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A morte de um funcionário de um instituto anti-peste na Rússia, após um acidente de laboratório, voltou a centrar atenções na peste e na forma como se propaga
Morreu uma trabalhadora do instituto anti-peste em Irkutsk, na Rússia, [quando?], depois de se partir um tubo de ensaio no laboratório, avançaram os meios de comunicação regionais, citando fontes não identificadas próximas dos serviços de segurança da região.
As autoridades russas afirmaram não ter encontrado provas de que a doença tivesse sido provocada por algum dos agentes patogénicos com que trabalhava. Ainda assim, o caso gerou alarme na Rússia, depois de informações não confirmadas na comunicação social sugerirem que a morte poderá ter sido causada por peste pneumónica, uma forma menos comum mas grave da doença, que pode transmitir-se entre pessoas.
Órgãos de comunicação russos noticiaram que cerca de 200 pessoas que tinham estado em contacto com a trabalhadora falecida estavam sob rigorosa vigilância médica e que vários hospitais da região foram encerrados e colocados em quarentena.
“Dado que o contágio ocorreu num laboratório (presumivelmente bem desinfetado) e as pessoas foram rapidamente colocadas em quarentena, é altamente improvável que se propague mais e, por isso, apesar de ser contagiosa, é pouco provável que tenha oportunidade de se disseminar”, afirmou Alice Hughes, professora de ciência da conservação na Universidade de Melbourne, em declarações ao Science Media Centre.
Ainda assim, as autoridades de saúde pública acompanham de perto qualquer evolução.
O Centro Europeu de Prevenção e Controlo de Doenças (ECDC) indicou à Euronews que está “a acompanhar de perto a situação” e em contacto com a Organização Mundial da Saúde.
“Estamos a par do caso de pneumonia de origem desconhecida no leste da Rússia que é suspeito de ser peste. Essa suspeita ainda não foi confirmada”, afirmou um porta‑voz em comunicado escrito.
O porta‑voz acrescentou que, com base na informação limitada atualmente disponível, não há registo de casos secundários nem de transmissão sustentada entre humanos, e sublinhou que existe “pouca deslocação” entre Irkutsk e os países da União Europeia e do Espaço Económico Europeu, “sobretudo nesta altura devido à guerra da Rússia contra a Ucrânia”.
A peste está ausente da Europa há mais de 50 anos; ainda assim, registam-se casos humanos em África, sobretudo na República Democrática do Congo e em Madagáscar.
Que dizem os especialistas sobre o risco?
Embora a informação disponível sobre o caso suspeito na Rússia seja muito limitada, especialistas salientam que casos esporádicos de peste pneumónica não são invulgares.
“A peste não é uma doença do passado”, afirmou Zania Stamataki, professora associada de imunologia viral na Universidade de Birmingham, em declarações ao Science Media Centre. “Permanece endémica em populações de roedores em África, na Ásia e nas Américas, e surgem casos humanos todos os anos, incluindo surtos da forma pneumónica.”
Segundo Brendan Wren, professor de patogénese microbiana na London School of Hygiene & Tropical Medicine, “não deve haver grande preocupação, uma vez que a transmissão de Yersinia pestis entre humanos é geralmente fraca”.
O que é a peste pneumónica?
A peste pneumónica ocorre quando a peste, uma doença infecciosa causada por bactérias, atinge os pulmões.
A peste pneumónica é a forma mais grave da doença e a única que pode ser transmitida de pessoa para pessoa. Sem tratamento, apresenta uma taxa de letalidade entre 30% e 100%.
Segundo a Organização Mundial da Saúde, é particularmente contagiosa e pode desencadear epidemias graves através de transmissão entre humanos por partículas respiratórias. No entanto, as taxas de recuperação são elevadas se a doença for detetada e tratada a tempo.
O período de incubação pode ser tão curto como 24 horas e qualquer pessoa infetada pode transmiti-la a outros seres humanos através de partículas respiratórias.
Quais são os sintomas?
A peste pneumónica desenvolve-se quando as bactérias chegam aos pulmões de um doente com peste bubónica ou septicémica não tratada, ou quando uma pessoa inala gotículas infecciosas expelidas pela tosse de outra pessoa ou de um animal infetado.
Os sintomas surgem, em geral, entre um e três dias após a infeção. Incluem problemas respiratórios graves, como falta de ar e tosse, muitas vezes com espetoração sanguinolenta ou aquosa.
Qual é o tratamento?
Sem tratamento, a peste pneumónica pode ser rapidamente fatal. Diagnóstico e terapêutica precoces são essenciais para a sobrevivência e para reduzir complicações. Antibióticos correntes usados contra enterobactérias podem curar eficazmente a doença se administrados numa fase inicial.
“A peste é uma doença infecciosa grave. No entanto, pode ser diagnosticada e tratada com antibióticos facilmente disponíveis na Europa”, observou o porta‑voz do ECDC.
Nos casos de peste pneumónica, os doentes devem ser isolados e os seus contactos identificados e tratados, refere a agência no seu site.
Existem vacinas?
A Organização Mundial da Saúde não recomenda a vacinação, exceto para grupos de alto risco, como pessoal de laboratório constantemente exposto à infeção e profissionais de saúde.
Como a peste humana é rara na maioria das regiões do mundo, as autoridades de saúde pública não veem necessidade de vacinar pessoas fora dos grupos com risco particularmente elevado de exposição.
Autor: pt.euronews
Fonte: pt.euronews
Sítio Online da Publicação: pt.euronews
Data: 06/10/2026
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