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quarta-feira, 9 de março de 2022

Casos de poliomielite ressurgem em Israel e Malawi

Apesar de ser uma doença imunoprevenível e de estar controlada na maioria dos países, o relato recente de casos de poliomielite no Malawi e em Israel chamou a atenção da comunidade internacional. A detecção de novos casos em países que eram considerados livres da doença demonstra a possibilidade de reintrodução quando a cobertura vacinal não é adequada.

Poliomielite: o que é e qual sua importância?

A poliomielite é uma doença causada por enterovírus capazes de causar comprometimento neurológico em humanos, podendo evoluir para quadriplegia permanente, insuficiência respiratória e morte. É considerada uma doença altamente contagiosa, com transmissão pessoa-a-pessoa por via fecal-oral ou, de forma menos frequente, por fonte comum, como água ou comida contaminada.


Dos 3 tipos de poliovírus selvagem, os tipos 2 e 3 foram erradicados globalmente, mas o tipo 1 selvagem continua a causar infecções, permanecendo endêmico no Paquistão e Afeganistão. O tipo 2 é associado à doença vacinal.

Caso no Malawi

Em 17 de fevereiro de 2022, autoridades sanitárias do Malawi comunicaram um surto de poliomielite à Organização Mundial da Saúde (OMS). Trata-se de uma criança abaixo de 5 anos que desenvolveu paralisia flácida aguda. Inicialmente, o caso foi associado ao tipo 2, mas sequenciamento posterior de vírus isolados em amostras de fezes confirmou infecção por poliovírus tipo 1. A análise do vírus isolado evidenciou ligação genética com uma cepa circulante no Paquistão, detectada em 2020.

Segundo comunicado da OMS, o risco de surto a nível nacional no Malawi é considerado alto no momento, principalmente devido à alta densidade populacional, à baixa cobertura vacinal (<80%), ao elevado número de indivíduos suscetíveis e ausência de vigilância ambiental e vigilância subótima de casos de paralisia flácida aguda. A nível regional, o risco é considerado moderado devido ao significativo movimento populacional entre Malawi e Moçambique, à cobertura vacinal abaixo do ideal nos países adjacentes e vigilância subótima de casos de paralisia flácida aguda. O risco a nível global permanece baixo.

Trata-se do primeiro caso de poliomielite por vírus selvagem no país desde 1992. O último caso de pólio selvagem na África foi detectado em 2016, na Nigéria, e o continente foi declarado como região livre de pólio em agosto de 2020. Por ser considerado como caso importado do Paquistão, a detecção dessa infecção não afeta no momento o status da África em relação à doença.

Caso em Israel

Em março de 2022, o Ministério da Saúde de Israel também divulgou a detecção de um caso de poliomielite selvagem. Trata-se de uma criança de 4 anos, não vacinada, em Jerusalém. O último caso de pólio no país foi notificado em 1989. Acredita-se que a cepa relacionada seja decorrente de uma mutação, mas investigação epidemiológica ainda está em andamento.

A situação no Brasil

O Brasil recebeu o certificado de eliminação da poliomielite em 1994, com o último caso de doença por vírus selvagem em 1989, na Paraíba.

Em relação aos índices de vacinação contra a doença, nota-se que as taxas vêm caindo a níveis alarmantes nos últimos anos. Segundo anúncio do Ministério da Saúde, em 2019 a cobertura vacinal era de aproximadamente 84%. Já em 2020, esse número caiu para 76%, e em 2021, para 59,82%.

O que esses casos representam?

Apesar de serem somente 2 casos notificados, o que chama atenção é sua ocorrência em áreas consideradas livres da doença, sem casos por vírus selvagem há décadas. Em comum, destaca-se a ausência de cobertura vacinal adequada.

A detecção desses casos demonstra que, enquanto houver vírus selvagem em circulação — como ocorre no Paquistão e no Afeganistão —, é necessário manter uma alta cobertura vacinal na população, mesmo em regiões em que há não relatos de infecção. A grande mobilidade populacional e fluxo migratório do mundo globalizado torna essa questão ainda mais importante.

As infecções divulgadas no Malawi e em Israel mostram a possibilidade de reintrodução da poliomielite em regiões consideradas livres de circulação do vírus. Considerando que não há tratamento específico para a doença, a melhor estratégia de controle é a prevenção por meio da vacinação





Autor: Isabel Cristina Melo Mendes
Fonte: PEBMED
Sítio Online da Publicação: PEBMED
Data: 09/03/2022
Publicação Original: https://pebmed.com.br/casos-de-poliomielite-ressurgem-em-israel-e-malawi/

sexta-feira, 23 de fevereiro de 2018

Brasil entra no grupo da elite mundial da pesquisa em Matemática



Popularizar o gosto pela Matemática ainda é um desafio no País (Foto: Divulgação)


Se o ensino e o aprendizado da Matemática nas escolas enfrentam dificuldades, o Brasil faz bonito quando o assunto é a pesquisa em Matemática. O País acaba de ingressar no seleto grupo das nações mais desenvolvidas do mundo em pesquisa na área da Matemática. O País se junta, assim, ao chamado "Grupo 5" – Alemanha, Canadá, China, Estados Unidos, França, Israel, Itália, Japão, Reino Unido e Rússia –, que formam uma “primeira divisão” dentre as nações que participam da União Matemática Internacional (IMU, na sigla em inglês). Com sede em Berlim, a IMU tem 76 países-membros, divididos em cinco grupos, segundo ordem de excelência. O anúncio foi realizado na quinta-feira, 22 de janeiro, na sede do Instituto de Matemática Pura e Aplicada (Impa), tradicional instituição localizada no Jardim Botânico, no Rio.

