sexta-feira, 9 de outubro de 2026

Livro apresenta ilustrações botânicas da flora das Ilhas Cagarras



Entre as espécies de flora que ganharam ilustrações botânicas no livro, estão: A) o cacto Coleocephalocereus; B) a pitangueira Eugenia uniflora; C) a bromélia Neoregelia cruenta; e D) o cacto Coleocephalocereus fluminensis (Artes: Luiz Berri)


Quem vai à praia de Ipanema, cartão postal da Zona Sul do Rio, pode avistar no horizonte, a apenas cinco quilômetros da costa, o Arquipélago das Ilhas Cagarras. Apesar da proximidade com o litoral e da beleza natural que emoldura a orla carioca, esse conjunto de quatro ilhas principais e duas ilhotas ainda é um objeto de estudo pouco explorado pelos cientistas. No livro Mona Cagarras – Guia ilustrado da flora símbolo do arquipélago, os autores Luiz Berri e Massimo Bovini apresentam, de forma didática e lúdica, ilustrações botânicas das 15 espécies mais representativas da flora do arquipélago, catalogadas após anos de pesquisas e expedições. A obra (editora Telha, 2025, 56 p.) foi publicada por meio do edital Apoio à Editoração, da FAPERJ, e ficou entre os finalistas da edição 2026 do Prêmio Jabuti Acadêmico, na categoria Ilustração Científica.

O livro é fruto da dissertação do ilustrador botânico Luiz Berri, e foi produzida durante o mestrado profissional em Biodiversidade em Unidades de Conservação da Escola Nacional de Botânica Tropical, do Instituto de Pesquisas do Jardim Botânico do Rio de Janeiro (JBRJ). Seu orientador acadêmico foi o próprio coautor, Massimo Bovini, que é professor e pesquisador da pós-graduação do JBRJ e pesquisa as Ilhas Cagarras há cerca de 15 anos.

“O objetivo do trabalho é ajudar a construir uma iconografia, com base na ilustração botânica, da rica flora que cresce sobre as Ilhas Cagarras. Berri desenhou, em aquarelas, as 15 espécies mais emblemáticas e facilmente encontradas nas Cagarras, mas já cataloguei um total de 195 espécies de flora nessas ilhas, que se assemelham à vegetação das restingas encontradas no litoral fluminense”, disse Massimo Bovini.

Berri contou que se dedica à ilustração botânica há bastante tempo, tendo participado, antes do mestrado, de vários cursos na área, ministrados pelos ilustradores Paulo Ormindo e Malena Barreto, na Escola Nacional de Botânica Tropical do JBRJ. Eles se especializaram em Ilustração Botânica no London Kew Gardens, um dos maiores jardins botânicos do mundo. “Esse período de estudos de Ilustração foi muito importante para minha formação. Fico feliz pelo fato do livro ter chegado à final do Prêmio Jabuti Acadêmico. Quando começamos o trabalho, pensei, junto com o Massimo, apenas em fazer um bom trabalho de Divulgação Científica, de aproximar o público em geral do trabalho científico, unindo ciência e arte”, contou.
Luiz Berri durante a cerimônia de entrega dos vencedores do Prêmio Jabuti. Dupla de autores ficou entre os cinco finalistas na categoria Ilustração Científica (Foto: Divulgação)


Nesse sentido, o livro tem textos informativos escritos em uma linguagem leve, atraente para os jovens e demais interessados no tema, e também oferece um capítulo com ilustrações botânicas concebidas em line art (desenhos apenas feitos com o contorno das figuras), para quem quiser colorir as espécies vegetais. “A ideia dos desenhos em line art surgiu para estimular a criatividade e provocar no leitor a vontade de explorar essa linguagem de expressão. Os riscos básicos dos contornos das espécies estão ali para que o leitor possa ter o prazer de pintar”, explicou Berri. (Clique aqui para imprimir e colorir uma das espécies ilustradas na obra).

Ilhas Cagarras: pesquisa, riqueza e biodiversidade

Desde abril de 2021, o Monumento Natural (Mona) das Ilhas Cagarras ganhou o título de Ponto de Esperança (Hope Spot) do Atlântico Sul, privilégio antes concedido apenas ao Arquipélago de Abrolhos, no sul da Bahia. No mundo, existem 130 Hope Spots, categorizados pela Mission Blue, organização internacional voltada à conservação dos oceanos.

Apesar de ser um ecossistema insular desprovido de fontes de água doce, e que tem um solo raso e com alta salinidade, o arquipélago abriga diversas espécies endêmicas e ameaçadas – sendo um refúgio fundamental para as aves marinhas, um corredor natural durante o processo de migração das baleias-jubarte e um ponto-chave para a reprodução de espécies de peixes comerciais.
Massimo Bovini destaca a importância de aprofundar as pesquisas sobre as Ilhas Cagarras, ecossistema ainda pouco explorado pelos cientistas (Foto: Divulgação)


E ainda, pesquisas recentes, de 2012, que contaram com a participação de Bovini e outros pesquisadores, revelaram a existência de um sítio arqueológico até então desconhecido nas Cagarras, com vestígios de objetos cerâmicos e artefatos que indicam a presença de civilizações indígenas pré-coloniais no local, de origem tupi-guarani.

“É muito importante estudar esse local. Por incrível que pareça, existem mais estudos sobre o ecossistema de Fernando de Noronha do que o ecossistema das Cagarras, que estão bem próximas ao Rio. Nós só preservamos aquilo que conhecemos, e esperamos apoio para dar continuidade a esses estudos”, justificou Bovini.

Ele participou anteriormente de outras obras sobre as Ilhas Cagarras: História, pesquisa e biodiversidade das Ilhas Cagarras (resultado do projeto Ilhas do Rio, financiado pelo edital Petrobras Ambiental) e publicou os artigos científicos Use of Nucleation Technique in the Recovery of Degraded Insular Environment in Rio de Janeiro; Floristic diversity of the Cagarras Islands Natural Monument, Rio de Janeiro, Brazil; e Uma cápsula do tempo: o uso potencial de recursos naturais por visitantes pré-coloniais no arquipélago das Cagarras, Rio de Janeiro.




Autor: faperj
Fonte: faperj
Sítio Online da Publicação: faperj
Data: 08/10/2026
Publicação Original: https://www.faperj.br/?id=1109.7.7

Nenhum comentário:

Postar um comentário