dezembro de 2017

Cientistas brasileiros descobrem que árvores amazônicas são grandes emissoras de metano



Durante expedição à Floresta Amazônica, pesquisadores mediram a emissão de metano de 2.300 árvores (Foto: Divulgação)


As árvores das florestas alagadas em torno do rio Amazonas emitem tanto metano (CH4) para a atmosfera quanto todos os oceanos do mundo juntos. Foi o que constatou pesquisa conduzida pelos professores Alex Enrich-Prast, do Departamento de Botânica do Instituto de Biologia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ); Humberto Marotta, do Instituto de Geografia da Universidade Federal Fluminense; e Olaf Malm, do Instituto de Biofísica Carlos Chagas Filho da UFRJ. Enrich-Prast, Malm e Marotta são Cientistas do Nosso Estado e Jovem Cientista do Nosso Estado da FAPERJ, respectivamente. O estudo, que rendeu um artigo publicado na revista Nature, foi desenvolvido em conjunto com pesquisadores da Open University, no Reino Unido, e da Universidade de Linköping, na Suécia.

Segundo Enrich-Prast, durante a pesquisa, foram realizadas duas expedições à Amazônia, uma em 2013 e a outra em 2014. Na última, cerca de 20 pesquisadores percorreram de barco mais de mil quilômetros no trajeto que seguiu por Manaus e atravessou os rios Negro, Solimões e Tapajós durante 60 dias. Os biólogos analisaram as emissões de metano de 2.300 árvores. “Foi surpreendente encontrar uma fonte natural de emissão de metano tão relevante do ponto de vista global e que era totalmente desconhecida e desconsiderada. E ainda descobrir que os gases são eliminados pelos caules”, afirma Enrich-Prast.

Embora os gases emitidos pelas árvores realmente contribuam para o aquecimento global, de acordo com o pesquisador, a floresta nunca deve ser considerada um perigo para o meio ambiente por esse fator. “São fontes naturais, que certamente emitem metano há milhões e milhões de anos. Devemos nos preocupar com as fontes artificiais de emissão desse gás, provenientes, principalmente, da indústria de laticínios e carne, da queima de combustíveis fósseis e dos aterros sanitários. O que devemos questionar é como a intervenção humana vem alterando de forma significativa a natureza, e o quanto essas mudanças climáticas vêm afetando o comportamento das árvores, inclusive na quantidade de metano emitida por elas”, diz.

Para Marotta, o resultado desse trabalho mostra a importância de se pesquisar com mais profundidade áreas tropicais. “Essa descoberta sinaliza apenas o começo de muitas pesquisas que ainda vamos realizar. Já estão planejadas novas expedições à Amazônia para que possamos começar a desvendar os processos que regulam essas emissões de metano, se elas variam ao longo do ano, se existem famílias e gêneros de plantas que tenham maiores taxas de emissão, por exemplo”, finaliza.


Autora: Danielle Kiffer
Fonte: faperj
Sítio Online da Publicação: faperj
Data de Publicação: 07/12/2017
Publicação Original: http://www.faperj.br/?id=3510.2.7

terça-feira, 28 de novembro de 2017

Como cientistas brasileiros colonizaram o YouTube


A pesquisadora Aline Ghilardi, 31, é uma paleontóloga "que segue o estereótipo" da profissão: busca entender como eram e como evoluíram os dinossauros, principalmente os que viviam no Brasil. Recentemente, recebeu ajuda de uma fonte incomum para localizar os restos de "arcossauros mesozoicos", como estas criaturas são chamadas no jargão da paleontologia. Fãs do canal que ela mantém no YouTube a alertaram para a presença de ossadas em algumas cacimbas (que é como são chamados os reservatórios naturais d'água) no interior pernambucano.


Ela e o marido, o também paleontólogo Tito Aureliano, são responsáveis pelo Colecionadores de Ossos, um de vários canais do YouTube surgidos nos últimos anos e que fazem sucesso explorando um filão da divulgação de conhecimentos científicos. Um tema contra-intuitivo no mundo virtual, supostamente dominado por conteúdo banal ou apelativo.


