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terça-feira, 21 de agosto de 2018

A pressão dos mais velhos


DRAUZIO VARELLA 9 de agosto de 2018


No passado, éramos condescendentes com a hipertensão arterial dos mais velhos.

Na faculdade, aprendíamos que a pressão de 12 x 8 cm, considerada normal, deveria ser mantida até os 40 anos. Daí em diante, eram aceitos aumentos de 1 cm para cada década de vida.

Assim, entre 40 e 50 anos, os limites da normalidade se estendiam para 13 x 9 cm. Dos 50 aos 60 anos, até 14 x 10 cm; dos 60 aos 70 anos até 15 x 11 cm; e dos 70 aos 80 anos, até 16 x 12 cm. Acima dos 80 anos, não havia regras nem pessoas que vivessem tanto.

Estudos posteriores comprovaram que limites tão frouxos tinham consequências. Mesmo nos mais velhos, níveis pressóricos acima de 12 x 8 cm estavam associados a aumentos da incidência de infartos do miocárdio, acidentes vasculares cerebrais, insuficiência renal crônica e insuficiência cardíaca, entre outras complicações.

Publicações mais recentes sugerem que níveis de 11 x 7 cm são mais seguros do que os tradicionais 12 x 8 cm. Ficou estabelecida, então, a regra de que quanto mais baixa a pressão melhor, em qualquer faixa etária.


Portanto, reduzir a pressão sistólica com tratamentos agressivos nos mais velhos e mais frágeis pode ter repercussão negativa na mortalidade geral e na progressão do declínio cognitivo.

Acaba de ser publicado um estudo realizado na cidade de Leiden, na Holanda, que questiona esse rigor no caso das pessoas mais velhas e mais frágeis.

Os autores levantaram os níveis de pressão sistólica (máxima), as taxas de mortalidade e de declínio cognitivo em 570 mulheres e homens com mais de 85 anos, dos quais 44% recebiam tratamento medicamentoso anti-hipertensivo. Vários participantes estavam internados em casas de repouso, apresentavam déficit cognitivo e tomavam diversos medicamentos para outros agravos de saúde.

Os níveis de pressão sistólica foram relacionados com a mortalidade geral por qualquer causa e com as funções cognitivas avaliadas por meio da aplicação de um teste, o Mini-Mental State Examination. Para estimar o estado de fragilidade física foi realizado o teste de “força de apreensão”, no qual o participante comprime um pequeno dispositivo manual dotado de mola e uma escala que mede a força da mão empregada no aperto.

Os autores excluíram os casos de morte no primeiro ano de seguimento, bem como os que já sofriam de doenças cardiovasculares.



Os dados revelaram mortalidade mais alta no grupo dos que tomavam medicamentos anti-hipertensivos e apresentavam pressão sistólica mais baixa. Para cada redução de 1 cm na pressão sistólica, o risco aumentou 29%.

Da mesma forma, esse grupo experimentou declínio mais rápido das funções cognitivas. A fraqueza muscular medida pelo teste de “força de apreensão” também esteve relacionada com o declínio cognitivo mais acelerado.

Entre os participantes que não receberam tratamento anti-hipertensivo, não houve associação direta com o aumento da mortalidade nem com o declínio cognitivo.

Portanto, reduzir a pressão sistólica com tratamentos agressivos nos mais velhos e mais frágeis pode ter repercussão negativa na mortalidade geral e na progressão do declínio cognitivo.

É preciso levar em conta o estado de saúde e a cognição na indicação de hipotensores para os que passaram dos 85 anos.




Sobre o autor: Drauzio Varella
Drauzio Varella é médico cancerologista e escritor. Foi um dos pioneiros no tratamento da aids no Brasil. Entre seus livros de maior sucesso estão Estação Carandiru, Por um Fio e O Médico Doente.





Autor: Drauzio Varella
Fonte: Drauzio Varella UOL
Sítio Online da Publicação: UOL
Publicação Original: https://drauziovarella.uol.com.br/drauzio/artigos/a-pressao-dos-mais-velhos/

terça-feira, 10 de abril de 2018

Lesões por pressão em idosos: como prevenir



Alguns pontos relevantes de um cuidado seguro são prevenção das lesões de pele e o cuidado no manuseio dos medicamentos

As lesões de pele nas pessoas idosas não são incomuns, sobretudo naquelas que se encontram acamadas. Em geral o indivíduo idoso tem a pele mais frágil, além de apresentar uma resposta inflamatória baixa, alteração na velocidade de circulação sanguínea, e todos esses são fatores que contribuem para retardo no processo de cicatrização. “Portanto, promover cuidados diários a este idoso deve ser numa tarefa constante”, diz Grasiela Piuvezam, cirurgiã dentista e coordenadora do PPG QualiSaúde UFRN/UMU/INSP, do Departamento de Saúde Coletiva – DSC da Universidade Federal do Rio Grande do Norte – UFRN, que organizou o “Guia prático de cuidado à saúde da pessoa idosa”, em parceria com a pesquisadora da área do Envelhecimento Humano, a enfermeira Dra. Vilani Medeiros de Araújo Nunes.

As boas práticas de cuidado com a pele que o cuidador deve ter envolvem, em primeiro lugar, a inspeção diária da pele do idoso com o objetivo de detectar possíveis alterações. “Um bom momento para a realização desta inspeção é durante o banho”, afirma Grasiela. “Esta detecção de alterações na pele devem desencadear imediatamente ações preventivas para que as alterações não se agravem”, completa a especialista. Assim, manter a integridade cutânea é de extrema importância para que o organismo possa se defender das diversas alterações ou mudanças às quais a pessoa está exposta no dia a dia.

Em relação ao manuseio dos medicamentos, é de conhecimento de todos que os idosos compõem o grupo de pessoas que mais utilizam medicamentos, em função de diversos fatores, dentre eles as múltiplas doenças crônicas que atingem comumente essa faixa etária. “A utilização criteriosa e cautelosa dos medicamentos é necessária para obter bons resultados terapêuticos, tendo em vista vários fatores adversos e reações medicamentosas que podem trazer malefícios à saúde desse idoso”, comenta Grasiela.

As boas práticas de cuidado em relação ao manuseio dos medicamentos para o cuidador são lavar as mãos antes de manusear o medicamento, conferir o nome do medicamento, conferir a data de validade, checar a dose a ser ministrada, seguir os horários corretos (se o medicamento for dado à noite deve-se fazê-lo de luzes acesas), estar atento ao processo de armazenamento correto dos medicamentos, além de seguir as recomendações médicas para a utilização correta dos medicamentos. Essas são algumas ações essenciais para garantir a segurança do idoso e obter o efeito desejado do medicamento.


Autor: Segurança do Paciente
Fonte: Segurança do Paciente
Sítio Online da Publicação: Segurança do Paciente
Data de Publicação: 01/04/2018
Publicação Original: https://www.segurancadopaciente.com.br/qualidade-assist/esoes-por-pressao-em-idosos-como-prevenir/?utm_source=IBSP+Newsletter&utm_campaign=a95706f624-EMAIL_CAMPAIGN_2018_04_06&utm_medium=email&utm_term=0_cf1fdfc664-a95706f624-170902285