“A entrada no Grupo 5 da IMU é o reconhecimento da evolução do nosso País na área de Matemática, mesmo diante do atual cenário de dificuldades econômicas, devido à redução do orçamento destinado à pesquisa. Como nação em desenvolvimento, entramos apenas em 1954 na IMU, no Grupo 1, o mais baixo, e, que eu saiba, somos o único país-membro que conseguiu sair dessa categoria e chegar ao Grupo 5”, diz o diretor-geral do Impa, o matemático Marcelo Viana. Em 1978, o Brasil ascendeu ao grupo 2; em 1981, ao grupo 3; e, em 2005, ao grupo 4.

Ele lembra que, nos anos 1950, a pesquisa no Brasil – em Matemática e em outras áreas – ainda era feita totalmente de forma amadora, sem o apoio de uma rede de fomento, já que não existia o atual Sistema Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (SNDCT), formado por instituições como o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), a Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) e as agências estaduais de fomento, como a FAPERJ. “Nossa comunidade científica era muito despreparada na época. O Impa só foi criado em 1952; o CNPq, em 1951, e a FAPERJ, em 1980. Era um País diferente. Há pouco tempo, nem tínhamos o registro histórico de como foi essa adesão do Brasil à IMU em 1954. Descobrimos que não foi iniciativa do Brasil, foi um convite da IMU”, conta.

Viana recorda que essa trajetória da institucionalização do apoio à pesquisa no País também passou pelo fortalecimento da pós-graduação do Brasil, nos anos 1970, e pela consolidação do Impa como uma instituição de ponta internacional, tornando-se um celeiro de jovens talentos, entre eles o matemático carioca Artur Ávila, ganhador, em 2014, da Medalha Fields – considerada o “Nobel” da Matemática. “O Impa tradicionalmente atrai mentes brilhantes, como o Artur Ávila e o Carlos Gustavo Moreira, porque oferece uma flexibilidade na admissão desses talentos, sem deixar de exigir qualidade. Temos, por exemplo, casos de alunos que foram aceitos no mestrado sem a exigência de conclusão do ensino médio, e casos de admissão no doutorado sem a exigência do mestrado como pré-requisito. Prezamos o talento, acima da burocracia”, pondera.


Viana destaca a importância da educação em matemática (Foto: Divulgação/Impa)


Outra característica do Impa que vem contribuindo para alavancar a Matemática brasileira no exterior é a internacionalização. “Metade dos nossos alunos são estrangeiros. Os que não ficam no Brasil depois do curso voltam aos seus países, onde acabam se tornando embaixadores da nossa Matemática no exterior”, disse Viana. O instituto também investe no aprimoramento de professores de Matemática. “Oferecemos formação continuada de professores do ensino médio, desde os anos 1990. Hoje, temos mais de 70 polos de ensino de Matemática a distância, pela internet, espalhados pelo Brasil”, completa.

No entanto, mesmo com potencial para a pesquisa na área, a Matemática no Brasil ainda é vista, pela maioria dos alunos em idade escolar e até pela população em geral, como um “bicho-papão”. Uma iniciativa importante para desmistificar essa ideia e atrair novos talentos é a realização da Olimpíada Brasileira de Matemática das Escolas Públicas (OBMEP), organizada pelo Impa desde 2005. “Cerca de 18 milhões de jovens, de escolas públicas e, em 2017, também das escolas privadas, participaram da Olimpíada. É um esforço enorme para aproximar a Matemática das crianças e desfazer a imagem ruim dessa disciplina junto às crianças e famílias”, afirma.

O matemático destaca que mudanças estruturais na educação do País são necessárias. “Entrar no 'Grupo 5' não resolve todos os problemas, mas aumenta a autoestima dos nossos alunos. Infelizmente, o Brasil é um país que investe muito pouco em ciência; menos de 1% do PIB é destinado à pasta de ciência, tecnologia, inovações e comunicações. Deveríamos investir pelo menos o dobro, pois ciência não é gasto, é investimento. Países com visão estratégica sabem que a ciência é o melhor retorno para sair da crise.”

Outra boa nova para a matemática brasileira é que, neste ano de 2018, o Rio vai sediar o Congresso Internacional de Matemáticos, um dos principais eventos mundiais na área, que ocorre a cada quatro anos. “Estamos no Biênio da Matemática (2017-18), conforme foi estabelecido pela Lei 13.358, especialmente para a realização, no Brasil, dos dois maiores eventos matemáticos internacionais. De 12 a 23 de julho de 2017, sediamos a Olimpíada Internacional de Matemática e, este ano, vamos receber o Congresso Internacional de Matemáticos”, diz Viana, que é o coordenador do comitê organizador do congresso.


Autor: Débora Motta
Fonte: Faperj
Sítio Online da Publicação: Faperj
Data de Publicação: 22/02/2018
Publicação Original: http://www.faperj.br/?id=3525.2.0