É possível encontrar uma boa lista dos principais canais de ciência do YouTube brasileiro no ScienceVlogs Brasil, uma página surgida em 2015 e que funciona como um "selo de qualidade" para os canais desta temática.


Há conteúdos para todos os gostos. Nos canais, é possível aprender sobre assuntos tão diversos e complexos quanto cladística (um sistema adotado na biologia para classificar os seres vivos); o paradoxo de Fermi (sobre o contato com civilizações alienígenas); e buracos negros, entre outros.


Os canais científicos, no entanto, estão longe de serem os mais populares do país (como o de Whindersson Nunes, com 24,7 milhões de inscritos).




Quem fala sobre o quê




Mas alguns atingem um público amplo. Entre os mais populares estão o Manual do Mundo (9,1 milhões de inscritos), o Nerdologia (1,8 milhão) e o Canal do Pirula (598 mil). Este último é batizado com o apelido do biólogo e doutor em zoologia pela USP Paulo Miranda Nascimento, que construiu sua audiência com vídeos longos sobre temas como evolução, meio ambiente, e religião.


Nos canais, é possível aprender sobre temas como astronomia e física (Space Today, Ciência Todo Dia, Primata Falante e o Ciência e Astronomia), biologia (Papo de Biólogo e Biologia Total) e até robótica (no canal Peixe Babel, da mineira Camila Laranjeira).


A divulgação científica é bem forte no YouTube fora do Brasil. Para quem tem um bom entendimento da língua inglesa, vale a pena olhar canais como o Veritasium, o SciShow e o SmarterEveryDay.




Nicho e super-nicho




"O YouTube tem canais de nicho, e tem os de super-nicho. O meu é de super-nicho. Tem mais de mil vídeos, e são todos de astronomia", diz o geofísico e doutor em geociências Sérgio Sacani, 42, do canal SpaceToday, dedicado à astronomia.




O engenheiro de petróleo e youtuber Sérgio Sacani (Foto: André Shalders)


Segundo ele, a maioria dos inscritos do canal é de jovens adultos, e não necessariamente crianças.


"Por exemplo, se eu postar um vídeo hoje às duas da tarde, ninguém assiste. O pessoal que acompanha o meu canal já sabe que eu posto geralmente à noite, e é um público mais velho. É um público que trabalha. Então, durante o dia, eles não estão em casa para assistir vídeo", diz. Antes de criar um canal de YouTube, Sérgio mantinha um blog com o mesmo nome. Uma parte dos seguidores "migrou" para a plataforma de vídeos, diz Sacani, cujo trabalho "oficial" é com engenharia de petróleo.


O público também é mais velho no canal da paleontóloga Aline Ghirardi. A maior faixa de espectadores tem de 24 a 35 anos de idade, segundo ela.


"O YouTube pede para postarmos no começo da tarde, que é quando as crianças estão acessando o site. E hoje o maior público do YouTube é de crianças. Mas não necessariamente isso funciona para a gente da divulgação científica", diz Pedro Loos, 21, responsável pelo canal Ciência Todo Dia, que tem 257 mil inscritos. Ele começou a gravar, editar e publicar os próprios materiais ainda muito jovem, com 14 anos de idade. Naquela época, os envios eram sobre jogos eletrônicos.



Loos está concluindo o curso de Física na Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). Hoje, ele vive da renda gerada pelo canal e pretende manter o projeto depois de formado. Um dos vídeos mais populares do canal é sobre o paradoxo de Fermi, visto mais de 300 mil vezes.


Se o universo é tão antigo e vasto, é provável que existam várias civilizações alienígenas. Mas se é assim, porque é que nenhuma delas nunca fez contato conosco? Essa é a contradição batizada em homenagem ao físico Enrico Fermi (1901-1954), e que Loos aborda no vídeo.




Tecnologia e exatas




O designer Estevão Pessota, 29, costuma deixar a TV ligada no YouTube. O próprio mecanismo de sugestões do site cria uma "playlist" para ele com os últimos envios dos canais de ciência e tecnologia nos quais está inscrito. Ele conta que um dos primeiros canais a chamar a atenção foi o PressTube (cujo clássico são os vídeos de objetos sendo destruídos em uma prensa hidráulica). Depois, migrou para sites com mais substância.




Estevão Pessota costuma assistir aos vídeos à noite, depois do trabalho (Foto: André Shalders)


Os canais "cabeçudos" não se resumem a páginas de ciências exatas, porém. O historiador e professor Davi Martins, por exemplo, usa o YouTube para acompanhar canais que tratam de psicologia (como o do psicanalista lacaniano e professor da USP Christian Dunker) e, claro, de história (como o Leitura ObrigaHistória).




"Há muita crítica na academia a alguns canais como o Nerdologia (que também trata de História). Mas os próprios acadêmicos da área raramente se propõem a fazer algo desse tipo", diz Martins.




"Sempre teve demanda, é só um novo meio"




Para o biólogo Paulo Jubilut, 37, não é correto dizer que o público brasileiro estava "carente" de conteúdos científicos. "Na realidade as pessoas já consumiam isto. Tinham acesso à divulgação científica por meio de jornais, revistas, TV. O que a internet fez foi criar uma nova forma de acesso. As pessoas são curiosas por natureza. Quem descobrir uma forma de atingir essa curiosidade vai fazer sucesso", diz ele.


Até 2011, Jubilut dava aulas de Biologia em um cursinho em Santa Catarina, onde mora. Acabou demitido depois de "brigar com uns alunos bagunceiros", segundo diz. Hoje, é responsável por uma página no Facebook que tem 3,3 milhões de curtidas. O canal no YouTube está com 1,1 milhão de inscritos.


"Me tornei um produtor de conteúdo de Biologia. Hoje são 25 pessoas trabalhando no escritório", conta ele, que oferece videoaulas da disciplina e também presta consultoria para empresas. Embora o canal não se restrinja ao conteúdo didático, Jubilut recebeu recentemente o selo do YouTube Educação (ou YouTubeEdu). Trata-se de uma espécie de "certificado" que o site fornece para alguns produtores de conteúdos educativos.




Da prensa de Gutenberg a Carl Sagan




Se você era criança na década de 1990, é possível que se lembre do programa O Mundo de Beakman, que foi exibido no Brasil pela primeira vez de 1994 a 2002, pela TV Cultura. Na geração anterior, o astrônomo Carl Sagan fez sucesso com a série Cosmos. Co-produzida pela BBC, a série foi exibida no Brasil pela Rede Globo, em 1982. O ator Sílvio Navas dublava a voz de Sagan na versão brasileira.



Mas a história da divulgação científica é muito mais antiga: foi ainda nos séculos 16 e 17 que os cientistas começaram a abandonar o latim (a língua "oficial" da ciência da época) e passaram a publicar livros em línguas vernáculas (como inglês, italiano ou espanhol), que alcançavam um público mais amplo.


Considerado um dos pais do método científico, o astrônomo Galileu Galilei (1564-1642) foi também um dos primeiros a escrever um livro de ciência para leigos. A obra foi redigida em italiano e utilizava diálogos entre personagens para facilitar o entendimento.


Na década de 1740 o editor inglês John Newbery (1713-1767) já comercializava livros de divulgação científica voltados para crianças e adolescentes. Um deles chegou a vender 30 mil cópias, uma quantidade muito expressiva para a época.




Autora: BBC
Fonte: BBC
Sítio Online da Publicação: G1 Globo
Data de Publicação: 25/11/2017
Publicação Original: https://g1.globo.com/economia/tecnologia/noticia/como-cientistas-brasileiros-colonizaram-o-youtube.ghtml